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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM-A

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM
15 de Outubro de 2017
Cor: Verde
Evangelho - Mt 22,1-14


A parábola não explica direito como foi distribuído as vestes para a festa, ou seja, o traje de festa. Talvez tenha sido um problema de tradução. Mas o que importa é o sentido das palavras de Jesus, o que Ele quer nos dizer, nos avisar sobre a importância do ESTADO DE GRAÇA para merecermos entrar para a Vida Eterna.



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“MUITOS SÃO CHAMADOS E POUCOS SÃO ESCOLHIDOS.” – Olivia Coutinho

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 15 de Outubro de 2017

Evangelho de Mt22,1-14

Deus tem um projeto de vida plena, destinado a todos! Todos são chamados  a desenvolver este projeto, que é nos apresentado por Jesus. É um engano pensar, que este chamado, seja feito somente para os que são vistos como bons, o chamado de Jesus, é extensivo a todos, Ele não faz restrição de pessoas. O que vale para Jesus, é o sim, que se dá, ao seu chamado, pois no coração de quem o aceita, já houve transformação, afinal, ninguém aceita um chamado de Jesus, sem estar disposto a mudar de vida.
O Evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos apresenta a parábola do rei que preparou um grande Banquete para comemorar a festa de casamento do seu Filho!
O rei, desta parábola, é Deus, o filho, é Jesus! Jesus  é o noivo, a festa, é o encontro de Jesus com a humanidade, Ele veio reconstruir a aliança (casamento) de amor entre Deus e o homem, uma aliança, que fora quebrada pelo o pecado!
A alegria do Rei, (Deus) era ver a sua casa cheia de convidados para festejar o casamento do seu filho! É esta, a alegria de Deus:  Ver seus filhos participando do Banquete da vida, que é chamado por  Jesus, como o Reino de Deus!
O Reino de Deus é festivo, é alegre, Jesus o compara com um Banquete, porém, a entrada para este Banquete, não é livre, pois não se trata de um  direito nosso,  requer convite, e este convite, é a graça de Deus destinada a todos! Quem acolhe a graça de Deus, tem o seu lugar garantido neste Banquete, preparado carinhosamente pelo Pai, porque irá viver, de acordo com a sua vontade!
O Reino dos céus  é uma oferta de amor,  mas nem todos participarão deste Banquete da vida, não porque sejam  impedidos de participar, e sim, pelo fato de recusarem à graça de Deus!
O Banquete já está preparado, o convite é para todos, acolher a graça de Deus, é uma questão de escolha! 
São muitos, os que recusam a participar do Banquete preparado por Deus! Uns, porque já fizeram opção pelos os  banquetes do mundo, outros, até sentem atraídos pela o convite de Jesus, chegam a dar passos na sua direção, mas recuam, por medo do compromisso, se justiçando atrás das mais variadas desculpas: só depois que eu terminar os meus estudos, quando os meus filhos crescerem, depois que eu me aposentar... E assim, muitos, vão adiando o seu sim, a Deus. Há também, os que estão diante do Banquete, mas não se  sentam à mesa com Jesus, são os que estão presentes na igreja, mas não estão vestidos com a roupagem do amor! Estes, por fora, aparentam estarem próximos de Deus, mas na prática, estão distantes, fazem coisas, mas não vivem o amor!
Mesmo diante de tantas recusas, de tantos desleixos, tantas ingratidões, Deus não desiste do humano, Ele insiste conosco, não cansa de nos enviar mensageiros, (profetas) para nos alertar sobre as consequências da recusa ao seu convite!
Somos convidados a ter uma intimidade profunda com o noivo, que é Jesus, a sentar à sua “mesa” para nos saciar do grande Banquete preparado pelo o Pai, ser indiferente a este convite, é ignorar o projeto de vida plena,  idealizado por Deus.
Como é bonita, a ação de Deus, no coração daquele que aceita o chamado de Jesus, que se abre para acolher a sua proposta!
Quem experimenta a grandiosidade do amor de Deus, vive as alegrias de fazer parte do grande Banquete: o Banquete da vida!
A nossa vida terrena, só tem sentido, se for vivida na perspectiva de alcançarmos a eternidade.


FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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O festim dos pobres
Que belo o espetáculo de uma refeição. A mesa preparada, os pratos, os copos, a toalha bonita, os guardanapos de pano, os convidados que chegam, a alegria do encontro, o júbilo do reencontro. Isaias nos fala de um banquete  nos tempos que viriam: “O Senhor Deus dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos”. Era o banque dos tempos messiânicos.
O Pai de Jesus preparou para ele um banquete. Espalhou convites por todos os lados. Os convidados, no entanto, tinham outros interesses:  cuidar do campo, administrar seus negócios e não puderam, efetivamente, responder com generosidade. Não conseguiram entrar na intimidade de Cristo e procuraram eliminá-lo. Ontem e hoje  há os que respondem  generosamente aos apelos e convites de Jesus para  uma vida de intimidade, como íntima é a vida dos que entram  nas entranhas do  amor de Cristo.
Há esse banquete da pessoa de Cristo. Através dos tempos somos chamados a entrar em sua intimidade, saborear suas palavras, degustar as cenas dos evangelhos nas quais o Senhor se coloca em intimidade com o Pai.
Desde muito tempo vamos sendo convidados a deixar a banca de impostos, as redes, pai e mãe, preocupações pequenas para entrar na sala do amor do Senhor. Ali não se pode entrar com veste manchada. O Senhor que nos convida deseja que alvejemos nossas  vestes nas vestes do Cordeiro.
