30º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Cor: Verde
Evangelho - Mt 22,34-40
Jesus
resumiu toda a Lei em doía mandamentos.
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“AMARÁS O SENHOR TEU DEUS DE TODO O CORAÇÃO...”
– Olivia Coutinho
30º DOMINGO DO
TEMPO COMUM
Dia 29 de
Outubro de 2017
Evangelho de
Mt22,34-40
O amor de Deus
por nós, revelado pelo o seu Filho na cruz, nos tornou livres, portadores
de uma paz interior, capaz de transformar trevas em luz!Vamos
respondendo, a este amor de Deus, à medida da nossa obediência aos
seus mandamentos, que tem como chave, o mandamento do amor! Quem vive no
amor, vive de acordo com a vontade de Deus, realiza o seu projeto de vida nova,
nos apresentado por Jesus.A nossa
identidade, o que nos distingue como cristão, é a nossa vivencia no amor!No evangelho que
a liturgia de hoje nos convida a refletir, Jesus, em resposta a uma pergunta de
fundo maldoso de um fariseu, nos aponta o caminho que devemos percorrer, se
queremos de fato, chegar ao coração do Pai, que é, o caminho do amor! Caminho
este, que às vezes pode nos parecer difícil, mas nunca intransponível, pois o
amor, quando verdadeiro, rompe barreiras, quebra muralhas!O texto vem nos
despertar, sobre a importância da escuta da palavra de Deus, o amor a Deus e ao
próximo, passa por esta escuta, afinal, não tem como amar a Deus, sem o
conhecimento da sua palavra, sem saber o que Ele quer de nós e para nós!Quando Jesus
insiste em nos falar do mandamento do amor, é porque de fato, o amor
realiza-nos, fortalece-nos, é caminho para o céu!O amor a Deus e
ao próximo estão interligados, são as raízes de todos os outros mandamentos! É
amando ao próximo, que amamos a Deus, ai está, o resume de toda lei, o
verdadeiro sentido da vida!O amor desejado
por Deus é um amor sem fronteiras, um amor que não impõe condições, que brota do
coração, na total gratuidade! Para concretizarmos, este seu desejo, é preciso,
que nos amemos primeiro, pois ninguém consegue transmitir amor, se não o tem,
por si mesmo, afinal, ninguém pode dar ao outro, o que não tem! O próprio Jesus
já nos diz “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Isto é: devemos amar o
outro, como amamos a nós mesmos.O mandamento do
amor supera todas as leis, todos os outros mandamentos, ou seja, quem ama, não
prejudica o outro! Não pode haver
sintonia entre o homem e Deus sem a vivência do amor, e o que Jesus nos pede
sempre, é que amemos uns aos outros, como Ele nos ama! O nosso amor ao
próximo, é confirmação, do nosso amor a Deus!Querer o bem do
outro, independente de suas atitudes para conosco, é amar do jeito de Jesus, é amar
gratuitamente, sem esperar por recompensa, é nisto, que consiste o
verdadeiro amor.Quem ama como
Jesus nos ama, tudo que mais quer, é fazer a vontade de Deus, fazendo bem ao
outro! Quem vive assim, vive em sintonia com Deus, realiza a sua vontade.Não basta falar
de amor, é preciso viver o amor! Com palavras bonitas, longas orações, não
damos testemunho do nosso amor a Deus, e sim, com as nossas atitudes de amor
para com o próximo!Quem ama
verdadeiramente, ama com o coração de Deus, é capaz de abraçar neste amor, até
mesmo o inimigo!O amor Divino é
a fonte que irriga o amor humano, no qual encontramos o modelo de perfeição,
que é Jesus: totalmente homem, totalmente Divino! Podemos até não
ter todos os bens materiais que desejamos, mas amor, todos nós podemos ter,
basta-nos espelhar em Jesus, esvaziando de nós mesmos para nos encher da graça
de Deus.O amor a Deus,
concretizado no amor ao próximo, é caminho de santidade.
FIQUE NA PAZ DE
JESUS! – Olívia CoutinhoVenha fazer
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O maior mandamento
Nesse dia mundial das missões, a Igreja nos lembra
que todo cristão deve ser missionário. A liturgia focaliza a mensagem principal
que devemos anunciar e testemunhar: o maior mandamento da Lei: o amor.
A 1ª leitura afirma que o maior mandamento é o amor,
concretizado através da defesa dos mais necessitados e desprotegidos:
estrangeiros (migrantes), viúvas, órfãos, endividados, pobres. (Ex. 22,20-26)
Já no Antigo Testamento, o Amor ao próximo era visto
em relação a Deus, como respeito à sua lei e como reflexo do seu amor para com
os homens.
Mas é, sobretudo, no Novo Testamento que é iluminado
e aperfeiçoado pela doutrina de Jesus, como se pode ver no Evangelho de hoje.
Na 2ª leitura, são Paulo destaca o exemplo de Amor
vivido pelos cristãos de Tessalônica. Tornou-se semente de fé e amor, que deu
frutos em outras comunidades. (1Ts. 5c-10)
No Evangelho, Jesus resume toda a Lei no amor: amor a
Deus e aos irmãos. (Mt. 22,34-40)
Segue o confronto de Jesus com as lideranças
judaicas. Os fariseus apresentam armadilhas bem montadas, destinadas a provocar
afirmações polêmicas de Jesus, para poder acusá-lo e condená-lo. Os fariseus
perguntam: "Qual é o maior dos mandamentos?"
Era uma questão muito polêmica entre os líderes
religiosos daquele tempo. Alguns afirmavam que o maior de todos os mandamentos
era guardar o sábado. Outros diziam que todos os mandamentos tinham o mesmo
valor.
Ademais os judeus tinham 613 mandamentos (a maioria
proibições). Era um grande emaranhado de preceitos e prescrições. Muita gente hoje
tem dificuldade em recordar de cor os 10 mandamentos. Imaginem a dificuldade
para lembrar e cumprir todas essas normas.
Jesus responde, buscando fundamentação em duas
passagens da Bíblia: "Amarás o Senhor teu Deus com todas..." (Dt.
6,5); "Amarás teu próximo como a ti mesmo..." (Lv. 19,18)
Esses dois mandamentos já eram conhecidos, mas a
originalidade deste ensinamento está em dois pontos:
- define o amor a Deus e ao irmão como o centro
essencial da Lei;
- unifica e equipara os dois mandamentos: "O
segundo é semelhante a esse".
Portanto, não são dois mandamentos diversos, mas duas
faces da mesma moeda. Esses dois mandamentos são a expressão maior da vontade
de Deus. São o resumo de toda a Bíblia.
O que esse Evangelho tem a nos dizer, hoje?
Ao longo dos dois mil anos de cristianismo fomos
criando muitos mandamentos, preceitos, proibições, exigências, opiniões,
pecados e virtudes, que arrastamos pesadamente pela história.
E acabamos perdendo a noção do que é verdadeiramente
importante. Hoje, ficamos discutindo certas questões secundárias, sem discernir
muitas vezes o essencial da proposta de Jesus.
O Evangelho deste domingo é claro: o essencial é o
amor a Deus e o amor aos irmãos.
