25º DOMINGO DO TEMPO COMUM
24 de
Setembro de 2017
Cor: Verde
Evangelho
- Mt 20,1-16ª
No Evangelho de hoje, Deus está nos convidando para trabalhar na
construção contínua do Reino dos Céus, oferecendo-nos a possibilidade de
recebermos seus dons.
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NO REINO DE
DEUS TODOS TÊM DIREITOS IGUAIS. Olivia Coutinho
25º DOMINGO DO
TEMPO COMUM
Dia 24 de
Setembro de 2017
Evangelho de
Mt20,1-16a
Neste domingo,
comemoramos o dia Nacional da Bíblia, o Livro Sagrado!
Quando fechada,
a bíblia é um livro comum, mas quando aberta, ela se torna o livro da vida, a
bússola que nos orienta que norteia a nossa vida!
Já dizia São
Jeronimo: “Ignorar as
Escrituras é ignorar a Cristo.”
Numa comunidade
cristã, que alimenta a sua intimidade com a Bíblia, sempre haverá inovação,
avanços significativos, tanto na catequese, quanto na liturgia, como também, no
cotidiano das pessoas, que através de um conhecimento mais profundo da
palavra de Deus, vão conhecendo melhor Jesus, fazendo de suas vidas, uma
oferta de amor!
A palavra de
Deus é fonte de vida, se não nos inundarmos desta fonte, dando vida a esta
palavra, através de nossas ações, ela cairá no vazio, não frutificará no mundo
através de nós! Quando embebedamos desta fonte de vida, vamos, nos tornando,
não somente ouvintes da palavra de Deus, mas principalmente, anunciadores desta
palavra, com o nosso testemunho de vida!
De nada
adianta, fazermos uma leitura superficial da Bíblia, memorizar versículos
isoladamente, sem aprofundar no contexto, não vamos absorver a mensagem que o
texto que nos passar. É preciso meditar as palavras contidas neste Livro
da vida, deixar penetrar em nossas veias, a seiva que vem das profundezas de
suas raízes, só assim, vamos poder de fato, compreender a palavra de Deus e
coloca-la em prática.
O evangelho que
a liturgia de hoje nos convida a refletir, vem nos falar, através de uma longa
parábola, da incomparável generosidade do Pai, do seu amor igualitário para com
todos!
Nesta
parábola, o patrão simboliza o Pai, a Vinha, o Reino de Deus, e os
trabalhadores contratados pelo o patrão, somos nós.
Certamente, o que levou
Jesus a contar esta parábola, tenha sido o ciúme dos discípulos, que não
aceitavam o seu acolhimento aos pagãos. Os primeiros seguidores de Jesus,
tinham muitas dificuldades, em aceitar os pagãos em pé de igualdade com
eles, diante de Jesus.
Não somente os
discípulos, como também, os judeus, que passaram a seguir Jesus, sentiam-se
incomodados, vendo Jesus, acolher os pagãos.
Por terem
sidos escolhidos como os primeiros a receberem a Boa Nova do Reino,
o povo judeu, queria privilégios, não se dando conta, de que ser os primeiros a
receber Jesus, não significava privilegio, e sim, maior responsabilidade,
pois seria, a partir deles, que Jesus, o Messias, ficaria conhecido
no mundo inteiro.
Excluídos
pelos os judeus, os pagãos, povo estrangeiro, encontravam muitas
dificuldades para chegar até Jesus, pois os discípulos, querendo reter
Jesus só para si, dificultavam esta proximidade.
É bom
lembrarmos: os maiores testemunhos de fé, partiram deste povo, os pagãos, como
a mulher Cananéia, o soldado romano e tantos ouros.
Este povo
excluído, sem identidade, representa os últimos a conhecerem a proposta de
Jesus, mas os primeiros a aceita-la de fato. Na parábola, estes, são
simbolizados pelos os últimos a serem contratados para trabalhar na vinha, e
são classificados por Jesus, como os primeiros.
Esta parábola
chama a nossa atenção, sobre a importância da igualdade entre irmãos! Ninguém
deve se considerar maior, com mais direito do que o outro, pois para Deus,
todos são iguais, Deus ama todos por igual, independente do seu credo, da sua
nacionalidade, da sua condição social.
A parábola
deixa clara, a diferença entra a justiça de Deus, e a justiça dos homens. No
Reino de Deus, todos têm os mesmos direitos, independente do tempo de serviços
prestados!
Como operários
mais antigos da vinha do Senhor, não temos o direito de reivindicar
privilégios, pelo o contrário, devemos acolher com carinho, os novos
trabalhadores que vão se somando a nós, e a tantos outros no cultivo da vinha!
Todos nós,
somos convidados a trabalhar na Vinha do Senhor, uns acolhe este chamado no
alvorecer de sua vida, isto é, no auge da sua juventude, outros, já mais
maduros, e outros ainda, na idade avançada.
O importante
para o dono da vinha, (Deus) não é quando acontece a sua adesão, e sim a
resposta que se dá ao seu chamado, que pode ser nos últimos momentos de sua
vida.
No Reino de
Deus, todos têm os mesmos direitos, independente do tempo de sua adesão.
Como
operários mais antigos da vinha do Senhor, não temos o direito a privilégios,
pelo o contrário, devemos privilegiar os novos trabalhadores,
acolhendo-os com carinho.
Muitos
irmãos, muito a oferecer, mais ainda vagueiam por aí, ao invés de barreira,
sejamos caminho, para que estes irmãos, encontrem trabalho na vinha do
Senhor, onde todos tem salário justo, e ninguém é demitido, onde a recompensa,
é igual para todos: um lugar reservado na casa do Pai!
Para Deus, o
que é creditado a nosso favor, não é o tempo trabalhada, e sim, o
amor que colocamos naquilo que fazemos, afinal, tudo que temos, tudo que somos,
nos foi dado por Ele!
Nunca
esqueçamos: Deus é um Pai amoroso, Ele está sempre pronto para nos acolher, sem
considerar o nosso tempo de "casa" isto é, o tempo da nossa adesão a
sua proposta de vida nova, anunciada por Jesus!
A Salvação é
graça de Deus, não a alcançaremos por nossos méritos, e sim, pela a sua
misericórdia!
Onde se cultiva
o amor fraternal, não há concorrência, não há inveja, ciúme, pois existe
igualdade, um querer bem a todos!
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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O Reino de deus
precisa de operários
A Palavra de Deus deste XXV
domingo do tempo comum nos convida a acolher a Liberdade Divina com a sua
lógica diferente da lógica humana. Os pensamentos dos homens, nem seus
caminhos, se identificam com os pensamentos e os caminhos divinos (1ª leitura).
Deus é o “Totalmente Transcendente”: aquele que está além das nossas previsões!
Também sua justiça não corresponde à justiça humana! A justiça humana é
proporcional, a divina é generosa, misericordiosa, gratuita. Somos convidados a
sermos bons operários da sua Vinha certos, na esperança, de que, passada a
fadiga dos sofrimentos terrenos, seguindo a Jesus Cristo (2ª leitura)
receberemos a “moeda da justa remuneração” divina, o paraíso (evangelho). Essa
“moeda” é para todos os que forem salvos independentemente do tempo e das
fadigas da vida terrena!
1ª leitura: Is.
55,6-9
Um chamado à
conversão
Temos nestes versículos um
convite à conversão. Deus, na sua imensa gratuidade não força a liberdade
humana a aceitar o que a pessoa humana não reconhece. Deus, através do profeta,
convida seu povo para um gratuito banquete com ricas iguarias para que cada um
se delicie, saciando sua fome e apagando sua sede (cf. Is. 55,1-5). Mas na
lógica da fé como resposta humana ao amor de Deus, é necessária para que cada
um faça sua adesão a Ele, por isso diz o profeta: “procurem Javé enquanto ele
se deixa encontrar; chamem por ele enquanto está perto” (Is. 55,6). Isso quer
dizer, enquanto livremente podemos procurá-lo! Através da fé podemos buscá-lo e
o encontramos. Não se trata de uma adesão intelectual ou teórica, mas moral, ou
seja, implica necessariamente uma mudança de comportamento: “que o ímpio deixe
o seu caminho e o homem maldoso mude os seus projetos” (Is. 55,7). O verdadeiro
encontro com Deus gera transformação. Conversão... isto é, melhoria de vida
porque implica mudança de rota, de direção, de rumo (metanóia em grego –
retorno!). A mudança do caminho significa a conduta concreta da pessoa que
provém do teor das suas escolhas. Isso depende do seu projeto de vida. Se ele
não está em conformidade com os projetos de Deus sua conduta será maldosa, errante,
inconsistente (cf. Is. 55.8). Seguirá seus caprichos pessoais. Enfim, o profeta
ressalta a decisão do retorno a Deus – o arrependimento (Lc. 15,17), como
condição para que o pecador receba de Deus a compaixão: “cada um volte para
Javé e ele terá compaixão” (Is. 55,7) perdoando com generosidade.
