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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

1º DOMINGO DO ADVENTO-B

1º DOMINGO DO ADVENTO

Ano B3 de Dezembro de 2017
Cor: Roxo


Evangelho - Mc 13,33-37

 
 
O Evangelho de hoje num discurso escatológico, (de final dos tempos),  nos orienta a respeito do nosso comportamento adequado, diante das dificuldades dessa vida, na espera pelo Salvador o qual virá em tempo inesperado.  Continuar lendo
 

-VIGIAI, POIS NÃO SABEIS O DIA NEM A HORA-José Salviano




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ESTEJAMOS O TEMPO TODO VIGILANTES! – Olivia Coutinho 1º DOMINGO DO ADVENTO Dia 03 de Dezembro de 2017 Evangelho de Mc13,33-37 Iniciamos hoje o tempo do advento, um tempo de profunda espiritualidade que deve ser marcado pelo o nosso desejo de conversão, algo fundamental, para que possamos  viver o verdadeiro sentido do Natal. Afinal, sem um retorno de todo o nosso ser, a Jesus, não tem como vivermos as alegrias do Santo Natal!O tempo do advento não se limita na preparação para o Natal, pois enquanto nos preparando para esta grande festa, estamos simultaneamente,  nos preparando para a segunda vinda de Jesus, o que pode acontecer a qualquer momento.A liturgia deste tempo, nos insere em toda a história da salvação, levando-nos a reviver a mesma expectativa da vinda do Messias, vivenciada  pelo o povo, no início da história, com uma única diferença: o Messias  já veio, Ele já está entre nós!Neste tempo de espera, de nascimento e de  renascimento, o nosso coração se rejubila, torna maleável, aberto para acolher Jesus que já está no meio de nós, mas que às vezes, não nos damos conta desta grande riqueza! Jesus vem reacender em nossos corações, a chama da esperança, uma esperança que transcende as nossas necessidades materiais, porque inclui uma visão de mundo, onde ainda é possível haver justiça, paz e amor, valores sobre os quais devemos assentar a nossa vida.No evangelho que a liturgia deste primeiro Domingo do advento nos convida a refletir, Jesus exorta os discípulos e hoje a nós, sobre a importância de uma constante vigilância!O texto vem nos acordar para algo que muitos de nós não gostamos de lembrar: a transitoriedade da vida terrena, a vida que passa!  As palavras de Jesus nos alertam, sobre a importância de estarmos o tempo todo atentos, vigilantes, o que não significa ficarmos tristes, esperando pelo o nosso fim. A nossa preparação, para o encontro com o Senhor, deve movimentada no espírito de alegria, afinal, não caminhamos para o  fim, e sim, para o começo de uma nova vida!A mensagem do evangelho que chega até a nós, no dia de hoje, não é ameaçadora, pelo contrário, é confortadora, é um alerta que Jesus nos faz, para que possamos aproveitar bem o espaço sagrado que Deus nos concede, que é o nosso tempo presente, para construirmos a nossa morada no céu! Ainda há tempo, não desperdicemos esta graça de Deus!Estar vigilantes é acolher a graça de Deus, é estar fazendo o bem,  atento às necessidades dos nossos  irmãos, é estar  a serviço da vida!Quem tem o coração aberto para acolher Jesus na pessoa do irmão, faz da sua vida um constante Natal, e assim sendo, já está  preparado para o encontro com o Senhor. FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia CoutinhoVenha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook:https://www.facebook.com/groups/552336931551388/  



