Feliz Natal
4º Domingo do
Advento
24 de Dezembro de 2017
Cor: Roxo
Evangelho
- Lc 1,26-38
Se todos nós
disséssemos SIM todas as vezes em que Jesus bate a nossa porta, todas as
vezes em que Deus nos chama a conversão, este mundo seria o melhor lugar do
mundo para se viver. Não haveria egoísmo, nem suborno, corrupção, violência...
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A acolhida necessária para gerar
o filho de Deus
Neste 4º e último domingo do Advento, meditamos sobre
a anunciação do Senhor, conforme relata o Evangelho de Lucas. O Salvador
encarna-se no mundo pela via não oficial. Ele é concebido no seio de Maria,
camponesa de uma pequena cidade sem importância de uma região marginalizada:
Nazaré da Galileia. O Espírito Santo de Deus encontra em Maria a acolhida
necessária para gerar o Filho de Deus: “Eu sou a serva do Senhor...”. Jesus é
da descendência de Davi, conforme a promessa feita por Deus por meio do profeta
Natã. Davi foi escolhido por Deus para pastorear o povo, e não para projetar-se
mediante magníficas construções. Não precisa construir um templo para Deus, e
sim adorá-lo pela fidelidade à missão recebida. É a vida das pessoas que
interessa a Deus. Ele as liberta e as protege. Por isso, prefere morar no meio
do povo (I leitura). Jesus é o extravasamento do amor divino derramado sobre
todos os povos. Ele nos foi dado a conhecer pelos anúncios proféticos e pela
bondade e sabedoria de Deus, a quem queremos glorificar eternamente (II
leitura). Entrando na semana do Natal, na mesma disposição de Maria, a mãe de
Jesus e nossa, queremos acolher o Salvador e dizer-lhe com o coração e com a
vida: “Eis aqui os servos e as servas do Senhor...”.
1ª leitura 2Sm. 7,1-5.8b-12.14a.16:
A tenda de Deus
A história de Davi, ao longo da Bíblia, vai sendo
contada e recontada pelas sucessivas gerações. Ao redor dessa personagem
cria-se verdadeiro movimento. O regime da monarquia produziu uma realidade de
marginalização para muita gente. A memória de Davi como rei-pastor funciona,
para as vítimas do poder monárquico, como resistência e esperança do
estabelecimento de um reino de justiça e de paz.
A 1ª leitura deste domingo consiste numa denúncia à
situação privilegiada em que se encontra Davi. Depois de uma trajetória de
inúmeras lutas e conflitos, ele se torna rei de Israel, constrói para si uma
casa luxuosa e pretende construir um templo magnífico para Deus. Por meio do
profeta Natã, porém, Deus lembra a Davi que jamais precisou de uma casa, pois
desde o nascimento de Israel sempre morou em tenda, a fim de caminhar com o seu
povo, protegê-lo e libertá-lo.
O nó da questão é que Davi, ao conquistar o poder,
tende a esquecer-se de suas origens humildes e de sua vocação de pastorear o
povo. O projeto de construir um templo para o Senhor revela a intenção de
projetar-se politicamente, firmar seu poder e perenizar sua memória. Não é para
isso que Deus o chamou, e sim para cuidar da vida do povo. Um templo material
para o Senhor revela a pretensão de “apropriar-se” do sagrado e “legitimar” o
domínio monárquico sobre o povo, como vai acontecer a partir de Salomão. A
habitação em que Deus prefere morar não é a feita de cedro, pois isso
significaria afastamento do lugar social onde vivem as pessoas comuns. A
habitação humilde em que Deus quer morar é o chão onde se encontra o povo.
Deus, então, indica que a perenidade do reino de Davi
se dará por outro caminho. De sua descendência virá o Messias. Seu reino,
porém, não será monárquico nem atenderá à expectativa dos dominantes. O
messianismo de Jesus revela-se transgressor desde o anúncio do seu nascimento.
Evangelho Lc. 1,26-38: A
anunciação do Messias
Segundo o Evangelho de Lucas, o anúncio do nascimento
de Jesus se dá no “sexto mês” a contar da concepção de João Batista. É evidente
a ligação com o “sexto dia” da criação, quando Deus criou o ser humano. Jesus
inaugura nova humanidade. O anúncio se dá em Nazaré da Galileia. No Primeiro
Testamento não encontramos referência a essa cidade, o que indica ser um lugar
sem importância. Ninguém poderia supor que a promessa do Messias seria cumprida
por meio de uma jovem camponesa de Nazaré.
Lucas tem clara intenção de contrapor a instituição
religiosa oficial localizada em Jerusalém com a cidadezinha de Nazaré, de onde
não se esperava nada de bom (cf. Jo. 1,46). Maria está comprometida em
casamento com José, da descendência de Davi. Cumpre-se a promessa divina
conforme o anúncio profético. No evangelho, encontramos várias vezes a
expressão “filho de Davi”. Assim, Jesus foi reconhecido pelas multidões como o
Messias que, segundo a crença comum, deveria pertencer à linhagem davídica. No
entanto, ele é “grande” não por ser “filho de Davi”, e sim por ser “Filho do
Altíssimo”. Por isso, “o seu reinado não terá fim”. O reino de Jesus é
universal e eterno, não se ancora no poder temporal nem age com a força de
nenhum exército. Seu programa está contido em seu nome: Jesus = “Deus salva”.
Com relação a Maria, Lucas não menciona sua
ascendência. É uma mulher comum a quem o anjo anuncia que será a mãe de Jesus.
A graça de Deus está nela, e conceberá o “Filho de Deus” com o poder do
Espírito Santo. A “sombra” que cobre Maria lembra a “nuvem” que simbolizava a
presença de Deus no meio do seu povo em caminhada pelo deserto rumo à terra
prometida. O livro do Êxodo relata também: “A nuvem cobriu a tenda da reunião e
a glória do Senhor encheu a habitação” (Ex. 40,34).
Maria é a nova habitação de Deus. O anjo Gabriel,
mensageiro divino (cujo nome significa “Deus é forte”), anuncia: “O Espírito
Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra”. Ela
é escolhida e agraciada como “sinal” salvífico de Deus, conforme anunciara o
profeta Isaías (7,14): “O Senhor vos dará um sinal: eis que a jovem está grávida
e dará à luz um filho e dar-lhe-á o nome de Emanuel”. As expressões:
“agraciada” e “encontraste graça diante de Deus” revelam que o anúncio se
refere à intervenção gratuita e salvadora de Deus em favor da humanidade. Um
sinal dessa intervenção já estava em andamento no seio de sua parenta Isabel:
uma mulher velha e estéril é capaz de gerar a vida, pois “para Deus nada é
impossível”.
A receptividade de Maria ao anúncio do anjo Gabriel
não tem nada a ver com passividade. O seu consentimento de fé liga-se com a
atitude de serviço. Ao fazer-se serva de Deus, permite que sua Palavra se faça
carne nela. Por essa sua atitude de humildade e de entrega ao plano divino,
recebemos a graça do Salvador e Maria torna-se modelo para todos nós.
2ª leitura Rm. 16,25-27: Jesus é
a revelação de Deus ao mundo
Paulo encerra sua carta aos Romanos com um solene
hino de louvor. É a expressão de fé e de louvor das comunidades cristãs
primitivas, maravilhadas com a bondade divina revelada pela encarnação de Jesus
Cristo. Elas se percebem privilegiadas pelo fato de estarem vivenciando em seu
tempo a realização da promessa do Messias salvador, conforme anunciada pelos
profetas.
Jesus Cristo é a revelação do mistério de Deus
“envolvido em silêncio desde os séculos eternos”. É como se Deus abrisse o
coração para que todas as nações pudessem conhecer o seu desígnio de amor e
salvação. Agora tudo foi revelado e fica evidente o sentido das Escrituras
Sagradas no que se refere ao Messias: é dom de Deus para a salvação universal.
O louvor é para “aquele que tem o poder de confirmar”
o evangelho de Jesus Cristo anunciado por Paulo e pelas demais testemunhas
oculares. A compreensão verdadeira da pessoa e da obra redentora de Jesus
Cristo não se dá meramente pelo esforço humano, tanto de quem anuncia como de
quem ouve, e sim pela ação do Espírito Santo. O louvor é para Deus, “o único
sábio”, que se dispôs a derramar sua sabedoria sobre todos os povos e
redimi-los em Jesus Cristo, mediante a “obediência da fé”.
Pistas para reflexão
- A tenda de Deus. Por meio do profeta Natã, Deus
esclarece a Davi que sua morada predileta é no meio do povo. Não lhe agrada a
construção de um templo magnífico. Desde o início da história do povo de
Israel, Deus “desceu” para caminhar com ele. Deus é reconhecido não pelas
grandes construções feitas em sua homenagem, pois atrás delas podem se esconder
intenções políticas de legitimação do domínio de alguns sobre a maioria. Deus é
reconhecido pela fidelidade à sua aliança de amor. Davi não pode se esquecer de
sua missão de pastor junto ao povo. Da linhagem desse Davi, pastor humilde,
nascerá o Messias, não conforme a expectativa oficial, mas a partir do corpo e
do lugar social das pessoas simples e abertas ao amor de Deus...
- Maria, a serva de Deus. A anunciação do anjo Gabriel
a Maria refere-se ao dom maior de Deus à humanidade: Jesus Cristo, o salvador
do mundo. Deus intervém gratuitamente e de modo soberano. Não foi por meio do
templo de Jerusalém nem foi com o aval da religião oficial que o Salvador veio
ao mundo, e sim por meio do corpo de uma humilde jovem de Nazaré da Galileia.