Pensamos aqui, de modo particular, na eucaristia. As pessoas chegam de suas ocupações. Gente de todos os cantos, mas vestidos da veste transparente da fidelidade ao Senhor, pais e mães de família, gente com saúde e doentes, casados e solteiros. Todos vão entrando, tomando lugar na mesa da toalha branca. Sinceridade de vida e transparência de gestos. A sala de festas é o coração do Senhor. Empurramos a porta aberta de seu peito e nos assentamos contemplativamente no recôndito do dom de sua vida.
Muitos, efetivamente, são os chamados, mas poucos os escolhidos...
frei Almir Ribeiro Guimarães



O banquete e o traje
Aproxima-se o fim do ano litúrgico, abre-se a perspectiva final. Deus nos aguarda  para o banquete escatológico já descrito na profecia de lsaías (1ª leitura). Para um povo provado pela fome, comida e bebida é uma imagem do bem-estar total, embora sempre uma imagem ...
O evangelho de hoje traz duas idéias relacionadas com a imagem do banquete escatológico. A primeira diz respeito ao convite (recusa dos convidados oficiais e convite para todos), a segunda, às condições pessoais para participar do banquete (o traje).
1) Deus fez diversos convites oficiais para o banquete de núpcias de seu filho (as núpcias messiânicas, de que falam os profetas); os convidados oficiais eram o povo de Israel. Mas tinham outras ocupações; estavam satisfeitos com aquilo que eles mesmos conceberam e não se interessaram pelo convite. Até agarraram, maltrataram e mataram os mensageiros (= profetas e apóstolos). Ocupavam-se com questões de jejum, enquanto deveriam festejar (cf. Mt. 9,14s e par.). Por isso, foram convidados todos os que quisessem, os que eram desprezados pelos primeiros convidados: os publicanos e as meretrizes (cf. Mt. 21,28-32), os pagãos (cf. evangelho de domingo passado) etc. E também nós, que somos os descendentes destes. Naturalmente, mesmo assim, a gente não se pode apresentar sem a veste nupcial da fé (v. 11-14). Pois, se todos são chamados, eleitos mesmo são apenas os que realmente crêem.
Ora, olhando para o presente, os primeiros convidados são os paroquianos costumeiros, os bons cristãos. Eles recebem constantemente o convite para participar das núpcias messiânicas, isto é, para entrar na alegria da verdadeira fraternidade de Deus, que se alegra com sua gente. Mas chovem desculpas. Sou padre, devo rezar meu breviário. Sou médico, preciso manter meu "status", Sou engenheiro, estou envolvido naquela obra pública ... "Por favor, Deus, deixa-me em paz, já tenho o que chega". E cada um fica no seu cantinho. Inclusive, entre os convidados oficiais alguns não se dão com a cara dos mensageiros, que lhes parecem ler a lição! Até os matam, em nome da Igreja católica apostólica romana ... Então, os mensageiros passam para as praças e encruzilhadas e mandam para a festa o povinho, que é bastante humilde para sentir que lhe está faltando alguma coisa. Pergunto, então: os "primeiros convidados", finalmente rejeitados, são os judeus do tempo de Jesus, ou nós mesmos? Uns e outros!
2) Considerando agora a questão do traje, podemos fazer uma pergunta semelhante: Os que não têm a veste festiva são os que, por alguma razão, entraram na Igreja do primeiro século sem ter a verdadeira fé, ou somos nós que estamos dentro da sala do banquete, mas sem uma fé que nos transforme em cristãos radiantes de novidade nupcial? Em ambas as maneiras de ler, a frase "muitos são os chamados, poucos os escolhidos" nada tem a ver com tristes especulações sobre a "massa condenada", mas é uma pergunta com relação à autenticidade de nossa fé e de nossa dedicação à festa que Deus, em Cristo, preparou para todos os seus filhos. Não somos nós tais chamados (encaminhados para a Igreja desde jovens) que, porém, não poderão ser escolhidos (queridos por Deus), porque o nosso coração lhe está fechado (o que se revela no fechamento para com os nossos irmãos, especialmente, os mais pobres)?
Em função do texto do evangelho, que tem nítidas ressonâncias eucarísticas, pode-se escolher o prefácio da SS. Eucaristia II (unidade na caridade em redor da Ceia). O canto da comunhão pode ser a 1ª opção.
A 2ª leitura pouco contribui para o tema central, mas é linda: o agradecimento final de Paulo aos filipenses, porque cuidaram tão bem dele, embora tivesse também suportado a carência, se fosse preciso. Ele não exigiu nada, mas foi muito bom eles terem feito tudo isso por ele (Fl. 4,1O-14: gratuidade da bondade fraterna). É um agradecimento a Deus por causa destes fiéis tão delicados e dedicados (Fl. 4,19-20; cf. 1,3-5).
padre Johan Konings "Liturgia dominical"



Convite às núpcias
Depois da parábola dos vinhateiros, onde Jesus desmascara as autoridades (sumos sacerdotes e anciãos), Ele permanece no Templo, e agora conta a parábola do banquete nupcial.
Jesus usa a festa de casamento para representar o projeto do Pai. Na linguagem bíblica, a festa de casamento é um símbolo que recorda a aliança de Deus com os homens – representando intimidade e salvação, e participar dele é comprometer-se com a prática da justiça.
