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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 1 de junho de 2017

DOMINGO DE PENTECOSTES-Ano A

DOMINGO DE PENTECOSTES

4 de Junho de 2017
Cor: Vermelho
Evangelho - Jo 20,19-23
  


A liturgia deste domingo é toda voltada para a terceira pessoa da Santíssima Trindade. É o Espírito Santo. É Ele que nos ilumina, nos clareia os pensamentos, a memória, e nos dá inspiração no anúncio da palavra.
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"COMO O MEU PAI ME ENVIOU,TAMBÉM  EU VOS ENVIO." - Olívia Coutinho

SOLENIDADE DE PENTECOSTES

Dia 04 de Junho de 2017

Evangelho de Jo,20, 19-23


Com muita alegria, celebramos hoje, a Solenidade de Pentecostes, o coroamento do tempo Pascal, quando se cumpre a promessa de Jesus: o envio do Espírito Santo!  Espírito Santo, que já se faz presente em nós, mas que muitas vezes, não percebermos a sua ação libertadora e santificadora! 
A definição marcante desta solenidade, podemos dizer que é a "Germinação da Igreja", pois a caminhada missionária da Igreja começa em Pentecostes, quando o Espírito Santo entra em suas entranhas a tornando  viva e atuante!
Foi a partir de Pentecostes, que a igreja começou a falar, a falar a linguagem do amor, que é uma linguagem universal que mesmo sendo desdobrada em vários idiomas, é a única linguagem capaz de ser entendida pelos povos de todas as nações!
A missão da Igreja consiste em revelar aos homens, a vida nova que brota da ressurreição de Jesus! A sua grande riqueza, está na abertura a todos os povos e culturas! A Igreja é unidade, ela é  guardiã do amor, do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Nesta festa, que também podemos chamar de festa missionária, devemos alargar o nosso olhar para o mundo inteiro, onde a igreja se faz presente na pessoa de muitos missionários, homens e mulheres, que apesar das inúmeras dificuldades, se prontificam em gastar a vida na difusão do evangelho, dando continuidade a missão de Jesus. Unamos a estes missionários, no desejo de fazer chegar a outros irmãos, a verdade que liberta!
Sabemos que os desafios de quem se entrega a missionariedade são inúmeros, mas sabemos também, que o Espírito Santo anima e dá força a quem abraça a missão de anunciar o Evangelho, possibilitando a todos  conhecer Jesus!
O evangelho deste domingo de Pentecostes,  nos apresenta a comunidade de homens novos, que nasce da cruz e da ressurreição e são libertados pela força santificadora e libertadora do Espírito Santo. 
Tudo começa,   no primeiro encontro de Jesus com os discípulos, logo após a sua ressurreição. Foi neste encontro, que Jesus comunicou a eles o seu Espírito, num gesto de soprar sobre eles! Ao soprar o Espírito Santo sobre os discípulos, Jesus nos faz recordar o sopro de Deus na criação, o sopro que deu vida a criatura humana, gesto que Jesus repete como início de uma nova criação!
Cheios do Espírito Santo, os discípulos se libertam do medo que os aprisionavam e a partir deste momento, as palavras de Jesus, tornaram-se claras para eles!
“Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados."
Com o sopro do Espírito Santo, Jesus concede a igreja, o poder de perdoar pecados.  É Deus quem tem o poder de perdoar pecados, mas Jesus concede este poder e o transmite a sua Igreja. Trata-se do sacramento da reconciliação. 
Quando Jesus diz: “Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados,” não significa uma condenação, e sim, um insistente apelo à conversão, ou seja,  não é a Igreja que não perdoa esses pecados, pelo contrário, a Igreja trabalha o arrependimento, favorecendo as condições para que a pessoa possa se redimir. Pecados não perdoados, são aqueles pecados que a gente tem consciência de tê-los,  mas  permanecemos neles, sem nos abrimos ao arrependimento, o que significa, um fechamento a ação do Espírito Santo, isto é, o fechamento à graça do perdão!
No sopro do Espírito Santo sobre os discípulos, é expressa a criação renovada, é o Espírito Santo que recria a comunidade dos apóstolos e descerra suas portas para a missão!
Os discípulos só conseguiram tomar atitudes corajosas para anunciar o evangelho, depois que receberam o Espírito Santo! Era tão grande a coragem que eles passaram a ter e tão seguras as suas decisões, que eles estavam dispostos a tudo, até mesmo a dar a vida pelo o evangelho!
Com Pentecostes, encerra-se o tempo Pascal, mas este acontecimento não é final, é o começo do nosso peregrinar rumo a eternidade!
Os atos dos Apóstolos começaram com o sopro do Espírito Santo, também os nossos atos, começam a partir da conscientização desta força libertadora e santificadora que recebemos no nosso Batismo.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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A força do Espírito rompe barreiras e renova o mundo!
Na era da internet, uma notícia chega aos quatro cantos do mundo em frações de segundos. Por meio do computador, vemos o mundo e nos comunicamos com ele, mobilizamo-nos para coisas boas e ruins. Tudo se parece com um espírito que corre veloz nas ondas invisíveis e nas fibras ópticas de um mundo globalizado, que, apesar dos avanços tecnológicos, ainda persiste em mostrar o incômodo da miséria, do racismo, da exploração sexual e das injustiças sociais reinantes em grande parte do nosso planeta. A globalização ainda não acontece satisfatoriamente na promoção da solidariedade, da cultura da paz, do acesso aos bens necessários à vida, da justiça. 
É neste contexto de século XXI que continuamos celebrando Pentecostes como acontecimento profundamente aglutinador, pois nele todos os povos são reunidos por Deus para desfrutar da Páscoa de seu Filho, fonte de paz, salvação e vida plena para todos. Pentecostes é o oposto de Babel (Gn. 11,1-9), pois não envolve multiplicação de línguas, mas é a plenitude da comunicação entre o divino e o humano e o evento basilar do cristianismo primitivo, ao reler a manifestação de Deus no monte Sinai. É o que veremos nas leituras de hoje.
1ª leitura (At 2,1-11)
Pentecostes  é a releitura simbólica do Sinai
Haviam se passado os 50 dias entre as festas da Páscoa e Pentecostes. Era o quinquagésimo dia da festa das Semanas, daí o nome hebraico da festa: “Pentecostes”. Era o dia 6 do mês de sivan – 22 de maio no nosso calendário. Jerusalém estava repleta de peregrinos. Todos teriam trazido as primeiras colheitas para serem ofertadas no Templo. A peregrinação até Jerusalém teria sido linda. Imagine grupos de pessoas caminhando juntos com cestos de uva, trigo, azeitonas, tâmaras, mel... Imagine o povo sendo acolhido em Jerusalém ao som de harpa, flauta e recitação de salmos. Todos carregavam dentro de si o desejo de agradecer a Deus pelas primeiras colheitas e de comemorar o “dom da Torá”, da Lei dada ao povo no monte Sinai tantos séculos atrás. Nisso consistia a festa judaica de Pentecostes: comemorar o recebimento da Torá no monte Sinai e afirmar, com isso, que no dia de sua revelação “eu também estava lá” (Dt. 5,24). O ontem se torna hoje (Lc. 4).  
Em Jerusalém estavam todos. E todos presenciaram a vinda do Espírito Santo. Como podemos interpretar esse episódio narrado por Lucas nos Atos? Não estaria aí uma releitura do evento Sinai? Lucas descreve o acontecido em Pentecostes tendo na memória a narrativa do Sinai. Era preciso demonstrar que um novo Sinai estava acontecendo para legitimar a ação da comunidade de Jerusalém. Jesus teria dito para voltarem a Jerusalém e lá eles receberiam o Espírito Santo. Pentecostes passa a ser o batismo da comunidade cristã, o qual a confirma na missão de ir para o mundo e evangelizar. Mais que de um dado histórico, estamos diante de uma profissão de fé. Sem Pentecostes, a Páscoa (passagem) para uma nova vida em Jesus não estaria completa. É belíssima a simbologia usada por Lucas para falar de uma experiência tão importante, que marca o início da missão das comunidades cristãs. 
Em At 2,1-13, temos dois relatos unidos: um mais antigo (vv. 1-4 + 12-13) e um mais desenvolvido redacionalmente (vv. 5-11). O objetivo do primeiro é chamar a atenção para o fato carismático e apocalíptico de Pentecostes, e o do segundo, demonstrar o caráter profético e missionário do evento. Vamos considerar o texto como um todo e interpretá-lo simbolicamente, também como releitura do Sinai.
Eis os símbolos:
a) Casa em Jerusalém: a vinda do Espírito Santo ocorre, segundo a tradição, em uma casa de dois andares na cidade de Jerusalém, que está situada sobre o monte Sião. Esses dois detalhes evocam claramente o monte Sinai, local onde Moisés recebeu as Dez Palavras de Deus. No Primeiro Testamento, os montes eram considerados lugares privilegiados da manifestação de Deus.
