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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 7 de março de 2018

4º DOMINGO DA QUARESMA-Ano B


4º DOMINGO DA QUARESMA

11 de Março – Ano B

Evangelho Jo 3,14-21


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Deus enviou o seu Filho ao mundo não para nos condenar, mas sim, para todo aquele e aquela que nele crer, seja salvo. Continuar lendo

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DEUS É AMOR, QUEM VIVE EM DEUS, VIVE O AMOR! - Olívia Coutinho


QUARTO DOMINGO DA QUARESMA


Dia 11 de Março de 2018


Evangelho de Jo,3,14-21


 A essas alturas de nossa caminhada quaresmal, já podemos alargar um pouco mais os nossos passos, pois já temos uma consciência clara da nossa necessidade de conversão, do caminho que ainda temos que percorrer, para  que possamos chegar  à Páscoa do Senhor Jesus, revestidos da graça de Deus!
Ao longo deste tempo reflexivo, em que buscamos uma proximidade maior com Deus aprofundando-nos na sua palavra, podemos dizer que muita coisa já mudou em nós. A riqueza da liturgia deste tempo nos fez chegar a uma feliz conclusão: Como filhos de Deus, criados por amor e para o amor, não podemos viver de qualquer jeito, precisamos viver do jeito de Jesus, sem fugirmos das cruzes, sem buscarmos atalhos pra encurtar o caminho.
O evangelho que a liturgia deste quarto Domingo da Quaresma nos apresenta, vem nos falar da grandiosidade do amor de Deus, um amor tão grande, que ultrapassou todos os limites, que não levou em conta as nossas ingratidões!
O mais sublime de todos os conceitos bíblicos atribuídos a Deus, nós encontramos na primeira carta de São João capitulo 4,16. “Deus é amor!” Com poucas palavras, o autor sagrado, sintetiza tudo o que Deus é: Deus é amor, por tanto quem vive em Deus, vive o amor!
A nossa felicidade está em Deus, é amando-nos que Deus nos ensina a amar e é a nossa capacidade de amar, que nos identifica como filhos de Deus!
A única condição que Deus estabelece para que tenhamos vida Nele, é crer Naquele que Ele enviou, é crendo no Filho, que entramos em intimidade com o Pai! É no seguimento a Jesus, que vamos respondendo ao amor de Deus.
Deus enviou seu Filho ao mundo, para nos ensinar o caminho da vida, quem não o acolhe, fez opção pela a morte. A morte não está nos planos de Deus, o que Deus quer, é a vida, vida em plenitude que só alcançaremos no seguimento a Jesus.
O texto nos traz a certeza, de que a  realização plena do homem, é a prioridade de Deus, Ele provou isto, ao investir alto no resgate  deste bem que lhe é precioso, permitindo  que o seu  Filho pagasse com a vida  o preço da nossa liberdade.
Podemos escolher, em dar a Deus, uma resposta de fé, ou de descrença. Fé e descrença, já contêm o juízo de Deus: salvação, e condenação.
A condenação não vem de Deus, não é Deus quem nos condena,  somos nós mesmos, que nos condenamos, quando não colocamos a sua verdade  no nosso existir!
É o próprio Jesus quem diz: ”Quem crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado”... Quem não crê, já está condenado porque não irá viver de acordo com a vontade de Deus!
Quem crê em Jesus, faz a vontade de Deus, vive de acordo com os seus ensinamentos. Crer em Jesus é continuar a sua presença atuante aqui na terra, não crer, é recusar a sua proposta de vida nova, é rejeitar a luz!
O fim do homem,  não é o fim da sua vida física, e sim, a  sua ruína, que é consequência de suas más escolhas, do seu afastamento de Deus.   E Jesus não quer isso para nós, Ele não quer perder  nenhum daqueles que o Pai lhe confiara.
O caminho da nossa salvação passa pela a cruz, foi pela cruz que Jesus abriu definitivamente as portas do céu para nós.
A cruz é a expressão suprema do amor de Deus, de um Deus que veio ao nosso encontro na pessoa de Jesus! A cruz nos faz lembrar o martírio de Jesus, mas a mensagem mais forte que ela nos traz, é a vitória da vida sobre a morte.
“A luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz porque suas ações eram más.”Jo3,19
Não rejeitemos a graça de Deus, não afastemos da Luz, busquemos Jesus, Ele é o respiro de Deus que soprou sobre nós o Espírito Santo, nos tornando novas criaturas! É o Espírito Santo que clareia a nossa mente, que nos faz enxergar com clareza, a vereda segura da vida, a qual  devemos seguir.
A experiência, mais significativa que podemos fazer no percurso de nossa vida, é a experiência de amar e de nos sentir amados por Deus! 
Quem vive esta experiência, vive intensamente, exercita o amor no cotidiano de sua vida.
Deus é amor quem vive em Deus vive o amor!

FQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
 PARA OUVIR ESTA REFLEXÃO É SÓ CLICAR NA FOTO.