Já no início da parábola é possível perceber que o rei que prepara a grande festa é Deus e o filho que se casa é Jesus. Os primeiros convidados rejeitam o convite porque não concordam com o projeto que Jesus veio apresentar. Novo convite é feito indicando que Deus não desiste. Ele insiste porque grande é a sua vontade e desejo de uma grande intimidade com os homens. Diante de uma nova recusa é possível perceber o que está por trás da rejeição ao chamado de Deus: alguns preferem cuidar de seus interesses, colocando-os à frente de tudo; outros reagem violentamente e atacam “os servos”, aqueles enviados por Deus que, tendo a percepção do que Ele quer, têm a coragem de dizê-lo a todos, como faziam os profetas no tempo do Antigo Testamento.
A festa, o grande banquete de Deus é oferecido a todos, inclusive aos que vivem à margem do sistema socialmente injusto e perverso, que produz os seus problemas e depois marginaliza as pessoas. Acontece
que não basta estar nestas condições para participar do Reino de Deus – estes também serão excluídos se não forem justos, o que na parábola, é simbolizada pelo traje de festa. Sem esta roupagem não tem como entrar e permanecer no Reino.
Deus não desiste de seu povo, Ele insiste no convite para o banquete, mas para aceitá-lo é preciso estar adequadamente trajado, vestindo-se de amor ao Pai e aos irmãos, caso contrário não se tem lugar à mesa da Aliança.
A parábola deixa claro que todos são chamados para festa, porém existem limites para a participação: o primeiro é a liberdade que Deus dá a todos, e isso possibilita querer aceitar ou não o convite; o segundo
são as atitudes e os sentimentos necessários para não atrapalhar o projeto do Pai. Em outras palavras, há mais chamados que escolhidos, isso porque o comprometimento, com a justiça e o amor a Deus e aos
irmãos, é a única resposta coerente ao chamado gratuito que Deus sempre faz a todos.
 Pequeninos do Senhor



A ingratidão castigada
A parábola evangélica resulta numa releitura da história de Israel e da Igreja. O convite para participar do banquete preparado pelo rei, por ocasião do matrimônio de seu filho, expressa o amor de Deus por seu povo. O povo eleito era o convidado especial para participar do lauto banquete. Nada mais natural do que responder afirmativamente, pois ter sido objeto da deferência de um rei é algo de extrema relevância.
Os convidados, porém, recusam-se a comparecer, apesar da insistência do rei que, por duas vezes, enviou seus emissários para convencê-los a vir. Estes não fizeram caso. Cada um foi para os seus afazeres. Pior ainda, pegaram os servos, maltrataram-nos, e os mataram. Simbolicamente aqui está retratada a atitude insensata do povo de Israel que se recusou a ouvir os apelos à conversão, que lhe foram dirigidos através dos séculos, por meio dos profetas. Por isso, foi castigado com a destruição, pelas mãos dos romanos.
Estando pronto o banquete e tendo os primeiros convidados sido indignos de participarem dele, o rei mandou seus emissários pelos caminhos para reunirem maus e bons, de forma que a sala do banquete ficou repleta. Em outras palavras, tendo Israel recusado o convite divino, este foi dirigido aos pagãos que o acolheram, de maneira a formar o verdadeiro povo de Deus, a Igreja.
padre Jaldemir Vitório



Um convidado sem os trajes de festa é amarrado e lançado fora
Jesus encontra-se em Jerusalém, para onde se dirigiu, após exercer seu ministério na Galiléia. Seu objetivo é levar o seu anúncio do Reino dos Céus aos peregrinos que para aí acorriam para participar da tradicional festa judaica da Páscoa, libertando-os do pesado fardo da opressão religiosa que carregavam. Na hierarquia religiosa havia a primazia do Sumo Sacerdote e demais sacerdotes do Templo de Jerusalém e, distribuídos nas áreas de dispersão dos fieis judeus, fora de Jerusalém, os escribas e fariseus que dirigiam as sinagogas locais. Durante o ministério de Jesus na Galiléia, aqueles que se posicionavam como seus adversários eram os chefes locais, fariseus e escribas, e, agora, em Jerusalém os adversários são os sacerdotes e os anciãos, que compunham o sinédrio, órgão máximo de direção do judaísmo, sediado no Templo de Jerusalém. Jesus já havia dirigido a estes sacerdotes e anciãos a parábola da vinha arrendada a uns agricultores, os quais acabaram matando o filho do proprietário. Os chefes religiosos do Templo, sentindo-se denunciados nesta parábola, decidiram prender Jesus. Em seguida Jesus dirige-lhes esta nova parábola.
A imagem do rei simbolizando Deus já apareceu na parábola do rei que perdoou o devedor, e a imagem do filho como representando Jesus aparece na parábola dos vinhateiros que se rebelaram contra o proprietário. Agora temos a parábola do rei que prepara a festa de casamento de seu filho. No evangelho de Lucas a encontramos com uma narrativa mais simples, sem as violências que aparecem aqui em Mateus e mais próxima fiel a Jesus. A parábola, em Mateus, como cena de referência, fica um pouco estranha pela sua violência: o assassínio dos servos e o extermínio da cidade pelas tropas do rei. O seu sentido é histórico e escatológico. Os servos assassinados podem se referir aos profetas, e ao próprio Jesus, rejeitados pelos líderes religiosos da Judéia. A cidade incendiada pelas tropas do rei parece se referir a Jerusalém incendiada pelos romanos no ano setenta. A imagem do farto banquete (cf. primeira leitura) é própria para exprimir a abundância com que Javé cumularia o povo eleito. Os primeiros convidados o rejeitaram, então o convite estendeu-se a todos. A resposta foi positiva e a sala ficou cheia de convidados.