Nossa vida
O texto acentua a necessária
opção humana, livre e responsável, pelo projeto divino. Dois significativos
elementos são evidenciados no texto. O primeiro é o do estímulo e o segundo,
como sinal de liberdade, a decisão da volta, como condição para a experiência
da compaixão e do perdão generoso da parte de Deus que gera vida nova. O
estímulo vem da Palavra escutada que convida, sensibiliza, toca o coração...
Mas só isso não basta para acontecer a mudança de vida, se não houver uma
decisão por parte da pessoa. Podemos dizer, partindo dessa perspectiva e
parafraseando Paulo Freire, que: ninguém muda ninguém, mas também é verdade,
ninguém muda sozinho! Precisamos ser estimulados, mas todo estímulo será inútil
se cada um não fizer sua opção pessoal por mudança. A lição final desse texto é
que somos convidados a não rejeitar momentos oportunos para o nosso
crescimento. Os estímulos (sobretudo externos) passam e corremos o risco de
ficarmos presos dentro da nossa caverna existencial.
Salmo 145
O salmo 145 é um bonito e
profundo hino de louvor a Deus por ser Rei de grandeza, Bondade e Justiça. O
salmista começa e conclui sua oração declarando Deus como seu Rei
manifestando-lhe sua vontade de bendizê-lo todos os dias e para sempre (cf. Sl.
145,1-2.21). A grandeza divina é dinâmica, pois é através de suas obras que se
manifestam seu poder e glória (cf. Sl. 145,3-5.11-12). Mas, a mais nobre
característica divina, essência do seu ser, é a sua bondade. Assim afirma o autor:
“Javé é piedade e compaixão, lento para a cólera e cheio de amor. Javé é bom
para com todos, compassivo com todas as suas obras (cf. Sl. 145,8-1.13). A obra
que mais se beneficia da compaixão divina, em virtude da sua liberdade, é o ser
humano: pois Deus ampara todos os que caem, endireita todos os encurvados, ouve
o grito dos que o temem e guarda o que o amam (cf. Sl 145,14.19). Quem tem fé
em Deus, então, sente conforto e amparo!
2ª leitura: Fl.
1,20c-24.27ª
Paulo testemunha ser
um bom operário do senhor
Paulo fala aos fiéis Filipenses
do sentido da sua experiência de prisioneiro por causa do Evangelho (cf. Fl.
1,13). O testemunho do apóstolo trouxe um efeito positivo para muitas pessoas,
por isso releva dizendo: “a maioria dos irmãos, vendo que estou na prisão, têm
mais confiança no Senhor, e mais ousadia para anunciar sem medo a Palavra” (Fl.
1,14). Trata-se de um testemunho fértil que alimenta a fé dos outros
colaborando para a perda do medo do anúncio da Palavra. Paulo verbaliza o
sentido que dá para o seu sofrimento enquanto priosioneiro dizendo estar ciente
que tudo isso havia de servir para a sua salvação (cf. Fl. 1,19). Mas ao mesmo
tempo confessa: “o que desejo e espero, é não fracassar... com toda a coragem a
glória de Cristo em meu corpo, tanto na vida, como na morte” (Fl. 1,20). Paulo
manifesta a clara consciência de ter cumprido sua missão, por isso diz: “para
mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl. 1,21); “o meu desejo é partir
dessa vida e estar com Cristo, e isso é muito melhor. No entanto, por causa de
vocês, é mais necessário que eu continue a viver” (Fl. 1,23-24). Também até na
experiência do sofrimento injusto prevalece em Paulo a Caridade quando
demonstra ter consciência das necessidades da comunidade que ainda precisa da
sua presença. Apesar de tudo, o que mais quer no momento, é ser útil (cf.
Fl.1,22) para servi-los e ajudando-os a progredir na fé que gera alegria (cf.
Fl. 1,23). Paulo nos convida a pensar que a Fé e Esperança na Vida Eterna devem
nos levar a sermos úteis para os outros neste mundo... a sermos promotores do
Bem, porque a Vida terna é a imersão (entrada, mergulho) no mundo da bondade
eterna que nos transforma para sempre.
Nossa vida
O apóstolo Paulo nos dá uma
perspectiva muito significativa para a nossa vida. Ele nos convida, não somente
a dar um significado para o sofrimento que pode ser através da sublimação, da
esperança da recompensa, mas a refletir sobre o efeito positivo do testemunho
de resistência e serenidade nos momentos de provação. Ou seja, quem dá testemunho
de superação estimula e educa os outros a não se deixaram vencer pelo mal, a
não desanimarem de permanecerem no Bem. Quem persevera no bem, superando as
tentações advindas do mal, desperta o ânimo daqueles que vivem tristes,
amedrontados e angustiados. Outra lição muito importante é aquela de não
pensarmos “egoisticamente” no paraíso mas, sobretudo, conservando esse santo
desejo, ser quanto possível, útil aos outros nesta terra. Como Jesus, devemos
passar por esta terra fazendo o bem (cf. Atos 10,38).
Evangelho: Mt.
20,1-16ª
O Reino de Deus
precisa de bons operários
Mateus nos apresenta, através da
parábola dos operários da vinha, a Justiça Divina, as necessidades do Reino de
Deus e a importância da colaboração humana para a recepção do prêmio eterno. A
questão das diárias de trabalho era uma forma comum de remuneração na Palestina
nos tempos de Jesus, sobretudo, nos campos de vinha (plantações de uva). Também
hoje em nossa sociedade, nas áreas urbanas e rurais, muitas categorias de
pessoas são contratadas para trabalhos remuneradas à diária. A vinha simboliza
a Igreja encarregada de promover o Reino de Deus. A iniciativa das
“contratações” parte do próprio Deus. Antes de começar o trabalho aparece com
clareza a combinação da justa remuneração: uma moeda de prata por dia (cf. Mt
20,9). Não se apresenta como forma de negociação! As contratações acontecem ao
longo do dia desde a madrugada até às 17:00 horas, final do dia. A lição é
esta: o Reino de Deus necessita de operários em todas as horas. Sempre há
necessidade de promover o bem independentemente da duração do compromisso de
cada um. Do ponto de vista teológico-eclesial (vocacional) assumimos esse
compromisso de trabalho na Vinha do Senhor (Reino de Deus através da Igreja) no
momento do nosso Batismo, de modo mais explícito, mas a missão de dar um
sentido para a própria vida nos é dada desde o nascimento. Fomos “contratados”
para estarmos a serviço do Bem deste o início da nossa concepção. O fim desse
trabalho se dá com a nossa morte, hora do “acerto de contas” com aquele que nos
convocou. Não importa quantos anos vivemos, ou trabalhamos: todos receberemos o
mesmo pagamento (cf. Mt 20,8): o paraíso! Essa é a “moeda” combinada para a
nossa “remuneração” pela nossa “jornada existencial” de trabalho na e pela
vinha do Senhor. Aqui também não se leva em conta a questão dos sacrifícios
assumidos padecidos como prerrogativas para se ganhar uma recompensa
diferenciada. Na parábola isso aparece com evidência como manifestação de
protesto por parte de quem trabalhou o dia inteiro: "esses últimos
trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o
calor do dia inteiro!" (Mt. 20,12). Eis outro tema: a justiça divina! A
justiça divina nos é apresentada como uma realidade totalmente diferente da
justiça humana que tem como critério o respeito pela justa proporção. A justiça
divina se manifesta como generosidade e gratuidade. Deus é bom! Para quem não
tem fé isso parece injustiça: uma pessoa, por exemplo, que viveu 90 anos que
muito sofreu, lutou e fez sempre o bem aos outros, recebe o mesmo prêmio que um
jovem que viveu apenas 18 anos de modo saudável e sem muito sofrer... ou de uma
criança que teve apenas poucos de vida. Todos teremos a mesma “moeda”! Mas para
quem tem fé, o que vale mesmo é receber a “moeda” da justiça divina. A lógica
do mundo, muito se distancia da lógica divina!
