30 de Julho de 2017
Cor: Verde
Evangelho - Mt
13,44-52
Jesus está falando da vida eterna, da importância
do Reino dos céus, a qual é tão grande que Jesus a comparou com um tesouro.
Porém, não é qualquer um
que vai entrar na vida eterna. Haverá uma seleção. Os maus irão para o fogo
eterno, e os bons, os justos, irão para a glória eterna. Continuar
lendo
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ENCONTRAR JESUS É ENCONTRAR UM TESOURO! Olivia Coutinho
17° DOMINGO DO TEMPO COMUM.
Dia 30 de Julho de 2017
Evangelho de Mt13, 44-52
Ouvimos falar de um reino, de um reino de justiça, de amor e de
paz! Sentimos atraídos por este Reino, afinal, já estamos cansados dos
"reinos" deste mundo, reinos da mentira, da enganação, reinos dos que
não tem compromisso com a vida! É Jesus quem vem nos trazer a proposta deste
Reino de justiça e paz, um Reino que está ao alcance de todos, e que já podemos
vivenciá-lo no aqui e no agora!
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir,
apresenta-nos três parábolas.
Na primeira parábola, Jesus, ao comparar o Reino dos céus com um
tesouro escondido e que fora encontrado, nos fala da importância da busca pelo
o Reino, a darmos prioridade aos bens eternos.
A vida nova, que Deus nos oferece, em Jesus, não pode ser
sacrificada por nenhum outro bem, pois é nesta vida nova, ou seja, é em Jesus,
que consolida a nossa intimidade com Deus!
A porta de entrada para esta vida nova, que Jesus chama de Reino
dos céus, é Ele próprio, Jesus é a porta aberta do Reino dos céus, quem se
achega a Ele, já faz parte deste Reino!
Na segunda parábola, Jesus compara o reino dos céus, com um
comprador, que procura pérolas preciosas, chamando a nossa atenção para o valor
supremo que devemos dar a salvação, nos conscientizando, da importância,
busca-la incessantemente, afinal, nenhum outro “valor,” supera este bem maior!
Tanto na parábola do Tesouro escondido, como na do comprador de
pérolas preciosas, podemos perceber, que só encontra o Reino dos céus, quem o
procura!
A terceira parábola, é a parábola da rede lançada no mar! A
mensagem que Jesus quer nos passar, através desta parábola, é semelhante a da
parábola do joio. Ela vem nos dizer, que para Deus, não existe caminho sem
volta, e nem ponto final para uma história de amor! O nosso Pai amoroso é
paciente, Ele não quer que nenhum de seus filhos se perca, por isto, Ele lança
a sua rede no mar da vida humana, permitindo que pessoas (peixes) boas ou más,
se misturem.
Um pescador, ao lançar a rede no mar, não tem como evitar que
peixes bons e não bons, entrem na rede, pois ele não tem controle, do que
acontece nas profundezas do mar, ele só podendo fazer a seleção dos peixes,
depois de retirar a rede das águas. Deus também é assim, Ele não controla as
profundezas do mar humano. Ele nos deixa livres para fazermos as nossas escolhas,
Ele respeita a nossa liberdade, só fazendo a seleção, entre maus e bons, no
tempo certo, o seu tempo.
Ao permitir que bons e maus se misturem, Deus dá a todos, um tempo
suficiente, para que todos possam buscar a salvação, através de um processo contínuo
de conversão.
Podemos comparar o nosso tempo de vida terrena, com a rede lançada
por Deus no mar humano, este tempo presente, é o único espaço sagrado que Deus
nos concede, para buscarmos em Jesus, a nossa salvação.
Estamos todos na ampla rede de Deus, somos os peixes atraídos por
Jesus, o que não nos isenta de passarmos também por uma seleção. Não nos
compete julgar o outro, e nem achar que já estamos salvos, é Jesus quem fará
esta seleção. Mt25,32-34.
No final do evangelho, Jesus acrescenta: “Assim, pois, todo mestre
da lei, que se torna discípulo do reino dos céus, é como um pai de família que
tira do seu tesouro coisas novas e velhas”. Com essas palavras, Jesus ressalta
a importância do Antigo Testamento. A novidade trazida por Ele, não apaga o
valor do Antigo Testamento, pelo o contrário, é a ligação entre o Novo e o
Antigo, que fortalece a base do Reino.
Jesus não veio mudar as leis antigas e nem criar novas leis, Ele
veio revesti-las de uma nova interpretação. Um exemplo: no antigo testamento,
está escrito, “Não Matarás,” Jesus diz o mesmo, usando uma só palavra:
“Amem-se." Evidentemente, que, quem ama não mata!
Quem encontrou o Reino dos céus, encontrou um Tesouro de valor
incalculável, encontrou Jesus, a pérola mais preciosa que existe, e não a troca
por nada deste mundo.
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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O Reino: tesouro,
pérola e rede
As leituras de hoje se entrelaçam na
dinâmica da sabedoria divina a ser usufruída com o desejo incansável de um
pescador e de alguém que busca pérolas preciosas. O reino pregado por Jesus
exige decisão, empenho e discernimento. Caso contrário, cada um deverá pagar
pela sua opção, sendo rejeitado ao separar as coisas boas das ruins, assim como
o joio e o trigo, sobre os quais refletimos na semana anterior. A primeira
leitura e o evangelho, complementados pela segunda leitura, são de grande
simplicidade e trazem profunda mensagem de fé e esperança. Vejamos.
1ª leitura (1Rs.
3,5.7-12)
A sabedoria que
Salomão não soube usar
Salomão ficou famoso por causa de sua
sabedoria. É muito conhecido o episódio das duas mulheres prostitutas que
brigavam por um mesmo filho (1Rs 3,16-28). Salomão solucionou o caso, mandando
partir a criança ao meio e dividi-la entre as duas mulheres. Quando uma das
mães reagiu, dizendo que ele poderia dar o filho à outra, e esta prontamente
aceitou a proposta do rei, Salomão logo concluiu que a primeira era a
verdadeira e ordenou que fosse considerada a mãe legítima. E o rei foi louvado
pela sua sabedoria ao julgar. Na leitura de hoje, Salomão pede a Deus sabedoria
para governar, julgar com equidade e bom senso ao discernir. Deus lhe concede
além do pedido: um coração sábio e inteligente, como ninguém teve antes dele e
ninguém terá depois dele (v. 12). No mundo bíblico, o coração é a sede do
pensar e do conhecimento. É isso que Deus esperava de Salomão: sabedoria para
governar. O leitor menos avisado logo pensará que Salomão, fazendo uso da
sabedoria divina, terá feito um ótimo governo em Israel. Não é bem assim.
Salomão explorou o povo com duros trabalhos, tirou o povo da roça e o levou
para Jerusalém, de modo que pudesse, por meio de trabalhos pesados, construir
um suntuoso templo em Jerusalém. Ademais, impôs-lhe um jugo pesado de impostos
(1Rs. 5,12-12,11). Quando ele morreu, o país foi dividido em dois reinos, entre
o norte e o sul, Israel e Judá, respectivamente. O povo clamou por alívio, mas
seu filho e sucessor, Roboão, prometeu governar com dureza ainda maior: “Meu
pai vos castigou com açoites, e eu vos açoitarei com escorpiões”,
respondeu-lhes. Diante disso, surge a pergunta: por que, então, a nossa primeira
leitura de hoje, 1Rs 3,5.7-12, enaltece tanto a Salomão? A resposta é simples:
o texto se refere ao início de sua atividade governamental.
