9 º DOMINGO DO TEMPO COMUM 03 de Junho – Ano B Evangelho
Mc 2,23-3,6
-A LEI DO SÁBADO-José Salviano
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“O FILHO DO HOMEM É SENHOR TAMBÉM
DO SÁBADO.” – Olivia Coutinho
9º
DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia 03
de Junho de 2018
Evangelho
de Mc2,23-3,6
Sem uma intimidade profunda com Deus, não tem
como viver as alegrias da fé! E são muitos, os que não vivem esta alegria, por
estarem submetidos a radicalidade religiosa, imposta pelos os seus líderes, que
ao contrário do líder Maior, que é Jesus, escraviza as pessoas.
São muitas as religiões cheias de proibições,
cujo líderes intimidam os fiéis, passando-lhes a imagem de um Deus
vingativo, de um Deus que está sempre a espreita, pronto para pegá-los em
alguma suposta falha!
Não podemos esquecer: Deus é só amor, Ele só
quer nos amar e nunca nos castigar!
A verdadeira religião, não impõe, não
escraviza, ela apresenta valores, que vão levando as pessoas a uma maturidade
na fé, deixando-as livres para fazerem suas escolhas.
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida
a refletir, nos fala de mais dois momentos conflituosos entre os fariseus
e Jesus, desta vez, a respeito da observância do sábado.
Embora conhecedores das Escrituras, os
fariseus, na prática, estavam bem distante do amor propagado por Jesus: o amor
que gera vida!
As autoridades religiosas do tempo de Jesus,
não tinham compromisso com a vida, colocavam pesados fardos nos ombros
das pessoas, leis, rituais que deveriam ser cumpridas rigorosamente, como o
Jejum, ritos de purificação, observância do sábado e tantas outras regras que
eles mesmos criavam, nos sentido de oprimir o povo.
No primeiro momento, a narrativa deixa
claro, que os fariseus queriam pegar Jesus num casuísmo legal, já que, o fato
dos discípulos estarem apanhando espigas de trigo, para saciar a fome, não lhes
poderia ser atribuído como roubo. Determinados a
escandalizar Jesus, eles procuraram, outra forma de incriminá-lo, alegando que
os seus discípulos, estavam infligindo as leis que proibiam o trabalho em dia
de sábado, desconsiderando assim, a necessidade de sobrevivência deles.
Ao ser criticado pelos Fariseus, em nome da
Sagrada escritura, Jesus responde estas criticas, com a própria escritura: “Por
acaso nunca lestes nas escrituras o que Davi e seus companheiros fizeram quando
passara necessidade e tiveram fome?...”Mc 2,25-26
No segundo momento, Jesus, ao entrar numa
sinagoga em dia de sábado, vê um homem com uma deficiência
na mão. Antes mesmo de Jesus aproximar-se deste homem, alguns fariseus,
já estavam de olho Nele, pois eles sabiam Jesus iria fazer algo a seu
favor, o que seria proibido em dia de sábado. Mas Jesus não se intimida,
não cumpre esta lei humana, e sim, a lei do amor, que independe
do dia ou da hora, para ser cumprida. Ao curar aquele homem,
Jesus assina de vez a sua sentença de morte, pois foi a partir deste
episódio, que os fariseus e partidários de Herodes se uniram para
arquitetar um plano para mata-lo.
Em todos os seus ensinamentos, Jesus
sempre deixou claro que a vida tem que estar em primeiro lugar, acima de tudo,
portanto, a necessidade de sobrevivência e a inclusão, estão acima de
toda e qualquer lei! A única lei que não pode ser descumprida em
hipótese alguma para Jesus é a lei do amor.
Não é difícil perceber, que até nos dias de
hoje, presenciamos situações semelhantes as que Jesus viveu.
O legalismo é um instrumento de alienação e
opressão, que tem como objetivo, desviar a atenção do povo, tirar-lhe o foco.
Enquanto o povo se ocupa com os pormenores, com a observância exagerada
de leis, os que detém o poder, sentem-se livres para praticarem seus atos
ilícitos.
Quando ficamos presos na observância
exagerada de normas, no cumprimento de rituais, não captamos a mensagem
principal de Jesus, que é um convite a vivermos no amor!
Quem se ocupa com os pormenores, não vê o belo
da vida, não vive as alegrias da fé!
