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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 15 de maio de 2018

DOMINGO DE PENTECOSTES-Ano B



DOMINGO DE PENTECOSTES

Evangelho Jo 20,19-23



·     Hoje a Igreja comemora o dia de Pentecostes, o dia em que  O Espírito Santo veio num vento forte, e no fogo, assim como também Ele pode vir na brisa suave ou no arrepio que sentimos, por exemplo, no momento da elevação da Hóstia consagrada... Continuar lendo




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COMO O PAI ME ENVIOU, TAMBÉM EU VOS ENVIO. ”- Olivia Coutinho

DOMINGO- SOLENIDADE DE PENTECOSTES.

Dia 20 de Maio de 2018

Evangelho de Jo20,19-23

Celebramos hoje, a Solenidade de Pentecostes, o coroamento do tempo Pascal, quando se cumpre a promessa de Jesus: o envio do Espírito Santo! Espírito Santo, que já se faz presente em nós, mas que muitas vezes, não percebermos a sua ação libertadora e santificadora em nosso favor.
A definição marcante desta solenidade, podemos dizer, que é a "Germinação da Igreja", pois a caminhada missionária da Igreja, começa em Pentecostes, quando o Espírito Santo entra em suas entranhas a tornando viva e atuante, através  do anuncio do Reino a todos os povos.
Foi a partir de Pentecostes, que a igreja começou a falar, a falar a linguagem do amor, que é uma linguagem universal, e que mesmo sendo desdobrada em vários idiomas, é a única linguagem capaz de ser entendida pelos os povos de todas as nações!
A missão da Igreja consiste em revelar aos homens, a vida nova que brota da ressurreição de Jesus. A sua grande riqueza, está na abertura  aos povos de todas as culturas! A Igreja é unidade, ela é a  guardiã do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Nesta festa, que também podemos chamar de festa missionária, devemos alargar o nosso olhar para o mundo inteiro, onde a igreja se faz presente na pessoa de muitos missionários, homens e mulheres, que apesar das inúmeras dificuldades, se prontificam em gastar a vida na difusão do evangelho, dando continuidade a missão de Jesus. Unamos a estes missionários, no desejo de fazer chegar a outros irmãos, a verdade que liberta!
Sabemos que os desafios daqueles  que se entregam a missionariedade são muitos, mas sabemos também, que o Espírito Santo anima e dá força a quem abraça a missão de anunciar o Evangelho, possibilitando a todos conhecer Jesus!
O evangelho que a liturgia desta solenidade, nos apresenta a comunidade de homens novos, que nascem da cruz e da ressurreição e que são libertados pela a força santificadora e libertadora do Espírito Santo. Tudo começa no primeiro encontro de Jesus com os discípulos, logo após a sua ressurreição. Foi neste encontro, que Jesus comunicou a eles o seu Espírito, num gesto de soprar sobre eles!
Ao soprar o Espírito Santo sobre os discípulos, Jesus nos faz recordar o sopro de Deus na criação, o sopro que deu vida a criatura humana, gesto que Jesus repete como início de uma nova criação! Cheios do Espírito Santo, os discípulos se libertam do medo que os aprisionavam, foi a partir daquele  momento, que as palavras de Jesus, até então não compreendidas,  tornam claras para eles.
“Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados."
Com o sopro do Espírito Santo, Jesus concede a igreja, o poder de perdoar pecados. É Deus quem tem o poder de perdoar pecados, mas Jesus concede este poder e o transmite a sua Igreja. Trata-se do sacramento da reconciliação.
Quando Jesus diz: “Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados,” não significa uma condenação, e sim, um insistente apelo à conversão, ou seja, não é a Igreja que não perdoa esses pecados, pelo contrário, a Igreja trabalha o arrependimento, favorecendo as condições para que a pessoa possa se redimir. Pecados não perdoados, são aqueles pecados que temos a consciência de tê-los, mas permanecemos neles, sem nos abrimos ao arrependimento, o que significa, um fechamento a ação do Espírito Santo, ou seja, o fechamento à graça do perdão!
No sopro do Espírito Santo sobre os discípulos, é expressa a criação renovada, é o Espírito Santo que recria a comunidade dos apóstolos e descerra suas portas para a missão! Os discípulos só conseguiram tomar atitudes corajosas para anunciar o evangelho, depois que receberam o Espírito Santo. A  coragem deles passou a ser tão grande, que eles se prontificaram a dar a vida pela a causa do Reino.
Com Pentecostes, encerra-se o tempo Pascal, mas este acontecimento não é o final de uma caminhada e sim: o começo de um novo  peregrinar, rumo a casa do Pai!
Os atos dos Apóstolos, começaram com o sopro do Espírito Santo, também os nossos atos, começam a partir da nossa conscientização de que a força libertadora e santificadora do Espírito Santo nos conduz à missão.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Jesus Cristo é o Filho, o Verbo de Deus, a Sabedoria de Deus, que o Pai enviou ao mundo. Tomou a condição humana no seio da Virgem Maria, aprendeu a falar a língua de Maria e de José, enraizou-se naquela cultura. Vivendo como nós as alegrias e as dores desta caminhada, Jesus fez-nos compreender, pela palavra e pelo exemplo, que Deus é bom e nos convida a viver para a verdade e para o amor, portanto para a fraternidade, para a justiça e para a paz.
Esta mensagem desagradou aos poderosos do mundo e também aos poderosos da religião, que apostavam num deus aliado dos seus interesses e mantenedor da ordem estabelecida. Coisa mais estranha, não entusiasmou muito os pobres, que teimavam em pôr a esperança num Messias – de – poder, num Deus – de – constantes – milagres.
Julgado como blasfemo e subversivo, Jesus foi condenado a morrer na cruz. O Pai ressuscitou-O dos mortos, e deu-Lhe como prêmio a nossa salvação: a salvação de todos nós, pecadores, que Ele considerou sempre como irmãos.
O Pai e Jesus enviam ao mundo o Espírito Santo.
Tudo tinha sido dito e feito por Jesus. Mas faltava convencer cada um dos homens a abrir o coração à mensagem do Evangelho e a conformar a vida com ela. Era preciso que, em cada geração, os cristãos entendessem os “sinais dos tempos” de modo que o Evangelho fosse anunciado como Cristo o anunciaria se estivesse aqui. Esta é a missão do Espírito Santo. O Espírito Santo é o amor infinito e eterno entre o Pai e o Filho, e é por isso também o amor de Deus por cada um dos homens. Habitando conosco, o Espírito ajuda-nos a “amar como Cristo amou”.
O Evangelho desta missa (Jo. 20,19-23) narra que, no domingo da Páscoa, Jesus apareceu aos discípulos reunidos e lhes comunicou o Espírito Santo. A primeira leitura (At. 2,1-11) conta que, no dia do Pentecostes, o Espírito Santo manifestou a sua presença. São dois momentos do mesmo mistério, ou talvez duas maneiras de o descrever.
Não se conclua daqui que o Espírito Santo só começou a atuar no dia do Pentecostes. “Não há dúvida de que o Espírito Santo já atuava no mundo antes de Cristo ser glorificado” (Concílio II do Vaticano, Ad Gentes, 4). Desde que há homens na Terra, o Espírito está junto à inteligência e ao coração de cada um, chamando-o à fidelidade aos outros homens, abrindo-lhe caminhos para entender a presença de Deus. Por outro lado, a ressurreição de Jesus e a sua partida para o Pai inauguram um tempo novo, que pode e deve ser chamado o tempo do Espírito Santo. O Pentecostes manifesta, quer o antigo, quer o novo trabalho do Espírito.
Para os judeus daquela época, o Pentecostes era a festa da Lei. Uma tradição afirmava que o povo tinha alcançado o Sinai 50 dias depois da fuga do Egito, e aí Moisés recebera das mãos de Yahweh as tábuas da Lei. É possível que o texto dos Atos dos Apóstolos tenha a intenção de inculcar que a Lei fica doravante superada pela presença do Espírito.
A frase “Jesus Cristo é Senhor” é talvez a mais antiga profissão de fé dos cristãos. Na segunda leitura (1Cor. 12,12-13), são Paulo afirma que ninguém é capaz de fazer esta profissão de maneira profunda se o Espírito Santo o não apoiar. Isto contraria a nossa suficiência, a idéia de que não precisamos de ninguém que nos indique o caminho, mas é um eco de várias afirmações de Jesus (Mt. 11,27; Lc. 10,22; Jo. 15,4). São Paulo ensina ainda que os vários dons extraordinários que se manifestavam entre os cristãos de Corinto não eram para glória de nenhum deles. Esses dons provinham do Espírito e eram para o bem de todos.
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”