Para o cristão, o amor é fundamental, porque Deus é
amor e ama o homem, e o homem é um ser criado para amar.
Talvez tenhamos de remover muito lixo acumulado com o
tempo, que nos impede de compreender, de viver, de anunciar e de testemunhar o
cerne da proposta de Jesus.
O amor a Deus nós manifestamos quando nos mantemos na
escuta de sua Palavra e na disposição de cumprir a sua vontade.
Esforço-me, de fato, em escutar as propostas de Deus,
mantendo um diálogo pessoal com Ele, procurando refletir e interiorizar a sua
Palavra, tentando interpretar os sinais com que Ele me interpela na vida de
cada dia?
Tenho o coração aberto ou fechado às suas propostas?
Procuro ser uma testemunha profética de Deus e do seu
Reino?
O amor aos irmãos nós manifestamos ao dar atenção às
pessoas que encontramos pelos caminhos da vida, ao sentir-nos solidários com as
alegrias e sofrimentos de cada pessoa, ao partilhar as desilusões e esperanças
do próximo, ao fazer da nossa vida um dom total a todos.
O mundo, em que vivemos, precisa redescobrir o amor,
a solidariedade, o serviço, a partilha, o dom da vida.
Nossa assembléia, convocada pelo amor do Pai, realiza
ao mesmo tempo o duplo mandamento (os dois amores). Unidos na caridade fraterna
nos dirigimos ao Pai como filhos.
Estamos no último domingo do mês missionário: vivendo
intensamente esses dois amores (a Deus e ao próximo), crescerá também em nós um
novo "ardor missionário".
"O dia mundial das missões reavive em cada um o
desejo e a alegria de “ir” ao encontro da humanidade levando Cristo a
todos". (Bento XVI - 2011).
"Amor não tem fronteiras, a vida é uma missão.
Amor é para todos, Deus quer um mundo irmão". (Igreja em missão)
padre Antônio Geraldo
Dalla Costa
Amarás o Senhor
teu Deus e ao teu próximo como a ti mesmo.
Este Evangelho conta que os
fariseus fizeram uma pergunta a Jesus para experimentá-lo porque, no pensar
deles, a pergunta era muito difícil de ser respondida: “Qual é o maior
mandamento da Lei?” A provocação foi muito benéfica a nós, porque assim Jesus
nos explicou qual é o maior mandamento de Deus: “Amarás o Senhor teu Deus de
todo o teu coração... e ao teu próximo como a ti mesmo”. Não é só mandamento, é
vida e felicidade para nós. Fomos criados para isso, e só encontramos paz
amando a Deus e ao próximo.
Havia uma eterna discussão entre
eles sobre qual é o principal mandamento de Deus; se é amar a Deus ou amar o
próximo. Jesus une os dois.
Deus merece ser amado, devido à
criação, através da qual ele demonstra um infinito amor a nós; devido à sua
providência, cuidando de nós nas vinte e quatro horas do dia. Deus é o nosso
criador e é ele que nos mantém com vida, a cada instante. Se ele retirasse sua
mão de sobre nós, voltaríamos ao nada, de onde saímos. O nosso pai carnal é uma
pálida figura do nosso grande Pai que é Deus.
A Redenção é o maior gesto de
amor de Deus a nós. Um amor que perdoa e sabe relevar as nossas fraquezas, não
deixando de nos amar quando o ofendemos. Ele vai atrás, insiste, sempre
respeitando a nossa liberdade.
Deus nos criou para conhecê-lo,
amá-lo e servi-lo na terra, e gozar com ele no céu. Feliz de quem entende essa
frase do catecismo e a vive. Os egoístas invertem: Deus nos criou em primeiro
lugar para gozar aqui na terra. Isso porque os egoístas não entendem o mistério
da cruz. Quando deixam a Igreja e partem para alguma seita, porque ali podem
usufruir mais de Deus aqui na terra! A indústria da fé é uma das maiores
invenções do homem moderno.
Precisamos amá-lo sobre todas as
coisas, colocando os seus mandamentos acima de tudo: de pessoas, de bens
materiais, até da nossa vida material. Amar a Deus sobre todas as coisas é amar
a Jesus Cristo, que hoje está presente em seu Corpo Místico. “O segundo é
semelhante a esse: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Apesar de o fariseu
ter perguntado “qual é o maior mandamento da Lei”, isto é, perguntado sobre um
mandamento, Jesus citou dois, porque os dois são intimamente unidos e não se
separam. Eles se entrelaçam de tal modo que ninguém consegue praticar um sem
praticar o outro. Eles são desdobramentos de uma só realidade, o amor. “Deus é
amor: quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nele” (1Jo
4,16). O amor é a maior força que existe no mundo, pois é o próprio Deus.
“Ninguém jamais viu a Deus. Se
nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós e seu amor em nós é perfeito”
(1Jo 4,12).
“Se alguém disser: eu amo a
Deus, mas odeia seu irmão, é um mentiroso, pois quem não ama o seu irmão, a
quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4,20). A ligação íntima
entre o amor a Deus e ao próximo desautoriza certas formas alienantes de
“espiritualidade” que muitas vezes não passam de uma busca disfarçada de
auto-realização, mas que jamais leva a um compromisso com a transformação do
mundo em que vivemos. Não é possível amar a Deus sem amar o próximo.
S. João Evangelista nos explica
o que é amor: “Jesus deu a vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a
vida pelos irmãos. Se alguém possui riquezas neste mundo e vê o seu irmão
passar necessidade, mas diante dele fecha o seu coração, como pode o amor de
Deus permanecer nele?” (1Jo 3,16-17).
Quem ama só faz o bem e só
deseja o bem. Quem ama lê no coração o que as palavras não conseguem expressar.
O pecado rebaixa, avilta e
corrói o amor, desviando-o do seu sentido autêntico. Basta ver a expressão
“fazer amor” e o sentido da palavra amor na maioria das novelas e filmes.
Nós passamos a vida toda
correndo atrás do amor. Ele é a motivação fundamental de todos os nossos atos.
É o amor que traz alegria e gosto de viver. Para quem ama, não existe
monotonia. Pode viver cem anos ao lado de alguém, que cada dia é novo e nunca
se cansa. Cada dia o vê diferente, como um filme. Isso porque o amor é
infinito.
O amor é difusivo; ele não fica
só na pessoa que ama nem só na pessoa que é amada, mas passa para os demais e
vai criando uma Comunidade de amor, que chamamos de ágape.
Está portanto diante de nós o
desafio de amar sempre, tanto a Deus como ao próximo, e através do amor
transformar o mundo.