Nela Deus fez a sua tenda. Por ela Deus revela o seu poder e a sua glória. Em
seu seio é gerado o Filho de Deus, o Messias, da descendência de Davi, conforme
a promessa feita por meio dos profetas. Pela obediência da fé de Maria, a
palavra divina torna-se eficaz. A vocação da mãe de Deus ilumina a nossa:
também a nós, pelo mesmo Espírito Santo, nos é dado conceber a Jesus, de forma
que se torne conhecido e amado no mundo. Inspirados pelo exemplo de Maria,
pedimos a Deus que nos transforme em seus servos e servas... Qual concepção
temos de Deus: é a de Davi, preocupado em homenageá-lo com obras materiais
magníficas, ou a de Maria, que acolhe a sua vontade e se faz sua serva?
- Demos glória a Deus! O coração de Deus abriu-se
definitivamente para revelar o seu desígnio de salvação por meio de Jesus
Cristo. Todos os povos são contemplados. Todos são agraciados. É o
extravasamento do amor divino derramado sobre cada um de nós e sobre toda a
criação. Como as primeiras comunidades cristãs, glorificamos a Deus pela
plenitude de seu amor, que ele nos concedeu em Jesus Cristo... O que significa
louvar a Deus por meio da obediência da fé?
Celso Loraschi
Uma casa para Deus
morar
Dentro de uma semana estaremos
celebrando a solenidade do nascimento do Verbo na terra dos homens. Vivemos
ainda o tempo de espera, o tempo de advento. Hoje temos como guia e
mestra do advento a figura de Maria de Nazaré, daquela que abrigou o Verbo com
seu sim e tornou-se a Mãe do desejado das colinas eternas. Deus procurou
uma carne humana para nela fazer sua habitação. A cena da anunciação já foi
representada incontáveis vezes em pinturas, esculturas e decantada em peças
musicais de rara beleza.
O mensageiro de Deus é enviado a
uma moça toda transparente da cidadezinha de Nazaré. Essa Mariam, Miriam
de Nazaré estava prometida em casamento a José. Seu esposo era da casa e da
descendência de Davi. Tudo indica que Maria pertencia ao resto fiel de Israel,
a esse grupo de pessoas retas que não perdia a esperança na realização das
promessas que haviam sido feitas aos seus pais na fé.
Há uma comunicação da
parte de Deus. “Maria, o Senhor pousa o seu olhar sobre ti… Tu tens a plenitude
da graça. Nada em ti é desordem. O Senhor quer que tu possas ser dele e
aceites acolhê-lo em tua mais profunda verdade. Alegra-te, porque és a
cheia de graça”.
O coração de Maria dá voltas e
voltas no peito. Tudo lhe parece grande e grandioso. Ela se sente
pequena. O texto de Lucas fala de um menino que dela vai nascer, que será
fruto da sombra do Espírito de Deus que sobre ela pousará, de um menino que tem
a ver com Davi e sua descendência, ele que será Filho do Altíssimo. Maria
hesita, mas escuta o que lhe foi dito com os ouvidos da fé: “O Espírito
virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso,
o menino que vai nascer de ti se chamará Filho do Altíssimo”.
Maria aceita o convite. Diz seu
sim. Ficará fiel a este sim. Apresenta-se diante do Senhor como sendo a
serva do Altíssimo. O consentimento de Maria abre as cortinas para o
amanhã do projeto de Deus e dos dias da humanidade. Ela aceita ser morada de
Deus para fazer com que o Altíssimo impregne com sua presença a humanidade
toda.
“Deus coloca sua morada
entre os homens e faz da humanidade seu templo: as pedras que o constituem
são os homens do “sim” incondicional a Deus. Maria é a primeira
pedra viva da casa de Deus entre os homens. Depois José: disponível ao plano de
Deus, assegura ao menino, que nascerá de Maria, por obra do Espirito Santo, a
descendência real da estirpe de Davi. Maria, em sua absoluta disponibilidade ao
plano de Deus, se torna mãe do Messias prometido. O Filho de Deus, que “terá o
trono de Davi” e “seu reino não terá fim”. Pelo “sim” de pessoas tão
humildes, pobres, atentas à vontade de Deus. Jesus, filho de Davi, entra
na história do mundo. Esta é a sua casa, o seu templo” (Missal Dominical
da Paulus, p. 48).
frei Almir Ribeiro Guimarães
A promessa de Deus e o “sim” do
homem
Com o 4° domingo, o Advento chega ao auge. O
evangelho traz o pleno cumprimento de todos os sinais que anunciam a vinda do
Salvador. A promessa feita a Davi, de que sua descendência teria seu trono
firmado para sempre (2Sm. 7; cf. 1ª leitura), realiza-se no filho de Maria,
juridicamente inserida, através de seu noivo José (o noivado tinha força
jurídica), na descendência de Davi (Lc. 1,27). A este filho, Deus dará - embora
não do modo que se esperava - o trono de Davi, o governo da casa de Jacó
(Israel) para sempre (cf. 2Sm. 7,16). Já aprendemos, por estas últimas
palavras, que as profecias se cumprem de um modo que a inteligência humana
desconhece (1). O modo de Jesus ser o Cristo que reinará para sempre, e o modo
em que a casa de Israel se tomará um povo universal, nenhum contemporâneo de
Maria o podia imaginar, e mesmo Maria só o vislumbrava como Mistério de Deus.
As profecias não são programas a serem executados. São sinais da obra
inesperada que Deus está realizando, sinais que a gente só entende plenamente
depois da obra realizada.
Outro sinal que a gente reconhece ao reler o A.T. à
luz do Evento de Jesus Cristo é a profecia de Is. 7,14. Embora o rei Acaz não
gostasse de que Deus se intrometesse nos seus negócios políticos, Deus lhe deu
um sinal: o nascimento de um filho de uma mulher nova (“virgem”, traduz a
versão grega do A.T., usada pelos primeiros cristãos). Esse filho seria chamado
Emanuel, “Deus conosco” (cf. Mt. 1,23; 4° dom. Adv. A). No tempo de Is, isso
significava: nos dias de catástrofe que hão de vir (722 a.C.: destruição do
Norte e invasão do Sul pelos assírios), este rapaz de nome Emanuel, nascido
como que por ordem de Deus, lembrará que Deus está com o povo. Mas, para quem
conhece a história de Jesus, esse sinal reveste um sentido novo. Prefigura o
mistério de Deus, a obra de seu “sopro” ou “espírito” vivificador (cf. Gn. 2,7;
Ez. 37,9; Sl 104[l03],29-30) em Maria, suscitando nela um filho que não é fruto
da geração humana (Lc 1,34; cf. Mt 1,18-24), mas um presente de Deus à
humanidade: sendo obra do Espírito Santo, que veio sobre Maria, este filho é
chamado “Santo” e “filho do Altíssimo” (Lc. 1,36; cf. as atribuições do filho
real em Is. 9,5-6; 11,1-5), o filho em que Deus investe todo seu bem-querer
(Lc. 3,22), enviado e ungido com seu Espírito (4,18). É o verdadeiro e
definitivo “Deus conosco”.
Mas o sinal por excelência da realização da promessa
é o próprio nascimento do precursor de Cristo, do seio de Isabel, que tinha a
fama de ser estéril (1,36). João Batista é “sinal” no sentido mais pleno
imaginável: seu nascimento mostra a força do Altíssimo gerando o Salvador; sua
missão prepara o caminho para este Salvador; sua pregação anuncia o Reino que o
Cristo inaugura.
Ora, a obra de Deus através da História, assinalada
pelos referidos sinais, anunciada como plenificando-se na alegre saudação do
Anjo, que proclama a plenitude da graça de Deus em Maria (Lc. 1,28-30; cf. Sf.
3,14-15; Zc. 2,14 etc.), só se toma fecunda para o homem se este o quiser. Daí,
a importância de dizer: “Sim”. Maria, respondendo ao Anjo (representando Deus
mesmo) seu Fiat (“Faça-se em mim segundo a tua palavra”; Lc. 1,38),
colocando-se, como serva, a serviço do Senhor, é a primeira de todos os que,
pela adesão da fé, “dão chances” à obra definitiva de Deus em Jesus Cristo. O
Fiat de Maria representa a fé da humanidade e a disponibilidade com que a
Igreja quer assumir o Mistério de Natal (cf. oração final).
Diante de todos esses sinais, na história de Israel e
de Maria, devemos afirmar o que Paulo nos diz na 2ª leitura: em Cristo se toma
manifesto o que, desde séculos, as Escrituras, ao mesmo tempo que o
assinalavam, escondiam: o Mistério de Deus (Rm. 1,25-26; cf. Mt. 13,35). Os
autores escriturísticos vislumbravam uma presença fiel de Deus nos fatos
provisórios da História. Vistos a partir de Jesus Cristo, estes fatos tornam-se
indícios do que se manifesta, em plena clareza, nele mesmo, e isto, para todos
os povos, ao menos, quando conduzidos pela auscultação da fé (Rm 1,26) Por
isso, podemos louvar e agradecer (1,27).