1. Na noite do primeiro dia da semana em que Jesus ressuscitou, Ele apareceu aos discípulos que estavam reunidos no cenáculo. Deu-lhes a paz e depois acrescentou: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos” (Jo. 20,22-23). Assim, foi no dia da ressurreição que o Senhor deu aos discípulos o Espírito Santo que lhes prometera. Jesus viveu ainda com eles durante 40 dias. Depois, no Monte da Ascensão, pediu-lhes que se mantivessem reunidos. Finalmente, no Dia de Pentecostes, o Espírito Santo manifestou-se por muitos sinais, o vento impetuoso, as línguas de fogo e, sobretudo, a eloquência de Pedro que anunciou a todos Cristo Ressuscitado. Foi nesse dia que 3.000 judeus, vindos de toda a parte de Jerusalém, para celebrarem a festa, tiveram a certeza de que Jesus estava vivo e aderiram à comunidade cristã nascente. Os Atos dos Apóstolos que contam os fatos anotam que aqueles 3.000 homens quiseram perguntar a Pedro o que tinham que fazer, a que Pedro respondeu: aceitai a senhoria absoluta de Cristo Ressuscitado (cf. At. 2,38). Os sinais do Espírito descritos por Lucas no livro dos Atos são estes:
• uma rajada de vento impetuoso, expressão do sopro do Espírito que a todos possuiu para serem capazes de anunciar a Boa Nova;
• as línguas de fogo que pousaram sobre os apóstolos, símbolo do amor que os dominou completamente para irem ao encontro de todos os homens levando-lhes a verdade, a justiça, a paz;
• o dom das línguas, permitindo a todos os judeus vindos de muita parte do mundo, entenderem a mensagem de Pedro apesar da diversidade da linguagem;
• o discurso de Pedro, pescador humilde e sem cultura, mas que, com a eloquência da fé, soube proclamar claramente a ressurreição do Senhor;
• a aceitação incondicional daqueles homens que, na força do Espírito, se abriram completamente às maravilhas de Deus;
Estes sinais foram tão convincentes que, a partir deles, nasceu a primeira comunidade de Jerusalém onde todos “estavam unidos na doutrina dos Apóstolos, na fração do pão, na Eucaristia e nas orações, pondo tudo em comum” (At. 2,42). O Dia de Pentecostes foi o dia da manifestação do Espírito.
2. O Espírito Santo vem com todos os seus dons para iluminar o homem crente tornando-o capaz de irradiar o Evangelho. Pelos dons do Espírito o ser humano é enriquecido na inteligência, na vontade e na sensibilidade. Sem os dons do Espírito, o cristão não seria capaz de manter-se fiel até ao fim, no mundo adverso onde percorre caminhos sempre difíceis. Pelo Espírito Santo recebido no batismo e reafirmado no sacramento da Confirmação o “homem peregrino” consegue ultrapassar as dificuldades e viver de forma mais intensa o projeto de Deus. Pelos dons do Espírito o cristão é um homem novo que irradia em todo o lugar a sua fé, a sua esperança, o seu amor.
• Os dons que iluminam a inteligência são: a sabedoria que permite conhecer o mistério de Deus, o entendimento que ajuda a compreender as verdades que de Deus nos vêm e a ciência que leva a ver realidades humanas com os olhos de Deus.
• Os dons que valorizam a vontade são: a fortaleza que dá coragem para ser fiel mesmo a contra-gosto e o conselho que favorece o discernimento para que sejam corretas as escolhas a fazer.
• Os dons que enriquecem a sensibilidade são: a piedade que valoriza a relação de amor com Deus, o amor filial resposta ao dom gratuito e o temor de Deus que outra coisa não é do que o receio de não amar Deus quanto Ele tem direito a ser amado.
Os sete dons do Espírito Santo constituem a força maior que leva o cristão a ser capaz de viver sempre como tal em todas as situações da sua vida. Invocar o Espírito Santo e pedir-lhe a abundância dos seus dons é elemento facilitador de uma vida cristã comprometida na família, no trabalho, na sociedade. Do Espírito Santo poderia dizer-se também “tudo posso naquele que me dá força” (Fl. 4,13).
3. Quando possuídos pelo Espírito Santo os cristãos participam dos seus frutos. O Espírito Santo não é estéril, transforma completamente aqueles que n’Ele crêem e que com Ele contam. É Paulo na Carta aos Gálatas que o diz expressamente quando, ao falar da liberdade, faz a distinção entre a liberdade dos instintos e a liberdade do Espírito. Se a primeira gera conflitos e discórdias, a liberdade do Espírito gera uma série de dons que provocam a comunhão. Há 3 ordens de frutos:
• O amor, a alegria e a paz são frutos do Espírito que moram no homem cristão e o transformam profundamente a ponto de, nas situações mais difíceis, se manter tranquilo e mesmo “feliz”.
• A paciência, a benignidade e a bondade são frutos do Espírito que alimentam a relação humana tornando cada crente capaz de serenidade em situações difíceis, de ternura junto dos que mais precisam, de simpatia e afabilidade para com todos.
• A fidelidade, a mansidão e o auto-domínio são frutos do Espírito que geram a capacidade de ir até às últimas consequências nos grandes compromissos que o cristão é capaz de assumir.
Todos os cristãos devem ter consciência destes frutos do Espírito em toda a sua vida. Eles são o resultado da mais profunda comunhão com o Espírito de Cristo, o Consolador, que constantemente ensina toda a verdade e recorda o que cada um vai esquecendo ao longo da vida.
4. O sacramento da confirmação dá a plenitude do Espírito Santo. Sábado passado 58 cristãos da nossa comunidade receberam, das mãos do nosso patriarca, a confirmação ou crisma. Marcados pelo óleo santo passaram a ser apóstolos na comunidade. Todos os que recebemos este grande sacramento não só descobrimos a alegria da fidelidade aos dons de Deus, como assumimos o compromisso de transmitir aos outros Aquele em quem acreditamos. Neste dia de Pentecostes pedimos ao Espírito Santo que nos possua e nos torne apóstolos para levarmos “o Evangelho a toda a criatura” (cf. Mc. 16,15).




Na força do espírito
Foi no dia da Ressurreição que Jesus deu aos Apóstolos o Espírito Santo. Como se lê no Evangelho de hoje, Jesus disse-lhes: “recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos.”(Jo. 20, 23). A partir daí os Apóstolos estão cheios do Espírito Santo. Cinquenta dias depois, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo foi manifestado a todos os povos. Os sinais que o povo de Jerusalém conheceu, o ruído de vento impetuoso, as línguas de fogo, o dom de falar muitas línguas, revelavam que o Espírito Santo estava sobre os Apóstolos. É então, na força do Espírito, que Pedro proclama Cristo Ressuscitado à imensa gente, vinda de todos os lados. A narrativa do Evangelho de S. João e dos Atos dos Apóstolos, significa que, desde a Ressurreição de Jesus, os Apóstolos receberam o dom do Espírito, o dom do amor. Durante cinquenta dias puderam preparar-se para o tempo da manifestação. Foi então, na manhã de Pentecostes, que o Senhor se manifestou no seu Espírito através do primeiro discurso de Pedro.
Perguntar-se-á, então, quem é o Espírito. Habitualmente atribui-se a Deus Pai a Criação, a Deus Filho a Redenção e a Deus Espírito a Santificação. O três grandes mistérios da vida, porém, são realizados por toda a divindade: o Espírito de Deus pairava sobre as águas (na Criação), o Espírito de Deus fecundou Maria e nasceu Jesus (na Redenção), o Espírito de Deus é o Paráclito que, permanentemente, é a garantia de Salvação (na Santificação). O Espírito Santo, o Amor entre o Pai e o Filho na Trindade, é fonte de vida nova no ser humano, na humanidade inteira.
O Espírito Santo é dado aos Apóstolos com a riqueza dos seus dons. Se o ser humano é um ser espiritual, dotado de inteligência, vontade e sensibilidade, o Espírito vem enriquecê-lo com a força dos seus dons: a sabedoria, o entendimento e a ciência permitem conhecer o mistério de Deus e a sua verdade, e permitem também entender todas as coisas à luz de Deus; a fortaleza e o conselho valorizam a vontade, uma vez que permitem o discernimento essencial às escolhas que o ser humano deve fazer; a piedade e o temor de Deus dão um sentido novo ao amor, conferindo ao homem a capacidade de amar a Deus e de, por Ele, ser amado ao longo da vida.
Os frutos do Espírito são-nos revelados por S. Paulo na sua Carta aos Gálatas. O Apóstolo convida-nos a viver segundo o Espírito com amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade e domínio de si próprio (cf Gal. 5, 22). Com a riqueza do Espírito, o ser humano atinge a felicidade verdadeira.
Não pode porém, esquecer-se que o Espírito Santo é fonte de unidade. Na diversidade normal de vocações, funções e carismas, o Espírito Santo congrega-nos num só Corpo, o Corpo Místico de Cristo que é a Igreja.
Paróquia Campo Grande



