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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 24 de abril de 2018

5º DOMINGO DA PÁSCOA-Ano B



5º DOMINGO DA PÁSCOA

 29 de abril – Ano B

Evangelho Jo 15,1-8

   -JESUS É A VIDEIRA Jo 15,1-8-José Salviano  


Jesus é a videira e nós somos os ramos. Quem não permanecerá ligado a Ele, irá murchar, secar, e será lançado fora.     Continuar lendo



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“EU SOU A VIDEIRA VERDADEIRA E MEU PAI É O AGRICULTOR.”- Olivia Coutinho

5º DOMINGO DA PÁSCOA

Dia 29 de Abril de 2018

Evangelho de Jo15,1-8
Deus não nos criou para sermos meros viventes, fomos criados para relacionar com Ele, e esta relação amorosa, fazemos por meio de Jesus, Jesus  é a seiva que nos liga ao Pai!
Não nascemos do acaso, somos frutos do amor de Deus, plantados aqui na terra para produzir frutos!  
No evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, Jesus, após a última ceia, já em clima de despedida, conforta seus discípulos, lhes assegurando, de que a sua volta para o Pai, não poria fim na ligação entre eles. E para exemplificar a forma a qual, eles permaneceriam  unidos,  Jesus o compara com uma videira, da qual brotam os ramos, os ramos somos nós, somos  galhos, folhas, flores, sementes, diferentes uns dos outro, mas todos exercendo uma missão, tendo o mesmo objetivo: produzir frutos, ou seja, expandir o Reino de Deus aqui na terra!
Com esta comparação, Jesus nos fala claramente da importância da ligação entre o  humano e o Divino, pois é desta ligação, que nascem os frutos tão necessários para que a vida Dele se prolongue no mundo! “Eu Sou a videira e vós os ramos.”
Porque será que Jesus se comparou om a videira, e não com outra planta?  Certamente, porque a videira para os judeus era considerada uma planta nobre, e segundo a crença deles, Israel era simbolizado por uma videira plantada por Deus na terra prometida. Os judeus  acreditavam, que se eles mantivessem  ligados a Israel, simbolizado pela videira, eles estariam ligados a Deus. Na comparação de Jesus, todos que permanecessem ligados a Ele, ( tronco) estariam ligados a Deus...
 A nossa ligação com Jesus, que a principio é pessoal, só se consolida, quando vivemos dentro o espírito da partilha, inseridos na comunidade cristã.
Quanto mais conhecemos os seus  ensinamentos,  maior é o nosso compromisso com a vida, e mais seremos podados! Aceitar as podas, do jardineiro Maior, que é o Pai, é o primeiro passo de quem deseja produzir frutos de boa qualidade!
Para que a palavra de Deus frutifique em nós, precisamos estar sempre ligados a Jesus, por nós mesmos, não produzimos fruto algum.
Deus nos ama infinitamente, mas isto não significa  que Ele precise de nós, Deus não precisa de nós, o  que Deus quer, é contar conosco, na construção do seu Reino, sendo os ramos férteis desta arvore frondosa que é Jesus!
Viver em sintonia com Jesus é ter a certeza de que nunca seremos  vencidos  pelas as forças do mal. A nossa opção por Ele, tem que ser radical, pois só assim, permaneceremos Nele, e Ele em nós.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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O ideal da comunidade cristã
Desde os primeiros tempos do cristianismo compreendeu-se que a vida cristã supõe a pertença a uma comunidade. Aliás, se a Igreja é a grande comunidade dos crentes, a que o Concílio Vaticano II ousou chamar Povo de Deus, e a que todos os cristãos pertencem, cada um tem no entanto de ter a sua pequena comunidade onde se realiza plenamente como cristão. Era assim a comunidade de Jerusalém onde todos estavam unidos «na doutrina dos Apóstolos, na fração do pão, nas orações e até mesmo na partilha dos bens» (cf. At. 2,42-47). A liturgia deste V Domingo da Páscoa sugere-nos esta pertença à comunidade. É Paulo que sente a necessidade de sair de Damasco e se unir à comunidade de Jerusalém onde, pela sua história, não era fácil viver. É João que na sua primeira carta marca a atitude fundamental na comunidade cristã, acreditar em Jesus Cristo Ressuscitado e amar os irmãos como Ele nos amou” (cf. 1Jo 3,2) Finalmente para ter um modelo de comunidade foi o próprio Jesus que nos deu a alegoria da videira: todos os cristãos unidos a Ele, a cepa, e todos unidos uns aos outros na caridade.
1. A experiência comunitária de Paulo
A vida de Paulo em Damasco não foi fácil. Era receado pelos convertidos a Jesus Cristo e era condenado pelos judeus que viviam na cidade. Acabou por ter de fugir, passando dentro de um cesto as muralhas do velho burgo. A sua referência foi a comunidade de Jerusalém. Apresentado por Barnabé, foi acolhido por todos os crentes. No entanto alguns temeram que ele fosse apenas um judeu introduzido para controlar a vida da comunidade. Por outro lado, os judeus, fiéis ao Sinédrio, consideravam-no um traidor. Na aparência era duplamente mal amado. Os líderes da comunidade acompanharam-no, então, até Cesareia de Filipe e depois a Tarso, sua terra natal. Em cada um destes lugares havia já pequenas comunidades cristãs que o trataram como irmão. Talvez tenha sido por esta sua experiência que ele, apóstolo dos gentios, se tornou fundador de comunidades cristãs. De Antioquia a Roma foram muitas as comunidades fundadas por Paulo. Os seus longos caminhos através do mundo conhecido outra coisa não foram do que a consagração de um líder que, ao anunciar Jesus Cristo, revelava que não era possível ser cristão, sem estar numa comunidade viva e evangelizadora.
2. A lei fundamental de uma comunidade cristã
Jesus Cristo anunciara um mandamento novo “que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13, 34). É preciso levar à prática esta lei do amor. Não há lugar melhor para fazê-lo do que uma comunidade cristã. É com a mesma dinâmica do amor que se ama a Deus e aos irmãos. A relação com Deus estabelece linhas de confiança que são profundamente pacificantes. É certo que a prática dos mandamentos é sinal de uma profunda relação com Deus. Porém, o primeiro dos mandamentos é o amor aos irmãos. Por isso, João na sua carta, aconselha os membros das comunidades a acreditarem em Jesus Cristo e a amarem-se uns aos outros.
3. A alegoria da videira
Esta é uma das páginas mais belas do Evangelho. Jesus, num misto de exigência e de poesia quis dizer “eu sou a videira vós os ramos” (Jo 15,5). Numa descrição simples, Jesus estabelece a relação de pertença ao dizer que é preciso estar unido à videira, permanecer n’Ele, viver d’Ele, estar em comunhão com Ele. Por outro lado, os discípulos estão em comunhão uns com os outros numa caridade verdadeira. Esta dupla relação com Cristo e com os irmãos é condição para dar fruto para que esse fruto permaneça. A comunidade cristã não se fecha sobre si própria, alimenta-se de Cristo, celebra o amor fraterno e dá fruto em abundância para que todos tenham vida.
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”