Nossa Vida
Na parábola dos talentos (cf.
Mt. 25,14-30) encontramos algumas semelhanças com esse texto que nos foi
apresentado hoje, os operários da vinha. Ambos nos convidam a pensar na
importância da responsabilidade humana diante das propostas divinas
sintetizadas na expressão “Reino de Deus”. O texto de hoje nos convida a
refletir sobre a importância de darmos um sentido dinâmico para a nossa vida e
não vivermos como meros expectadores alienados na ociosidade em nome da fé ou
inspirados em teorias religiosas. Somos convidados a nos sentir e ser bons
operários da Vinha do Senhor! O patrão da parábola, que simboliza o Deus
Criador, nos mostra a sensibilidade divina para com as necessidades da sua
Vinha, o Reino de Deus, da qual a Igreja (a comunidade dos discípulos de Jesus)
é uma operária sem férias. A mensagem do texto nos leva a pensar no mal da
ociosidade que destrói o sentido da vida de milhões de pessoas no mundo. A
ociosidade é um mal porque é vazio de sentido de responsabilidade, de
sensibilidade, de compaixão... de luta pelo desenvolvimento humano...
desprovida de inquietudes! A ociosidade é fonte de muitos males! (cf. Eclo
33,28). Na parábola, os trabalhadores ociosos se desculpam dizendo: “ninguém
nos contratou!”. Essa resposta acusa a falta de espírito de iniciativa e de
inquietude, mas antes, a falta de tomada de consciência do sentido da vida e de
seus dons naturais: inteligência, vontade, consciência, liberdade... Também na
parábola dos talentos há uma desculpa para não se fazer nada (o medo!). O maior
problema não é não ter emprego, mas a triste constatação de que milhões de
pessoas vegetam sem fazer nada porque não tomam iniciativas para darem um
sentido para a própria vida.
Antônio de
Assis Ribeiro - SDB (padre Bira)
Estás
com inveja porque eu estou sendo bom?
A graça e a
misericórdia de Deus se contrapõem à mentalidade religiosa judaica dos tempos
de Jesus. Diante da teologia do mérito do sistema religioso se opõe a teologia
da graça pregada por Jesus. Partindo dessa perspectiva, a salvação não se
alcança somente por méritos próprios mas pela misericórdia de Deus que no-la
concede, apesar de não merecê-la.
O texto do
segundo Isaias centra sua atividade profética no tema da consolação do povo
desterrado. Porém, o desterro foi pela desobediência do povo e de seus
dirigentes que se afastaram de Deus e quebraram a aliança. Contudo, Deus não
abandona seu povo. Se o povo é infiel à aliança, Deus permanece sempre fiel.
Os caminhos
do Senhor são distintos dos caminhos humanos. O profeta insiste no convite a
buscar o Senhor. Faz um chamado à conversão e ao arrependimento porque Deus é
clemente e misericordioso e sempre está disposto ao perdão. Os planos de Deus
não são tão limitados e mesquinhos como os nossos.
Paulo, na
carta aos Filipenses, propõe uma questão: ou morrer para estar com Cristo ou
ficar no meio do povo para ajudá-lo em suas dificuldades. Paulo, prisioneiro
por Cristo, pressente que seus dias já estão chegando ao fim. Perseguido,
caluniado, encarcerado, açoitado e desprezado por muitos, viveu em sua própria
carne a paixão do Senhor.
Conseqüente
com sua pregação, sempre se esforçou por viver o evangelho de Jesus. É normal,
pois, que tenha a mesma sorte que o mestre. Porém, também tem a plena convicção
de participar da glória da ressurreição. Tanto sua vida como sua morte estão em
função de Cristo. Se está vivo, é para continuar anunciando o evangelho, se
morre é para entrar na plena comunhão dos justificados por Ele.
Assim Paulo
sente que sua missão está chegando ao fim. Como Jesus, pode dizer que tudo foi
cumprido. Porém, Paulo ainda tem uma grande preocupação, que é a fragilidade
das comunidades, cuja fé está fortemente ameaçada pelo ambiente cultural e
religioso das colônias do império.
Na parábola
dos trabalhadores descontentes com o pagamento, se reflete o modo de agir de
Deus, contrario à nossa mentalidade utilitarista. A parábola pode ser situada
no contexto da controvérsia de Jesus com as autoridades judaicas pela relação
de Jesus com pessoas de reputação duvidosa, como publicanos, pecadores,
enfermos, crianças, pagãos e mulheres, precisamente aqueles que eram
considerados impuros e, portanto, excluídos do círculo de santidade.
Porém, no
contexto da comunidade de Mateus, percebe-se o conflito produzido entre os
judeu-cristãos e pagãos convertidos ao cristianismo que faziam parte da mesma
comunidade. Era inaceitável que os recém convertidos tivessem o mesmo trato dos
que já pertenciam há muito tempo à comunidade, como era o caso do povo eleito.
É claro que o encontro entre judaísmo e cristianismo no seio de uma mesma
comunidade ficou bastante complicado. Assim o manifestam outros escritos do
novo testamento como a carta aos gálatas.
A parábola
narrada por Jesus parte de um fato real. O proprietário representa os donos de
terras, conquistadas dos camponeses. Os desocupados simbolizam os que haviam
perdido tudo e ofereciam seu trabalho por qualquer valor para poder sobreviver.
Evidentemente que havia os clientes fixos dos proprietários, isto é, aqueles
que sempre eram contratados e durante o dia apareciam os de última hora.
A chave de
leitura da parábola não está na atitude equitativa do patrão, pois ele poderia
pagar como queria. O que chamou a atenção dos ouvintes é que tenha preferido os
que não eram seus trabalhadores (os da última hora) preferindo aos que já eram
seus trabalhadores (os da primeira hora). Situação incompreensível sob qualquer
ponto de vista.
O sistema
religioso do tempo de Jesus e das primeiras comunidades centrava a prática
religiosa no mérito e no pagamento. A salvação já se havia convertido em um
mercado de compra e venda. Jesus questiona a fundo essa mentalidade que tanto
mal fez ao povo. A salvação é dom gratuito de Deus. E a graça tem a ver com o
amor misericordioso. Deus não manipula nossos esquemas contábeis, interesseiros
e lucrativos. Para Deus, tanto os primeiros como os últimos são objeto de seu
imenso amor e misericórdia.
Hoje temos
que superar todo espírito de competição e cobiça. Temos que superar, sobretudo,
o "exclusivismo" que ainda está presente no subconsciente cristão: já
não falamos nem o sustentamos, porém muitos continuam pensando: nós, nossa
religião, é a única verdadeira, e portanto, superior, definitiva, insuperável,
aquele que as demais religiões e culturas devem confluir...
Se já
muitos abandonaram aquela visão veterotestamentaria de que "as nações e os
povos virão adorar a Deus em Sião", porque sociologicamente já não parece
previsível nem viável que o mundo um dia seja todo ele cristão, não deixamos de
ter essa consciência de "exclusivismo" quando nossas autoridades e
hierarquias condenam autoritariamente e sem dialogo algumas opiniões sociais,
critérios éticos, que se dão em distintas sociedades, apoiados no convencimento
de que nossa verdade é inquestionavelmente superior à dos demais, por principio
e que teríamos direito a impor na sociedade (laica, aconfessional), sem
necessidade sequer de dialogar e convencer a população... É uma atitude de
complexo de superioridade que não tem nenhuma justificativa.
A abertura
a todos, o reconhecimento sincero de que não temos um "gratuito e
imerecido direito de primogenitura", que não somos "os (únicos)
eleitos", que os que nos consideramos tradicionalmente "últimos"
(ou posteriores a nós) não o são, que Deus é "gratuito" e sem favoritismos...
são ainda reflexões pendentes para as Igrejas cristãs...
