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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

2º DOMINGO DO ADVENTO-B

2º DOMINGO DO ADVENTO

10 de Dezembro de 2017
 Cor: Roxo Evangelho - Mc 1,1-8


-VAMOS ENDIREITAR OS NOSSOS CAMINHOS-José Salviano.


João Batista foi o último dos profetas que teve uma missão especial diferente da dos outros profetas. Ele tinha como projeto, preparar a vinda do Senhor Jesus.

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“DEPOIS DE MIM VIRÁ ALGUÉM MAIS FORTE DO QUE EU.” – Olivia Coutinho

2º DOMINGO DO ADVENTO

Dia 10 de Dezembro de 2017

Evangelho de Mc1,1-8

Neste segundo domingo do Advento, somos chamados a intensificar o espírito da alegria, da alegria de quem espera pela vinda  do Senhor Jesus,  que já está no meio de nós, mas que ás vezes, não percebemos  a sua presença entre nós!
 Este tempo reflexivo, nos sugere uma desaceleração do nosso corre, corre do dia a dia, afim de que possamos fazer um retiro interior e a partir daí, fazer uma revisão de vida. 
Para que Jesus possa nascer, ou renascer no nosso coração, precisamos nos reorganizar interiormente, eliminar tudo o que nos distancia de Deus, e reaver os valores que nos aproxima Dele, valores, que vamos perdendo ao longo da nossa vida, por deixarmos seduzir pelas as propostas do mundo.
Precisamos tomar consciência da importância de estarmos sempre em vigilância, num processo contínuo de conversão, pois sem um retorno de todo o nosso ser, a Jesus, não tem como vivermos o verdadeiro sentido do Natal! 
No evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, Jesus nos convida a tomarmos consciência da importância de intensificarmos a nossa vigilância,  buscando  continuamente a nossa conversão.
O Natal do Senhor Jesus está prestes a chegar, é a  festa da vida, que vem nos falar da grandiosidade do amor de Deus pela a humanidade! Deus não desiste do humano e é através do próprio humano, que Ele age em favor do humano! Podemos ver  isso claramente no evangelho de hoje, quando Deus coloca no meio do povo, um mensageiro, um homem simples, com uma missão tão grande: preparar o encontro do Divino com o humano!
O texto nos apresenta a figura de João Batista, o profeta que veio realimentar a esperança do povo, dos  que já haviam perdido a esperança no humano!
João Batista aparece no deserto, isto é: na periferia, fora do palco do poder, da fama, sua forma de vestir e de se alimentar, mostrava a sua autonomia, a sua independência diante os poderes políticos e religiosos, sob os quais, o povo era submetido.
João Batista foi o maior dos profetas, sua vida foi marcada por grandes contrastes: vivendo o silencio do deserto e  movendo multidões! O próprio Jesus o reconheceu como sendo ele, o maior dentre todos os nascidos de mulher, (Lc 7,28).
Em suas pregações, João, convidava todos a mudar de vida, apesar dele pregar no deserto, pessoas de todos os lugares, iam  ao seu encontro, para ouvi-lo e serem batizados por Ele, (batismo de conversão) inclusive os fariseus e saduceus, que se diziam filhos de Abrão. Mas João, não se deixava enganar por estes, ele sabia muito bem, da falsidade que transitava nos seus  corações, por isto, ele era duro com esses inimigos do projeto de Deus: ”Raça de cobras venenosas quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? Produzi frutos que provem a vossa conversão.” Com estas severas advertências, o profeta critica a fé teórica dos fariseus e saduceus, lembrando-nos, que, o que vai nos identificar diante do Senhor, serão as nossas atitudes e não, as práticas religiosas: ritos, preceitos...
João Batista, teve uma significante participação na história da Salvação, ele é uma das figuras mais relevantes do advento, foi ele quem abriu o caminho para a entrada do Divino no coração do  humano, quem preparou o povo para acolher a manifestação de Deus, na pessoa de Jesus.
O profeta João Batista é um dos protagonistas da mais bela história de amor que já se viu em todo o universo, uma história de amor que nunca  terá fim, suas palavras, continuam ecoando em todos os confins da terra, de geração em geração: “Convertei-vos e crede no evangelho”. “Eis o cordeiro de Deus”...
Uma das grandes virtudes que marcou a vida de João Batista foi a humildade, ele sempre se colocou no lugar de mensageiro, não aproveitou de seu prestígio junto ao povo, para se alto-promover, reconheceu a sua pequenez diante a grandiosidade de Jesus: ”E eu não sou digno nem de tirar-lhe as sandálias. ”
João Batista, o profeta que aplainou o caminho do Senhor com a sua pregação e o seu testemunho de vida, foi um grande exemplo de quem viveu exclusivamente a vontade de Deus! Ele não se acomodou nas tradições do seu povo, pelo o contrário, buscou algo novo, fazendo-se anunciador de um tempo novo!
Imitemos este grande profeta, sendo a voz  dos mais fracos, manifestando  contra tudo que gera morte, que insiste em manter os caminhos tortuosos como expressão de valores.
Neste advento, façamos como João Batista, abramos o caminho para a entrada de Jesus no coração daquele que ainda não experimentou a alegria de conhecê- Lo.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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1ª leitura (Is. 40,1-5.9-11) - A planar o caminho para Deus, que reconduzirá seu povo
Começo do “Livro da Consolação” (Is 40–55). Simultaneamente com vigor e ternura, o profeta anuncia o perdão do povo (deportado por causa do pecado) e sua volta do exílio. Imagens: 1) já se pode preparar o caminho (v. 3-5); 2) Sião torna-se mensageira da boa-nova (v.9); 3) o Pastor que com ternura reconduz suas ovelhas (v. 10-11).
*  40,1-2 cf. Is. 52,7-12; Ex. 6,7; Jr. 31,33; Is. 43,25 *  40,3-5 cf. Is. 43,1-7; 45,2; Mt. 3,3; Jo 1,23; Ex. 24,16; Jo 1,14 *  40,10-11 cf. Is. 35,4; 62,11; Mq. 2,12-13; Ez. 34,11-16; Jo 10,11-18.

2ª leitura (2Pd 3,8-14) - Deus tem tempo: espera por nossa conversão
A 1ª e 2ª geração dos cristãos esperava, em vão, a nova vinda do Senhor, enquanto o mundo os oprimia e ridicularizava. O autor explica: Deus quer dar uma chance para que todos se convertam. Vivendo na justiça, os fiéis apressam a chegada do Dia do Senhor. Porém, este Dia vem como um ladrão, de repente: é mister estar pronto.
*  3,8-10 cf. Sl 91[90],4; Lc 18,7-8; 2Pd 1,3-4; 1Ts 5,2 * 3,11-14 cf. Is 34,4; Ap 6,13-17; 21,1.27.

Evangelho (Mc. 1,1-8) - João Batista, precursor do “Forte de Deus”
O início da boa-nova (“evangelho”) a respeito de Jesus Cristo é a mensagem de João Batista, anunciando o Messias, mas para isso também exigindo a conversão, mediante o sinal do batismo. A fé reconheceu, nesta atividade do Batista, a realização da profecia de Is 40,2-3; Jesus, anunciado por João, é, pois, o Messias e João aquele que lhe prepara o caminho.
* Cf. Mt. 3,1-6.11-12; Lc. 3,3-6.15-17; Jo 1,19-28 * 1,1 (“Filho de Deus”) cf. Mc. 1,11; 3,11; 9,7; 14,61; 15,39 * 1,2-3 cf. Ml. 3,1; Is. 40,3 * 1,8 cf. Jo 1,26.33; At. 1,5; 11,16; 13,25.
Deus se volta para nós, voltemos para ele!
A Boa Notícia começa com um grande chamado à conversão (Mc. 1,1-15; cf. Mt. 3,1-17; Lc. 3,1-22). Em que sentido a conversão é “boa notícia”? Conversão, na Bíblia, significa volta (como se faz uma conversão com o carro na estrada).
Na 1ª leitura ressoa um magnífico texto do Segundo Isaías. O rei Ciro, depois de conquistar Babilônia, mandou os judeus que aí viviam exilados de volta para Jerusalém (em 538 a.C.). O profeta imagina Deus reconduzindo essa gente a Sião. Precede-lhe um mensageiro que proclama: “Preparai no deserto uma estrada” (Is. 40,3) – como para a entrada gloriosa (a “parusia”) do Grande Rei. Mas é um rei diferente, cheio de ternura: “Como um pastor, ele conduz seu rebanho; seu braço reúne os cordeiros, ele os carrega no colo, toca com cuidado as ovelhas prenhes” (v. 11). Essa era a boa notícia que Jerusalém, qual mensageira, devia anunciar ao mundo (v. 9).
Conversão não é coisa trágica. Deus já voltou seu coração para nós; resta-nos voltar o nosso para ele. Ao proclamar o batismo de conversão (evangelho), João Batista pressentia a proximidade de uma “entrada gloriosa” de Deus. Como símbolo da “volta” usava a água do rio Jordão, que lembrava a travessia do povo de Israel pelo mar Vermelho e pelo rio Jordão, rumo à terra prometida. Reforçava sua mensagem repetindo o texto de Is. 40,3: “Preparai uma estrada…”. Vestia-se com um rude manto feito de pêlos de camelo e alimentava-se com a comida do deserto – mel silvestre e gafanhotos –, como o profeta Elias, o grande profeta da conversão, cuja volta se esperava (cf. Ml. 3,1.23-24 e Eclo. 48,10). Mas João ainda não é aquele que deve vir, apenas prepara a chegada deste, o “mais forte”, que virá “batizar com o Espírito Santo” (cf. a efusão do Espírito de Deus no tempo do Fim: Jl. 3,1-2; Ez. 36,27 etc.).
Devemos sempre viver à espera dessa “entrada gloriosa” de Deus. Jesus veio e inaugurou o reinado de Deus, mas deixou a nós a tarefa de materializá-lo na História. Entretanto, Deus já coroou com a glória a vida dele e a obra que ele realizou: reunir as ovelhas como o pastor descrito por Isaías.
No tempo dos primeiros cristãos, muitos imaginavam que Jesus ia voltar em breve com a glória do céu, para arrematar essa obra iniciada. Depois de alguns decênios, porém, começaram a se cansar e a viver sem a perspectiva da chegada de Deus, caindo nos mesmos abusos que vemos hoje em torno de nós. Por isso foi necessário que a voz da Igreja lembrasse a voz dos profetas: Deus pode tardar, mas não desiste de seu projeto. Mil anos são para ele como um dia (2Pd. 3,8), mas seu sonho, “um novo céu, uma nova terra, onde habitará a justiça”, fica de pé (2ª leitura).
Não vivamos como os que não têm esperança. Não desprezemos o fato de Deus estar voltado para nós. Voltemos sempre a ele.
Johan Konings


