SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO
PAULO
01
de Julho – Ano B
DOMINGO
Evangelho
Mt 16,13.19
·
Hoje
a Igreja celebra as pessoas de São Pedro, São Paulo e o nosso Papa, que é o
sucessor de Pedro.
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"TU ÉS O MESSIAS, O FILHO DO DEUS VIVO!”-
Olivia Coutinho
SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO.
Dia 01 de Julho de 2018
Evangelho de Mt16,13 -19
Celebramos neste Domingo, a festa de
São Pedro e São Paulo, dois homens, que chegaram a Jesus, por caminhos
diferentes e que são chamados de “colunas da Igreja.” Pedro, por ter sido o
primeiro líder da Igreja, e Paulo, por transformá-la numa Igreja Missionária, sendo
o primeiro a propagar o Reino de Deus entre os pagãos.
Vindos de realidades bem diferentes, estes dois
líderes, Pedro, um simples pescador, e Paulo, um Judeu culto de origem romana,
deixaram-se conquistar por Jesus, se entregando por inteiros a serviço do Reino
de Deus, e como o próprio Jesus, deram a vida pela causa deste Reino, sendo
fieis ao evangelho até as últimas consequências.
O evangelho que a liturgia desta solenidade nos convida a
refletir, narra o momento em que Jesus confere a Pedro o primado da sua Igreja.
Ao longo do texto, vemos o caminho usado por
Jesus, para chegar a esta escolha. Primeiro, Ele faz uma pergunta
aos discípulos: “Quem dizem as pessoas ser o Filho do homem? Para esta
pergunta, surgiram várias respostas, afinal, é fácil responder em nome do outro,
não compromete! Já, quando esta mesma pergunta, é voltada para os próprios
discípulos, aí, paira um silencio, desta vez, a pergunta feita por Jesus,
requer uma resposta pessoal, o que exige comprometimento e ninguém arriscar, a
não ser Pedro, ele foi o único que respondeu, e respondeu com
firmeza: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” Esta resposta de
Pedro, agradou Jesus, pois Ele sabia, que esta sua afirmação, era fruto da sua
convivência com Ele! Por esta profissão de fé, Jesus convoca Pedro para uma
missão desafiadora: conduzir a sua Igreja! “Tu és Pedro, e sobre esta pedra
construirei a minha Igreja...”
Este episódio chama a nossa atenção, sobre a responsabilidade
de quem afirma conhecer Jesus! Saber quem é Jesus é muito mais do que saber que
Ele é Deus, afirmar que conhecemos Jesus implica em comprometimento com a sua
causa, em dar testemunho Dele em qualquer circunstancia.
A narrativa chama a nossa atenção, sobre a importância de
aprofundarmos no conhecimento a Jesus. Sem conhecer Jesus, não vamos entrar na
dinâmica do Reino, e muito menos compreender, que, para
ganhar a vida, é preciso passar pela cruz, como Ele passou.
Olhando para a escolha de Pedro, vemos que Jesus, não
entregou a responsabilidade de conduzir a sua igreja, a um homem diplomado,
visto com “grande” pela sociedade, mas a Pedro, um homem simples, frágil,
sujeito a falhas que representa os homens de toda a história da Igreja: homens
santos e pecadores!
Antes de conferir a Pedro, esta missão tão grande, Jesus não
questionou o seu passado, não lhe faz nenhuma exigência, a não ser, o seu
compromisso de transformar o seu amor por Ele, em cuidado para com o que é de
mais precioso para Deus que é o povo.
Ao escolher Pedro para a liderança da sua Igreja, fica
evidente a compreensão de Jesus para com a fragilidade humana. Pedro era
um homem de temperamento extremamente forte, Jesus sabia, que mais tarde ele o
negaria, mas mesmo assim, confia na sua fidelidade.
Como vemos, a escolha
de quem conduziria a barca de Jesus, (Igreja) não caíra sobre um homem
especial, e sim, sobre um homem comum, alguém dotado de virtudes e defeitos
como qualquer um de nós. O que nos mostra, o quão é grande a diferença entre os
critérios humanos e os critérios de Deus. Os homens escolhem pessoas capacitadas
para cargos de lideranças, Deus, capacita os que Ele escolhe.
