.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

domingo, 30 de abril de 2017

3º DOMINGO DA DA PÁSCOA-ANO A

3º DOMINGO DA DA PÁSCOA
30 de Abril de 2017
Cor: Branco
Evangelho - Lc 24,13-35

·     Os discípulos tristes e cabisbaixos a caminho de Emaús, não perceberam quando ...o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar do lado deles.  Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram.     Continuar lendo


================================================

"FICA CONOSCO, POIS JÁ É TARDE..." Olivia Coutinho

3º DOMINGO DA PÁSCOA

DIA 30 De Abril de 2017

Evangelho de Lc24,13-35“

Quantas vezes, caminhamos sem rumo, sem motivação e no declinar do dia sentimos cansados, desanimados, pois não chegamos a lugar nenhum.
Quando a nossa vida começa a perde o sabor, quando nossos passos já não nos levam a lugar nenhum, é sinal de que não estamos reconhecendo a presença de Jesus junto de nós, de que está  nos faltando algo  imprescindível  para o nosso bem viver, o alimento que nos sustenta verdadeiramente que é a fé. É a fé que nos fortalece, que mantém viva a nossa esperança,  que nos aponta  horizontes! A fé  movimenta a nossa vida, nos segura nos momentos de desolações, nos matem de pé nos vendavais da vida!
O evangelho que a liturgia deste terceiro Domingo da Páscoa nos convida a refletir sobre a importância  de confiarmos nas palavras de Jesus. Foi o que faltou para dois discípulos de Jesus,  que não vendo mais razões para permanecerem em Jerusalém, após a morte do seu Mestre e  Senhor, decidem retornar para  Emaús, um povoado distante onze quilômetros  de Jerusalém.
          Tristes e  porque não dizer, decepcionados  com tudo que acontecera com Jesus, a quem eles haviam depositado o destino de suas vidas, eles deram como encerrada, aquela história de amor.
 Enquanto  comentavam entre si  o acontecido, Jesus se ajuntou a eles no caminho para Emaús e logo entrou na conversa, mas eles não o reconhecera  de imediato, estavam como que cegos, carregando dentro de si, um Jesus morto.  
Como podemos perceber, esses discípulos, havia perdido a esperança muito rápido, um sinal de que eles  não haviam confiado no que Jesus lhes dissera pouco antes de sua morte: “O filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Eles o matarão, mas no terceiro dia ele ressuscitará.” Mt 17,22-23.
A falta de fé destes dois discípulos, intitulados como discípulo de Emaús, ofuscou os seus olhos diante o Jesus vivo que caminhava com eles, levando-os a confundi-lo com um forasteiro.  Jesus  só foi reconhecido por eles,  no momento em que Ele partiu o pão. Foi a partir deste instante, que os seus olhos se abriram e eles  puderam vivenciar a alegria de estarem diante do Cristo Ressuscitado!   
Movidas pela alegria do reencontro com Jesus , eles tomam o caminho de volta, indo falar com os outros discípulos sobre a  experiência que tiveram com o Cristo Ressuscitado!
Estes dois discípulos que demoraram tanto para reconhecer Jesus, representam todos os que ainda não tem uma fé consistente,  os que perdem a esperança facilmente, que se dão como vencidos diante  a um suposto fracasso. 
Que esta lentidão dos discípulos de Emaús, não se repita conosco, que nós não sejamos cegos, lentos, para perceber a presença de Jesus em nossa vida!
Busquemos sempre nos alimentar na fé, pois é a fé que nos  faz enxergar a presença  do Cristo Ressuscitado caminhando junto de nós!
A narrativa nos desperta  também, sobre  a importância de buscarmos sempre um jeito atencioso de viver a fé, chama a nossa atenção para algo que quase não praticamos nas nossas relações humanas: o ouvir o outro, o caminhar com ele, o conhecer a sua história, seus sonhos, reconhecer nele, a presença do próprio Cristo! Foi isto que Jesus fez ao caminhar com os discípulos de Emaús, Ele falou, ouviu, inteirou-se...
Muitos de nós, somos indiferentes ao outro, até mesmos dentro de nossas próprias casas,quantos filhos mal se falam com seus pais, quantos pais não reservam tempo para dialogar com  os filhos, estamos sempre apressados e com isso, muitas vezes, não temos tempo para perceber no outro a presença do Cristo Ressuscitado.
A nossa missão nasce a partir do nosso encontro pessoal com o Cristo Vivo e cresce à medida do nosso envolvimento com Ele, através das  nossas relações humanas.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
Venha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook



================================================

Jesus ressuscitado caminha conosco
A fé na Ressurreição não deve ser reduzida a uma pura experiência mística, muito menos a uma espécie de um mito ou conto a ser passado adiante pelos séculos afora. É sim, uma experiência que se evidencia através de compromissos de vida (1ª leitura) e toma forma em atitudes concretas (2ª leitura). Dessa feita, a vivência da solidariedade e da partilha é a tradução concreta do reconhecimento de que Jesus é o nosso mestre e continua vivo. Ele disse: “vocês serão meus discípulos se fizerem o que eu peço de vocês” (Jo 15,14).
1ª leitura: Atos 2,14.22-33
O anúncio da fé no ressuscitado gera conversão
A essência do conteúdo desse discurso de Pedro aparece outras vezes no livro Atos dos Apóstolos (cf. At. 4,8-10), porque constitui a síntese básica do anúncio da fé Cristã, o kerígma. Vejamos o conteúdo desse texto.
a) A atitude de liderança: “Pedro, de pé, junto com os onze discípulos, levantou a voz, falou à multidão” (At. 2,14). A iniciativa da manifestação de Pedro é uma atitude que revela sua firme liderança; trata-se de uma postura que sempre tomará nos momentos solenes, em situações de conflito, em momentos de discernimento e em outras circunstâncias de pressão externa. Ele encarna as atitudes de Jesus na liderança dos seus discípulos: Pedro é autoridade movida pelo entusiasmo da Fé no Ressuscitado; “de pé” e com “voz alta”, revelam uma atitude de coragem, de firmeza, de consciência da própria liderança gerindo o direito-dever de posicionar-se em nome da comunidade dos discípulos. O número indicado nos faz pensar em 12 (Pedro mais os outros onze – cf. At. 2,14); isso quer dizer que Matias (cf. At. 1,23-26) já tinha se inserido no grupo substituindo Judas Escariotes, o traidor que, após a trair Jesus, enforcou-se (cf. Mt. 27,5); “junto com os onze”, indica senso de comunhão; quer dizer que Pedro não é um líder isolado e seu serviço de liderança, está profundamente comunhão dele com os demais e dos outros com ele.
b) Conteúdo do discurso: Jesus Cristo, homem aprovado por Deus em milagres, prodígios e sinais; foi morto pelos judeus, pregado numa cruz; mas Deus o ressuscitou, pois não era possível que a morte dominasse sobre ele. O filho de Deus encarnado é solidário conosco na morte, pois é Deus conosco... Mas em sua divindade, enquanto Deus imortal, é a fonte da Vida (cf. Rm. 1,23; 1Tm. 6,16; 1Pd. 1,23). Por isso, em tudo, tem última palavra. Essa é alegria dos apóstolos quando dizem: “disso nós somos testemunhas”! Pedro não faz uma narração fria da história de Jesus Cristo, mas ao fazer breve memória de sua história, vai simultaneamente tirando lições que se tornam um convite à sensibilização dos seus ouvintes. Dessa forma diz com clareza: “foi um homem aprovado por Deus” – convite implícito: sejam bons também! (At. 2,22); “isso aconteceu entre vós”; “vós bem o sabei” - convite implícito: tomem consciência!; “vós o matastes” - convite implícito: arrependam-se! (cf. At. 2,22-23). O anúncio do evangelho não é uma atividade ideológica, mas um projeto de vida anunciado que deve promover a conversão; para que isso aconteça é necessário que o ouvinte seja sensibilizado.
Nossa vida
Algumas lições práticas para a nossa vida:
a) A primeira diz respeito ao papel da liderança: o líder movido pela consciência da missão recebida é aquele que “se levanta”, “toma iniciativa”, “fica em pé” e, também, de acordo com os contextos, deve ter a coragem de “levantar a voz” diante dos desafios; ou seja, que age com segurança, clareza, que não foge por medo; o líder é aquele que zela pela comunhão do grupo em torno de um mesmo projeto de vida.
b) A unidade da história de Jesus: vários são os conteúdos que compõem o anúncio salvífico: encarnação, vida, paixão (sofrimento), morte de cruz, ressurreição de Jesus. Com essas palavras Pedro sintetiza os mistérios da Vida de Jesus, o mesmo mistério revelado e rejeitado. A tônica acusativa de Pedro visa gerar nos ouvintes, a sensibilização, o arrependimento e a conversão. A escuta com fé da Palavra de Deus também deve nos levar às mesmas atitudes. A Palavra de Deus sempre nos chama à revisão de vida. Não basta escutarmos a narração da história completa de Jesus; esse anúncio deve nos levar à inquietude e a partir daí, a uma mudança de vida, ou seja, uma tomada de compromisso que deriva da fé no ressuscitado. Anunciar Jesus ressuscitado, a fé na ressurreição, significa proclamar o sentido da vida  rejeitando todo e qualquer sinal de morte.
SALMO 17 (16): Este salmo é uma forte súplica a Deus de um fiel que está passando por uma situação de grande ameaça por seus inimigos (cf. Sl. 17,1.7.8-12). Apesar de perseguido, o salmista tem consciência do seu bem-viver e da sua fidelidade, dizendo: “eu observei os caminhos prescritos, meus pés não vacilaram, meus passos ficaram nas tuas pegadas” (cf. Sl. 17,4-5). Sua fé em Deus  alimenta sua esperança de total libertação: “Quanto a mim, com justiça verei a tua face; ao despertar, eu me saciarei com a tua imagem” (cf. Sl. 17,15).
2ª leitura: 1 Pedro 1,17-21
Invocar a deus como pai, exige comunhão com ele
Pedro chama atenção de seus destinatários para uma idéia básica: quem invoca a Deus como Pai deve, ser consequente e respeitar a Deus. Essa é uma atitude de filho. A palavra “respeito”, aqui mencionada, não significa aquela certa atitude de distância e prudência diante do outro, mas é, sobretudo, sinônimo de comunhão, de sintonia afetiva e efetiva, de mente e coração. Quem respeita a Deus, entra em comunhão com Ele. Logo, como consequência, como sinal de fé, se esforça para testemunhar com suas atitudes que, sua “fé e esperança, estão em Deus” (1Pd 1,21). Como menciona Pedro, não se afeicionará mais a uma vida fútil (cf. Pd 1,18) desapegando-se do seu passado e de toda e qualquer atitude que não honre o sacrifício da cruz (cf. Pd. 1,19). Nossa comunhão com Deus nos convoca a nos opor a tudo aquilo que não se harmoniza com o ser-quer de Deus.
Nossa vida
“A fé sem obras é morta” (Tg. 2,26): temos sempre muita dificuldade de traduzir o nosso culto em compromissos concretos. Nossas liturgias, muitas vezes, ornamentadas por preces e louvores, cântico e coreografias, flores e incenso, às vezes, morrem logo que saímos do templo e continuamos a nossa vida normal como se nada tivesse acontecido. Continuamos com os mesmos problemas, padecemos com as mesmas limitações, seguimos com as mesmas idéias. Talvez porque vamos à Igreja ou rezamos formalmente, por hábito! E o novo!? Na verdade a fé é compromisso, nunca deveria ser reduzida a costume. Não basta a Fé... é preciso vida espiritual, espiritualidade... A fé deve provocar em nós um dinamismo de inquietudes capaz de nos motivar a abraçar processos de crescimento, de autodesafios de “passagem” (transformação), de luta de perseverança no bem. A fé não deveria jamais ser um momento de oásis espiritual-litúrgico uma vez por semana, mas sim uma experiência mística contínua que alimenta a qualidade do nosso cotidiano nos proporcionando subsídios para nos estimular a tomar decisões em sermos mais sensíveis, honestos, solidários, verdadeiros, justos... profetas capazes de provocar inquietudes, processos de transformação social. Pois “se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia a sua língua e engana o seu coração, então é vã a sua religião. A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e conservar-se puro da corrupção deste mundo” (Tg. 1,26-27).
3ª Evangelho: Lc 24,13-35
Na partilha solidária nos reconhecemos como discípulos de Jesus
Esta maravilhosa narração é muito rica em detalhes. Fiquemos com os aspectos mais relevantes e objetivos do texto.
A situação dos dois discípulos: eles caminham rumo ao povoado de Emaús, estão muito entristecidos, como que cegos, presos ao passado (conversam e discutem sobre o que aconteceu em Jerusalém), assustados, decepcionados, desiludidos e trazem na mente idéias errôneas a respeito de Jesus Cristo. Conforme dizem para eles Jesus é um simples profeta, um messias que lhes deu esperança de libertação política. Justamente essa tinha sido uma das idéias que em diversas ocasiões Jesus tinha combatido. Não haviam assimilado o ensinamento em sua essência!
A intervenção de Jesus: Jesus se aproxima discretamente, os interroga, escuta com paciência caminhando, acompanha... e, percebendo a errônea mentalidade deles os corrige com firmeza e liberdade (diz-lhes: “como sois sem inteligência, lentos para crer...” – Lc. 24,25), baseando-se nas Escrituras... A formação desce ao fundo de seus corações e os provoca à mudança de mentalidade, de atitude: deixam de se lamentar...desaparece a tristeza, esquecem o passado dramático, olham para frente...
A experiência da partilha do pão – a Eucaristia: chegando ao povoado os discípulos convidam Jesus para estar com eles; na hora das refeições Jesus tomou o pão, abençou-o, partiu-o e distribuiu a eles; “nisso os olhos dos discípulos de abriram e eles reconheceram Jesus” (Lc. 24,31). A Eucaristia é memória-encontro com Jesus... escondido em seu mistério!
O retorno a Jerusalém: “naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém” (Lc. 24,33). Significa, o retorno às origens, é o reencontro com a comunidade. A Eucaristia, quando celebrada autenticamente, nos estimula a ir ao compromisso comunitário... comunhão!
Nossa vida
Os discípulos desiludidos representam a humanidade sem fé, frustrada, enfraquecida, decepcionada com seus sonhos errantes, enganosas ilusões, sem esperança que vaga sem rumo distanciando-se do centro da experiência da fé no ressuscitado (Jerusalém), aquele que nos dá a esperança da Vida Eterna e nos confere um sentido para esta vida. O afastamento de Jerusalém é um aspecto significativo. Em Jerusalém está o testemunho do ressuscitado, o sepulcro vazio, a comunidade dos apóstolos... Afastar-se de Jerusalém significa desviar-se da Fé que dá um sentido diferente para a vida. Sem fé a existência humana fica sem perspectiva de futuro e tudo termina na morte como um fracasso que aniquila os sonhos todos. Quando deixamos de lado a alimentação da nossa fé, andamos murmurando da vida, desiludidos e em direção oposta ao nosso bem.
Jesus acompanha a humanidade errante, sua presença é discreta e, inicialmente, imperceptível, mas nunca nos deixa sozinhos em nossas estrada e crises. O início do processo de mudança que conduz à experiência da fé começa no ato da acolhida da pessoa de Jesus (mesmo ainda não reconhecido como tal). Esses dois discípulos, abatidos como estão, não rejeitam aquele “peregrino” que se aproxima deles, e assim caminha com eles, os escuta, finge ser ignorante - “tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?” (Lc. 24,28”). Também hoje Jesus de tantas formas se aproxima de nós e quer caminhar conosco, mas nem sempre o reconhecemos... Caminhando com a Palavra de Deus, ele também nos educa.
A experiência da partilha e da solidariedade é a tradução concreta da nossa fé em Jesus Ressuscitado. A Eucaristia é o compromisso no qual assumimos a experiência da partilha e da solidariedade como carimbo de autenticação de Jesus como nosso mestre.
Antônio de Assis Ribeiro - SDB (Pe. Bira)