É por amor ao ser humano que o Senhor assumiu a nossa humanidade.
O trecho do livro do profeta Isaías relata fatos do século VI a.C., período do exílio na Babilônia. Papel dos profetas do exílio era manter viva a esperança do povo de que Deus haveria de cumprir a promessa de fazê-lo retornar à terra que, na concepção deles, Deus havia dado aos ancestrais de Israel, pois Deus não tinha abandonado os que Ele havia escolhido. Por isso, é preciso não deixar ao inimigo espaço para se esconder e ameaçar a esperança e a fé do povo. Há, ainda, outra ideia, subjacente às imagens da preparação do caminho para o Senhor: quando um rei dominava um país, ele fazia com que o povo do país dominado construísse uma grande avenida para que pudesse passar triunfante. É preciso preparar uma grande avenida, isto é, eliminar todos os obstáculos, para que o Senhor, Deus de Israel, possa passar triunfante e reconduzir o seu povo à sua terra.
Quando a Igreja relê o texto de Isaías, ela reconhece, aí, a missão de João Batista, precursor do Messias. É ele quem, a partir do deserto, exorta com vigor o povo a preparar o caminho para o Senhor. Preparação que se dá por uma vida eticamente coerente com a fé professada (cf. Mt 3,8; Lc 3,8.10-14). A missão de João Batista equivalia à missão do profeta Elias, a saber, conduzir o povo a uma verdadeira conversão. Daí o Batismo de conversão que João realiza. Somente eliminando os obstáculos que o mal gera no coração do ser humano é que se pode reconhecer Aquele que virá depois de João e de quem ele diz não ser digno de desamarrar as sandálias. A vida de cada fiel deve ser como uma avenida por onde o Senhor passa para entrar em posse daquilo que é seu. O ser humano é que pertence a Deus. É por amor ao ser humano que o Senhor assumiu a nossa humanidade, a fim de conduzi-lo a viver na terra a realidade do céu. A água do Jordão não podia fazer viver. O Espírito Santo do qual Jesus é revestido é quem vivifica. O anúncio de João Batista de que Aquele que virá depois dele batizará com o Espírito Santo significa que a obra de Jesus tem um caráter de purificação e um único fim, a saber, a comunhão com Deus.
Carlos Alberto Contieri,sj


O tempo do Advento coloca-nos diante da miséria da humanidade, da pobreza e aperto da Igreja, da nossa própria miséria. Pobre humanidade: por mais que se julgue auto-suficiente, é tão insuficiente, por mais que deseje ser seu próprio deus, não passa de pó que o vento leva. Pobre Igreja, tão santa pela santidade de Cristo, o Santo de Deus, mas tão envergonhada pelos pecados de seus filhos e até de seus pastores, que deveriam ser exemplo e orgulho do rebanho; tão difamada, tão vilipendiada, tão humilhada nos dias atuais. Pobres de nós, que vivemos uma vida tão cheia de percalços e angústias, de lutas e lágrimas, de desafios que, às vezes, pararem mais fortes que nós! Eis a humanidade! Como no passado, ainda hoje precisamos de um Salvador; como Israel que esperou, nós, Igreja de Cristo, suplicamos: Vem, Senhor! Manifesta o teu poder! Que passe logo este mundo de tanta ambigüidade e provação; que venha a plenitude do teu Reino, que venha o teu Dia, que venha logo a plenitude da tua graça! É este o horizonte para contemplarmos a Palavra de Deus deste II Domingo do Advento. No Missal romano, as palavras de entrada da Missa, tiradas do Profeta Isaías, já nos são de tanto consolo: “Povo de Sião – somos nós, meus irmãos, somos nós! – o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria do vosso coração, soará majestosa a sua voz!” (Is. 30,19.30). Sim! O Senhor vem! Aquele que nunca nos deixou e vem sempre nas pequenas coisas e ocasiões da vida, ele mesmo virá, um Dia, no fulgor da sua glória: ele, nossa justiça, ele, nosso esperança, ele, nosso Salvador!
Escutemos o Profeta, falando em nome de Deus! Escutemos as palavras que ele manda dizer à sua Igreja sofredora e humilhada, tentada pelo desânimo: “Consolai, consolai o meu povo! Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que a sua servidão acabou!” O Senhor vem, cheio de mansidão e misericórdia, de bondade e compaixão! No Natal nós veremos que Deus é amor, veremos do que ele é capaz por nós: capaz de fazer-se pequeno, capaz de fazer-se criança, capaz de fazer-se pobre entre os pobres do mundo! “Sobe a um alto monte, tu que trazes a boa-nova a Sião, levanta com força a tua voz; dize às cidades de Judá: ‘Eis o vosso Deus! Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne com a força dos braços os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas que amamentam'”.
Caríssimos, não desanimemos, não temamos, não percamos o rumo da nossa vida, não esfriemos na nossa fé e na nossa esperança: tudo caminha para esse encontro com Aquele que vem! Deus não se esqueceu de nós, não virou as costas para o mundo, não abandonou a sua Igreja! Recobremos o ânimo, renovemos as nossas forças, colocando no nosso Deus a nossa esperança e a nossa certeza! Se olharmos para nós, quanto desânimo e incapacidade; se olharmos para o nosso Deus, quanta esperança e certeza de salvação!
Mas, a Vinda do Senhor, Vinda salvadora, será também uma Vinda de julgamento: na sua luz, bem e mal, santidade e pecado, retidão e maldade, fidelidade e infidelidade aparecerão. Na sua Vinda, tudo será queimado, purificado no fogo devorador do seu Espírito Santo, aquele que argüirá o mundo quanto à justiça, quanto ao julgamento e quanto ao pecado (cf. Jo. 16,8-11). A Palavra de Deus hoje nos adverte severa e insistentemente sobre isso: “Eis o vosso Deus, eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória! O Dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão, e a terra será consumida com tudo o que nela se fez. O que nós esperamos são novos céus e nova terra, onde habitará a justiça!” O Senhor, portanto, julgará tudo: na luz, do seu Espírito Santo, tudo será colocado às claras; no fogo do seu Espírito Santo, tudo será purificado, e aquilo que não foi de acordo com o seu Evangelho, com a sua Verdade, com a sua Cruz, será consumido no nada, no pó, no choro e ranger de dentes. Na luz e no fogo do Espírito de Cristo, tudo será passado a limpo: a  história da humanidade e a nossa história pessoal...
Por isso mesmo, a insistente exortação que a Palavra nos faz hoje à vigilância. São Pedro, na segunda leitura, recorda-nos que este tempo de nossa vida é tempo da paciência de Deus, tempo de aproveitar para trabalhar para a nossa conversão: “O Senhor está usando de paciência para convosco. Pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se!" Bispos e padres, convertei-vos! Mudai vossa vida, abri vosso coração! Não vos iludais, pensando que podeis vos acostumar com o Senhor: pregais a Palavra dele e sereis julgados pela Palavra que pregais! Religiosos e religiosas, convertei-vos ou morrereis eternamente no fogo que não acaba! Não podeis fingir, não podeis enganar o Senhor! Povo todo de Deus: jovens e adultos, idosos e crianças, solteiros e pais e mães de família, convertei-vos, mudai vosso procedimento! Vivei de acordo com o que sois: sois a Igreja santa, sois o povo santo de Deus, sois a herança de Cristo! Convertei-vos todos, pois o Senhor a todos examinará! Com a vossa vida e o vosso procedimento, preparai no deserto de vossa vida o caminho do Senhor. Nivelem-se todos os vales de nossas baixezas e pecados, rebaixem-se todos os montes e colinas do nosso orgulho, soberba e prepotência; endireite-se o que é torto no nosso pensamento e no nosso procedimento e alisem-se as asperezas de nosso modo de tratar os irmãos. Então, a glória do Senhor se manifestará na nossa vida e nós seremos luz para a humanidade em trevas! Irmãos, não somos da noite, não somos das trevas! Somos filhos da Luz de Cristo, somos filhos do Dia do Senhor!
A figura de João Batista, com toda a sua austeridade e com suas palavras de advertência são um sério convite a que revisemos nosso modo de viver. Hoje, caríssimos, o mundo é todo paganizado; nosso País está se tornando cada vez mais pagão. Mas, isso não é o mais triste. O mais triste, o que nos corta o coração, é ver os cristãos vivendo como os pagãos, pensando como os pagãos, falando como os pagãos, agindo como os pagãos, gostando das coisas que agradam aos pagãos! Nós, que vimos a Luz; nós, que temos a consolação de Cristo; nós que temos o seu Espírito; nós, que nos alimentamos com o pão da sua Palavra e do seu Corpo e Sangue! Não fugiremos à Ira, caríssimos! Não escaparemos do tremendo tribunal de Cristo! João Batista é claro: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo!” Não se brinca com Cristo: se João - austero, piedoso e coerente - não se sentia digno de desamarrar suas sandálias, que será de nós? Ele nos batizará, nos mergulhará no fogo do seu Espírito... e, então, ai do infiel, ai do que fez pouco caso da sua Palavra, das suas exigências, do seu amor, ai do cristão e nome e pagão de vida!
dom Henrique Soares da Costa