b) Língua/linguagem: Lucas substitui o termo voz, que aparece na narrativa do Sinai, por língua. Esses termos são semelhantes e ambos se referem à Palavra. E cada um entende na sua própria língua. A Palavra é a presença de Deus. Língua (idioma) e linguagem (modo de se comunicar) têm o mesmo sentido no texto. O milagre de Pentecostes consiste no fato de os presentes poderem entender os apóstolos no interior de sua própria cultura. É o mesmo que dizer: a evangelização está sendo realizada com sucesso. Por isso, esse fenômeno, também encontrado em At. 10,46 e 19,6, 1Cor. 12,10.28.30 e 14,2.4-6.9, aparece nessa leitura com o acréscimo de “outras línguas”, com a intenção de demonstrar que a evangelização era para “todos no mundo todo”. Evangelizar não é falar em língua que ninguém entende, mas justamente o contrário. Não importa o idioma (língua-mãe), mas a linguagem comum, o modo como é transmitida a proposta do reino.
c) De fogo: representa a manifestação de Deus; é um modo apocalíptico de dizer que Deus se manifestou (Ex. 3,2-3; 13,21; 19,18). Deus acompanha o povo pelo deserto numa coluna de fogo que iluminava a noite (Ex. 13,20-22). Deus desce para falar com o povo e Moisés no Sinai por meio do fogo (Ex. 19,18). A comunidade de Mateus conservou a memória da fala de João Batista que anuncia o batismo no Espírito Santo e no fogo que Jesus deveria realizar (Mt 3,11). E é isso que ocorre em Pentecostes, segundo a interpretação da comunidade dos Atos dos Apóstolos. O Espírito Santo é o fogo da palavra de Jesus que deve ser anunciada pelos seus seguidores. 
d) Multidão: simboliza o povo no deserto que recebeu as tábuas da Lei. No dia de Pentecostes, 3 mil pessoas estavam em Jerusalém. Não se trata aqui de uma cifra exata. A comunidade dos Atos quis, com isso, afirmar que a comunidade dos convertidos era uma multidão, proveniente de 12 povos e 3 regiões.
e) Vendaval impetuoso: simboliza a manifestação de Deus. É a “violência” do Espírito que leva a comunidade a ser profética e missionária. Deus fala no Primeiro e Segundo Testamentos.
f) Estão cheios de vinho doce: essa acusação simboliza os que não estão abertos ao novo da comunidade cristã. Segundo os Rolos do Templo (cf. FITZMYER, J. The acts of the apostles, The Anchor Bible, vol. 31, p. 235), gruta 11, os judeus de Qumrã celebravam três Pentecostes: a) a festa das Semanas e do Novo Trigo (50 dias após a Páscoa); b) a festa do Novo Vinho (50 dias após a festa do Novo Trigo); c) a festa do Novo Óleo (50 dias após a festa do Novo Vinho). Essa sequência de festas nos mostra que, depois da Páscoa, de 50 em 50 dias, era celebrada uma festa. Sendo uma das festas a do Novo Vinho, podemos entender melhor esta zombaria no texto: “estão cheios de vinho doce”. Lucas pode ter conhecido múltiplos Pentecostes entre os contemporâneos judeus e fez alusão ao Pentecostes do Novo Vinho, quando fala, mais propriamente, do Pentecostes do Novo Trigo.
Evangelho (Jo 20,19-23)
Pentecostes é a nova Páscoa para os seguidores  de Jesus,
na paz e no anúncio do Espírito Santo
A comunidade está reunida e com medo. O Ressuscitado ultrapassa as barreiras físicas e aparece diante dela. Ele lhes diz: “A paz esteja convosco”. “Paz” se diz em hebraico shalom, palavra originada do verbo shlm, que, no tempo verbal piel, significa pagar, devolver, ressarcir, indenizar, conservar. Da mesma raiz, o adjetivo shalem significa estar completo, inteiro. Pagar em hebraico tem o sentido de completar o valor justo. É forma simbólica de completar o vazio deixado pelo objeto tirado. Quem compra e não paga mutila o outro. Paz é eterna harmonia com Deus, com o outro e com o universo. Os judeus acreditam que o Messias só virá quando a justiça social estiver implantada em nosso meio. Jerusalém, a cidade (yeru) da paz (shalem), é protótipo desse sonho, dessa esperança. Jerusalém, em hebraico, escreve-se, na verdade, Ierushalaim. Duas vezes aparece o i (em hebraico yod), ainda que na segunda vez ele não seja pronunciado, pois representa o nome de Deus, Iahweh. Os outros povos, não compreendendo o significado do i no nome dessa cidade santa, traduziram-no como Jerusalém. O yod representa, para o semita, a esperança. E é nesse contexto que podemos entender a fala de Jesus: “Nem um i sequer será tirado da Lei” (Mt. 5,18).
A esperança de paz, de voltar ao tempo de Deus, jamais acabará para quem sabe esperar. Jesus pôde dizer Paz a vós, pois ele é a paz. A sua presença já é paz e esperança. Quando, na missa, saudamos o outro com a expressão “paz de Cristo”, desejamos que Cristo esteja dentro dele e ele seja qual outro ressuscitado. A expressão “paz de Cristo” reúne os elementos do ser completo, da harmonia e, mais que isso, da presença duradoura de Deus transmitida por Jesus aos seus.
Para as comunidades joaninas, Pentecostes, como dom do Espírito, realiza-se na Páscoa. Jesus, na sua morte de cruz, entrega o Espírito (Jo 19,30). Jesus ressuscitado aparece aos discípulos e lhes oferece o Espírito Santo, como nos atesta o evangelho de hoje (v. 22). A comunidade pascal é portadora da paz e da força do Espírito do Ressuscitado que deve ser levado ao mundo. Ela é sinal da ação do Espírito que faz passar da morte para a vida todo o universo. Por isso, Jesus envia a comunidade ao mundo, com a missão de reconciliá-lo com Deus, combatendo as forças do mal. A nova comunidade dos judeu-cristãos é portadora do projeto de Deus para a verdadeira unificação do mundo. Esse segredo chama-se: Páscoa do Ressuscitado. Sua força é a mesma de Pentecostes: reunir a diversidade na unidade. O desafio da comunidade é abrir as portas da “casa”: sair de si para reconhecer no universo o “vendaval” do Espírito que tudo renova, tudo recria e que sopra onde quer.
2ª leitura (1Cor. 12,3b-7.12-13)
O Espírito, fonte de diversidade e de comunhão
Tendo aprofundado o caráter simbólico da solenidade de Pentecostes, deparamos com a segunda leitura de hoje, a qual é um desafio proposto à comunidade de Corinto, em meio às divisões que ela sofria. Paulo insiste na comunhão no mesmo Espírito, na diversidade de ministérios, atividades, raças, culturas e povos. Diversidade é sinal da riqueza do único corpo de Cristo e condição para a unidade. O Espírito distribui os dons e reúne tudo e todos em Cristo. Assim, todos devem ser responsáveis e contribuir para o crescimento da comunidade, o Corpo do Senhor. Essa unidade só é possível porque envolve três realidades:
1) a ressurreição de Jesus que reúne o corpo e a comunidade;
2) a força do Espírito que impulsiona esse corpo; e
3) a diversidade de dons necessários à vida do corpo. 
Na comunidade de Corinto e nas de hoje, reconhecer Jesus como Senhor, título do Ressuscitado, é abandonar toda e qualquer divisão entre os irmãos. É ser sinal do amor de Deus para o mundo, deixando a energia do Espírito nos conduzir ao diferente, ao novo, manifestando a todos a vida que Deus dá. É o que expressa o prefácio litúrgico de Pentecostes: “[...] é ele quem dá a todos os povos o conhecimento do verdadeiro Deus e une, numa só fé, a diversidade das raças e línguas”. A unidade dos cristãos é desafio constante para todos nós. É nesse espírito que somos convidados a viver a Páscoa do Senhor como fator de unidade entre todas as Igrejas e entre todo o gênero humano. Pentecostes, assumido pela tradição cristã como plenitude da Páscoa de Jesus, é a força capaz de nos fazer compreender e viver em profundidade o projeto universal de vida para todos. Faz-nos enxergar no diferente, e até no estranho, a força da vida divina. A vida nova em Cristo tem força “simbólica”, unificadora: supõe abandonar tudo o que divide, afasta e cria abismos na convivência humana e ecológica, para abraçar outra norma de vida: o amor que reúne, aproxima e refaz a convivência na humanidade. É o Espírito, força de vida e de unidade, o único capaz de nos conectar com todo o universo e com a fonte da vida.
Pistas para reflexão
– Demonstrar que o Espírito Santo é o coração palpitante que animou a vida das primeiras comunidades cristãs no anúncio do evangelho e na fé em Jesus ressuscitado. Somos herdeiros dessa fé intrépida que rompeu barreiras e ganhou o mundo. 
– Demonstrar que a grande mensagem de Pentecostes é a evangelização e não o falar línguas. A vivacidade de nossas comunidades é exemplo de um novo Pentecostes acontecendo. 
– O Espírito de Deus em Pentecostes enche todo o universo, e mantém unidas todas as coisas; gera novas relações na comunidade e no mundo; realiza a plenitude da aliança do Sinai: o amor sem fronteiras.
padre Jacir de Freitas Faria, ofm





