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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 3 de março de 2017

1º DOMINGO DA QUARESMA

1º DOMINGO DA QUARESMA
5 de Março de 2017
Cor: Roxo
Evangelho - Mt 4,1-11

 


Jesus foi levado ao deserto para ser tentado pelo próprio diabo, o qual lhe disse para transformar pedras em pães, para matar a sua fome. Continuar lendo.
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"NÃO TENTARÁS O SENHOR TEU DEUS!" – Olivia Coutinho

1º DOMINGO DA QUARESMA

Dia 05 de Março de  2017

Evangelho de Mt4,1-11

Estamos no início da Quaresma, um tempo forte na vida  da Igreja e de todos os que se dispõe a caminhar com o Cristo vencedor!
A liturgia deste tempo Quaresmal, tem como propósito, despertar em nós, o desejo de mudança, de reavermos os valores, que às vezes deixamos de lado, por estarmos buscando  os "valores" do mundo!
Nas palavras de Jesus, que meditamos neste tempo reflexivo, há sempre um apelo de conversão e todos nós sabemos que não é fácil percorrer este caminho, pois mudanças, é sempre um grande desafio, requer coragem, determinação, renuncias e acima de tudo, o constante exercício do perdão! Mas mesmo sendo um caminho difícil, vale a pena segui-lo, afinal, não tem alegria maior do que o nosso retorno ao coração do  Pai!
Somos chamados a viver esse tempo no espírito de fé, a deixarmos para trás a escuridão do passado para vivermos uma vida nova, alicerçada nos valores do evangelho, a transformar o nosso coração de pedra, num coração de carne, num templo sagrado onde Deus possa habitar! 
O pecado interrompe o nosso relacionamento com Deus, mas a porta do seu coração de Pai, nunca fecha, ela está sempre aberta para nos receber de volta, basta querermos voltar! Aproveitemos, pois, este tempo em que a graça e a misericórdia  transbordam do  coração do Pai, para voltarmos ao seu convívio!
No evangelho que a liturgia deste primeiro  Domingo da Quaresma nos convida a refletir, vemos que Jesus, na sua condição humana, foi tentado a desistir da sua missão, a trocar o projeto de Deus por bens materiais, mas a sua resposta foi taxativa: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Jesus foi tentado a aceitar e a confiar no poder do demônio, mas Ele respondeu com firmeza: ”Não tentarás o Senhor teu Deus.” 
O Filho de Deus, venceu o inimigo por estar fortalecido no Espírito do Pai, Ele se manteve firme no propósito de levar em frente a sua missão: libertar a humanidade da escravidão do pecado! 
Assim como aconteceu com Jesus, acontece também conosco, a tentação do TER, do PODER, está sempre a nos rondar, precisamos estar vigilantes o tempo todo, para não sermos pegos de surpresa, pois a tentação é oportunista, ela surge inesperadamente, principalmente quando nos propomos a mudar de vida ou quando estamos enfraquecidos na fé! Para nos seduzir, o mal chega até a nós, disfarçado do bem, por isto, precisamos estar sempre atentos para não tornarmos presas fácies do inimigo deixando-nos enganar pelas aparências! 
Ninguém está livre das tentações, elas estão presentes em toda parte, principalmente onde existe o bem, para vencê-la, é importante estarmos sempre em sintonia com Deus, perseverantes na fé, munidos da arma mais poderosa que temos ao nosso alcance, que é a oração!
Ser tentado, não significa pecar, pecar é cair na tentação. Todos nós, já passamos pela a experiência de ser tentado, o próprio Jesus viveu esta experiência, é a nossa ligação com Ele, que nos torna resistentes as tentações, que não nos deixa cair nas ciladas preparadas pelo o inimigo.
Que o Espírito Santo de Deus, que fortaleceu Jesus nas tentações, nos fortaleça também e que nenhuma proposta do mundo, nos convença a trocar o SER pelo o TER!
Na oração do Pai Nosso Jesus nos ensina a pedir ao Pai: “E não nos deixeis cair em tentação”... Peçamos a Ele todos os dias esta graça!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
Venha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook

1º DOMINGO DA QUARESMA
5 de Março de 2017
Cor: Roxo
Evangelho - Mt 4,1-11

 


Jesus foi levado ao deserto para ser tentado pelo próprio diabo, o qual lhe disse para transformar pedras em pães, para matar a sua fome. Continuar lendo.

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"NÃO TENTARÁS O SENHOR TEU DEUS!" – Olivia Coutinho

