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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 13 de abril de 2017

DOMINGO DA PÁSCOA-ano A

DOMINGO DA PÁSCOA
16 de Abril de 2017
Cor: Branco
Evangelho - Jo 20,1-9

Jesus ressuscitado é o espetáculo mais miraculoso e incrível da nossa História! MIRACULOSO, por que foi o maior dos milagres realizado pelo Pai na pessoa do seu Filho. Continuar lendo


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JESUS CRISTO RESSUSCITOU, ELE VIVE ENTRE NÓS!”- Olívia Coutinho


DOMINGO DE PÁSCOA!

Dia 16 de Abril de 2017

Evangelho Jo 20,1-9

 Angustia, sofrimento, morte, era sempre noite na humanidade, até que na noite mais clara do que o dia, a vida vence a morte, o sofrimento transforma em alegria, as trevas dão  lugar a luz!
O acontecimento mais belo que já se viu na terra, tirou das trevas a humanidade corrompida pelo o  pecado,  tornando o céu mais próximo da terra!
Agora não vivemos mais ao léu, encontramos uma direção, a  nossa vida ganhou um novo sentido, temos em quem confiar e a quem seguir, as promessas de Deus se cumpriram, Jesus Ressuscitou, pagou com o seu sangue o preço da nossa liberdade! 
Inseridos   no Mistério  Pascal, que é a vida de Jesus em nós e a nossa vida Nele, tornamos sinal  vivo da sua presença  no mundo!            
Na ressurreição de  Jesus,  está expresso o amor de Deus por cada um de nós, um amor tão grande que o levou a investir tão alto no nosso resgate, permitindo  que seu Filho morresse  para nos devolver a vida!
A ressurreição de Jesus, retira as vendas dos nossos olhos, nos faz  enxergar  as maravilhas que antes não víamos,  por estarmos focados no nosso  sofrimento, sofrimento, que muitas vezes alimentamos dentro de nós, como justificava para o nosso comodismo.
É no encontro com o Cristo Ressuscitado, que nós também  ressuscitamos, que saímos   do sofrimento, para vivermos as alegrias de um novo dia! A Luz do  Cristo ressuscitado,  coloca  brilho no nosso olhar,  transforma nossas  noites escuras em dias claros.
 A todo instante, somos chamados a fazer  a experiência do  Cristo ressuscitado, uma experiência pessoal e também comunitária!
A ressurreição, nos leva a viver e a  comunicar vida, o coração humano, quando se deixa  tocar pelo amor Divino, abraça a vida em toda sua dimensão, torna fonte de luz no mundo a tirar da escuridão muitos corações sombrios! 
 É através da relação humano com humano, que a vida Divina entra  em nós, possibilitando-nos, viver  a nossa humanidade de forma Divina! É partilhando a vida, que vamos nos envolvendo  no Mistério Pascal, levando vida onde predomina a “morte”.
 Muito mais do que compreendermos o que é a Páscoa, é celebrá-la, é sermos Pascais, é viver como o ressuscitado, alimentando  dentro de nós, o amor do Pai explícito nas ações do Filho!
Viver a Páscoa, não significa  somente crer no Deus que em Cristo nos redimiu  e nos ressuscitará, mas se trata em saber quem é Cristo para nós, qual é o lugar que Ele ocupa em nossa vida, somente assim,  seremos Pascais  e viveremos  verdadeiramente as alegrias da ressurreição.
A alegria, é a marca de quem vive a ressurreição de Jesus, é o sinal de sua adesão à Cristo! Quem se deixa iluminar pela Luz do Cristo Ressuscitado, irradia alegria por onde passa uma alegria duradora, consistente,  que independe das circunstancia em que se  vive!
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, apresenta-nos a  primeira evidencia da ressurreição de Jesus: o túmulo vazio! Maria Madalena foi a primeira pessoa  a fazer esta constatação,  mas por estar  mergulhada no sofrimento causado  pela ausência do seu Mestre e Senhor, ela não consegue assimilar o túmulo vazio com a ressurreição Jesus! Sua primeira reação foi de desolação, ela foi visitar um morto e encontrou  o túmulo vazio! Correndo,  ela vai ao encontro de Simão  Pedro e do discípulo que Jesus amava (João) ao encontra-los ela diz: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram.” Os dois vão  correndo para o sepulcro, e lá chegando, Pedro constata: “De fato, Jesus não está aqui!” E João, ainda do lado de fora, acredita: “ Ele ressuscitou!”
Maria Madalena foi a primeira pessoa a encontrar o túmulo vazio, mas foi num outro momento, que  ela fez a experiência do encontro com o Ressuscitado, foi ela, a primeira discípula a ter este encontro com o Cristo Ressuscitado!
 Assim como Maria Madalena e os outros dois discípulos que correram até o sepulcro onde puderam constatar o túmulo vazio,  também nós, deveríamos ter pressa para   levar ao outro, esta Boa Notícia:  Jesus Cristo ressuscitou, Ele está no meio de nós!
A liturgia  deste domingo,  fala fundo ao nosso coração,  faz  ressoar nos  nossos ouvidos a saudação dos primeiros cristãos  que diziam  alegremente: ” Cristo ressuscitou Aleluia! Saudação esta , que nós  devemos  responder com a mesma alegria: Sim, verdadeiramente Jesus  Cristo ressuscitou Ele vive entre nós!
O  melhor meio de anunciar a Ressurreição de Jesus, é dar testemunho de fé, no serviço ao outro, como fez Jesus na última ceia, lavando os pés dos Apóstolos, numa atitude de humildade e de serviço.

DESEJO A TODOS  UMA FELIZ PÁSCOA!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho