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A argila nas mãos do oleiroEstamos iniciando novo ano litúrgico, entrando no Advento, tempo de renovar as esperanças, na expectativa da vinda de Jesus. “Vigiai!” é a advertência do próprio Jesus a seus discípulos. Todo momento é propício para acolher o Salvador. Que ninguém seja surpreendido (Evangelho). O amor de Deus se manifestou na história do povo de Israel e, de forma plena, por meio de Jesus Cristo. Séculos antes do nascimento de Jesus, o povo dirigia-se a Deus como Pai e Redentor. Mesmo com as infidelidades dos seus filhos, o Pai permanece fiel à aliança de amor. Ele perdoa e protege os pecadores arrependidos; está próximo de quem pratica a justiça e age em favor de quem espera nele. Deus Pai nos educa e nos transforma: nós somos a argila, e ele é o oleiro (1ª leitura). Sua graça foi derramada abundantemente sobre todos nós por meio do seu Filho, Jesus. Paulo constata o efeito dessa graça no comportamento dos cristãos de Corinto. Também a nós, hoje, Deus concede todos os dons para sermos irrepreensíveis na esperança da plena revelação de Cristo (2ª leitura). Conduzidos pelo espírito da palavra de Deus contida nas leituras deste domingo, preparamo-nos de modo digno para o Natal, voltando ao caminho do amor e da fidelidade a Deus e ao próximo.
Evangelho (Mc. 13,33-37)
Vigiai, vigiai, vigiai!
Nos últimos domingos, os textos do evangelho enfatizaram o tema da vigilância. Mergulhados no clima das primeiras comunidades cristãs, os evangelistas orientam para o modo digno de viver na expectativa da segunda vinda de Jesus. Também hoje, o Evangelho de Marcos insiste na atitude de vigilância. É tema oportuno para o início de novo ano litúrgico e entrada no tempo do Advento.
O acontecimento histórico que está por trás das reflexões contidas no capítulo 13 de Marcos é a destruição do Templo e da cidade de Jerusalém pelo exército romano, no ano 70. Foi enorme o impacto dessa catástrofe que arrasou os símbolos maiores da fé judaica, provocou a morte de muita gente e forçou a fuga de quem conseguiu se salvar. Muita gente do povo foi pega de surpresa.
A comunidade de Marcos extrai desse acontecimento, à luz da fé em Jesus Cristo, importantes lições que orientam o modo de viver dos cristãos. Trata-se de uma exortação para a vigilância. Por três vezes, nesse pequeno texto, aparece o imperativo: “vigiai!”
Como em vários outros momentos, o evangelista faz uso da parábola (recurso que Jesus deve ter usado frequentemente) para despertar a atenção e levar à reflexão e a conclusões pessoais. Os “servos” e o “porteiro” são os membros da comunidade, convocados a não “adormecer” (seduzidos pelas propostas de um mundo afastado de Deus) nem desanimar diante das perseguições e de todos os tipos de dificuldades. Uma dessas dificuldades, evidentes no Evangelho de Marcos, é a disputa interna pelo poder, como podemos constatar nos três anúncios da Paixão (8,31-38; 9,30-37; 10,32-45). Jesus insiste na prática do serviço: “Aquele que dentre vós quiser ser grande seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós seja o servo de todos” (10,43-44). Quem leva a sério essas palavras de Jesus é “servo vigilante”. Não precisa temer a hora em que voltará o Senhor...
A parábola termina com a frase: “O que eu vos digo, digo a todos: vigiai”. Portanto, a exortação de Jesus é, em primeiro lugar, para os discípulos que se encontram ao seu redor e a todos os que viriam depois deles. Hoje é dirigida a todos nós que temos a graça de ouvi-la e praticá-la.
1ª leitura (Is. 63,16b-17.19b; 64,2b-7)
Deus é nosso Pai e nosso Redentor
Esse texto do Terceiro Isaías consiste numa súplica dirigida a Deus, na qual o povo confessa os seus pecados e reconhece a soberania divina conforme foi revelada na história de Israel. A situação que transparece é de desolação nacional. Somente a intervenção de Deus poderá salvá-lo. Não seria a primeira vez: em muitos outros momentos de desgraça, Deus ouviu o clamor do seu povo. Nesse sentido, a memória histórica funciona como importante elemento de animação da esperança.
A época da redação do Terceiro Isaías é em torno do ano 420 a.C. A comunidade judaica pós-exílica está organizada sob o domínio dos persas. O Templo está reconstruído e o sistema sacerdotal de pureza está imposto. Boa parte da população sofre as consequências da exploração econômica e é excluída do Templo por ser considerada impura.
O texto que hoje meditamos reflete a perplexidade desse povo socialmente pobre e religiosamente excluído. A esperança está em Deus. Ele é Pai e Redentor. O termo hebraico go’el (redentor) faz parte da tradição histórica de Israel: é aquele que resgata a dívida dos pobres. Se o sistema religioso oficial rejeita os “impuros”, Deus os acolhe, perdoa e redime. O texto reivindica o governo direto de Deus, transcendendo as mediações humanas. Os justos não são os que seguem o legalismo do Templo, e sim os que depositam a confiança em Deus. O Deus de Israel sempre agiu a favor dos que esperam nele. “Tu te achegaste àquele que, cheio de alegria, pratica a justiça; aos que, seguindo pelos teus caminhos, se lembram de ti” (Is 64,4a).
A experiência do povo, porém, naquele momento, é marcada pela sensação de estar abandonado pelo próprio Deus. Ainda assim, o povo não abdica da confiança. A súplica transforma-se em arrependimento pelas transgressões, com firme propósito de emendar-se e deixar-se moldar por Deus Pai: “Tu és nosso Pai, nós somos a argila; e tu és o nosso oleiro, todos nós somos obras de tuas mãos” (64,7). Essa bela confissão pode muito bem tornar-se, para cada um de nós, um caminho de espiritualidade neste tempo de Advento e na caminhada ao encontro definitivo com Deus.
2ª leitura (1Cor. 1,3-9)
Deus nos chama à comunhão
Paulo manifesta sua alegria diante do testemunho cristão revelado pela comunidade de Corinto. Ao longo da carta, ele oferecerá diversas orientações para o crescimento ainda maior dos participantes daquela igreja. Já na introdução, expressa uma ação de graças a Deus e incentiva os cristãos à fidelidade ao Senhor Jesus Cristo. A comunidade de Corinto era formada, em sua maioria, por gente que não era sábia segundo a lógica do mundo, não era poderosa e não tinha prestígio social. Em outras palavras, eram pessoas consideradas sem valor (cf. 1Cor. 1,26-27). Então, quais são os motivos da ação de graças?
Os motivos que Paulo enumera são vários: ele diz que a comunidade acolheu “a graça de Deus dada através de Jesus Cristo”; também diz que Jesus cumulou a comunidade “de todas as riquezas: da palavra e do conhecimento”; alegra-se ainda porque “o testemunho de Cristo tornou-se firme a tal ponto que não falta nenhum dom”. É também uma comunidade que está vigilante, à espera da “revelação de nosso Senhor Jesus Cristo”.
São motivos de exultação para Paulo, pois foi ele que primeiramente anunciou o evangelho em Corinto, ao redor do ano 50. Estabeleceu-se por lá, na casa de Priscila e Áquila, durante um ano e meio. Fez questão de trabalhar para não depender da ajuda alheia. Aprendeu a renunciar ao egoísmo farisaico para seguir a Jesus Cristo crucificado, unindo-se aos “crucificados” da sociedade. Organizou a comunidade cristã... Agora, Paulo, cinco anos depois, encontra-se em Éfeso e recebe a notícia de que a comunidade continua viva e atuante.
Então, Paulo, como bom evangelizador, não perde a oportunidade de animar os seus filhos espirituais, dizendo que Cristo os “fortalecerá até o fim, para que sejam irrepreensíveis”. E lembra-lhes qual vocação receberam de Deus: a comunhão com Jesus. A “comum-união” é o que caracteriza as famílias e as comunidades cristãs. É o jeito de ser das pessoas que seguem a Jesus. A fé e a unidade andam juntas.
Pistas para reflexão
- Somos servos vigilantes? Jesus sabe que enfrentamos dificuldades de toda espécie no caminho da santidade. Vivemos pressionados por muitas propostas atraentes e enganosas. Não podemos “dormir” como quem se deixa levar pelo espírito de alienação, de indiferença e de acomodação. O evangelho que ouvimos insiste na atitude da vigilância. O servo vigilante é aquele que vence o egoísmo pela prática do amor-serviço. O tempo de Advento é propício para avaliar as nossas atitudes cotidianas: somos servidores “vigilantes” ou somos egoístas “dorminhocos”?
- Somos argila nas mãos do Oleiro? Temos a oportunidade de participar deste tempo de graça que é o Advento. Não podemos desperdiçá-lo com distrações que nos desviam do essencial, que é acolher Jesus Cristo de forma digna. O texto de Isaías nos lembra que Deus é nosso Pai querido: ele nos criou e nos educa. Quando erramos e nos arrependemos, ele nos perdoa. Ele é o Redentor (Go’el) que assume as nossas dívidas e nos oferece nova oportunidade para sermos pessoas verdadeiramente livres. Sejamos como a argila nas mãos do oleiro: Deus nos corrige, nos molda, nos transforma e nos realiza plenamente. O que está impedindo a ação do divino Oleiro em nossa vida? Quando e como estamos manifestando resistência à sua graça?
- Vivemos em comunhão? São Paulo alegrou--se profundamente com o testemunho cristão da comunidade de Corinto. Chamou a atenção para o chamado que Deus nos faz para viver e promover a “comum-união”. Certamente conhecemos as conseqüências de uma comunidade desunida e também os ótimos frutos produzidos por uma comunidade unida... A preparação para o Natal não pode ser apenas pessoal, mas também familiar e comunitária: como estamos vivendo a comunhão com Deus e entre nós?
Celso Loraschi


Abrindo as cortinas do adventoPrimeiro domingo de um tempo novo! Somos convidados a recomeçar a grande meditação e contemplação do mistério de Cristo que vão se desenrolando diante de nós na liturgia de nossa Igreja. Advento, vinda, vinda do Senhor em cada dia de nossa vida, em cada encruzilhada de nossa existência. Advento que pretende, de alguma forma, refazer os passos de Israel na busca de Deus e na esperança de seu reino. Advento que coloca diante de nós os preâmbulos do que atualizaremos na liturgia do natal e da epifania. Somos convidados a alimentar em nós sentimentos de espera e de esperança. É o tempo oportuno e o tempo da visita do alto.
• Isaías, na primeira leitura, fala ao Senhor em forma de oração e assim quer que nós façamos nossas suas súplicas.Andamos por caminhos  tortuosos. Andamos errando pelas estradas. Fomos errantes. “Ah! Se rompesses os  céus e  descesses!”. Há esse pedido da vinda generosa do Senhor no tecido da vida dos homens. O homem da Bíblia pensa apressar a vinda do Senhor através da confissão solene de sua infidelidade: “Todos nós nos tornamos imundície e todas as nossas boas obras são como um pano sujo; murchamos todos como folhas; e nossas maldades empurram-nos como o vento”. O tempo do advento é ocasião de pedir, de verdade, que as nuvens chovam o Justo.
• Escrevendo aos coríntios, Paulo afirma: “Não tendes falta de nenhum dom, vós que aguardais a revelação do Senhor nosso, Jesus Cristo. É ele também que vos dará perseverança em vosso procedimento irrepreensível até o fim, até o dia de nosso Senhor Jesus Cristo”.
Entramos nas terras do advento. Uma das dimensões desse termo é a chegada final do Cristo Senhor, a sua segunda vinda. Não nos fixamos apenas na lembrança das coisas que ocorreram Belém e Nazaré. Aquela vinda não se repete. É comemorada da liturgia de 25 de dezembro. Paulo pensa aqui no definitivo e pleno advento de Cristo em nossas vidas no fim de todas as coisas.
• O evangelho de Marcos hoje proclamado é o da vigilância. Uma das posturas fundamentais do cristão é a de ter sempre acesa a vela da vida para acolher o Senhor que chega. Não se pode dormir como dormiram as moças que, na hora da chegada do esposo, não estavam preparadas e nem tinham óleo em suas lamparinas. Marcos insiste no fato de que as chegadas e visitas do Senhor são parecidas com as investidas de um ladrão que pode chegar a qualquer momento. Há a manhã de nossas existências, a idade da juventude ou do meio dia e também o entardecer e a chegada da noite. O Senhor pode irromper em todas as estações de nossa vida e da Igreja.
frei Almir Ribeiro Guimarães