Ainda em nossos dias, muitos governos
iniciam bem o mandato, mas acabam se corrompendo e explorando o povo. “Nada há de
novo debaixo do sol”, já registrou a sabedoria de Eclesiastes 1,9. Salomão não
soube usar a sabedoria que Deus lhe deu. A sabedoria de Deus é coisa boa, mas o
ser humano, assim como tantos Salomões de hoje, desvia-a para o mal, pois não
sabe discernir entre o bem e o mal. Para que isso aconteça, é preciso muita
sabedoria. É o que vemos, na sequência, no evangelho de hoje.
Evangelho (Mt.
13,44-52)
O reino de Deus é
como um tesouro, uma pérola e uma rede
A comunidade de Mateus termina o
discurso de Jesus em parábolas com três outras comparações: o reino é como o
tesouro, a pérola e a rede. Todas elas procuram ligar a sabedoria com a busca
incessante do reino de Deus. Destaque, no entanto, para a última, explicada
alegoricamente, associando o ato do pescador de separar os peixes com o fim do
mundo.
O reino de Deus, na primeira parábola,
é comparado ao tesouro encontrado no campo por um trabalhador. Encontrá-lo,
assim como uma pérola, leva-o a comprar a terra, onde ele decide esconder o
precioso achado. Fato semelhante ocorre em nossos dias: basta encontrar minério
ou gás em terras outrora desvalorizadas, como ocorreu recentemente com o norte
de Minas Gerais, que as terras se tornam supervalorizadas da noite para o dia.
O tesouro encontrado é sinal de vida. A terra também. O sacrifício torna-se
justificável na aquisição da terra. Jesus alude à sabedoria de quem busca
incansavelmente o reino pregado por ele. Na tradição do Primeiro Testamento, o
livro dos Provérbios diz: “Feliz o homem que encontrou a sabedoria..., mais
feliz ainda é quem a retém” (Pr. 3,13-18). Reter o reino é considerá-lo como
uma pérola preciosa que o comerciante sai à procura até encontrar. Não medindo
esforços, ele vende tudo para comprá-la. O historiador Flávio Josefo, em Guerra
judaica VII, 115, informa-nos que os romanos, depois da guerra de 70 que
assolou Jerusalém, encontraram enterrados ouro, prata e objetos preciosos que
pertenciam aos judeus. Esse fato ocorreu não somente com os romanos, pois era
costume entre judeus, ante uma invasão estrangeira, enterrar os bens. O povo
simples almejava encontrá-los. Imagine, então, a repercussão da fala parabólica
de Jesus? O ensinamento de Jesus provoca encantamento no povo e desejo de
deixar tudo para sair à procura do reino.
Os rabinos contavam uma parábola
parecida. Havia um mestre que guardava em seu turbante uma pérola preciosa.
Passando em uma ponte, deixou-a cair no rio e um peixe a engoliu. O mestre,
então, passou a comprar todos os peixes na feira de sua cidade até encontrar
novamente a sua pérola.
A terceira e última comparação com o
reino de Deus é a rede que o pescador lança ao mar. Mar e rede se encontram nas
mãos de pescadores. O mar é o símbolo do mal. Dele emanava tudo que não
prestava. Nele morava o Leviatã, a força do mal opositora de Deus. Para ele se
atiraram os porcos da cidade de Gerasa, os quais receberam os demônios que
Jesus tinha expulsado (Mt 8,30-32). No episódio dos porcos, trata-se de uma
linguagem apocalíptica: os porcos representam a legião romana – o mal que devia
voltar de onde veio, o mar. Não por menos, a pesca exige separar o que presta
do que não presta. Assim será no fim dos tempos: Deus julgará a todos pelas
suas ações más e justas. Quem em vida foi sábio, procurou o reino e sua
justiça, será considerado justo e se encontrará com Deus. Para quem não agiu
assim restará a fornalha ardente e o ranger de dentes.
O evangelho termina citando uma
personagem importante na sociedade daquela época, o escriba. A comunidade
judaico-cristã de Mateus lhe confere a autoridade de seguidor do reino e de
sábio que sabe distinguir entre as coisas da tradição judaica e aquelas que
Jesus ensinava. Em outras palavras: o escriba judeu é o novo mestre dos
ensinamentos de Jesus à luz da tradição judaica. Como ele, somos chamados a ler
e atualizar sempre a palavra de Deus à luz dos acontecimentos do nosso tempo.
2ª leitura (Rm
8,28-30)
Ser imagem do Filho e
pertencer ao reino de Deus
Complementando o que foi dito nas
leituras acima, esse pequeno trecho da carta aos Romanos, ao tratar do ser imagem
do Filho, remete-nos a um tema referencial de nossa fé judaico-cristã, nossa
criação como imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26). Imagem é ser igual a Deus,
e semelhança, um vir a ser. Nessa perspectiva, Paulo afirma que aos que Deus
chamou e ama, ele lhes confere o ser imagem do seu Filho e nele recuperar a
glória perdida.
Jesus e o reino de Deus das leituras
anteriores são, na pregação paulina, a filiação divina do ser humano e a
fraternidade universal do mundo com Deus, na justiça.
PISTAS PARA REFLEXÃO
1. A procura pela sabedoria é um
constante desafio para cada um de nós. Uma faina diária que exige persistência.
Um caminho sempre aberto. Nessa mesma linha de pensamento, não basta aderir ao
reino pregado por Jesus. É preciso assumir com responsabilidade a sua causa, o
que implica decidir sempre.
2. Procurar demonstrar para a
comunidade que ser cristão é ser ético em todas as condições da vida. Muitos se
dizem cristãos e compactuam com a injustiça no trabalho, na vida social, na
política etc. Humanamente, estamos todos sujeitos ao erro, mas perpetuar-se
nele é perder a dinâmica do agricultor que faz de tudo para comprar o campo do
tesouro e do comerciante que procura pérolas preciosas.
3. Demonstrar para os fiéis que quem
participa da comunidade tem a sua vida mudada para melhor, pois ela, como
espaço de construção do reino, é um bem, um tesouro para quem a encontra.
frei Jacir de
Freitas Faria, ofm
Pérolas e tesouro
Estamos novamente
diante do tema do reino. O mundo novo de que fala Jesus e que ele veio
inaugurar com sua vida, pregação, paixão, morte e ressurreição começa a
se realizar entre nós. Mas será preciso força, ânimo, perseverança e garra. Não
se trata apenas de fazer parte de grupo de pessoas boas, piedosas e religiosas.
Será preciso estar num constante estado de vigilância e de busca. Nada de
mesmice, de repetição de obviedades.
O Reino é semelhante
a um tesouro escondido no campo. O buscador de felicidade é aquele que deseja
entrar numa ordem nova de coisas. Ele investiga, se inquieta, procura.