A liturgia do segundo domingo de Advento constitui um veemente apelo ao reencontro do homem com Deus, à conversão. Por sua parte, Deus está sempre disposto a oferecer ao homem um mundo novo de liberdade, de justiça e de paz; mas esse mundo só se tornará uma realidade quando o homem aceitar reformar o seu coração, abrindo-o aos valores de Deus.
Na primeira leitura, um profeta anônimo da época do Exílio garante aos exilados a fidelidade de Jahwéh e a sua vontade de conduzir o Povo – através de um caminho fácil e direito – em direção à terra da liberdade e da paz. Ao Povo, por sua vez, é pedido que dispa os seus hábitos de comodismo, de egoísmo e de auto-suficiência e aceite, outra vez, confrontar-se com os desafios de Deus.
No Evangelho, João Baptista convida os seus contemporâneos (e, claro, os homens de todas as épocas) a acolher o Messias libertador. A missão do Messias – diz João – será oferecer a todos os homens esse Espírito de Deus que gera vida nova e permite ao homem viver numa dinâmica de amor e de liberdade. No entanto, só poderá estar aberto à proposta do Messias quem tiver percorrido um autêntico caminho de conversão, de transformação, de mudança de vida e de mentalidade.
A segunda leitura aponta para a parusia, a segunda vinda de Jesus. Convida-nos à vigilância – isto é, a vivermos dia a dia de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-nos na transformação do mundo e na construção do Reino. Se os crentes pautarem a sua vida por esta dinâmica de contínua conversão, encontrarão no final da sua caminhada terrena “os novos céus e a nova terra onde habita a justiça”.
1ª leitura: Is. 40,1-5.9-11 - AMBIENTE
O nosso texto pertence ao “Livro da Consolação” do Deutero-Isaías (cf. Is. 40-55). “Deutero-Isaías” é um nome convencional com que os biblistas designam um profeta anônimo da escola de Isaías que, provavelmente, cumpriu a sua missão profética na Babilônia, entre os exilados judeus (embora alguns situem a sua atividade profética em Jerusalém). Estamos na fase final do Exílio, entre 550 e 539 a.C.
O tempo do Deutero-Isaías é uma época peculiar, com problemas muito próprios. Muitos dos exilados estão frustrados e desorientados, sem entender porque é que Deus permitiu o drama da derrota e do Exílio… Outros estão instalados e acomodados e já não pensam em regressar à sua terra nem esperam nada de Deus.
Na fase final desta época, as notícias das vitórias de Ciro, o persa, sobre os babilônios, fazem esperar um rápido desmoronar do império babilônico e a libertação dos judeus exilados… Mas, se essa libertação chegar – perguntam os exilados – a quem é que deve ser atribuída: a Jahwéh, ou aos deuses persas? Se é a Jahwéh, porque é que Ele escolheu um estrangeiro e não um membro do Povo de Deus para realizar a obra maravilhosa da libertação? No caso de a libertação acontecer, valerá a pena arriscar o regresso e enfrentar as dificuldades do recomeço? Haverá, ainda, um futuro para esse Povo de Deus que parece ter sido abandonado por Jahwéh?
O Deutero-Isaías aparece neste contexto. A sua mensagem destina-se a consolar os exilados (os capítulos 40-55 do livro do Profeta Isaías chamam-se, precisamente, “livro da Consolação”) e apontar-lhes novas razões para ter esperança. O profeta começa por anunciar a iminência da libertação e por comparar a saída da Babilônia ao antigo êxodo, quando Deus libertou o seu Povo da escravidão do Egito (cf. Is 40-48)… Ciro é apresentado como “o escolhido de Jahwéh”, o instrumento de Deus na libertação de Judá. Na segunda parte do livro, o profeta anuncia a reconstrução de Jerusalém, essa cidade que a guerra reduziu a cinzas, mas à qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz sem fim (cf. Is. 49-55).
A primeira leitura deste domingo apresenta-nos, precisamente, o prólogo do “livro da Consolação”.
MENSAGEM
O profeta é, pois, enviado por Deus a anunciar “ao coração de Jerusalém” que a “consolação” do Senhor está próxima (v. 1). A imagem do “falar ao coração” sugere a relação de amor entre Jahwéh e o seu Povo, entre o amado e a amada… Deus “fala ao coração” do seu Povo, com amor e ternura, a fim de o consolar.
Em que consiste essa “consolação”?
Consiste, em primeiro lugar, no anúncio do perdão de Deus (v. 2). Os exilados estavam convencidos de que a dolorosa experiência do Exílio era o castigo para os pecados cometidos pelo Povo de Judá. Viviam angustiados, afogados em sentimentos de culpa, sentindo-se em transgressão, indignos, pecadores e afastados de Deus. Neste contexto, Deus diz-lhes: o tempo da ruptura e do afastamento terminou e chegou o tempo do reencontro, o tempo de refazer a comunhão e a Aliança.
O profeta utiliza, para expressar esta mensagem de perdão, duas imagens… A primeira é uma imagem ligada ao universo militar: o tempo de serviço que o Povo foi obrigado a cumprir já terminou (a palavra utilizada pelo profeta designa com freqüência, na língua hebraica, o tempo de vassalagem forçada, o tempo obrigatório de serviço no exército); a segunda é uma imagem ligada ao universo cultual: o castigo que o Povo sofreu foi aceite pelo Senhor, como se tratasse de um sacrifício de expiação (esses sacrifícios de expiação que a liturgia de Israel tão bem conhecia e que serviam para refazer a comunhão com Deus, depois do pecado do Povo).
Ainda neste enquadramento de “consolação”, o autor do nosso texto apresenta uma misteriosa voz que convida a preparar “no deserto o caminho do Senhor”, a abrir “na estepe uma estrada para o nosso Deus” (vs. 3-5). O que é que isto significa?
O tema do deserto leva-nos, evidentemente, ao Êxodo… Recorda esse acontecimento fundamental da história e da fé de Israel que foi a libertação do Egito e a viagem da terra da escravidão para a terra da liberdade (viagem que não foi apenas o percorrer um determinado percurso geográfico mas foi sobretudo uma viagem espiritual, durante a qual o Povo fez uma experiência de encontro com Deus, amadureceu a sua fé e passou de uma mentalidade de egoísmo e de escravidão para uma mentalidade de comunhão e de liberdade).
A referência ao caminho pelo deserto sugere claramente que Deus prepara um Novo Êxodo para o seu Povo. O profeta anuncia aos exilados que Deus vai traçar um caminho fácil, direito, glorioso, triunfal, pelo qual os exilados irão passar da terra da escravidão à terra da liberdade, numa espécie de “reedição melhorada” do antigo Êxodo. Trata-se de um “caminho” geográfico, ou de um caminho espiritual? Provavelmente, o profeta não distingue uma coisa da outra… Ele quererá dizer aos exilados que Deus vai tornar fácil esse percurso geográfico que eles devem percorrer, alimentando-os, salvando-os dos perigos, ajudando-os a vencer a fadiga da caminhada; mas, sobretudo, o profeta quererá dizer aos exilados que Deus lhes vai oferecer, outra vez, a possibilidade de uma “caminhada espiritual”, durante a qual eles poderão fazer uma nova experiência do amor e da bondade de Deus e redescobrir os caminhos da comunhão e da aliança. Naturalmente, é preciso que os exilados preparem o espírito para acolher esta nova possibilidade que Deus oferece, aceitem confiar em Deus, aceitem o desafio de retornar à Aliança, aceitem renunciar à escravidão para correr o risco da liberdade.
Na terceira parte, o nosso texto coloca-nos diante de uma nova cena… Um “mensageiro” (em grego: um “evangelista”) eleva a sua voz sobre uma alta montanha e proclama uma “boa notícia” a Jerusalém e às outras cidades de Judá: o Deus poderoso do Êxodo (“vem com poder, o seu braço dominará”) conduz pessoalmente o seu Povo de regresso à Terra Prometida… Ele é o Pastor que reúne o seu rebanho, que o apascenta, que cuida das ovelhas mais frágeis e as conduz “ao seu descanso”, que oferece de novo ao seu Povo a vida e a fecundidade. A referência às ovelhas mais fracas e às ovelhas recém-nascidas (objeto de um especial cuidado de Deus, o Pastor) sublinha o amor, a ternura e a solicitude de Jahwéh pelo seu Povo. Trata-se, sem dúvida, de uma mensagem de “consolação” destinada a acordar nos exilados a fé e a esperança.
ATUALIZAÇÃO
A mensagem de “consolação” que a primeira leitura nos apresenta anuncia a esse povo amargurado, desiludido e frustrado que Deus não o abandonou nem esqueceu e que vai atuar no sentido de oferecer-lhe de novo a vida e a liberdade. Esta mensagem representa um extraordinário “capital de esperança”, oferecido ao Povo de Deus de todas as épocas e lugares… Hoje, sentimo-nos esmagados e frustrados porque a violência e o terrorismo marcam com sangue e sofrimento a vida de tantos dos nossos irmãos, ou porque os pobres e os fracos são esquecidos e colocados à margem da história, ou porque parece que a sociedade global se constrói com egoísmo, com indiferença e com exclusão… O profeta garante-nos que Deus – esse Deus que é eternamente fiel aos compromissos que assumiu para com os seus filhos – não está alheado da nossa história, que Ele continua a vir ao nosso encontro e a oferecer-Se para nos conduzir com amor e solicitude ao encontro da verdadeira vida e da verdadeira liberdade.
A mensagem do profeta é particularmente questionadora para esses exilados que já não pensavam em regressar à sua terra nem se esforçavam minimamente por escutar os apelos e os desafios de Deus. Instalados e acomodados, eles haviam perdido a capacidade de arriscar e a vontade de começar um novo caminho com Deus. A mesma mensagem interpela todos os homens e mulheres que vivem acomodados nos seus espaços seguros e protegidos ou resignados a uma vida banal, vazia, cinzenta, insípida, e convida-os a abrir o coração à novidade de Deus. È preciso correr riscos, aceitar despojar-se do egoísmo, do comodismo, do materialismo, da escravidão dos bens, dos preconceitos para percorrer, com Deus, esse caminho de regresso à vida nova da liberdade.
Em concreto, o que é que nos impede de percorrer o caminho que Deus nos propõe e de nascer para uma vida mais livre e mais feliz? Os bens materiais? A posição social? O comodismo? O medo? O Advento é o tempo favorável para limparmos os caminhos da nossa vida, de forma a que Deus possa nascer em nós e, através de nós, libertar o mundo… Quais são os vales que precisam de ser alteados, os montes que precisam de ser abatidos, os caminhos que precisam de ser endireitados para que Deus possa vir ao nosso encontro?
A figura profética do Deutero-Isaías recorda-nos que é através dos seus mensageiros que Deus continua a oferecer ao mundo e aos homens a vida, a esperança, a liberdade, a salvação. Sentimo-nos sinais vivos de Deus e testemunhas da sua proposta libertadora diante dos nossos irmãos, ou preferimos esconder-nos atrás de uma vida egoísta, cômoda, instalada, sem compromissos?
2ª leitura: 2 Pedro 3,8-14 - AMBIENTE
A segunda carta de Pedro apresenta todas as características de uma “carta testamento”, como se o autor, sentindo aproximar-se a morte, quisesse transmitir uma última e decisiva mensagem a um grupo de pessoas a quem se sente particularmente ligado (habitualmente, familiares, amigos ou discípulos).
Em concreto, o autor da segunda carta de Pedro dirige o seu “testamento” aos irmãos da sua comunidade cristã e convida-os a conservarem-se fiéis aos ensinamentos recebidos, evitando deixarem-se confundir pelas doutrinas dos alguns falsos mestres. Os crentes devem esforçar-se, segundo este “testamento”, por preparar adequadamente a segunda vinda de Jesus Cristo, sem se deixarem manipular por doutrinas contrárias ao Evangelho e ao ensinamento recebido da tradição apostólica.
O autor apresenta-se a si próprio como Simão Pedro, servidor e apóstolo de Jesus Cristo (cf. 2Pd. 1,1), testemunha da transfiguração (cf. 2Pe. 1,16); no entanto, é praticamente consensual entre os estudiosos da Bíblia que este escrito é bem posterior ao apóstolo Pedro. Tudo indica que o autor desta carta não pertenceu à primeira geração cristã; contudo, é um judeo-cristão com sólida formação helênica e que conhece bem a vida e a catequese do apóstolo Pedro. Alguns autores costumam situar a redação desta carta por volta do ano 125.
MENSAGEM
O texto que hoje nos é proposto apresenta duas partes, embora estreitamente ligadas uma à outra pelo tema da parusia (a “segunda vinda” do Senhor Jesus, no final dos tempos). A primeira integra uma reflexão (cf. 2Pe. 3,1-10) sobre o “dia do Senhor”; a segunda integra uma exortação (cf. 2Pe. 3,11-16) aos cristãos no sentido de levarem uma vida santa.
Os cristãos dos primeiros tempos estavam convencidos da iminência da chegada de Jesus para eliminar definitivamente o mal e para instaurar definitivamente o Reino de Deus. No entanto, o tempo passava e a segunda vinda do Senhor não acontecia. Os crentes estavam decepcionados e eram objeto da irrisão dos adversários. É neste contexto que a leitura de hoje nos situa… O autor explica sumariamente aos membros da sua comunidade cristã as razões pelas quais o Senhor ainda não veio… A primeira é que Deus não está dependente do tempo, como nós que vivemos na história (“um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia” – vers. 8); a segunda é que Deus é paciente e pretende prorrogar o tempo da história para dar a todos a oportunidade de acolherem a salvação que Ele oferece (vers. 9). De resto, não é possível definir o momento exato da segunda vinda de Jesus: será algo inesperado e surpreendente, que os crentes devem esperar vigilantes e preparados.
O que é que significa estar vigilante e preparado? O nosso autor responde a esta questão na segunda parte do nosso texto (vs. 11-14). Os crentes devem viver uma vida consentânea com a vocação a que foram chamados – isto é, uma vida irrepreensível, “santa” (isto é, ao serviço de Deus), cheia de “piedade”, “sem pecado nem motivo algum de censura”. Essa conduta apressará, na opinião do autor da carta, a segunda vinda do Senhor e, conseqüentemente, a concretização da promessa desses “novos céus e nova terra onde habitará a justiça”.
ATUALIZAÇÃO
A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projeto de salvação e de vida para cada homem; e que esse projeto está a realizar-se continuamente em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus. A nossa vida presente não é, pois, um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranqüila, confiante em direção a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelará o Homem Novo.
A questão fundamental que os cristãos devem pôr, a propósito da segunda vinda do Senhor, não é a questão da data, mas é a questão de como esperar e preparar esse momento. O autor do nosso texto deixa claro que o que é preciso é estar vigilante. “Estar vigilante” não significa ficar a olhar para o céu à espera do Senhor, esquecendo e negligenciando as questões do mundo e os problemas dos homens; mas significa viver, no dia a dia, de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-se na transformação do mundo e na construção do Reino.
A certeza da segunda vinda do Senhor dá aos crentes uma perspectiva diferente da vida, do seu sentido e da sua finalidade… Para os não crentes, a vida encerra-se dentro dos limites estreitos deste mundo e, por isso, só interessam os valores deste mundo; para os crentes, a verdadeira vida, a vida em plenitude, está para além dos horizontes da história e, por isso, é preciso viver de acordo com os valores eternos, os valores de Deus. Assim, na perspectiva dos crentes, não são os valores efêmeros, os valores deste mundo (o dinheiro, o poder, os êxitos humanos) que devem constituir a prioridade e que devem dominar a existência, mas sim os valores de Deus. Quais são os valores que eu considero prioritários e que condicionam as minhas opções?
A certeza da segunda vinda do Senhor aponta também no sentido da esperança. Os cristãos esperam, em serena expectativa, a salvação que já receberam antecipadamente com a morte de Cristo, mas que irá consumar-se no “dia do Senhor”. Os crentes são, pois, homens e mulheres de esperança, abertos ao futuro – um futuro a conquistar, já nesta terra, com fé e com amor, mas sobretudo um futuro a esperar, como dom de Deus.
Evangelho: Mc. 1,1-8 - AMBIENTE
O Evangelho segundo Marcos parece ter sido o primeiro dos Evangelhos a ser redigido, certamente antes do ano 70. A crítica do texto sugere que se trata de uma obra destinada a uma comunidade maioritariamente composta por cristãos vindos diretamente do paganismo, provavelmente a comunidade cristã de Roma.
O final da década de 60 é uma época difícil para os cristãos em geral e para os cristãos da cidade de Roma em particular. Por volta do ano 66, o imperador Nero organizou uma terrível perseguição contra os cristãos da capital do império. Pedro e Paulo foram mortos nesta altura, juntamente com um número considerável de outros cristãos. A fidelidade no seguimento de Jesus comportava o risco contínuo de ver-se desprezado, perseguido e maltratado.
Nesta situação de perseguição e de crise, era necessário afirmar a fé em Jesus Cristo. Como? Marcos percebeu que era preciso entender corretamente a identidade de Jesus. Se a comunidade descobrisse em Jesus o Filho de Deus que veio ao mundo ao encontro dos homens para lhes transmitir a Boa Nova da salvação, era muito mais fácil manter a fidelidade, mesmo num contexto adverso de perseguição e de sofrimento. O Evangelho segundo Marcos vai nascer, pois, com a preocupação de apresentar aos crentes – de forma clara – a verdadeira identidade de Jesus.
O texto que hoje nos é proposto é o prólogo ao Evangelho segundo Marcos. Nesse prólogo, o autor enuncia as coordenadas fundamentais do seu Evangelho. Trata-se, diz o título da obra, de apresentar uma “Boa Notícia” (“evangelho”) aos crentes mergulhados na crise e na perseguição. Qual é essa “Boa Notícia” que deve dar sentido ao sofrimento dos cristãos? É que esse Jesus, à volta do qual se constrói a vida e a fé da Igreja, é o Messias libertador (“o Cristo”) e o Filho de Deus. Nestes dois títulos fica definida, quer a missão específica, quer a identidade de Jesus.
MENSAGEM
O corpo central do nosso texto apresenta-nos a missão de João Baptista (vs. 2-3), a sua pregação (v. 4), a reação dos ouvintes (vers. 5), o seu estilo de vida (v. 6) e o testemunho de João sobre Jesus (vs. 7-8).
Qual é, pois, a missão de João? De acordo com o nosso texto, é ser o “mensageiro” que prepara o caminho para o “Messias”, “Filho de Deus” (vers. 2). A propósito da apresentação da missão de João, o autor apresenta uma citação que atribui ao Profeta Isaías mas que é, na realidade, um conjunto de afirmações retiradas do Êxodo (cf. Ex. 23,20), de Isaías (cf. Is. 40,3) e de Malaquias (cf. Mal. 3,1): “Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. A acumulação de citações tiradas da Torah e dos profetas sugere que João é esse mensageiro de Deus do qual falavam as promessas antigas, e que devia vir anunciar e preparar o Povo de Deus para acolher a intervenção definitiva de Jahwéh na história dos homens.
Em que consistia a pregação de João? João “apareceu no deserto a proclamar um batismo de penitência para remissão dos pecados” (v. 4). De acordo com a catequese judaica, o Messias só chegaria quando Israel fosse, na verdade, a comunidade santa de Deus… Antes de o Messias chegar, o Povo devia, portanto, realizar um caminho de purificação e de conversão, de forma a tornar-se um Povo santo. O “batismo de penitência” (literalmente, “batismo de conversão” – ou de “metanoia”) proposto por João deve ser entendido neste contexto e representa um convite à mudança radical de vida, de comportamento, de mentalidade.
Este “batismo” proposto por João não era, na verdade, uma novidade insólita. O judaísmo conhecia ritos diversos de imersão na água. Era, inclusive, um rito usado na integração dos “prosélitos” (os pagãos que aderiam ao judaísmo) na comunidade do Povo de Deus. Na perspectiva de João, provavelmente, este “batismo” é um rito de iniciação à comunidade messiânica: quem aceitava este “batismo” passava a viver uma vida nova e aceitava integrar a comunidade do Messias.
A pregação de João é feita “no deserto”. O “deserto” é, no contexto da catequese judaica, o lugar onde o Povo de Deus realizou uma caminhada de purificação e de conversão. Foi no deserto que os israelitas libertados do Egito passaram de uma mentalidade de escravos a uma mentalidade de homens livres, de uma mentalidade de egoísmo a uma mentalidade de partilha, de uma atitude descomprometida a uma Aliança com Jahwéh, da desconfiança em relação à proposta libertadora que Moisés lhes apresentou à confiança total num Deus que cumpre as suas promessas e que é fonte de vida e de liberdade para o seu Povo. A pregação de João lembrava aos israelitas a necessidade de voltar ao “deserto” e de percorrer um caminho semelhante àquele que os antepassados tinham percorrido.
Como é que os interlocutores de João reagiam às suas propostas? Marcos diz que “acorria a Ele toda a gente da região da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém” para serem batizados, confessando os seus pecados (vers. 5). A afirmação de que “toda a gente” acorria ao apelo de João parece manifestamente exagerada… Ao apresentar esta perspectiva ideal da forma como a mensagem foi acolhida pelo Povo, Marcos está, provavelmente, a sugerir o caráter decisivo e determinante da proposta que João faz: não é “mais um” convite à conversão, mas é o último e definitivo apelo de Deus ao seu Povo.
João “vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre”. O estilo de vida de João – sóbrio, desprendido, austero, simples – é um convite claro à renúncia aos valores do mundo. É a aplicação prática dessa austeridade de vida e dessa renovação de atitudes, de comportamentos e de mentalidade que João pede aos seus conterrâneos. O estilo de vida de João corrobora a mensagem que ele apresenta.
Além disso, o estilo de vida de João evoca o profeta Elias que, de acordo com 2 Re 1,8, se vestia “de peles” e “trazia um cinto de couro em volta dos rins”. O profeta Elias era, no universo da esperança judaica, o profeta elevado para junto de Deus e destinado a aparecer de novo no meio dos homens para anunciar a chegada iminente da era messiânica (cf. Mal 3,22-24). A identificação física de João com Elias significa que a era messiânica chegou e que João é o mensageiro esperado, cuja mensagem prepara a chegada do Messias libertador.
O que é que João diz sobre esse Messias libertador, do qual ele é o arauto e o mensageiro? João fala da “força” do Messias e define a sua missão como “batizar no Espírito”. Tanto a fortaleza como o dom do Espírito são prerrogativas do Messias, segundo a catequese profética (cf. Is. 9,6; 11,2). O Messias terá, portanto, a força de Deus e a sua missão será comunicar esse Espírito de Deus, que transforma, renova e recria os corações dos homens.
Em resumo: João é o mensageiro, enviado por Deus para preparar os homens para a chegada do Messias. A mensagem transmitida por João – com a palavra e com a própria atitude de vida – é um apelo veemente à mudança de vida e de mentalidade, a fim de que a proposta do Messias libertador encontre lugar no coração dos homens. João deixa claro que a missão do Messias é comunicar o Espírito que transforma o homem.
ATUALIZAÇÃO
Antes de mais, temos de considerar a mensagem principal do nosso texto… João, o Baptista, afirma claramente que preparar a vinda do Messias passa pela “metanoia” – isto é, por uma transformação total do homem, por uma nova atitude de base, por uma outra escala de valores, por uma radical mudança de pensamento, por uma postura vital inteiramente nova, por um movimento radical que leve o homem a reequacionar a sua vida e a colocar Deus no centro da sua existência e dos seus interesses. Neste tempo de Advento, de preparação para a celebração do Natal do Senhor, trata-se de uma proposta com sentido: preparar a vinda de Jesus exige de nós uma transformação radical da nossa vida, dos nossos valores, da nossa mentalidade… Em concreto, o que é que nos meus pensamentos, nos meus comportamentos, na minha mentalidade, nos valores que dirigem a minha vida, é egoísmo, orgulho e auto-suficiência e impede o nascimento de Jesus no meu coração e na minha vida?
Deus convida o homem à transformação e à mudança através desses profetas a quem Ele chama e a quem confia a missão de questionar o mundo e os homens. Estamos suficientemente atentos aos profetas que questionam o nosso estilo de vida e os nossos valores? Damos crédito às suas interpelações, ou consideramo-los figuras incomodativas, ultrapassadas e dispensáveis? E nós, constituídos profetas desde o nosso batismo, sentimo-nos enviados por Deus a interpelar e a questionar o mundo e os nossos irmãos?
O “estilo de vida” de João constitui uma interpelação pelo menos tão forte como as suas palavras. É o testemunho vivo de um homem que está consciente das prioridades e não dá importância aos aspectos secundários da vida – como sejam a roupa “de marca” ou a alimentação cuidada. A nossa vida também está marcada por valores, nos quais apostamos e à volta dos quais construímos toda a nossa existência… Quais são os valores fundamentais para mim, os valores que marcam as minhas decisões e opções? São valores importantes, decisivos, eternos, capazes de me dar vida e felicidade, ou são valores efêmeros, particulares, egoístas e geradores de dependência e escravidão? Como nos situamos frente a valores e a um estilo de vida que contradiz, claramente, os valores do Evangelho?
Ao acentuar o caráter decisivo e determinante do apelo de João, Marcos convida-nos a uma resposta objetiva, franca, clara e decidida. Não podem existir meias tintas ou tentativas de protelar a decisão… Estamos ou não dispostos a dizer “sim” aos apelos de Deus? Estamos ou não dispostos a aceitar a sua proposta de “metanoia”? Não chega dizer “talvez” ou “sim, mas…”. Deus espera uma resposta total, radical, decidida, inequívoca à oferta de salvação que Ele faz. Isso significa uma renúncia decidida ao nosso comodismo, à nossa preguiça, ao nosso egoísmo, à nossa auto-suficiência e um embarcar decidido na aventura do Reino que Jesus, há mais de dois mil anos, veio propor aos homens…
p. Joaquim Garrido, p. Manuel Barbosa, p. José Ornelas Carvalho


