2º DOMINGO DA QUARESMA
25 de Fevereiro – Ano B
Evangelho Mc 9,2-10
-JESUS SE TRANSFIGUROU DIANTE DELES-José Salviano
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“ESTE É O MEU FILHO AMADO. ESCUTAI O QUE
ELE DIZ!”- Olivia Coutinho
2º DOMINGO DA QUARESMA
Dia 25 de Fevereiro de 2018
Evangelho de Mc9,2-10
Neste
tempo quaresmal, somos convidados a percorrer o caminho que
Jesus percorreu, atualizando esta caminhada no contexto do
mundo de hoje.
É
percorrendo o caminho que Jesus percorreu que vamos tomando consciência da
grandiosidade do seu amor, e que é no cotidiano da nossa vida, que devemos
responder a este amor sem limites fazendo do seu caminho, o nosso caminho.
A
Quaresma é um período de interiorização da fé, tempo da escuta, de ouvir mais
do que falar.
A
liturgia deste tempo, nos leva a um retiro interior, a confrontar o
nosso comportamento com a Palavra de Deus, com o objetivo de
ajustar o nosso viver, nos valores do evangelho.
O Evangelho que a
liturgia deste Domingo nos convida a refletir, narra a transfiguração de Jesus.
“Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à
parte, sobre uma alta montanha e foi transfigurado diante deles;Suas roupas
ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia
alvejar”.
A transfiguração de
Jesus foi um prenuncio do seu retorno glorioso para o Pai, momento, em que Ele
revela aos discípulos, de forma visível, a sua intimidade com o Pai,
assegurando-os da sua ressurreição!
Na
transfiguração, Pedro, Tiago e João, puderam visualizar o encontro
de Jesus com o Pai. A partir de então, eles, que andavam tristes, com as
últimas revelações de Jesus, sobre o desfecho trágico de sua trajetória
terrena, se encheram de alegria, pois diante de Jesus transfigurado, eles
tiveram a certeza de que a vida e a ação Jesus, não terminariam com a sua
morte.
Pedro Tiago e João,
tiveram a alegria de testemunhar a glória de Jesus junto ao Pai, um testemunho,
que eles deveriam guardar, e que, por exigência de Jesus, só deveria
ser revelado aos demais discípulos, logo após a sua morte, o que
seria um grande consolo para eles, saber que a morte de Jesus, não poria fim no
relacionamento deles.
Assim como Pedro
desejou construir três tendas para que eles pudessem ficar no alto da montanha
com Jesus, longe dos perigos e sem precisar batalhar a vida, nós também,
certamente, desejaríamos o mesmo! Essa pode ser a nossa grande tentação dos
dias de hoje: buscar a nossa comodidade, o nosso bem estar, sem pensar na
necessidade do outro.
Rezar, ouvir e meditar
a palavra, agrada muito a Deus, mas Ele quer que façamos muito mais, Deus quer
que desçamos do alto da “montanha”, que voltemos à planície, pois é aqui, neste
chão, que Ele quer contar conosco, na construção de um mundo melhor, no amparo
a tantos irmãos, desfigurados, vítimas das injustiças sociais que os impede de
terem uma vida digna.
Precisamos sair de
nossas tendas, abrir mão da nossa zona de conforto, descruzar os nossos braços,
desvendar os nossos olhos e nos por à caminho, afinal, há muito o que fazer
neste mundo tão desigual, mundo, que a cada dia vai perdendo de vista, o
horizonte da paz!
A transfiguração de
Jesus, testemunhada pelos os discípulos, trouxe-nos a
certeza, de que há uma vida melhor por vir!
Este episódio deve nos
animar, afinal, foi transfigurado, que Jesus nos mostrou o lado positivo da
cruz! Estejamos certos: A cruz não é sinal de morte, e sim, sinal de vida, de vitória
da vida sobre a morte!
Conduzidos por Jesus não haveremos de
temer a cruz, pois com Ele, estaremos seguros, cientes, de que a cruz, não será
definitiva na nossa vida, como não foi definitiva na vida Dele.
Não deixemos que os
ventos contrários, apaguem o brilho do rosto transfigurado de Jesus refletido
em nós, cultivemos este brilho, na certeza, de que ele será um farol, nas
nossas passagens pelos os túneis escuros de nossa vida.
FIQUE NA PAZ DE JESUS!
Olívia Coutinho
PARA OUVIR O ÁUDIO DESTA REFLEXÃO,
ACESSE O LINK:
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Transfigurar-se
O segundo domingo da Quaresma está
centrado no Evangelho da transfiguração. De fato, este tempo é tradicionalmente
chamado tempo de conversão e, tranfigurar-se outra coisa não é do que, à luz de
Cristo, encontrar um sentido novo para a vida e marcar todos os caminhos pelas
exigências do Evangelho. A conversão reclama depois a fidelidade de que é
modelo Abraão. Por isso a liturgia começa por descrever o sacrifício de Isaac,
prova indiscutível da fidelidade daquele que foi classificado como pai da fé
(1ª leitura). O sacrifício de Isaac porém, outra coisa não é do que o anúncio
profético do sacrifício de Cristo. Deus, na sua extrema bondade pelos homens,
não hesitou em oferecer-lhes o seu próprio Filho que, “sendo de condição
divina, se humilhou a si mesmo tomando a forma humana e sendo sacrificado na
cruz” (Fil. 2,8). O gesto de Abraão anuncia o gesto de Deus Pai a oferecer em
sacrifício o seu Filho Jesus (2ª leitura). O Evangelho, ao descrever a transfiguração,
permite entender que Jesus veio para levar à perfeição, na sua missão
redentora, toda a Lei e os Profetas.
1. O sacrifício de Isaac
Abraão, na sua velhice, por vontade de
Deus, teve um filho, Isaac. Nele se cumpria a promessa de Deus de que Abraão
seria o pai de um grande povo (cf. Gn 17, 20). É então, incompreensível que
Deus peça a Abraão o sacrifício do seu filho. Mas Abraão é fiel e sobe ao monte
preparando-se para sacrificar Isaac. Deus porém suspendeu o braço de Abraão.
Isaac foi salvo e em sua vez foi imolado um cordeiro. É preciso compreender
esta estranha proposta de Deus. Abraão vinha da Caldeia onde era norma
sacrificar os filhos aos deuses. Para cumprir a tradição que ele conhecia pensa
que Deus lhe pede o sacrifício do filho. Deus, porém, em Abraão altera todos os
ritos. Isaac é salvo e o sacrifício é feito com um cordeiro. A simbologia é
extremamente bela, porque quer o filho de Deus, simbolizado em Isaac, quer o
cordeiro, outra coisa não são do que o anúncio do sacrifício redentor que Jesus
Cristo, Cordeiro Pascal, vai celebrar.
2. O sacrifício redentor de Cristo
Os cristãos sabem que têm um
intercessor em Jesus Cristo. Referindo-se em tudo à Pessoa de Jesus, que deu a
vida no sacrifício do Calvário, os cristãos sabem que serão justificados. Por
causa do sacrifício de Cristo já não tem lugar a condenação, desde que se
aceite a mensagem de que Jesus é portador. De fato, “se Deus está por nós quem
é que pode estar contra nós?” (Rm. 8,31). E Deus deu-nos o Seu Filho, entregue
à morte para que todos sejamos salvos. A salvação é a razão do sacrifício de
Cristo.
