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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O BATISMO DE JESUS-Ano A

O BATISMO DE JESUS

Domingo dia 15

SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Ano A

Primeira leitura Is 49,3-56
Salmo 40
Segunda leitura 1 cor 1,1-3

Evangelho Jo 1,29-34



O batismo de Jesus marca o início da sua missão, o início da sua vida pública. Também na liturgia da Igreja hoje tem início o tempo comum de cor verde.  CONTINUAR LENDO



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“EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!”- Olivia Coutinho.

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 15 Janeiro de 2017

Evangelho de Jo1,29-34

O mundo necessita urgentemente de pessoas que façam a diferença, de homens e mulheres comprometidos com o evangelho, que assim como João Batista,  nos apontem algo novo, no sentido de suscitar sentimentos positivos nos muitos  corações desesperançados!
É grande a necessidade de profetas que devolva ao povo, a  esperança, a alegria de se sentirem amados por Deus, profetas que não se curvam diante os inimigos, porque  acreditam numa força Maior!
O evangelho que a liturgia deste Domingo nos convida a refletir, narra o  acontecimento que marcou a passagem do tempo de espera para o tempo da realização das promessas de Deus. Com  três afirmações, João Batista, apresenta Jesus aos seus discípulos: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”; “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele”; “Eu vi e dou testemunho, este é o Filho de Deus”. 
 “Eis o cordeiro de Deus...” João se refere a Jesus como Cordeiro, porque como o cordeiro, que era sacrificado pelos pecados do povo, Jesus também seria sacrificado pelos os pecados da humanidade.
Mesmo não tendo convivido diretamente com o Messias, João Batista dá testemunho Dele, por acreditar nas promessas de Deus que o enviou para anunciá-Lo! Ele não somente anunciou a vinda do Messias, como também, preparou o caminho para a entrada desta Luz num mundo envolto em trevas! 
Este grande profeta que anunciou e apresentou o Messias ao povo, desempenhou um papel importantíssimo na história da salvação, foi ele quem convenceu o povo da necessidade de se  converterem, abrindo assim, o caminho para que Jesus pudesse entrar no coração humano e nele fazer sua morada!  
João Batista veio dar testemunho da Luz, foi ele quem preparou o encontro do humano com o Divino! Foi a partir do seu testemunho, que Jesus foi reconhecido pelo o povo como o Messias, o Filho de Deus que veio ao nosso encontro!
Depois de ser apresentado ao povo por João Batista, Jesus começa a formar a sua primeira comunidade, um grupinho de doze pessoas que passou a conviver diretamente com Ele fazendo parte  do seu cotidiano, aprendendo a fazer o que Ele fazia. É graças ao testemunho desta primeira comunidade cristã, que conviveu diretamente com Jesus, que hoje, também nós, podemos viver e dar testemunho de Jesus no meio em que vivemos.
João Batista foi um grande exemplo de quem viveu exclusivamente a vontade de Deus, ele não se acomodou nas tradições do seu povo, pelo contrário, ele  buscou algo novo, se fazendo anunciador das realizações das promessas de Deus, anunciando um tempo de graça que traria um sentido novo para a humanidade corrompida pelo pecado, uma humanidade que se distanciava da sua verdadeira origem.
Assim como João Batista, nós também viemos a este mundo com uma missão: realizar a vontade de Deus, dando testemunho de Jesus em qualquer circunstancia, pois é com o nosso testemunho de fidelidade ao projeto de Deus, que apontamos Jesus ao outro.
João Batista não se intimidou diante os poderosos, nem mesmo na prisão, ele deixou de anunciar o Messias, de chamar o povo à conversão.
A sua cumplicidade com o projeto de Deus, o levou a experimentar a força dos dois lados do coração humano: a força do amor que é capaz de resgatar vidas e a força do ódio, capaz de levar a morte, como aconteceu com ele.
Tiraram a vida de João Batista, mas não conseguiram calar a voz do profeta, voz, que continua ressoando nos ouvidos de cada geração: “Convertei-vos e crede no evangelho”. “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
E nós, que recebemos o Espírito Santo no nosso Batismo, que conhecemos os ensinamentos de Jesus, estamos dando testemunho Dele, como fez João Batista? Estamos mostrando Jesus a aquele que ainda não o conhece?
Ao Apresentar Jesus ao povo, João Batista, dá como encerrada a sua missão, naquele momento ele sai de cena, deixando o “palco” livre para Jesus que é o centro de tudo!
 Colocar Jesus como centralidade da nossa vida, como fez João Batista, é pensar, é viver, é falar é mover-se em função do amor.

 