Com esta parábola Jesus anuncia aos chefes religiosos do Templo que o Reino rejeitado por eles encontra ampla acolhida entre os gentios. Em conclusão, Mateus introduz ainda uma breve parábola, também temperada com crueldade, no gênero escatológico: um convidado sem os trajes de festa é amarrado e lançado fora, nas trevas. É uma advertência àqueles que responderam ao chamado de Jesus, na comunidade, para que ajam coerentemente com a sua vocação. Os discípulos podem estar convictos que "tudo podem naquele que lhes dá força" (segunda leitura).
José Raimundo Oliva



A Palavra de Deus do domingo último falava-nos da vinha; a Palavra de Deus deste hoje fala-nos de banquete! Quantas vezes, na Sagrada Escritura, o Reino dos céus é comparado a um banquete! Para os orientais, o banquete, a festa ao redor da mesa, é sinal de bênção, pois é lugar da convivência que dá gosto de existir, da fartura que garante a vida e do vinho que alegra o coração. É por isso que Jesus hoje nos diz que “o Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho”. Ora, caríssimos irmãos, foi isso que Deus faz desde a criação do homem: pouco a pouco, ele foi preparando a festa de casamento do Filho seu, Jesus nosso Senhor, com a humanidade!
Disso nos trata a primeira leitura de hoje: já no Antigo Testamento, Deus falava a Israel sobre o destino de vida, luz e paz que ele preparava para toda a humanidade: “O Senhor dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos. Ele removerá, neste monte, a ponta da cadeia que ligava todos os povos. O Senhor Deus dominará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces...” Eis, caríssimos, é de paz o pensamento do Senhor para nós; é de vida, de liberdade, de felicidade! Se o Senhor havia escolhido Israel como seu povo, era para que fosse ministro dessa salvação. O monte Sião seria o lugar donde brotariam a salvação e a bênção de Deus para toda a humanidade. Infelizmente, Israel não compreendeu sua missão. É o que Jesus nos explica na parábola de hoje (a terceira que trata desta questão: a primeira foi a do irmão mais velho que disse que faria a vontade do pai e não fez; a segunda foi a dos vinhateiros homicidas, a terceira é a de hoje).
Na parábola, o rei é o Pai; o casamento do Filho Jesus é a Aliança nova que Deus quer selar com toda a humanidade; os empregados são os profetas e os apóstolos. Deus preparou tudo; em Jesus fez o convite: “Vinde para a Festa!”, mas Israel não aceitou! A festa de acolher o Messias, o Filho amado, Aquele que traz a vida a toda a humanidade! “O rei ficou indignado e mandou tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles” – aqui Jesus se refere ao incêndio de Jerusalém, a Cidade Santa, que os romanos iriam realizar no ano 70, quarenta após a sua morte e ressurreição. Eis! Os convidados não quiseram participar da festa, Israel rejeitou o convite do Messias! Que fazer? O rei ordena aos servos: “Ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes!” E a sala ficou cheia de convidados”. Somos nós, os que antes éramos pagãos e não conhecíamos o Deus de Israel. Pela voz dos apóstolos e dos pregadores do Evangelho, o Senhor nos reuniu de todos os povos da terra, das encruzilhadas dos caminhos da vida, e nos fez o seu povo, o novo povo, a Igreja! Assim, a sala do banquete, a sala da aliança nova e eterna, ficou repleta, porque o desejo de Deus é que todos se salvem!
Nunca deveríamos esquecer que a Igreja, da qual fazemos parte como membros e filhos, e que somos nós mesmos, é fruto de um desígnio de amor do Pai eterno que, na plenitude dos tempos, no chamou e reuniu em Cristo Jesus! Nunca deveríamos esquecer que este Banquete eucarístico do qual participamos agora é o banquete que o rei, o Pai eterno, nos preparou: banquete da aliança do seu Filho, o Esposo, com a Igreja, sua Esposa! Eis: somos os convidados para o banquete das núpcias da aliança do Cristo com a sua amada Esposa... e o alimento, o Cordeiro, é o próprio Jesus dado e recebido em comunhão! Pensemos um pouco na responsabilidade de sermos Povo de Deus, de sermos os escolhidos para ser o povo da Aliança...
Escutemos ainda, o final da parábola: “Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa!” Cristão, convidado para o banquete da eucaristia, banquete da Igreja, banquete das núpcias do Cordeiro, qual é o traje de festa? É a veste do teu batismo, aquela veste branca, que deves conservar pura pela tua vida, pelas tuas obras, pelo teu procedimento! Não aconteça ser tu esse homem que entrou na festa sem o traje apropriado! É o que aconteceria se viesses, é o que acontecerá se vieres para esta Eucaristia santa com uma vida enodoada pelas ações contrárias ao que o Evangelho do Reino te ensina! “Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?” – eis, que pergunta tremenda o Senhor nos faz! O que lhe responderemos? “O homem nada respondeu!” Não há o que responder! Amados, chamados, convidados, por que não nos esforçamos para ser dignos da tal rei, de tal Filho, de tal festa? “Então, o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai-o e jogai-o fora, na escuridão! Aí haverá choro e ranger de dentes!” Eis, caríssimos, a nossa responsabilidade! O Senhor nos deu o dom de ser cristãos; cobrará de modo decidido o que fizermos com nossa fé, com nossa vida em Cristo! O próprio Jesus nos previne, de modo muito claro, que “muitos são chamados e poucos são escolhidos”... Ninguém se iluda, pensando que porque é cristão já está salvo! Isso é bobagem e prepotência! Ao Senhor pertence o julgamento; a nós, conservar pura e conosco a veste do nosso batismo!