3. A transfiguração dos homens
Esta página do Evangelho não se refere apenas
a Jesus que, no alto do monte, se revela filho muito amado de Deus. Presente e
transfigurado entre Moisés e Elias, Ele é a síntese de toda a Lei e dos
Profetas. Síntese esta que se reconhece na voz de Deus “este é o meu Filho
muito amado no qual pus todo o meu amor” (Mc. 9,7). Os apóstolos, Pedro, Tiago
e João, pensaram ficar por ali, no alto do monte, a contemplar. Jesus, porém,
convidou-os a descer até ao convívio de todos os homens para lhes anunciarem
que Jesus é o Filho de Deus. Com a transfiguração de Jesus são os discípulos
que se transfiguram em Apóstolos.
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”
Neste domingo damos o segundo passo
para a Páscoa recordando a experiência de Jesus e seus discípulos no alto do
monte Tabor que chamamos de “transfiguração”, a segunda revelação da divindade
de Jesus após o seu Batismo.
É um tema que está bem de acordo com o
espírito da Quaresma porque o que nós procuramos neste tempo é a
“transfiguração“ de nossa vida desfigurada, numa existência luminosa e
radiante. Será preciso subir ao monte Tabor da oração e da contemplação para
entrar no mistério de Deus. Desta forma estaremos preparados para enfrentar as
dificuldades da vida e as contradições que põem a prova a nossa fé.
A Quaresma é um processo de humanização
e espiritualização.
A Liturgia da Palavra nos apresenta a
Abraão ouvindo o mandato de Deus e decidindo, com fé e obediência, sacrificar o
próprio filho para cumprir a sua Palavra (1ª leitura). Este mesmo Deus Pai nos
exorta a escutar a voz do seu Filho que caminha para o sacrifício da cruz (como
outrora Isaac) para a salvação da humanidade (evangelho). É através deste Filho
que o Pai está presente no meio de nós e nos livra de todo mal (2ª leitura).
Por isso, é preciso abrir o coração para escutar a voz de Deus.
1ª leitura: Gênesis
22,1-2.9-13.15-18
A história de Abraão faz parte da
origem de um povo com a missão de trazer a bênção de Deus para toda a
humanidade, mas, antes de tudo, é o exemplo supremo de toda uma vida orientada
pela fé e pela obediência incondicional a Deus.
Deus pede a Abrão que renuncie a todo o
seu passado (terra, pátria, família... - Gênesis, 12) para entrar na posse da
promessa divina: «Eu farei de você um grande povo, e o abençoarei;... Em você,
todas as famílias da terra serão abençoadas». Muitos obstáculos parecem tornar
impossível a realização dessa promessa (como a velhice dele e a esterilidade da
esposa), mas Abraão atende o apelo divino e aceita o risco sem restrições. No
entanto, quando a promessa começa a cumprir-se com o nascimento do filho,
Isaac, Deus lhe pede, num ato supremo de fidelidade, que renuncie agora ao seu
futuro, eliminando seu próprio filho (o “filho da promessa”). Como poderia,
então, ser pai desse povo prometido sem o seu único descendente? A ordem de
Deus não só entra em contradição com a lógica humana, mas até mesmo com a
lógica divina do plano e Deus.
Uma provação impossível para qualquer
pai. Tinha que decidir entre Deus e seu filho. Tão grande e inquebrantável,
porém, era a sua fidelidade que, com muita dor no coração, decide obedecer a
ordem de Deus, mesmo que não possa entende-la. O texto mostra a luta interior e
dramática de Abraão. Mas, no momento em que está pronto para obedecer e
realizar o sacrifício do seu filho, Deus intervém mostrando que não é a vida de
Isaac que Ele queria, mas o coração de Abraão.
Ao renunciar à paternidade física,
Abraão a recupera, agora multiplicada, tornando-se Pai da Fé e modelo de
disponibilidade e fidelidade para todos os que acreditam em Deus. A entrega de
Abraão nas mãos do Pai só encontra semelhança na entrega de Jesus na cruz. A
diferença está em que Isaac não morreu e dele nasceu um novo povo. Jesus morreu
e da sua morte nasceu uma nova humanidade, dando “o poder de se tornarem filhos
de Deus a todos aqueles que... acreditam no seu nome” (João 1,12).
2ª leitura: Romanos
8,31b-34
Paulo destaca a confiança que deve
animar-nos, pois tudo o que Deus fez por nós, em Cristo, mostra como Ele está
do nosso lado. Tanto assim, que Deus foi muito além do que tinha pedido a
Abraão. Ele, que deteve a mão de Abraão, “não poupou seu próprio Filho, mas o
entregou por todos nós”.
Conhecendo o amor de Deus por nós,
manifestado em Cristo, nada mais temos a temer: nem dificuldades, nem
perseguições, nem qualquer forma de dominação. Neste ponto, Paulo lança o
desafio: “Quem acusará os escolhidos de Deus? É Deus quem torna justo! Quem
condenará?”. O único que poderia fazê-lo seria o próprio Cristo. Mas Ele deu a
vida por nós, ”ressuscitou” e “está à direita de Deus e intercede por nós”.
Nada poderá desfazer o que Ele já realizou. Nada, portanto, poderá impedir o
testemunho dos cristãos.
Sabendo da presença de Deus ao nosso
lado, poderemos enfrentar os problemas da vida com paz e serenidade. Os olhos
de nossa fé enxergarão melhor o que nos aproxima de Deus sem medo de tudo
aquilo que atrapalha a nossa vida.
Evangelho: Marcos
9,2-10
A transfiguração é sinal da
Ressurreição e de que a vida e ação de Jesus não terminam na sua morte. Ele
continuará a estar presente no mundo através de seus discípulos. Daí por que
Jesus levou consigo os discípulos mais chegados: Pedro, Tiago e João (os mesmos
que o acompanharão um dia na agonia em Getsémani). Certamente queria
prepará-los para enfrentar o “escândalo da cruz”.
Ao dizer o evangelista Marcos que
“desceu uma nuvem e os cobriu com sua sombra”, quer indicar que entraram no
mistério de Deus e, nessa experiência mística, lhes foi revelada a identidade
de Jesus: «Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!».
Tão profunda foi aquela experiência que
“Pedro não sabia o que dizer” e propôs ao Senhor interromper o caminho para
ficar por ali mesmo, desfrutando antecipadamente da Páscoa, sem passar pela
noite escura da Cruz («Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas:
uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.»). Não era uma proposta
ruim, mas havia um compromisso de fidelidade ao projeto de salvação para toda a
humanidade do qual Jesus não abriria mão. O caminho para Jerusalém precisava
ser continuado, mesmo que os discípulos estivessem com receio do que lá poderia
acontecer. Nós, também, não podemos instalar-nos nas “tendas” do egoísmo, do
comodismo e da falta de solidariedade; precisamos comprometer-nos com a
realidade da vida cotidiana para seguir vivendo e anunciando a Boa Nova com
rosto alegre e “transfigurado”.
Aquela visão durou o que um relâmpago
(“E, de repente, eles olharam em volta e não viram mais ninguém, a não ser
somente Jesus com eles”). Lá estava Jesus, de novo, um homem que caminhava para
a morte. Só que, agora, os discípulos o acompanhavam sabendo que aquele homem
era o Filho de Deus. A experiência do monte Tabor iluminou a mente deles,
preparando-os para, mais tarde, serem testemunhas do sacrifício do Senhor em
Jerusalém.
