28º DOMINGO DO TEMPO COMUM
15 de Outubro de 2017
Cor: Verde
Evangelho - Mt 22,1-14
A parábola não explica direito como foi distribuído
as vestes para a festa, ou seja, o traje de festa. Talvez tenha sido um
problema de tradução. Mas o que importa é o sentido das palavras de Jesus, o
que Ele quer nos dizer, nos avisar sobre a importância do ESTADO DE GRAÇA para
merecermos entrar para a Vida Eterna.
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“MUITOS SÃO CHAMADOS E POUCOS SÃO ESCOLHIDOS.” – Olivia Coutinho
28º DOMINGO DO
TEMPO COMUM
Dia 15 de
Outubro de 2017
Evangelho de
Mt22,1-14
Deus tem um
projeto de vida plena, destinado a todos! Todos são chamados a
desenvolver este projeto, que é nos apresentado por Jesus. É um engano pensar,
que este chamado, seja feito
somente para os que são vistos como bons, o chamado de Jesus, é extensivo a
todos, Ele não faz restrição de pessoas. O que vale para Jesus, é o sim, que se
dá, ao seu chamado, pois no coração de quem o aceita, já houve transformação,
afinal, ninguém aceita um chamado de Jesus, sem estar disposto a mudar de vida.
O Evangelho que
a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos apresenta a parábola do rei que
preparou um grande Banquete para comemorar a festa de casamento do seu Filho!
O rei, desta parábola,
é Deus, o filho, é Jesus! Jesus é o noivo, a festa, é o encontro de Jesus
com a humanidade, Ele veio reconstruir a aliança (casamento) de amor entre
Deus e o homem, uma aliança, que fora quebrada pelo o pecado!
A alegria do
Rei, (Deus) era ver a sua casa cheia de convidados para festejar o casamento do
seu filho! É esta, a alegria de Deus: Ver seus filhos participando do
Banquete da vida, que é chamado por Jesus, como o Reino de Deus!
O Reino de Deus
é festivo, é alegre, Jesus o compara com um Banquete, porém, a entrada para
este Banquete, não é livre, pois não se trata de um direito nosso,
requer convite, e este convite, é a graça de Deus destinada a todos! Quem
acolhe a graça de Deus, tem o seu lugar garantido neste Banquete, preparado
carinhosamente pelo Pai, porque irá viver, de acordo com a sua vontade!
O Reino dos
céus é uma oferta de amor, mas nem todos participarão deste
Banquete da vida, não porque sejam impedidos de participar, e sim, pelo
fato de recusarem à graça de Deus!
O Banquete já
está preparado, o convite é para todos, acolher a graça de Deus, é uma questão
de escolha!
São muitos, os
que recusam a participar do Banquete preparado por Deus! Uns, porque já fizeram
opção pelos os banquetes do mundo, outros, até sentem atraídos pela o
convite de Jesus, chegam a dar passos na sua direção, mas recuam, por medo do
compromisso, se justiçando atrás das mais variadas desculpas: só depois que eu
terminar os meus estudos, quando os meus filhos crescerem, depois que eu me
aposentar... E assim, muitos, vão adiando o seu sim, a Deus. Há também, os
que estão diante do Banquete, mas não se sentam à mesa com Jesus, são os
que estão presentes na igreja, mas não estão vestidos com a roupagem do amor!
Estes, por fora, aparentam estarem próximos de Deus, mas na prática, estão
distantes, fazem coisas, mas não vivem o amor!
Mesmo diante de
tantas recusas, de tantos desleixos, tantas ingratidões, Deus não desiste do
humano, Ele insiste conosco, não cansa de nos enviar mensageiros, (profetas)
para nos alertar sobre as consequências da recusa ao seu convite!
Somos
convidados a ter uma intimidade profunda com o noivo, que é Jesus, a sentar à
sua “mesa” para nos saciar do grande Banquete preparado pelo o Pai, ser indiferente
a este convite, é ignorar o projeto de vida plena, idealizado por Deus.
Como é bonita,
a ação de Deus, no coração daquele que aceita o chamado de Jesus, que se abre
para acolher a sua proposta!
Quem
experimenta a grandiosidade do amor de Deus, vive as alegrias de fazer parte do
grande Banquete: o Banquete da vida!
A nossa vida
terrena, só tem sentido, se for vivida na perspectiva de alcançarmos a
eternidade.
FIQUE NA PAZ DE
JESUS! – Olívia Coutinho
Venha fazer
parte do meu grupo de reflexão no Facebook:
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O festim dos
pobres
Que belo o espetáculo de uma
refeição. A mesa preparada, os pratos, os copos, a toalha bonita, os
guardanapos de pano, os convidados que chegam, a alegria do encontro, o júbilo
do reencontro. Isaias nos fala de um banquete nos tempos que viriam: “O
Senhor Deus dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de
ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais
finos vinhos”. Era o banque dos tempos messiânicos.
O Pai de Jesus preparou para ele
um banquete. Espalhou convites por todos os lados. Os convidados, no entanto,
tinham outros interesses: cuidar do campo, administrar seus negócios e
não puderam, efetivamente, responder com generosidade. Não conseguiram entrar
na intimidade de Cristo e procuraram eliminá-lo. Ontem e hoje há os que
respondem generosamente aos apelos e convites de Jesus para uma
vida de intimidade, como íntima é a vida dos que entram nas entranhas
do amor de Cristo.
Há esse banquete da pessoa de
Cristo. Através dos tempos somos chamados a entrar em sua intimidade, saborear
suas palavras, degustar as cenas dos evangelhos nas quais o Senhor se coloca em
intimidade com o Pai.
Desde muito tempo vamos sendo
convidados a deixar a banca de impostos, as redes, pai e mãe, preocupações
pequenas para entrar na sala do amor do Senhor. Ali não se pode entrar com
veste manchada. O Senhor que nos convida deseja que alvejemos nossas
vestes nas vestes do Cordeiro.
