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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 20 de abril de 2017

2º DOMINGO DA DA PÁSCOA-Ano A

2º DOMINGO DA DA PÁSCOA
23 de Abril de 2017
Cor: Branco
Evangelho - Jo 20,19-31

Jesus  deu aos apóstolos o PODER DE PERDOAR OS PECADOS, e os sacerdotes os quais são continuadores da missão dos apóstolos, por sua vez herdaram este poder. Na Antiga aliança, além de pedir perdão diretamente a Deus pelos pecados, cada um tinha de oferecer a Deus um sacrifício, que era um animal.
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“COMO O PAI ME ENVIOU TAMBÉM EU VOS ENVIO.” – Olivia Coutinho.

II DOMINGO DA PÁSCOA - DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA.

Dia 23 de Abril de 2017

Evangelho de Jo20,19-31


Neste Segundo Domingo da Páscoa, escolhido pela Igreja, como o DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA, somos chamados a renovar a nossa fé mediante a Jesus  Ressuscitado, tornando-nos misericordiosos uns para com os outros, como Ele é misericordioso para conosco.
A misericórdia foi a centralidade da vida de Jesus! Todas as suas palavras e ações expressam misericórdia! 
Misericórdia e perdão, são duas palavras diferentes, mas na vida, elas estão entrelaçadas, pois não existe perdão sem misericórdia e nem misericórdia sem perdão.
“A liturgia de hoje, nos apresenta a comunidade de Homens Novos, que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus, que é a Igreja! A missão da Igreja consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição”.
“A paz esteja convosco.” Depois de dizer estas palavras para os discípulos, Jesus sopra sobre eles o Espírito Santo, foi  partir daí, que  eles se livraram do medo que os mantinha presos! A paz do Cristo Ressuscitado, não os isentou da cruz, mas ofereceu a eles força e coragem para assumirem o desafio da missão.
Ao soprar o Espírito Santo sobre os discípulos, Jesus faz recordar o sopro de Deus que deu vida a criatura humana, gesto que Ele repete como início de uma nova criação!
“Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados; a quem não perdoardes, eles lhe serão retidos”.
Jesus concede o poder de perdoar ou não perdoar os pecados, a um grupo específico de pessoas, que eram os apóstolos e  que hoje, são os sacerdotes,os padres.
É Deus quem tem o poder de perdoar pecados, Jesus recebe este poder  do Pai, e  o concede à sua Igreja através dos apóstolos. Trata-se do sacramento da reconciliação.
É importante entendermos, que “pecados retidos” não significa uma condenação, e sim, um renovado apelo a conversão!
No sopro do Espírito Santo sobre os apóstolos, é expressa a criação renovada! É o Espírito Santo que recria a comunidade dos apóstolos e descerra suas portas para a missão!
Os apóstolos, só conseguiram tomar atitudes corajosas para anunciar o evangelho, depois que receberam o Espírito Santo!
O Texto nos fala também da incredulidade de Tomé. Muitos de nós, não damos importância a Tomé, o vemos apenas como um homem sem fé, já que o próprio Jesus o exortou dizendo: “Não sejas incrédulo, mas fiel”! Além do mais, ele não aderiu a fé quando os discípulos atestaram que haviam visto Jesus, Tomé não acreditou no testemunho deles, pretendendo uma constatação pessoal. Esta postura de Tomé simboliza todos os que precisam ver para crer. 
Tomé teve de fato, um vacilo na fé, mas depois  do seu encontro com o Cristo Ressuscitado ele fez a belíssima profissão de fé: “MEU SENHOR E MEU DEUS!” Profissão de fé, que muitos de nós, fazemos nas celebrações Eucarísticas.
 “Bem-aventurados os que creram sem terem visto”. Mesmo antes da nossa existência, já estávamos incluídos nesta Bem aventurança, ou seja, somos felizes porque cremos na ressurreição de Cristo sem ter visto!
Com a ressurreição de Jesus, a vida divina entrou na vida humana e assim como as sementes espalhadas pelo vento, o anúncio da ressurreição de Jesus se espalhou por todos os rincões da terra, como fagulhas de fogo a  incendiar o coração da humanidade.  


FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Nos domingos depois da Páscoa, a liturgia nos põe em contato com a primeira comunidade cristã. As primeiras leituras são uma sequência de leituras tomadas dos Atos dos Apóstolos. Nas leituras do evangelho, é-nos apresentada a “suma teológica” do século I, o Evangelho de João. As segundas leituras são tomadas de outros escritos muito significativos quanto aos temas batismais e da fé; no ano A, a primeira carta de Pedro.
O segundo domingo pascal, especificamente, é marcado pelo tema da fé batismal. É o antigo domingo in albis (“em vestes brancas”). Nesse domingo, os neófitos (os novos fiéis, literalmente “brotos novos”), batizados na noite pascal, apresentavam-se vestidos com a veste branca que receberam na noite de seu batismo: são “como crianças recém-nascidas” (como se dizia no canto da entrada). A oração do dia pede que progridamos na compreensão dos mistérios básicos da nossa fé, os “sacramentos da iniciação cristã” – batismo, eucaristia e confirmação –, e a oração final reza por mais profundo entendimento do mistério da ressurreição e do batismo. Quanto às leituras, embora não exista estrita coerência temática entre as três, todas elas nos fazem participar do espírito do mistério pascal.
1ª leitura (At. 2,42-47)
A primeira leitura nos apresenta o ideal da comunidade cristã: a comunidade primitiva dos cristãos de Jerusalém. A descrição de At. 2,42-47 acentua especialmente a comunhão dos bens, que corresponde ao sentido do partir o pão – comemoração do Senhor Jesus. Outros textos semelhantes sobre a vida da comunidade encontram-se em At. 3,32-37 e 5,12-16. Tanto essa comunhão perfeita como os prodígios operados pelos apóstolos serviam de testemunho para os demais habitantes de Jerusalém, testemunho que não deixava de ter sua eficácia. Essa leitura é, portanto, mais do que um documento histórico sobre os primeiros tempos depois da Páscoa: é convite para restabelecermos a pureza cristã das origens.
2ª leitura (1Pd. 1,3-9)
A segunda leitura é tomada da primeira carta de Pedro, que é uma espécie de homilia batismal. Na perspectiva de seu autor, a volta gloriosa do Senhor estava próxima; os cristãos deviam passar por um tempo de prova, como ouro na fornalha, para depois brilhar com Cristo na sua glória. Nessa perspectiva, a fé batismal se concebe como antecipação da plena revelação escatológica: é amar aquele que ainda não vimos e nele crer, o coração já repleto de alegria diante da salvação que se aproxima (e já alcançada na medida em que a fé nos põe em verdadeira união com Cristo).
Evangelho (Jo. 20,19-31)
O evangelho constitui o fim do Evangelho de João: Jo 20,19-31 (o capítulo 21 de João é um epílogo que excede a estrutura literária do evangelho propriamente). O Evangelho de João é composto de dois painéis, introduzidos pelo prólogo (1,1-18). O primeiro painel, 1,19-12,50, narra os “sinais” de Jesus. Esses sinais manifestam que Jesus é o enviado de Deus e que Deus está com ele e, ao mesmo tempo, revelam simbolicamente o dom que Jesus mesmo é. No segundo painel, os capítulos 13-20, Jesus, na hora de sua despedida, abre o seu mistério de união com o Pai e inclui nele os seus discípulos, antes de assumir, livremente, a morte por amor e ser ressuscitado por Deus. Sua ressurreição é o sinal de que ele vive e sobe à glória do Pai (20,17). No trecho que ouvimos hoje, manifesta-se o dom do Espírito de Deus a partir da glorificação/exaltação de Jesus (cf. 7,37-39). Na sua despedida, Jesus prometeu aos seus o Espírito e a paz (14,15-17.26-27). Agora, o Ressuscitado, enaltecido e revestido com a glória do Pai, traz esses dons aos seus (20,21-22), que serão seus enviados como ele o foi do Pai (20,21). Para essa missão, recebem o poder de perdoar, poder que, segundo a Bíblia, é exclusivo de Deus e, portanto, só pode ser comunicado por quem comunga de sua autoridade. De fato, já no início do Evangelho de Marcos, Jesus se caracteriza como o “Filho do homem” (cf. Dn. 7,13-14), que recebe de Deus esse poder (Mc. 2,10). Segundo Jo 20,19-23, o Ressuscitado dá à comunidade dos fiéis o Espírito de Deus e a missão de tirar o pecado do mundo – também a missão que João Batista reconheceu em Jesus no início do evangelho (Jo 1,29). À maneira semítica e bíblica, a missão de perdoar é expressa na forma afirmativa (“a quem perdoardes os pecados, serão perdoados”) e negativa (“a quem os retiverdes [= não perdoardes], serão retidos” Jo 20,23). Mas isso não significa que os seguidores e sucessores de Jesus poderão administrar o perdão arbitrariamente. Muito antes, trata-se do poder de administrar o perdão concedido por Deus: munida do Espírito de Deus, a comunidade reconhecerá quem recebe dele o perdão e quem não. E não deixa de ser significativo que Jesus exprima essa presença do Espírito exatamente pelo perdão e não pelo dom das línguas ou algo assim. Pois o que o ser humano procura, em profundidade, é exatamente esse “estar bem com Deus e com os irmãos”, que o pecado impede, mas o perdão possibilita. Todo o culto judaico girava em torno da reconciliação com Deus e com a comunidade. A carta aos Hebreus explica que Jesus, enquanto sumo sacerdote definitivo, realiza essa reconciliação de uma vez para sempre. O que Jesus confia aos seus em Jo 20,22-23 é mais que mera “jurisdição”. É o dom da vida nova, na “paz”, no shalom, o dom do Messias por excelência. Unidos na comunhão da verdadeira videira que é Jesus (Jo 15,1-8), temos a vida em abundância (Jo 10,10).
A segunda parte do evangelho de hoje conta a história de Tomé. O texto põe em evidência Tomé entre os que viram o Ressuscitado (cf. At. 10,41; 1Jo 1,1-3), mas visa às gerações seguintes, que, sem terem visto, deverão crer – com base no testemunho das testemunhas privilegiadas. “Felizes os que não viram e, contudo, creram” (Jo 20,28) é bem-aventurança que se dirige a nós (cf. 1Pd. 1,8, primeira leitura de hoje). E é para esse fim que os que viram nos transmitiram, por escrito, o testemunho evangélico, como diz o autor nas palavras finais (Jo 20,30-31).
Daí podermos dizer: “Cremos na fé dos que testemunharam”, a fé dos apóstolos, a fé apostólica. A Tomé é dado experimentar a realidade do Crucificado que ressuscitou, e o apóstolo proclama a sua fé, tornando-se verdadeiro fiel. Mas há outros a quem não será dado esse tipo de provas que Tomé requereu e recebeu; eles terão de acreditar também e são chamados felizes por crerem sem ter visto. Esses “outros” somos todos nós, cristãos das gerações pós-apostólicas. Mas, em vez de provas palpáveis, a nós é transmitido o testemunho escrito das testemunhas oculares, para que nós creiamos e, crendo, tenhamos a vida em seu nome (20,30-31). A fé dos apóstolos é nossa.
Nossa fé “apostólica”
Todo o mundo gosta de ter provas palpáveis para acreditar. Mas para que ainda acreditar quando se têm provas palpáveis? E as pretensas provas, que certeza dão? Nossa fé não vem de provas imediatas, mas da fé das “testemunhas designadas por Deus” (At. 10,41), principalmente dos apóstolos.
Os apóstolos foram as testemunhas da ressurreição de Jesus. Eles puderam ver o Ressuscitado e por isso acreditaram. Tomé foi convidado por Jesus a tocar nas chagas das mãos e do lado (evangelho). Tomé pôde verificar e acreditou: “Meu Senhor e meu Deus!” Nós não temos esse privilégio. Seremos felizes se crermos sem ter visto (Jo 20,29). Mas, para que isso fosse possível, os apóstolos nos deixaram os evangelhos, testemunho escrito do que eles viram e da fé no Cristo e Filho de Deus que abraçaram (Jo 20,30-31).
O Cristo descrito nos evangelhos é visto com os olhos da fé dos apóstolos. Um incrédulo o veria bem diferente. Nós cremos em Jesus como os apóstolos o viram. A participação na fé dos apóstolos nos dá a possibilidade de “amar Cristo sem tê-lo visto” e de “acreditar nele (como Senhor e fonte de nossa glória futura), embora ainda não o vejamos” (2ª leitura).
Nós acreditamos na fé dos apóstolos e da Igreja que eles nos deixaram. Então, nossa fé não é coisa privada. É apostólica e eclesial. Damos crédito à Igreja dos apóstolos. Os primeiros cristãos faziam isso materialmente: entregavam os seus bens para que ela os transformasse em instrumentos do amor do Cristo. Crer não é somente aceitar verdades. É agir segundo a verdade do ser discípulo e seguidor do Cristo.
É inútil querer verificar e provar nossa fé sem passar pelos apóstolos e pela corrente de transmissão que eles instituíram, a Igreja. É impossível verificar, por evidências fora do âmbito dos evangelhos, a ressurreição de Cristo. Ora, o importante não é “verificar”, ao modo de Tomé, mas viver o sentido da fé que os apóstolos (incluindo Tomé) transmitiram. A fé dos apóstolos exige que creiamos em seu testemunho sobre Jesus morto e ressuscitado e também que pratiquemos a vida de comunhão fraterna na comunidade eclesial que brotou de sua pregação.
Num tempo de hiperindividualismo, como é o nosso, essa consciência de acreditarmos naquilo que os apóstolos acreditaram é muito importante. Deles recebemos a fé, nossa “veste branca”, e, na comunidade que eles fundaram, nós a vivemos. Ora, por isso mesmo é tão importante que essa comunidade, por todo o seu modo de viver o legado do Ressuscitado, seja digna de fé.
padre Johan Konings, sj