(1.) 0 “recado” de Natã a Davi, de que sua
descendência estaria firme para sempre (2Sm. 7,16), foi entendido,
originariamente, como a certeza de que Israel sempre teria um rei da dinastia
davídica, e o nascimento de um filho real é saudado, em Is. 9,6, como sendo a
confirmação desta promessa. Depois que o Exílio (586-535 a.C.) abolira o
reinado, o “para sempre” foi interpretado como significando “de novo”. Israel
(reduzido a um pequeno resto, ou seja, a população de Judá, no sul do pais)
teria um novo rei (davídico), um novo “ungido” (Messias ou Cristo). Mas o que é
anunciado a Maria ultrapassa de longe o que os judeus depois do exílio
esperavam.
padre Johan Konings "Liturgia dominical"
Anunciação
Em Nazaré, cidade insignificante e simples na
Galiléia, ao norte da Palestina, morava Maria, uma moça temente a Deus e
prometida em casamento a José, que era descendente da tribo de Davi.
Deus, em seu amor infinito pela humanidade, a
escolheu antes mesmo de ela ser concebida - por graça, e não pelo seu próprio
merecimento – para que ela colaborasse com o Seu plano de salvação. Ele enviou
um anjo a Maria que lhe disse: “Alegra-se cheia de graça, pois o Senhor está
com você.” Isto quer dizer:
Deus veio habitar no coração dessa jovem para,
através dela, exercer o amor aos Seus filhos.
Maria ficou perturbada com as palavras do anjo que a
tranqüilizou e pediu-lhe que não temesse, pois, era especial aos olhos de Deus.
Ela ouviu dele que a sua missão seria a de ser Mãe do Filho de Deus e, teve
dificuldades para compreender isto, pois não sabia como
poderia ficar grávida se ainda não tinha se casado.
O anjo explica-lhe que tudo é possível através da
vontade de Deus e, que isto acontecerá pela ação do Espírito Santo. Comparou
aquele momento, com o que estava acontecendo com a sua prima Isabel que
era considerada estéril e que engravidou na velhice.
Maria, confiou em Deus e deu o seu “sim”
incondicional, aceitando a vontade d’Ele. Ela é o tipo de discípulo que Deus
procura; se põe à disposição para servir ao projeto de Deus, mostrando, em suas
ações, duas atitudes fundamentais para quem está
disposto a se comprometer com o Reino de Deus: a fé e o serviço.
Este sim de Maria deve ser também, dado por todos
aqueles que conhecem a Deus e aceitam ser obedientes a Ele sem temor.
Pequeninos do Senhor
A promessa de Deus e o “sim” do
homem
1ª leitura: 2Sm
7,1-5.8b-12.14a.16
O Filho de Davi
O Deus que tirou Israel do Egito e fez com ele uma
aliança (Ex. 20,2; 24,3-8), também estabeleceu Davi como rei, como “Servo”
predileto (2Sm. 7,5). Quando Davi quer construir uma “casa” (= templo) para
Javé, este manda Natã dizer que nunca precisou de casa alguma, mas acompanhou
Israel numa tenda (7,6b), em todas as circunstâncias (7,9). Por isso, Deus
construirá uma “casa” (= dinastia) para Davi, firme para sempre. Esta promessa
é plenamente realizada em Jesus, filho de Maria, na linhagem de Davi.
* Cf. 1Cr. 17,1-15 * 7,1-3 cf. Dt. 12,9-10;
Sl. 132[131],1-5 * 7,8-11 cf. 1Sm. 16,11; Sl. 78[77],70-71; 89[88],4.28-30
* 7,16 cf. 2Sm. 23,5; Lc. 1,32-33.
2ª leitura: Rm. 16,25-27
O Mistério de Deus revelado em
Jesus Cristo e a fé universal
No hino final de Rm. aparece o poder salvífico de
Deus, que confirma a comunidade nascida do Evangelho. O sentido daquilo que,
como um germe, estava escondido nas antigas Escrituras, fica agora patente, e
isso, para todas as nações. Esta manifestação, porém, não se impõe pela força,
mas exige a fé em Jesus Cristo e sua obra.
* Cf. Ef. 3,20-21; 1Cor. 1,8; Cl. 2,7; 1,26-27;
Ef. 3,3-12.
Evangelho: (Lc. 1,25-38)
Anunciação do Anjo a Maria
(Cf. festa da Imaculada Conceição de Maria) –
Realização da promessa feita a Davi (1,32; cf. 1ª leitura), a Acaz (cf. Is. 9),
etc., mediante a graça de Deus (Lc. 1,28.30) e a disponibilidade de Maria
(1,38). Não é o processo da geração humana, que realiza esta promessa, mas obra
de Deus (1,34-35: Maria não “conhece” homem), e o sinal para assinalar a
presença do “sopro” de Deus (“Espírito”) é a inesperada gravidez de Isabel
(1,35-37). Jesus é um presente de Deus à humanidade.
* 1,26-28 cf. Mt. 1,18; Sf. 3,14-15; Zc. 2,14
* 1,31-33 cf. Is. 7,14; 2Sm. 7; Is. 9,6 – 1,35 cf. Ex. 24,15-16; Lc. 9,34
* 1,37 cf. Gn. 18,14; Jr 32,17.
Com o 4º domingo, o Advento chega ao auge. O
evangelho traz o pleno cumprimento de todos os sinais que anunciam a vinda do
Salvador. A promessa feita a Davi, de que sua descendência teria seu trono
firmado para sempre (2Sm 7; cf. 1ª leitura), realiza-se no filho de Maria,
juridicamente inserida, através de seu noivo José (o noivado tinha força
jurídica), na descendência de Davi (Lc 1,27). A este filho, Deus dará – embora
não do modo que se esperava – o trono de Davi, o governo da casa de Jacó
(Israel) para sempre (cf. 2Sm 7,16). Já aprendemos, por estas últimas palavras,
que as profecias se cumprem de um modo que a inteligência humana desconhece.* O
modo de Jesus ser o Cristo que reinará para sempre, e o modo em que a casa de
Israel se tornará um povo universal, nenhum contemporâneo de Maria o podia
imaginar, e mesmo Maria só o vislumbrava como Mistério de Deus. As profecias
não são programas a serem executados. São sinais da obra inesperada que Deus
está realizando, sinais que a gente só entende plenamente depois da obra
realizada.
Outro sinal que a gente reconhece ao reler o A.T. à
luz do Evento de Jesus Cristo é a profecia de Is 7,14. Embora o rei Acaz não
gostasse de que Deus se intrometesse nos seus negócios políticos, Deus lhe deu
um sinal: o nascimento de um filho de uma mulher nova (“virgem”, traduz a
versão grega do A.T., usada pelos primeiros cristãos). Esse filho seria chamado
Emanuel, “Deus conosco” (cf. Mt. 1,23; 4º dom. Adv. A). No tempo de Is, isso
significava: nos dias de catástrofe que hão de vir (722: destruição do Norte e
invasão do Sul pelos assírios), este rapaz de nome Emanuel, nascido como que
por ordem de Deus, lembrará que Deus está com o povo. Mas, para quem conhece a
história de Jesus, esse sinal reveste um sentido novo. Prefigura o mistério de
Deus, a obra de seu “sopro” ou “espírito” vivificador (cf. Gn. 2,7; Ez. 37,9;
Sl 104[103],29-30) em Maria, suscitando nela um filho que não é fruto da
geração humana (Lc. 1,34; cf. Mt. 1,18-24), mas um presente de Deus à
humanidade: sendo obra do Espírito Santo, que veio sobre Maria, este filho é
chamado “Santo” e “filho do Altíssimo” (Lc. 1,36; cf. as atribuições do filho
real em Is 9,5-6; 11,1-5), o filho em que Deus investe todo seu bem-querer (Lc
3,22), enviado e ungido com seu Espírito (4,18). É o verdadeiro e definitivo
“Deus conosco”.
Mas o sinal por excelência da realização da promessa
é o próprio nascimento do precursor de Cristo, do seio de Isabel, que tinha a
fama de ser estéril (1,36). João Batista é “sinal” no sentido mais pleno
imaginável: seu nascimento mostra a força do Altíssimo gerando o Salvador; sua
missão prepara o caminho para este Salvador; sua pregação anuncia o Reino que o
Cristo inaugura.
Ora, a obra de Deus através da História, assinalada
pelos referidos sinais, anunciada como plenificando-se na alegre saudação do
Anjo, que proclama a plenitude da graça de Deus em Maria (Lc. 1,28-30; cf. Sf.
3,14-15; Zc. 2,14, etc.), só se torna fecunda para o homem se este o quiser.
Daí, a importância de dizer: “Sim”. Maria, respondendo ao Anjo (representando
Deus mesmo) seu Fiat (“Faça-se em mim segundo a tua palavra”; Lc. 1,38),
colocando-se, como serva, a serviço do Senhor, é a primeira de todos os que,
pela adesão da fé, “dão chances” à obra definitiva de Deus em Jesus Cristo. O
Fiat de Maria representa a fé da humanidade e a disponibilidade com que a
Igreja quer assumir o Mistério de Natal (cf. oração final).
Diante de todos esses sinais, na história de Israel e
de Maria, devemos afirmar o que Paulo nos diz na 2ª leitura: em Cristo se torna
manifesto o que, desde séculos, as Escrituras, ao mesmo tempo em que o
assinalavam, escondiam: o Mistério de Deus (Rm. 1,25-26; cf. Mt. 13,35). Os
autores escriturísticos vislumbravam uma presença fiel de Deus nos fatos
provisórios da História. Vistos a partir de Jesus Cristo, estes fatos tornam-se
indícios do que se manifesta, em plena clareza, nele mesmo, e isto, para todos
os povos, ao menos, quando conduzidos pela auscultação da fé (Rm. 1,26). Por
isso, podemos louvar e agradecer (1,27).
