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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 29 de junho de 2017

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM-Ano A

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM
2 de Julho de 2017
Cor: Verde
Evangelho - Mt 10,37-42


·         Jesus disse que que ama seus pais e familiares mais do a Ele não é digno dele.  Isto por que devemos amar a Deus sobre todas as coisas, sobre todas as pessoas. Devemos amar a Deus mais do que amamos o celular, o computador, o videogame, a namorada, o namorado, até os nossos pais.
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"TU ÉS O MESSIAS, O FILHO DO DEUS VIVO!” – Olivia Coutinho

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO.

Dia 02 de Julho de 2017

Evangelho de Mt16,13-19

Com grande alegria, celebramos hoje, a festa de São Pedro e São Paulo.
Estes dois homens, que chegaram à Jesus por caminhos diferentes, são chamados de “colunas da Igreja.” Pedro, por ter sido o seu primeiro líder, e Paulo, por transformar esta Igreja, numa Igreja Missionária! Foi Paulo, o primeiro a propagar a Boa Nova do Reino entre os pagãos.
Vindos de realidades distintas, estes dois homens, Pedro, um simples pescador e Paulo, um Judeu culto de origem romana, deixaram-se conquistar por Jesus, fazendo de suas vidas, uma oferta de amor, testemunhando Jesus até as últimas consequências.
O evangelho que a liturgia desta solenidade nos apresenta, vem nos despertar sobre a importância de conhecermos  Jesus, de nos tornarmos íntimos Dele!
Sem aprofundarmos no conhecimento a Jesus, não vamos entrar na dinâmica do Reino, não vamos compreender que para ganhar a vida, é preciso passar pela cruz!
O texto nos diz que Jesus, no desejo de saber se o povo e os discípulos, já haviam entendido o seu messianismo, faz a eles uma pergunta: “Quem dizem as pessoas ser o Filho do homem? Para esta pergunta, surgiram várias respostas, afinal, responder em nome do outro, é fácil, não compromete! Já quando esta mesma pergunta é direcionada aos discípulos paira um silencio, pois  desta vez, a pergunta requer uma resposta pessoal e uma resposta pessoal, exige comprometimento!
Pedro foi o único que respondeu, e respondeu com firmeza: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” Esta resposta, agradou Jesus, pois Ele sabia que esta afirmação de Pedro era fruto da sua convivência com Ele!
Por esta profissão de fé, Pedro é convocado para uma missão desafiadora: ser a pedra sobre a qual, Jesus construiria a sua Igreja! “... Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja...”
Este episódio chama a nossa atenção para a responsabilidade de quem afirma conhecer Jesus! Saber quem é Jesus é muito mais do que saber que Ele é Deus, afirmar que conhece Jesus implica em dar testemunho Dele em qualquer circunstancia, em comprometer-se  com a sua causa!
Olhando a escolha de Pedro, para conduzir a sua Igreja, podemos perceber que Jesus construiu a sua Igreja sobre a fragilidade humana!  Jesus não edificou a sua igreja a partir de homens considerados grandes pelo o mundo, mas sobre Pedro, um homem frágil, sujeito a falhas que representa os homens de toda a história da Igreja: homens santos e pecadores!
Antes de entregar a Pedro a responsabilidade de conduzir a sua Igreja, Jesus não questiona o seu passado, não lhe faz nenhuma exigência, a não ser o seu compromisso de transformar o seu amor por Ele, em cuidado para com o que lhe é de mais precioso que é o povo!
Ao escolher Pedro para a liderança da sua Igreja, Jesus demonstra a sua compreensão para com a fragilidade humana! Pedro era um homem de temperamento extremamente forte, Jesus sabia que mais tarde ele o negaria. E   mesmo assim, Jesus confiou  na sua fidelidade.
A escolha de quem conduziria a barca de Jesus, (Igreja) não caíra sobre um homem especial, e sim, sobre um homem comum, alguém dotado de virtudes e defeitos como qualquer um de nós, o que nos mostra, quão é grande a diferença entre os critérios dos homens e os critérios de Deus. Os homens escolhem pessoas capacitadas para cargos de lideranças, Deus, capacita os que Ele escolhe. 
Com a volta de Jesus para o Pai, Pedro assume a liderança da igreja, uma Igreja fundamentada no amor a Jesus e conduzida pelo Espírito Santo.  
Sob a liderança de Pedro, a Igreja dá  passos rumo a uma nova Jerusalém, tendo a grande colaboração de Paulo, que representa a igreja itinerante!
O amor a Jesus é o fundamento de toda comunidade cristã, numa comunidade, cujo centro é Jesus, um líder não se destaca pela a sua autoridade, e sim, pelo o seu amor a Jesus transformado em serviço!
A missão da Igreja consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição de Jesus! Sua grande riqueza está na abertura a todos os povos e culturas!
A Igreja é unidade, ela é guardiã  e propagadora  do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Pedro e Paulo são modelos de discípulos missionários, com suas virtudes e fraquezas, mas sobre tudo, pelo o seu amor e fidelidade a Cristo e a sua Igreja.
Nesta solenidade, unamos em oração pelo nosso Pastor, o sucessor de Pedro, o represente legítimo de Jesus Cristo aqui na terra: o Papa Francisco. 

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Acolher o irmão é acolher Jesus
A primeira leitura deste domingo nos conta a história de uma mulher que acolheu em sua casa um caminhante. Não é dito que a mulher soubesse se tratar de um profeta. Eliseu simplesmente passava por lá. A mulher lhe ofereceu aquilo que tinha: um quarto para descansar e comida para repor as forças. A lei da hospitalidade é uma antiga lei em muitas culturas e também na nossa. É um valor que não devemos perder, mas sim cultivar e reforçar.
As palavras de Jesus no Evangelho nos dão a razão profunda pela qual a hospitalidade converteu-se para o cristão em algo mais do que uma norma, ou uma tradição. Jesus nos diz que receber aquele que está próximo de nós, abrir-lhe a nossa casa e oferecer-lhe a nossa amizade é o mesmo que receber a Ele. Esta é a chave. É o próprio Jesus quem passa em frente da nossa porta e da nossa vida. Jesus é aquele que nos chama e pede abrigo.
No nosso mundo, no entanto, a hospitalidade está sendo perdida. Os outros, os desconhecidos, que são a imensa maioria, nós os vemos, quase de princípio, como uma ameaça para nossa tranquilidade e para a nossa paz. Os jornais estão cheios de notícias de assassinatos, roubos e outras más ações. A televisão, igualmente, nos traz quase diariamente imagens preocupantes. Tudo contribui para criar um ambiente em que desconfiar do desconhecido que está próximo a nós passa a ser algo natural. Valorizamos muito, até mesmo de uma maneira exagerada, nossa segurança, nossa paz e nossas coisas. Acabamos por adquirir armas e alarmes para nos protegermos e cercamos nossas casas com muros. Os países agem da mesma forma. Reforçam suas fronteiras e seus exércitos armam-se até os dentes. Não percebemos que, no fundo, agindo assim, afirmamos com clareza a nossa insegurança, e o que fazemos, de fato, é gerar mais violência. De alguma maneira, nos parecemos com os animais que atacam quando sentem medo.
Jesus nos convida a não vivermos tão dentro de nós mesmos. É isso que Ele deseja dizer quando fala que não devemos "perder a nossa vida". Jesus nos pede que deixemos de olhar para a ponta do nosso nariz, para nossos problemas e estendamos a mão ao nosso vizinho, ainda que ele pense de maneira diversa, seja de outra etnia, língua ou religião. Encontrar-nos-emos com uma pessoa cujos problemas são parecidos com os nossos e descobriremos que juntos podemos ser mais felizes que separados pelas barreiras e pelas armas. E há algo mais. Segundo a nossa fé, sabemos que este que temos na nossa frente, por mais ameaçador que nos pareça, é nosso irmão. É o próprio Cristo. Nós o esperaremos com uma arma na mão?
Estou aberto ao diálogo e ao encontro com os demais? Sinto-me ameaçado por aqueles que pensam e são diferentes de mim? O que Jesus me diz no Evangelho? Que atitudes devo mudar para agir como um cristão?
Victor Hugo Oliveira