As primeiras comunidades cristãs
Os que haviam se convertido eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão  fraterna, na fração do pão e nas orações (At. 2,42)
Estamos vivendo o belo tempo pascal! Ao longo de cinquenta dias haveremos de nos encontrar de maneira especial com o Senhor ressuscitado. Este é um período alegre da vida da Igreja e os cristãos de coração reto aprofundam sua fé no Ressuscitado.  O canto dos aleluias enfeita os caminhos de nossa vida.
Um dos lugares mais seguros de abrigar o Cristo vitorioso da morte é a comunidade dos cristãos. Ela é a casa do Ressuscitado. O livro dos Atos dos Apóstolos traça um perfil da comunidade que nasceu do evento da Páscoa, e na força do Espírito que o Senhor já havia dado no alto da cruz. Os que foram testemunhas da Ressurreição passaram a viver uns com os outros. Viviam unidos.  Colocavam as coisas em comum. Sonhavam viver a utopia da fraternidade.
Vivemos um momento desafiador da vida da Igreja. Há cristãos profundamente  desejosos de serem íntimos do Senhor, há sérios empenhos de evangelização, há grupos que buscam, de fato, se alimentar da Palavra, há cristãos dando um testemunho de fé no Ressuscitado no dia a dia de suas existências.  De outro lado, nossas assembléias dominicais, por exemplo, se esvaziaram, nossas paróquias têm pouca movimentação de fiéis, suas salas e locais são pouco frequentados por pessoas realmente buscadoras de seguirem a Cristo, as pessoas envelheceram, muitos não têm mais  o hábito da missa dominical, algumas pastorais continuam de teimosas que são,  as pessoas estão mais preocupadas com sua vida, seu êxito e tantas outras coisas e não se reúnem. Exprimem sua fé a seu modo, a seu jeito,  buscando na Igreja aquilo que mais lhes interessa. Por vezes, como se costuma dizer, trata-se de um cristianismo a la carte.
Há a assembléia dominical. No primeiro dia da semana, dia em que Cristo ressuscitou, a Igreja convida os seus a se reunirem. Normalmente falando através das leituras proclamadas, dos salmos cantados, dos  gestos da ceia todo esse conjunto se torna uma epifania do Ressuscitado. Muitas vezes as pessoas se fazem presentes nestes encontros de maneira rotineira, sem o engajamento do coração, sem o senso do discipulado, sem o ardor  de desejarem o Amante seja amado. Não se trata de tornar a celebração dominical  alguma coisa estrondosa, cheia de alarido, mas uma reunião marcada por uma profunda alegria.  Os que ali se reúnem, por vezes, apenas se justapõem. A missa dominical é a festa com a presença do Ressuscitado.
Os que chegam para a missa são pessoas que querem seguir a Cristo. Chegam na hora, trazem o coração cheio de zelo, levam até o Senhor o reconhecimento pela vocação de seguimento, ouvem a mesma palavra, comem do mesmo pão. Saindo dali desejam ser sementes de fraternidade e de comunidades. Têm sempre como meta o ideal que desenha Lucas nos Atos: “Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um”.
frei Almir Ribeiro Guimarães