Certa vez, na antiguidade, havia
um rei que não acreditava na bondade de Deus. Tinha, porém, um servo que sempre
o lembrava desta verdade. Em todas as situações, o servo dizia: “Meu rei, não
desanimes, porque Deus é bom”. Um dia, o rei saiu para caçar, e levou aquele
servo. Lá no mato, uma fera atacou o rei. Ele lutou, lutou e conseguiu
livrar-se do animal, mas perdeu um dedo da mão. O rei, furioso pelo que havia
acontecido, perguntou ao servo: “E agora, o que você me diz? Deus é bom? Se
fosse bom não teria permitido que eu perdesse este dedo!” O servo respondeu:
“Meu rei, isso é para o seu bem!” Irritado, ao voltarem para o palácio, o rei
mandou prender aquele servo. Após algum tempo, o rei voltou novamente à mata
para caçar. Aconteceu que desta vez foi atacado por índios, que o levaram para
a aldeia. Aqueles índios costumavam oferecer sacrifícios humanos para as suas
divindades. Sem saberem que era o rei, pois não entendiam a sua língua,
resolveram oferecer aquele prisioneiro em sacrifício. Mas, quando estava tudo
preparado, e o rei já estava diante do altar do sacrifício, o pajé, ao examinar
a vítima, disse a todos: “Este homem não pode ser sacrificado, pois é
defeituoso. Falta-lhe um dedo”. E o rei foi libertado. Quando chegou ao
palácio, muito alegre e aliviado, o rei libertou o seu servo, abraçou-o
afetuosamente e lhe disse: “Meu caro, Deus foi realmente bom para mim. Você tem
razão!”
Deus é muito bom para nós, por
isso merece ser amado sobre todas as coisas. O seu amor está demonstrado em
cada criatura e em cada acontecimento da nossa vida.
padre
Antonio Queiroz
Um tríplice
amor
Um fariseu indagou a Jesus:
“Mestre, qual é o maior mandamento da lei”? (Mt. 22,16). A resposta que lhe foi
dada inclui um tríplice amor: Amarás totalmente a Deus, amarás o teu próximo
como a ti mesmo. Nem sempre se presta atenção no que significa amar a si mesmo
e isto torna mais difícil a dileção devida ao próximo. Amar a si mesmo é ter
uma imagem justa de si. Com efeito, reconhecer as qualidades com as quais Deus
mimoseou cada um leva o indivíduo a atinar com o seu real papel na sociedade de
acordo com seu perfil caracterológico. Mesmo porque qualidades mal trabalhadas
geram fatalmente defeitos. Além disto, nada mais útil para os outros do que a
pessoa certa no lugar certo. Isto inclusive fará com que, através de suas boas
ações, o indivíduo possa manifestar seu total amor a Deus. Reconhecer os
talentos que se possui e aceitar os seus próprios limites é uma maneira de se
amar a si mesmo. Apreender a própria finitude e desenvolver os dons que se tem
é caminho certo para se evitar a depressão e outros males psíquicos, como a
baixa estima. Isto complica sempre o amor ao próximo e até ao próprio Deus.
Não se trata, portanto, de se
fechar dentro de si incrementando o egoísmo ou o orgulho, mas se colocando em
condições de fazer desabrochar tudo de bom que há no íntimo de si, para com
isto amar o próximo e o Criador de tudo. Não se constrói o amor aos outros e a
Deus em cima de defeitos, mas, sim, por meio das potencialidades bem
administradas, cultivadas, na prática das virtudes. Então é possível doar o que
se possui de melhor num verdadeiro projeto de vida. Para tanto cumpre sempre
evitar dúvidas e medos mórbidos procurando a retidão das atitudes. A
simplicidade de espírito é uma conquista por vezes árdua. O autocontrole abre o
caminho para o amor ao próximo que consiste em se deixar tocar pela sua
presença para poder lhe ser útil em tudo.
A cada instante Deus coloca
alguém que entra na vida de cada um e que deve ser amado e respeitado e muitas
vezes perdoado. Trata-se do mistério do encontro que exige que se rompam todas
as barreiras. Eis porque são necessárias as disposições do coração que apartam
a preocupação excessiva ao bem próprio, sem consideração aos interesses
alheios, evitando, deste modo, motivos calculadores condenáveis. Dois
ingredientes são necessários para bem amar o próximo, ou seja, honestidade e
sinceridade. Isto leva a dar aos ouros o melhor de si mesmo. São Paulo tem uma
frase lapidar: “O amor não faz mal ao próximo, o amor é cumprimento da lei”
(Rm. 13,9-10). Além disto, como bem salientou o Mestre divino, o maior
mandamento da lei é este: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de
toda a tua alma e de todo o teu entendimento”. É que somente a Deus se deve
adorar. Daí a abominação de tudo que vai contra o respeito a Ele a começar pela
indiferença que negligencia ou recusa a caridade divina. Adite-se a ingratidão
que omite o reconhecimento dos benefícios recebidos. Muitos deixam de prestar o
verdadeiro culto ao Criador por indolência ou preguiça espiritual. A afeição a
Deus se opõe à soberba, que leva a se julgar até superior ao Ser Supremo. Há,
por vezes, na vida de cada um ídolos que são abomináveis a Deus o qual tantas
vezes fica subalterno aos caprichos humanos. Isto vem a ser o apego às
ilusões terrenas, aos prazeres, às fantasias sexuais, àquilo que é passageiro e
transitório. Daí resultam as frustrações, porque o ser racional é a imagem de
Deus que é amor e que deve ser amado sobre todas as coisas.
A vocação do cristão reside na
qualidade de um amor inédito que o torna perfeito como o Pai celeste. Quem é
sábio e coerente está persuadido de que a força verdadeira não é a da bomba
atômica, do domínio, do dinheiro, mas sim o poder do afeto para com Deus. O
cristão deve ser o profeta e a testemunha desta dileção infinita ao Rei
Celeste. A Virgem Maria, mais do que ninguém, compreendeu esta verdade e pôde
dizer ao anjo que ela era a serva do Senhor. Ela se colocou em condições de
sempre repetir a Deus “Seja feita a vossa vontade”. Estar assim unido a Deus é
a floração máxima da afeição que se deve a Ele. Cumpre então ter não um coração
de pedra, mas um coração de carne, vibrante que, “aqui e agora”, estabelece o
Todo-Poderoso Senhor acima de tudo. O grande projeto divino é que o ser humano
saiba sempre realizar uma trajetória de amor. Trata-se de habitar em Deus
através do coração. Eis porque todos os santos chegaram à plenitude do amor a
Deus e o amor é um elã que faz tender a esta união. A dileção verdadeira a Deus
é como um fogo que se expande no amor ao próximo e a si mesmo. Daí o célebre
dito de Santo Agostinho: “Ama et fac quod vis– Ama e faze o que quiseres”,
pois, então, tudo redunda para a glória de Deus, o bem do próximo e de si
mesmo.
cônego
José Geraldo Vidigal de Carvalho
Neste domingo, a liturgia deixa bem claro que a
salvação do mundo ou passa pelo amor ou então andará sempre assim tão
desarranjado tal como se apresenta desde sempre e mais ainda no nosso tempo. Os
crentes, especialmente, têm esta tarefa essencial, dar testemunho de que se
deixam conduzir pela força transformadora do amor.
O Apóstolo São Paulo dá conta à comunidade de
Tessalónica a grande alegria que sente, pelo fato de a comunidade se ter
tornado exemplar, pois abdicou dos ídolos e converteu-se, sob a ação do
Espírito Santo, a Deus.
Esta mensagem encontra um eco muito grande no mundo
de hoje, são muitos os ídolos que se fabricam por todo o lado. Por isso, este
regozijo de São Paulo em relação à comunidade dos Tessalonicenses, para nós
converte-se em apelo. O mundo de hoje precisa de descobrir que os ídolos que se
fabricam por todo o lado, são efêmeros, não salvam e muito menos conduzem à
felicidade verdadeira.
