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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

6º DOMINGO TEMPO COMUM-B

6º DOMINGO TEMPO COMUM


Evangelho - Mc 1,40-45


A compaixão de Jesus foi maior que os ditames da Lei. Por isso Ele tocou o leproso e o libertou daquele sofrimento.  Continuar lendo


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“SE QUERES TENS O PODER DE CURAR-ME.” – Olivia Coutinho.

6ª DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 11 de Fevereiro de 2018

Evangelho de Mc1,40-45

Ninguém passa em vão, perto de Jesus, mudanças profundas acontecem na vida de quem toca e se  deixa por Ele!
O ponto fundamental de todos os  ensinamentos  de Jesus sempre foi o amor, Jesus era movido pelo o amor, por onde Ele passava, a sua presença, exalava amor, todas as suas ações se convergiam em favor da vida.
Como continuadores da presença de Jesus aqui na terra, não podemos ficar indiferentes ao sofrimento do nosso irmão e nem deixar que ele desconheça a verdade que liberta.
O evangelho que a liturgia deste  Domingo  nos convida a refletir, continua narrando as ações libertadoras de Jesus, mostrando-nos o quão é grande,  a sua compaixão para com os sofredores!Desta vez, o beneficiado desta ação libertadora de Jesus, foi um homem acometido por uma doença que não somente lhe causava feridas no corpo, como também, feridas profundas na alma: a lepra, hoje conhecida como hanseníase.
A lepra, naquele tempo, era uma doença incurável, quem a contraia, era visto como impuro condenado ao isolamento, a viver fora do convívio social, religioso e familiar.  E se alguém era curado desta doença, sua cura era atribuída exclusivamente  a Deus! E para que uma pessoa curada, pudesse voltar a sua vida normal, era preciso que esta  cura, fosse constatada pelos os sacerdotes, somente eles, poderiam autorizar a sua reintegração  ao convívio social... 
O leproso, citado no evangelho, já havia perdido a esperança no humano, ele viu em Jesus, a sua única possibilidade de cura, por isso não hesitou em infringir as leis, para chegar até Ele! Prostrado aos  pés de Jesus, ele diz: “Se queres, tens o poder de curar-me.” E contrariando as leis, que proibiam qualquer contato com os leprosos, Jesus, não somente permite que aquele leproso se aproxime Dele, como também, toca nele, dizendo: “Eu quero: fica curado!”
Ao ser curado, aquele homem,  sente abraçado por Deus, experimentando no corpo e na alma, a ação libertadora de Jesus! A partir de então, ele recobra para além da sua vida física, a sua vida social, familiar e religiosa.
Superada  a marginalização, e completamente revestido da graça de Deus, ele vê surgir diante de si, novos horizontes! E mesmo sendo recomendado por Jesus, para não espalhar o acontecido, ele não consegue obedece-lo, pois não consegue guardar só para si, tamanha alegria!
A se ver livre da lepra, aquele homem, proclama com veemência o nome de Jesus, dando testemunho da sua cura. 
Esta narrativa nos mostra, que pela fé, é possível vencer todos os obstáculos que nos impedem de aproximarmos de Jesus, de sermos tocados por Ele! A fé abre caminhos, nos coloca diante de Jesus, como colocou aquele leproso.
Sintamos também, abraçados por Deus, libertos das muitas “lepras” que nos impede de abraçar o outro, de vivermos como irmãos.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Os nossos males crônicos
A Liturgia da Palavra deste VI Domingo do Tempo Comum nos lança um sério tema para a nossa reflexão: a exclusão social! Somos todos chamados em causa! (I Leitura). A “lepra” que promove a exclusão hoje continua dentro de nós. Trata-se de males para os quais não há cura, mas a Fé nos fornece tratamento porque nos educa ao discernimento para sabermos escolher o que convém (II leitura). Jesus nos convida ao combate à exclusão através da prática da acolhida sem preconceito (Evangelho).
1ª. Leitura: LEVÍTICO 13,1-2.44-46 – A COMUNIDADE E O INDIVÍDUO IMPURO
O contexto sócio-cultural desse texto nos convida a uma atitude de compreensão dessa forma de tratamento ao leproso  (de antigamente!) que, para os padrões de hoje nos parece tão cruel. A preocupação primária que aparece no contexto dos capítulos 13-14 do livro do Levítico, não é a exclusão em si como forma de punição do doente, mas tem a intenção de preservação da pureza ou saúde da comunidade, uma vez que a lepra era uma doença incurável (cf. Lev. 13,11), uma terrível maldição contagiosa e humilhante (cf. Lev 13,51; 2Cr 15,5;  2Cr   26, 21). Era uma ameaça para a comunidade. Na base dessa narração está uma limitação científica: ainda não se conhecia as causas dessa doença e, por isso, se lhe atribuía uma origem divina: uma maldição de Deus. É por isso que não aparece no texto a figura do médico que deveria examinar os doentes, mas a do sacerdote. A pessoa que era acometida de manchas na pele que produzissem suspeita de lepra, era logo levada ao sacerdote para ser examinada (cf. Lv. 13,1-3). Estamos em numa fase primitiva da busca de compreensão da causa e consistência dessa doença enigmática e desfiguradora. Certos de seu contágio, da sua característica deformadora e sem remédio, o que fazer com os doentes? A declaração pública de “impuro” não era banalizada. O zelo pela saúde da comunidade motivou os líderes (sacerdotes, sobretudo) a estabelecerem sérios procedimentos de tratamento de cada caso: a pessoa doente, era isolada para ser analisada por diversos dias (cf. Lev. 13, 3-5), observava-se o desenvolvimento da doença (cf. Lev. 13,8) em fim, após a comprovação da mesma, o sacerdote fazia a declaração. Aquele que recebia o resultado positivo do exame, era imediatamente afastado do convívio comunitário para não contaminar os outros (cf. Lev. 13, 46), assumia a responsabilidade de reconhecer o próprio estado de impureza por onde andasse gritando: «Impuro! Impuro!» além de adotar uma postura diferente capaz de ser logo reconhecido pelos membros da comunidade andando com roupas rasgadas, despenteado e barbado (cf. Lev. 13, 46).  
Nossa Vida:
O que nos interessa aqui diante do texto citado, não é fazer uma crítica sociológica desse fato, mas aprofundar o sentido ético-teológico da sua mensagem para nós hoje. Estamos diante de uma brilhante narração que revela-nos diversas mensagens muito significativas: a) O ser humano padece de males crônicos: há males que nos acompanham ou deixam em nós ou nos outros, seqüelas para toda a vida: o orgulho, o egoísmo, a desonestidade, o medo, a mesquinhez, o comodismo ... são males que nos excluem da vida  da comunidade, da comunhão com os outros, da felicidade...;  b) É necessário buscar o equilíbrio entre o “indivíduo contaminado” e a “preservação da saúde da comunidade”: bem sabemos que um indivíduo “contaminado” pode comprometer o bem-estar de uma inteira comunidade.; c) É necessário crescer na consciência da própria doença: trata-se de uma atitude de honestidade em vista de não causar males aos outros. Em nossa sociedade ninguém declara a “própria impureza” e por isso, cresce a cada dia, os contaminados pela corrupção, pelo suborno, pela mentira etc. Mas também pela AIDs, doença venéreas, etc  Contudo, veremos no evangelho que os parâmetros colocados por Jesus para a resolução desse problema, vão muito além desses aí apresentados. Não basta que a comunidade adote uma atitude defensiva em relação ao indivíduo “doente”, é necessário buscar de todas as formas, mecanismos que possam romper com o circulo vicioso da exclusão; como? Combatendo à raiz, os males individuais: é necessário promover o tratamento das pessoas e elas devem ser responsabilizadas por isso. Essa atitude, de corresponsabilidade conjunta, é aquela que encontramos também no processo de tratamento e cura de Naamã, o chefe do exército do rei de Aram que, apesar de ser um homem de bem, estimado e valente, ficou leproso (cf. 2Rs 5, 1-27), mas graças às iniciativas de “cuidado” da comunidade, ficou curado Deus lhe veio ao seu encontro e ficou curado (a fé cura!).
SALMO 32 (31): Este salmo é uma oração de gratidão a Deus por causa do perdão recebido, na qual a conversão é apresentada como fonte de alegria para o salmista. Por isso diz: “Feliz aquele cuja ofensa é absolvida, a quem Deus não acusa nenhum pecado” (Sl 32,1-2). O salmista narra a experiência do peso que sentia quando estava em pecado (cf. Sl 32,3-4), mas depois da confissão, veio-lhe a experiência do alívio libertador (cf. Sl 32,5-7). Conclui essa oração com um conselho de sabedoria: é preciso não ser teimoso no mal, incapaz de compreender o caminho da retidão, pois os injustos sofrem tormentos (cf. Sl 32,8-9). Vale a pena, então, estar em comunhão com Deus e viver na alegria (cf. Sl 32,11).
2ª. LEITURA: 1Cor. 10, 31-11,1 – META A SER ALCANÇADA:  A LIBERDADE RESPONSÁVEL