Povos todos, aplaudi e aclamai a Deus com brados de alegria”. (cf. Sl. 46,2).
A celebração deste domingo é uma celebração rica de significado para todos nós: é a celebração em que, tanto na primeira leitura (cf. 2Rs 4,8-11.14-16a) quanto no Evangelho (cf. Mt. 10,37-42), nós somos convidados a refletir sobre a ACOLHIDA DO PROFETA e, conseqüentemente, a sua recompensa.  De maneira até poética nos é narrada a história da mulher samaritana, que preparou um quarto para hospedar o profeta Eliseu, cada vez que estivesse de passagem pela sua casa. Com as mesmas palavras dos hóspedes de Abraão (cf. Gn. 18,14) Eliseu lhe diz: “Por este tempo, daqui um ano, terás um filho” (cf. 2Rs. 4,16). Duas coisas altamente estimadas no Oriente: hospitalidade e ter um filho. Assim, também no Novo Testamento a hospitalidade é valorizada para os profetas. Os profetas do Novo Testamento, os missionários cristãos, são gente simples, os “pequenos”, que deixaram tudo e que já não têm lugar na sociedade (cf. Mt. 10,37-39). Impulsionados pela urgência de levar o Evangelho a todas as nações (cf. Mt. 28,16-20), antes que venha o Filho do Homem (cf. Mt. 10,23), percorrem campos e cidades, vivendo em extrema pobreza, como foram depois os primeiros franciscanos. Ora, se já não era fácil para a sunamita acolher um profeta “institucional”de Israel, tanto mais difícil era para o povo do tempo de Jesus acolher esses estropiados missionários errantes que eram os profetas cristãos. Entre eles e seu Mestre existe tal semelhança – inclusive, no sofrimento – que Jesus se identifica com eles: “Quem vos recebe, a mim recebe... e àquele que me enviou”. Ora, por isso mesmo, grande é a recompensa: a recompensa de ter recebido um profeta, de ter recebido um justo.... Nem mesmo um copo d’água oferecido com este espírito ficará sem recompensa.
Diz que a repetição nos ajuda a guardar as coisas importantes: assim a hospitalidade que se coloca na primeira leitura para com o profeta e a recompensa é muito atual. A história da sunamita é muito humana: não tem filho, e transfere algum sentimento materno para Eliseu, amparando-o. Sua recompensa: terá um filho. Com esta história entendemos o que significa a expressão do Evangelho de hoje: “recompensa de profeta”.
O Evangelho de hoje apresenta o sermão apostólico de Jesus. Todos nós somos chamados por Jesus a ser discípulos seus. E é a todos os que querem ser seus colaboradores que Jesus faz suas exortações. Ninguém é excluído do Reino e ninguém pode se eximir de trabalhar pela construção do Reino de Deus na terra. Jesus vem dizer que, por causa do Reino, o verdadeiro discípulo será capaz das maiores renúncias, até mesmo da própria vida. Qualquer interesse pessoal, a busca do autobeneficiamento ou de autopromoção, ainda que aparentemente boa e justificável, impede o trabalho do apóstolo. Compreende-se a insistente oração dos santos no sentido de não procurarem a própria glória, mas a realização plena e exclusiva da vontade de Deus.
O não-procurar a si mesmo, mas o Reino de Deus, implica uma contínua renúncia e um contínuo acolhimento. E é dessas renúncias e desse acolhimento que fala Jesus hoje.
Quem quer ser discípulo de Jesus tem que ser despojado e hospitaleiro. Nem todos serão martirizados em nome de Jesus Cristo, mas para todos a missão evangelizadora significa despojamento, desprender-se de sua vida normal. Os últimos versículos do Evangelho deste domingo são a conclusão do Sermão Missionário e retomam o tema inicial do mesmo: a missão dos discípulos é a continuação da missão de Jesus Cristo. Ela é missão de “profetas e justos”e quem recebe os discípulos, é como se recebesse estes grandes do Antigo Testamento. Mas os grandes do Novo Testamento são “pequeninos”, e quem os recebe a estes, é como se recebesse a Cristo mesmo.
A primeira renúncia e o primeiro acolhimento se referem ao que há de mais importante e de mais precioso a Deus e aos homens e mulheres: o amor fraterno.  Isso porque o universo inteiro é fruto do amor de Deus. A encarnação de Jesus só se compreende como um ato de amor extremado. A vida é a mais linda floração do amor misericordioso de Deus pelos seus filhos e filhas. Todos nós nascemos de um momento extasiante e fecundo de amor. Todo o Novo Testamento se fundamenta e se consolida no amor. Nenhum preceito que fira o amor tem legitimidade para Jesus e para os cristãos. Amor que primeiramente se deve a Deus, porque de Deus provêm todas as expressões do amor e a Deus retornam todos os nossos gestos de amor cumpridos na dimensão das criaturas, racionais ou irracionais. Amor que se deve, também, aos irmãos e irmãs. Vivemos em contínua renúncia e permanente abertura às manifestações de amor de Deus.
A segunda grande renúncia que Jesus pede ao discípulo é a renúncia aos seus próprios interesses. Jesus nos exorta a que dediquemos a vida não aos que podem matar o corpo e alma, mas àquele que nos pode dar uma recompensa eterna e nos fazer viver para sempre. Ninguém quer uma coisa para si que não seja para seu próprio bem. Ora, Jesus se apresenta a nós como o maior de todos os bens desejáveis. Jesus se apresenta como nossa vida, não apenas terrena, mas eterna. Em Jesus a criatura humana encontra as razões da vida, a divinização da vida, a entrada da nossa vida humana na vida eterna de Deus (cf. 1Pd. 1,4). O discípulo verdadeiro tem sua vida como que envolvida na vida de Cristo (cf. Cl. 3,3). Por isso, quando Cristo aparecer vivo em sua glória, também o discípulo reinará com Ele (cf. Cl. 3,4). É justamente esse deixar-se envolver, embeber da vida de Cristo que Ele nos pede no Evangelho de hoje. Nada nessa vida nos pode separar do amor de Cristo, nos ensina São Paulo(cf. Rm 8,35). A vida e tudo o que ela oferece é coisa boa para nós, desde que, como lembra o Apóstolo Paulo, na segunda leitura de hoje “seja a vida renovada pelo Cristo”(cf. Rm 6,4).
Na segunda leitura (cf. Rm. 6,3-4.8-11) nos apresentado o batismo. Batismo: morrer com Cristo, e ressuscitar com ele para uma vida nova. Deus nos readmite na sua comunhão, na medida em que nos unirmos ao seu gesto de amor misericordioso em Cristo. Esta união é expressa pelo sinal do Batismo: morrer com Cristo, para com ele ressuscitar. Contudo, há uma diferença com a ressurreição de Cristo. Esta está segura, na glória do Pai. A nossa precisa, ainda, ser constantemente guardada e verificada na fé e dedicação de nossa vida cristã. Devemos aprender a usar nossa liberdade para viver para Deus.
Fica claro para nós que a hospitalidade, o senso de acolhimento, é um dos sinais para medir a verdadeira fidelidade das nossas comunidades eclesiais ao Evangelho. Devemos acolher a todos, particularmente, ao pecador e não excluir ninguém. Algumas falsas mentalidades de ministros ordenados que “expulsam” aqueles e aquelas que incomodam a sua “mediocridade” ou a sua “apatia” diante dos desafios da evangelização nos levam a um verdadeiro exame de consciência e a um profundo caminho de conversão. Os gestos de intolerância perante os estrangeiros e, particularmente, acerca daqueles que nos incomodam revelam a fisionomia anticristã e anti-evangélica de falsas comunidades e de falsos pastores que se dizem cristãos e que não são. Lembremos da Palavra de Jesus: Eles não te condenarão? Eu, também não te condeno. Vás e não peques mais! Esta deve ser a nossa atitude.
Somos chamados por Cristo a renunciar a nossos interesses pessoais e acolher os interesses e a vontade do Salvador. Vamos renunciar a tudo o que nos desune, a tudo aquilo que está na contra-mão do projeto do Pai, das futilidades e das coisas passageiras e vamos procurar o caminho de Cristo, o caminho que leva ao Pai, porque “sem o Cristo nada podeis” (cf. Jo 15,5). Jesus é o caminho que nos pode levar ao Pai. Ele é a verdade que supera todas as nossas dúvidas e deficiências. Ele é o único capaz de nos dar a vida que não perece. Devemos nos converter sempre de novo. Devemos sempre de novo lavar a alma como lavamos o corpo. Devemos amadurecer em nossa personalidade. Devemos encontrar nosso próprio caminho. Mas tudo isso em Cristo, com sua graça derramada sobre nós na Cruz e confirmada na ressurreição. Assim, a própria segunda leitura de hoje, nos ensina que devemos morrer e ressuscitar com o Cristo. Morrer ao pecado, viver a vida nova de Cristo, com Cristo. Viver para Cristo é doar-se na caridade. Morrer ao pecado é extirpar da nossa vida tudo o que foi inspirado por vil egoísmo, vontade de poder, opressão aos semelhantes. A tarefa é árdua. Não pensemos que a vida nova cai prontinha do céu. O batismo dá graça sim, mas a graça só frutifica por nosso esforço. Que nos auxilie a graça de Deus para acolher com misericórdia o Profeta, especialmente, acolhendo os que mais precisam de misericórdia, de uma palavra de alento e de acolhida. Amém!
padre Wagner Augusto Portugal