Neste domingo a Palavra de Deus nos apresenta a imagem do pé de uva (a videira) mostrando que a condição óbvia para que o ramo dê fruto é que permaneça unido ao seu tronco. De forma semelhante, quem permanecer unido a Cristo dará frutos (evangelho). Quem faz a vontade do Pai, com fé e amor, está unido a Cristo (2ª leitura). Paulo, unido a Cristo, deu testemunho de sua fé ajudando a construir e propagar a Igreja primitiva (1ª leitura) com a graça do Espírito Santo.
1ª leitura: Atos dos Apóstolos 9,26-31
O motivo pelo qual Paulo foi a Jerusalém não era outro do que encontrar-se com Pedro a fim de confirmar sua doutrina e fé no Evangelho. Paulo compreendia que não devia evangelizar paralelamente, mas em comunhão com Pedro, representante vivo de Jesus Cristo e referência da doutrina e da veracidade do Evangelho na terra pois a verdadeira evangelização só pode acontecer em comunhão com a Igreja, estabelecida por Jesus no fundamento dos Apóstolos, que é Pedro.
Mas, para os cristãos de Jerusalém, Paulo não era mais do que um rabino fariseu, recém convertido, com um triste passado de perseguição à Igreja. Foi preciso que alguém lhe abrisse o caminho para ser aceito sem receio pela comunidade cristã e, mais tarde, se tornasse o maior apóstolo de Cristo. Esse “alguém” foi José, um levita da ilha de Chipre, cujo nome fora trocado pelos Apóstolos pelo de Barnabé (que significa “filho da consolação”). Foi um dos primeiros a colocar seus bens em comum na comunidade de Jerusalém (Atos 4,36-37) e o missionário enviado pela comunidade de Antioquia, que tirou Paulo do anonimato de Tarso e o convidou a acompanhá-lo em sua viagem apostólica.
A desconfiança da comunidade a respeito de Paulo era compreensível pelo mal que tinha feito anteriormente, perseguindo à Igreja. Por isso foi necessário que alguém respeitado pela comunidade apresentasse argumentos convincentes a favor dele (“lhes contou como Saulo no caminho tinha visto o Senhor, como o Senhor lhe havia falado, e como ele havia pregado corajosamente em nome de Jesus na cidade de Damasco”). Só assim a comunidade acolheu e confiou em Paulo.
Isto mostra como a graça de Deus usa de intermediários humanos para dar seu fruto e como a comunidade cristã tem de ser acolhedora, estando sempre disposta, aberta e sem preconceitos ao acolhimento de todas as pessoas, porque a graça de Deus acontece onde menos se espera.
2ª leitura: 1ª João 3,18-24
O apóstolo João, já idoso, se dirige aos cristãos com carinho paternal, chamando-os de “filhinhos”, e transmite toda a sua sabedoria, simples e muito prática, acumulada ao longo da vida.
É o Espírito Santo, que gera em nós a fé em Jesus, e nos manifesta que Ele é o “Deus conosco” (“graças ao Espírito que ele nos deu, reconhecemos que Deus está conosco”). Esta fé não vive de aparências, mas se concretiza pela prática do mandamento do amor, procurando o modo de promover a vida e o bem dos irmãos.
O Evangelho não nos pede que sejamos perfeitos, primeiro, para depois amar. “Mesmo que a nossa consciência nos condene”, o bem que praticamos tem valor em si mesmo “porque Deus é maior do que a nossa consciência, e ele conhece todas as coisas”, compreende e perdoa as nossas imperfeições.
Se a fé em Jesus nos leva a cumprir o mandamento do amor, sabemos que estamos com Deus e Deus está conosco.
Evangelho: João 15,1-8
Novamente Jesus fala aos discípulos usando símbolos para que eles possam compreender melhor. A videira, da qual se colhe a uva e, com a uva, se produz o vinho, é muito apreciada e faz parte da vegetação e cultura do povo na Palestina. Foi usada pelos profetas para simbolizar como Deus espera “frutos” de seu Povo.
Só Jesus é a “verdadeira videira” que, com sua fidelidade, nunca defrauda o “agricultor” que é o Pai. Vivenciando a graça do batismo, que nos une a Cristo, poderemos agradar a Deus porque “quem fica unido a mim, e eu a ele, dará muito fruto”.
Participar da comunidade cristã não é fazer parte da Igreja apenas como instituição, mas aderir à pessoa de Jesus e estar unidos a Ele. Se permanecermos unidos a Jesus, os frutos que daremos serão os mesmos frutos d'Ele e poderemos testemunhá-lo levando a comunidade a uma contínua expansão e crescimento pois Ele é que transmite essa fecundidade ( “porque sem mim vocês não podem fazer nada”).
O ramo que não dá fruto é porque não está unido a Cristo. É cortado fora. O ramo que dá fruto é podado para que, através da provação, tenha a oportunidade de afirmar sua fidelidade e se fortalecer para dar mais fruto ainda.
Palavra de Deus na vida
O evangelho de hoje, e do próximo Domingo, faz parte do “discurso de despedida” de Jesus na última ceia, quando Ele abre seus lábios e seu coração para partilhar confidências com os discípulos. É como seu testamento espiritual.
Na imagem que Ele usa, a videira e os ramos formam um todo. A união é vital, íntima e completa... mas a seiva, o Espírito, a vida, não brota dos ramos; eles a recebem do tronco, da videira. De Jesus procede a seiva que dá energia ao cristão. Ele é quem dá a coragem de viver. A verdadeira vida de Deus passa por Ele e os ramos só terão vida na medida em que estiverem unidos ao tronco.
Isto significa que a vida cristã não nasce por geração espontânea. Precisamos estar unidos a Cristo pela oração, pelo acolhimento de sua Palavra, pela prática do bem e da justiça, para não secar por falta de seiva e deixar de produzir frutos.
De que frutos se trata?
As expressões que mais repete Jesus são: “permanecer” e “dar frutos”. Os frutos bons, que dão glória ao Pai, são os que procedem do Espírito de Jesus tais como não buscar ser servido mas servir, estar prontos para ajudar os necessitados, compadecer-se sempre, preocupar-se com os outros, estar disposto a curar qualquer tipo de ferida, aliviar toda espécie de dor, servir, acompanhar, alegrar a vida das pessoas... São os frutos das boas obras próprias do verdadeiro discípulo de Cristo que permanece unido a Ele e aceita que Ele esteja presente e sua vida.
Esta permanência e entrosamento mútuos é a chave de seu seguimento. Indica um tipo especial de relação entre dois seres pessoais. Quem tem o Espírito de Jesus esta inserido n'Ele, é ramo verde, está vivo. A vitalidade do discípulo de Cristo, nasce d'Ele. Daí a comparação com a união que existe entre a videira e seus ramos. O cristão se une a Cristo e, através de Cristo, a todos os cristãos.
O discípulo está chamado não apenas a dar frutos mas a dar muitos frutos (“A glória de meu Pai se manifesta quando vocês dão muitos frutos”). Ao aceitar a mensagem de Jesus já há uma limpeza inicial (“Vocês já estão limpos por causa da palavra que eu lhes falei”), mas, às vezes, é necessária uma operação de limpeza completa porque a videira só dá boa colheita se for podada.
Jesus nos diz que Ele é a videira, incluindo também os ramos e o fruto. A poda é a atividade própria do Pai, que é o agricultor. Ele planta, cultiva, limpa e cuida com esmero de cada um de nós para cortar tudo aquilo que atrapalha o surgimento da vida nova e a ação do Espírito do Pai e do Filho em nós. Corta nossos brotos de orgulho, de egoísmo, de acomodação de falta de solidariedade... que nos impedem de dar “muito” fruto. Ele sabe o que nos convém e quando nos convém. Mesmo dolorosa, a poda é sempre conveniente, necessária e positiva em nossa vida.
É a prova de que Deus espera muito de nós. Contamos com a sua confiança. Não o decepcionemos.
Pensando bem...
Lembrando da primeira leitura, podemos dizer que a Igreja precisa sempre de “barnabés” que acolham as pessoas com um voto de confiança e saibam aproveitar todo o potencial dos que se aproximam da comunidade cristã. Alguma vez nós mesmos já tomamos a atitude de Barnabé?
Que frutos podem esperar os outros de mim? O segredo consiste em permanecer em Jesus, escutar e viver sua Palavra.
A poda (El. Ulibarri)
Poda-nos o Pai, é o que Tu dizes.
Poda àqueles que dão fruto, para que deem ainda mais.
Podam-nos os amigos, o grupo, a comunidade,
por meio de relações sinceras e fraternas;
a través da ajuda, da crítica construtiva e da experiência.
Podam-nos quando balançam nosso estilo de vida e escala de valores;
Quando nos obrigam a enfrentar as incoerências e as zonas escuras de nosso ser.
Alguns se podam a si mesmos para dar mais fruto.
Sabem dizer não a certas coisas.
A maioria das podas acontecem, porém, sem buscá-las.
São trazidas pela vida quando menos se espera;
são podas involuntárias, imprevisíveis,
às vezes duras e dolorosas,
e nem sempre as aceitamos como algo positivo.
Involuntária ou voluntária, a tempo ou fora de tempo,
assumida ou rejeitada, a poda é o segredo das pessoas que se tornaram fortes, dos homens e mulheres que dão fruto, daqueles que têm vida.
Poda-nos, Senhor! Poda-me, Senhor!
padre Ciriaco Madrigal