Pensemos bem no modo como estamos vivendo nossa vida cristã e, de modo especial, nossa eucaristia! E que o Senhor nos dê a graça de participar dignamente do Banquete do Senhor, nesta vida, nas missas que celebramos, e um dia, por toda a eternidade!
dom Henrique Soares da Costa



A liturgia do 28º domingo do tempo comum utiliza a imagem do “banquete” para descrever esse mundo de felicidade, de amor e de alegria sem fim que Deus quer oferecer a todos os seus filhos. Na primeira leitura, Isaías anuncia o “banquete” que um dia Deus, na sua própria casa, vai oferecer a todos os Povos. Acolher o convite de Deus e participar nesse “banquete” é aceitar viver em comunhão com Deus. Dessa comunhão resultará, para o homem, a felicidade total, a vida em abundância.
O Evangelho sugere que é preciso “agarrar” o convite de Deus. Os interesses e as conquistas deste mundo não podem distrair-nos dos desafios de Deus. A opção que fizemos no dia do nosso batismo não é “conversa fiada”; mas é um compromisso sério, que deve ser vivido de forma coerente. Na segunda leitura, Paulo apresenta-nos um exemplo concreto de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e vive na dinâmica do Reino: a comunidade cristã de Filipos. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e em testemunhar o Evangelho diante de todos os homens. A comunidade de Filipos constitui, verdadeiramente, um exemplo que as comunidades do Reino devem ter presente.
1ª leitura: Is. 25,6-10ª - Ambiente
É extremamente difícil situar, no tempo e no momento histórico, o texto que a primeira leitura deste domingo nos apresenta. Para uns, o oráculo pertence à fase final da vida do profeta Isaías (no final do séc. VIII a.C.) quando, desiludido com a política e com os reis de Judá, o profeta começou a sonhar com um tempo novo de felicidade e de paz sem fim para o Povo de Deus. Para outros, contudo, este texto não pertenceria ao primeiro Isaías (o autor dos capítulos 1-39 do Livro de Isaías), apesar de aparecer integrado no seu livro. Seria um texto de uma época posterior ao profeta… A referência à superação da morte, das lágrimas e da vergonha, poderia sugerir que a composição deste texto se situaria num momento histórico posterior ao Exílio na Babilônia, quando Judá já teria reconquistado a liberdade. Em qualquer caso, o texto constrói-se à volta da imagem do “banquete”. O “banquete” é, no ambiente sócio-cultural do mundo bíblico, o momento da partilha, da comunhão, da constituição de uma comunidade de mesa, do estabelecimento de laços familiares entre os convivas.
Para além de acontecimento social, o “banquete” tem também, frequentemente, uma dimensão religiosa. Os “banquetes sagrados” celebram e potenciam a comunhão do crente com Deus, o estabelecimento de laços familiares entre Deus e os fiéis. É por isso que, na perspectiva dos catequistas que redigiram as tradições sobre a Aliança do Sinai, o compromisso entre Jahwéh e Israel tinha de ser selado com uma refeição entre Deus e os representantes do Povo (cf. Ex. 24,1-2.9-11).
Neste campo são também particularmente significativos os “sacrifícios de comunhão” (“zebâh shelamim”) celebrados no Templo de Jerusalém. Neste tipo de celebração religiosa, o crente trazia ao Templo um animal destinado a Deus. Depois de imolado o animal, a sua gordura era queimada sobre o altar, ao passo que a carne era repartida pelo oferente e pelos sacerdotes. O oferente e a sua família deviam comer a sua parte no espaço sagrado do santuário. Dessa forma, sentavam-se à mesa com Deus, celebravam a sua pertença ao círculo familiar de Deus e renovavam com Deus os laços de paz, de harmonia, de comunhão (cf. Lv. 3). É este ambiente que o nosso texto supõe.
Mensagem
O profeta anuncia que Deus, num futuro sem data marcada, vai oferecer “um banquete”; e, para esse “banquete”, Jahwéh vai convidar “todos os povos”. Trata-se, portanto, de uma iniciativa de Deus no sentido de estabelecer laços “de família” com a humanidade inteira.
O cenário do “banquete” é “este monte” (v. 6) – evidentemente, o monte do Templo, em Jerusalém, a “casa de Jahwéh”, o lugar onde Deus reside no meio do seu Povo, o lugar onde Israel presta culto a Jahwéh e celebra os sacrifícios de comunhão. Aceitar o convite de Deus para o “banquete” significará, portanto, participar no culto a Jahwéh, ser acolhido na casa de Jahwéh, entrar no “espaço íntimo” e familiar de Deus e sentar-se com Ele à mesa.
Nesse “banquete” serão servidos “manjares suculentos”, “comida de boa gordura”, “vinhos deliciosos” e “puríssimos” (v. 6). As expressões sublinham a abundância de vida – e de vida com qualidade – com que Deus vai cumular os seus convidados.
Para os que aceitarem o convite para o “banquete”, iniciar-se-á uma nova era, de comunhão íntima com Deus e de vida sem fim. O profeta sugere a comunhão total entre Deus e os homens que então se iniciará, com a indicação de que será removido “o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações” (vers. 7) e que impedia o contacto total com o mundo de Deus. Por outro lado, o profeta sugere o início da nova era de paz e de felicidade sem fim, dizendo que Deus vai destruir a morte para sempre, vai enxugar “as lágrimas de todas as faces” e vai eliminar “o opróbrio que pesa sobre o seu Povo” (v. 8). O “banquete” termina com um cântico de ação de graças que evoca, provavelmente, uma fórmula usada na aclamação de um novo rei (v. 9). Significa que, com o “banquete” que o Messias vai oferecer, se iniciará o reinado de Deus sobre toda a terra. O profeta está, sem dúvida, a descrever os tempos messiânicos. Na perspectiva do profeta, serão tempos de comunhão total de Deus com o homem e do homem com Deus. Dessa intimidade entre Deus e o homem resultará, para o homem, a felicidade total, a vida verdadeira e plena. A partir daqui, a ideia de um “banquete messiânico” tornou-se corrente no judaísmo.