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A Páscoa como o novo êxodo
A festa da Páscoa representa o centro de nossa fé. Muitos líderes e poderosos viveram e morreram, mas somente o túmulo de Jesus se encontra vazio. Na libertação de Jesus, somos todos libertados. A morte, que era poderosa, tornou-se frágil. A maior e mais terrível força já existente, que ameaçava a integridade e dignidade do ser humano, foi vencida de uma vez por todas pela ressurreição de Jesus.
1ª leitura: At. 10,34a.37-43
Na primeira leitura encontramos o discurso que Pedro pronunciou na casa do centurião Cornélio. Nesse discurso, é sublinhada com insistência a parte que Deus tomou nos acontecimentos fundadores da Igreja: “Deus ungiu a Jesus com a força do Espírito Santo, Deus estava com ele, Deus o ressuscitou ao terceiro dia e nos fez vê-lo, Deus o nomeou como juiz de vivos e de mortos”. O anúncio de Pedro é que o acesso à Igreja, um caminho de libertação, foi aberto por Deus a todos os homens e a todas as mulheres, tendo como única condição a conversão do coração.
Estamos diante de uma incrível dupla conversão. Tanto Pedro quanto Cornélio passam por um processo de transformação. Fronteiras e preconceitos devem ser vencidos e, para isso, a presença do Espírito Santo é essencial. O encontro de Pedro com Cornélio será de fundamental importância para entendermos como, à luz do amor de Cristo, podemos ser mais tolerantes uns para com os outros, apesar de nossas diferenças. Em Jesus já não há razão para pensarmos em impurezas. Não há cidadão de segunda classe e, por conta disso, uma revolução social tem início. Numa sociedade onde os melhores são diferenciados dos piores, os maiores diferenciados dos menores, Jesus demonstra que o humano é muito mais importante do que a possibilidade de dividi-lo em puro ou impuro.
2ª leitura: Cl. 3,1-4
A ressurreição de Jesus representa a nossa própria ressurreição. E a ressurreição traz novo estilo de vida, definido como a busca das coisas do alto. Todavia, não se trata de trocar as coisas da terra pelas do alto nem de viver como se fôssemos alienados. O mundo em que vivemos foi criado por Deus, ele mesmo invadiu a história quando libertou os escravos no Egito e, supremamente, quando o Verbo se fez carne, assumindo a história da humanidade como se fosse a sua própria história. Não se trata, portanto, de desprezar a realidade do mundo em que vivemos, mas saber que temos um projeto do alto para este mundo.
Evangelho: Jo 20,1-9
É Páscoa, e não podemos nos furtar de celebrar a vitória de Jesus Cristo sobre a morte. Graças a Jesus, podemos viver seguros de que também seremos ressuscitados. Nele e por causa dele nos incluímos no maior de todos os milagres da história. Mas também é possível pensar a Páscoa para muito além dessa percepção. Nela também está inserido um projeto de libertação de abrangência coletiva, e, nesse sentido, a visão e a compreensão vão um pouco mais além da promessa de abolição da morte individual. A festa da Páscoa representa o centro de nossa fé. A alegria foi devolvida a todos aqueles que pareciam viver em grande frustração sem fim. A partir desse momento, a pregação dos apóstolos estará sempre centrada no Cristo ressuscitado como o primogênito dentre os mortos. Ele é o primeiro dentre muitos!
Podemos fazer memória do êxodo dos hebreus sob a liderança de Moisés como uma marcha libertadora de ordem espiritual, social e política. Todos os anos a Páscoa judaica comemorava aquela passagem da escravidão para a liberdade. A Páscoa significava um grito de liberdade contra todas as formas de violência e de opressão, tanto no passado quanto no presente. E à frente desse processo de libertação estava o próprio Javé. Um Deus que havia se revelado desde o reverso da história a partir das contradições da vida de um grupo de escravos.
A Páscoa cristã é um novo êxodo. Uma nova passagem, na qual Deus deseja fazer com que as pessoas saiam do país da servidão e caminhem em direção à liberdade. Longe das idolatrias que podem impedir o caminhar, deverá prevalecer o mandamento do amor. A libertação pascal acontece a partir do momento em que o discípulo missionário de Jesus sai de sua prisão pessoal e caminha em direção a Deus e a seus irmãos e irmãs, a fim de amá-los. A paixão e a morte de Jesus significam que é Deus, e não a força humana, que nos liberta de nossos limites e impossibilidades. Dessa forma, a interpretação do mistério pascal através desses óculos nos permite pensar em iniciativas de libertação de todos os oprimidos social, econômica, ideológica ou culturalmente. Os cristãos, ao vivenciar o programa de libertação presente na Páscoa, passam a colaborar com todos os que recusam o triunfo do ódio.
Por ser puro dom de Deus, a ressurreição preserva o ideal da libertação de todas as armadilhas que tentam prejudicar o ser humano. Nesse sentido, é possível e necessário compreender a ressurreição como uma realidade holística, ou seja, uma realidade que, produzida por Deus, busca a libertação integral do ser humano.
Uma cena com características curiosas: por correr mais depressa do que Pedro, um “outro discípulo” chegou antes ao sepulcro. Esse discípulo “que queria ver Jesus” viu e creu, conforme o evangelista. Todo o Evangelho de João reconhece a esse amigo de Jesus certa preeminência sobre Simão Pedro. Na manhã da Páscoa, é exatamente ele que tem a esplêndida intuição da fé no Ressuscitado. Uma fé libertadora, que se apresenta também como um presente do Deus vivo. Com a notícia do túmulo vazio, Pedro e o outro discípulo saem em desabalada carreira. Quem ama sai correndo em direção ao amado. Ao chegar ao túmulo e vê-lo vazio, o discípulo sem nome espera a chegada de Pedro. Ele não se considera superior a Pedro. É paciente e espera. Mas podemos muito bem compreender que somente aquele que mais ama consegue ver coisas que os outros não veem. Através dos olhos desse discípulo podemos ver que Jesus está vivo.
No primeiro dia da semana, conforme o texto bíblico, surge a nova criação que emerge da morte e ressurreição de Jesus. Foi num domingo que ele nos recriou, a partir de sua ressurreição. Muito possivelmente Maria Madalena representa a comunidade que está sem a perspectiva da fé e, por isso, não consegue assimilar a morte de Jesus. Como poderia ter morrido aquele em quem depositávamos toda a nossa fé? Ao olhar para o túmulo, ela pensava que ali Deus havia atingido seu limite. Um lugar que ficaria permanentemente marcado no imaginário do povo como o local do fracasso de Deus. Todavia, ela busca algo para preencher o vazio de seu coração. Ela anseia por vida, dignidade e amor.
A fé sempre exige de nós algo mais. Todos podemos ver as mesmas coisas, mas somente aquele que olha com fé poderá transcender-se a partir do olhar. O discípulo amado viu exatamente as mesmas coisas vistas por Pedro. Pode-se dizer que a qualidade do olhar fez toda a diferença. Mesmo que tudo possa indicar o contrário, aquele que olha com fé continua a caminhar; vê além dos horizontes e, mesmo que seja inverno, consegue antecipar a primavera.
Pistas para reflexão
– Pedro e Cornélio muitas vezes revivem em nossos comportamentos. Reiteradamente nos apresentamos como intolerantes e com o desejo de separar as pessoas. Somos preconceituosos em relação a tudo o que é diferente do que pensamos ou imaginamos e por conta disso, em vez de nos aproximarmos das pessoas, acabamos por nos afastar. Como evangelizar nesse caso?
– A Páscoa sempre deve ser vivenciada como novo êxodo. Porém, quais caminhos agora seguir? De que libertações precisamos? A experiência da Páscoa é mobilizadora, porque nos leva a caminhar. Jamais poderíamos vivenciar a Páscoa sem o sentimento de estarmos a caminho ou, até mesmo, de fazermos novo caminho em direção a uma sociedade onde caibam todos – uma sociedade de libertados que provoca a libertação.
Luiz Alexandre Solano Rossi