Programa Refletindo o Evangelho 4º domingo da Quaresma

Reflexão do evangelho dominical com Olívia Coutinho


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Na busca da salvação
Um dos diálogos mais significativos do Evangelho de são João é aquele que Jesus teve com Nicodemos. Nicodemos era um sinedrita que, profundamente inquieto por tudo o que Jesus fazia e dizia às multidões, quis ir conhecê-l’O. Nicodemos conhecia as Escrituras, sabia da aliança que Deus firmara com o seu povo, tinha lido os profetas que falavam da vinda do Messias e interrogou-se sobre se não seria Jesus o Salvador prometido. Foi procurar Jesus de noite e disse-lhe: “Rabi, nós sabemos que Tu vieste da parte de Deus, como Mestre, porque ninguém pode realizar os sinais portentosos que Tu fazes, se Deus não estiver com ele.” (Jo. 3,2). A liturgia deste domingo está centrada neste diálogo com Nicodemus que fala com Jesus e escuta d’Ele uma mensagem de aliança “Deus amou de tal forma o mundo que lhe deu o seu próprio Filho” (Jo 3,16). O tema da salvação domina as três leituras deste domingo: o Livro das Crônicas fala da salvação de Israel, apesar da sua repetida infidelidade, porque Deus é um Deus de amor; o Evangelho de João reafirma que só Jesus é a luz que vem a este mundo para salvar; e a Carta aos Hebreus diz que Deus é rico em misericórdia e quer dar a todos a salvação. Então a busca da salvação é o núcleo central da liturgia da Palavra, hoje.
1. A história de Israel
A Sagrada Escritura tem livros históricos. O Segundo Livro das Crônicas é um deles. A vida do povo de Israel é tecida de graças que Deus concede, de infidelidades que se multiplicam e de reconciliações próprias de um Deus que é rico em misericórdia. Perante as infidelidades dos israelitas surgiram inúmeras razões de sofrimento. O templo foi muitas vezes profanado. Os mensageiros de Deus, os profetas foram escarnecidos. Depois os caldeus destruíram Jerusalém, e o povo foi sujeito ao Cativeiro da Babilônia, imposto pelo reino persa. A profecia de Jeremias multiplicou lamentações mas ao fim de setenta anos, Ciro libertou o povo de Israel e reconduziu-o à sua cidade de Jerusalém. Muitos chegaram a considerar que Ciro era o Messias, o Salvador prometido.
2. A angústia de um judeu atento
Nicodemos conhecia a história de Israel. Na conversa com Jesus é-lhe lembrada a salvação no tempo da travessia do deserto. Quem olhasse para a serpente de bronze seria salvo. Jesus revela com toda a clareza ao judeu inquieto que o Deus de todos os tempos é um Deus de amor. Por isso acrescenta que “Deus enviou o seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,17). Continuando Jesus a conversar sobre a salvação do mundo, respondendo assim à inquietação de Nicodemos, afirma que os homens amaram mais as trevas do que a luz, mas só na luz que vem de Deus podem ser salvos.
3. A salvação de todos os homens
A carta aos Efésios completa esta idéia da procura da salvação. Paulo diz com clareza que Deus é rico em misericórdia. Restituídos à vida com Cristo, todos os homens podem participar da salvação. A salvação é um dom de Deus, expressão da Sua ternura para com todos. Somos salvos pela abundante riqueza da graça que Deus nos dá.
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”