Atualização
A imagem do “banquete” para o qual Deus convida “todos os povos” aponta para essa realidade de comunhão, de festa, de amor, de felicidade que Deus, insistentemente nos oferece. Nunca será de mais recordar isto: Deus tem um projeto de vida, que quer oferecer a todos os homens, sem exceção. Não somos “filhos de um deus menor”, pobre humanidade abandonada à sua sorte, perdida num universo hostil e condenada ao nada; somos pessoas a quem Deus ama, a quem Ele convida para integrar a sua família e a quem Ele oferece a vida plena e definitiva. A consciência desta realidade deve iluminar a nossa existência e encher de serenidade, de esperança e de confiança a nossa caminhada nesta terra. A nossa finitude, as nossas limitações, os nossos medos e misérias não são a última palavra da nossa existência; mas caminhamos todos ao encontro da festa definitiva que Deus prepara para todos os que aceitam o seu dom.
Ao homem basta-lhe aceitar o convite de Deus para ter acesso a essa festa de vida eterna. Aceitar o convite de Deus significa renunciar ao egoísmo, ao orgulho e à auto-suficiência e conduzir a existência de acordo com os valores de Deus; aceitar o convite de Deus implica dar prioridade ao amor, testemunhar os valores do Reino e construir, já aqui, uma nova terra de justiça, de solidariedade, de partilha, de amor. No dia do nosso Batismo, aceitamos o convite de Deus e comprometemo-nos com Ele… A nossa vida tem sido coerente com essa opção?
2ª leitura: Fl. 4,12-14.19-20 - Ambiente
Mais uma vez, a segunda leitura oferece-nos um excerto de uma carta de Paulo aos cristãos da cidade grega de Filipos. Estamos nos anos 56/57. Paulo está na prisão (em Éfeso?) por causa do Evangelho. Nesse momento difícil da sua vida apostólica, Paulo recebeu ajuda econômica e, mais importante do que isso, a presença solidária e o cuidado de Epafrodito, um membro da comunidade, enviado para ajudar Paulo e para lhe manifestar a solicitude dos seus “filhos” de Filipos. O nosso texto é tirado do capítulo final da Carta aos Filipenses. Aí, num tom emocionado, Paulo agradece pelos dons recebidos e pela solidariedade que os cristãos de Filipos lhe manifestaram.
Mensagem
Paulo está manifestamente satisfeito pela ajuda recebida da comunidade cristã de Filipos. A alegria de Paulo resulta, não tanto da resolução das suas próprias necessidades materiais mas, sobretudo, do significado do gesto dos filipenses. O donativo enviado é sinal, não só da amizade que os cristãos da comunidade votam a Paulo, mas também da solidariedade dos filipenses com o anúncio do Evangelho de Jesus: dessa forma, os filipenses manifestaram o seu apoio ao ministério apostólico de Paulo e ao trabalho que o apóstolo desenvolve no sentido de fazer chegar a proposta libertadora de Jesus a todos os homens. E isso, evidentemente, alegra o coração de Paulo.
Por si, Paulo está acostumado às privações e à frugalidade. A sua vida e a sua missão não dependem de comodidades materiais: ele sabe “viver na pobreza” e sabe “viver na abundância”… Essa “liberdade interior” face aos bens brota de Cristo: é Cristo quem dá forças ao apóstolo para superar as privações, quem o anima nos momentos de dificuldades, quem lhe dá a coragem para enfrentar as necessidades que a vida apostólica impõe.
De resto, Paulo está certo de que a solidariedade e a solicitude que os membros da comunidade manifestaram beneficiará, em primeiro lugar, os próprios filipenses, pois Deus não deixará de lhes “pagar” generosamente o seu gesto.
Atualização
Antes de mais, o nosso texto apela a que os cristãos tenham o coração aberto à partilha e ao dom. Ser cristão implica a renúncia a uma vida de egoísmo e de fechamento em si próprio… Implica abrir o coração às necessidades dos irmãos carentes e desfavorecidos e uma partilha efetiva da vida e dos bens. Numa época em que os valores dominantes convidam continuamente ao egoísmo, à auto-suficiência, à preocupação exclusiva com os próprios interesses, o gesto dos filipenses constitui uma poderosa interpelação.
Por outro lado, também somos interpelados pelo sentido de despojamento de Paulo… Como Paulo, o apóstolo de Jesus deve saber “viver na pobreza” e deve saber “viver na abundância”; mas nunca pode colocar as comodidades materiais como prioridade ou como condição essencial para se empenhar na missão. O apóstolo de Jesus tem como prioridade o anúncio do Evangelho, em quaisquer circunstâncias e para além de todos os condicionalismos. Um “apóstolo” que se preocupa, antes de mais, com a sua comodidade ou com o seu bem-estar torna-se escravo das coisas materiais, passa a ser um “funcionário do Reino” com horário limitado e com trabalho limitado e rapidamente perde o sentido da sua entrega e do seu empenhamento.
A solicitude dos filipenses por Paulo é sinal da vontade que eles têm de colaborar na expansão do Reino. Todas as comunidades cristãs deviam sentir este apelo a participar – de forma mais direta ou menos direta – no testemunho de Evangelho de Jesus. Levar o Evangelho ao mundo não é uma missão que apenas diga respeito a um grupo “especial” dentro da Igreja; mas é uma missão que Jesus confiou a todos os discípulos, sem exceção. Todos os cristãos deviam sentir o imperativo de colaborar, na medida das suas possibilidades, no anúncio do Evangelho.