Os sinais da ressurreição de cristo
Nas Sagradas Escrituras, um sinal não é simplesmente um evento milagroso, mas algo que aponta para uma realidade de significado mais amplo. Por analogia, é como um sinal de trânsito, que serve para orientar os viajantes na estrada, de sorte que ninguém erre o caminho ou corra risco de acidentes. Um sinal na estrada faz-nos chegar a nosso destino sem incorrer em nenhum dano. Nos textos bíblicos, os sinais indicam que Deus está realizando algo que não é percebido por quem não fez a experiência de fé e amor. Os sinais não servem como provas ou argumentos lógicos para convencer ninguém, porque somente podem ser percebidos por quem faz a experiência de fé e amor. É esta que indica que um acontecimento comum é sinal da ação de Deus.
1. Evangelho (Jo 20,1-9)
O túmulo vazio
O trecho divide-se em duas cenas no cenário do sepulcro: a visita de Maria Madalena (vv. 1-2) e a visita dos discípulos (3-9).
Na manhã do primeiro dia da semana, antes da alvorada, Maria Madalena vai ao sepulcro, vê a pedra removida e volta correndo para avisar aos discípulos. Ela não entra, mas suspeita que o corpo do Senhor tenha sido roubado.
Diligentemente, os dois discípulos correm ao sepulcro. Ambos saem juntos, mas é o outro discípulo que chega primeiro e se inclina para ver as faixas mortuárias. Ele não entra; espera que Pedro seja o primeiro a entrar e o segue para o interior do sepulcro. O discípulo vê e crê. O Evangelho de João atribui ao discípulo amado a fé na ressurreição de Jesus pela primeira vez.
Observe-se que a forma de ver de Pedro é diferente da do outro discípulo. Pedro vê, mas não crê, ainda que seu ver denote disposição para tal. Ao passo que o “ver” do outro discípulo acompanha a fé, indica a compreensão exata e a verdadeira tomada de consciência. Esse ver é propiciado pelo amor. Somente o amor possibilita ver, nos sinais da ausência do corpo, a presença do Ressuscitado. Por isso o discípulo crê de imediato.
O crer, em João, tem o sentido de compreensão do mistério, que é a ressurreição de Jesus, cujos sinais para serem compreendidos exigem adesão da fé. Aqui os sinais são o túmulo vazio e as faixas deixadas não de qualquer jeito, mas dobradas.
O evangelho quer ressaltar a prontidão do discípulo para discernir os vestígios do Senhor ressuscitado. No entanto, o final do texto nos apresenta algo importante. No processo de compreensão da fé no Ressuscitado está presente a Escritura, na qual se atesta a ressurreição. Somente compreendendo a Escritura é que se poderá chegar ao verdadeiro crer, sem a necessidade do ver. Eles tiveram de ver para crer. Mas o evangelho quer transmitir para sua comunidade que, se tivessem entendido as Escrituras, não necessitariam do ver.
O evangelho afirma que o itinerário da fé se baseia nas Escrituras e no testemunho dos apóstolos. Mas é, em última análise, o amor que conduz o discípulo pelo itinerário da fé.
1ª leitura (At. 10,34a.37-43)
Deus purificou os gentios
Esse relato trata da primeira vez em que Pedro se dirigiu a ouvintes não judeus. O texto faz um resumo da vida de Jesus (v. 37-41), a quem Deus constituiu juiz dos vivos e dos mortos (v. 42), e do testemunho dado pelos profetas a respeito de tudo isso (v. 43).
Aos judeus foi destinada, em primeiro lugar, a mensagem do evangelho (v. 36). Mas agora o anúncio do Reino é endereçado a todas as pessoas. Quando Pedro reconhece que Deus não faz acepção de pessoas, isso não quer dizer que antes pensasse o contrário, pois tal noção está escrita em Dt 10,17. O que se está afirmando é que, até então, Pedro pensava, como os demais judeus, que os gentios tinham de sujeitar-se à circuncisão e a outros ritos da Lei de Moisés para somente depois terem acesso às bênçãos messiânicas. Para todo judeu, os gentios, por mais simpatizantes que fossem do judaísmo, eram sempre considerados impuros em relação ao aspecto do culto.
Agora Pedro admite que Deus purificou os gentios e que os apóstolos, testemunhas da ressurreição, receberam o encargo missionário de anunciar a boa-nova a todos os povos.
2ª leitura (Cl. 3,1-4)
A vida cristã
Nós ressuscitamos com Cristo, afirma o primeiro versículo desse texto. Primeiramente, a ressurreição é tratada como realidade que começa já neste mundo, no tempo presente. Posteriormente é que se destacará a ressurreição como acontecimento do fim dos tempos.
Quem faz a experiência da ressurreição deve mudar a conduta de vida e também os conceitos intelectuais. “Cuidai das coisas do alto, não do que é da terra”, afirma o v. 2. Não se trata de uma orientação para que a Igreja seja “alienada”. Quer dizer que nossa vida é regida pela vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, em contraste com o dispêndio de energias em valores contrários ao reino de Deus. Significa que a Igreja deve ter as aspirações determinantes de suas ações embasadas nos ensinamentos e na vontade daquele que agora está entronizado à direita de Deus.
Do contrário, quando a Igreja valoriza demasiadamente certos aspectos pouco relevantes para o seguimento de Jesus, encontra-se buscando as coisas da terra. Quem morreu para o pecado recebe a vida nova, a ressurreição, algo que não é visível ao olho natural, e por isso a mudança de vida não é compreendida por quem observa tudo apenas pela ótica intelectual. Mas haverá um momento em que a vida ressuscitada será visível e palpável para todos, na segunda vinda de Cristo com poder e glória.
Pistas para reflexão
Ressaltar que os “sinais” são revelações indiretas dadas pelo Senhor, em contraste com o modo exato de comunicação realizado no nosso cotidiano. Nesse tipo de revelação, situações do dia a dia são carregadas de um excesso de significado que desperta a curiosidade das pessoas. Os “de fora” da comunidade percebem “algo mais” quando observam o estilo de vida cristã. É nesse sentido que a Igreja é luz, sal e fermento para o mundo. Resta saber se, olhando para nossas vidas, “os de fora” conseguem receber a revelação de Deus.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj




A verdade da ressurreição mexe com a nossa vida, como aconteceu com as primeiras testemunhas. Tudo adquire um sentido novo.
A alegria invade o nosso ser. A esperança se renova, baseada na certeza da vida em plenitude, dom de Deus! A fé na ressurreição imprime novo dinamismo na nossa caminhada terrena.
A atitude de Maria Madalena nos inspira a partilhar as descobertas que prenunciam uma boa notícia. A sua atitude, bem como a de Pedro e a do discípulo amado, reflete as reações dos participantes das comunidades cristãs diante do fato da ressurreição (Evangelho). Ao participar da comunidade de fé, experimentamos que Jesus está vivo. A ressurreição de Jesus é um fato histórico, com testemunhas oculares; faz parte essencial do credo cristão, conforme percebemos na catequese de Pedro junto à comunidade cristã reunida na casa de Cornélio, um centurião romano. A fé na ressurreição derruba barreiras que separam os povos e provoca novas relações baseadas no amor fraterno (I leitura). Ela nos faz viver de um novo modo, já não voltados para interesses egoístas, mas para “as coisas do alto” (2ª leitura). A celebração da Páscoa do Senhor Jesus é oportunidade de nos deixarmos invadir pelo amor misericordioso de Deus e seguir a Jesus com entusiasmo.
Evangelho (Jo 20,1-9)
O dia da nova criação
O primeiro dia da semana indica um novo tempo. Tem ligação com o início da criação do mundo. A morte de Jesus significou a passagem das trevas para a luz que nunca mais se apagará.
A fé na ressurreição, porém, não se processa da mesma maneira em todas as pessoas. Algumas precisam de um tempo maior para assimilar essa verdade que tudo transforma. Maria Madalena recebe especial distinção: ainda no escuro, dirige-se ousadamente ao túmulo de Jesus. Apesar de ver a pedra removida, não consegue ainda perceber a luz do sol (Jesus que ressuscitou) anunciando uma nova aurora. Perplexa, corre ao encontro de Simão Pedro e do discípulo que Jesus amava para dizer-lhes de sua preocupação com o que havia constatado. O seu anúncio provoca a movimentação dos dois discípulos na busca do verdadeiro sentido dos últimos acontecimentos.
Maria Madalena, nesse relato de João, é representativa da comunidade que não aceita permanecer acomodada. Busca ansiosamente a explicação do que realmente aconteceu naquele “primeiro dia da semana”. É atitude muito positiva, pois “quem busca encontra e quem procura acha”. Por isso, ela é especialmente valorizada.
Jesus deixa-se encontrar. Impulsionada pelo amor, caminha na direção do Amado. O maravilhoso encontro de Maria Madalena com Jesus ressuscitado se dá logo a seguir (20,11-18).
A comunidade cristã primitiva reconhecia-se no jeito de ser de Maria Madalena, de Pedro e do discípulo amado. Havia pessoas que ainda permaneciam nas “trevas” da morte de Jesus; sentiam-se desamparadas e desorientadas. Havia as que não conseguiam acolher a verdade da ressurreição de Jesus. Diziam que seu corpo fora retirado por alguém e que se inventou a notícia de que ele havia ressuscitado. É o que se percebe na expressão de Maria Madalena: “Retiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Essas pessoas ainda estão no emaranhado de dúvidas, porém, pouco a pouco, receberão a graça de reconhecer a ressurreição de Jesus como um acontecimento verdadeiro e não como uma lenda.
Pedro e o discípulo que Jesus amava, ao ouvirem a notícia de Maria Madalena, correm para o local onde Jesus fora enterrado. Partem juntos, mas Pedro corre menos. É intenção dos autores do Evangelho de João demonstrar a dificuldade de Pedro em entender e aceitar o verdadeiro significado da morte de Jesus. Talvez esteja ainda amarrado à sua vergonha de ter negado o Mestre e de tê-lo abandonado na hora decisiva. Pedro, porém, segue o discípulo que Jesus amava e, à tarde desse mesmo dia, fará a experiência maravilhosa de encontrar-se com o Ressuscitado junto com outros discípulos (20,19-23). Também na comunidade cristã havia pessoas que manifestavam resistência a aderir a Jesus morto e ressuscitado com convicção de fé.
Lentamente, porém, com a ajuda dos “discípulos amados”, chegaram a trilhar o caminho do seguimento de Jesus, a ponto de dar a vida por ele, como aconteceu com o próprio Pedro.
O “discípulo que Jesus amava” chega mais depressa ao túmulo. Esse discípulo é aquele que, junto com algumas mulheres, acompanhou Jesus até a cruz (19,25-27) Testemunhou sua morte e lhe foi solidário. Agora também mostra solidariedade para com Pedro, que chega depois.
Dá-lhe preferência para entrar no túmulo. Reconhece sua autoridade. Ao entrar, Pedro vê as faixas de linho e o sudário. O texto não diz que ele acreditou, apenas “viu”. Porém, do discípulo amado, diz que ele “viu e acreditou”. Os mesmos sinais são interpretados de forma diferente. Para quem ama a Jesus e se sente amado, nada o impede de crer na vitória da vida sobre a morte.
Os discípulos voltam para casa. É na casa que as comunidades primitivas se reúnem para ler e compreender a Sagrada Escritura, fazer a memória de Jesus, partilhar a experiência de fé e crescer no amor fraterno. É na casa onde se derrubam as barreiras separatistas e se exercita a acolhida respeitosa da alteridade. A Igreja nas casas vai constituir o espaço sagrado por excelência onde Jesus ressuscitado manifesta sua presença, se dá em alimento e convoca seus discípulos à missão.
1ª leitura (At. 10,34a.37-43)
O querigma cristão
O capítulo 10 de Atos dos Apóstolos constitui uma página de especial importância. Lucas (o mesmo autor do evangelho) revela uma de suas intenções fundamentais: a salvação trazida por Jesus Cristo é para todos os povos.
Pedro, depois de um processo de relutância e discernimento, aceita o convite para entrar na casa de um pagão, centurião romano, chamado Cornélio. É a porta de entrada para o mundo dos gentios, missão que será assumida integralmente por Paulo.
É significativo o fato de ser Pedro aquele que primeiro rompe a barreira do judaísmo exclusivo para dialogar com os estrangeiros. É recebido por Cornélio com muita reverência. Lucas enfatiza a autoridade de Pedro, representante dos apóstolos. Quer fortalecer a fidelidade à tradição apostólica. A atitude de Pedro na casa de um romano legitima a abertura para todos os povos.
Jesus é o Salvador universal.
Cornélio revela-se extremamente receptivo à pessoa e à mensagem de Pedro. De fato, a resistência ao anúncio do evangelho é perceptível muito mais entre os judeus do que entre os gentios. O próprio Pedro manifesta dificuldade em desvencilhar-se do exclusivismo judaico e da lei de pureza. Converte-se à medida que se insere no lugar social dos estrangeiros, a ponto de comer com eles. É na casa de Cornélio que ele se abre verdadeiramente para o plano divino de salvação universal: “Dou-me conta de verdade que Deus não faz acepção de pessoas, mas que, em qualquer nação, quem o teme e pratica a justiça lhe é agradável” (10,34-35). O critério de pertença ao povo de Deus já não é a raça ou o cumprimento da Lei, e sim a prática da justiça.
Por esse caminho, dá-se a inclusão de todos os povos, sob a ação do Espírito Santo. As comunidades cristãs primitivas concretizaram esse ideal.
Formadas por pessoas de culturas diferentes, reuniam-se nas casas, ao redor da mesma mesa e unidas na mesma fé.
O discurso de Pedro constitui um resumo da catequese primitiva. É a síntese do querigma apostólico. Apresenta Jesus de Nazaré, desde o seu batismo, passando pela sua missão de resgate da vida e dignidade de todas as pessoas, pela sua morte de cruz, culminando com a sua ressurreição.
O anúncio de Pedro é fundamentado em seu próprio testemunho e no de várias outras pessoas: “Nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez” (v. 39); “Nós comemos e bebemos com ele, após sua ressurreição dentre os mortos” (v. 39). O discurso termina com a confissão de fé em Jesus como juiz dos vivos e dos mortos, constituído por Deus e anunciado pelos profetas.
E finalmente: “Todo aquele que nele acreditar receberá a remissão dos pecados” (v. 43).
2ª leitura (Cl. 3,1-4)
Cristo é a nossa vida!
A comunidade cristã da cidade de Colossas, na Ásia Menor, manifestava certo distanciamento das verdades fundamentais da fé. Influenciadas por tendências da época (por exemplo, a importância dada às forças cósmicas, depositando nelas toda a confiança), havia pessoas que observavam práticas religiosas, dietas e exercícios de ascese (2,16-23) levadas por “vãs e enganosas filosofias”. Havia também pessoas levadas pela “fornicação, impureza, paixão, desejos maus e a cobiça de possuir” (v. 5). O autor da carta preocupa-se com essa situação e, por isso, escreve aos colossenses no intuito de orientá-los para uma vida coerente com a fé em Jesus Cristo, único mediador entre Deus e as criaturas.
Nessa pequena leitura deste domingo de Páscoa, encontramos quatro pontos do querigma cristão que fundamentam a fé das primeiras comunidades: a morte de Jesus, sua ressurreição, sua exaltação à direita de Deus e sua volta.
Cada um desses pontos é indicativo de atitudes que caracterizam o novo modo de viver dos cristãos.
A fé na morte de Jesus Cristo implica a morte de nossos maus comportamentos. Para os cristãos colossenses, implicava morrer para as práticas religiosas que contradiziam a fé cristã; implicava passar de uma mentalidade idolátrica para o mergulho na vida divina, seguindo a Jesus Cristo: “Vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”.
A fé na ressurreição e na ascensão de Jesus Cristo implica discernir o que realmente edifica o ser humano em comunidade: “Se, pois, ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto...”.
Quem permanece com o pensamento e o coração mergulhados em Deus vive dignamente.
A fé na volta de Jesus nos motiva a viver na esperança militante, com a certeza de estarmos com ele: “Quando Cristo, que é vossa vida, se manifestar, então vós também com ele sereis manifestados em glória”.
Pistas para reflexão
– Jesus ressuscitou: a vida já não é a mesma. Maria Madalena se distingue pela sua coragem.
Ela vai ao túmulo, mesmo no escuro. Seu amor a Jesus não permite que permaneça afastada. Procura entender o sentido da morte de Jesus. Não é acomodada nem derrotista. Vai ao encontro dos discípulos e lhes anuncia uma notícia inquietante: o túmulo está vazio. A sua ousadia na busca da verdade a levará ao encontro com Jesus ressuscitado.
Pedro, apesar de sua boa vontade em seguir a Jesus, ainda permanece na dúvida. O discípulo que Jesus amava é o mais rápido para “ver e crer”. Não precisou ver Jesus com os olhos da carne. Quem ama e se deixa amar por Jesus caminha na certeza de que ele está vivo.
– A fé na ressurreição derruba barreiras. O encontro de Pedro com Cornélio corresponde à atitude das pessoas que amam a Deus acima dos preconceitos humanos. A fé em Jesus Cristo como salvador do mundo derruba as barreiras de raças e de tradições culturais e religiosas que dividem as pessoas. Nada pode impedir o diálogo, a reconciliação, o respeito mútuo e a vivência do amor fraterno. O espaço privilegiado para essa vivência é a casa. O que aconteceu na casa de Cornélio nos anima a fortalecer o modelo da Igreja como comunidades eclesiais de base; também nos incentiva ao compromisso com o ecumenismo e com o diálogo inter-religioso.
– A vida mergulhada em Jesus Cristo. Como aconteceu entre os cristãos colossenses, também hoje corremos o perigo de nos deixar arrastar por ideologias que contradizem o Evangelho. É importante cultivarmos a prática do discernimento para assumirmos os valores que nos conservam na vontade de Deus e edificam a nossa vida. Professar a fé em Jesus Cristo implica viver dignamente, bem como respeitar a dignidade das demais pessoas e da natureza.
padre Celso Loraschi






