11º DOMINGO TEMPO COMUM
17
de Junho – Ano B
Evangelho
Mc 4,26-34
Evangelho...
...SEGUNDA
LEITURA
Enquanto
a nossa alma permanecer no nosso corpo, nós ficamos longe de Deus, por causas
das tentações desse mundo...
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A construção do reino de Deus
Quer no Antigo como no Novo Testamento a linguagem
dos profetas e, também, a de Jesus refere-se muitas vezes à vida da natureza.
Querendo hoje a Liturgia falar-nos da construção do Reino, ela insere dois
textos que se referem expressamente à vida no campo. É o texto de Ezequiel que
utiliza o cedro como fonte de perene fecundidade bem como o Evangelho de Lucas
que retoma a parábola do semeador e oferece a parábola do grão de mostarda. O
cedro frondoso vai gerar um rebento novo que será a proteção de Israel para
sempre. É o anúncio do Messias que vem para salvar (1ª leitura). O grão de
trigo lançado à terra vai desenvolver-se até à ceifa, multiplicando-se
indefinidamente. A esta parábola acresce uma segunda, a do grão de mostarda
que, sendo a mais pequena das sementes, se torna uma árvore frondosa, onde as
aves fazem os seus ninhos (Evangelho). Esta capacidade de ser fecundo justifica
a ilimitada confiança em Deus. É nela que o Povo de Israel assentou a sua
esperança e é também nela que se fundará a construção do Reino de Deus. Sem
Deus nada é possível. Mas a força da fecundidade de ontem e de hoje, será
sempre do Senhor (2ª leitura).
1. A alegoria do cedro e do rebento novo
É frequente nas profecias e nos salmos falar-se dos
cedros, as árvores de referência em Israel pela sua verticalidade, pela beleza
dos seus ramos, pela força do seu tronco, suporte da sua elegância. Mas os
cedros também se multiplicavam. Então, o profeta Ezequiel, faz do rebento novo
o paradigma da Redenção a prometer a Israel. Os ramos multiplicar-se-ão, darão
fruto abundante e as aves do céu farão neles os seus ninhos. Este cedro
majestoso torna-se o símbolo da Salvação porque todas as outras árvores, isto
é, todos os povos reconhecerão a grandeza do Messias, o rebento novo. Só Ele é
Senhor.
2. Duas parábolas do Reino
Quando fala do Reino de Deus, Jesus exprime-se
sempre com parábolas. O Evangelho de hoje, vem dizer de quanto o Reino é
acolhedor, na parábola do grão de mostarda, e quanto o Reino de Deus é fecundo
na parábola da sementeira. As duas parábolas contém a dinâmica do crescimento
através de uma fecundidade extraordinária. O grão de mostarda torna-se árvore
frondosa, onde as aves fazem os seus ninhos e à sombra da qual os viajantes
podem repousar um pouco. É a dinâmica do acolhimento universal. Á sombra deste
Reino todos podem chegar, porque todos serão bem recebidos. O grão de trigo tem
também uma dinâmica de crescimento. Depois de cair à terra torna-se erva, forma
espiga e multiplica os grãos que podem tornar-se pão para todos os homens. O
crescimento está aliado à universalidade do dom. Também o trigo é para todos.
As duas parábolas consagram o desenvolvimento, a fecundidade, o acolhimento
universal, valores essenciais para a Igreja, comunidade cristã que prepara o
Reino.
3. O apelo à confiança
O Reino de Deus não pode crescer sem a constante
proteção do Senhor. Isto exige aos humanos a máxima confiança. É verdade que no
tempo presente vivemos como exilados, mas desejamos o encontro com Deus. Só uma
confiança ilimitada naquele que nos dá força nos pode garantir a participação
no Reino futuro. Domingo passado a Liturgia dizia “a vida não acaba apenas se
transforma”, mas acrescentava logo depois que Deus nos preparava no céu uma
habitação eterna. A confiança ilimitada num Deus de verdade gera em cada um a
certeza de vir a participar no Reino de Deus.
monsenhor Vitor Feytor Pinto
“Revista de liturgia diária”
Neste domingo a Palavra de Deus nos apresenta o
tema do Reino de Deus através de diversas imagens. O profeta Ezequiel (1ª
leitura) o compara com o cedro do Líbano, uma árvore excepcional pela sua
longevidade e pela qualidade de sua madeira. Paulo (2ª leitura) irá se referir
a ele quando nos falar do corpo como uma morada provisória na esperança de
alcançar um dia a morada permanente num corpo ressuscitado. O evangelista
Marcos o fará, apresentando duas parábolas de Jesus (evangelho) que falam da
força interna da semente a qual não depende do tamanho para transformar-se numa
grande árvore. É assim que acontece com o Reino de Deus.
1ª leitura: Ezequiel
17,22-24
Após a destruição total de Jerusalém provocada por
Nabucodonosor, rei da Babilônia, o profeta Ezequiel apresenta uma visão de
esperança para o povo de Israel, apresentando Deus, como o Senhor da história,
que fará ressurgir o seu povo a partir de um pequeno broto de vida.