A igreja, o espírito e a unidade
1ª leitura (At. 2,1-11)
A primeira leitura narra o milagre das línguas no dia de Pentecostes, interpretado como acontecimento escatológico, a partir da profecia de Jl. 3 (cf. At. 2,16-21). Mas é, sobretudo, o cumprimento da palavra do Cristo (Lc. 24,49; At. 1,4; cf. Jo 14,16-17.26). O sopro do Espírito se faz perceber como um vendaval ao ouvido, como fogo aos olhos. Realiza a transformação do “pequeno rebanho” – os apóstolos reunidos no cenáculo em torno de Maria – em Igreja missionária. Todos ouvem o anúncio do Crucificado-Ressuscitado na língua que eles entendem. Assim acontece também hoje. A Igreja do Cristo se reconhece pelo espaço que ela dá ao Espírito e pela capacidade de proclamar sua mensagem.
2ª leitura (1Cor. 12,3b-7.12-13)
A segunda leitura ensina a unidade do Espírito na diversidade dos dons. “Jesus é o Senhor”, assim soa a profissão de fé que une a Igreja (cf. Fl. 2,9-11). E essa profissão só consegue manter-se na força do Espírito (1Cor. 12,3; cf. Rm. 10,9). O mesmo Espírito que produz a unidade da profissão de fé dá também a multiformidade dos serviços na Igreja. Todos os que pertencem a Cristo são membros diversos do mesmo Corpo (cf. Rm. 12,3-8; Ef. 4,4-6). Se a primeira leitura mostra mais o que o Espírito causa para fora (a missão proclamadora), a segunda evoca mais a obra “intraeclesial” do Espírito (para dentro): do mesmo Espírito provém a multiformidade dos dons, comparada às múltiplas funções que movimentam um mesmo corpo. Paulo chama isso de “carismas”, dons da graça (de Deus); pois sabemos muito bem que tal unidade na diversidade não é algo que vem de nossa ambição pessoal (a qual, normalmente, só produz divisão). É o Espírito do amor de Deus que tudo une.
Sequência: Veni Sancte Spiritus
Esse hino expressa maravilhosamente o sentido profundo do dom do Espírito à comunidade dos fiéis como chama do amor de Deus em Cristo. Não se deixe de pôr os fiéis, mediante canto ou recitação, em contato com esse rico texto.
Evangelho (Jo 20,19-23)
Esse evangelho, que retoma em parte o do segundo domingo pascal, descreve o dom do Espírito feito pelo Cristo ressuscitado. Celebramos a Sexta-Feira Santa, Páscoa e Pentecostes em três dias diferentes, mas a realidade é uma só: a “exaltação” de Cristo na cruz e na glória, fonte do Espírito que ele nos dá. Se Lucas descreve a manifestação do Espírito no anúncio no quinquagésimo dia da ressurreição (I leitura), João descreve o dom do Espírito no próprio dia da ressurreição de Jesus. Essa, de fato, é a visão joanina da “exaltação” ou “enaltecimento” de Jesus: sua morte, ressurreição e dom do Espírito constituem uma realidade única, pois sua morte é a obra em que Deus é glorificado, e seu lado aberto é a fonte do Espírito para os fiéis (Jo 7,37-39; 19,31-37). Jesus aparece aos seus, identifica-se pelas marcas de sua paixão e morte e comunica-lhes a sua paz, que ele prometera (cf. 14,27). Então, concede-lhes o dom do Espírito, que os capacita para tirar o pecado do mundo, ou seja, para continuar a missão salvadora do próprio Jesus (cf. 1,29.35). O mundo ressuscita com Cristo, pelo Espírito dado à Igreja.
Laço de amor da nova criação
O Espírito do Senhor exaltado é o laço do amor divino que nos une, que transforma o mundo em nova criação sem mancha nem pecado, na qual todos entendem a voz de Deus. É essa a mensagem da liturgia de hoje. O mundo é renovado conforme a obra de Cristo, que nós, no seu Espírito, levamos adiante. Nesse sentido, é a festa da Igreja que nasceu do lado aberto do Salvador e manifestou sua missão no dia de Pentecostes. Igreja que nasce não de organizações e instituições, mas da força graciosa (“carisma”) que Deus infunde no coração e nos lábios. A festa de hoje nos ajuda, assim, a entender o que é “renovação carismática”: não uma avalanche de fenômenos de um movimento religioso, mas o espírito da unidade, do perdão e da mútua solidariedade que ganha força decisiva na Igreja. O Espírito Santo é a “alma” da Igreja, o calor de nossa fé e de nossa comunhão eclesial.
Pentecostes, festa do “Divino” Espírito Santo, é oportunidade para entender melhor uma realidade central de nossa fé: o Espírito de Deus que nos é dado em virtude de nossa fé em Jesus Cristo. O ponto de partida pode ser o Evangelho de João, que narra como, no próprio dia da Páscoa, o Jesus glorioso comunica aos apóstolos, da parte do Pai, o Espírito Santo, para que exerçam o poder de perdoar os pecados. Pois Jesus é “o cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), e os discípulos devem continuar essa missão.
São Lucas, na 1ª leitura, dos Atos dos Apóstolos, distingue diversos momentos. No seu evangelho e no início do livro dos Atos, descreveu a Páscoa da ressurreição e a ascensão do Senhor Jesus como entrada na glória, com a manifestação do Espírito Santo ocorrendo poucos dias após, mais exatamente 50 dias depois da Páscoa, no Pentecostes (que significa “quinquagésimo dia”). Nesse dia, em que a religião de Israel comemora o dom da Lei no monte Sinai, descem sobre os apóstolos como que línguas de fogo, para que eles proclamem o evangelho a todos os povos, representados em Jerusalém pelos romeiros da festa, que ouvem a proclamação cada qual em sua própria língua.
Entre os primeiros cristãos, os de Corinto gostavam demais do “dom das línguas”, pelo qual eles podiam exclamar frases em línguas estranhas. Mas Paulo os adverte de que os dons não se devem tornar fonte de desunião. Os fiéis, com sua diversidade de dons, devem completar-se, como os membros de um mesmo corpo (II leitura). No milagre de Pentecostes, um falava e todos entendiam (em sua própria língua). No “dom das línguas”, ou glossolalia, corre-se o perigo de que todos falem e ninguém entenda. Por isso, Paulo prefere um falar que todos entendam (ler 1Co. 14).
Nós hoje somos chamados a renovar o milagre de Pentecostes: falar uma língua que todos entendam, a linguagem da justiça e do amor. É a linguagem de Cristo, e é uma “língua de fogo”! Aliás, o evangelho nos lembra que a primeira finalidade do dom do Espírito é tirar o pecado do mundo (Jo 20,22-23). A linguagem do Espírito é a linguagem da justiça e do amor. Por outro lado, devemos reconhecer a enorme diversidade de dons no único “corpo” da Igreja. Somos capazes de considerar as nossas diferenças (pastorais, ideológicas etc.) como mútuo enriquecimento? Pomo-las em comum? O diálogo na diversidade pode ser um dom do Espírito muito atual.
padre Johan Konings, sj