A mensagem deste 4º domingo de Quaresma é a feliz notícia de que Deus ama o ser humano e, por isso oferece vida e salvação para todo aquele que acreditar em seu Filho que fez, da cruz, instrumento de salvação para todos os povos. Desta forma, aquilo que era instrumento de morte, a cruz, passou a ser instrumento de vida e Salvação.
A liturgia da Palavra apresenta-nos o modo de agir de Deus, que, nos seus desígnios misteriosos, é capaz de tirar o bem para seus filhos de onde nada poderia se esperar (1ª leitura). Na verdade, diz são Paulo, é por esta Graça de Deus que somos salvos e não pelos méritos pessoais (2ª leitura). Só temos que colocar Cristo no centro de nossas vidas e deixar-nos atrair por Ele (evangelho) porque todo aquele que crê no Filho de Deus tem a vida eterna.
1ª leitura: 2 Crônicas 36,14-16.19-233
Como consequência de que “ninguém buscava a Deus”, a vida social do povo de Israel entrou em decadência e acabaram sendo conquistados pelos caldeus e deportados para a Babilônia. Tiveram que esperar, depois de um longo exílio, que Ciro, rei da Pérsia, derrubasse o poder do império da Babilônia.
Deus, movido de compaixão para com seu povo, inspirou este rei pagão para lhes dar a liberdade e permitir que voltassem para sua terra e reconstruíssem o templo de Jerusalém. A história se encerra com um convite (a eles e a nós) que é a recomeçar tudo, após a provação e o sofrimento, confiando na misericórdia de Deus.
2ª leitura: Efésios 2,4-10
Para Paulo, tudo é dom e graça de Deus. Neste texto, insiste em que a salvação não se deve à nossas boas obras e aos nossos merecimentos e sim ao dom gratuito de Deus, à graça que recebemos por acreditar n'Ele (“De fato, vocês foram salvos pela graça, por meio da fé; e isso não vem de vocês, mas é dom de Deus”). Tudo depende da nossa união com Cristo através da fé e do Batismo, pois existem dois modos de viver: sem Cristo e com Cristo.
Viver sem Cristo é a vida do mundo pagão, cuja mentalidade, modo de pensar e de agir manifestam a presença ativa do mal que é o egoísmo em todas as suas formas individuais e coletivas e que traz como consequência a divisão e a rivalidade entre os homens. Viver com Cristo, porém, é a nova forma de vida dos que acreditam n'Ele, fundamentada no amor, que gera doação e comunhão, solidariedade e prática de boas obras como continuação da ação de Cristo, conforme o Plano de Deus.
Esta nova forma de viver é a graça de Deus presente em nossa vida pela qual somos salvos. A Salvação é algo tão superior a nós que, por muitas obras boas que fizéssemos, nunca poderíamos fazer-nos merecedores dela. É Deus que a dá, de graça, para aqueles que vivem guiados pela fé. Por nós mesmos nada somos, mas, pela graça, somos obra de Deus. Neste sentido, a vida cristã é um caminho de perfeição, um passar constante de um modo de vida para o outro.
Evangelho: João 3,14-21
O texto deste evangelho corresponde à resposta que Jesus deu a Nicodemos quando, no diálogo entre ambos, quis saber como poderia acontecer o “nascimento no Espírito” do qual Jesus falava. Nicodemos era um destacado fariseu que admirava e respeitava Jesus. Foi ter com Ele, para tirar as suas dúvidas, meio em segredo (“à noite”), por causa da sua posição social.
Nesta conversa, o Senhor vai lhe falando do sentido da vida, da salvação para todos, do contraste entre a luz e as trevas, do que é viver na verdade e de uma das convicções mais profundas que irão iluminar a fé dos seus discípulos: o ser humano não pode chegar à plenitude de vida pela observância da Lei de Moises, mas pela capacidade de amar, que completa o seu ser. Só com pessoas como Ele, dispostas a entregar-se até o fim, pode construir-se uma sociedade verdadeiramente justa e fraterna. Uma sociedade baseada apenas na Lei, e não sobre o amor, nunca deixará de ser opressora e injusta.
Se “Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna” é porque não quer que os homens se percam na tristeza e na vida sem sentido. A grande novidade para toda a humanidade está em Jesus. Mas um Jesus elevado na cruz representando a vitória da doação e do amor, através do qual, a generosidade e a paz vencem o egoísmo e a violência. Só o amor dá sentido à vida, viver fora dele é desumanizar-se e cair no vazio.
Esta cruz de Cristo, porém, incomoda a partir do momento em que coloca o mundo dos homens em julgamento, exigindo tomar uma decisão (“quem acredita nele, não está condenado; quem não acredita, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus”). De um lado, os que acreditam em Jesus e vivem o amor, continuando a palavra e a ação d'Ele em favor da vida. De outro lado, os que não acreditam n'Ele e não vivem o amor, permanecendo fechados no egoísmo dos próprios interesses que originam opressão e exploração. Por isso estes sempre escondem suas verdadeiras intenções e não se aproximam da luz (“a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más”).
A única atitude válida para receber a graça de Deus será abrir sem reservas o coração para a luz da verdade, pois “quem age conforme à verdade, se aproxima da luz”.
Palavra de Deus na vida
Falando com Nicodemos, Jesus lhe expõe o que, mais tarde, Paulo irá chamar “o escândalo da cruz” (1 Corintios 1,23). Assim como Moises fez da serpente de bronze um remédio às avessas para os que eram mordidos pelas serpentes venenosas (Números 21,9), assim também a cruz de Cristo, instrumento de morte e maldição (Deuteronômio 21,23), tornou-se instrumento de vida para os que n'Ele crêem porque “Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna”.
O sentido da cruz é difícil de entender para quem não acredita que Cristo, morrendo nela, tenha vencido a morte e, ressuscitando dos mortos, tenha nos devolvido à Vida. Ele não fez mais que levar à prática o que tinha ensinado para que os discípulos fossem capazes de imitá-lo, dando a vida por grandes ideais e vivendo em plenitude (“quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mateus16,25). Existe maior contradição do que tudo isto?
Na verdade, Deus só pode parecer contraditório para a nossa mentalidade humana. Enquanto formos peregrinos nesta vida, nunca seremos capazes de penetrar no mistério de Deus. Por isso o profeta Isaías 55,9 diz: “tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos caminhos de vocês, e os meus projetos estão acima dos seus projetos”. A única forma, portanto, de podermos identificar-nos com os projetos e caminhos de Deus só pode ser através de fé.
Diante de Jesus crucificado não há como ficar “encima do muro”. Ou tropeçamos no “escândalo da cruz” (escândalo significa “tropeço”, mesmo) e perdemos a luz e o rumo da vida fechando-nos num egoísmo estéril por não acreditar no amor de Deus, ou, pelo contrário, entramos na dinâmica do bem e da solidariedade agindo conforme à verdade e iluminados por Jesus, a “luz (que) veio ao mundo”.
Na história do cristianismo, a cruz de Cristo é sinal da Salvação. Nossa “marca registrada” presente em todos os espaços da nossa sociedade atual. Quando “nos benzemos” estamos interiorizando e dando testemunho do mistério da Paixão, morte e Ressurreição de Jesus, que é a prova suprema do amor de Deus por nós.
Pensando bem...
A história do mundo ocidental é marcada pela cruz. Ela se encontra em todo lugar. Não só na torre das igrejas, mas nos lugares públicos também.
É verdade que não falta gente advogando por uma sociedade laica, isenta de todo e qualquer símbolo religioso. Tudo bem. Quando vemos o que, muitas vezes, se faz à sombra da cruz compreendemos o que escreveu frei Demetrius, concordando em retirá-la “dos tribunais onde os pobres têm menos direitos que os ricos e as sentenças são barganhadas, vendidas e compradas; das Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte; das delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados; dos pronto-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento; das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças, das misérias e sofrimentos dos pequenos, dos pobres e dos menos favorecidos”.
No entanto, é bom que fiquem lá para servir-nos de estímulo a fim de evangelizar esses ambientes, tão importantes, onde deve reinar a fraternidade e a justiça. A final de contas, a cruz é o nosso “sinal” e essa é a nossa missão. Como não lembrar aquela música que novamente vai ser cantada na próxima Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro: “No peito eu levo uma cruz, no meu coração o que disse Jesus”?
Campanha da fraternidade 2012
O mundo da saúde ocupou sempre um lugar privilegiado na ação caritativa da Igreja. Através dos séculos, ela não só favoreceu entre os cristãos o nascimento de diversas obras de misericórdia como também fez surgir de seu interior muitas instituições religiosas com a finalidade específica de promover, organizar, aperfeiçoar e estender a assistência aos doentes, fracos e pobres.
Nesta Campanha da Fraternidade precisamos renovar o nosso compromisso de AGIR e suscitar energias de humanização para que a saúde pública nunca caia no abandono, especialmente para os mais pobres que dependem dela.
Uma das iniciativas importantes é a PASTORAL DA SAÚDE. Seu objetivo geral é promover, educar, prevenir, cuidar, recuperar, defender e celebrar a vida ou promover ações em prol da vida saudável e plena de todo o povo de Deus, tornando presente, no mundo de hoje, a ação libertadora de Cristo na área da saúde.
A Pastoral da Saúde tem uma dimensão SOLIDÁRIA pela qual faz chegar aos irmãos o consolo do próprio Cristo; outra dimensão COMUNITÁRIA, de caráter educativo e preventivo para toda a comunidade; e, finalmente, uma dimensão POLÍTICO-INSTITUCIONAL, que visa conscientizar o cidadão de seus direitos e deveres a respeito da Saúde.
O conceito de saúde está sendo transformado num negócio sem coração e é, justamente nesse ambiente, que a Pastoral da Saúde é vital, fazendo a diferença pela sua presença e sendo o “sal e a luz” para que todos tenham vida.
padre Ciriaco Madrigal