1º DOMINGO DA QUARESMA

Dia 05 de Março de  2017

Evangelho de Mt4,1-11

Estamos no início da Quaresma, um tempo forte na vida  da Igreja e de todos os que se dispõe a caminhar com o Cristo vencedor!
A liturgia deste tempo Quaresmal, tem como propósito, despertar em nós, o desejo de mudança, de reavermos os valores, que às vezes deixamos de lado, por estarmos buscando  os "valores" do mundo!
Nas palavras de Jesus, que meditamos neste tempo reflexivo, há sempre um apelo de conversão e todos nós sabemos que não é fácil percorrer este caminho, pois mudanças, é sempre um grande desafio, requer coragem, determinação, renuncias e acima de tudo, o constante exercício do perdão! Mas mesmo sendo um caminho difícil, vale a pena segui-lo, afinal, não tem alegria maior do que o nosso retorno ao coração do  Pai!
Somos chamados a viver esse tempo no espírito de fé, a deixarmos para trás a escuridão do passado para vivermos uma vida nova, alicerçada nos valores do evangelho, a transformar o nosso coração de pedra, num coração de carne, num templo sagrado onde Deus possa habitar! 
O pecado interrompe o nosso relacionamento com Deus, mas a porta do seu coração de Pai, nunca fecha, ela está sempre aberta para nos receber de volta, basta querermos voltar! Aproveitemos, pois, este tempo em que a graça e a misericórdia  transbordam do  coração do Pai, para voltarmos ao seu convívio!
No evangelho que a liturgia deste primeiro  Domingo da Quaresma nos convida a refletir, vemos que Jesus, na sua condição humana, foi tentado a desistir da sua missão, a trocar o projeto de Deus por bens materiais, mas a sua resposta foi taxativa: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Jesus foi tentado a aceitar e a confiar no poder do demônio, mas Ele respondeu com firmeza: ”Não tentarás o Senhor teu Deus.” 
O Filho de Deus, venceu o inimigo por estar fortalecido no Espírito do Pai, Ele se manteve firme no propósito de levar em frente a sua missão: libertar a humanidade da escravidão do pecado! 
Assim como aconteceu com Jesus, acontece também conosco, a tentação do TER, do PODER, está sempre a nos rondar, precisamos estar vigilantes o tempo todo, para não sermos pegos de surpresa, pois a tentação é oportunista, ela surge inesperadamente, principalmente quando nos propomos a mudar de vida ou quando estamos enfraquecidos na fé! Para nos seduzir, o mal chega até a nós, disfarçado do bem, por isto, precisamos estar sempre atentos para não tornarmos presas fácies do inimigo deixando-nos enganar pelas aparências! 
Ninguém está livre das tentações, elas estão presentes em toda parte, principalmente onde existe o bem, para vencê-la, é importante estarmos sempre em sintonia com Deus, perseverantes na fé, munidos da arma mais poderosa que temos ao nosso alcance, que é a oração!
Ser tentado, não significa pecar, pecar é cair na tentação. Todos nós, já passamos pela a experiência de ser tentado, o próprio Jesus viveu esta experiência, é a nossa ligação com Ele, que nos torna resistentes as tentações, que não nos deixa cair nas ciladas preparadas pelo o inimigo.
Que o Espírito Santo de Deus, que fortaleceu Jesus nas tentações, nos fortaleça também e que nenhuma proposta do mundo, nos convença a trocar o SER pelo o TER!
Na oração do Pai Nosso Jesus nos ensina a pedir ao Pai: “E não nos deixeis cair em tentação”... Peçamos a Ele todos os dias esta graça!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Logo no início deste santo caminho para a Páscoa, a Palavra de Deus nos desvenda dois mistérios tremendos: o mistério da piedade e o mistério da iniqüidade! Esses dois mistérios atravessam a história humana e se interpenetram misteriosamente; dois mistérios que nos atingem e marcam nossa vida, e esperam nossa decisão, nossa atitude, nossa escolha! Um é mistério de vida; o outro, mistério de morte.
Comecemos pelo mistério da iniqüidade: “O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. Eis! A vida que vivemos, a vida da humanidade é uma vida de morte, ferida por tantas contradições, por tantas ameaças físicas, psíquicas, morais... Viver tornou-se uma luta e, se é verdade que a vida vale a pena ser vivida, não é menos verdade que ela também tem muito de peso, de dor, de pranto, de fardo danado. Mas, como isso foi possível? Escutemos a primeira leitura: “O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente”. Somos obra de Deus, do seu amor gratuito: do nada ele nos tirou e encheu-nos de vida. Mais ainda: “O Senhor Deus plantou um jardim em Éden, ao oriente, e ali pôs o homem que havia formado”. Vede: o Senhor não somente nos tirou do pó do nada, não somente nos encheu de vida; também nos colocou no jardim de delícias, pensou nossa vida como vida de verdade toda banhada pela luz do oriente. E mais: nosso Deus passeava no jardim à brisa do dia (cf. Gn 3,8), como amigo do homem. Eis o mistério da piedade, o projeto que Deus concebeu para nós desde o início, apresentado pela Palavra de modo poético e simbólico: um Deus que é Deus de amor, de ternura, de carinho, de respeito pela sua criatura, com a qual ele deseja estabelecer uma parceria; um homem chamado a ser plenamente homem: feliz na comunhão com Deus, feliz em ter no seu Deus sua plenitude e sua vida; homem plenamente homem nos limites de homem. O homem é homem, não é Deus! Somente o Senhor Deus é o Senhor do Bem e do Mal. Por isso as duas árvores no Éden: a do conhecimento do Bem e do Mal (isto é, o poder de decidir por si mesmo o que é bem ou mal, certo ou errado) e a árvore da Vida (da vida plena, da vida divina). Se o homem confiasse em Deus, se cumprisse seu preceito, se reconhecesse seus limites, um dia comeria do fruto da árvore da Vida...
Mas, o homem foi seduzido; é seduzido inda agora: deseja ser seu próprio Deus, sem nenhum limite, sem nenhuma abertura à graça! Somente sua vontade lhe importa, somente sua medida! Hoje, como no princípio, ele pensa que é a medida de todas as coisas! Eis aqui o seu pecado! O Diabo o seduz: primeiro distorce o preceito de Deus (“É verdade que Deus vos disse: ‘Não comereis de nenhuma das árvores do jardim’?”), semeando no coração do homem a desconfiança e o sentimento de inferioridade; depois, mente descaradamente: “Não! Vós não morrereis! Vossos olhos se abrirão e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal!” Ser como Deus, decidindo de modo autônomo o que é certo e o que é errado; decidindo que a libertinagem é um bem, que as aventuras com embriões humanos, que o aborto, que a infidelidade feita de preservativos, são um bem... Decidindo loucamente que levar a sério a religião e a Palavra de Deus é um mal... Ser como Deus... Eis nosso sonho, nossa loucura, nossa mais triste ilusão! Tudo tão atraente, tudo tão apto para dar conhecimento, autonomia, felicidade... O resultado: os olhos dos dois se abriram: estavam nus... estamos nus... somos pó e, por nós mesmos, ao pó tornaremos, inapelavelmente!
Então, nosso destino é a morte? Não há saída para a humanidade? O mistério da iniqüidade destruiu o mistério da piedade? Não! De modo algum! Ao contrário: revelou-o ainda mais: “A transgressão de um só levou a multidão humana à morte; ma foi de modo bem superior que a graça de Deus... concedida através de Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos. Por um só homem a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça”. Eis aqui o mistério tão grande, o mistério da piedade, o centro da nossa fé: em Cristo revelou-se todo o amor de Deus para conosco; pela obediência de Cristo a nossa desobediência é redimida; pela morte de Cristo na árvore da cruz, nós temos acesso ao fruto da Vida, da Vida plena, da Vida em abundância, da Vida que nunca haverá de se acabar! Pela obediência de Cristo, pelo dom do seu Espírito, nós temos a vida divina, nós somos divinizados, somos, por pura graça, aquilo que queríamos ser de modo autônomo e soberbo! Assim, manifestou-se a justiça de Deus: em Jesus morto e ressuscitado por nós – e só nele! – a humanidade encontra vida!
Mas, esta salvação em Jesus teve alto preço: a encarnação do Filho de Deus e sua humilde obediência, até a morte e morte de cruz. O Senhor desfez o nó da nossa desobediência, da nossa auto-suficiência, da nossa prepotência, renunciando ser o senhor de sua existência humana: ele acolheu a proposta do Pai, ele se fez obediente: à glória do pão (dos bens materiais, dos prazeres, do conforto) ele preferiu a Palavra do Pai como único sentido e única orientação de sua vida; à glória do sucesso (a honra, a fama, o aplauso), ele preferiu a humildade de não tentar Deus; à glória do poder (da força, das amizades poderosas e influentes, do prestígio político para impor e conseguir tudo) ele preferiu o compromisso absoluto e total com o Absoluto de Deus somente. Assim, Cristo Jesus, o Homem novo, o novo Adão (de quem o primeiro era somente figura e sombra) abriu-nos o caminho da obediência que nos faz retornar ao Pai!
Este é também o nosso caminho. Nossa vocação é entrar, participar, da obediência de Cristo pela oração, a penitência e a caridade fraterna para sermos herdeiros de sua vitória pascal! Este sagrado tempo que estamos iniciando é tempo de combate espiritual, para que voltemos, pelo caminho da obediência Àquele de quem nos afastamos pela covardia da desobediência. Convertamo-nos, portanto! Deixemos a teimosia e a ilusão de achar que nos bastamos a nós mesmos! Sinceramente, abracemos os sentimentos de Cristo, percorramos o caminho de Cristo, convertamo-nos a Cristo!
Concluamos com as palavras da Coleta de hoje: “Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa”.
dom Henrique Soares da Costa