Deus se volta para nós, voltemos para ele!
A Boa Notícia começa com um grande chamado à conversão (Mc. 1,1-15; cf. Mt. 3,1-17; Lc. 3,1-22). Em que sentido a conversão é “boa notícia”? Conversão, na Bíblia, significa volta (como se faz uma conversão com o carro na estrada). Na 1ª leitura ressoa um magnífico texto do Segundo Isaías. O rei Ciro, depois de conquistar Babilônia, mandou os judeus que aí viviam exilados de volta para Jerusalém (em 538 a.C.). O profeta imagina Deus reconduzindo essa gente a Sião. Precede-lhe um mensageiro que proclama: “Preparai no deserto uma estrada” (Is. 40,3) – como para a entrada gloriosa (a “parusia”) do Grande Rei. Mas é um rei diferente, cheio de ternura: “Como um pastor, ele conduz seu rebanho; seu braço reúne os cordeiros, ele os carrega no colo, toca com cuidado as ovelhas prenhes” (v. 11). Essa era a boa notícia que Jerusalém, qual mensageira, devia anunciar ao mundo (v. 9).
Conversão não é coisa trágica. Deus já voltou seu coração para nós; resta-nos voltar o nosso para ele. Ao proclamar o batismo de conversão (evangelho), João Batista pressentia a proximidade de uma “entrada gloriosa” de Deus. Como símbolo da “volta” usava a água do rio Jordão, que lembrava a travessia do povo de Israel pelo mar Vermelho e pelo rio Jordão, rumo à terra prometida. Reforçava sua mensagem repetindo o texto de Is. 40,3: “Preparai uma estrada…”. Vestia-se com um rude manto feito de pêlos de camelo e alimentava-se com a comida do deserto – mel silvestre e gafanhotos –, como o profeta Elias, o grande profeta da conversão, cuja volta se esperava (cf. Ml. 3,1.23-24 e Eclo. 48,10). Mas João ainda não é aquele que deve vir, apenas prepara a chegada deste, o “mais forte”, que virá “batizar com o Espírito Santo” (cf. a efusão do Espírito de Deus no tempo do Fim: Jl. 3,1-2; Ez 36,27 etc.).
Devemos sempre viver à espera dessa “entrada gloriosa” de Deus. Jesus veio e inaugurou o reinado de Deus, mas deixou a nós a tarefa de materializá-lo na História. Entretanto, Deus já coroou com a glória a vida dele e a obra que ele realizou: reunir as ovelhas como o pastor descrito por Isaías.
No tempo dos primeiros cristãos, muitos imaginavam que Jesus ia voltar em breve com a glória do céu, para arrematar essa obra iniciada. Depois de alguns decênios, porém, começaram a se cansar e a viver sem a perspectiva da chegada de Deus, caindo nos mesmos abusos que vemos hoje em torno de nós. Por isso foi necessário que a voz da Igreja lembrasse a voz dos profetas: Deus pode tardar, mas não desiste de seu projeto. Mil anos são para ele como um dia (2Pd. 3,8), mas seu sonho, “um novo céu, uma nova terra, onde habitará a justiça”, fica de pé (2ª leitura).
Não vivamos como os que não têm esperança. Não desprezemos o fato de Deus estar voltado para nós. Voltemos sempre a ele.
padre Jaldemir Vitório