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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Chamados a ser santos
A história da humanidade mostra que o pecado cavou um abismo entre o Criador e a criatura. A humanidade por si só não pode superar esse abismo. Para realizar o que era impossível ao ser humano, Deus prometeu um redentor. Jesus revelou que essa promessa, renovada através dos séculos, não se restringia apenas a Israel, mas almejava atingir a humanidade inteira. Paulo afirma na segunda leitura que todos são “chamados a ser santos” (1Cor. 1,2). Isso só é possível porque o “Cordeiro de Deus”, ou seja, o consagrado por excelência, “tira o pecado do mundo”. Jesus associa cada ser humano à sua própria vida como oferta ao Pai. O Deus santo e santificador aceita, em Jesus, a consagração da vida de cada pessoa. Dessa forma, supera a ruptura abissal entre Criador e criatura.
Evangelho (Jo 1,29-34)
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!
No evangelho de hoje, João dá testemunho sobre Jesus Cristo, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. O batismo de Jesus apresenta-se como ocasião de sua manifestação a Israel.
O Antigo Testamento admite vários tipos de sacrifícios. Quando o israelita ofertava a si mesmo por meio do sacrifício de um cordeiro, acreditava que com esse rito entrava em comunhão com Deus. É nesse sentido que o evangelho nomeia Jesus como o “Cordeiro de Deus”. A vida de Jesus foi inteiramente consagrada ao Pai, pois sua existência terrena foi vivida em obediência amorosa à vontade divina. O Filho amado de Deus tornou-se humano para conduzir os seres humanos à amizade com Deus. Ele é o Cordeiro porque destrói de uma vez por todas a inimizade entre o Criador e a criatura, realizando entre ambos a comunhão plena.
Por seu batismo, prefiguração do batismo cristão, Jesus é ungido pelo Espírito Santo, que o conduzirá em sua missão. Esse mesmo Espírito que estava sobre Jesus é que foi dado aos cristãos. Isso significa que, pelo batismo, somos associados a Cristo para viver nossa consagração como oferta ao Pai. Quando a consagração batismal é assumida numa verdadeira vida cristã, supera-se a ruptura entre o ser humano e seu criador.
1ª leitura (Is. 49,3.5-6)
Para que a salvação chegue até a extremidade da terra
Esse texto da primeira leitura da liturgia de hoje trata da missão universal do Servo de Deus.
Em primeiro lugar, no v. 3, o Servo é o povo de Israel personificado em um indivíduo. Mas no v. 5 ele recebe a missão de fazer Israel voltar a seu Deus e à Terra Prometida. Nesse caso, o texto se refere a outra pessoa, geralmente identificada como o Messias. Segue-se o v. 6, que afirma que não basta reconduzir Israel a Deus e à terra da promessa: o Servo tem de ser luz para as nações. Ele deverá cumprir o desígnio divino e a vocação de Israel, fazendo que os reis (os povos) adorem o Deus uno.
Os cristãos crêem que o povo de Israel foi conduzido, por meio de uma série de acontecimentos históricos, até a consumação da redenção na pessoa de Jesus Cristo. Jesus realizou a missão do Servo, pois com Jesus a redenção foi estendida até os extremos da terra, ou seja, a todos os povos.
2ª leitura (1Cor. 1,1-3)
Aos santificados em Cristo Jesus
No v. 1, Paulo se identifica em primeiro lugar como “apóstolo”, isto é, o “enviado”. Esse termo define sua vocação e missão entre os gentios (os não judeus).
Em seguida, ao identificar os destinatários da carta, Paulo utiliza o vocábulo “Igreja”, cujo significado é “assembléia do povo congregado por Deus”. Por isso, os membros da Igreja são santos e eleitos.
Ao considerar uma comunidade cristã como povo de Deus, Paulo quer dizer que cada comunidade local condensa as características do povo de Deus em seu sentido mais amplo. Assim, a Igreja de Corinto é povo de Deus e grupo de santificados. Ou seja, é uma assembléia de pessoas consagradas a Deus. Tal consagração é obra de Deus mesmo em cada membro e na comunidade como tal. A santificação ou consagração das pessoas é realizada por meio de Cristo Jesus. Somente a obra redentora de Cristo pode haurir a santificação/consagração dos que formam a Igreja.
Pistas para reflexão
A ênfase da liturgia é a vocação para uma vida de santidade, isto é, para uma vida ofertada a Deus. Mas a santidade, em sentido cristão, é engajamento para transformação do mundo, e não uma busca do extraordinário ou fuga da realidade. Pelo batismo, somos associados à consagração (oferta) de Jesus e, à medida que o cristão consagra a própria vida como oferta, orientando todas as suas atividades, sem exceção, ao cumprimento da vontade do Pai, o pecado é tirado do mundo, ou seja, a rebeldia contra o plano de Deus cede lugar ao Reino de justiça e paz.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade









A pertença da comunidade cristã
A vocação da comunidade cristã é testemunhar a alegria de pertencer a Jesus Cristo. Essa pertença é o sentido íntimo da missão. Por isso a comunidade só é viva se consciente dessa sua condição. De outra forma, correria o risco de se considerar autossuficiente e cair na tentação do amor ao poder. Quem pertence a Jesus é guiado pelo poder do amor. Esse é o poder que conta.
Quando João Batista testemunha que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo. 1,29), ensina à comunidade que seu Mestre é o homem da misericórdia, do perdão. Logo os seguidores devem ter as mesmas atitudes do Mestre. Isso só pode ocorrer se houver um encontro pessoal com ele. É preciso conhecer o amor para amar. A comunidade ama quando conhece Jesus, o amor de Deus feito homem.
Quando João Batista testemunha que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, evoca a tradicional imagem bíblica do servo sofredor. Jesus é o servo fiel. Ele assume os pecados do seu povo, carrega nos ombros a dor de todo o mundo. Evoca também a imagem do cordeiro pascal, símbolo da ação libertadora de Deus, outrora em favor de Israel e agora ligada à libertação de toda a humanidade.
Desse modo, a comunidade tem a obrigação de saber quem é Jesus. Daí a necessidade da experiência do encontro verdadeiro com ele. Esse encontro se dá por meio da oração. A comunidade cristã tem a vocação de viver em contínua oração. Isso quer dizer que, mesmo nas ocupações e correrias do dia a dia, a comunidade persevera na oração, fazendo o bem. É justamente a bondade cristã que está presente no apelo do apóstolo Paulo em sua clássica saudação às comunidades: “A graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco”.
A graça e a paz são distintivos da comunidade cristã. Não é à toa que na liturgia eucarística, antes da comunhão, quem preside reza pela paz e convida todos ao abraço. Além disso, por três vezes, pelo menos, pede-se que o Cordeiro de Deus tire o pecado do mundo.
A comunidade cristã, portanto, tem a missão de semear a bondade, o perdão, o amor. Ela é serva. Cristo é o modelo por excelência. É nele que somos, nos movemos e existimos (At. 17,28). Dele, por ele e para ele são todas as coisas (Rm. 11,36). Graça e paz a você!
padre Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp







A força do testemunho
O início da atividade pública de Jesus é marcado pela presença de João Batista, o “precursor”, aquele que vem antes para anunciar a chegada do Messias, um rei diferente que se faz batizar por João.
O batismo de João se fazia apenas uma vez, por imersão na água, para significar o desejo de uma mudança profunda de vida. Este chamado à conversão, à mudança de mentalidade e de vida, preparava para a chegada de Jesus, aquele que vinha batizar com o Espírito Santo.
E então João aponta Jesus como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. O cordeiro era o animal que se costumava sacrificar a Deus para que os pecados fossem perdoados. Agora o Cordeiro que leva embora o pecado do mundo, aquilo que não é conforme ao projeto de vida de Deus, é o próprio Filho.
Jesus é, de fato, aquele que nos tira de uma história de pecado, condenação e morte ao nos mostrar que Deus é bondade e graça e que seu amor consiste em servir e doar a própria vida. Em Jesus, Deus deixa em segundo plano nossas faltas, para nos animar com o Espírito que transforma e santifica.
O Espírito do batismo, aliás, é o Espírito enviado por Deus que nos permite testemunhar hoje o amor maior de Deus, manifestado em seu Filho, Jesus.
Diz o ditado: “As palavras convencem, mas os exemplos arrastam”. Quão importante é hoje nosso testemunho de seguidores desse Cordeiro-Servo. Olhando o testemunho de João, temos muito a aprender: nunca conheceremos Jesus suficientemente. Mas abrir-nos ao seu Espírito é dar espaço para que Deus aja em nós e, por meio de nós, continue se manifestando ao mundo como amor que não tem fim.
Já não sacrificamos animais a Deus, carregando-os com os nossos pecados. Mas há certamente uma carga bem pesada jogada nos ombros dos sofredores, que somos chamados a aliviar com o testemunho de quem segue o Mestre que, por amor, perdoa e se doa até o fim.
padre Paulo Bazaglia, ssp