No início da nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à “conversão” – isto é, a recolocar Deus no centro da nossa existência, a aceitar a comunhão com Ele, a escutar as suas propostas, a concretizar no mundo – com fidelidade – os seus projetos.
A primeira leitura afirma que Deus criou o homem para a felicidade e para a vida plena. Quando escutamos as propostas de Deus, conhecemos a vida e a felicidade; mas, sempre que prescindimos de Deus e nos fechamos em nós próprios, inventamos esquemas de egoísmo, de orgulho e de prepotência e construímos caminhos de sofrimento e de morte.
A segunda leitura propõe-nos dois exemplos: Adão e Jesus. Adão representa o homem que escolhe ignorar as propostas de Deus e decidir, por si só, os caminhos da salvação e da vida plena; Jesus é o homem que escolhe viver na obediência às propostas de Deus e que vive na obediência aos projetos do Pai. O esquema de Adão gera egoísmo, sofrimento e morte; o esquema de Jesus gera vida plena e definitiva.
O Evangelho apresenta, de forma mais clara, o exemplo de Jesus. Ele recusou – de forma absoluta – uma vida vivida à margem de Deus e dos seus projetos. A Palavra de Deus garante que, na perspectiva cristã, uma vida que ignora os projetos do Pai e aposta em esquemas de realização pessoal é uma vida perdida e sem sentido; e que toda a tentação de ignorar Deus e as suas propostas é uma tentação diabólica e que o cristão deve, firmemente, rejeitar.
1ª leitura – Gn. 2,7-9;3,1-7 – AMBIENTE
O texto de Gn. 2,4b-3,24 – conhecido como relato jahwista da criação – é, de acordo com a maioria dos comentadores, um texto do séc. X a.C., que deve ter aparecido em Judá na época do rei Salomão. Apresenta-se num estilo exuberante, colorido, pitoresco. Parece ser obra de um catequista popular, que ensina recorrendo a imagens sugestivas, coloridas e fortes.
Não podemos, de forma nenhuma, ver neste texto uma reportagem jornalística de acontecimentos passados na aurora da humanidade. A finalidade do autor não é científica ou histórica, mas teológica: mais do que ensinar como o mundo e o homem apareceram, ele quer dizer-nos que na origem da vida e do homem está Jahwéh. Trata-se, portanto, de uma página de catequese e não de um tratado destinado a explicar cientificamente as origens do mundo e da vida.
Para apresentar essa catequese aos homens do séc. X a.C., os teólogos jahwistas utilizaram elementos simbólicos e literários das cosmogonias mesopotâmicas (por exemplo, a formação do homem “do pó da terra” é um elemento que aparece sempre nos mitos de origem mesopotâmicos); no entanto, transformaram e adaptaram os símbolos retirados das narrações lendárias de outros povos, dando-lhes um novo enquadramento, uma nova interpretação e pondo-os ao serviço da catequese e da fé de Israel. Ou seja: a linguagem e a apresentação literária das narrações bíblicas da criação apresentam paralelos significativos com os mitos de origem dos povos da zona do Crescente Fértil; mas as conclusões teológicas – sobretudo o ensinamento sobre Deus e sobre o lugar que o homem ocupa no projeto de Deus – são muito diferentes.
MENSAGEM
A primeira parte (cf. Gn. 2,7-9) do texto que nos é proposto apresenta-nos dois quadros significativos.
O primeiro quadro (v. 7) pinta – com cores quentes e sugestivas – a origem do homem: “o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe nas narinas um sopro de vida”. O verbo utilizado para descrever a ação de Deus é o verbo “yasar” (“formar”, “modelar”), que é um verbo técnico ligado ao trabalho do oleiro. Deus aparece, assim, como um oleiro, que modela a argila. Estamos muito próximos das concepções mesopotâmicas, onde o homem é criado pelos deuses a partir do barro (o jogo de palavras “’adam” – “homem” – e “’adamah” – “terra”, sugere que o homem – “’adam” – vem da “terra” – “’adamah” – e, morrendo, voltará à terra de onde foi tirado).
No entanto, o homem formado da terra não é apenas terra, pois ele recebe também o “sopro” (“neshamá”) de Deus. A palavra hebraica utilizada significa “sopro”, “hálito”, “respiração”. É a vida que vem de Deus que torna o homem vivo… O homem tem qualquer coisa de divino; a vida do homem procede, diretamente, de Deus.
É significativa a forma como o jahwista sublinha o cuidado de Deus na criação do homem: Deus é o oleiro que modela cuidadosa e amorosamente a sua obra; e, ainda mais, transmite a esse homem formado da terra a sua própria vida divina. O homem aparece, assim, como o centro do projeto criador de Deus: ele ocupa um lugar especial na criação e é para ele que tudo vai ser criado.
No segundo quadro (vs. 8-9), o autor jahwista reflete sobre a situação do homem criado por Deus… Para que é que Deus criou o homem? Para ser escravo dos deuses e prover ao sustento das divindades, como nos mitos mesopotâmicos? Não. Na perspectiva do nosso catequista, o homem foi criado para ser feliz, em comunhão com Deus. Para descrever a situação ideal do homem, criado para a felicidade e a realização plena, o jahwista coloca-o num “jardim” cheio de árvores de fruta. Para um povo que sentia pesar constantemente sobre si a ameaça do deserto árido, o ideal de felicidade seria um lugar com muitas árvores e muita água. Os mitos mesopotâmicos apresentam, aliás, as mesmas imagens.
No meio dessa vegetação abundante, o autor coloca duas árvores especiais: a “árvore da vida” e a “árvore do conhecimento do bem e do mal”. A “árvore da vida” é o símbolo da imortalidade concedida ao homem. Provavelmente, ao falar da “árvore da vida”, o autor está a pensar na “Lei”: desde o início, Deus ofereceu ao homem a possibilidade da vida plena e imortal, que passa por uma vida percorrida no caminho da Lei e dos mandamentos… Ao lado da “árvore da vida” e em contraposição a ela (pois traz a morte), está a “árvore do conhecimento do bem e do mal”. Provavelmente, representa o orgulho e a auto-suficiência de quem acha que pode conquistar a sua própria felicidade, prescindindo de Deus. “Comer da árvore do conhecimento do bem e do mal” significa fechar-se em si próprio, querer decidir por si só o que é bem e o que é mal, pôr-se a si próprio em lugar de Deus, reivindicar autonomia total em relação ao criador. O homem que renuncia à comunhão com Deus está a seguir o caminho da morte.
A ideia do nosso catequista é esta: Deus criou o homem para ser feliz; deu-lhe a possibilidade de vida imortal; mas o homem pode escolher prescindir de Deus e percorrer caminhos onde Deus não está.
Na segunda parte do nosso texto (cf. Gn. 3,1-7), o autor jahwista reflete sobre a questão do mal. De onde vem o mal que desfeia o mundo e que impede o homem de ter vida plena? Esse mal – sugere o nosso teólogo jahwista – vem das opções erradas que, desde o início da história, o homem tem feito.
Para dizer isto, o autor jawista recorre à imagem da serpente. Entre os povos antigos, a serpente aparece como um símbolo por excelência da vida e da fecundidade (provavelmente por causa da sua configuração fálica). Entre os cananeus, estava também bastante difundido o culto da serpente. Nos santuários cananeus invocavam-se os deuses da fertilidade (representados muitas vezes pela serpente) e realizavam-se rituais mágicos destinados a assegurar a fecundidade dos campos… Ora, os israelitas, instalados na Terra, depressa se deixaram fascinar por esses cultos e praticavam os rituais dos cananeus destinados a assegurar a vida e a fecundidade dos campos e dos rebanhos. No entanto, isso significava prescindir de Jahwéh e abandonar o caminho da Lei e dos mandamentos. A “serpente” surge aqui, portanto, como símbolo de tudo o que afasta os homens de Deus e das suas propostas, sugerindo-lhes caminhos de orgulho, de egoísmo e de auto-suficiência.
Em conclusão: Deus criou o homem para ser feliz e indicou-lhe o caminho da imortalidade e da vida plena; no entanto, o homem escolhe muitas vezes o caminho do orgulho e da auto-suficiência e vive à margem de Deus e das suas propostas. Na opinião do autor jahwista, é essa a origem do mal que destrói a harmonia do mundo.
ATUALIZAÇÃO
• De onde vimos? Para onde vamos? Porque é que estamos aqui? Qual o sentido da nossa vida? São perguntas eternas, que o homem de todos os tempos coloca a si próprio. A Palavra de Deus que hoje nos é proposta responde: é Deus a nossa origem e o nosso destino último. Não somos um minúsculo e insignificante grão de areia perdido numa galáxia qualquer; mas somos seres que Deus criou com amor, a quem Ele deu o seu próprio “sopro”, a quem animou com a sua própria vida. O fim último da nossa existência não é o fracasso, a dissolução no nada, mas a vida definitiva, a felicidade sem fim, a comunhão plena com Deus.
• Como é que chegamos a essa felicidade que está inscrita no projeto que Deus tem para os homens e para o mundo? Deus nada impõe e respeita sempre – de forma absoluta – a nossa liberdade; no entanto, insiste em mostrar-nos, todos os dias, o caminho para essa plenitude de vida que Ele sonhou para os homens. Quando aceitamos a nossa condição de criaturas e reconhecemos em Deus esse Pai que nos dá vida, que nos ama e que nos indica caminhos de realização e de felicidade, construímos uma existência harmoniosa, um "paraíso" onde encontramos vida, harmonia, felicidade e realização.
• E o mal que vemos, todos os dias, tornar sombria e deprimente essa “casa” que é o mundo: vem de Deus ou do homem? A Palavra de Deus responde: o mal nunca vem de Deus; o mal resulta das nossas escolhas erradas, do nosso orgulho, do nosso egoísmo e auto-suficiência. Quando o homem escolhe viver orgulhosamente só, ignorando as propostas de Deus e prescindindo do amor, constrói cidades de egoísmo, de injustiça, de prepotência, de sofrimento, de pecado… Quais os caminhos que eu escolho? As propostas de Deus fazem sentido e são, para mim, indicações seguras para a felicidade, ou prefiro ser eu próprio a fazer as minhas escolhas, prescindindo das indicações de Deus?

2ª leitura – Rm. 5,12-19 – AMBIENTE
No final da década de 50 (a carta aos Romanos apareceu por volta de 57/58), multiplicavam-se as “crises” entre os cristãos oriundos do mundo judaico e os cristãos oriundos do mundo pagão. Uns e outros tinham perspectivas diferentes da salvação e da forma de viver o compromisso com Jesus Cristo e com o seu Evangelho. Os cristãos de origem judaica consideravam que, além da fé em Jesus Cristo, era necessário cumprir as obras da Lei (nomeadamente a prática da circuncisão) para ter acesso à salvação; mas os cristãos de origem pagã recusavam-se a aceitar a obrigatoriedade das práticas judaicas. Era uma questão “quente”, que ameaçava a unidade da Igreja. Este problema também era sentido pela comunidade cristã de Roma.
Neste cenário, Paulo vai mostrar a todos os crentes (a carta aos Romanos, mais do que uma carta para a comunidade cristã de Roma, é uma carta para as comunidades cristãs, em geral) a unidade da revelação e da história da salvação: judeus e não judeus são, de igual forma, chamados por Deus à salvação; o essencial não é cumprir a Lei de Moisés – que nunca assegurou a ninguém a salvação; o essencial é acolher a oferta de salvação que Deus faz a todos, por Jesus Cristo.
O texto que nos é proposto faz parte da primeira parte da carta aos Romanos (cf. Rm. 11,18-11,36). Depois de demonstrar que todos (judeus e não judeus) vivem mergulhados no pecado (cf. Rm. 1,18-3,20) e que é a justiça de Deus que a todos salva, sem distinção (cf. Rm. 3,21-5,11), Paulo ensina que é através de Jesus Cristo que a vida de Deus chega aos homens e que se faz oferta de salvação para todos (cf. Rm. 5,12-8,39).
MENSAGEM
Para deixar bem claro que a salvação foi oferecida por Deus aos homens através de Jesus Cristo, Paulo recorre aqui a uma figura literária que aparece, com alguma frequência, nos seus escritos: a antítese. Em concreto, Paulo vai expor o seu raciocínio através de um jogo de oposições entre duas figuras: Adão e Jesus.
Adão é a figura de uma humanidade que prescinde de Deus e das suas propostas e que escolhe caminhos de egoísmo, de orgulho e de auto-suficiência. Ora, essa escolha produz injustiça, alienação, sofrimento, desarmonia. Porque a humanidade preferiu, tantas vezes, esse caminho, o mundo entrou numa economia de pecado; e o pecado gera morte. A morte deve ser entendida, neste contexto, em sentido global – quer dizer, não tanto como morte físico-biológica, mas sobretudo como morte espiritual e escatológica que é afastamento temporário ou definitivo de Deus (a fonte da vida autêntica).
Cristo propôs um outro caminho. Ele viveu numa permanente escuta de Deus e das suas propostas, na obediência total aos projetos do Pai. Esse caminho leva à superação do egoísmo, do orgulho, da auto-suficiência e faz nascer um Homem Novo, plenamente livre, que vive em comunhão com o Deus que é fonte de vida autêntica (a vitória de Cristo sobre a morte é a prova provada de que só a comunhão com Deus produz vida definitiva). Foi essa a grande proposta que Cristo fez à humanidade… Assim, Cristo libertou os homens da economia de pecado e introduziu no mundo uma dinâmica nova, uma economia de graça que gera vida plena (salvação).
Não é claro que Paulo se esteja a referir, aqui, àquilo que a teologia posterior designou como “pecado original” (ou seja, um pecado histórico cometido pelo primeiro homem, que atinge e marca todos os homens que nascerem em qualquer tempo e lugar). O que é claro é que, para Paulo, a intervenção de Cristo na história humana se traduziu num dinamismo de esperança, de vida nova, de vida autêntica. Cristo veio propor à humanidade um caminho de comunhão com Deus e de obediência aos seus projetos; é esse caminho que conduz o homem em direção à vida plena e definitiva, à salvação.
ATUALIZAÇÃO
• A modernidade ensinou-nos que a fonte da salvação não é Deus, mas o homem e as suas conquistas. Disse-nos que as propostas de Deus são resquícios de uma época pré-científica, obscurantista, ultrapassada, e que a plenitude da vida está no corte radical com qualquer autoridade exterior à nossa Razão – inclusive com Deus. Exaltou o individualismo e a auto-suficiência e ensinou-nos que só nos realizaremos totalmente se formos nós – orgulhosamente sós – a definir o nosso caminho e o nosso destino. No entanto, onde nos leva esta cultura que prescinde de Deus e das suas sugestões? A cultura moderna tem feito surgir um homem mais feliz, ou tem potenciado o aparecimento de homens perdidos e sem referências, que muitas vezes apostam tudo em propostas falsas de salvação e que saem dessa experiência de busca mais fragilizados, mais dependentes, mais alienados?
• Alguns acontecimentos que marcam a história do nosso tempo confirmam que uma história construída à margem das propostas de Deus é uma história marcada pelo egoísmo, pela injustiça, pela prepotência e, portanto, é uma história de sofrimento e de morte. Quando o homem deixa de dar ouvidos a Deus, dá ouvidos ao lucro fácil, destrói a natureza, explora os outros homens, torna-se injusto e prepotente, sacrifica em proveito próprio a vida dos seus irmãos… Qual é o nosso papel de crentes, neste processo? O que podemos fazer para que Deus volte a estar no centro da história e a as suas propostas sejam acolhidas?