Pensamos aqui, de modo
particular, na eucaristia. As pessoas chegam de suas ocupações. Gente de todos
os cantos, mas vestidos da veste transparente da fidelidade ao Senhor, pais e
mães de família, gente com saúde e doentes, casados e solteiros. Todos vão
entrando, tomando lugar na mesa da toalha branca. Sinceridade de vida e
transparência de gestos. A sala de festas é o coração do
Senhor. Empurramos a porta aberta de seu peito e nos assentamos
contemplativamente no recôndito do dom de sua vida.
Muitos, efetivamente, são os
chamados, mas poucos os escolhidos...
frei Almir
Ribeiro Guimarães
O banquete e o traje
Aproxima-se
o fim do ano litúrgico, abre-se a perspectiva final. Deus nos aguarda
para o banquete escatológico já descrito na profecia de lsaías (1ª
leitura). Para um povo provado pela fome, comida e bebida é uma imagem do
bem-estar total, embora sempre uma imagem ...
O
evangelho de hoje traz duas idéias relacionadas com a imagem do banquete
escatológico. A primeira diz respeito ao convite (recusa dos convidados
oficiais e convite para todos), a segunda, às condições pessoais para
participar do banquete (o traje).
1)
Deus fez diversos convites oficiais para o banquete de núpcias de seu filho (as
núpcias messiânicas, de que falam os profetas); os convidados oficiais eram o
povo de Israel. Mas tinham outras ocupações; estavam satisfeitos com aquilo que
eles mesmos conceberam e não se interessaram pelo convite. Até agarraram,
maltrataram e mataram os mensageiros (= profetas e apóstolos). Ocupavam-se com
questões de jejum, enquanto deveriam festejar (cf. Mt. 9,14s e par.). Por isso,
foram convidados todos os que quisessem, os que eram desprezados pelos
primeiros convidados: os publicanos e as meretrizes (cf. Mt. 21,28-32), os
pagãos (cf. evangelho de domingo passado) etc. E também nós, que somos os
descendentes destes. Naturalmente, mesmo assim, a gente não se pode apresentar
sem a veste nupcial da fé (v. 11-14). Pois, se todos são chamados, eleitos
mesmo são apenas os que realmente crêem.
Ora, olhando para o presente, os primeiros convidados
são os paroquianos costumeiros, os bons cristãos. Eles recebem constantemente o
convite para participar das núpcias messiânicas, isto é, para entrar na alegria
da verdadeira fraternidade de Deus, que se alegra com sua gente. Mas chovem
desculpas. Sou padre, devo rezar meu breviário. Sou médico, preciso manter meu
"status", Sou engenheiro, estou envolvido naquela obra pública ...
"Por favor, Deus, deixa-me em paz, já tenho o que chega". E cada um fica
no seu cantinho. Inclusive, entre os convidados oficiais alguns não se dão com
a cara dos mensageiros, que lhes parecem ler a lição! Até os matam, em nome da
Igreja católica apostólica romana ... Então, os mensageiros passam para as
praças e encruzilhadas e mandam para a festa o povinho, que é bastante humilde
para sentir que lhe está faltando alguma coisa. Pergunto, então: os
"primeiros convidados", finalmente rejeitados, são os judeus do tempo
de Jesus, ou nós mesmos? Uns e outros!
2) Considerando agora a questão do traje, podemos
fazer uma pergunta semelhante: Os que não têm a veste festiva são os que, por
alguma razão, entraram na Igreja do primeiro século sem ter a verdadeira fé, ou
somos nós que estamos dentro da sala do banquete, mas sem uma fé que nos
transforme em cristãos radiantes de novidade nupcial? Em ambas as maneiras de
ler, a frase "muitos são os chamados, poucos os escolhidos" nada tem
a ver com tristes especulações sobre a "massa condenada", mas é uma
pergunta com relação à autenticidade de nossa fé e de nossa dedicação à festa
que Deus, em Cristo, preparou para todos os seus filhos. Não somos nós tais
chamados (encaminhados para a Igreja desde jovens) que, porém, não poderão ser
escolhidos (queridos por Deus), porque o nosso coração lhe está fechado (o que
se revela no fechamento para com os nossos irmãos, especialmente, os mais
pobres)?
Em função do texto do evangelho, que tem nítidas
ressonâncias eucarísticas, pode-se escolher o prefácio da SS. Eucaristia II
(unidade na caridade em redor da Ceia). O canto da comunhão pode ser a 1ª
opção.
A 2ª leitura pouco contribui para o tema central, mas
é linda: o agradecimento final de Paulo aos filipenses, porque cuidaram tão bem
dele, embora tivesse também suportado a carência, se fosse preciso. Ele não
exigiu nada, mas foi muito bom eles terem feito tudo isso por ele (Fl. 4,1O-14:
gratuidade da bondade fraterna). É um agradecimento a Deus por causa destes
fiéis tão delicados e dedicados (Fl. 4,19-20; cf. 1,3-5).
padre Johan Konings
"Liturgia dominical"
Convite às núpcias
Depois da parábola dos vinhateiros, onde Jesus
desmascara as autoridades (sumos sacerdotes e anciãos), Ele permanece no
Templo, e agora conta a parábola do banquete nupcial.
Jesus usa a festa de casamento para representar o
projeto do Pai. Na linguagem bíblica, a festa de casamento é um símbolo que
recorda a aliança de Deus com os homens – representando intimidade e salvação,
e participar dele é comprometer-se com a prática da justiça.