A manhã luminosa da Páscoa
O primeiro dia de um novo mundo
A princípio não foi tão luminosa assim… Depois, quando os olhos dos discípulos se abriram pela luz e para a luz da fé, as coisas mudaram. Esse primeiro dia da semana ficará para sempre na memória dos discípulos de Jesus. Maria Madalena não esperou o dia nascer, foi ao túmulo de seu amado muito cedo, de madrugada, quando as trevas ainda não tinham sido espancadas. A pedra que cobria a entrada do sepulcro fora afastada. E sai correndo… nada pode ser feito devagar, com lentidão, com indolência… afinal de contas se tratava do corpo daquele que havia dado sentido aos seus dias. Sai correndo para avisar a Simão Pedro e ao outro discípulo. Houve o roubo do corpo do Senhor. As coisas não podiam ficar assim. Os dois saem de casa e se dirigem ao sepulcro. O relato evangélico faz questão de dizer que os dois corriam, mas que João corria mais ligeiro do que Pedro O discípulo amado corria mais depressa… o amor faz com que as pessoas não sejam inertes, indolentes, apáticas. O amor coloca fogo no coração e agilidade nas pernas, nas mãos e em todo o corpo. E todos constatam a ausência do corpo, daquilo que os olhos podiam ou não podiam ver… Ainda não tinham entrado no universo da fé… A ressurreição de Jesus não consiste na reanimação de um cadáver, mas é um mistério de fé. “Creio na ressurreição de Jesus”. O texto evangélico diz claramente: “Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou. De fato eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos”.
Mistério de fé e de vida! Somos discípulos do Ressuscitado. Ele caminha conosco, transfigurado, com seu corpo espiritual que passa pelas portas fechadas, aquele que é o ressuscitado. Ele nos fala sempre por sua palavra viva, faz com que sentemo-nos à sua mesa, lava-nos com a água de seu peito e vive conosco. Cremos. Esta é a nossa fé. Desde o começo da vida da comunidade cristã  esta passou a se reunir no primeiro dia da semana, dia do sol, dia feito pelas mãos do Senhor. Dia em que todos entramos na estalagem de Emaús e reconhecemos o Senhor na fração do pão. Celebramos sua presença em todos os momentos, mas de modo especial nesse primeiro dia da semana.
A mensagem da Páscoa não é a do sepulcro vazio mas de uma Presença misteriosa e firme atestada desde as primeiríssimas gerações cristãs. “A pedra que os pedreiros rejeitaram se tornou a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: que maravilhas ele fez aos nossos olhos”.
“Responde, pois, Maria: no teu caminho o que havia? ‘Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado. Os anjos da cor do sol, dobrado ao chão o lençol’” (sequência da Missa da Páscoa).
Nossos olhos não podem deixar de olhar para o alto. Morremos com Cristo na sexta-feira das dores, estivemos no silêncio do grande sábado, nossa vida está escondida com Cristo em Deus” (cf. Cl. 3,1-4).




Deus estava com ele
Cessa todo luto, desaparece toda tristeza.  A fé nos garante que aquele Jesus todo aniquilado vive, ressuscitou. Deus não permitiu que ele permanecesse no mundo das trevas, da morte, da escuridão. Ele vive, é o vivo, é o ressuscitado, mora na luz, não conheceu para sempre a mansão dos mortos, mas tornou-se transparente em seu corpo espiritual, atravessando portas fechadas,  presente no pão e no vinho, sempre presente nas salas tão parecidas com aquela da estrada de  Emaús. Deus permitiu que ele se manifestasse, esse que passou o tempo todo fazendo o bem, curando os doentes, anunciando um tempo de paz. “Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou dos mortos”. A Igreja vive uma incontida alegria. E a solene liturgia não sabe que fazer para dar mais brilho aos aleluias que se duplicam, triplicam, quadriplicam... Quem dera pudéssemos ter vozes harmoniosas brotando de corações límpidos para viver esse tempo de glória e de vitória.
Os discípulos de Cristo renascem e  ressuscitam com ele. Espero que  Nicodemos tenha compreendido que o renascimento não é entrar na carne da mãe, mas  nascer da água e do espírito. Da água que saiu do peito aberto de Cristo e daquele que ele nos deu, expirando: “E entregou o espírito!”.    Não somos da terra, mas do alto. Temos que procurar as coisas do alto onde está Cristo sentado à direita do Pai. Que conforto e que alegria ouvir essas palavras de Paulo aos Colossenses: ”Aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes e vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Levantamos, corremos, trabalhamos, somos leigos cristãos, religiosos, contemplativos, balconistas, pais e mães, doentes e sadios.... vivemos nossa vida à luz da vida do ressuscitado. Não somos fadados a morrer.  Nossa vida está escondida em Cristo Jesus. Um dia essa vida escondida da páscoa do ressuscitado explodirá em nós e seremos revestidos de glória.
Cantamos nesse dia essa sequência tão esplendorosa que parece já o céu na terra: “O rei da vida, cativo, é morto, mas reina vivo! Responde, pois, ó Maria: no teu caminho o que havia?  “Vi Cristo, ressuscitado, o  túmulo  abandonado. Os anjos da cor do sol, dobrado no chão o lençol”...
Ela, essa admirável mulher chamada Maria Madalena, havia ido ao sepulcro de manhãzinha, no primeiro dia da semana...E a pedra estava retirada, e os lençóis dobrados... Ela sai correndo, correndo de verdade para avisar a Simão e aos outros, de modo especial ao discípulo que Jesus amava...  O corpo do amado tinha sido tirado do sepulcro... Correm Pedro e  João, corre Maria... todos correm, ninguém agora é lento e preguiçoso... correm lepidamente... Pedro, Maria, o discípulo que Jesus amava  viram as coisas assim: tudo vazio, roupas dobradas e João, o evangelista conclui: “Eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos”.
Festa das festas, festas da verdadeira passagem, da verdadeira páscoa. Festa o círio iluminado. Festa dos pequenas que acolhem a certeza da vitória. Aleluia, aleluia, aleluia.
frei Almir Ribeiro Guimarães