Evangelho: Mt. 4,1-11 - AMBIENTE
A cena das tentações antecede, em Mateus (e nos outros sinópticos), a vida pública de Jesus. A cena segue-se imediatamente – quer em termos cronológicos, quer em termos lógicos – ao Batismo (cf. Mt. 3,13-17): porque recebeu o Espírito (batismo), Jesus pode afrontar e vencer a tentação de uma proposta de atuação messiânica que o convida a subverter a proposta do Pai.
A cena coloca-nos no deserto. Mateus diz explicitamente que “Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo demônio”. Os quarenta dias e quarenta noites que, de acordo com o relato, Jesus aí passou, resumem os quarenta anos que Israel passou em caminhada pelo deserto. O deserto é, no imaginário judaico, o lugar da “prova”, onde os israelitas experimentaram, por diversas vezes, a tentação do abandono de Jahwéh e do seu projeto de libertação (embora seja, também, o lugar do encontro com Deus, o lugar da descoberta do rosto de Deus, o lugar onde o Povo fez a experiência da sua fragilidade e pequenez e aprendeu a confiar na bondade e no amor de Deus). Será que a história se vai repetir, que Jesus vai ceder à tentação e dizer “não” ao projeto de Deus – como aconteceu com os israelitas?
O relato que hoje nos é proposto não é, contudo, uma reportagem histórica elaborada por um jornalista que presenciou um combate teológico entre Jesus e o diabo, algures no deserto… É, sim, uma página de catequese, cujo objetivo é ensinar-nos que Jesus, apesar de ter sentido – como nós – a mordedura das tentações, soube pôr acima de tudo o projeto do Pai.
O relato de Mateus (bem como o de Lucas) parte, sem dúvida, do relato – muito mais breve – de Marcos (cf. Mc. 1,12-13); mas o texto que hoje nos é proposto amplia o relato original de Marcos, com um diálogo entre Jesus e o diabo, feito de citações do Antigo Testamento (sobretudo do livro do Deuteronômio).
MENSAGEM
A catequese sobre as opções de Jesus aparece em três quadros ou “parábolas”.
A primeira “parábola” (vs. 3-4) sugere que Jesus poderia ter escolhido um caminho de realização material, de satisfação de necessidades materiais. É a tentação – que todos nós conhecemos muito bem – de fazer dos bens materiais a prioridade fundamental da vida. No entanto, Jesus sabe que “nem só de pão vive o homem” e que a realização do homem não está na acumulação egoísta dos bens. A resposta de Jesus cita Dt 8,3 e sugere que o seu alimento – isto é, a sua prioridade – não é um esquema de enriquecimento rápido, mas é o cumprimento da Palavra (isto é, da vontade) do Pai.
A segunda “parábola” (vs. 5-7) sugere que Jesus poderia ter escolhido um caminho de êxito fácil, mostrando o seu poder através de gestos espetaculares e sendo admirado e aclamado pelas multidões (sempre dispostas a deixarem-se fascinar pelo “show” mediático dos super-heróis). Jesus responde a esta tentação citando Dt 6,16, e sugere que não está interessado em utilizar os dons de Deus para satisfazer projetos pessoais de êxito e de triunfo humano. “Não tentar” o Senhor Deus significa, neste contexto, não exigir de Deus sinais e provas que sirvam para a promoção pessoal do homem e para que ele se imponha aos olhos dos outros homens.
A terceira “parábola” (vs. 8-10) sugere que Jesus poderia ter escolhido um caminho de poder, de domínio, de prepotência, ao jeito dos grandes da terra. No entanto, Jesus sabe que a tentação de fazer do poder e do domínio a prioridade fundamental da vida é uma tentação diabólica; por isso, citando Dt. 6,13, diz que, para Ele, só o Pai é absoluto e que só Ele deve ser adorado.
As três tentações aqui apresentadas não são mais do que três faces de uma única tentação: a tentação de prescindir de Deus, de escolher um caminho de egoísmo, de orgulho e de auto-suficiência, à margem das propostas de Deus. Mas, para Jesus, ser “Filho de Deus” significa viver em comunhão com o Pai, escutar a sua voz, realizar os seus projetos, cumprir obedientemente os seus planos. Ao longo da sua vida, diante das diversas “provocações” que os adversários Lhe lançam, Jesus vai confirmar esta sua “opção fundamental” e vai procurar concretizar, com total fidelidade, o projeto do Pai.
Israel, ao longo da sua caminhada pelo deserto, sucumbiu frequentemente à tentação de ignorar os caminhos e as propostas de Deus. Jesus, ao contrário, venceu a tentação de prescindir de Deus e de escolher caminhos à margem dos projetos do Pai. De Jesus vai nascer um novo Povo de Deus, cuja vocação essencial é viver em comunhão com o Pai e concretizar o seu projeto para o mundo e para os homens.
ATUALIZAÇÃO
• A questão essencial que a Palavra de Deus hoje nos propõe é, portanto, esta: Jesus recusou, de forma absoluta, conduzir a sua vida à margem de Deus e das suas propostas. Para Ele, só uma coisa é verdadeiramente decisiva e fundamental: a comunhão com o Pai e o cumprimento obediente do seu projeto… E nós, seguidores de Jesus? É essa também a nossa perspectiva? O que é que é decisivo na minha vida: as propostas de Deus, ou os meus projetos pessoais?
• Quando o homem esquece Deus e as suas propostas, e se fecha no egoísmo e na auto-suficiência, facilmente cai na escravidão de outros deuses que, no entanto, estão longe de assegurar vida plena e felicidade duradoura. Quais são os deuses que, hoje, dominam o horizonte desse homem moderno que prescindiu de Deus? Quais são os deuses que estão no centro da minha própria vida e que condicionam as minhas decisões e opções?
• Deixar-se conduzir pela tentação dos bens materiais, do acumular mais e mais, do subordinar toda a vida à lógica do “ter mais”, é seguir o caminho de Jesus? Olhar apenas para o seu próprio conforto e comodidade, fechar-se à partilha e às necessidades dos outros, pagar salários de miséria e malbaratar fortunas em noitadas de jogo ou em coisas supérfluas… é seguir o exemplo de Jesus?
• Usar Deus ou os seus dons para saciar a nossa vaidade, para promover o nosso êxito pessoal, para brilhar, para dar espetáculo, para levar os outros a admirar-nos e a bater-nos palmas… é seguir o exemplo de Jesus?
• Procurar o poder a todo o custo (às vezes, entregando ao diabo os nossos valores mais importantes e as nossas convicções mais sagradas) e exercê-lo com prepotência, com intolerância, com autoritarismo (quantas vezes humilhando e magoando os pobres, os débeis, os humildes)… é seguir o exemplo de Jesus?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho



Iniciamos o período da Quaresma com a disposição renovada de mergulhar em Deus, deixando-nos iluminar por suas palavras, questionando-nos sobre nossas atitudes e comprometendo-nos com uma nova vida. Somos fruto da iniciativa amorosa de Deus. Ele nos modelou a partir do barro e deu-nos a vida, insuflando em nós o seu sopro divino. Presenteou o ser humano com uma habitação especial, um jardim que produz toda espécie de frutos. Para conservar o estado de bem-estar e alegria, ordenou-lhe que não tocasse na “árvore da ciência do bem e do mal”. Porém, a rebeldia dos homens e das mulheres, representados por Adão e Eva, originou toda espécie de males (I leitura). Deus, no entanto, não abandona as suas criaturas. Ele é criador e também libertador. Por isso, como máxima expressão do seu amor, enviou o seu Filho, Jesus Cristo, para nos libertar de todos os males com suas consequências. Se pelo pecado de Adão entrou a morte no mundo, pela graça de Jesus Cristo nos é dada a redenção (II leitura). Para isso, Jesus assumiu plenamente a condição humana, sofreu toda espécie de tentações durante toda a sua vida. Porém, não caiu nelas. Permaneceu fiel à vontade do Pai, alimentando-se permanentemente de sua palavra e cultivando a sua intimidade pelo silêncio e pela oração (Evangelho). Portanto, a palavra e o exemplo de nosso irmão maior, Jesus Cristo, devem tornar-se o pão nosso de cada dia, que nos sustenta na caminhada desta vida e nos mantém na fidelidade ao projeto de Deus.
1ª leitura (Gn. 2,7-9; 3,1-7)
Da argila da terra Deus criou o ser humano
A figura de Deus apresentada nesse relato da criação é a de um oleiro com uma incrível capacidade artística. Percebe-se a intenção dos autores de ressaltar a origem do ser humano, que tem íntima ligação com Deus e com a terra que ele criou. O próprio nome Adão vem de adamah, termo hebraico que designa a terra. É a palavra que deu origem ao homem, entendido aqui como nome genérico da raça humana. Homens e mulheres são seres originados do húmus da terra. A terra, portanto, Deus a fez e a usou como “mãe” da humanidade. Ela é fonte de vida, é fértil e produz todas as espécies de frutos.
Deus é pai, amigo e conselheiro dos seus filhos e filhas. Dá-lhes as instruções necessárias para que possam viver sobre a terra em íntima comunhão com ele e, como decorrência, em solidariedade com todas as coisas. Por isso, Deus pede que não comam do fruto da “árvore da ciência do bem e do mal”. Em outras palavras: os seres humanos devem respeitar a soberania de Deus sobre todas as coisas e submeter-se ao seu desígnio. Tudo o que ele faz é muito bom.
A narrativa busca explicar o motivo do sofrimento pessoal e dos males sociais. A origem de todas as coisas está fundamentada na bondade divina. Foram feitas para o bem dos seres humanos. Por que, então, o sofrimento? Os autores do texto expressam profunda consciência crítica sobre a opressão. Esta se constitui a causa de todos os males. Ao tomarem a figura da serpente como a provocadora da violação da ordem divina, apontam para a sagacidade do poder em “dar o bote” para morder e alienar a consciência humana.
Certamente, o grupo que está por trás do texto conhece muito bem as consequências da monarquia israelita. Analisam a realidade social, denunciando a ambição de grandeza e de sabedoria do regime monárquico, que pretende ser “igual a Deus”, usurpando o poder divino e revelando o domínio sobre os bens e as pessoas. Mas, como diz o adágio popular, “o rei está nu”. A nudez revela que a fraqueza e a condição de mortalidade fazem parte da pessoa. De que lhe adiantam as pretensões de poder e de possessão? Confrontado honestamente com o desígnio divino, o ser humano, pretensamente poderoso, sente-se envergonhado. É claro, pois a conquista e a manutenção do poder envolvem mentiras, enganação, usurpação de bens... Deus, porém, é justo e verdadeiro. Diante dele, nenhuma “folha de figueira” cobre essa nudez, a transparência de sua verdade, por mais que a pessoa busque justificativas.
2ª leitura (Rm. 5,12-19)
O novo ser humano em Jesus Cristo
Um dos temas dominantes na carta aos Romanos é a justificação pela graça. Para são Paulo, o pecado entrou no mundo trazendo a morte. Esta deve ser entendida não apenas em seu aspecto físico, mas também como realidade pessoal e social, proveniente do egoísmo humano. É herança da transgressão de Adão, representante dos seres humanos. Essa condição de pecadores nos torna incapacitados de nos redimir. Nenhum mérito humano possibilita a salvação. Ela nos é dada por pura graça de Deus, que se revela plenamente em Cristo Jesus.
Com a Lei, ficou explícito em que consiste o pecado. Com Jesus, a Lei foi superada e, sem ela, o pecado já não é levado em conta. Isso acontece porque a graça de Deus foi derramada sobre todos nós, pecadores, redimindo-nos do pecado. Se o pecado de Adão trouxe a morte, a fidelidade de Jesus Cristo trouxe a vida definitiva. Se a rebeldia do ser humano diante do Criador trouxe a condenação para todos, o dom gratuito de Jesus Cristo para todos trouxe a justificação. Se a transgressão do ser humano é fonte de morte, a graça de Deus, por meio de Jesus, é fonte de vida plena. A graça nos reconcilia com Deus e resgata a nossa integridade. Pela graça, é-nos dada a vida eterna.
São Paulo nos convence de que o pecado foi instrumento que possibilitou a manifestação da misericórdia divina. A transgressão do “primeiro Adão” não conseguiu impedir o fluxo da graça. Pelo contrário, fê-la fluir ainda mais abundantemente. Essa certeza nos torna abertos para acolher o perdão gratuito de Deus e nos incentiva a mergulhar sempre mais em sua graça. Deus nos criou por amor e também por amor nos liberta do mal e da morte. O ato de expiação de Jesus, o novo Adão, anulou definitivamente o poder do pecado.
Evangelho (Mt. 4,1-11): Jesus vence as tentações
Desde o início do seu ministério, Jesus enfrenta o embate com propostas diabólicas que buscam desviá-lo de sua missão de defender e promover a vida digna das vítimas do poder em sua tríplice dimensão. O “diabo”, a antiga serpente, inimigo do plano de Deus para a humanidade (cujas expressões se encontram dentro de cada um de nós como nas próprias estruturas sociais), convida Jesus a seguir outro caminho, procurando fazê-lo abandonar a missão que iria realizar como Messias sofredor. Em toda a sua vida (este é o sentido dos “40 dias e 40 noites”), Jesus foi tentado a dar preferência a uma lógica criada segundo intentos egoístas. Tem a possibilidade de, ou apresentar um falso messianismo, satisfazendo as expectativas dos seus contemporâneos, ou optar pela realização da vontade do Pai, assumindo o serviço de libertação junto às pessoas excluídas.
A primeira tentação indica a dimensão econômica do poder. Jesus, como ser humano, sentiu-se certamente atraído pela proposta de orientar a sua vida para o acúmulo de bens e para o desfrute dos prazeres que eles podem oferecer. Podia até mesmo ancorar-se na “teologia da retribuição”, tão presente nos ensinamentos oficiais dos doutores da Lei, legitimando a riqueza e o bem-estar físico como bênçãos divinas. Porém, Jesus vai por outro caminho. Ele dedica todo o seu tempo e sacrifica a própria vida no cumprimento da missão que o Pai lhe deu em favor do resgate da vida digna sem exclusão. Ao responder que a pessoa vive não só de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus, aponta para a perspectiva essencial que deve conduzir todos os nossos passos. A palavra de Deus constitui a fonte e a autoridade das quais emana todo ensinamento capaz de realizar as aspirações mais profundas de cada um de nós; é alimento capaz de satisfazer a fome do coração humano, desejoso de inteireza e autenticidade.
A segunda tentação refere-se à dimensão religiosa do poder. O “pináculo”, para além da parte física mais alta do Templo, representa os elevados cargos que um judeu poderia galgar na hierarquia religiosa. Esse caminho de poder, pela via religiosa, proporcionaria a Jesus prestígio e proteção muito especiais. A pessoa envolvida na “auréola” de uma espiritualidade legitimada pela ideologia do sistema religioso oficial, como era o caso do templo de Jerusalém, sente-se assegurada pela “blindagem” que seu status religioso proporciona. Jesus poderia apegar-se à sua condição divina e mostrar “sinais do céu”, como queriam os fariseus e saduceus. Poderia “forçar” a providência de Deus, solucionando magicamente os problemas humanos. A resposta de Jesus de não tentar o Senhor Deus informa-nos de que a lógica humana deve submeter-se à lógica divina e não o contrário. A vontade do Pai, de forma desconcertante, manifesta-se no caminho da obediência de seu Filho até a morte de cruz. Com isso, cai por terra toda a presunção de querer usar a Deus para a vanglória humana.
A terceira tentação indica a dimensão política do poder. Equivale à tentação da idolatria por excelência: adoração a satanás. É posicionar-se como um ser divino, com o poder de agir, de forma absoluta, sobre pessoas e bens. É a tentação de querer alcançar a felicidade suprema pela auto-afirmação e pelo domínio sobre os outros. Jesus, com certeza, confrontou-se com essa possibilidade de orientar toda a sua vida no sentido de galgar cargos políticos que lhe conferissem força e fama social. As multidões queriam fazê-lo rei... O posicionamento de Jesus, ao rejeitar essa tentação, transforma-se no caminho de superação de todo domínio e também de todo servilismo. Coloca a Deus como o único Ser digno de adoração. Jesus propõe uma nova ordem social como realização da vontade do Pai e orienta toda a sua missão para a organização dessa nova ordem. Revela, assim, a verdadeira origem do reino de justiça, fraternidade e paz: é dom de Deus e serviço abnegado dos seus filhos e filhas.
Pistas para reflexão
– Deus é criador e libertador. Em seu desígnio de amor, criou o ser humano em íntima união com a mãe terra. Em sua providência generosa, garante as condições de vida digna para todas as pessoas. Deu-nos a missão de cuidar de todas as coisas, sem cair na tentação de “comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal”, isto é, de entrar na ideologia do poder, que tende a dominar as pessoas e se apossar do que é de todos. É preciso respeitar e promover o princípio da soberania de Deus sobre todas as coisas e administrá-las com justiça, evitando toda espécie de exploração.
– Não cair em tentação. Durante toda a nossa vida, somos tentados a abdicar do compromisso com o projeto de Deus, deixando-nos levar por propostas diabólicas. Jesus nos ensinou o caminho de superação das tentações do poder em sua tríplice dimensão: econômica, política e religiosa. É claro que a economia, a política e a religião podem ser meios privilegiados para a construção do reino de justiça, paz e fraternidade no mundo, desde que sejam organizadas como serviço dedicado e honesto ao próximo, principalmente às pessoas mais necessitadas.
– Ser portadores da graça divina. Com sua obediência radical à vontade do Pai, Jesus nos trouxe a graça da libertação de todos os males e a vida em plenitude. Seguindo seus passos, podemos ser portadores da graça divina, defendendo e promovendo o direito à vida digna sem exclusão. Para isso, são fundamentais o cuidado e o respeito para com a natureza. A Campanha da Fraternidade nos aponta sugestões práticas.
Celso Loraschi