Observa pessoas que vivem evangelicamente. Tem simpatia por elas e as
considera como os grandes da terra. Pensam, por exemplo, que Francisco, o
pobre de Assis seja alguém que encontrou o tesouro. Ele, como Clara,
venderam o que tinham e se lançaram na imensa e belíssima aventura de serem
somente de Deus. “Um homem o encontra e o mantém escondido”. Ele vai,
organiza as coisas e sua vida, vende o que tem e compra o tesouro. Deixa
de lado ilusões e coisas sem muito amanhã e se arruma interiormente para
se desligar de tudo, ser livre e comprar a alegria do evangelho. Os
que encontram o tesouro do evangelho passam a viver uma vida nova e diferente.
O tesouro do reino é mais importante do que tudo ao que antes demos
importância. Francisco fala de conversão. Do doce que se torna amargo e
do amargo que se torna doce. O tesouro está por ai. São Jerônimo diz que
o tesouro do campo é a Palavra de Deus no qual estão escondidos os tesouros da
sabedoria e da ciência.
Marcel Domergue,
jesuíta, assim fala da pérola preciosa: “À primeira vista poder-se-ia dizer que
a parábola da pérola não faz outra coisa senão repetir a do tesouro. Há, no
entanto, diferenças significativas. Aquele que acha o tesouro, na
verdade, nada procurava, o comprador que procura pérolas preciosas
sabe que ela existe. Esta preocupação poderia parecer estranha ao “Reino dos
céus”. Portanto, o Reino se oculta também nessa busca que será satisfeita e
plenificada”. Assim, as pessoas sinceras andam desejosas de ir além daquilo que
buscam, que vivem, que planejam. O homem que encontra essa pérola preciosa se
dá conta que sua vida pregressa não tem grande valor e pode ser deixada
de lado. A força do Evangelho, da pessoa de Jesus que está atrás do Evangelho,
é a única riqueza. O que encontra a pérola, como aquele que acha o
tesouro se vê levado a tudo vender. O jovem rico do evangelho tinha muitas
pequenas seguranças.. Jesus havia olhado em seus olhos e o chamado para viver
na qualidade de discípulo, mas ele não teve a coragem de romper com suas
seguranças. Ficou sem a pérola e sem o tesouro...
Depois dos primeiros
tempos, a Igreja compreendeu que o Reino não é objeto de expectativa passiva;
para tornar-se realidade definitiva, cujo penhor se possui, exige o esforço
constante e ativo de todos. No Reino de Deus tudo já está realizado, mas tudo
ainda deve realizar-se e se realiza cada dia com a intervenção conjunta em
Cristo Jesus, de Deus e dos homens” (missal dominical da Paulus).
frei Almir Ribeiro Guimarães
Investir no Reino
de Deus
A liturgia de hoje tem um duplo acento,
sapiencial e escatológico.
As orações sintonizam com a parábola
escatológica da rede, segunda parte do evangelho (não abreviado). Mas o tema
principal é o do “investimento” da pessoa naquilo que é seu valor supremo. Este
tema (sapiencial) retém nossa atenção.
O Rei Salomão não pediu a Deus riqueza,
e sim sabedoria, isto é, o dom de distinguir entre o bem e o mal (1Rs. 3,5ss -
1ª leitura). Neste sentido, ele prefigura o negociante da parábola da pérola,
homem de bem, mas perspicaz, que arrisca tudo o que tem num investimento melhor
(Mt. 13,45s - evangelho). Esta parábola vem acompanhada de outra, que parece
elogiar a especulação imobiliária: um homem vende tudo para comprar um campo no
qual está escondido um tesouro.
A lição de todos esses textos é:
investir tudo naquilo que é o mais importante - sabedoria humana, mas que se
aplica também à realidade divina, ao Reino de Deus. Ora, em que consiste,
concretamente, o tesouro desta parábola? Para discernir isso precisamos da
sabedoria que Salomão pediu e que lhe propiciou pronunciar juízos sábios (1Rs.
3,16-28). Ora, sabemos também que Deus tem predileção pelos que mais precisam,
os pobres e desprotegidos; não serão estes um bom investimento?
Estas parábolas sugerem duas atitudes
básicas. Negativamente, desprender-se de posses que não vale a pena segurar
(como Salomão, no fundo, relegou a riqueza material para segundo plano, pelo
menos na sua oração). E, positivamente, investir naquilo que é realmente o mais
importante, aquilo em que Deus mesmo investe; justiça e bondade, iluminadas
pela sabedoria. A atitude negativa (desprendimento) e a positiva (investimento)
são “dialéticas”: uma não funciona sem a outra.
Não somos capazes de nos desprender do
secundário, se não temos claro o principal. Por falta do principal, o
investimento do amor, o esforço de desprendimento pode virar masoquismo. Por
outro lado, nunca conseguiremos investir o nosso coração para adquirir a pérola
do Reino de Deus, se não soubermos nos desprender das jóias falsas que enfeitam
nossa vida. Por isso, tanto idealismo fica num piedoso suspiro...
A coleção de parábolas de Mt 13 termina
na parábola escatológica da rede, muito semelhante à do joio no trigo (cf. dom.
passado; na leitura evangélica abreviada, esta parábola fica fora; há
oportunidades melhores para falar do Último Juízo, p.ex., nos 32°-34° dom. do
tempo comum).
Olhando para a 2ª leitura, encontramos
um dos textos maiores da Carta aos Romanos. Deus, como um bom empreiteiro, faz
todo o necessário para o bem daqueles que o amam, levando a termo a execução de
seu desenho (“desígnio”) (Pan 8,28). De antemão conheceu os que queria
edificar, como um arquiteto tem um edifício na mente; ele os projetou
(“predestinou”; o termo grego proorizein significa “planejar, projetar”),
conforme o protótipo que é Jesus mesmo, seu filho querido, ao qual ele gostaria
que todos se assemelhassem.
E aos que assim planejou, também os
escolheu (“chamou”); os ‘justificou” (qual empreiteiro que verifica sua obra
durante a execução, decidindo se serve ou não) e, arrematando a obra, os
“glorificou” (como em certas regiões os construtores celebram o arremate
coroando de flores a cumeeira da casa nova). Este texto nos faz entender o que
os teólogos chamaram a “predestinação”: não significa que Deus criou uns para
serem salvos e os outros (a “massa condenada”) para serem perdidos. Significa
que, como bom empreiteiro, Deus faz tudo o que for preciso para arrematar a
salvação naqueles que se dispõem para ela; e como conhece o coração de todos,
ele também conhece os que se prestam à salvação e os que não se deixam atingir.
Quem optar por acentuar a linha escatológica na liturgia de hoje (cf. Mt.
13,47-52), encontrará nesta 2ª leitura um tema digno de reflexão.
Os dois acentos de hoje, o sapiencial e
o escatológico, se completam. Pois é com vistas à salvação definitiva que se
deve fazer o investimento certo hoje.
padre Johan Konings
"Liturgia dominical"
As três parábolas narradas por Mateus –
o tesouro no campo, as pérolas e a rede lançada – revelam o segredo de Deus
para aqueles que têm fé e desejam entrar no Reino: viver a justiça anunciada
por Jesus e ter atitudes e ações que sejam coerentes com a Sua palavra, mas
que, para isso, é necessária uma decisão total e definitiva.