"Quem nele crê não é condenado"
Hoje é o domingo da alegria e do encontro de Jesus com Nicodemos. Neste 4º Domingo da Quaresma contemplamos um Deus apaixonado que faz Aliança com as pessoas. Já estamos bem mais próximos da festa da Páscoa. Neste domingo, recordamos o encontro de Jesus com Nicodemos e recebemos do Senhor o anúncio da paixão e entrega da sua vida, como prova de amor à humanidade. O fio condutor da liturgia de hoje é a passagem da morte para a vida, das trevas para a luz, do pecado à reconciliação.
Aproveitemos esta Quaresma para revisar quanto há de luz e sombras em nossa vida, família e comunidade em geral. Quanto há de luz e sombras nas organizações sociais de que participamos ou que estão presentes em nossas comunidades. Quanto há de luz e sombras nos dirigentes e em suas políticas de governo. Se quisermos tomar parte com Jesus, somos obrigados a "converter-nos em luz peregrina" que resgata aqueles que, ao nosso redor, vivem nas trevas e, ao mesmo tempo, desmascara os projetos que nos mantêm nas sombras da injustiça e da pobreza. Em muitas ocasiões e lugares, ser luz implica grandes riscos, porém é pior o risco de não aceitar o desafio, condenando-nos, nós mesmos, à pior de todas as trevas: estar longe da luz de Cristo.
1ª leitura - 2Cr. 36,14-16.19-23
A primeira leitura mostra como o Senhor se irrita contra seu povo quando este não crê Nele, quando "não leva em conta a sua Aliança", ao passo que o livra e lhe concede sua misericórdia quando manifesta confiança em seu Deus. Deus mantém a sua oferta de vida e salvação, mesmo correndo o risco de ser desprezado pelas pessoas, cuja liberdade respeita, mesmo na opção pelo pecado. Pecado que é a ruptura da Aliança de Deus com seu povo e com as pessoas, a eleição das trevas, e a atitude de onde vem o agir com perversidade, isto é, as más obras (evangelho).
"Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé" (Mateus 8,10). Esta declaração de Jesus a respeito do centurião romano de Cafarnaum poderia ser aplicada também a Ciro, rei da Pérsia. Apesar de Deus ter enviado "desde o princípio e sem cessar os seus mensageiros" (v. 15) a advertir o seu Povo, "todos os príncipes dos sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades" (v. 14). Mas enquanto Israel ficava surdo à Palavra do Senhor, um pagão, que não conhece o Senhor (cf. Isaias 45,4), escutai-a.
Ciro o estrangeiro, considerado excluído do Reino de Deus, é portanto, aquele que se torna instrumento da sua realização. Mais uma vez, "a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular" (Salmo 117,22; cf. Mateus 21,42). Quando os pastores do povo não são dignos seus encargos (cf. Ezequiel 32,1-10), o Senhor suscita um salvador precisamente entre os pagãos desprezados. "Eu digo a Ciro: tu és o meu pastor, e realizarás tudo o que Eu quero" (Isaias 44,28).
A idéia central desta leitura é, por um lado, destacar a infidelidade do povo e das lideranças de Israel ao projeto de Deus, isto é, o desprezo pelos profetas, a profanação do Templo de Jerusalém e as conseqüências deste pecado com a deportação do povo para a Babilônia; por outro lado, destaca a "fidelidade de Deus que não abandona seu povo", mas, através de Ciro, rei da Pérsia, permite que o povo volte para a sua pátria. Nós desígnios de Deus, Ciro é apresentado como o ungido e também colaborador de Deus.
Salmo responsorial 136/137,1-6. É uma súplica coletiva. Um grupo ("nós sentamos e choramos") clama a Deus (v. 7) em uma situação difícil. É o canto dos exilados na Babilônia.
O Salmo 136/137 tem três momentos: versículos de 1-3; 4-6; 7-9. A liturgia deste Domingo utiliza os versículos dos dois primeiros momentos. No primeiro (v. 1-3) o grupo conta a sua amarga experiência como exilado na Babilônia. Fala-se de "rios de Babilônia (v. 1a). O grupo está exilado nos campos irrigados pelos canais de água dos rios tigre e Eufrates (compare com Ezequiel 3,15). Provavelmente trabalha como escravo a situação se agrava com a saudade de Sião (Jerusalém), provocando choro. Um povo escravo não tem motivos para festejar. Por isso desistem de tocar de tocar harpa.
No segundo momento (v.s 4-6) o grupo se recusa a cantar, dando as razoes para isso. O "canto de Sião" se torna agora, "canto do Senhor" (v. 4a), deus libertador dos hebreus, ligado a uma terra e a uma causa. É impossível cantar um "canto do Senhor" em terra estrangeira, pois a terra de Israel, dom de Deus e conquista do povo, é parte integrante dessa "orquestra". Vários salmos recordam isso. Quando Israel canta, a terra participa do coral que celebra as maravilhas de Deus, doador de uma terra para seu povo.
Este salmo lembra a triste situação do povo no exílio da Babilônia com saudades de seus costumes e tradições. Insultados pelos inimigos a cantar canções de sua terra, o povo se recusa e lamenta: "Como poderíamos cantar os cantos de nosso Deus longe dele, numa terra estrangeira?".
O rosto de Deus no Salmo 136/137