"Quem vos recebe..."
A liturgia de hoje reflete alguns aspectos do discipulado. Discípulo é todo aquele que, pelo batismo, se identifica com Jesus, fez de Jesus a sua referência e o segue. A missão do discípulo é tornar presente na história e no tempo o projeto de salvação que Deus tem para os homens.
A 1ª leitura mostra como todos podem ser discípulos, colaborando na obra da  salvação. (2Rs. 4,8-11.14-16ª)
Um casal sem filhos de Sunam convida com insistência o profeta Eliseu a tomar refeição na casa deles e acabaram preparando-lhe até um quarto para hospedá-lo sempre quando ele passasse por ali. Fizeram isso por reconheceram em Eliseu um "Homem de Deus". E o profeta em recompensa daquela generosa hospitalidade, prometeu-lhes, que apesar da idade avançada, iriam ter um filho, que foi para os pais um  motivo de profunda alegria... Alguns anos depois, esse filho, na ausência do profeta, veio a falecer. Podemos imaginar a profunda dor dos pais. O Profeta se dirige para lá e restitui àquela mãe hospitaleira o filho novamente com vida.
A hospitalidade e a acolhida são uma fonte de Vida e de Bênção. Deus não deixa de recompensar todos aqueles que com ele colaboram.
Como recebemos em nossa casa, em nossas comunidades aqueles que vem em nome de Deus ? Procuramos ver neles um "Homem de Deus", que também precisam de nossa hospitalidade, um lugar em nossa vida, em nosso coração, em nossa amizade?
Na 2ª leitura, Paulo exorta a viver a plenitude do batismo, morrendo para o pecado e vivendo para Deus em Cristo. (Rm. 6,3-4.8-11)
O Evangelho é uma catequese sobre o discipulado (Mt. 10,37-42): é o final do Discurso do envio dos discípulos em "missão". É uma espécie de "manual do missionário cristão", destinado a revitalizar a ação missionária da comunidade.
O Caminho do discípulo é acolher e seguir Cristo no caminho do amor e da entrega.
Na 1ª parte, aparecem as exigências que Jesus propõe para seus seguidores. Exige uma atitude radical. O nosso compromisso para com ele deve estar acima de tudo, mesmo do amor sagrado para com nossos pais.
Para entender melhor, é bom lembrar a situação vivida pelos cristãos da comunidade de Mateus... Para serem fiéis a Cristo, deviam enfrentar perseguições.
Eram expulsos da Sinagoga, ficavam excluídos do povo de Israel e deviam ser repudiados até pelos próprios familiares. Jesus já tinha alertado que o discípulo devia estar disposto a tudo: "Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim..."
Ainda hoje, diante de certas resistências, muitas pessoas acham que, para garantir grandes números nas suas atividades, a Igreja deveria facilitar as coisas, e suavizar a radicalidade do evangelho e dos valores de Cristo? E Cristo será que prefere quantidade ou qualidade?
Na 2ª parte Mateus sugere que toda Comunidade deve anunciar Jesus e haverá uma recompensa aos que acolherem os mensageiros do Evangelho: "Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe o Pai que me enviou".
"Nem um copo de água fresca dado a um pobre sedento ficará sem recompensa".
Todos os cristãos têm por missão anunciar o Evangelho de Jesus. E esses "missionários" que testemunham a Boa Nova e que entregam a vida ao serviço do "Reino" devem ser acolhidos com entusiasmo, com generosidade e amor.
Quem são os enviados de Deus, hoje?
Conhecemos muitas pessoas que em nossas comunidades se dedicam com generosidade e gratuidade a serviço dos irmãos, visitando enfermos, no serviço da catequese, da liturgia e outras pastorais.
Essas pessoas generosas também têm família, têm um emprego...
Será que elas se sentem reconhecidas e apoiadas na comunidade ou são injustamente criticadas, vítimas de invejas, de ciúmes, de fofocas?
Conhecemos também padres e irmãs que atuam em nosso meio.
Qual a nossa atitude para com eles? Damos condições para que seu trabalho seja proveitoso? Damos colaboração e ajuda sem interesses particulares, vendo neles, além de suas qualidades e defeitos de toda pessoa, simplesmente um homem de Deus, para ser um instrumento de salvação?
Será que se sentem de fato membros de todas as famílias cristãs ou talvez pessoas estranhas?
A nossa hospitalidade e colaboração não têm sentido quando o fazemos por critérios puramente humanos, ou pior, por  interesse pessoal...
Só tem sentido quando animada por espírito de fé, como o casal da 1a leitura: porque viram no profeta Eliseu um "Homem de Deus..."
Cristo nos garante: "Quem vos recebe, a mim recebe; quem me recebe, recebe o Pai que me enviou".
padre Antônio Geraldo Dalla Costa