Assim se exprime o  Concílio  do Vaticano II a respeito do Espírito Santo:  “Terminada na terra o obra  que o Pai confiou ao Filho, o Espírito Santo foi enviado  no dia de Pentecostes a fim de santificar continuamente a Igreja e, por Cristo, no único Espírito terem os fiéis acesso junto ao Pai.  Ele é o Espírito da vida,  a fonte de água que jorra para a vida eterna. Por ele o Pai dá a vida aos homens mortos pelo pecado, até ressuscitar em Cristo seus corpos mortais” (Lúmen  Gentium, 4).
Ele vem como o vento e como o fogo, como a brisa e como a chama. Lucas descreve com tintas fortes a chegada do Espírito que procede do Pai e do Filho e que é derramado em nossos corações como água benfazeja.
Os discípulos estavam reunidos no mesmo lugar. Unidos. Unidos esperando a força do alto. Unidos com medo dos judeus.
Primeiro uma ventania forte, um barulho que parece ensurdecer. O Espírito é força que desinstala. Ele sopra, dilata, recria, transforma, desarruma, empurra. Não deixa que a Igreja se acomode, se instale, se fixe. O Espírito é movimento. Questiona a vida das paróquias, dos movimentos, das estruturas que gostam de se fixar. Não admite qualquer forma de fixismo.  Assim, a força do Espírito não é conivente com o velho, com o ultrapassado. O Espírito abre caminhos insuspeitados. Nada de caminhos batidos. O Espírito costuma apontar para o insuspeitado, para o excepcional. Afasta-se da mesmice e da rotina empobrecedora.
O Espírito quando chega é luz que esclarece.  Os viandantes não sabem que rumo  escolher, ignoram a decisão a ser tomada. O Espírito é luz e claridade no meio das trevas.  É luz que ajuda o discernimento: como educar nossos filhos, que caminhos tomar para que o resto de nossa vida seja bem sucedido, como chegar à santidade quando o pecado mora em nós, que caminhos tomará a pastoral em nossos dias, que trilhas percorrerá a vida consagrada.
O Espírito é brisa suave que a tudo impregna. Belamente rezamos na seqüência da missa de  Pentecostes:  “No labor descanso, na aflição remanso, no calor aragem”.
O Espírito é impregnação, interiorização, inabitação.  Ele cria comunhão entre os povos.  Vários povos,  várias línguas e todos compreendem o que ele pede. Essa força suave reza em nós. Dentro de cada um ele geme, rezando em nós.  Os que se abrem à sua ação se tornam hospedaria dele.
Quando o  sacerdote, na celebração eucarística, estende as mãos sobre as oferendas ele  atualiza a presença de Jesus entre nós, o mesmo Espírito que fizera o Verbo nascer da Virgem Maria.Assiste a Igreja e não permite que ela tome caminhos errados nas coisas essenciais.
Festa do vento e do fogo.  Festa solene do Espírito derramado como água no coração dos fiéis.