* Nota: O “recado” de Natã a Davi, de que sua
descendência estaria firme para sempre (2Sm 7,16), foi entendido,
originariamente, como a certeza de que Israel sempre teria um rei da dinastia
davídica, e o nascimento de um filho real é saudado, em Is 9,6, como sendo a
confirmação desta promessa. Depois que o Exílio (586-535) abolira o reinado, o
"para sempre” foi interpretado como significando “de novo”. Israel
(reduzido a um pequeno resto, ou seja, a população de Judá, no sul do país)
teria um novo rei (davídico), um novo “ungido” (= Messias ou Cristo). Mas o que
é anunciado a Maria ultrapassa de longe o que os judeus depois do exílio esperavam.
Filho de Davi e Filho de Deus
Uma história antiga. Por volta do ano 1.000 a.C., o
rei Davi consegue firmar seu “império” e pensa em construir uma “casa” para
Deus, um templo. Mas Deus manda o profeta Natã dizer a Davi que ele não é de
viver em templo: acompanhou o povo de Israel pelo deserto numa tenda, a Tenda
da Aliança. E mais: ele, Deus, vai construir uma casa para Davi – casa no
sentido de família, descendência. E então, Deus, será como um pai para o
descendente do rei (1ª leitura).
Mil anos depois, Deus se mostra fiel à sua promessa.
Vive em Nazaré um descendente remoto de Davi. Chama-se José. Tem uma noiva,
Maria. Nesta, ligada à casa de Davi por ser noiva do descendente, Deus quer
suscitar, pela misteriosa ação de seu Espírito, o prometido “filho de Davi”.
Conforme a promessa, Deus será um pai para o prometido, que será para ele um
filho: o “Filho do Altíssimo”, o Messias (Lc. 1,32, evangelho). Maria não
consegue imaginar como isso será possível. Ela nem está convivendo com José.
Então, Deus lhe dá um sinal para mostrar que ela pode confiar em sua palavra.
Faz-lhe conhecer a gravidez de sua parenta Isabel, que era estéril. E Maria,
confiante na fidelidade de Deus, dá o seu “sim”: “Aconteça-me segundo a tua
palavra” (1,38).
Deus dá sinais. As profecias, que revelam o modo de
agir de Deus, são sinais da fidelidade de Deus (2ª leitura). Que de Maria nasça
um remoto “filho de Davi” é um sinal de que ele é “Filho de Deus”, obra de Deus
na humanidade. Ora, para realizar seu projeto, Deus se expõe ao “sim” dessa
mocinha do povo. Assim, o “Filho de Deus” será um verdadeiro “filho da
humanidade”, alguém que faça parte de nossa história e nos liberte de verdade.
Só o que é assumido pode ser salvo, diz Sto. Irineu. Se Jesus não fosse
verdadeiro filho da humanidade, nossa salvação nele seria mera ficção.
Não expliquemos. Contemplemos. “Revelação de um
mistério envolvido em silêncio desde os séculos eternos”… (Rm. 1,25). Não
peçamos a Deus que ele justifique seu modo de agir para os nossos critérios
“científicos”. Quanto sabemos das coisas da criação… e das do Criador?
Admiremos o modo de Deus se tornar presente. E, sobretudo, não queiramos fazer
da mãe de Jesus uma Maria qualquer. Será que temos medo de reconhecer que, em
algumas pessoas, Deus faz coisas especiais? Estamos com ciúmes? Ora, não acha
cada qual a sua namorada excepcional em comparação com as outras moças? Não
neguemos a Deus esse prazer…
Essa admiração, porém, não é alienação. Só por ser
verdadeiramente humano é que Jesus realiza entre nós uma missão verdadeiramente
divina. Pois se fosse um anjo, nada teria a ver conosco. Jesus é tão humano
como só Deus pode ser. Que ele é descendente de Davi significa que ele resume
em si toda a história humana. Resume, recapitula, reescreve essa história. A
história de Adão, a história de Davi, do “reinado”, da comunidade humana
política e socialmente organizada. Será que desta vez vai dar certo – menos
guerras, adultérios, idolatrias…? Da sua parte, a “qualidade divina” da obra
está garantida. Deus está com ele, “Emanuel”. Mas, e da nossa parte?
padre Jaldemir Vitório
1ª leitura (2Sm. 7,1-5.8b-12.14a.16) - O Filho de
Davi
O Deus que tirou Israel do Egito e fez com ele uma
aliança (Ex. 20,2; 24,3-8), também estabeleceu Davi como rei, como “Servo”
predileto (2Sm. 7,5). Quando Davi quer construir uma “casa” (= templo) para
Javé, este manda Natã dizer que nunca precisou de casa alguma, mas acompanhou
Israel numa tenda (7,6b), em todas as circunstâncias (7,9). Por isso, Deus
construirá uma “casa” (= dinastia) para Davi, firme para sempre. Esta promessa
é plenamente realizada em Jesus, filho de Maria, na linhagem de Davi. * Cf.
1Cr. 17,1-15 * 7,1-3 cf. Dt. 12,9-10; Sl 132[131],1-5 * 7,8-11 cf.
1Sm. 16,11; Sl. 78[77],70-71; 89[88],4.28-30 * 7,16 cf. 2Sm. 23,5; Lc.
1,32-33.
2ª leitura (Rm 16,25-27) - O Mistério de Deus
revelado em Jesus Cristo e a fé universal – No hino final de Rm, aparece o
poder salvífico de Deus, que confirma a comunidade nascida do Evangelho. O
sentido daquilo que, como um germe, estava escondido nas antigas Escrituras,
fica agora patente, e isso, para todas as nações. Esta manifestação, porém, não
se impõe pela força, mas exige a fé em Jesus Cristo e sua obra. * Cf. Ef.
3,20-21; 1Cor. 1,8; Cl. 2,7; 1,26-27; Ef. 3,3-12.
Evangelho (Lc. 1,25-38) - Anunciação do Anjo a Maria
(Cf. festa da Imaculada Conceição de Maria)
Realização da promessa feita a Davi (1,32; cf. 1ª
Leitura), a Acaz (cf. Is. 9), etc., mediante a graça de Deus (Lc. 1,28.30) e a
disponibilidade de Maria (1,38). Não é o processo da geração humana, que
realiza esta promessa, mas obra de Deus (1,34-35: Maria não “conhece” homem), e
o sinal para assinalar a presença do “sopro” de Deus (“Espírito”) é a
inesperada gravidez de Isabel (1,35-37). Jesus é um presente de Deus à
humanidade. * 1,26-28 cf. Mt. 1,18; Sf 3,14-15; Zc 2,14
* 1,31-33 cf. Is. 7,14; 2Sm. 7; Is. 9,6 – 1,35 cf. Ex. 24,15-16; Lc. 9,34
* 1,37 cf. Gn. 18,14; Jr 32,17.
Filho de Davi e filho de Deus
Uma história antiga. Por volta do ano 1000 a.C., o
rei Davi consegue firmar seu “império” e pensa em construir uma “casa” para
Deus, um templo. Mas Deus manda o profeta Natã dizer a Davi que ele não é de
viver em templo: acompanhou o povo de Israel pelo deserto numa tenda, a Tenda
da Aliança. E mais: ele, Deus, vai construir uma casa para Davi – casa no
sentido de família, descendência. E então, Deus, será como um pai para o
descendente do rei (1ª leitura).
Mil anos depois, Deus se mostra fiel à sua promessa.
Vive em Nazaré um descendente remoto de Davi. Chama-se José. Tem uma noiva, Maria.
Nesta, ligada à casa de Davi por ser noiva do descendente, Deus quer suscitar,
pela misteriosa ação de seu Espírito, o prometido “filho de Davi”. Conforme a
promessa, Deus será um pai para o prometido, que será para ele um filho: o
“Filho do Altíssimo”, o Messias (Lc. 1,32, evangelho). Maria não consegue
imaginar como isso será possível. Ela nem está convivendo com José. Então, Deus
lhe dá um sinal para mostrar que ela pode confiar em sua palavra. Faz-lhe
conhecer a gravidez de sua parenta Isabel, que era estéril. E Maria, confiante
na fidelidade de Deus, dá o seu “sim”: “Aconteça-me segundo a tua palavra”
(1,38).
Deus dá sinais. As profecias, que revelam o modo de
agir de Deus, são sinais da fidelidade de Deus (2ª leitura). Que de Maria nasça
um remoto “filho de Davi” é um sinal de que ele é “Filho de Deus”, obra de Deus
na humanidade. Ora, para realizar seu projeto, Deus se expõe ao “sim” dessa
mocinha do povo. Assim, o “Filho de Deus” será um verdadeiro “filho da
humanidade”, alguém que faça parte de nossa história e nos liberte de verdade.
Só o que é assumido pode ser salvo, diz Sto. Irineu. Se Jesus não fosse
verdadeiro filho da humanidade, nossa salvação nele seria mera ficção.
Não expliquemos. Contemplemos. “Revelação de um
mistério envolvido em silêncio desde os séculos eternos”… (Rm. 1,25). Não
peçamos a Deus que ele justifique seu modo de agir para os nossos critérios
“científicos”. Quanto sabemos das coisas da criação… e das do Criador?