Este breve trecho está inserido dentro de uma polêmica discussão enfrentada por Paulo que causou impacto entre cristãos: aquela dos alimentos puros e impuros. Paulo encerra a discussão declarando como Jesus que todos os alimentos são bons, que não há alimento físico capaz de contaminar o espírito (cf. Mc 7,19). Paulo vai além e, ousadamente afirma: «tudo é permitido. Mas nem tudo convém. Tudo é permitido. Mas nem tudo edifica. Ninguém procure satisfazer aos seus próprios interesses, mas os do próximo” (cf. 1Cor 10,23-24). Conclui essa interessante reflexão dizendo aos cristãos de Corinto que, seja no comer ou no beber, ou façam qualquer outra coisa, tudo seja feito para a glória de Deus. Paulo preocupa-se com a possibilidade de ver seus fiéis alimentando a fé na Ressurreição e ao mesmo tempo vivendo subjugados às superstições que delimita o que fazer e o que não fazer, o que comer e não comer, o que é puro e o que é impuro! Quem vive movido por superstições, neutraliza a própria a fé e sua liberdade perde força. Quem tem fé não se deixa orientar por essas coisas. Mas para evitar escândalos para os fracos de espírito, Paulo apela para o princípio da Caridade. Sim, é necessário não causar escândalos, ou seja, mal-estar aos outros levando-os a desacreditar no Bem. Nas entrelinhas, o apóstolo com a sensibilidade de um pedagogo, apela para importância do Bom senso que sabe reconhecer, de acordo com as circunstâncias, aquilo que convém e aquilo que não convém. Foi dessa maneira que ele sempre agiu e por isso se colocou como modelo a ser imitado: buscar agradar em tudo, quanto possível, a todos e não procurar  a satisfação dos próprios interesses (cf. 10,32-33).
Nossa Vida:
Esse texto paulino tem muito a ver com o tema “lepra” apresentado hoje na primeira leitura e no Evangelho. Uma das mais graves “lepras” dos nossos dias que gera graves conseqüências é a ignorância, o analfabetismo moral, a ausência de consciência dos mais importantes recursos humanos naturais (a inteligência, liberdade, vontade...). A lepra da ignorância é a responsável pela explicação supersticiosa da realidade, ela é a mãe da superstição que gera nas pessoas uma mentalidade passiva, medrosa, acorrentada,  oprimida,  limitada... inibidora do desenvolvimento humano. A ignorância, mãe da ingenuidade, gera ainda o escândalo do fatalismo em muitas pessoas e povos apesar de estarmos no século XXI. Em fim quando Paulo apela para o princípio da responsabilidade: “tudo é permitido, mas nem tudo convém”, está afirmando a sua sabedoria e liberdade que brotam da sua fé e que orientam suas escolhas. Uma afirmação semelhante encontra-se no Livro do Eclesiástico: “Meu filho, prove a si mesmo durante a sua vida. Veja o que é prejudicial, e não o conceda a si próprio. Nem tudo convém a todos, nem todos gostam de tudo” (Eclo 37,27-29). Quem tem convicções sólidas, alicerçadas em valores e princípios, se revela sempre Livre e Responsável e seu agir emerge com mais consistência porque sabe administrar as pressões internas e externas, aquelas que vem do ambiente em que vive e de dentro de si mesmo.
3ª. EVANGELHO: Mc. 1, 40-45 – JESUS PROMOVE A INCLUSÃO SOCIAL
No domingo passado Jesus se apresentava como o médico da humanidade que curava todos os tipos de doenças e enfermidades. Dentre as doenças estava aquela mais temida: a lepra. Para os judeus essa doença física era símbolo do pecado: mal crônico espiritual que sempre nos acompanha. No evangelho, Jesus acolhe e cura um leproso. Essa atitude reveladora de sua divindade, apresenta Jesus como o médico do pecado, ou seja, o único que tem o poder de fazer desaparecer os males espirituais da humanidade. No evangelho a relação com a lepra e o leproso é bem diferente daquela da primeira leitura. No Novo Testamento não há espaço para justificar a exclusão. Não basta que o indivíduo “impuro” tenha a consciência do próprio mal, é necessário que ele sinta indignação com a própria situação e assuma a responsabilidade da busca da própria cura (cf. Mc 1,40-41); não basta evitar contaminar a comunidade, é necessário que a comunidade saia do seu puritanismo fechado e ajude o “leproso” a usufruir o direito à saúde e à dignidade de vida; não basta o respeito e a solidariedade dos outros, é necessário que o “leproso” assuma o compromisso de querer mudar a própria condição pela fé. Esses são alguns dos parâmetros que colhemos do evangelho. Vejamos alguns tópicos particulares: a) A fé faz desaparecer a lepra: o leproso é corajoso, desobedece às normas preestabelecidas pelos sacerdotes, aproxima-se de Jesus e pediu de joelhos: «se queres, tu tens o poder de me purificar.» (Mc 1, 40). Com esse heróico gesto revela a profundidade de sua fé no filho de Deus reconhecendo o seu poder extraordinário e sua misericórdia diante da miséria humana; b) Quem tem fé  rompe com os esquemas promotores da exclusão: essa idéia está presente tanto nos gestos de Jesus que não manifesta nenhuma preocupação em se tornar impuro sendo tocado pelo leproso, que estende-lhe a mão, que toca o leproso... quanto nas atitudes do leproso que sai da periferia, ousadamente mete-se no meio da multidão, vai ao encontro de Jesus e, de joelhos suplica-lhe a cura. Esse gesto de Jesus representa uma clara rejeição da ordem preestabelecida mantenedora de esquemas excludentes. c) A alegria da cura tudo supera... Jesus não é um reformista que desconhece a ordem estabelecida. Apesar de claramente desobedecer alguns preceitos (acolher e tocar o leproso), reconhece o importante papel do sacerdote e por isso manda o leproso curado se apresentar a ele e oferecer pela sua purificação o sacrifício que prescrevia  a Lei para que fosse um testemunho para eles (cf. Mc. 1, 45). “Mas o homem foi embora e começou a pregar muito e a espalhar a notícia” (Mc. 1,45). Como no caso da sogra de Pedro (Mc. 1,31), quem é curado assume um dinamismo diferente de vida feito de serviço, anúncio do benefício recebido e testemunho da libertação.
Nossa Vida:
A exclusão Social: São várias as perspectivas de temas de reflexão desse texto. Creio que o mais importante seja aquele da necessidade de sermos promotores da inclusão! Trata-se de um tema muito discutido em nossos dias em todo o mundo. Milhões de pessoas vivem à margem da sociedade e, por isso, excluídas da possibilidade de usufruírem da beleza da dignidade humana porque padecem de muitos males: alienação, ignorância, opressão política religiosa, fundamentalismo religioso e ideológico, etc. Essa situação, como um “pecado capital”, gera outros males para esses oprimidos, tais como o comodismo, a mediocridade, a submissão, a visão fatalista da vida, recorrem à superstição para explicar os próprios males, a fragilidade psíquica (baixa auto-estima), a violência, o vício... Contudo, não pensemos que é necessário esperarmos um Messias para libertar essa pobre humanidade. A perspectiva de libertação dessa situação não será miraculosa. O Evangelho, descrevendo a sensibilidade de Jesus e as atitudes do leproso sedento de saúde e inclusão, nos apresenta a necessária inquietude ou indignação que devemos ter para poder mudar qualquer realidade. Ou nos indignamos e lutamos por mudança, ou nos acomodamos renunciando a nossa dignidade. O combate à exclusão é um compromisso de mão-dupla, pois quem só recebe benefícios continua na própria miséria e faz disso um meio para sobreviver. É isso que encontramos nas ruas das nossas cidades. Milhares de pessoas fizeram opção pela mendicância como meio de sobrevivência: é a artimanha da lepra do comodismo! Além dessa dupla inquietude dinâmica, Jesus nos indica também a necessidade do combate ao preconceito, que jazem em nossas mentes como uma espécie de lei que nos impõe atitudes contrárias à dignidade das pessoas e ou povos. O preconceito tem conseqüências terríveis: classifica, exclui, rotula, nega a evidência da realidade etc. Aquele que vive determinado pelos preconceitos é escravo da fantasia que criou ou das superficiais idéias que lhe colocaram na própria mente. O preconceituoso é um “leproso”.  Em fim, trazendo a reflexão para um nível individual, somos convidados a pensar nas “nossas lepras pessoais” que nos corroem por dentro e afloram em gestos de violência aos outros: o orgulho, a inveja, a vingança, a avareza, a ira, a mágoa, a preguiça, a indiferença, a intemperança, a mentira, a corrupção, a desonestidade, a murmuração, a fofoca... São males psico-espirituais promotores de graves conseqüências imorais (comportamento negativo e pernicioso!), como a lepra física, que não tem cura, mas tratamento: a Fé, a Esperança e o Amor.
MENSAGENS e COMPROMISSOS:
1. Entre comunidade e indivíduo é necessário que haja corresponsabilidade e respeito.
2. Em matéria de comportamento, tudo é possível, mas nem tudo é bom e edifica... Precisamos de discernimento!
3. Somos chamados, como “bons cristãos e honestos cidadãos”, a contribuir para diminuição da exclusão promovendo a acolhida e o combatendo o preconceito, bem como, refletindo a lepra como uma fragilidade psico-espiritual pessoal que precisa ser tratada.
Antônio de Assis Ribeiro - SDB (padre Bira)



