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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 29 de maio de 2018

9º DOMINGO DO TEMPO COMUM




9 º DOMINGO DO TEMPO COMUM 03   de Junho – Ano B Evangelho Mc 2,23-3,6



-A LEI DO SÁBADO-José Salviano



  Este Evangelho relata dois episódios nos quais Jesus enfrenta os judeus.  Continuar lendo


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“O FILHO  DO HOMEM É SENHOR TAMBÉM DO SÁBADO.” – Olivia Coutinho
9º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia 03 de Junho de 2018
Evangelho de Mc2,23-3,6

Sem uma intimidade profunda com Deus, não tem como viver as alegrias da fé! E são muitos, os que não vivem esta alegria, por estarem submetidos a radicalidade religiosa, imposta pelos os seus líderes, que ao contrário do líder Maior, que é Jesus, escraviza as pessoas.
São muitas as religiões cheias de proibições, cujo líderes intimidam  os fiéis, passando-lhes a imagem de um Deus vingativo, de um Deus que está sempre a espreita, pronto para pegá-los em alguma suposta falha!
Não podemos esquecer: Deus é só amor, Ele só quer nos amar e nunca nos castigar!
A verdadeira religião, não impõe, não escraviza, ela apresenta valores, que vão levando as pessoas a uma maturidade na fé, deixando-as livres para fazerem  suas escolhas.
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos fala de mais dois momentos conflituosos  entre os fariseus e Jesus, desta vez,  a respeito da observância do sábado.
Embora conhecedores das Escrituras, os fariseus, na prática, estavam bem distante do amor propagado por Jesus: o amor que gera vida!
As autoridades religiosas do tempo de Jesus, não tinham  compromisso com a vida, colocavam pesados fardos nos ombros das pessoas, leis, rituais que deveriam ser cumpridas rigorosamente, como o Jejum, ritos de purificação, observância do sábado e tantas outras regras que eles mesmos criavam, nos sentido de oprimir o povo.
No primeiro momento, a  narrativa deixa claro, que os fariseus queriam pegar Jesus num casuísmo legal, já que, o fato dos discípulos estarem apanhando espigas de trigo, para saciar a fome, não lhes poderia ser atribuído como roubo. Determinados a escandalizar Jesus, eles procuraram, outra forma de incriminá-lo, alegando que os seus discípulos, estavam infligindo as leis que proibiam o trabalho em dia de sábado, desconsiderando assim, a necessidade de sobrevivência deles.
Ao ser criticado pelos Fariseus, em nome da Sagrada escritura, Jesus responde estas criticas, com a própria escritura: “Por acaso nunca lestes nas escrituras o que Davi e seus companheiros fizeram quando passara necessidade e tiveram fome?...”Mc 2,25-26
No segundo momento, Jesus, ao entrar numa sinagoga  em dia de sábado,  vê um homem  com uma deficiência na  mão. Antes mesmo de Jesus aproximar-se deste homem, alguns fariseus, já estavam de olho Nele, pois eles sabiam Jesus  iria fazer algo a seu favor, o que seria proibido em dia de sábado. Mas Jesus não se intimida,  não cumpre esta lei humana, e sim, a lei do amor, que independe  do  dia ou da hora, para  ser cumprida. Ao curar aquele  homem, Jesus assina de vez  a sua sentença de morte, pois foi a partir deste episódio, que os fariseus  e partidários  de Herodes se uniram para arquitetar um plano para mata-lo.
Em todos os seus ensinamentos,  Jesus sempre deixou claro que a vida tem que estar em primeiro lugar, acima de tudo, portanto, a necessidade de sobrevivência e a inclusão,  estão acima de toda e qualquer lei! A única lei que não pode ser descumprida em hipótese alguma para Jesus é a lei do amor. 
Não é difícil perceber, que até nos dias de hoje, presenciamos situações semelhantes as que Jesus viveu.  
O legalismo é um instrumento de alienação e opressão, que tem como objetivo, desviar a atenção do povo, tirar-lhe o foco. Enquanto o povo se ocupa com os pormenores, com a observância  exagerada de  leis, os que detém o poder, sentem-se livres para praticarem seus atos ilícitos.
Quando ficamos  presos na observância exagerada de normas, no cumprimento de rituais, não captamos a mensagem principal de Jesus, que é um convite a vivermos no amor!
Quem se ocupa com os pormenores, não vê o belo da vida, não vive as alegrias da fé!
As leis de organização social e religiosa, só podem ter sentido, se forem elaboradas em favor da vida. E Jesus, veio para libertar e fazer desabrochar a vida.  Toda lei que  é contrário a vida, não tem o aval de Jesus.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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“em dia de sábado”
Neste Evangelho Jesus quer nos ensinar a colocar a caridade como lei primeira nas ações da nossa vida. Toda lei que tira do homem o direito de viver com dignidade, de prover a sua existência e sobrevivência é maldita e não está conforme a vontade de Deus. Às vezes nos bitolamos aos preceitos, às regras e não percebemos que estamos sendo injustos e infratores da Lei de Deus. A lei que Deus imprimiu no nosso coração é a lei do amor, portanto, o que nos faz mal e prejudica a nossa vida é justamente, o desamor. Tudo o que não é regido pelo amor e não tem como objetivo a vivência do amor, não é eficaz para o nosso crescimento. O homem é a criatura a quem Deus mais tem apreço e todas as coisas foram criadas para ele, por amor. Tudo o que Ele criou foi em favor do homem, objeto do Seu Amor, portanto, dizer que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” significa que a nossa sobrevivência e a caridade conosco mesmos (as) e com os nossos irmãos estão acima das normas que, apesar de estabelecidas para o homem, muitas vezes se voltam contra o próprio homem. Jesus é o Senhor de tudo o que foi criado, e, tudo foi criado por Ele, por amor ao homem. Os campos de trigo, os rios, os mares, as aves, as árvores existem para estar à disposição do homem a fim de que este perceba o olhar e a atenção de Deus para si. Jesus, Senhor da criação, é o Senhor do sábado, porém, Ele precisa ser também Senhor dos nossos “sábados”, isto é, daqueles dias em que nós não achamos conveniente servir a alguém ou “perder” o tempo de lazer ou de trabalho para dar de comer a alguém que está com fome. O dia de sábado a que Jesus se refere pode ser também para nós aquele dia que nós destinamos para o nosso deleite, para curtição, para realizar os nossos planos pessoais e, sem menos esperar somos convocados para alguma outra missão. Aí nós alegamos a nossa impossibilidade porque “hoje é sábado” e o sábado está destinado a outras experiências. Neste caso a lei do amor ficou de lado e imperou em nosso coração a lei do egoísmo e da indiferença. Reflita – Jesus é o Senhor dos “sábados” da sua vida? – Você tem alimentado a alguém necessitado em “dia de sábado”? – Você é capaz de sacrificar um dia de lazer e de descanso para ajudar a algum discípulo de Jesus? – Em Nome de quem você tem feito caridade? – O que você aprendeu mais com esse Evangelho?
Helena Serpa