Os discípulos temiam a perseguição dos judeus, e que acontecesse com eles o mesmo que aconteceu com Jesus. Estavam sem rumo porque o Mestre não estava apontando-lhes a direção. Eles ainda não estavam
suficientemente convencidos e seguros dos ensinamentos que haviam ouvido.
Ao verem Jesus, seus corações se enchem de alegria, perdem o medo e voltam a ter fé!
O Evangelho de hoje acontece no dia da Ressurreição de Jesus, no mesmo domingo, e apresenta três pontos importantes:
O primeiro é a presença de Jesus ressuscitado, revestido de glória, no meio dos discípulos. Ele ressuscitou e seu corpo não pode ser tocado, a não ser que Ele permita. Esta aparição acontece para fortalecer a fé
deles, pois é preciso que cumpram a ordem de Jesus, que acreditem e vivam uma vida autêntica de cristãos, inserida nos ensinamentos que Ele anunciou, e principalmente anunciem também a Boa Nova.
Estando na sala superior, junto aos discípulos reunidos, Jesus diz: “Que a paz esteja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.”
O segundo ponto importante é o sopro do Espírito de Jesus sobre os discípulos. Jesus transfere para eles a responsabilidade da missão entre todos os homens através do sopro do Seu Espírito, que vem para
conduzi-los e fortalecê-los. E Jesus lhes diz: “Recebam o Espírito Santo.” A partir deste momento a missão de Jesus passa a ser deles, que precisam manifestar Deus em suas ações e palavras.
O terceiro ponto a ser analisado é a pouca fé de Tomé. Ele não estava junto dos outros discípulos no momento da aparição de Jesus e, mesmo tendo vivido alguns anos com Ele, e presenciado muitos milagres, Tomé não acredita no testemunho de seus companheiros e declara a necessidade de uma prova concreta que lhe é dada uma semana depois quando Jesus lhe diz: “Ponha aqui o seu dedo, e veja as minhas mãos. Estenda a mão e ponha no meu lado. Pare de duvidar, e creia!”
Os três pontos nos levam entender a fé: na presença de Jesus, individualmente ou coletivamente, todos
crêem. Por isso, Jesus sopra o Espírito Santo sobre eles, para que Sua presença esteja sempre com todos, fortalecendo a fé e o compromisso da missão.
Jesus se faz presente em todos os momentos. E, no encontro que teve com Tomé, Ele ensinou: “Felizes os que crêem sem me ver.”
Pequeninos do Senhor.




Crer sem ver
A bem-aventurança de crer no Senhor Ressuscitado, sem tê-lo visto, diz respeito a todos os cristãos. Neste caso, o pré-requisito para se tornar bem-aventurado consiste em dar crédito ao testemunho de quem "viu" o Senhor, e anunciou que ele está vivo. A tradição cristã, ao longo dos séculos, foi se formando a partir do testemunho dos primeiros cristãos. Estes saíram pelo mundo inteiro para anunciar que o Senhor ressuscitou, testemunhando o fato, não só com palavras, mas também com a vida. O testemunho de fé - palavra e vida - da comunidade é a única forma de ter acesso ao Senhor. Só por este caminho é que se chega a Jesus.
Como conseqüência, cada cristão deve estar convicto de que é mediação da experiência do Ressuscitado, para todas as pessoas com quem se defronta. Quando o cristão, realmente, assimila a dinâmica da ressurreição, e a deixa transformar sua vida, torna-se uma prova convincente de que o Senhor está vivo, e sua presença tem a força de mudar, radicalmente, a vida de quem o acolhe. Este é o testemunho que atrairá muitas pessoas para a fé.
Assim, embora não vejamos Jesus ressuscitado com os nossos olhos, é possível acolhê-lo na fé, e testemunhar que ele, de fato, está no meio de nós.
padre Jaldemir Vitório




O dinamismo da fé
Para bem compreender o texto do evangelho nessa oitava da Páscoa, pode nos ajudar responder a uma dupla questão: Como se chega à fé na ressurreição do Cristo nosso Senhor? Como se chega à fé de que Cristo ressuscitou dos mortos e está vivo no meio de sua Comunidade? Nosso texto apresenta duas etapas com um intervalo de oito dias. Na primeira etapa, Tomé não estava, na segunda ele estava reunido com os outros discípulos. É no primeiro dia da semana que os discípulos se encontram reunidos. É como se fosse o primeiro dia da criação em que a luz foi feita (Gn. 1,3). Efetivamente, a ressurreição do Senhor é luz que anuncia uma nova criação em Cristo. No lugar em que os discípulos estavam reunidos, as portas estavam aferrolhadas por medo dos judeus. Essa observação seguida da notícia de que Jesus se colocou no meio deles é importante para compreender que a presença do Senhor não exige mais ser reconhecida como um corpo carnal. O seu corpo é glorioso e sua presença prescinde da visibilidade. O que ele comunica é a paz, sinal e dom de sua presença. É nesse primeiro dia da semana que o Espírito é dado como sopro do Senhor para a missão e a reconciliação. A ausência de Tomé (v. 24) é importante para o propósito do texto. Ele se recusa a crer no que os outros discípulos anunciavam: “Vimos o Senhor”. Passados oito dias, estando Tomé com os demais discípulos, no mesmo lugar da reunião, Jesus se faz presente e é sentido e reconhecido com o sinal de sua presença: a paz. O diálogo de Jesus com Tomé permite ao leitor compreender que se chega à fé no Cristo Ressuscitado e na sua gloriosa ressurreição através do testemunho da Comunidade. Não há acesso imediato à ressurreição de Jesus Cristo, mas somente mediato, isto é, através do testemunho. É a recepção desse testemunho que permite experimentar na própria vida os efeitos da Ressurreição do Senhor. Mas Tomé não é no relato o homem da dúvida somente e que busca crer por si mesmo, ou que julga que só é digno de fé o que pode ser tocado ou demonstrado. Ele é o homem de fé, transformado pelo Senhor, capaz de reconhecer o dinamismo próprio pelo qual se chega à fé.
Carlos Alberto Contieri,sj