As leis de organização social e religiosa, só
podem ter sentido, se forem elaboradas em favor da vida. E Jesus, veio para
libertar e fazer desabrochar a vida. Toda lei que é contrário a
vida, não tem o aval de Jesus.
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
Venha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook
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“em
dia de sábado”
Neste
Evangelho Jesus quer nos ensinar a colocar a caridade como lei primeira nas
ações da nossa vida. Toda lei que tira do homem o direito de viver com
dignidade, de prover a sua existência e sobrevivência é maldita e não está
conforme a vontade de Deus. Às vezes nos bitolamos aos preceitos, às regras e
não percebemos que estamos sendo injustos e infratores da Lei de Deus. A lei
que Deus imprimiu no nosso coração é a lei do amor, portanto, o que nos faz mal
e prejudica a nossa vida é justamente, o desamor. Tudo o que não é regido pelo
amor e não tem como objetivo a vivência do amor, não é eficaz para o nosso
crescimento. O homem é a criatura a quem Deus mais tem apreço e todas as coisas
foram criadas para ele, por amor. Tudo o que Ele criou foi em favor do homem,
objeto do Seu Amor, portanto, dizer que “o sábado foi feito para o homem e não
o homem para o sábado” significa que a nossa sobrevivência e a caridade conosco
mesmos (as) e com os nossos irmãos estão acima das normas que, apesar de
estabelecidas para o homem, muitas vezes se voltam contra o próprio homem.
Jesus é o Senhor de tudo o que foi criado, e, tudo foi criado por Ele, por amor
ao homem. Os campos de trigo, os rios, os mares, as aves, as árvores existem
para estar à disposição do homem a fim de que este perceba o olhar e a atenção
de Deus para si. Jesus, Senhor da criação, é o Senhor do sábado, porém, Ele
precisa ser também Senhor dos nossos “sábados”, isto é, daqueles dias em que
nós não achamos conveniente servir a alguém ou “perder” o tempo de lazer ou de
trabalho para dar de comer a alguém que está com fome. O dia de sábado a que
Jesus se refere pode ser também para nós aquele dia que nós destinamos para o
nosso deleite, para curtição, para realizar os nossos planos pessoais e, sem
menos esperar somos convocados para alguma outra missão. Aí nós alegamos a
nossa impossibilidade porque “hoje é sábado” e o sábado está destinado a outras
experiências. Neste caso a lei do amor ficou de lado e imperou em nosso coração
a lei do egoísmo e da indiferença. Reflita – Jesus é o Senhor dos “sábados” da
sua vida? – Você tem alimentado a alguém necessitado em “dia de sábado”? – Você
é capaz de sacrificar um dia de lazer e de descanso para ajudar a algum
discípulo de Jesus? – Em Nome de quem você tem feito caridade? – O que você
aprendeu mais com esse Evangelho?
Helena
Serpa
No
evangelho de Marcos podemos observar que Jesus rejeita as tradições antigas de
Israel, e as críticas que Jesus faz aos chefes religiosos por suas ideologias
opressoras, excludentes e desumanas, que eram impostas pelas elites religiosas
das sinagogas e de Jerusalém, que oprimiam o povo. E Jesus veio abrir o caminho
da liberdade para o povo oprimido e garantir a vida plena a todos.
E
os discípulos de Jesus, no evangelho de hoje, colhem milho em um dia sábado
para se alimentarem, pois estavam com fome. Com essa atitude eles abrem caminho
para vida, contrário a Lei e ordem religiosa opressora imposta na época. E ao
verem os discípulos colherem milho no sábado, os fariseus acusavam Jesus
e seus discípulos de não observarem o repouso no sábado. E Jesus responde
recordando o que aconteceu com Davi e seus companheiros, quando fugiam de Saul,
estando eles com fome entraram no templo e comeram os pães consagrados do
santuário, que era permitido somente aos sacerdotes fazerem isso. E Jesus
termina dizendo: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o
sábado."
Observando
atentamente, está claro que tanto os discípulos de Jesus, como Davi em seus
homens, deixaram de observar a lei por necessidade, e não por uma atitude
leviana. Lembrando que naquele tempo, o povo oprimido, por necessidade não
observava, não cumpria a Lei, então era considerado impuro e pecador. Porém, os
sacerdotes, as elites religiosas, não sofriam a imposição da Lei. E Jesus com
toda sua liberdade, coloca o homem, a mulher em primeiro lugar, acima de
qualquer lei que impeça a vida, e a dignidade.