Ir ao encontro do Senhor que vemO Advento mostra um certo clímax. No 1º domingo, sugere-se uma atitude de preparação geral para o encontro final com o Senhor. Nos domingos seguintes, a preparação se torna sempre mais concreta: a conversão, a consciência de que ele está no meio de nós, e, finalmente, o “sim” do homem, pronunciado por Maria, para que sua presença se realize como cumprimento das promessas.
O 1º domingo transborda de confiança. A vinda do Senhor não é, para o cristão, uma razão de medo e terror, mas de alegre esperança. O desejo da vinda do Senhor expressa-se de maneira apaixonada na 1ª leitura: “Se rasgásseis os céus”: com estas palavras, o profeta desafia Deus para vir em socorro de seu povo humilhado, a terra de Judá, desarticulada nos anos imediatamente posteriores ao exílio e esperando a restauração nacional. Chega de castigo. Sabemos que somos fracos, como um vaso de barro; mas será isso uma razão para o oleiro desprezar a sua obra?
O encontro definitivo com Deus, o “dia”, significa, para o cristão, a plena manifestação daquilo que Cristo iniciou e, depois de sua elevação na glória, confirmou nos seus fiéis. Quando Paulo contempla os seus fiéis de Corinto, ele tem que dar graças por tudo isso, proclamando a fidelidade de Deus à obra iniciada. E faz votos de que eles sejam “irrepreensíveis”. Mas essa expectativa do encontro definitivo, muito viva entre os primeiros cristãos, não é um entusiasmo cego. Cristo veio inaugurar a presença do Reino de Deus, e seus discípulos, iluminados pelo Espírito de Pentecostes, entenderam que, depois de sua elevação na glória, ficava para eles a missão de continuar o que ele fundara. Ele é como o dono de uma empresa, que viajou ao exterior, deixando a seus funcionários o cuidado da empresa (“e ao porteiro a ordem de vigiar”, acrescenta o texto de Mc. 13,34 aludindo, provavelmente, à responsabilidade dos que detêm o “poder das chaves”).
Enquanto o Senhor está fora, nós somos os responsáveis do Reino. Cristo veio, a primeira vez, para nos revelar o sentido verdadeiro do esperado Reino de Deus: revelou que “a causa de Deus é a causa do homem”, e onde se realiza o amor que Deus tem pelo ser humano, aí também está presente o Reino (evangelho). Agora, na ausência de Cristo, podemos inverter a relação: nós devemos assumir como nossa a causa de Deus (que não deixa de ser a causa do homem). Isto é a “vigilância escatológica”: estarmos ocupados, diligentemente, com o Reino que Cristo mostrou presente, enquanto vivemos preparando-nos para o encontro com ele.
Assim, notamos também a diferença entre a esperança do A.T. e a plenitude do Reino na perspectiva do N.T. A 1ª leitura descreve ainda a esperança de uma intervenção de Deus para, de maneira sensacional - rasgando os céus -, resolver os problemas de seu povo. No N.T., a vinda de Cristo, como “lugar-tenente” de Deus, no fim dos tempos, não tem em vista assumir as nossas funções (isto já o fez da primeira vez), mas sim, encontrar-nos ocupados com seu Reino.
Portanto, se a existência cristã é marcada fundamentalmente pela perspectiva escatológica, esta não significa que podemos cruzar os braços esperando que Deus venha resolver nossos problemas, no seu Dia. Significa, antes, o contrário. Significa que nós nos devemos empenhar em realizar aqui o que ele veio fundar. A parte de Deus, no “empreendimento escatológico”, já está garantida, Cabe a nós agora executar a nossa. E o encontro definitivo com Deus, que é a luz decisiva de nossa existência, ratificará a execução daquilo que nos foi confiado. Ora, não sabemos quando será esse encontro definitivo, nem sabemos por quanto tempo Deus nos confiou sua empresa. A única maneira para que possamos entregar-lhe um relatório que corresponda àquilo que ele espera é: nunca faltar no serviço. Viver cada dia de nossa existência como se fosse o último. A vinda do Senhor é hoje!
Assim, este primeiro domingo do Advento e do ano litúrgico nos coloca na presença permanente de Deus como sentido último de nossa existência e atuação em cada momento. Ora, como esta presença é uma alegria, o momento presente do cristão deve ser marcado pela alegria da presença do Senhor que encontra seu servo empenhado em sua causa.
A oração final da presente liturgia o diz muito bem: “amar desde agora as coisas do céu e, caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”. Quem não observa todo o espírito do Evangelho poderia ler isto num sentido alienante: evitar as coisas deste mundo para só pensar no céu. Porém, as coisas que não passam encontram-se já aqui, na terra! Devemos amar o céu que já está aqui, na causa do Reino que Cristo nos confiou, a causa de seu incansável amor para todos, a começar pelo último.
Johan Konings "Liturgia dominical"



VigilânciaNaquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando.vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”
Explicação do Evangelho Jesus se compara a alguém que viajou e que pode chegar a qualquer instante de volta à casa. E ensina que, quem espera por Ele, precisa estar atento e vigilante e, o termo ‘vigiar’ para o cristão significa ser ‘ação e presença de Deus’ no meio das pessoas.
As Palavras de Jesus são como uma ordem que precisa e deve ser obedecida, portanto, a obediência caminha junto com a vigilância, na certeza de que Ele voltará. E Ele deixa claro isto aos apóstolos.
Nesta espera vigilante, é importante ter o coração voltado para a oração, para a fé, para a caridade e para a resistência ao mal, lembrando que foi pela oração que Jesus venceu aquele que O tentou desde o início e no último combate de Sua agonia.
O cristão que vive comprometido com a Palavra de Deus, à espera do seu Senhor ou na presença Dele que sempre age em sua vida, deve assumir suas responsabilidades e deveres, com a missão que Jesus lhe confiou até a sua volta, e com a certeza de que o Espírito Santo procura mantê-lo sempre alerta para essa vigilância.
O tempo do cristão é o tempo da espera de Deus, que precisa ser vivido com disponibilidade, confiança e esperança. Se não se preparar continuamente e não estiver pronto a cada instante, dificilmente reconhecerá e receberá Jesus a cada dia.
Sabe-se, pela fé, que Deus está de tal modo ligado ao homem que, onde quer que ele esteja, lá está o próprio Deus presente. É preciso romper as barreiras, saltar os muros, ser infatigável na busca da comunhão com todos, vivendo a unidade, pois só assim a espera será premiada.
O termo ‘dormir’, usado no Evangelho, não quer dizer somente ignorar a volta do patrão, mas, sobretudo, relaxar no compromisso com o projeto de Deus. A comparação que Jesus usou dá a impressão de que o dono da casa está para chegar a qualquer hora, e espera que a atitude básica dos discípulos-empregados seja uma espera comprometida e ativa onde se constrói o Reino de Deus na vida em comunidade. Isso não vale somente para algumas pessoas, e sim para todas!