"Eu Sou a videira e vós os ramos"
Celebramos hoje o domingo da videira e dos ramos. Chegamos à quinta semana da Páscoa, portanto, na alegria e na esperança, já vivenciamos a primeira metade do Tempo Pascal e dele colhemos os frutos da ressurreição.
Jesus Cristo ressuscitado apresenta-se como videira e revela o Pai como agricultor. Ele nos convoca a uma relação de intimidade comparada à dos ramos com o tronco da árvore.
Celebramos a Páscoa de Jesus que se revela como videira e se manifesta em todas as pessoas e grupos que testemunham um amor concreto, para além dos preconceitos e discriminações.
Primeira leitura: Atos 9,26-31
Quanto a primeira leitura de hoje, é bom recordar seu contexto, o capítulo 9 dos Atos dos Apóstolos. Os versículos 1 a 9 descrevem a conversão de Paulo, a "caminho de Damasco".  Nos versículos 10 a 19, podemos ver seu encontro com a comunidade de Damasco e seu trabalho pastoral junto a essa comunidade (vs. 19-25).
No capítulo 9 dos Atos dos Apóstolos pode-se chegar á conclusão de que Paulo tenha sido vítima das situações que determinaram suas idas e vindas. Ele fugiu de Damasco para escapar das mãos dos judeus. Ao voltar a Jerusalém, de onde ele saiu como perseguidor, Paulo é recebido com muita reserva, porque desconfiam da sua conversão (v. 26). Por meio de Barnabé que lhe serve de intermediário ou "advogado" (cf. Atos 4,36), ele ganha a cobertura dos apóstolos. Pregando em Jerusalém Paulo tentou reatar o diálogo com os helenistas, ou seja, com os judeus da diáspora cuja língua era o grego, interrompido pelo martírio de Estevão, em que o próprio Paulo desempenhou um papel de cúmplice (cf. Atos 7,58-81). Mas quando constataram que Paulo correu o mesmo risco, os irmãos o levaram para a Cesaréia e o encaminharam para Tarso.
Em nossas comunidades, muitas vezes também encontramos tais atitudes: medo, desconfiança, preconceito, fechamento. Diante da firmeza com que Paulo pregava o nome do Senhor, a própria comunidade foi dando-se conta de que, de fato, ainda não estava convertida. Foi preciso que alguém de fora a provocasse e desse testemunho, para que ela percebesse isto.
O versículo 31, versículo final, é um breve resumo da vida da Igreja: é o Espírito santo que conduz a Igreja na sua caminhada pela história. É este mesmo Espírito que aguardamos na festa de Pentecostes que se aproxima.
Conforme Atos 22,17-21 não foram as situações que levaram Paulo a sair de Jerusalém e de Judá, da terra dos judeus. Pelo contrário! Paulo as explicou para permanecer aí e pregar aos judeus na própria capital espiritual deles (vs. 19-20). A sua saída de Jerusalém é conseqüência de uma intervenção do Senhor que, em uma visão no templo, lhe comunicou a sua verdadeira missão através destas palavras: "Vai, porque é para os gentios, para longe, que quero enviar-te" (Atos 22,21).
Segundo Gálatas 1,18-23 toda a iniciativa teria vindo de Paulo. Fazia três anos que ele pregava o Evangelho aos pagãos, procurou Pedro em Jerusalém. "Fiquei com ele quinze dias... Em seguida fui para as regiões da Síria e da Cilícia (Gálatas 1,18b.21). Neste contexto a estadia de quinze dias em Jerusalém apresenta-se somente como intervalo, uma espécie de visita "ad limina". Isto sugere que a breve estadia de Paulo em Jerusalém junto aos apóstolos na igreja-mãe marcou um ponto decisivo na sua missão de apóstolo dos pagãos.
 Para o apóstolo Paulo, a evangelização se realiza ao mesmo tempo em dois ambientes juntos: o mundo judeu, evangelizado por Pedro, e o mundo pagão, do qual se julga responsável (Gálatas 2,9) ao ponto de descuidar toda a referência a Jerusalém. São Lucas reage contra esta concepção que causa divisão na evangelização, insistindo na unidade do movimento missionário, que teve origem em Jerusalém, e estendendo-se até os confins das nações (Atos 1,8). Daí a tendência de aproximação das duas figuras de Pedro e de Paulo (comparar Atos 15,1-12 e Gálatas 2,11-14). Lucas liga a ação missionária de Paulo à comunidade de Jerusalém (Atos 9,26-31), enquanto que Paulo diminui seus contatos com Jerusalém (Gálatas 1,18-19).
Lucas defende, assim, a unidade organizadora da missão na Igreja, que a especialização das funções e a repartição de influência não pode colocar em questão.
A preocupação com a unidade da missão a partir da Igreja-mãe de Jerusalém não cega, contudo, São Lucas.  Ele está consciente das imperfeições desta igreja e se for necessário que toda a missão venha dela para garantir sua unidade (um pouco como "era preciso" que Jesus subisse a Jerusalém: Lucas 9,51), este privilégio não esconde suas deficiências.
A vontade de Lucas, de fazer a partir de Jerusalém toda a missão da Igreja, não é somente a expressão de sua preocupação em ver cumpridas as profecias anunciando a salvação das nações em Jerusalém (Isaias 60; Zacarias 14), nem um meio fácil de organizar os capítulos do seu livro em círculos concentrados a partir da cidade, mas uma preocupação doutrinal: a afirmação da única missão, simbolizada pela cidade de Jerusalém (cf. Salmo 121/122; Salmo 47/48; Lucas 24,47-49)
Salmo responsorial: 21,22, 26-28.30-32
O salmo 21/22 revela um grande e terrível conflito entro o justo e os injustos, mostrando que surgiu uma sociedade desigual, conflitiva e violenta (talvez se trate de conflito no campo)
Este salmo se refere ao festim messiânico. No versículo 27 o salmista anuncia que os que louvam o Senhor e procura o Senhor, terá vida longa e feliz. Seria afirmar nessas palavras: que o vosso coração viva para sempre! São votos de boa saúde, dirigidos a quem participava de uma refeição sacrifical (cf. Salmo 69/68,33.
O rosto de Deus no Salmo 21/22. Há uma relação íntima e pessoal entre o justo e Deus, a ponto de chamá-lo de "meu Deus". Por causa desse Deus da Aliança é que essa pessoa tem a coragem e a confiança de clamar. A imagem mais bela de Deus neste Salmo é, portanto, a do Deus que ouve o clamor do pobre injustiçado e o liberta, fazendo-o cantar hinos de louvor (vs. 23-27).
De acordo com Marcos 15,34 e Mateus 27,46, Jesus rezou a primeira parte deste Salmo na Cruz que está na liturgia do Domingo de Ramos. Ele, portanto, é o justo inocente que clama confiante. E Deus lhe responde com a ressurreição. Mas é oportuno prestar atenção também em todos os clamores que Jesus ouviu e atendeu ao longo da vida. Ele é, portanto, a resposta do Deus que ouve os clamores e liberta.