Segunda homilia

Ele foi derramado em nossos corações
Para levar à plenitude os mistérios pascais, derramastes hoje,  o Espírito Santo, prometido em favor dos vossos filhos e filhas (Do Prefácio da Solenidade de Pentecostes).
Estamos terminando o tempo das grandes e belas e alegres solenidades pascais.   O mistério pascal de Cristo e nosso chega ao seu ponto culminante. Hoje é a solenidade do vento e do fogo, do ardor e da brisa suave. Hoje é Pentecostes. 
Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, descreve a seu modo  a descida do  Espírito. Veio do céu um barulho, como se fosse uma forte ventania.  Vento, força que pode ser suave, mas também violenta que pode destelhar  casas e arrancar as árvores.  O Espírito é dado à Igreja para que esta seja o forte e robusta.  Deus não vem nesse momento no rosto do Menino das Palhas, mas na força do Vento que arranca falsas certezas e devasta morosas rotinas. O Espírito é força para o testemunho e vida vigorosa para os discípulos.  Ele enche a casa em que estavam reunidos.  Como enche a Igreja e as comunidades nas quais nos reunimos.  Sem o Espírito a Igreja é órfã.  O Espírito é o Pai dos órfãos.
O Espírito também se manifesta em forma de línguas de fogo.  Línguas: fala, conversa, diálogo.  As pessoas eram diferentes umas das outras e, ao mesmo tempo, se entendiam.  Falavam a língua da concórdia e do entendimento.  Ele é o artífice da unidade.  No seio da Igreja ele atua como  artífice da unidade na diferença.  Há cristãos da velha Europa, comunidades nas terras da África e da Ásia,  gente  nas planícies e montanhas da  América Latina, índios, negros, brancos unidos na mesma fé, mas com culturas diferentes.  O  Espírito, insistimos, é o artífice da unidade.
As línguas eram de fogo. O fogo queima e ilumina. Ilumina e esclarece.  Esclarecer significa clarear.  O Espírito é dado para que individual e comunitariamente não andemos  às cegas e às apalpadelas.  Ilumina o caminho que precisamos trilhar para  chegar à plenitude do discipulado cristãos.   Clareia as sendas da Igreja para que ela compreenda seu lugar num  mundo das comunicações midiáticas, do indiferentismo, do relativismo, das confusões de gêneros.
Línguas de fogo!  Fogo tem a ver com ardor. Viver a fé com ardor, evangelizar com ardor, com novo ardor missionário. Não com apatia, rotina e por obrigação.  Fervor e ardor dos casais cristãos, dos sacerdotes nas paróquias, dos catequistas e agentes de pastoral. Fervor e ardor na oração e na pastoral.
O Espírito foi derramado em nossos corações como água cheia de vida…  Basílio Magno  nos ajude a compreender a ação do Espírito:  “Inacessível  por sua natureza, torna-se acessível por sua bondade. Enche tudo com o seu poder,  mas comunica-se apenas aos que são dignos. Não a todos na mesma medida, mas distribuindo os seus dons em proporção da fé.  Simples na essência, múltiplo nas manifestações do seu poder, está presente por inteiro em cada um, sem deixar de estar todo em todo lugar.  Reparte-se e não sofre diminuição. Todos dele participam e permanece integro, à semelhança dos raios do sol que fazem sentir a cada um a sua luz benéfica como se fosse para ele só e contudo iluminam a terra e o mar e se difundem pelo  espaço.   Assim é também o  Espírito Santo;  está presente em cada um dos que são capazes de recebê-lo, como se estivesse nele só, e, não obstante,  dá a todos a totalidade da graça de que necessitam.  Os que participam do Espírito, recebem os seu dons na medida em que o permite a disposição de cada um, mas não na medida do poder do mesmo  Espírito”.
frei Almir Ribeiro Guimaeães