Não há
dúvida de que aceitar em profundidade a mensagem evangélica de hoje de que
"os primeiros serão os últimos", exige de nós uma mudança profunda de
mentalidade. Também o pluralismo religioso e do dialogo intercultural devem ser
elencados entre esses grandes desafios gerados pela descoberta mais profunda da
"gratuidade de Deus" que a parábola do evangelho de hoje volta a
colocar diante de nossos olhos.
Portal Clarete
Aqui estamos novamente para meditar a Palavra de
Deus. Neste Evangelho encontramos uma coisa meio rara de ser encontrada; Jesus
nos fala de um patrão que trata os seus empregados com justiça e bondade. Não
se trata de utopia, apesar de não ser algo tão comum, felizmente, alguns
patrões tratam seus empregados com respeito e amor.
Tratam com dignidade os seus funcionários e por causa
disso, são criticados. A selvagem globalização trouxe consigo uma inversão de
valores. Particularmente nos dias de hoje, é difícil encontrar uma patroa ou um
empresário, dispostos a pagar salário justo.
Foge do nosso entendimento a bondade deste produtor
de vinho. Lembra aquele dito popular; “É um negócio de Pai para filho”. Para
fazer tudo isso, só mesmo um Pai que conhece as necessidades de cada um de seus
filhos. Um pai que sabe como é difícil saldar os compromissos diários com
alimentos, aluguel, farmácia...
Como entender o modo de agir desse patrão? Sem querer
fazer trocadilhos, parece injusta essa sua justiça. Pagar salário igual para
todos, independentemente da quantidade de horas trabalhadas? Como pode alguém
trabalhar uma hora e receber igual àquele que molhou a camisa desde cedo?
Falando sem demagogia, se estivéssemos entre aqueles
contratados logo cedinho, será que não estaríamos reclamando da forma de
pagamento? Reclamando sem nos preocuparmos com os pais de família que, não
tiveram a felicidade de serem contratados pela manhã, mas que também precisam
levar o alimento para casa?
Os primeiros contratados sentiram-se roubados, no
entanto, receberam o merecido, o salário combinado foi pago. Com este exemplo,
Jesus quer nos mostrar que a justiça de Deus está muito acima do nosso
entendimento e que o bem do próximo deve estar acima dos nossos próprios
interesses.
“A messe é grande e os operários são poucos”. A
todo instante, de manhã, de tarde e à noite, somos chamados. Todos nós somos
convocados para a missão. Alguns aceitam de imediato, logo cedinho atendem ao
chamado...
Outros, apesar de estarem presentes na “praça”, não
ouvem e não entendem o chamado. E, se ouvem, a mensagem entra por um ouvido e
sai por outro. Importante, porém é a persistência. Precisamos fazer como o do
dono da vinha, chamar em intervalos regulares, chamar a todo instante.
Se voltarmos na praça às nove horas, encontraremos
alguém disponível e disposto a ouvir; o mesmo acontecerá na hora do almoço ou à
tarde. É preciso procurar constantemente, retornar de hora em hora, de minuto
em minuto. Persistência! É isso que Deus espera encontrar nos seus discípulos.
Todas as praças e ruas devem ser rebuscadas.
Precisamos chamar nas casas e nas famílias. Nesses locais, pelo menos um estará
disposto a trabalhar pelo Reino. Não importa o horário, nunca é tarde para
começar. Nosso Patrão é Justo. Todos que o ouvirem, entenderem e atenderem irão
receber uma justa recompensa no entardecer da vida.
Jorge Lorente
Parábola dos trabalhadores da
vinha
Porque o reino dos céus é semelhante a um pai de
família que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha.
Depois de combinar com os trabalhadores um denário por dia, mandou-os para a
vinha. Tornando a sair pela hora terceira, viu outros que estavam na praça,
desocupados, e disse-lhes: “Ide, também vós para a vinha, e eu vos darei o que
for justo”. Eles foram. Tornando a sair pela hora sexta e pela hora nona, fez a
mesma coisa. Saindo pela hora undécima, encontrou outros que lá estavam e
disse-lhes: “Por que ficais aí o dia inteiro desocupados?”. Responderam:
“Porque ninguém nos contratou”. Disse-lhes: “Ide, também vós, para a vinha”.
Chegada a tarde, disse o dono da vinha ao seu administrador: “Chama os
trabalhadores e paga-lhes o salário começando pelos últimos até os primeiros”.
Vindo os da hora undécima, receberam um denário cada um. E vindo os primeiros,
pensaram que receberiam mais, mas receberam um denário cada um também eles. Ao
receber, murmuravam contra o pai de família, dizendo: “Estes últimos fizeram
uma hora só e tu os igualaste a nós, que suportamos o peso do dia e o calor do
sol”. Ele, então, disse a um deles: “Amigo, não fui injusto contigo. Não
combinaste um denário? Toma o que é teu e vai. Eu quero dar a este último o mesmo
que a ti. Não tenho o direito de fazer o que eu quero com o que é meu? Ou o teu
olho é mau porque eu sou bom?”. Assim, os últimos serão primeiros.
Estamos diante de uma parábola estranha. Ela pretende
explicar o mistério do reino do céu. O seu ponto central é que aqueles que
parecem ser primeiros, no reino do céu serão os últimos e os últimos serão os
primeiros.
Na comparação, a vinha, para um judeu, significava
Israel, e ser chamado para trabalhar na vinha queria dizer ser chamado a fazer
parte do povo de Deus, que era sinal da presença do seu reino na terra.
O trecho se divide em três partes:
“O convite aos operários nas diversas horas do dia”
(20,1-7). Com os primeiros chamados, o patrão da vinha acerta o pagamento
segundo o costume da época: uma moeda de prata. Com aqueles que são chamados às
nove horas, ao meio-dia e às três da tarde promete que pagará “o que for
justo”. E, para os operários chamados às cinco da tarde, não promete nada.
Somente diz para que fossem também eles trabalhar em sua vinha.
“O momento do pagamento” (20,8-12). Na hora de pagar,
o patrão chama primeiramente os operários das cinco da tarde, de modo que os
outros estivessem presentes para que percebessem como ele iria agir. Os
últimos, que haviam trabalhado somente uma hora, recebem o salário de um dia
inteiro de trabalho. Os primeiros recebem simplesmente aquilo que haviam
acertado com o patrão: uma moeda de prata. Contudo, o fato que faz com que os
operários da primeira hora murmurem contra o patrão não é tanto porque
esperavam receber mais, pois haviam acertado que seria uma moeda de prata. Na
verdade, eles queriam que os companheiros da última hora recebessem menos.
“O patrão explica o seu modo de agir” (20,13-15).
Antes de tudo, ele não foi injusto com os primeiros. E, depois, o Senhor pode
acrescentar à justiça, o amor, a generosidade. O verdadeiro problema, porém, é
que os primeiros não suportam esse amor e essa bondade gratuita do patrão.
A vida eterna não é uma recompensa devida por
direito, em base aos nossos esforços pessoais. As classes marginalizadas, os
pecadores, as prostitutas, os cobradores de impostos podem então também ter a
esperança de entrar no reino, pois isso é um puro dom de Deus. É claro que não
se exclui uma diferença de recompensa no mundo futuro, em base ao fazer agora a
vontade de Deus.
o milite
Os operários da vinha
A oração canônica da Igreja, rezada pelo clero, pelos
religiosos e religiosas e por leigos mais integrados na oração litúrgica, é
dividida ao longo do dia em quatro "horas": prima, terça, sexta e
nona. Essa divisão é tirada do modo de contar o tempo usado pelos judeus. Á
semelhança dos gregos e dos romanos, eles dividiam o dia, do amanhecer ao
pôr-do-sol, em doze horas. Mas, na prática, depois das primeiras horas do dia,
falavam apenas em hora terceira (das nove ao meio-dia), hora sexta (do meio-dia
às três da tarde), e hora nona (das três ao fim da tarde). Jesus se refere a
essas horas na parábola que nos conta hoje, pela palavra de São Mateus.
A parábola fala de um proprietário de vinha, que saiu
a contratar trabalhadores para a sua vinha. Saiu logo de manhã cedo e contratou
alguns que encontrou, prometendo dar –lhes no fim do dia a paga de um denário.