As frequentes modas que a lógica mercantilista que o
nosso tempo fabrica, facilmente manipulam as pessoas, especialmente, os jovens,
que se encontram perdidos sem oportunidades de emprego e sem puderem dar
resposta ao seu anseio de constituírem família.
A felicidade autêntica descobre-se no modo como cada
um e cada qual é. O seu modo de ser, pensar e agir são únicos e cada pessoa
deve procurar essa idiossincrasia que está em si mesmo e nunca fora de si. Deus
criou cada pessoa única e insubstituível no modo de ser e de agir. Por isso,
com esta palavra de São Paulo, nós aprendemos a procurar sermos nós próprios
com a ajuda de Deus e nisso consiste já à partida o início do caminho da
felicidade verdadeira. Nesta integridade de vida descobre-se o amor aos outros
como valor essencial, que ajuda a completar o ser pessoa feliz.
No livro do Êxodo Deus deixa bem claro que não aceita
de forma alguma que continuem as situações intoleráveis de injustiça, a
violência arbitrária, a opressão e o desrespeito pelos direitos e pela
dignidade dos mais pobres e dos mais frágeis, vítimas da loucura do poder que
se instala nos tronos não ao serviço do bem comum, mas dos interesses familiares
e dos grupos que se alaparam aos partidos políticos. Como exemplo, o texto fala
dos estrangeiros, dos órfãos, das viúvas e dos pobres vítimas daqueles que só
pensam em números e no lucro pelo lucro, sem olhar às pessoas concretas. Do
ponto de vista deste texto qualquer injustiça ou gesto arbitrário praticado
contra um pobre ou mais frágil é um crime grave contra Deus e contra a
humanidade, porque viola a profundidade da existência de Deus que se manifesta
no coração de cada pessoa, especialmente, se ela pertence ao rol dos mais
frágeis da sociedade.
O Evangelho atesta, então, claramente, que só o amor
a Deus e ao próximo faz a vida ser uma felicidade e para a salvação do mundo
não há alternativa a esta. Porque pelo amor, a solidariedade vai acontecer, a
partilha fará parte da vida e o serviço será condição sine qua non em todas
tarefas que venham a ser realizadas.
Tudo o que venha a seguir, é conversa fiada e formas
de organização social experimentadas em todos os tempos históricos que não
resultaram nem resultarão outras que se inventem, enquanto todos forem
geradores de pobreza e de miséria. A salvação não esteve em nenhum deles porque
lhes faltou o condimento essencial: «o amor a Deus e aos outros acolhê-los
também no amor como irmãos». Podem dizer que isto se trata de um sonho, um
idealismo, pois que seja, o certo é que enquanto assim não for a humanidade
continuará torta e tonta, porque capaz de realizar as piores atrocidades contra
si mesma.
padre José Luís Rodrigues
A harmonia de
dois amores inseparáveis
A Palavra de Deus deste domingo
nos convida ao desafio da demonstração da nossa fé através do Amor a Deus e ao
próximo (evangelho). A primeira leitura tirada do livro do Êxodo nos sugere o
cuidado com os mais fracos da comunidade. Deus é aliado deles e quando
abraçamos a luta para defendê-los e promovê-los realizamos a vontade de Deus
que é misericordioso (1ª leitura). Esse dinamismo de sensibilidade e
solidariedade sempre acontece quando a Palavra de Deus é acolhida e seriamente
assimilada pela comunidade (2ª leitura).
1ª leitura: Ex.
22,20-26
Cuidar dos mais
fracos
Temos aqui um exemplo de
precisas indicações de como concretizar o amor a Deus. O texto que temos aqui
(Ex. 22,20-26) é a continuação da exposição do decálogo, os dez Mandamentos da
lei de Deus que conhecemos. Na verdade, por respeito às origens, o decálogo não
recebe o nome de “lei”, mas de “palavras”. Os mandamentos, muito mais que uma
direta comunicação de um recado de Deus para a humanidade, é uma resposta dela
ao Amor de Deus. Mas como vivenciá-la na prática? Nesta primeira leitura temos
um exemplo. Amar a Deus quer dizer dar atenção, ou melhor, cuidar dos mais
frágeis. O próximo é aquele que mais precisa de ajuda para poder viver com
dignidade. Logo após o texto do Decálogo do livro do Êxodo (Ex. 20,1-21), segue
o texto do Código da Aliança que aparece como uma espécie de tradução concreta
do amor a Deus em diversas dimensões: social, religiosa, ecológica,
econômica... O amor a Deus não deve se resumir em puro sentimento, mas num
compromisso de qualidade de relação conosco e com os outros. O presente texto
da leitura de hoje ressalta quatro categorias de pessoas profundamente
necessitadas daquele contexto bíblico: o estrangeiro, a viúva, o órfão e o
pobre. Todos eles, na condição em que viviam, passavam por uma situação de
grande vulnerabilidade; eram indefesos e viviam à mercê dos mais variados tipos
de violência. Os estrangeiros eram todos aqueles que, perseguidos por motivos
vários, sobretudo de guerra, eram expulsos do aconchego da própria cultura e se
refugiavam em outros povos pedindo abrigo e proteção, passando por uma
experiência de grande sofrimento: sem famílias, sem referência cultural, sem o
conhecimento da língua, sem amizade. Explorá-los nessa situação era crueldade
(hoje seria um crime considerado “hediondo”!), muitos eram escravizados e viviam
humilhados. A viúva e o órfão, mãe e filho, numa sociedade patriarcal, estavam
totalmente desprotegidos, sem amparo e sem força nem meios para sua
sustentabilidade econômica. O pobre, enquanto pessoa desprovida dos meios
necessários para sua digna subsistência, também participava da mesma condição.
Mais que pobres, eram empobrecidos! O texto não faz menção ao apelo à dignidade
pessoal de cada um. Isso será fruto de uma consciência de dignidade humana que
a humanidade vai adquirir ao longo dos séculos. Mas quem ama logo descobre o
que falta ao bem-estar do outro. A motivação básica que aparece para o cuidado
deles, é o Amor a Deus (causa teológica): Deus aparece como aliado dos pobres:
“se os maltratardes, gritarão por mim e eu ouvirei o seu clamor”, “ser clamar
por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso” (Ex. 22,22.26b).