 No evangelho de Marcos podemos observar que Jesus rejeita as tradições antigas de Israel, e as críticas que Jesus faz aos chefes religiosos por suas ideologias opressoras, excludentes e desumanas, que eram impostas pelas elites religiosas das sinagogas e de Jerusalém, que oprimiam o povo. E Jesus veio abrir o caminho da liberdade para o povo oprimido e garantir a vida plena a todos.
        E os discípulos de Jesus, no evangelho de hoje, colhem milho em um dia sábado para se alimentarem, pois estavam com fome. Com essa atitude eles abrem caminho para vida, contrário a Lei e ordem religiosa opressora imposta na época. E ao verem os discípulos colherem  milho no sábado, os fariseus acusavam Jesus e seus discípulos de não observarem o repouso no sábado. E Jesus responde recordando o que aconteceu com Davi e seus companheiros, quando fugiam de Saul, estando eles com fome entraram no templo e comeram os pães  consagrados do santuário, que era permitido somente aos sacerdotes fazerem isso. E Jesus termina dizendo: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado."
        Observando atentamente, está claro que tanto os discípulos de Jesus, como Davi em seus homens, deixaram de observar a lei por necessidade, e não por uma atitude leviana. Lembrando que naquele tempo, o povo oprimido, por necessidade não observava, não cumpria a Lei, então era considerado impuro e pecador. Porém, os sacerdotes, as elites religiosas, não sofriam a imposição da Lei. E Jesus com toda sua liberdade, coloca o homem, a mulher em primeiro lugar, acima de qualquer lei que impeça a vida, e a dignidade.
        Amigo, amiga, Jesus abre caminho para liberdade, nos tirando a culpa e o pecado, mesmo com críticas, difamações e ameaças dos fariseus que queriam permanecer no poder explorando e oprimindo os humildes. Ele nos deu liberdade para segui-Lo com amor, e assim "abrir os caminhos do direito da justiça e assim alcançar a paz no mundo". Jesus nos ensina a prática da religião com bom senso, criticando quando as tradições religiosas e suas práticas se chocam com o direito da vida.
        Um abraço a todos.