Admiremos o modo de Deus se tornar presente. E, sobretudo, não queiramos fazer
da mãe de Jesus uma Maria qualquer. Será que temos medo de reconhecer que, em
algumas pessoas, Deus faz coisas especiais? Estamos com ciúmes? Ora, não acha
cada qual a sua namorada excepcional em comparação com as outras moças? Não neguemos
a Deus esse prazer…
Essa admiração, porém, não é alienação. Só por ser
verdadeiramente humano é que Jesus realiza entre nós uma missão verdadeiramente
divina. Pois se fosse um anjo, nada teria a ver conosco. Jesus é tão humano
como só Deus pode ser. Que ele é descendente de Davi significa que ele resume
em si toda a história humana. Resume, recapitula, reescreve essa história. A
história de Adão, a história de Davi, do “reinado”, da comunidade humana
política e socialmente organizada. Será que desta vez vai dar certo – menos
guerras, adultérios, idolatrias…? Da sua parte, a “qualidade divina” da obra
está garantida. Deus está com ele, “Emanuel”. Mas, e da nossa parte?
padre Johan Konings
Maria experimenta
Deus vivendo nela
Davi queria construir um templo
para abrigar a arca da Aliança. Através da arca, que continha as tábuas da Lei,
o povo experimentava a presença de Deus. Sobre a sua intenção de construir
referido templo, ele consulta o profeta Natã, o mesmo que denunciou o grave
pecado do rei. No entanto, a resposta de Natã a Davi não agradou a Deus:
“realiza o projeto que tens no coração”. Deus faz Natã voltar atrás e comunicar
a Davi o que Ele deseja. Deus não é prisioneiro de nossos projetos nem tampouco
de nossos caprichos. Davi invertia a ordem das coisas: não era ele o benfeitor
de Deus, mas Deus quem era o benfeitor de Davi. O mal de Davi era a sua
vaidade. Se Deus, à época, rejeita para si um santuário, é porque o seu Filho,
encarnado para a salvação de toda a humanidade, será o lugar de sua habitação.
Na tradição da Igreja, a “arca
da Aliança” é Maria, pois ela carregou no seu próprio seio a Palavra encarnada
do Pai. Se Maria é a arca, Jesus é, como dissemos acima, o “Templo” no qual
Deus habita e é encontrado. Nesse “Templo” não há o véu que esconde o rosto de
Deus, pois Ele é a imagem do Deus invisível (Cl 1,15). Estando diante dele, se
está diante de Deus (cf. Jo 14,9). O texto do anúncio do anjo a Maria é
surpreendente. É Deus quem toma a iniciativa de vir ao encontro do ser humano
para fazê-lo participar da obra do seu amor. O relato, tomado no seu conjunto,
mostra que Deus vai manifestando e fazendo compreender o seu projeto de amor
num diálogo permanente com o ser humano. É em nossa história pessoal que Deus
trava um diálogo conosco, como fez com Maria, para nos dar a possibilidade de
participar de sua própria vida. Gerando, segundo a carne, o Filho de Deus,
Maria experimenta Deus vivendo nela, e ela se experimenta participando da vida
divina. No dinamismo da encarnação, em que a criação chega à sua plenitude,
Deus quis contar com o ser humano. Nem a esterilidade de Isabel nem tampouco a
virgindade de Maria foram impedimentos para que Deus cumprisse a sua palavra. A
liberdade do ser humano poderia ter sido um impedimento. No entanto, em Maria,
ícone da Igreja, Deus encontra o “sim”, a adesão humana necessária para que o
seu Verbo tivesse uma existência histórica, como membro de um povo.
Carlos Alberto Contieri,sj
Maria, escolhida
por Deus
A narrativa da anunciação do
anjo a Maria é exclusiva do evangelho de Lucas. No evangelho de Mateus a
comunicação do anjo é feita a José. O evangelho mais antigo, de Marcos,
inicia-se com a pregação de João Batista e o batismo de Jesus. Lucas, por sua
vez, em uma perspectiva retrospectiva, iniciará com o anúncio do nascimento de
João a Zacarias e do nascimento de Jesus a Maria. João Batista e Jesus estão
intimamente ligados no projeto de Deus. Lucas faz um paralelismo entre as
origens dos dois. João, a partir da escolha do próprio nome pelo anjo,
diferente do nome do pai, significa a ruptura com a tradição familiar
sacerdotal e com o sistema religioso do judaísmo. Jesus, com sua prática nova
que flui do amor, no Espírito Santo, confirmará esta ruptura com a tradição
templária e legalista. Maria e José representam a periferia. Um operário de
Nazaré, na Galiléia paganizada, apresenta na sua ascendência genealógica um
ramo davídico. Porém a concepção de Jesus dar-se-á por obra do Espírito Santo,
frustrando as expectativas messiânicas fundadas na tradição davídica elaborada
por meio da profecia de Natan (cf. primeira leitura), o que exigirá
amadurecimento dos discípulos para compreende-lo.
Em Maria, escolhida por Deus,
encontramos a plenitude da dignidade, na humildade, na simplicidade, no serviço
e no amor. Maria ouve a saudação do anjo: "Alegra-te, cheia de graça! O
Senhor está contigo". A graça consiste nos dons de Deus. A presença do
Senhor significa a força para cumprir uma missão que parece estar além das condições
humanas. Está em andamento a revelação do mistério de Deus (segunda leitura).
Maria, livremente e consciente de que pode confiar em Deus, dá sua inteira
adesão ao Espírito que renova todas as coisas em Jesus. Pela encarnação, que já
acontece a partir da concepção de Jesus no ventre de Maria, Deus nos dá a
conhecer que homem e mulher, foram criados para participarem da sua vida divina
e eterna. Em Jesus, que é a expressão histórica desta realidade revelada,
encontramos esta íntima união entre o humano e o divino.
José Raimundo Oliva
Eis! Estamos no último dos quatro domingos do santo
Advento! Estamos já em plena Semana Santa do Natal, iniciada no dia 17 de
dezembro. A Igreja, a gora, é toda atenção, toda contemplação do mistério da
encarnação, preparando-separa celebrar o Natal do Senhor. Sua vinda é a nossa
salvação, sua chegada é o anúncio da esperança a todos os povos, a toda a
humanidade, a anual celebração do seu Natal recorda-nos que nosso Deus não é de
longe, mas de perto, de pertinho da humanidade toda e de cada um de nós. O
Filho eterno de Pai fez-se homem para encher de Vida divina a nossa existência
humana. É esta o Mistério de que fala são Paulo na segunda leitura da Missa de
hoje: “Mistério mantido em sigilo desde sempre. Agora, este mistério dói
manifestado e... conforme determinação do Deus eterno, foi levado ao
conhecimento de todas as nações, para trazê-las à obediência da fé!” Antes,
parecia que Deus era Deus somente de Israel, esquecendo os outros povos, a
grande massa da humanidade. Agora, não! Com a aproximação do Santo Natal,
contemplamos a benevolência de Deus para toda a humanidade: no segredo do seu
coração havia um amoroso e misterioso projeto: salvar toda a humanidade pelo
fruto que haveria de vir da raça de Israel, da tribo de Judá, da Casa de Davi.
O que nos deve encantar neste domingo, não é somente
a grandiosidade desse mistério, dessa surpresa de um Deus que, desde sempre,
preocupou-se com todos, com toda a humanidade e não só com Israel... o que nos
deve encantar é também o modo como o Senhor realiza o seu desígnio: ele age nos
escondido da história humana, no pequenininho de nossas vidas, nas humildes
decisões de nossa existência. Pensemos bem! Primeiro, o rei Davi, humilde
pastor de Belém, mais novo dos muitos filhos do velho Jessé. E Deus o escolheu:
para rei e para dele fazer uma dinastia da qual nasceria o Santo Messias. Davi,
que desejava humildemente construir uma casa, um templo para o Senhor, fica
sabendo que é Deus quem lhe construirá uma Casa, isto é, uma dinastia, uma
descendência, da qual nascerá Aquele bendito Descendente que enche de alegria o
nosso coração: “O Senhor te anuncia que te fará uma casa. Quando chegar o fim
dos teus dias e repousares com teus pais, então, suscitarei, depois de ti, um
filho teu, e confirmarei a sua realiza. Eu serei para ele um pai e ele será
para mim um filho. Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de
mim, e teu trono será firme para sempre!” Eis a bondade do Senhor, que de um
simples pastorzinho fará nascer o Salvador que reina para sempre. Depois,
podemos pensar em José, naquele que tinha recebido como prometida em casamento
uma virgem mocinha chamada Maria... José, homem simples, moço de Deus. Membro
pobre da família real de Davi, simples artesão. Moço de Deus, que vivia na
justiça do Senhor, praticando a Lei do Deus de Israel. E o Senhor,
misteriosamente o escolhe para ser o esposo daquela na qual se cumprirão as
palavras do Senhor. Recordemo-nos do Evangelho segundo Mateus: “José, filho de
Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do
Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus,
pois ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt. 1,20-21). Pobre José! Bendito
José! Jamais esperaria tal coisa, tal gesto imprevisto do Santo de Israel! Ele,
um simples carpinteiro, cuidador, tutor, guardador, de um filho que não seria
seu filho! Ele escutaria, doravante, o Filho eterno do eterno Pai, chamá-lo de
pai!