Estamos ainda em pleno dia da Páscoa, “o Dia que o Senhor fez para nós” – é esta a Oitava da Páscoa.
Se no dia mesmo da Ressurreição, a liturgia centrava nossa atenção no próprio Senhor ressuscitado, vencedor da morte, hoje, neste Domingo da Oitava, a atenção concentra-se nos efeitos dessa vitória formidável para nós e para toda a humanidade.
Eis! O Senhor Jesus, morto como homem, morto na sua natureza humana, foi ressuscitado pelo Pai, que derramou sobre ele o Espírito Santo, Senhor que dá a Vida. E agora, cheio do Espírito, Jesus nos dá esse Dom divino, esse fruto da sua Ressurreição.
Primeiro dá-lo aos seus apóstolos “ao anoitecer daquele dia, o primeiro depois do sábado”. Passou o sábado dos judeus, passou a Lei de Moisés, passou a antiga criação. E Jesus ressuscitado sopra sobre os Apóstolos o Espírito Santo, recebido do Pai na Ressurreição: “Como o Pai me enviou na potência do Espírito, também eu vos envio agora na força desse mesmo Espírito! Recebei, pois, o Espírito Santo, dado para gerar o mundo novo, o homem novo, o homem segundo a minha imagem, o homem reconciliado, na paz com Deus! Paz a vós! Os pecados serão perdoados nesse dom do meu Espírito!” Assim começa o cristianismo, assim ganha vida a Igreja: no Espírito do Ressuscitado!
Os Apóstolos agora, recebendo o Espírito, recebem a vida nova do Cristo, a vida que dura para a eternidade. Esse mesmo Espírito, nós o recebemos nas águas do batismo e na comunhão com o Sangue do Senhor na Eucaristia. Por isso mesmo, a oração da missa hodierna nos pede a graça de compreender melhor, isto é, de viver intensamente na vida “o Batismo que nos lavou, o Espírito que nos deu nova vida e o Sangue que nos redimiu”. Em outras palavras: pela participação aos santos sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia, nós recebemos continuamente o Espírito do Ressuscitado e, assim, recebemos a sua nova vida, a vida que nos renova já aqui, neste mundo, e nos dá a Vida eterna. Por isso a segunda leitura de hoje nos diz que o Pai, “em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível”, reservada a nós nos céus! A Ressurreição de Cristo é garantia da nossa, o seu Espírito, que nós recebemos, é semente e garantia de vida eterna e, por isso, é causa de alegria e força para nós, cristãos. Nós recebemos a vida eterna, nós cremos na Vida eterna, nós já vivemos tendo em nós as sementes da Vida eterna!
Mas, estejamos atentos: esta nossa fé na Ressurreição tem conseqüências concretas para nós: “Os que haviam se convertido eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum...” Eis: a fé na Ressurreição do Senhor, a vida vivida na Vida nova que Cristo nos concedeu, faz-nos existir de um modo novo, iluminados por uma nova regra de vida (o ensinamento dos apóstolos e seus sucessores), sustentados pela fração do Pão eucarístico e testemunhas de uma vida de comunhão, de amor fraterno, de mansidão, de coração aberto para Deus e os irmãos.
Mais uma coisa: estejamos atentos para um fato importantíssimo: a Ressurreição do Senhor não é uma fábula, não é um mito, não é uma parábola. O Senhor realmente venceu a morte, realmente entrou no cenáculo e realmente Tomé, admirado e envergonhado, feliz pelo Senhor e triste por sua incredulidade, tocou as mãos e o lado do Senhor vivo, ressuscitado! Por isso, o cristão não se apavora diante dos reveses da vida, dos compromissos e renúncias pelo testemunho de Cristo e nem mesmo diante da morte: “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação”.
dom Henrique Soares da Costa




A liturgia deste domingo apresenta-nos essa comunidade de Homens Novos que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja. A sua missão consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição.
Na primeira leitura temos, na “fotografia” da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua proposta de salvação, que se reúne para louvar o seu Senhor na oração e na Eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha – com gestos concretos – a salvação que Jesus veio propor aos homens e ao mundo.
No Evangelho sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.
A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã que a identificação de cada crente com Cristo – nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e aos homens – conduzirá à ressurreição. Por isso, os crentes são convidados a percorrer a vida com esperança (apesar das dificuldades, dos sofrimentos e da hostilidade do “mundo”), de olhos postos nesse horizonte onde se desenha a salvação definitiva.