Já no início da parábola é possível perceber que o
rei que prepara a grande festa é Deus e o filho que se casa é Jesus. Os
primeiros convidados rejeitam o convite porque não concordam com o projeto que
Jesus veio apresentar. Novo convite é feito indicando que Deus não desiste. Ele
insiste porque grande é a sua vontade e desejo de uma grande intimidade com os
homens. Diante de uma nova recusa é possível perceber o que está por trás da
rejeição ao chamado de Deus: alguns preferem cuidar de seus interesses,
colocando-os à frente de tudo; outros reagem violentamente e atacam “os
servos”, aqueles enviados por Deus que, tendo a percepção do que Ele quer, têm
a coragem de dizê-lo a todos, como faziam os profetas no tempo do Antigo
Testamento.
A festa, o grande banquete de Deus é oferecido a
todos, inclusive aos que vivem à margem do sistema socialmente injusto e
perverso, que produz os seus problemas e depois marginaliza as pessoas.
Acontece
que não basta estar nestas condições para participar
do Reino de Deus – estes também serão excluídos se não forem justos, o que na
parábola, é simbolizada pelo traje de festa. Sem esta roupagem não tem como
entrar e permanecer no Reino.
Deus não desiste de seu povo, Ele insiste no convite
para o banquete, mas para aceitá-lo é preciso estar adequadamente trajado,
vestindo-se de amor ao Pai e aos irmãos, caso contrário não se tem lugar à mesa
da Aliança.
A parábola deixa claro que todos são chamados para
festa, porém existem limites para a participação: o primeiro é a liberdade que
Deus dá a todos, e isso possibilita querer aceitar ou não o convite; o segundo
são as atitudes e os sentimentos necessários para não
atrapalhar o projeto do Pai. Em outras palavras, há mais chamados que
escolhidos, isso porque o comprometimento, com a justiça e o amor a Deus e aos
irmãos, é a única resposta coerente ao chamado
gratuito que Deus sempre faz a todos.
Pequeninos do Senhor
A ingratidão castigada
A parábola evangélica resulta numa releitura da
história de Israel e da Igreja. O convite para participar do banquete preparado
pelo rei, por ocasião do matrimônio de seu filho, expressa o amor de Deus por
seu povo. O povo eleito era o convidado especial para participar do lauto
banquete. Nada mais natural do que responder afirmativamente, pois ter sido
objeto da deferência de um rei é algo de extrema relevância.
Os convidados, porém, recusam-se a comparecer, apesar
da insistência do rei que, por duas vezes, enviou seus emissários para
convencê-los a vir. Estes não fizeram caso. Cada um foi para os seus afazeres.
Pior ainda, pegaram os servos, maltrataram-nos, e os mataram. Simbolicamente
aqui está retratada a atitude insensata do povo de Israel que se recusou a
ouvir os apelos à conversão, que lhe foram dirigidos através dos séculos, por
meio dos profetas. Por isso, foi castigado com a destruição, pelas mãos dos
romanos.
Estando pronto o banquete e tendo os primeiros
convidados sido indignos de participarem dele, o rei mandou seus emissários
pelos caminhos para reunirem maus e bons, de forma que a sala do banquete ficou
repleta. Em outras palavras, tendo Israel recusado o convite divino, este foi
dirigido aos pagãos que o acolheram, de maneira a formar o verdadeiro povo de
Deus, a Igreja.
padre Jaldemir Vitório
Um convidado sem
os trajes de festa é amarrado e lançado fora
Jesus encontra-se em Jerusalém,
para onde se dirigiu, após exercer seu ministério na Galiléia. Seu objetivo é
levar o seu anúncio do Reino dos Céus aos peregrinos que para aí acorriam para
participar da tradicional festa judaica da Páscoa, libertando-os do pesado
fardo da opressão religiosa que carregavam. Na hierarquia religiosa havia a
primazia do Sumo Sacerdote e demais sacerdotes do Templo de Jerusalém e,
distribuídos nas áreas de dispersão dos fieis judeus, fora de Jerusalém, os
escribas e fariseus que dirigiam as sinagogas locais. Durante o ministério de
Jesus na Galiléia, aqueles que se posicionavam como seus adversários eram os
chefes locais, fariseus e escribas, e, agora, em Jerusalém os adversários são
os sacerdotes e os anciãos, que compunham o sinédrio, órgão máximo de direção
do judaísmo, sediado no Templo de Jerusalém. Jesus já havia dirigido a estes
sacerdotes e anciãos a parábola da vinha arrendada a uns agricultores, os quais
acabaram matando o filho do proprietário. Os chefes religiosos do Templo,
sentindo-se denunciados nesta parábola, decidiram prender Jesus. Em seguida
Jesus dirige-lhes esta nova parábola.
A imagem do rei simbolizando
Deus já apareceu na parábola do rei que perdoou o devedor, e a imagem do filho
como representando Jesus aparece na parábola dos vinhateiros que se rebelaram
contra o proprietário. Agora temos a parábola do rei que prepara a festa de
casamento de seu filho. No evangelho de Lucas a encontramos com uma narrativa
mais simples, sem as violências que aparecem aqui em Mateus e mais próxima fiel
a Jesus. A parábola, em Mateus, como cena de referência, fica um pouco estranha
pela sua violência: o assassínio dos servos e o extermínio da cidade pelas
tropas do rei. O seu sentido é histórico e escatológico. Os servos assassinados
podem se referir aos profetas, e ao próprio Jesus, rejeitados pelos líderes
religiosos da Judéia. A cidade incendiada pelas tropas do rei parece se referir
a Jerusalém incendiada pelos romanos no ano setenta. A imagem do farto banquete
(cf. primeira leitura) é própria para exprimir a abundância com que Javé
cumularia o povo eleito. Os primeiros convidados o rejeitaram, então o convite
estendeu-se a todos. A resposta foi positiva e a sala ficou cheia de
convidados.