Finalmente, pensemos em Maria. Aqui a surpresa de
Deus chega ao máximo. Uma jovenzinha pobre, uma virgem sem nome importante,
perdida nas montanhas do norte da Terra Santa, em Nazaré da Galiléia. E o
Senhor Deus lhe dirige a palavra, faz-lhe a mais estonteante proposta que um
pobre filho de Eva jamais escutara: ser, virginalmente, a mãe do Messias, a Mãe
do Filho de Deus, a Terra bendita e santa na qual brotaria a Raiz de Jessé, o
Rebento prometido; ser a doce a Aurora do Dia sem fim, ser a Estrela d’Alva que
prenuncia o Sol eterno! “Alegra-te, Cheia de Graça! O Senhor é contigo, Virgem
Maria! Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus!”.
São Bernardo de Claraval, no século XII, imaginando
este encontro inaudito, entre a Virgem e o anjo, diz a Nossa Senhora: “Ouviste,
ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem, mas do
Espírito Santo. O anjo espera tua resposta. Também nós, Senhora, miseravelmente
esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de
misericórdia. Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação; se consentes,
seremos livres; com uma breve resposta tua seremos chamados à vida! Ó Virgem
cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera
descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os
outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da
morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés.
E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a
redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os
filhos de Adão, de toda a tua raça. Apressa-te, ó virgem, em dar a tua
resposta! Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe! Abre, Virgem
santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador.
Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. ‘Eis
aqui a serva do Senhor, diz a Virgem; faça-se e mim segundo a tua palavra’!”
Tão grande plano de Deus, tão grande salvação, deu-se
na simplicidade de vidas humanas que foram dizendo sim ao Senhor, que foram se
abrindo para ele nas pequenas e escondidas ocasiões da vida: Maria, a Virgem,
José, o pobre descendente de Davi, Davi, o pastor que se tornou rei... E agora
– ainda agora – o Senhor vem e nos convida a nós – a mim e a você – a que
abramos nossa vida, nosso pequeno cotidiano, para a sua presença. Através de
cada um de nós ele deseja continuar a obra de sua salvação, a marca da sua
presença neste mundo enfermo e cansado.
Virgem Maria, Mãe de Deus, são José, esposo da
virgem, são Davi, rei e profeta, intercedei por nós, para que sejamos dóceis e
úteis instrumentos da salvação que Deus hoje quer revelar e atuar no coração
dos homens e do mundo. Que através de nossa pobre vida, vivida com
disponibilidade, o Senhor Jesus seja visto no nosso mundo tão confuso, tão
disperso, tão superficial e ameaçado por tantas trevas.
dom Henrique Soares da Costa
A liturgia deste último domingo do Advento refere-se
repetidamente ao projeto de vida plena e de salvação definitiva que Deus tem
para oferecer aos homens. Esse projeto, anunciado já no Antigo Testamento,
torna-se uma realidade concreta, tangível e plena com a encarnação de Jesus.
A primeira leitura apresenta a “promessa” de Deus a
David. Deus anuncia, pela boca do profeta Natã, que nunca abandonará o seu Povo
nem desistirá de o conduzir ao encontro da felicidade e da realização plenas. A
“promessa” de Deus irá concretizar-se num “filho” de David, através do qual
Deus oferecerá ao seu Povo a estabilidade, a segurança, a paz, a abundância, a
fecundidade, a felicidade sem fim.
A segunda leitura chama a esse projeto de salvação,
preparado por Deus desde sempre, o “mistério”; e, sobretudo, garante que esse
projeto se manifestou, em Jesus, a todos os povos, a fim de que a humanidade inteira
integre a família de Deus.
O Evangelho refere-se ao momento em que Jesus encarna
na história dos homens, a fim de lhes trazer a salvação e a vida definitivas.
Mostra como a concretização do projeto de Deus só é possível quando os homens e
as mulheres que Ele chama aceitam dizer “sim” ao projeto de Deus, acolher Jesus
e apresentá-lo ao mundo.
1ª leitura – 2Sam.
7,1-5.8b-12.14a.16 - AMBIENTE
Os livros de Samuel referem-se a um dos momentos mais
importantes da história do Antigo Testamento: o momento da constituição de
Israel como Povo, no sentido estrito e pleno da palavra. É durante a época a
que os livros de Samuel aludem que, pela primeira vez na sua história, as
tribos do norte (Israel) e do sul (Judá) se reúnem em torno de um único rei
(David) e em torno de uma capital comum (Jerusalém). Estamos nos finais do séc.
XI e princípios do séc. X a.C...
David tornou-se rei de Judá (Sul) por volta de 1012
a.C.; alguns anos depois, foi convidado pelas tribos de Israel (Norte) para
reinar sobre elas. David reuniu, portanto, sobre a sua cabeça as duas coroas –
a de Israel (Norte) e a de Judá (Sul). Após a união, David teve de eleger uma
capital para o seu reino. Foi preciso encontrar, para sede do novo reino, uma
cidade geograficamente bem colocada e, sobretudo, uma cidade neutral, que não
criasse tensões entre o norte e o sul, nem despertasse rivalidades mútuas entre
as distintas tribos. Ora Jerusalém, a cidade inexpugnável dos jebuseus,
oferecia as condições exigidas… David reuniu, portanto, um comando de
profissionais, prescindindo intencionalmente do exército oficial de Israel e de
Judá, a fim de que nenhum dos dois reinos reivindicasse o título de propriedade
sobre a nova cidade. A cidade de Jerusalém foi conquistada aos jebuseus por
volta do ano 1005 a.C. (cf. 2Sm. 5,6-12) e tornou-se, desde então, a “cidade de
David”. Mais tarde, David fez transportar para Jerusalém a “Arca da Aliança” (o
sinal visível da presença de Deus no meio do seu Povo), convertendo assim a
nova capital do reino em cidade santa para todas as tribos (cf. 2Sm. 6,1-23).
Ora, uma vez em Jerusalém, a “Arca” pedia um Templo
adequado para lhe dar abrigo. David pensou em construir esse Templo; mas o
profeta Natã, inspirado por Jahwéh, segundo o teólogo deuteronomista, opôs-se.
Encontramos aqui o eco de uma disputa que dividirá durante muito tempo o Povo
de Deus… Para alguns ambientes proféticos, o Templo era uma ofensa a Deus, uma
tentativa de encerrá-lo, em vez de deixar-se guiar por Ele. Jahwéh é visto
pelos teólogos do Povo de Deus como um Deus “nômade”, que acompanha o seu Povo
pelos caminhos da vida e da história e que não tem um lugar fixo, limitado,
fechado, para se encontrar com os homens.
MENSAGEM
Portanto, David não irá construir o templo. Mas se
David não pode dar “estabilidade” ao Senhor, este pode dar estabilidade a David
e ao Povo de Deus. Jogando com o duplo significado da palavra hebraica “bait”
(“casa”), que pode usar-se para definir a casa de pedra (“templo”) e a casa
real (“família”, “dinastia”), o teólogo deuteronomista explica que se David não
vai construir uma “casa” (Templo) para Deus, Deus vai construir uma “casa”
(família) para David (“o Senhor anuncia que te vai fazer uma casa” – v. 11).
Trata-se da “Aliança davídica”, que constitui a família de David como
depositária das promessas divinas e garantia de um futuro de estabilidade, de
segurança, de paz para o Povo de Deus.
Esta “Aliança” garante – quer a David, quer a todo o
Povo de Deus – quatro elementos fundamentais… Em primeiro lugar, garante uma
relação especial entre Jahwéh e a descendência de David, expressa em termos de
filiação (“serei para ele um pai e ele será para mim um filho” – 2Sm. 7,14a);
em segundo lugar, garante que, através dos reis descendentes de David, o
próprio Jahwéh cuidará do seu Povo e o conduzirá pelos caminhos da vida e da
história (cf. 2Sm. 7,8.12.16; em terceiro lugar, garante a prosperidade, a paz
e a justiça para o Povo de Deus (cf. 2Sm. 7,10); em quarto lugar, garante a
eternidade da dinastia e da nação (cf. 2Sm. 7,16). Trata-se de uma “promessa”
que põe em relevo a fidelidade de Deus ao seu Povo, o seu amor nunca desmentido
e mil vezes provado na história, a sua vontade de cuidar do seu Povo, de o
libertar e de o conduzir ao encontro da salvação e da vida. Nesta “promessa”,
Jahwéh revela-se como esse Deus peregrino, permanentemente a caminho com o seu
Povo e que, ao longo dessa caminhada, se vai revelando como a rocha segura e
firme na qual o Povo de Deus encontra a salvação.
A profecia de Natã constitui o ponto de partida do
chamado “messianismo régio”: a promessa de Deus rapidamente extravasa o filho e
sucessor de David (Salomão), para se dirigir a uma figura de rei “ideal”, que
dará cumprimento a todas as aspirações e esperanças que o Povo depositava na
dinastia davídica.
Esta “profecia/promessa” tornar-se-á, com o passar do
tempo, um dos artigos fundamentais da fé de Israel. Sobretudo em épocas
dramáticas de crise e de angústia nacional, a “Aliança davídica” será um
“capital de esperança” que ajudará o Povo a enfrentar as vicissitudes da
história. O Povo de Deus passará, então, a sonhar com um Messias, da
descendência de David, que oferecerá ao Povo de Deus um futuro de liberdade, de
abundância, de fecundidade, de paz e de bem-estar sem fim.