Na primeira leitura de Atos, encontramos Pedro pronunciando sua primeira pregação pós-pascal, dirigida, tanto aos judeus presentes, como a todos os habitantes de Jerusalém. O sermão é do tipo kerigmático, com a apresentação de três aspectos da vida de Jesus, que compõem a profissão de fé mais antiga do cristianismo: um Jesus histórico, confirmado por Deus com milagres, prodígios e sinais; sua morte a mando das autoridades judaicas e, finalmente, sua ressurreição, realizada por Deus para a salvação de toda a humanidade.
Pedro termina seu discurso com um selo de autenticidade: de tudo isto “nós somos testemunhas” (Atos 2,23). Crer em Jesus ressuscitado era reconhecê-lo como Messias, o que, segundo as Escrituras, abria portas para sua segunda vinda e no final dos tempos. Isto explica as atitudes de recolhimento e medo que leva os discípulos a se fecharem à base de chave.
Contudo, Pentecostes muda para sempre as coisas, pois antes do medo do fim do mundo, o Espírito indica que o mundo está apenas no começo e que a Igreja nascente tem o compromisso de contribuir na reconstrução deste mundo com a chave do amor. Assim começou a missão da Igreja, combinando os medos do fim do mundo, a alegria, o otimismo e o compromisso de fazer com que a cada manhã o mundo renasça com mais amor, mais justiça e paz.
A referencia à primeira comunidade cristã nos faz descobrir a importância que a práxis do amor e da solidariedade teve no surgimento do cristianismo. Não foi sem mais uma teoria, mas uma mudança de vida, uma práxis, uma transformação social, o que estava em jogo. Importante ter isso presente, quando tantos pensam que o cristianismo é questão de aceitação intelectual de um pacote de verdades, teorias e dogmas.
Na segunda leitura, o apóstolo Pedro convida a manter a fidelidade a Deus em situação de desterro, exclusão, marginalidade, porque Deus, em um novo Êxodo, nos liberta de uma sociedade submetida a leis injustas e desumanas, que protegem somente quem paga com ouro ou prata. Esta libertação foi assumida por Jesus com o selo de seu próprio sangue, como uma opção de amor, consciente e voluntária, pelos homens e mulheres do mundo inteiro.
O preço que devemos pagar a Jesus por tanto generosidade, não é com ouro e prata, mas dando vida aos irmãos que continuam morrendo, vítimas da injustiça e da desumanização. Isto será realmente “devolver com a mesma moeda”.
No evangelho, os discípulos que não eram do grupo dos onze (v.33) dirigem-se a Emaús. Provavelmente trata-se de um homem e uma mulher, casados, (havia também mulheres discípulas), que retornavam à sua casa, frustrados por causa dos últimos acontecimentos da capital. Enquanto conversavam, Jesus se aproxima e começa a caminhar com eles, pois é o Emanuel. Porém, eles não conseguem reconhecê-lo, seus olhos estavam como que fechados.
Por quê? Porque no fundo ainda tinham a idéia de um messias profeta-nacionalista, que conquistaria o mundo inteiro para ser dominado pelas autoridades de Israel, um messias necessariamente triunfador. Por isso estavam vendo na cruz e na morte do mestre, o fracasso de um projeto no qual haviam posto suas esperanças.
Serão as Escrituras as primeiras sinais de esperança que Jesus coloca nos olhos do coração dos discípulos, para que possam ver e entender que não é com o triunfalismo messiânico, mas com o sofrimento do servo de Javé que se conquista o Reino de Deus; um sofrimento que não é masoquismo, mas um assumir conscientemente as conseqüências da opção de amar a humanidade, atitude difícil de entender em uma sociedade dominada pelo poder de domínio que mata a quem se interpõe no caminho. Pela vida, até dar a própria vida, é o testemunho de Jesus diante dos seus dois companheiros.
O relato dos discípulos de Emaús é uma peça belíssima, evidentemente teológica, literária. Não é, em absoluto, uma narração ingênua, direta, de um acontecimento, como se fosse um fato jornalístico. É uma composição elaborada, simbólica, que quer transmitir uma mensagem. E como todo símbolo, não leva consigo um manual de explicação, mas permanece “aberto”, isto é, é suscetível de múltiplas interpretações. E a partir de cada novo contexto social, em cada novo momento da historia, os crentes podem confrontar-se com esses símbolos e deles extrair novas lições.