Amigo,
amiga, Jesus abre caminho para liberdade, nos tirando a culpa e o pecado, mesmo
com críticas, difamações e ameaças dos fariseus que queriam permanecer no poder
explorando e oprimindo os humildes. Ele nos deu liberdade para segui-Lo com
amor, e assim "abrir os caminhos do direito da justiça e assim alcançar a
paz no mundo". Jesus nos ensina a prática da religião com bom senso,
criticando quando as tradições religiosas e suas práticas se chocam com o
direito da vida.
Um
abraço a todos.
Oração:
Espírito
de bom senso. Livra-me de praticar um tipo de religião muito fiel às tradições
humanas, mas pouco conforme ao querer do Pai. Amém.
Mª Elian.
O MEU PAI TRABALHA TODOS OS
DIAS Mc 2,23-28
A+A-
O
Evangelho de hoje traz algo que nós evitamos aprofundar sobre o assunto: Jesus
transgrediu alguma regra? Pois é, Ele se colocou acima da tradicional regra de
que o sábado é o dia do descanso. E isso é um fato que precisamos aprofundar
hoje… Será que estamos seguindo alguma regra que nos impede de seguir a maior
de todas as regras?
A
tradicional regra do sábado impunha que ninguém deveria trabalhar neste dia, já
que foi o dia escolhido por Deus, desde a criação do mundo, para o descanso. Os
judeus levavam isso tão à sério que foram criando regras cada vez mais rígidas
para o sábado. Eles instituíram uma distância máxima que era permitido
caminhar, proibiram o uso de sandálias que precisassem amarrar as correias, e
nem os curandeiros podiam trabalhar, a não ser em caso de risco de morte.
O sábado
foi instituído e oferecido ao homem como algo muito precioso, como um bem, um
favor divino. Figueiredo traduz: “O sábado foi feito em contemplação do homem”.
O sentido evidente é que o sábado foi instituído para o bem estar físico, moral
e espiritual das criaturas humanas. O sábado é assim uma instituição a favor do
homem, em seu benefício, uma bênção grandiosa. Só uma perversa distorção do
texto poderia levar à conclusão de que o sábado deva ser considerado contrário
ao homem.
Deus não
criou o homem porque Ele tivesse um sábado necessitando ser guardado por
alguém. Ao contrário, criara primeiro homem , e depois o sábado para
atender-lhe às necessidades de repouso e recreação espiritual. Assim o sábado
lhe seria uma bênção e não uma carga. O farisaísmo dos dias de Cristo
obscurecera o verdadeiro caráter do sábado. Os rabinos o acumularam de
exigências esdrúxulas que o tornaram um fardo quase insuportável. A atitude de
Cristo para com o sábado foi a de escoima-lo desses acréscimos, devolvendo-o à
prístina pureza. A atitude de Cristo para com Seu santo dia foi de reverência e
não de desprezo.
As regras
foram ficando tão estapafúrdias que deixaram de lado a razão e o bom senso.
Jesus chegou para abalar essas regras que desvirtuavam o sentido original do
dia de descanso. “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o
sábado.” Com essa frase Ele resume o que a nova lei, que Ele veio instituir,
pensa a respeito do “dia de descanso”. O sábado não está acima do nosso dever
maior que consiste em fazer o bem às pessoas da mesma forma que nós gostaríamos
que elas nos fizessem bem. E nessa frase você pode trocar o “fazer o bem” por
amar, perdoar, acolher, ajudar, compreender, sorrir, entender, porque essas são
as atitudes de quem na verdade imita e segue o Mestre do Amor que Jesus. Pois
se vos amardes uns aos outros o mundo vos reconhecerá que sois meus discípulos.
E São João nos diz que Deus é amor, quem ama permanece em Deus.
Pensemos
então nas regras que aprendemos a seguir sem pensar, e lembremo-nos que nenhuma
delas está acima da maior de todas: a Regra do Amor. E o amor não tem dia nem
hora. Todos os dias e horas são propícios para a prática do amor. Não podemos
ter alguma dívida contra o próximo a não ser a dívida do amor.