A boa noticia que o evangelho de Marcos traz hoje é a pessoa e a ação de Jesus, chamado de Cristo, o Messias, o Filho de Deus. A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos.
Esse evangelho deixa claro que a missão de João Batista é preparar para o grande momento da chegada de Jesus, a chegada de novos tempos, convidando as pessoas para a conversão. Também demonstra a força do Espírito Santo que age na vida dos homens.
Depois de muitos profetas que anunciaram Jesus, aparece agora João Batista, o profeta do presente, ele anuncia o que já está acontecendo: Jesus está entre o povo.
João Batista é o último profeta e sua função no Evangelho é: ser mensageiro imediato de Jesus. É ele quem prepara e conduz a humanidade ao encontro d’Aquele que traz consigo a concretização da espera, ou seja, chama a atenção para a pessoa de Jesus como o Messias.
Ele fala ao povo usando as profecias de Isaías sobre o batismo que faz o homem voltar-se para Deus e ser perdoado.
João Batista diz que Jesus vem depois dele, e que Jesus é mais forte do que ele, por isso, ele não pode ser o Messias. Ele sabe que Jesus é quem brilha na glória do Pai e por isso faz questão de dizer que não é digno nem de desamarrar as sandálias do Senhor.
E completa falando sobre o batismo, pois, ele batizava com água, sinal que predispunha as pessoas à aceitação da novidade prestes a chegar na pessoa de Jesus, o sinal de conversão e compromisso. Jesus batiza com o Espírito Santo, pois só através da efusão do Espírito Santo é que acontece a vontade da conversão, a esperança de novos tempos de liberdade e o conhecimento da verdadeira justiça.
Para encontrar Jesus, e saborear a boa notícia que Ele traz, é preciso recomeçar sempre a partir do olhar para os mais pobres e marginalizados da sociedade, aprendendo com as suas esperanças e lutas.
Pequeninos do Senhor