“Adorarás o senhor teu Deus!”
Tudo começa de novo. Mais uma Quaresma.  Mais uma vez somos convidados a penetrar no deserto com Jesus.  Lá, distante dos sons,  no recolhimento dos recolhimentos, sem  distrações, na crueza e na nudez do seu interior, Jesus vai fazer a grande opção:  responderá com um efusivo e decidido sim aos apelos do Pai.  O tentador mostra-lhe os reinos, as vaidades, o poder, o que se ganha usufruindo de  todos os bens, do pão, de todas as benesses.  Nada abala seu interior. Ele é o Filho que escuta,  o Filho obediente, amorosamente obediente, aquele que tem como pão e alimento fazer a vontade do Pai. O homem não vive só de pão, de passeios, de lucros, de vantagens, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.  Esse Filho igual ao Pai, é homem,  ao mesmo tempo fragilidade e, na verdade do deserto, sem apoios exteriores,  coloca sua vida em sintonia com o Pai. Nunca pedirá sinais, nunca tentará a Deus embora por vezes seu coração fique apertado: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste... afasta este cálice”. Não pode e não quer receber do abjeto tentador reinos  e vantagens. Jesus está sempre querendo fazer a amorosa, delicada e exigente vontade do Pai. Vencidas as tentações Lucas  conclui:  “Os anjos se aproximaram e serviram a Jesus”.
Somos todos seres com saudade de harmonia. No momento temos o coração em caos.  Mas houve um tempo em que tudo era ordenado. Os primeiros pais passeavam pelo Jardim do Eden, com o Criador, na brisa da tarde.  Tudo era harmonia. Os primeiros habitantes da terra feliz, o homem e a mulher, Adão e Eva, foram testados, postos à prova.
O Senhor Deus queria seu carinhoso assentimento à sua vontade. Ele e ela, ou ela e ele caíram nas malhas do tentador. Quiseram ser donos de sua história. Quiseram ser como Deus. E a desordem se instalou.  “A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para alcançar o conhecimento. E colheu um fruto e o deu a seu marido, que estava com ela e ele comeu”. Nesse momento se instala a desordem e a harmonia é quebrada.  Perde-se a inocência. “Os olhos dos dois se abriram; e, vendo que estavam nus, teceram tangas para si com folhas de figueira”.
Não num jardim, mas num deserto, sozinho, Jesus começa a escrever uma outra história e a esboçar uma nova criação. Porque ele é o filho amado que faz a vontade do Pai e inaugura os novos e definitivos tempos.
Sim, os anjos do paraíso que haviam mostrado  as portas da rua aos primeiros pais agora servem a Jesus.
Quais a principais tentações dos cristãos? Quais as tentações de nossas famílias cristãs? Onde está o deserto que venha a nos acordar?
frei Almir Ribeiro Guimarães



Pecado e Restauração
A Quaresma é, originariamente, o tempo de preparação para o batismo, via de regra, administrado aos catecúmenos (adultos) na noite de Páscoa. Nesta perspectiva situa-se a recordação do pecado nas origens da humanidade: todos precisam de ser salvos em Cristo – o que é o efeito do batismo.
A1ª leitura de hoje narra o pecado do ser humano (Adão e Eva) nas origens(o recorte litúrgico parece um pouco truncado demais) (*). Evoca o contraste entre o carinho do criador e a leviandade do ser humano, que, tentado pelo desejo da experiência do bem e do mal, com a ilusão de se tomar igual a Deus, acaba encontrando-se nu e sem nada. A 2ª leitura é o comentário de Paulo sobre esse episódio: se, solidários com Adão, todos pecam e morrem, muito mais encontram a justiça, a amizade com Deus, em Cristo, pelo qual a graça e a vida entram em nossa existência. (A morte física, para Paulo,já não é aquele “castigo de Adão”, mas a transformação da vida: 1 Cor. 15,35-53.)
O evangelho mostra Jesus sendo posto à prova pelo Tentador. Na forma como narra Mt, a última das três tentações é exatamente a de se igualar a Deus. Assim, a resistência de Jesus aparece como a reparação do pecado de Adão. Enquanto Adão preferia conhecer o mal por experiência própria, Jesus é todo obediência a Deus, respondendo ao Tentador com três frases da Escritura, para mostrar que obedecer a Deus está acima do pão, do sucesso e do poder. Nenhuma realidade humana deve ter para nós mais peso do que Deus. No fundo, o pecado é orgulho, achar-se mais importante que Deus. Jesus faz o contrário. E assim fará quem é batizado em seu nome.
Na programação musical desta liturgia observe-se a riqueza dos cânticos, especialmente do salmo responsorial (Sl. 51 [50]).
(*) Podemos dizer que o “pecado original” é o mal moral que está na raiz de toda desordem moral do ser humano: a auto-suficiência, a tentação de não reconhecer Deus como última palavra sobre a vida. Mas esse mal foi vencido pela obediência de Jesus, que se uniu à vontade salvadora do Pai até morrer por amor a nós.
padre Johan Konings "Liturgia dominical"