Pequeninos do Senhor



1ª leitura: Is. 63,16b-17.19b; 64,2b-7 - Que Deus se mostre com poder e misericórdia
Provocação poética do amor paterno de Deus por sua criatura, Judá, socialmente agitado e politicamente dependente depois do exílio babilônico. Em sua desolação, o povo reconhece seu pecado; embora fraco como um vaso de argila, confia naquele que o “modelou” (64,3b-8). Deus é Pai. Voltando-se para Deus, a gente pode pedir que ele se volte para nós.
* 63,16-17 cf. Dt. 1,31; 32,9; Jr. 31,9; Os. 11,1 * 63,19b cf. Sl. 19/18,10; 145[144],5 * 64,2b-7 cf. 1Cor. 2,9.
2ª leitura: 1Cor. 1,3-9 - Crescer com vistas à plena manifestação de Jesus Cristo
Ação de graças pela confirmação dos coríntios na fé, prova de que Deus é fiel. Que os cristãos o sejam também: irresponsáveis, com vistas à vinda do Senhor, que se espera para breve. Constante crescimento na comunhão com Cristo, com vistas à sua plena manifestação.
* 1,5 cf. 2Cor. 8,7.9 * 1,6-7 cf. 2Cor. 6,10; 1Ts. 3,13; 1Jo 2,28 * 1,8-9 cf. 1Cor. 3,13; 2Cor. 1,21-22; Fl. 1,5.10; 1Jo 1,3.
Evangelho: Mc. 13,33-37 - Vigilância para a vinda do Senhor
Repetindo o refrão: “Vigiai”, Marcos propõe uma parábola: o dono da casa, ao afastar-se (ausência do Cristo entre a 1ª e a 2ª vinda), encarrega seus servos (= toda a comunidade) e o porteiro (= os apóstolos; cf. o “poder das chaves”) para que assumam seu serviço e por ele respondam quando ele voltar de repente (os primeiros cristãos esperavam Cristo para breve) Enquanto Cristo está fisicamente ausente, sua causa é confiada a nós.
* Cf. Mt. 25,13-15; 24,42; Lc. 19,12-13; 12,38-40.
Estar pronto para CristoComeça o Advento, início do novo ano litúrgico. Na 1ª leitura, o profeta Isaías provoca Deus a “rasgar o céu” e a descer para nos salvar. Estamos murchos como folhas mortas. E, contudo, Deus é nosso Pai, nós somos obra de suas mãos. Como o povo humilhado, no tempo do exílio babilônico, fazemos nosso o desejo de que Deus venha nos socorrer. Encontrar-se com Deus não é motivo de terror, mas de esperança. Se nos voltarmos para ele, ele se voltará para nós.
Na 2ª leitura, Paulo nos assegura que Deus nos fortalecerá até o fim, quando Cristo abrirá o céu e descerá para nos fazer entrar em sua glória. O encontro definitivo com Deus significa para o cristão a plena manifestação daquilo que Cristo iniciou.
O evangelho, todavia, adverte: não sabemos quando o Senhor voltará para pedir contas do serviço que ele deixou em nossas mãos. Por isso, convém vigiar. A ressurreição de Jesus é como a viagem de um empresário. Enquanto ele está fisicamente longe somos nós os responsáveis por sua obra. Ora, a obra que Jesus iniciou e levou a termo, até a morte, foi a obra da justiça e do amor fraterno. Quando nos empenhamos por isso, sua obra acontece. A causa de Deus é causa nossa. Devemos sempre estar preocupados com o amor fraterno, que Jesus deixou aos nossos cuidados e do qual ele mesmo deu o exemplo até o fim.
O ano litúrgico é o espelho de nossa vida. Desde o início, coloca-nos na presença permanente de Deus como sentido último de nossa vida, a cada momento. Põe diante de nossos olhos a vocação final: o encontro com Cristo na glória de seu Pai. Nesta perspectiva, sentimo-nos obra inacabada, mas em Cristo temos o exemplo e a garantia do acabamento que Deus nos quer conferir: uma vida doada no amor até o fim. Jesus, ressuscitado e vivo na glória do Pai, quer vir até nós, para completar a obra do Pai em nós e nos aperfeiçoar no amor fraterno, com a condição de sermos encontrados empenhados no serviço que ele nos confia.
Advento é preparação para Natal, celebração da vinda de Jesus no meio de nós. Vinda no presépio, mas também vinda no dia a dia e no encontro definitivo. Advento significa que nos preparamos para nos encontrar com ele, na alegria, cuidando do amor que ele veio aperfeiçoar em nós.
Deus nos respeita tanto que conta com a nossa colaboração; a salvação não vem só de um lado. Em Jesus, ele nos mostrou em que consiste sermos salvos: em sermos como Jesus, agora, na vida terrena, e eternamente, na glória. Essa é a parte da salvação que Deus realiza. A nossa parte é: estarmos prontos, acatarmos sua obra, no amor disponível e eficaz de cada dia. Muitos, hoje, se sentem abandonados, deprimidos. Existe até uma indústria da depressão, procurando vender remédios antidepressivos... “Há alguém que se preocupe comigo?”, pergunta o deprimido. Mas talvez ele não se prontifique para encontrar Aquele que transforma nossa vida debilitada em esperança engajada… Por isso, a liturgia de hoje nos ensina a correr ao seu encontro!
Johan Konings



Advento, tempo de graçaCom o primeiro domingo do Advento, começamos um novo ano litúrgico. Para os cristãos, trata-se de um verdadeiro início de ano, pois a vida cristã é marcada pela celebração do mistério de Deus, revelado em Jesus Cristo. O Advento é um tempo de graça, um itinerário que nos prepara para celebrarmos o mistério do Natal do Senhor. A disposição requerida para esse tempo é a “vigilância”.
No centro do trecho do livro do profeta Isaías está a confissão da culpa do povo: ele se afastou do Deus único e verdadeiro. É em razão dessa distância que o povo não consegue mais reconhecer a face de Deus (64,6). O mal em nós oculta a imagem de Deus, faz os nossos olhos pesados, incapazes de reconhecer o Senhor e a sua ação, na história, em favor do povo, porção de sua herança. “Escondeste de nós a tua face” (64,6). O autor do nosso texto talvez não imaginasse que a verdadeira face de Deus só poderia ser conhecida em Jesus Cristo, “imagem do Deus invisível” (Cl. 1,15).
O capítulo treze do evangelho de Marcos é denominado de discurso escatológico de Jesus, isto é, discurso sobre as coisas últimas ou definitivas. Esse tipo de discurso não tem por finalidade prever ou contar como será o futuro, mas insiste sobre a necessidade de se estar espiritualmente preparado para os eventos que acontecerão. Fundamentalmente, podemos falar de três aspectos dessa preparação espiritual: “superar a superficialidade da vida; vencer as armadilhas da sensualidade que nos mantêm prisioneiros das coisas terrenas; desmontar o engano proveniente das necessidades da existência”, que fecham cada um na busca desenfreada do seu próprio bem-estar. Nesse sentido, a vigilância é uma atitude de quem está atento aos enganos do inimigo da natureza humana e, com a graça de Cristo, supera suas armadilhas. “Vigiar” é, ainda, se manter fiel à tarefa dada por Deus; trata-se de assumir o seu papel e sua tarefa no Reino de Deus. A vigilância exige, ainda, a oração para não cair no poder da tentação (cf. Lc. 22,46)
Carlos Alberto Contieri,sj