Postal Clarete



“Ao repartir o pão, reconheceram Jesus!”
(...) dois dos discípulos estavam a caminho de um povoado, chamado Emaús, distante uns doze quilômetros de Jerusalém. Eles conversavam sobre todos estes acontecimentos. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e pôs-se a acompanhá-los. Seus olhos, porém, estavam como que vendados e não o reconheceram. (...) Quando se aproximaram do povoado para onde iam, Jesus fez menção de seguir adiante. Mas eles o obrigaram a parar: “Fica conosco, pois é tarde e o dia já está terminando”. Ele entrou para ficar com eles. E aconteceu que, enquanto estava com eles à mesa, tomou o pão, rezou a bênção, partiu-o e lhes deu. Então, abriram-se os olhos deles e o reconheceram (...) ao partir o pão.
Estamos ainda vivendo o período Pascal. O tempo Pascal vai até o Domingo de Pentecostes, por isso dizemos que hoje é o terceiro Domingo da Páscoa e não o terceiro Domingo depois da Páscoa. 
Mais uma vez nos reunimos para meditar nossa caminhada junto com Jesus. Infelizmente, nem sempre nos lembramos disso. Parece coisa de ficção ou lenda dizer que Jesus caminha conosco. 
Apesar das dificuldades para percebermos Jesus andando ao nosso lado, nós vamos caminhando. O caminho é cheio de altos e baixos, com momentos de esperança, alegria e tristeza; momentos de entusiasmo e depressão. Muitas vezes, desesperançados como os discípulos de Emaús.
Neste evangelho, eles caminham sem esperança. Falam dos acontecimentos tristes dos últimos dias. Alguém cruza com eles na caminhada e quer saber a razão de tanta tristeza. Com a voz embargada contam o ocorrido, choram a ausência do Mestre, mas não reconhecem Jesus naquele estranho. 
Como demoramos para perceber a presença de Jesus. Esses dois tinham convivido com Jesus por tanto tempo. Sabiam que Ele era o Messias prometido. Ouviram suas pregações, acompanharam tantos e tantos milagres. Eles viram Jesus fazer coisas incríveis e, mesmo assim, parece que tudo isso não foi suficiente para acreditarem. 
Recentemente Jesus lhes havia dito que deveria sofrer, morrer e ressuscitar dos mortos e eles se esqueceram. Por isso, levaram um tremendo “puxão de orelhas” do Mestre. Tiveram que ouvir estas palavras: “Como vocês custam para entender, como demoram a acreditar em tudo o que os profetas falaram!”
O evangelista nos diz que um dos discípulos chama-se Cléofas. O nome do outro não sabemos. É provável que Lucas não tenha mencionado quem seria o outro discípulo, justamente para que, cada um de nós possa colocar-se em seu lugar. 
Seríamos nós esse parceiro de viagem de Cléofas? Quantas vezes seguimos nossa estrada desanimados e desesperançados. Outras vezes choramos, lamentamos, falamos até perder o fôlego, porém, sem levar fé e sem transmitir esperança aos que caminham ao nosso lado.
A fé vem aos poucos, é um crescimento diário, um processo lento. Leva tempo, porque não depende só do conhecimento. Fé é um compromisso de vida. Ao explicar-lhes a escritura, Jesus devolve à esses homens a confiança, a alegria da fé e da esperança no Messias. 
Se de fato acreditarmos, entendermos e vivermos a escritura, nós seremos excelentes companheiros de viagem, ótimos companheiros de caminhada. A longa jornada será recompensada pela alegria do reencontro com o Messias. 
Chegando ao vilarejo, sentam-se à mesa e no instante em que o misterioso viajante parte o pão, eles o reconhecem. Eles vêm naquele estranho o Mestre partindo e repartindo o alimento. Esse gesto resume toda a vida de Jesus. 
Tudo em Jesus sempre foi doação. Doação do pão multiplicado, das curas, do perdão, da misericórdia, do pão da Palavra que salva; enfim, doação da sua própria vida, sacrificada na cruz. Foi na partilha que os discípulos reconheceram Jesus.
O mesmo deve acontecer conosco. O cristão que não vive a partilha torna-se irreconhecível. Passa despercebido pelos irmãos. Só através da partilha poderemos encontrar e apresentar Jesus. 
Ao partilharmos o pão material, o pão do acolhimento, da escuta, do perdão e da presença constante junto aos menos favorecidos, nossos companheiros de viagem poderão reconhecer em nós o Cristo Ressuscitado.
O testemunho é luz que clareia os ambientes, é a chave que abre os corações para a fé, para a esperança e para o amor de Deus. Por isso vamos gritar bem alto o que o evangelho de hoje nos diz: Jesus ressuscitou e Caminha conosco! 
Jesus está presente no nosso dia-a-dia, é solidário em nossas lutas e dificuldades. Celebra conosco o seu Banquete e se faz alimento na Eucaristia. Jesus está permanentemente ao nosso lado e podemos testemunhá-lo através deste convite: “Fica conosco, Senhor!”
Jorge Lorente




