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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 19 de junho de 2018

12º DOMINGO TEMPO COMUM-Ano B


12º DOMINGO TEMPO COMUM

Evangelho Lc 1,57-66.80


·     Hoje celebramos o nascimento milagroso de João Batista, isto porque para Deus, nada é impossível. Milagroso por que a esposa de Zacarias era idosa e estéril!  Continuar lendo



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DOMINGO -  SOLENIDADE DA NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA.

“JOÃO É O SEU NOME.”  Olivia Coutinho

Dia 24 de Junho de 2018

Evangelho de Lc1,57-66.80

A Igreja hoje, enche-se de júbilo para celebrar a Solenidade da natividade de São João Batista, o único santo, além de Maria, cujo nascimento é celebrado.  
O evangelho que a liturgia desta solenidade nos convida a refletir, narra um acontecimento que marcou a passagem do tempo da espera, para o tempo da realização das promessas de Deus, pois com o nascimento de João Batista,  iniciou-se uma nova etapa da realização do projeto de Deus, iniciado na concepção de Maria.
Devido a sua significante participação na história da salvação, a liturgia de hoje, própria desta festa, nos apresenta o nascimento e a missão profética deste grande homem, que ajudou e que ainda continua ajudando nossas comunidades de fé, a trilharem o caminho de Jesus.
A vida de João Batista, o maior de todos os profetas que precederam Jesus, foi marcada por grandes contrastes, ao mesmo tempo em que ele vivia o silencio do deserto, ele movia multidões, o próprio Jesus o reconhecia como o maior dentre os nascidos de mulher, (Lc 7,28). 
João Batista, desempenhou um papel importantíssimo na história da salvação, ele veio dar testemunho da Luz, abrir caminho para o encontro do humano com o Divino. Encontro este, que ele experimentou ainda no ventre de sua mãe Isabel. (Lc1,41)
São João Batista, o santo mais popular da Igreja, experimentou, durante sua vida terrena, a força dos dois lados do coração humano: a força do amor,que gera vida  e a força do ódio que gera  morte. Os opositores do projeto de Deus, tiraram sua vida,  mas não calaram  a sua voz, voz, que continua ressoando no coração da humanidade de geração a geração: “Convertei-vos e crede no evangelho”. “Eis o cordeiro de Deus”...
João Batista, foi um grande exemplo de quem viveu exclusivamente a vontade de Deus, ele  não se acomodou nas tradições do seu povo, nem de sua Família, pelo contrário, buscou  algo novo, fazendo-se anunciador de um tempo novo, um tempo que traria um novo sentido  para humanidade que se distanciava de sua verdadeira origem.
Como João Batista, nós também, viemos ao  mundo com uma missão: realizar a vontade de Deus, na vivencia do amor, e assim sendo, devemos assumir o compromisso de cultivar em nossos corações, a disposição de renovarmos a cada dia, mediante a palavra de Deus que é sempre atual.
Colocar Jesus, como  centralidade  da nossa vida, como fez João Batista, é pensar, é viver, é falar é mover em função do amor!
A festa de hoje, nos convida a refletir sobre a importância do profetismo! O mundo requer urgentemente de pessoas que façam a diferença, de homens e mulheres que a exemplo de  João Batista, apontem algo novo, renovador, no sentido de suscitar nos corações dos homens, sentimentos positivos.
Há uma necessidade muito grande de profetas, profetas que não se calam diante as injustiças que desfilam diariamente diante dos nossos olhos, profetas, que estejam dispostos a dar a vida, se preciso for, pela causa do Reino!
Na maternidade da anciã Isabel, nos é revelado o poder grandioso de Deus, mostrando- nos que  para Deus, o impossível não existe.
Podemos dizer, que o ventre antes estéril de Isabel, representa a humanidade sem vida, mas  que ao receber a intervenção amorosa de Deus, passa a gerar vida!
Uma das grandes virtudes que marcou a vida de João Batista,  foi a sua humildade, ele sempre se colocou no lugar de mensageiro, não aproveitando do seu prestígio junto ao povo,  para  se autopromover.  
Como Anunciadores da Boa Nova do Reino, peçamos a Deus, a graça da  humildade e da coragem de João Batista; humildade, para reconhecer que somos apenas setas que indicam Jesus, e coragem  para anunciar o Reino de Deus, mesmo entre os que o rejeita. 
São João Batista rogai por nós...
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Hoje, na festividade de João Batista, a liturgia da festa sobrepõe-se à liturgia do XII domingo do tempo comum. João Batista foi o precursor. Anunciado a Zacarias que aceitou o desafio que de Deus lhe vinha, gerado em Isabel, apesar da sua velhice, foi para Maria sinal de que para Deus não havia impossíveis. O anjo Gabriel pôde dizer a Maria que Isabel estava já no sexto mês da sua gravidez, aquela a quem todos chamavam estéril. É este menino envolvido em milagre que Deus chama para ser o precursor do seu Filho Jesus. “Ele não era a Luz, mas veio para dar testemunho da Luz” (Jo 1,8). Ele pregou a penitência e batizou na água, proclamando que Jesus batizaria também no Espírito. Ele assumiu com humildade que era apenas uma voz e, enquanto tal, era preciso que Jesus crescesse e ele diminuísse (cf Jo 3,30). Ele, na sua interpelação, fez exigências a Herodes e acabou condenado à morte na dança de Salomé e na vingança de Herodíades. É esta figura ímpar do precursor que a Igreja hoje celebra. Na Palavra de Deus, o profeta Isaías faz por antecipação o elogio do precursor (1ª leitura), depois Lucas, o evangelista, descreve o nascimento de João (Evangelho) e finalmente, num maravilhoso discurso de Paulo revela-se que Jesus é descendente de David e proclamado por João como Salvador (2ª leitura).
1. O anúncio profético de um mensageiro
O Povo de Israel está há muito no cativeiro da Babilônia. É preciso alimentar a esperança do povo em sofrimento. De muitas maneiras, o profeta Isaías anunciara o Messias. No texto que hoje é proclamado, fala-se daquele que veio preparar os caminhos para a chegada do Senhor. São expressões de muita beleza que são usadas pelo profeta: “o Senhor chamou-me desde o ventre de minha mãe” (Is. 49,1), “tu és o meu servo Israel mas eu cansei-me das tuas infidelidades, farei de ti a luz das nações” (cf. Is. 49,4-6). Estas expressões revelam a urgência de uma redenção que pede um precursor para anunciar quem vem salvar. É a linguagem profética que anuncia João, aquele que virá para aplanar os caminhos do Senhor.
2. O nascimento de João
É interessantíssimo o movimento dos personagens neste texto do Evangelho: Zacarias, que emudeceu com a responsabilidade que Deus lhe confiou; Isabel, que espera ansiosa o nascimento do menino, porque ele ia nascer quando ela já tinha muita idade; o grupo de familiares e amigos que não entendiam porquê pôr o nome de João à criança que ia nascer. Zacarias confirmou o nome de João que Isabel escolhera, simplesmente porque o seu filho era maravilhoso dom de Deus. Todos se perguntavam quem viria a ser aquele menino, mas a sua missão estava traçada, seria o precursor do Messias.
3. A missão de João Batista
Paulo fala para as comunidades judaicas. Todos os ouvintes têm que compreender que Jesus vem completar as escrituras. Então, anuncia-O como descendente de David, e refere que João Baptista foi o escolhido para anunciar Jesus como o Senhor que veio para salvar. No conjunto dos três textos é fácil compreender que também os cristãos, agora, têm o dever de colaborar na salvação anunciando Jesus como o Senhor. Assim, como o Baptista soube dizer que Ele cresça e que eu diminua assim, também os cristãos de hoje deverão saber esgotar-se para que o nome de Jesus seja conhecido e o testemunho cristão seja a alavanca para a transformação radical do mundo. Os valores de Jesus e do Evangelho são essenciais para a construção do mundo novo.
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”