O Salmo recupera aspectos importantes de Deus aliado, que deseja seu povo livre para que livremente expresse a própria fé. No Êxodo há essa insistência: os hebreus só poderão celebrar uma festa para o Senhor no deserto, em liberdade (Êxodo 5,1b). O Deus do Salmo 136/137 é esse mesmo Deus, amante da liberdade. Sem ela não há religião nem fé verdadeiras. É o Deus ligado a uma terra, a um povo, a uma cidade. Quando o povo tem tudo isso, então encontra o verdadeiro Deus. O rosto de Deus neste Salmo é um Deus aliado e libertador.
Jesus amou a cidade de Jerusalém, mas ela recusou a mensagem de paz (veja o que foi dito dos cânticos de Sião). Ele escutou o clamor de todos, pessoas ou grupos, libertando-os de todas as formas de escravidão e opressão. Com sua morte venceu o mundo (João 16,33), fazendo a humanidade um só povo de irmãos (João 10,16).
Cantemos no salmo responsorial, com todos os escravizados do mundo, e com os que estão exilados longe de sua terra, lembremos o lamento dos cativos e peçamos ao Senhor que apresse a sua justiça no meio de nós.
2ª leitura - Efésios 2,4-10
O apóstolo Paulo apresenta à comunidade de Éfeso o centro e a meta do projeto de Deus para todos os seus filhos e filhas: Jesus Cristo a Nova Aliança. Esta leitura traz em abundância a mensagem do evangelho. Jesus Cristo é o sinal dessa gratuidade para com os pecadores, que não pode alegar nenhum mérito próprio: "De fato, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar". Destaca também a vida nova trazida para as comunidades cristãs pela "morte e ressurreição de Jesus". A comunidade cristã é o lugar da realização do projeto de Deus, lugar do testemunho de um mundo novo onde testemunhamos Jesus Cristo a Nova e Eterna Aliança.
Devemos levar uma vida de ressuscitados enquanto estamos vivos. Os primeiros cristãos estavam tão convencidos de ter recebido do Senhor uma vida de qualidade indestrutível, que Paulo pode afirmar, sem embaraço algum, que a ressurreição não acontece só após a morte, mas a precede (cf. versículo 5). Não só, mas para Paulo essa plenitude de vida situa o cristão já na esfera de Deus, isto é, "nos céus" (v. 6).
As afirmações de Paulo têm a sua raiz no ensinamento de Jesus, que declarou que quem, vive e crê Nele "não morrerá jamais" (João 11,26). "Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna" (João 3,36). Esta não é um prêmio futuro que se obtém pelas "boas obras" feitas durante a vida terrena (cf. v. 9), mas uma qualidade de vida que o cristão pode conseguir já nesta vida. Não são as nossas obras que nos salvam. Quem salva é Deus. Mas nossas obras encarnam Sua salvação. Porque nosso relacionamento com Deus não é comercial, mas vital.
Se a Palavra de Deus deste Domingo nos deixar indiferentes e frios como cristãos, como batizados e filhos amados de Deus, precisamos de uma hospitalização urgente devido à "alienação do sentido da vida e à perca total da consciência religiosa", que nos impedem de captar a surpreendente novidade: Deus nos ama, Deus ama a humanidade.
Evangelho - Jo. 3,14-21
Este domingo mostra que a salvação é dada por Deus, mas que precisa ser aceita pela humanidade, na fé. Hoje é o Domingo da Alegria. O diálogo com Nicodemos é, provavelmente, considerado como tipo do diálogo com o judaísmo oficial de Jerusalém. Nota-se, aqui, que "mundo" para o evangelista São João não significa, o mundo fechado, inimigo do plano de Deus, mas as pessoas que é objeto do amor de Deus. Deus envia seu Filho para que o mundo seja salvo, tenha a "vida eterna". Não é somente "vida além da morte", mas antes, vida que pertence ao aiôn, o "tempo de Deus. É a vida divina. Ela não começa depois da morte, mas aqui e agora, se acolhemos, na fé, o dom de Deus: Jesus Cristo. Assim, quem crê em Jesus, não conhecerá a condenação, porque vive a vida de Deus. Quem não crê, porém, já é condenado, não por Jesus que veio para salvar (3,17), mas por si mesmo, porque não aceitou o dom de Deus.
Jesus provoca uma tomada de posição porque tudo o que Ele faz é em favor da vida, para que a humanidade seja salva. Ele não veio para condená-la; ao contrário, mediante sua prática de vida, propõe a todos a vida sem limites. Diante da prática de vida de Jesus as pessoas têm que tomar uma posição: com Jesus e a favor da vida ou contra Jesus e a favor da morte. Jesus não julga ninguém, nem condena. Simplesmente provoca uma tomada de posição. Mostra o que cada pessoa é a partir daquilo que faz a favor ou contra a vida. São as próprias pessoas que se julgam a partir das escolhas que fazem a favor ou contra a vida.
A pessoa humana responde a Deus com a fé ou a descrença. A fé e a descrença contêm já o juízo definitivo de Deus: salvação ou condenação. A fé é o critério último de vida e salvação plenas.
As três leituras coincidem em nos demonstrar que a crônica do pecado e infidelidade das pessoas para com Deus é paralela à história do perdão e amor de Deus para com os seres humanos (primeira leitura), manifestados no seu Filho, Jesus Cristo (segunda leitura), que o Pai entregou para a salvação de quantos Nele crêem (evangelho).
3. DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO VIDA
Em toda a história da salvação, desde o Primeiro Testamento (primeira leitura), Deus nunca abandonou o seu povo, mesmo nas piores situações (caso do exílio).