Nas parábolas do tesouro e da pérola,
Jesus enfatiza o zelo necessário para se buscar o Reino de Deus que tem muito
valor e, por isso, sempre traz alegrias aos que dele se aproximam e merece
atenção e dedicação total. Se de fato o Reino for acolhido, ele será guardado
como um tesouro. Por esse valor imensurável, tudo o mais pode ser renunciado,
abrindo-se mão do que é considerado de valor no mundo para adquirir o
verdadeiro tesouro ou a pérola, que só se consegue colocando em prática a Sua
Palavra e os Seus ensinamentos.
Estas parábolas são um convite de Jesus
para que se deixe tudo para segui-Lo. Porém, é importante e preciso cuidado
para discernir com sabedoria qual é o verdadeiro e o falso tesouro, para que o
Reino do Céu não seja confundido com uma falsa jóia.
A parábola da pesca é semelhante à do
trigo e do joio que crescem juntos ceifados no mesmo campo. As separações dos
peixes assim como o trigo do joio representam o julgamento que separa os bons
dos maus.
Os dois últimos versículos do Evangelho
– um diálogo entre Jesus e seus discípulos - define o modelo ideal de Seus
seguidores como aqueles que se mostram dispostos a entender os mistérios do
Reino e que são capazes de separar oportunamente o velho e o novo. Jesus aponta
para os doutores da Lei que desejam segui-Lo, enfocando que, entendendo o
mistério são capazes de fazer a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento, ou
seja, compreendem que, em Jesus, tudo se renova e toma novo sentido.
Pequeninos do Senhor
O absoluto do reino
O centro de convergência da parábola do
tesouro escondido e da pérola preciosa encontra-se na decisão do agricultor e
do comerciante, de desfazer-se de todos os seus bens para adquirir o bem
encontrado, por ser sobremaneira precioso. O bom senso mostrou-lhes a
conveniência de investir tudo na aquisição do bem maior. A perda redundaria em
ganho, a loucura revelar-se-ia sabedoria.
Assim comporta-se o discípulo em
relação ao Reino. Sua descoberta leva-o a redimensionar toda a sua vida, dando
um sentido novo a cada um de seus aspectos, subordinando-os ao absoluto do
Reino. O discípulo predispõe-se a qualquer sacrifício. Nada lhe parece
demasiadamente pesado, quando se trata de colocar o Reino e seus valores no
centro de sua existência.
O discípulo vê-se confrontado com a
responsabilidade de fazer uma opção que revolucionará toda a sua vida. Nem
sempre estará seguro do passo que deverá dar. Daí a possibilidade de se deixar
levar pelo medo e pela incerteza. A convicção do discípulo, ao tomar esta
decisão, dependerá do modo como foi tocado pelo Reino. Quanto mais profunda for
a experiência tanto mais seguro estará o discípulo. Uma experiência superficial
dificilmente levará a uma opção radical. Aí se revela quem, de fato, fez-se
discípulo do Reino.
padre Jaldemir
Vitório
A necessidade do discernimento
O discernimento é a
arte de distinguir entre o bem e o mal. O discernimento é necessário, pois bem
e mal coexistem não somente fora do ser humano, mas no coração dele mesmo (cf.
Mc. 7,20-23). O que Salomão pede a Deus é a capacidade de escutar e a arte de
discernir entre o bem e o mal. Escuta e discernimento são dois momentos de uma
mesma atitude do homem que busca conhecer e realizar a vontade de Deus.
O evangelho deste
domingo é composto de três parábolas, pronunciadas em casa, aos discípulos, e
da conclusão de todo o discurso em parábolas (vv. 51-52). As duas primeiras
parábolas (vv. 44-46), complementares entre elas, acentuam dois aspectos: o
grande valor do tesouro e da pérola encontrados, símbolos do Reino dos Céus, e
a atitude de quem os encontra. É no ensinamento de Jesus que o tesouro do Reino
de Deus está escondido e protegido. Quem o descobre experimenta grande alegria
e engaja toda a sua vida para não perdê-lo. A pérola de grande valor (ver: Ap.
21,21; Pr. 3,15; 8,11; 31,10; Jo. 28,18) encontrada é resultado de uma busca
intencional. A aquisição do bem encontrado requer, como na primeira parábola, o
engajamento de toda a vida. O Reino dos céus é comparável a bens que
ultrapassam infinitamente o valor que se poderia atribuir-lhe. Segundo essas
duas parábolas complementares, quem descobre o Reino dos Céus nas palavras e
nos gestos de Jesus fará a experiência de uma tal alegria que será capaz de
sacrificar suas antigas convicções e seguranças. É essa exigência que Jesus faz
ao jovem rico (Mt 19,21); é o que são Paulo exprime de maneira tão lapidar: “o
que era para mim lucro, tive-o como perda, por amor de Cristo” (Fl. 3,7). A
parábola da rede focaliza que há um tempo para tudo sobre a face da terra (Qo
3,1-8). A paciência instruída pelo discernimento é a atitude exigida dos
discípulos. Há um tempo para a pesca e um tempo para a triagem da pesca
realizada. A parábola não deixa nenhuma margem ao equívoco: a triagem
acontecerá no fim do mundo (vv. 49-50; Mt. 25,31-46). Os versículos 51 e 52 são
a conclusão de todo o discurso de Jesus em parábolas. A resposta positiva dos
discípulos à pergunta de Jesus significa que eles compreenderam a natureza do
Reino dos céus e a sua situação neste mundo, o seu desenvolvimento e as
exigências que ele impõe. A resposta positiva dos discípulos à pergunta de
Jesus mostra, igualmente, que eles reconhecem que Jesus é quem revela o
mistério de Deus.
Carlos Alberto Contieri,sj
Jesus fala em parábolas
Os evangelistas usam
as parábolas de Jesus, que circulavam como tradição das comunidades primitivas,
adaptando-as e acrescentando explicações, para o entendimento de suas
comunidades. No evangelho de Mateus encontramos duas parábolas que são seguidas
de detalhadas explicações (Mt. 13,18-23; 36-43). No evangelho de João
encontramos apenas a parábola da porta do redil das ovelhas, seguida, no estilo
de metáfora, da proclamação de Jesus de que ele próprio é a porta do redil e é
o bom pastor. Mateus reúne, no capítulo 13 de seu evangelho, sete parábolas com
o objetivo de elucidar o mistério do Reino dos Céus. Os evangelistas sinóticos,
Marcos, Mateus, Lucas, registram uma explicação, de difícil interpretação, do
porque Jesus fala em parábolas (Mt. 13,10-15; Mc. 4,10-12; Lc. 8,9-10). Uma
interpretação desta explicação levaria, por um lado, à conclusão de que haveria
um prévio propósito de Deus em salvar alguns e condenar outros. Tal
interpretação corresponde à perspectiva de povo eleito, do judaísmo, que deu
origem à seletiva teologia da predestinação (segunda leitura), por um lado, e
da condenação dos inimigos, por outro lado.