Ele vai se chamar João, a compaixão de Deus
Hoje a celebração do 12º domingo do tempo comum cede seu lugar para a solenidade da natividade de são João Batista, uma festa muito enraizada na religiosidade popular na qual recebe destaque o precursor do Senhor, aquele do qual Ele disse: “Entre os nascidos de mulher ninguém é maior do que João” (Lucas 7,28).
João Batista foi o último dos profetas e o único do Novo Testamento. A liturgia da Palavra apresenta-nos a missão do profeta (1ª leitura), a qual foi assumida por João até as últimas consequências, como relata Lucas (2ª leitura), sendo que tudo indicava ser objeto de uma vocação especial (evangelho) desde o seu nascimento.
1ª leitura: Isaias 49,1-6
Neste texto descrevem-se as características da missão profética. Desde o início (“ainda estava no ventre materno”), o Servo recebe a missão de anunciar a palavra de Deus (“ele pronunciou o meu nome”) para reunir e restaurar o povo de Deus disperso. Com estas palavras, Isaias evoca a figura de João Batista, o precursor do Senhor.
Toda missão faz parte do um encontro ou de um chamado do Senhor (vocação). No caso de João Batista, o evangelista (Lucas 1,41-44) nos lembra do encontro de Maria, grávida de Jesus, com sua prima Isabel, durante o qual João pula de alegria no seio de sua mãe, mas isto é só o inicio da missão. O encontro autêntico leva o profeta aos homens e ao mundo para anunciar com coragem a mensagem de Deus (“fez da minha língua uma espada afiada”) mesmo que tenha que passar por momentos difíceis de desânimo (“cansei-me inutilmente, gastei minhas forças à toa”), mas sabe que o Senhor aceita seu trabalho («Você é o meu servo... e eu me orgulho de você») e lhe encomenda a nova tarefa de ser “luz para as nações” a fim de que a “salvação chegue até os confins da terra”. De fato, com a pregação de João Batista já começa a Boa Nova do Senhor, que se espalhou pelo mundo todo.
2ª leitura: Atos dos Apóstolos 13,22-26
Neste primeiro discurso como missionário, Paulo apresenta uma breve síntese da história da salvação e indica alguns acontecimentos significativos que vêm mostrar Jesus como a culminação de toda a história do amor de Deus pela humanidade.
Neste contexto, a figura de João Batista aparece de forma bem diferenciada a respeito dos outros profetas que vieram antes dele, sendo ao mesmo tempo complemento deles. Representa o último elo da ação realizada por Deus na preparação da vinda do Salvador. Jesus é a Palavra da Salvação. É por isso que João não aponta para si mesmo, mas para Cristo (“Depois de mim é que vem aquele do qual não mereço nem sequer desamarrar as sandálias!”). O que realmente importa é a Palavra de Salvação encarnada em Jesus. João viveu toda a sua vida em função da preparação da vinda do Senhor.
Evangelho: Lucas 1, 57-66.80
Cumpriu-se o tempo de Isabel dar à luz. O nascimento de uma criança é sempre motivo de alegria, mas, neste caso, “os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido bom para Isabel, e se alegraram com ela” porque era algo extraordinário, sendo o pai da criança velho e a mulher estéril. Só por Deus, para quem nada é impossível.
É assim que se entende a história do nome. Os pais sabem que a criança é um dom de Deus e pertence a Deus. Sabem que Ele a destinou para realizar a sua obra. Certamente, os parentes se perguntavam a razão desse nome estranho à tradição familiar. Não sabiam eles que quando Deus escolhe alguém como testemunha e mensageiro do Messias, quando coloca um homem ou uma mulher diante de Jesus para que o aceite, se entregue a Ele como Senhor e se disponha a segui-lo como discípulo, isso não é um acontecimento comum porque tudo o que de bom essa pessoa um dia for suscitar, fará dele um discípulo, um sacerdote, uma religiosa ou um cristão comprometido.
Isto é algo que supera os costumes familiares e quanto o ser humano é capaz de fazer por suas próprias forças. Se alguém tiver vocação, não é por ser filho de seus pais ou por ter sido educado para isto. Será por um desígnio de Deus. Como no caso de João Batista, o nome tradicional já não serve mais. Existe um nome novo que a pessoa que segue Jesus irá descobrindo a medida em que for chegando à plena realização do seu ser e da sua personalidade ("Agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que seremos. Sabemos que, quando se manifestar seremos semelhantes a Ele" (1 João 3,2). A manifestação plena de filhos de Deus é o caminho da santidade à qual somos chamados.
Palavra de deus na vida
A festa do nascimento de São João Batista sempre foi muito popular ao longo da história entre o povo católico. O folclore com suas fogueiras, danças e festejos permanecem vivos até hoje. A Igreja cuidou de colocar esta celebração justo seis meses antes do Natal para aplicar à liturgia a palavra do anjo na anunciação a Nossa Senhora: “A sua parenta Isabel: apesar da sua velhice, ela concebeu um filho. Aquela que era considerada estéril, já faz seis meses que está grávida” (Lucas 1,36).
João foi um personagem conhecido no seu tempo. O historiador Flavio Josefo o cita na sua obra. Para a fé cristã significa o fim do Antigo Testamento e o inicio do Novo. Como precursor do Senhor, seu nome significa: "Deus se compadeceu". O seu exemplo de vida pode servir-nos para uma proveitosa reflexão.
O Batista não foi, certamente, um homem culto nem um religioso aburguesado, com ideias certinhas e sem compromisso com a evolução do mundo. João não se limita a pensar o falar, mas assume uma atitude crítica diante do mundo em que vive.
O nosso mundo, também, é um mundo em crise e mudança. Não faltam pessoas com ideias aparentemente certas, tanto no âmbito civil quanto no religioso. Pensa-se e escreve-se de forma “politicamente correta”, mas o compromisso não passa disso e, desta forma, a verdade perde sua característica de denuncia para vir reforçar o sistema.
João é o oposto daquele Herodes que se manteve no poder em meio aos câmbios políticos havidos no Império Romano. Ao contrário dele, João Batista nunca foi “um caniço agitado pelo vento” (Mateus, 11,7). Sempre se comportou movido pela fé. Esta é uma característica da sua personalidade que deve fazer-nos refletir. No fundo, trata-se de amar a verdade, não só de palavra, mas comprometendo nela a própria vida. Nesse sentido, nós também não podemos “deixar-nos levar” pela correnteza social que justifica a injustiça. O exemplo de João Batista nos levará a agir pelo bem dos irmãos.
Neste sentido é preciso lembrar que a palavra "espiritualidade" significa, para o cristão, estar sendo levado pelo Espírito de Jesus sem fugir da realidade e sendo capaz de discernir em nosso mundo os valores positivos assim como os contravalores que devem ser rejeitados, mesmo que a aceitação deles não seja maioritária.
O que permitiu ao Batista agir desta forma, porém, foi a consciência de que vivia em função de Jesus. Por isso, nada construiu para si, sabendo-se ponte e caminho para o Salvador e estando pronto para desaparecer quando a sua missão estivesse concluída.
Um maravilhoso exemplo de fidelidade e humildade para todos nós!
Pensando bem...
A atitude do Batista é a do verdadeiro discípulo de Jesus: agir de forma a facilitar o encontro dos irmãos com o Mestre de todos. A Igreja não existe para si mesma. O que importa é que, através da sua pregação e testemunho, as pessoas descubram o verdadeiro Salvador. Seu objetivo, como na passagem da samaritana, é fazer com que as pessoas digam: «Já não acreditamos por causa daquilo que você disse. Agora, nós mesmos ouvimos e sabemos que este é, de fato, o salvador do mundo» (João, 4,42). Conseguido isto, a nossa missão estará cumprida.
padre Ciriaco Madrigal