“Este é o Filho de Deus”
João Batista caminhou na vida em função de Jesus. Pode ter mesmo acontecido que alguns de seus contemporâneos tenham acreditado que ele fosse o Messias. Há todo um cuidado dos evangelistas em mostrar que João não é a realização das profecias. No meio do povo, dirá João, está aquele que é o esperado das nações.
O Batista viu que Jesus chegava. Procurou delinear diante de todos traços do perfil do Messias: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
Conhecemos essa frase que sempre nos toca. No momento da comunhão da missa, escutamos o celebrante pronunciá-la e ela penetra nosso interior.
Isaías, na primeira leitura, fala de um personagem chamado de servo. “O Senhor me disse: Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado”. Esse personagem misterioso era o povo tomado em sua totalidade. Aos poucos, porém, essa figura foi se individualizando.
Jesus era o verdadeiro servo de Javé que haveria de ser luz do mundo e dar a sua vida pelo povo. “Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei a luz das nações, para que minha salvação chegue até os confins da terra”.
João afirma que esse veio depois dele e o passou. Ele existia antes de João. “Depois de mim vem um homem que passou à minha frente porque existia antes de mim.
João viveu um tempo no ocultamento do deserto, na vida recolhida e reclusa. Ele não conhecia a Messias. “Eu não o conhecia, mas se vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Isarael”.
Esse Jesus, o Servo de Javé, se apresenta a João. Vem no meio dos pecadores. Associa-se ao cortejo dos que reconhecem seu pecado, sem ser pecador. E o Batista declara com toda solenidade: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu e permanecer sobre ele”. Jesus é o ungido, aquele que recebe o Espírito. Ele é o Cristo, o ungido.
Finalmente, o evangelista João coloca nos lábios do Batista a profissão de fé mais radical: “Eu vi e dou testemunho: esse é o Filho de Deus”. Sim, por detrás desse homem, desse que vai na direção das águas, desse que tem o Espírito está o Filho de Deus. O Menino das Palhas é a presença de Deus na teia humana. A segunda pessoa da Trindade, o Verbo que existe desde toda a eternidade é o Filho de Deus. Esse que veio nos trazer luz vem também ser portador da vida. Os cristãos sabem que esse é desejado das colinas eternas que agora, a partir de seu batismo, vai ser o grande libertador. Mas sobretudo ele é o Filho de Deus.
O servo glorifica o Pai.
frei Almir Ribeiro Guimarães







Vocação de Filhos de Deus
Os domingos do tempo comum seguem, em grandes linhas, os passos da vida pública de Jesus, desde seu batismo por João (Batismo do Senhor, fim do tempo de Natal) até o conflito final em Jerusalém e o anúncio do Último Juízo. Em regra, segue-se a leitura contínua do evangelho de Mt. Hoje, porém, é intercalado um trecho de Jo (que normalmente não é lido no tempo comum).
Na festa do Batismo do Senhor figurou o relato mateano deste fato. Hoje, o evangelho traz como que a “interpretação”por Jo do mesmo fato (Jo. 1,29-34). Enquanto Mt. conta o acontecimento sob o ângulo do cumprimento da vontade de Deus, Jo. o considera sob o ângulo da revelação: João Batista veio para que o “Cordeiro de Deus” seja conhecido por Israel (Jo é o evangelho da manifestação de Deus em Jesus Cristo e atribui ao Batista o papel de testemunha; cf. Jo 1,6-8.15; cf. v. 34).
No testemunho do Batista segundo Jo podemos destacar dois elementos: 1) A antítese”batizar com água” – “batizar com o Espírito Santo” (cf. Mt3, 11 = Mc 1,7-8 Lc 3,16). Mas, enquanto para os evangelhos sinóticos (Mt, Mc e Lc) isso significa que em Jesus vem até nós o batismo escatológico (“em espírito santo e fogo”; Mt 3,11), Jo reinterpreta isso a partir de sua experiência eclesial: desde a morte e ressurreição de Cristo, a Igreja é guiada por seu Espírito. Cristo é aquele que dá o Espírito como dom permanente: o espírito desce sobre Jesus e permanece. 2) 0 evangelho de Jo atribui a Jesus o título bem particular de Cordeiro de Deus. É uma alusão ao Servo de Deus, que, tal um cordeiro, não abre a boca e dá sua vida em prol dos seus irmãos. Mas isso parece relacionar-se com o cordeiro pascal e com o dom do Espírito (cf. os cânticos do Servo de Deus, esp. Is 42,1). Pois tirar o pecado do mundo é precisamente o legado que Jesus, com o dom do Espírito, deixa aos seus quando de sua ressurreição (Jo 20,19-23; cf. Pentecostes).
É nesta perspectiva que devemos ler a 1ª leitura, o 2° Canto do Servo de Deus (Is 49,3.5-6). Ele é chamado, desde o seio de sua mãe, para reerguer Israel e – conforme a teologia específica do Segundo Isaías – ser uma luz diante das nações, no meio dos quais o povo vivia disperso. O Servo é também o protótipo veterotestamentário do “Filho” de Deus, como Jesus é proclamado na hora de seu batismo. O salmo responsorial mostra a prontidão do justo para assumir o chamamento do Senhor.
A 2ª leitura se une às duas outras mediante o tema da vocação – vocação de Paulo como apóstolo, vocação dos fiéis de Corinto (e de toda a Igreja) à santidade. Toda vocação participa da vocação que Deus suscitou nos seus “filhos”, desde antigamente; participa, especialmente e de maneira incomparável, da vocação de Cristo.
A oração do dia reza por todos os que se empenham pela justiça de Deus, os “servos” e “filhos” de Deus, pois o tema de hoje é a vocação a ser filho de Deus, conforme o modelo de Jesus Cristo, proclamado tal na ocasião de seu batismo. A nossa vocação é uma participação na do Cristo, mediante o Espírito que permanece nele e nos faz permanecer nele, para que nós, como novos servos de Deus, tiremos de todos os modos possíveis o pecado do mundo, empenhando-nos pela justiça de Deus. A oração final pede que este Espírito, dom permanente de Cristo, nos faça viver unidos no amor do Pai.
Johan Konings "Liturgia dominical"