Para tanto, compara a ação de Deus com a de um
agricultor que refloresta os cumes áridos com cedros, um tipo de árvore de
beleza singular. O novo Israel será como um broto de cedro plantado no alto dos
montes de Judá. O profeta tem a esperança de que o seu povo, aparentemente sem
valor e derrotado, recupere a vitalidade e renasça depois do exílio até
tornar-se grande e magnífico como um cedro do Líbano.
Desta forma, ficará manifesto o poder de Deus que
fortalece os fracos e rebaixa o orgulho dos grandes, fazendo justiça ao pobre e
injustiçado.
2ª leitura: 2Coríntios 5,6-10
O apóstolo Paulo, retomando um tema de
espiritualidade, muito enraizado na tradição bíblica, fala da nossa condição de
peregrinos, como o Povo de Israel em busca da terra prometida. De fato,
“enquanto habitamos neste corpo, estamos fora de casa, isto é, longe do
Senhor”. Nesta situação o único que pode orientar-nos para não perdermos o rumo
em meio às dificuldades da vida, é a fé que supera todo entendimento, pois
“caminhamos pela fé e não pela visão”. É assim que Paulo, num arrebato místico,
manifesta o desejo de deixar esta vida para entrar em comunhão com Deus por ter
a certeza de que a felicidade plena só a encontraremos n'Ele depois de vivermos
uma vida que nos prepare “para irmos morar junto do Senhor”.
Com isto, Paulo não faz uma apologia da morte.
Apenas quer apresentar a nossa condição de peregrinos numa perspectiva de
eternidade, mostrando que o que realmente importa é estarmos conscientes de que
“nos esforçamos por agradar ao Senhor” porque nisto radica o julgamento sobre o
mérito ou demérito de nossa vida.
Evangelho: Marcos 4,26-34
São duas parábolas para ilustrar uma mesma
realidade. A primeira parábola fala da força interna da semente que,
encontrando as condições favoráveis, cresce quase sem que o agricultor o
perceba. O trabalho dele se limita a preparar o terreno para que ofereça essas
condiciones de cultivo a fim de que a semente germine e cresça.
De forma semelhante, Deus age no mundo favorecendo
a implantação do seu Reino como algo real que, pela ação do Espírito Santo, vai
crescendo sem depender exclusivamente do agir humano (“ele dorme e acorda,
noite e dia, e a semente vai brotando e crescendo, mas o homem não sabe como
isso acontece”). Não é algo acabado que, de repente, toma corpo em nossa vida e
muda a nossa realidade. Pelo contrário, é semelhante a um processo que se
desenvolve de forma lenta e imprevisível até tornar-se uma realidade
significativa e abrangente (“como uma semente de mostarda, que é a menor...
Mas... cresce e torna-se maior que todas as plantas”). É assim que Deus age em
nossa história pessoal e na história da humanidade.
Mas nem por isso a ação humana é irrelevante. Tudo
acontece pela Graça de Deus, mas com a condição de que a semente, mesmo
pequena, seja plantada. Plantar o bem e a verdade é a tarefa do ser humano que
está ligado com Deus. Fazer crescer essas sementes para que dêem fruto, porém,
é a ação de Deus na vida. Estes dois fatores, o de Deus e o do homem,
conjugados entre si, são o segredo desta nova humanidade que chamamos de Reino
de Deus.
Podemos parafrasear aquele ditado popular e dizer
que, neste mundo de Deus, “em se plantando (o bem e a verdade), tudo dá”.
Porque Deus infunde fecundidade em nossas boas obras e mesmo que, num olhar
pessimista, possa até parecer que tudo continua igual de ruim que antes, a
semente do Reino de Deus que nós plantamos ela por si mesma se desenvolve sob a
ação do Espírito Santo até transformar este mundo num mundo infinitamente
melhor do que poderíamos imaginar. É preciso acreditar nisto para nunca
desanimar na prática do bem de forma a fazermos tudo como se só dependesse de
nós, sabendo que, no fundo, tudo depende de Deus.
Diante das estruturas e poderes do mundo em que
vivemos, a atividade dos discípulos de Jesus pode parecer impotente e mesmo
irrelevante, mas ela crescerá até atingir o mundo inteiro. Uma vez plantada, a
semente do Reino de Deus cresce e produz fruto de maneira imprevisível e
irresistível.
PALAVRA DE DEUS NA VIDA
Todos nós acreditamos na Palavra da Verdade que
Jesus veio trazer ao mundo. Mas, se olharmos com um olhar crítico para a
realidade da vida, facilmente surgirá em nossa mente uma pergunta incômoda:
“Depois de tantos séculos, não deveria estar consolidado no mundo o Reino de
Deus?”. Porque o que vemos não parece indicar que o Evangelho tenha penetrado
pra valer nas estruturas da nossa sociedade.
De fato, diante de tantas dificuldades, de tanta
falta de compreensão e aceitação do Evangelho de Cristo, se não acreditássemos
na força que o bem tem em si mesmo, o que nos levaria a continuar no projeto de
Deus iniciado por Jesus?