"De fato, a mão do senhor estava com ele"
Celebramos hoje, solenemente, o nascimento de João Batista. João é muito lembrado pela tradição popular brasileira. O "são João" remete à festa, dança, comida, música, fogueira... enfim alegria contagiante.
Vejam como João Batista é importante para os cristãos. O próprio Jesus proclamou que, "entre os nascidos de mulher, não há um maior do que João; mas o menor no Reino de Deus é maior do que ele" (Lucas 7,28). Ele é tão importante, a ponto de ser o único santo (com exceção de Maria) que tem seu nascimento celebrado pela Igreja.
Assim como celebramos o nascimento de Jesus, no dia 25 de dezembro, hoje, dia 24 de junho, celebramos o natal de João Batista. Congregados pela Palavra de Deus, aqui estamos, nesta Solenidade, para contemplar e celebrar, acima de tudo, o Mistério d'Aquele que se fez menor no Reino de Deus, e por isso é o maior: Jesus Cristo.
Ouvimos a Palavra de Deus, alusiva ao evento de hoje, que traz uma mensagem de alegria e esperança para todos nós. Ela, através de João Batista, nos conduz para dentro da verdadeira Luz de todos os povos, o Salvador, Jesus, do qual nem merecemos desamarrar as sandálias.
Primeira leitura: Isaias 49,1-6
A primeira leitura de hoje pertence à segunda parte do livro de Isaias, isto é, o Segundo Isaias (40 a 55). Foi escrito durante o exílio babilônico de 586-538 antes de Cristo e contém quatro poemas que se destacam. São os cantos do Servo de Javé.
Os poemas (Isaias 42,1-4; 49,4-9 e 52,13-53,12) são endereçados a nações distantes também não identificadas. Os judeus viram no Servo o próprio povo, sofredor e portador de salvação ao mundo inteiro. Já os cristãos, desde o século I, aplicaram estes textos a Jesus Cristo que, como ninguém, realizou o que anunciavam.
O texto da liturgia de hoje, que forma o segundo cântico do Servo, destaca especialmente a missão do Servo de Deus. A sua vocação lembra o profeta Jeremias. "Desde o seio materno, o Senhor me chamou, desde o ventre de minha mãe, já sabia meu nome" (Isaias 49,1; cf. Jeremias 1,5).
No versículo 1, o Servo apresenta as suas credenciais: frente à importância da missão, ele se justifica perante seus ouvintes, as "ilhas" e as "nações distantes". Em seguida, ele descreve como será a sua missão (versículo 2): agirá através da palavra. Palavra que é adequada e eficiente, conforme explica o poema através de duas imagens barrocas: palavra afiada como espada e pontiaguda como flecha. Além disso, o Servo conta com a proteção divina: Deus esconde-o na aljava, como o arqueiro a flecha.
A Palavra de Deus torna a língua do Servo como uma "espada afiada" (Isaias 49,2) para que possa "construir e plantar" (Jeremias 1,10), anunciando a libertação. A palavra, que não volta sem cumprir com sucesso sua missão (Isaias 55,11), ilumina e sustenta a caminhada.
O Servo ensina a colocar a vida nas mãos de Deus, a confiar unicamente Nele para obter êxito na missão. Deus defende seus escolhidos, os auxiliando em todos os momentos. O Senhor forma as pessoas desde o ventre materno, a fim de que possam ser "luz para as nações" (49,6). O Servo, mediante palavras e testemunho de vida, devolve a esperança aos cativos, aos oprimidos, dizendo: "Vinde para a luz!" (49,9).
A Igreja primitiva encontrará os traços de Cristo no retrato deste profeta (comparar o versículo 3 e Mateus 3,17; o versículo 6b e Lucas 2,32). Contudo, nem por isso estará terminada, com ele, a função profética realizada em Cristo.
Por seu lado, a Igreja é profética, no sentido de que ela situa os acontecimentos do mundo atual na perspectiva do Reino que se aproxima. Defende a sua liberdade de crítica em relação a todo sistema social, revolucionário ou conservador, e aplica-lhe seu critério de apreciação para descobrir nele a capacidade de preparar a unidade fundamental da humanidade em Jesus Cristo.
Lugar da proclamação profética da Palavra, a Eucaristia é, na Igreja, a instituição que, por excelência, deveria reunir aqueles mesmos que atacam da maneira mais enérgica certas outras instituições eclesiais, e convencer a cada um de sua missão profética no mundo.
Salmo responsorial 138/139,1-3.13-15
É um Salmo sapiencial. A existência humana, a minha, fica iluminada pela luz de Deus. Esta existência se realiza numa série de polaridades e contingências: andar-deitar, tempo-espaço, sentar-se-levantar-se, pensamento-palavra. E tudo isso é abarcado pela sabedoria única e total de Deus.
O saber de Deus se estende para trás, para antes do nascimento, antes do primeiro dia da vida; e até a profundidade dos ossos a até a profundidade da alma. Porque ele é o grande tecelão de nossos tecidos orgânicos, o grande operário no mistério da maternidade. No seio materno reflete-se a fecundidade da terra-mãe.
O rosto de Deus neste salmo são de muitos aspectos, e salientamos apenas alguns. O tema de Javé aliado e defensor do justo está muito presente. Um tema muito forte é o conhecimento de Deus. Ele conhece até as profundidades do nosso ser e do nosso agir, desconhecidas para nós. Nos conhece plenamente: por dentro, por fora, nossas ações e desejos mais íntimos, pensamentos e palavras. Deus está, portanto, no mais profundo do nosso ser, da nossa história pessoal. Não adiante fugir de Deus, porque estaríamos de nós mesmos e de nossa identidade mais escondida.
O Jesus no Evangelho de João tem esse conhecimento profundo das pessoas (João 1,47-50; 2,23-25). Suas primeiras palavras são estas: "O que vocês estão procurando?" (João 1,38). Ele sabe o que procuramos no mais fundo do nosso ser; e provoca-nos a tomar consciência disso, a fim de que sejamos felizes. A samaritana é exemplo disso (João 4,5-30) Jesus lhe revelou que ela estava à procura de uma água que mata a sede para sempre. Ela procurava sem ter consciência. Depois de encontrá-la, tornou-se missionária.
Cantando este salmo na celebração da solenidade de são João, agradeçamos ao Senhor pela sua presença constante no mais profundo da nossa existência humana.