Testemunho de João
Com o fim do Tempo do Natal, inicia-se um novo Tempo do Ano Litúrgico que narra a vida de Jesus. Nota-se que o Tempo Comum inicia-se a partir do Segundo Domingo, e isso se dá pelo fato de o Primeiro Domingo ser substituído pela Festa do Batismo do Senhor.
João Batista após aceitar batizar Jesus, O apresenta à multidão: “Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”. Ele apresenta ao mesmo tempo, um Jesus Servo Sofredor, que vem cumprir docilmente a vontade do Pai, que carrega todo o pecado dos homens. É o Cordeiro Pascal, símbolo da libertação de Israel por ocasião da primeira Páscoa.
A palavra Cordeiro, com referência à Jesus, tem significados importantes como mansidão, pureza e inocência, satisfação de sacrifício e oferenda.
Todo israelita conhecia bem o texto em que o profeta Isaías comparava os sofrimentos do “Servo de Javé”, o Messias, ao sacrifício de um cordeiro (Is 53,7). Todos eles sabiam também o significado do cordeiro pascal cujo sangue foi derramado na noite em que os judeus tinham sido libertados da escravidão do Egito. O cordeiro pascal que, a partir dessa ocasião, era sacrificado no Templo significava a libertação e a aliança que Deus tinha feito com o seu povo escolhido: a promessa do verdadeiro Cordeiro que se sacrificaria para a salvação de muitos.
A profecia de Isaías é, pois, concretizada no Calvário. Como um Cordeiro, manso e humilde, Jesus veio cumprir a vontade do Pai, limpar os pecados e conduzir ao caminho do Reino do Céu todo aquele que Nele crer.
“A morte de Jesus é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens pelo “Cordeiro que tira o pecado do mundo” e o sacrifício da Nova Aliança, que reconduz o homem à comunhão com Deus.”
O Evangelho se refere à missão de Jesus, que vem do Pai e se realiza na comunidade que está em comunhão com Ele que a santifica e a capacita para o testemunho.
Pequeninos do Senhor







O Messias reconhecido
A atividade frenética do Batista, às margens do Jordão, não o fez perder a consciência de sua missão. No afluxo de penitentes à procura do batismo, ele se deu conta da presença do Messias Jesus. Por isso, advertiu a multidão para a presença do Cordeiro de Deus, enviado para abolir o pecado do mundo.
A situação do batismo de Jesus estava carregada de evocações. Sua exclamação lembrava o cordeiro pascal. As águas do Jordão recordavam o mar Vermelho. A eliminação do pecado do mundo aproximava Jesus de Moisés, condutor do povo de Israel para a terra prometida. Tudo isso servia para alertar a multidão acerca da presença do Messias.
João só reconheceu Jesus, por que movido pelo Pai, uma vez que já tinha declarado, por duas vezes, não ter um conhecimento prévio do Messias. Para não se enganar na identificação do Messias, João colocou-se numa atitude de contínuo discernimento. Teria sido desastroso um falso reconhecimento e a conseqüente atribuição do título de Cordeiro de Deus à pessoa indevida. João, ao contrário, não titubeou quando viu Jesus diante de si. Seu testemunho foi firme, pois estava certo de não ter sido induzido ao erro. Diante dele, estava, realmente, o Filho de Deus. Foi o Pai quem lhe revelara a identidade do Filho, e o movera a reconhecê-lo publicamente.
padre Jaldemir Vitório









O Servo escolhido por Deus
O livro do profeta Isaías abrange um período de quase três séculos. Convenhamos que o profeta do século VIII não viveu tanto tempo assim. Certamente, há uma longa tradição literária que subjaz ao livro que leva o nome do profeta. O texto de Isaías proposto para este domingo faz parte do que se convencionou chamar Dêutero-Isaías, que, normalmente, retrata fatos do período do exílio, na Babilônia. É parte de um dos cânticos do “servo sofredor”. Num enorme esforço apologético, os cristãos encontraram em textos como esse o apoio para justificarem, ante a oposição dos judeus, a paixão e morte daquele que eles professavam como Messias. Na releitura cristã deste texto, a personalidade coletiva, Israel, passa a ser um indivíduo, reconhecido como Messias, Jesus. Ele é o servo escolhido por Deus.
O tema do testemunho de João Batista sobre Jesus já está antecipado no prólogo do quarto evangelho (cf. Jo 1,15). O “dia seguinte” (v. 29) refere-se a Jo. 1,19-28, episódio em que João é submetido a um verdadeiro interrogatório por parte dos sacerdotes e levitas, enviados pelos judeus de Jerusalém. Esse interrogatório serve ao leitor do evangelho para esclarecer que João não é o Cristo (cf. Jo 1,20). A declaração de João continua ao apontar Jesus como o “cordeiro de Deus” (cf. Jo. 1,29). Essa é a única ocorrência, no Novo Testamento, do título cristológico atribuído a Jesus. Trata-se de um título carregado de evocações veterotestamentárias: pode evocar o “servo sofredor” (Is. 53,7) e/ou o cordeiro pascal cujo sangue aspergido nas portas das casas livraram os hebreus das pragas do Egito (cf. Ex. 12,1ss), aspecto que recorre em Jo. 19,14.31-36; pode ainda ligar-se a Ap. 17,14, em que o Cordeiro imolado é apresentado como vitorioso. O “cordeiro de Deus” é aquele a quem a missão de João Batista está subordinada (cf. Jo. 1,30-31). O reconhecimento do Filho de Deus se dá por uma “visão” (cf. Jo. 1,32-34), entenda-se, por revelação, por uma experiência interna e pessoal de Deus. O critério do reconhecimento é a inabitação do Espírito em Jesus. Essa visão em que o Espírito Santo é tangível na pessoa de Jesus faz com que João declare a filiação divina do Nazareno (cf. Jo. 1,34). (ver 3 de janeiro)
Carlos Alberto Contieri, sj