Nossa vida
Temos nesse texto de modo muito
claro algumas mensagens bem concretas: a) A nossa Aliança com Deus (fé,
batismo), não pode ser inconsequente. Imediatamente após a colocação do texto
dos dez mandamentos segue uma série de prescrições bem concretas em vista de
favorecer ao povo a tradução em miúdos da fé em Deus. Deus se manifesta na
pessoa dos mais pobres. O fundamento do cuidado especial para com os pobres e
desvalidos está na mesma origem de igualdade: fomos criados à imagem e
semelhança de Deus, por essa razão somos todos merecedores de toda atenção e
respeito. A pobreza não é uma condição natural, mas sociocultural,
sociopolítica, socioeconômica... A desigualdade social violenta é um subproduto
do egoísmo humano. b) O “grito desses pobres”, fragilizados, constitui uma
espécie de ameaça aos promotores das suas injustiças: se gritam a Deus os
escutará e dará uma resposta em defesa deles. Deus é o Advogado dos pobres e
desprezados deste mundo. Os pobres e excluídos de hoje, quando organizados,
também são capazes de amedrontar os poderosos. Por isso os dominadores usam de
estratégias para amordaçá-los de diversas formas: com a educação maquiada, com
presentes, com promessas, ou mesmo através da promoção do “pão e circo” (comida
e espetáculos gratuitos). Infelizmente essa ainda é uma estratégia de dominação
muito usada por governos em nossos dias; sobretudo de perfil populista. c) Há
uma profunda relação entre fé e cidadania... O amor a Deus que não se
materializa em compromissos com a melhoria da qualidade de vida e partilha de
bens, é vazio. Assim diz o Evangelista João: “Se alguém possui os bens deste
mundo e, vendo o seu irmão em necessidade, fecha-lhe o coração, como pode o amor
de Deus permanecer nele? Filhinhos, não amemos com palavras, nem com a língua,
mas com obras e de verdade” (1Jo 3, 17-18). “Se alguém diz: "Eu amo a
Deus", e, no entanto, odeia o seu irmão, esse tal é mentiroso; pois quem
não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê” (1Jo
4,20).
Salmo 18
Este salmo é um hino de
agradecimento a Deus que protege os perseguidos e preserva a autoridade dos
seus servos. Este salmo foi composto por Davi quando Javé o libertou de todos
os seus inimigos e da mão de Saul (cf. Sl 18,1.31-36). Deus é visto como força,
rochedo, fortaleza, libertador, refúgio, escudo, baluarte (cf.Sl 18,2). Por
isso Louvado seja! Deus está próximo daquele injustamente perseguido,
restaura-lhe seu vigor e mantém autoridade (cf. Sl 18,7-24). Deus é fiel com o
fiel, íntegro com os íntegros, puro com os puros (cf. Sl 18,26-27). Deus é
força que move os pobres na resistente luta por vida mais digna.
2ª leitura:
1Ts. 1,5a-10
Uma comunidade
que cresce na fé e no amor
A comunidade de Tessalônica era
fervorosa e teve um grande progresso na fé a ponto de se tornar um modelo para
outras comunidades: “a vossa fé em Deus propagou-se por toda parte” (1Ts. 1,8),
“assim vos tornastes modelo para todos os fieis da Macedônia e da Acaia” (1Ts.
1,7). Paulo enumera três causas desse sucesso: a) Esses cristãos assimilaram e
vivenciavam a mensagem que lhes fora semeada, tornando-se, desse modo
imitadores de Cristo (cf. 1Ts 1,6); b) Foram dóceis aos ensinamentos de
Paulo e seguiram seu exemplo, imitando suas ações (cf. 1Ts. 1,6); c) Acolheram
a Palavra com alegria apesar das tribulações.
Dessa forma, tinham um
comportamento exemplar, cultivavam um dinamismo missionário propagando a
Palavra de Deus, tinham boa qualidade de relacionamento com os outros e
abandonaram a idolatria (os falsos deuses) confirmando assim, sua mudança
de vida e perseverança no bem.
Nossa vida
Esse relato de Paulo que
manifesta a alegria pelo progresso dessa comunidade, nos lança um convite para
refletirmos sobre a parábola do Semeador. A semente que caiu no bom terreno
germinou, brotou, cresceu e deu frutos a base de cem, sessenta e trinta frutos
por um (cf. Mt. 13,1-9). Mas se pensarmos em nível pessoal, perguntemo-nos como
está o nosso ritmo de crescimento na fé, no humanismo, da esperança, da
sensibilidade para com os mais necessitados. O texto nos convida a não sermos
estéreis, incapazes de transformar em vida as boas mensagens que recebemos. A
acolhida da Palavra de Deus está na base desse processo de conversão,
crescimento espiritual e produção de bons frutos; quando é acolhida com alegria
e assimilada, a Palavra de Deus transforma nossa vida pessoal de das nossas
comunidades. A prática do Amor depende do Alimento da Palavra de Deus:
“Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para
corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito,
preparado para toda boa obra” (2Tm. 3,16-17).
3ª Evangelho:
Mt. 22,34-40
Amar a Deus e o
próximo como a si mesmo
Mais uma vez um grupo de fariseus
se reúne para por Jesus à prova lançando-lhe uma pergunta: “Mestre qual é o
maior dos mandamentos da Lei?” (Mt. 22,36). Para nós hoje, essa pergunta não se
apresenta com dificuldade para ser respondida, mas para um judeu fiel e até um
rabino do tempo de Jesus a resposta não era tão fácil. Isso porque os
dirigentes religiosos judaicos (sacerdote, sumo-sacerdotes e anciãos), não só
contemplavam a obediência dos clássicos dez mandamentos, mas deviam estar
atentos a um total de 613 exigências preceituais, sejam positivas (“faça!”) ou
proibitiva (“não faça”!). Em meio a tantos preceitos, acabaram perdendo o
fundamento de tudo. Os líderes do judaísmo haviam multiplicado os mandamentos.
Infelizmente para muitos, como se percebe no caso dos fariseus, a razão de ser
de cada exigência parecia desaparecida. Na sua resposta, Jesus está denunciando
exigências desnecessárias e resgatando a primazia do Amor a Deus, inseparável
do amor ao próximo. Essa primazia de Deus (amor) deveria secundarizar centenas
de exigências preceituais, sobretudo, aquelas relacionadas à esfera religiosa.
A Ele nos empenhamos com as forças num amor que compromete a totalidade da
nossa pessoa: com todo coração (consciência), com a alma (paixão,
sentimentos...) e com toda a razão (inteligência). Jesus propõe a necessidade
de resgate do eixo unificador de tudo, da base fundamental de toda lei e
prescrição: o amor em duas direções a Deus e ao próximo inseparavelmente. Tudo
é dom de Deus, a Ele nós pertecemos, a Ele nos voltamos por inteiro. Mas essa
primazia de Deus não pode ser abstrata, teórica, vazia... Muito mais que
sentimento é convicção de dever fazer o bem ao outro. “Como a si mesmo” é o
parâmetro que Jesus nos coloca. Nas entre linhas, a idéia de Bem está
implícita: ninguém faz mal a si mesmo (em sã consciência!). Amar é bem-quer e o
bem fazer ao outro. O amor a Deus e ao próximo constitui o eixo unificador da
fé e da esperança cristã. Quando Jesus diz que desses dois mandamentos
“dependem a lei e os profetas” significa que esse é o fundamento do conjunto de
todas as leis, prescrições religiosas e civis colecionadas Pentateuco (os cinco
primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Número e Deuteronômio),
atribuídos a Moisés. Ao centro do Pentateuco está o código da Aliança (Ex. 20,23-23,19),
a Lei da Santidade (Lv 17-22) e o Código Deuteronômico (Dt. 12-26). Um conjunto
de exigências que tinham como fundamento o Amor a Deus e ao próximo. Vai dizer
São Paulo que a prática do Amor constitui a plenitude da Lei (cf. Gl. 5,14).