Com esta parábola Jesus anuncia
aos chefes religiosos do Templo que o Reino rejeitado por eles encontra ampla
acolhida entre os gentios. Em conclusão, Mateus introduz ainda uma breve
parábola, também temperada com crueldade, no gênero escatológico: um convidado
sem os trajes de festa é amarrado e lançado fora, nas trevas. É uma advertência
àqueles que responderam ao chamado de Jesus, na comunidade, para que ajam
coerentemente com a sua vocação. Os discípulos podem estar convictos que
"tudo podem naquele que lhes dá força" (segunda leitura).
José
Raimundo Oliva
A Palavra de Deus do domingo último falava-nos da
vinha; a Palavra de Deus deste hoje fala-nos de banquete! Quantas vezes, na
Sagrada Escritura, o Reino dos céus é comparado a um banquete! Para os
orientais, o banquete, a festa ao redor da mesa, é sinal de bênção, pois é
lugar da convivência que dá gosto de existir, da fartura que garante a vida e
do vinho que alegra o coração. É por isso que Jesus hoje nos diz que “o Reino
dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu
filho”. Ora, caríssimos irmãos, foi isso que Deus faz desde a criação do homem:
pouco a pouco, ele foi preparando a festa de casamento do Filho seu, Jesus
nosso Senhor, com a humanidade!
Disso nos trata a primeira leitura de hoje: já no
Antigo Testamento, Deus falava a Israel sobre o destino de vida, luz e paz que
ele preparava para toda a humanidade: “O Senhor dará neste monte, para todos os
povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos
deliciosos e dos mais finos vinhos. Ele removerá, neste monte, a ponta da
cadeia que ligava todos os povos. O Senhor Deus dominará para sempre a morte e
enxugará as lágrimas de todas as faces...” Eis, caríssimos, é de paz o
pensamento do Senhor para nós; é de vida, de liberdade, de felicidade! Se o Senhor
havia escolhido Israel como seu povo, era para que fosse ministro dessa
salvação. O monte Sião seria o lugar donde brotariam a salvação e a bênção de
Deus para toda a humanidade. Infelizmente, Israel não compreendeu sua missão. É
o que Jesus nos explica na parábola de hoje (a terceira que trata desta
questão: a primeira foi a do irmão mais velho que disse que faria a vontade do
pai e não fez; a segunda foi a dos vinhateiros homicidas, a terceira é a de
hoje).
Na parábola, o rei é o Pai; o casamento do Filho
Jesus é a Aliança nova que Deus quer selar com toda a humanidade; os empregados
são os profetas e os apóstolos. Deus preparou tudo; em Jesus fez o convite:
“Vinde para a Festa!”, mas Israel não aceitou! A festa de acolher o Messias, o
Filho amado, Aquele que traz a vida a toda a humanidade! “O rei ficou indignado
e mandou tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles” –
aqui Jesus se refere ao incêndio de Jerusalém, a Cidade Santa, que os romanos
iriam realizar no ano 70, quarenta após a sua morte e ressurreição. Eis! Os
convidados não quiseram participar da festa, Israel rejeitou o convite do
Messias! Que fazer? O rei ordena aos servos: “Ide até às encruzilhadas dos
caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes!” E a sala ficou
cheia de convidados”. Somos nós, os que antes éramos pagãos e não conhecíamos o
Deus de Israel. Pela voz dos apóstolos e dos pregadores do Evangelho, o Senhor
nos reuniu de todos os povos da terra, das encruzilhadas dos caminhos da vida,
e nos fez o seu povo, o novo povo, a Igreja! Assim, a sala do banquete, a sala
da aliança nova e eterna, ficou repleta, porque o desejo de Deus é que todos se
salvem!
Nunca deveríamos esquecer que a Igreja, da qual
fazemos parte como membros e filhos, e que somos nós mesmos, é fruto de um
desígnio de amor do Pai eterno que, na plenitude dos tempos, no chamou e reuniu
em Cristo Jesus! Nunca deveríamos esquecer que este Banquete eucarístico do
qual participamos agora é o banquete que o rei, o Pai eterno, nos preparou: banquete
da aliança do seu Filho, o Esposo, com a Igreja, sua Esposa! Eis: somos os
convidados para o banquete das núpcias da aliança do Cristo com a sua amada
Esposa... e o alimento, o Cordeiro, é o próprio Jesus dado e recebido em
comunhão! Pensemos um pouco na responsabilidade de sermos Povo de Deus, de
sermos os escolhidos para ser o povo da Aliança...
Escutemos ainda, o final da parábola: “Quando o rei
entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje
de festa!” Cristão, convidado para o banquete da eucaristia, banquete da
Igreja, banquete das núpcias do Cordeiro, qual é o traje de festa? É a veste do
teu batismo, aquela veste branca, que deves conservar pura pela tua vida, pelas
tuas obras, pelo teu procedimento! Não aconteça ser tu esse homem que entrou na
festa sem o traje apropriado! É o que aconteceria se viesses, é o que
acontecerá se vieres para esta Eucaristia santa com uma vida enodoada pelas
ações contrárias ao que o Evangelho do Reino te ensina! “Amigo, como entraste
aqui sem o traje de festa?” – eis, que pergunta tremenda o Senhor nos faz! O
que lhe responderemos? “O homem nada respondeu!” Não há o que responder!
Amados, chamados, convidados, por que não nos esforçamos para ser dignos da tal
rei, de tal Filho, de tal festa? “Então, o rei disse aos que serviam:
‘Amarrai-o e jogai-o fora, na escuridão! Aí haverá choro e ranger de dentes!”
Eis, caríssimos, a nossa responsabilidade! O Senhor nos deu o dom de ser
cristãos; cobrará de modo decidido o que fizermos com nossa fé, com nossa vida
em Cristo! O próprio Jesus nos previne, de modo muito claro, que “muitos são
chamados e poucos são escolhidos”... Ninguém se iluda, pensando que porque é
cristão já está salvo! Isso é bobagem e prepotência! Ao Senhor pertence o
julgamento; a nós, conservar pura e conosco a veste do nosso batismo!