A conversão, início da boa-nova
Do 2° domingo do Advento em diante, a perspectiva escatológica de nossa existência é iluminada a partir de sua “fonte”, a primeira vinda de Cristo. Enquanto o 1° domingo fala da segunda vinda de Cristo e esboça uma visão escatológica do dia de hoje à luz da segunda vinda, os demais domingos do Advento recordam e contemplam o acontecimento da primeira vinda. Na primeira vinda do Cristo está arraigado o sentido definitivo de nosso existir: é o momento fundador. Jesus Cristo é o início e o fim da existência humana plena, o Alfa e o Ômega (Ap. 22,13).
A chegada deste momento fundador é a grande notícia da História, a boa-nova por excelência. O evangelho “querigmático” de Mc vê como início desta boa-nova o apelo à conversão, lançado por João (evangelho), realizando plenamente o que o “Segundo Isaías” prefigurou, quando, pelo fim do exílio babilônico (535 a.C.), conclamou o povo para preparar um caminho para Deus, que ia reconduzir os cativos. Era um apelo à conversão, pois deviam preparar a volta, “voltando” (= convertendo-se) para Deus, agora que este determinou o fim do castigo (Is. 40,2) (1ª leitura). Deus reconduz os cativos. Ele mesmo vai com eles. Como um imperador na entrada gloriosa (“parusia”), ele se faz preceder pelos frutos de sua conquista: o povo resgatado (40,10). Como um pastor, reúne suas ovelhas. E com que ternura! Leva os cordeirinhos nos braços e conduz devagarinho as ovelhas que amamentam (40,11).
Esta era a boa-nova que Jerusalém, qual mensageira, devia publicar para o mundo (40,9). Assim, também, a conversão pregada por João é o início da perfeita boa-nova da vinda definitiva de Deus e seu Reino, em Jesus Cristo. A conversão faz parte da boa-nova, pois é nossa participação na salvação que Deus nos destinou. Deus já voltou seu coração para nós; resta-nos correspondermos. A conversão apregoada por João é simbolizada pelo batismo nas águas do Jordão. Se, naquela região semidesértica, a água tem por si mesma um sentido de salvação, ela lembra também a efusão escatológica do Espírito, e ainda a travessia do Mar Vennelho (Ex. 14) e a travessia do Jordão quando da entrada na Terra Prometida (Js. 3). A alusão a Is 40,3 lembra também a volta do exílio, concebida como um novo êxodo. O batismo de João é um símbolo da salvação, e a confissão dos pecados, pelos habitantes de Judá (Mc 1,5), significa a participação nesta salvação. Pois como pode o coração alegrar-se com a vinda do esperado, se não expulsar o pecado que lhe pesa (cf. SI. 51/50,5)?
Por seu modo de vestir e alimentar-se, João evoca o deserto (1,6), pois é a partir daí que o povo deve atravessar o Jordão e penetrar na Terra da Promessa. Evoca também Elias (cf. Mc. 9,13; Mt. 17,13), que os judeus esperavam voltar como precursor do Messias (Ml. 3,1.23-24; cf. Mc. 1,2). Anuncia um “mais forte”, que virá depois dele, para “batizar com o Espírito Santo (dom escatológico: cf. Jl. 3,1-2; Ez. 36,27 etc.).
O batismo de conversão fazia parte da chegada do Reino. Nossa existência se situa entre a chegada e a plenificação do Reino. Por isso, a conversão é “pão nosso de cada dia”, nossa contínua participação no Reino que vem de Deus. É o que expressa, de modo um tanto ingênuo, a 2ª leitura de hoje. Os cristãos das primeiras gerações esperavam a segunda vinda de Cristo para breve. Entretanto, o atraso tornava-se sempre mais notável e o escárnio do mundo sempre mais agressivo. Diante da impaciência e, quem sabe, desespero e desistência, que isso gerava, Pedro responde: Deus tem tempo: ele quer que todos se convertam, para que todos possam participar. Mas, mesmo assim, ele não desiste de seu projeto, pois ele deseja que tudo esteja em harmonia consigo. Só que ele não quer expurgar os “elementos nocivos” da criação antes que todos tenham a oportunidade de se converter, isto é, de se tomar participantes. Mas ele realizará, sem que saibamos o dia e a hora, seu “novo céu e nova terra” (2Pd. 3,13), e então será bom estarmos de acordo com esta nova realidade (3,14).
Talvez possamos traduzir este pensamento, expresso na linguagem apocalíptica do século I, numa linguagem mais adequada para hoje, dizendo que Deus exercerá, por Cristo, seu absoluto senhorio da História, dando, porém, aos homens chances para participar desta “sua” História, pela adesão pessoal à sua vontade, no empenho em construir um mundo compatível com Deus. A História não é um absoluto, uma espécie de deus, mas um projeto do Deus de Jesus Cristo, projeto que não acontece fatalmente, mas com participação do ser humano. Convertendo-se cada dia de novo a Deus, o homem-filho de Deus realiza uma vocação inalienável. O homem não é um agente impessoal da História que se constrói, mas um filho de Deus que constrói a História de Deus. Essa construção é fazer chegar o Reino, “apressar o Dia”, por nossa participação, desde já. Não esquecendo, porém, que Deus tem a última palavra sobre a História e sobre nós que a fazemos.
padre Johan Konings "Liturgia dominical"