Segunda leitura: Atos 13,22-26
Essa leitura foi extraída da pregação de Paulo diante dos judeus na sinagoga de Antioquia na Psídia (Atos 13,16-41).
A primeira parte do discurso é um resumo da história da salvação, centrada na pessoa de Davi e na sua Aliança com Deus (vs. 17-23). O essencial da proclamação de Paulo, na sinagoga, encontra-se no v. 23: Deus nos "suscitou" (no duplo sentido de "fazer aparecer" e "ressuscitar"; cf. Atos 3,20-26; 26,6-8) um membro da descendência de Davi como Messias. Paulo, portanto, traz presente a espera messiânica e apresenta a ressurreição como meio utilizado por Deus para realizá-la; nos meios judaicos, a fé na ressurreição permanecia vinculada à esperança messiânica.
Nesse contexto geral, João Batista é apresentado por Paulo como o Precursor do Messias, encarregado de preparar sua vinda pela proclamação de um batismo de arrependimento (v. 24). Essa referência a João Batista testemunha o interesse de Lucas em iluminar a figura do Precursor numa dependência radical em relação ao Salvador (v. 25; cf. João 1,20).
Esse Jesus, Salvador segundo a promessa, é o Jesus que realizou a História da Salvação na pessoa de cada um de nós com o batismo que cada um recebeu e com a celebração eucarística que torna sacramentalmente presente "o sangue derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados". A "palavra", também ela de "salvação" (v. 26), diz respeito também a cada cristão que participa da Missa, porque "na liturgia... Deus fala ao seu povo; Cristo continua a anunciar o Evangelho" (SC 33), anuncia-o com a sua Palavra e com a sua presença salvífica.
Evangelho - Lucas 1,57-66.80. Depois do conjunto dos dois nascimentos, o de João Batista e o de Jesus (cf. Lucas 1,5-56), o evangelista passa para o conjunto dos dois nascimentos, a começar pelo do Precursor. Tudo isto acontece num clima de serenidade, entre louvores a Deus e os parabéns dos vizinhos (vs. 57-58). Dá um rápido aceno à circuncisão de João, segue-se a discussão a respeito do nome que vão lhe dar (vs. 59-64) e a pergunta a respeito da missão que Deus lhe reservará (vs. 65-66). A liturgia, depois, passa para o versículo conclusivo, recordando o nascimento do menino e a sua vida solitária no deserto (v. 80).
Lucas nos dois primeiros capítulos, nos conta a infância de João Batista, profeta do Altíssimo e a de Jesus, Filho do Altíssimo. Constitui uma parte muito original com um vocabulário e estilo relembrando os do Primeiro Testamento.
O nascimento de João Batista (vs. 67-58). Lucas menciona rapidamente o nascimento de João Batista (apenas 2 versículos) para concentrar toda a atenção sobre a sua circuncisão (8 versículos). No caso de Jesus é o contrário: assistimos a um deslocamento do interesse de Lucas. Enquanto a circuncisão de Jesus é apenas notificada (1 versículo só), o relato de seu nascimento é bem mais desenvolvido (7 versículos) do que o de João. Isto se deve ao fato de que para Lucas era muito mais importante explicar por que o Salvador nasceu em Belém, na Judéia, enquanto o lugar de nascimento de João (em Ain Kãrim, mais ou menos a 8 km de Jerusalém) não interessa. Por outro lado, a circuncisão do Precursor é muito importante porque, naquela oportunidade, conforme o costume judaico, receberá o seu nome: "João".
A circuncisão de João Batista (vs. 59-66). O oitavo dia depois do nascimento era a data legal da circuncisão (Gênesis 17,12; Levítico 12,3). O rito foi estabelecido a partir de Abraão quando Deus fez Aliança com ele, tornando-se pai de uma multidão de povos (Gênesis 17,5-10). Desde então todos os homens que vieram depois foram circuncidados para manifestar em sua carne a Aliança perpétua de Deus com seu povo. Até hoje, judeus e muçulmanos obedecem a este mandamento fundamental; o seu não cumprimento exclui a pessoa do plano salvífico de Deus (Atos 15,1) e constitui um pecado irremissível (Jubileus 15,33-34). O preceito atinge "tanto o nascido em casa como o comprado de estrangeiros (Gênesis 17,12-13).
Primitivamente, no Primeiro Testamento, o nome era dado no dia do nascimento (Gênesis 21,3-4). Mais tarde, sob a influência do helenismo e do judaísmo mais recente, passou a ser dado no dia da circuncisão: é o caso aqui. Geralmente, costumava dar ao menino o nome de seu avô. (para evitar o problema do mesmo nome (homonímia) entre pai e filho). Por causa da idade avançada de Zacarias, os parentes queriam dar à criança o nome de seu pai; a diferença de idade era tão grande que não teria confusão. Zacarias Júnior, diríamos hoje. Mas a mãe propões outro nome, João, o que causou estranheza  a algumas pessoas.
No Primeiro Testamento, o nome da criança podia ser dado indeferentemente pelo pai (Gênesis 16,15; 17,19; Êxodo 2,22) ou pela mãe (Gênesis 29,32-35; 30,6.24 Juízes 13,24; 1 Samuel 1,20; 4,21; 2 Samuel 12,24). Entretanto, quando havia conflito entre os esposos, a opinião do pai prevalecia (Gênesis 35,18). João recebe o nome de seu pai (Lucas 1,13.63) e Jesus de sua mãe (Lucas 1,31), por causa da sua concepção virginal. Obedecendo à ordem do anjo, Zacarias, e Maria manifestam a sua fé.
Porém, Isabel não estava sabendo que um mensageiro de Deus tinha indicado o nome de João. E como ninguém de sua parentela tinha este nome, percebemos melhor que teve uma intuição divina. O nome próprio do Batista ("João", isto é, "Deus é favorável) sintetiza e ao mesmo tempo cumpre o plano misericordioso do Deus de Israel que se lembrou de sua Aliança com Abraão, cujo sinal visível é justamente a circuncisão. Assim o nome da pessoa revela ao mesmo tempo o sentido de sua missão.
A Palavra do Senhor liberta, abre a boca, solta a língua para que as pessoas possam louvar e profetizar. Zacarias bendiz o Deus misericordioso e compassivo, que se preocupa com a vida do povo. O Espírito de Deus ilumina, ajuda a descobrir os sinais de salvação nos acontecimentos da vida. Deus renova as promessas, a Aliança feita a Abraão. Agora ele faz nascer um menino, que será chamado profeta do Altíssimo, pois andará à frente do Senhor para preparar o caminho e anunciar a salvação ao povo (cf. Lucas 1,68-79).