Era o que na maneira antiga de nossa língua se chamava um "jornal"
(do latim "diurnalis"), como o trabalhador diarista se chamava
"jornaleiro". Saiu de novo o proprietário pela praça na hora
terceira, e contratou mais outros, com a mesma promessa de dar-Ihes o que fosse
justo. Saiu de novo à hora sexta e à hora nona, e contratou mais outros, com a
mesma promessa: pagar-Ihes-ia o que fosse justo. Já quase no fim do dia -à
décima primeira hora, que corresponde às nossas cinco da tarde - saiu e
encontrou gente ainda na praça sem trabalho, uma vez que ninguém os convocara,
e mandou-os também para a sua vinha. Nem tudo na parábola é muito razoável,
como isso de contratar trabalhadores no fim do dia. Mas são arranjos
pedagógicos de que Jesus se servia para as finalidades de seu ensinamento.
A parábola continua dizendo que, ao findar o dia, o
patrão mandou a seu administrador que pagasse os trabalhadores, começando pelos
últimos. E eles chegaram e receberam cada um 1 denário. Depois vieram os
outros, que tinham começado a trabalhar desde cedo. Vendo como tinham sido
pagos os da última hora, ficaram na esperança de receber mais. Porém receberam
apenas o denário que Ihes tinha sido prometido. Naturalmente reclamaram contra
o patrão que pagava o mesmo aos que tinham trabalhado apenas uma hora, e a eles
que tinham suportado o peso do cansaço e do calor do dia inteiro. À primeira
vista, o homem realmente não estava sendo justo. Mas a parábola não está dando
uma lição de justiça social.
E vem então a explicação do proprietário da vinha a
um dos que reclamavam: "Meu amigo, não estou sendo injusto para contigo.
Não tínhamos combinado que receberias um denário? Toma o que é teu e vai em
paz. Se eu quero dar a este último o mesmo que te dei, não tenho o direito de
fazer com o meu dinheiro o que eu quiser? Ou estás vendo de maus olhos o bem
que eu estou fazendo?" (Mt. 20, 13-15).
A parábola quer mostrar a gratuidade dos dons de Deus
e a grande liberalidade com que nos dá seus favores. Nosso relacionamento com
Deus não é um negócio baseado em número e quantidade. Tudo o que fazemos é
sempre muito pouco em relação aos dons celestes. E Deus é
sempre o que nos dá seus dons com infinita grandeza
de coração. Recebe os pecadores depois de uma longa vida afastada de Deus, como
fez Jesus com o publicano Zaqueu, com a Madalena e com todos os ~ "filhos
pródigos" que encontrou no seu caminho. E Jesus tinha certamente em vista
os judeus - sobretudo os fariseus - que se - julgavam privilegiados por terem
sido de longa data fiéis à lei de L Moisés, e não viam com muito bons olhos a
entrada para o Reino anunciado por Jesus, de pecadores e publicanos.
Esta parábola tem sido usada tradicionalmente na
Igreja para se falar dos que são chamados ao sacerdócio. Em diversas épocas da
vida: jovens, adultos. ...até na terceira idade.
Entrou muito o modo de se falar em "operários da
décima primeira hora". Em algumas dioceses, sobretudo dos Estados Unidos,
criou-se até algum seminário especialmente para essas vocações adultas. Em toda
a Igreja há a preocupação com tais vocações. Em São Paulo, não há muito tempo,
deu-se um caso mais único do que raro. Um zeloso confrade vicentino, homem de
muita piedade e fé atuante, tinha um filho que se tornou sacerdote. Para
alegria da família, esse padre foi feito bispo. O pai ficou viúvo e sentiu-se chamado
por Deus para ser sacerdote. Preparou-se seriamente e se encaminhou para o
altar. Foi ordenado pelo próprio filho bispo! Maravilhosos caminhos de Deus!
padre Lucas de Paula
Almeida, CM
Na vinha
A liturgia nos leva a refletir novamente sobre a Igreja,
na qual somos convidados a trabalhar. Qual será o critério de Deus no
"pagamento" pelo trabalho nela realizado. As leituras bíblicas nos
dão a resposta.
Na 1ª leitura, Isaías afirma que o jeito de Deus ser
é muito diferente de como nós o imaginamos. Deus não pensa como nós. Ele não
julga pela quantidade, mas pela qualidade com que se faz (Is. 55,6-9).
A 2ª Leitura apresenta o testemunho de Paulo, que fez
de Cristo o centro de sua vida. "Para mim o viver é Cristo, e o morrer um
lucro" (Fl. 1,20c-24.27a).
O Evangelho destaca que Deus chama à Salvação todos
os homens, sem considerar a antiguidade na fé, ou os créditos pelo
trabalho realizado (Mt. 20,1-16)
A parábola da vinha é exclusiva de Mateus: um patrão
contrata trabalhadores para a sua vinha, em vários momentos. No final do dia,
paga uma diária completa a todos. Os primeiros "murmuram, reclamando
indignados: "Eles trabalharam apenas uma hora, e tu os igualaste a
nós". O dono da vinha responde ao primeiro descontente: "Não sou injusto
contigo. Não tinhas combinado comigo uma diária?
Estás com inveja, porque eu sou bom?"
Os murmuradores eram os escribas e fariseus que
confiavam em seus créditos.
Deus não é um negociante que contabiliza os créditos
dos homens para depois lhes pagar conforme a quantia produzida. A Salvação é
mais obra de Deus do que merecimento do homem. Deus é um Pai, cheio de bondade,
que ama todos os seus filhos por igual e sobre todos derrama o seu amor. Ele
nos dá muito mais do que merecemos...
O que a parábola queria dizer?
Para Jesus, que era criticado porque acolhia os
pecadores e os publicanos,
os primeiros chamados foram os judeus, como povo
escolhido e herdeiro das promessas do Antigo Testamento;
os últimos: os pecadores, que, convidados por ele,
também entraram no ambiente da misericórdia de Deus.
O Reino de Deus é para todos; não há excluídos,
indignos, desclassificados.
Para Deus há pessoas a quem ele ama, a quem ele
oferece a salvação e a quem ele convida para trabalhar na sua vinha. A única
coisa realmente decisiva é se os convidados aceitam ou não trabalhar na sua
vinha.
Para Mateus, que escrevia para judeus convertidos ao
cristianismo,
os primeiros trabalhadores chamados eram os cristãos
oriundos do judaísmo;
os últimos eram os não-judeus, isto é, todos os
homens.
Para Deus, não há Judeus ou gregos, escravos ou
livres, cristãos da primeira hora ou da última hora.
Não há graus de antiguidade, de raça, de classe
social, de merecimento…
Todos são filhos amados do mesmo Pai.
Para nós, Cristo continua convidando: "Ide
também vós para a minha vinha". Muitos ouviram o chamado de Deus logo no
alvorecer de sua existência; outros escutaram este apelo no vigor da juventude;
outros apenas na idade madura ou bastante avançada...
Deus não pensa como nós, Deus não olha o tempo... mas
a atitude pronta e generosa de nossa resposta...
Não remunera pela eficiência, mas pela necessidade...
Mede muito mais pelo amor, do que pelo produto do
mesmo.
Diante da recompensa gratuita e universal de Deus,
qual a nossa atitude?
nos alegramos com o amor de Deus que acolhe a todos?
ou nos deixamos levar por sentimentos de inveja ou
ciúmes?
ou nos consideramos merecedores de direitos, ou
"privilégios"?
Como explicar essa aparente injustiça de Deus?
Humanamente é difícil entender... só entenderemos
numa visão de fé.
Quem trabalha para o Reino de Deus, deve fazê-lo por
amor. E quando alguém faz por amor não se interessa pela recompensa... pelos
elogios... pelo pagamento...
A fidelidade ao Senhor já é uma recompensa... Sem
dúvida, Deus nos dá muito mais que merecemos.
Que pensar dos que se sentem "donos" da
comunidade porque estão há mais tempo do que os outros, ou porque contribuíram
para a comunidade mais do que os outros?
Na comunidade de Jesus, a idade, o tempo de serviço,
a posição hierárquica, não servem para garantir direitos, privilégios ou
superioridade...
Embora com funções diversas, todos são iguais em
dignidade e todos devem ser acolhidos, amados e considerados de igual forma.
Se na Vinha do Senhor há lugar para todos, por que
muitas pessoas continuam "desempregadas"?
Será que não há trabalho para elas?