Com a volta de Jesus para o Pai, Pedro assume a liderança da
igreja, uma Igreja fundamentada no amor de Jesus, conduzida pelo o seu
Espírito.
Sobre a liderança de Pedro, a Igreja começa a dar passos rumo
a uma nova Jerusalém, tendo a grande colaboração de Paulo, que representa a
igreja itinerante que não se limita a quatro paredes, mas que vai ao encontro
do povo!
"A missão da Igreja consiste em revelar aos homens a
vida nova que brota da ressurreição de Jesus! Sua grande riqueza está na
abertura a todos os povos e culturas!"
A Igreja é unidade, ela é guardiã e propagadora do amor do
Pai, da fidelidade do Filho e do poder Santificador do Espírito Santo!
O amor a Jesus é o fundamento de toda comunidade cristã, por
tanto, numa comunidade, cujo centro é Jesus, um líder não se destaca pela a sua
autoridade, e sim, pelo o seu amor a Jesus transformado em serviço.
Pedro e Paulo, modelos de discípulos missionários com suas
virtudes e fraquezas, mas sobre tudo, com o seu amor e fidelidade a Cristo e a
sua Igreja.
Nesta solenidade, unamos em oração pelo o nosso Pastor, o
sucessor de Pedro, o represente legítimo de Jesus Cristo aqui na terra: o Papa
Francisco, um servo de Deus que preserva dentro de si, o amor de Jesus, a
firmeza de Pedro e a flexibilidade de Paulo.
FIQUE NA
PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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do meu grupo de reflexão no Facebook
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A Solenidade de São Pedro e de São
Paulo, Apóstolos é uma oportunidade para celebrar festivamente esta solenidade
que nos recorda dois grandes personagens da história da nossa fé cristã, ou
seja, os dois grandes apóstolos de Jesus Cristo. Neles encontramos um exemplo
para a nossa vida, não esquecendo que são nossos intercessores diante de Deus.
A liturgia tem uma Missa de vigília, não havendo nada que impeça somente a
celebração da Missa do dia. As orações próprias (especialmente a coleta)
acentuam esta idéia: “por meio dos apóstolos São Pedro e São Paulo,
comunicastes à vossa Igreja os primeiros ensinamentos da fé”; e pedem que “a
Igreja se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da
sua fé”. O prefácio desta solenidade é de grande beleza, pondo em paralelo os
dois apóstolos: “Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo, e Paulo,
que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente
entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos;
ambos trabalharam cada um segundo a sua graça, para formar a única família de
Cristo; agora, associados na mesma coroa de glória, recebem do povo fiel a
mesma veneração”. Pedro foi o primeiro dos apóstolos. Não é o primeiro na ordem
cronológica, mas sim o primeiro no grupo dos discípulos. No Evangelho desta
solenidade, Jesus diz. “Tu és Pedro: sobre esta pedra edificarei a minha
Igreja” (missa do dia). Pelo fato de Pedro ter sido o primeiro do grupo dos
Doze, hoje, o Papa é considerado o sucessor de Pedro. Simão era um pescador, um
homem simples, mas um homem apaixonado que viu em Jesus o sentido da sua vida;
por isso, seguiu-O. Frágil como nós, experimentou a dificuldade de reconhecer a
fé e negou Jesus por três vezes, mas depois, como nos diz o livro dos Atos dos
Apóstolos, deu testemunho de Jesus (1ª leitura da vigília), até entregar a sua
vida, sendo feito prisioneiro (1ª leitura do dia) e morrendo mártir em Roma.