Juventude de João Batista (v. 80: Inspira-se na infância de Samuel - 1 Samuel 2,21.26) e um pouco também em Sansão (Juízes 13,24-25). É uma espécie de refrão que encontramos igualmente em Lucas 2,40.52 para descrever a vida oculta de Jesus em Nazaré. Resume num versículo só toda a vida juventude de João: isto significa que não sabemos nada dela! A única informação que possuímos é que o Batista "habitava nos desertos". Este traço já prefigura a atividade posterior de João (Lucas 3,2.4; 7,24). O deserto, lugar de treinamento dos profetas, será também o quadro do retiro de Jesus Cristo, preparatório à sua vida pública (Lucas 4,1-13).
Da Palavra celebrada ao cotidiano da vida
Deus tem seus caminhos, Deus tem seus planos para a salvação da humanidade em Jesus Cristo. Depois que Jesus morreu e ressuscitou, a comunidade cristã primitiva logo percebeu: a mão misteriosa de Deus estava ali, na pessoa de João Batista, desde sua concepção e de seu nascimento até sua pregação de um batismo de conversão para a colher a grande novidade do Reino que em Jesus estava para irromper. Foi Deus que enviou João para "dar testemunho da luz e preparar para o Senhor um novo povo disposto a recebê-lo" (cf. João 1,6-7; Lucas 1,1-7).
Ainda no seio materno, "saltou de alegria" (Lucas 1,44) pela sua proximidade com Jesus, no seio de Maria. Depois, o nascimento de João foi causa de alegria "entre vizinhos e parentes" (Lucas 1,58); também o nascimento de Jesus foi anunciado aos pastores como "uma grande alegria para todo o povo" (Lucas 2,10), alegria que abrangeu os anjos do céu que cantavam "Glória a Deus" e "paz aos homens" (cf. Lucas 2,14) sobre o berço do recém-nascido, proclamado "Salvador" (Lucas 2,11). A alegria da Redenção chegou a cada um de nós no sacramento do Batismo e torna-se mais viva nos momentos de recolhimento.
Celebrando hoje o nascimento de João Batista, contemplamos, ao mesmo tempo, a figura do Salvador do mundo presente entre os seres humanos. Contemplamos a figura do Filho de Deus que, descendo do céu, mergulhou (foi batizado) no oceano de nossa existência humana para fazer de cada um de nós, n'Ele, também filhos e filhas do Altíssimo Senhor do céu e da terra. Contemplamos e celebramos o divino Cordeiro que, por sua morte e ressurreição, tirou o pecado do mundo e nos garantiu a salvação e a paz.
Como João Batista, também nós, agora na qualidade de cristãos renascidos nas águas do Batismo, somos destinados a uma missão, a saber, a missão de anunciar o Salvador, que fez de nossos corpos sua morada. Como fazemos isso? Por nossas palavras e ações, por nossa postura ética cristã em um mundo que, muitas vezes, aberta ou disfarçadamente, opõe resistência à Palavra libertadora de Deus.
A Palavra se faz celebração
O mutismo de Zacarias
Para Santo Agostinho, o fato de Zacarias ficar mudo, ao duvidar do anúncio do nascimento de seu filho, é muito significativo. Aliás, fica mudo desde o anúncio até o nascimento de João. O mutismo de Zacarias é símbolo da profecia antiga que se encontrava de certo modo velada ou adormecida até o momento da pregação de Cristo. Com a chegada de Cristo, a quem a profecia antiga se referia, lançava-se nova luz e dava sentido e vitalidade à história da salvação. Segundo Santo Agostinho, bispo de Hipona, a recuperação da voz de Zacarias, no momento em que seu filho recebe o nome por ele designado (Johanan) significa "JHWH é graça, é bondade", isto é, João significa "Deus se mostrou misericordioso", tem o mesmo sentido do véu que se rasga no Templo de Jerusalém quando acontece a morte de Cristo na cruz. A língua destravada de Zacarias rompe o mutismo da profecia, tal como o véu do Templo que impedia o acesso ao Santo dos santos.
O Messias inaugura novos tempos
Alonso Schökel comenta: "o véu do Templo separava o arcano onde estava presente a glória de Deus; era acessível só ao sumo sacerdote, uma vez por ano, entre as nuvens de incenso, no dia da expiação. Esse sinal da velha economia se rasga, deixa de funcionar, porque doravante o acesso a Deus está presente, sempre a todos, por meio de Jesus. A chegada do Messias inaugura tempos novos. Mais uma vez vemos a grandiosidade do Precursor e ao mesmo tempo sua inferioridade porque ele anuncia alguém maior. João é a "voz que clama no deserto", mas anuncia aquele que é, desde o princípio, a Palavra eterna pela qual tudo foi criado (cf. Colossesnses 1,16).
Ligando a Palavra com a ação eucarística
No início da Missa de hoje, ao Deus que suscitou São João Batista "a fim de preparar par ao Senhor um povo perfeito" fizemos este pedido: "concedei à vossa Igreja as alegrias espirituais e dirigi nossos passos no caminho da salvação e da paz".
Logo mais, em torno do Altar, proclamando as maravilhas operadas em João Batista, vamos também nós, com Zacarias, soltar nossa voz e começar a louvar o Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso. Vamos fazê-lo unidos aos anjos, a São João Batista e a todos os santos, cantando aquele hino que eles cantaram sem cessar no céu, diante do trono e do Cordeiro: Santo, santo, santo...
Em comunhão com toda a Igreja do céu e da terra, nesse mesmo clima de ação de graças, fazermos memória da Páscoa do Senhor e nossa páscoa, pela qual oferecemos ao Pai o corpo entregue e o sangue derramado de Jesus. O Pai nos entrega em alimento o Pão do céu, a fim de sermos também nós Corpo de Cristo bem unido a serviço da salvação e da paz.
Restaurados à mesa do Cordeiro divino, nós pedimos a Deus que, a Igreja, ao festejar o nascimento de São João Batista, de fato "reconheça no Cristo, por ele anunciado, Aquele que nos faz renascer".
Partimos para a missão, junto com são João Batista! Abençoados por Deus, partimos dispostos a colaborar com são João Batista para que a nossa sociedade seja de fato uma sociedade justa e fraterna para que todos vivam em paz.
padre Benedito Mazeti