Oração:
Espírito de bom senso. Livra-me de praticar um tipo de religião muito fiel às tradições humanas, mas pouco conforme ao  querer do Pai. Amém.

Mª Elian.





O MEU PAI TRABALHA TODOS OS DIAS Mc 2,23-28
A+A-
O Evangelho de hoje traz algo que nós evitamos aprofundar sobre o assunto: Jesus transgrediu alguma regra? Pois é, Ele se colocou acima da tradicional regra de que o sábado é o dia do descanso. E isso é um fato que precisamos aprofundar hoje… Será que estamos seguindo alguma regra que nos impede de seguir a maior de todas as regras?
A tradicional regra do sábado impunha que ninguém deveria trabalhar neste dia, já que foi o dia escolhido por Deus, desde a criação do mundo, para o descanso. Os judeus levavam isso tão à sério que foram criando regras cada vez mais rígidas para o sábado. Eles instituíram uma distância máxima que era permitido caminhar, proibiram o uso de sandálias que precisassem amarrar as correias, e nem os curandeiros podiam trabalhar, a não ser em caso de risco de morte.
O sábado foi instituído e oferecido ao homem como algo muito precioso, como um bem, um favor divino. Figueiredo traduz: “O sábado foi feito em contemplação do homem”. O sentido evidente é que o sábado foi instituído para o bem estar físico, moral e espiritual das criaturas humanas. O sábado é assim uma instituição a favor do homem, em seu benefício, uma bênção grandiosa. Só uma perversa distorção do texto poderia levar à conclusão de que o sábado deva ser considerado contrário ao homem.
Deus não criou o homem porque Ele tivesse um sábado necessitando ser guardado por alguém. Ao contrário, criara primeiro homem , e depois o sábado para atender-lhe às necessidades de repouso e recreação espiritual. Assim o sábado lhe seria uma bênção e não uma carga. O farisaísmo dos dias de Cristo obscurecera o verdadeiro caráter do sábado. Os rabinos o acumularam de exigências esdrúxulas que o tornaram um fardo quase insuportável. A atitude de Cristo para com o sábado foi a de escoima-lo desses acréscimos, devolvendo-o à prístina pureza. A atitude de Cristo para com Seu santo dia foi de reverência e não de desprezo.
As regras foram ficando tão estapafúrdias que deixaram de lado a razão e o bom senso. Jesus chegou para abalar essas regras que desvirtuavam o sentido original do dia de descanso. “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado.” Com essa frase Ele resume o que a nova lei, que Ele veio instituir, pensa a respeito do “dia de descanso”. O sábado não está acima do nosso dever maior que consiste em fazer o bem às pessoas da mesma forma que nós gostaríamos que elas nos fizessem bem. E nessa frase você pode trocar o “fazer o bem” por amar, perdoar, acolher, ajudar, compreender, sorrir, entender, porque essas são as atitudes de quem na verdade imita e segue o Mestre do Amor que Jesus. Pois se vos amardes uns aos outros o mundo vos reconhecerá que sois meus discípulos. E São João nos diz que Deus é amor, quem ama permanece em Deus.
Pensemos então nas regras que aprendemos a seguir sem pensar, e lembremo-nos que nenhuma delas está acima da maior de todas: a Regra do Amor. E o amor não tem dia nem hora. Todos os dias e horas são propícios para a prática do amor. Não podemos ter alguma dívida contra o próximo a não ser a dívida do amor.
Portanto, o amor é o caminho que abre a prática da liberdade em relação às restrições legais religiosas que ofusca a vida do povo. Ele é o caminho da vida, na contramão da ordem do poder opressor e desumano.
Como cristãos somos chamados a abrir caminhos que para, pelo e por amor rompam as cercas levantadas pelo sistema do poder, que gera ódio, vingança, injustiças, fome e morte de todos os homens e mulheres. E nesta luta não temos dia nem horas. O nosso Guia nos disse: Meu Pai trabalha todos os dias e eu também trabalho. Assim, sendo, não temos que procurar descanso, a não saber que fazemos a santa vontade de Deus.
Senhor Jesus ensinai-me a ser generoso, a servir-Vos como Vós o mereceis. A dar-me sem medias, a combater se cuidar das feridas. A trabalhar sem procurar descanso. A gastar-me sem esperar outra recompensa. Senão saber que faço a vossa vontade santa. Amén!
Canção Nova