A lepra o deixou e ele ficou limpo
No evangelho de Marcos, lido hoje, Jesus se encontra com um leproso que se atreve a romper uma norma que o obrigava a permanecer distante do convívio dos cidadãos. Essa norma é também lembrada na primeira leitura, do Levítico. Na tradição judaica (primeira leitura) a enfermidade era interpretada como uma maldição divina, um castigo, uma conseqüência do pecada da pessoa enferma ou de alguém da família.
Por ser considerada contagiosa, a lepra era regulamentada por normas rígidas que excluíam da vida social as pessoas afetadas. Essa falsa crença de que a lepra era contagiosa perdurou durante muitos séculos. O doente da lepra era um morto em vida, e o pior era que a enfermidade era normalmente considerada incurável. Os sacerdotes tinham a função de examinar as chagas do enfermo e em caso de diagnostico positivo, a pessoa era declarada impura.
Ela deveria se retirar do convívio, começar uma vida de solidão, a viver em desalinho, gritando pelos caminhos: “Impuro! Impuro!”, para evitar encontrar-se com pessoas sadias que poderiam ser contagiadas. Na realidade, todo o sistema normativo religioso gerava uma permanente exclusão de pessoas por motivos de gênero, saúde, condição social, idade, religião e nacionalidade.
Certamente, esse homem, cansado de sua condição, aproxima-se de Jesus e se ajoelha, colocando nele toda sua confiança: “Se queres, podes purificar-me”. Jesus se compadece e o toca, rompendo, não somente um costume, mas também uma norma religiosa sumamente rígida. Jesus age com liberdade em relação à lei que marginaliza e exclui a pessoa.  Jesus coloca a pessoa acima da lei, inclusive da lei religiosa. A religião de Jesus não está contra a vida, antes ao contrario: coloca a vida das pessoas como centro de tudo. A vida das pessoas está acima da lei e não o contrario.
Jesus pede silencio (é o conhecido tema do “segredo messiânico”, ainda hoje um tanto misterioso), e o envia ao sacerdote como sinal de sua re-inclusão na dinâmica social, “para que sirva de testemunha” de que Deus deseja e pode agir para além das normas, recuperando a vida e a dignidade de seus filhos e filhas. Porém, esse homem não faz caso de tal segredo, rompe o silencio, e começa a proclamar com entusiasmo sua experiência de libertação.
Não parece que se tenha servido da mediação do sacerdote ou da instituição do templo, mas que se auto-inclui e toma a decisão autônoma de divulgar a Boa Noticia. Isto faz com que Jesus fique impedido de se apresentar em público nas cidades e passa a viver em lugares ermos, pois ao assumir a causa dos excluídos, Jesus se converte em um excluído também. Contudo, fora dos lugares oficiais da vida, começa a brotar a vida nova para quem o descobre e o busca.
É uma página recorrente nos evangelhos: Jesus, não somente prega, mas cura, purifica os enfermos. Palavras e fatos, dizer e fazer, anuncio e construção, teoria e prática. Libertação integral: espiritual e corporal. E essa é sua religião: o amor libertador, acima de toda lei que aliena. A lei consiste precisamente e acima de tudo em amar e libertar.
A segunda leitura segue um caminho independente diante da relação entre a primeira e a terceira leituras. É um belo texto de Paulo que fala da integralidade da espiritualidade. A espiritualidade não é tão “espiritual”; de alguma maneira é também “material”. É preciso lembrar que a palavra “espiritualidade” é uma palavra desafortunada. Temos que usá-la, porém precisamos rever seu sentido etimológico. Não queremos ser “espirituais” se isso significa valorizar o espírito e desprezar o corpo ou a matéria.
Paulo está nessa linha: “Quer comais, quer babais, ou façais qualquer outra coisa...”. Não somente as atividades tradicionalmente tidas como religiosas, ou espirituais, têm a ver com a espiritualidade, mas também atividades muito materiais, preocupações muito humanas, como o comer e o beber, ou qualquer outra atividades de nossa vida, podem e devem ser integradas no campo de nossa espiritualidade (que já não se torna somente espiritual).
Nossa vida de fé pode e deve santificar toda nossa vida humana, em todas as suas preocupações e trabalhos, não somente quando temos a sorte de poder dedicar nosso tempo a atividades “estritamente religiosas”, como a oração e o culto.
O Concilio Vaticano II insistiu muito nisso: “Todos somos chamados à santidade” (LG. V). Não existem os “profissionais da santidade”, que estariam num suposto “estado de perfeição”, enquanto os demais teriam que atender a preocupações mais humanas. Não. Todos somos chamados a realizar trabalhos, tarefas, preocupações humanas... “nossa própria existência” à categoria de “culto agradável a Deus” (Rm. 12,1-2). Podemos ser muito “espirituais” (com reservas para esta palavra de ressaibos greco-platônicos), mas podemos também nos santificar com o mais “material” de nossa vida.