Irmãos e irmãs, na liturgia deste Domingo, aprendemos que a missão do profeta não tem limites ou fronteiras, seu anúncio abrange o mundo inteiro.. Aprendemos que Deus é sempre fiel às suas promessas, e Jesus é a expressão final dessa fidelidade. E, de outro modo, podemos observar que Deus constrói a história por meio dos empobrecidos, uma vez que fez sua opção por eles.
Assim, movidos pela esperança do crescimento do Reino no meio de nós, neste Domingo, temos a certeza que os evangelhos, na medida em que procuram resgatar e interpretar memórias da vida de Jesus, apresentam semelhanças com as antigas biografias de profetas e de filósofos.
Ora, sabemos que o evangelho de Marcos, o mais antigo dentre os canônicos, apresenta a história de Jesus começando com o batismo de João e terminando, após a crucifixão de Jesus, com o encontro do túmulo vazio pelas mulheres. À medida que aprofundamos em seus ensinamentos, vemos que um anexo tardio apresentará narrativas de aparições, extraídas dos outros evangelhos. Como, por exemplo, o evangelho de Mateus, escrito cerca de uma década depois de Marcos, amplia a história de Jesus, apresentando, de início, narrativas relativas à concepção, nascimento e infância de Jesus, bem como, na parte final, narrativas de aparições do Ressuscitado, após o encontro do túmulo vazio. Um método de ensinamento que também é adotado por Lucas.
Entretanto, Lucas, de maneira original, começa seu evangelho com os anúncios das concepções de João, feitos a Zacarias, esposo de Isabel, e de Jesus, feito a Maria, apresentando, em seguida, as narrativas do nascimento dos dois. Com esta aproximação dos dois meninos, desde suas origens, Lucas procura acentuar, de maneira convincente, a íntima relação entre as missões proféticas de João e de Jesus. Esta relação é reafirmada pelos quatro evangelistas, no encontro de Jesus com João Batista, com a recepção de seu batismo, seguindo-se o início do ministério de Jesus, cujo anúncio da chegada do Reino e apelo à conversão assemelham-se aos do Batista.
Creio ser importante ressaltar que no Segundo Testamento, depois do nome de Pedro, o nome de João Batista é o que mais aparece nos textos, ultrapassando muito as demais ocorrências dos nomes dos próprios apóstolos.
Porém, ao mergulharmos na riqueza e na grandeza da mensagem deste Domingo, vemos que  Zacarias era sacerdote do Templo de Jerusalém e, segundo a tradição judaica, João, seu primogênito ou filho único, deveria receber o nome do pai, bem como manter a sua linhagem sacerdotal hereditária.
Contudo, conforme o anúncio do anjo, o nome que lhe dão é João. Um nome diferente que já prenuncia a ruptura com o sacerdócio e com o Templo de Jerusalém. João atuará como profeta, nas regiões desérticas da Judéia, longe de Jerusalém. Chamado desde o seio materno para sua missão profética. Conforme a primeira leitura vemos que, João foi associado ao servo do livro de Isaías. Ele abre os horizontes para a missão universal de Jesus, sem fronteiras nacionalistas ou raciais; e, de acordo com a segunda leitura, vemos que. João se caracteriza pelo seu batismo de conversão.
Portanto, como centro da mensagem de hoje podemos destacar que: é a conversão à justiça, pelo que o pecado é superado. Jesus, assumindo em si todos os valores humanos, proclama a conversão à justiça como o caminho para ingresso no Reino de Deus, já presente entre nós. É o mundo novo, revestido de imortalidade e eternidade, no amor e na misericórdia.
diácono Miguel A. Teodoro