“Vós sois uma raça escolhida, a propriedade de Deus;
proclamai suas virtudes, pois de trevas luz vos fez” (1Pd. 2,9).
A Palavra de Deus do 13º do tempo comum, remete-nos “À hospitalidade e à acolhida (que) devem nortear a vida do cristão e, portanto, fundamentar a construção da sociedade fraterna e solidária.
A hospitalidade se transforma em bênção e sinal de vida, assim como o batismo se torna fonte de graça e salvação. Acolher Jesus significa acolher o dom da vida e a vida das pessoas queridas.
A hospitalidade é recompensada com geração de vida (2Rs. 4,8-11.14-16). Devemos amar a Cristo antes e acima de tudo e comprometer-nos com ele por meio de seu seguimento (Mt. 10,37-42). Pelo batismo morremos com Cristo e ressuscitamos com ele para uma vida nova (Rm. 6,3-4.8-11). Cristo, presente em nosso meio, introduz-nos na casa do Pai para formarmos com ele uma só família” (cf. liturgia diária de Junho de 2011 da Paulus, pp 86-88).
“Como certamente era difícil, no tempo de Jesus, ‘acolher esses estropiados missionários errantes que eram os profetas cristãos’! Tão parecidos com o Mestre – inclusive no sofrimento – que Jesus mesmo se vê identificado com eles: ‘Quem vos recebe, é a mim mesmo que recebe... e àquele que me enviou’. Por isso, a recompensa também é certa para quem acolhe tais pessoas, nem que seja com um simples copo de água.
No seguimento do Mestre, ‘os profetas e missionários são pequenos, despojados como ele; e ele se identifica com o homem despojado, pobre, pois esta é a medida de nossa bondade gratuita. O pobre nada pode retribuir. E na atitude adotada face ao pobre (missionário ou não), mostramos a verdadeira generosidade de nosso coração’. A recompensa, enfim, será agraciada pelo Deus que se fez pobre com os pobres: com a alegria eterna (Mt. 25,31-46).
A Palavra de Deus (deste domingo) nos ensina também a ‘importância da acolhida dos pobres missionários itinerantes. Aos olhos do mundo, eles ‘perdem a vida’, mas, na realidade a ganham, a realizam. E quem se solidariza com eles, solidariza-se com o próprio Cristo e, como conseqüência, também ganham a vida.
Todos os ‘pequenos’, pelo fato de serem ‘pequenos’, já são por si mesmos uma fala de Deus para nós. Assim testemunha um irmão nosso, teólogo e biblista (Johann Konnings): ‘Nós é que tendemos a dar mais valor à palavra de um graúdo do que à de uma criança ou de uma pessoa simples. Por isso, é bom ouvi-la da boca de alguém que não tem importância. Como aconteceu, certo dia, em São Paulo, quando, distraído, joguei um papel na rua e um adolescente mo devolveu, pedindo que colocasse no lixo’.
... como seguidores de Cristo, discípulos missionários seus, ‘num tipo de sociedade que considera justo o acúmulo da vida nas mãos de poucos em prejuízo de uma maioria sofredora que enfrenta situações de morte a cada dia’, deixemo-nos guiar pelos ensinamentos do Mestre da Justiça, que ‘nos mostra que o sentido da vida não está em reservá-la, mas na doação pela justiça do Reino’. Renovemos nossa adesão a Ele acontecida no dia do nosso Batismo, comunguemos com Ele numa vida abnegada e simples, acolhamos seus evangelizadores como sendo Ele mesmo vindo ao nosso encontro” (cf. Roteiros homiléticos do tempo comum In projeto nacional de evangelização 17 – O Brasil na missão continental da CNBB, pp 27-31).
Quando visito uma família, e esta me oferece algo, peço um copo de água dizendo: “Quem der um copo de água a um discípulo de Jesus, vai direto para o céu quando morrer...”. E as pessoas que acolhem os padres ou agentes de pastoral, ficam felizes com a idéia. Gosto de acolher na Palavra deste Domingo, duas grandes lições: ser configurado com Cristo, o Bom Pastor, procurando conhecer, acolher, amar e acariciar as ovelhas que me são confiadas, para ser de verdade, discípulo e missionário, e esvaziar-me de mim mesmo, sendo simples, descomplicado, desapegado de coisas, prestígio, cargos, funções e poder. O verdadeiro discípulo e missionário, ao estar no meio do seu povo, ajoelhado e orante, coerente entre o que reza, prega e vive, é o mais rico dos Sacerdotes!





Missionariedade e discipulado da igreja
A Palavra de Deus do 13ª domingo do tempo comum dedica-se mais profundamente ao tema da missionariedade e discipulado da Igreja. Toda a Igreja de Jesus Cristo é missionária e ministerial. Nenhum batizado deve sentir-se isento da "Alegria de ser discípulo missionário para anunciar o evangelho de Jesus Cristo". A Segunda Parte do Documento de Aparecida, fruto da V Conferência geral do episcopado latino-americano e do Caribe, ocorrida de 13 à 31 de maio de 2007, nos remete a esta identidade de nossa inserção na Igreja que vive aquilo que celebra, como comunidade de fé, oração e amor!
Percebo que ainda somos muito tímidos ou às vezes indiferentes com a missão que se nos deveria ser evidente. Muitos de nós, continuamos professando uma fé engessada, emoldurada em estruturas sem efeito concreto de caridade! Somos meros assistentes e continuamos mais "pedintes" do que "agradecidos" e comprometidos com a fé professada. Faz tempo, que a Igreja deixou de ser um "supermercado de sacramentos", para viver a partir do que celebra no espaço sagrado, com coerência, no dia a dia de nossa convivência familiar, profissional e social. Somos conclamados a sermos missionários e discípulos do Senhor no ônibus, na praça, no clube, no comércio, em casa, na escola, no trabalho e em todo lugar por onde andamos e com quem convivemos. Ser cristão dentro do espaço religioso é fácil; o desafio é ser cristão no hodierno de nossa vida.
Mesmo assim ainda nos falta certa hospitalidade na acolhida dos que vêm celebrar conosco sua fé. Reclamamos de “Igrejas cada vez mais vazias”, mas pouco nos esforçamos por sermos Comunidades mais acolhedoras, aconchegantes, simpáticas. Já nos demos conta, de que na maioria das vezes é dos que participam que mais exigimos e, geralmente reclamamos o que se deveria atribuir aos afastados? Fazemos, em nossas escolhas pastorais, coordenações que comungam conosco, quando não os recompensamos com cargos, funções e até ministérios, como é o caso de Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão. Para muitos, ser Ministro, antes de dever ser serviço é um gesto de gratidão e elogio do Padre para com quem lhe proporcionou alguma vantagem ou pelo menos, nunca discorda do mesmo! O Presidente do Conselho Econômico convém enquanto não questiona determinados gastos absurdos. É, geralmente aquele “burrinho de presépio”. E quando a inveja entra em ação, a missionariedade cai por chão. Não é dessa missionariedade que falam os Documentos da Igreja. Não é essa a Igreja que Jesus espera de nós.
Como o próprio Documento de Aparecida nos sugere, é necessário sermos missionários e discípulos a partir dos valores do Evangelho anunciando com a própria vida, a boa nova da dignidade humana, da vida, da família, da atividade humana, do trabalho, da ciência e da tecnologia, do destino universal dos bens e da ecologia e do Continente da esperança e do amor!
Sejamos corajosos e ousados, vivendo nossa missionariedade e nosso discipulado desde as situações mais simples e insignificantes, sendo uns para com os outros verdadeiros anjos, na promoção dos valores que são essenciais à pessoa humana em sua dignidade: o amor gratuito, a verdade, a justiça, a liberdade e a paz! Como o mundo será mais humano com sabor divino, se cada um empreender seu esforço por ser melhor hoje do que ontem!
padre Gilberto Kasper




Quem respeita o bispo, trata bem o pároco, apoia o diácono, colabora e se alegra com todos os que exercem alguma função na comunidade não ficará sem a sua recompensa. O seguimento de Jesus é exigente e não é fácil. Os que se dedicam sofrem incompreensões, muitas vezes no seu próprio meio. Daí a palavra de Jesus: “Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta”.
A família que acolheu o profeta Eliseu recebeu a graça de um filho muito desejado. Essa atitude de acolhida e compreensão é resultado da vida nova iniciada no nosso batismo. Da mesma forma a coragem de tomar a cruz, deixar tudo e seguir Jesus em seu caminho é também resultado do nosso batismo.
No batismo se descortina o horizonte da eternidade. Num mundo de morte, vemos a ressurreição e tomamos impulso. Não deixamos de forma alguma que as forças da morte nos dominem. Se nos matam, saímos ressuscitados sempre de novo: acolhemos, perdoamos, apoiamos, enfrentamos, controlamos as adversidades. Temos coragem de deixar até os entes queridos por uma causa maior, para a realização do que já vemos no horizonte.
2Rs. 4,8-11.14-16a – O Segundo Livro dos Reis conta que o profeta Eliseu foi muito bem recebido na cidade de Sunam, que ficava no norte, na direção do Monte Carmelo. A família que o recebeu não tinha filhos e fez para ele um quarto onde podia se hospedar em suas viagens por aquela região. Em recompensa por sua hospitalidade, Deus concedeu um filho ao casal.
Sl. 88 (89) – Temos sempre muitas razões para cantar o amor de Deus para conosco. Seu amor é constante e sua fidelidade é firme. Vivemos na alegria, iluminados pela face do Senhor. Ele é o Santo de Israel.
Rm. 6,3-4.8-11 – Quem foi batizado se batizou na morte de Jesus Cristo, ensina São Paulo na Carta aos Romanos. Jesus morreu, foi sepultado e ressuscitou. Assim também nós. Mergulhamos nas águas do batismo como quem desce à sepultura, mas não ficamos lá. Saímos logo, ressuscitados. Lá ficou a velha criatura com o seu pecado. Ressuscitados, iniciamos uma vida nova, diferente da anterior. Morremos para o pecado e estamos vivos para Deus em Cristo. A morte não tem poder sobre Cristo, por isso não terá poder sobre quem está em Cristo.
Mt. 10,37-42 – Amar pai e mãe é um mandamento de Deus, além de ser natural em nossa vida. No entanto, quem descobriu Jesus Cristo de verdade o ama acima de tudo, até dos próprios pais. Isso não significa que deixe de amar os pais. O mesmo vale para os filhos. Podemos deixar pai e mãe, esposo e esposa, irmãos e irmãs, filhos e filhas, e partir por uma causa ampla e abrangente, como seria o amor pela pátria ou pela sobrevivência e liberdade de uma população. Para quem tem fé, a causa de Cristo e de seu Evangelho é maior. Estabelecer o Reino de Deus vem em primeiro lugar.
Quem se entregou a Jesus Cristo toma a sua cruz e o segue corajosamente, sem medo de perder a própria vida. A identificação do discípulo com Cristo leva a crer que tudo o que se faz ao discípulo é feito também ao próprio Senhor. Não ficará sem recompensa quem acolher e tratar bem um discípulo de Jesus, militante do Reino.