Mas nós acreditamos!
As parábolas da semente, tanto a do trigo quanto a
da mostarda, vem nos mostrar que uma misteriosa força interior está agindo lá
onde aparentemente nada se transforma (“a semente vai brotando e crescendo, mas
o homem não sabe como isso acontece”). O poder de Deus age de muitas formas no
silêncio e até mesmo na fraqueza.
Concretamente, a parábola da semente de mostarda
mostra como, a pesar da aparência da “menor de todas as sementes da terra”, tem
a capacidade de crescer e “tornar-se maior que todas as plantas”. O maior é
algo que vai se fazendo, justamente, a partir do menor. É assim que acontecem a
coisas no Plano de Deus.
É preciso acreditar na força que age, sob a ação do
Espírito de Deus, dentro das nossas iniciativas pelo bem e de tudo o que de bom
acontece na vida. Quando tudo parece estar parado, algo se mexe interiormente e
vai superando o materialismo de um mundo ainda muito pagão.
O Reino de Deus é um dom; é uma semente. Acontece
por si só e, ao mesmo tempo, é o resultado da nossa perseverança no compromisso
que supera, por um lado, todo desânimo e, por outro, toda tentação de pensar
que somos os protagonistas de uma transformação que não está ao nosso alcance.
Acreditemos: Deus está na direção!
padre Ciriaco Madrigal
No Sermão em parábolas Marcos apresenta três
parábolas: a do semeador (4,3-9), da semente que cresce (4,26-29) e a do grão de
mostarda (4,30-32). Estas últimas são ligadas como em Mateus 13,31-33 e Lucas
13,18-21 as parábolas do grão de mostarda e do fermento. Nestas parábolas Jesus
não compara o Reino de Deus com o próprio grão de mostarda ou com a semente,
mas com aquilo que acontece ao grão e à semente ou, melhor ainda, com a árvore
que desenvolve do grão e a colheita produzida pele semente. A questão está no
contraste entre o início aparentemente insignificante e o fim impressionante.
De fato destaca-se, no caso do grão de mostarda, tanto a pequenez do início
como o tamanho final. Os três evangelistas narram com particularidade que as
aves vêm abrigar-se nos seus ramos. Trata-se de uma imagem bíblica, usada por
Daniel (4,9.11.18) e Ezequiel (17,23; 31,6), onde uma árvore que abriga os
pássaros simboliza um Reino grande que abrange todos os povos.
Na parábola da semente pode-se destacar a descrição
detalhada do processo de crescimento como portadoras de uma mensagem
secundária. O lavrador a ela assiste "sem que ele saiba como" a
semente germina e cresce "por si mesma". Esta parábola acentua de
maneira especial que a vinda do Reino é misteriosa. Por uma referencia
implícita a Joel 4,13 em Marcos 4,29: "o homem mete a foice, porque o
tempo da colheita chegou" a palavra colheita ganha o sentido simbólico que
muitas vezes tem no Primeiro Testamento e no Novo Testamento, o significado de
"juízo final". Em Apocalipse 14,15.18.20; 19,15 refere-se ao mesmo
texto de Joel 4,13 neste sentido.
Na parábola do lavrador paciente (versículos 26-29),
o Reino de Deus é comparado ao lento crescimento da semente até sua colheita e,
ao mesmo tempo, com a falta de atuação prolongada do lavrador antes da difícil
exaltada colheita (aliás, descrita a partir de Joel 4,13; cf. também Apocalipse
14,14-16). Esta colheita, como quer toda a Bíblia e a referência de Joel,
certamente designa o julgamento de Deus inaugurando o seu Reino definitivo. Em
outras palavras, Deus é o lavrador que não tardará a agir, e de maneira tão
espetacular quanto um trabalhador na colheita.
Jesus é atacado pelos judeus: se Ele é o Messias,
que forneça, pois, sinais precursores do Reino! Jesus lhes responde que não há
sinais que não há sinais extraordinários: Deus deixa sua semente crescer
lentamente.
A parábola do pequeno grão de mostarda alimenta a
confiança em Deus acentuando o contraste entre os humildes inícios do Reino
(versículo 31) e a grandeza de sua tarefa escatológica (versículo 32, onde o
tema do ninho é tomado das escatologias judaicas consagradas à incorporação dos
pagãos no povo de Deus; cf. Ezequiel 17,22-24), "Estenderá ramos,
produzirá frutos, tornar-se-á um cedro magnífico. Todos os tipos de aves ali
habitarão; eles habitarão à sombra de seus ramos" (cf. Ezequiel 31,6 e
Daniel 4,12-21. O Reino de Deus é uma árvore frondosa, larga e
acolhedora. Nas colinas do mar da Galiléia, o pé de mostarda atingia três
metros de altura, ou mais; porém sua semente é minúscula. Por este relato,
Jesus sem dúvida quis responder à oposição daqueles que não concordavam com a
pequenez de seus meios à glória do Reino esperado, e que ridicularizavam a
pobreza e a ignorância dos discípulos de Jesus, comparadas com o cortejo
triunfal que devia inaugurar os últimos tempos.