Portanto,
o amor é o caminho que abre a prática da liberdade em relação às restrições
legais religiosas que ofusca a vida do povo. Ele é o caminho da vida, na
contramão da ordem do poder opressor e desumano.
Como
cristãos somos chamados a abrir caminhos que para, pelo e por amor rompam as
cercas levantadas pelo sistema do poder, que gera ódio, vingança, injustiças,
fome e morte de todos os homens e mulheres. E nesta luta não temos dia nem
horas. O nosso Guia nos disse: Meu Pai trabalha todos os dias e eu também
trabalho. Assim, sendo, não temos que procurar descanso, a não saber que
fazemos a santa vontade de Deus.
Senhor
Jesus ensinai-me a ser generoso, a servir-Vos como Vós o mereceis. A dar-me sem
medias, a combater se cuidar das feridas. A trabalhar sem procurar descanso. A
gastar-me sem esperar outra recompensa. Senão saber que faço a vossa vontade
santa. Amén!
Canção Nova
O sábado
foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Pe. Queiroz
Este
Evangelho narra a cena dos discípulos de Jesus, em um sábado, arrancando
espigas de trigo e comendo, porque estavam com fome. Diante do protesto dos
fariseus, pois era proibido trabalhar no sábado, Jesus justifica a atitude,
apresentando outro caso em que Davi desobedece à outra lei ainda mais rigorosa,
pelo mesmo motivo: ele e seus companheiros estavam com fome. E arremata: “O
sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”.
O
ensinamento de Jesus é claro: A vida humana está em primeiro lugar. O direito à
vida precede quaisquer leis, mesmo as leis religiosas mais sagradas.
Segundo a
Mishná, que era uma recopilação das tradições rabínicas, trabalhar na colheita
era uma das trinta e nove maneiras de violar o sábado. E os fariseus elevaram
esse gesto de colher espigas para comer, como um trabalho formal de colheita!
Mas a reação de Jesus foi clara e enérgica. Superando as discussões de escolas,
ele partiu para a defesa da vida.
E Jesus
apresentou o exemplo de Davi e seus companheiros que, para saciar a fome,
desobedeceram a uma lei muito mais sagrada: comeram os pães consagrados, que só
os sacerdotes podiam comer (Cf 1Sm 21).
“O sábado
foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”, diz Jesus. Esta foi a
intenção do legislador da lei do sábado: a necessidade que o homem tem de
descansar. Foi uma lei feita para celebrar a libertação da escravidão egípcia,
e não havia tempo de descanso (Cr Dt 5,12; Ex 20,8). Portanto, a lei do sábado
era uma lei de liberdade, não de escravidão.
E, para
concluir, Jesus, referindo-se a si mesmo, fala: “O Filho do Homem é senhor
também do sábado”. Todo o Antigo Testamento, ao se referir ao Messias, fala que
ele é “O Senhor”. Ele é o Senhor de tudo, inclusive do sábado. Portanto, pode
modificar ou esclarecer a lei.
Em todo o
episódio, sobressai a vida humana como valor maior a ser protegido e defendido.
O homem deve obedecer à lei do sábado só e enquanto protege a vida humana. Se
acontecer, como nesta cena do Evangelho, de esta lei se voltar contra o homem,
desviou-se de sua finalidade e não obriga ao seu cumprimento.
É
farisaísmo tentar ganhar a salvação, absolutizando ou sacralizando leis. Neste
caso a lei se transforma de libertadora em escravizante. O único sagrado,
depois de Deus, é o próprio homem, pelo qual Cristo morreu.
“A lei
foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo (Jo
1,17). O cristão sabe sua única lei e o seu único Senhor é Jesus Cristo. Cristo
foi o sim total a Deus, e o seu discípulo deve seguir o seu exemplo. “Eu sou o
caminho, a verdade e a vida”.
Certa
vez, em um curso de batismo, um professor perguntou aos pais e padrinhos por
que queriam batizar seu filho ou afilhado. As respostas foram as mais variadas.
Um deles
disse: “É porque todo mundo batiza”. Esse vai na onda; o que os outros fazem
ele faz também.
Outro
respondeu: “É porque eu fui batizado”. Quer dizer que, se fizeram uma coisa
errada com ele, quando criança, ele vai fazer agora com as outras crianças?