Na transfiguração, Jesus se manifesta
como o ponto de encontro entre a Lei (Moises) e os Profetas (Elias). A voz de
Deus mostra que, daqui por diante, Ele é a única autoridade. Todos os que ouvem
o convite de Deus e seguem Jesus até o fim, começam desde já a participar da
sua vitória final, quando ressuscitarão com Ele.
A Palavra de Deus na
vida
A celebração de hoje transcorre entre
duas grandes provações nas quais está em jogo a vida. A provação de Abraão, que
corre o risco de perder tudo ao sacrificar o “filho da promessa”, Isaac, e a
provação para a qual Jesus caminha, indo para Jerusalém e sabendo que lá será
imolado pela salvação de toda a humanidade. As provações fazem parte de nossa
vida e podem colocar em crise a nossa fé.
Estas situações limite, porém, não
podem se avolumar de tal forma que cheguem a eliminar a nossa confiança. São
Paulo pergunta: “Se Deus está a nosso favor, quem estará contra nós?” Ou seja,
mesmo que a provação pareça ser maior do que podemos suportar, temos Deus do
nosso lado e, nesse caso, quem poderá nos derrotar? Ele não permitirá que a
morte nos elimine como aconteceu com a ressurreição de Jesus.
A fé diante das provações, mais do que
auto-motivação ou elemento de auto-ajuda, é uma atitude de confiança que nasce
naquele que acolhe o convite do Pai para ouvir a Palavra de Jesus («Este
é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!»). Por tanto, o monte Tabor
não é um local; o Tabor é o encontro com a Palavra de Deus, a qual tem a força
para nos “transfigurar”, para nos encorajar nos momentos da provação.
Você está precisando de um impulso em
sua vida interior? Você está angustiado a ponto de perder a luz de sua vida? A
Liturgia faz o convite para subir com Jesus ao Tabor, ouvir e contemplar a
glória divina através da Palavra do Filho que o Pai manda ouvir. O caminho da
fé é sempre assim: entre a sombra da provação e a alegria da luz. Esse é o
momento de mostrar que, realmente, confiamos em Deus. Nessa confiança está o
núcleo central da experiência de fé.
Deus merece confiança absoluta porque
“não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós”. Pode parecer
que Ele pede muito (pediu o filho a Abraão), mas, na realidade, é Deus
quem dá. Se Ele dá o mais valioso, que é seu próprio Filho, “como não nos
dará também todas as coisas junto com o seu Filho?”. Nossa
confiança em Deus não tem nada de cega e irracional; ela torna-se muito
razoável e bem fundamentada.
Pensando bem...
+ Como poderemos enfrentar a provação,
com serenidade e confiança, se nunca tivemos experiência de Deus na vida?
Ter experiência de Deus significa estar
acostumado ao trato íntimo com Ele na oração, na forma de um diálogo afetuoso
como de um filho para seu pai. A Quaresma pode ser o nosso Tabor se
aproveitarmos este tempo de graça para entrar em comunhão com Ele.
+ Há um paralelismo evidente entre
Isaac subindo ao monte Moria (“Abraão pegou a lenha do holocausto e a colocou
nas costas do seu filho Isaac”- Gênesis 22,6) e Jesus subindo ao monte Calvário
com a cruz às costas.
O paralelismo se quebra no desenlace
final: a mão que deteve Abraão não impediu a morte de Jesus.
Desta forma, a tão alto custo, Deus
mostrou o extremo inimaginável do amor que Ele tem por nós.
CAMPANHA DA
FRATERNIDADE 2012...
A experiência da doença é sempre um
convite à reconciliação e à harmonização com o nosso próprio ser pois a doença
mostra a profunda igualdade dos seres humanos e tem o poder de suscitar a
solidariedade entre as pessoas.
É por isto que o tema proposto nesta
Campanha da Fraternidade, FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA, sob o lema "Que a
saúde se difunda sobre a terra", está sendo considerado como a principal
preocupação e a pauta reivindicatória mais comum da população brasileira a
respeito das políticas públicas.
Nesta Campanha da Fraternidade, não
podemos fechar os olhos diante da realidade em que vivemos. Justamente o
objetivo da Campanha é refletir sobre a realidade da saúde do Brasil em vista
de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas
na atenção aos enfermos e mobilizando a sociedade por uma melhoria no sistema
público de saúde. O SUS, que deveria ser modelo para o mundo, ainda não
conseguiu ser implantado em sua totalidade, sobretudo para os mais necessitados
destes serviços. Estamos percebendo isto?
padre Ciriaco Madrigal
A Transfiguração do
Senhor
Seis dias depois, Jesus tomou consigo a
Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-se
diante deles.
3.Suas vestes tornaram-se
resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as
pode fazer assim tão brancas.
Apareceram-lhes Elias e Moisés, e
falavam com Jesus.
Pedro tomou a palavra: Mestre, é bom
para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e
outra para Elias.
Com efeito, não sabia o que falava,
porque estavam sobremaneira atemorizados.
Formou-se então uma nuvem que os
encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é o meu Filho muito
amado; ouvi-o.
E olhando eles logo em derredor, já não
viram ninguém, senão só a Jesus com eles.
Ao descerem do monte, proibiu-lhes
Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho
do homem houvesse ressurgido dos mortos.
E guardaram esta recomendação consigo,
perguntando entre si o que significaria: Ser ressuscitado dentre os mortos.
“A Transfiguração de Jesus ilumina
antecipadamente o evento de seu sacrifício na Cruz. Do Pai, recebemos nesta
celebração os frutos da vitória de Cristo e somos enviados para levar ao mundo
a vida e a salvação que Ele quer proporcionar a todos”. (Liturgia Diária)
Seis dias depois, Jesus tomou consigo a
Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte
O Papa Emérito Bento XVI disse que no
episódio da Transfiguração “Jesus queria que os seus discípulos, em particular
aqueles que teriam a responsabilidade de guiar a Igreja nascente, fizessem uma
experiência direta da sua glória divina, para enfrentar o escândalo da cruz.
Com efeito, quando chegar a hora da traição e Jesus se retirar para rezar no
Getsêmani, terá próximos precisamente Pedro, Tiago e João, e pedir-lhes-á que
vigiem e rezem com Ele ( Mt 26, 38). Eles não conseguiram fazê-lo, mas a graça
de Cristo sustentá-los-á e ajudá-los-á a acreditar na Ressurreição”.
O Catecismo (§568) ensina: “A
transfiguração de Cristo tem por fim fortalecer a fé dos Apóstolos em vista da
paixão: a subida à «alta montanha» prepara a subida ao Calvário. Cristo, cabeça
da Igreja, manifesta o que o seu Corpo contém e irradia nos sacramentos: «a
esperança da Glória”.
E transfigurou-se diante deles. Suas
vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro
sobre a terra as pode fazer assim tão brancas. Apareceram-lhes Elias e Moisés,
e falavam com Jesus.