Vale dizer que a lei tem uma função pedagógica de conduzir, orientar,
explicitar exigências... (cf. Gl. 5,24-25), mas quando ela perde o seu
fundamento (promover a Vida) não serve mais para nada. Em vez de promover e
libertar, massacra, humilha, oprime a pessoa. Gera a violência.
Nossa vida
O texto fala por si mesmo com um
conjunto de mensagens muito claras... mas sempre vale a pena pontualizar algo
mais. Jesus nos convida a refletir sobre a inseparabilidade do amor a Deus e ao
próximo: a) É preciso estarmos atentos à hipocrisia religiosa: louvar a Deus,
cantar “Amém! Aleluia! e desprezar os outros, sermos-lhe indiferentes, ou
violentos... b) A inseparabilidade desse amor – em duas direções - nos
conduz a dar um fundamento para a filantropia (fazem o bem aos outros). Quando
a filantropia (amor ao ser humano) é alicerçada na fé, chama-se Caridade. c)
Amor ao próximo depende da compreensão da dignidade humana (valor da pessoa) e
da sua auto-estima: como pode alguém cuidar dos outros se não cuida de si
mesmo? Como é possível alguém ser delicado com os outros se é violento consigo?
Como alguém pode promover os outros se não zela por si mesmo? Como será capaz
de amar os outros, se não se ama, se não se aceita, não se quer bem? Como
alguém poderá lutar pela libertação dos outros se vive preso em si mesmo... no
egoísmo, no vícios, nas manias...?
Antônio
de Assis Ribeiro - SDB (padre Bira)
Amarás o Senhor teu Deus, ao teu
próximo como a ti mesmo
A legislação de Israel estava orientada a mitigar os
efeitos do empobrecimento das grandes massas de camponeses. O exílio, a
dispersão forçada por causa da guerra, a usura... se convertiam em uma ameaça
para a convivência e, sobretudo, contradiziam os fundamentos éticos do povo de
Deus.
O "código da aliança" dava ênfase, não
somente às rubricas litúrgicas ou às orientações religiosas, mas também à
proteção dos setores mais vulneráveis da sociedade: forasteiros, viúvas,
órfãos, diaristas e pobres em geral. Os forasteiros, porque, na maioria dos
casos, eram exilados de guerra que haviam sofrido o exílio forçado e chegavam
às terras de Israel sem outro recurso que o de suas próprias mãos.
A legislação lembra os benefícios do êxodo e a
mudança de situação do povo hebreu que passou da servidão à liberdade. As
viúvas e os órfãos estavam à mercê dos parentes homens, que detinham o
monopólio jurídico da terra.
Os diaristas estavam à mercê dos grandes
proprietários que pagavam a eles quando tinham vontade e não ao concluir um dia
de trabalho, como determinava a Lei. O clamor dessas pessoas se convertia em
uma preocupação do Deus libertador, que não podia deixar impune os opressores,
exploradores e usurários.
Um homem do antigo Israel, como Jesus, se
surpreenderia ao ver que nossa sociedade se baseia na usura. Para ele, os juros
exagerados pagos por uma dívida era uma autêntica vergonha. E mais, se
assustaria ainda ao saber que os grandes usurários governam politicamente os
países e determinam quem vai viver satisfeito ou quantos milhões de pobres vão
morrer de fome.
A usura é, na Bíblia, um delito comparável ao
assassinato. A usura é a maior ameaça para os pobres, que se vêem obrigados a
empenhar até a própria roupa para poder comer. A usura se origina na injusta
percepção dos valores sociais, pois a ambição e o acúmulo se convertem no
objetivo das relações sociais, tirando seu caráter de gratuidade e
solidariedade.
Esta atitude costuma ser igualmente seguida no plano
internacional. Considera-se natural a situação de submissão absoluta imposta no
nível internacional, fruto de leis exclusivamente especulativas. Parece normal
que haja domínio da vida e o trabalho de grandes massas em diferentes países,
mediante a subida e queda, quase inteiramente caprichosa, dos "juros de
mercado" internacionais.
Há alguns anos aconteceu o mesmo com a dívida
externa: países inteiros, falidos com dívidas que equivaliam a muitas vezes o
seu produto nacional bruto anual... isto é, que deviam tudo que podiam produzir
durante vários anos e que de fato deviam a si mesmos.
E tudo isso, provindo de empréstimos oferecidos a
juros baixos, porém flutuantes, dívidas que, uma vez contraídas, foram
internacionalmente elevadas em até 18%, quando ao longo da historia as taxas
não haviam alcançado mais que 6%. Nos empréstimos pessoais normalmente os juros
cobrados são uma verdadeira exploração. Sabe-se onde começa a usura no plano
internacional? Não estamos vivendo uma situação de usura internacional?
Costumamos pensar que o mundo civilizado e moderno é
muito diferente daquele mundo de massas pobres e de escravos que não eram donos
de si mesmos, porém a diferença não é tão grande assim: as grandes estruturas
de injustiça são agora muito mais complexas, sofisticas e massivas.
Paulo interpreta a passagem de uma mentalidade
legalista e opressora para uma mentalidade criativa e libertadora, como uma
mudança da idolatria ao culto ao Deus verdadeiro, ao Deus da vida. Enquanto os
operários eram prisioneiros dos intermináveis preceitos da lei escrita e oral,
os assim chamados pagãos, eram escravos da incessante maré de modas de pensamento
e de religiões que os impedia de descobrir-se a si mesmos como escravos da
idolatria do império. Paulo propõe aos gentios, não uma religião a mais, mas um
novo estilo de vida onde o discernimento, a gratuidade e a consciência de ser
livre constituía o fundamento da relação com Deus e com o próximo.
O Evangelho aponta, precisamente, na mesma direção ao
mostrar que para Jesus o fundamento da relação com Deus e o próximo é o amor
solidário. Jesus sintetiza o decálogo e quase toda a legislação no amor fraternal
e recíproco. Os juristas gostavam de provocar Jesus para saber dos seus
conhecimentos sobre a Lei. Para eles o mandamento mais importante era a
observância do sábado.
Esse dia devia ser dedicado por completo ao repouso e
para escutar a leitura da Escritura. Com o tempo, a observância do dia de
sábado foi convertido em uma carga que, a duras penas, era suportada pelos
pobres. O sábado havia deixado de ser dia de festa do Senhor e se havia
convertido em um dia lúgubre, cheio de prescrições ridículas, que impediam as
pessoas de moverem-se, cozinhar e, inclusive, de auxiliar o necessitado.
Quando os juristas perguntam a Jesus pela lei mais
importante, esperam que ele cometa o erra de se pronunciar contra a Lei. Jesus
se adianta e os faz ver que na Lei o mais importante é o amor a Deus e o amor
ao próximo. O amor é o espírito mesmo da legislação divina.
Ao colocar estes dois mandamentos como o eixo de toda
a Escritura, Jesus coloca em primeiro lugar a atitude filial com relação a Deus
e a solidariedade entre as pessoas como os fundamentos de toda a vida
religiosa. Inclusive, a interpretação adequada das Escrituras (a Lei e os
profetas) depende de que sejam compreendidos e assumidos estes dois imperativos
éticos.