Será que não tiveram oportunidade, "porque
ninguém as contratou"?
Será que elas se acomodaram, não querendo
compromisso?
Deus não quer ninguém desocupado.
Cristo continua convidando: "Ide também vós para
a minha vinha!..."
Qual será a nossa resposta ao chamado de Deus?
Qual é o nosso lugar na vinha do Senhor.
padre Antônio Geraldo
Dalla Costa
Trabalhadores de última hora
Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?
Neste
Evangelho, Jesus nos conta a parábola dos trabalhadores esperando na praça. O
patrão é Deus; os trabalhadores somos nós; a vinha é o Reino de Deus. A
parábola se refere, ao mesmo tempo, aos dois aspectos: Aos direitos
trabalhistas e à nossa atuação, como cristãos, no Reino de Deus. No
procedimento do patrão está o procedimento de Deus para conosco, e também o
nosso procedimento correto uns com os outros.
O
patrão "saiu de madrugada para contratar trabalhadores". Deus não
perde tempo, e nós também não podemos perder. Deus não quer o desemprego. Quer
que todos trabalhem. Ele não quer ver ninguém parado na praça.
"Combinou
com os trabalhadores uma moeda de prata por dia." Era o salário justo na
época. Os trabalhadores têm direito à remuneração justa.
"Saiu
outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça e
lhes disse: Por que estais aí o dia inteiro desocupados? Eles responderam:
“Porque ninguém nos contratou". O desemprego deles era culpa, não deles,
mas da sociedade que não lhes dava oportunidades de trabalho. Mas, tanto else
como seus familiares, precisavam comer, do mesmo modo que aqueles que foram
contratados de manhã. Ao pagar o salário, o patrão deve considerar também essa
parte: aquilo que o trabalhador e sua família precisam para viver.
"Quando
chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: “Chama os trabalhadores e
paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros".
Esta decisão é o coração da parábola. Aí está a diferença entre a justiça do
Reino de Deus e a "justiça" do reino do Dragão (cf. Ap. 12). Na
justiça do Dragão, cada um recebe pelo que produziu, sem levar em conta as
necessidades do trabalhador, nem os motivos pelos quais as pessoas estavam
desempregadas. No Reino de Deus é o contrário: Todos têm direito à vida, tanto
os empregados como os desempregados. E, se os desempregados têm esse direito,
ajudá-Los não é um favor, uma esmola, mas uma obrigação nossa.
Quanto
àqueles que o patrão encontrou na praça às cinco horas da tarde, os motivos do
atraso não foram apresentados. Mas, sejam quais forem, estes também têm, assim
como suas famílias, as necessidades de todo ser humano: alimentação, vestuário,
saúde etc. E mais: o mundo pecador, que leva em conta só a produtividade,
marginaliza-os. Por isso no Reino de Deus else são colocados em primeiro lugar.
Nesta
parábola está a chave para entendermos o plano de Deus a respeito do trabalho e
toda a questão trabalhista. O mais importante não é o que a pessoa produz, mas
a própria pessoa que trabalha.
Lei
fundamental na questão do salário é a igualdade, pois todos temos o estômago do
mesmo tamanho. Se a diferença entre o salário dos trabalhadores é muito Grande,
está havendo injustiça, pois perante Deus nós somos todos iguais.
"Em
seguida, vieram os que foram contratador primeiro, e pensavam que iam receber
mais." É o protesto dos egoístas, daqueles que só pensam em is,
esquecendo-se dos demais. Veja que o que else acham errado não é o salário
deles, que sabiam que inclusive foi combinado antes com o patrão, mas a
igualdade de tratamento usada pelo patrão. Por isso que o patrão OS chama de
invejosos. Cada vez que alguém quer aumentar o próprio salário sem levar em
conta aqueles que ganham menos, está sendo como essa turma, isto é, está contra
o plano de Deus!
E
Jesus termina a parábola apresentando a lei geral do Reino de Deus: "Os
últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos". Em outras
palavras, no Reino de Deus Os últimos da sociedade são colocados em primeiro
lugar, e os primeiros da sociedade são colocados em último lugar. Só quem age
desse modo entra no céu.
"Se
a vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis
no Reino dos Céus" (Mt. 5,20). A justiça do mundo nem sempre coloca a
pessoa humana em primeiro lugar.
"Construirão
casas e nelas habitarão. Plantarão vinhas e comerão seus frutos. Ninguém
construirá para outro morar, nem plantará para outro comer. E a vida do meu
povo será longa como a das árvores. Meus escolhidos poderão gastar o que suas
mãos fabricarem" (Is. 52,21-22).
"No
princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava sem forma e vazia; as
trevas cobriam o abismo... Deus disse: Que exista a luz!... Então Deus disse:
Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele domine OS peixes do mar,
as aves do céu... E Deus viu que tudo o que havia criado era muito bom. Foi o
sexto dia. No sétimo dia Deus terminou o seu trabalho e descansou. Então Deus
abençoou e santificou o sétimo dia, porque nele, descansou do seu
trabalho" (Gn 1,1-2,3). Pelo trabalho, continuamos a obra de Deus na
criação do mundo. Deus trabalha e nos manda trabalhar também, mas sempre dentro
do seu plano amoroso.
Certa
vez, um empregado chegou para o seu patrão e disse: "É melhor o senhor me
dar um aumento de salário". O patrão perguntou: "Por quê?" O
empregado respondeu: "É porque há várias empresas atrás de mim". O
patrão, com um ar muito desconfiado, perguntou: "Quais são essas
empresas?" O empregado respondeu: "As empresas são as de água, de
luz, de telefone, de cobranças..."
Esse
patrão foi convidado a olhar também o lado das necessidades do seu empregado,
não apenas a produtividade dele.
Maria
Santíssima era uma mulher trabalhadeira. Nas Bodas de Caná, tudo indica que
ela, apesar de simples convidada, estava ajudando a servir. Que ela nos ajude a
agir corretamente no vasto mundo do trabalho humano.
Ou
estás com inveja, porque estou sendo bom?
padre
Antonio Queiroz
O mundo em que
vivemos
Nosso mundo é organizado sobre a
economia (investimento, produção, consumo, acumulação, poupança, riqueza, bem
estar, prazer e felicidade). Como o dinheiro está na base de tudo, também somos
marcados pela ideias de remuneração, aumento salarial, trabalho e merecimento
de desempenho, bônus, justiça social. Tudo isso faz parte de nossa cultura e
não é necessariamente ruim. Apenas corremos o risco de esquecer as pessoas, no
meio de tantas coisas. Por ex.: quando os pais decidem ter um filho estão
fazendo um “investimento”?
Se alguém nasceu com deficiências
genéticas ou se tornou limitado por algum acidente, é mal visto por não ser
“produtivo” no mundo de trabalho e dinheiro? É menos importante?
Os povos pobres da África
golpeados pelo Ebola merecem a pesquisa dos laboratórios e os altos custos de
pesquisa para descobrir a vacina? Ou remédios para a cura?
Sírios, palestinos, somalis,
líbios, iraquianos, turcos, curdos e milhões de outros refugiados, migrantes,
minorias perseguidas (seja por terroristas do Estado Islâmico, seja pelo
preconceito em países mais ricos), são uma população que deveria ser eliminada?
(as ditaduras do passado também pensaram em genocídio e eliminação de
minorias). Será que esta multidão de desgraçados fazem parte da raça humana?
E os desempregados da Europa? ou
os pobres (na Ásia, América latina e Caribe ou os de dentro das nações mais
ricas)? servem para alguma coisa? (além, é claro, de servir para ganhar
eleições...)
A parábola de hoje deveria
sacudir nosso torpor, pois estamos ficando acostumados à gradual eliminação dos
mais frágeis, famintos, doentes, deficientes, analfabetos, bombardeados,
infiéis, pobres, os que não têm “nossa” cultura (religião, valores, etc.).
Uma parábola que prega a
injustiça? O comentário a seguir é baseado em M. Domergue.
Invertendo a lógica da meritocracia.