Em todas as religiões, está presente a idéia do juízo e do castigo de Deus. Essa idéia de um Deus que castiga está ausente na mensagem de Jesus. O evangelista João é muito claro quando afirma: "Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele".  E Paulo chega a escrever: "Quem condenara? Jesus Cristo? Ele que morreu, ou melhor, que ressuscitou, que está à direita de Deus e intercede por nós?" (Romanos 8,34). Deus não se comporta como um juiz, mas como um doador de vida. Um Deus apaixonado pelo ser humano.
O Evangelho de Hoje expõe: "Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito". É preciso entende que a fé ou a incredulidade presentes contém já uma antecipação do julgamento definitivo de Deus: salvação ou condenação, ao mesmo tempo. Para João, o julgamento acontece na rejeição de Cristo, enviado do Pai; e isso, desde já; como também a salvação existe, desde já, na sua aceitação (João 3,18). Ora esta rejeição ou aceitação acontece na prática da nossa vida.
Deus mostra seu grande amor pelo mundo (João 3,16), dando seu próprio Filho querido. Contemplamos um Deus apaixonado pelo mundo. Deus retoma toda a história da salvação, estabelecendo no mundo o julgamento definitivo (não no sentido de Ele tomar a iniciativa de nos condenar, mas no sentido de Ele nos desafiar para a opção, que pode ser pelo Reino ou pelo anti-Reino).
Para essa possível opção, o Pai nos dá sua graça em Jesus Cristo, seu próprio Filho, que Ele enviou ao mundo para podermos vencer todo o pecado e começarmos já aqui a ter a vida eterna.
Contudo, para o bom observador da liturgia de hoje aparece atravessada por um fio homogêneo: a passagem da morte para a vida, das trevas para a luz, do pecado à reconciliação.
A Palavra se faz celebração
A assembléia de reveste da alegria de Deus
"Alegra-te, Jerusalém". Com estas palavras da Antífona de Entrada, tem início a celebração do Quarto Domingo da Quaresma. Na oração da manhã (Laudes) do Ofício Divino, escutamos o trecho de Neemias que diz: "Não fiqueis tristes nem choreis, este dia é Santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força". A assembléia, revestida por esta alegria que tem sua origem em Deus, na sua Palavra, dá mais um passo rumo à celebração anual da Páscoa. Embora o tempo da Quaresma não seja de tristeza - "Jejuai sem ficar tristes: não façais como os hipócritas" (Antífona do Cântico Evangélico Benedictus na quarta-feira de Cinzas) - é um período dedicado à contrição das culpas, dada a percepção das infidelidades na Aliança com o Senhor. Esse domingo surge de surpresa como antecipador do júbilo pascal e, de maneira explícita, estimula à esperança. A tristeza dos fiéis deve ser curta, pois a esperança a derruba (Santo Agostinho, Carta a Sápida. In. Antologia Litúrgica. Textos Litúrgicos, patrísticos e canônicos do primeiro milênio).
O amor de Deus pelas pessoas
O que está em foco, portanto, é o amor de Deus dado em seu Filho Jesus, no intuito de fazer de seu povo uma nação transfigurada. O versículo da Aclamação ao Evangelho dá o tom: "Tanto Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único; todo aquele que crer nele, há de ter a vida eterna".  Este mesmo versículo será entoado pela assembléia em procissão para o Altar, para a comunhão. A liturgia estabelece a razão da alegria cujo canto de abertura quer suscitar na Igreja, a "Nova Jerusalém". Radica-se na extrema paixão de Deus pelas suas criaturas, isto é, um Deus apaixonado pelas pessoas. Os que vão para a Mesa da Comunhão entoando este canto espiritual - isto é, Palavra de Deus que penetra o íntimo do crente, e se exterioriza em forma de louvor - tem modificada a sua existência no trajeto rumo à Páscoa. Lembremos que o tempo quaresmal é descrito pela oração da Igreja como o "novo êxodo" (cf. prefácio da Quaresma V, Missal Romano), um caminho que desemboca na reconstrução da vida de quem é fiel ao Evangelho - de quem pertence ao povo de Deus e desfruta de sua companhia como lembra Neemias na primeira leitura. Veja-se que o rito da comunhão nesse domingo, em articulação com a Liturgia da Palavra, dá a experimentar a "pedagogia divina", cujo amor misericordioso não fica dominado pela tristeza passageira do exílio, da infidelidade, dos pecados, etc. Um amor que, ao contrário, assume tudo isso e transforma em ocasião de renovação da parceria na Aliança, tema tão caro na Liturgia do Ano B.
Ligando a Palavra com a ação eucarística
Em cada celebração litúrgica somos convidados a participar do banquete da salvação que o Pai nos oferece em Jesus Cristo seu Filho e nosso irmão. A Eucaristia deve criar um movimento de reconciliação entre nós e com todas as realidades que precisamos transformar para que todos sejam um em Cristo.
Em Cristo, Deus nos reconciliou para sempre e por isso podemos "correr ao encontro das festas que se aproximam com fervor e exultando de alegria e fé" (oração do dia).
Na celebração, está presente e age o Ressuscitado que a todos atrai e salva, liberta e reconcilia com o Pai. Celebrar a divina liturgia é encontrar no Mistério da Salvação e deixar-se impregnar por ele. Este é o sinal da alegria visibilizado especialmente na celebração de hoje.
padre Benedito Mazeti