Na realidade, no pequeno já age o que é grande: num
mundo que não conhece o Reino, ele já está atuando. No coração do mais
endurecido pecador, uma pequena claridade pode ainda despertar e tornar-se
glória e fogo devorador! Trata-se de levar Deus a sério, apesar de todas as
aparências.
A parábola ensina que o Reino de Deus vem com a
mesma certeza com que a semente uma vez semeada germina e cresce e produz
frutos. Esta certeza que, apesar das aparências em contrário de fragilidade e
hostilidade, o Reino de Deus está chegando na pessoa, na mensagem e na missão
de Jesus e que este começo a consumação, inspira nos cristãos a mesma atitude
que marca a do lavrador. Ele, sintonizado com as forças e mistérios da
natureza, segue o seu ritmo: deita-se e se levanta, até que chegue a hora da
colheita. Da mesma maneira, quem estiver sintonizado com as forças e mistérios
do Reino não se deixa desanimar nem paralisar pelas forças contrárias.
"Não tenhais medo, não desanimeis, pequeno rebanho, pois foi do agrado do
vosso Pai dar-vos o Reino" (Lucas 12,32).
Cada uma das parábolas tem o seu colorido próprio:
a parábola da semente significa o Reino em intensidade e a do grão de mostarda
o Reino em extensão.
padre Benedito Mazeti
"O
reino é obra de Deus!"
Nos meus tempos de criança na
Vila Albertina, lembro-me que quando a antiga casa da família Develis foi
demolida, para dar lugar a uma construção mais ampla e arrojada, costumávamos
conversar com um servente de pedreiro que trabalhava na obra, e a pergunta era
sempre a mesma “O que vão construir nesse lugar?”. Ele respondia que era uma
casa bem maior do que a que fora demolida, e quando perguntávamos quando ela
ficaria pronta, se seria bonita e luxuosa, como a gente pensava, o servente
desconversava “olha, sei que é uma casa, mas sou apenas um servente, só o
mestre de obras que conhece o projeto, saberia dizer. A gente apenas obedece e
vai executando o serviço do jeito que ele pede, e só no final, quando tudo
estiver pronto e acabado, é que teremos idéia, daquilo que ajudamos a
construir”.
O evangelho desse Décimo Primeiro
Domingo do Tempo Comum ajuda a desfazer esse equívoco presente até nos dias de
hoje, que é o da gente querer ser Mestre de Obras no Reino de Deus. Na minha
caminhada de igreja já vi um pouco de tudo, conheci pessoas que se apresentavam
como Engenheiros do Reino de Deus, com planos mirabolantes de ideologias
humanas, belíssimas por sinal, mas achando que isso era o reino , grupos que
desenvolveram uma espiritualidade muito forte e rigorosa, pensando que isso era
o reino. E não faltam também os que inventam Doutrinas religiosas afirmando que
se as mesmas não forem seguidas, o reino não acontecerá, e vem uma linha mais
tradicional de ser igreja, outro mais clássico e institucional, outro mais
liberal e até ensinamentos totalmente contrários ao cristianismo, onde o
pregador “jura de pé junto” que está anunciando a Verdade, porque fala em nome
de Jesus.
Vi questionamentos até cômicos:
será que Deus é Socialista, Marxista, ou tende mais para o Neoliberalismo?
Provavelmente não faltou quem pensasse em filiar Jesus Cristo ao seu partido
político, aliás, pregação política em nome dele é o que não falta. Confesso que
nos anos 80 eu passei por um drama de consciência muito grande ,quando diziam
que a gente não podia ficar em cima do muro, tinha que se definir ou pela
direita ou pela esquerda. Surgiram novas igrejas e religiões que parecem mesmo
ter procuração do Senhor, para falar do reino e do seu evangelho. Essa é uma
realidade que não se pode ignorar, Jesus mesmo falou “muitos virão em meu nome
dizendo: o Messias está aqui, o Reino está aqui, O Senhor já está voltando!”
Nunca vi tanta bobagem junta! As igrejas cristãs anunciam o reino e são um
sinal dele, entretanto o Dono do Projeto é Jesus Cristo, que vai fazendo o
reino acontecer, independente de qualquer ideologia humana, política, social ou
religiosa.
É a primeira parábola do
evangelho, onde tanto faz o homem dormir ou ficar acordado, a semente vai
germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. Podemos dizer que
Jesus, não só é o semeador, como também a própria semente. O seu projeto, que
se consolidou na cruz do calvário, parece ter sido um grande fracasso, até para
os seus seguidores fiéis, foi muito difícil acreditar que o Reino que ele tanto
falava, fosse vingar e dar certo, pois humanamente falando, o sistema religioso
o havia desmascarado, o Nazareno parecia tão perigoso, pela liderança que
exercia, pelos ensinamentos revolucionários que pregava, entretanto, a morte
infame, vergonhosa e humilhante o havia calado para sempre. Ninguém diria que
aquela pequenina semente, esmagada no calvário e depois escondida no sepulcro,
fosse brotar e viria a se transformar na maior de todas as árvores.