O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Pe. Queiroz

Este Evangelho narra a cena dos discípulos de Jesus, em um sábado, arrancando espigas de trigo e comendo, porque estavam com fome. Diante do protesto dos fariseus, pois era proibido trabalhar no sábado, Jesus justifica a atitude, apresentando outro caso em que Davi desobedece à outra lei ainda mais rigorosa, pelo mesmo motivo: ele e seus companheiros estavam com fome. E arremata: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”.
O ensinamento de Jesus é claro: A vida humana está em primeiro lugar. O direito à vida precede quaisquer leis, mesmo as leis religiosas mais sagradas.
Segundo a Mishná, que era uma recopilação das tradições rabínicas, trabalhar na colheita era uma das trinta e nove maneiras de violar o sábado. E os fariseus elevaram esse gesto de colher espigas para comer, como um trabalho formal de colheita! Mas a reação de Jesus foi clara e enérgica. Superando as discussões de escolas, ele partiu para a defesa da vida.
E Jesus apresentou o exemplo de Davi e seus companheiros que, para saciar a fome, desobedeceram a uma lei muito mais sagrada: comeram os pães consagrados, que só os sacerdotes podiam comer (Cf 1Sm 21).
“O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”, diz Jesus. Esta foi a intenção do legislador da lei do sábado: a necessidade que o homem tem de descansar. Foi uma lei feita para celebrar a libertação da escravidão egípcia, e não havia tempo de descanso (Cr Dt 5,12; Ex 20,8). Portanto, a lei do sábado era uma lei de liberdade, não de escravidão.
E, para concluir, Jesus, referindo-se a si mesmo, fala: “O Filho do Homem é senhor também do sábado”. Todo o Antigo Testamento, ao se referir ao Messias, fala que ele é “O Senhor”. Ele é o Senhor de tudo, inclusive do sábado. Portanto, pode modificar ou esclarecer a lei.
Em todo o episódio, sobressai a vida humana como valor maior a ser protegido e defendido. O homem deve obedecer à lei do sábado só e enquanto protege a vida humana. Se acontecer, como nesta cena do Evangelho, de esta lei se voltar contra o homem, desviou-se de sua finalidade e não obriga ao seu cumprimento.
É farisaísmo tentar ganhar a salvação, absolutizando ou sacralizando leis. Neste caso a lei se transforma de libertadora em escravizante. O único sagrado, depois de Deus, é o próprio homem, pelo qual Cristo morreu.
“A lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo (Jo 1,17). O cristão sabe sua única lei e o seu único Senhor é Jesus Cristo. Cristo foi o sim total a Deus, e o seu discípulo deve seguir o seu exemplo. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
Certa vez, em um curso de batismo, um professor perguntou aos pais e padrinhos por que queriam batizar seu filho ou afilhado. As respostas foram as mais variadas.
Um deles disse: “É porque todo mundo batiza”. Esse vai na onda; o que os outros fazem ele faz também.
Outro respondeu: “É porque eu fui batizado”. Quer dizer que, se fizeram uma coisa errada com ele, quando criança, ele vai fazer agora com as outras crianças?
Houve outro que falou: “A gente batiza porque não presta ficar pagão”. Esta resposta é supersticiosa, porque a expressão “não presta” significa aí: “dá azar”.
Claro que houve também respostas bonitas e acertadas.
Pelo batismo nós nos tornamos continuadores de Cristo no mundo, seguindo-o como o nosso caminho, verdade e vida.
Maria Santíssima é a mãe de vida, porque nos deu Jesus que é a Vida. Que ela nos ajude a colocar a vida humana acima de tudo.
O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado.