"Como o Pai me enviou, também eu vos envio"
Hoje é o domingo de Pentecostes. Com a festa de hoje, estamos chegando ao fim do Tempo Pascal, tempo celebrado com alegria e exultação, um só dia de festa que durou cinqüenta dias, "um grande domingo", tempo marcado pelo canto e pelo sentimento do "Aleluia".
 O importante é celebrarmos a festa de hoje intimamente ligada à Páscoa e a todo o Tempo pascal. O Pentecostes cristão não é a festa do Espírito Santo em si. A vinda do Espírito Santo, em Pentecostes, é um acontecimento de salvação. Representa o cume do mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo. É a festa que dá coroamento à Páscoa de Cristo. "Para levar à plenitude os mistérios da páscoa, o Senhor derramou, hoje, o Espírito Santo prometido, em favor de seus filhos e filhas." (prefácio da missa do dia).
 Demos graças ao Pai porque o Espírito revelou a todos os povos o mistério escondido nos séculos e reuniu todas as raças na alegria da salvação. Somos, hoje, revestidos da força do Espírito para sermos testemunhas do Cristo ressuscitado.
Primeira leitura: Atos 2,1-11
A narração de Pentecostes tem três partes: a vinda do Espírito Santo sobre a assembléia dos apóstolos, dos irmãos de Jesus, da Mãe de Jesus e outras mulheres, reunida no cenáculo (Atos 2,1-13; cf. 1,13-14); a pregação de Pedro (Atos 2,14-36); a conversão dos ouvintes (Atos 2,37-41). Na primeira e na segunda parte acentua-se a alcance universal do acontecimento. Em primeiro lugar pela lista dos povos (Atos 2,9-11), a qual indica que os apóstolos têm uma missão junto a todas as nações.
No Primeiro Testamento o Espírito de Deus é geralmente dado a indivíduos ou grupos dentro do povo, que agem como representantes quer de Deus junto ao povo, quer do povo junto a Deus. Para o futuro esperava-se e profetizava-se a participação do povo todo no Espírito de Deus (cf. Números 11,29; Isaias 44,3; Joel 3,1-5).
A festa de Pentecostes era de origem agrícola, mas, recebeu como a Páscoa, uma interpretação diferente. As duas festas tornaram-se celebrações comemorativas de acontecimentos importantes da história de salvação do povo. A Páscoa da libertação da escravidão do Egito; o Pentecostes da Aliança que Deus selou no monte Sinai. A narração do Pentecostes do Espírito de Atos 2,1-13 está cheia de referências de dados bíblicos e extra-bíblicos sobre esta festa. Parece que, através destas referências, quis-se propor o novo Pentecostes como uma nova Aliança.
Certamente não foi por acaso que a descida do Espírito Santo aconteceu no dia de Pentecostes. Como já afirmamos, esta festa era a festa das colheitas, festa de plenitude e de abundância (Êxodo 23,16; 24,22), mas também de contribuição, isto é, de homenagem a tudo aquilo que a natureza determina. Encontra rapidamente seu lugar entre as celebrações da história da salvação: Deuteronômio 26,1-11 já prescreve ao judeu que vem oferecer os primeiros frutos de sua colheita que faça uma profissão de fé reconhecendo nas suas terras um dom de Deus.
 Muito cedo, aliás, a data da festa foi fixada no qüinquagésimo dia depois da Páscoa (Deuteronômio 16,9-12). Vários cálculos diferentes poderão ser observados, especialmente aquele que, em nome do tema da nova criação, fazia Pentecostes cair no primeiro dia da semana (domingo). Como todos os cálculos fixavam Pentecostes no terceiro mês, tiveram interesse mais particularmente pelo acontecimento que se deu no deserto durante este período: a chegada do Povo de Deus ao monte Sinai. Páscoa havia proporcionado a libertação de fato do Egito; Pentecostes aprova a libertação de direito. Na realidade Pentecostes realizava o que a Páscoa conquistou, recolhia os frutos merecidos na Páscoa, "institucionalizava" o "acontecimento" pascal.
Convencido de que Pentecostes era a festa da Aliança, o autor do "Livro dos Jubileus" dos judeus (que não pertence ao cânon do Primeiro Testamento) fixou neste dia todas as alianças concluídas por Deus com Noé, Abraão ou Moisés. Aliás, vários reis renovavam a Aliança no dia de Pentecostes (2 Crônicas 15,10-15; Salmo 67/68,15-19, que sempre foi um salmo para Pentecostes).
 A ligação da Ascensão com Pentecostes já é significativa: é preciso que Cristo suba para que seja "dado" o Espírito Santo. Esta idéia é tirada do Salmo 67/68,19 (cf. Atos 2,33), que era cantado na liturgia judaica de Pentecostes, e as explicações do judaísmo aplicavam estes versículos a Moisés "subindo" ao monte Sinai para que a Lei e a Aliança "descessem" de lá (Deuteronômio 30,12-13; cf. João 16,7). É cantado também na liturgia cristã como canto de abertura.
Além disso, o barulho e a forte ventania relacionados ao versículo 2, são típicos da Aliança do Sinai (Hebreus 12,18-19; Êxodo 19,16). Estas manifestações "invadem toda a casa" assim como o Sinai estava "todo" abrasado (Êxodo 19,18). O vento vem do céu como o que sopra sobre a montanha (Êxodo 19,3; Deuteronômio 4,36).
As línguas de fogo também se explicavam no contexto do Sinai (v. 3). Várias explicações imaginavam que a voz manifestada sobre o Sinai dividia-se em sete ou em setenta línguas para revelar o universalismo de sua mensagem: a Palavra de Deus foi, de fato, levada a todas as nações, mesmo que Israel tenha sido o único a ouvi-la. Compreenderemos que estas línguas tenham sido de fogo se nos voltarmos ao Êxodo 19,18 e 24,17, bem como ao Deuteronômio 4,15 e 5,5 que, na teofania do Sinai, mostram o Senhor falando na chama.
Assim para os primeiros cristãos, Pentecostes aparece como a inauguração da nova Aliança e a publicação oficial de uma lei que não é mais gravada sobre a pedra, mas no Espírito e na liberdade (versículo 4; cf. Ezequiel 11,19; 36,26). Não há dúvida de que esta convicção contribui muito para a redação das imagens do relato da descida do Espírito Santo. Contudo, o essencial ultrapassa as imagens: Deus não dá apenas uma lei, mas o seu próprio Espírito.
Mas o que significa este falar em línguas? Tratava-se de sons que não tinham sentido para o ouvido humano ou de várias línguas faladas ao mesmo tempo? Este fenômeno se verificou muitas vezes nas comunidades primitivas: em Corinto na Grécia (1 Coríntios 12,30; 13,1; 14,2-39), em Cesaréia (Atos 10,45-46) e em Éfeso (Atos 19,6). É preciso entender que este costume de falar em línguas, já existia nos cultos pagãos, e acabou entrando para as comunidades cristãs.
Ora, todas as testemunhas fazem deste fenômeno, por oposição à profecia, um carisma que serve menos para instruir a assembléia do que para enaltecer a Deus (versículo 11; cf. 1 Coríntios 14,2; 2,14-15; Atos 10,46). Trata-se, pois, de um "falar a Deus" que pode parecer estranho a muitos (vs. 12-13; cf. 1 Coríntios 14,23) e que seria uma "língua estática", isto é, as pessoas ficavam "em êxtase" e muitos não compreendiam o que falavam (cf. 1 Samuel 10,5-6; 10,13), manifestação mais ou menos psicológica compreendida como penhor da futura espiritualização das pessoas.
 Mas qual mesmo o significado do falar em línguas? Lucas dá uma explicação pessoal para corrigir as interpretações erradas da época. O Evangelista Lucas converte o fenômeno estático do "falar a Deus" num "falar a todas as pessoas" em várias línguas, isto é, em vários idiomas. Significa que a Igreja é missionária e se se coloca a serviço de todas as línguas e de todas as nações e culturas. E também significa que a evangelização tinha atingido todas essas nações. Os versículos 4 e 6, que fornecem esta interpretação, revelam precisamente um vocabulário próprio de Lucas. Assim, deveríamos distinguir, para além do relato do acontecimento, a interpretação universalista que Lucas pretende dar (cf. Lucas 3,6; Atos 28,28; Lucas 24,47; Atos 1,8; 13,47, etc.)
A Igreja nasceu universal e a Aliança que o Espírito concluiu com ela interessa a toda a humanidade. Portanto, ela será missionária até o fim dos tempos, mas colocando-se a serviço de todas as línguas e de todas as culturas. Porque assume todas, sem dar prioridade a nenhuma delas.
Seguir os estímulos do Espírito é fazer penetrar é fazer penetrar o mistério de Cristo e de seu sacrifício em pleno coração do dinamismo espiritual que anima os povos e as culturas. É toda a realidade humana e, com ela, toda a criação que deve passar da morte à vida.
O Espírito opera na Eucaristia como um novo Pentecostes. Reunidos em torno do Ressuscitado, os filhos e filhas adotivos dão graças por Ele, Nele e com Ele. E os ausentes estão de certa forma, presentes, pois a convocação que reúne os "já presentes" se dirige a todos os seres humanos e só terminará quando os "já reunidos" se tornarem "reunidores" dos ausentes.
Salmo responsorial: 103/104,1ab.24.29-31.34
O início do Salmo está no singular. Não que seja um Salmo individualista. O termo "minha alma" não representa uma pessoa, mas o "eu Israel", isto é, o "eu povo".
Este Salmo segue a mesma ordem do universo que Gênesis capítulo1. O Espírito de Deus está na origem de todos os seres e da vida. Esse Espírito renova a face da terra, isto é, renova todas as criaturas.
O grande mistério da vida, os animais que morrem e se corrompem, os que nascem e se multiplicam. É o mistério de uma vida que Deus infunde como uma respiração sua: respiração criadora, vivificante e renovadora. A grande descoberta da beleza do mundo acontece louvando a Deus.
O salmista reconhece que, quando Deus envia seu Espírito, o universo renova-se e exultam de alegria de alegria todas as suas criaturas (cf. salmo responsorial 103/104).
O rosto de Deus neste Salmo tem seu eixo central em "amor e compaixão" e fornecem um retrato grandioso de Deus. Ele é mais uma vez o aliado fiel. Mais ainda: mesmo que o povo não lhe seja fiel e peque, ele permanece fiel e perdoa. Compaixão é a mais preciosa qualidade de um pai. É também a maior característica de Deus. é o aliado compassivo que caminha com seu povo dando-lhe o hálito da vida e perdoando, pois foi ele quem nos criou.
De Jesus se diz que "amou até o fim", isto é, até as ultimas conseqüências (João 13,1), a compaixão é a sua característica principal diante do sofrimento ou clamor das pessoas (Mateus 9,36; 14,14; 15,32; 20,34; Marcos 6,34; 8,2; Lucas 7,13).
Podemos imaginar este Salmo a ser recitado pelos ouvintes, pelos, e agora por nós. A dádiva do Espírito aos cristãos (v. 30) leva a cumprimento a obra da Criação, porque restitui vida ao que o nosso pecado parecia levar à ruína e à morte.
Bendigamos ao Senhor pelo seu Espírito presente no mundo, e peçamos que renove a criação e todas as culturas.
Segunda leitura: 1 Coríntios 12,3b-7.12-13
Um dos problemas que o apóstolo Paulo tinha de tratar na sua carta pastoral à comunidade de Corinto era aquele dos "carismas". Ele trata deles demoradamente (1 Coríntios 11,2-16; 12,1-14,39). A leitura de hoje tira algumas frases deste contexto maior.
A comunidade de Corinto passa pela tentação do sincretismo religioso: o mundo pagão pretende obter um "conhecimento" de Deus através de transes e de fenômenos extáticos, isto é, de línguas estranhas. Esse costume vem do paganismo e acabou entrando nas comunidades cristãs. Ora, como vimos na primeira leitura (Atos 2,1-11), as primeiras comunidades cristãs também gozam de certos carismas. Daí o perigo de confundirmos o conhecimento de Deus pela fé com os sinais que o acompanham.
Um segundo critério de discernimento verifica-se na colaboração dos mais diversos carismas com o único plano de Deus (versículos 4-6). O politeísmo pagão gozava também de carismas bastante variados conferidos por deuses diferentes. Na Igreja de Cristo, ao contrário, tudo se unifica na vida da Trindade, quer se trate de graças particulares, de funções comunitárias ou de operações maravilhosas.
É preciso entender que é um Deus único que está na origem de todos os carismas, por isso não pode existir oposição entre eles, assim como também não pode haver concorrência entre os que os recebem. Se existir oposição, é porque não vem do Deus Trindade.
O terceiro critério de discernimento dos carismas consiste na sua maior ou menor capacidade de servir o bem comum (v. 7) e a unidade do corpo que é a comunidade (vs. 12-13). Com efeito, os carismas são distribuídos tendo em vista para a utilidade de todos: aquele que só serve para um indivíduo ou não tem nenhuma repercussão na assembléia deve ser excluído da comunidade; tais são, por exemplo, as cenas de êxtase e de embriaguez. Além disso, os carismas devem servir para o desabrochamento e para a vitalidade da comunidade. Como este reduz à unidade seus mais variados membros, assim a Igreja reduz todas as funções que nela se desabrocham à unidade do Espírito que a anima na caminhada (vs. 12-13).
O Espírito que recebemos no batismo e que se renova na comunhão cria comunidade, une os membros da comunidade "num só corpo", o Corpo de Cristo, a Igreja. Os novos cânones da missa insistem muito nisso.
Além da presença fundamental do Espírito em todos os cristãos, que é o mais importante e o critério das demais formas de presença a atuação do Espírito, existem na comunidade "dons espirituais" (1 Coríntios 12,1), que se chamam também "carismas" (v. 4), "ministérios ou serviços" (v. 5) e "forças" ou, conforme a tradução da Bíblia na Linguagem de Hoje, "habilidades para fazer seu trabalho". São provas da presença do Espírito Santo que Deus dá a cada um para o bem de todos (v. 7). Isto quer dizer, primeiro, que a influência do Espírito recebido no batismo e renovado na comunhão não se esgota na confissão verbal "Jesus é o Senhor" ou, em outras palavras, em uma fé da boca para fora. Para ser autêntica ela há de se encarnar no serviço eficaz à comunidade.