Pensemos bem no modo como estamos vivendo nossa vida
cristã e, de modo especial, nossa eucaristia! E que o Senhor nos dê a graça de
participar dignamente do Banquete do Senhor, nesta vida, nas missas que
celebramos, e um dia, por toda a eternidade!
dom Henrique Soares da
Costa
A liturgia do 28º domingo do tempo comum utiliza a
imagem do “banquete” para descrever esse mundo de felicidade, de amor e de
alegria sem fim que Deus quer oferecer a todos os seus filhos. Na primeira
leitura, Isaías anuncia o “banquete” que um dia Deus, na sua própria casa, vai
oferecer a todos os Povos. Acolher o convite de Deus e participar nesse
“banquete” é aceitar viver em comunhão com Deus. Dessa comunhão resultará, para
o homem, a felicidade total, a vida em abundância.
O Evangelho sugere que é preciso “agarrar” o convite
de Deus. Os interesses e as conquistas deste mundo não podem distrair-nos dos
desafios de Deus. A opção que fizemos no dia do nosso batismo não é “conversa
fiada”; mas é um compromisso sério, que deve ser vivido de forma coerente. Na
segunda leitura, Paulo apresenta-nos um exemplo concreto de uma comunidade que
aceitou o convite do Senhor e vive na dinâmica do Reino: a comunidade cristã de
Filipos. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na
vivência do amor e em testemunhar o Evangelho diante de todos os homens. A
comunidade de Filipos constitui, verdadeiramente, um exemplo que as comunidades
do Reino devem ter presente.
1ª leitura: Is. 25,6-10ª -
Ambiente
É extremamente difícil situar, no tempo e no momento
histórico, o texto que a primeira leitura deste domingo nos apresenta. Para
uns, o oráculo pertence à fase final da vida do profeta Isaías (no final do
séc. VIII a.C.) quando, desiludido com a política e com os reis de Judá, o
profeta começou a sonhar com um tempo novo de felicidade e de paz sem fim para
o Povo de Deus. Para outros, contudo, este texto não pertenceria ao primeiro
Isaías (o autor dos capítulos 1-39 do Livro de Isaías), apesar de aparecer
integrado no seu livro. Seria um texto de uma época posterior ao profeta… A
referência à superação da morte, das lágrimas e da vergonha, poderia sugerir
que a composição deste texto se situaria num momento histórico posterior ao
Exílio na Babilônia, quando Judá já teria reconquistado a liberdade. Em
qualquer caso, o texto constrói-se à volta da imagem do “banquete”. O
“banquete” é, no ambiente sócio-cultural do mundo bíblico, o momento da
partilha, da comunhão, da constituição de uma comunidade de mesa, do
estabelecimento de laços familiares entre os convivas.
Para além de acontecimento social, o “banquete” tem
também, frequentemente, uma dimensão religiosa. Os “banquetes sagrados”
celebram e potenciam a comunhão do crente com Deus, o estabelecimento de laços
familiares entre Deus e os fiéis. É por isso que, na perspectiva dos
catequistas que redigiram as tradições sobre a Aliança do Sinai, o compromisso
entre Jahwéh e Israel tinha de ser selado com uma refeição entre Deus e os
representantes do Povo (cf. Ex. 24,1-2.9-11).
Neste campo são também particularmente significativos
os “sacrifícios de comunhão” (“zebâh shelamim”) celebrados no Templo de
Jerusalém. Neste tipo de celebração religiosa, o crente trazia ao Templo um
animal destinado a Deus. Depois de imolado o animal, a sua gordura era queimada
sobre o altar, ao passo que a carne era repartida pelo oferente e pelos
sacerdotes. O oferente e a sua família deviam comer a sua parte no espaço
sagrado do santuário. Dessa forma, sentavam-se à mesa com Deus, celebravam a
sua pertença ao círculo familiar de Deus e renovavam com Deus os laços de paz,
de harmonia, de comunhão (cf. Lv. 3). É este ambiente que o nosso texto supõe.
Mensagem
O profeta anuncia que Deus, num futuro sem data marcada,
vai oferecer “um banquete”; e, para esse “banquete”, Jahwéh vai convidar “todos
os povos”. Trata-se, portanto, de uma iniciativa de Deus no sentido de
estabelecer laços “de família” com a humanidade inteira.
O cenário do “banquete” é “este monte” (v. 6) –
evidentemente, o monte do Templo, em Jerusalém, a “casa de Jahwéh”, o lugar
onde Deus reside no meio do seu Povo, o lugar onde Israel presta culto a Jahwéh
e celebra os sacrifícios de comunhão. Aceitar o convite de Deus para o
“banquete” significará, portanto, participar no culto a Jahwéh, ser acolhido na
casa de Jahwéh, entrar no “espaço íntimo” e familiar de Deus e sentar-se com
Ele à mesa.
Nesse “banquete” serão servidos “manjares
suculentos”, “comida de boa gordura”, “vinhos deliciosos” e “puríssimos” (v.
6). As expressões sublinham a abundância de vida – e de vida com qualidade –
com que Deus vai cumular os seus convidados.
Para os que aceitarem o convite para o “banquete”,
iniciar-se-á uma nova era, de comunhão íntima com Deus e de vida sem fim. O
profeta sugere a comunhão total entre Deus e os homens que então se iniciará,
com a indicação de que será removido “o véu que cobria todos os povos, o pano
que envolvia todas as nações” (vers. 7) e que impedia o contacto total com o
mundo de Deus. Por outro lado, o profeta sugere o início da nova era de paz e
de felicidade sem fim, dizendo que Deus vai destruir a morte para sempre, vai
enxugar “as lágrimas de todas as faces” e vai eliminar “o opróbrio que pesa
sobre o seu Povo” (v. 8). O “banquete” termina com um cântico de ação de graças
que evoca, provavelmente, uma fórmula usada na aclamação de um novo rei (v. 9).