Houve
outro que falou: “A gente batiza porque não presta ficar pagão”. Esta resposta
é supersticiosa, porque a expressão “não presta” significa aí: “dá azar”.
Claro que
houve também respostas bonitas e acertadas.
Pelo
batismo nós nos tornamos continuadores de Cristo no mundo, seguindo-o como o
nosso caminho, verdade e vida.
Maria
Santíssima é a mãe de vida, porque nos deu Jesus que é a Vida. Que ela nos
ajude a colocar a vida humana acima de tudo.
O sábado
foi feito para o homem, e não o homem para o sábado.
Padre Queiroz
O FILHO DO HOMEM É SENHOR
DO SÁBADO Mc 2,23-28
A+A-
Marcos
inicia seu Evangelho com o anúncio de João Batista que vem “preparar o caminho”
de Jesus. Agora, os discípulos de Jesus começam a “abrir caminho”. Marcos, na
primeira parte de seu Evangelho, coloca a “casa” como o lugar de formação e
convívio das comunidades envolvidas pelo ministério de Jesus. Na segunda parte,
quando vai se encerrando o ministério ao redor da Galiléia, o destaque é o
“caminho” para Jerusalém, onde se dará o confronto final com os chefes do
Templo.
Ao longo
do ministério na Galiléia e vizinhanças, fica caracterizado o confronto com os
chefes das sinagogas locais pelas infrações às regras de pureza, pela
observância sabática, pelo jejum e pelo convívio social, bem como pela
promulgação do perdão dos pecados. Jesus, por sua prática, revela que a
necessidade está acima da Lei.
O que
Jesus e os discípulos estavam fazendo em Marcos 2,23 seria perfeitamente lícito
aos olhos dos fariseus se não fosse realizado no sábado (Deuteronômio 23,25). A
Tradição oral determinava minuciosamente o que podia e não podia ser feito aos
sábados. Havia até uma lista de 39 verbos (trabalhos) que não podiam ser feitos
naquele dia. Quatro destes verbos (colher, debulhar, limpar e preparar) eram
descrições de que os discípulos estavam fazendo ao comer.
Jesus
combateu a tradição judaica muitas vezes, especialmente as tradições com
respeito ao sétimo dia. Há uma grande quantidade de situações onde Jesus entrou
em choque com os judeus nesta questão (Mc 3,1-6; Lc 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-9;
16-17; 7,22; 9,1-14). A seita dos chamados essênios, por exemplo, proibia
claramente que um homem tirasse de uma cisterna ou fosso um animal que ali
tivesse caído (Documento de Damasco, 11.13-14). Jesus, e até mesmo a maioria
dos judeus, achava isto um absurdo (Mt 12.11; Lc 14,5, também 13,15).
O Mestre
citou o exemplo de Davi em 1Sm 21,1-6 para chamar atenção dos seus opositores
ao fato que nem tudo pode ser resumido ou explicado pela tradição rabínica.
Davi comeu os pães da proposição (Lv. 24,5-9) numa situação de perigo de vida e
não foi punido por isto. De fato, este evento ocorreu num sábado, dia no qual
os pães eram retirados do tabernáculo, substituídos por outros e
disponibilizados aos sacerdotes para seu alimento. Tal fato não prova que os
pães da proposição podiam ser comidos por qualquer um; pelo contrário, a
exceção prova a regra. Quebrar a lei de Deus quando houver necessidade não é o
que Jesus ensina aqui. O que fica provado é que o modo rígido e legalista dos
fariseus de interpretar a Lei não explicava tudo (Mc. 2,25 – 26).
De fato,
Davi só comeu os pães da proposição impunemente por ter Deus concedido a ele
esta prerrogativa naquele momento. De uma forma similar, Jesus tem
prerrogativas e autoridade superiores às da Tradição e da própria Lei judaica.
Jesus está dizendo: “Se Davi teve autorização para quebrar o protocolo, muito
mais o Senhor de Davi pode fazê-lo”.
Mateus
ainda menciona o caso dos sacerdotes judaicos que trabalham no templo em pleno
sábado (Mt 12,5-7). Se o serviço no templo exige a suspensão da lei do sábado
para alguns, a obra de Jesus exige a suspensão da mesma lei, pois Jesus é maior
que o templo (Mt 12,6). Se o templo era maior que o sábado e se Jesus era maior
que o templo, certamente era maior que o sábado, um dos grandes preceitos da
Lei.