O amor a Jesus deve ser prioritário
Mateus, no capítulo 10 de seu evangelho, reúne ditos e sentenças esparsas de Jesus que orientam as comunidades em sua ação missionária, em suas varias situações. O capítulo inicia-se com o chamado dos doze apóstolos por Jesus, seguindo-se as instruções sobre a ação missionária, e termina com a advertência sobre a renúncia aos interesses do mundo e o encontro de sua vida em Deus. Jesus trouxe a paz a seus discípulos, porém os poderosos da terra não a aceitaram, respondendo com a violência. Com um versículo isolado do profeta Miquéias (Mi 7,6), Mateus aponta rejeições dentro da própria família (Mt 10,35-36). A seguir vem o acento sobre a adesão a Jesus acima de qualquer outro vínculo, seja o familiar, sejam os vínculos com o mundo, com seus critérios de segurança e sucesso. Finalmente a característica da missão: o discípulo que anuncia todas estas coisas é o próprio Jesus presente no mundo. O amor a Jesus deve estar acima do amor à família. Os laços familiares representam os vínculos mais fortes do amor-fidelidade. O amor a Jesus deve ser prioritário em relação a estes laços familiares. Ele não vem abolir o afeto familiar. Contudo vem libertar dos laços familiares tradicionais, que refletem mais os interesses terrenos do que o projeto de Deus, pela comunicação do amor divino abrangente, alem dos limitados laços consanguíneos. O seguimento de Jesus supõe um compromisso destemido, na libertação dos vínculos com o mundo submisso aos poderosos. Tomar sua cruz significa o testemunho de amor e libertação que não se intimidará mesmo diante das ameaças de morte da parte dos poderosos que oprimem e exploram o povo. A cruz é o suplício mortífero que o império romano aplicava com frequência àqueles que eram tidos como ameaça à sua estabilidade e à sua "paz". O próprio Cícero, orador, filósofo, e escritor romano, referia-se à cruz como um "crudelíssimo suplício".
Esta opção de seguimento de Jesus é "perder a vida" neste mundo, para inseri-la na eternidade, vivendo para Deus (primeira leitura). O caminho contrário é o daquele que encontra sua vida correndo atrás do status social, do sucesso e da segurança do dinheiro, perdendo sua vida de comunhão com Deus. Na fala de Jesus, as três referências ao "receber" referem-se à ação missionária. "Quem vos recebe..." é dirigida ao próprio missionário que deve ir consciente de que representa o próprio Jesus que o envia. "Quem receber..." um profeta ou um justo, ou um pequeno, são dirigidas às comunidades destinatárias. Devem acolher com confiança ao missionário que vai como profeta ou justo/fiel ao seu compromisso. A primeira leitura, em estilo bem semítico, narra como uma senhora rica acolheu Eliseu e foi gratificada com a promessa de gerar um filho. A conversão ao Reino de Deus supõe profundas mudanças de valores e costumes tradicionais que se estratificaram culturalmente e que fazem o perfil de uma sociedade comprometida com o sucesso pessoal e com a ânsia do enriquecimento.
José Raimundo Oliva




Nós que crescemos na escola de Jesus vamos nos acostumando cada vez mais a ter os critérios que Ele nos ensinou, bem diferentes dos critérios do mundo. Aprendemos, por exemplo, que é preciso amar mais a Cristo do que aos próprios pais, pois Ele está acima de qualquer amor terreno, por nobre e digno que seja. Foi o que fez - se quisermos lembrar um santo do calendário destes dias - o jovem príncipe da família dos marqueses Gonzaga, de Castiglione, que deixou os pais, o castelo, a herança e o título de nobreza, para se fazer religioso da companhia de Jesus: são Luís Gonzaga.
Aprendemos que é preciso saber renunciar ao conforto, para buscar os bens maiores do espírito, para socorrer os que precisam de ajuda, para realizar o grande programa de Jesus: Não vim para ser servido, mas para servir (cf. Mt. 20,28). Vivemos num mundo em que a preocupação dominante é o bem-estar, o conforto, o desfrutar todas as regalias que o progresso nos oferece, e ninguém se sacrificar pelo bem-estar dos outros.
E aprendemos principalmente que para alguém seguir a Jesus, isto é, para ser seu discípulo de verdade, é preciso estar disposto a carregar a cruz: "Aquele que não toma sua cruz e não me segue, não é digno de mim" (Ibid. 10,38). Não sei se todos percebem que essa expressão "carregar a cruz" se tornou proverbial desde quando Jesus a usou, tomando como ponto de referência sua própria condenação à morte de cruz. A expressão não vem do Antigo Testamento, porque nem existia no povo hebreu o suplício da cruz. Foram os romanos que lá introduziram esse terrível gênero de morte, ao qual foi submetido o Divino Salvador, consagrando-o para sempre com seu sangue, e transformando o ignominioso patíbulo em símbolo do triunfo do amor.
Hoje a cruz está em toda parte. Nas igrejas e nos objetos de culto, nas escolas, nos tribunais, em pontos característicos da paisagem das montanhas, e até sobre os túmulos dos cristãos. Muitos a trazem sobre o peito, como sinal de fé, com o risco até de algumas pessoas a transformarem em objeto de vaidade, quando a cruz é de matéria preciosa. Mas não nos preocupemos, nem condenemos. No fundo, a mensagem escondida na pequena jóia um dia há de falar ao coração. Como uma semente que um dia há de germinar.
A cruz que todos temos de carregar no caminho de nossa vida, como Cristo carregou a sua no caminho do Calvário, pode ser das mais variadas formas. Será uma enfermidade, será um contratempo em nossos planos, será uma companhia desagradável que temos às vezes de suportar. Será o peso do próprio trabalho em casa ou fora de casa. O cuidado de uma mãe de família cuidando de seu lar, o de uma enfermeira cuidando de seus doentes; de um operário da indústria, da lavoura, ou dos mil serviços exigidos pelo bem da comunidade; de um mestre empenhado na séria tarefa de ensinar a uma classe de jovens. E se poderia falar do trabalho de dirigir uma empresa ou um setor do governo. Em tudo há sempre uma cruz que será preciso suportar. E eu preferiria substituir essa palavra "suportar" pela palavra "abraçar". E preciso abraçara cruz. E tomá-la em nossos braços com a mesma disposição de amor com que Cristo tomou a sua para a salvação do mundo. E podemos ter certeza de que a cruz se nos tornará mais leve, se a soubermos carregar, não arrastando pesadamente entre reclamações e maldições, mas sabendo fazer dela uma oferenda generosa de nossas forças para o bem da comunidade. Seria muito melhor o mundo, se houvesse menos gente reclamando da sorte, e mais corações abertos para a grandeza do sacrifício.
Uma graciosa lenda conta que, ao se instalar em Roma a violenta perseguição de Nero contra os cristãos, o apóstolo Pedro, que era o chefe da nascente comunidade, teve medo. E decidiu fugir de Roma. E já ia numa boa altura da via Ápia, quando lhe apareceu o próprio Cristo, caminhando no sentido da cidade. Pedro, entre alegre e perplexo, perguntou: "Quo vadis, Domine?" "Para onde vais, Senhor?"
Jesus respondeu: "Vou para Roma, para ser de novo crucificado por ti."
Pedro, humilhado e envergonhado, tomou o caminho de volta para a cidade eterna, onde morreu mártir de Cristo.
Uma pequenina igreja à beira da via Ápia perpetua a lembrança da lenda. E o romancista polonês Henrique Sienkiewicz construiu sobre ela seu belo romance "Quo vadis?" Talvez a lição da lenda possa valer para todos os cristãos!




Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim
O grande discurso missionário de Mateus termina com as palavras do texto de hoje. De novo, deve ser colocado dentro do contexto sócio-histórico da comunidade de Mateus. Mais uma vez o autor enfrenta o problema de uma comunidade em situação de conflito e perseguição. E o pior, este conflito e a perseguição aconteciam também dentro do seio das famílias, onde alguns membros aderiam à comunidade cristã e outros não. De novo Mateus liga a perseguição à mística do seguimento de Jesus quando em v. 34: ele diz: Não pensem que vim trazer paz à terra; eu não vim trazer a paz, e sim a espada. Aqui retoma a imagem da Palavra de Deus como espada de dois gumes, que exige opções concretas, muitas vezes com conseqüências dolorosas.
O seguimento de Jesus exige freqüentemente decisões duras e nada pode ser mais importante do que o Reino. Por isso, Mateus diz que nem o amor ao pai ou à mãe pode ter mais importância do que o amor a Jesus (Mateus suaviza a frase de Lucas 12,26, que diz que quem não odeia seu próprio pai, mãe, mulher, filhos, irmãs e até a própria vida não pode ser meu discípulo. Na língua aramaica, pobre em vocábulos, a frase de Lucas quer dizer de uma maneira coloquial o que Mateus expressa como amar mais. Não é odiar conforme se entende a palavra em português).
A vivência dessas opções é, na prática, o que significa tomar a sua cruz. Tomar a cruz não é sofrer por sofrer. É a conseqüência da coerência com a opção por Jesus. Mas, não é para nos assustarmos, pois temos a garantia que a busca de coerência com essas opções nos darão como herança encontrar a vida - a verdadeira vida em Deus.
O discipulado não é somente dureza. Teremos muitas oportunidades de experimentarmos as suas recompensas - de sermos acolhidos exatamente por causa dEle (o sentido da copa de água). Quantas vezes a pregação da cruz tem trazido conotações negativas, como se seguir Jesus fosse um sofrimento sem fim. Pelo contrário, exige dedicação, sacrifício e desprendimento - que acarreta também sofrimento mas, as suas alegrias são muito maiores.
O seguimento de Jesus deve ser uma alegria - não somente um obedecer de leis, a prática de uma moral ou ética, um acreditar em dogmas, que muitas vezes parecem ter pouca coisa a ver com as nossas vidas! É uma experiência de seguir as pegadas do mestre, de ser colaborador(a) na sua missão, de sentirmo-nos realizados como pessoas e cristãos por termos procurado colaborar na construção do Reino, com todas as nossas limitações e erros. É um privilégio e não um peso!
padre Lucas de Paula Almeida, CM