As palavras de Jesus nesse
evangelho querem nos transmitir confiança na sua ação Divina, e isso parece
algo difícil e desafiador para todos nós, é difícil acreditar no Reino, quando
olhamos ao redor e só vemos o caos do pecado dominando o ser humano, é verdade
que há pessoas que acreditam em um futuro melhor e o ajudam a construir no
presente, mas a grande maioria não crê em mais nada, “não há igreja que seja
boa, todas são pecadoras e eu não vou em nenhuma delas”, “não quero saber de
política, pois não existe político honesto, eu não acredito em mais ninguém e
não voto em ninguém, pode ser até da comunidade”, e assim, há os que não
acreditam mais no casamento, na família, nas instituições, está tudo
irremediavelmente perdido.
Qualquer pessoa pode pensar,
falar e até agir desta forma, mas nós cristãos não! Pois estaríamos negando o
reino que Jesus plantou no coração do homem, estaríamos duvidando do seu poder
de fazer germinar essa semente, estaríamos desconfiando que a sua graça não
serve para nada, e o que é pior, estaríamos achando que o poder das forças do
mal, presente na sociedade, é muito maior do que a Salvação, a graça e a
redenção que Jesus realizou a nosso favor e nesse caso, participar da Santa
Missa seria fazer memória desse grande fracasso que é o Cristianismo, impotente
para transformar o coração humano. De quem somos discípulos e testemunhas
afinal? De Jesus de Nazaré e do seu Reino, que está acontecendo misteriosamente
e irá levar os homens de Boa Vontade á sua plenitude, ou dos projetos
megalomaníacos do homem da modernidade, que insiste em construir um reino
Antropocêntrico, deixando Deus em um segundo plano?
E aqui retomo aquele hino que me provocava
calafrios nos anos 80 : Hei você, de que lado está você?
diácono
José da Cruz
1 – Como o ar que respiramos e
que nos permite viver, sem cheiro nem cor, nem intensidade, sem o podermos
tocar, ou prender, sem o conseguirmos ver ou dispensar, assim Deus na nossa
vida, no mundo, no universo inteiro.
Quantas vezes experimentamos a
fragilidade da nossa condição humana, na doença, na incompreensão daqueles que
nos rodeiam e em quem confiamos, pela morte de alguém que nos era demasiado próximo,
por situações em que a natureza nos abandona e se revolta, pela incapacidade de
resolver os problemas com que nos deparamos, pelo sofrimento de tantas pessoas
inocentes.
No evangelho que hoje nos é
proposto são-nos apresentadas duas parábolas sobre o reino de Deus, comparável,
segundo Jesus Cristo, a uma semente lançada à terra e que cresce dia e noite,
silenciosamente, sem se dar por isso, ou a um grão de mostarda que sendo a
menor das sementes se converte em frondosa árvore.
Disse Jesus à multidão: «O reino
de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite
e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz
por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E
quando o trigo o permite, logo mete a foice, porque já chegou o tempo da
colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em
que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser
semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas,
depois de semeado, começa a crescer, e torna-se a maior de todas as plantas da
horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem
abrigar-se à sua sombra».
Numa e noutra parábola, se
depreende a presença vital e invisível como Deus na nossa história. Ele
agarra-se a nós, desde sempre e para sempre. Vem com a força do Seu Espírito,
enformando a nossa vida, mas deixando que seja a nossa vontade a comandar, a
acolher ou a rejeitar, em sintonia ou em ruptura. Certo é que em momentos de
maior dor, temos dificuldade em perceber o Seu amor, a Sua presença. Como Mãe
solícita, Deus sofre connosco, caminha connosco, dá-nos o Seu amor maior: Jesus
Cristo.
2 – A história dos homens e das
mulheres é feita de momentos de grande transfiguração positiva, de encontro, de
descoberta e proximidade, de vida sonhada e partilhada, mas também de situações
de aflição e ruptura, de conflito, de guerra e violência, de destruição. E
nesta nossa história, Deus continua a vir a nós para nos desafiar, para nos
conduzir e elevar, para cumprir com as suas promessas de felicidade e para nos
garantir o futuro de paz e de justiça, aqui e até à eternidade.
O povo da aliança fez a
experiência dolorosa do exílio, da perseguição, do conflito de poderes, de
insegurança. Experimentou o inverno e o desconforto do deserto, a desconfiança,
o desencanto, a dúvida. Foram tantas as adversidades e desencontros que muitas
vezes Israel gritou pela presença mais palpável, pela intervenção mais ativa e visível
de Deus. O povo eleito clamou por justiça e por uma LUZ incandescente, apelando
à misericórdia divina, apelando para as maravilhas realizadas no passado a
favor de todo o povo.