Nós vivemos hoje em uma sociedade que tem muito mais
normas que o povo judeu, inclusive nossas igrejas possuem extensas legislações.
Vivemos também em um mundo com muito mais milhões de pobres e oprimidos do que
podiam prever os profetas.
A palavra de Jesus que hoje lembramos e atualizamos
em nossa celebração é um convite a sacudir nossa passividade, a recuperar a
indignação ética diante da situação intolerável deste mundo chamado moderno e
civilizado e a voltar ao essencial do evangelho, ao mandamento principal, aos
dois amores.
Portal Claret
O evangelho de hoje é bem “curtinho”. Tem poucas
palavras, mas tem também uma das mais claras e diretas mensagens. Manda viver o
amor. É o resumo de tudo que precisamos saber e viver. Fala do amor a Deus e do
amor ao próximo.
Jesus diz que amar a Deus de todo coração, de toda
alma e de todo entendimento é o primeiro e maior mandamento. Diz também que
amar ao próximo como a nós mesmos é semelhante ao primeiro. Com essas palavras
Jesus disse que, amar ao próximo é tão importante quanto amar a Deus.
Essas palavras deixam claro que, não existe separação
entre o amor a Deus e ao nosso semelhante. Reafirmam a verdade destas outras
palavras: “Ninguém pode dizer que ama a Deus, que não vê, se não ama ao irmão
que está ao seu lado”.
Foi bom tocar nesse assunto, deve servir para
esclarecer algumas dúvidas: afinal de contas, quem é esse irmão? Acho que não é
para mim esse recado, pois sou filho único e nem irmão eu tenho! Como posso
reconhecer e amar alguém que nem sequer conheço? Onde estará esse desconhecido,
onde estarão esses irmãos?
Boa pergunta. Estão aqui, bem pertinho, bem ao nosso
lado! Quantas irmãs, quantos irmãos de todas as idades. São velhos, jovens e
crianças. Estão por ai aos milhares, abandonados e maltrapilhos. Doentes, sem
emprego, sem terra e sem nada. Dependem de mim, dependem de você... precisam de
amor.
Realmente esse recado é direto para todos nós. Jesus
pede a aproximação porque sabe que quando nos aproximarmos desses
marginalizados e olharmos em seus olhos, veremos neles a nossa imagem refletida.
Isso prova que não são desconhecidos; nós estamos neles e eles, também deveriam
estar aqui dentro de nós, refletidos em nossos olhos.
Este evangelho me lembra de um lindo poema, mais ou
menos, assim: “Procurei a Deus, em todos os cantos e não o encontrei. Busquei a
mim mesmo, em todas as partes e não me achei. Procurei então o meu próximo e,
nele encontrei os três”. Sem dúvida, no amor fraterno encontramos a Deus e nos
reencontramos.
Amar o próximo não é uma coisa tão simples e fácil.
Às vezes relutamos em dar amor e, outras vezes temos a impressão que o próximo
não quer ser amado; é respondão, malcriado e nada amável. O verdadeiro amor
tudo supera e não se deixa abater. Amar não é coisa superficial, amar exige
compreensão e gestos concretos.
É preciso deixar o discurso de lado e sair a campo.
Sempre há algo que se pode fazer. Prova de amor é lutar contra as injustiças
sociais, contra o desemprego e o abandono. Amar de verdade é assumir o
compromisso batismal, é levar aos povos a Boa Nova. Amar é acreditar e tornar
vivas estas palavras: “Só podemos amar a Deus através do amor ao próximo”.
Jorge Lorente
O maior dos mandamentos
Os fariseus, ouvindo que ele fechara a boca dos
saduceus, reuniram-se em grupo e um deles – a fim de pô-lo à prova – perguntou-lhe:
“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?”. Ele respondeu: “Amarás ao Senhor
teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu
entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a
esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem
toda a lei e os profetas”.
A anotação que São Mateus faz segundo a qual os
fariseus criam coragem para interrogar a Jesus, depois que haviam ouvido que
“Ele fechara a boca dos saduceus” (v. 34) e que fazem isso para “pô-lo à
prova”, nos leva imediatamente a uma atmosfera de polêmica, que reinava entre
os vários grupos, mas ao mesmo tempo fica claro que Jesus é reconhecido como
mestre, expoente de uma escola diferente, mas fundamentada na interpretação da
Torá, como as outras.
A pergunta é sobre o maior mandamento. Em sua
resposta, Jesus se atém estritamente ao âmbito da Torá e liga dois mandamentos
que aí constam. Jesus não se limita a citar os dois mandamentos, mas
acrescenta: “Desses dois mandamentos dependem a lei e os profetas” (v. 40).
Toda a Torá, com seus relatos, seus preceitos, suas explicações, exortações,
aplicações para as várias épocas, feitas pelos profetas, não são outra coisa
senão modos de ensinar a pôr em prática esses dois mandamentos.
Os dois preceitos são o coração da Torá, mas para
entendê-los e, sobretudo, para pô-los em prática, é preciso ter paciência para
lê-los através de toda a Torá e os profetas, pois do contrário se tornam
piedosas exortações e bons sentimentos.
É importante a anotação que Jesus faz: o segundo
mandamento é semelhante ao primeiro. De fato, devemos amar ao próximo não
somente porque é um ser humano, como nós, mas porque, como nós, foi criado “à
imagem e semelhança de Deus” (Gn. 1,27). Se fizermos violência contra o nosso
próximo, não somente não respeitaremos a imagem de Deus, que está nele, mas
matamos, por assim dizer, essa mesma imagem que está em nós.
o milite
O mandamento maior
Ao se falar em "mandamentos" - e esse tema
aparece no evangelho deste trigésimo domingo do tempo comum - o que de mais
espontâneo nos ocorre ao espírito é o "decálogo", isto é, os dez
mandamentos que Deus proclamou por meio de Moisés no alto do Sinai, gravando-os
em duas tábuas de pedra.
Esses dez mandamentos não podem ser entendidos como
se fossem uma lista arbitrária de prescrições que Deus estabeleceu e que
poderiam ser substituídas por outras igualmente arbitrárias.
Elas são a expressão de valores que o próprio Deus
Criador gravou na consciência da humanidade e que exprime essencialmente qual
deve ser o comportamento do homem em face do bem e do mal. No Sinai, Deus
marcou para a reta formação do povo de Israel e, por meio dele, para o mundo
inteiro, de modo altamente pedagógico, as linhas de orientação de nosso
comportamento ético. São dez fórmulas lapidares - como não pensar nos dez dedos
da mão? - que sintetizam todos os caminhos por onde deve caminhar o gênero humano,
para cumprir a vontade sábia e santa de Deus, seu Senhor, que assim começa a
sua proclamação: "Eu sou Javé, teu Deus, que te tirei da terra do Egito,
da casa da escravidão" (Ex. 20,2).