"Se quiseres, podes curar-me"
Nos tempos mais esclarecidos em que vivemos, temos que fazer um esforço muito grande de compreensão, para aceitar que tenha havido na Lei do Antigo Povo de Deus prescrições tão deprimentes e tão dolorosas a respeito das pessoas atingidas pela doença da lepra. Tais pessoas eram excluídas drasticamente da comunidade. Tinham que viver isoladas nas suas cabanas fora do povoado. Tinham que usar roupas rasgadas e gritar "impuro", ao se aproximarem pessoas sadias. Se tivessem a ventura de ficar curadas, tinham que se mostrar aos sacerdotes, apresentar uma oferenda e obter um certificado de saúde. Só então podiam rein­gressar na comunidade. Tudo isso se encontra, apresentado com os mais minuciosos pormenores, no livro do Levítico em mais de um lugar.
Lamentavelmente, a catequese da Igreja em séculos passados ajudou a manter essa discriminação, inclusive por usar freqüente­mente a lepra como símbolo do pecado. Mas a Igreja, ao mesmo tempo, fez o melhor que pôde para socorrer esses irmãos discri­minados. Acolheu-os em casas de saúde especializadas, e deu todo o apoio aos esforços da medicina para a descoberta de remédios para a terrível enfermidade. E foi acolhendo as novas informações de que a doença é curável e não é tão perigosamente transmissível como se acreditava. O grande Papa Pio XII teve o grande mérito de dizer certa vez em público uma segura palavra a esse respeito, abrindo largo caminho para a nova mentalidade. E hoje os tempos são mais amenos para a consciência da Igreja e do mundo dentro do qual ela vive.
Jesus curou muitos leprosos. O Evangelho o registra com freqüência. Numa dessas curas, narrada pelos três sinóticos e aco­lhida na Liturgia da Palavra deste sexto domingo do Tempo Comum, aparece maravilhosamente a confiança absoluta do doente no poder de Jesus e a prontidão com que o Senhor o curou. O leproso aproximou-se de Jesus, lançou-se de joelhos a seus pés e exclamou: "Senhor, se quiseres, podes curar-me". E Jesus imediatamente estendeu a mão, tocou-o - Ele não partici­pava do tabu da antiga Lei - e disse: "Quero, fica curado" (Mc. 1,40-42). Em seguida mandou que ele se fosse apresentar ao sacer­dote para cumprir a prescrição da Lei e proibiu-lhe que divulgasse a notícia. Como se podia prever, o homem curado não foi capaz de atender à proibição de Jesus. Espalhou o mais que pôde a notícia, de tal sorte que Jesus nem podia mais entrar às claras em nenhuma cidade e tinha que se afastar para lugares desertos. O evangelista o registra, mas acrescentando que todos acorriam a Ele de toda parte.
Aparece bem claro, no episódio, que Jesus atendeu ao pedido do leproso com uma prontidão que correspondia ao tama­nho da confiança e da fé que existia no coração daquele homem. E ficou a lição para nós. Para nos mostrar como a oração que diri­gimos a Deus para pedir-lhe alguma coisa deve ser alicerçada num fundo muito sincero de fé no poder de Deus e de confiança em sua bondade. "Se quiseres" é uma expressão que indica de maneira muito viva essa fé e essa confiança. Quantas vezes encontramos Jesus dizendo a quem lhe vem pedir uma cura: "Tem confiança, meu filho! “ A importância da fé em quem faz um pedido, ficou bem explícita no caso da mulher que tocou a orla do manto de Jesus para se ver livre de sua enfermidade:
"Tem confiança, minha filha. Tua fé te salvou" (Mt. 9,22). Assim deve ser nossa oração. Sempre envolvida numa grande fé e numa firme confiança.
Há comentadores que chamam a atenção para o fato de Jesus ter mandado que o leproso curado se apresentasse aos sacer­dotes. Estava apenas lembrando a ele o dever de cumprir a Lei? Ou tinha também a intenção de que o fato mostrasse aos sacer­dotes que o Messias tinha chegado e se estavam cumprindo as predições dos profetas a respeito de seu poder taumatúrgico? Tal finalidade não é improvável. E parece corresponder ao desejo de Jesus de se manifestar, fugindo sempre de interpretações de um falso messianismo. Afinal, a luz do Messias se devia revelar ao mundo.
padre Lucas de Paula Almeida, CM