O profeta relembra o Deus que
vem, vem Ele mesmo. Há que ter esperança, há que abrir o coração e a vida, para
que Ele venha e nós O encontremos. As palavras de Deus, segundo Ezequiel:
«Do cimo do cedro frondoso, dos
seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num
monte muito alto. Na excelsa montanha de Israel o plantarei e ele lançará ramos
e dará frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves,
toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. E todas as árvores
do campo hão de saber que Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a
árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca. Eu, o
Senhor, digo e faço».
Um ramo novo, vida nova, anúncio
de frutos novos, vida fundeada na esperança, e nas promessas de Deus. Ele é o
Senhor, fiel à palavra dada que breve se há de cumprir.
3 – Os tempos novos que nos são
anunciados pelo profeta são-nos concedidos em Jesus Cristo, que nos traz a vida
nova, nos traz o próprio Deus. As promessas alcançam-nos na história, no tempo
e no espaço humanos. Em Jesus Cristo, Deus concede-nos ser Sua morada para
sempre, no Espírito Santo. Com efeito, antes de deixar este mundo, Jesus
deixa-nos o memorial da Sua presença, dando-nos a Sua vida, o Seu Corpo e
Sangue, devolvidos na Eucaristia. Ascendendo para a eternidade, com Ele, coloca
a nossa natureza humana junto do Pai. Com o Pai, envia-nos o Espírito Santo,
que nos recorda o Seu mandamento de amor, e a Sua vida feita oração e oblação,
atraindo-nos para a Luz e para a Verdade, atraindo-nos para Si, não como
afastamento mas como compromisso com o mundo atual e com as pessoas que pus em
nossa presença.
São expressivas, uma vez mais, as
palavras do Apóstolo:
"Nós estamos sempre cheios
de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como
exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E
com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto
do Senhor. Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a
habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer
perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido,
enquanto esteve no corpo, quer o bem, quer o mal".
Vivemos guiados pela luz da fé,
de olhar fito em Deus, e enquanto continuamos a habitar em nosso corpo, a
missão de Lhe sermos agradáveis, inserindo-nos desde já no Seu reino eterno.
Quando chegar a hora do nosso encontro definitivo, a confiança em que vivemos
na fé, dará lugar à visão clara do amor de Deus por nós, e em nós, para sempre.
1 – Como o ar que respiramos e
que nos permite viver, sem cheiro nem cor, nem intensidade, sem o podermos
tocar, ou prender, sem o conseguirmos ver ou dispensar, assim Deus na nossa
vida, no mundo, no universo inteiro.
Quantas vezes experimentamos a
fragilidade da nossa condição humana, na doença, na incompreensão daqueles que
nos rodeiam e em quem confiamos, pela morte de alguém que nos era demasiado
próximo, por situações em que a natureza nos abandona e se revolta, pela
incapacidade de resolver os problemas com que nos deparamos, pelo sofrimento de
tantas pessoas inocentes.
No evangelho que hoje nos é
proposto são-nos apresentadas duas parábolas sobre o reino de Deus, comparável,
segundo Jesus Cristo, a uma semente lançada à terra e que cresce dia e noite,
silenciosamente, sem se dar por isso, ou a um grão de mostarda que sendo a
menor das sementes se converte em frondosa árvore.
Disse Jesus à multidão: «O reino
de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite
e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz
por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E
quando o trigo o permite, logo mete a foice, porque já chegou o tempo da
colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em
que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser
semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas,
depois de semeado, começa a crescer, e torna-se a maior de todas as plantas da
horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem
abrigar-se à sua sombra».
Numa e noutra parábola, se
depreende a presença vital e invisível como Deus na nossa história. Ele
agarra-se a nós, desde sempre e para sempre. Vem com a força do Seu Espírito,
informando a nossa vida, mas deixando que seja a nossa vontade a comandar, a
acolher ou a rejeitar, em sintonia ou em ruptura. Certo é que em momentos de
maior dor, temos dificuldade em perceber o Seu amor, a Sua presença. Como Mãe
solícita, Deus sofre conosco, caminha conosco, dá-nos o Seu amor maior: Jesus
Cristo.
2 – A história dos homens e das
mulheres é feita de momentos de grande transfiguração positiva, de encontro, de
descoberta e proximidade, de vida sonhada e partilhada, mas também de situações
de aflição e ruptura, de conflito, de guerra e violência, de destruição. E
nesta nossa história, Deus continua a vir a nós para nos desafiar, para nos
conduzir e elevar, para cumprir com as suas promessas de felicidade e para nos
garantir o futuro de paz e de justiça, aqui e até à eternidade.
O povo da aliança fez a
experiência dolorosa do exílio, da perseguição, do conflito de poderes, de
insegurança. Experimentou o inverno e o desconforto do deserto, a desconfiança,
o desencanto, a dúvida. Foram tantas as adversidades e desencontros que muitas
vezes Israel gritou pela presença mais palpável, pela intervenção mais ativa e
visível de Deus. O povo eleito clamou por justiça e por uma LUZ incandescente,
apelando à misericórdia divina, apelando para as maravilhas realizadas no
passado a favor de todo o povo.