Paulo é o outro grande Apóstolo. Não conheceu Jesus e durante muitos anos foi
um perseguidor dos cristãos. Todos sabem como Saulo se converteu e como
descobre a fé em Jesus, transformando-se no grande apóstolo dos gentios –
daqueles que não eram judeus – pregando o Evangelho por toda a região
mediterrânea com as suas viagens e com as suas cartas. Paulo será preso e
martirizado em Roma. As suas cartas, tantas vezes proclamadas nas nossas
celebrações, ajudam-nos a conhecer o seu carisma e a sua mensagem. Na 2ª
leitura desta solenidade, narra-nos como foi chamado e enviado por Jesus
(vigília), como também nos fala da entrega total da sua vida pela causa do
Evangelho, com a ajuda de Deus, confiando de que receberá o prêmio no dia em
que se apresentar diante do Senhor, justo juiz (dia). Pedro e Paulo são os dois
grandes apóstolos, são os fundamentos da Igreja. Esta solenidade deve
fortalecer a nossa fé. Pedro e Paulo foram dois homens simples, cada um com a
sua história, com as suas fraquezas e dificuldades, mas também foram
testemunhas firmes de Jesus, até dar a vida no martírio em Roma. De Pedro e de
Paulo procede a nossa fé que se foi transmitindo de geração em geração na
unidade da Igreja. Nós somos homens e mulheres simples, frágeis, por vezes com
dificuldade em acreditar e em ser autênticos discípulos de Jesus. Mas em Pedro
e Paulo encontramos um modelo, um exemplo, ânimos para sermos verdadeiros
discípulos de Jesus, verdadeiros membros da Sua Igreja. Por intercessão de
Pedro e de Paulo, rezemos pela Igreja, pelo Papa, pelos Bispos, por todos os
cristãos do mundo para que permaneçamos firmes na fé. No Evangelho da missa do
dia, Jesus pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do
Homem?”. Os discípulos respondem: “Uns dizem que é João Batista, outros que é
Elias, outros que é Jeremias, ou algum dos profetas”. Jesus perguntou: “E vós,
quem dizeis que Eu sou?”. Então Simão Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o
Messias, o Filho de Deus vivo”. Hoje, Jesus repete-nos a pergunta: “E vós, quem
dizeis que Eu sou?”. Cada um terá de dar uma resposta. Para mim, quem é Jesus?
Como Pedro, podemos afirmar que Jesus é o Senhor, o Filho de Deus, Aquele que
dá sentido à nossa vida, Aquele em quem podemos encontrar as raízes mais
profundas do nosso ser. Que a profissão de fé de Pedro e de Paulo seja hoje
exemplo e bálsamo para que cada um de nós faça da vida uma verdadeira profissão
de fé.
mons. Inácio José
Schuster
"Tu és o
Messias o Filho do Deus vivo"
Celebramos neste domingo a Páscoa de
Jesus, na vida e no ministério dos apóstolos Pedro e Paulo, agradecendo a Deus
pela fé de Pedro e pelo empenho missionário de Paulo, testemunhas fiéis de
Jesus Cristo. Rezemos em comunhão com a Igreja de Roma, que testemunhou o
martírio deles, e com seu bispo Bento XVI.
Pedro e Paulo eram diferentes no
temperamento, na formação religiosa, exercendo atividades diversas e em campos
distintos, chegaram várias vezes a desentender-se. Mas o amor de Cristo, a
paixão pelo seu projeto, a força da fidelidade e a coragem perseverante do
testemunho os uniram na vida e no martírio, acontecido em Roma sob o imperador
Nero (54-68); Pedro por crucifixão e Paulo por decapitação.
Celebrando hoje a Páscoa desses dois
grandes apóstolos e mártires de Jesus, a Igreja é lembrada que em todas as
comunidades cristãs precisam estar presentes, e muito ligados com duas faces,
os fundamentos da mesma missão evangelizadora: a vida eclesial com dinâmica de
comunhão e participação e sua ação transformadora no mundo.
Hoje também rezamos especialmente pelo
papa Bento XVI, bispo de Roma, cidade onde se deu o martírio de Pedro e Paulo.
Sua missão é selar para que a Igreja permaneça unida, fiel a Jesus Cristo e seu
projeto, realizando com humildade e coragem uma ação evangelizadora, cada vez
mais inculturada, profética e aberta a todos.
Primeira leitura:
Atos dos Apóstolos 12,1-11
No capítulo 12 dos Atos dos Apóstolos,
com a libertação maravilhosa de Pedro e a súbita morte do perseguidor Herodes
Agripa, Lucas encerra a primeira parte de seu livro, centrada na figura de
Pedro e na comunidade de Jerusalém a partir de então concentrará sua atenção na
comunidade de Antioquia, cujos protagonistas são Paulo e Barnabé. Desde o
início desta primeira parte é Pedro quem toma as iniciativas na Igreja, sob a
ação do Espírito Santo. No final da mesma é novamente Pedro que é posto em
destaque em Jerusalém. Perseguido e ameaçado de morte, é socorrido
milagrosamente pela providência divina.