Jesus é apresentado como Filho de Deus
No evangelho de João não encontramos a narrativa do batismo de Jesus. Tal referência limita-se ao testemunho de João Batista: "Eu vi o Espírito descer do céu. e permanecer sobre ele. é ele quem batiza com o Espírito Santo.
Eu vi. e dou testemunho: ele é o Filho de Deus!". Ao escrever seu evangelho, João faz dois relatos teológicos básicos: da preexistência e da filiação divina de Jesus. Estes dois temas, presentes no Prólogo (Jo. 1,1-18), reaparecem aqui, na fala de João Batista: "antes de mim ele já existia", " ele é o Filho de Deus"; e, ao longo do evangelho, desenvolvem-se na seguinte linha dinâmica: o Filho, descido do céu, se faz carne, vive conosco e volta ao Pai, abrindo caminho para nosso ingresso na casa de Deus.
Em todo o evangelho, Jesus é apresentado como Filho de Deus, não como filho de Davi. A alusão ao "cordeiro de Deus", quando João Batista apresenta Jesus, remete ao cordeiro sacrifical abundantemente mencionado em Levítico, e também em Isaías 53,7, no quarto canto do Servo. Vê-se aí a prefiguração simbólica da morte de Jesus, inocente, nas mãos dos sacerdotes que procuram preservar o poder. O próprio João afirma que não conhecia Jesus. Porém, com o seu batismo na água, simbolizando o apelo em favor da conversão à prática da justiça que supera o pecado, abria caminho para Jesus, que com seu Espírito liberta a todos da morte, dando acesso às portas da vida eterna em Deus. O Espírito sobre Jesus é a confirmação da sua divindade e da divinização de toda a humanidade nele assumida, em todos seus valores e em toda sua dignidade, pela própria humanidade de Jesus.
Este é o sentido da encarnação: assumir os valores humanos, resgatando a dignidade humana e elevando-a à condição de filiação divina. Nesse sentido, Jesus assume o batismo de João. Os evangelistas, em seus evangelhos, procuram projetar a figura de Jesus a partir das exaltações atribuídas a João Batista: "Vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das sandálias". Com isso procuravam, em seu tempo, atrair os discípulos de João Batista, que seguiam de maneira autônoma ao movimento de Jesus.
Com bastante certeza, pode-se entender que João Batista não tinha percepção da profundidade da missão de Jesus, o que os próprios discípulos de Jesus tiveram, também, dificuldade de entender até o fim de seu ministério. João Batista tem uma atuação fundamental no projeto de Deus realizado em Jesus. O seu batismo tinha características originais, e sua proclamação foi tão marcante que o tornou conhecido como "o Batista". Enquanto as abluções rituais de purificação com água, tradicionais entre os judeus, eram repetidas com frequência, o mergulho nas águas do batismo, com João, era feito uma única vez e tinha o sentido de sinalizar uma mudança de vida, para um compromisso perene com a prática da justiça que remove o pecado e fortalece a vida. Jesus assume a proclamação de João dando-lhe novo sentido de atualidade e eternidade, identificando-a com o projeto de Deus de conferir vida plena e eterna à humanidade. A libertação dos pecados não se dá pelos sacrifícios cultuais sangrentos, mas pelo amor e pela prática da justiça, para que todos tenham vida plenamente.
José Raimundo Oliva





Na segunda-feira passada, entramos no tempo comum. Hoje, com este domingo, estamos iniciando a segunda semana desse Tempo verde; verde de quem caminha no pequeno dia-a-dia cheio de esperança, porque sabe que o Filho de Deus veio habitar entre nós, entrou nos nossos tempos para santificar os pequenos e aparentemente insignificantes momentos de nossa vida: “O Verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós” (Jo. 1,14). Para nós, nunca mais o tempo, a vida e a história humana serão a mesma coisa! Agora, tudo tem o gosto da presença de Deus, nossos tempos têm sabor de eternidade, gostinho da vida de Deus, do companheirismo misericordioso de Deus. Então, que este Tempo Comum seja, para todos quantos, tempo de graça, tempo de vigilância amorosa, tempo de esperança invencível!
Neste segundo domingo comum, a Palavra de Deus ainda nos liga ao Batismo do Senhor, celebrado no domingo passado. Recordemo-nos do que vimos na Festa que encerrou o santo tempo do Natal: Jesus foi batizado por João Batista e ungido pelo Pai com o Espírito Santo como Messias de Israel: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu bem-querer!” (Mt. 3,17). Recordemos que o Pai lhe revelou o caminho pelo qual ele deveria passar para cumprir sua missão: o caminho do Servo Sofredor de Isaías, pobre e humilde: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas”. Servo manso e misericordioso: “Não quebra a cana rachada nem apaga o pavio que ainda fumega”. Servo perseverante no serviço de Deus: “Não esmorecerá nem se deixará abater”. Servo que será redenção para o povo de Israel e para todas as nações, dando-lhes a luz, o perdão e a paz: “Eu o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constitui como aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos das prisões, livrar do cárcere os que viviam nas trevas!” (Is. 42,2-4.6-7)
Pois bem, o Evangelho de hoje aprofunda ainda mais este quadro impressionante, que nos revela a missão de Cristo Jesus: “João viu Jesus aproximar-se dele e disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” Em aramaico, língua que João e Jesus falavam, “cordeiro” diz-se talya, que significa, ao mesmo tempo “servo” e “cordeiro”. Então, “eis o Cordeiro-Servo de Deus, que tira o pecado do mundo!” Mas, que Cordeiro? Aquele, expiatório, que segundo Levítico 14, era mandado para o deserto, colocado fora da cidade, carregando os pecados de Israel… Como Jesus que “para santificar o povo por seu próprio sangue, sofreu do lado de fora da porta” (Hb. 13,12) de Jerusalém, como um rejeitado, um condenado renegado. Repitamos a pergunta: Que Cordeiro? Aquele cordeiro pascal de Ex 12, cujos ossos não poderiam ser quebrados (cf. Jo 19,36); cordeiro comido como aliança de Deus com Israel! Que cordeiro? – insistamos na pergunta! Aquele, cujo sangue, aspergido sobre o povo, selará a nova e eterna aliança entre Deus e o povo santo (cf. Ex. 24,8; Mt. 26,27). Jesus é esse Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, tomando-o sobre si! E que Servo? O Servo sofredor anunciado pelo Profeta Isaías. Já ouvimos falar dele no Domingo passado; fala-nos dele novamente a Liturgia deste Domingo hodierno: Servo predestinado desde o nascimento: o Senhor “me preparou desde o nascimento para ser seu Servo”; Servo destinado a recuperar e salvar Israel: “que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória”; Servo destinado não só a Israel, mas a todas as nações: “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue aos confins da terra”. Eis, portanto, quem é o nosso Jesus: o Cordeiro, o Servo! Nele, feito homem, nele, sofrido como nós, nele, morto e ressuscitado, no seu corpo macerado e transfigurado em glória, Deus reuniu e formou um novo povo, o verdadeiro Israel, a Igreja – esta que aqui está reunida em torno do altar e esta mesma, reunida em toda a terra e, como diz são Paulo hoje,“em qualquer lugar” onde o nome do Senhor Jesus é invocado! Eis: este povo que Cristo veio reunir, esta Igreja que o Senhor veio formar somos nós, já santificados no Batismo e chamados a ser santos por nosso procedimento, por nosso seguimento ao Senhor!
João reconheceu em Jesus este Messias, tão humilde e tão grande: ele é o próprio Deus: “passou à minha frente porque existia antes de mim!” E como Deus feito homem, ele é o único e absoluto Salvador de todos – e não há salvação sem ele ou fora dele! João reconhece nele o ungido, aquele sobre quem o Espírito “desceu e permaneceu”. O próprio Jesus dará testemunho desta realidade: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc. 4,18-19). João reconhece nele ainda aquele que, cheio do Espírito Santo, batizará no Espírito Santo:“Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é o que batiza com o Espírito Santo”. Batizando-nos no Espírito, este Santíssimo Jesus-Messias dá-nos o perdão dos pecados, a sua própria vida divina e a graça de, um dia, ressuscitar dos mortos!
Enfim, João dá testemunho de que esse Jesus bendito é mais que um Servo, mais que um Cordeiro, mais que um Profeta: ele é o Filho de Deus: “Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”
Que mais dizer, ante um Messias tão humilde e tão grande? “Senhor Jesus Cristo, Santo Messias, Servo e Cordeiro de Deus, cremos em ti, a ti seguimos, em ti colocamos nossa vida e nossa morte! Sustenta-nos, pois em ti esperamos: tu és o sentido de nossa existência, a razão de nossa vida e o rumo da nossa estrada! Queremos seguir-te, a ti, tão pequeno e tão grande; queremos morrer contigo e contigo ressuscitar-nos para a vida eterna; queremos ser testemunhas do Reino do Pai que plantaste com tua bendita vinda. Senhor Jesus, a ti amamos, em ti esperamos, em ti vivemos! Sê bendito para sempre. Amém”.
dom Henrique Soares da Costa