Outra interpretação é
a de que aqueles que se indispõem em acolher a palavra de Jesus não
compreenderão as parábolas e se excluirão da salvação. Porém a misericórdia de
Deus é universal e perene para com todos. Deus cria por amor, e, com amor,
sustenta sua criação, glorificando-a. No evangelho de hoje temos a narrativa
das três últimas parábolas, da coletânea do capítulo 13. As duas primeiras
parábolas, a do tesouro encontrado no campo e a da perola de grande valor
encontrada, revelam a supremacia absoluta do Reino dos Céus em relação a
qualquer riqueza terrena. A descoberta do imenso valor do Reino, revelado por
Jesus, gera uma tal alegria que a pessoa abre mão de tudo para aderir e
participar, já, deste Reino.
A terceira parábola
tem certa semelhança com a parábola do joio e do trigo. Contudo aqui o núcleo
da parábola é o julgamento escatológico, no fim dos tempos, com a separação
entre os maus e os justos. Este dualismo entre maus e justos é decorrente da
reinvidicação de povo eleito, e foi descartada e superada por Jesus.
Particularmente, a descrição própria de Mateus quanto ao destino final dos
maus, lançados na fornalha de fogo, com ranger de dentes, expressa um ato cruel
que destoa com a prática misericordiosa e amorosa de Jesus. Na primeira leitura
encontramos uma bela apologia de Salomão, o que entra em contradição com a sua
ambição desmedida, revelada em seu reinado. Por um lado, no Primeiro
Testamento, Salomão é exaltado em suas posses, em seu harém, em sua haras, no
seu poder, caracterizado por sua opressão sobre o povo. Por outro lado o texto
de hoje lhe atribui grande sabedoria, dando-lhe grande projeção na tradição de
Israel e judaica. Na comparação final, pode-se pensar que tenhamos uma identificação
do autor do evangelho, atribuído a Mateus. Seria o autor este escriba que se
tornou discípulo do Reino e reviu suas tradições, tirando delas coisas novas e
velhas?
José Raimundo Oliva
Continuamos, neste hoje, a escutar
Jesus falando-nos do Reino dos Céus. Saído do barco à beira-mar, chegado em
casa, ele nos conta ainda três parábolas: o Reino dos Céus é como um tesouro
escondido num campo; um homem o encontra e, cheio de alegria, vende tudo e o
adquire! O Reino dos Céus é como uma pérola de grande valor; o homem vende tudo
e, fascinado por sua beleza, vende tudo e a adquire... Observem, irmãos, que
Jesus nos quer fazer compreender que quem encontra o Reino, sai de si! Encontra
o sentido da vida, encontra aquilo por que vale a pena viver. Quem de verdade
encontra o Reino, quem o experimenta, muda para sempre sua existência: vai
ligeiro, vende tudo, fica cheio de alegria! Encontrar o Reino é encontrar
Jesus, e encontrar Jesus de verdade é encontrar a razão de viver, o sentido da
existência... é encontrar-se consigo mesmo! Quem encontra o Reino assim, se
encontra, parte de si mesmo e vai viver de verdade! Quantos cristãos
experimentaram isso, quantos fizeram-se loucos, pareceram loucos, por amor de
Cristo! Quantos jogaram fora amores, família, projetos, bens materiais... O que
os levou a isso? O que aconteceu com santo Antão, que vendeu todos os bens e
deu aos pobres e foi viver no deserto, sozinho? O que aconteceu com Francisco
de Assis? O que aconteceu com a beata Madre Teresa de Calcutá ou com a irmã
Dulce? O que aconteceu com aquele moço que largou tudo e foi ser religioso, com
aquela moça sem juízo que entrou numa comunidade de vida? O que aconteceu com
aquele casal, que mudou seu modo de viver, seu círculo de amizade, que deixou
suas badalações? O que aconteceu com São Maximiliano Kolbe, que entregou a vida
no lugar de um pai de família? Com o Bem-aventurado Anchieta, que deixou sua
pátria e se embrenhou no Brasil selvagem para anunciar Cristo aos índios? O que
aconteceu com todos esses? Eles descobriram o tesouro, eles encontraram uma
pérola de valor imensurável, eles experimentaram a paz, a doçura, a verdade do
Reino dos Céus!
Estejamos atentos! Quem é mole nas
coisas de Deus, quem é pouco generoso no seguimento de Cristo, quem sente como
um fardo os apelos do Senhor, não experimentou ainda, não encontrou o tesouro,
não viu a pérola de grande valor, não descobriu de verdade o Reino dos Céus!
Cristãos cansados, cristãos sem entusiasmo, cristãos pouco generosos, cristãos
com uma lógica igual à do mundo são cristãos que nunca – nunca! –
experimentaram a paz do Reino, a beleza do Reino, a doçura do Reino, a
plenitude do Reino que Jesus nos mostra e nos dá! Atentos, irmãos: pode-se ser
cristão e nunca ter experimentado o Reino! Pode-se ser padre ou religioso sem
nunca ter descoberto o Reino... Aí, já não há alegria, já não há entusiasmo, já
não se corre, se arrasta, se rasteja! O Reino tem pressa, o Reino faz vibrar, o
Reino nos impele porque descobrir o Reino e experimentar o amor de Deus em
Jesus Cristo! Quantos de nós se entusiasmam com tantas coisas e são tão lerdos
quando se trata do Senhor e do seu Reino... Não seríamos nós um desses?
E, no entanto, o sonho de Deus é que
todos possam encontrar o seu Reino; para isso ele nos criou, para isso nos destinou.
Escutemos o Apóstolo: "Pois aqueles que Deus contemplou com seu amor desde
toda eternidade, a esses ele predestinou a serem conformes à imagem do seu
Filho... E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou
também os tornou justos, e aos que tornou justos também os glorificou".
Isso nos coloca diante de duas realidades, caríssimos. Primeiro: o dever que
temos de anunciar o Reino a toda a humanidade! A Igreja é missionária,
anunciadora do Reino dos Céus! Uma Igreja que não tenha o desejo, que não sinta
a necessidade de levar Jesus aos que ainda não o conhecem, é uma Igreja morta,
uma Igreja que já não experimenta a alegria de crer! Estejamos atentos: há
tantos em terras distantes e tantos bem próximos de nós que não tiveram ainda a
alegria do Reino dos Céus, pois que não encontraram o tesouro, na viram a
pérola de grande valor! Ai de nós se não anunciarmos a esses a Boa Nova do
Reino dos Céus! Nunca esqueçamos: quem encontra algo de muito bom, sente o
desejo de comunicar, de partilhar, de tornar conhecido aos demais. Se em nós
não há ímpeto missionário, é porque não encontramos, de verdade, a o Reino e
sua alegria! Pensemos bem!
Mas, há uma segunda realidade, que
precisamos levar em conta. Descobrir o Reino exige um olhar iluminado pela
graça de Deus. Sozinhos, com nossas próprias forças, somos incapazes de
discernir essa presença do Reino! Por isso é necessário suplicar, como Salomão,
um coração para compreender: "Dá ao teu servo um coração compreensivo – um
coração que escute!" No Evangelho de hoje, Jesus termina perguntando:
"Compreendeste essas coisas?" – Senhor, pedimos nós, dá-nos um
coração capaz de compreender! Sem vosso auxílio ninguém é forte, ninguém é
santo! Mostra-nos o tesouro, que é o teu Reino! Faz-nos encontrar a pérola de
grande valor, pela qual vale a pena perder tudo e todo nela encontrar! Faz-nos
sentir que, pelo Reino, vale a pena deixar redes, barcos, a vida perder; deixar
a família e dinheiro não ter!