No Evangelho, o Peregrino aponta aos discípulos de Emaús o caminho para reconhecer o Cristo Ressuscitado (Lc. 24,13-35)
Os discípulos estão tristes, desanimados, decepcionados, frustrados, abandonam a comunidade e voltam para casa, dispostos a esquecer o sonho. Aguardavam um Messias glorioso, um Rei poderoso, um Vencedor e encontram-se diante de um derrotado, que tinha morrido na cruz.
Aparece um peregrino, que caminha com eles e começam a falar do assunto do momento: Jesus, Profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e dos homens, mas que teve um fim inesperado...
O Peregrino interpreta as escrituras, que falam do Messias. Eles escutam com interesse e seus corações começam a "arder".
No final da tarde, os discípulos chegam em casa e fazem um convite: "Fica conosco". Querem prolongar a agradável companhia. Após ter acolhido a palavra do  Peregrino, lhe oferecem hospedagem em sua casa e Ele aceita não apenas para "passar a noite", mas para "ficar com eles".
À mesa: um gesto conhecido: o mesmo gesto da última ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia. Os olhos se abrem e reconhecem o Ressuscitado... A Palavra faz "arder" o coração, a fração do Pão faz "abrir os olhos". E Cristo desaparece porque agora a comunidade já possui os sinais concretos de sua presença: a sua palavra e o pão partilhado. Agora é só testemunhar. E partem logo para anunciar a descoberta aos irmãos e, junto com eles, proclamam a fé: "O Senhor ressuscitou." A Proclamação da alegria pascal não pode esperar o dia amanhecer. A escuta atenta da Palavra e o repartir do pão abre os olhos e impulsiona para a missão.
Onde encontrar o Ressuscitado? O episódio de Emaús nos aponta o caminho:
- na palavra de Deus, escutada, meditada, partilhada, acolhida, Jesus nos indica caminhos, nos aponta novas perspectivas, nos dá a coragem de continuar, depois de nossos fracassos. Acolhem a Palavra do Peregrino e lhe oferecem hospedagem em sua casa;
- na partilha do pão eucarístico.
A narração apresenta o esquema da missa: liturgia da Palavra e do Pão.
É na celebração comunitária da eucaristia, que nós fazemos a experiência do encontro pessoal com Jesus vivo e ressuscitado.
Na comunidade: a comunidade sempre foi e continua sendo o lugar privilegiado do encontro... (experiência dos discípulos... e de Tomé...)
O Caminho de Emaús
Muitas vezes, também nós andamos pelos caminhos da vida, "tristes", cansados e desiludidos... Caíram os nossos castelos e a vida parece ter perdido sentido. Esperávamos tanto... mas tudo terminou... (quem sabe lá... a morte de um parente amigo, um fracasso em nossos empreendimentos... a família desunida...) É triste quando a esperança morre... Parece nada mais ter sentido. Somos tentados a abandonar a luta e voltar...
Eles estavam angustiados por aquilo que aconteceu em Jerusalém. Mas, na medida em que participaram da celebração da Palavra e do banquete da fração do pão, o interior deles se abriu à luz, a vida do Ressuscitado invadiu seus corações e os fez voltar à comunidade.
Nesses momentos, mais do que nunca, como os dois discípulos, necessitamos do Peregrino de Emaús: "Fica conosco, Senhor".
Que possamos reconhecê-lo nos pequenos gestos de cada dia. Hoje queremos recordar os gestos de doação de nossas mães. Que a bondade divina abençoe e recompense todas as nossas mães.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa




Reconheceram Jesus ao partir o pão
Este Evangelho, da quarta-feira da oitava da Páscoa, narra a cena do encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús. Após a morte de Jesus, a tristeza tomou conta dos discípulos. E junto com ela veio o desânimo. Estes dois discípulos estavam desistindo da vida em Comunidade e voltando para as suas casas. Jesus, apesar de não ser mais a sua vez de se manifestar na terra desta forma, resolveu dar um apoio à Igreja nascente, aparecendo fisicamente. Ele chega e entra no meio da conversa dos dois, mostrando a forma correta de encarar os fatos, que é à luz das Sagradas Escrituras. Os discípulos estavam tão abatidos que nem perceberam que era o próprio Jesus. O acolhimento ao desconhecido foi bonito: "Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chagando!" E a recompensa ao gesto de caridade foi generosa: "Reconheceram Jesus ao partir o pão".
Recuperam a alegria, e junto com ela o ânimo, voltando imediatamente para a Igreja, a Comunidade cristã.
O que Jesus quis dizer é que ele não desapareceu, mas continua presente no meio dos seus discípulos, agora na Eucaristia, que no começo da Igreja era chama de "O partir do pão".
Os discípulos estavam desanimados e até desistindo da Comunidade cristã. O motivo eles mesmos falaram: "Nós pensávamos que ele fosse libertar Israel..." Jesus veio realmente libertar, não só Israel mas toda a humanidade. Entretanto, não é assim, de mão beijada; Deus quer fazer as coisas junto conosco e através de nós.
"Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?" A Bíblia é a nossa força, a nossa luz na caminhada. Ela nos ajuda a entender os fatos e nos mostra a resposta certa a cada situação. Se aqueles discípulos lessem a Bíblia, talvez não tivessem desanimado.
Mas é na Eucaristia que os nossos olhos se abrem e encontramos forças para continuar a caminhada. A Missa realimenta a nossa fé, e nos dá o dom do discernimento, mesmo no meio das maiores provações.
Logo que os olhos dos discípulos se abriram, Jesus desapareceu da frente deles. Com isso ele quis dizer: eu já estou com vocês na Eucaristia. Por que caminhar tristes, referindo-se a mim como alguém do passado, se estou no meio de vocês na Eucaristia?
Imediatamente eles "se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros". A Eucaristia nos integra ou reintegra na Comunidade cristã. Nenhum motivo justifica o afastamento da Comunidade. Temos um compromisso com ela, feito no batismo, mais forte que o compromisso matrimonial. É um compromisso na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até o fim da nossa vida.
Ao longo das nossas viagens, cercadas às vezes de inquietações, o divino viajante continua a fazer-se nosso companheiro, a fim de nos instruir. Depois que Jesus subiu para o céu, não age mais dessa forma, manifestando-se fisicamente. Entretanto, em seu poder divino, Jesus usa de mil outras maneiras. Geralmente socorre os cristãos através dos próprios cristãos. O que ele não quer é ver ninguém desanimado, e muito menos se afastando da comunidade.
E quando e encontro se torna pleno, à luz da Palavra de Deus, segue-se a luz que brota do próprio Jesus, presente no pão da vida.
"A Comunidade é força de Deus. Lugar abençoado onde moram os filhos seus."
Certa vez, um pai de família fez o Cursilho de cristandade e chegou entusiasmado em casa. Na hora da refeição, ele disse: "De hoje em diante, nós vamos rezar todos os dias antes da refeição. Sou eu que vou puxar a oração".
Assim fizeram durante vários dias. Num domingo, veio um amigo dele visitá-lo, o qual não era muito de Igreja. Quando chegou a hora do almoço, o pai ficou com vergonha de rezar na frente do amigo, e simplesmente convidou o amigo para se sentar e começar a comer.
O seu filhinho de cinco anos disse: "Paiê, o senhor não disse que ia rezar todos os dias antes da refeição?" O pai deu um sorrisinho amarelo e acabou rezando, na frente do amigo.
Bem feito! Quem manda ter respeito humano e desobedescer a Deus por causa da presença de um amigo! Sinal que a sua fé, apesar de renovada no Cursilho, ainda precisava alguns retoques. E o alerta veio através da inocência de uma criança. "Quem não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele!"
"A família que reza unida permanece unida." Isso vale também para a Família de Deus. Se perseverarmos na oração, nunca nos afastaremos da Comunidade.
Maria Santíssimo nunca se afastou da Comunidade. Pelo contrário, lá estava ela apoiando a Igreja nascente. Mãe da Igreja, rogai por nós! Que tenhamos a graça de perseverar na vida em Comunidade, e nunca desistir, como queriam fazer aqueles dois discípulos de Emaús.
Reconheceram Jesus ao partir o pão.
padre Queiroz




Jesus aparece aos discípulos de Emaús
A liturgia deste 3º domingo da Páscoa convida-nos a descobrir esse Cristo vivo que acompanha os homens pelos caminhos do mundo, que com a sua Palavra anima os corações magoados e desolados, que se revela sempre que a comunidade dos discípulos se reúne para "partir o pão"; apela, ainda, a que os discípulos sejam as testemunhas da ressurreição diante dos homens.
É no Evangelho, sobretudo, que esta mensagem aparece de forma nítida. O texto que nos é proposto põe Cristo, vivo e ressuscitado, a caminhar ao lado dos discípulos, a explicar-lhes as Escrituras, a encher-lhes o coração de esperança e a sentar-Se com eles à mesa para "partir o pão". É aí que os discípulos O reconhecem.
A primeira leitura mostra (através da história de Jesus) como do amor que se faz dom a Deus e aos irmãos, brota sempre ressurreição e vida nova; e convida a comunidade de Jesus a testemunhar essa realidade diante dos homens.
A segunda leitura convida a contemplar com olhos o projeto salvador de Deus, o amor de Deus pelos homens (expresso na cruz de Jesus e na sua ressurreição). Constatando a grandeza do amor de Deus, aceitamos o seu apelo a uma vida nova.
Celebrar a Eucaristia no caminho da vida
A história dos dois de Emaús é já muito conhecida. O ponto de partida é um momento da história que talvez não gostemos de recordar. A cruz de Jesus produziu uma verdadeira debandada nas filas de seus seguidores. Os que tinham deixado tudo para segui-lo decidiram voltar a deixar tudo para começar de novo. A decepção, a desesperança, a sensação de fracasso instalaram-se em seus corações. E decidiram voltar-se sobre seus passos ao que eram e tinham dantes de conhecer Jesus. Tanto esforço não tinha valido a pena! Num momento, os chefes dos judeus e os romanos tinham convertido em pedaços o sonho do Reino. Não tinha nada que fazer!
Tudo isto é já conhecido. Não nos resulta difícil nos sentir identificados com estes dois discípulos que voltam desencantados a sua terrinha, que abandonam o sonho do Reino. Mas não é isso o melhor do relato. O melhor é que ao final os discípulos voltam sobre seus passos. Retornam a Jerusalém, lugar da cruz e a decepção, mas com o coração cheio de entusiasmo e de vida ("Não ardia nosso coração...?"), como fruto do encontro com um caminhante, com um desconhecido.
Aparece um caminhante
Simplificando, podemos dizer que se trata de um dos relatos da aparição de Jesus ressuscitado. Mas, como alguma outra, é um aparecimento misterioso. Jesus não é reconhecido à primeira vista - como foi possível que não lhe reconhecessem seus discípulos? É só um caminhante com o qual eles tem um encontro casual, que escuta aos dois discípulos e compartilha com eles a trilha e a direção (para o fracasso?). O caminhante não tem nome nem rosto. É um mais. Caminha com eles. Escuta-lhes pacientemente. Depois intervém. Alumia-lhes o sucedido desde a Escritura. Falam, dialogam, compreendem... Ao longo do caminho.
Entretanto os discípulos não mudaram de direção em sua caminhada. Mas, ao menos, decidem que é tempo de fazer uma parada no caminho. É tempo de descansar, de deter-se, de compartilhar a ceia. Convidam ao desconhecido. Aí se produz o reconhecimento, ao partir o pão. Dão-se conta de que o que caminhou com eles, o que lhes falou, o que lhes partiu o pão, é Jesus mesmo.
Mas então desaparece. Não há mais Jesus visível. Os discípulos ficam sozinhos. Com suas forças. Com sua fé. Mas o pão e a palavra abriram-lhes à vida. O caminhante desconhecido tocou-lhes o coração e ajudou-lhes a encontrar o sentido do sucedido. E retomam o caminho a Jerusalém, agora o lugar da ressurreição e do triunfo, da esperança e da vida.
Uma eucaristia feita relato
O relato dos de Emaús é o relato de uma Eucaristia daqueles primeiros tempos. Ainda não há formalismos. Não existem os missais nem os ritos. Tudo é mais singelo, mais simples, mais próximo. Os discípulos reúnem-se, recordam, comentam, alumiam-se uns a outros. E compartilham o pão, fazendo memória de Jesus, utilizando as mesmas palavras de Jesus na última ceia. Os desconhecidos fazem-se família em torno do pão e da palavra. Nesse compartilhar e recordar, se faz presente Jesus  ressuscitado. Sentem a força da vida presente Nele. Comungam com sua missão.
Na Eucaristia encontram as forças para voltar a Jerusalém, para sair de novo para o caminho, a manchar os pés e as mãos com o barro da história, a falar e dialogar, a nos encontrar como desconhecidos, com os diferentes, a não deixar um rincão sem que chegue a palavra misericordiosa e cheia de esperança que Jesus pronunciou definitivamente na história da humanidade.
Fazer do caminho encontro e Eucaristia
Aquelas primeiras Eucaristias foram o detonante da vida e a esperança nos discípulos que se deixavam levar pela morte e o desengano. Os caminhos eram os mesmos, mais a direção tinha mudado. Os desconhecidos descobriam-se irmãos. Tinham um tesouro para compartilhar com os homens e mulheres de seu tempo. Fazer realidade na vida diária o Reino de Deus. Até nós, longe no tempo e no espaço, chegou seu estimulo, sua capacidade de escuta. Graças a Deus!
O caminho da vida é nossa oportunidade para fazer encontro, fraternidade, Eucaristia, para fazer presente o Reino. A eucaristia põe-nos a caminho e o caminho em fraternidade faz-se Eucaristia.
Fernando Torres