O profeta relembra o Deus que
vem, vem Ele mesmo. Há que ter esperança, há que abrir o coração e a vida, para
que Ele venha e nós O encontremos. As palavras de Deus, segundo Ezequiel:
«Do cimo do cedro frondoso, dos
seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num
monte muito alto. Na excelsa montanha de Israel o plantarei e ele lançará ramos
e dará frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves,
toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. E todas as árvores
do campo hão de saber que Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a
árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca. Eu, o
Senhor, digo e faço».
Um ramo novo, vida nova, anúncio
de frutos novos, vida fundeada na esperança, e nas promessas de Deus. Ele é o
Senhor, fiel à palavra dada que breve se há de cumprir.
3 – Os tempos novos que nos são
anunciados pelo profeta são-nos concedidos em Jesus Cristo, que nos traz a vida
nova, nos traz o próprio Deus. As promessas alcançam-nos na história, no tempo
e no espaço humanos. Em Jesus Cristo, Deus concede-nos ser Sua morada para
sempre, no Espírito Santo. Com efeito, antes de deixar este mundo, Jesus
deixa-nos o memorial da Sua presença, dando-nos a Sua vida, o Seu Corpo e
Sangue, devolvidos na Eucaristia. Ascendendo para a eternidade, com Ele, coloca
a nossa natureza humana junto do Pai. Com o Pai, envia-nos o Espírito Santo,
que nos recorda o Seu mandamento de amor, e a Sua vida feita oração e oblação,
atraindo-nos para a Luz e para a Verdade, atraindo-nos para Si, não como
afastamento mas como compromisso com o mundo atual e com as pessoas que pus em
nossa presença.
São expressivas, uma vez mais, as
palavras do apóstolo: "Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo
que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor,
pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos
exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos
empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer
tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de
Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido, enquanto esteve no
corpo, quer o bem, quer o mal".
Vivemos guiados pela luz da fé,
de olhar fito em Deus, e enquanto continuamos a habitar em nosso corpo, a
missão de Lhe sermos agradáveis, inserindo-nos desde já no Seu reino eterno.
Quando chegar a hora do nosso encontro definitivo, a confiança em que vivemos
na fé, dará lugar à visão clara do amor de Deus por nós, e em nós, para sempre.
padre Manuel
Gonçalves
O reino de deus cresce
misteriosamente e transforma tudo
1ª leitura: Ezequiel (17, 22-24)
Por obra de Deus, algo de novo
surge do velho
I.1. Devemos situar o texto de Ezequiel como uma
promessa de restauração depois da catástrofe. Todo o c. 17 tem essa dimensão e
é explicado perante a calamidade do desterro da Babilônia, que tem as suas
etapas. Ezequiel, com este enigma da "águia e do cedro" vai desafiar
certas expectativas de alguns que pensavam que a salvação poderia vir do Egito
enquanto outros julgavam, tanto no desterro como na própria terra de Judá e
que, no entanto, não tinham sido desterrados até à queda de Sedecías. Estamos
no ano de 588 a.C. e a parábola do "rebento do cedro" vem responder,
à sua maneira, aos que não compreenderam a verdadeira história do que se
passou.
I.2.E esta história de ruína só Deus a pode solucionar,
contando com um povo que acredite na sua palavra manifestada através dos
verdadeiros profetas. Deus é capaz de, do velho, do antigo, tirar algo de novo
e então o velho abandonará a sua arrogância, como o cedro altíssimo. De um
rebento insignificante nascerá um cedro novo, no mais alto da montanha que já
não pode ser Sião, Jerusalém. Esta teologia do velho e do novo tem as suas
ressonâncias, já que assim se mantém a promessa e a fidelidade de Deus.
2ª leitura: 2 Coríntios (5, 6-10)
O mortal será revestido de vida
1.As reflexões escatológicas de Paulo perante o seu
ministério continuam a ser as chaves deste texto de 2Cor. Fala-se do encontro
com o Senhor "post mortem" no próprio momento da morte. É verdade que
a antropologia subjacente a este conjunto de 2Cor. 4,7-5,10 escapa-se-nos um
pouco entre as mãos. Expressões como o "homem interior" sugerem uma
linguagem própria da filosofia grega, mas também há diferenças notáveis,
enquanto, neste caso, não se está a falar com uma linguagem dualista de alma e
corpo. Por isso mesmo, devemos interpretar o mistério da
"interioridade" numa relação de interconexão com os conceitos de sôma
e ánthrôpos, que são chaves em toda esta perícopa. O sôma é a pessoa na sua
integridade. Em toda esta trama de conceitos antropológicos e apocalípticos, o
mais decisivo é a expressão de 2Cor. 5,4: "para que assim o que é mortal
seja consumido (katapothê) pela vida". O sentido do verbo katapinô, no
aoristo passivo, deve ter a força da ação de Deus. Como muitas vezes acontece
no Novo Testamento, pelo aoristo passivo, e ainda quando se trata dos temas
escatológicos, não devemos esquecer que Deus é o sujeito desta ação. Na
verdade, não nos seduz a tradução que escolhe o sentido de "tragar"
ou "devorar", porque não é a vida que engole o mortal; é a vida
enquanto ação de Deus sobre qualquer morte e, sobretudo, sobre os homens que
passam pela morte. Tal é claramente confirmado pelo v. 5, que coloca Deus como
garante desta afirmação, concedendo-nos as "arras" do Espírito. A
vida está semeada no nosso corpo mortal, na nossa identidade. Não estamos
destinados ao nada, porque Deus nos garante que fomos criados, nascemos para a
vida e não para a morte.