Padre Queiroz


O FILHO DO HOMEM É SENHOR DO SÁBADO Mc 2,23-28
A+A-
Marcos inicia seu Evangelho com o anúncio de João Batista que vem “preparar o caminho” de Jesus. Agora, os discípulos de Jesus começam a “abrir caminho”. Marcos, na primeira parte de seu Evangelho, coloca a “casa” como o lugar de formação e convívio das comunidades envolvidas pelo ministério de Jesus. Na segunda parte, quando vai se encerrando o ministério ao redor da Galiléia, o destaque é o “caminho” para Jerusalém, onde se dará o confronto final com os chefes do Templo.
Ao longo do ministério na Galiléia e vizinhanças, fica caracterizado o confronto com os chefes das sinagogas locais pelas infrações às regras de pureza, pela observância sabática, pelo jejum e pelo convívio social, bem como pela promulgação do perdão dos pecados. Jesus, por sua prática, revela que a necessidade está acima da Lei.
O que Jesus e os discípulos estavam fazendo em Marcos 2,23 seria perfeitamente lícito aos olhos dos fariseus se não fosse realizado no sábado (Deuteronômio 23,25). A Tradição oral determinava minuciosamente o que podia e não podia ser feito aos sábados. Havia até uma lista de 39 verbos (trabalhos) que não podiam ser feitos naquele dia. Quatro destes verbos (colher, debulhar, limpar e preparar) eram descrições de que os discípulos estavam fazendo ao comer.
Jesus combateu a tradição judaica muitas vezes, especialmente as tradições com respeito ao sétimo dia. Há uma grande quantidade de situações onde Jesus entrou em choque com os judeus nesta questão (Mc 3,1-6; Lc 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-9; 16-17; 7,22; 9,1-14). A seita dos chamados essênios, por exemplo, proibia claramente que um homem tirasse de uma cisterna ou fosso um animal que ali tivesse caído (Documento de Damasco, 11.13-14). Jesus, e até mesmo a maioria dos judeus, achava isto um absurdo (Mt 12.11; Lc 14,5, também 13,15).
O Mestre citou o exemplo de Davi em 1Sm 21,1-6 para chamar atenção dos seus opositores ao fato que nem tudo pode ser resumido ou explicado pela tradição rabínica. Davi comeu os pães da proposição (Lv. 24,5-9) numa situação de perigo de vida e não foi punido por isto. De fato, este evento ocorreu num sábado, dia no qual os pães eram retirados do tabernáculo, substituídos por outros e disponibilizados aos sacerdotes para seu alimento. Tal fato não prova que os pães da proposição podiam ser comidos por qualquer um; pelo contrário, a exceção prova a regra. Quebrar a lei de Deus quando houver necessidade não é o que Jesus ensina aqui. O que fica provado é que o modo rígido e legalista dos fariseus de interpretar a Lei não explicava tudo (Mc. 2,25 – 26).
De fato, Davi só comeu os pães da proposição impunemente por ter Deus concedido a ele esta prerrogativa naquele momento. De uma forma similar, Jesus tem prerrogativas e autoridade superiores às da Tradição e da própria Lei judaica. Jesus está dizendo: “Se Davi teve autorização para quebrar o protocolo, muito mais o Senhor de Davi pode fazê-lo”.
Mateus ainda menciona o caso dos sacerdotes judaicos que trabalham no templo em pleno sábado (Mt 12,5-7). Se o serviço no templo exige a suspensão da lei do sábado para alguns, a obra de Jesus exige a suspensão da mesma lei, pois Jesus é maior que o templo (Mt 12,6). Se o templo era maior que o sábado e se Jesus era maior que o templo, certamente era maior que o sábado, um dos grandes preceitos da Lei.
Em tudo isto, pode-se notar também que há prioridades dentro das prescrições da Lei e que há momentos em que um princípio maior supera outras regras menores. A citação de Os 6,6 aponta nesta direção. O ritual não é maior que a fidelidade; a Palavra do Cristo era maior que o ritual do sábado.
O provérbio “O sábado foi estabelecido (feito) por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” é peculiar a Marcos, não sendo retomada por Mateus e Lucas. É difícil saber o motivo da omissão da frase nestes dois Evangelhos. O interesse pode ser simplesmente o de resumir Marcos, gerando espaço para introduzir outros materiais. Este é o costume de Mateus e Lucas. Outro motivo seria o de eliminar qualquer ambigüidade ou mau uso da frase nas comunidades receptoras das obras, embora seja muito questionável e difícil imaginar quais seriam estes maus usos do provérbio.
Mateus e Lucas, ao omitirem o provérbio que estamos estudando, colocaram toda a ênfase do episódio na frase: “O Filho do Homem é Senhor do sábado” (Mt. 12,8 e Lc. 6,5). Lucas, inclusive, por não mencionar (como faz Mateus) a questão do serviço do templo, faz com que o leitor seja claramente induzido a entender a comparação que Jesus fez de si mesmo com Davi. Observe que Jesus, como Davi, era o ungido de Deus, que agia sob orientação divina e por causa disto tinha grande autoridade.
“O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” é uma clara alusão à criação. Jesus usa o verbo na chamada voz passiva (‘foi feito’) para designar a ação de Deus. o Senhor criou o homem no sexto dia e estabeleceu o sétimo como dia de repouso.
A própria ordem da criação indica que o homem era o alvo do benefício do repouso sabático. Contudo, o modo rabínico de interpretar o Velho Pato afastava o mandamento das intenções originais de Deus. O sábado, que era para ser um dom, um presente e um dia de refrigério, acabou sendo um dia de castigo, de opressão e de tensão devido à grande carga de mandamentos associados com ele e dos inúmeros preceitos reguladores. Esqueceram a função do sábado e ficaram apenas com a sua forma externa.
Este método de recorrer às origens e à criação para resolver questões é característico de Jesus. Na questão do divórcio, narrada em Mc 10,2-12, enquanto todos buscavam alguma “interpretação” que permitisse o divórcio, Jesus buscava a intenção original do Criador na instituição do primeiro casal (Mc 12,6-9).
Jesus arremata a questão dizendo: “De sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado” (Mc. 2,28). No Evangelho de Marcos esta frase aparece como conclusão do texto, mas apresenta uma verdade que é anterior à argumentação. De fato, o ensino que Jesus é o Senhor do sábado e de tudo mais permite que ele diga como que o mandamento do sábado deve ser obedecido. A razão para aceitar o ensino de Jesus é o fato d’Ele ser o Filho do Homem. Seu ensino não tem validade apenas por sua lógica ou por sua veracidade, mas sobretudo por causa de sua autoridade. O modo de Jesus interpretar a questão é importante, pois a norma é Ele mesmo. A era messiânica já havia começado, e o conhecimento de quem era o Messias traria compreensão para saber cumprir a vontade de Deus.
Somos chamados a abrir caminhos, rompendo as cercas ideológicas ou materiais armadas pelo sistema de poder, para que o pão seja farto na mesa de todos.