”A beleza da glória celeste que a
Igreja esperando procura, Cristo a mostra no alto do monte, onde mais que o sol
claro fulgura. Este fato é nos tempos notável: ante Pedro, Tiago e João, Cristo
fala a Moisés e Elias sobre a sua futura Paixão. Testemunhas da lei, dos
profetas e da graça estando presentes, sobre o Filho, Deus Pai testemunha,
vindo a voz duma nuvem luzente. Com a face brilhante de glória, Cristo hoje
mostrou no Tabor o que Deus tem no céu preparado aos que o seguem, vivendo no
amor”. (Liturgia das Horas)
“Transfiguraste-Te sobre a montanha e,
na medida em que disso eram capazes, os teus discípulos contemplaram a tua
glória, ó Cristo Deus; para que, quando Te vissem crucificado, compreendessem
que a tua paixão era voluntária, e anunciassem ao mundo que Tu és
verdadeiramente a irradiação do Pai”. (Liturgia Bizantina)
Formou-se então uma nuvem que os
encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é o meu Filho muito
amado; ouvi-o
São João Paulo II disse que a liturgia
de hoje “convida-nos a dirigir o olhar para o rosto do Filho de Deus que no
alto do monte, como de maneira concorde atestam os Sinópticos, se transfigura
diante de Pedro, Tiago e João, enquanto da nuvem a voz do Pai proclama: “Este é
o Meu Filho amado. Escutai o que Ele diz” (Mc. 9, 7). São Pedro, ao recordar
com emoção o evento, afirmará: “Fomos testemunhas oculares da Sua majestade” (2
Pd. 1, 16).
O Papa Francisco explicou: “Ressoa do
alto a voz do Pai que proclama Jesus seu Filho predileto, dizendo: «ouvi-O» (v.
5). Esta palavra é importante! O nosso Pai que disse a estes apóstolos, e diz
também a nós: «Ouvi Jesus, porque é o meu Filho predileto». Mantenhamos, esta
semana, esta palavra na mente e no coração: «Ouvi Jesus!». E isto não é o Papa
que o diz, é Deus Pai, a todos: a mim, a vós, a todos, todos! É como uma ajuda
para ir em frente pelo caminho da Quaresma. «Ouvi Jesus!». Não esqueçais”.
Conclusão
“Na verdade, é justo e necessário, é
nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai
santo, Deus eterno e Todo-Poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Tendo predito aos
discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o seu
esplendor. E com o testemunho da lei e dos profetas, simbolizados em Moisés e
Eias, nos ensina que, pela paixão e cruz, chegará à glória da ressurreição. E,
enquanto esperamos a realização plena de vossas promessas, com os anjos e com
todos os santos, nós vos aclamamos, dizendo a uma só voz…” (Prefácio da Santa
Missa do Evangelho da Transfiguração)
Oração
Senhor Jesus, que eu possa ver no rosto
sofrido do meu irmão, o Teu próprio rosto transfigurado pelo sofrimento na Tua
paixão e morte na Cruz. Senhor Jesus, que eu ouça sempre a Ti como o Pai pediu.
E que eu possa seguir todos os dias os ensinamentos de Tua Palavra. Amém.
Testemunho de Vida
Na peregrinação que fizemos à Terra
Santa, em 1997, subimos ao Monte Tabor, onde ocorreu a Transfiguração de nosso
Senhor Jesus. E ao chegar ao alto da montanha, fiquei pensando o quanto Jesus
caminhava por toda aquela região. A subida era bem íngreme. No Monte Tabor se
encontra a Basílica da Transfiguração. No centro da Basílica, há uma pintura
que retrata a cena do Evangelho ocorrida naquele local: a Transfiguração de Jesus.
É tudo muito especial. É um lugar de muito silêncio. É um local de
contemplação. Lá do alto avista-se vários lugares da Terra Santa.
"E
transfigurou-se diante deles"
Domingo da transfiguração do Senhor.
Jesus transfigurado institui a Aliança. Celebramos o 2º domingo da Quaresma, em
nossa caminhada pascal, rumo a Jerusalém, local onde Jesus vai ser entregue,
condenado, morto e ressuscitado. Nesse caminho, subimos a montanha com Jesus,
Pedro, Tiago e João para fazermos a experiência da intimidade com o próprio
Jesus, participar de sua glorificação e recebermos o mandamento de escutá-lo
sempre.
A transfiguração-iluminação de Jesus
nos faz enxergar os rostos "desfigurados" de tantos irmãos e irmãs,
pobres, doentes, sofredores, que clamam por saúde para ter uma vida digna.
Levando em conta o "tempo
oportuno" da Quaresma, que luzes nos traz a liturgia de hoje para a
transfiguração do mundo?
Primeira leitura -
Gn. 22,1-2.9a.10-13.15-18
Esta leitura mostra Deus fazendo uma
"Aliança com Abraão". Ele que oferece seu único filho obedecendo a
voz de Deus. Abraão, nosso pai na fé, teve que fazer em sua vida muitos atos de
fé, para entender a promessa de Deus. Como entendemos pela primeira leitura
deste segundo domingo da Quaresma, o sacrifício de Abraão é a prova da sua fé
em Deus. Isaac era o filho único de Abraão, "o filho da velhice e da
promessa divina". E agora Deus pede-lhe o sacrifício da sua vida. Suprema
prova de fé, confiança, obediência e fidelidade de um homem justo. Mas no
momento crucial, o Anjo do Senhor interrompe o braço de Abraão, e um carneiro
substitui o filho no sacrifício. Por causa da sua fidelidade comprovada, Deus
renova a promessa a Abraão: descendência numerosa, posse de terra, bênção para
o seu povo e para as nações de toda a terra. Na realidade, o pano de fundo
deste quadro bíblico, bem antigo reforça ainda mais a fé de Abraão no Deus da
vida. "O núcleo central aqui é crer, mesmo em meio à escuridão.
O conhecimento do rosto de Deus que
"nenhum homem viu, nem pode ver" (1 Timóteo 6,16) não é imediato, mas
é um caminho que avança por etapas. Neste crescimento as pessoas purificam
progressivamente essas imagens que são frutos dos seus medos, para chegar a
descobrir o autêntico rosto de Deus que tem em Jesus, "imagem do Deus
invisível" (Colossenses 1,15), a sua plena e definitiva revelação (cf.
João 1,18).
No tempo da Bíblia, sacrificar o
próprio filho à divindade era considerado válido (cf. Juízes 11,32-39), porque
as crianças não tinham nenhum valor. Em Jerusalém, no vale da Geena, havia altares
nos quais eram oferecidas crianças ao deus Moloch (Jeremias 7,31; 2 Reis 16,3;
21,6; 23,10). O autor do texto do Gênesis quer acabar de modo autoritário com
esta macabra tradição, declarando que o Senhor, o Deus de Israel, não exige
sacrifícios humanos. Enquanto o deus que requer a Abraão o sacrifício do seu
único filho é chamado "Eloim" (versículo 1), nome comum das
divindades, o que impede Abraão é o "anjo de Javé" (versículos
11.12.15), expressão com a qual na Bíblia se indica o próprio Senhor (cf. Gênesis
16,10-13). São as divindades dos pagãos que pedem sacrifícios humanos, mas não
o Deus de Israel (cf. Oséias 6,6).
Já desde o início, o autor adverte que
Deus submeteu Abraão a uma prova, como para prevenir o horror que os
sacrifícios humanos causavam aos hebreus (cf. 2Reis 3,27). Sabemos que os
cananeus, em certas circunstâncias, ofereciam sacrifícios humanos,
especialmente de crianças.