Iniciamos, hoje, um novo ano litúrgico. Contemporaneamente, começamos nosso caminho de preparação para o Natal, com o tempo do Advento. O roxo, cor litúrgica destas quatro semanas, fala-nos de vigilância e de espera, espera que é esperança, pois Aquele que prometeu vir é fiel: não falhará. Na espera e na alegre vigilância, também não cantaremos o “Glória” na Missa e enfeitaremos nossas igrejas com muita simplicidade: estamos de sobreaviso, estamos esperando: o Senhor se aproxima!
As leituras deste primeiro domingo são de uma intensidade enorme e nos jogam de cheio no clima próprio deste tempo: enquanto nos preparamos para o Natal, celebração da primeira vinda do Senhor, feito pobre na nossa humanidade, preparamo-nos também para a sua Vinda gloriosa no final dos tempos. Três idéias nos chamam atenção na Palavra que ouvimos; três idéias que sintetizam maravilhosamente os sentimentos que devemos alimentar neste santo Advento.
Primeiro: somos pobres. A humanidade toda, por mais soberba e auto-suficiente que seja, é pobre, é pó! Violência, solidão, tantas feridas no coração, tanta falta de sentido para a existência, tanta descrença e superficialidade, tantas famílias destruídas, tantos corações vazios, tanta falta de paz, tantos vícios enraizados no coração, tanta vontade quebrada e fraca, tantas palavras bonitas e vazias, tantas promessas sem cumprimento algum... E o homem não se dá conta que é pó, que é insuficiente, que sozinho não consegue se realizar, porque foi criado para uma Plenitude que somente um Outro - o Deus Santo, Bom, Imenso e Eterno - nos pode conceder. Mas, nós cremos; nós, os cristãos, devemos ser conscientes da nossa pobreza e da pobreza da humanidade. Calha bem para nós o intenso lamento do profeta Isaías: “Senhor, tu és o nosso Pai, nosso redentor! Como nos deixaste andar longe de teus caminhos? Todos nós nos tornamos imundície, e todas as nossas boas obras são como um pano sujo; murchamos como folhas e nossas maldades empurram-nos como o vento. Não há quem invoque o teu nome, quem se levante para encontrar-se contigo. Assim mesmo, Senhor, tu és nosso pai, nós somos barro; tu, nosso oleiro, e nós todos, obra de tuas mãos”. Tão atual, caríssimos, esta palavra da Escritura! Exprime bem a humanidade perdida, sem graça, que busca plenitude onde não há plenitude: na tecnologia, na ciência, no consumo, na droga, na satisfação dos próprios instintos e vontades...
Nós, cristãos, sabemos que nada neste mundo nos pode saciar. Como o restante da humanidade, também sentimos sede, também sentimos tantas vezes a dor de viver; mas nós sabemos de onde vem a paz, onde se encontra a verdade da vida, de onde vem a esperança. Por isso pedimos, pensando Naquele que veio no Natal e virá no Fim dos tempos: “Ah! Se rasgásseis os céus e descesses! As montanhas se desmanchariam diante de ti! Nunca se ouviu dizer nem chegou aos ouvidos de ninguém, jamais olhos viram que um Deus, exceto tu, tenha feito tanto pelos que nele esperam!” Eis nosso brado de Advento: Somos pobres, somos insuficientes, não nos bastamos, não temos as condições de ser felizes com nossas próprias forças: Vem, Senhor Jesus! “A vós, Senhor, elevo a minha alma! Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera” (Sl. 24,1-3).
E aqui temos a segunda idéia desta Liturgia santa: diante de nossa pobreza, colocamos nossa esperança somente no Cristo Jesus; esperamos a sua Vinda. O cristão vive no mundo, mas sabe que caminha para a Pátria, para Casa, para Cristo! Na segunda leitura deste hoje, São Paulo nos recorda que não nos falta coisa alguma, não nos falta esperança, não nos falta o sentido da vida, não nos falta a consolação, não nos falta a direção a seguir, porque aguardamos “a revelação do Senhor nossos, Jesus Cristo. É ele também que vos dará a perseverança em vosso procedimento irrepreensível, até ao fim, até ao dia de nosso Senhor, Jesus Cristo”. Caríssimos, a grande tentação para os cristãos de hoje é esquecer que estamos a caminho, que nossa pátria é o Céu. Num mundo de abundância de bens materiais, de comodismo, de consumismo, de busca das próprias vontades e dos prazeres, o perigo imenso é esquecer o Senhor que vem e que sacia o nosso coração. Quantos de nós se distraem com o mundo, quantos que têm o nome de cristãos estão tão satisfeitos com os prazeres e curtições da vida! Cristãos infiéis num mundo infiel; cristãos cansados num mundo cansado, cristãos superficiais e vazios num mundo superficial e vazio! E deveríamos ser luz, deveríamos ser sal, deveríamos ser profetas! Deveríamos ser inquietos e insatisfeitos com tudo que seja menos que Deus, nossa verdadeira Plenitude!
Finalmente, o terceiro ponto. Conscientes da nossa insuficiência para sermos felizes sozinhos; conscientes de que somente no Cristo está nossa plenitude; certos de que ele virá ao nosso encontro, devemos estar vigilantes, devemos viver vigilantes! Nesta casa chamada mundo, nós somos os porteiros, aqueles que esperam o Senhor chegar. Escutai, irmãos, a advertência do nosso Senhor e Deus: “Cuidado! Ficai tentos, porque não sabeis quando chegará o momento. É como um homem que partiu e mandou o porteiro ficar vigiando. Vigiai, portanto, para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”
O Senhor nos manda vigiar! Vigiemos pela oração, vigiemos pela prática dos sacramentos, vigiemos pelas boas obras, vigiemos pela vida fraterna, vigiemos pelo combate aos vícios, vigiemos pelo cuidado para com os pobres. Vigia à espera de Cristo quem rejeita as obras das trevas! “O que vos digo, digo a todos: Vigiai!” Mais uma vez, a misericórdia de Deus nos dá um tempo tão belo e santo quanto o Advento para pensarmos na vida, para levantar os olhos ao céu e suspirar pela plenitude para a qual o Senhor nos criou. Não vivamos desatentamente este santo tepo de graça! Irmãos, irmãs, o Senhor vem: preparemo-nos para ele! Amém.
dom Henrique Soares da Costa