1) Quem é o Servo?
Estamos diante do segundo canto do Servo de Javé no livro do profeta Isaías (1º canto = 42,1-9; 2º canto = 49,1-9a; 3º canto = 50,4-11; 4º canto = 52,13-53,12). Quem é esse servo? Pode ser uma pessoa, talvez até o profeta; pode ser visto também coletivamente, a comunidade. Aqui neste 2º canto o v. 3 aponta para esta direção quando diz: “você é o meu servo, Israel, e eu me orgulho de você”. Mas os versos 5 ss. referindo-se à restauração de Israel parecem indicar que o Servo é o profeta que simboliza Israel. Ele é o profeta com a missão de restaurar Israel no retorno do exílio e é Israel com a missão de ser luz para as nações. Os evangelhos vão ver a realização plena da figura do Servo na pessoa de Jesus. E hoje nada impede de vermos na figura do servo cada agente de pastoral, cada cristão comprometido.
2) A vocação do servo
A vocação do Servo descrita nos vv. 1 e 2 está bem próxima da vocação do profeta Jeremias (Jr. 1,4-10). Este segundo canto do Servo de Javé é um texto vocacional que insiste na missão. O profeta Isaías começa  o texto abrindo os horizontes da vocação do Servo. Faz uma exortação às ilhas e povos distantes a prestarem atenção. No v. 1b ele recorda sua vocação. Revela sua consciência de que os desígnios de Deus são insondáveis; antecipam nossa resposta e até mesmo nosso existir. Deus nos conhece pelo nome antes que nossa mãe nos dê à luz. Deus nos chama desde o ventre materno. É esta a consciência do Servo.
3)  E qual será mesmo a sua missão?
Sua missão é anunciar a Palavra de Javé: “Ele fez da minha língua uma espada afiada”. Um anúncio exigente, difícil, comprometedor, decisivo (“espada afiada”, “seta pontiaguda”). Provavelmente se refere à restauração da justiça e do direito. Mas Javé será sua proteção, pois o esconde com a sombra de sua mão e o guarda no estojo das flechas. Qual é a finalidade do anúncio? É “trazer de volta Jacó e reunir Israel para ele (Javé)” (v. 5). Isto implica reunir e organizar o povo, liderando-o no movimento de libertação, isso implica a organização político-social e a justa distribuição das terras (cf. vv. 8-9a). Esta missão não é fácil. O v. 4a apresenta as dificuldades que ameaçam o servo: cansaço, sentimento  de inutilidade, fraquezas, dúvidas. Mas Javé acha que esta primeira finalidade ainda é muito pouco para o servo e amplia mais ainda a sua missão. Sua missão é ser luz para as nações, para que a salvação de Javé chegue até aos confins da Terra (cf. v. 4. 6).
4) Onde está a força do servo?
Sua força é Javé. Sua confiança em Javé é inabalável. Além de toda a proteção carinhosa (v. 2), Javé se orgulha do seu servo (v. 3); ele é seu defensor e sua recompensa (v. 4). O v. 5 ainda salienta que Javé glorificará seu servo, ele é sua força.
2ª leitura – At. 13,22-26
Para a festa da “Natividade de João Batista”, a liturgia destaca um texto intercalado dentro do primeiro sermão de Paulo na Sinagoga de Antioquia. O tema do discurso não é João Batista, mas Jesus. A idéia chave é a salvação, fruto da ressurreição de Cristo. Trata-se da catequese habitual de Paulo sobre Jesus – sua morte, sua ressurreição e glorificação. Paulo mostra a fidelidade de Deus às suas promessas. Para isto ele retoma os fatos principais da História do Povo de Deus, ou da história de Deus com seu povo até culminar em Jesus. Ele relata tudo abreviadamente. Assim do v. 22, falando de Davi, ele passa para o v. 23 já salientando Jesus. No v. 22 ele apresenta apenas um perfil positivo de Davi (cf. Sl. 89,20) “com traços que podem convertê-lo em tipo do futuro Messias”. O v. 23 afirma que da linhagem de Davi, segundo a promessa, Deus tirou Jesus como Salvador de Israel. E agora entra a alusão a João Batista (vv. 24-25), como precursor de Jesus. João é o último elo da corrente das promessas divinas. Depois dele vem Jesus como realizador de todas as promessas. Preparando a chegada de Jesus, João prega um batismo de penitência, de arrependimento a todo o povo de Israel. Neste discurso Paulo dá grande importância a João Batista, salientando suas palavras, sua atuação como aquele que batiza com um batismo de arrependimento, sua sinceridade e fidelidade à missão (ele não é o Cristo como o povo estava pensando) e sua profunda humildade diante de Jesus – o esposo do Novo Israel – a Igreja. João afirma que não tem o direito de tirar as sandálias dos pés de Jesus. Esta frase é uma provável alusão à lei do levirato (cf. Dt 25,5-10). Na verdade Jesus é o verdadeiro esposo que não cede seu direito. O v. 26 com nova introdução retoma o v. 23, que falava diretamente de Jesus como realizador das promessas. A mensagem de salvação é dirigida a todos e esta mensagem de salvação é Jesus, do qual João foi o precursor.
Evangelho – Lc. 1,57-66.80
Nestes versículos São Lucas narra o nascimento de João Batista como um acontecimento maravilhoso, onde o dedo de Deus está presente. Relembra o nascimento de Isaac, filho de pais idosos e mãe estéril.  João, de fato, nasce de uma mãe idosa e estéril. É um milagre do Deus da misericórdia em favor dos pobres e marginalizados. É verdade que Zacarias era sacerdote, mas ele era pobre e Isabel era marginalizada por ser estéril. Os vizinhos reconhecem que o “Senhor a trata com tanta misericórdia, por isso se alegram e se congratulam com ela” (v. 58). Ao circuncidar o menino (rito que equivalia ao nosso batismo hoje) querem dar-lhe o nome de seu pai Zacarias. Mas a mãe faz uma intervenção dando ao filho o nome de João exatamente para salientar a intervenção miraculosa e misericordiosa de Deus. De fato, João significa “Deus é misericórdia”. Deus começa a construir uma história nova com os pobres de Israel, pois o nome indica o programa de vida da pessoa. A misericórdia de Deus começará a agir. Quem dá o nome na tradição judaica é o pai, não a mãe. Por isso perguntam ao pai por sinais, pois ele não podia ouvir nem falar. Ele confirma o nome de João escrevendo numa tabuinha. Todos se espantam, pois está claro que o dedo de Deus está presente em todos esses acontecimentos. Mais uma prova disso é que Zacarias imediatamente começa a falar e bendizer a Deus (v. 64). Também isto se torna para todos um sinal. Os vizinhos se espantam de novo diante da maravilha, do milagre, da intervenção clara de Deus. A notícia se espalha e o povo pergunta: “O que este menino irá ser?” Eles reconhecem que este menino é de futuro. No v. 66 o evangelista escreve expressamente: “pois a mão do Senhor o acompanhava. O v. 80, salienta que o “menino crescia, fortalecia-se espiritualmente, e viveu no deserto até ao dia em que se apresentou a Israel”. Este v. 80 relembra personagens famosos como Sansão (Jz. 13,24-25), Samuel (1Sm. 2,21), Elias, que também morava no deserto (1Rs. 17). João é filho de sacerdote, mas ele vai romper com as instituições de Israel, vai ficar distante do Templo e do culto. Ele será o precursor dos novos tempos que virão com Jesus.
dom Emanuel Messias de Oliveira