Nas leituras deste 13º domingo do tempo comum, cruzam-se vários temas. No geral, os três textos que nos são propostos apresentam uma reflexão sobre alguns aspectos do discipulado. Fundamentalmente, diz-se quem é o discípulo (é todo aquele que, pelo batismo, se identifica com Jesus, faz de Jesus a sua referência e O segue) e define-se a missão do discípulo (tornar presente na história e no tempo o projeto de salvação que Deus tem para os homens).
O Evangelho é uma catequese sobre o discipulado, com vários passos. Num primeiro passo, define o caminho do discípulo: o discípulo tem de ser capaz de fazer de Jesus a sua opção fundamental e seguir o seu mestre no caminho do amor e da entrega da vida. Num segundo passo, sugere que toda a comunidade é chamada a dar testemunho da Boa Nova de Jesus. No terceiro passo, promete uma recompensa àqueles que acolherem, com generosidade e amor, os missionários do “Reino”.
Na primeira leitura mostra-se como todos podem colaborar na realização do projeto salvador de Deus. De uma forma directa (Eliseu) ou de uma forma indireta (a mulher sunamita), todos têm um papel a desempenhar para que Deus se torne presente no mundo e interpele os homens.
A segunda leitura recorda que o cristão é alguém que, pelo batismo, se identificou com Jesus. A partir daí, o cristão deve seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida e renunciar definitivamente ao pecado.
1ª leitura – 2Re 4,8-11.14-16ª - AMBIENTE
Após a morte de Salomão (932 a.C.), o Povo de Deus dividiu-se em dois reinos: Israel, a norte, e Judá, a sul. Os dois reinos viveram, a partir daqui, histórias separadas e, quase sempre, antagônicas.
O nosso texto situa-nos no reino de Israel, em meados do séc. IX a.C., durante o reinado de Jorão (853-842 a.C.). As relações econômicas, políticas e culturais que Israel insiste em estabelecer com outros países da zona tornam-no vulnerável às influências religiosas estrangeiras e favorecem a entrada no país de cultos diversos. É, portanto, uma época de sincretismo e de confusão religiosa.
Eliseu é um profeta, discípulo de Elias (cf. 1Re 19,16b.19-21) que, continuando a obra do mestre, luta contra o sincretismo religioso e procura trazer de novo os israelitas aos caminhos da fidelidade à aliança. Faz parte, segundo parece, de uma comunidade de “filhos de profetas” (cf. 2Re 2,3; 4,1), isto é, de seguidores incondicionais de Jahwéh, que vivem na absoluta fidelidade aos mandamentos de Deus e não se deixam contaminar pelos valores religiosos estrangeiros. Estes “filhos de profetas” vivem pobremente (cf. 2Re 4,1-7) e são regularmente consultados pelo Povo, que neles busca apoio face aos abusos dos poderosos.
Eliseu é chamado, com muita frequência (29 vezes), o “homem de Deus”. O título designa um homem que é intérprete da Palavra de Jahwéh junto dos outros homens; mas a Palavra que o “homem de Deus” transmite é, sobretudo, uma Palavra poderosa, que opera maravilhas e que tem a capacidade de transformar a realidade. Os “milagres” atribuídos a Eliseu (o grande “milagreiro” do Antigo Testamento”) são a expressão viva da força de Deus, que através do profeta intervém na história e salva os pobres.
Este episódio situa-nos em Sunam, uma pequena cidade situada no sul da Galileia, não longe de Meggido, à entrada da planície de Yezre'el, em casa de uma mulher rica e sem filhos. A história da sunamita tem duas partes distintas: a descrição da hospitalidade que a mulher oferece ao profeta e que é recompensada por este com o anúncio do nascimento de um filho (cf. 2Re 4,8-17) e a repentina doença e morte desse filho, que exigirá uma nova intervenção do profeta no sentido de devolver a vida ao menino (cf. 2Re 8,18-37). A nossa leitura apresenta-nos apenas a primeira parte.
MENSAGEM
O episódio que a leitura nos relata descreve, portanto, a generosa hospitalidade que Eliseu encontra em casa desta mulher sunamita. A mulher não se limita a oferecer a Eliseu uma refeição, sempre que este passava por Sunam, nas suas idas e vindas ao monte Carmelo; mas manda construir, expressamente para o profeta, um quarto no terraço da sua casa e mobila-o adequadamente.
O gesto da mulher não é apenas o levar até às últimas consequências o sagrado “sacramento da hospitalidade”, tão importante para os povos do Crescente Fértil… Mas é ainda mais: é o reconhecimento de que Eliseu é um “homem de Deus”, através de quem Deus age no mundo. Ajudando Eliseu, a mulher mostra a sua adesão a Jahwéh e manifesta a sua disponibilidade para colaborar com Deus no projeto de salvação que Deus tem para o mundo e para os homens.
Em resposta à generosidade da mulher, Eliseu anuncia-lhe o nascimento de um filho. A promessa tem um valor especial, dada a quase impossibilidade de ter filhos que pesa sobre o casal, devido à avançada idade do marido.
A história procura ensinar que colaborar com Deus na realização do plano de salvação/libertação que ele tem para os homens é uma fonte de vida e de bênção. Deus não deixa de recompensar todos aqueles que com ele colaboram.
ATUALIZAÇÃO
• Antes de mais, o texto sugere que o projeto de salvação que Deus tem para os homens e para o mundo envolve toda a gente e é uma responsabilidade que a todos compromete. Uns são chamados a estar mais na “linha da frente” e a desenvolver uma ação mais exclusiva e mais exposta; outros são chamados a desenvolver uma ação menos exclusiva e mais discreta, mas nem por isso menos importante. Mas uns e outros têm de sentir a responsabilidade de colaborar com Deus. Estou consciente disso? Empenho-me verdadeiramente em descobrir o papel que Deus me confia no seu projeto e em cumpri-lo com generosidade?
• Numa altura em que a Europa se tornou uma espécie de condomínio fechado, do qual é excluída essa imensa multidão de pobres sem futuro e sem esperança, que mendigam a possibilidade de construir um futuro sem miséria, este episódio convida-nos a refletir sobre o sentido da hospitalidade e do acolhimento. É evidente para todos que não temos os recursos suficientes para acolher, de forma indiscriminada, todos aqueles que batem à nossa porta; mas a política que o nosso mundo segue em relação aos imigrantes não esconderá também uma boa dose de egoísmo e de falta de vontade de partilhar? Como nos situamos face a isto?
• A nossa leitura deixa também claro que o dar não nos despoja, nem nos faz perder seja o que for. O dar é sempre uma fonte de vida e de bênção. A dádiva não deve, no entanto, ser interesseira, mas desinteressada e gratuita.
• Há pessoas que são chamadas por Deus a deixar a terra, a família, os pontos de referência culturais e sociais, a fim de dedicar a sua vida ao anúncio da Palavra. Não são super-homens ou super-mulheres, mas são homens e mulheres como quaisquer outros, com as mesmas necessidades de afeto, de apoio, de solidariedade, de compreensão. É nossa responsabilidade ajudá-los, não apenas com meios materiais, mas também com compreensão, com solidariedade, com amor.
2ª leitura – Rm. 6,3-4. 8-11 - AMBIENTE
Continuamos a explorar essa carta aos romanos, na qual Paulo propõe a todos os crentes – judeus e não judeus – o essencial da mensagem cristã… Fundamentalmente, Paulo está interessado em sugerir aos crentes (divididos pela discussão acerca do caminho mais correto para “conquistar” a salvação) que a salvação é sempre um dom de Deus e não uma conquista do homem. Apesar do pecado dos homens (cf. Rm. 1,18-3,20), Deus a todos justifica e salva de forma gratuita e incondicional (cf. Rm. 3,1-5,11). Essa salvação é oferecida aos homens através de Jesus Cristo.
O texto que nos é proposto faz parte desse bloco em que Paulo descreve como é que a vida de Deus se comunica aos homens através de Jesus Cristo (cf. Rm. 5,12-8,39). De acordo com a perspectiva de Paulo, Cristo – ao contrário de Adão, o homem do orgulho e da auto-suficiência – escolheu viver na obediência a Deus e aos seus planos; e foi a obediência de Cristo – isto é, o seu cumprimento incondicional da vontade do Pai – que fez chegar a todos os homens a graça da salvação (cf. Rm. 5,12-20).
Isso significará, então, que pecar ou não pecar é indiferente, pois a obediência de Cristo a todos salva, de forma incondicional? O cristão pode pecar tranquilamente (cf. Rm. 6,1-2), porque a graça da salvação oferecida por Cristo irá sempre derramar-se sobre o pecador?
MENSAGEM
Ao ser batizado (isto é, ao aderir a Cristo e ao aceitar a oferta de salvação que Cristo faz), o cristão renuncia ao egoísmo e ao pecado, a fim de viver numa dinâmica de vida nova. O pecado passa a ser algo absolutamente incoerente e absurdo pois, pelo batismo, o cristão enxertou-se em Cristo, isto é, passou a receber de Cristo a vida que o anima e alimenta.
Como é que foi a vida que Cristo viveu? A vida de Cristo foi marcada pelo egoísmo, pelo orgulho, pela auto-suficiência? Não. A vida de Cristo foi vivida no amor, na partilha, no dom total de si a Deus e aos homens. Cristo “matou” o pecado, ao viver uma vida segundo Deus. A cruz, sobretudo como expressão última de uma vida totalmente liberta do egoísmo e feita dom radical, é o “golpe final” no pecado (que é egoísmo, que é auto-suficiência, que é fechamento em si próprio). A ressurreição mostra essa vida nova que brota de um “não” decidido ao egoísmo e ao pecado.
Ora os cristãos, pelo batismo, são “enxertados” em Cristo. Quer dizer: entram a fazer parte do Corpo de Cristo e passam a receber de Cristo a vida que os alimenta. Se neles circula a mesma vida de Cristo, o pecado já não tem aí lugar: só tem aí lugar essa vida de dom, de amor, de entrega, de serviço que conduz à ressurreição, à vida definitiva. Ser batizado é “sepultar o pecado” e ressuscitar para uma dinâmica de vida nova, de onde o pecado está – tem de estar – ausente.
ATUALIZAÇÃO