A vida venceu a morte
A ressurreição de Cristo suscita nos seus discípulos a consciência de que ele vive e não foi abandonado pelo Pai, mas confirmado na vida e confirmado também na obra que levou a termo. Hoje, Deus dá abertamente razão a Jesus.
“Deus o ressuscitou no terceiro dia e tornou-o manifesto…” (At. 10,40, 1ª leitura). Hoje congratulamos Cristo, porque Deus mostrou que ele esteve certo naquilo que fez! É o mesmo sentido que aparece no evangelho da tarde, o acontecimento de Emaús, situado na tarde daquele “primeiro dia da semana”, o domingo de Páscoa: Jesus mesmo mostra que as Escrituras prefiguravam seu caminho (Lc. 24,26). Mas agora ele vive, e, quando o pedimos, ele fica conosco (Lc. 24,29) e se dá a conhecer no “partir o pão”, a celebração da comunidade cristã (Lc. 24,30).
O evangelho da manhã é outro: a corrida de Pedro e do misterioso “discípulo amado” ao sepulcro. Pedro tem a precedência, embora o outro (impulsionado pelo amor) tenha corrido mais rápido. Pedro entra primeiro, e vê. O outro vem depois: vê e crê! O amor é que faz reconhecer nos sinais da ausência (as faixas, o sudário) a presença, transformada e gloriosa, do Cristo. “Crê”, só agora, porque até então não tinha entendido as Escrituras que significam a ressurreição de Cristo dos mortos.
Com este último pensamento, nos aproximamos novamente do evangelho da tarde: a ressurreição de Cristo significa o entendimento das Escrituras. Os discípulos descobrem nas Escrituras o delicado fio – que muitos não enxergam – do engajamento da vida como realização da vontade do Pai, da missão messiânica e do Reino de Deus. À luz do Cristo ressuscitado, descobrem a estratégia central de Deus na Escritura; e à luz da Escritura, descobrem que Jesus é o Servo rejeitado, mas exaltado, de Is. 53, o Messias e Filho de Deus (cf. Jo 20,30 ss.).
Atentemos para os acontecimentos pascais na liturgia: a visita das mulheres ao sepulcro na madrugada, em seguida a visita de Pedro e o Discípulo Amado (Páscoa, manhã); o episódio de Emaús (Páscoa, tarde); o episódio de Tomé (oito dias depois) (2° domingo pascal); e assim em diante até a Ascensão e Pentecostes. E sempre o propósito de seguir Jesus passo por passo, iniciado no domingo de Ramos, “seis dias antes da Páscoa”.
Consideremos os detalhes característicos do relato evangélico de João: o amor que faz correr mais rápido, o amor que faz crer ao ver (Jo 20,9). E, no evangelho da tarde, o desenvolvimento dramático, desde a decepção dos discípulos, passando pela generosa oferta: “Fica conosco, pois está anoitecendo”, até a confissão: “Não ardia o nosso coração…? e a mensagem triunfal dos onze apóstolos: “O Senhor foi ressuscitado de verdade!” (Lc. 24,34).
As orações aplicam o tema pascal à existência cristã, como faz também a 2ª leitura: “Se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas do alto” (Cl. 3,1). “Eliminar o velho fermento” (1Cor. 5,7), costume pascal de Israel, significa a renovação de nossa vida (cf. oração do dia; oração final). Abre-se também a perspectiva escatológica, manifestação gloriosa de nossa vida, que agora está escondida no Cristo glorioso (Cl. 3,3) (cf. oração final).
O salmo responsorial é, naturalmente, o salmo pascal 118 [l17]. E não se esqueça de cantar, antes da aclamação ao evangelho, a seqüência Victimae Paschali Laudes. Para nós, na América Latina, Páscoa tem um intenso sentido de libertação. “A vida venceu a morte”, canta a seqüência. O domínio das forças da morte é apenas aparente. A ressurreição de Cristo mostra que a Vida que nele se manifesta é mais forte. A comunidade que se une para viver, com o Ressuscitado, a Vida que ele nos mostrou se sabe no caminho certo.
Johan Konings "Liturgia dominical"




Temos o dia da ressurreição de Jesus como “o primeiro dia da semana”, o domingo, lembrando a primeira ou nova criação. Para os cristãos o domingo se tornou o primeiro de todos os dias, o Dia do Senhor.
Foi no domingo que Maria Madalena foi ao túmulo para embalsamar o corpo de Jesus, fato que não aconteceu logo após Sua morte, por ter sido tirado às pressas da cruz para ser levado ao sepulcro antes que se iniciasse o sábado dos judeus.
Maria Madalena representa a comunidade sem a perspectiva da fé, incapaz de assimilar a morte e acreditar na ressurreição de Jesus. Ela vê a pedra do sepulcro removida e acredita que esteja vazio. Não entra para certificar-se da ausência de Jesus, reage como se O tivessem levado para outro lugar, e corre ao encontro de Pedro e João para contar-lhes o fato. Ela é a primeira testemunha e mensageira da ressurreição de Cristo aos apóstolos.
A presença das santas mulheres na vida de Jesus foi muito marcante. O zelo, o cuidado, a acolhida e o respeito delas para com Ele são um prenúncio da importante atuação das mulheres nas comunidades cristãs. E Maria Madalena foi uma das seguidoras de Jesus, curada por Ele.
Pedro e João ao saberem do ocorrido vão com pressa e esperança ao local para certificarem-se. João, mais jovem, vai à frente, mas não entra, espera Pedro chegar e entrar primeiro no sepulcro. Esta atitude de João demonstra que a fé de Pedro ocupa um lugar privilegiado entre os discípulos, e um gesto de amor que repete o de Jesus.
Eles vêem no chão as faixas do sepultamento e o pano que envolvia a cabeça de Jesus. Se tratasse de roubo, quem se preocuparia em tirar os panos do corpo e dobrá-los com tanto cuidado?
João escreveu no Evangelho que após ver os linhos dobrados, “Ele viu e creu”, falando de si mesmo. Ele viu apenas o mínimo, mas acreditou na ressurreição de Jesus.
Este é o primeiro ato de fé em Jesus ressuscitado.
Deus usa sinais simples para iluminar os discípulos que estão atentos para acreditar, ouvir, aprender e praticar os ensinamentos que Jesus deixara.