Os antigos redatores do relato tiveram
também uma intenção litúrgica: convencer o povo a não mais oferecer a Deus
"sacrifícios de crianças" (cf. Juízes 11,10-30; 2Reis 16,3; 21,6;
Deuteronômio 12,31; Jeremias 7,31; 19,5; 32,35), que parecem ter alcançado
grande sucesso nos séculos VIII e VII. Ao relembrar que todo primogênito
pertencia a Deus (Êxodo 22,28-30), a lei insistia logo na obrigação de
resgatá-lo (Êxodo 34,19-20; Deuteronômio 15,19-23) por um sacrifício de
substituição, isto é, o de animais.
O Judaísmo lerá o episódio do
sacrifício de Abraão no sentido de uma meditação do sofrimento, isto é, ele
fará do sacrifício de Isaac, sobretudo no "livro dos Jubileus", a
cena-tipo da investidura do futuro Messias sofredor, episódio lido na liturgia
dos Tabernáculos, que é, precisamente, uma liturgia da investidura do futuro
Messias. O único interesse desta relação entre o episódio do sacrifício de
Isaac e a investidura do Messias é manifestar, desta forma, a fé num Messias
sofredor. Assim, compreendemos que foi dentro do contexto de uma festa dos
Tabernáculos (Mateus 17 e 21) que Cristo revelou aos seus discípulos o Messias
sofredor. O relato da transfiguração é a prova mais evidente deste fato.
O sacrifício de Isaac é visto pelos
santos Padres como uma prefiguração do sacrifício de Cristo. Diversos elementos
comprovam isto: Isaac é filho único; é muito amado por Abraão; Isaac se presta
docilmente. Por outro lado, justamente porque Isaac não é sacrificado, mas em
seu lugar é imolado um cordeiro, muitos vêem nesse cordeiro uma prefiguração de
Cristo que morreu por nós.
Mas o que se destaca no relato do
sacrifício de Isaac é a grandeza da fé de Abraão. Ele é alguém que crê até o
absurdo, porque tem certeza de que Deus é poderoso e bom para conduzi-lo à
realização de suas promessas.
Salmo
responsorial 115/116,10.15-19
É um salmo de ação de graças
individual. Uma pessoa se encontrou diante de um perigo mortal, clamou, foi
ouvida e agora agradece diante de todo o povo. O justo confia em Deus, que
liberta os pobres e necessitados. É neste clima de fé, que o justo cumpre seus
votos.
A fé consiste em continuar a crer que
nada pode separar a pessoa do amor de Deus (cf. Romanos 8,38-39), e que o Pai
tem cuidado dos Seus filhos mesmo quando os acontecimentos da existência
parecem demonstrar o contrário e se faz a experiência do sofrimento e da morte.
O rosto de Deus neste Salmo é de um
Deus que inclina o ouvido, salva e liberta. É o mesmo esquema do êxodo: o povo
clama, Deus escuta e liberta. E o Deus deste Salmo é o mesmo do êxodo e da
aliança.
Uma frase importante do Salmo é:
"É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus
amigos". Custa para Deus aceitar que a vida de seus fiéis desapareça
prematuramente. Deus sofre quando um de seus servos morre de uma enfermidade
fatal, isto é, sente muito quando a doença acaba com a vida de uma servo seu.
Porque Ele é o Deus da vida.
Foi por isso que Jesus curou todos os
doentes que encontrou em suas viagens missionárias, vencendo até a própria
morte. E por causa disso muitos aprenderam a amar Deus Pai em Deus Filho.
Cantemos louvores ao Pai que nos salva
da morte e dá a paz e a salvação a todos os que põem nele a sua confiança.
Segunda leitura -
Romanos 8,31-34
Mostra-nos que Deus não poupou seu
próprio Filho em vista da Aliança. São Paulo, escrevendo aos romanos, compara
Deus Pai a Abraão e Jesus a Isaac. Nada nos separará do amor de Cristo, que por
nós morreu e ressuscitou. Nele temos a certeza da vitória, a certeza da
transfiguração. Não podemos perder de vista esta certeza. É preciso lembrar que
quando o apóstolo Paulo fala de "eleitos" (v. 33) não é um termo
exclusivista, mas nos diz respeito a todo aquele que recebe o dom de Deus. Nos
sinóticos, eleitos é a comunidade escatológica (Marcos 13,20.22.27); no
apocalipse são os que venceram e perseveravam até o fim (Apocalipse 17,14).
Paulo, antes de abordar a questão dos
judeus (capítulo 9), eleva a Deus, numa linguagem triunfal, litúrgica e lírica,
um hino ao seu amor. "Se Deus está conosco, quem será contra nós?" A
resposta é, certamente, nada e ninguém. Ou melhor, poderão estar contra nós os
homens e o mundo, mas temos a certeza de que não prevalecerão, pois nosso
aliado é imbatível, não perde nunca. Aqui, Paulo retoma Romanos 5,5-8, onde
mostra que a esperança cristã, fundada no amor de Deus para conosco, não poderá
deixar lugar para inquietações. Nem mesmo a morte poderá atemorizar a pessoa
humana, pois também ela foi vencida (1 Coríntios 15,54).
Paulo ilustra a grande novidade
representada pela vida e morte de Jesus Cristo: a revelação de um Deus que não
pede sacrifícios para as pessoas mas, se sacrifica Ele mesmo pelas pessoas, um
Deus que não a vida mas dá a própria vida. Da parte deste Deus as pessoas não
devem esperar condenação, mas só absolvições. É esta a Boa Notícia, o
Evangelho, que as pessoas esperam.
Com Jesus cumpriu-se a passagem
definitiva da religião para a fé. Enquanto na religião a pessoa é tentada a
amar e a servir o seu deus, com Jesus é Deus que ama e Se coloca ao serviço das
pessoas. A pessoa não deve merecer o amor de Deus, mas pode acolhê-lo apenas
como dom gratuito: esta é a fé (cf. Lucas 17,11-19). O deus da religião pede
obediência às suas leis, o Pai pede que imitemos o seu amor (cf. Lucas 6,35); o
deus da religião condena e castiga, o Pai e Jesus absolve e perdoa. Paulo quer
difundir esta certeza nos cristãos. Todos os que acolheram na sua vida a Jesus
como Senhor e Mestre não estão sós, mas têm um Deus que se fez seu servo e por
amor deles tudo transforma em bem (cf. Romanos 8,28). A adesão a Jesus não
elimina os inevitáveis sofrimentos da vida, mas dá a cada um uma força nova
para os enfrentarem.
Evangelho - Marcos
9,2-10
Jesus vence a tentação no deserto e
agora está transfigurado. Na transfiguração os discípulos Pedro, Tiago e João
fazem uma experiência mística, antecipada, da ressurreição, mas eles ainda não
entendem seu significado (v. 10). O evangelista Marcos, imediatamente depois do
anúncio de Jesus da sua paixão e morte em Jerusalém, para onde caminha, nos
mostra no evangelho desse segundo domingo da Quaresma, uma magnífica visão
teológica da figura de Cristo, "antecipando já o triunfo da sua ressurreição".
Jesus, além de homem mortal, "é o Filho imortal de Deus", o Messias
anunciado "na lei e pelos profetas", representados no monte da
transfiguração por Elias e Moisés.