A Igreja, o Espírito e a Unidade
Pentecostes é a plenificação do Mistério pascal: a comunhão com o Ressuscitado só é completa pelo dom do Espírito, que continua em nós a obra do Cristo e sua presença gloriosa.
A liturgia de hoje acentua a manifestação histórica do Espírito no milagre de Pentecostes (1ª leitura) e nos carismas da Igreja (2ª leitura), sinais da unidade e paz que o Cristo veio trazer. Isto, porque a pregação dos apóstolos, anunciando o Ressuscitado, supera a divisão de raças e línguas, e porque a diversidade de dons na Igreja serve para a edificação do povo unido, o Corpo do qual Cristo é a cabeça. Ambos estes temas podem alimentar a reflexão de hoje.
No antigo Israel, Pentecostes era uma festa agrícola (primícias da safra, no hemisfério setentrional). Mais tarde, foi relacionada com o evento salvífico central da Aliança mosaica: ganhou o sentido de comemoração da proclamação da Lei no monte Sinai. Tomou-se uma das três grandes festas em que os judeus subiam em romaria a Jerusalém (as outras são Páscoa e Tabernáculos). Foi nesta festa que aconteceu a “explosão” do Espírito Santo, a força que levou os apóstolos a tomarem a palavra e a proclamarem, diante da multidão reunida de todos os cantos do judaísmo, o anúncio (“querigma”) de Jesus Cristo. Seria errado pensar que o Espírito tivesse sido dado naquele momento pela primeira vez. O evangelho (de João) nos ensina que Jesus comunicou o Espírito no próprio dia da Páscoa. O Espírito está sempre aí. Mas foi no dia de Pentecostes que esta realidade se manifestou ao mundo. Por isso, ele aparece em forma de línguas, operando o milagre das línguas e reparando a “confusão babilônica” (cf. vigília)15.
A essa proclamação universal aludem o canto da entrada (opção 1), a oração do dia e a 1ª leitura. O Espírito leva a proclamar os magnalia Dei em todas as línguas. O conteúdo desta proclamação, já o conhecemos dos domingos anteriores: é o querigma da ressurreição de Jesus Cristo. Novamente, o Sl. 104[103] comenta este fato (salmo responsorial).
A 2ª leitura mostra, por assim dizer, a obra “intra-eclesial” do Espírito: a multiformidade dos dons, dentro do mesmo Espírito, como as múltiplas funções em um mesmo corpo. Paulo chama isto de “carismas”, dons da graça de Deus; pois sabemos muito bem que tal unidade na diversidade não é algo que vem de nossa ambição pessoal (que, normalmente, só produz divisão). É o Espírito do amor de Deus que tudo une.
No evangelho encontramos a visão joanina da “exaltação” de Jesus: é a realidade única de sua morte, ressurreição e dom do Espírito, pois sua morte é a obra em que Deus é glorificado, e seu lado aberto é a fonte do Espírito para os fiéis (Jo 7,37-39; 19,3 1-37; cf. vigília). Assim, no próprio dia da ressurreição, Jesus aparece aos seus para lhes comunicar a sua paz (cf. 14,27) e conceder o dom do Espírito, para tirar o pecado do mundo, ou seja, para que eles continuem sua obra salvadora (cf. 1,29.35).
Este Espírito do Senhor exaltado é o laço do amor divino que nos une, que transforma o mundo em nova criação, sem mancha nem pecado, na qual todos entendem a voz de Deus. É essa a mensagem da liturgia de hoje. O mundo é renovado conforme a obra de Cristo, que nós, no seu Espírito, levamos adiante. Neste sentido, é a festa da Igreja que nasceu do lado aberto do Salvador e manifestou sua missão no dia de Pentecostes. Igreja que nasce, não de organizações e instituições, mas da força graciosa (“carisma”) que Deus infunde no coração e nos lábios. A festa de hoje nos ajuda a entender o que é renovação carismática: não uma avalanche de fenômenos estranhos, mas o espírito do perdão e da unidade que ganha força decisiva na Igreja. O Espírito Santo é a “alma” da Igreja, o calor de nossa fé e de nossa comunhão eclesial. A antiga seqüência Veni Sancte Spiritus expressa isso maravilhosamente, e seria bom pôr os fiéis, mediante canto ou recitação, novamente em contato com esse rico texto.
A Igreja, por sua unidade no Espírito, no vínculo da paz (Ef. 4,3), toma-se sacramento (sinal operante), do perdão, da unidade, da paz no inundo, na medida em que ela o coloca em contato com o senhorio do Cristo pascal, no querigma e na práxis.
15. Este tema lembra uma antiga lenda judaica, segundo a qual, no Sinal, a proclamação da Lei teria sido confiada aos setenta anciãos, em setenta línguas (no relato do Pentecostes cristão, o anúncio é confiado aos doze apóstolos, talvez em doze línguas).
Johan Konings "Liturgia dominical"





O Espírito de Jesus é chamado de Espírito da verdade, o Advogado para aqueles que enfrentam o ódio e a injustiça, Aquele que os defenderá nesta causa, não os deixando sozinhos. Este mesmo Espírito não é alguém que vai impedir os discípulos e o povo de sofrer e nem libertá-los dos conflitos, mas os acompanhará e os ajudará na tarefa de testemunhar Jesus Cristo.
Jesus diz aos discípulos que Deus enviará o Espírito que sempre esteve com Ele, e isso significa que serão Batizados no Espírito Santo e receberão um dom que todos podem receber. Não são apenas alguns privilegiados que o recebem, como se pode pensar, mas todos aqueles que são batizados!
A missão do Espírito Santo não é diferente da missão de Jesus, portanto, todo aquele que O recebe, recebe também o discernimento para desmascarar a injustiça; o dom de proclamar a Palavra e a força para anunciá-la em qualquer tempo ou lugar; e a capacidade de transformar a tristeza em alegria, o medo em coragem, a angústia em força.
O Espírito Santo é um guia constante na vida dos homens, falando-lhes ao coração o que ouve do próprio Jesus que, por sua vez, recebe do Pai.




Segunda homilia
Pentecostes era uma festa agrícola celebrada no antigo Israel que, após o recebimento dos dez mandamentos por Moisés no monte Sinai, passou a marcar a comemoração desta aliança, tornando-se juntamente com a Páscoa e Tabernáculos - ou Festa das Tendas que celebravam o tempo que os Israelitas estiveram no deserto, abrigados debaixo de tendas de ramos e folhagens - as três grandes festas em que os judeus subiam para Jerusalém.
No dia de Pentecostes, cinquenta dias depois da Páscoa, os apóstolos se encontravam reunidos para celebrar a vitória de Jesus sobre a morte, costume que estava surgindo entre as primeiras comunidades cristãs.
As portas do local onde se encontravam estavam fechadas, atitude que demonstra o medo dessas comunidades diante das perseguições que sofriam, mas Jesus entra porque não existe barreiras para Ele ir ao encontro dos Seus. Ele fica no meio deles e diz “A paz esteja com vocês”, a mesma saudação na Sua despedida.
Esta aparição fortaleceu a fé dos discípulos para que cumprissem com mais intensidade a missão dada por Jesus, e para que acreditassem e pudessem viver uma vida autêntica, inserida nos ensinamentos que Ele deixou. Em seguida Jesus diz: “Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.” Este é um momento especial em que Jesus transfere para a comunidade a Sua missão entre os homens, entregando-lhes o Seu Espírito para conduzi-los.
A partir deste momento, o Espírito Santo que esteve sempre presente em Jesus é entregue à Sua comunidade que, inundada por Ele, será capaz de levar adiante o projeto de Deus iniciado por Jesus, de anunciar o Reino de Deus e dando a eles a autoridade para perdoar os pecados através do Sacramento da Reconciliação.
Naquele dia de Pentecostes, O Espírito Santo desce sobre os apóstolos como línguas de fogo, para que eles proclamem o Evangelho a todos os povos, de forma que eles possam entendê-los. O “dom das línguas” foi dado à comunidade cristã com a finalidade de que ela professe a Palavra, e todos possam entender “a linguagem da justiça e do amor”.
A partir de então, os apóstolos repletos do Espírito Santo, começaram a proclamar as “maravilhas de Deus”. Os que creram na pregação de Pedro e seus companheiros, e se fizeram batizar, também receberam o Espírito Santo e seus dons.