Significa que, com o “banquete” que o Messias vai oferecer, se iniciará o
reinado de Deus sobre toda a terra. O profeta está, sem dúvida, a descrever os
tempos messiânicos. Na perspectiva do profeta, serão tempos de comunhão total
de Deus com o homem e do homem com Deus. Dessa intimidade entre Deus e o homem
resultará, para o homem, a felicidade total, a vida verdadeira e plena. A
partir daqui, a ideia de um “banquete messiânico” tornou-se corrente no
judaísmo.
Atualização
A imagem do “banquete” para o qual Deus convida “todos
os povos” aponta para essa realidade de comunhão, de festa, de amor, de
felicidade que Deus, insistentemente nos oferece. Nunca será de mais recordar
isto: Deus tem um projeto de vida, que quer oferecer a todos os homens, sem
exceção. Não somos “filhos de um deus menor”, pobre humanidade abandonada à sua
sorte, perdida num universo hostil e condenada ao nada; somos pessoas a quem
Deus ama, a quem Ele convida para integrar a sua família e a quem Ele oferece a
vida plena e definitiva. A consciência desta realidade deve iluminar a nossa
existência e encher de serenidade, de esperança e de confiança a nossa
caminhada nesta terra. A nossa finitude, as nossas limitações, os nossos medos
e misérias não são a última palavra da nossa existência; mas caminhamos todos
ao encontro da festa definitiva que Deus prepara para todos os que aceitam o
seu dom.
Ao homem basta-lhe aceitar o convite de Deus para ter
acesso a essa festa de vida eterna. Aceitar o convite de Deus significa
renunciar ao egoísmo, ao orgulho e à auto-suficiência e conduzir a existência
de acordo com os valores de Deus; aceitar o convite de Deus implica dar
prioridade ao amor, testemunhar os valores do Reino e construir, já aqui, uma
nova terra de justiça, de solidariedade, de partilha, de amor. No dia do nosso
Batismo, aceitamos o convite de Deus e comprometemo-nos com Ele… A nossa vida
tem sido coerente com essa opção?
2ª leitura: Fl. 4,12-14.19-20 -
Ambiente
Mais uma vez, a segunda leitura oferece-nos um
excerto de uma carta de Paulo aos cristãos da cidade grega de Filipos. Estamos
nos anos 56/57. Paulo está na prisão (em Éfeso?) por causa do Evangelho. Nesse
momento difícil da sua vida apostólica, Paulo recebeu ajuda econômica e, mais
importante do que isso, a presença solidária e o cuidado de Epafrodito, um
membro da comunidade, enviado para ajudar Paulo e para lhe manifestar a
solicitude dos seus “filhos” de Filipos. O nosso texto é tirado do capítulo
final da Carta aos Filipenses. Aí, num tom emocionado, Paulo agradece pelos
dons recebidos e pela solidariedade que os cristãos de Filipos lhe
manifestaram.
Mensagem
Paulo está manifestamente satisfeito pela ajuda
recebida da comunidade cristã de Filipos. A alegria de Paulo resulta, não tanto
da resolução das suas próprias necessidades materiais mas, sobretudo, do
significado do gesto dos filipenses. O donativo enviado é sinal, não só da
amizade que os cristãos da comunidade votam a Paulo, mas também da solidariedade
dos filipenses com o anúncio do Evangelho de Jesus: dessa forma, os filipenses
manifestaram o seu apoio ao ministério apostólico de Paulo e ao trabalho que o
apóstolo desenvolve no sentido de fazer chegar a proposta libertadora de Jesus
a todos os homens. E isso, evidentemente, alegra o coração de Paulo.
Por si, Paulo está acostumado às privações e à
frugalidade. A sua vida e a sua missão não dependem de comodidades materiais:
ele sabe “viver na pobreza” e sabe “viver na abundância”… Essa “liberdade interior”
face aos bens brota de Cristo: é Cristo quem dá forças ao apóstolo para superar
as privações, quem o anima nos momentos de dificuldades, quem lhe dá a coragem
para enfrentar as necessidades que a vida apostólica impõe.
De resto, Paulo está certo de que a solidariedade e a
solicitude que os membros da comunidade manifestaram beneficiará, em primeiro
lugar, os próprios filipenses, pois Deus não deixará de lhes “pagar”
generosamente o seu gesto.
Atualização
Antes de mais, o nosso texto apela a que os cristãos
tenham o coração aberto à partilha e ao dom. Ser cristão implica a renúncia a
uma vida de egoísmo e de fechamento em si próprio… Implica abrir o coração às
necessidades dos irmãos carentes e desfavorecidos e uma partilha efetiva da
vida e dos bens. Numa época em que os valores dominantes convidam continuamente
ao egoísmo, à auto-suficiência, à preocupação exclusiva com os próprios
interesses, o gesto dos filipenses constitui uma poderosa interpelação.
Por outro lado, também somos interpelados pelo sentido
de despojamento de Paulo… Como Paulo, o apóstolo de Jesus deve saber “viver na
pobreza” e deve saber “viver na abundância”; mas nunca pode colocar as
comodidades materiais como prioridade ou como condição essencial para se
empenhar na missão. O apóstolo de Jesus tem como prioridade o anúncio do
Evangelho, em quaisquer circunstâncias e para além de todos os
condicionalismos. Um “apóstolo” que se preocupa, antes de mais, com a sua
comodidade ou com o seu bem-estar torna-se escravo das coisas materiais, passa
a ser um “funcionário do Reino” com horário limitado e com trabalho limitado e
rapidamente perde o sentido da sua entrega e do seu empenhamento.