2. Para o cristão, a garantia é, sem dúvida, o
Espírito, que é uma antecipação do que nos espera na nova vida, na vida
escatológica. É verdade que aqui não se fala de ressurreição, que é um conceito
mais apocalíptico e que está muito mais presente em 1Cor 15. Digamos, mais
precisamente, que se encara a passagem da morte à vida como uma "transformação"
pessoal, não no final dos tempos, nem no momento da Parusia como se dá a
entender em 1Ts. 4,15 e 1Cor 15,51. Por quê? Porque isso vai desaparecendo
gradualmente do horizonte dos textos paulinos. Tal significa que em Paulo se dá
uma evolução pessoal neste tema escatológico. No entanto, enquanto tudo isso
acontece, vivemos da fé, exilados do Senhor. Estamos a falar da vida plena e
especial que tem agora o Senhor, Cristo. Costuma usar-se a expressão de ir
"habitar na casa do Senhor" (v. 8), ou seja, revestir-nos-emos,
teremos a vida que agora o Senhor tem, porque a identificação entre Cristo e a
vida podemos confirmá-la em 2Cor. 4,11. Paulo exprime-se aqui numa mística
cristológica de tons proféticos. Não há que ter medo da morte! Depois das
expressões que tinha inventado sobre o indivíduo em 1Cor. 15, 55, sobre a
vitória da morte, esta mística cristológica é um cântico à vitória da vida em
Cristo.
Evangelho: Marcos (4,26-34):
O Reino é como um grão que cresce
em esperança
1. As parábolas de Jesus são uma perfeita desculpa
para falar do misterioso crescimento do Reino que anuncia. É verdade que tinha
anunciado com segurança absoluta que "já está aqui" ou que está
"no meio de vós" Mc. 1, 14-15 coloca-o como frontispício de todo um
programa que exige simultaneamente conversão e confiança nesse anúncio. Mas
podiam perguntar-Lhe como, de fato, sucedeu: onde está esse Reino? Daí que as
parábolas do crescimento, mediante os símbolos de um grão (ainda que um grão
seja pequeno, este ponto não é salientado) e uma semente de mostarda (que é
como uma cabeça de alfinete) possam dizer-nos algo de significativo sobre o
respectivo início, os resultados e a conclusão. Verifica-se uma certa
dessemelhança e contraste no final das duas comparações: a do grão, no que se
refere àquilo que, por causa do crescimento e o destino final não terá sentido
(secará) e sobre a mostarda fala-nos do fim em termos mais positivos, porque
há-de ser grande e virá a tornar-se "casa" e proteção de uma multidão
de pássaros.
2.O reino já está entre nós, mas apenas como uma
semente que espera confiadamente um final grandioso ou adequado. Não são
parábolas ou comparações deslumbrantes, mas estão cheias de sentido. Devemos
aceitar com a mesma naturalidade esta mensagem enquanto algo que já está
semeado, que está a crescer e, por isso, contém mistério.
Como contém mistério a comparação do fermento (cf.
Mt. 13,33; Lc. 13,20-21) que, a pouco e pouco, leveda a massa. Isto quer dizer
que está a "germinar" e, por essa razão, iluminará um mundo novo,
tanto no caso de acabar qualquer coisa que não tem sentido na história e, por
isso, lhe será dado um golpe de foice como no caso em que se construa um
"habitat" onde vêm abrigar-se todas as aves. Deveríamos, inclusive,
entender que se trata de todo o tipo de aves e, por essa razão, se estaria a
apontar para os pagãos. São os dois aspectos do Reino e da sua transformação da
história: algo ficará caduco, mas o mais importante é a imagem dos pássaros que
lá fazem ninho.
3. Este é o final feliz e libertador e que devemos
propor como mensagem das parábolas de hoje. É verdade que se nos fala de
"meter a foice", mas é lógico que esta história humana deve deixar
aqui tudo o que não tem sentido, que é oposto ao projeto e à plenitude do Reino
de Deus. Mas na parábola da mostarda, que começa com o sentido do
"excessivo", do insignificante e do minúsculo, tudo se transforma até
nos oferecer a imagem de uma árvore cósmica onde todos podem encontrar não só o
habitat humano, mas a verdadeira felicidade do Reino. Assim, pois, são as coisas
de Deus de que Jesus quer falar-nos. Esta é a proposta de esperança que faz
parte da essência do Reino, por insignificante que pareça. Nestas metáforas,
pois, Jesus propunha uma mensagem que enchia o coração dos simples.
fray Miguel de Burgos Núñez
tradução de Maria Madalena
Carneiro
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