Em todo o Antigo Testamento, o sábado é respeitado como o dia do Senhor, lembrando o dia em que Deus descansou após criar o mundo, porém, após a ressurreição de Jesus, o Dia do Senhor passa a ser o domingo, onde todo o Seu povo se reúne para celebrar a vitória de Jesus sobre a morte.
Os apóstolos estão reunidos, com as portas fechadas por temerem represália dos líderes judeus, pois se sentem sozinhos, sem a presença de Jesus. Acuado, o povo cristão não poderá promover a vitória da vida sobre a morte, pois, para que esta vitória ocorra é preciso coragem para enfrentar os desafios do mundo. Eles estão com medo, porque ainda não receberam o Espírito Jesus, e o medo é um freio que impede as ações de testemunharem o Cristo Ressuscitado.
Jesus vem ao encontro de seus apóstolos, e mesmo com as portas fechadas, Ele se põe diante deles, demonstrando que para Ele não existem barreiras que não possam ser vencidas, e lhes deseja a paz que os liberta da aflição e do medo. ”A paz esteja com vocês” é a mesma saudação que Ele usou na sua despedida (Jo. 14,27). É a saudação de um vencedor do mundo e da morte e, por isso, Ele pode comunicar a paz. É a saudação do Cordeiro que irá alimentar a comunidade.
A atitude de Jesus de mostrar-lhes as marcas da crucificação, por um lado é para que eles O reconheçam mas, por outro demonstra que a vitória da vida sobre a morte não apaga a crueldade da crucificação, mas fortalece os cristãos para que, com a alegria da vitória, possam assumir a missão maior que Jesus entregou a seu povo. Quem vai garantir a missão dos cristão é o Espírito Santo. Jesus soprou sobre eles o Seu Espírito, o sopro da vida nova que remete ao sopro de Javé quando criou o Homem. Aqui nasce uma nova comunidade.
De agora em diante,batizados no Espírito Santo, Jesus envia seus discípulos para a missão de dar continuidade ao Seu projeto de vida, projeto este que consiste em mostrar, através de palavras e, principalmente ações, que a vida ofertada por Jesus é a vida livre do pecado, pois o maior poder que Ele deixa à humanidade é o de perdoar. Mas, Jesus não os envia sozinhos. Todo aquele que aceita a missão de Jesus em sua vida, recebe Dele o Espírito Santo de Deus, um elo com o Pai, através do qual, todos compreendem os ensinamentos de Jesus e promovem ações de transformação da humanidade pelo Amor Divino.
Pequeninos do Senhor




Recebei o Espírito Santo
O dom do Espírito Santo foi um elemento fundamental na experiência missionária dos primeiros cristãos. Com a ascensão do Senhor, eles se viram às voltas com uma tarefa descomunal: levar a mensagem do Evangelho a todo o mundo. A missão exigiria deles inculturar a mensagem, fazendo o Evangelho ser entendido por pessoas das mais variadas culturas. Deveriam ser capazes de enfrentar dificuldades, perseguições e, até mesmo a morte, por causa do nome de Jesus. Muitos problemas proviriam dos judeus, pois a ruptura com eles seria inevitável, dada a intransigência da liderança judaica para com a comunidade cristã que tomaria um rumo considerado inaceitável. Sem dúvida, não faltariam problemas dentro da própria comunidade, causados por partidarismos, falsas doutrinas e atitudes incompatíveis com a opção pelo Reino.
Os discípulos eram demasiado fracos para, por si mesmos, levar a cabo uma empresa tão grande. Jesus, porém, concedeu-lhes o auxílio necessário ao comunicar-lhes o Espírito Santo. Fortalecidos pelo Espírito, eles não se intimidaram, antes, cumpriram, com denodo, o ministério da evangelização.
O dom de Pentecostes renova-se, cada dia, na vida da Igreja. O Espírito, ontem como hoje, não permite que os cristãos cruzem os braços diante do mundo a ser evangelizado.
padre Jaldemir Vitório




“Sem o Espírito Santo, Deus está distante; o Cristo permanece no passado; o evangelho é uma letra morta; a Igreja, uma simples organização; a autoridade, um poder; a missão, uma propaganda; o culto, um arcaísmo; a ação moral, uma ação de escravos. Mas, no Espírito Santo, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo ressuscitado se faz presente, o evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a ação humana se deifica.” Assim dizia Atanágoras, já falecido, que foi Patriarca ecumênico de Constantinopla.
Mas, graças ao Pai e ao Filho, não estamos sem o Espírito. Cinquenta dias depois da ressurreição de Jesus, quando os judeus celebravam a festa das Semanas, o Espírito Santo se manifestou em forma de vento forte e línguas de fogo que pousaram sobre os apóstolos e os discípulos reunidos com Maria no Cenáculo de Jerusalém. Naquele dia, a Igreja do Cenáculo, impulsionada pelo Espírito, sai para a rua e proclama as maravilhas do Senhor. O Espírito Santo se manifesta como um vento que sopra. Na tarde da ressurreição, Jesus sopra sobre os discípulos reunidos. No dia de Pentecostes, um vento impetuoso passa por sobre a casa onde eles se encontravam. Conversando com Nicodemos, Jesus diz que o vento sopra onde quer, ouvimos o seu ruído mas não sabemos de onde ele vem nem para onde vai. E assim, diz Jesus, acontece com todo aquele que nasceu do vento.
O evangelista usa a palavra grega “pneuma”, que significa vento ou espírito. Por isso entendemos que Jesus está dizendo a Nicodemos que o Espírito sopra onde quer e que assim acontece com todos os que nascem do Espírito. Quando fomos batizados, nós nos tornamos homens e mulheres do Vento que sopra livre sobre o universo. Nós nos tornamos presença amiga e respeitosa sem que nada ou ninguém nos possa prender ou enquadrar. Jesus chama Nicodemos para a liberdade do Espírito que sopra onde quer e se solta no universo, qual brisa suave que se faz sentir como na montanha de Elias. Na vinda do Espírito caem as barreiras.
Os homens e as mulheres do Vento falam e todos entendem. Falam a linguagem do amor de Deus, derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado e que torna a nossa linguagem compreensível. O dom das línguas é a linguagem do amor. Sem a expressão prática do amor, o Espírito se entristece ou se sufoca! Pentecostes continua na manifestação diária do Espírito que não deve ser sufocado, diz Paulo aos tessalonicenses, nem entristecido, diz ele aos efésios. O Espírito se manifesta pelo canal da sensibilidade, o qual, se bloqueado, sufoca e entristece o Espírito. A sensibilidade leva ao perdão. Recebam o Espírito e perdoem. É este o caminho para a renovação da face da terra.