1 – O cristianismo, a fé cristã, não é, de todo, um conjunto de preceitos, um código ético e moralizante, que obriga, força, impõe o seu cumprimento, sob pena de castigo, ou com uma retribuição pelos méritos conquistados.
A fé cristã é um acontecimento: Jesus Cristo, com o mistério da Sua vida, morte e ressurreição. É encontro pessoal com Ele. É vida nova, transformada e transformadora. Com a morte na Cruz, Jesus leva o amor até ao fim. Com a ressurreição, Deus Pai confirma a história de entrega e de salvação que se opera em Seu Filho Jesus, e nosso irmão.
Ao tempo de Jesus tinha-se dado a multiplicação de leis e preceitos. Jesus clarifica e simplifica: amar. Amar a Deus e amar o próximo como a Si mesmo. O paradigma do amor é a Sua vida de oblação. Dispõe-se a amar em todas as circunstâncias, até no sofrimento, na perseguição e na morte. Ama até aqueles que O colocam na cruz, perdoando-lhes tamanha barbaridade. Por amor.
Mas vejamos os textos litúrgicos propostos para este 4º domingo da Quaresma. Vale a pena uma leitura demorada e sobretudo meditada (ou a meditar).
Com a largueza de vistas com que Jesus nos presenteia habitualmente, não deixa margens para imaginações fantasiosas: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou em nome do Filho Unigênito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más ações odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus».
Sem mais. O Filho do Homem vai ser elevado da terra. A serpente é fator de saúde. Não morrerão os que olharem para ela. Jesus, levantado da terra, é a própria Salvação, Deus feito Homem que nos eleva com Ele, primeiro assumindo o nosso pecado, a nossa cruz, depois colocando-nos em Deus, na Luz eterna. Ele não veio para condenar o mundo, as pessoas, para mostrar as "garras" de um Deus irado, mas para ser Rosto de um Deus apaixonado, como na primeira hora, pela humanidade inteira, obra das Suas mãos.
2 – Na mesma direção, a epístola de são Paulo à comunidade de Éfeso. O Apóstolo, uma vez mais, fala-nos ao coração. Fala-nos da vida, da salvação. Fala-nos do amor. Do amor oblativo, dádiva sem fim. É vida nova que se descobre em Jesus, na Sua morte e ressurreição. Todo o mistério pascal envolve Deus – Pai e Filho (Jesus Cristo: Deus no tempo, Deus conosco, Deus feito Homem) e Espírito Santo – que Se inclina, não sobre a Sua sombra, mas Se inclina sobre os filhos Seus, Se inclina como a Mãe se debruça para contemplar no regaço o filho nascido das suas entranhas, do seu amor.
Belíssima esta carta que o apóstolo nos escreve: "Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida em Cristo – é pela graça que fostes salvos – e com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar nos Céus com Cristo Jesus, para mostrar aos séculos futuros a abundante riqueza da sua graça e da sua bondade para conosco, em Cristo Jesus. De fato, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar. Na verdade, nós somos obra sua, criados em Cristo Jesus, em vista das boas obras que Deus de antemão preparou, como caminho que devemos seguir".
A fé é relação, encontro, revelação, comunicação, diálogo, é comunhão. Muito antes de ser um código ético-jurídico. A fé cristã é viva. É vida. É Jesus. É cada um de nós, perante os outros, diante de Deus. É descoberta. Ressurreição e vida. Pelo pecado, morremos cada vez mais. O pecado afasta-nos, divide-nos, diaboliza a minha, a tua, a nossa vida, que deveria ser salutar, encantadora e feliz. Com a Sua vida – morte e ressurreição – Jesus restitui-nos à vida, coloca-nos para sempre à direita do Pai.
A fé e a salvação não são uma conquista, uma usurpação da nossa parte. A salvação é dom de Deus. Ninguém Lhe tira a vida, é Jesus que no-la entrega por amor. As obras que realizamos são fruto da nossa fé, e do bem que Deus desde sempre colocou no nosso coração. As nossas boas obras hão de ser expressão da luz e do amor de Deus em nós.
3 – De novo e sempre nos confrontamos com a realidade: a vida nova dada em Jesus Cristo esbarra com a violência que continua a impor-se no nosso mundo, no tempo atual. Mesmo que queiramos desviar o olhar, não é possível não ver os conflitos que se estendem e publicitam cada vez com maior espetacularidade; a fome, a guerra, a violência, as agressões contra pessoa e contra a própria natureza; não é possível não ver a corrupção, a usura, a prepotência de uns poucos à custa de muitos; o serviço público ao serviço de alguns. É mais difícil saber do sol quando o céu está nublado, fechado, escuro como o breu.
O povo de Israel passou por tempos de grande provação e desânimo. Muitos obstáculos e dificuldades que a um tempo o deixava sem norte e a outro tempo a aprofundar a oração e a adesão à Palavra do Senhor.
O pecado de uns e de outros, sempre prejudica todos. O bem e a santidade de uns e de outros, sempre beneficia a todos. O povo, no seu todo, há de pagar pelos erros e pecados dos seus líderes. As famílias e as comunidades sempre hão de pagar pelos pecados do egoísmo e da prepotência de algum dos seus membros.
Mas vejamos o texto, do livro das Crônicas: "Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pela boca de Jeremias: «Enquanto o país não descontou os seus sábados, esteve num sábado contínuo, durante todo o tempo da sua desolação, até que se completaram setenta anos»... «Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, deu-me todos os reinos da terra e Ele próprio me confiou o encargo de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele»".
As palavras de Jeremias, grande profeta de Israel, mostram, não o afastamento de Deus ou o castigo imposto por Ele ao povo, mas como o povo paga caro por ter desfeito os laços de amizade, de sadia convivência, de solidariedade, de coesão social e religiosa. Para lá das contingências próprias do tempo e da história. A união e a solidariedade ajudam a superar as provações.
Estamos a caminho, já se vislumbra a Luz que há de vir para a todos reconduzir a Jerusalém. Nós não nos esquecemos da promessa, e muito menos Deus se há de esquecer. "Apegue-se-me a língua ao paladar, se não me lembrar de ti, se não fizer de Jerusalém a maior das minhas alegrias". Voltemos a Jerusalém, a nossa alegria, o nosso encontro com Deus.
O tempo nosso, ainda que implique feridas e sofrimentos, é impulsionado pela Luz que nos atrai de Jesus Cristo, que passa pelas frestas da cruz, e nos impele às alturas, ao regaço de Deus, Pai e Mãe.
padre Manuel Gonçalves