João apareceu no deserto
João, o batizador, o filho dos anos mais maduros de Isabel e Zacarias.
Quando a criança tinha nascido, as pessoas diziam: “Que será desse menino?” Ele ficou sendo conhecido como o batizador, o batista.
O menino cresceu. Muito pouco ou quase nada se sabe a respeito dos passos de seu crescimento. Uns dizem que ele andou vinculado ao grupo dos essênios. Disto não existe prova. Um homem que gostava do deserto. Deserto de solidão, deserto que lembrava a saía do Egito, deserto descrito pelos profetas,  deserto para onde o Senhor leva a amada para sussurrar-lhe palavras de apreço. Deserto de rudeza e aspereza. Deserto das lagartixas  e das feras famintas. Deserto do sol que queima e amorena a pele das pessoas.  Deserto sem água, deserto de todas as aquietações. Deserto onde se aprende a escutar as coisas essenciais. Deserto que esconde nas ondas de areia ou nos cactos  uma vida que poderá explodir quando menos se esperar.
Ele vai ao deserto, esse João, e se torna a voz, a voz do que clama. Que dizia esse João do deserto? “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas”. Pregava um batismo de transformação da vida, de mudança radical, um  verter de água que purificasse o pecado.  “Toda a região da Judéia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão”.
Deserto e água. Deserto de terra e de poeira. Deserto sem a presença da vida. Vida desértica. Deserto de morte. Lá no deserto se tem vontade de dizer a esse Senhor Deus misterioso que precisamos, desejamos, queremos mudar o coração.  Água do Jordão.  Água que simboliza  a vontade de se viver uma vida nova.
Antes da chegada de Cristo, antes que as pessoas pudessem morrer com Cristo em sua morte  ressuscitar com ele em sua ressurreição houve uma voz que clamava no deserto. A voz de João, o filho da idade avançada de Isabel e de Zacarias.
Fazendo sua a palavra de Isaias, esse João do deserto, poderia dizer: “Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai da solidão a estrada do nosso Deus.  Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torno, e alisem-se as asperezas”.
Bendito João, o homem que prepara os caminhos do Senhor e esse gigante e pequeno  que nos toma pela mão na caminhada do advento.  “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desatar as suas sandálias”. João, o tem o dedo em riste:  “Aí está o esperado de todas as nações.
frei Almir Ribeiro Guimarães



Preparar o caminho do Senhor
O Evangelho de Marcos foi, provavelmente, o primeiro texto de catequese das comunidades primitivas. O evangelista concentra seus esforços na demonstração de “quem é Jesus”. E, desde o início (v. 1), deixa claro: o que vamos encontrar neste livro é apenas o começo. Esse dado é importante para entendermos a intenção do evangelista: percorrer o caminho que leva a Jesus é estar sempre disposto a começar, a reaprender, pois em Mc os discípulos se encontram num estado crônico de ignorância. De fato, depois que ressuscitou, Jesus os manda à Galiléia, lugar onde ele iniciou sua atividade libertadora. É aí que poderão encontrá-lo (cf. Mc 16,7). “Galiléia” é onde estão os marginalizados. Marcos, portanto, garante-nos uma coisa: se quisermos encontrar Jesus e saborear a boa notícia que ele é e traz, precisamos recomeçar sempre junto aos empobrecidos e marginalizados da sociedade, aprendendo com suas esperanças e lutas.
A boa notícia (= evangelho) é a pessoa e a ação de Jesus, chamado de Cristo (= Messias) e de Filho de Deus. Essa afirmação se encontra estrategicamente no início (1,1), no meio (8,29) e no fim do Evangelho de Marcos (15,39). Os que prestam atenção a tudo o que Jesus diz e realiza são convidados a fazer a mesma constatação do próprio evangelista, de Pedro e do oficial romano, que declaram ser Jesus o Messias, aquele que concretiza a vinda do Reino.
Os versículos 2-8 falam de João Batista, o precursor do Messias-Filho de Deus, apresentando-o como o mensageiro que vai à frente de alguém mais importante, como o profeta que veio para preparar o caminho do Senhor (cf. vv. 2-3). Nesses versículos temos a condensação de três citações do Antigo Testamento. Em primeiro lugar, Ex 23,20: “Vou enviar um anjo na frente de você para que ele cuide de você no caminho e o leve até o lugar que eu preparei para você”. Em segundo lugar, Is 40,3: “Uma voz grita: Abram no deserto um caminho para o Senhor, aplainem no descampado uma estrada para nosso Deus!” (cf. I leitura). Finalmente, Ml 3,1: “Vejam! Estou mandando o meu mensageiro para preparar o caminho à minha frente”. João Batista é, portanto, o que prepara e conduz a humanidade ao encontro daquele que traz consigo a realização dos tempos messiânicos, ou seja, Jesus, que vai batizar com o Espírito Santo (cf. v. 8).
O precursor aparece no deserto (v. 4). Essa indicação é importante pois recorda, ao mesmo tempo, o período que vai da libertação do Egito até a entrada na Terra Prometida e o período da saída do exílio na Babilônia até o regresso à pátria (cf. I leitura). Jesus será, portanto, aquele que vai introduzir o povo em nova realidade. De fato, suas primeiras palavras no Evangelho de Marcos são estas: “O tempo já se cumpriu, e o reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na boa notícia” (1,15).
O texto afirma que “toda a região da Judéia e todos os moradores de Jerusalém vinham ao encontro de João Batista. Confessavam os seus pecados e ele os batizava no rio Jordão” (v. 5). O batismo de João era o sinal que predispunha as pessoas à aceitação da novidade prestes a chegar na pessoa de Jesus. Era, pois, o sinal de conversão e compromisso.
Marcos descreve rapidamente o perfil do precursor: “João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel silvestre” (v. 6). Com essas poucas palavras, ele o insere na lista dos profetas do Antigo Testamento. Quanto ao modo de vestir, João Batista é um profeta à semelhança de Elias (cf. 2Rs 1,8) e de outros profetas (cf. Zc 13,4). Quanto à comida e bebida, ele se iguala ao povo pobre que não quer mais depender da exploração econômica dos centros de poder, onde vigora a lei do consumismo e do luxo (cf. o banquete de Herodes na cidade e a comida dos pobres no deserto em Mc 6,14-44).
João Batista é profeta nas palavras e no modo de ser, também na roupa e no alimento. Sua pregação e vida são, ao mesmo tempo, denúncia e apelo: denúncia do que está aí e apelo do que vai ser implantado com a vinda do Messias. Podemos ver a figura do Batista ainda presente em nossa sociedade, basta que olhemos para o modo como o nosso povo se veste e alimenta: chinelos de dedo, tênis velhos, camisetas surradas, calças gastas, farinha e rapadura, arroz e feijão, não são tudo isso denúncia e sinais proféticos? Sim, tudo isso é uma denúncia da nossa sociedade desigual. E a vinda do Messias, “aquele que se compadece desse povo” (cf. 6,34), quer ser vida para os que dela foram privados.
João Batista anuncia a vinda do forte que vem depois dele. Lido à luz das passagens do Antigo Testamento acima citadas, o forte é o Senhor, aquele que vai batizar a humanidade com o Espírito Santo (cf. vv. 7-8). Jesus é forte porque, logo em seguida, ao ser batizado (v. 10), o céu se rasga e o Espírito repousa sobre ele, levando-o a proclamar o fim do tempo de espera e a chegada do Reino (1,15).