• Nesta leitura sugere-se, antes de mais, que o cristão é aquele que se identifica com Cristo. Enxertado em Cristo pelo batismo, o cristão faz de Cristo a sua referência e segue-O incondicionalmente, renunciando ao pecado e escolhendo o amor e o dom da vida. Ora, todos os discípulos estão conscientes que ser cristão passa por aqui; mas, dia a dia, são desafiados por outras referências, por outros valores, por outros modelos de vida… Qual é o modelo e a referência fundamental à volta da qual a minha vida se ordena e se constrói?
• Em termos concretos, o que é que implica a nossa adesão a Cristo? Paulo responde: significa morrer para o pecado e viver para Deus. O que é que significa “pecar”? Significa fechar-se no próprio egoísmo e recusar Deus e os outros. “Pecar” é recusar a comunhão com Deus e ignorar conscientemente as suas propostas; é recusar fazer da vida um dom, um serviço, uma partilha de amor com os irmãos… Os homens do nosso tempo acham que falar de “pecado” não faz sentido e que o discurso sobre o pecado é um discurso antiquado, repressivo, alienante. No entanto, o “pecado” existe: é o egoísmo que gera injustiça e exploração; é o orgulho que gera conflito e divisão; é a vingança que gera violência e morte. O que se pede ao discípulo de Jesus é que renuncie a esta realidade e oriente a sua vida de acordo com outros critérios – os critérios e os valores de Jesus.
Evangelho – Mt. 10,37-42 - AMBIENTE
O Evangelho deste domingo apresenta-nos a parte final de um discurso atribuído a Jesus e que teria sido pronunciado pouco antes do envio dos discípulos em missão (é chamado, por isso, o “discurso da missão”). Mais do que um discurso histórico, que Jesus pronunciou de uma única vez e num único lugar, é uma catequese que Mateus compôs a partir de diversos materiais (o autor combina aqui relatos de envio, “ditos” de Jesus acerca dos “doze” e várias outras “sentenças” que, originalmente, tinham um outro contexto).
Qual o objetivo de Mateus, ao compor este texto e ao pô-lo na boca de Jesus?
Estamos na década de 80. Mateus escreve para uma comunidade onde a tradição missionária estava bem enraizada (a comunidade cristã de Antioquia da Síria?). No entanto, as condições políticas do final do séc. I (reinado de Domiciano e hostilidade crescente do império em relação ao cristianismo) trazem a comunidade confusa e desorientada. Vale a pena “remar contra a maré”? Não é um risco imprudente continuar a anunciar Jesus? Vale a pena arriscar tudo por causa do Evangelho, quando as condições são tão desfavoráveis?
Mateus compõe então uma espécie de “manual do missionário cristão”, destinado a revitalizar a opção missionária da sua comunidade. Nele sugere que a missão dos discípulos é anunciar Jesus e continuar a percorrer o caminho de Jesus – mesmo que esse caminho leve ao dom total da vida. Apresenta, nesse sentido, um conjunto de valores e atitudes que devem orientar a ação dos missionários cristãos.
MENSAGEM
O nosso texto pode dividir-se em duas partes. Na primeira parte (vs. 37-39), Mateus apresenta um conjunto de exigências radicais para quem quer seguir Jesus; na segunda parte (vs. 40-42), Mateus sugere que toda a comunidade deve anunciar Jesus e põe na boca de Jesus o anúncio de uma recompensa, destinada àqueles que acolherem os mensageiros do Evangelho.
O seguimento de Jesus não é um caminho fácil e consensual, ladeado por aplausos e encorajamentos. Mas é um caminho radical, que obriga, muitas vezes, a rupturas e a opções exigentes. Quando se trata de escolher entre Jesus e outros valores, qual deve ser a opção do cristão?
Mateus não admite “meias-tintas”: a primeira lealdade deve ser sempre com Jesus. Se a alternativa for escolher entre Jesus e a própria família (v. 37), a escolha do discípulo deve recair sempre em Jesus (recorde-se que, então, a família era a estrutura social que dava sentido à vida dos indivíduos; a ruptura com a família era uma medida extrema, que supunha um desenraizamento social quase completo). O discípulo tem necessariamente que cortar relações com a própria família para seguir Jesus? Não. No entanto, não pode deixar que a família ou os afetos o impeçam de responder, com coerência e radicalidade, ao desafio do “Reino”.
Se a alternativa for escolher entre Jesus e as próprias seguranças (v. 38), a escolha do discípulo deve ser tomar a cruz e seguir Jesus (o fazer da vida um dom total a Deus e aos homens, significa o rompimento com todos os esquemas que, na perspectiva dos homens, dão comodidade, bem estar, realização, felicidade, êxito).
De resto, escolher Jesus e segui-l’O até à cruz não é um caminho de fracasso e de morte, mas é um caminho de vida. Na verdade, quando o homem está muito preocupado em proteger os seus esquemas de seguranças humanas e se fecha no seu egoísmo e na sua auto-suficiência, acaba por perder a vida verdadeira; mas, quando o homem aceita viver na obediência aos projetos de Deus e fazer da sua vida um dom de amor aos irmãos, encontra a vida definitiva (v. 39).
Na segunda parte do nosso texto, Mateus refere-se à recompensa destinada àqueles que acolhem os mensageiros da Boa Nova de Jesus.
Mateus refere-se a quatro grupos de pessoas, que integram a comunidade cristã e que têm a responsabilidade do testemunho: os apóstolos (v. 40), os profetas (v. 41a), os justos (v. 41b) e os pequenos (v. 42). Todos eles têm por missão anunciar a Boa Nova de Jesus. Os apóstolos – os que acompanharam sempre Jesus – são as testemunhas primordiais de Jesus, pois diz-se deles que quem os recebe, recebe Jesus. Os profetas são aqueles pregadores itinerantes que, em nome de Deus, interpelam a comunidade e que a ajudam a ser coerente com os valores do Evangelho. Os justos são provavelmente os cristãos procedentes do judaísmo, que procuram viver, no seio da comunidade cristã, em coerência com a Lei de Moisés. Os pequenos são os discípulos que ainda não integram de forma plena a comunidade, pois estão em processo de amadurecimento da sua opção (podiam ser os catecúmenos que estão a descobrir a fé, à espera do compromisso pleno com Cristo e com a Boa Nova). De qualquer forma, todos estes grupos que formam a comunidade cristã, têm por missão anunciar o Evangelho de Jesus.
A questão é fundamentalmente esta: a tarefa de anunciar o Evangelho pertence a todos os membros da comunidade cristã; e esses “missionários” que testemunham a Boa Nova e que entregam a vida ao serviço do “Reino” devem ser acolhidos com entusiasmo, com generosidade e amor.
ATUALIZAÇÃO
• Jesus não é um demagogo que faz promessas fáceis e cuja preocupação é juntar adeptos ou atrair multidões a qualquer preço. Ele veio ao nosso encontro com uma proposta de salvação e de vida plena; no entanto, essa proposta implica uma adesão séria, exigente, radical, sem “paninhos quentes” ou “meias tintas”. O caminho que Jesus propõe não é um caminho de “massas”, mas um caminho de “discípulos”: implica uma adesão incondicional ao “Reino”, à sua dinâmica, à sua lógica; e isso não é para todos, mas apenas para os discípulos que fazem, séria e conscientemente, essa opção. Como é que eu me situo face a isto? O projeto de Jesus é, para mim, uma opção radical, que eu abracei com convicção, a tempo inteiro e a “fundo perdido”, ou é um projeto em que eu “vou testando”, sem grande esforço ou compromisso, por inércia, por comodismo, por tradição?
• Dentro do quadro de exigências que Jesus apresenta aos discípulos, sobressai a exigência de preferir Jesus à própria família. Isso não significa, evidentemente, que devamos rejeitar os laços que nos unem àqueles que amamos… No entanto, significa que os laços afetivos, por mais sagrados que sejam, não devem afastar-nos dos valores do “Reino”? As pessoas têm mais importância, para mim, do que o “Reino”? Já me aconteceu renunciar aos valores de Jesus por causa de alguém?
• Outra exigência que Jesus faz aos discípulos é a renúncia à própria vida e o tomar a cruz do amor, do serviço, do dom da vida. O que é mais importante para mim: os meus interesses, os meus valores egoístas, ou o serviço dos irmãos e o dom da vida?
• A forma exigente como Jesus põe a questão da adesão ao “Reino” e à sua dinâmica, faz-nos pensar na nossa pastoral – vocacionada para ser uma pastoral de “massas” – e na tentação que sentem os agentes da pastoral no sentido de facilitar as coisas, de não ser exigentes… Às vezes, interessa mais que as estatísticas da paróquia apresentem um grande número de batizados, de casamentos, de crismas, de comunhões, do que propor, com exigência, a radicalidade do Evangelho e dos valores de Jesus… O caminho cristão é um caminho de facilidade, onde cabe tudo, ou é um caminho verdadeiramente exigente, onde só cabem aqueles que aceitam a radicalidade de Jesus? A nossa pastoral deve facilitar tudo, ou ir pelo caminho da exigência?
• Às vezes, as pessoas procuram os ritos cristãos por tradição, por influências do meio social ou familiar, porque “a cerimônia religiosa fica bonita nas fotografias”. Sem recusarmos nada devemos, contudo, fazê-las perceber que a opção pelo batismo ou pelo casamento religioso é uma opção séria e exigente, que só faz sentido no quadro de um compromisso com o “Reino” e com a proposta de Jesus.
• Integrar a comunidade cristã é assumir o imperativo do testemunho. Sinto verdadeiramente que isso é algo que me diz respeito – seja qual for o lugar que eu ocupo na organização da comunidade?
• Como é que, na minha comunidade, são vistos aqueles que se dão, de forma mais plena e mais total, ao anúncio do Evangelho: são reconhecidos e apoiados, ou são injustamente criticados e vítimas de maledicência, de invejas e de ciúmes?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho


Um comentário:

  1. Em algumas das homilias apresentadas aparece "PELO O", que é uma redundância desnecessária já que "pelo" é a junção de per+o. Obrigado. Vale lembrar que pelo menos e não "pelo o menos" uma vez por semana eu acesso essa página que tem sido um ótimo suporte para meu entendimento da palavra.

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