A solicitude dos filipenses por Paulo interpela também as comunidades cristãs acerca da forma como acolhem e tratam aqueles que se entregam a tempo inteiro à causa do Evangelho… A opção que eles fizeram de se entregarem totalmente ao serviço do Reino não os torna menos humanos; eles continuam a ser homens ou mulheres sensíveis às manifestações de afeto, de apreço, de amizade, de solicitude. A comunidade tem o dever de manifestar, em gestos concretos, a sua gratidão pelo trabalho desses irmãos e pelos dons que deles recebe.
Paulo refere-se, finalmente, à retribuição que Deus não deixará de dar a todos aqueles que mostram solicitude e amor com os apóstolos e que se empenham no anúncio do Evangelho. No entanto, Paulo está longe de sugerir uma lógica interesseira no nosso relacionamento com Deus… O cristão não age de determinada forma para daí tirar benefícios, mas porque o seu compromisso com Jesus lhe impõe determinado comportamento.
Evangelho: Mt. 22,1-14 - Ambiente
Continuamos em Jerusalém, nos dias que antecedem a Páscoa. Os dirigentes religiosos judeus aumentam a pressão sobre Jesus. Instalados nas suas certezas e seguranças, já decidiram que a proposta de Jesus não vem de Deus; por isso, rejeitam de forma absoluta o Reino que ele anuncia.
O texto que nos é hoje proposto faz parte de um bloco de três parábolas (cf. Mt. 21,28-32. 33-43; 22,1-14), destinadas a ilustrar a recusa de Israel em aceitar o projeto que Deus oferece aos homens através de Jesus. Com elas, Jesus convida os seus opositores – os líderes religiosos judaicos – a reconhecerem que se fecharam num esquema de auto-suficiência, de orgulho, de arrogância, de preconceitos, que não os deixa abrir o coração e a vida aos dons de Deus. O nosso texto é a última dessas três parábolas.
A crítica do texto mostra que Mateus juntou aqui duas parábolas diferentes: a parábola dos convidados para o “banquete” (que é comum a Mateus e Lucas, embora as duas versões apresentem diferenças consideráveis – cf. Mt. 22,1-10; Lc. 14,15-24) e a parábola do convidado que se apresentou sem o traje adequado (que é exclusiva de Mateus – cf. Mt. 22,11-14). Originalmente, as duas parábolas teriam ensinamentos diferentes; mas a temática comum do “banquete” aproximou-as e juntou-as.
As nossas duas parábolas situam-nos, portanto, no cenário de um “banquete”. Já dissemos (a propósito da primeira leitura deste domingo) que o “banquete” era, na cultura semita, o lugar do encontro, da comunhão, do estreitamento de laços familiares entre os convivas. Além disso, o “banquete” era também a cerimônia através da qual se confirmava o “status” das pessoas e o seu lugar dentro da escala social. Quem organizava um “banquete” – por exemplo, por ocasião do casamento de um filho – procurava fazer uma seleção cuidada dos convidados: a presença de gente “desclassificada” faria descer consideravelmente, aos olhos de toda a comunidade, o “status” da família; e, por outro lado, a presença à mesa de pessoas importantes realçava a importância e a honra da família.
Mensagem
A primeira parábola é a parábola dos convidados para o “banquete” (vs. 1-10). Apresenta-nos um rei que organizou um banquete para celebrar o casamento do seu filho. Convidou várias pessoas, mas os convidados recusaram-se a participar no “banquete”, apresentando as desculpas mais inverossímeis. Mateus chega a dizer (um dado que não aparece no relato de Lucas) que teriam até assassinado os emissários do rei… Trata-se de um quadro gravíssimo: recusar o convite era uma ofensa inqualificável; mas, como se isso não bastasse, esses convidados indignos manifestaram um desprezo inconcebível pelo rei, matando os seus servos. O rei enviou então as suas tropas que castigaram os assassinos (vers. 7. Esta referência não aparece no relato de Lucas… É uma provável interpretação da destruição de Jerusalém pelos exércitos romanos de Tito, no ano 70. Isso significa que a versão que Mateus nos dá da parábola é posterior a essa data).
O rei resolveu, apesar de tudo, manter a festa e mandou que fossem trazidos para o “banquete” todos aqueles fossem encontrados nas “encruzilhadas dos caminhos”. E esses desclassificados, esse “povo da terra”, que nunca se tinha sentado à mesa de um personagem importante (com tudo o que isso significava em termos de comunhão e de estabelecimento de laços de família e de amizade), celebrou a festa à mesa do rei.
O sentido da parábola é óbvio… Deus é o rei que convidou Israel para o “banquete” do encontro, da comunhão, da chegada dos tempos messiânicos (as bodas do “filho”). Os sacerdotes, os escribas, os doutores da Lei recusaram o convite e preferiram continuar agarrados aos seus esquemas, aos seus preconceitos, aos seus sistemas de auto-salvação. Então, Deus convidou para o “banquete” do Messias esses pecadores e desclassificados que, na perspectiva da teologia oficial, estavam arredados da comunhão com Deus e do Reino.