Canção Nova.



"O SÁBADO FOI FEITO PARA O HOMEM..." – Olivia Coutinho


Dia 16 de Janeiro de 2018

Evangelho de Mc2,23-28

Sem uma intimidade profunda com Deus, não tem como viver as alegrias da fé! E olha que são muitos, os irmão que não vivem esta alegria, por estarem submetidos a radicalidade religiosa, imposta pelos os seus líderes, que ao contrário do líder Maior que é Jesus, colocam o cumprimento de leis acima  da vida!  Ao invés de conduzir o povo,  para uma proximidade maior  com Deus, estes líderes, criam barreiras, dificultando a relação dos filhos com Pai!
São muitas religiões cheias de proibições, líderes que intimidam as pessoas, passando para elas a imagem de um Deus vingativo, que está sempre a espreita, pronto para pegá-las  em alguma deslize. Estes, estão como que cegos, não  conscientizaram, de que  Deus é só amor, que Ele só quer nos amar e nunca nos castigar.
A verdadeira religião não impõe, não escraviza, ela apresenta valores,  que tem como objetivo levar as pessoas  a uma maturidade na fé, deixando-as  livre para fazerem as suas escolha.
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos mostra mais um  conflito entre os fariseus e Jesus,  a respeito da observância do sábado!
Embora conhecedores das Escrituras, os fariseus, na prática, estavam bem distante do amor vivido e propagado por Jesus: um amor gratuito, desinteressado, uma amor  que gera vida!
As autoridades religiosas do tempo de Jesus, não tinham o compromisso com a vida, eles colocavam pesados fardos nos ombros das pessoas, leis, rituais que deveriam ser cumpridas rigorosamente, como o Jejum, ritos de purificação, observância do sábado e tantas outras normas que eles mesmos criavam e que na verdade, tinham como pano de fundo, cegar o povo diante os seus direitos.
Vemos no texto, que os fariseus,  queriam pegar Jesus num casuísmo legal, já que pelo o fato dos discípulos estarem apanhando espigas de trigo para saciar a fome, não lhes poderia ser atribuído como roubo. Determinados a escandalizar Jesus, eles procuraram, outra forma de incriminá-lo, alegando que os seus discípulos estavam infligindo às leis que proibiam o trabalho em dia de sábado, desconsiderando assim, a necessidade da sobrevivência deles.
Ao ser criticado pelos os  Fariseus em nome da Sagrada escritura, Jesus responde tais criticas, se baseando  na própria escritura: “Por acaso nunca lestes nas escrituras o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome?...”Mc 2,25-26
Não é difícil perceber, que até nos dias de hoje, presenciamos situações semelhantes.  Na realidade, o legalismo é um instrumento de alienação e opressão, que tem como objetivo desviar a atenção do povo. Enquanto o povo fica se ocupando com os pormenores, com a observância rigorosa de tantas leis, os que detêm o poder sentem-se livres para praticarem seus atos ilícitos.
As leis de organização social e religiosas, só podem ter sentido, se forem elaboradas em favor da vida. E Jesus veio para libertar, fazer desabrochar a vida. Em todos os seus ensinamentos, Ele sempre deixava claro que a vida tem que estar em primeiro lugar, acima de tudo, portanto, a necessidade de sobrevivência está acima de toda e qualquer lei.
Foi apanhando espigas de trigo em dia de sábado para matar a fome, que os discípulos, apoiados por Jesus, começaram a abrir caminho para uma nova mentalidade.
A única “lei” que nunca deve ser descumprida, é a “lei” do amor!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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QUEM É O MAIS IMPRTANTE? A LEI OU A PESSOA? Mc 2,23-28
HOMILIA