Os excluídos
Marcos, no seu Evangelho, vai mostrando: "Quem é Jesus". Não se preocupa com definições abstratas... mas apresenta concretamente Jesus agindo. A partir de seus gestos, podemos descobrir quem ele é:
- Jesus liberta o homem possuído por um espírito mau;
- estende a mão à sogra de Pedro e ajuda a levantar-se;
- hoje vemos a sua atitude para com os marginalizados e excluídos.
A 1ª Leitura mostra severa discriminação dos leprosos, na lei de Moisés: "O leproso andará com vestes rasgadas, cabelos soltos e barba coberta... Viverá isolado, morando fora do acampamento... Ao se encontra com alguém, deve gritar: sou impuro..." (Lv. 13,1-2.44-46)
O preceito se explica pela preocupação de contágio e pelo conceito dos hebreus, que viam na lepra um castigo de Deus... O leproso era assim um castigado de Deus e um excluído da comunidade.
Na 2ª Leitura, Paulo convida a "fazer tudo para a glória de Deus" (1Cor. 10,31-11,1).
No Evangelho, vemos a atitude de Cristo para um leproso: purifica o doente e o reintegra na sua comunidade (Mc. 1,40-45).
- Um leproso, contrariando a lei, aproxima-se de Jesus e de joelhos implora: "Se queres, podes limpar-me..."
- Jesus "se compadece", "estende a mão e toca-o..." e restitui a saúde: "Eu quero, fica curado..."
Ao acolher e tocar o leproso, Jesus transgredia a lei, que proibia tocar neles. Mas logo em seguida a cumpre: manda apresentar-se ao sacerdote, a quem cabia a decisão de reconhecer a cura e reintegrar na comunidade. Para Cristo, a caridade está acima da Lei... Jesus "compadecido" cura dois males: o mal da solidão e o mal da lepra. E reintegra o leproso na convivência fraterna.
O Leproso, ao experimentar o poder salvador de Jesus, torna-se um ardoroso testemunha do amor e da bondade de Deus.
Deus não exclui ninguém. Todos são chamados a integrar a família dos filhos de Deus. O leproso não é um marginal, um pecador condenado, um homem indigno, mas um filho amado a quem Deus quer oferecer a Salvação e a vida.
O caminho do leproso deve ser o caminho de todo discípulo:
- vir a Jesus, aceitar a própria limitação humana;
- experimentar a misericórdia e o poder libertador do Senhor;
- e finalmente tornar-se testemunha das grandes obras de Deus.
Outros vêm nesse episódio elementos do sacramento da penitência: a penitência é um encontro com Jesus, que cura da lepra do pecado e re-introduz na comunidade eclesial.
Os leprosos de hoje...
Infelizmente a "lepra" ainda hoje existe em nossa sociedade e na Igreja.
Há muitos excluídos, mantidos "fora do acampamento". São rejeitados, como se fossem leprosos, todos os "diversos": os que pensam ou agem diferente de nós....
E quando alguém se sente um "leproso", a quem ele deve se dirigir? Será que poderá contar com o apoio dos cristãos de sua comunidade, com a mesma confiança do leproso que procurou Jesus?
Leprosos de hoje são os que vivem nos barracos das favelas das cidades ricas; são os desempregados das cidades industriais; os jovens drogados, vítimas de uma sociedade consumista; são as crianças abandonadas; são os idosos sem vez no emprego e na família, como produto descartável...
São lepras que matam muito mais do que a lepra do tempo de Jesus.
Jesus não teve repugnância dos leprosos...
Pelo contrário, aproxima-se deles, porque vê neles um filho de Deus.
Qual é a nossa atitude para com eles?
Nossos preconceitos, nosso legalismo não estão criando marginalização e exclusão para os nossos irmãos?
Jesus sentiu "compaixão"... O que sentimos diante do sofrimento, da injustiça, da miséria de um irmão?
"Estendemos a mão" ou apenas lamentamos: "coitado"?
A cura da lepra era um sinal dos tempos messiânicos... No Antigo Testamento, só dois grandes profetas tinham curado a lepra: Moisés (sua irmã Maria) e Eliseu (Naaman, o Sírio).
Os guias religiosos não reconhecem o dia da libertação... O leproso curado o vislumbra e o testemunha com entusiasmo.
O encontro com Jesus transformou totalmente a vida do leproso.
Ele não podia esconder a alegria, que esse encontro produziu na sua vida e sentiu a necessidade de dar testemunho.
O nosso encontro com Cristo nessa eucaristia nos torna capazes de testemunhar no meio de nossos irmãos, com alegria e entusiasmo, a libertação que Cristo nos trouxe?
Quais são os nossos leprosos... que excluímos do nosso convívio?
Estamos dispostos, a exemplo de Cristo, nos aproximar deles e estender a nossa mão?
padre Antônio Geraldo Dalla Costa