ATUALIZAÇÃO
• A questão fundamental que o nosso texto põe é a da
atitude de Deus diante dos homens e do mundo. O catequista deuteronomista,
autor deste texto, está seguro de que Jahwéh, o Senhor da história, se preocupa
com o caminho que os homens percorrem e encontra sempre forma de derramar o seu
amor e a sua bondade sobre o Povo que ele próprio elegeu. Numa época em que a
cultura dominante parece apostada em decretar a “morte” de Deus ou, pelo menos,
em torná-lo uma inofensiva figura de cera e em exilá-lo para o museu das
experiências pré-racionais, é importante para nós crentes não esquecermos esta
certeza que a Palavra de Deus nos deixa: o nosso Deus preside à história
humana, vem continuamente ao encontro dos homens, faz com eles uma Aliança,
oferece-lhes a paz e a justiça e aponta-lhes o caminho para a verdadeira vida,
a verdadeira liberdade, a verdadeira salvação.
• Se é Deus quem conduz a história humana, não temos
razão para temer o futuro do mundo. Os homens podem inventar a morte, a
violência, a injustiça, a opressão, a exploração, os imperialismos; mas Deus
saberá conduzir a história dos homens e do mundo a bom porto, de acordo com o
seu projeto de amor e de salvação. Esta certeza deve levar-nos a encarar a
história humana com otimismo, com esperança e com confiança, mesmo quando as
forças da morte parecerem controlar a nossa história e dirigir as nossas vidas.
• É preciso, nestes dias que antecedem o Natal, ter
consciência de que a promessa de Deus a David se concretiza em Jesus… Ele é
esse “rei” da descendência de David que Deus enviou ao nosso encontro para nos
apontar o caminho para o reino da justiça, da paz, do amor e da felicidade sem
fim. Que acolhimento é que esse “rei” encontra no nosso coração e na nossa
vida?
• Mais uma vez, a Palavra de Deus deixa claro que
Deus intervém no mundo e concretiza os seus projetos de salvação através de
homens a quem Ele confia determinada missão (“tirei-te das pastagens onde
guardavas os rebanhos, para seres o chefe do meu povo de Israel”). Estou
disponível para que Deus, através de mim, possa continuar a oferecer a salvação
aos meus irmãos, particularmente aos pobres, aos humildes, aos marginalizados,
aos excluídos do mundo?
2ª leitura – Rm. 16,25-27 -
AMBIENTE
No final da década de 50 (a carta aos Romanos
apareceu por volta de 57/58), multiplicavam-se as “crises” entre os cristãos
oriundos do mundo judaico e os cristãos oriundos do mundo pagão. Uns e outros
tinham perspectivas diferentes da salvação e da forma de viver o compromisso
com Jesus Cristo e com o seu Evangelho. Os cristãos de origem judaica
consideravam que, além da fé em Jesus Cristo, era necessário cumprir as obras
da Lei (nomeadamente a prática da circuncisão) para ter acesso à salvação; mas
os cristãos de origem pagã recusavam-se a aceitar a obrigatoriedade das
práticas judaicas. Era uma questão “quente”, que ameaçava a unidade da Igreja.
Este problema também era sentido pela comunidade cristã de Roma. Neste cenário,
Paulo vai mostrar a todos os crentes (a carta aos Romanos, mais do que uma
carta para a comunidade cristã de Roma, é uma carta para as comunidades
cristãs, em geral) a unidade da revelação e da história da salvação: judeus e
não judeus são, de igual forma, chamados por Deus à salvação; o essencial não é
cumprir a Lei de Moisés – que nunca assegurou a ninguém a salvação; o essencial
é acolher a oferta de salvação que Deus faz a todos, por Jesus Cristo. O texto
que nos é proposto apresenta-nos precisamente os últimos versículos da Carta
aos Romanos. Trata-se de uma solene doxologia final que não parece, contudo,
ser de Paulo (ainda que os conceitos sejam paulinos, a terminologia é
diferente). Provavelmente, constituía o remate final do epistolário paulino,
numa antiga edição do mesmo. De qualquer forma, trata-se de um texto
maduramente refletido e trabalhado, sem dúvida fruto de uma profunda reflexão
teológica levada a cabo no seio da comunidade cristã. O seu autor foi,
certamente, um cristão dos finais do século I ou dos princípios do séc. II.
Profundo conhecedor da teologia paulina e absolutamente comprometido com a
Igreja a que pertencia, este cristão procurou sintetizar nestes versículos toda
a doutrina do apóstolo Paulo.
MENSAGEM
O conceito que preside a estes versículos é o
conceito de “mistério” (mystêrion”). Na teologia paulina, o “mistério”
refere-se ao plano de salvação que Deus tem para os homens e para o mundo.
Mantido em segredo durante muitos séculos, o “mistério” foi plenamente
manifestado em Cristo, nos seus gestos, nas suas palavras, sobretudo na sua
morte e na sua ressurreição; revelado aos apóstolos e aos profetas pelo
Espírito Santo, o “mistério” foi depois transmitido a todos os povos –
nomeadamente aos pagãos – para fazer deles membros de um único corpo (“Corpo de
Cristo”) e para associá-los à herança de Cristo (cf. 1Cor. 2,1.7; Ef.
1,9;3,3-10;6,19; Col. 1,26-27;2,2;4,3).
É por esse “mistério”, que reflete o amor de Deus
pelos homens, que o autor destes versículos pede que “seja dada glória pelos
séculos dos séculos”… E a comunidade interpelada responde: “Amém” (v. 27).
ATUALIZAÇÃO
• A segunda leitura reitera a mensagem fundamental da
primeira: Deus tem um plano de salvação para oferecer aos homens. O fato de
esse projeto existir “desde os tempos eternos” mostra que a preocupação e o
amor de Deus pelos seus filhos não é um fato acidental ou uma moda passageira,
mas algo que faz parte do ser de Deus e que está eternamente no projeto de
Deus. Não esqueçamos isto: não somos seres abandonados à nossa sorte, perdidos
e à deriva num universo sem fim; mas somos seres amados por Deus, pessoas
únicas e irrepetíveis que Deus conduz com amor ao longo da caminhada pela
história e para quem Deus tem um projeto eterno de vida plena, de felicidade
total, de salvação. Tal constatação deve encher de alegria, de esperança e
também de gratidão os nossos corações.
• A nossa leitura deixa ainda claro que esse projeto
de salvação foi totalmente revelado em Jesus Cristo – no seu amor até ao extremo,
nos seus gestos de bondade e de misericórdia, na sua atitude de doação e de
serviço, no seu anúncio do Reino de Deus. Prepararmo-nos para o Natal significa
preparar o nosso coração para acolher Jesus, para aceitar os seus valores, para
compreender o seu jeito de viver, para aderir ao projeto de salvação que,
através d’Ele, Deus Pai nos propõe.
Evangelho – Lc. 1,26-38 -
AMBIENTE
O texto que nos é hoje proposto pertence ao
“Evangelho da infância” na versão de Lucas. De acordo com os biblistas atuais,
os textos do “Evangelho da infância” pertencem a um gênero literário especial,
chamado homologese. Este gênero não pretende ser um relato jornalístico e
histórico de acontecimentos; mas é, sobretudo, uma catequese destinada a
proclamar certas realidades salvíficas (que Jesus é o Messias, que Ele vem de
Deus, que Ele é o “Deus conosco”). Desenvolve-se em forma de narração e recorre
às técnicas do midrash haggádico (uma técnica de leitura e de interpretação do
texto sagrado usada pelos rabbis judeus da época de Jesus). A homologese
utiliza e mistura tipologias (fatos e pessoas do Antigo Testamento encontram a
sua correspondência em fatos e pessoas do Novo Testamento) e aparições
apocalípticas (anjos, aparições, sonhos) para fazer avançar a narração e para
explicitar determinada catequese sobre Jesus. O Evangelho que nos é hoje
proposto deve ser entendido a esta luz: não interessa, pois, estar aqui à
procura de fatos históricos; interessa, sobretudo, perceber o que é que a
catequese cristã primitiva nos ensina, através destas narrações, sobre Jesus.
A cena situa-nos numa aldeia da Galileia, chamada
Nazaré. A Galileia, região a norte da Palestina, à volta do lago de Tiberíades,
era considerada pelos judeus uma terra longínqua e estranha, em permanente
contacto com as populações pagãs e onde se praticava uma religião heterodoxa,
influenciada pelos costumes e pelas tradições pagãs. Daí a convicção dos
mestres judeus de Jerusalém de que “da Galileia não pode vir nada de bom”.
Quanto a Nazaré, era uma aldeia pobre e ignorada, nunca nomeada na história
religiosa judaica e, portanto (de acordo com a mentalidade judaica),
completamente à margem dos caminhos de Deus e da salvação.
Maria, a jovem de Nazaré que está no centro deste
episódio, era “uma virgem desposada com um homem chamado José”. O casamento
hebraico considerava o compromisso matrimonial em duas etapas: havia uma
primeira fase, na qual os noivos se prometiam um ao outro (os “esponsais”); só
numa segunda fase surgia o compromisso definitivo (as cerimônias do matrimônio
propriamente dito)… Entre os “esponsais” e o rito do matrimônio, passava um
tempo mais ou menos longo, durante o qual qualquer uma das partes podia voltar
atrás, ainda que sofrendo uma penalidade. Durante os “esponsais”, os noivos não
viviam em comum; mas o compromisso que os dois assumiam tinha já um caráter
estável, de tal forma que, se surgia um filho, este era considerado filho
legítimo de ambos. A Lei de Moisés considerava a infidelidade da “prometida”
como uma ofensa semelhante à infidelidade da esposa (cf. Dt. 22,23-27)… E a
união entre os dois “prometidos” só podia dissolver-se com a fórmula jurídica
do divórcio. José e Maria estavam, portanto, na situação de “prometidos”: ainda
não tinham celebrado o matrimônio, mas já tinham celebrado os “esponsais”.