Paulus




Preparai o caminho do Senhor
Os textos bíblicos da liturgia deste 2º domingo do Advento são uma convocação à mudança de vida. O povo de Israel, em pleno exílio da Babilônia, faz a experiência da misericórdia de Deus, que, por meio do profeta Isaías, se revela como aquele que perdoa toda iniqüidade e cuida com carinho de cada um de nós. A certeza do perdão e do cuidado de Deus traz consolo, revigora as forças e projeta novo futuro para o povo (1ª leitura). João Batista, o precursor de Jesus, prepara-lhe o caminho, “proclamando um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados”. O seu testemunho pessoal indica o verdadeiro modo de preparar-se para a vinda de Jesus: viver humildemente, anunciando a grandeza e a bondade do Senhor (Evangelho). Jesus é o amor de Deus que se fez carne para a salvação de toda a humanidade. Ele usa de paciência para conosco e “não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se”. Esse tempo histórico em que vivemos pode transformar-se em tempo de salvação (2ª leitura). São palavras que nos encorajam a renovar a confiança no amor misericordioso de Deus e a reconduzir nossos passos no caminho do bem e da vida plena.
1ª leitura (Is. 40,1-5.9-11)
Consolai, consolai meu povo
Esse texto corresponde ao início da profecia de Isaías Segundo (Is. 40-55). É um movimento de animação da esperança, suscitado por Deus, no meio do povo exilado na Babilônia, ao redor do ano 550 a.C. Com entusiasmo poético, o profeta anuncia novo êxodo: o povo de Israel será libertado e reintroduzido à terra que Deus concedera aos antepassados. Assim como o clamor do povo escravizado no Egito chegou aos ouvidos do Senhor, também o sofrimento do povo exilado é conhecido por Deus. O profeta avalia-o como um sofrimento expiatório. Deus acolhe e apaga toda a culpa. Na sua bondade, perdoa-lhes todos os pecados e os livra de todo mal.
Assim como no primeiro êxodo Deus havia libertado os escravos das mãos dos opressores egípcios e os conduzido à terra prometida, também agora ele os livrará da opressão da Babilônia e os conduzirá à sua pátria. Assim como no primeiro êxodo o deserto constituiu caminho de libertação para o povo, sendo guiado pelo próprio Deus, também agora serão conduzidos pela mesma mão divina. Toda barreira será vencida e toda dificuldade transposta. No horizonte: um tempo de bênçãos.
O Senhor vem ao encontro do seu povo como o pastor em busca de suas ovelhas. Ele as reúne, tomando no colo as que necessitam ser carregadas. Deus é o resgatador da vida ameaçada e o cuidador das pessoas enfraquecidas e indefesas. Nisto consiste a sua glória: a vida do povo.
Teologicamente, esse segundo êxodo aponta para um horizonte ilimitado, a libertação em plenitude. Ela acontecerá com a vinda de Jesus Cristo, o Emanuel – “Deus conosco”. Como em terceiro e definitivo êxodo, ele nos põe em marcha, na certeza não apenas das libertações históricas, mas da salvação eterna. O Advento é tempo de vencer as resistências e pôr-se em caminhada, celebrando a presença salvadora de Deus.
Evangelho (Mc. 1,1-8)
Preparai o caminho do Senhor
Marcos apresenta o “princípio do evangelho de Jesus Cristo” – o alegre anúncio do Filho de Deus que assumiu a condição humana. A palavra “princípio” vai além do sentido cronológico. Indica nova origem, novo tempo inaugurado por Jesus. Ele vem para dar início a nova criação. João Batista é o mensageiro que vem preparar--lhe o caminho.
De acordo com a tradição judaica, o Messias seria precedido por Elias (cf. Ml. 3,23). Marcos respeita essa tradição, apresentando João Batista como o novo Elias. Sua missão é comprovada por meio da citação de dois textos da Primeira Aliança (Ml. 3,1 e Is. 40,3). Sua mensagem é ousada; ele fala no mesmo espírito de Elias. É verdadeiramente um profeta. E até “mais do que um profeta”, como dirá Jesus (Lc. 7,26). Sua pregação no deserto corresponde ao anúncio de um tempo de graça e libertação. O deserto, na história de Israel, constituiu lugar teológico da manifestação de Deus tanto no primeiro como no segundo êxodos (cf. comentário da I leitura); constituiu caminho pedagógico de conversão do povo ao projeto de Deus. Também agora, com João Batista, o “deserto” é o espaço/tempo de arrependimento e de conversão. A intervenção salvadora de Deus vai se dar por meio do seu Filho, Jesus Cristo.
O batismo de João indica o início de novo movimento que será levado à plenitude por Jesus. Enquanto João batiza com água, Jesus batizará com o Espírito Santo. O batismo de João está associado à confissão e ao perdão dos pecados. A imersão na água constituía rito purificatório com conseqüente transformação do coração, conforme se percebe nas palavras do profeta Ezequiel: “Borrifarei água sobre vós e ficareis puros; sim, purificar-vos-ei de todas as vossas imundícies e de todos os vossos ídolos imundos. Dar-vos-ei coração novo, porei no vosso íntimo espírito novo, tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ez. 36,25-26).
João Batista deve ter causado profunda impressão aos olhos dos que o conheceram. Vários se fizeram seus discípulos. Chegou a ser considerado o Messias esperado. O texto de Marcos corrige essa concepção. O Messias é Jesus. Seu batismo é com o Espírito Santo, isto é, sua prática é produzida de acordo com a dinâmica eficaz do Espírito Santo. Ele vem combater todas as forças demoníacas. Diante dele, João Batista apresenta-se como um servo indigno de desatar-lhe as correias das sandálias. Jesus é “mais forte”. Percebe-se aqui o eco das palavras de Isaías (9,5): “Um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, ele recebeu o poder sobre seus ombros, e lhe foi dado este nome: Conselheiro-maravilhoso, Deus-forte, Pai-para--sempre, Príncipe-da-paz”.
A atitude de humildade e de serviço de João Batista diante de Jesus torna-se modelo e caminho para todos os que desejam celebrar o Natal de uma maneira coerente com a fé cristã. O convite que nos é lançado é de mudança de vida. “Dobrar-se” perante Jesus é não desperdiçar a graça da salvação que entra definitivamente na história humana.
2ª leitura (2Pd 3,8-14)
Para que ninguém se perca
A segunda carta de Pedro pode ser considerada um “testamento”. Atribuída ao apóstolo Pedro, oferece conselhos às comunidades cristãs espalhadas pelo império romano no início do segundo século, orientando-as para viverem na fidelidade à tradição apostólica. Diversas situações estão desencorajando os cristãos a permanecer na fé que receberam das primeiras testemunhas da vida e da proposta de Jesus.
Uma dessas situações diz respeito à fé na segunda vinda de Jesus. A expectativa da iminência da sua volta já não é tão grande. Um grupo de pregadores trata da questão com zombaria, dizendo: “Não deu em nada a promessa de sua vinda... Tudo continua como desde o princípio da criação” (3,4). O texto deste domingo rebate as idéias desses falsos pregadores. Argumenta que não é uma questão a ser medida pela lógica humana. Os cálculos humanos não conseguem penetrar os desígnios divinos. Seus pensamentos e seus caminhos não são os nossos (cf. Is 55,88-9). A atitude a ser tomada é de nos abandonar, com toda a confiança, ao plano salvador de Deus.
O texto reafirma a volta de Jesus numa nova dimensão de tempo: “Para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia”. O tempo aqui é entendido em seu sentido cairológico. Esse tempo cronológico, tão fugaz, pode se transformar em cairológico, propício para acolher a salvação que Deus nos oferece gratuitamente. O tempo do relógio é a oportunidade que Deus nos dá para entrarmos na dinâmica do “tempo eterno”. Deus usa de muita bondade e paciência para conosco “porque não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se”. A primeira carta a Timóteo (2,4) completa: “Ele quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. O nosso empenho cotidiano, portanto, não é fantasiar sobre quando ou como será o fim do mundo e a volta de Jesus, mas viver na santidade e na justiça, contribuindo para que já neste mundo seja concretizada a sua proposta de vida em abundância, conforme anunciada no evangelho.
Pistas para reflexão
- Sempre a caminho. Deus se revelou na história do povo de Israel em caminhada pelo deserto. Também suscitou a esperança do povo exilado na Babilônia, anunciando-lhe novo êxodo. Jesus se tornou o caminho para todas as pessoas que nele acreditam. Também nós somos peregrinos neste mundo, sempre em caminhada. Todos nos encontramos na condição de êxodo, isto é, em caminho para uma vida sempre melhor: mais justa, mais fraterna, mais santa... Nesta caminhada, temos a certeza de “Deus conosco”. Ele nos educa, orienta, perdoa, encoraja... Ele cuida de cada um de nós como o pastor cuida de suas ovelhas, carregando no colo as mais frágeis. Preparar-se para o Natal é fazer o êxodo pessoal, familiar e comunitário: mais bondade, mais sinceridade, mais atenção, mais justiça, mais amor, mais fé, mais esperança, mais... Isso implica menos correrias, menos consumismo, menos...
- Aos pés de Jesus. João Batista preparou-se para a vinda de Jesus por meio de uma vida simples. Deu testemunho de humildade e serviço. Sentiu-se indigno de ser um escravo de Jesus para desatar-lhe as correias das sandálias. Sua vida foi uma denúncia contra o consumismo e a busca de poder. Sua pregação visava à confissão dos pecados, à conversão e ao perdão divino. O batismo era o sinal externo da disposição interna de purificação e mudança de vida... Preparar-se para o Natal do Senhor é prestar atenção à vida e à mensagem de João Batista. É renovar as promessas do nosso batismo. É “dobrar-se” aos pés de Jesus e renunciar a toda espécie de egoísmo...
- O tempo passa: é preciso saber viver. Para Deus, “mil anos são como um dia...”. Dizemos que o tempo passa sem a gente perceber. O tempo do relógio, nós o perdemos mesmo contra a nossa vontade. Porém, dentro do tempo cronológico podemos viver o tempo cairológico, o tempo de Deus, que “não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se”. Depende de nossas escolhas: ou “perdemos tempo” com superficialidades que nos satisfazem apenas momentaneamente (e não faltam “pregadores” para nos convencer disso), ou “ganhamos tempo” com o cultivo de valores eternos que nos realizam plenamente... O tempo cronológico do Advento é propício para a tomada de decisões que transformem a nossa vida inteira em tempo cairológico, de graça e de salvação.
Celso Loraschi


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