Como resposta à Palavra de infinito amor de nosso Deus, cantamos, pelo Salmo 21/22, um hino de ação de graças e de adoração ao Senhor nosso Deus. Cantando este Salmo em nossas celebrações, agradeçamos ao Senhor Deus que jamais abandona quem nele põe a sua confiança. Peçamos que nos sustente em nossa luta de cada dia por uma história nova, alicerçada na justiça e na paz.
Segunda leitura: 1 João 3,18-24
Na segunda leitura de hoje, o Apóstolo João acentua que recebemos do Senhor este grande mandamento: "Que amemos uns aos outros". Ele afirma que "permanecer em Deus" significa guardar seus mandamentos, todos eles contidos no grande mandamento do amor. João afirma, ainda, que, pelo Espírito Santo, sabemos que Deus permanece em nós. O mesmo Espírito quem segundo informa o livro dos Atos dos Apóstolos, ajudava (e ajuda) a Igreja de Cristo a crescer.
O ambiente do texto é de afeto, isto é, um diminutivo afetuoso quando diz Filhinhos. João afirma que o seguidor de Jesus deve ter compaixão, como Ele teve (Hebreus 2,16 ss.; 4,15; 5,2; Efésios 4,32; 1 Pedro 3,8). Não é cristão um coração insensível. O amor é sinal da presença ativa do amor de Deus nos cristãos. Não bastam palavras, é preciso amar de maneira concreta (v. 18; cf. Tiago 2,15s; mas com ações e de verdade. Como diz um provérbio popular: obras são amores e não boas razões. A sinceridade do amor se prova com atos.
Amar de verdade é amar como Jesus amou na cruz (1 João 3,16): este é o critério! Toda a obra, que se fizer em favor dos irmãos, merece ser feita com o amor que Jesus teve na cruz. O Senhor e o discípulo são uma coisa só: conhecer de verdade (v. 19), paz e tranqüilidade de consciência (v. 20), confiança em Deus (v. 21), eficácia de oração (v. 22), amor e fé (v. 23), comunhão com Deus atestada pelo Espírito Santo (v. 24).
Somente a prática da caridade revela se somos "da verdade", isto é, filhos de Deus (v. 19), que se exerce a caridade sem hipocrisia (1 Pedro 1,22; Romanos 12,9; 2 Coríntios 6,6). Por "verdade", aqui, compreende-se a verdade divina que mora no cristão (1 João 1,8; 2,4).
Se não somos de Deus, não haverá amor verdadeiro. Se houver, ao invés, amor sem hipocrisia, é porque estamos em comunhão com Deus. O cristão, que assim age, está no caminho reto, pode ficar tranqüilo, estar em paz, porque, mesmo que a consciência acuse algo, Deus é maior.
Para o apóstolo João, o que é mais fundamental e agradável a Deus é a fé em Jesus Cristo, aliada com a caridade fraterna. Essa fé não é só somente uma ligação intelectual, não é só receptiva, mas viva e plena, que se concretiza no amor fraterno, na conduta moral como obediência absoluta e sem limites aos preceitos divinos.
O apóstolo João lembra em primeiro lugar um princípio que lhe é caro: assim como não podemos contentar com um conhecimento abstrato de Deus, assim também não podemos amar nossos irmãos e irmãs somente com palavras (versículo 18).
O mandamento que nos dá segurança diante de Deus e que garante sua permanência entre nós é duplo: crer no nome de Jesus Cristo e amar uns aos outros (v. 23). João apresenta estes dois aspectos de tal maneira que parecem constituir apenas um. Com efeito, julga que não há duas virtudes separadas uma da outra: de um lado, a fé, do outro, a caridade; elas são as dimensões vertical e horizontal, mas ao mesmo tempo, de uma única atitude (cf. João 13,34-46; 15,12-17). Somos filhos de Deus por nossa fé, e a caridade fraterna nasce desta filiação (1 João 2,3-11).
Não é fácil conservarmos ao mesmo tempo a dimensão horizontal e a dimensão vertical do mandamento de Deus. Hoje, particularmente, o cristão tenta procurar um amor fraterno mais verdadeiro e universal, mas sem referência a Deus, esquecendo-se de que o amor mergulha suas raízes  na própria vida de Deus.
Crer em Jesus Cristo, como pede o apóstolo João, é crer que o Pai ama todas as pessoas através de seu próprio Filho, é querer participar desta mediação de amor, é, ainda, admitir que Jesus respondeu de maneira única ao amor do Pai e querer imitar sua renúncia e sua obediência de filhos.
A Eucaristia relaciona os cristãos ao mesmo tempo com Deus e com as pessoas. Ela não os reúne para que, em primeiro lugar, rendam graças a Deus e, em seguida, voltem-se para os outros: a ação das duas atitudes juntas constitui sua própria essência.
Evangelho: João 15,1-8
Em João 15,1-8 e 15,9-17 (5º e 6º domingo da Páscoa Ano B) formam um conjunto: a alegoria da vinha e dos ramos.
O Evangelho deste domingo da Páscoa situa-nos em Jerusalém, numa noite de quinta-feira, um dia antes da festa da Páscoa. Jesus está reunido com os seus discípulos à volta de uma mesa, numa ceia de despedida. Ele está consciente de que os dirigentes judaicos decidiram dar-lhe a morte e que a cruz está no seu horizonte próximo.
Os gestos e as palavras de Jesus, neste contexto, representam as suas últimas indicações, o seu "testamento". Os discípulos recebem, aqui, as orientações para poderem continuar, no mundo, a missão de Jesus.
Assim, temos a belíssima comparação de Cristo como videira e de seus discípulos, que somos nós, como seus ramos. O texto mostra que afastado da videira, o ramo seca e só serve para ser queimado, isto é, não pode mais contribuir para a vida. O ramo afastado seca porque ele não recebe mais a seiva para alimentá-lo, fortalecê-lo. A seiva é a vida da videira, como Cristo é nossa vida. Afastados Dele, secaremos, não serviremos mais para o florescimento do Reino de Deus.
"Eu sou a videira verdadeira", é uma das fórmulas Eu sou + imagem que ocorre, no Evangelho de João (cf. João 6,35: "Eu sou o pão da vida"; 8,12"Eu sou a luz do mundo; 10,7: "Eu sou a porta das ovelhas; 10,11: "Eu sou o bom pastor"; 11,25: "Eu sou a ressurreição e a vida"; 14,6: ("Eu sou o caminho, a verdade e a vida"). Pode ser invocações litúrgicas da Igreja do evangelista João, comentadas nos discursos de revelação de Jesus. A semelhança de João 15 com o a simbologia do pastor e do rebanho, em João 10, é clara.
O Evangelho desse domingo faz parte do segundo discurso após a Ceia com seus discípulos. Cristo insiste na força das uniões que se estabelece entre Ele e os cristãos de todos os tempos, (João 15,4.6.7.10) e que serão reforçados pelo envio do Espírito Santo (João 16,7.13). Emprega, para isso a alegoria da vinha.