Concluamos, agora, com a última, das
sete parábolas: "O Reino dos Céus é como uma rede jogada no mar deste
mundo... Ela apanha todo tipo de peixe" – apanhou a mim, a você... Olhem a
Igreja, olhem a nossa comunidade: há de tudo! Todo tipo de gente, todo tipo de
cristão! Mas, um dia, a rede será puxada para a margem... e os peixes bons
serão recolhidos nos cestos do Senhor e os peixes ruins serão lançados fora,
para o fogo queimar... Eis como Jesus termina! Prevenindo-nos que é necessário
decidir-se pelo Reino, que nossa vida valerá ou não a pena, terá ou não sentido
dependendo de nossa atitude em relação ao Reino que ele veio anunciar...
dom Henrique Soares
da Costa
A liturgia deste domingo convida-nos a
refletir nas nossas prioridades, nos valores sobre os quais fundamentamos a
nossa existência. Sugere, especialmente, que o cristão deve construir a sua
vida sobre os valores propostos por Jesus.
A primeira leitura apresenta-nos o
exemplo de Salomão, rei de Israel. Ele é o protótipo do homem “sábio”, que
consegue perceber e escolher o que é importante e que não se deixa seduzir e
alienar por valores efêmeros.
No Evangelho, recorrendo à linguagem
das parábolas, Jesus recomenda aos seus seguidores que façam do Reino de Deus a
sua prioridade fundamental. Todos os outros valores e interesses devem passar
para segundo plano, face a esse “tesouro” supremo que é o Reino.
A segunda leitura convida-nos a seguir
o caminho e a proposta de Jesus. Esse é o valor mais alto, que deve sobrepor-se
a todos os outros valores e propostas.
1ª Leitura – 1 Reis
3,5.7-12 - AMBIENTE
O grande rei David morreu por volta de
972 a.C., após um reinado longo e fecundo, ocupado a expandir as fronteiras do
reino, a consolidar a união entre as tribos do norte e do sul e a conquistar a
paz e a tranqüilidade para o Povo de Deus. Sucedeu-lhe no trono o filho,
Salomão.
Salomão desenvolveu um trabalho
meritório na estruturação do reino que o pai lhe legou. Organizou a divisão
administrativa do território que herdou, dotou-o de grandes construções (das
quais a mais emblemática é o Templo de Jerusalém), fortificou as cidades mais
importantes, potenciou o intercâmbio cultural e comercial com os países da
zona, incentivou e apoiou a cultura e as artes.
Preocupado com a constituição de uma
classe política preparada para as tarefas da governação, Salomão recrutou
“sábios” estrangeiros (sobretudo egípcios) para a sua corte e rodeou-se de
homens que se distinguiam pelo seu “saber”, pela sua justiça e prudência. Esses
“quadros”, além de aconselharem o rei, tinham também a tarefa de preparar os
futuros “funcionários” para desempenharem funções no aparelho governativo
montado por Salomão.
A corte de Salomão tornou-se, assim, um
“viveiro” de “sabedoria”. Os “sábios” de Salomão coligiram provérbios,
redigiram “máximas” de caráter sapiencial, deram “instruções” (sobre as
virtudes que deviam ser cultivadas para ter êxito e para ser feliz). Nesta
fase, também redigiram-se crônicas sobre os reinados anteriores e publicaram-se
textos sobre as tradições dos antepassados (provavelmente, é nesta época que a
“escola jahwista” dá à luz algumas das tradições que irão ocupar um lugar
fundamental no Pentateuco). Não admira, portanto, que Salomão tenha ficado na
memória histórica de Israel como o protótipo do rei sábio, “cuja sabedoria
excedia a todos os orientais e egípcios” (1Re 4,30).
Salomão é também, historicamente, o
primeiro rei que “herda” o trono. Até agora, os seus predecessores não chegaram
ao trono por herança, mas receberam-no das mãos de Deus (segundo a visão
“religiosa” dos catequistas bíblicos). Os teólogos de Israel vão, pois,
esforçar-se por sacralizar o poder de Salomão e demonstrar que, se Salomão
chegou a governar o Povo de Deus, não foi apenas por um direito hereditário
(sempre contestável), mas pela vontade de Deus.
O texto que hoje nos é proposto supõe
todo este enquadramento. O chamado “sonho de Gabaon” (cf. 1Re. 3,5) é uma
ficção literária montada pelos teólogos deuteronomistas (esse grupo que reflete
a vida e a história na linha das grandes idéias teológicas apresentadas no
Livro do Deuteronômio) com uma dupla finalidade: apresentar Salomão como o
escolhido de Jahwéh e justificar a sua proverbial “sabedoria”.
MENSAGEM
No Antigo Testamento, o “sonho”
aparece, com alguma freqüência, como uma forma privilegiada de Deus comunicar
com os homens e de lhes indicar os seus caminhos. No nosso texto, aparece-nos
também um sonho: os catequistas deuteronomistas vão utilizar este recurso
literário para apresentar Salomão como “o escolhido” de Deus, a quem Jahwéh
comunica os seus projetos e a quem confia a condução do seu Povo.
O “sonho” de Salomão está estruturado
na forma de um diálogo entre Deus e Salomão. Há, em primeiro lugar, uma
interpelação de Deus (“que posso Eu dar-te?”);
e há, depois, uma resposta de Salomão: consciente da grandeza da sua tarefa e
das suas próprias limitações, o jovem rei pede a Deus que lhe dê um coração
“sábio” para governar com justiça. A prece do rei é atendida e Deus concede a
Salomão uma “sabedoria” inigualável (na continuação – que, todavia, o nosso
texto de hoje já não apresenta – Deus acrescenta ainda outros três dons: a
riqueza, a glória e a longa vida – cf. 1Re. 3,13-14).
Em termos religiosos, qual a mensagem
que os autores deuteronomistas pretendem deixar com esta “ficção”?
Antes de mais, o nosso texto deixa
claro que, em Israel, o rei é o “instrumento de Deus”, o intermediário entre
Deus e o seu Povo. É através da pessoa do rei que Deus governa, que intervém na
vida do seu Povo e o conduz pela história.
Depois, o texto mostra que Salomão não
concebeu o seu papel como um privilégio pessoal que podia ser usado em
benefício próprio, mas sim como um ministério que lhe foi confiado por Deus.
Salomão tinha consciência de que a autoridade é um serviço que deve ser
exercido com “sabedoria” e que o objetivo final desse serviço é a realização do
bem comum.
Finalmente (e é talvez o aspecto mais
significativo para o tema da liturgia deste domingo), os autores
deuteronomistas sublinham a “qualidade” da resposta de Salomão: ele não pede
riqueza nem glória, mas pede as aptidões necessárias e a capacidade para
cumprir bem a missão que Deus lhe confiou. Salomão aparece aqui como o modelo
do homem que sabe escolher as coisas importantes e que não se deixa distrair
por valores efêmeros.