Porém a lei de Deus se desdobra depois em centenas de
outros mandamentos, que se foram acrescentando, para regular de maneira clara o
modo de viver do povo. É só examinarmos, por exemplo, os livros do levítico e
do Deuteronômio. No tempo de Cristo, embora a lista não se julgasse ainda
encerrada, enumeravam-se seiscentos e treze mandamentos, divididos em dois
grupos: duzentos e quarenta e oito mandamentos positivos, correspondentes ao
número dos ossos do esqueleto humano; trezentos e
sessenta e cinco mandamentos negativos, que igualavam
o número dos dias do ano. E se faziam listas e classificações e muito se
discutia a respeito deles, sobre sua maior ou menor obrigatoriedade. E as
várias escolas rabínicas se dividiam entre si, indicando este ou aquele dos
mandamentos como o mais importante: se a guarda do sábado, se a obediência aos
pais, se o respeito ao nome de Deus.
Quiseram saber também a opinião de Jesus. E lhe
perguntaram: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei" (Mt. 22,36)?
Jesus deu a grande resposta: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu
coração, com toda a tua alma, com todo o teu espírito". Jesus está citando
as primeiras palavras do "Shemá" -"ouve, Israel" - que era
a oração que todo israelita devia rezar duas vezes por dia. Estava colocando
assim o amor de Deus em seu lugar primeiro e absoluto. E continuou: "Este
é o maior e o primeiro mandamento". Porém, acrescentou ainda, para
perpétua orientação do povo de Deus: "O segundo, semelhante a esse, é:
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo". E arrematou: "Desses
dois mandamentos decorre toda a Lei e os profetas" (Ibid. , v v 37 - 40).
0 amor ao próximo é da essência do Evangelho. E vai
cintilar na sua formulação mais completa no discurso da Última Ceia: "Eu
vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros, como eu vos
amei" (Jo. 13,34 ). Poder-se-ia dizer que amar a Deus é evidentemente o
maior mandamento. Nenhum judeu nem nenhum cristão poderia duvidar disso. Porém
a força do preceito do amor ao próximo é menos
evidente. São João irá esmerar-se em suas cartas em
inculcar o dever desse amor. Veja-se, por exemplo, esta afirmação: "Se nos
amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós" (1Jo. 4,12). E esta outra:
"Se alguém disser 'amo a Deus', mas odeia o seu irmão, é um mentiroso;
pois quem não ama a seu irmão a quem vê, a Deus que não vê não poderá
amar". E, como que fazendo eco à palavra de Jesus, quando lhe perguntaram
qual era o maior mandamento: "E este mandamento dele recebemos: aquele que
ama a Deus, ame também o seu irmão" (Ibid., 20 e 21).
E, para a aplicação prática desse preceito do amor,
nada melhor do que lembrar de São Paulo, falando aos coríntios: "A
caridade é paciente, é prestativa, não é invejosa. ..não guarda rancor, não se
alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta" (1Cor. 13, 4-7).
padre Lucas de Paula
Almeida, CM
O maior de todos os mandamentos
“A vida do cristão se define
pelo amor a Deus e ao próximo”.
Deus nos criou para participarmos de sua felicidade.
Ele é o Sumo Bem. Aproximamo-nos de Deus a partir da prática do Bem. Esta
prática nos define exatamente o que é o amor: saída de nós mesmos para a
comunicação e construção do outro. Não seremos felizes se nos afastarmos do
Criador. Se Deus é amor, seremos felizes se vivermos o amor, pois através dele
nos identificamos com o nosso Criador. Infelizmente, percebemos que o ser
humano pensa em ser autor de sua própria realização deixando de lado a fonte da
vida. Fora de nossa origem não seremos felizes. O individualismo do mundo que
vivemos nos arrasta a buscarmos vitórias sem nos importarmos com a vida dos
irmãos. Tudo que temos pertence a Deus e só nele encontraremos respostas para
nossas interrogações mais profundas.
Quando refletimos sobre a essência de qualquer coisa,
buscamos encontrar o sentido de sua existência. Muitos objetos foram criados
pelo homem através da história para suprir alguma necessidade fundamental. O
questionamento feito pelo homem sábio desta passagem do evangelho nos mostra o
porquê existimos. A resposta forte e decidida de Jesus nos indica que estamos neste
mundo para amarmos e servirmos a Deus e a nossos irmãos.
Vivemos continuamente em um processo de amorização.
Se estivermos amando estamos mais próximos do objetivo de nossa existência. Se
estivermos cheios de egoísmo e nos afastamos do processo de amorização, estamos
nos deteriorando. Vivemos como cadáveres ambulantes, só servindo as nossas
paixões.
Todo cristão, ao ser batizado, procura levar em sua
vida os valores de Cristo que se encerram na prática efetiva do amor. O nosso
relacionamento com Deus deve transbordar para o relacionamento com o próximo.
Hoje percebemos o caminho inverso. Muitas pessoas pensam em ser felizes numa
realização egoísta sem perceber que no fundo fomos todos criados para um
profundo relacionamento interpessoal. Estamos em uma grande crise de afeto onde
as pessoas não conseguem se sentirem amadas e se tornam incompetentes em amar
os semelhantes.
Muitas vezes em nossa vida escutamos e refletimos
sobre o mandamento do amor. O que significa amar a Deus sobre todas as coisas?
Nós seres humanos temos um centro afetivo onde colocamos uma “hierarquia de
valores” que vamos assumindo durante nossa existência. Se desviarmos este
centro afetivo para as coisas materiais, que na realidade são instrumentos para
se alcançar o verdadeiro relacionamento com Deus; nos perdemos em busca de algo
superficial que jamais irá preencher o nosso vazio interior.
Toda criatura humana nasce com uma profunda “fome” do
Eterno. No fundo de seu ser quer se relacionar com o Criador. Esta fome pode
ser facilmente desviada para coisas mais imediatas. Para bens que não levam à
comunicação com Deus. Pode acontecer também que o homem queira “inventar”
relacionamentos com o sobrenatural que não lhe levam a nada. Hoje há um falso
misticismo que é como se fosse um pequeno curativo para uma imensa ferida.
Muitos cristãos se afastam da Eucaristia que é fonte de paz e alegria para se
apegar as modas espirituais da modernidade. Um católico que muda de religião
põe em risco a sua salvação, pois nega a Jesus Cristo como um todo.
O pecado fez que o homem se afastasse de Deus,
fugisse de sua face. Quando o homem pensou que poderia fazer tudo sem o
Criador, se perdeu redondamente transmitindo a imperfeição para as gerações
futuras. Infelizmente não falamos mais em pecado porque ele normalmente faz
parte de nossa vida. Procuramos encontrar várias soluções para melhorar a vida
do homem sobre a terra e nos esquecemos facilmente do fundamental.
A consequência deste primeiro mandamento é a
concretização do amor dentro da comunidade. Não podemos amar a Deus se não nos
amamos e amamos o próximo que é esta pessoa que está mais perto de nós em nossa
vida.
Os dois elementos se complementam na verdadeira
realização do homem. Não somos Criadores, mas participamos da criação. Somos
protagonistas de um mundo mais fraterno e justo onde todas as pessoas tenham
condições de sobrevivência. Ainda temos muitos seres humanos com fome em um
mundo onde existe alta tecnologia.
“Aumentai Senhor Jesus a nossa
sensibilidade para percebermos claramente o sentido de nossa vida.”
padre Giribone -
OMIVICAPE
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