Há uma longa lista de textos bíblicos que aponta para um Deus que parece não
ter muita “lógica”. Começando por Gênesis 4 em que a preferência de Deus é por
Abel, mais novo e, ainda por cima, pastor, isto é, consumidor de carne (ao
passo que, cf. Gênesis 1,29, todos eram vegetarianos, até que a carne animal
foi autorizada depois de Noé, cf. 8,21;9,1-4) Há uma longa lista das
preferências de Deus... Mas citemos Jacó, escolhido em vez do mais velho Esaú;
Davi, o caçula dos sete filhos de Jessé; Salomão, o filho da mulher tirada de
Urias pelo crime de Davi. Sempre escolhidos exatamente os que “não tinham
direito” de ser os primeiros, o que nos lembra Paulo aos Coríntios (1Cor.
1,26): irmãos, considerai a que fostes chamados. Não há entre vós muitos
sábios, nem poderosos, nem bem nascidos. Mas, o que é loucura para o mundo,
Deus escolheu para confundir os sábios. E Paulo acrescenta: os frágeis,
escolhidos para confundir a força; os desprezados, em vez dos famosos... Tudo
isso quer dizer que ninguém pode apresentar seus títulos para justificar o dom
de Deus. Deus não nos ama porque somos bons mas nos seremos bons, nos tornamos
bons porque Deus nos ama.
Injustiça de Deus ou loucura
divina? É preciso corrigir qualquer toda teologia do mérito que nos leva a crer
que o dom de Deus se mede por nosso valor, mesmo se alguns trechos bíblicos,
isolados do contexto, nos levem a pensar assim. O dom de Deus se mede pelo amor
que vem dele (que podemos deixar passar por nós até chegar a outros (cf. Lc.
6,38). Da parte de Deus, o dom é total. Ele nos dá tudo o que nós somos, ou
tudo o que aceitamos ser, e tudo o que ele é. Só nele o dom é sem medida. Pedro
diz que ele nos faz participar de sua própria natureza (2 Pedro 1,4). Ele – que
não nos deve nada – nos dá tudo. Portanto: começamos a existir por um amor sem
razão, isto é esse dom não parece razoável e nunca acabamos por entendê-lo. Por
isso Jesus Cristo diz que não veio para os justos, mas para os pecadores, para
que se convertam, quer dizer, para que cheguem a crer no dom. Se houver
conversão “moral”, ela vem depois, como consequência de nossa confiança no
amor. Na raiz de cada um de nós há algo (melhor, alguém) inexplicável. Sou
incapaz de dizer porque eu sou eu. Às vezes sei “como” cheguei ao que sou, mas
não há resposta para o “por quê?”. Simplesmente somos. Gratuitamente. Não
podemos “justificar” nosso existir.
Os trabalhadores da última hora.
A parábola fala de como age aquele a quem chamamos “Deus”. Ela também fala do
“Reino”: da “lógica” de nosso relacionamento com ele, onde, novamente nos
deparamos com o “injustificável”. A justiça de Deus não é a nossa justiça, sua
lógica não é a nossa lógica, mesmo se em nossa justiça (nem sempre
praticada...) achamos que cada qual deve receber o que lhe é devido. Seus caminhos
não são nossos caminhos. Sua justiça não é “justiceira” mas “justificadora”. É
uma justiça diferente que, no sentido bíblico, torna justo quem não era justo.
Começa com o Justo por excelência que não joga sobre o culpado a pedra nem a
primeira nem a última, nem a sentença nem o castigo. Na parábola, o “dono”
desse “Reino” chega a pagar pelo trabalho que nem foi realizado completamente.
E os da “última hora” são os primeiros a receber (um salário que nem deviam
ganhar). Onde sobra falta de merecimento, é superabundante o amor, totalmente
gratuito. Paulo diz (cf. Romanos 5,20) que Deus é injusto por excesso de amor.
Não é que a justiça tenha sido abandonada, mas sua justiça ultrapassa o que era
devido. Os “primeiros” (e, em geral nós nos julgamos os “certinhos” que
trabalham há muito tempo na “vinha do Senhor”) devem se alegrar ao ver os
“últimos”, passando à frente. Ao aceitar essa “injustiça” adotam o
comportamento do amor com que Deus os ama também, pois aos “primeiros” também
foi dado este amor sem “justificação”. O próprio Cristo (o primeiro, a imagem
perfeita do Deus invisível) veio para ficar no último lugar e se fez um
servidor.
E, por que os da “primeira hora”
não recebem mais que os outros? Porque o que Deus dá, é ele mesmo, mais que
qualquer pagamento, salário ou retribuição. Ao nos dar conta disso, talvez
possamos ajudar um pouquinho na modificação do mundo em que vivemos. As
religiões não podem consertar este mundo, mas a fé pode nos tornar mais
próximos dos gestos divinos.
prof.
Fernando
Deus chama a todas
as horas
Através de uma parábola, Jesus
mostrou a seus discípulos que “O reino dos céus é como a história do patrão que
saiu de madrugada para contratar trabalhadores para s sua vinha” (Mt. 20).
Observemos de início que Cristo fala em parábola, gênero literário por ele
muitas vezes usado. Ao contrário da alegoria numa parábola é preciso procurar o
ponto central da mensagem, porque nisto se encontra a lição principal do Mestre
divino. O resto são detalhes que permitem oferecer um contraste, visando forçar
a atenção e a avivar o interesse do interlocutor.
Não era intento de Jesus
manifestar a relação complexa entre patrões e trabalhadores numa ótica, por
exemplo, neo-marxista. São João Crisóstomo que meditou profundamente esta parte
do Evangelho levantou uma questão inicial de sumo valor, ou seja, “porque o
empregador não chamou todos os operários ao mesmo tempo? Porque renovou o
chamado durante todo o dia?” O douto exegeta e teólogo responde dizendo que o
desejo de Deus foi chamar a todos ao mesmo tempo para o seu Reino.
Entretanto na sua delicadeza e paciência Deus chama na hora mais oportuna que
convém a outros convidados. Os apóstolos logo o seguiram, mas Dimas, por
exemplo, só entraria no céu na última hora. Ele que é o Senhor do cronos e de
sua vinha escolhe o instante mais propício para poder escutar o sim do ser
racional que é livre.
De fato, os homens se dão a Deus
em idades e circunstâncias diferentes. Imperscrutáveis são os desígnios
divinos. Aí vem, em seguida, a questão do pagamento. O patrão fora claro ao
dizer que daria o salário justo, no caso, uma moeda de prata. O pagamento
começou pelos últimos contratados para que os primeiros testemunhassem o que
ele faria. Os primeiros assistem a paga dos últimos e percebem que é a mesma para
todos. É que para Deus não há privilegiados. Todos são tratados igualmente. A
medida de Deus é uma medida plena aos chamados para o seu Reino através de
Jesus. Deus dá o máximo a cada um. O essencial da questão não é a generosidade
de Deus como se faltasse qualquer coisa aos trabalhadores da primeira hora. O
problema se situa do lado humano que estima injusta a liberalidade divina e cai
então no pecado da inveja.
No fundo a parábola lembra uma
verdade essencial da fé: Para todos que crêem não há diferença perante o Ser
Supremo. Com bem se expressou São Paulo na Carta aos Romanos (3,22-31), todos
os homens pecaram e são privados da glória de Deus, mas todos foram
gratuitamente justificados por pura graça divina. Todos justificados pelo
Senhor Onipotente que ama a todos os homens em particular. Sua generosidade não
tem limites e não é demarcada pelos méritos de cada um. Este Deus ultrapassa a
justiça dos homens para dar infinitamente mais a cada um, mais do que ele tem
direito a receber. Resta então louvar a bondade do Criador, Senhor de suas
graças.
Deste modo esta parábola encerra
um ensinamento de sumo valor para a vida espiritual. Deus, realmente nos chama
a todos e em todas as horas. Cumpre estar atentos. Notemos sempre, porém, que o
chamamento divino é bem mais importante do que a recompensa advinda da
correspondência ao convite do Pai. Toda atenção é pouca para escutar o apelo
divinal para, imediatamente, segui-lo. É de se observar finalmente que o patrão
da parábola, dando a todos a mesma paga, mostra que levou em conta não só o que
prometera a cada um, mas também sua necessidade de emprego. Isto bem ao
contrário de nossa sociedade capitalista que baseia a recompensa unicamente nos
interesses econômicos dos ricos e, nem sempre, cuida dos trabalhadores nas mais
diversas empresas. Deus se fundamenta muito mais nas necessidades pessoais de
cada um, de cada pessoa em particular. É preciso haver o perfeito equilíbrio
entre o salário e o mérito, um salário segundo as precisões de cada ser humano.