A liturgia do primeiro domingo do Advento convida-nos a equacionar a nossa caminhada pela história à luz da certeza de que “o Senhor vem”. Apresenta também aos crentes indicações concretas acerca da forma devem viver esse tempo de espera.
A primeira leitura é um apelo dramático a Jahwéh, o Deus que é “pai” e “redentor”, no sentido de vir mais uma vez ao encontro de Israel para o libertar do pecado e para recriar um Povo de coração novo. O profeta não tem dúvidas: a essência de Deus é amor e misericórdia; essas “qualidades” de Deus são a garantia da sua intervenção salvadora em cada passo da caminhada histórica do Povo de Deus.
O Evangelho convida os discípulos a enfrentar a história com coragem, determinação e esperança, animados pela certeza de que “o Senhor vem”. Ensina, ainda, que esse tempo de espera deve ser um tempo de “vigilância” – isto é, um tempo de compromisso ativo e efetivo com a construção do Reino.
A segunda leitura mostra como Deus Se faz presente na história e na vida de uma comunidade crente, através dos dons e carismas que gratuitamente derrama sobre o seu Povo. Sugere também aos crentes que se mantenham atentos e vigilantes, a fim de acolherem os dons de Deus.
 1ª leitura: Is. 63,16b-17.19b; 64,2b-7 - AMBIENTE
Aos capítulos 56-66 do livro de Isaías, convencionou-se chamar “Trito-Isaías”. Trata-se de um conjunto de textos cuja proveniência não é totalmente consensual… Para alguns, são textos de um profeta anônimo, pós-exílico, que exerceu o seu ministério em Jerusalém após o regresso dos exilados da Babilônia, nos anos 537/520 a.C.; para a maioria, trata-se de textos que provêm de diversos autores pós-exílicos e que foram redigidos ao longo de um arco de tempo relativamente longo (provavelmente, entre os sécs. VI e V a.C.).
Em qualquer caso, estamos na época posterior ao Exílio e numa Jerusalém em reconstrução… As pedras calcinadas da cidade lembram os dramas passados, a população da cidade é pouco numerosa, a reconstrução é lenta e modesta porque os retornados são pobres, os inimigos estão à espreita. A população está desanimada e sem esperança… Desse desânimo resulta a indiferença face a Jahwéh e à Aliança. Conseqüentemente, o culto é pouco cuidado e Deus ocupa um lugar secundário no coração e nas preocupações do Povo.
Os profetas que desenvolvem a sua missão nesta fase vão tentar acordar a esperança num futuro de vida plena e de salvação definitiva (em que Jerusalém voltará a ser uma cidade bela e harmoniosa e Deus residirá aí, no meio do seu Povo); mas não deixam de sublinhar que o Povo tem de se reconverter aos caminhos da Aliança, da justiça, do amor, da fidelidade a Jahwéh.
O texto que hoje nos é proposto é parte de uma perícope que vai de 63,7 a 64,11. Esta perícope apresenta-se como um conjunto de versículos sem grande unidade nem ordem, onde se misturam elementos típicos de súplica ou lamentação com elementos de confissão dos pecados. A situação é a de desgraça nacional. O Povo dirige-se ao Deus da história, pedindo-Lhe que intervenha para salvar; e, uma vez que a desgraça é considerada castigo pelos pecados, o Povo confessa a culpa e pede perdão.
MENSAGEM
O nosso texto apresenta-se na forma de uma oração que o profeta dirige a Jahwéh. Nela, Deus é invocado como “pai” e como “redentor”. O título “pai” (provavelmente herdado das culturas cananeias, onde o deus principal do panteão é “pai” enquanto exerce a função de proteção e de senhorio) resulta da ação protetora e salvadora de Deus em favor do seu Povo, ao longo da história. O título “redentor” (“goel”) é, no antigo direito israelita, reservado ao parente próximo, a quem incumbe o dever de defender os seus, de manter o patrimônio familiar (cf. Lv. 25,23-24), de libertar um familiar caído na escravidão (cf. Lv. 25,26-49), de proteger uma viúva (cf. Rut. 4,5) ou de vingar um parente assassinado (cf. Nm. 25,19-20). O uso destes títulos pretende, portanto, lembrar a Deus as suas responsabilidades enquanto protetor, defensor e salvador do seu Povo.
Qual é a situação que “exige” a ação salvadora e libertadora de Deus em favor do seu Povo?
O profeta quer que Deus – o “pai” e o “redentor” de Israel – não deixe o Povo continuar a endurecer o seu coração e a afastar-se dos caminhos da Aliança. É uma invocação dramática, que parece ter como objetivo forçar a intervenção libertadora de Deus. O problema é que a “geração presente” (os retornados do Exílio) não reconhece culpa alguma e vive instalada no pecado, na infidelidade, na injustiça, na indiferença face a Deus e às suas propostas. Será possível alterar esta lógica, fazer que Israel se volte decisivamente para Deus e possa trilhar, novamente, caminhos de vida e de salvação?
O profeta está convencido de que essa dinâmica é possível. No entanto, está consciente também de que o Povo, por si só, é incapaz de sair dessa rotina de rebeldia e de infidelidade em que tem vivido. É neste contexto que Deus tem de assumir as suas responsabilidades de Pai e de redentor e de Se dignar “descer” para transformar o coração do seu Povo.
Deus não veio já ao encontro do seu Povo e não lhe ofereceu a Aliança como proposta de vida plena e feliz? Na verdade, Jahwéh manifestou-Se mil vezes na história e ofereceu sempre ao seu Povo a salvação. Israel tem plena consciência dessa atuação de Deus; e é precisamente essa “memória” histórica que fundamenta a esperança: se Deus sempre foi o “pai” e o “redentor” de Israel, certamente voltará a sê-lo outra vez, na dramática situação atual.
O nosso texto termina com uma imagem muito bela: Deus é o “oleiro” e o seu Povo é o barro que o artista modela com amor e cuidado. A imagem serve, certamente, para definir o poder e o senhorio de Deus que pode modelar o seu Povo como bem Lhe aprouver; mas, provavelmente, faz também alusão àquilo que o profeta espera de Deus: uma nova criação. A imagem leva-nos, precisamente, a Gn. 2,7 e à criação do homem do barro da terra… O profeta quererá, dessa forma, sugerir que a intervenção salvadora de Deus no sentido de mudar o coração do seu Povo (fazendo que ele deixe os caminhos do egoísmo e da auto-suficiência e volte aos caminhos de Deus e da Aliança) é uma nova criação, da qual nascerá uma humanidade nova.
ATUALIZAÇÃO
• O nosso texto apresenta em pano de fundo um Povo de coração endurecido, rebelde, indiferente, que há muito prescindiu de Deus e deixou de se preocupar em viver de forma coerente os compromissos assumidos no âmbito da Aliança. É um quadro que não difere significativamente daquilo que é a vida de tantos homens e mulheres dos nossos dias. Que lugar ocupa Deus na nossa vida? Que importância damos às suas propostas? As sugestões e os apelos de Deus têm algum impacto sério nas nossas opções e prioridades?
• O nosso texto convida-nos também a reconhecer que só Deus é fonte de salvação e de redenção. Nós, por nós próprios, somos incapazes de superar essa rotina de indiferença, de egoísmo, de violência, de mentira, de injustiça que tantas vezes caracteriza a nossa caminhada pela vida. Deus, o nosso “Pai” e o nosso “redentor”, é sempre fiel às suas “obrigações” de amor e de justiça e está sempre disposto a oferecer-nos, gratuita e incondicionalmente, a salvação. A nós, resta-nos acolher o dom de Deus com humildade e com um coração agradecido.
• A ação de Deus, o seu papel de “redentor” concretiza-se através de Jesus e das propostas que Ele veio fazer aos homens e ao mundo? Neste Advento, estou disposto a acolher Jesus e a abraçar as propostas que Deus, através d’Ele, me faz?
2ª leitura: 1Cor. 1,3-9 - AMBIENTE