Não que os mortos aparecem para
comunicar mensagem. Moisés e Elias simbolizam a Lei e os Profetas que naquele
momento testemunham Jesus Cristo, isto é, todo o Primeiro Testamento se cumpre
em Jesus e também aprova a sua missão. No Prefácio da oração eucarística de
hoje transparece o sentido da transfiguração: "Tendo predito aos discípulos
a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo seu esplendor. E
com o Testemunho da Lei e dos profetas, simbolizados em Moisés e Elias, nos
ensina que, pela paixão e cruz, chegará à glória da ressurreição".
Devido a esta sua condição, "o esplendor
da divindade penetra e transfigura a sua humanidade" que transparece na
glória do Filho amado do Pai e preanuncia a exaltação final. Aqui, a teologia
da cruz aparece unida ao kerigma da ressurreição, e aparece claro o núcleo da
cristologia primitiva: "fusão da divindade com a humanidade de
Cristo", Messias e Filho de Deus. Jesus chegará à glória da ressurreição,
mas não sem ter passado antes pela prova suprema da sua "paixão e
morte". As leituras recordam o dom de Deus no Filho Jesus para a Nova Aliança.
É nesta luz que deve ser entendido o relato evangélico da transfiguração
"este é o meu filho predileto", aquele que é dado e se oferece para a
Aliança. Este Jesus transfigurado é quem foi oferecido pelo Pai aos homens e
mulheres para restabelecer a Aliança. Uma característica importante é que Elias
e Moisés não aparecem aos discípulos, mas a Jesus. A atenção se concentra em
Jesus porque Elias e Moisés desaparecem ficando somente Jesus. O êxodo de que
fala o Evangelho significa a morte de Jesus. Aí ensina-se que para os justos a
morte é um "êxodo", uma passagem da terra para Deus, e não uma
eliminação da companhia dos viventes.
No "mistério da
transfiguração", Marcos dá prioridade a Elias sobre Moisés. "E lhes
apareceram "Elias e Moisés", conversando com Jesus" (9,4).
Marcos cita primeiro o nome de Elias. Mateus no momento da transfiguração cita
Moisés antes de Elias: "Nisto apareceram-lhes "Moisés e Elias",
conversando com Jesus" (Mateus 17,5). Porque se Elias é João Batista, é
claro que ele anuncia o sofrimento do Messias por seus próprios sofrimentos
(cf. a explicação de Jesus em Marcos 9,12-13). Portanto, tudo indica ser esta a
perspectiva do "Messias sofredor" que está no centro do Evangelho de
Marcos.
Aos olhos de Marcos o episódio da
transfiguração aparece, antes de tudo, como a revelação de Jesus aos melhores
do grupo dos apóstolos: Pedro, Tiago e João. Eles também estarão próximos Dele
no Getsêmani: Marcos 14,33.
A transfiguração mostra essencialmente
na tomada de consciência, pelos três apóstolos, de que Jesus é verdadeiramente
o Messias entronizado pela "festa dos Tabernáculos" (festa das
Tendas). A citação dos "seis dias" (v. 2) faz referência à duração
clássica desta festa; a montanha e a nuvem são elementos tradicionais próprios
a esta festa, bem como habitar em três tendas sugeridas por Pedro (v. 5).
Jesus é certamente o Messias que cada ano na festa dos Tabernáculos é
entronizado antecipadamente, revestindo-O de brancura e de luz (versículo 3) e
investindo-O da própria Palavra de Deus (v. 7). Mas no livro "judeu dos
Jubileus", quase contemporâneo dos evangelhos, já anunciava que o Messias
esperado por ocasião da "festa dos Tabernáculos seria um Messias
sofredor". Ora, Cristo acaba precisamente de anunciar aos seus discípulos
que sua paixão está próxima (Marcos 8,31-38).
Da Palavra para o
cotidiano da vida
Analisando o contexto de Abraão,
o que significa hoje crer apesar de todas as aparências em contrário? O que
representa segundo o apóstolo Paulo, a força do amor de Deus "que é por
nós"? Parece que a resposta está naquela conversa de Elias e Moisés com
Jesus. Marcos não diz qual foi o assunto dessa conversa, mas Mateus e Lucas
falam que a conversa foi sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus (o
mistério da Páscoa). Os discípulos ainda não entendiam o que significava a
ressurreição (v. 10). Mais tarde compreenderiam que a ressurreição era a utopia
do mundo novo, cujo primeiro fruto foi a ressurreição de Jesus.
Os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos
e Lucas) narram a cena da transfiguração de Jesus depois das tentações. A
transfiguração de Jesus é um aperitivo do mundo novo que virá. Não podemos,
porém, ficar aí parados, acomodados em tendas. É preciso descer do monte e
enfrentar os conflitos do dia-a-dia da nossa vida. Na celebração de hoje
entendemos que o começo da fé é escutar Jesus, o Filho amado do Pai, como nos
diz a voz saída da nuvem da transfiguração. Cristo é a Palavra pessoal do Pai;
e onde melhor se houve é na solidão e no vazio interior. Por isso, devemos
"subir à montanha", com Jesus, para orar e depois descer e enfrentar
a realidade que precisa de justiça e paz.
A cena da transfiguração revela aos
discípulos, que haviam escutado de Jesus o anúncio da paixão, um sinal da sua
vitória sobre a morte. Pedro, os discípulos e todos os demais que esperam um
Messias no sentido de um rei terrestre, devem mudar de mentalidade. A palavra
de ordem é escutar o filho amado de Deus.
A fé exigida das testemunhas da
transfiguração leva hoje a Igreja a não fugir das necessárias encarnações na realidade
e do despojamento que essas mesmas encarnações acarretam consigo, a fim de não
procurar um Reino de poder que se separe da morte. A Igreja também é alertada a
não desejar encarnação sem transfigurar a realidade. Ela só é chamada a estar
presente nas estruturas da sociedade para transformá-las. A Igreja só é chamada
a transformar a sociedade aceitando morrer a todo conforto e a toda
auto-segurança.
Levando em conta o tempo oportuno da
Quaresma, que luzes nos traz a liturgia deste domingo para a transfiguração de
cada um de nós, de nossa Igreja e do mundo?
O mundo novo já está em ação com a
ressurreição de Jesus, embora passando pela cruz, pelos caminhos das
contradições deste mundo. É preciso crer contra todas as aparências e apostar
neste mundo novo, transfigurado, que supera as idolatrias e mortes e se põe em
andamento a promessa feita a Abraão, retomada por Jesus e mostrada no último
livro da Bíblia como "um novo céu e uma nova terra" (Apocalipse
21,1). No mundo torto em que vivemos, o caminho de Cristo e o nosso é o da
cruz. Mas além dela está a manhã da ressurreição gloriosa.
A transfiguração de Jesus é um
"aperitivo" do mundo novo que haverá de vir. Não podemos, porém,
ficar aí parados (acomodados em tendas.). É preciso descer do monte e enfrentar
os conflitos do dia-a-dia deste mundo.
A Palavra se faz
celebração
A Glória do crucificado
Segundo o Rito Romano, as procissões de
entrada em nossas celebrações eucarísticas são presididas pela cruz. Essa cruz,
segundo a tradição, é a cruz gloriosa, que manifesta tanto a morte quanto a
ressurreição redentoras de Jesus. O costume no início do Cristianismo, era
representar o Cristo vivo sobre a mesma, somente mais tarde as cruzes começaram
a ostentar o Cristo morto, conforme conhecemos contemporaneamente. . Muito
antiga também era a cruz gemada, que recorda as marcas da paixão-ressurreição,
do abaixamento e humilhação total de Cristo, nos quais residem toda a sua
exaltação e dignidade.