A liturgia deste domingo coloca a questão da vocação; e convida-nos a situá-la no contexto do projeto de Deus para os homens e para o mundo. Deus tem um projeto de vida plena para oferecer aos homens; e elege pessoas para serem testemunhas desse projeto na história e no tempo.
A primeira leitura apresenta-nos uma personagem misteriosa – Servo de Jahwéh – a quem Deus elegeu desde o seio materno, para que fosse um sinal no mundo e levasse aos povos de toda a terra a Boa Nova do projeto libertador de Deus.
A segunda leitura apresenta-nos um “chamado” (Paulo) a recordar aos cristãos da cidade grega de Corinto que todos eles são “chamados à santidade” – isto é, são chamados por Deus a viver realmente comprometidos com os valores do Reino.
O Evangelho apresenta-nos Jesus, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ele é o Deus que veio ao nosso encontro, investido de uma missão pelo Pai; e essa missão consiste em libertar os homens do “pecado” que oprime e não deixa ter acesso à vida plena.
1º leitura: Is. 49,3.5-6 - AMBIENTE
O Deutero-Isaías (o autor do texto que nos é hoje proposto e que mais uma vez nos aparece como veículo da Palavra de Deus) é um profeta da época do exílio, que desenvolveu o seu ministério na Babilônia, entre os exilados (como, aliás, já dissemos no passado domingo). A sua mensagem – de consolação e de esperança – aparece nos capítulos 40-55 do Livro de Isaías.
Contudo, há nesses capítulos quatro textos (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que se distinguem – quer em termos literários, quer em termos temáticos – do resto da mensagem… São os quatro cânticos do Servo de Jahwéh. Apresentam um misterioso servo de Deus, a quem Jahwéh confiou uma missão. A missão do Servo cumpre-se no sofrimento e no meio das perseguições; mas do sofrimento do Servo resultará a redenção para o Povo. No fim, o Servo será recompensado por Jahwéh e será exaltado.
A primeira leitura de hoje propõe-nos parte do segundo cântico do Servo de Jahwéh. Aqui, esse Servo é explicitamente identificado com Israel (embora alguns autores suponham que a determinação “Israel” não é original no texto e que foi aqui acrescentada como uma interpretação): seria a figura do Povo de Deus, chamado a ser testemunha de Jahwéh no meio dos outros povos.
MENSAGEM
O nosso texto apresenta-se como uma declaração solene do Servo (Israel) “às ilhas” e “às cidades longínquas” (v. 1).
Na sua declaração, o Servo manifesta, em primeiro lugar, a consciência da eleição: ele foi escolhido por Deus desde o seio materno (vs. 5a.b). A expressão põe em relevo a origem de toda a vocação profética: é Deus que escolhe, que chama, que envia. Referindo-se a Israel, a expressão faz alusão às origens do Povo, à eleição e à aliança: Israel existe porque Deus o escolheu entre todos os povos, revelou-lhe o seu rosto, constituiu-o como Povo, libertou-o da escravidão, conduziu-o através do deserto e estabeleceu com ele uma relação especial de comunhão e de aliança.
A eleição e a aliança pressupõem, contudo, a missão e o testemunho. A missão deste Servo a quem Deus chamou é, em primeiro lugar, “reconduzir Jacob e reunir Israel” a Jahwéh (vs. 5c.d). Aqui faz-se referência, provavelmente, ao regresso do Povo à órbita da aliança (considerada rompida pelo pecado do Povo), à reunião de todos os exilados e ao regresso à Terra Prometida.
A missão do Servo é, depois, ampliada “às nações” (v. 6): Israel deve dar testemunho da salvação de Deus, de forma a que a proposta salvadora e libertadora chegue, por intermédio do Servo/Povo aos homens e mulheres de toda a terra. Não deixa de impressionar a grandiosidade da missão confiada, em contraste com a situação de opressão, de apagamento, de fragilidade em que vivem os exilados… Aqui afirma-se o jeito de Deus, que age no mundo, salva e liberta recorrendo a instrumentos frágeis e indignos.
ATUALIZAÇÃO
• A leitura propõe à nossa reflexão esse tema sempre pessoal, mas sempre enigmático que é a vocação. Somos convidados, na sequência, a tomar consciência da vocação a que somos chamados e das suas implicações. Não se trata de uma questão que apenas atinge e empenha algumas pessoas especiais, com um lugar à parte na comunidade eclesial (os padres, as freiras…); mas trata-se de um desafio que Deus faz a cada um dos seus filhos, que a todos implica e que a todos empenha.
• A figura do Servo de Jahwéh convida-nos, em primeiro lugar, a tomar consciência de que na origem da vocação está Deus: é Ele que elege, que chama e que confia a cada um uma missão. A nossa vocação é sempre algo que tem origem em Deus e que só se entende à luz de Deus. Temos consciência de que somos escolhidos por Deus desde o seio materno, isto é, desde o primeiro instante da nossa existência? Temos consciência de que é Deus que alimenta a nossa vocação e o nosso compromisso no mundo? Temos consciência de que só a partir de Deus a nossa vocação faz sentido e o nosso empenhamento se entende? Temos consciência de que a vocação implica uma relação de comunhão, de intimidade, de proximidade com Deus?
• A vocação não se esgota, contudo, na aproximação do homem a Deus, mas é sempre em ordem a um testemunho e a uma intervenção no mundo (mesmo que se trate de uma vocação contemplativa). O homem chamado por Deus é sempre um homem que testemunha e que é um sinal vivo de Deus, dos seus valores e das suas propostas diante dos outros homens. Sinto que a minha vocação se realiza no testemunho da salvação e da libertação de Deus aos meus irmãos? A vocação a que Deus me chama leva-me a ser uma luz de esperança no mundo? A salvação de Deus atinge o mundo e torna-se uma realidade concreta no meu testemunho e no meu ministério?
• Ao refletirmos na lógica da vocação, é preciso estarmos cientes de que toda a vocação tem origem em Deus, é alimentada por Deus, e de que Deus se serve, muitas vezes, da nossa fragilidade, caducidade e indignidade para atuar no mundo. Aquilo que fazemos de bom e de bonito não resulta, portanto, das nossas forças ou das nossas qualidades, mas de Deus. O coração do profeta não tem, portanto, qualquer razão para se encher de orgulho, de vaidade e de auto-suficiência: convém ter consciência de que por detrás de tudo está Deus, e que só Deus é capaz de transformar o mundo, a partir dos nossos pobres gestos e das nossas frágeis forças.
2º leitura: 1Cor. 1,1-3 - AMBIENTE
Nos próximos seis domingos, a liturgia vai propor-nos a leitura da primeira carta de Paulo aos cristãos da comunidade de Corinto. Para entendermos cabalmente a mensagem, convém determo-nos um pouco sobre o ambiente em que o texto nos situa.