MENSAGEM
Depois da apresentação do “ambiente” do quadro, Lucas
apresenta o diálogo entre Maria e o anjo.
A conversa começa com a saudação do anjo. Na boca
deste, são colocados termos e expressões com ressonância vétero-testamentária,
ligados a contextos de eleição, de vocação e de missão. Assim, o termo “ave”
(em grego, “kaire”) com que o anjo se dirige a Maria é mais do que uma
saudação: é o eco dos anúncios de salvação à “filha de Sião” – uma figura fraca
e delicada que personifica o Povo de Israel, em cuja fraqueza se apresenta e
representa essa salvação oferecida por Deus e que Israel deve testemunhar
diante dos outros povos (cf. 2Re. 19,21-28; Is. 1,8;12,6; Jr. 4,31; Sf.
3,14-17). A expressão “cheia de graça” significa que Maria é objeto da
predileção e do amor de Deus. A outra expressão, “o Senhor está contigo”, é uma
expressão que aparece com freqüência ligada aos relatos de vocação no Antigo
Testamento (cf. Ex. 3,12 – vocação de Moisés; Jz. 6,12 – vocação de Gedeão; Jr.
1,8.19 – vocação de Jeremias) e que serve para assegurar ao “chamado” a
assistência de Deus na missão que lhe é pedida. Estamos, portanto, diante do
“relato de vocação” de Maria: a visita do anjo destina-se a apresentar à jovem
de Nazaré uma proposta de Deus. Essa proposta vai exigir uma resposta clara de
Maria.
Qual é, então, o papel proposto a Maria no projeto de
Deus?
A Maria, Deus propõe que aceite ser a mãe de um
“filho” especial… Desse “filho” diz-se, em primeiro lugar, que Ele se chamará
“Jesus”. O nome significa “Deus salva”. Além disso, esse “filho” é apresentado
pelo anjo como o “Filho do Altíssimo”, que herdará “o trono de seu pai David” e
cujo reinado “não terá fim”. As palavras do anjo levam-nos a 2Sm. 7 e à
promessa feita por Deus ao rei David através das palavras do profeta Natã. Esse
“filho” é descrito nos mesmos termos em que a teologia de Israel descrevia o
“Messias” libertador. O que é proposto a Maria é, pois, que ela aceite ser a
mãe desse “Messias” que Israel esperava, o libertador enviado por Deus ao seu
Povo para lhe oferecer a vida e a salvação definitivas.
Como é que Maria responde ao projeto de Deus?
A resposta de Maria começa com uma objeção… A objeção
faz sempre parte dos relatos de vocação do Antigo Testamento (cf. Ex.
3,11;6,30; Is. 6,5; Jr. 1,6). É uma reação natural de um “chamado”, assustado
com a perspectiva do compromisso com algo que o ultrapassa; mas é, sobretudo,
uma forma de mostrar a grandeza e o poder de Deus que, apesar da fragilidade e
das limitações dos “chamados”, faz deles instrumentos da sua salvação no meio
dos homens e do mundo.
Diante da “objeção”, o anjo garante a Maria que o
Espírito Santo virá sobre ela e a cobrirá com a sua sombra. Este Espírito é o
mesmo que foi derramado sobre os juizes (Oteniel – cf. Jz 3,10; Gedeão – cf.
Jz. 6,34; Jefté – cf. Jz. 11,29; Sansão – cf. Jz. 14,6), sobre os reis (Saul –
cf. 1Sm. 11,6; David – cf. 1Sm. 16,13), sobre os profetas (cf. Maria, a
profetisa irmã de Aarão – cf. Ex. 15,20; os anciãos de Israel – cf. Nm.
11,25-26; Ezequiel – cf. Ez. 2,1; 3,12; o Trito-Isaías – cf. Is. 61,1), a fim
de que eles pudessem ser uma presença eficaz da salvação de Deus no meio do
mundo. A “sombra” ou “nuvem” leva-nos também à “coluna de nuvem” (cf. Ex.
13,21) que acompanhava a caminhada do Povo de Deus em marcha pelo deserto,
indicando o caminho para a Terra Prometida da liberdade e da vida nova. A
questão é a seguinte: apesar da fragilidade de Maria, Deus vai, através dela,
fazer-se presente no mundo para oferecer a salvação a todos os homens.
O relato termina com a resposta final de Maria: “eis
a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”. Afirmar-se como
“serva” significa, mais do que humildade, reconhecer que se é um eleito de Deus
e aceitar essa eleição, com tudo o que ela implica – pois, no Antigo
Testamento, ser “servo do Senhor” é um título de glória, reservado àqueles que
Deus escolheu, que Ele reservou para o seu serviço e que Ele enviou ao mundo
com uma missão (essa designação aparece, por exemplo, no Deutero-Isaías – cf.
Is. 42,1;49,3;50,10;52,13;53,2.11 – em referência à figura enigmática do “servo
de Jahwéh”). Desta forma, Maria reconhece que Deus a escolheu, aceita com disponibilidade
essa escolha e manifesta a sua disposição de cumprir, com fidelidade, o projeto
de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• Também o Evangelho deste domingo (na linha das
outras duas leituras) afirma, de forma clara e insofismável, que Deus ama os
homens e tem um projeto de vida plena para lhes oferecer. Como é que esse Deus
cheio de amor pelos seus filhos intervém na história humana e concretiza, dia a
dia, essa oferta de salvação? A história de Maria de Nazaré (bem como a de
tantos outros “chamados”) responde, de forma clara, a esta questão: é através
de homens e mulheres atentos aos projetos de Deus e de coração disponível para
o serviço dos irmãos, que Deus atua no mundo, que Ele manifesta aos homens o
seu amor, que Ele convida cada pessoa a percorrer os caminhos da felicidade e
da realização plena. Já pensamos que é através dos nossos gestos de amor, de
partilha e de serviço que Deus Se torna presente no mundo e transforma o mundo?
• Neste domingo que precede o Natal de Jesus, a
história de Maria mostra como é possível fazer Jesus nascer no mundo: através
de um “sim” incondicional aos projetos de Deus. É preciso que, através dos
nossos “sins” de cada instante, da nossa disponibilidade e entrega, Jesus possa
vir ao mundo e oferecer aos nossos irmãos – particularmente aos pobres, aos
humildes, aos infelizes, aos marginalizados – a salvação e a vida de Deus.
• Outra questão é a dos instrumentos de que Deus se
serve para realizar os seus planos… Maria era uma jovem mulher de uma aldeia
obscura dessa “Galileia dos pagãos” de onde não podia “vir nada de bom”. Não
consta que tivesse uma significativa preparação intelectual, extraordinários
conhecimentos teológicos, ou amigos poderosos nos círculos de poder e de
influência da Palestina de então… Apesar disso, foi escolhida por Deus para
desempenhar um papel primordial na etapa mais significativa na história da
salvação. A história vocacional de Maria deixa claro que, na perspectiva de
Deus, não são o poder, a riqueza, a importância ou a visibilidade social que
determinam a capacidade para levar a cabo uma missão. Deus age através de
homens e mulheres, independentemente das suas qualidades humanas. O que é
decisivo é a disponibilidade e o amor com que se acolhem e testemunham as
propostas de Deus.
• Diante dos apelos de Deus ao compromisso, qual deve
ser a resposta do homem? É aí que somos colocados diante do exemplo de Maria…
Confrontada com os planos de Deus, Maria responde com um “sim” total e
incondicional. Naturalmente, ela tinha o seu programa de vida e os seus projetos
pessoais; mas, diante do apelo de Deus, esses projetos pessoais passaram
naturalmente e sem dramas a um plano secundário. Na atitude de Maria não há
qualquer sinal de egoísmo, de comodismo, de orgulho, mas há uma entrega total
nas mãos de Deus e um acolhimento radical dos caminhos de Deus. O testemunho de
Maria é um testemunho questionante, que nos interpela fortemente… Que atitude
assumimos diante dos projetos de Deus: acolhemo-los sem reservas, com amor e
disponibilidade, numa atitude de entrega total a Deus, ou assumimos uma atitude
egoísta de defesa intransigente dos nossos projetos pessoais e dos nossos
interesses egoístas?
• É possível alguém entregar-se tão cegamente a Deus,
sem reservas, sem medir os prós e os contras? Como é que se chega a esta confiança
incondicional em Deus e nos seus projetos? Naturalmente, não se chega a esta
confiança cega em Deus e nos seus planos sem uma vida de diálogo, de comunhão,
de intimidade com Deus. Maria de Nazaré foi, certamente, uma mulher para quem
Deus ocupava o primeiro lugar e era a prioridade fundamental. Maria de Nazaré
foi, certamente, uma pessoa de oração e de fé, que fez a experiência do
encontro com Deus e aprendeu a confiar totalmente n’Ele. No meio da agitação de
todos os dias, encontro tempo e disponibilidade para ouvir Deus, para viver em
comunhão com Ele, para tentar perceber os seus sinais nas indicações que Ele me
dá dia a dia?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José
Ornelas Carvalho
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