1ª leitura – At. 2,42-47 – AMBIENTE
Depois de descrever a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos reunidos no cenáculo (cf. At. 2,1-13) e de apresentar (através de um discurso posto na boca de Pedro) um resumo do testemunho dado pelos primeiros discípulos sobre Jesus (cf. At. 2,14-36), Lucas refere o resultado da pregação dos apóstolos: as pessoas aderem em massa (Lucas fala de três mil pessoas que, nesse dia, se juntaram aos discípulos) e nasce a comunidade cristã de Jerusalém (cf. At. 2,37-41). São os primeiros passos de um caminho que a Igreja de Jesus vai percorrer, desde Jerusalém a Roma (o coração do mundo antigo).
O nosso texto faz parte de um conjunto de três sumários, através dos quais Lucas descreve aspectos fundamentais da vida da comunidade cristã de Jerusalém. Este primeiro sumário é dedicado ao tema da unidade e ao impacto que o estilo cristão de vida provocou no povo da cidade (os outros dois sumários tratam da partilha dos bens – cf. At. 4,32-35 – e do testemunho da Igreja através da atividade miraculosa dos apóstolos – At. 5,12-16).
Naturalmente, este sumário não é um retrato histórico rigoroso da comunidade cristã de Jerusalém, no início da década de 30 (embora possa ter algumas bases históricas). Quando Lucas escreve este relato (década de 80), arrefeceu já o entusiasmo inicial dos cristãos: Jesus nunca mais veio para instaurar definitivamente o “Reino de Deus” e posicionam-se no horizonte próximo as primeiras grandes perseguições… Há algum desleixo, falta de entusiasmo, monotonia, divisão e confusão (até porque começam a aparecer falsos mestres, com doutrinas estranhas e pouco cristãs). Neste contexto, Lucas recorda o essencial da experiência cristã e traça o quadro daquilo que a comunidade deve ser.
MENSAGEM
Como será, então, essa comunidade ideal, que nasce do Espírito e do testemunho dos apóstolos?
Em primeiro lugar, é uma comunidade de irmãos, que vive em comunhão fraterna (“os irmãos” – v. 42). Essa fraternidade resulta da identificação com Cristo e da vida de Cristo que anima cada crente – membros, todos eles, do mesmo corpo – o Corpo de Cristo.
Em segundo lugar, é uma comunidade assídua ao ensino dos apóstolos. Quer dizer, é uma comunidade empenhada em conhecer e acolher a proposta de salvação que vem de Jesus, através do testemunho dos apóstolos (e não através dessas doutrinas estranhas trazidas pelos falsos mestres e que começam a invadir a comunidade). A catequese deve incidir sobre a pessoa de Jesus, o seu projecto, os seus valores, a sua vida de doação e de entrega. Os crentes são convidados a descobrir que o sentido fundamental da vida está na obediência ao plano do Pai e na entrega aos irmãos; e que uma vida vivida desse jeito conduz à ressurreição e à vida plena, mesmo que passe pela experiência da cruz.
Em terceiro lugar, é uma comunidade que celebra liturgicamente a sua fé. Lucas aponta dois momentos celebrativos fundamentais: a “fração do pão” e as “orações”.
A “fração do pão” parece ser uma expressão técnica para designar o memorial da “ceia do Senhor”, ou “eucaristia”. Era a celebração que resumia toda a vida do Senhor Jesus, feita doação da vida e entrega até à morte. Acompanhada, em geral, de uma refeição fraterna, ela comportava ainda orações, uma pregação e, talvez, gestos de comunhão e de partilha entre os cristãos. Era um momento de alegria, em que a comunidade celebrava a sua união a Jesus e a comunhão fraterna que daí resultava.
Temos, ainda, as “orações”. Os primeiros cristãos continuaram a frequentar o Templo (“todos os dias frequentavam o Templo” – v. 46) e a participar da oração da comunidade judaica; no entanto, é bastante provável que a comunidade cristã tenha começado a sentir a necessidade de se encontrar para a oração tipicamente cristã, centrada na pessoa de Jesus; e é, talvez, a esta oração comunitária cristã que Lucas se refere. A comunidade de Jesus é, portanto, uma comunidade que se junta para rezar, para louvar o seu Senhor.
Em quarto lugar, é uma comunidade que partilha os bens. Da comunhão com Cristo, resulta a comunhão dos cristãos entre si; e isso tem implicações práticas. Em concreto, implica a renúncia a qualquer tipo de egoísmo, de auto-suficiência, de fechamento em si próprio e uma abertura de coração para a partilha, para o dom, para o amor. Expressão concreta dessa partilha e desse dom é a comunhão dos bens: “tinham tudo em comum; vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um” – v. 44-45). É uma forma concreta de mostrar que a vida nova de Jesus, assumida pelos crentes, não é “conversa fiada”; mas é uma libertação da escravidão do egoísmo e um compromisso verdadeiro com o amor, com a partilha, com o dom da vida.
Finalmente, é uma comunidade que dá testemunho. Os gestos realizados pelos apóstolos enchiam toda a gente de temor (v. 43) – quer dizer, infundiam em todos aqueles que os testemunhavam a inegável certeza da presença de Deus e dos seus dinamismos de salvação. Além disso, a piedade, o amor fraterno, a alegria e a simplicidade dos crentes provocavam a admiração e a simpatia de todo o povo; esse jeito de viver interpelava os habitantes de Jerusalém e fazia com que aumentasse todos os dias o número dos que aderiam à proposta de Jesus e à comunidade da salvação (v. 47).
A primitiva comunidade cristã, nascida do dom de Jesus e do Espírito é verdadeiramente uma comunidade de homens e mulheres novos, que dá testemunho da salvação e que anuncia a vida plena e definitiva. A comunidade cristã de Jerusalém era, de fato, esta comunidade ideal? Possivelmente, não (outros textos dos Atos falam-nos de tensões e problemas – como acontece com qualquer comunidade humana); mas a descrição, que Lucas aqui faz, aponta para a meta a que toda a comunidade cristã deve aspirar, confiada na força do Espírito. Trata-se, portanto, de uma descrição da comunidade ideal, que pretende servir de modelo à Igreja e às igrejas de todas as épocas.
ATUALIZAÇÃO
• A comunidade cristã é uma família de irmãos, reunida à volta de Cristo, animada pelo Espírito e que tem por missão testemunhar na história a salvação. Os homens do séc. XXI podem acreditar ou não na ressurreição de Cristo; mas têm de descobrir a vida nova e plena que Deus lhes oferece, através do testemunho dos discípulos de Jesus. A comunidade cristã tem de ser uma proposta diferente, que mostra aos homens como o amor, a partilha, a doação, o serviço, a simplicidade e a alegria são geradores de vida e não de morte.
• A comunidade cristã é uma comunidade de irmãos. A minha comunidade cristã é uma comunidade de irmãos que vivem no amor, ou é um grupo de pessoas isoladas, em que cada um procura defender os seus interesses, mesmo que para isso tenha de magoar os outros? No que me diz respeito, esforço-me por amar todos, por respeitar a liberdade e a dignidade de todos, por potenciar as contribuições e as qualidades de todos?
• A comunidade cristã é, também, uma comunidade assídua à catequese dos apóstolos. A minha comunidade cristã é uma comunidade que se constrói à volta da Palavra de Deus, que escuta e que partilha a Palavra de Deus? Da minha parte, procuro descobrir as propostas de Deus num diálogo comunitário e numa partilha com os irmãos, ou deixo-me levar por pretensas “revelações” pessoais, convicções pessoais, impressões pessoais – que muitas vezes não são mais do que formas de manipular a Palavra de Deus para “levar a água ao meu moinho”?
• A comunidade cristã é, ainda, uma comunidade que celebra liturgicamente a sua fé. A celebração da fé comunitária dá-nos a dimensão de um povo peregrino, que caminha unido, voltado para o seu Senhor e tendo Deus como a sua referência. Da celebração comunitária da fé, sai uma comunidade mais fortalecida, mais consciente da vida que une todos os seus membros, mais adulta e com mais força para ser testemunha da salvação. O que é que significa, para mim, a celebração comunitária da fé? A celebração eucarística é um rito aborrecido, a que “assisto” por obrigação, ou uma verdadeira experiência de encontro com o Jesus do amor e do dom da vida e uma experiência de amor partilhado com os meus irmãos de fé?
• A comunidade cristã é uma comunidade de partilha. No centro dessa comunidade está o Cristo do amor, do serviço, do dom da vida… O cristão não pode, portanto, viver fechado no seu egoísmo, indiferente à sorte dos outros irmãos. Em concreto, o nosso texto fala na partilha dos bens… Uma comunidade onde alguns esbanjam os bens e onde outros não têm o suficiente para viver dignamente será uma comunidade que testemunha, diante dos homens, esse mundo novo de amor que Jesus veio propor?