No decurso da sua segunda viagem missionária, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Grécia, e ficou por lá cerca 18 meses (anos 50-52). De acordo com At. 18,2-4, Paulo começou a trabalhar em casa de Priscila e Áquila, um casal de judeo-cristãos. No sábado, usava da palavra na sinagoga. Com a chegada a Corinto de Silvano e Timóteo (2 Cor 1,19; At 18,5), Paulo consagrou-se inteiramente ao anúncio do Evangelho. Mas não tardou a entrar em conflito com os judeus e foi expulso da sinagoga.
Corinto era uma cidade nova e muito próspera. Servida por dois portos de mar, possuía as características típicas das cidades marítimas: população de todas as raças e de todas as religiões. Era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterrâneo, ávidos de prazer, após meses de navegação. Na época de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois terços eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a miséria da maioria.
Como resultado da pregação de Paulo, nasceu a comunidade cristã de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade eram de origem grega, embora em geral, de condição humilde (cf. 1Cor 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas também havia elementos de origem hebraica (cf. At. 18,8; 1Cor. 1,22-24; 10,32; 12,13).
De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1Cor. 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1Cor. 1,11-12), sedução da sabedoria filosófica de origem pagã que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz cristão (cf. 1Cor. 1,19-2,10).
Tratava-se de uma comunidade forte e vigorosa, mas que mergulhava as suas raízes em terreno adverso. Na comunidade de Corinto, vemos as dificuldades da fé cristã em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pagã e por um conjunto de valores que estão em profunda contradição com a pureza da mensagem evangélica.
MENSAGEM
Paulo começa esta carta com a saudação e a ação de graças, típicas das cartas paulinas. Na saudação, carregada de conteúdo teológico, Paulo reivindica a sua condição de escolhido por Deus (de apóstolo), sugerindo que está revestido de autoridade para proclamar com plena garantia o Evangelho. Esta reivindicação sugere que, no contexto coríntio, havia quem punha em causa a sua autoridade apostólica e o seu testemunho. Os destinatários da carta são, evidentemente, os membros da comunidade cristã de Corinto; no entanto, a mensagem serve para os cristãos de todas as épocas e de todas as latitudes.
Neste parágrafo inicial, o vocábulo chamado assume um lugar especial: Paulo foi chamado por Deus a ser apóstolo e os coríntios são uma comunidade de chamados à santidade. Transparece aqui, como na primeira leitura, a convicção de que Deus tem um projeto para os homens e para o mundo e que todos – quer Paulo, quer os cristãos de Corinto, são chamados a um compromisso efetivo com esse projeto.
O que é que significa ser chamado à santidade? No contexto paulino, os santos são todos aqueles que acolheram a proposta libertadora de Jesus e aceitaram os valores do Evangelho. Os “santos” são os “separados”: os coríntios são “santos” porque, ao aceitar a proposta de Jesus, escolheram viver “separados” do mundo. “Separados” não significa “alheados”; mas significa viver de acordo com valores e esquemas diferentes dos valores e esquemas consagrados pelo mundo.
A palavra “klêtos” (“chamado”), aqui usada, supõe Deus como sujeito: foi Deus que chamou Paulo; é Deus que chama os coríntios. Mais uma vez fica claro que o chamamento provém da iniciativa divina e que só se compreende a partir de Deus e à luz da ação de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• Deus chama os homens e as mulheres à santidade. Tenho consciência do apelo que Deus, nesta linha, me faz também a mim? Estou disponível e bem disposto para aceitar esse desafio?
• Realizar a vocação à santidade não implica seguir caminhos impossíveis de ascese, de privação, de sacrifício; mas significa, sobretudo, acolher a proposta libertadora que Deus oferece em Jesus e viver de acordo com os valores do Reino. É dessa forma que concretizo a minha vocação à santidade? Tenho a coragem de viver e de testemunhar, com radicalidade, os valores do Evangelho, mesmo quando a moda, o orgulho, a preguiça, os interesses financeiros, o “politicamente correto”, a opinião dominante me impõem outras perspectivas?
• Convém ter sempre presente que a Igreja, a comunidade dos “chamados à santidade”, é constituída por “todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”. É importante termos consciência de que, para além da cor da pele, das diferenças sociais, das distâncias sociais ou culturais, das perspectivas diferentes sobre as questões secundárias da vivência da religião, o essencial é aquilo que nos une e nos faz irmãos: Jesus Cristo e o reconhecimento de que Ele é o Senhor que nos conduz pela história e nos oferece a salvação.
Evangelho: Jo 1,29-34 - AMBIENTE
A perícope que nos é proposta integra a secção introdutória do Quarto Evangelho (cf. Jo 1,19-3,36). Aí o autor, com consumada mestria, procura responder à questão: “quem é Jesus?”
João dispõe as peças num enquadramento cênico. As diversas personagens que vão entrando no palco procuram apresentar Jesus. Um a um, os atores chamados ao palco por João vão fazendo afirmações carregadas de significado teológico sobre Jesus. O quadro final que resulta destas diversas intervenções apresenta Jesus como o Messias, Filho de Deus, que possui o Espírito e que veio ao encontro dos homens para fazer aparecer o Homem Novo, nascido da água e do Espírito.
João Baptista, o profeta/precursor do Messias, desempenha aqui um papel especial na apresentação de Jesus (o seu testemunho aparece no início e no fim da secção – cf. Jo 1,19-37; 3,22-36). Ele vai definir aquele que chega e apresentá-lo aos homens. Ao não assinalar-se o auditório, sugere-se que o testemunho de João é perene, dirigido aos homens de todos os tempos e com eco permanente na comunidade cristã.
MENSAGEM
João é, portanto, o apresentador oficial de Jesus. De que forma e em que termos o vai apresentar?
A catequese sobre Jesus que aqui é feita expressa-se através de duas afirmações com um profundo impacto teológico: Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo; e é o Filho de Deus que possui a plenitude do Espírito.