Em tudo
isto, pode-se notar também que há prioridades dentro das prescrições da Lei e
que há momentos em que um princípio maior supera outras regras menores. A
citação de Os 6,6 aponta nesta direção. O ritual não é maior que a fidelidade;
a Palavra do Cristo era maior que o ritual do sábado.
O
provérbio “O sábado foi estabelecido (feito) por causa do homem, e não o homem
por causa do sábado” é peculiar a Marcos, não sendo retomada por Mateus e
Lucas. É difícil saber o motivo da omissão da frase nestes dois Evangelhos. O
interesse pode ser simplesmente o de resumir Marcos, gerando espaço para
introduzir outros materiais. Este é o costume de Mateus e Lucas. Outro motivo
seria o de eliminar qualquer ambigüidade ou mau uso da frase nas comunidades
receptoras das obras, embora seja muito questionável e difícil imaginar quais
seriam estes maus usos do provérbio.
Mateus e
Lucas, ao omitirem o provérbio que estamos estudando, colocaram toda a ênfase
do episódio na frase: “O Filho do Homem é Senhor do sábado” (Mt. 12,8 e Lc. 6,5).
Lucas, inclusive, por não mencionar (como faz Mateus) a questão do serviço do
templo, faz com que o leitor seja claramente induzido a entender a comparação
que Jesus fez de si mesmo com Davi. Observe que Jesus, como Davi, era o ungido
de Deus, que agia sob orientação divina e por causa disto tinha grande
autoridade.
“O sábado
foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” é uma clara
alusão à criação. Jesus usa o verbo na chamada voz passiva (‘foi feito’) para
designar a ação de Deus. o Senhor criou o homem no sexto dia e estabeleceu o
sétimo como dia de repouso.
A própria
ordem da criação indica que o homem era o alvo do benefício do repouso
sabático. Contudo, o modo rabínico de interpretar o Velho Pato afastava o
mandamento das intenções originais de Deus. O sábado, que era para ser um dom,
um presente e um dia de refrigério, acabou sendo um dia de castigo, de opressão
e de tensão devido à grande carga de mandamentos associados com ele e dos
inúmeros preceitos reguladores. Esqueceram a função do sábado e ficaram apenas
com a sua forma externa.
Este
método de recorrer às origens e à criação para resolver questões é
característico de Jesus. Na questão do divórcio, narrada em Mc 10,2-12,
enquanto todos buscavam alguma “interpretação” que permitisse o divórcio, Jesus
buscava a intenção original do Criador na instituição do primeiro casal (Mc
12,6-9).
Jesus
arremata a questão dizendo: “De sorte que o Filho do Homem é senhor também do
sábado” (Mc. 2,28). No Evangelho de Marcos esta frase aparece como conclusão do
texto, mas apresenta uma verdade que é anterior à argumentação. De fato, o
ensino que Jesus é o Senhor do sábado e de tudo mais permite que ele diga como
que o mandamento do sábado deve ser obedecido. A razão para aceitar o ensino de
Jesus é o fato d’Ele ser o Filho do Homem. Seu ensino não tem validade apenas
por sua lógica ou por sua veracidade, mas sobretudo por causa de sua
autoridade. O modo de Jesus interpretar a questão é importante, pois a norma é
Ele mesmo. A era messiânica já havia começado, e o conhecimento de quem era o
Messias traria compreensão para saber cumprir a vontade de Deus.
Somos
chamados a abrir caminhos, rompendo as cercas ideológicas ou materiais armadas
pelo sistema de poder, para que o pão seja farto na mesa de todos.
Canção
Nova.
"O SÁBADO FOI FEITO
PARA O HOMEM..." – Olivia Coutinho
Dia 16 de Janeiro de 2018
Evangelho de Mc2,23-28
Sem
uma intimidade profunda com Deus, não tem como viver as alegrias da fé! E olha
que são muitos, os irmão que não vivem esta alegria, por estarem submetidos a
radicalidade religiosa, imposta pelos os seus líderes, que ao contrário do
líder Maior que é Jesus, colocam o cumprimento de leis acima da vida!