No decurso da sua segunda viagem missionária, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Grécia, e ficou por lá cerca 18 meses (anos 50-52). De acordo com At. 18,2-4, Paulo começou a trabalhar em casa de Priscila e Áquila, um casal de judeo-cristãos. No sábado, usava da palavra na sinagoga. Com a chegada a Corinto de Silvano e Timóteo (2 Cor 1,19; At. 18,5), Paulo consagrou-se inteiramente ao anúncio do Evangelho. Mas não tardou a entrar em conflito com os judeus e foi expulso da sinagoga.
Corinto era uma cidade nova e muito próspera. Servida por dois portos de mar, possuía as características típicas das cidades marítimas: população de todas as raças e de todas as religiões. Era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterrâneo, ávidos de prazer, após meses de navegação. Na época de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois terços eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a miséria da maioria.
Como resultado da pregação de Paulo, nasceu a comunidade cristã de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade era de origem grega, embora em geral, de condição humilde (cf. 1Cor. 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas também havia elementos de origem hebraica (cf. At. 18,8; 1Cor. 1,22-24; 10,32; 12,13).
De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1Cor. 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1Cor. 1,11-12), sedução da sabedoria filosófica de origem pagã que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz cristão (cf. 1Cor. 1,19-2,10).
Tratava-se de uma comunidade com boas possibilidades, mas que mergulhava as suas raízes em terreno adverso. Na comunidade de Corinto, vemos as dificuldades da fé cristã em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pagã e por um conjunto de valores que estão em profunda contradição com a pureza da mensagem evangélica.
O texto que nos é hoje proposto é a “ação de graças” inicial. Habitualmente, Paulo começava as suas cartas com uma “ação de graças”.
MENSAGEM
Nesta “ação de graças”, em clima de oração e de louvor, Paulo agradece a Deus por certas realidades concretas que fazem parte da vida da comunidade cristã de Corinto, ao mesmo tempo que antecipa temas que vai depois desenvolver na carta. Não é um texto inócuo e convencional, mas um texto carregado de densidade teológica.
Há neste texto dois aspectos que, pelo seu significado e importância, convém pôr em relevo: o primeiro diz respeito aos dons que a comunidade recebeu de Deus, através de Jesus Cristo; o segundo diz respeito à finalidade do chamamento dos coríntios.
Em primeiro lugar, é claro para Paulo que a comunidade foi privilegiada com “dons” de Deus (vs. 4-6). É a primeira vez que, nos escritos paulinos, aparece a palavra “carismas” (v. 7) – palavra que define os dons que resultam da pura generosidade divina e que são derramados sobre determinadas pessoas para o bem da comunidade. A comunidade de Corinto é uma comunidade amada por Deus, carregada de “carismas” que resultam da generosidade de Deus. É bom que os coríntios tenham consciência da liberalidade divina e saibam dar graças. Mais adiante (em 1Cor. 12-14), Paulo vai desenvolver a sua catequese sobre os “carismas”.
Que “carismas” são esses? Paulo menciona a palavra (“lógos”) e o conhecimento (“gnosis”) como principais componentes da riqueza espiritual que Deus concedeu aos coríntios. Trata-se de temas muito importantes no contexto da cultura grega, que são apresentados aqui como dons de Deus. Paulo procura, assim, animar a intensa procura de “sabedoria” dos coríntios dando, no entanto, a essa busca um significado e um enquadramento cristão. Paulo desenvolverá a questão nos capítulos seguintes avisando, no entanto, os coríntios de que a “sabedoria” de Deus nem sempre coincide com a “sabedoria” dos homens (cf. 1Cor. 2,1-16).
Em segundo lugar, Paulo manifesta a sua convicção de que os “carismas” com que Deus cumulou os coríntios são destinados a construir uma comunidade orientada para Jesus Cristo, capaz de viver de forma irrepreensível o seu compromisso com o Evangelho até ao dia do encontro final e definitivo com Cristo. É para esse objetivo final de encontro e de comunhão total com Deus que a comunidade, animada por Jesus Cristo e sustentada com os dons de Deus, deve caminhar.
ATUALIZAÇÃO
• O nosso texto deixa claro que a comunidade cristã é uma realidade continuamente enriquecida pela vida de Deus. Através dos seus dons, Deus vem continuamente ao encontro dos homens e manifesta-lhes o seu amor. Os crentes devem viver numa permanente atitude de escuta e de acolhimento desses dons. A comunidade de que faço parte está consciente de que Deus vem continuamente ao encontro dos homens através dos dons que Ele oferece? Acolhe os dons de Deus como sinais vivos do seu amor?
• Qual o objetivo dos dons de Deus? Segundo Paulo, é “tornar firme nos crentes o testemunho de Cristo”. Os dons de Deus destinam-se a promover a fidelidade das pessoas e das comunidades ao Evangelho, de forma a que todos nos identifiquemos cada vez mais com Cristo. Os dons que Deus me concedeu destinam-se sempre a potenciar a minha fidelidade e a fidelidade dos meus irmãos às propostas de Jesus, ou servem, às vezes, para concretizar objetivos mais egoístas, como sejam a minha promoção pessoal ou a satisfação de certos interesses e anseios?
• Há, neste texto, um apelo implícito à vigilância. O cristão tem de estar sempre vigilante e preparado para acolher o Deus que vem ao seu encontro e lhe manifesta o seu amor através dos seus dons… E tem também de estar sempre vigilante para que os dons de Deus não sejam desvirtuados e utilizados para fins egoístas.
Evangelho: Mc. 13,33-37 - AMBIENTE
O texto que nos é hoje proposto como Evangelho situa-nos em Jerusalém, pouco antes da Paixão e Morte de Jesus. É o terceiro dia da estada de Jesus em Jerusalém, o dia dos “ensinamentos” e das polêmicas mais radicais com os líderes judaicos (cf. Mc. 11,20-13,1-2). No final desse dia, já no “Jardim das Oliveiras”, Jesus oferece a um grupo de discípulos (Pedro, Tiago, João e André – cf. Mc. 13,3) um amplo e enigmático ensinamento, que ficou conhecido como o “discurso escatológico” (cf. Mt. 13,3-37).
A maior parte dos estudiosos do Evangelho segundo Marcos consideram que este discurso, apresentado com uma linguagem profético-apocalíptica, descreve a missão da comunidade cristã no período que vai desde a morte de Jesus até ao final da história humana. É um texto difícil, que emprega imagens e uma linguagem marcada pelas alusões enigmáticas, bem ao jeito do gênero literário “apocalipse”. Não seria tanto uma reportagem jornalística de acontecimentos concretos, mas antes uma leitura profética da história humana. O seu objetivo seria dar aos discípulos indicações acerca da atitude a tomar frente às vicissitudes que marcarão a caminhada histórica da comunidade, até à vinda final de Jesus para instaurar, em definitivo, o novo céu e a nova terra.
Os quatro discípulos referenciados no início do “discurso escatológico” representam a comunidade cristã de todos os tempos… Os quatro são, precisamente, os primeiros discípulos chamados por Jesus (cf. Mc. 1,16-20) e, como tal, convertem-se em representantes de todos os futuros discípulos. O discurso escatológico de Jesus não seria, assim, uma mensagem privada destinada a um grupo especial, mas uma mensagem destinada a toda a comunidade crente, chamada a caminhar na história com os olhos postos no encontro final com Jesus e com o Pai.