A vinha simboliza tradicionalmente a Terra Prometida (Números 13,23), mas principalmente o Povo eleito, vinha que produzia, aliás, mais freqüentemente uvas azedas que vinho (Oséias 10,1; Isaias 5,1-7; Jeremias 2,21; 5,10; 12,10-11; Ezequiel 15,1-6; 17,5-10; 19,10-14; Salmo 79/809-16), isto é, "esperava a justiça, mas o que apareceu foram gritos de desespero" (Isaias 5,7). Ao indicar a si mesmo como verdadeira vinha (versículo 1), talvez Cristo tenha tido a intenção de substituir-se ao povo antigo para proporcionar, enfim, a seu Pai, o bom vinho da fidelidade.
Mas esta explicação não esgota o símbolo da vinha em João 15. Com certeza, Cristo se serve dessa comparação para destacar, como no Eclesiástico 24,17-20, a comunicação da vida divina. Teríamos, assim, uma imagem da vinha da vida paralela à do pão da vida (João 6), e o tema da vinha seria, então, discretamente eucarístico. Aliás, encontramos em João 15 os mesmos temas que em João 6: a idéia de "permanecer em mim" (João 6,56; João 15,5).
Toda a fidelidade que Deus esperava do povo eleito, encontra agora em Jesus Cristo, a verdadeira vinha. Nasce uma Nova Aliança, porque a fidelidade de Jesus, traduzindo-se na obediência até a Cruz, não foi gerada pelos recursos das pessoas: é a fidelidade do Filho Eterno colocada ao alcance das pessoas.
 Jesus é de Deus, e Dele são também os ramos da videira, os cristãos, enquanto pertencem a Jesus. Na segunda aplicação, a idéia da poda ou purificação, o sujeito agente é o agricultor, portanto, o Pai mesmo. Temos aqui uma visão própria de João: pela Palavra de Jesus (v. 3), o Pai exerce a krisis, a separação entre o que é salvo e o que é rejeitado (cf. João 3,18 ss.); 5,24 ss.; 8,50 ss.; 12,47 ss.). Porém, a imagem é mais complexa. Não indica apenas a separação entre aqueles que crêem e os que não crêem na Palavra. Diz ainda que os que crêem são podados pela Palavra. Duas boas maneiras de explicar isto seja talvez a comparação com o adolescente, que quer ser tudo e não consegue ser nada, até que se decide a "podar" uma série de coisas da sua vida e assim, pondo limites a si mesmo realiza sua personalidade. Outra questão interessante é uma lavoura de café. Se não desbrotar no tempo certo (tirar os brotos) o lavrador não terá uma colheita abundante. Seria comparado com a poda da lavoura de uva. Isto significa que o cristão se realiza enquanto é podado pela Palavra de Cristo para uma conversão contínua. Limitando sua existência dentro das coordenadas desenhadas pelo mandamento de Cristo - mandamento do amor fraterno - ele se torna personalidade cristã. Assim produz fruto.
 A poda é um processo necessário e importante para que se produzam bons frutos. É preciso fazer a poda, isto é, limpar os galhos das impurezas, retirar-lhes o supérfluo que impede a brotação. Essa imagem tão rica em simbolismo mostra que todos os cristãos também necessitam sofrer um processo de poda, de limpeza, de retira de supérfluo para que a seiva do amor de Cristo circule forte e livremente e manifeste-se em frutos vigorosos.
A outra explicação considera a união de vida entre a videira e os ramos. Agora, o agricultor não é mais considerado porque a videira mesma é o centro da atenção. Por um jogo de palavras com a preposição em, se pode dizer que os ramos ficam na videira e a videira (por sua seiva) nos ramos. Isto significa que sem a ligação com a pessoa de Jesus Cristo não se pode fazer nada no que se refere à salvação. Analisando sem os olhos da fé, parece fanatismo. A mensagem que está atrás desta insistência exclusivista é a rejeição de Jesus como Messias por parte do judaísmo e a atitude dos gnósticos, que só se interessavam nos belos pensamentos de Jesus, mas o querem tornar supérfluo como pessoa histórica, principalmente como homem realmente humano e sofredor. Contra estas tendências, João diz: sem Cristo, não há fruto de salvação. O fruto será em primeiro lugar a conversão, a fé.
 Um detalhe interessante é o uso do verbo "permanecer", que á a palavra-chave deste texto (do versículo 4 ao versículo 8, aparece sete vezes).Expressa a confirmação ou renovação de uma atitude antes assumida. Supõe que o discípulo e a discípula já tenham, anteriormente, aderidos a Jesus Cristo e que essa adesão adquira, agora, estatuto de solidez, de estabilidade, de constância, de continuidade. É um convite a que os discípulos mantenham a sua ligação com Jesus, a sua identificação com Ele, a sua comunhão com Ele.
Função na liturgia
Se a leitura do Evangelho não oferece uma ligação evidente com a primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, tanto mais evidente é a ligação com a segunda leitura, tirada da primeira carta de João e expressando as idéias da observância do mandamento do Senhor, a recepção dos nossos pedidos e o "permanecer em Deus". São as mesmas idéias de João 15,4-8. Formam, portanto, o eixo central da liturgia desse domingo. Além disto, se deve observar que estamos no Tempo Pascal: a liturgia sensibiliza os fiéis pela união da vida dos cristãos com o Cristo Ressuscitado, aliás, o único com o qual podemos nos unir realmente. Sua ressurreição é condição para a nossa união com Ele. Em outras palavras, não se propõe aqui uma imitação mecânica do Jesus terrestre, mas, no reconhecimento que aquele que morreu na cruz foi ressuscitado por Deus, Ele se torna uma presença fundamental para os cristãos e sua Palavra o rumo de nossa vida, unindo-nos existencialmente com Ele e com o Pai.
A vinha da Nova Aliança produz um fruto abundante que se chama o amor: amor dos homens idêntico ao que o Pai tem para com eles; amor "podado", pois teve que purificar-se do egoísmo; amor que só pode ter êxito, participando do amor de Cristo. A Igreja é isso.
Na realidade do vinho da Eucaristia encontramos ao mesmo tempo o amor de Deus que tanto amou as pessoas que lhes deu seu Filho, e a fidelidade humana de Jesus "podada" de todo egoísmo.
Da Palavra celebrada ao cotidiano da vida
O temporal passou... saímos à rua... nos deparamos com um triste cenário: galhos e mais galhos quebrados, jogados ao chão. Já não podem mais cumprir seu papel vital de oferecer sombra, de florescer, de dar frutos. Ali, esparramados pelas calçadas e ruas, ficam aguardando que alguém os recolha, que os leve como entulho.Esses galhos não mais viverão, pois foram afastados da árvore que lhes oferecia a vida. Em um lindo dia de sol, no entanto... saímos à rua... nos deparamos com funcionários da prefeitura podando as árvores  da praça, vemos a dona de casa que poda as árvores de seu jardim. Esse procedimento é essencial para as plantas, para que a vida nelas se renove e com maior beleza e vigor nasçam novas folhas, novos frutos.