Ao invés de conduzir o povo, para uma proximidade maior
com Deus, estes líderes, criam barreiras, dificultando a relação dos filhos com
Pai!
São
muitas religiões cheias de proibições, líderes que intimidam as pessoas,
passando para elas a imagem de um Deus vingativo, que está sempre a espreita,
pronto para pegá-las em alguma deslize. Estes, estão como que cegos, não
conscientizaram, de que Deus é só amor, que Ele só quer nos amar e
nunca nos castigar.
A
verdadeira religião não impõe, não escraviza, ela apresenta valores, que
tem como objetivo levar as pessoas a uma maturidade na fé,
deixando-as livre para fazerem as suas escolha.
O
evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos mostra mais um
conflito entre os fariseus e Jesus, a respeito da observância do
sábado!
Embora
conhecedores das Escrituras, os fariseus, na prática, estavam bem distante do
amor vivido e propagado por Jesus: um amor gratuito, desinteressado, uma amor
que gera vida!
As
autoridades religiosas do tempo de Jesus, não tinham o compromisso com a vida,
eles colocavam pesados fardos nos ombros das pessoas, leis, rituais que
deveriam ser cumpridas rigorosamente, como o Jejum, ritos de purificação,
observância do sábado e tantas outras normas que eles mesmos criavam e que na
verdade, tinham como pano de fundo, cegar o povo diante os seus direitos.
Vemos
no texto, que os fariseus, queriam pegar Jesus num casuísmo legal, já que
pelo o fato dos discípulos estarem apanhando espigas de trigo para saciar a
fome, não lhes poderia ser atribuído como roubo. Determinados a
escandalizar Jesus, eles procuraram, outra forma de incriminá-lo, alegando que
os seus discípulos estavam infligindo às leis que proibiam o trabalho em dia de
sábado, desconsiderando assim, a necessidade da sobrevivência deles.
Ao
ser criticado pelos os Fariseus em nome da Sagrada escritura, Jesus
responde tais criticas, se baseando na própria escritura: “Por acaso
nunca lestes nas escrituras o que Davi e seus companheiros fizeram quando
passaram necessidade e tiveram fome?...”Mc 2,25-26
Não
é difícil perceber, que até nos dias de hoje, presenciamos situações
semelhantes. Na realidade, o legalismo é um instrumento de alienação e
opressão, que tem como objetivo desviar a atenção do povo. Enquanto o povo fica
se ocupando com os pormenores, com a observância rigorosa de tantas leis, os
que detêm o poder sentem-se livres para praticarem seus atos ilícitos.
As
leis de organização social e religiosas, só podem ter sentido, se forem
elaboradas em favor da vida. E Jesus veio para libertar, fazer desabrochar a
vida. Em todos os seus ensinamentos, Ele sempre deixava claro que a vida tem
que estar em primeiro lugar, acima de tudo, portanto, a necessidade de
sobrevivência está acima de toda e qualquer lei.
Foi
apanhando espigas de trigo em dia de sábado para matar a fome, que os
discípulos, apoiados por Jesus, começaram a abrir caminho para uma nova
mentalidade.
A
única “lei” que nunca deve ser descumprida, é a “lei” do amor!
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
Venha
fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook:
QUEM É O
MAIS IMPRTANTE? A LEI OU A PESSOA? Mc 2,23-28
HOMILIA
Será que Jesus é o Senhor dos nossos Domingos?” A lei que Deus imprimiu no nosso coração é a lei do amor, portanto, o que nos faz mal e prejudica a nossa vida é justamente, o desamor. Tudo o que não é regido pelo amor e não tem como objetivo a vivência do amor, não é eficaz para o nosso crescimento. Toda lei que tira do homem o direito de viver com dignidade, de prover a sua existência e sobrevivência é maldita e não está conforme a vontade de Deus. Jesus quer nos ensinar a colocar a caridade como lei primeira nas ações da nossa vida. Às vezes nos bitolamos aos preceitos, às regras e não percebemos que estamos sendo injustos e infratores da Lei de Deus.
Tudo o que o Pai criou, Ele o fez em favor do homem, objeto do Seu Amor. Portanto, dizer que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” significa que a nossa sobrevivência e a caridade conosco mesmos e com os nossos irmãos estão acima das normas que, apesar de estabelecidas para o homem, muitas vezes se voltam contra o próprio homem.