A lepra desapareceu e o homem ficou curado.
Este Evangelho narra a cena da cura de um leproso. Ele “chegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: Se queres, tens o poder de curar-me”. A fé é condição para recebermos as graças de Deus.
“Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: Eu quero: fica curado!” O sentido literal da palavra compaixão é “sofrer junto”. Ela leva a pessoa a, de dó, sofrer o mesmo que o outro está sofrendo. Só isso já é um alívio para o outro, porque sente que há alguém unido na dor. Daí para frente, os dois juntos, com os recursos que têm, procuram sair do problema. É bem mais fácil lutarmos contra uma dificuldade, junto com alguém, do que sozinho. E mais: “Onde dois ou mais estiverem unidos em meu nome” – disse Jesus – “eu estou no meio deles” (Mt. 18-20).
“Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos.” Houve uma troca de posições: o homem saiu do deserto e Jesus foi para lá. A compaixão muitas vezes leva a isso. Mas o amor faz a pessoa feliz, mesmo vivendo no deserto.
Sob o nome de lepra incluíam-se diversas doenças da pela, além da lepra como tal. Todos esses casos eram considerados doença incurável e contagiosa; portanto, o doente devia afastar-se das pessoas e viver sozinho, em um lugar isolado. Se alguém tocasse nele, ficava também impuro, tendo de ir morar junto com ele lá no deserto (Lv. 5,5-6; 13,45s).
O “leproso” era um ferido por Deus, e por isso ficava excluídos também da sinagoga e do convívio com o povo eleito, passando a levar uma vida miserável.
Jesus amou tanto aquele doente, que enfrentou todo esse rigor da Lei. Foi como se ele dissesse ao leproso: a sua dor é a minha dor; o seu problema é o meu problema.
“Por toda parte, Jesus andou fazendo o bem” (At. 10,38). O cristão verdadeiro sente compaixão das pessoas que sofrem, e se une com elas, sem medo de “se sujar” ou de as coisas complicarem para si. Isso é solidariedade, que nasce da compaixão.
Jesus nunca ficava neutro entre uma pessoa certa e outra errada, um opressor e um oprimido, mas sempre assume o lado da verdade, da vida, do excluído e dos mandamentos de Deus. Por isso que os cristãos, seguidores de Jesus, facilmente “se queimam” ou “se estrepam”.
“Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moises ordenou, como prova para eles!” A prova era dupla: de que o homem está curado, portanto pode voltar ao convívio social, e que foi Jesus que o curou, isto é, reintegrou na sociedade uma pessoa que os sacerdotes excluíam, através de suas leis sobre puro e impuro. Aqueles sacerdotes se preocupavam em proteger o resto da sociedade, mas não se preocupavam em reintegrar nela os pobres doentes ou pecadores que haviam sido excluídos.
A nossa sociedade atual é parecida. Ela cria uma série de medidas para se proteger, por exemplo, contra a AIDS, mas não enfrenta a raiz do problema, que é o liberalismo total no uso do sexo. Ela cria FEBEM para se proteger contra o menor infrator, mas pouco se preocupa em recuperá-lo e reintegrá-lo na sociedade.
A pior medida é apelar para as armas, nas guerras e em conflitos pessoais. Como é triste matar uma pessoa humana, e causar lágrimas nos familiares, até o fim da vida! Falta-nos, muitas vezes, paciência na solução dos conflitos.
Hoje, há milhões de pessoas marginalizadas: pela fome, pela pobreza, pelo analfabetismo, pelo desemprego, pelas doenças... Cabe-nos uma pergunta: o que a nossa Comunidade está fazendo por eles? Nós nos preocupamos mais em colocar seguranças na porta da igreja, ou em recuperar essas pessoas? Colocar segurança na porta da igreja é uma atitude egoísta que só pensa no nosso lado, em nos proteger. Ela é válida, mas recuperar os marginalizados é muito mais importante e mais cristão.
“Não contes nada disso a ninguém!” Porque Jesus estava interessado em projetar não a si mesmo, mas a Comunidade cristã que ele estava criando. Ela, a Igreja, é a força de Deus no meio do povo. As pessoas sempre procuram alguém para se apoiar; Jesus quer o contrário: que a Comunidade cristã se apóie em Cristo e na sua união. Reino de Deus é povo organizado, e unido com Deus e entre si.
“Ele foi e começou a contar.” A própria vida do ex-leproso já era por si um testemunho em favor de Jesus. É impossível esconder a luz, especialmente quando essa luz não quer chamar a atenção sobre si mesma. Evangelizar é falar bem de Jesus e de sua Igreja. Contar, espalhar os benefícios que eles nos fazem
Deus nem sempre nos cura e nos livra de todas as doenças. Ninguém fica eternamente na terra. Mas, se tivermos fé, Deus nos dá a paz na doença e nos ajuda e transforma em bem as próprias doenças que sofremos.
Os antigos tinham uma figura mitológica chamada oportunidade. Era uma figura que passava sempre correndo, e só podia ser agarrada pelos cabelos. Mas, ao contrário de nós, ela tinha os cabelos na frente da cabeça, e, quando corria, os cabelos esticavam para frente, não para trás.
Assim, aqueles que quisessem agarrá-la, deviam dar conta da sua passagem por determinado lugar e ficar ali esperando, a fim de agarrá-la pela frente, pois, se ela passasse, acabou, ninguém conseguia pegá-la.
Aquele leproso aproveitou a oportunidade, porque, vivendo em um povo que via a sua doença como sem cura, procurou a Jesus: “Se queres, tens o poder de curar-me”. Que nós também aproveitemos todas as oportunidades boas, inclusive as que nos são oferecidas pela fé.
Pedimos a Maria Santíssima que nos ajude a imitar o seu Filho Jesus, que “passou pela vida fazendo o bem”.
A lepra desapareceu e o homem ficou curado.
padre Queiroz