       Quero falar hoje dos primeiros capítulos da Bíblia, Gênesis 1–11. A liturgia do primeiro domingo da Quaresma, de fato, nos apresenta a história de Adão e Eva (cap. 2-–3 do Gênesis). Estes textos sempre causam muitos problemas, porque são considerados em contradição com os dados da ciência. Apesar das altas idades alcançadas pelos primeiros patriarcas (Matusalém!), tem-se a impressão de que Adão viveu apenas uns vinte séculos antes de Abraão (Gn. 12). A ciência, entretanto, recua milhões de anos para situar a aparição do primeiro ser que se comportava como a gente. Para não falar da teoria que faz o homem descer do macaco. Quem, então, está certo, a Bíblia ou a ciência?
A resposta está numa atenta consideração dos 11 primeiros capítulos do Gênesis. Não pretendem narrar nenhuma história científica. Na realidade, não falam do homem pré-histórico. Falam da pessoa humana de hoje e de sempre. Quando se escreveu a Bíblia, não se tinha a mínima noção de paleontologia e das outras ciências modernas que tentam rastrear o trilho da espécie humana e dos outros animais... Não se conhecia tais ciências, e isso tampouco interessava. O que interessava era compreender o lugar do ser humano diante de Deus. Ora, visto sob este ângulo, Gn. 1–11 é uma literatura maravilhosa.
Gn. 1,1–2,4a é um hino, que canta a criação do universo no ritmo dos sete dias da semana. No primeiro dia, Deus cria a luz. Onde está Deus, há luz. E no sexto dia, depois de todas as outras criaturas, ele coroa seu trabalho criando o ser humano, homem e mulher, em igualdade (mensagem muito revolucionária para aquele tempo, e ainda hoje). O sétimo dia, o sábado, é o dia em que Deus cessa sua obra, e que o israelita fiel santificará pelo descanso.
Os capítulos 2–11 narram, então, como esse ser humano se relaciona com seu Deus. Gn. 2,4b–3,24, é uma história didática acerca do primeiro casal humano, Adão e Eva. Ensina-nos que o mal não vem de Deus, mas do próprio ser humano que se entrega ao desejo desmedido que está à espreita, não debaixo de alguma árvore, mas dentro de seu próprio coração: quer ser igual a Deus... (Gn. 2,5). Ele perde sua situação de príncipe vivendo nos jardins do palácio de Deus (o “paraíso”), e sua vida fica marcada pela negatividade, que se revela no sofrimento.
Uma outra história, Gn 4, conta como, desde os inícios, a inveja torna as pessoas inimigos mortais: Caim e Abel. Mas a história conta também como Deus protege Caim para que não haja vingança interminável, que significaria o fim da espécie humana. E dá a Adão, que representa a espécie humana, um outro descendente no lugar de Abel.
A história seguinte (Gn. 6–10) é a do dilúvio. Inspira-se nas gigantescas enchentes que ocorrem na Mesopotâmia (Síria, Assíria e Babilônia). Essas catástrofes são símbolos do mal da humanidade degenerada (pela promiscuidade dos “filhos dos deuses”, aquelas figuras que pululam no universo religioso pagão). Mas no meio dessa história está a figura de Noé, no qual a humanidade é salva. A história termina com uma bela lição tirada daquela maravilha que é o arco-íris: o arco-íris significa que Deus faz um pacto para nunca mais exterminar a humanidade (= a “Aliança de Deus com Noé”, Gn. 9,8-9).
A última dessas histórias é a da torre de Babel (Gn. 11). Os israelitas conheciam as gigantescas torres-templos da Babilônia, construídas em patamares sobrepostos e terminando numa plataforma onde se ofereciam sacrifícios. Eram consideradas escadarias para chegar ao céu. Mas não chegavam... O narrador ironiza essas torres dizendo que foram interrompidas por causa da confusão das línguas, problema que complicava muito a vida no império babilônico! Nenhuma ambição imperialista, quer da Babilônia, quer de outro “império”, é capaz de unir a humanidade (“aldeia global”) e de forçar o acesso ao lugar de Deus.
Embora apresentando a degradação humana, essas histórias têm um final feliz. Deus está sempre presente e disposto a salvar sua obra-prima, o ser humano (ver sobretudo a aliança com Noé, Gn 8,20-22; 9,8-17). A infidelidade do ser humano não desvia Deus de seu caminho. Ele é fiel e fidedigno (ver 2Tm 2,13).
padre Johan Konings
"Descobrir a Bíblia partir da liturgia"



“Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”
(Mt. 4,4b).
Primeira Leitura: Gn 2,7-9;3,1-7
“Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão
e vós sereis como Deus conhecendo o bem e o mal”. (Gn. 3,5).
Eva se deixou iludir pela serpente, porque achou que estaria certo o que dela ouviu: ... vós sereis como Deus conhecendo o bem e o mal”.
Antes do aparecimento da serpente, Eva já se defrontava com a questão de sua liberdade: por qual motivo Deus proibira comer daquele fruto? A liberdade com que Eva fora criada estava instigada pela curiosidade pelo gesto de desobediência. Eva estava usando mal de sua liberdade, dada por Deus para que ela fizesse o que Deus tinha mandado, pois Deus não manda ninguém pecar: "Não mandou que ninguém fosse ímpio, não deu a ninguém permissão de pecar" (Eclo. 15,20).
Com o aparecimento da serpente a curiosidade de Eva aumenta, pois não tinha pensado que poderia ser igual a Deus conhecendo o bem e o mal. Portanto Eva decide desobedecer a Deus e obedecer à sua curiosidade e à sedução da serpente.
Mas Eva não estava sozinha no paraíso. Adão chega e ela o convence de comer do fruto proibido.
Somente neste momento se dão conta de terem desobedecido e se escondem de Deus.
Foi inútil. Deus que conhece não somente o bem e o mal, conhecia o coração de Adão e Eva. Onde quer que eles estivessem Deus os encontraria. E encontrando-os, Deus os puniu. Puniu por necessidade, por amor e como foi por amor, foi por justiça.
Assim por meio de uma mulher e de um homem, o gênero humano em sua origem, toda a humanidade ficou culpada e punida. Deus lhes dissera que morreriam se comessem o fruto proibido. Portanto toda a humanidade herda a morte do primeiro casal criado sobre a terra.
É o que são Paulo dirá na segunda leitura de hoje: o pecado entrou no mundo por um só homem.
Através do pecado entrou a morte.
E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram (Rm. 5,12).
Antes de comerem do fruto proibido nem Eva nem Adão passavam fome.
No paraíso tinham alimento suficiente. O pecado não foi de gula. Não foi de fome. Foi de desobediência à vontade de Deus e esquecimento das consequências antes anunciadas.
Nesta Quaresma pensemos nos nossos pecados. São de desobediência à vontade de Deus.
Portanto quando nos examinarmos para uma confissão antes da Páscoa, passemos todos os mandamentos da Lei de Deus e da Igreja.
Encontraremos aí nossas desobediências.
Delas nos arrependeremos, tendo certeza do perdão de Deus, pois para isto Ele enviou seu filho: “Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão” (Lc. 5,32).
Salmo responsorial 50(51),3-17.
Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei,
E pratiquei o que é mal aos vossos olhos! [Sl. 50(51),6a].
O Salmo Responsorial descreve a trajetória de todo pecador arrependido.
1. Constatado o pecado, o Salmo mostra o arrependimento que motiva o pedido de perdão.
Mas não somente de perdão necessitamos.
2. Precisamos da Graça de Deus que nos dá um coração novo, um coração puro.
3. Precisamos mudar nossa vida por um espírito decidido.
4. Precisamos nos firmar no amor agradecido a Deus.
5. Precisamos permanecer, perdoados, diante da face de Deus: que Ele não a esconda de nós.
6. Precisamos voltar à alegria de viver em União com Deus, única fonte de felicidade para todo ser humano.
7. E, por fim, precisamos ser gratos a Deus: perdoados, com nossa alegria recuperada, com nossa segurança espiritual reafirmada por um espírito decidido, cantaremos louvores a Deus.
Depois deste percurso, o relacionamento normal com Deus fica restabelecido. Que não seja, jamais, perdido.
Aqui, neste Salmo, portanto, nos é dado o itinerário da conversão, do retorno ao Pai.
Jesus não narra, na parábola do filho pródigo, qual sentimento de alegria, paz, segurança que aquele filho recuperou uma vez perdoado e amado por seu pai.
Isto cabe a nós descobrir em nossa experiência pessoal, em nosso relacionamento pessoal com Deus, percorrendo o itinerário que este Salmo Responsorial nos traça. Vamos segui-lo fielmente.
Que este Salmo seja nosso programa de conversão nesta Quaresma, para nossa reconciliação feliz com Deus, mergulhados no Seu amor de Pai.
Segunda leitura: Rm. 5,12.17-19.
O pecado entrou no mundo por um só homem.
Através do pecado entrou a morte.
E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram. (Rm 5,12).
Na Primeira Leitura consideramos como o Pecado entrou no mundo pela desobediência de Eva e de Adão.
Nesta Segunda Leitura São Paulo nos mostra isto também. Porém vai além.
Deus não quis, jamais, que a humanidade permanecesse no pecado e sujeita à morte por culpa do primeiro casal criado sobre a terra.
Deus quis que todo o gênero humano fosse livre do pecado, de sua culpa, e da pena devida, a morte.
Em sua infinita justiça, nascida de seu amor infinito por suas criaturas, Deus enviou ao mundo Seu Filho.
Convinha que um homem perfeitamente obediente a Deus tirasse da humanidade a marca da culpa e o destino de morte. Foi assim que o Filho de Deus se encarnou e recebeu um nome: “Salvador”, “Jesus ”.
São Paulo conclui:
“... como pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida numa situação de pecado, assim também pela obediência de um só, toda a humanidade passará para a situação de justiça”. (Rm 5,19).
Por “justiça” São Paulo entende o estado de purificação do coração perante Deus.
Jesus a consegue para nós, de modo que assim:
- possamos estar diante da face de Deus [Sl. 50(51),13a],
- sem temer a morte,
- mas sentir a alegria da vida exuberante proporcionada pela Graça divina.
Evangelho: Mt. 4,1-11.
“Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra
que sai da boca de Deus” (Mt. 4,4b).
Tentado no deserto, depois de quarenta dias e quarenta noites Jesus teve fome.
Ao contrário de Adão e Eva que no paraíso não jejuavam, Jesus jejuou e sentiu fome.
O demônio não lhe apresenta um fruto proibido, como apresentara a Eva e Adão.
Mas lhe propõe, insidiosamente, que faça um milagre, “se for Filho de Deus” (Mt. 4,3b).
Jesus se encontra diante da fome, da possibilidade de dar ouvidos ao tentador, de desobedecer à Lei de Deus.
Mas ao contrário de Eva e Adão, não cede à fome, não cede ao tentador e não desobedece à vontade de Deus.
Pelo contrário, usa de sua inteligência e sabedoria para dar a resposta exata ao tentador: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt. 4,4b).
O que esta resposta de Jesus nos diz?
Pensemos devagar em suas palavras: "Não só de pão vive o homem": isto é, o alimento material não é tudo. Há uma vida a ser garantida não pelo pão material, mas pela sustentação divina que somente Deus pode garantir. Era esta a vida que Adão e Eva tinham recebido de Deus ao serem criados no paraíso. Esta vida eles jamais deveriam perder.
Mas de toda palavra: o que é “Palavra”? Nesta frase de Jesus é o pão que alimenta, que faz a vida persistir sem perspectiva de fim. Ora, deste modo esta palavra somente pode provir de Deus: que sai da boca de Deus”.
Quando Deus criou Adão e Eva não se contentou em dar-lhes a vida.
Faltava garantir a continuidade desta vida no paraíso.
E isto Deus lhes deu por meio da Bênção:
28 E Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra”. 29 E disse Deus ainda: “Eis que vos dou todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente. Isso será vosso alimento” (Gn. 1,28-29).
Jesus, tentado, com fome, mas ainda com forças para vencer a tentação, permanece vivo.
O jejum não o levou à morte.
Permanecer vivo foi, para Ele, a confirmação da continuidade daquela vida que Deus prometera a Adão e Eva, por efeito da bênção divina.
Jesus, portanto, jejuou, passou fome, não morreu, e, mais importante de tudo, permaneceu sem pecar: cumpriu a vontade de Deus mesmo em tempo de penitência e tentação. Foi em tudo diferente de Adão e Eva.
Pensemos em nosso tempo de jejum na Quaresma.
Seremos tentados a não jejuar e a não comer carne.
Seremos tentados pelas tentações cotidianas com que o inimigo nos persegue sempre.
Temos, porém diante de nós, tanto o pecado de Adão e Eva como a obediência de Jesus Cristo.
Vamos imitar Jesus Cristo. Venceremos as tentações, não faremos pecados e permaneceremos na União com Deus.
A Jesus que amamos, peçamos a conversão de vida, o perdão de Deus de todos os nossos pecados presentes e passados. Sintamos a alegria de sermos salvos, e cantemos a Deus seus louvores [Sl. 50(51),17b].
padre Valdir Marques, SJ