O homem é a criatura a quem Deus mais tem apreço e todas as coisas foram criadas para ele, por amor. Jesus é o Senhor de tudo o que foi criado, e, tudo foi criado por Ele, por amor ao homem.
Os campos de trigo, os rios, os mares, as aves, as árvores existem para estar à disposição do homem a fim de que este perceba o olhar e a atenção de Deus para si. Jesus, Senhor da criação, é o Senhor do sábado, porém, Ele precisa ser também Senhor dos nossos “sábados”, isto é, daqueles dias em que nós não achamos conveniente servir a alguém ou “perder” o tempo de lazer ou de trabalho para dar de comer a alguém que está com fome. O dia de sábado e que para nós cristãos é o domingo a que Jesus se refere pode ser também para nós aquele dia que nós destinamos para o nosso deleite, para curtição, para realizar os nossos planos pessoais e, sem menos esperar somos convocados para alguma outra missão. Aí nós alegamos a nossa impossibilidade porque “hoje é sábado” e o sábado está destinado a outras experiências. Neste caso a lei do amor ficou de lado e imperou em nosso coração a lei do egoísmo e da indiferença.
Jesus é o Senhor dos “domingos” da sua vida? Você tem alimentado a alguém necessitado em “dia de domingo”? Você é capaz de sacrificar um dia de lazer e de descanso para ajudar a algum discípulo de Jesus? Você tem trocado o domingo pela praia, pelo churrasco, viagem de passeio, ou festa? Em Nome de quem você tem feito caridade? O que você aprendeu mais com esse Evangelho?
Fonte Padre BANTU SAYLA
HOMILIA
Será que Jesus é o Senhor dos nossos Domingos?” A lei que Deus imprimiu no nosso coração é a lei do amor, portanto, o que nos faz mal e prejudica a nossa vida é justamente, o desamor. Tudo o que não é regido pelo amor e não tem como objetivo a vivência do amor, não é eficaz para o nosso crescimento. Toda lei que tira do homem o direito de viver com dignidade, de prover a sua existência e sobrevivência é maldita e não está conforme a vontade de Deus. Jesus quer nos ensinar a colocar a caridade como lei primeira nas ações da nossa vida. Às vezes nos bitolamos aos preceitos, às regras e não percebemos que estamos sendo injustos e infratores da Lei de Deus.
Tudo o que o Pai criou, Ele o fez em favor do homem, objeto do Seu Amor. Portanto, dizer que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” significa que a nossa sobrevivência e a caridade conosco mesmos e com os nossos irmãos estão acima das normas que, apesar de estabelecidas para o homem, muitas vezes se voltam contra o próprio homem.
O homem é a criatura a quem Deus mais tem apreço e todas as coisas foram criadas para ele, por amor. Jesus é o Senhor de tudo o que foi criado, e, tudo foi criado por Ele, por amor ao homem.
Os campos de trigo, os rios, os mares, as aves, as árvores existem para estar à disposição do homem a fim de que este perceba o olhar e a atenção de Deus para si. Jesus, Senhor da criação, é o Senhor do sábado, porém, Ele precisa ser também Senhor dos nossos “sábados”, isto é, daqueles dias em que nós não achamos conveniente servir a alguém ou “perder” o tempo de lazer ou de trabalho para dar de comer a alguém que está com fome. O dia de sábado e que para nós cristãos é o domingo a que Jesus se refere pode ser também para nós aquele dia que nós destinamos para o nosso deleite, para curtição, para realizar os nossos planos pessoais e, sem menos esperar somos convocados para alguma outra missão. Aí nós alegamos a nossa impossibilidade porque “hoje é sábado” e o sábado está destinado a outras experiências. Neste caso a lei do amor ficou de lado e imperou em nosso coração a lei do egoísmo e da indiferença.
Jesus é o Senhor dos “domingos” da sua vida? Você tem alimentado a alguém necessitado em “dia de domingo”? Você é capaz de sacrificar um dia de lazer e de descanso para ajudar a algum discípulo de Jesus? Você tem trocado o domingo pela praia, pelo churrasco, viagem de passeio, ou festa? Em Nome de quem você tem feito caridade? O que você aprendeu mais com esse Evangelho?
Fonte Padre BANTU SAYLA
Postado
por Alvaro de Oliveira
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