A cura do leproso
As curas físicas operadas por Jesus representam no plano corporal as curas que Ele deseja realizar no plano espiritual. No caso do leproso (Mc. 1,40-45) está bem simbolizada a lepra moral  que é o pecado que pode ser sanado pela graça e pelo seu amor misericordioso. Na narração do Evangelho aquele pobre doente caiu de joelhos para pedir sua purificação, bem mostrando isto a atitude que deve ter o cristão, ou seja, orar intensamente para obter a ajuda necessária para vencer os males do corpo e da alma.
Para que um enfermo possa ser sarado deve se reconhecer possuído de uma doença, pois, do contrário, não procurará o médico e os medicamentos não lhe serviriam para nada. Reconhecer que se é portador de uma moléstia é o primeiro passo para se  procurar a cura. No plano espiritual quem se julga santo, isento de qualquer falta ética não se dirige ao Redentor e fica preso, escravo de suas prevaricações.
Cumpre a honestidade e a humildade para que se reconheçam as próprias imperfeições. Davi proclamou claramente:  “Um coração contrito e humilhado Deus não despreza” (Sl. 50). Grande deve ser  realmente a confiança no Senhor  sempre bondoso. Impressionante o que Jesus afiançou: “Não precisam de médicos os sãos, mas os doentes; não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mc. 2,17). É de se notar que, não obstante a lepra fosse uma moléstia repugnante, Cristo não coloca  o leproso à distância.
Não obstante a chagas repugnantes, apesar dos olhares dos circunstantes, Ele se aproximou daquele doente do mesmo modo que Ele recebe cada um de seus discípulos ainda que repletos de culpas. A lepra espiritual não afasta o Redentor, contando que haja a boa disposição de mudança de vida.  Daqueles que um dia, porém,  o queriam apedrejar, deles e de sua cidade ele se apartou, como aconteceu em Jerusalém: “Pegaram então em pedras para lhas atirar. Jesus, porém, se ocultou e saiu do templo”. (Jo. 8,59).
Ele ajuda quem quer sinceramente seu auxílio. O leproso foi até Ele e prostrou-se por terra deixando bem claro seu profundo anelo de cura. Claríssimas as orientações do Mestre divino: “Pedi e recebereis; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Porque todo que pede, recebe, e o que busca encontra, e ao que bate abrir-se-á” (Mt. 7,7-8). Poderes celestes estão à disposição dos que confiam nas palavras do Mestre divino. Este, porém, deve ser abordado com humildade. O miraculado foi sábio: “Se queres, tens o poder de curar-me”.
Muitos, por vezes, se dirigem ao Ser Supremo numa atitude de verdadeira imposição, sendo de bom alvitre, pelo menos no íntimo do coração, deixar implícito para Deus que seja feita sua vontade e não a de quem suplica. Ele é quem sabe o que é melhor para cada um, mas, é certo, que, se o que se pede não for para o bem da salvação própria e do próximo, Ele, na sua munificência infinita, dará graça ainda maior do que a instada.
Algo não muito louvável no leproso curado foi que ele, apesar da recomendação de Jesus não deixou de apregoar o milagre, dado que “ele foi e começou a contar e a divulgar muito do fato”. É preciso primeiro no silêncio de uma prece sincera agradecer ao Benfeitor divino as graças alcançadas num gesto de gratidão, de reconhecimento, de louvor. Perde-se facilmente uma bênção do céu quando, nem bem   agradeceu ao Criador, alguém sai divulgando o acontecimento, mais para se mostrar do que para glorificar ao Senhor.
Maria, no seu hino gratulatório afirmou diante de Isabel que Deus nela realizara grandes maravilhas, mas o fez apenas porque a Mãe de João Batista  havia antes elogiado sua fé profunda. É necessário ainda, a exemplo daquele leproso que foi curado por Jesus prostrar-se a seus pés envoltos no fervor, na humildade, na confiança no amor, no abandono à sua vontade santíssima e sapientíssima Ele conhece as regiões inexploradas de cada coração e seu olhar clarifica e purifica contanto que se vá a Ele com desejos sinceros de cura.
Ele não se manifestou como um mágico vindo do além. Ele deseja que seus dons integrem o fiel na misericórdia do Pai, estabelecido firmemente em seu amor. Todas estas reflexões patenteiam que o cristão pode e deve viver na alegria porque conta sempre com a proteção daquele que tem poder sobre todos os males, tendo afirmado peremptoriamente: “Eu vim para que todos tenham a vida e a tenham em abundância!” (Jo 10,10).
É por isto que, como mostrou São Marcos, “de toda parte vinham procurá-lo” (Mc. 1, 45). Imitemos os seus contemporâneos e junto dele depararemos a saúde corporal e espiritual, muita paz e felicidade.
cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho



Jesus reintegra os marginalizados
No Evangelho de hoje Marcos nos apresenta Jesus rompendo com a lei e recuperando para o convívio social alguém que tinha sido afastado por ser considerado impuro. Ele se revela como aquele que vem carregar sobre si os nossos sofrimentos e nos curar de todos os males que impedem a convivência humana. O Evangelho deixa claro que a iniciativa foi do leproso, que reconhecendo Jesus, pede para ser curado. Sua atitude é um modelo de oração de confiança no que ser refere ao querer divino. Outro detalhe importante é a resolução de Jesus: “Eu quero, fica curado”. Sua prática revela que Ele quer é a libertação integral do homem e da mulher. Ao enviar o leproso ao sacerdote para confirmar sua reinserção, Jesus ataca a causa da exclusão, condenando um sistema que determina quem pode ou não, participar da vida social, mas não cura”. Jesus recusa a publicidade, e o povo, pouco a pouco vai percebendo seu messianismo que era espiritual, e não, político. Jesus se identifica com os marginalizados, Ele está fora da cidade, lugar que se torna o centro da nova relação social: o lugar dos marginalizados é o lugar onde se pode encontrar Jesus. Na segunda leitura Paulo diz: “Não busco os meus interesses próprios, mas, os interesses dos outros, para que todos sejam salvos”. Esse é o retrato da prática de Jesus. Paulo diz que procura agir como Jesus, e nos convida a fazer o mesmo. A missão salvadora de Jesus continua. Como discípulos e discípulas de Cristo somos chamados a vencer todo tipo de marginalização, desenvolvendo relações fraternas que estejam acima das convenções constrangedoras e excludentes do sistema em que vivemos.Sem medo, sentindo e mostrando a alegria de pertencer ao povo de Deus, à Igreja do tempo em que vivemos.
Assessoria liturgia da forania de Ponte Nova