Ressurreição do Senhor
Domingo é o dia do Senhor, o mais importante da semana do cristão, pois é o dia em que ele vai à casa do Pai para se encontrar com o seu Senhor. É o dia da ressurreição de Jesus que está vivo no meio de todos os que crêem.
E, foi neste dia, no terceiro depois da morte de Jesus, que Maria Madalena, mulher símbolo da comunidade convertida, foi até o lugar onde Ele estava sepultado para limpar o Seu corpo. Essa higienização era comum acontecer antes do sepultamento, porém, não foi possível pelo fato de Jesus ter morrido e ter sido sepultado às pressas na sexta-feira à tarde. Aos sábados os judeus não podem trabalhar.
Quando Maria Madalena chegou ao tumulo, encontrou o lugar aberto sem Jesus presente. Diante desta cena ela pensa que haviam roubado o corpo de Jesus, mas o fato mostra que não houve violação do sepulcro e nem roubo do cadáver, porque os ladrões não teriam se preocupado em dobrar o sudário (nome que se dá ao tecido que envolve o cadáver).
Maria Madalena representa a comunidade sem a perspectiva de fé, incapaz de assimilar a morte de Jesus, mas que mesmo assim, vai até Seu túmulo, sintetizando a busca dos cristãos pela vida e pelo amor. Ela ficou assustada porque não tinha entendido a mensagem que Jesus havia deixado durante a Sua vida, sobre a Sua morte e ressurreição, e foi correndo contar a Pedro o que tinha visto.
Os discípulos estavam descrentes, sem entender o que havia acontecido e, o fato de Maria Madalena encontrar Pedro e João sozinhos, mostra como os cristãos haviam se dispersado após a morte de Jesus.
Nesta passagem, pode-se verificar como João teve fé na ressurreição no momento em que não viu o corpo de Jesus no sepulcro. A ressurreição do Senhor era algo inusitado e, neste momento, só o discípulo que ama é capaz de descobrir e torná-la objeto de sua fé: Jesus não estava preso à morte. Ele estava vivo!
Tanto Pedro como João vêem os mesmos sinais, porém, aquele que ama é quem chega primeiro à descoberta do que é a verdade, porque o amor é mais forte do que a morte.
Pequeninos do Senhor





Nas tradições das primeiras comunidades circulavam dois tipos de textos sobre a ressurreição: uns relativos à constatação do túmulo vazio e outros relacionados às aparições do ressuscitado. Em Marcos encontramos apenas a tradição do túmulo vazio (as aparições [16,9-20] são acréscimos tardios). Os demais evangelistas combinam-se ao coletar textos extraídos das duas tradições. No texto de hoje, do Evangelho de João, temos a narrativa do encontro do túmulo vazio. Em continuação, o Evangelho apresentará as narrativas de aparições. A tradição do túmulo vazio suscita a fé no ressuscitado sem vê-lo. Maria Madalena chega ao túmulo. Vê a pedra que o fechava removida e acha que roubaram o corpo. Ela o comunica a Pedro e ao discípulo que Jesus amava (talvez João). Este discípulo é mais ágil do que Pedro ao dirigir-se ao túmulo; porém, em consideração a ele, deixa que entre primeiro. O pano que tinha coberto a cabeça de Jesus estava enrolado num lugar à parte. O discípulo que Jesus amava viu e creu na presença viva de Jesus. Até então não tinham compreendido que ele ressuscitaria. Contudo, os sinais do túmulo vazio são suficientes para o discípulo amado crer que Jesus continuava vivo. Em Atos, Lucas narra o anúncio de Pedro (primeira leitura): a partir do batismo de João, iniciou-se o ministério libertador de Jesus, por toda parte, até sua morte na cruz. Porém, ressuscitado, continua presente entre os discípulos. É o mesmo Jesus de Nazaré, Filho de Deus encarnado, que a todos comunicou eternidade e vida divina. As primeiras comunidades tinham consciência de que, pelo batismo, já viviam como ressuscitadas, isto é, em união com Jesus em sua eternidade e divindade (cf. segunda leitura; tb. Rm. 6,1-4). Comprometer-se, hoje, com o projeto vivificante de Jesus, na justiça, no amor, na partilha, é viver a ressurreição, em comunhão com o Deus eterno.



O sepulcro vazio
Os discípulos começaram a se dar conta da ressurreição do Senhor, ao se depararem com o sepulcro vazio. Maria Madalena, alarmada, pensou que o corpo de Jesus tivesse sido retirado, à surdina, e colocado num outro lugar. Pedro, tendo acorrido para se inteirar dos fatos, apenas constatou onde estavam o lençol e os demais panos com que Jesus havia sido envolvido. O discípulo amado, este sim, começou a perceber que algo de muito extraordinário havia acontecido. Por isso, foi capaz de passar da constatação do sepulcro vazio à fé: "Ele viu e acreditou".
O sepulcro vazio, por si só, não podia servir de prova para a ressurreição do Senhor. Seria sempre possível acusar os cristãos de fraude. Poderiam ter dado sumiço ao cadáver de Jesus, e sair dizendo que ele ressuscitara. Era preciso ir além e descobrir, de fato, onde estava o corpo do Mestre.
O discípulo amado, de imediato, cultivou a esperança de encontrar-se com o Senhor. Sua fé consistiu na certeza de que o Mestre estava vivo, não no sepulcro, porque ali não era o seu lugar. Senhor da vida, não poderia ter sido derrotado pela morte. Filho amado do Pai, as forças do mal não poderiam prevalecer sobre ele. Embora sem ter chegado ao pleno conhecimento do fato, a fé na ressurreição despontava no coração do discípulo amado.
padre Jaldemir Vitório




Jesus Cristo ressuscitado é fonte de luz
A festa da Páscoa de Jesus Cristo é a mais importante de todo o ano litúrgico. É uma festa luminosa. O Senhor ressuscitado dos mortos ilumina a humanidade inteira. O relato dos discípulos de Emaús, uma das páginas mais belas de toda a Sagrada Escritura, é a narração da Páscoa dos discípulos: o Senhor ressuscitado faz os discípulos passarem da cegueira à luz, da tristeza à alegria e do isolamento à comunhão. O caminho que separa Jerusalém de Emaús é metáfora de um caminho muito mais longo, o caminho através das Escrituras, em que a lição de exegese dada por Jesus aos dois discípulos oferece condições de eles reconhecerem o Senhor no partir o pão. A morte de Jesus representou uma forte frustração para aqueles que punham nele as esperanças messiânicas e fez com que, por um instante, a comunidade dos discípulos entrasse em crise. O nosso texto visa transmitir o fato que permitiu a passagem do abatimento à alegria, do ver ao reconhecer. O espaço teológico-espiritual entre o ver e o reconhecer permitiu a Jesus a lição de exegese. No tempo do reconhecimento os discípulos confessarão que foi ela que os transformou. A explicação e compreensão da Escritura, à luz da ressurreição do Senhor, abriram-lhes os olhos para o reconhecimento. A primeira ressurreição para os discípulos é, então, a da memória. Eles compreenderam, então, que o Senhor que se apresenta vivo no meio deles, de alguma forma, estava presente em toda a Escritura, a qual, por sua vez, encontra nele sua plenitude e sentido. Quando do reconhecimento, o Senhor desapareceu da vista deles. É que a visão física não é mais necessária para “ver” o Senhor. Mesmo invisível aos olhos, o Senhor está e permanecerá presente. A invisibilidade não significa, no que diz respeito à fé, ausência. Fato, aliás, que eles nem sequer mencionam, como se a visibilidade não tivesse a menor importância. O que retém a atenção, e é objeto da mensagem deles aos demais discípulos, é o acontecido no caminho para Emaús, no tempo que precedeu o reconhecimento, tempo de escuta, em que o Mestre ressuscitado continua a instruir os seus discípulos. Se a morte dispersou os discípulos, a experiência do Ressuscitado os congrega. Jesus Cristo ressuscitado é fonte de luz. A ressurreição do Senhor dá sentido à sua paixão; sem a ressurreição a paixão seria um fracasso total. Racionalmente, a ressurreição é inexplicável, mas a fé nos permite experimentar, em nossa própria vida, os seus efeitos que iluminam o mistério de Jesus e da nossa existência.
padre Carlos Alberto Contieri