A manifestação efetiva do Espírito Santo em todos os membros da comunidade vai salvá-la íntegra respeitando-se tanto a origem como a finalidade dos dons. A origem dos dons é divina, não humana; é universal (batismo e comunhão), não particular (privilégio do clero, dos religiosos, de alguns "grupos carismáticos". A finalidade é a utilidade comunitária. Na comunidade cristã existe somente hierarquia no serviço, não na dominação. Ninguém é dono, nem de seus próprios dons e nem da própria vida. Menos ainda dos dons dos outros: "um é o Senhor" (v. 5). Os dons vem do mesmo Deus, do mesmo Senhor, do mesmo Espírito, que os dá a todos para servir à comunidade (v. 4-6).
Ao construir o Corpo Místico, a eucaristia reúne mentalidades e carismas muito diversos, mas desejosos de colaborar no amor e na unidade.
Evangelho: João 20,19-23
Para o evangelista João, o Pentecostes acontece no "Domingo de Páscoa". Para ele a ressurreição e a vinda do Espírito Santo fazem parte do mesmo acontecimento. O Espírito Santo é um dom que procede diretamente de Cristo ressuscitado, representa seu sopro de vida.
O evangelista Lucas situa a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes. O Pentecostes como já vimos, era uma festa celebrada pelos israelitas cinqüenta dias após a Páscoa. De festa agrícola, na qual se agradecia a Deus pela colheita do trigo, transformou-se na comemoração da constituição do povo pela Aliança firmada no Sinai. Para o autor dos Atos dos Apóstolos que é Lucas, o Espírito Santo é a lei da nova Aliança e, por Ele, constitui-se a comunidade do novo Povo de Deus.
O capítulo 20 de João descreve os últimos sinais que Jesus realizou. Todos os sinais anteriores preparam e culminam nestes. Estes últimos sinais realizaram-se no primeiro dia (v. 19) e no segundo (v. 26) dos "primeiros dias da semana" ou "domingos" (cf. Apocalipse 1,10): "dia do Senhor". É importante captar a intenção do evangelista. Ele escreveu no fim do primeiro século. Durante várias décadas as comunidades cristãs se reuniam no primeiro dia da semana para celebrar e Eucaristia e comemorar a ressurreição do Senhor Jesus (Atos 20,7-12; 1 Coríntios 16,2). O evangelista ensina que a celebração dominical tem as suas raízes na reunião vespertina no primeiro dia da semana em que Jesus ressurgiu do sepulcro e subiu para seu Pai, e na repetição desta reunião oito dias depois. Essas reuniões de Jesus ressuscitado com os Seus discípulos são a inauguração das assembléias semanais das comunidades cristãs de todos os tempos. Todas elas são assembléias ao redor do Senhor ressuscitado, em que Ele está realmente presente como naquelas primeiras assembléias. Naqueles dois primeiros domingos Jesus veio ainda de modo visível, depois de modo invisível. "Felizes, porém, os que crêem sem O ver" (João 20,29). Hoje Ele está presente de maneira invisível, mas não menos real.
Os vs. 19-23 descrevem o mesmo fato que Lucas 24,36-43 narra sobre a as aparições do Senhor Ressuscitado. Jesus aparece, transformado; passa através de portas fechadas. João é mais claro do que Lucas, que apenas diz que Jesus esta de repente no meio; João menciona que as portas estavam fechadas por medo dos judeus, um motivo bem do evangelista (cf. 7,13; 19,38), refletindo talvez a situação dos cristãos no fim do século I (perseguição, exclusão da sinagoga, etc. cf. 9,22; 12,42s). João dá um sentido profundo ao tema da alegria.
Na segunda etapa (vs. 21-23), destaca-se a fundação da Igreja que se realiza em três atos: a comunicação da missão (v. 21b), do Espírito Santo (v. 22) e do poder de perdoar e reter os pecados (v. 23). Esta fundação da Igreja nestes três atos é obra do Senhor morto e ressuscitado realizada no primeiro dos "primeiros dias da semana". Ela não se repete, mas se renova e atualiza em cada celebração eucarística dominical em que se celebra a "memória" da mesma.
A ressurreição de Jesus não é uma simples "revitalizaçao" como a de Lázaro: o corpo de Jesus ressuscitado entrou num modo de existência diferente do modo terrestre: empregando a linguagem mítica judaica, Ele está "sentado à direita do Pai". Jesus ressuscitado tem um corpo, mas este corpo é totalmente diferente do que Ele tinha durante sua vida terrestre. Tudo isso significa simplesmente que não podemos conhecer o Cristo ressuscitado do mesmo modo que o Jesus terrestre e que esse novo conhecimento põe em jogo nossa liberdade.
São João afirma que Ele mostra aos discípulos as mãos e o lado. Isto significa que o Ressuscitado é o Crucificado e o Crucificado é o Ressuscitado, isto é, era a mesma pessoa e não um espírito de luz (João 20,20; 25-27). No Evangelho de São Lucas Jesus aparece após a ressurreição e mostra aos seus discípulos as mãos e os pés e os introduz na plenitude da mensagem da Páscoa. Tanto em São João como em São Lucas, trata-se das chagas da crucificação que o Cristo ressuscitado mostra a eles.
Jesus se dirige aos discípulos com um voto de paz. Repete esse voto por três vezes nesta narração (vs. 19.21.26). É a hora em que se realizam as promessas feitas por Jesus na sua Despedida: os seus hão de revê-lo (14,19; 16,16 ss.) com alegria (16,21s.24; cf. 15,11) e lhes dá a sua paz (14,27). A alegria e a paz formam um contraste claro com o medo em face dos judeus, que marca o início da cena. Realiza-se a promessa: "Tende coragem, eu venci o mundo" (16,33; cf. 16,11).
O dom do Espírito Santo também faz parte da realização das promessas da Despedida. João desconhece a separação temporal da Ressurreição do dom do Espírito Santo, característica de Lucas (Lucas 24,49; Atos 1,4; 2,1 ss.). Na concepção de João o dom do Espírito Santo depende somente do exercício do senhorio de Jesus, isto é, da sua glorificação, que coincide com a "morte-ressurreição", a "exaltação" de Jesus. Aqui mostra-se o sentido profundo de chamar o Jesus ressuscitado de "Senhor". A ressurreição é exercício do senhorio de Jesus Cristo sobre no céu e na terra.
O dom do Espírito Santo é uma missão para os que o recebem, prolongamento da própria missão de Jesus (v. 22; cf. 17,18). Jesus "sopra" sobre eles o Espírito (= "sopro") Santo, para que perdoem ou retenham os pecados. Terão, portanto, a missão de tirar o pecado do mundo, exatamente como Jesus (cf. 1,29-36). Se o fizerem, será válido; se não fizerem, também (v. 23). Mas, isto não significa que poderão julgar de maneira arbitrária. Significa que eles têm o poder de santificação pelo Espírito Renovador (cf. Salmo 51/50,12-14; Ezequiel 11,19; 36,25-27; também Salmo 104/103,30).
Portanto, por sua ressurreição, Cristo tornou-se o Homem novo, animado pelo sopro que presidirá os últimos tempos e purificará a humanidade. Conferindo a seus discípulos o poder de perdoar os pecados, o Senhor não institui apenas um sacramento de penitência; Ele divide seu triunfo sobre o mal e o pecado.
Considerando a semelhança entre a missão dos discípulos e a de Cristo, explicitamente no v. 22, podemos dizer que agora não é só Jesus "aquele que batiza no Espírito Santo" (1,29.36), mas que esta missão é confiada, com eficácia divina à comunidade da Igreja.
Da Palavra celebrada ao cotidiano da vida
O Evangelho narra a aparição de Jesus ressuscitado á comunidade reunida. É fundamental voltarmos o nosso olhar para o momento que Jesus escolheu: a comunidade reunida! A comunidade cristã reunida deve aparecer como sinal de Cristo ressuscitado "a paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio" (João 20,21). Isto mostra que a Igreja já nasceu missionária.
Na tarde do primeiro dia da semana, os discípulos estavam reunidos, de portas fechadas, quando o Senhor apareceu, ressuscitado. Era Ele mesmo. Fez questão de mostrar em seu corpo as marcas da paixão, para que ninguém tivesse dúvidas. Do lado dos discípulos, havia o medo, a incredulidade, a tristeza. Do lado de Jesus, a paz, a reconciliação e uma força capaz de provocar uma nova atitude no meio da comunidade.
Podemos perceber claramente que ao aparecer "no meio deles", Jesus assume-se como ponto de referência, fator de unidade. A comunidade está reunida em volta dele, pois Ele é o centro onde todos vão beber essa vida que lhes permite vencer o "medo" e a hostilidade do mundo.
Jesus passa para os discípulos a missão que recebeu do Pai, dando-lhes o dom do Espírito Santo e a graça de oferecer o perdão.
Jesus "soprou" sobre os discípulos reunidos em sua volta. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto grego de Gênesis 2,7, o qual diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida de Deus. Com um "sopro", Jesus transmite aos discípulos a vida nova que fará deles homens novos. Agora, os discípulos possuem o Espírito, a vida de Deus, para poderem como o Mestre dar-se generosamente aos outros. É esse Espírito que constitui e anima nossas comunidades cristãs.
Jesus aparece-lhes não só para que dessem testemunho de sua ressurreição, mas também para dar-lhes o Espírito Santo e enviar-lhes em missão.
Nós somos agora o "espaço" da salvação de Deus, do qual podem brotar equilíbrio e vida plena paras todos. Tornando-nos missionários da reconciliação pelo exercício do perdão. Isso, com certeza, é paz, justiça, saúde e vida para todos. "Como o Pai me enviou, também eu envio vocês", disse Jesus. Daí a importância de vivermos em comunidade, a exemplo das primeiras comunidades cristãs, perseverantes na escuta da Palavra, na comunhão fraterna (caridade, solidariedade, ajuda mútua, partilha de bens, serviço à vida), na fração do pão (Eucaristia como memorial de Jesus) e nas orações diárias como alimento da fé.
A Palavra que ouvimos neste domingo de Pentecostes não é apenas para recordar um fato acontecido há mais de 2011 anos, mas é, sobretudo uma palavra dirigida a nós, hoje, Igreja de Jesus Cristo encarnada no mundo em pleno século XXI.
A festa de Pentecostes, cume da festa da Páscoa, aviva e ajuda nossa Igreja e nosso mundo, que quer "ver Jesus". Um lugar privilegiado, não único, mas especial, pra "vermos Jesus", é a comunidade reunida em torno da Palavra de Deus, da eucaristia e da caridade. A partir da Palavra que ouvimos hoje, surgem muitas perguntas: a Igreja de que fazemos parte é uma comunidade de irmãos que se amam, apesar das diferenças? Está reunida por causa de Jesus e ao redor de Jesus? Tem consciência de que o Espírito Santo está presente e que a anima? Testemunha, de forma efetiva e coerente, a proposta libertadora que Jesus deixou?
É preciso ter consciência da presença do Espírito Santo: é Ele que alimenta, que dá vida, que anima, que distribui os dons conforme as necessidades; é Ele que conduz as comunidades na sua marcha pela história. Ele foi distribuído a todos os fiéis e reside na totalidade da comunidade.
"Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho é uma letra morta, a Igreja é uma simples organização, a autoridade é um poder, a missão é uma propaganda, o culto é um arcaísmo, e a ação moral é uma ação de escravos. Mas no Espírito Santo o cosmo é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo ressuscitado faz-se presente, o Evangelho faz-se força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade transforma-se em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a ação humana deifica-se" (Do patriarca Atenágoras, da Igreja Ortodoxa, falecido em 1978 em Istambul)
Como vimos no Evangelho, a comunidade cristã só existe de forma consistente se tiver como ponto central Jesus Cristo. Jesus é a sua identidade e a sua razão de ser. É nele que superamos os nossos medos, as nossas incertezas, as nossas limitações.
O Espírito Santo sopra onde quer. Não é apenas um dom individual, mas, sobretudo um fenômeno comunitário. Quando age, é para que a comunidade "reveja" suas orientações. O Espírito Santo mora dentro de cada um de nós. A Seqüência da missa de hoje o qualifica de muitas maneiras: luz, pai dos pobres, dispensador de dons, lava o que é impuro, rega o campo seco, torna maleável o rígido, cura o ferido... Vivemos o tempo do Espírito. Caminhando conosco, Ele nos leva até a consumação dos tempos.
A Palavra se faz celebração
O Ressuscitado nos dá o seu Espírito
A Páscoa que compreende vida-ressurreição de Jesus Cristo completa seu ciclo com o Pentecostes. Em todo o Mistério Pascal nos é dado conhecer a ação salvadora de Jesus Cristo, enviado do Pai, movida pela força do Espírito Santo. É pelo Espírito que podemos confessá-Lo nosso Messias-Salvador. Após sua morte e ressurreição nos dá seu Espírito para continuarmos sua missão, fazermos o Reino de Deus presente. O importante a marcar aqui, é a pessoa do Espírito Santo. Na Sagrada Escritura encontramos ao menos três referências ao Espírito que são dignas de nota: Espírito de Deus (mais comum no Primeiro Testamento), Espírito de Cristo e Espírito Santo (Novo Testamento). A primeira referência marca o Espírito do Pai que sustenta e move seu Messias e o Espírito de Cristo, o dom do Ressuscitado para a Igreja. Mas, não se trata de outro espírito. Para expressar a identidade do Espírito do Pai e do Filho, o teólogo Xabier Pikaza recorre ao esquema calcedoniano das duas naturezas de Cristo (humana e divina). Assim o Espírito do Pai que se auto-doa a Jesus, fazendo-O surgir como Seu Filho e o Espírito de Jesus, o Filho, que se entrega ao Pai, são um e o mesmo. Esse mesmo Espírito é enviado pelo Filho em Pentecostes à Igreja. Assim com a Solenidade de Pentecostes celebramos plenamente o Mistério de nossa salvação. Em Jesus somos feitos filhos no Filho, fazemos parte da vida divina.
O Espírito Santo nos santifica
A oração eucarística III, referindo-se ao Espírito Santo, depois de suplicar que os comungantes sejam em Cristo incorporados pela participação do pão e do vinho, traz uma interessante afirmação: "Que ele faça de nós uma oferenda perfeita para alcançarmos a vida eterna com os vossos santos". Sim o Espírito que tudo santifica, incorporou-nos a Cristo pelo batismo e continuamente fortalece essa adesão ao Senhor por meio da comunhão no Seu Corpo e no Seu Sangue. Ao nos incorporar a Cristo, tornamo-nos Nele uma oferenda perfeita para Deus.Santificados pelo próprio Espírito e por Sua ação misteriosa, alcançamos a estatura em Cristo para exercer o culto agradável a Deus.
padre Benedito Mazeti