O trabalho nunca pode ser considerado uma mercadoria, pois quem o faz é alguém
criado à imagem e semelhança de Deus e possui também a dignidade de filho
bem-amado deste Deus de bondade infinita. Os sindicatos e demais corporações
trabalhistas nem sempre observam a estrita justiça e as reivindicações, mesmo
porque há poucos ganhando muito e muitos recebendo pouco.
Não assim na vinha do Senhor que
é a Igreja para a qual todos são chamados a trabalhar, certos de que nela não
há discriminação, mas aí reina a benignidade de um Deus poderoso e
infinitamente generoso. Ele precisa de sacerdotes, diáconos, catequistas,
agentes comunitários para seu plantio que é o anúncio do Evangelho. Que cada um
pese seus atos e se dê conta de que é preciso ser evangelizador. Não se preocupe
com a recompensa, pois o Senhor sabe retribuir. Nunca é tarde para atender o
seu convite! * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.
cônego José
Geraldo Vidigal de Carvalho
Somos trabalhadores e não donos
de Deus
A liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum, faz-nos
lembrar que os caminhos e pensamentos de Deus estão muito acima dos nossos. Daí
que resulte num insistente apelo à conversão dos esquemas deste mundo que por
causa da injustiça que provocam estão muito longe da vontade de Deus. Mais ainda
se converte este apelo à necessidade de andar alguém a pensar que pode dominar
o coração e vontade Deus. Nenhuma criatura deste mundo tem poder para tal. O
querer de Deus é um grande mistério, por isso, nada nem ninguém se pode dar ao
luxo de considerar que pode impor, pelo domínio e pela força, um desejo que
achou ter descortinado de Deus.
O primeiro texto tirado do profeta Isaías pede aos
crentes que «voltem para Deus», isto é, que deixem todas a formas de pensar e
de agir que estão contra um «querer» de Deus que radica sempre no bem universal
contra todas as formas de poder que marginalizam e escravizam. A palavra do
profeta insiste na necessidade de encontrar a lógica da relação de uns para com
os outros baseada na lógica dos valores de Deus que são sempre de libertação
contra toda a opressão que este mundo sempre vai impondo.
No segundo texto da missa deste domingo temos o
exemplo de um cristão, Paulo, que confessa até onde já chegou a fé que abraçou:
«Porque, para mim, viver é Cristo e morrer é lucro» (Fil. 1,21). Esta ideia
representa que de forma exemplar o Apóstolo quer mostrar-nos como funciona em
si a lógica de Deus, renunciou aos seus interesses pessoais, a todo e qualquer
egoísmo e comodismo, e colocou no centro da sua vida Jesus Cristo, a Sua
Palavra, os Seus valores, e o Seu projeto universal de salvação.
No Evangelho, Jesus inverte toda a lógica deste mundo
que considera que quem mais dá mais deve receber. No campo da fé e da salvação,
Deus concede esse dom como lhe aprouver, sem medida de peso nem muito menos de
tempo, são uma intensidade que se descobre em qualquer momento da vida. A Deus
interessa que todos cheguem lá.
Não conta a longevidade da fé, os créditos em
depósito das muitas rezas e devoções cumpridas, as qualidades e os comportamentos
realizados antes, interessa essencialmente para Deus é que cada um de nós se
descubra no caminho do bem e por aí realize ações que sejam benéficas para a
construção da beleza do mundo onde está a realizar a sua existência. Todos os
lugares são «a vinha de Deus» e nós os trabalhadores desse vinhal, contratados
para produzir o néctar saboroso da paz, da amizade, da justiça e da
fraternidade.
A Deus interessa que cada um corresponda pelo melhor
de si ao convite para se achegar a esse «trabalho» da vida, abdicando dos
interesses puramente pessoais que se mal conduzidos redundam no egoísmo puro e
duro. Também para nada serve estar neste «serviço» de Deus movido pela lógica
da inveja que destrói a relação. Mais importa trabalhar em qualquer circunstância
animado pela força do amor, para que na hora da recompensa a festa da
felicidade possa sanear qualquer ponta de ciúme quando Deus conceder para todos
sem descriminar o dom da plenitude da vida para todos.
padre José Luís Rodrigues
Operários da vinha
“Deus ama todas as pessoas da
mesma forma.
A nossa salvação acontece na
abertura ao seu amor”.
A nossa relação com Deus sempre será misteriosa
acontecendo sempre no âmbito da fé. Esta passa a ser a divisora de águas em
nossa vida. Quando aceitamos de coração o que Deus deseja de nós nos
comprometemos com seu amor. Ele dá a mesma oportunidade a todas as pessoas.
Alguns aceitam antes e outros depois o seu infinito amor. Diante de Deus somos
iguais e Ele deseja que façamos parte de sua felicidade profunda. O
direcionamento da nossa liberdade é que irá fazer a diferença. A luta contra
nós mesmos se faz necessária para educarmos a nossa liberdade na busca pela
verdade.
“Eu quero dar a este que foi contratado por último o
mesmo que dei a ti. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com
aquilo que me pertence?”
A bondade infinita de Deus continua nos questionando
fortemente. Especialmente por estarmos inseridos num mundo onde os valores
materiais estão acima dos espirituais. A pessoa humana está sendo encerrada
dentro de um conceito de compra e de venda. Não se está dando importância ao
que ela pode ter de mais precioso em seu interior. A moda externaliza as
pessoas fazendo que vejam só para o transitório.
Esta bondade ou graça está à disposição de todos nós
desde antes de nosso nascimento. Deus não faz distinção de pessoas. O seu
coração ama profundamente a todas as suas criaturas. Todos fazem parte de seu
projeto de amorização. Quando olhamos para a profundidade de nossa vida
percebemos que somos amados. O amor de Deus por nós é concreto e forte em nossa
vida.
No fato de sermos gerados, percebemos que Deus
depositou em nós 1000% de seu amor (amor inefável, fora da nossa compreensão
racional). Somos suas criaturas prediletas. Amadas por Ele antes mesmo de nosso
nascimento.
Esta parábola tem muito a ver com a propagação ou
generalização da Graça de Deus. Todos são beneficiados da mesma forma pelo
desejo de promoção que o Senhor tem em relação as suas criaturas. Deus é justo
com todos. Procura dar sua salvação a todos que se abrem ao seu amor. Os
caminhos e os tempos podem ser diferentes. A estabilidade do amor, que
caracteriza o Ser de Deus, é estável e acontece com a mesma intensidade. A
falha acontece na forma de nós recebermos este amor.
Quando buscamos a santidade estamos em busca de uma
estabilidade no amor na constante instabilidade da vida. Hoje somos envolvidos
por um mundo de competição que visa o lucro e a prosperidade em um
direcionamento errado. Até mesmo muitas religiões, que se consideram cristãs,
pregam em seus discursos um negócio com Deus. O materialismo se infiltrou
dentro do sentido religioso por ingenuidade das pessoas que estão carentes de
uma verdadeira espiritualidade.
A verdadeira pregação cristã tem base na misericórdia
e na solidariedade que terá como conseqüência a prática efetiva do bem. A
pessoa fechada em si mesma jamais poderá encontrar as raízes da verdadeira
felicidade. Devemos nos alegrar com a salvação que é dada de uma forma gratuita
para todos. Alguns a recebem logo no início de suas vidas, através de suas
famílias, outros irão se converter por outros meios. Vemos esta realidade no
momento da morte de Jesus em relação ao bom ladrão que foi o primeiro santo
canonizado pelo próprio Senhor. A fonte de misericórdia no coração de Jesus
inundou a vida deste homem fazendo que toda sua existência fosse entregue nas
mãos do Senhor.
Assim como Deus perdoa a todos da mesma forma Ele ama
aos seus filhos e quer a salvação de todos sem exceção. Só poderemos entender o
seu gesto se experimentarmos a verdadeira alegria que é fruto do altruísmo
universal, ou seja, de nossa abertura de coração a todos que precisam de nosso
auxílio.
“Senhor Jesus fazei que sempre
nos reconheçamos amados por ti.”
padre Giribone -
OMIVICAPE
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