O primeiro domingo da Quaresma inicia-se com Mateus citando a solidão de Jesus no deserto, após ser batizado por João. Fortalecido pela presença do Espírito de Deus, Jesus é submetido a duras provas propostas pelo demônio que questiona a sua atitude filial para com Deus, tentando desestabilizá-lo.
Diabo é uma palavra grega que representa uma pessoa ou situação que lança uma coisa no meio para separar, e diabólica é a ação que separa, que cria divisões.
As tentações acontecem no deserto – lugar das dificuldades, necessidades e injustiças pelas quais passou o povo hebreu ao sair do Egito, uma vez chamado por Deus para colaborar na construção de uma nova sociedade. E é no deserto que Jesus permanece por quarenta dias e quarenta noites, retomando assim a história de seu povo que permaneceu ali quarenta anos antes de ingressar na Terra Prometida.
Mateus descreve três situações em que Jesus é tentado a forjar a sua missão e trair o plano de justiça de Deus: na abundância, no prestígio e, no poder e na riqueza.
Ao resistir as tentações do demônio, Jesus sela definitivamente o seu compromisso com Deus e com a sua justiça.
A quaresma é um tempo de preparação, de meditação e, com isso, momento de perceber a injustiça que é fruto do acúmulo dos bens da 1ª tentação, da busca de prestígio da 2ª tentação, e da concentração do poder da 3ª tentação.
A igualdade para todos precisa ser uma prática, mas que só pode acontecer quando os homens crerem que é possível mudar os rumos da sociedade, onde alguns são privilegiados à custa da ignorância, da manipulação e da omissão de muitos.
Pequeninos do Senhor


A provação do filho do homem
A cena das tentações, inserida no início da vida pública de Jesus, é um claro indício de que o exercício de seu ministério seria pontilhado de provas e dificuldades. Na aritmética teológica da época, que consistia em atribuir valor simbólico-teológico aos números, o número três designava a constituição do ser humano (espírito - alma - corpo). A tríplice tentação significava que Jesus, enquanto ser humano, seria submetido a contínuas provações, pelas quais teria chance de dar provas de sua absoluta fidelidade a Deus. De fato, até os instantes finais de sua caminhada terrena, Jesus viu-se tentado.
O tentador insistia sempre no mesmo ponto: "Se você, de fato, é Filho de Deus", passando a fazer-lhe propostas extravagantes. Com isto, pretendia levar Jesus a exigir do Pai uma manifestação desnecessária de sua providência, bem como levá-lo a oferecer espetáculos formidáveis com os quais atrairia a atenção sobre si, granjeando a admiração das multidões, mas também o risco de ser vítima do orgulho e da vaidade.
As tentações foram capciosas. Com uma interpretação superficial, podiam parecer inocentes, sem maiores conseqüências. Só uma leitura arguta, como a de Jesus, foi capaz de desmascará-las e revelar as verdadeiras intenções do tentador.
O fato de vencer as tentações já foi um primeiro sinal da fidelidade de Jesus ao Pai. Por ser Filho de Deus, recusava-se a exigir do Pai manifestações insensatas de amor.
padre Jaldemir Vitório



Jesus não permite que a voz do mal ressoe nele
Os domingos do tempo da Quaresma são como que etapas que nos preparam para a celebração do mistério pascal de Jesus Cristo. O tempo da Quaresma deve ser marcado por uma dupla característica: deve ser a ocasião para recordarmos o nosso Batismo e a vocação a que somos chamados pela graça desse mesmo Batismo, e tempo para a penitência, isto é, o desejo e o consequente esforço de verdadeira e profunda conversão para que possamos tirar do mistério pascal de Jesus Cristo toda a sua riqueza.
O autor do segundo relato da criação do livro do Gênesis tem a preocupação de responder à seguinte pergunta: se tudo o que Deus criou é bom, por que existe o mal? Por que, muitas vezes, o mal domina sobre o ser humano? Em primeiro lugar, o autor afirma a bondade de Deus. Deus chama o ser humano à existência; Ele pôs o seu próprio “sopro” no ser humano (2,7b). O homem, tirado do pó, é obra do coração de Deus, do seu amor. No jardim que Deus plantou havia tudo o que o ser humano precisava para realizar-se como plenamente humano. No entanto, enigmaticamente, aparece a serpente, símbolo do mal do homem; ela aparece como uma força de sedução que distorce o mandamento de Deus e leva o ser humano a negar a sua própria condição de criatura e, portanto, a negar sua referência a Deus. É o mal que, segundo o nosso autor, coloca no coração do ser humano a suspeita com relação a Deus. O mal desumaniza na medida em que leva a negar-se a qualidade de criatura e sua referência ao Criador. O ser humano é colocado diante da alternativa pela qual deve decidir: confiar em Deus ou se deixar levar pela sedução do mal. Infelizmente, o primeiro homem se deixou envolver pela sedução do mal.
O relato das tentações de Jesus segundo Mateus é um sumário das tentações que acompanharam Jesus ao longo de toda a sua vida. Ao contrário do primeiro ser humano, Jesus não permite que a voz do mal ressoe nele. Pela apropriação da Palavra de Deus, por sua comunhão com o Pai, ele vence o mal; ele vence o mal pela confiança inabalável em Deus. As tentações de Jesus dizem respeito à sua filiação divina e à sua missão. É na sua condição de Filho de Deus e em relação ao seu messianismo que Jesus é tentado. Jesus não se prosterna diante do mal, pois sua vida está profundamente enraizada em Deus; somente a Deus ele adora. Foi por nós que Jesus venceu as tentações.
Carlos Alberto Contieri,sj



O deserto é o lugar de purificação e decisão
Na tradição do Êxodo, no Primeiro Testamento, o deserto é o lugar de purificação e decisão, em um processo de mudança de vida. As condições ambientais de despojamento, próprias do deserto, são propícias à reformulação de valores pessoais ou comunitários, previamente assumidos. Assim, o povo hebreu, conforme a tradição, ao sair do Egito, permaneceu quarenta anos no deserto, que serviram como preparação para as novas condições de vida na "terra prometida", que invadiram exterminando os povos que aí habitavam. Os três evangelistas sinóticos, fazendo analogia com os episódios ma saída do Egito, narram que Jesus, após receber o batismo de João, passou também "quarenta dias" no deserto, como um tempo de provação. O agente da provação é o diabo, que propõe a Jesus, sucessivamente, que transforme pedras em pães, que se prostre diante dele e que se lance do alto do Templo. Estas tentações delineiam o perfil do messias glorioso: promessa demagógica de pão para todos, ostentar-se como o protegido pelo poder divino, e assumir o poder sobre todos os reinos do mundo. Assim, o evangelista associa tal messias ao projeto do diabo. E a "tentação" de Jesus exprime um momento de decisão de Jesus pelo início de seu ministério, optando por suas linhas mestras: Jesus vem para instaurar o Reino da partilha, da humildade e do serviço, com a comunicação do amor de Deus a todos os povos, sem exclusões. A quaresma é o tempo propício a um maior amadurecimento da fé em Jesus, que toca os corações por sua palavra. É a palavra humilde e amorosa que tem a força transformadora renovando a vida no mundo, pela prática da justiça e pela fidelidade à vontade do Pai que quer vida plena para todos. Fica assim removido o pecado do mundo (primeira e segunda leituras), libertando-o da dominação dos adoradores do dinheiro e do poder.
José Raimundo Oliva






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