Neste tempo da Quaresma, em que os
cristãos são convocados a converter o coração e buscar a misericórdia divina é
ocasião para viver a espiritualidade da genuflexão diante da cruz do Salvador.
Sobe-se ao monte Calvário, simbolizado pelo sacramento da Eucaristia para
depois descer aos jardins do sepulcro vazio, com os pés da fé.
A Palavra de Deus no monte
Seguindo o itinerário quaresmal, a
eucologia litúrgica insiste no fato de que a Palavra de Deus que calibra o
olhar dos batizados, para que reconheçam na cruz a glória do Filho:
"alimentai o nosso espírito com a vossa Palavra, para que purificado o
olhar da nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória." O monte da
Transfiguração aparece como uma estilização do que acontecerá no monte
Calvário. Ao celebrarmos o acontecimento que lá se deu, damo-nos a oportunidade
de ser conduzidos por Deus, verdadeiro guia no caminho quaresmal, a redescobrir
a chave interpretativa para compreender a paixão do Salvador.
Ligando a Palavra com
a ação eucarística
No prefácio da oração eucarística de
hoje transparece o sentido da transfiguração: "Tendo predito aos
discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o seu
esplendor. E com o testemunho da Lei e dos profetas, simbolizados em Moisés e
Elias, nos ensina que, pela paixão e cruz, chegará á glória da ressurreição.
O aspecto mais profundo da
espiritualidade da Quaresma consiste na participação do mistério de Cristo, ou
seja, sua paixão e ressurreição. A eucaristia é a celebração memorial da ceia
de Jesus. É isto que expressamos no coração da liturgia eucarística: "Anunciamos,
Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!
A aclamação eucarística expressa bem que anunciamos o mistério da morte e
ressurreição do Senhor, enquanto esperamos a sua vinda glorioso. Nas nossas
celebrações antecipamos festivamente o grande banquete celeste e nosso encontro
com o Cristo glorioso "Eu vos digo: Não beberei mais deste fruto da
videira até o dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino do meu
Pai" (Mt. 26,29). Assim, a assembléia litúrgica é um sinal escatológico do
encontro com o Ressuscitado, o Cordeiro imolado.
Porém, para que a nossa liturgia seja
agradável a Deus, é necessário que ela seja continuada na grande missão de
transfigurar este mundo tão marcado por contradições em Reino de Deus.
padre Benedito Mazeti
Do rosto transfigurado
aos rostos desfigurados
A questão de fundo em Marcos, “quem é
Jesus?” encontra a sua resposta no coração do Evangelho, na transfiguração de
Jesus. Uma boa chave de leitura do Evangelho da transfiguração, como dos outros
textos bíblicos e litúrgicos deste domingo encontramo-la na antífona de
entrada: “Procurai o seu rosto. É o teu rosto, Senhor, que eu procuro. Não me
escondas o teu rosto”. A resposta a esta súplica insistente vem de um “monte
alto, num lugar isolado”, onde Jesus “se transfigurou” diante de três
discípulos escolhidos: “as suas vestes tornaram-se esplendentes, branquíssimas;
nenhum lavadeiro desta terra seria capaz de as fazer assim tão brancas” (v.
2-3). Marcos insiste sobre este esplendor luminoso que manifesta exteriormente
a identidade de Jesus; de fato a cor branca é, aqui, sinal do âmbito de Deus,
de alegria e de festa. A luz não vem de fora, vem de dentro da pessoa de Jesus.
Lucas faz bem em sublinhar, no texto paralelo ao nosso, que “Jesus subiu ao
monte para rezar, e, enquanto rezava, o seu rosto mudou de aspecto” (Lc.
9,28.29). É no seu encontro com o Pai que Jesus se transforma: a plena
identificação com o Pai resplende no seu rosto.
O caminho de transformação interior é o
mesmo seja para Jesus seja para o apóstolo: a oração vivida como escuta e
diálogo na fé e no abandono humilde em Deus, tem a capacidade de transformar a
vida do cristão e do missionário. De fato, a contemplação, a oração é a
experiência que funda a missão. Tal foi também a experiência de Pedro, certo de
não ter ido “atrás de fábulas artificiosamente inventadas”, tendo sido uma das
três “testemunhas oculares ... quando estávamos com ele sobre o santo monte”
(2Pd. 1,16.18). Mesmo se assustado e confuso (v. 6), Pedro teria preferido
evitar aquele “êxodo” em Jerusalém, do qual Moisés e Elias falavam com Jesus
(Lc. 9,31), parando o correr do tempo naquela agradável vinda do Reino (v. 5)
como uma eterna “festa das tendas” (Zc. 14,16-18). Superada que foi a crise da
paixão, aquela experiência de intimidade com o Mestre e o ter escutado aquele
Filho predileto do Pai (v. 7) confirmaram a vocação e o compromisso de Pedro
numa missão corajosa de anúncio, até ao martírio.
Pedro precisou de sair dos seus
esquemas mentais para entrar no modo de pensar de Deus (Mt. 16,13). O mesmo
aconteceu com Abraão, de quem o segundo domingo da Quaresma nos apresenta
sempre algum acontecimento emblemático (o chamamento, a aliança, o filho
Isaac): ele compreendeu que não devia seguir o costume dos sacrifícios humanos
bastante difuso entre os povos vizinhos (Moabitas, Amonitas e outros). A
mensagem desta narração é bastante clara (1ª leitura): “O primeiro ensinamento,
o mais evidente e imediato, é que o Deus de Israel repudia, como um crime
abominável, o sacrifício dos filhos. Exigir sacrifícios humanos foi sempre uma
característica dos ídolos. O Deus de Israel, pelo contrário, imobilizando o
braço de Abraão que estava para golpear o filho, mostra-se como o Senhor que
ama a vida (Sb. 11,26), aquele que a todos dá vida (At. 17,25) e não deseja a
morte de ninguém (Ez. 18,32)” (F. Armellini). Estudando a narração do
sacrifício de Isaac com os critérios da inculturação missionária, vê-se
claramente a força da Palavra de Deus que julga, corrige e purifica os costumes
dos povos.
O rosto transfigurado e fascinante de
Jesus é um prelúdio da sua condição definitiva, depois da Páscoa, condição
semelhante à que nos espera: “Aquele corpo que se transfigura aos olhos
atônitos dos apóstolos, é o corpo de Cristo nosso irmão, mas é também o nosso
corpo chamado à glória; aquela luz que o inunda é e será também a nossa parte
de herança e de esplendor. Somos chamados a partilhar aquela mesma glória,
porque ‘participamos na vida divina” (2Pd. 1,4). Um destino incomparável”.
Assim escreveu Paulo VI na mensagem que tencionava dar durante o Angelus de domingo
dia 6 de Agosto de 1978, festa da Transfiguração, poucas horas antes da sua
morte.