Esta parábola explicita bem o cenário em que o próprio Jesus se move… Ele aparece, com frequência, a participar em “banquetes” ao lado de gente duvidosa e desclassificada, ao ponto de os seus inimigos o acusarem de “comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e de pecadores” (Mt. 11,19; Lc 7,34). Porque é que Jesus participa nesses “banquetes”, correndo o risco de adquirir uma fama tão desagradável? Porque no Antigo Testamento – como vimos na primeira leitura – os tempos messiânicos são descritos com a imagem de um “banquete” que Deus prepara para todos os povos. Ora, Jesus tem consciência de que, com Ele, esses tempos chegaram; e utiliza o cenário do “banquete” para expressar a realidade do Reino (a mesa da festa, do amor, da comunhão com Deus, para a qual todos os homens e mulheres, sem exceção, são convidados). Para Ele, o sentar-se à mesa com os pecadores é uma forma privilegiada de lhes dizer que Deus os acolhe com amor e que quer estabelecer com eles relações de comunhão e de familiaridade, sem excluir ninguém do seu convívio ou da sua comunidade.
Os líderes de Israel, no entanto, sempre reprovaram a Jesus esse contato com os pecadores e os desclassificados… Para eles, os publicanos e as prostitutas, por exemplo, estavam definitivamente arredadas da comunidade da salvação. Sentá-los à mesa do “banquete” do Reino é algo de inaudito e que os líderes de Israel acham absolutamente inapropriado.
É muito provável que, originalmente, a parábola tivesse servido a Jesus para responder àqueles que o acusavam de ter convidado para o “banquete” do Reino todo o tipo de desclassificados e de pecadores. Jesus deixa claro que, na perspectiva de Deus, a questão não é se tal ou tal pessoa tem o direito de se sentar à mesa do Reino; mas a questão essencial é se aceita ou não se aceita o convite de Deus. Na verdade, os líderes de Israel recusaram o desafio de Deus, enquanto que os pecadores e desclassificados o acolheram de braços abertos.
Mais tarde, a comunidade cristã irá fazer uma releitura um pouco diferente da parábola e utilizá-la para explicar porque é que os pagãos acolheram melhor do que os judeus a Boa Nova do Reino.
A segunda parábola é a parábola do convidado que se apresentou na festa sem o traje nupcial (vs. 11-14). O rei que organizou o “banquete” mandou, então, lançá-lo fora da sala onde se realizava a festa.
 A parábola constitui uma advertência àqueles que aceitaram o convite de Deus para a festa do Reino, aderiram à proposta de Jesus e receberam o Batismo. Mateus escreve no final do século I (anos 80), quando os cristãos já tinham esquecido o entusiasmo inicial e viviam instalados numa fé pouco exigente. Consideravam que já tinham feito uma opção definitiva e que já tinham assegurado a salvação. Mateus diz-lhes: cuidado, porque não chega entrar na sala do “banquete”; é preciso, além disso, vestir um estilo de vida que ponha em prática os ensinamentos de Jesus. Quem foi batizados e aderiu ao “banquete” do Reino, mas recusou o traje do amor, da partilha, do serviço, da misericórdia, do dom da vida e continua vestido de egoísmo, de arrogância, de orgulho, de injustiça, não pode participar na festa do encontro e da comunhão com Deus. Deus chamou todos os homens e mulheres para participarem no “banquete”; mas só serão admitidos aqueles que responderem ao convite e mudarem completamente a sua vida.
Atualização
No nosso texto, a questão decisiva não é se Deus convida ou se não convida; mas é se aceita ou se não se aceita o convite de Deus para o “banquete” do Reino. Os convidados que não aceitaram o convite representam aqueles que estão demasiado preocupados a dirigir uma empresa de sucesso, ou a escalar a vida a pulso, ou a conquistar os seus cinco minutos de fama, ou a impor aos outros os seus próprios esquemas e projetos, ou a explorar o bem estar que o dinheiro lhes conquistou e não têm tempo para os desafios de Deus. Vivemos obcecados com o imediato, o politicamente correto, o palpável, o material, e prescindimos dos valores eternos, duradouros, exigentes, que exigem o dom da própria vida. A questão é: onde é que está a verdadeira felicidade? Nos valores do Reino, ou nesses valores efêmeros que nos absorvem e nos dominam?
Os convidados que não aceitaram o convite representam também aqueles que estão instalados na sua auto-suficiência, nas suas certezas, seguranças e preconceitos e não têm o coração aberto e disponível para as propostas de Deus. Trata-se, muitas vezes, de pessoas sérias e boas, que se empenham seriamente na comunidade cristã e que desempenham papéis fundamentais na estruturação dos organismos paroquiais… Mas “nunca se enganam e raramente têm dúvidas”; sabem tudo sobre Deus, já construíram um deus à medida dos seus interesses, desejos e projetos e não se deixam questionar nem interpelar. Os seus corações estão, também, fechados à novidade de Deus.
Os convidados que aceitaram o convite representam todos aqueles que, apesar dos seus limites e do seu pecado, têm o coração disponível para Deus e para os desafios que Ele faz. Percebem os limites da sua miséria e finitude e estão permanentemente à espera que Deus lhes ofereça a salvação. São humildes, pobres, simples, confiam em Deus e na salvação que Ele quer oferecer a cada homem e a cada mulher e estão dispostos a acolher os desafios de Deus.
A parábola do homem que não vestiu o traje apropriado convida-nos a considerar que a salvação não é uma conquista, feita de uma vez por todas, mas um sim a Deus sempre renovado, e que implica um compromisso real, sério e exigente com os valores de Deus. Implica uma opção coerente, contínua, diária com a opção que eu fiz no Batismo… Não é um compromisso de “meias tintas”, de tentativas falhadas, de “tanto se me dá como se me deu”; mas é um compromisso sério e coerente com essa vida nova que Jesus me apresentou.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho


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