“Completou-se o tempo...”
Nossa vida de fé é marcada por muitas promessas, a primeira delas no Batismo, quando pais e padrinhos, falando por nós prometem e se comprometem em professar uma fé viva, capaz de um testemunho autêntico diante do filho ou do afilhado, e na unção crismal prometemos acolher em nossa vida o dom do Espírito Santo e deixarmo-nos conduzir por ele.
O “amém” ao receber a Eucaristia não deixa de ser também uma promessa, de viver sempre em comunhão com Jesus, e nos sacramentos da ordem ou do Matrimônio, prometemos viver um amor total de entrega e doação à Santa Igreja, ou um ao outro, na vida conjugal. Fazemos muitas promessas diante de Deus, antes de receber o sinal sacramental e sabemos muito bem, que por causa dos nossos pecados, muitas vezes quebramos promessas sagradas, quando acontecem as separações, o abandono da comunidade ou de uma vocação religiosa.
Não é de hoje que o homem não cumpre suas promessas diante de Deus, à Bíblia está repleta de relatos onde as pessoas, e próprio povo descumpriu algo prometido diante de Deus. Entretanto, não encontramos uma só palavra ou frase, no antigo ou no novo testamento, onde afirme que Deus deixou de cumprir alguma de suas promessas, feitas para o homem.
A natividade de João Batista, único santo que no calendário da Igreja, tem comemorado o seu nascimento, se reveste de fundamental importância na história da salvação, justamente por ser um elemento divisor entre o tempo chamado das promessas, e o tempo do cumprimento das mesmas.
Há na religiosidade do povo brasileiro uma prática que a modernidade não conseguiu matar: a de fazer promessas! Todas as promessas são feitas para Deus, mas com a intercessão dos santos. A história da Salvação teve início com uma promessa, feita pelo próprio Deus. Ele prometeu através de líderes como Moisés, dos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó, dos profetas e demais homens e mulheres de Deus.
“Terminou para Isabel o tempo da gravidez e ela deu a luz um filho...”. Este não é um nascimento qualquer de um israelita, Lucas faz questão de salientar que se completou o tempo de gestação, o tempo de espera, e o útero de Isabel, antes estéril e incapaz de gerar vida, tocado por Deus torna-se fértil, simbolizando de repente o coração de todo um povo, cansado de sofrer, de andar por caminhos errados, por atalhos que só levavam à morte, guiados por falsos líderes, toda a esperança que este povo guardava no coração nas promessas de Deus, irrompe agora como um lençol d’água que fura a rocha e flui à flor da terra, para saciar os sedentos de esperança e de vida nova.
João Batista é a resposta de Deus aos anseios do povo, após um silêncio de quase três séculos! Inspirados por Deus, todos os profetas haviam falado deste tempo novo, para consolar e fortalecer um povo desiludido, desmotivado, esmorecido e sem esperança, certamente esses profetas foram tidos como loucos, sonhadores, fantasiosos, mas muitos guardaram no coração essas promessas, e souberam transmiti-las de geração em geração, sem deixar morrer a esperança, o próprio Zacarias, sacerdote do templo e pai de João Batista, faz parte deste povo que espera, seu nome significa “Deus se recordou”.
A sua súbita mudez, longe de ser um castigo, é prenúncio do tempo feliz que com ele irá se iniciar, e ao apresentar a criança no templo, para ser circuncidado como era costume, ele confirma o nome de “João” que significa “Aquele que anuncia” e recuperando a voz, glorifica a Deus que visitou o seu povo.
Que significado tem, para nós cristãos, a celebração do nascimento de João Batista neste 24 de Junho? Se ficarmos apenas na popularidade e nos festejos joaninos típicos desta data, iremos nos divertir muito, mas certamente não iremos aprender nenhuma lição.
O nosso povo, tanto quanto aquele povo de Israel, em meio aos sofrimentos físicos e morais, também têm guardado no coração essa esperança, de que um dia o bem supremo irá triunfar sobre as forças do mal, é verdade que conforme os dias vão passando, as vezes o desânimo vai tomando conta do coração de muitos que perderam a crença em Deus, no amor e na própria vida, são certas promessas mirabolantes que nunca se realizam, são líderes charlatães que iludem, enganam, roubam. São lideranças religiosas que não cumprem e nem honram seu papel de ministros de Deus, criando uma religião fantasiosa, que explora e cria tantas ilusões.
João vislumbra algo que ninguém tinha ainda vislumbrado: que o reino já estava no meio dos homens, na pessoa e na missão de Jesus de Nazaré. Anuncia a necessidade de uma mudança de mentalidade e de coração, para acolher este reino novo, que não se fundamenta em mentiras e fantasias, mas na Verdade que é Jesus Cristo, o Cordeiro que tira o pecado do mundo.
Olhando para a origem de João, seu nascimento e a missão de precursor do Messias, que Deus lhe confiou, podemos refletir sobre tais acontecimentos à luz do evangelho, e mais do que refletir, já está na hora de vivermos esse evangelho, que fala de um tempo novo, de um reino que já está entre nós e que consegue restituir ao coração humano toda essa Esperança que é Jesus de Nazaré, pois como João Batista, todos nós nascemos para ser os portadores e anunciadores dessa Boa Nova, ao homem descrente deste terceiro milênio.
diácono José da Cruz







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