Deus não mandou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo mas para que o mundo seja salvo por Ele.
O Amor de Deus acima de qualquer condenação
1. A primeira leitura vai buscar de uma das histórias de Israel do Antigo Testamento (2 Crônicas 36,14-16.19-23) o tema da catástrofe final que levou o povo judeu desterrado para a Babilônia (a, 586 a.C.) no tempo do rei Sedecías. É uma visão mais teológica do que a que nos oferece em 2 Reis 24,18-20. Isto aconteceu – crêem os autores destes livros, uma espécie de escola histórico-teológica – porque Deus já tinha perdido a paciência com um povo rebelde. Mas deve ficar claro que não é Deus que a provoca, nem é Ele que propõe este castigo dos babilônios. É verdade que a concepção da história na Bíblia é uma concepção sagrada e a Deus nada passa despercebido. Não podiam pensar de outra maneira e, desde uma visão profética, mais lúcida, sabemos que seguindo pelos “caminhos de Deus” mais do que pelos interesses políticos e econômicos, muitas coisas poderiam ser evitadas. Mas não é falsa a interpretação “teológica” da história; e acrescentaríamos: é necessária. Não haveria guerras. No entanto, nós, os próprios povos”somos protagonistas desta situação.
2. No caso de Judá, os seus responsáveis tinham jogado as cartas e os seus interesses. O profeta Jeremias tinha advertido contra esta atitude: mais do que procurar reis ou imperadores, em quem se apoiassem, era necessário procurar Deus. Isto é válido, desde logo, porque um povo que se dedica a pôr em prática a justiça, a evitar qualquer guerra, encontrará caminhos de paz e de harmonia. Esta é a eterna lição da história da humanidade. A mesma proposta fez no seu tempo Isaías (Is. 7) com as suas palavras ao rei Acaz para que não entrasse na “coligação” de guerra contra a Assíria. Era uma temeridade, embora fosse ser razoável a ânsia de liberdade nacional. Os autores do texto de hoje, “os cronistas”, lamentam que os caldeus tenham incendiado a casa de Deus onde não se podia celebrar o sábado. Mas a Deus dói-lhe que o povo sofra e se veja condenado à guerra e à violência por causa dos seus dirigentes. A verdadeira casa de Deus, é o povo, onde Ele habita. A “compaixão de Deus” deve ser a ideia determinante a ser salientada, porque os “dirigentes” não sentem compaixão do seu povo, mas só se preocupam com os seus interesses nacionais e políticos.”
3. É lógico, por outro lado, que nesta interpretação se pense que o famoso decreto de Ciro, que permitia o regresso dos desterrados, tem também a ver com a mão de Deus e o cumprimento das palavras proféticas, neste caso de Jeremias. Também é verdade que a imagem mítica do mundo que se tinha no Oriente e que tinham os profetas, não se pode deixar de dizer que Deus atua “ocultamente”. E são os profetas os que sabem acolher o “sim” de Deus para a salvação e para mostrar que quando tiveram um “não de Deus, esse não era definitivo, mas que, numa verdadeira perspectiva profética, o “sim” é sempre o futuro do povo, da história e da humanidade. A concepção científica da história não verá as coisas deste modo, mas também não poderá contradizê-las. Porque este “sim” só se escreve com a mão de Deus na história oculta da criação. Isto quer dizer que Deus não destrói a história de um povo nem de ninguém, em todo o caso, o que deve ficar claro é que sem Deus a humanidade não saberá encontrar a felicidade.
2ª leitura: Efésios 2,4-10
A intervenção misericordiosa de Deus
II. 1. A segunda leitura oferece-nos uma reflexão impressionante sobre o mistério da graça de Deus aos homens por meio do mistério pascal, a morte e a ressurreição de Cristo. Discutiu-se muito sobre se esta carta é de Paulo ou de algum dos seus discípulos, mas, no caso concreto deste texto, encontramo-nos perante a teologia paulina fundamental, uma espécie de sumário do que ele ensinava como seu Evangelho, que tinha recebido diretamente de Deus, pelo que mais avançou numa luta pela liberdade de todos os homens. Fala-se de uma reflexão batismal pela qual que se quer demonstrar como se passa da morte para a vida com a graça de Deus. Esta é o significado mais radical do batismo e da fé cristã.
II.2. O poder que Deus demonstrou ressuscitando Jesus de entre os mortos é o mesmo que nos mostra quando nos perdoa e nos oferece uma vida nova de graça. Este aspecto é o mais impressionante desta teologia do batismo que se respira na leitura de hoje. Fala-se da misericórdia que, no mundo grego, não tinha o mesmo alcance que tem em contexto cristão. Os estóicos consideravam-na como uma das paixões, embora muitos a preferissem ou recomendassem face ao ódio. O autor fala de como os cristãos foram associados a Cristo, à sua morte e à sua ressurreição. E isto é consequência do projeto de misericórdia que Deus tem para a humanidade. Mostra-se, de forma clara que, por meio do batismo somos associados à vida nova de Cristo, portanto, ao que significou e significa a ressurreição de Jesus
Evangelho: João 3,14-21
Da noite à luz com Cristo
1. O Evangelho sobre o diálogo com Nicodemos, o judeu que veio de noite (da sua noite de um judaísmo vazio, como se tivesse visto no relato das bodas de Caná), para encontrar em Jesus, na sua Palavra, na sua revelação, uma vida nova e uma luz nova, é uma das cenas mais brilhantes e teológicas da teologia de João. É importante ter em conta que Nicodemos é uma figura importante do judaísmo, embora tudo isso não esteja no texto de hoje que se centrou no discurso de Jesus e nas suas grandes afirmações teológicas, provavelmente as mais importantes deste Evangelho. É necessário ler todo o relato de Jo 3,1-21, pois de contrário se perderia uma boa perspectiva hermenêutica. Digamos que este relato do cap. 3 de João, foi seguramente composto no momento em que pessoas, como Nicodemos, tinham pedido à comunidade para nela participarem.
Daí que tenha surgido esta “homilia sobre o batismo” entre as memórias de João de um acontecimento parecido com o que é relatado e uma reflexão pessoal sobre o que significa o batismo cristão. Nos versículos 1 a 15 (vv. 1-15) temos o fato do que podia suceder mais ou menos e palavras de Jesus que João conseguiu conservar ou aprender pela tradição. Nos vv. 16-21 temos umas reflexões pessoais do teólogo (neste caso é realmente um monólogo, não um diálogo), que constitui a homilia de Juan, sobre a essência da vida cristã na qual se entra pelo batismo.
2. Os versículos 16-21 trazem, portanto, uma reflexão do evangelista e não palavras de Jesus propriamente falando. Isto pode causar surpresa, mas é uma das idéias mais felizes da teologia cristã. Deus entregou o seu Filho ao mundo. Nisto mostrou que o ama. Além disso, Deus no-lo enviou não para julgar ou condenar, mas sim para salvar o que estava perdido. Se existe no mundo alguma doutrina mais consoladora que esta, podemos arrepender-nos de sermos cristãos. Mas creio que não existe. O v. 18 é uma fonte de reflexão. A condenação dos homens, o juízo, não o faz Deus. Deixou-o nas nossas mãos. A questão está em crer ou não em Jesus. O juízo cristão não é um último episódio ao qual nos apresentarmos, diante de um tribunal para que se diga se somos bons ou maus. Não! Seria um equívoco ver as coisas assim, como muitos as consideram, m baseados em Mt 25. Nós, os cristãos, experimentamos o juízo na medida em que respondemos ao que o Senhor fez por nós. O juízo não se deixa para o final, mas vai-se fazendo na medida em que vivemos a vida nova, a nova criação para a qual fomos convocados. Estas imagens da luz e das trevas são judaicas, de Qumrán, mas servem a João para expressar a categoria do juízo.
O Evangelho de João é muito sintomático a  este  respeito, já que usa muitas figuras e símbolos (a água, o Espírito, a carne, a luz, nascer de novo, as trevas), para mostrar a ação salvadora de Jesus. O diálogo é de muito nível, mas prevalece a afirmação de que o amor de Deus está acima de tudo. Aqui é-nos oferecida uma razão profunda pela qual Ele encarnou: porque ama este mundo. ama-nos a nós que somos responsáveis pelo mundo mau ou bom. Deus não pretende condenar-nos, mas salvar-nos. Esta é uma das afirmações mais importantes da teologia do Novo Testamento, como o tinha sido da teologia profética do AT. Deus não nos expulsa; Deus não condena, Deus, por intermédio de seu Filho, que nós homens elevamos (para usar a terminologia teológica de João do texto) à cruz que nos salva e continuará a salvar sempre. Inclusive, o juízo da história, como o juízo que o mundo inteiro espera, estabelece-o esta teologia joanina, ao aceitar esta mensagem de graça e de amor. O juízo não está naquilo que no final nos vai ser dito: se bons ou perversos, mas em aceitar a vida e a luz onde está: em Jesus.
fray Miguel de Burgos Núñez
tradução de Maria Madalena Carneiro





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