Dizer que a súplica de Salomão “agradou
ao Senhor” (v. 10) é propor aos israelitas que optem pelos valores eternos,
duradouros e essenciais.
ATUALIZAÇÃO
• Algumas pessoas e grupos com um peso
significativo na opinião pública procuram vender a idéia de que a realização
plena do indivíduo está num conjunto de valores que decidem quem pertence à
elite dos vencedores, dos que estão na moda, dos que têm êxito… Em muitos
casos, esses valores propostos são realidades efêmeras, materiais, secundárias,
relativas. Quase sempre, por detrás da proposição de certos valores, estão interesses
particulares e egoístas, a tentativa de vender determinada ideologia ou a
preocupação em tornar o mercado dependente dos produtos comerciais de
determinada marca… O “sábio”, contudo, é aquele que está consciente destes
mecanismos, que sabe ver com olhar crítico os valores que a moda propõe, que
sabe discernir o verdadeiro do falso, que distingue o que apenas tem um brilho
doirado daquilo que, na essência, é um tesouro que importa conservar. O “sábio”
é aquele que consegue perceber o que efetivamente o realiza e lhe permite levar
a cabo, dentro da comunidade, a missão que lhe foi confiada. Como é que eu me
situo face a isto? O que me seduz e que eu abraço é o imediato, o brilhante, o
sedutor, ainda que efêmero, ou é o que é exigente e radical mas que me permite
conquistar uma felicidade duradoura e concretizar o meu papel no mundo, na
empresa, na família ou na minha comunidade cristã?
• A figura de Salomão interpela também
todos aqueles que detêm responsabilidades na comunidade (seja em termos civis,
seja em termos religiosos). Convida-os a uma verdadeira atitude de serviço: o
seu objetivo não deve nunca ser a realização dos próprios esquemas pessoais,
mas sim o benefício de toda a comunidade, a concretização do bem comum.
2ª leitura: Rm.
8,28-30 - AMBIENTE
O texto que nos é proposto como segunda
leitura continua a reflexão de Paulo sobre o projeto de salvação que Deus tem
para oferecer aos homens.
Já vimos nos domingos anteriores que,
na perspectiva de Paulo, todo o homem que chega a este mundo mergulha num
contexto de pecado que o marca e condiciona (cf. Rm. 1,18-3,20); no entanto,
Deus, na sua bondade, oferece gratuitamente ao homem pecador a sua graça e
dá-lhe a possibilidade de chegar à salvação (cf. Rm. 3,21-4,25); e é em Jesus
Cristo que esse dom de Deus se comunica ao homem (cf. Rm. 5,1-7,25). É o
Espírito Santo que permite ao homem acolher esse dom e viver na fidelidade à
graça que Deus oferece (cf. Rm. 8,1-39).
Depois de assegurar aos cristãos de
Roma (e, através deles, aos cristãos de todas as épocas e lugares) que o
Espírito “vem em auxílio da nossa fraqueza” e “intercede por nós” (cf. Rm.
8,26-27), Paulo relembra – no texto que nos é proposto como segunda leitura –
que Deus tem um projeto de amor que se traduz no oferecimento da salvação ao homem.
MENSAGEM
Esse projeto não é um acontecimento
casual, mas algo que, desde sempre, está previsto nos planos de Deus.
Aos que aderem a esse projeto, Deus
chama-os a identificarem-se com o seu filho Jesus, liberta-os do egoísmo e do
pecado e fá-los, com Jesus, chegar à vida nova e plena (justificação).
Neste contexto, Paulo fala “daqueles”
que Deus “conheceu” de antemão, que “predestinou” para viverem à imagem de
Jesus, que “chamou”, que “justificou” e que “glorificou”. No entanto, estes
versículos não devem ser entendidos no sentido de que a salvação que Deus
oferece se destine apenas a um grupo de predestinados, que Deus escolheu de
entre os homens de acordo com critérios que nos escapam… A teologia paulina é
clara a este respeito: o projeto salvador de Deus está aberto a todos aqueles
que querem acolhe-l’O. O que Paulo sublinha aqui é que se trata de um dom
gratuito de Deus e que esse dom está previsto desde toda a eternidade.
ATUALIZAÇÃO
• Em todas as cartas de Paulo
transparece o espanto que o apóstolo sente diante do amor de Deus pelo homem.
Este tema está, contudo, especialmente presente na Carta aos Romanos. O nosso
texto convida-nos a dar conta – outra vez – desse fato extraordinário que é o
amor de Deus (amor que o homem não merece, mas que Deus, com ternura, insiste
em oferecer, de forma gratuita e incondicional), traduzido num projeto de
salvação preparado desde sempre, e que leva Deus a enviar ao mundo o seu
próprio Filho para conduzir todos os homens e mulheres a uma nova condição.
Numa época marcada por uma certa indiferença face a Deus, este texto
convida-nos a tomar consciência de que Deus nos ama, vem continuamente ao nosso
encontro, aponta-nos o caminho da vida plena e verdadeira, desafia-nos à
identificação com Jesus, convida-nos a integrar a sua família. Nós, os crentes,
somos convidados a conduzir a nossa vida à luz desta realidade; e somos
convocados a testemunhar, com palavras, com ações, com a vida, no meio dos
irmãos que dia a dia percorrem conosco o caminho da vida, o amor e o projeto de
salvação que Deus tem.
• Diante da oferta de Deus, somos
livres de fazer as nossas opções – opções que Deus respeita de forma absoluta.
No entanto, a vida plena está no acolhimento desse “valor mais alto” que é o
seguimento de Jesus e a identificação com Ele. É esse o “valor mais alto”, o
“tesouro” pelo qual eu optei de forma decidida no dia do meu batismo? Tenho
sido, na caminhada da vida, coerente com essa escolha?
Evangelho: Mt.
13,44-52 - AMBIENTE
Concluímos, neste domingo, a leitura do
capítulo dedicado às “parábolas do Reino” (cf. Mt. 13). Nele, recorrendo a
imagens e comparações simples, sugestivas e questionantes (“parábolas”), Jesus
apresenta esse mundo novo de liberdade e de vida nova que Ele veio propor aos
homens e ao qual Ele chamava Reino de Deus.
Concretamente, o nosso texto
apresenta-nos três parábolas que são exclusivas de Mateus (nenhuma delas
aparece nos outros três evangelhos considerados canônicos. No entanto, as três
aparecem num texto não canônico – o Evangelho de Tomé – embora aí apresentem
notáveis variantes em relação à versão mateana): a parábola do tesouro, a
parábola da pérola e a parábola da rede e dos peixes.
Para enquadrarmos melhor a mensagem
aqui proposta por Mateus, devemos ter em conta a realidade da comunidade a quem
o Evangelho se destina… Estamos no final do primeiro século (anos oitenta).