1 – Em Deus circula a vida, na plenitude do Amor. Celebrar o Pentecostes é celebrar a vida nova que nos é dado por Jesus Cristo. Três dias depois da crucifixão e morte, o primeiro dia da semana, o primeiro dia da nova criação, o túmulo reenvia-nos, do lugar da morte, para o mundo, ao encontro de Jesus, ao encontro das pessoas para lhes dar Jesus. Ele vive e apresenta-Se no meio de nós, entre os discípulos. Nova presença, espiritual, gloriosa, pelo Espírito Santo.
Páscoa: Ressurreição. Ascensão do Senhor. Pentecostes. Santíssima Trindade. O mesmo mistério, aprofundado na liturgia por festas e solenidades. O mesmo AMOR de Deus por nós, que nos envolve, criando-nos, apostando em nós, esperando, pacientemente, pelas nossas escolhas de bem e de verdade, de justiça e de paz, de perdão e de amor, não para lhe agradarmos – se bem que quando amamos tudo fazemos para ser agradáveis com a pessoa amada – mas por que nos faz bem, pois dessa forma nos encontramos com a nossa identidade mais profunda, o que nos faz felizes e verdadeiramente humanos. Aí nos encontraremos com Deus. O melhor louvor a Deus é tratar bem todos os seus filhos, sobretudo os mais pobres, não porque sejam moralmente melhores, mas por que lhe devemos essa atenção e cuidado, imitando Jesus Cristo, e correspondendo ao Seu mandato: o que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos, a Mim o fazeis.
2 – Diz Jesus: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».
Tarde do primeiro dia da semana. Ainda não refeitos das horas amargas da Paixão e já Jesus Se coloca no meio deles, vivo, deixando-Se ver e tocar. É Ele, não é nenhum fantasma. O medo encerra-nos, a alegria e a paz dão-nos confiança, provocam em nós o desejo de comunicar e de partilhar a vida. A surpresa inicial dá lugar à missão: IDE. Como o Pai Me enviou também vos envio. Ide. Ide, confiantes, pois não ides sós. Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos. Recebei o Espírito Santo e sentireis que Eu estou convosco.
Curiosamente, dias antes, Jesus tinha-lhes dito que todos O abandonariam, deixando-O só. Só não, porque o Pai não O deixa só. É a mesma garantia que lhes dá agora: não ficareis sós, Eu estarei convosco. Como o Pai Me ama, também vos amo. Eu e o Pai somos UM. Quem Me ama, cumpre os Mandamentos. Eu e o Pai viremos a ele e nele faremos a nossa morada. É o mistério da Santíssima Trindade muito vincado nesta solenidade. Jesus dá-lhes o Espírito Santo em abundância, ou como refere são Lucas, nos Atos dos Apóstolos, de junto do Pai, o Filho envia o Espírito Santo, como vento forte que arrasta o mundo à sua passagem, como fogo que queima, inquieta, provoca, exige resposta!
3 – O Pentecostes, com efeito, ilustra a presença de um Deus que não é estático, distante, impassível, mas que circula e faz circular a vida, é um Deus próximo, que Se mexe ao encontro da humanidade. O Filho foi morto. O Pai ressuscitou-O. Jesus ascende para a eternidade, colocando à direita do Pai a nossa natureza humana. Envia-nos o Espírito Santo.
A passagem é bem nossa conhecida. O medo apoderara-se dos discípulos, que levam tempo a assimilar que Jesus está vivo. Os seus olhos duvidam, mas não o coração. Ele está de volta, assumindo uma presença nova que só pode ser percebida através da fé, da disposição para O ver e tocar.
"Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem".
Toda a casa fica cheia do ESPÍRITO SANTO. As línguas de fogo dividem-se por cada um. É tempo de deixar fluir o Espírito Santo. É hora de espalhar a Boa Notícia. Ainda que o Espírito seja invisível, faz-Se notar, faz barulho, agita as águas, atrai. Uma multidão se ajunta para ver e para ouvir. E alguns deles, a residir em países vizinhos, já não sabiam falar aramaico ou hebraico, mas entendem. A linguagem do bem, do amor, da conciliação compreende-se para lá das palavras, ainda que estas possam ajudar. «Ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus». As maravilhas de Deus são audíveis em todas as línguas, por todas as pessoas, cujo coração está vazio de si e pronto a encher-se de Deus e do Seuamor.
4 – Por experiência sabemos que as nossas intuições nem sempre nos conduzem a bom termo. Quantas vezes seguimos com firmeza um intuição, refletida e ponderada, mas passado algum ou muito tempo verificamos que foi um erro, ou então de que as coisas não eram bem como se pintavam!
Diz-nos o Apóstolo São Paulo que na fé não atua apenas a nossa dimensão pessoal – eu cá tenho a minha fé – atua, antes de mais o Espírito Santo, que me impele para a comunidade. O discernimento do Espírito exige o diálogo e o encontro com os outros, a oração pessoal e a comunitária.
"Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor» a não ser pela ação do Espírito Santo".
Logo de seguida, o Apóstolo lembra o que nos une e fundamenta a nossa fé: o Espírito atua em todos, ainda que os dons e os serviços sejam diversos, como o corpo com os seus diferentes membros: "Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo".
Há dois mil anos, São Paulo alertava para o fato de alguns se acharem mais importantes pelos dons que tinham ou pela missão que assumiam na comunidade. O apóstolo esclarece: tudo seja para glória de Deus. Tudo seja a favor do bem comum. Deus age em nós a favor de todos.
Recebemos o Espírito Santo e tornarmo-nos filhos de Deus, e como o Filho assumimos os outros como irmãos a quem queremos todo bem e de quem queremos cuidar sabendo que o fazemos ao próprio Pai. Quem meus filhos beija minha boca adoça.