"Caminha conosco Jesus!"
O evangelista Lucas narra o caminhar de Jesus com seus discípulos para o povoado de Emaús distante alguns quilômetros de Jerusalém. Nesta caminhada seus discípulos não perceberam que o viajante que os acompanhava era o Mestre. Meios perdidos por causa da dor, estavam cegos e não percebiam que ao seu lado estava o Grande filho de Deus. Porém, Jesus coloca-se ao seu lado para garantir a força na caminhada e na crença de que os ensinamentos devem perpassar gerações sempre objetivando preparar para o Reino de Paz e Justiça.
Jesus percebendo que seus dois discípulos não se convenciam da tragédia entra no diálogo e pergunta: 'O que ides conversando pelo caminho?' Jesus está provocando um entendimento. Meio triste um deles chamado Cléofas lhe disse: 'Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?'  Então Jesus interpela:  'O que foi?' Veja a resposta longa aferida pelos discípulos: 'O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu.'
A insatisfação pela morte de Jesus era notória nos rostos dos amigos e discípulos. Ninguém queria acreditar no que tinha acontecido. Mas a dor era tamanha que chegavam a descrever tudo o que tinha acontecido, porém era incapazes de perceber  a presença de Jesus em seu meio. Jesus caminhando com seus discípulos pela estrada é o Jesus ainda ensinado seus fieis a caminhar rumo a terra prometida. É o Jesus peregrino que pede para não parar sua obra de levar os bons ensinamentos para todos. É o Jesus viajante levando novos ares e novas perspectivas de vida. É um Jesus caridoso que não abandona seus escolhidos de forma alguma.
Ao revelar que era Jesus, os corações dos discípulos encheram de alegria. Mesmo desconfiando de que havia sentido palpitações diferentes no caminhar com Aquele estranho, só sentiram a plena certeza do anuncio das mulheres quando Jesus partiu o pão. A fala não poderia ser outra: ficai conosco Jesus. Não os abandone, permanece conosco, porque sua presença nos guarda de todo o perigo.
Pedimos, caros leitores, a presença de Cristo em nosso meio. Oramos por ele e clamamos para permanecer conosco sempre. Como é bom estar perto de Jesus e poder contar com ele em todas as situações. Mesmo, às vezes, não enxergamos sua força divina ou não querendo vê-lo, jamais ficaremos sozinhos. Este Deus é teimoso por amar tanto seus filhos, mas os filhos são teimosos em querer distanciar da verdade.
O que precisamos é fazer como os discípulos sair por ai falando deste Deus e denunciando as injustiças que tanto faz o povo de sofrer. A garantia da presença do Salvador em todos os momentos está confirmada, então, porque não começamos a falar de Jesus. Garanto que tem muita gente querendo ouvir você. Vá à luta. Deus lhe dá sabedoria e inteligência. O convite está feito. Abraça a causa. Amém.
Claudinei M. de Oliveira