 Nós também e nossas comunidades precisamos de momentos de poda, de limpeza, de purificação, que nos propiciem a renovação da vida espiritual, que liberem o caminho para a seiva de amor que nos sustentem. Tal ocasião ocorre, de maneira privilegiada, na Páscoa semanal, celebrada a cada domingo, dia do Senhor. Na celebração eucarística, a Páscoa de Cristo realiza-se em nós e nossa Páscoa se realiza em Cristo, pois Cristo entregou-se ao Pai por nós e nós, com Cristo, nos oferecemos ao Pai.
Na continuação do capítulo 15 de são João, cujo início lemos hoje, Cristo explicita: "Este é o meu mandamento, amai-vos uns aos outros como eu vos amei". A seiva que perpassa os ramos distribuindo-lhes vida é o amor, ela nutre a vida do cristão. Enquanto ela continuar a atingir os ramos, estes continuarão a produzir e a multiplicar a presença de Deus entre os seres humanos. Assim, enquanto permanecemos unidos a Cristo, continuamos a receber a seiva do amor e, ao receber essa fonte de vida, podemos frutificá-la, isto é, pelo fruto de nossos bons atos, levá-la às outras pessoas.
Para que as pessoas melhor compreendessem quem Ele era, Cristo recorria a figuras do cotidiano, por isso atribui-se diferentes imagens: caminho, luz, videira. No Evangelho deste domingo, Ele retoma a imagem da videira: "Eu sou a videira, vocês os ramos". Utilizando-se dessa comparação, Ele apresenta um forte desafio: "Fiquem unidos a mim e eu ficarei unido a vocês". Tal desafio é proposto, hoje, a cada um de nós. Queremos, efetivamente, ser ramos unidos à videira? Que temos a fazer para não sermos cortados como ramos imprestáveis? A resposta, apresentada por São João nos capítulos 13 a 14, vem-nos do próprio Cristo: fazer o que Ele fez. Isso significa cumprir seus mandamentos, o maior dos quais explicita: "amai-vos uns aos outros". A essência do Evangelho de hoje nos remete, portanto, à questão de como estamos amando nosso próximo no cotidiano de nossas vidas. O apóstolo João adverte-nos: "Não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!". Mas cuidado! Não façamos confusão entre amar com ações e ativismo. Ações, aqui, adquirem o significado de construir o Reino de Deus, que se realiza pelo fazer e também pelo contemplar, duas dimensões complementares.
 Como ramos produtores de bons frutos, possamos ajudar que a Igreja de Cristo realize, hoje, o que realizava nos primeiros tempos: "Consolidava-se e progredia no temor do Senhor e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo".
A Palavra se faz celebração
Toda metáfora guarda os seus limites, também a metáfora Fo Evangelho não detalha toda a nossa relação com Deus. É preciso pensar que, ao nos ligarmos com Cristo, estaremos também ligados aos demais ramos dessa videira., isto é, os irmãos e irmãs. Entretanto, nem sempre as relações na comunidade são lineares e fluem como deveriam. Os ramos, em contínuo cuidado (recebendo a seiva e as podas...), ainda que ligados a Cristo, estão em processo de crescimento, amadurecimento e produção de folhas e frutos. Entrar na comunhão com a videira significa admitir o ritmo alheio, reconhecer falhas (pessoais, dois irmãos e do grupo) e desejar permanecer unidos nesse corpo que, mesmo com fragilidades e contradições, continua ligado ao Senhor. Entrar na comunhão dos ramos significa também desejar incluir os que estão de fora e entender que são diferentes os níveis de participação. Muitas vezes temos dificuldade de acolher o "diferente".
Alguns são muito de dentro, pois no seu processo amadurecem assim. Outros, não tão de dentro, amadureceram de outra forma que não aquela costumeira. A Videira que é Cristo tem para esses ramos outros alcances que nem conseguimos ver... Nem todo mundo precisa ser de dentro da Igreja (pastorais, coordenação e grupos). A extensão da Videira exige que tenhamos irmãos e irmãs nos hospitais, nas escolas, na política, na cultura, nas ONGS e no mundo do trabalho. Lá também se alastram e frutificam os ramos da única Videira que é Cristo. Importa que sempre encontrem, na comunidade, um porto onde ancorar, um "lugar" para nutrir sua fé e sua missão.
Ligando a Palavra com a ação eucarística
A comunidade cristã é o lugar privilegiado para o encontro com Cristo, "a verdadeira videira", da qual somos os "ramos". É no âmbito da comunidade que celebramos e experimentamos - no batismo, na eucaristia, na reconciliação - a vida nova que brota de Cristo. A comunidade cristã é o corpo de Cristo e um membro amputado do corpo é um membro condenado à morte... Por vezes, a comunidade crista, com as suas misérias, fragilidades e incompreensões, decepciona-nos e magoa-nos; sentimos que a comunidade segue por caminhos nos quais não nos revemos... Surge, então, a tentação de nos afastar, de vivermos a nossa relação com Cristo à margem da comunidade cristã. Contudo, não é possível continuar unido a Cristo e receber a vida de Cristo, em ruptura com os nossos irmãos e irmãs na fé.
 A cada domingo, nos reunimos em assembléia pra celebrar, com alegria, a Páscoa do Senhor, e com maior júbilo o fazemos neste solene Tempo Pascal.
Hoje, conforme expressa o oração do dia, queremos pedir a Deus, Pai de bondade, que nos conceda a sua herança eterna e nos conduza à verdadeira liberdade. Ao orar sobre as oferendas, o padre, em nome da assembléia, completa esse pedido e solicita que o Pai conceda "que sejamos fiéis por toda a vida". Na oração após a comunhão, completamos nossos pedidos, requerendo que Deus permaneça entre nós e que, por sua bondade, possamos passar "da antiga à nova vida", à vida de plenitude que Cristo nos garantiu ao destruir a morte por seu sacrifício na Cruz.
Neste domingo, portanto, nossas orações seguem uma linha de súplica, de petição. Pedimos a liberdade, a herança, ser fiéis, passar para a nova vida com a intenção de sermos um ramo que permanece unido à videira e, assim, de muito fruto.
 Possamos, nesta celebração do mistério pascal, renovar nossa ligação com Cristo e a seus mandamentos e expressar, por nossas preces, "sim, eu quero ser ramo que permanece unido e purificado pelo Pai, dar muitos frutos".
padre Benedito Mazeti