A solicitude dos filipenses por Paulo é sinal da
vontade que eles têm de colaborar na expansão do Reino. Todas as comunidades
cristãs deviam sentir este apelo a participar – de forma mais direta ou menos
direta – no testemunho de Evangelho de Jesus. Levar o Evangelho ao mundo não é
uma missão que apenas diga respeito a um grupo “especial” dentro da Igreja; mas
é uma missão que Jesus confiou a todos os discípulos, sem exceção. Todos os
cristãos deviam sentir o imperativo de colaborar, na medida das suas
possibilidades, no anúncio do Evangelho.
A solicitude dos filipenses por Paulo interpela
também as comunidades cristãs acerca da forma como acolhem e tratam aqueles que
se entregam a tempo inteiro à causa do Evangelho… A opção que eles fizeram de
se entregarem totalmente ao serviço do Reino não os torna menos humanos; eles
continuam a ser homens ou mulheres sensíveis às manifestações de afeto, de
apreço, de amizade, de solicitude. A comunidade tem o dever de manifestar, em
gestos concretos, a sua gratidão pelo trabalho desses irmãos e pelos dons que
deles recebe.
Paulo refere-se, finalmente, à retribuição que Deus
não deixará de dar a todos aqueles que mostram solicitude e amor com os
apóstolos e que se empenham no anúncio do Evangelho. No entanto, Paulo está
longe de sugerir uma lógica interesseira no nosso relacionamento com Deus… O
cristão não age de determinada forma para daí tirar benefícios, mas porque o
seu compromisso com Jesus lhe impõe determinado comportamento.
Evangelho: Mt. 22,1-14 -
Ambiente
Continuamos em Jerusalém, nos dias que antecedem a
Páscoa. Os dirigentes religiosos judeus aumentam a pressão sobre Jesus.
Instalados nas suas certezas e seguranças, já decidiram que a proposta de Jesus
não vem de Deus; por isso, rejeitam de forma absoluta o Reino que ele anuncia.
O texto que nos é hoje proposto faz parte de um bloco
de três parábolas (cf. Mt. 21,28-32. 33-43; 22,1-14), destinadas a ilustrar a
recusa de Israel em aceitar o projeto que Deus oferece aos homens através de
Jesus. Com elas, Jesus convida os seus opositores – os líderes religiosos
judaicos – a reconhecerem que se fecharam num esquema de auto-suficiência, de
orgulho, de arrogância, de preconceitos, que não os deixa abrir o coração e a
vida aos dons de Deus. O nosso texto é a última dessas três parábolas.
A crítica do texto mostra que Mateus juntou aqui duas
parábolas diferentes: a parábola dos convidados para o “banquete” (que é comum
a Mateus e Lucas, embora as duas versões apresentem diferenças consideráveis –
cf. Mt. 22,1-10; Lc. 14,15-24) e a parábola do convidado que se apresentou sem
o traje adequado (que é exclusiva de Mateus – cf. Mt. 22,11-14). Originalmente,
as duas parábolas teriam ensinamentos diferentes; mas a temática comum do
“banquete” aproximou-as e juntou-as.
As nossas duas parábolas situam-nos, portanto, no
cenário de um “banquete”. Já dissemos (a propósito da primeira leitura deste
domingo) que o “banquete” era, na cultura semita, o lugar do encontro, da
comunhão, do estreitamento de laços familiares entre os convivas. Além disso, o
“banquete” era também a cerimônia através da qual se confirmava o “status” das
pessoas e o seu lugar dentro da escala social. Quem organizava um “banquete” –
por exemplo, por ocasião do casamento de um filho – procurava fazer uma seleção
cuidada dos convidados: a presença de gente “desclassificada” faria descer
consideravelmente, aos olhos de toda a comunidade, o “status” da família; e,
por outro lado, a presença à mesa de pessoas importantes realçava a importância
e a honra da família.
Mensagem
A primeira parábola é a parábola dos convidados para
o “banquete” (vs. 1-10). Apresenta-nos um rei que organizou um banquete para
celebrar o casamento do seu filho. Convidou várias pessoas, mas os convidados
recusaram-se a participar no “banquete”, apresentando as desculpas mais
inverossímeis. Mateus chega a dizer (um dado que não aparece no relato de Lucas)
que teriam até assassinado os emissários do rei… Trata-se de um quadro
gravíssimo: recusar o convite era uma ofensa inqualificável; mas, como se isso
não bastasse, esses convidados indignos manifestaram um desprezo inconcebível
pelo rei, matando os seus servos. O rei enviou então as suas tropas que
castigaram os assassinos (vers. 7. Esta referência não aparece no relato de
Lucas… É uma provável interpretação da destruição de Jerusalém pelos exércitos
romanos de Tito, no ano 70. Isso significa que a versão que Mateus nos dá da
parábola é posterior a essa data).
O rei resolveu, apesar de tudo, manter a festa e
mandou que fossem trazidos para o “banquete” todos aqueles fossem encontrados
nas “encruzilhadas dos caminhos”. E esses desclassificados, esse “povo da
terra”, que nunca se tinha sentado à mesa de um personagem importante (com tudo
o que isso significava em termos de comunhão e de estabelecimento de laços de
família e de amizade), celebrou a festa à mesa do rei.
O sentido da parábola é óbvio… Deus é o rei que
convidou Israel para o “banquete” do encontro, da comunhão, da chegada dos
tempos messiânicos (as bodas do “filho”). Os sacerdotes, os escribas, os
doutores da Lei recusaram o convite e preferiram continuar agarrados aos seus
esquemas, aos seus preconceitos, aos seus sistemas de auto-salvação. Então,
Deus convidou para o “banquete” do Messias esses pecadores e desclassificados
que, na perspectiva da teologia oficial, estavam arredados da comunhão com Deus
e do Reino.