Que o Espírito de Deus envie do céu um raio de luz para iluminar o nosso mundo. Ele vem e se hospeda em nós. É o pai dos pobres, o consolo que acalma e alivia. No muito trabalho e na aflição, Ele é o nosso alívio. Não podemos nada sem Ele. É a brisa suave nos dias de calor. Ele lava o que está sujo, rega o que está seco e cura o doente. Aquece no frio, guia no escuro e dobra o que é duro. Que Ele venha e derrame sobre toda a Igreja os seus sete dons. Que o mundo inteiro sinta a amorosa presença do Espírito pela presença amiga e gratuita da Igreja. Que no entusiasmo dos membros da Igreja pela causa de Cristo e do Evangelho o mundo inteiro perceba que o Amor existe. Que o Espírito nos conceda falar línguas que os outros entendam e com o dom das línguas renovar a esperança.

At. 2,1-11
Cinqüenta dias depois da Páscoa, a comunidade de Israel celebrava a Festa das Semanas. Nesse dia, o qüinquagésimo ou pentecostes em grego, o Espírito Santo veio sobre a comunidade dos apóstolos e discípulos reunidos com Maria, a mãe de Jesus. Desde então, os cristãos chamam de Pentecostes o dia da vinda do Espírito Santo e consideram esse dia o início da vida da Igreja de Jesus.
Nesses dias sopra sobre Jerusalém um vento quente vindo do deserto chamado de hamissim, que também quer dizer cinqüenta. Foi assim que o Espírito começou a se manifestar. Um vento forte passou pelo lugar onde os discípulos estavam reunidos. A palavra “espírito” significa sopro ou vento. Línguas de fogo pairaram sobre a cabeça de cada um deles e aconteceu o fenômeno das línguas. Eles começaram a falar em outras línguas. Por causa da festa das Semanas, havia muita gente de fora em Jerusalém. Os discípulos estavam anunciando as maravilhas de Deus e cada um os entendia na sua própria língua.

Sl. 103 (104)
Se Deus tira o seu sopro todas as criaturas morrem e voltam ao pó da terra, canta o Salmista. Se Ele envia o seu vento, o seu sopro, todas as criaturas nascem de novo e se renova a face da terra.

1Co. 12,3b-7.12-13
É por graça do Espírito Santo que podemos dizer que Jesus é o Senhor. Ele nos dá esse dom e todos os outros que estão distribuí-
dos na comunidade cristã. Temos muitas atividades, muitos tipos de serviços, e tudo em vista do bem de todos. O Espírito, porém, é um só. Todos nós que fomos batizados no único e mesmo Espírito formamos um só corpo. É o Espírito que nos junta na unidade. Bebemos todos da mesma fonte, que é o Espírito.
Jo 20,19-23 – Lemos no Evangelho de são João que, já no dia da ressurreição, Jesus soprou sobre os discípulos reunidos e lhes deu o Espírito Santo para o perdão dos pecados. Eles estavam reunidos com as portas fechadas quando Jesus ressuscitado entrou e deu a todos a paz. Foi um momento de grande alegria. Novamente Jesus desejou a paz a todos e soprou sobre eles. Um gesto muito interessante e muito significativo porque o Espírito Santo é sopro de vida. Ao dizer “recebam o Espírito Santo”, disse também: “Quem for perdoado por vocês estará perdoado, quem não for não estará”. Não recebemos o Espírito para não perdoar. Se não perdoarmos, o pecado permanece. É melhor perdoar sempre para que o pecado desapareça.
cônego Celso Pedro da Silva




“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”. Que Espírito é este, que encheu hoje os apóstolos e a inteira Igreja de Cristo?
Ele é o Espírito do Ressuscitado, soprado pelo Cristo Senhor: “Jesus disse: ‘Como o Pai me enviou (no Espírito Santo), eu também vos envio (neste mesmo Espírito)!"Depois soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo!”
Nele, tudo fora criado desde o princípio: “O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas” (Sb. 1,7). Somente no Santo Espírito podemos compreender que toda a criação e toda a história são penetradas pela vida de Deus que nos vem pelo Cristo; somente no Santo Espírito podemos perceber a unidade e bondade radicais da criação que nos cerca, mesmo com tantas trevas e contradições. É o Santo Espírito, doce Consolador, que nos livra do desespero e da falta de sentido!
Nele tudo se mantém, tudo tem consistência, tudo é precioso: “Encheu-se a terra com as vossas criaturas: se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso Espírito e renascem e da terra toda a face renovais”. É por sua ação constante que tudo existe e persiste no ser. Sem ele, tudo voltaria ao nada e nada teria consistência real. Nele, tudo tem valor, até a mais simples das criaturas...
Sem ele, nada, absolutamente, podemos nós: “Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele!” Por isso Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer (Jo 15,5)”, porque sem o seu Espírito Santo que nos sustenta e age no mais íntimo de nós, tudo quanto fizéssemos não teria valor para o Reino dos Céus. Jesus é a videira, nós, os ramos, o Espírito é a seiva que, vinda do tronco, nos faz frutificar...
Ele é a nova Lei – não aquela inscrita sobre tábuas de pedra, mas inscrita no nosso coração (cf. Ez. 11,19; Jr. 31,31-34), pois “o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm. 5,5). A lei de Moisés, em tábuas de pedra, fora dada no Sinai em meio a relâmpagos, trovões, fogo, vento e terremotos (cf. Ex 19); agora, a Nova Lei, o Santo Espírito nos vem em línguas de fogo e vento barulhento e impetuoso, para marcar o início da Nova Aliança, do Amor derramado no íntimo de nós!
Ele tudo perdoa e renova e, Cristo, pois é Espírito para a remissão dos pecados: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados!” É, pois, no Espírito que a Santa Igreja anuncia a paz do Evangelho do perdão de Deus para a humanidade em Cristo Jesus!
Ele nos une no Corpo de Cristo, que é a Igreja, pois “fomos batizados num único Espírito para formarmos um só corpo...” – Neste Corpo, ele nos enche de dons, carismas e ministérios, pois “a cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum”. É no Espírito que a Igreja é uma na diversidade de tantos dons e carismas; uma nas diferenças de seus membros...
Ele faz a Igreja falar todas as línguas, fá abrir-se ao mundo, procurar o mundo com “santa inquietude”, não para render-se ao mundo ou imitá-lo ou perder-se nele, mas para “anunciar as maravilhas de Deus” em Cristo Jesus, chamando o mundo à conversão e à vida nova em Cristo!
Enfim, Ele torna Jesus sempre presente no nosso coração e no coração da Igreja e no testemunha incessantemente, sempre e em tudo que Jesus é o Senhor, pois “ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo!” – para a glória de Deus Pai.
dom Henrique Soares da Costa






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