1 – Prestemos atenção à força e luminosidade das palavras de Jesus no Evangelho deste domingo:
“Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor… Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer... Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos”.
No domingo passado, Jesus apresentava-Se como o Bom Pastor, Aquele que cuida de todo o rebanho e conhece cada ovelha pelo seu nome, Aquele que dá a vida, por opção livre, testemunhando na Sua carne, com toda a Sua vida, o amor de Deus. Esse é o Seu alimento. Há de ser também o nosso. Alimentar-nos de Deus, da Sua Palavra, da Sua presença, do Seu Espírito de Amor. Só em comunhão estreita com Ele daremos fruto em abundância.
Hoje Jesus utiliza uma imagem igualmente feliz e expressiva. Ele é a videira, nós os ramos. Os ramos – todos os discípulos – só produzirão fruto se ligados à vide. Se cortados, ou “desligados” da videira, se não lhes chegar o “alimento” que percorre a cepa, os ramos secam, serão cortados, servirão para queimar. O fruto produzido atesta a ligação. A fé é o ponto de partida, o sustento e a chegada; são as obras, contudo, que mostram até que ponto a “ligação” a Deus é efetiva.
As palavras de Jesus convocam-nos para uma vida comprometida com os outros, neste tempo e no lugar em que nos encontramos. Dar fruto para verificar a fé. Dar muito fruto para ser mais forte a nossa ligação a Deus e a nossa comunhão com os outros. Dar fruto para fortalecermos a nossa filiação divina.
2 – As missivas dos apóstolos, às primeiras comunidades cristãs, têm a preocupação de avivar a fé e a pertença a Cristo, como cabeça da Igreja, o estreito seguimento do Mestre e do Seu jeito de viver e de amar. Neste sentido, a urgência de transformar a fé em obras concretas de amor, de serviço e de partilha. Os ramos bem unidos à videira darão frutos em abundância!
A fé desligada da vida, da história e do tempo, seria artificial, vazia, condenada ao fracasso. A fé em Jesus Cristo conduz-nos aos outros, ao mundo, à transformação das realidades temporais, envolve-nos na promoção do bem, na prática das obras de misericórdia (corporais e espirituais), expressão da caridade que é o próprio Deus.
Diz-nos são João, na sua primeira carta: “Não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade… É este o seu mandamento: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou. Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele”.
Por mais argumentos que tenhamos sobre a fé que possuímos, esta é verificável pela nossa vida. Amemos com obras e em verdade, não apenas com palavras. Estas têm valor e espaço quando confortam, abençoam, acolhem, protegem, interpelam, como expressão da caridade. É contraproducente pregar a estômagos vazios. As palavras não excluem o serviço, promovem-no; não impedem a caridade, incentivam-na. O mandamento é acreditar em Jesus Cristo como filho de Deus, a fé, e amar-nos uns aos outros, a caridade. É a nossa ligação a Deus que põe em evidência e fortalece a nossa ligação aos outros. O alimento de Jesus é fazer a vontade de Deus. Para isso Ele vai ao encontro de todos, mas sobretudo dos que têm mais necessidade de cura, de atenção, de acolhimento, do pão e da paz.
3 – A vivência da fé engloba duas dimensões que se completam, a pessoal e a comunitária. Com efeito, cada pessoa, única e irrepetível, acolhe a fé “à sua maneira”. Não conta apenas o conteúdo, também o recipiente, e nem todos são iguais. Mas a fé é cristã, é referida a Cristo, é a fé de Cristo, a fé do Corpo de Cristo que é a Igreja. Nós somos membros, somos os ramos da videira, só produzimos fruto de qualidade e abundante se estivermos ligados à verdadeira vide. A fé sem obras é morta. A fé desligada da comunidade crente é uma contradição, uma farsa. A fé (como a religião) liga-nos a Deus e aos outros.
A primeira leitura dá-nos conta do percurso de são Paulo, da conversão até à comunidade-mãe, Jerusalém, e como procura integrar-se antes de qualquer outra missão. Barnabé, por sua vez, torna-se seu padrinho, garantindo aos apóstolos que Saulo/Paulo não é uma ameaça mas um apóstolo entusiasta de Jesus.
“Saulo chegou a Jerusalém e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos o temiam, por não acreditarem que fosse discípulo. Então, Barnabé tomou-o consigo, levou-o aos Apóstolos e contou-lhes como Saulo, no caminho, tinha visto o Senhor, que lhe tinha falado, e como em Damasco tinha pregado com firmeza em nome de Jesus”.
Numa altura em que a Igreja goza de paz e é benquista por todos, Paulo dá testemunho de Jesus Cristo e da forma como se “converteu”. No entanto, bem cedo Paulo começa a ser perseguido pelos helenistas que querem dar-lhe a morte. A comunidade protege-o e envia-o em nova missão, para outras comunidades cristãs.
Movidos e inspirados pelo Espírito Santo, procuremos que a nossa fé se aprofunde na prática da caridade e inserida na comunidade paroquial. Ramos que se ligam à videira. Cristãos unidos a Cristo. Fé projetada e comprometida com a vida e com os outros.
padre Manuel Gonçalves