1 – A Páscoa é o mistério maior da fé cristã. A morte, em definitivo, não tem a última palavra. A última palavra é de Deus: da Vida e do Amor. A Ressurreição é o Amor mais forte que a morte. A morte faz parte da humanidade, mortal e finita. Com a Sua Ressurreição, Jesus coloca a nossa natureza junto de Deus, de onde nos atrai. Como em tantas situações da vida, mais dramático que os problemas e dificuldades, é a solidão e a falta de justificação da vida. Jesus dá-nos, com a Sua vida, morte e ressurreição, uma justificação e faz-nos companhia: a morte não é o fim, é passagem a uma vida nova, não ficamos sós, Ele conduz-nos ao coração de Deus, no qual nos descobrimos irmãos. 
Ressurreição/Ascensão/Pentecostes são faces da mesma moeda. É o mesmo acontecimento pascal. Passagem. Vida nova. Vida no Espírito Santo. Missão. Ele conosco, pelo Espírito, em comunidade, mas doravante somos nós os portadores da Boa Notícia. Ele vem salvar-nos. Morre. Ressuscita. Ascende para Deus. Envia-nos o Seu Espírito, que por sua vez, nos dá (de novo) Jesus Cristo na Palavra proclamada e acolhida, nos Sacramentos e em todas as boas obras.
A primavera desemboca no verão. A flor dará lugar ao fruto. Se o trigo não morrer não germinará vida nova. Se a flor permanecer sempre em flor, não descobrirá a beleza do fruto que está para chegar.
"Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos»".
O Evangelista São João relata com clareza o acontecimento Páscoa: Jesus aparece no meio deles, não à parte, fora, ou de lado, mas no meio. Ele vem para o meio de nós. Mostra-lhes os sinais da paixão. O corpo glorioso de Jesus não anula as marcas do amor, presentes na crucifixão e na morte. A mensagem é a mesma: a paz. Os sorumbáticos apóstolos enternecem-se ao ver o Senhor e ficam cheios de alegria. Jesus sopra sobre eles, dá-lhes o Espírito Santo e envia-os, como o Pai O enviou.
A linguagem do amor e do bem não tem fronteiras/barreiras, é facilmente perceptível e universal. Todos nos entendemos facilmente nas palavras e nos gestos de carinho e de perdão, de amor e de partilha solidária.
2 – São Lucas, evangelista, e autor do livro dos Atos dos Apóstolos, apresenta-nos uma narração mais detalhada, com a preocupação de fazer visualizar à comunidade cristã a grandeza do mistério vivido por Jesus Cristo, Deus feito homem. E, por outro lado, parte da constatação de que precisamos de tempo para amadurecer, para acolher, para compreender em toda a sua amplitude a grandeza do amor de Deus.
Numa linguagem bíblica, usa os números para nos ajudar a compreender os passos de Jesus. Como víamos no domingo passado, acerca da Ascensão, depois da ressurreição, Jesus permanece 40 dias com os Seus, elevando-se então ao Céu. Por outras palavras, Jesus prepara os discípulos e permanece o tempo necessário para eles crescerem e para os enviar em missão. Hoje, o relato do Pentecostes, na versão lucana, situa-nos 50 dias depois da Páscoa, chegou a plenitude da manifestação pascal. Os discípulos estão preparados para se tornarem apóstolos.
Prestemos atenção às palavras da Escritura: "Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atônitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar [proclamar as maravilhas de Deus] na sua própria língua…?»".
3 – O Espírito Santo que Deus nos dá há de inundar de alegria, de paz e de amor, toda a nossa vida; como rajada de vento que tudo "arrasta" assim o Espírito de Deus nos "arrasta" para uma vida transformada, nova, comprometida. Como em outras ocasiões acentuamos, a dádiva do Espírito Santo assume uma dinâmica instrumental: converte-nos e leva-nos aos outros, insere-nos no mundo, mais e mais, na transformação das realidades que nos envolvem ou chegam até nós. Quem faz a experiência de encontro com Jesus ressuscitado, pela força do Espírito Santo, como escutamos no Evangelho, transborda de alegria. E quem transborda de alegria quer comunicar o sucedido a todo o mundo.
O Espírito Santo liberta-nos das amarras do medo, das portas e das janelas fechadas, do egoísmo que nos destrói, do pessimismo que inquina o nosso quotidiano, da desconfiança que nos agita e nos distancia dos outros, da arrogância que nos isola. Não nos livra das dificuldades, mas fortalece-nos e acompanha-nos para ressuscitarmos em cada momento de morte e de desalento, de incerteza e fracasso, de insegurança e de perda.
O Apóstolo São Paulo fala do Espírito como oportunidade para o bem comum, para fundar ou refazer laços fraternos e duradouros. Cada pessoa é querida por Deus e dotada de qualidades que postas ao serviço dos outros mais se desenvolvem.
Mas fixemo-nos nas palavras de são Paulo.
"Ninguém pode dizer: «Jesus é o Senhor», a não ser pela ação do Espírito Santo. De fato, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito".
Belíssima a comparação! Como Igreja, comunidade dos seguidores de Cristo Jesus, somos como corpo e tal como o corpo é uma unidade/organismo com diversos membros, cada um de nós, com a sua vida, é membro do Corpo místico de Cristo, que é a Cabeça.