A vida de Jesus é um testemunho do amor que gera a vida.
Pelo grande destaque dado às memórias da Paixão, nos quatro evangelhos, pode-se pensar que elas teriam se constituído nas primeiras tradições veiculadas sobre Jesus, surgidas entre as primitivas comunidades cristãs. Percebe-se nelas a influência da tradicional celebração da Páscoa do Primeiro Testamento, com a imolação do cordeiro, de acordo com a prática sacrifical, templária e sacerdotal, projetada na tardia narrativa do Êxodo, aplicada à morte de Jesus.
O caráter sacrifical atribuído à morte de Jesus na cruz está na raiz da tradição e da espiritualidade que consideram o sofrimento como meritório e redentor. Na realidade a morte de Jesus foi um imenso crime praticado por aqueles que, usufruindo do poder, procuram destruir qualquer empenho de luta pela justiça, libertação e promoção da vida. A vida de Jesus é um testemunho do amor que tudo transforma e gera a vida que permanece para sempre.
O evangelho de Marcos, bem como o de Mateus e o de João, introduz as narrativas da Paixão com duas narrativas de ceias. Uma primeira ceia na qual Jesus é ungido por uma mulher e, outra, a última ceia, com os discípulos. A imagem da refeição, do banquete, é tradicional como representativa da comunhão do povo com Deus. O início do ministério de Jesus, no evangelho de João, se faz em uma festa de núpcias, onde se come e se bebe. Várias são as parábolas em que Jesus compara o Reino de Deus a um banquete celestial.
Na ceia em Betânia, o bálsamo perfumado com o qual Jesus é ungido por uma mulher é a expressão do amor que vivifica. É este amor que deve ser dirigido aos pobres, com os quais Jesus se identifica. "A mim não tereis sempre, pobres tendes sempre convosco". A Boa Nova caracteriza-se pela prática do amor solidário aos pobres, excluídos e ameaçados em sua vida. O que a mulher fez deve ser perpetuado: "em qualquer parte do mundo em que se proclamar esta Boa Nova, se recordará em sua honra o que ela fez".
Em sua última ceia com os discípulos, Jesus celebra a vida e o amor, na partilha. A proximidade da Paixão não significa o fim do projeto de Deus, mas o início de uma nova etapa, com o ministério e o testemunho dos discípulos de Jesus. O dom da comunicação e do amor supera as sombras da morte. A alegria de viver, de servir, de partilhar, de solidarizar-se com os irmãos alimenta a chama da vida e tem o sabor de eternidade.




Aquele que vimos envolto em sangue, tomado pelas dores da morte na Sexta-feira, Aquele que velamos respeitosamente no silêncio da morte no Sábado, agora proclamamo-lo Ressuscitado, vivo, vitorioso!
Hoje pela manhã, “quando ainda estava escuro”, nossas irmãs foram ao túmulo e encontraram-no aberto e vazio! Elas correram apavoradas: foram contar ao nosso líder, Simão Pedro. Ele foi também ao túmulo com o outro discípulo, aquele que Jesus amava: viram as faixas de linho no chão… O túmulo estava vazio… O que acontecera? Roubaram o corpo? Os judeus levaram-no? Que houve? Que ocorrera?
Na tarde de hoje, dois outros irmãos nossos estavam voltando para Emaús, sem esperança nenhuma: voltavam para sua vida de cada dia… estavam deixando a Comunidade dos discípulos, a Igreja que ia nascer: Jesus morrera, tudo acabara, a esperança fora embora… Mas, um Desconhecido começou a caminhar com eles, e lhes falava sobre tudo quanto a Escritura havia predito a respeito do Messias: sua pregação, suas dores, sua derrota, sua morte, sua vitória final… E o coração daqueles dois começou a encher-se de nova esperança, a arder de alegria! Eles, agora, começavam a compreender: tudo quanto havia acontecido com Jesus não fora simplesmente um cego absurdo, uma loucura, um sinal de maldição! Tudo fazia parte de um incrível projeto de amor do Pai: “Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” E, o que é mais impressionante: ao sentarem-se à mesa, o Desconhecido tomou a iniciativa, não esperou o dono da casa: pegou o pão e deu graças, partiu-o…. Coisa impressionante, irmãos: os olhos daqueles dois se abriram, e eles o reconheceram: era Jesus! Jesus vivo! Jesus reconhecido nas Escrituras e no partir o pão! Como mais uma vez, acontecerá agora, nesta missa! Os dois voltaram, imediatamente a Jerusalém e, lá, a alegria foi maior ainda: os apóstolos confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão Pedro!”
Irmãos, por esta fé nós vivemos, por esta fé somos cristãos, por esta fé empenhamos a vida toda! Neste Dia, Jesus entrou na glória do Pai. Nós continuamos aqui; ele já não mais está preso a dia algum, a tempo algum, a limitação alguma: ele entrou na eternidade de Deus, na plenitude do seu Deus e Pai! Irmãos, escutai: a Morte, hoje, foi vencida! Jesus abriu o caminho, Jesus atravessou o tenebroso e doloroso mar da morte, Jesus entrou no Pai! Jesus “passou”, fez sua Páscoa!
Mas, não só: ele fez isso por nós, por cada um de nós: “Vou preparar-vos um lugar… a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14,2-3). Ele, que morrera da nossa Morte, tem agora o poder de nos dar a sua vitória. Para isso, irmãos, ele nos deu, no batismo, o seu Espírito de ressurreição, o mesmo no qual o Pai o ressuscitou na madrugada de hoje!
Eis a Páscoa de Cristo e nossa! Na certeza desta vida nova, renovemos nossa própria vida! “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos para alcançar as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus!” Vivamos uma vida nova em Cristo! Crer na sua ressurreição, viver sua vida de ressuscitado é, já agora, viver numa perspectiva nova, viver com o olhar a partir da Eternidade. São Paulo nos diz, para a festa de hoje: “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade ou da perversidade, mas com os pães sem fermento de pureza e de verdade”. É o pão sem fermento, pão ázimo, da eucaristia que vamos comer daqui a pouco; pão que é o próprio Cordeiro imolado, Cordeiro pascal, Cordeiro que tira o pecado do mundo! Nós vamos entrar em comunhão com ele, vivo e vencedor!
dom Henrique Soares da Costa


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