A primeira afirmação (“o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” – Jo 1,29) evoca, provavelmente, duas imagens tradicionais extremamente sugestivas. Por um lado, evoca a imagem do “servo sofredor”, o cordeiro levado para o matadouro, que assume os pecados do seu Povo e realiza a expiação (cf. Is. 52,13-53,12); por outro lado, evoca a imagem do cordeiro pascal, símbolo da ação libertadora de Deus em favor de Israel (cf. Ex. 12,1-28). Qualquer uma destas imagens sugere que a pessoa de Jesus está ligada à libertação dos homens.
A ideia é, aliás, explicitada pela definição da missão de Jesus: Ele veio para tirar (“eliminar”) “o pecado do mundo”. A palavra “pecado” aparece, aqui, no singular: não designa os “pecados” dos homens, mas um “pecado” único que oprime a humanidade inteira; esse “pecado” parece ter a ver, no contexto da catequese joânica, com a recusa da proposta de vida com que Deus, desde sempre, quis presentear a humanidade (é dessa recusa que resulta o pecado histórico, que desfeia o mundo e que oprime os homens). O “mundo” designa, neste contexto, a humanidade que resiste à salvação, reduzida à escravidão e que recusa a luz/vida que Jesus lhe pretende oferecer… Deus propôs-se tirar a humanidade da situação de escravidão em que esta se encontra; enviou ao mundo Jesus, com a missão de realizar um novo êxodo, que leve os homens da terra da escravidão para a terra da liberdade.
A segunda afirmação (o “Filho de Deus” que possui a plenitude do Espírito Santo e que batiza no Espírito – cf. Jo 1,32-34) completa a anterior. Há aqui vários elementos bem sugestivos: o “cordeiro” é o Filho de Deus; Ele recebeu a plenitude do Espírito; e tem por missão baptizar os homens no Espírito.
Dizer que Jesus é o Filho de Deus é dizer que Ele é o Deus que se faz pessoa, que vem ao encontro dos homens, que monta a sua tenda no meio dos homens, a fim de lhes oferecer a plenitude da vida divina. A sua missão consiste em eliminar “o pecado” que torna o homem escravo e que o impede de abrir o coração a Deus.
Dizer que o Espírito desce sobre Jesus e permanece sobre Ele sugere que Jesus possui definitivamente a plenitude da vida de Deus, toda a sua riqueza, todo o seu amor. Por outro lado, a descida do Espírito sobre Jesus é a sua investidura messiânica, a sua unção (“messias” = “ungido”). O quadro leva-nos aos textos do Deutero-Isaías, onde o “Servo” aparece como o eleito de Jahwéh, sobre quem Deus derramou o seu Espírito (cf. Is. 42,1), a quem ungiu e a quem enviou para “anunciar a Boa Nova aos pobres, para curar os corações destroçados, para proclamar a libertação aos cativos, para anunciar aos prisioneiros a liberdade” (Is. 61,1-2).
Jesus é, finalmente, aquele que batiza no Espírito Santo. O verbo “batizar” aqui utilizado tem, em grego, duas traduções: “submergir” e “empapar (como a chuva empapa a terra)”; refere-se, em qualquer caso, a um contacto total entre a água e o sujeito. “Batizar no Espírito” significa, portanto, um contacto total entre o Espírito e o homem, uma chuva de Espírito que cai sobre o homem e lhe empapa o coração. A missão de Jesus consiste, portanto, em derramar o Espírito sobre o homem; e o homem que adere a Jesus, “empapado” do Espírito e transformado por essa fonte de vida que é o Espírito, abandona a experiência da escuridão (“o pecado”) e alcança o seu pleno desenvolvimento, a plenitude da vida.
A declaração de João convida os homens de todas as épocas a voltarem-se para Jesus e a acolherem a proposta libertadora que, em nome de Deus, Ele faz: só a partir do encontro com Jesus será possível chegar à vida plena, à meta final do Homem Novo.
ATUALIZAÇÃO
• Em primeiro lugar, importa termos consciência de que Deus tem um projeto de salvação para o mundo e para os homens. A história humana não é, portanto, uma história de fracasso, de caminhada sem sentido para um beco sem saída; mas é uma história onde é preciso ver Deus a conduzir o homem pela mão e a apontar-lhe, em cada curva do caminho, a realidade feliz do novo céu e da nova terra. É verdade que, em certos momentos da história, parecem erguer-se muros intransponíveis que nos impedem de contemplar com esperança os horizontes finais da caminhada humana; mas a consciência da presença salvadora e amorosa de Deus na história deve animar-nos, dar-nos confiança e acender nos nossos olhos e no nosso coração a certeza da vida plena e da vitória final de Deus.
• Jesus não foi mais um “homem bom”, que coloriu a história com o sonho ingênuo de um mundo melhor e desapareceu do nosso horizonte (como os líderes do Maio de 68 ou os fazedores de revoluções políticas que a história absorveu e digeriu); mas Jesus é o Deus que Se fez pessoa, que assumiu a nossa humanidade, que trouxe até nós uma proposta objetiva e válida de salvação e que hoje continua presente e ativo na nossa caminhada, concretizando o plano libertador do Pai e oferecendo-nos a vida plena e definitiva. Ele é, agora e sempre, a verdadeira fonte da vida e da liberdade. Onde é que eu mato a minha sede de liberdade e de vida plena: em Jesus e no projeto do Reino ou em pseudo-messias e miragens ilusórias de felicidade que só me afastam do essencial?
• O Pai investiu Jesus de uma missão: eliminar o pecado do mundo. No entanto, o “pecado” continua a enegrecer o nosso horizonte diário, traduzido em guerras, vinganças, terrorismo, exploração, egoísmo, corrupção, injustiça… Jesus falhou? É o nosso testemunho que está a falhar? Deus propõe ao homem o seu projeto de salvação, mas não impõe nada e respeita absolutamente a liberdade das nossas opções. Ora, muitas vezes, os homens pretendem descobrir a felicidade em caminhos onde ela não está. De resto, é preciso termos consciência de que a nossa humanidade implica um quadro de fragilidade e de limitação e que, portanto, o pecado vai fazer sempre parte da nossa experiência histórica. A libertação plena e definitiva do “pecado” acontecerá só nesse novo céu e nova terra que nos espera para além da nossa caminhada terrena.
• Isso não significa, no entanto, pactuar com o pecado, ou assumir uma atitude passiva diante do pecado. A nossa missão – na sequência da de Jesus – consiste em lutar objetivamente contra “o pecado” instalado no coração de cada um de nós e instalado em cada degrau da nossa vida coletiva. A missão dos seguidores de Jesus consiste em anunciar a vida plena e em lutar contra tudo aquilo que impede a sua concretização na história.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho












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