O caminho de Emaús
Aqueles dois discípulos de Jesus os quais iam pelo caminho que os conduziria a sua aldeia natal não pressentiam que passariam por momentos alternativos impressionantes. Com efeito, estavam tristes, decepcionados com o que havia ocorrido com o seu Mestre ignominiosamente morto sobre uma Cruz. Encontram-se, porém, com alguém que era o mesmo Jesus que não se deu a conhecer, mas que lhes explicava as Escrituras sobre os acontecimentos ocorridos em Jerusalém. Seus corações abrasavam-se dentro deles, enquanto Cristo lhes falava. Depois, tendo sido tão fidalgos com aquele desconhecido, convidando-O para ficar com eles, ao se porem à mesa Jesus lhes abre os olhos. Foi quando Cristo tomou o pão, o abençoou, o partiu e lhes fez entrega do mesmo. Jesus desaparece, mas que transformação na mente e no coração daqueles seus dois seguidores! À melancolia, ao desânimo seguiram-se o entusiasmo, a coragem. Tornam-se então importantes testemunhas de que Jesus ressuscitara e vão a Jerusalém anunciar, também eles, que Cristo estava vivo.
A trajetória de Emaús é uma rota que todo homem alguma vez percorre na sua vida. O caminho para Deus é uma vereda que pode se envolver em providenciais sombras para que brilhem  depois, ainda mais, as virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade. Deus, porém, está sempre perto dos que o temem, iluminando sua peregrinação rumo ao céu. O principal é que não prevaleçam as ilusões e o desânimo, mas reinem a tranquilidade, a serenidade, a imperturbabilidade. Cumpre, contudo, não atingir o grau de inquietação de Cléofas e seu companheiro aos quais  assim recriminou Jesus: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Seja como for, o principal é estar atento às inspirações divinas, alimentando a fé na oração e na Eucaristia, aguardando o momento no qual Deus intervirá para afastar qualquer dubiedade ou incerteza. A pergunta feita por Jesus foi repleta de significado: “O que ides conversando pelo caminho?” É preciso que se examinem com cuidado a cada passo os próprios interesses, os questionamentos, os propósitos que se têm em vista para poder deixar a palavra de Deus penetrar nas trevas que podem envolver a quantos peregrinam nesta terra de exílio. O que se deu um dia com Santa Teresa de Ávila esclarece o modo de agir do Ser Supremo.
No meio de tribulações, agitações interiores esta santa estava  rezando, quando de repente tudo passou. Ela então interrogou a Cristo: “Onde estavas, meu Senhor, enquanto eu tanto padecia”. A resposta foi clara: “Teresa, estava em teu coração para que não desfalecesses”. É preciso estar sempre consciente desta presença do Mestre divino que nunca abandona os que O amam. Como ensinou São Paulo aos Efésios caminhamos para Deus pelo caminho da fé em Cristo que está continuamente junto de seus seguidores. É preciso, porém, não ficar em Emaús, mas sair anunciando por toda parte que Jesus ressuscitou e está presente entre nós. A alegria desta certeza deve ser levada para dentro de casa, para os lugares de trabalho, de diversão sadia e, deste modo,  outros compreenderão como é feliz quem confia no Senhor Jesus. Este júbilo deve se refletir nas palavras, nos gestos, no modo de ser, irradiando o fogo desta presença divinal. Trata-se de uma partilha de grande repercussão na vida dos que cercam um cristão autêntico. É necessário para isto cultivar em todas as circunstâncias a calma.
Os discípulos de Emaús, talvez, tenham deixado Jerusalém um pouco precipitadamente com medo dos judeus e estavam envoltos em decepção. Ao cristão cumpre ter coragem e nunca duvidar para poder levar, seja onde estiver, as mensagem que fluem da Ressurreição de Cristo. Isto é tanto mais importante quanto maior é a cegueira espiritual do contexto pós-moderno atual. Neste impera o relativismo e não se admitem as verdades objetivas e o que nelas é essencial. Estas verdades devem ser anunciadas sem dubiedades ou ambiguidades. São Paulo na carta aos Hebreus mostrou a necessidade de se estar penetrado pela fé. Esta supõe a adesão a  verdades absolutas longe de todo e qualquer relativismo (Hb. 1,4,2). Resta sempre esta certeza de que todas as vezes que escutarmos Jesus nosso coração estará abrazado, iluminado como aconteceu com os discípulos de Emaús.
cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho



Emaús aqui tão perto
A localização de Emaús tem diversas tradições, todas a Oeste de Jerusalém. Deste Evangelho, próprio de Lucas, discute-se a origem. Talvez seja um convite a percorrer o próprio itinerário de fé, caminhando com Jesus? – Esta visão basta para o que se pretende refletir.
Toda a Páscoa é um convite a seguir o caminho da vida a bom passo. Nessa caminhada escuta-se a voz de Jesus Vivo e Ressuscitado, que garante que estará conosco mesmo que não o vejamos. O caminho faz-se andando, se quisermos fazer uma alusão aos poetas quando afirmam que «o amor faz-se amando» e a São João da Cruz que dirá: «o caminho faz-se caminhando».
Ora bem no texto do Evangelho descobrimos a imagem da humanidade em dois discípulos a fazer a caminhada até Emaús, mas, caminham consternados, derrotados e desiludidos com os fatos recentes passados em Jerusalém. Qual humanidade hoje a fazer o caminho com o desalento e o desanimo, porque afundada pelas crises monetárias, pelas guerras inacabáveis, pelas violências constantes... Nesse caminho, Jesus lança-nos a pergunta: «que fizestes do dom da Minha Morte Pascal?» E nós fazemos outras: foi em vão a Sua morte? Não serviu para percebermos que só pelo amor a humanidade será feliz? Não percebemos ainda que a dignidade humana e os Direitos Humanos devem ser respeitados para que a humanidade inteira se realize na harmonia do bem? Não serviu para perceber ainda que Deus nos criou para a vida e não para a morte? Para onde caminhas humanidade, que te auto flagelas e matas frequentemente? (…)
Todas estas questões fazem sentido porque a humanidade continua atada às suas razões e por isso não vê as potencialidades de vida em abundância que Jesus nos oferece com a Sua Páscoa. Jesus, ao falar da Bíblia aos discípulos, revela-lhes o caminho e a mensagem que se levada à prática pode libertar do lamaçal em que a humanidade tantas vezes se deixa atolar.
Então Jesus faz-nos esta pergunta, «porque vos evadis das noites escuras?» E responde na intimidade de cada um, «quando anoitece Eu fico convosco partilhando as vossas trevas». Esta proximidade faz com que cada pessoa encontre força e ausência de medo para seguir adiante fazendo o caminho que conduz ao Emaús da felicidade que a Ressurreição de Jesus nos oferece.
A refeição é o lugar do encontro, o Sacramento dessa presença misteriosa, porque só «reunidos à mesa Me reconhecereis Ressuscitado». A importância da Eucaristia vê-se claramente neste encontro de Emaús. No partir do pão Jesus é reconhecido e convida à saída de si mesmo para se lançar ao encontro dos outros, especialmente, os mais necessitados, para viver a densidade eucarística da partilha fraterna. Cada momento desse encontro é uma meta que dá entusiasmo à vida, porque retempera na coragem e lava ao desprendimento de si para se abrir aos outros.
Nesta abertura à partilha no itinerário da fé, sentir-nos-emos comunidade que peregrina para a Páscoa definitiva. Por isso, pedimos «Senhor, Tu que fazes conosco este caminho aberto ao Transcendente, faz que não nos detenhamos até chegar ao encontro definitivo». Afinal, o Emaús de cada um de nós pode estar longe materialmente falando, mas com Jesus Ressuscitado ao nosso lado, podemos afirmar, «Emaús aqui tão perto».
padre José Luís Rodrigues


Nenhum comentário:

Postar um comentário