Passaram-se mais de trinta anos após a morte de Jesus. O entusiasmo inicial deu
lugar à monotonia, à falta de empenho, a uma vivência “morna”, pouco exigente e
pouco comprometida. No horizonte próximo das comunidades cristãs perfilam-se
tempos difíceis de perseguição e de hostilidade e os cristãos parecem pouco
preparados para enfrentar as dificuldades. Mateus sente que é preciso renovar o
compromisso cristão e chamar a atenção dos crentes para o Reino, para as suas
exigências e para os seus valores. As parábolas do Reino que hoje nos são
propostas devem ser lidas neste contexto.
MENSAGEM
O texto do Evangelho deste domingo pode
ser dividido em três partes. Em cada uma delas, há aspectos e questões que
convém pôr em relevo e ter em conta.
Na primeira parte, temos duas parábolas
– a parábola do tesouro escondido no campo e a parábola da pérola preciosa (vs.
44-46). Ambas desenvolvem o mesmo tema e apresentam ensinamentos semelhantes.
A questão principal abordada nesta
primeira parte é a da descoberta do valor e da importância do Reino. Quer a
parábola do tesouro escondido, quer a parábola da pérola preciosa, sugerem que
o Reino proposto por Jesus (esse mundo de paz, de amor, de fraternidade, de
serviço, de reconciliação que Jesus veio anunciar e oferecer) é um “tesouro”
precioso, que os seguidores de Jesus devem abraçar, antes de qualquer outro
valor ou proposta. Os cristãos são, antes de mais, aqueles que encontraram algo
de único, de fundamental, de decisivo: o Reino. Ora, quando alguém encontra um
“tesouro” como esse, deve elegê-lo como a riqueza mais preciosa, o fim último
da própria existência, o valor fundamental pelo qual se renuncia a tudo o resto
e pelo qual se está disposto a pagar qualquer preço. Provavelmente, Mateus está
sugerindo a esses cristãos a quem o seu Evangelho se destina (adormecidos numa
fé morna, inconseqüente, pouco exigente) que é preciso redescobrir e optar
decisivamente por esse valor mais alto, que deve dar sentido às suas vidas – o
Reino. O cristão é confrontado, a par e passo, com muitos valores e opções; mas
deve aperceber-se de que o Reino é o valor mais importante.
Na segunda parte, Mateus apresenta o
Reino na imagem de uma rede que, lançada ao mar, apanha diversos tipos de
peixes (vs. 47-50). Na versão apresentada por Mateus, a parábola apresenta um
ensinamento semelhante ao da parábola do trigo e do joio (sobre a qual
meditamos no passado domingo): o Reino não é um condomínio fechado, onde só há
gente escolhida e santa, mas é uma realidade onde o mal e o bem crescem
simultaneamente. Deus não tem pressa de condenar e destruir. Ele não quer a
morte do pecador; por isso, dá ao homem o tempo necessário e suficiente para
amadurecer as suas opções e para fazer as suas escolhas (no Evangelho de Tomé,
a versão é diferente: conta a história de um pescador “sábio” que pesca vários
peixes, mas fica só com o maior e lança os outros ao mar. Aí, portanto, a
parábola da rede e dos peixes apresenta uma mensagem que vai na linha das
parábolas do tesouro descoberto no campo e da pérola preciosa. Alguns autores
pensam que a versão apresentada no Evangelho de Tomé constitui a versão
primitiva da parábola da rede e dos peixes).
A referência que Mateus faz (mais uma
vez) ao juízo final é uma forma de exortar os irmãos da sua comunidade no
sentido de escolherem decididamente o Reino e porem em prática as propostas de
Jesus.
Na terceira parte do Evangelho que nos
é proposto, Mateus apresenta um breve diálogo entre Jesus e os discípulos (vs.
51-52).
Neste diálogo temos uma espécie de
conclusão de todo o capítulo. Mateus sugere que o verdadeiro discípulo de Jesus
é aquele que “compreende”. Ora, “compreender”, na teologia mateana, significa
“prestar atenção” e comprometer-se com o ensinamento proposto. Os cristãos são,
pois, convidados a descobrir a realidade do Reino, a entender as suas
exigências, a comprometerem-se com os seus valores. A referência ao “escriba”
que “tira do seu tesouro coisas novas e velhas” pode referir-se aos judeus,
conhecedores profundos do Antigo Testamento (o “velho”), convidados agora a
refletirem essas velhas promessas à luz das propostas de Jesus (o “novo”). É
nessa dialética sempre exigente e questionante que o verdadeiro discípulo
encontra o caminho para o Reino; e, depois de encontrar esse caminho, deve
comprometer-se com ele de forma decisiva, exigente, empenhada.
ATUALIZAÇÃO
• A primeira e mais importante questão
abordada neste texto é a das nossas prioridades. Para Mateus, não há qualquer
dúvida: ser cristão é ter como prioridade, como objetivo mais importante, como
valor fundamental, o Reino. O cristão vive no meio do mundo e é todos os dias
desafiado pelos esquemas e valores do mundo; mas não pode deixar que a procura
dos bens seja o objetivo número um da sua vida, pois o Reino é partilha. O
cristão está permanentemente mergulhado num ambiente em que a força e o poder
aparecem como o grande ideal; mas ele não pode deixar que o poder seja o seu
objetivo fundamental, porque o Reino é serviço. O cristão é todos os dias
convencido de que o êxito profissional, a fama a qualquer preço são condições
essenciais para triunfar e para deixar a sua marca na história; mas ele não
pode deixar-se seduzir por esses esquemas, pois a realidade do Reino vive-se na
humildade e na simplicidade. O cristão faz a sua caminhada num mundo que exalta
o orgulho, a auto-suficiência, a independência; mas ele já aprendeu, com Jesus,
que o Reino é perdão, tolerância, encontro, fraternidade… O que é que comanda a
minha vida? Quais são os valores pelos quais eu sou capaz de deixar tudo? Que
significado têm as propostas de Jesus na minha escala de valores?
• A decisão pelo Reino, uma vez tomada,
não admite meias tintas, tibiezas, hesitações, jogos duplos. Escolher o Reino
não é agradar a Deus e ao diabo, pactuar com realidades que mutuamente se
excluem; mas é optar radicalmente por Deus e pelos valores do Evangelho. A
minha opção pelo Reino é uma opção radical, sincera, que não pactua com
desvios, com compromissos a “meio gás”, com hipocrisias e incoerências?
• Porque é que os cristãos apresentam,
tantas vezes, um ar amargurado, sofredor, desolado? Quando a tristeza nos tolda
a vista e nos impede de sorrir, quando apresentamos semblantes carrancudos e
preocupados, quando deixamos transparecer em gestos e em palavras a agitação e
o desassossego, quando olhamos para o mundo com os óculos do pessimismo e do
desespero, quando só nos deixamos impressionar pelo mal que acontece à nossa
volta, já teremos descoberto esse valor fundamental – o Reino – que é paz,
esperança, serenidade, alegria, harmonia?
• Mais uma vez o Evangelho convida-nos
a admirar (e a absorver) os métodos de Deus, que não tem pressa nenhuma em
condenar e destruir, mas dá tempo ao homem – todo o tempo do mundo – para
amadurecer as suas opções e fazer as suas opções. Sabemos respeitar, com esta
tolerância e liberdade, o ritmo de crescimento e de amadurecimento dos irmãos
que nos rodeiam?
P. Joaquim Garrido,
P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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