2ª leitura – 1 Pedro 1,3-9 – AMBIENTE
A primeira Carta de Pedro é uma carta dirigida aos cristãos de cinco províncias romanas da Ásia Menor (a carta cita explicitamente a Bitínia, o Ponto, a Galácia, a Ásia e a Capadócia – cf. 1 Pe 1,1). O seu autor apresenta-se com o nome do apóstolo Pedro; no entanto, a análise literária e teológica não confirma que Pedro seja o autor deste texto: em termos literários, a qualidade literária da carta não corresponde à maneira de escrever de um pescador do lago de Tiberíades, pouco instruído; a teologia apresentada demonstra uma reflexão e uma catequese bem posteriores à época de Pedro; e o “ambiente” descrito na carta corresponde, claramente, à situação da comunidade cristã no final do séc. I. Se Pedro morreu em Roma durante a perseguição de Nero (por volta do ano 67), não pode ser o autor deste escrito. O autor da carta será, portanto, um cristão anônimo culto – provavelmente um responsável de alguma comunidade cristã – e que conhece profundamente a situação das comunidades cristãs da Ásia Menor. Ele escreve em finais do séc. I (nunca antes dos anos 80), provavelmente a partir de uma comunidade cristã não identificada da Ásia Menor.
Os destinatários desta carta são as comunidades cristãs que vivem em zonas rurais da Ásia Menor. A maioria destes cristãos são pastores ou camponeses que cultivam as propriedades das classes dominantes. Também há, nestas comunidades, pequenos proprietários que vivem em aldeias, à margem das grandes cidades. De qualquer forma, trata-se de gente que vive no meio rural, economicamente débil, vulnerável a um ambiente que começa a manifestar alguma hostilidade para com o cristianismo.
O autor da carta conhece as provações que estes cristãos sofrem todos os dias. Exorta-os, no entanto, a manterem-se fiéis à sua fé, apesar das dificuldades. Convida-os a olharem para Cristo, que passou pela experiência da paixão e da cruz, antes de chegar à ressurreição; e exorta-os a manterem a esperança, o amor, a solidariedade, vivendo com alegria, coerência e fidelidade a sua opção cristã.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto é uma ação de graças, ao estilo das bênçãos judaicas. No entanto, apresenta, desde logo, os temas principais que, depois, vão ser desenvolvidos ao longo da carta.
O autor lembra aos crentes que, pelo batismo, se identificaram com Cristo; e isso significa, desde logo, renascer para uma vida nova – de que a ressurreição de Cristo é modelo e sinal. Conscientes de que Deus oferece a salvação àqueles que se identificam com Jesus, os crentes vivem na alegria e na esperança: eles sabem que – aconteça o que acontecer – lhes está reservada a vida plena e definitiva.
É verdade que a caminhada dos crentes pela história é uma experiência de sofrimento, de provações, de perseguições. Os sofrimentos, no entanto, são uma espécie de “prova”, durante a qual a fé dos crentes é purificada, decantada de interesses mesquinhos, fortalecida; e, nesse processo, o crente vai sendo transformado pela ação do Espírito, até se identificar com Cristo e chegar à vida nova (para exemplificar o processo, o autor lembra que o próprio ouro tem de ser purificado pelo fogo, antes de aparecer em todo o seu esplendor).
De qualquer forma, o percurso existencial dos crentes – cumprido simultaneamente na alegria e na dor – é sempre uma caminhada animada pela esperança da salvação definitiva.
O grande apelo do autor da primeira carta de Pedro é este: identifiquemo-nos com aquele a quem amamos sem o termos visto (Cristo) – nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e aos homens – a fim de chegarmos, com Ele, à ressurreição.
ATUALIZAÇÃO
• Antes de mais, a Palavra de Deus convida-nos a tomar consciência de que, pelo batismo, nos identificamos com Cristo. A nossa vida tem de ser, como a de Cristo, vivida na obediência ao Pai e na entrega aos homens nossos irmãos: é esse o caminho que conduz à ressurreição. A lógica do mundo diz-nos que servir e dar a vida é um caminho de fracos e perdedores; a lógica de Deus diz-nos que a vida plena resulta do amor que se faz dom. Em quem é que acreditamos? De acordo com que lógica é que conduzimos a nossa vida e fazemos as nossas opções?
• A questão do sentido do sofrimento (sobretudo do sofrimento que atinge o justo) é tão antiga como o homem; as respostas que o homem foi encontrando para essa questão foram sempre parciais e insatisfatórias… A Palavra de Deus que hoje nos é proposta não esclarece definitivamente a questão, mas acrescenta mais uma achega: o sofrimento ajuda-nos, muitas vezes, a crescer, a amadurecer, a despirmo-nos de orgulhos e auto-suficiências, a confiar mais em Deus… Somos convidados a tomar consciência de que o sofrimento pode ser, também, um caminho para ressuscitarmos como homens novos, para chegarmos à vida plena e definitiva.
• De qualquer forma, somos convidados a percorrer a nossa vida com esperança, olhando para além dos problemas e dificuldades que dia a dia nos fazem tropeçar e vendo, no horizonte, a salvação definitiva. Isto não significa alhearmo-nos da vida presente; mas significa enfrentar as contrariedades e os dramas de cada dia com a serenidade e a paz de quem confia em Deus e no seu amor.