Será que Jesus é o Senhor dos nossos Domingos?” A lei que Deus imprimiu no nosso coração é a lei do amor, portanto, o que nos faz mal e prejudica a nossa vida é justamente, o desamor. Tudo o que não é regido pelo amor e não tem como objetivo a vivência do amor, não é eficaz para o nosso crescimento. Toda lei que tira do homem o direito de viver com dignidade, de prover a sua existência e sobrevivência é maldita e não está conforme a vontade de Deus. Jesus quer nos ensinar a colocar a caridade como lei primeira nas ações da nossa vida. Às vezes nos bitolamos aos preceitos, às regras e não percebemos que estamos sendo injustos e infratores da Lei de Deus.
Tudo o que o Pai criou, Ele o fez em favor do homem, objeto do Seu Amor. Portanto, dizer que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” significa que a nossa sobrevivência e a caridade conosco mesmos e com os nossos irmãos estão acima das normas que, apesar de estabelecidas para o homem, muitas vezes se voltam contra o próprio homem.
O homem é a criatura a quem Deus mais tem apreço e todas as coisas foram criadas para ele, por amor. Jesus é o Senhor de tudo o que foi criado, e, tudo foi criado por Ele, por amor ao homem.
Os campos de trigo, os rios, os mares, as aves, as árvores existem para estar à disposição do homem a fim de que este perceba o olhar e a atenção de Deus para si. Jesus, Senhor da criação, é o Senhor do sábado, porém, Ele precisa ser também Senhor dos nossos “sábados”, isto é, daqueles dias em que nós não achamos conveniente servir a alguém ou “perder” o tempo de lazer ou de trabalho para dar de comer a alguém que está com fome. O dia de sábado e que para nós cristãos é o domingo a que Jesus se refere pode ser também para nós aquele dia que nós destinamos para o nosso deleite, para curtição, para realizar os nossos planos pessoais e, sem menos esperar somos convocados para alguma outra missão. Aí nós alegamos a nossa impossibilidade porque “hoje é sábado” e o sábado está destinado a outras experiências. Neste caso a lei do amor ficou de lado e imperou em nosso coração a lei do egoísmo e da indiferença.
Jesus é o Senhor dos “domingos” da sua vida? Você tem alimentado a alguém necessitado em “dia de domingo”? Você é capaz de sacrificar um dia de lazer e de descanso para ajudar a algum discípulo de Jesus? Você tem trocado o domingo pela praia, pelo churrasco, viagem de passeio, ou festa? Em Nome de quem você tem feito caridade? O que você aprendeu mais com esse Evangelho?
Fonte Padre BANTU SAYLA
Postado por Alvaro de Oliveira 


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