É nesta vocação à vida e à glória que a
dignidade de toda a pessoa humana encontra o seu fundamento, que por nenhum
motivo de deveria corromper. Infelizmente, o rosto de Jesus aparece muitas
vezes desfigurado em tantos rostos humanos, como afirma o documento dos bispos
da América Latina em Puebla (México, 1979): “Esta situação de extrema pobreza
espalhada por toda a parte manifesta-se na vida real com traços muito concretos,
nos quais deveríamos reconhecer a imagem de Cristo que sofre, do Senhor que nos
interroga e nos interpela” (n. 31). E apresentam-se, em seguida, uma série de
deturpações: rostos de crianças doentes, abandonadas, exploradas; rostos
de camponeses abandonados e explorados; rostos de operários com salários de
fome, desempregados, despedidos; rostos de velhinhos, marginalizados pela
sociedade civil e familiar (cf. Puebla 32-43). E a lista podia continuar com as
situações que bem conhecemos nos nossos ambientes. São outros tantos apelos
insistentes à consciência de quem tem responsabilidade e aos missionários do
Evangelho de Jesus.
padre Romeo Ballan
“Perante os terríveis desafios da
pobreza de tão grande parte da humanidade, a indiferença e o fechar-se cada um
no seu próprio egoísmo colocam-se num contraste intolerável com o olhar de
Cristo.
O jejum e a caridade, juntamente com a
oração, que a Igreja nos propõe de modo particular no período da Quaresma,
oferecem-nos a ocasião propícia para nos configurarmos àquele olhar. O exemplo
dos santos e a experiência de muitos missionários que caracterizam a história
da Igreja constituem indicações preciosas sobre como melhorar e sustentar o
desenvolvimento” (Bento XVI - Mensagem para a Quaresma 2006 - comentando
o olhar cheio de compaixão que Jesus dirige às multidões: cf. Mt. 9,16)
EUNTES
1ª leitura –Gn.
22,1-2.9a.10-13.15-18
Estamos diante de uma grande prova de
fé. Uma fé vivida no silêncio. Confiança sim. Mas talvez mais do que confiança,
a fé é uma entrega, Deus tirou o chão dos pés de Abraão e ele continuou a
acreditar. Prometeu-lhe longa descendência e pede-lhe o único e possível (!)
herdeiro em sacrifício. A essa altura encheríamos Deus de perguntas;
arriscaríamos até blasfêmias, pois muitos o fazem por razões menores. Abraão
silencia-se e prepara a oferta. É a grande prova. Por trás do texto está a
rejeição por parte de Israel dos sacrifícios humanos (crianças principalmente)
dos cultos cananeus. O texto quer mostrar que Deus não quer sacrifícios humanos.
Em silêncio doloroso Abraão prepara a
entrega total. Entregar o filho único é entregar tudo, todo o futuro. É quase
devolver a Deus tudo o que Deus prometeu. Mas Abraão conservou a fé na
providência de Deus. Quando Isaac pergunta sobre a vítima do sacrifício, Abraão
responde: “Deus providenciará”. No momento do sacrifício, Abraão revela o
trágico desígnio de Deus. A vítima será o filho Isaac. Isaac aceita, obediente.
Coração estraçalhado do pai e do filho. Rasgos de obediência e de fé inefáveis.
Momentos de dor, uma mistura de aceitação e agonia. Caberia bem uma pergunta
naquele momento. Só uma: Será que Deus não vai intervir? É isso mesmo que ele
quer? Mas a grandeza da fé do grande patriarca o faz engolir seco as razoáveis
perguntas naquele momento fatal e fúnebre. Abraão não reserva para si nada.
Esvaziou-se até mesmo de perguntas. Entregou tudo. Exatamente neste momento
Deus intervém. Abraão superou a grande prova. Isaac é substituído por um
cordeiro. Assim a lei mosaica exigia para o resgate do primogênito. Deus
recompensa a grande fé do patriarca: abundância de bênçãos, descendência
numerosa. “Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra,
porque tu me obedeceste”. Jesus Cristo, descendente de Abraão é bênção de Deus
para todos os povos. O sacrifício de Isaac é prefiguração do sacrifício de
Cristo.
2ª leitura – Rm.
8,31b-34
O capítulo 8º da carta aos Romanos fala
da vida cristã no Espírito. “A lei do Espírito da vida em Jesus Cristo te
libertou da lei do pecado e da morte”. Começa assim o capítulo 8o trazendo-nos
um profundo conforto espiritual e animando a nossa esperança de continuar na
luta contra tudo que conduz à morte. Nossa certeza, nossa confiança, nossa
esperança se fundamentam no amor de Deus. É o que vai dizer o nosso texto: “Se
Deus é por nós quem poderia ser contra nós”. Paulo está contemplando extasiado
a grandeza do amor de Deus e a sua estupenda confiança no seu modo de agir em
favor de nós. Recordando o sacrifício de Isaac (Gn. 22,6) como expressão máxima
da generosidade de Abraão, afirma que se Deus não nos poupou nem seu próprio
Filho, o que ele deixaria de fazer por nós? A medida de seu amor por nós é um
amor sem medida. Paulo pergunta, retoricamente, quem acusará os eleitos de
Deus? Eleitos são todos aqueles que recebem o dom de Deus, são os cristãos que
estão tentando corresponder à sua vocação. É claro que os eleitos de Deus têm
quem os acusa. Só que estes estão perdendo tempo. Se Deus os declara justos,
quem os condenará? O único que teria autoridade para isso seria Jesus Cristo.
Ele nos acusaria?
Por nós ele deu a vida, por nós ele
ressuscitou. Ele está sentado à direita de Deus para interceder por nós.
Podemos caminhar tranquilos: Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Evangelho – Mc.
9,2-10
A transfiguração é um oásis para a sede
dos discípulos. Os discípulos acompanham Jesus e percebem que o povo não o
entende. Nem eles o entendem. Só em 8,29 Pedro, em nome dos discípulos,
consegue dizer: “Tu és o Cristo”. Mas isto não estava significando ainda muita
coisa para Pedro, pois, logo em seguida, Jesus o repreende severamente
chamando-o de satanás, adversário do projeto de Deus. Palavras duras! Agora
Jesus os consola. Ele escolhe os três mais difíceis para subir o monte com ele.
Jesus investe mais em Pedro, Tiago e João. Eles precisam mais. Jesus se
transfigura. A brancura e o esplendor das vestes vão indicar a vitória de Jesus
sobre o mal e a morte. É uma amostra antecipada da sua ressurreição gloriosa.
Moisés representa a Lei. Representa a libertação do Egito. A palavra de Jesus
vai substituir a autoridade da lei. A entrega total de Jesus vai trazer a
libertação definitiva. Elias é o representante dos profetas, o restaurador do
javismo; foi quem libertou o povo da idolatria que gera opressão. Moisés e
Elias (a Lei e os Profetas) sintetizam todo o Primeiro Testamento mostrando que
o que vale agora é o Segundo Testamento em Jesus. Pedro quer fazer três tendas
lá em cima. O povo lá embaixo comemorava a festa das Tendas, que lembrava a
caminhada do deserto e esperava o Messias libertador. Pedro esquece da luta do
povo. Lá em cima está tão bem que até esquece de si e de seus companheiros. As
tendas são para perpetuar a visão de Moisés, Elias e Jesus. Mas ele não sabe o
que fala. O evangelista faz questão de salientar a ignorância dos discípulos em
todo o evangelho. A nuvem é a presença divina; a voz vem do Pai para mostrar
que a autoridade compete agora não a Moisés nem a Elias, mas ao Filho amado. É
a ele que todos devem ouvir daqui para frente. Mais uma vez o evangelista responde
à pergunta: Quem é Jesus?
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