Eu sou a videira, vós os sarmentos
1ª leitura: Atos dos Apóstolos 9, 26-31
O perseguidor é perseguido
1. A primeira leitura apresenta-nos Paulo que, depois da sua conversão, volta a Jerusalém. Sabemos, pelo próprio Paulo (Gál1,16-24) que se deu nos três anos seguintes a uma estada na Arábia (para onde se retirou para repensar a sua vida) e o seu ministério em Damasco onde tinha tido lugar a sua conversão. Mas Lucas está muito interessado em estabelecer rápida comunicação entre Paulo e os Apóstolos (assumindo Barnabé a condição de anfitrião) para mostrar a comunhão de todos na pregação do Evangelho. Lucas está a preparar as coisas para, a pouco e pouco, deixar Paulo como protagonista dos Atos, como aquele que há-de levar o Evangelho até aos confins da terra. O relato dos Atos, como o que há-de levar o Evangelho até aos confins do mundo. A narrativa de Lucas deixa muitas pontas soltas, do ponto de vista histórico. Paulo – que veio a Jerusalém para "ver" Pedro, segundo nos confessa o próprio no referido texto dos Gálatas – teve a oportunidade de verificar que os judeo-cristãos não se fiam nele. Os judeus helenistas, como sucedeu com Estevão, provocaram uma altercação que poderia ter-lhe custado a vida. Por isso o encaminharam para Tarso, para a assembléia apostólica (At. 15). Lucas insiste muito, talvez demasiado, na comunhão de Paulo com os de Jerusalém.
2. No texto de hoje é importante salientar que Paulo, o perseguidor, teve no caminho uma experiência do Senhor Ressuscitado, tal como tiveram os apóstolos e outros e está na disposição de anunciar a Ressurreição, inclusive na mesma sinagoga onde foi responsável pela acusação de Estevão. É este aspecto que interessa sobretudo a Lucas: se Estevão foi abandonado no meio pelos interesses "religiosos" dos responsáveis, Deus chama outro (nada menos do que o anterior inimigo do Evangelho), Saulo, para anunciar a Ressurreição e levar a mensagem a todos os homens. A Igreja, os discípulos não tinham, no entanto, ainda recebido o nome de cristãos, como sucederá em Antioquia. Será na perseguição e no sofrimento que eles se vão fortalecer. Mas a mensagem da vida, como coração do anúncio da Ressurreição, há-de transformar o mundo.
2ª leitura: 10 de João 3,18-24
O amor aos irmãos, critério de consciência
1. A segunda leitura fala-nos da praxis do amor e da verdade. A vida cristã não pode ser resolvida pela ideologia que se mantém na cabeça, mas sim o que se vive com o coração. Para a Bíblia, o coração é a sede de todas as coisas, do pensamento, e da ação, e é o coração que nos julga, o que diz se o nosso cristianismo é verdadeiro ou pura ideologia. É a sede da consciência e não podemos enganar-nos A verdadeira religião começa como sendo uma questão de fé, mas, na praxis, mostra-se uma vida em que se crê e deve levar a cabo; de contrário, não haveria fiabilidade.
Evangelho: João 15,1-8
Cristo videira donde emana a vida.
1. O Evangelho de João oferece-nos um desses discursos chamados de "revelação", porque neles este evangelista nos revela quem é o Senhor. É enumerado entre os famosos "Eu Sou" do Evangelho de João (o Messias 4,26; o Pão da Vida 6,35.41.48.51; a luz do mundo 8,12; 9,5; a porta das ovelhas 10,7.9; o Bom Pastor 10,11.14; o Filho de Deus 10,36; a Ressurreição 11,25; O Senhor e o Mestre 13,13; o caminho 14,6; a Verdade 14,16; A Vida 11,25; 14,6; o Rei dos Judeus 19,21. Assim foi construída, de algum modo, uma "cristologia" e um grupo de discípulos em exclusividade. Aqui, neste discurso, Jesus apresenta-se com uma imagem que era tradicional na Bíblia, a da vinha. Conhecemos um canto da vinha no profeta Isaías (c. 5) que contém umas constantes muito peculiares: a vinha era o povo de Deus. Sabemos que a vinha é composta de muitas cepas, mas a vinha não deu bom fruto, é um fracasso, deve ser arrancada. É este o canto de Isaías. Irá Deus arrancá-la? Devemos dizer que desde a teologia joânica, a resposta a esse canto é diferente; não é necessário que Deus a arranque: agora Jesus vai apresentar-Se como a chave que cura para que a vinha produza bons frutos. Ele apresenta-Se como a vide, e todos os homens como os sarmentos para que seja possível dar bons frutos.
2 Mas, escutando a sua "Palavra", os sarmentos terão seiva nova, vida nova e então levarão a cabo as obras do amor. Porque não podemos permanecer fora d'Ele, da sua Palavra, dos seus mandamentos, Respira-se, portanto, uma grande segurança face ao ato de cercear e arrasar. Jesus está convencido de que permanecer n'Ele é uma garantia para dar frutos. O "permanecer" n'Ele, o viver da sua palavra, dos seus mandamentos, da sua luz, da sua vida fará com que a vinha, o povo de Deus volte a ser o povo da sua verdadeira aliança. Com isto se complementa o ensino da epístola na qual se propõe aos discípulos.
3. A fórmula "Permanecei em mim e eu em vós", muito característica deste evangelista, define a relação do discípulo com Jesus e é condição indispensável para dar fruto. A transformação teológica que se opera a partir da imagem da vinha de Israel e esta proposta simbólica do Evangelho de João é muito especial. Uma vinha é composta de muitas cepas que, uma a uma, têm a sua vida própria e não têm comunicação entre si. No caso da simbologia da vinha de João, a cepa, que é Jesus, faz com que os sarmentos estejam unidos à cepa, a Jesus. Como Jesus é a vida e a luz e o Filho, estão, por conseguinte, unidos a Ele. Estarem unidos a Ele é ter Vida.
4. Estaremos perante um conjunto de discípulos ou de uma comunidade intimista, como alguns defenderam? Não podemos negar que o Evangelho de João é deste teor. Seguir Jesus não se expressa da mesma maneira, como, por exemplo, em Lucas, para quem é segui-l'O "pelo caminho" Os discursos e as fórmulas de revelação do "Eu Sou" desta teologia joânica não deixam outra opção. É bem verdade que tal não significa que "exclusividade" de Jesus, o Filho de Deus, não permita que essa luz de Jesus e essa vida que Ele trouxe, precisamente, se converta num círculo de discípulos elitistas ou excludentes. A luz e a vida que Jesus trouxe têm muitas formas de se manifestarem e de se tornarem presentes. Mas não se trata, de forma alguma, de exclusivismo, antes de confiança; a confiança de que em Jesus e com Jesus, o Senhor, encontraremos a vida verdadeira.
fray Miguel de Burgos Núñez
tradução de Maria Madalena Carneiro





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