Esta parábola explicita bem o cenário em que o
próprio Jesus se move… Ele aparece, com frequência, a participar em “banquetes”
ao lado de gente duvidosa e desclassificada, ao ponto de os seus inimigos o
acusarem de “comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e de pecadores”
(Mt. 11,19; Lc 7,34). Porque é que Jesus participa nesses “banquetes”, correndo
o risco de adquirir uma fama tão desagradável? Porque no Antigo Testamento –
como vimos na primeira leitura – os tempos messiânicos são descritos com a
imagem de um “banquete” que Deus prepara para todos os povos. Ora, Jesus tem
consciência de que, com Ele, esses tempos chegaram; e utiliza o cenário do
“banquete” para expressar a realidade do Reino (a mesa da festa, do amor, da
comunhão com Deus, para a qual todos os homens e mulheres, sem exceção, são
convidados). Para Ele, o sentar-se à mesa com os pecadores é uma forma
privilegiada de lhes dizer que Deus os acolhe com amor e que quer estabelecer
com eles relações de comunhão e de familiaridade, sem excluir ninguém do seu
convívio ou da sua comunidade.
Os líderes de Israel, no entanto, sempre reprovaram a
Jesus esse contato com os pecadores e os desclassificados… Para eles, os
publicanos e as prostitutas, por exemplo, estavam definitivamente arredadas da
comunidade da salvação. Sentá-los à mesa do “banquete” do Reino é algo de
inaudito e que os líderes de Israel acham absolutamente inapropriado.
É muito provável que, originalmente, a parábola
tivesse servido a Jesus para responder àqueles que o acusavam de ter convidado
para o “banquete” do Reino todo o tipo de desclassificados e de pecadores.
Jesus deixa claro que, na perspectiva de Deus, a questão não é se tal ou tal
pessoa tem o direito de se sentar à mesa do Reino; mas a questão essencial é se
aceita ou não se aceita o convite de Deus. Na verdade, os líderes de Israel
recusaram o desafio de Deus, enquanto que os pecadores e desclassificados o
acolheram de braços abertos.
Mais tarde, a comunidade cristã irá fazer uma
releitura um pouco diferente da parábola e utilizá-la para explicar porque é
que os pagãos acolheram melhor do que os judeus a Boa Nova do Reino.
A segunda parábola é a parábola do convidado que se
apresentou na festa sem o traje nupcial (vs. 11-14). O rei que organizou o
“banquete” mandou, então, lançá-lo fora da sala onde se realizava a festa.
A parábola constitui uma advertência àqueles
que aceitaram o convite de Deus para a festa do Reino, aderiram à proposta de
Jesus e receberam o Batismo. Mateus escreve no final do século I (anos 80),
quando os cristãos já tinham esquecido o entusiasmo inicial e viviam instalados
numa fé pouco exigente. Consideravam que já tinham feito uma opção definitiva e
que já tinham assegurado a salvação. Mateus diz-lhes: cuidado, porque não chega
entrar na sala do “banquete”; é preciso, além disso, vestir um estilo de vida
que ponha em prática os ensinamentos de Jesus. Quem foi batizados e aderiu ao
“banquete” do Reino, mas recusou o traje do amor, da partilha, do serviço, da
misericórdia, do dom da vida e continua vestido de egoísmo, de arrogância, de
orgulho, de injustiça, não pode participar na festa do encontro e da comunhão
com Deus. Deus chamou todos os homens e mulheres para participarem no
“banquete”; mas só serão admitidos aqueles que responderem ao convite e mudarem
completamente a sua vida.
Atualização
No nosso texto, a questão decisiva não é se Deus
convida ou se não convida; mas é se aceita ou se não se aceita o convite de
Deus para o “banquete” do Reino. Os convidados que não aceitaram o convite
representam aqueles que estão demasiado preocupados a dirigir uma empresa de
sucesso, ou a escalar a vida a pulso, ou a conquistar os seus cinco minutos de
fama, ou a impor aos outros os seus próprios esquemas e projetos, ou a explorar
o bem estar que o dinheiro lhes conquistou e não têm tempo para os desafios de
Deus. Vivemos obcecados com o imediato, o politicamente correto, o palpável, o
material, e prescindimos dos valores eternos, duradouros, exigentes, que exigem
o dom da própria vida. A questão é: onde é que está a verdadeira felicidade?
Nos valores do Reino, ou nesses valores efêmeros que nos absorvem e nos
dominam?
Os convidados que não aceitaram o convite representam
também aqueles que estão instalados na sua auto-suficiência, nas suas certezas,
seguranças e preconceitos e não têm o coração aberto e disponível para as
propostas de Deus. Trata-se, muitas vezes, de pessoas sérias e boas, que se
empenham seriamente na comunidade cristã e que desempenham papéis fundamentais
na estruturação dos organismos paroquiais… Mas “nunca se enganam e raramente
têm dúvidas”; sabem tudo sobre Deus, já construíram um deus à medida dos seus
interesses, desejos e projetos e não se deixam questionar nem interpelar. Os
seus corações estão, também, fechados à novidade de Deus.
Os convidados que aceitaram o convite representam todos
aqueles que, apesar dos seus limites e do seu pecado, têm o coração disponível
para Deus e para os desafios que Ele faz. Percebem os limites da sua miséria e
finitude e estão permanentemente à espera que Deus lhes ofereça a salvação. São
humildes, pobres, simples, confiam em Deus e na salvação que Ele quer oferecer
a cada homem e a cada mulher e estão dispostos a acolher os desafios de Deus.
A parábola do homem que não vestiu o traje apropriado
convida-nos a considerar que a salvação não é uma conquista, feita de uma vez
por todas, mas um sim a Deus sempre renovado, e que implica um compromisso
real, sério e exigente com os valores de Deus. Implica uma opção coerente,
contínua, diária com a opção que eu fiz no Batismo… Não é um compromisso de
“meias tintas”, de tentativas falhadas, de “tanto se me dá como se me deu”; mas
é um compromisso sério e coerente com essa vida nova que Jesus me apresentou.
P. Joaquim Garrido, P.
Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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