A missão que Jesus (que está consciente de ter chegado a sua hora de partir ao encontro do Pai) confia à sua comunidade não é uma missão fácil… Jesus está consciente de que os seus discípulos terão que enfrentar as dificuldades, as perseguições, as tentações que “o mundo” vai colocar no seu caminho. Essa comunidade em marcha pela história necessitará, portanto, de estímulo e alento. É por isso que surge este apelo à fidelidade, à coragem, à vigilância… No horizonte último da caminhada da comunidade, Jesus coloca o final da história humana e o reencontro definitivo dos discípulos com Jesus.
O “discurso escatológico” divide-se em três partes, antecedidas de uma introdução (cf. Mc. 13,1-4). Na primeira parte (cf. Mc. 13,5-23), o discurso anuncia uma série de vicissitudes que vão marcar a história e que requerem dos discípulos a atitude adequada: vigilância e lucidez. Na segunda parte, o discurso anuncia a vinda definitiva do Filho do Homem e o nascimento de um mundo novo a partir das ruínas do mundo velho (cf. Mc 13,24-27). Na terceira parte, o discurso anuncia a incerteza quanto ao “tempo” histórico dos eventos anunciados e insiste com os discípulos para que estejam sempre vigilantes e preparados para acolher o Senhor que vem (cf. Mc. 13,28-37).
MENSAGEM
O nosso texto está integrado na terceira parte do discurso escatológico. Refere-se diretamente ao final dos tempos e à atitude que os discípulos devem ter face a esse encontro último e definitivo com Jesus. O seu objetivo não é transmitir informação objetiva acerca do “como” e do “quando”, mas formar os discípulos e torná-los capazes de enfrentar a história com determinação e esperança.
O Evangelho deste domingo começa com uma parábola – a parábola do homem que partiu em viagem, distribuiu tarefas aos seus servos e mandou ao porteiro que vigiasse (cf. Mc. 13,33-34) – e termina com uma admoestação aos discípulos acerca da atitude correta para esperar o Senhor (cf. Mc. 13,35-37). Primitivamente, a parábola contada por Jesus seria dirigida aos discípulos e teria como objetivo recordar-lhes o dever de guardar e fazer frutificar os tesouros desse Reino que Jesus lhes confiou antes de partir para o Pai.
O “dono da casa” da parábola é, evidentemente, Jesus. Ao deixar este mundo para voltar para junto do Pai, Ele confiou aos discípulos a tarefa de construir o “Reino” e de tornar realidade um mundo construído de acordo com os valores do Reino. Os discípulos de Jesus não podem, portanto, cruzar os braços, à espera que o Senhor venha; eles têm uma missão – uma missão que lhes foi confiada pelo próprio Jesus e que eles devem concretizar, mesmo em condições adversas. É necessário não esquecer isto: esta espera, vivida no tempo da história, não é uma espera passiva, de quem se limita a deixar passar o tempo até que chegue um final anunciado; mas é uma espera ativa, que implica um compromisso efetivo com a construção de um mundo mais humano, mais fraterno, mais justo, mais evangélico.
Quem é o “porteiro”, com uma tarefa especial de vigilância (v. 34)? Na perspectiva de Marcos, o “porteiro” parece ser todo aquele que tem uma responsabilidade especial na comunidade cristã… A sua missão é impedir que a comunidade seja invadida por valores estranhos ao Evangelho e à dinâmica do Reino. A figura do “porteiro” adequa-se, especialmente, aos responsáveis da comunidade cristã, a quem foi confiada a missão da vigilância e da animação da comunidade. Eles devem ajudar a comunidade a discernir permanentemente, diante dos valores do mundo, aquilo que a comunidade pode ou não aceitar para viver na fidelidade ativa a Jesus e às suas propostas.
Todos – “porteiro” e demais servos do “senhor” – devem estar ativos e vigilantes. A palavra-chave do Evangelho deste dia é esta: “vigilância”. Contudo, “vigilância” não significará, para os discípulos, o viver à margem da história, num angelismo alienante, evitando comprometer-se para não se sujar com as realidades do mundo e procurando manter a “alminha” pura e sem mancha para que o Senhor, quando chegar, os encontre sem pecados graves; mas será o viver dia a dia comprometido com a construção do Reino, realizando fielmente as tarefas que o Senhor lhes confiou. Essas tarefas passam pelo compromisso efetivo com a construção de um mundo novo, um mundo que viva cada vez mais de acordo com os projetos de Deus.
O nosso texto assegura aos discípulos, em caminhada pelo mundo, que o objetivo final da história humana é o encontro definitivo e libertador com Jesus. “O Senhor vem” – garante-lhes o próprio Jesus; e esta certeza deve animar e dar esperança aos discípulos, sobretudo nos momentos de crise e de confusão. Mesmo que tudo pareça ruir à sua volta, os discípulos são chamados a não perder a esperança e a ver, para além das estruturas velhas que vão caindo, a realidade do mundo novo a nascer.
Que devem os discípulos fazer, enquanto esperam que irrompa definitivamente esse mundo novo prometido? Devem, com coragem e perseverança, dar o seu contributo para a edificação do “Reino”, sendo testemunhas e arautos da paz, da justiça, do amor, do perdão, da fraternidade, cumprindo dessa forma a missão que Jesus lhes confiou.
ATUALIZAÇÃO
• Antes de mais, o Evangelho deste domingo coloca-nos diante de uma certeza fundamental: “o Senhor vem”. A nossa caminhada humana não é um avançar sem sentido ao encontro do nada, mas uma caminhada feita na alegria ao encontro do Senhor que vem. Não se trata de uma vaga esperança, mas de uma certeza baseada na palavra infalível de Jesus. O tempo de Advento recorda-nos a realidade de um Senhor que vem ao encontro dos homens e que, no final da nossa caminhada por esta terra, nos oferecerá a vida definitiva, a felicidade sem fim.
• O tempo do Advento é, também, o tempo da espera do Senhor. O Evangelho deste domingo diz-nos como deve ser essa espera… A palavra mágica é “vigilância”: o verdadeiro discípulo deve estar sempre “vigilante”, cumprindo com coragem e determinação a missão que Deus lhe confiou. Estar “vigilante” não significa, contudo, preocupar-se em ter sempre a “alminha” limpa para que a morte não o apanhe com pecados por perdoar; mas significa viver sempre ativo, empenhado, comprometido na construção de um mundo de vida, de amor e de paz. Significa cumprir, com coerência e sem meias tintas, os compromissos assumidos no dia do batismo e ser um sinal vivo do amor e da bondade de Deus no mundo. É dessa forma que eu tenho procurado viver?
• Em concreto, estar “vigilante” significa não viver de braços cruzados, fechado num mundo de alienação e de egoísmo, deixando que sejam os outros a tomar as decisões e a escolher os valores que devem governar a humanidade; significa não me demitir das minhas responsabilidades e da missão que Deus me confiou quando me chamou à existência… Estar “vigilante” é ser uma voz ativa e questionante no meio dos homens, levando-os a confrontarem-se com os valores do Evangelho; é lutar de forma decidida e corajosa contra a mentira, o egoísmo, a injustiça, tudo aquilo que rouba a vida e a felicidade a qualquer irmão que caminhe ao meu lado… Como me situo face a isto?
• O nosso Evangelho recomenda especialmente a “vigilância” aos “porteiros” da comunidade – isto é, a todos aqueles a quem é confiado o serviço de proteger a comunidade de invasões estranhas. Todos nós a quem foi confiado esse serviço, sentimos o imperativo de cuidar com amor dos irmãos que Deus nos confiou, ou demitimo-nos das nossas responsabilidades e deixamos que o comodismo e a preguiça nos dominem? Quais são os nossos critérios, na filtragem dos valores: os nossos interesses e perspectivas pessoais, ou o Evangelho de Jesus?
p. Joaquim Garrido, p. Manuel Barbosa, p. José Ornelas Carvalho


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