A busca da dignidade
Ao tomar conta dos textos deste domingo para a missa, saltou-me ao pensamento o tema do racismo e da xenofobia.
Por isso, lá vão duas situações que se passaram em qualquer cidade desta vida. Uma mulher de cor negra grávida entrou no autocarro a caminho da sua casa. Ao chegar ao interior do autocarro, duas ou três pessoas já de alguma idade, estavam sentadas junto das janelas, quando se aperceberam da chegada desta senhora saltaram repentinamente para os bancos da coxia para que a grávida não se sentasse ao seu pé. Mas, Alguém de cor branca noutra zona do autocarro presencia a "cena de terror", fazendo prevalecer o bom senso e que repudia qualquer sombra de xenofobia, levantou-se de imediato e ofereceu o seu lugar para a senhora mais necessitada de assento, tendo em conta o seu estado de gravidez. A seguir não faltaram ofertas de assento para esta outra senhora que se prontificou amavelmente a oferecer o seu lugar. Obviamente que esta mulher recusou com um misto de prazer as prontas ofertas carregadas de racismo doentio.
Outra situação passou-se num lar de terceira idade, onde trabalha uma jovem de cor negra. Uma senhora de cor branca, cheia de salamaleques e muito dona do seu nariz, para não dizer de nariz empinado, outro dia caiu ao chão, sem conseguir levantar-se, foi de imediato socorrida por esta funcionária. Repare-se nas manifestações de racismo primário e doentio. Diz a idosa o seguinte: "tira essas mãos pretas de cima de mim". Na mesma ocasião alguém de bom senso, ao presenciar a cena triste, dirige-se à idosa do seguinte modo: "oh dona tal… não diga semelhante barbaridade, esta jovem tem as mãos mais brancas do que a vossa alma, que está preta de rancor e de ingratidão". O rosto da jovem ficou lavado em lágrimas. A idosa parece ter aprendido a lição. Desculpem-me os qualificativos de «cor branca» e «cor preta» aplicados neste texto às pessoas, mas para vermos o quanto ainda existe de racismo motivado pela cor da pele. Triste que ainda assim seja…
São Paulo, aponta o caminho, Cristo a todos quer salvar, tenham a cor que tiverem. Não importa. Basta que cada coração esteja cheio de amor e aberto ao acolhimento do outro de forma desinteressada. Esta é a religião dos irmãos, porque todos filhos de um Pai comum. Por isso, dói saber-se que estas manifestações de racismo e xenofobia ainda fazem parte da nossa sociedade. É a lepra dos nossos tempos. Não pensemos que o racismo é só coisa de África ou da América, está muito bem implantado no nosso quotidiano. Silenciosamente provoca muitas injustiças e sofrimentos.
O apelo do Apóstolo dos gentios deve calar fundo no coração de cada um de nós: "não sejais ocasião de pecado…". Não podia vir mais a propósito este apelo, para que cada um deixe de pensar que se salva sozinho e que ser cristão não implica uma abertura aos outros incondicionalmente. A salvação de Deus, nunca acontece individualmente, mas vem ao encontro de todos. E Deus quer que nos olhemos como irmãos.
padre José Luís Rodrigues



A cura do leproso
“Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: Eu quero: fica curado!”
A nossa existência é um grande mistério. Na sua dimensão mais profunda encontramos o amor incondicional de Deus por todos nós. Quando não percebemos esta realidade sobrenatural somos fadados a viver nas margens da nossa vida nos contentando com valores transitórios. Necessitamos ser curados de um mesmo mal que é a auto suficiência em relação ao nosso Criador. É ela a causadora de tantos sofrimentos e angústias. Podemos afirmar que a grande lepra que está disseminada em nossa sociedade é de origem afetiva. As pessoas não reconhecem o amor de Deus por elas. Por este motivo não se amam e acabam não amando com sinceridade os seus irmãos.
A lepra, segundo a lei de Moisés tinha como consequência imediata a exclusão da pessoa da comunidade e o anúncio público a todos do mal que se vivia a fim de evitar a “contaminação”. O leproso era humilhado de duas formas: pela enfermidade e pela separação obrigatória da comunidade (Lv. 13, 44-46). Era uma espécie de morto vivo que só esperava a morte para dar fim a sua jornada de sofrimentos e humilhações.
O leproso desta passagem do evangelho teve coragem de se aproximar de Jesus e suplicar. Chegou mais próximo do que a lei permitia na confiança de que seria curado. A condicional “se queres”, afirma o poder de Jesus que é o Cristo que tem os mesmos sentimentos de Deus por ser seu Filho que ama e liberta. Deus deseja muito mais a nossa libertação do que nós mesmos. Ele nos criou para participarmos de sua felicidade.
Hoje poderíamos traduzir esta lepra por outros males que afastam a nossa vida de seu real sentido. A maior lepra hoje é a mentira institucionalizada por aqueles que deveriam nos defender. O homem jamais será feliz vivendo no individualismo. Somos criados para a vida comunitária e solidária. Há muitos leprosos em todas as camadas sociais que vivem na competição do materialismo. O pior é que muitas pessoas fazem o que é ditado pela Grande Mídia que desvia as pessoas da verdade tornando o ser humano uma máquina de consumo. Só o amor e a fraternidade poderão nos trazer a verdadeira alegria e a paz que tanto almejamos.
Precisamos ter a mesma coragem deste leproso que passou por cima de idéias e rótulos e teve a coragem de pedir sua cura. Só os humildes poderão alcançar a cura. Se formos fortes em nós mesmos, somos fracos em Deus. Ser curado é antes de tudo compreender a verdade que nos tornará realmente livres. O seguimento de Jesus exige amor mais do que só uma racionalidade vazia.
Temos que ter diagnóstico da doença para encontrarmos o tratamento adequado. Contra a lepra do egoísmo só existe o amor experimentado a partir de uma profunda amizade com Jesus.
“Senhor Jesus, venha nos curar do fechamento em nosso pequeno mundo e fazei que sejamos vossos instrumentos de amorização do mundo”.
padre Giribone - OMIVICAPE


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