1 – O Espírito Santo é Pessoa, é Deus, é Dom dado à Igreja. Como referia o Papa Francisco, é a própria Pessoa de Deus que fala em nós, que nos traz Jesus Cristo. Gera-O em Maria, gera-O nos discípulos, gera-O na Igreja. É água viva, que conforta a nossa alma, que informa a nossa fé, que acalenta a nossa esperança, que nos compromete com os irmãos.
Na Ascensão, Jesus ascende para Deus mas não nos deixa órfãos; de junto do Pai envia-nos o Espírito, que por Sua vez nos dará Deus, nos dará o próprio Jesus Cristo, vivo, ressuscitado, na Palavra e nos Sacramentos.
O Espírito Santo é a COMUNICAÇÃO de Deus à humanidade. Quando alguém vai para longe, envia uma carta, faz um telefonema, liga-se pela Internet, numa vídeo chamada. O Espírito Santo é esta carta que Deus continua a escrever em nós, inspirando-nos, criando a vitalidade da fé, a certeza da presença de Jesus entre nós. É a rede que nos liga a Deus e aos outros, faz-nos a memória do passado e lança-nos para o futuro, com Deus.
2 – Vejamos os dois relatos do Pentecostes, ou dádiva do Espírito Santo.
Nos Atos dos Apóstolos, a narração deste sublime acontecimento: “Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem”.
Respeitando a sensibilidade semítica e o calendário religioso judaico, São Lucas mostra o PENTECOSTES cristão. Jesus Cristo morreu, ressuscitou, apareceu aos discípulos, subiu ao Céu, enviando o Espírito Santo, que nos atrai para Ele, e nos compromete com o tempo presente.
Com a vinda do Espírito, os novos céus e a nova terra ganham forma, expressão e força. Com as aparições do Ressuscitado, os discípulos despertam da noite, da dúvida, da hesitação, do desencanto. O Espírito Santo coloca-nos em andamento. É HORA de abrirmos portas e janelas, arejando a nossa casa, saindo para os caminhos da vida a anunciar Jesus em todo o mundo. Solta-se-nos a língua, do assombro diante do mistério para testemunho jubiloso.
3 – No relato de São João, no Evangelho, a cronologia é diferente, mas o conteúdo é o mesmo: o Espírito agrafa-nos à alegria, à esperança, ao testemunho.
“Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».
Antes, a multiplicidade de línguas não impede a comunhão. O pecado, visto com a construção de Babel, leva à incompreensão, pois o objetivo é viver sem Deus, à margem dos outros, em estilo de autossuficiência, de egoísmo, a viver em função de si e dos seus caprichos. Quando cada um se preocupa apenas consigo, de forma gananciosa, não entende a linguagem do outro, os seus apelos, ou os seus sofrimentos. Com a vinda do Espírito, com a abertura à criatividade divina, é possível falar diversos idiomas percetíveis, pois a linguagem do bem, do amor, da verdade é universal, simples, acessível a todos.
Por outras palavras, o idioma, as diferenças culturais, religiosas, políticas, não justificam a intolerância, a violência, a guerra santa. O Espírito faz-nos ver e compreender que as diferenças nos enriquecem mutuamente.
No evangelho sublinha-se sobretudo a alegria que brota das aparições do Ressuscitado e da dádiva do Espírito Santo. O medo dá lugar à confiança, o isolamento converte-se em alegria, a intranquilidade transforma-se em paz e compromisso. Até então Jesus, agora JESUS através de nós. Nós e o Espírito Santo.
4 – Se o Pai é o mesmo, se Jesus é irmão de todos, se é no mesmo Espírito que somos constituídos herdeiros da HERANÇA eterna, então o que somos, o que fazemos, o que assumimos, o que dizemos há de aproximar-nos, contribuir para sermos o que SOMOS, identificando-nos com Jesus, deixando que o Seu Espírito recrie em nós constantemente a vida em abundância.
Belíssimo o texto do apóstolo à comunidade de Corinto:
“Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor» a não ser pela ação do Espírito Santo. De fato, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito”.
A profissão de fé cristã só é possível no Espírito Santo. Ele nos inspira para a verdade e para o bem. Se professamos a mesma fé, os dons diversos hão de guiar-nos aos outros, com os outros, a favor da vida. E ninguém está fora, excluído. Todos são importantes, porque todos são filhos de Deus, todos somos membros do mesmo Corpo, do mesmo Cristo, da mesma Igreja.
padre Manuel Gonçalves