Evangelho – Jo 20,19-31 – AMBIENTE
Continuamos na segunda parte do Quarto Evangelho, onde nos é apresentada a comunidade da Nova Aliança. A indicação de que estamos no “primeiro dia da semana” faz, outra vez, referência ao tempo novo, a esse tempo que se segue à morte/ressurreição de Jesus, ao tempo da nova criação.
A comunidade criada a partir da ação de Jesus está reunida no cenáculo, em Jerusalém. Está desamparada e insegura, cercada por um ambiente hostil. O medo vem do fato de não terem ainda feito a experiência de Cristo ressuscitado.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto divide-se em duas partes bem distintas.
Na primeira parte (vs. 19-23), descreve-se uma “aparição” de Jesus aos discípulos. Depois de sugerir a situação de insegurança e de fragilidade em que a comunidade estava (o “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo”), o autor deste texto apresenta Jesus “no centro” da comunidade (v. 19b). Ao aparecer “no meio deles”, Jesus assume-se como ponto de referência, fator de unidade, videira à volta da qual se enxertam os ramos. A comunidade está reunida à volta d’Ele, pois Ele é o centro onde todos vão beber essa vida que lhes permite vencer o “medo” e a hostilidade do mundo.
A esta comunidade fechada, com medo, mergulhada nas trevas de um mundo hostil, Jesus transmite duplamente a paz (vs. 19 e 21: é o “shalom” hebraico, no sentido de harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança, vida plena). Assegura-se, assim, aos discípulos que Jesus venceu aquilo que os assustava (a morte, a opressão, a hostilidade do mundo); e que, doravante, os discípulos não têm qualquer razão para ter medo.
Depois (vers. 20a), Jesus revela a sua “identidade”: nas mãos e no lado trespassado, estão os sinais do seu amor e da sua entrega. É nesses sinais de amor e de doação que a comunidade reconhece Jesus vivo e presente no seu meio. A permanência desses “sinais” indica a permanência do amor de Jesus: Ele será sempre o Messias que ama e do qual brotarão a água e o sangue que constituem e alimentam a comunidade.
Em seguida (v. 22), Jesus “soprou” sobre os discípulos reunidos à sua volta. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto grego de Gn 2,7 (quando se diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida de Deus). Com o “sopro” de Gn 2,7, o homem tornou-se um ser vivente; com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova que fará deles homens novos. Agora, os discípulos possuem o Espírito, a vida de Deus, para poderem – como Jesus – dar-se generosamente aos outros. É este Espírito que constitui e anima a comunidade de Jesus.
Na segunda parte (vs. 24-29), apresenta-se uma catequese sobre a fé. Como é que se chega à fé em Cristo ressuscitado?
João responde: podemos fazer a experiência da fé em Cristo vivo e ressuscitado na comunidade dos crentes, que é o lugar natural onde se manifesta e irradia o amor de Jesus. Tomé representa aqueles que vivem fechados em si próprios (está fora) e que não faz caso do testemunho da comunidade, nem percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam. Em lugar de se integrar e participar da mesma experiência, pretende obter (apenas para si próprio) uma demonstração particular de Deus.
Tomé acaba, no entanto, por fazer a experiência de Cristo vivo no interior da comunidade. Porquê? Porque no “dia do Senhor” volta a estar com a sua comunidade. É uma alusão clara ao Domingo, ao dia em que a comunidade é convocada para celebrar a Eucaristia: é no encontro com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o pão de Jesus partilhado, que se descobre Jesus ressuscitado.
A experiência de Tomé não é exclusiva das primeiras testemunhas; todos os cristãos de todos os tempos podem fazer esta mesma experiência.
ATUALIZAÇÃO
• A comunidade cristã gira em torno de Jesus, constrói-se à volta de Jesus e é d’Ele que recebe vida, amor e paz. Sem Jesus, estaremos secos e estéreis, incapazes de encontrar a vida em plenitude; sem Ele, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Ele, estaremos divididos, em conflito, e não seremos uma comunidade de irmãos… Na nossa comunidade, Cristo é verdadeiramente o centro? É para Ele que tudo tende e é d’Ele que tudo parte?
• A comunidade tem de ser o lugar onde fazemos verdadeiramente a experiência do encontro com Jesus ressuscitado. É nos gestos de amor, de partilha, de serviço, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo. É isso que a nossa comunidade testemunha? Quem procura Cristo, encontra-O em nós?
• Não é em experiências pessoais, íntimas, fechadas e egoístas que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontramo-l’O no diálogo comunitário, na Palavra partilhada, no pão repartido, no amor que une os irmãos em comunidade de vida. O que é que significa, para mim, a Eucaristia?
P. Joaquim Garrido - P. Manuel Barbosa - P. José Ornelas Carvalho









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