A grandeza deste domingo de Pentecostes (cinquenta dias depois da Páscoa) destaca na liturgia de hoje a manifestação extraordinária de uma Nova Aliança, que já não está numa lei escrita, morta, mas numa vida nova, que chega à Igreja pelo sopro do Espírito do Ressuscitado. Assim foi nos primeiros tempos entre os discípulos de Jesus. Depois de um tempo pascal prolongado, viram-se envolvidos numa força irresistível, maravilhosa, que os levou, com asas novas, a proclamar a mensagem de salvação e a enfrentar todas as dificuldades que isso supunha dentro do mundo judeu e das instituições que não possibilitavam um caminho profético.
1ª leitura At. 2,1-11
A salvação que chega pelo Espírito
1. Este é um relato radical (de raiz), decisivo e programático, próprio de Lucas, como no dia da presença de Jesus em Nazaré (Lc. 4,1ss). Lucas não quer dar a entender que não se pode ser espectador neutro ou marginal da experiência do Espírito, porque esta é como um fenômeno absurdo ou irracional até porque não se entra na lógica da ação gratuita e poderosa de Deus que transforma o interior do homem e o torna capaz de relações novas com os outros homens. E assim, para exprimir esta realidade de ação livre e renovadora de Deus, a tradição cristã tinha à sua disposição a linguagem e os símbolos religiosos dos relatos bíblicos em que Deus intervém na história humana. A manifestação clássica de Deus na história de fé de Israel é a libertação do Êxodo que culmina no Sinai, com a constituição do povo de Deus sobre o fundamento do dom da Aliança.
2. Pentecostes era uma festa judaica, na realidade, a “Festa das semanas”, o Hag Shabu’ot, ou das primícias das colheitas. O número de Pentecostes traduz-se por “quinquagésimo” (cf. At. 2,1; 20,16; 1Cor. 16,8). A festa está descrita em Ex 23, 16 como a “festa das colheitas” e em Ex. 34, 22 como “o dia das primícias ou dos primeiros frutos” (Nm. 28,26). São sete semanas completas contadas desde a Páscoa, quarenta e nove dias e no quinquagésimo” dia é a festa (Hag Shabu’ot). A forma como se celebra esta festa está descrita em Lv. 23, 15-19; Nm. 28, 27-29. Além dos sacrifícios prescritos para a ocasião, cada um deve trazer ao Senhor o “tributo da sua livre oferenda” (Dt. 16,9-11). É verdade que não há unanimidade sobre o sentido próprio da festa, pelo menos no tempo em que se escreve este capítulo. As antigas versões litúrgicas, os targumin (comentários em aramaico da Bíblia hebraica) e os comentários rabínicos assinalavam estes aspectos teológicos no sentido de tornar evidente o acolhimento do dom da Lei no Sinai, como condição de vida para a comunidade renovada e santa. E depois do ano 70 d.C. prevaleceu na liturgia o ajuste que fixava a celebração de Pentecostes 50 dias depois da Páscoa. Neste caso, uma tradição anterior a Lucas, que, muito provavelmente, teria cristianizado o calendário litúrgico judaico.
3. Mas este é apenas o pano de fundo da mesma maneira que o é, também sem dúvida, o episódio da Torre de Babel, no relato de Gn. 11,1-9. E tem, sem dúvida, uma importância substancial, já que Lucas não se fica apenas pelos episódios exclusivamente israelitas. Algo muito parecido podemos ver na Genealogia de Lc. 3,1ss. em que remonta até Adão, mais além que Abraão e Moisés; para mostrar que a Igreja é o novo Israel é muito mais que isso: é o recomeço escatológico a partir do qual a humanidade inteira encontrará, finalmente, toda a possibilidade de salvação.
4. Exatamente por esta razão, não é uma Lei nova que se recebe no dia de Pentecostes, mas o dom do Espírito de Deus e do Espírito do Senhor. É uma mudança substancial e decisiva e um dom incomparável. O novo Israel e a nova humanidade serão, pois, guiados não por uma Lei que já mostrou todas as suas limitações no velho Israel, mas pelo mesmo Espírito de Deus. O Espírito de Deus é o único que torna possível que todos os homens, não apenas os israelitas, passem a fazer parte do novo povo. Por isso, no caso da família de Cornélio (At. 10) que foi considerado como um segundo Pentecostes entre os pagãos, veremos o Espírito adiantar-se à própria decisão de Pedro e dos que o acompanham, os quais, no entanto, não tinham ainda podido libertar-se das suas concepções judaicas e nacionalistas.
5. Lucas quer acentuar, portanto, a universalidade que caracteriza o tempo do Espírito e a habilitação profética do novo povo de Deus. Assim se explica a intencionalidade – sem dúvida do redator – de transformar o relato primitivo de um milagre de “glosalia” num milagre de profecia, enquanto os ouvintes, de toda a humanidade, representada em Jerusalém, ouvem falar das maravilhas de Deus na sua própria língua. O dom do Espírito, no Pentecostes, é um fenômeno profético em que todos escutam como, ao alcance de todos, é interpretada a “ação salvífica de Deus” que não é um fenômeno de idiomas, mas que acontece no coração dos homens.
6. O relato de Pentecostes que hoje lemos na primeira leitura é um conjunto que abarca muitas experiências ao mesmo tempo, e não apenas de um dia. Esta festa da Igreja que nasce na Páscoa do Senhor é como o seu batismo de fogo. Porque de que vale sermos batizados se não confessamos perante o mundo em nome de quem fomos batizados e o sentido da nossa vida? Por isso, no dia da Festa de Pentecostes em que se celebra a festa do dom da Lei no Sinai como dom da Aliança de Deus com o seu povo, se nos descreve que no seio da comunidade dos discípulos do Senhor se deu uma mudança definitiva por meio do Espírito.
7. É deste modo que se quer salientar que, a partir de agora, Deus guiará o seu povo, um povo novo, a Igreja, por meio do Espírito e já não pela Lei. Partindo desta perspectiva, procura-se dar uma nova identidade profética a este povo que deixará de ser nacionalista, fechado, exclusivista. A Igreja deve estar aberta a todos os homens, a todas as raças e culturas, porque ninguém pode estar excluído da salvação de Deus. Daí que se queira mostrar tudo isto como o dom das línguas, ou melhor, com que todos os homens entendam o projeto salvífico de Deus na sua própria língua e na sua própria cultura. É isto que põe fim ao desconcertante episódio da torre de Babel em que cada homem e cada grupo se dispersaram para ser independente de Deus. É isto que realiza o Espírito Santo: a unificação da humanidade num mesmo projeto salvífico divino.
2ª leitura: 1Co. 12,3-7,12-13
A comunhão no Espírito
1. Na segunda leitura do dia, Paulo apresenta a esta comunidade a unidade da mesma por intermédio do Espírito. Na realidade, esta secção responde a um problema surgido nas comunidades de Corinto, nas quais alguns que receberam dons ou carismas extraordinários, competiam entre si para ver quem eram os mais importantes. Paulo vai dedicar-lhes uma reflexão prolongada (cc. 12-14) mas colocando tudo numa perspectiva de caridade (c.13).
2. A diversidade de graças e dons comunitários não deve quebrar a unidade da comunidade, porque todos necessitamos de ter algo fundamental, sem o qual não somos nada: o Espírito do Senhor Jesus para confessar a nossa fé; sem o Espírito não somos cristãos embora queiramos ter graças extraordinárias e falarmos línguas que ninguém compreende.
3. Os dons espirituais, os carismas não são qualquer coisa apenas de estético, mas é bem verdade que se se não vivem com a força e o calor do Espírito, não levarão à comunhão. E uma comunidade sem unidade de comunhão é uma comunidade sem o Espírito do Senhor.
Evangelho: Jo 20,19-23
A paz  e a alegria, frutos do Espírito
1. O Evangelho de hoje, (Jo 20,19-23) quer dizer-nos que desde o dia em que Jesus ressuscitou de entre os mortos, a sua comunicação com os discípulos se fez por meio do Espírito. O Espírito que neles “insuflou” concedia discernimento, alegria e poder para perdoar os pecados a todos os homens. A saudação da Paz, shalom repete-se no relato por duas vezes para confirmar o que está muito mais além da saudação quotidiana no mundo bíblico e entre os judeus. É a saudação da parte de Deus, e é a saudação que vai preparar o que vai conceder aos seus: a força do Espírito Santo. Deste modo, a união entre Jesus ressuscitado e o Espírito Santo é indiscutível. Será, portanto, o mesmo Espírito que lhes garante o acontecimento da Ressurreição. Mas também o da missão.
2. O Pentecostes é a representação decisiva e programática de como a Igreja, nascida da Páscoa, tem de abrir-se a todos os homens. Esta é uma afirmação que devemos apreciar com o mesmo cuidado com que São João nos apresenta a vida de Jesus de uma forma original e diferente. Mas as afirmações teológicas não são desprovidas de realidade e não são menos radicais. A verdade é que o Espírito do Senhor esteve presente em toda a Páscoa e foi o verdadeiro artífice da Igreja primitiva desde o primeiro dia em toda a Páscoa em que Jesus já não estava com eles.
fray Miguel de Burgos Núñez
Tradução de Maria Madalena Carneiro 



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