Examinemos mais de perto o texto da
primeira leitura de hoje. Lucas situa o martírio de Tiago e a prisão de Pedro
"nos dias dos ázimos", isto é, na semana da Páscoa (v. 3). Tal
localização do episódio no tempo dos ázimos, isto é, pães sem fermento, poderia
ser um simples paralelo com a Paixão do Senhor. A expressão "por aquele
tempo" (v. 1) parece referir-se ao tempo em que Barnabé e Paulo estão em
Jerusalém (Atos 11,30). Esta leitura nos mostra que a comunidade em peso está
preocupada e é solidária com Pedro quanto à perseguição sofrida por ele e se
coloca em oração (v. 5). Apenas Pedro dorme, bem vigiado. A insistência no sono
de Pedro, que teve de ser despertado pelo anjo (v. 7). Sua libertação é pura
obra da intervenção divina. A libertação milagrosa de Pedro, que vai "para
outro lugar", serve para mostrar que a providencia de Deus não abandona a
sua Igreja. Pedro prosseguirá em sua missão de pregador, mesmo que Lucas não
mais fale dele, até o seu martírio em Roma como nos contam os Atos apócrifos de
Pedro e Paulo. Em seu lugar continua Tiago, como chefe da Igreja de Jerusalém.
O centro da Igreja desloca-se de Jerusalém para Antioquia (Atos 13 ss.), de
onde Paulo e Barnabé partirão para as viagens missionárias.
Com a morte decretada para o dia
seguinte, ele tem a oração da comunidade como apoio. Uma forma de resistência
da comunidade perseguida era a oração fervorosa que subia constantemente a Deus
e a confiança de que Ele não abandona os que lhe são fiéis.
Com Pedro acontece, segundo Lucas, o
mesmo que ocorreu com Jesus. Tudo é ação de Deus. Há, inclusive, coincidência
de datas: referência à festa dos pães sem fermento (cf. Lucas 22,1). Assim como
o Pai libertou Jesus da morte, o anjo do Senhor liberta Pedro da prisão. O
aparato repressivo de Herodes era grande: Pedro dormia amarrado com duas
correntes e acompanhado de dois soldados, dezesseis soldados o vigiavam e havia
sentinelas em guarda. Deus intervém e rompe as grades, libertando Pedro. Este
fato pode ser chamado de Páscoa de Pedro.
Salmo responsorial
33/34,2-9
É um Salmo de ação de graças
individual, mas o salmista convida a todos para engrandecer o Senhor,
juntamente com ele. É também de estilo sapiencial. Uma pessoa passou por
situação difícil, por "temores" (v. 5) e "apertos"(v. 7),
"consultou o Senhor"' (v. 5), "gritou"(v. 7) e foi
atendida. O Senhor "respondeu" e "livrou" (v. 5),
"ouviu" e "salvou" (v. 7), e agora essa pessoa está no
Templo de Jerusalém para agradecer. Há gente em torno dela (vs. 4,6.12-15),
;pois a ação de graças era feita em voz alta, em espaço aberto. A pessoa faz
seu agradecimento público, de forma que muita gente toma conhecimento da
"graça alcançada" e participe da sua alegria. O Salmo se torna assim,
catequese.
O rosto de Deus neste Salmo é muito
interessante. O Salmo faz uma longa profissão de fé no Deus da Aliança, aquele
que ouve o clamor, toma partido do pobre injustiçado e o liberta. Deixemos que
o próprio Salmo mostre o rosto de Deus. Ele responde e livra (versículo 5),
ouve e salva (versículo 7) e seu anjo acampa em torno dos que o temem e liberta
(versículo 8). É uma imagem forte, que mostra o Deus aliado como guerreiro que
luta em defesa de seu parceiro na Aliança.
Este Salmo encontra em Jesus um sentido
novo e insuperável. O próprio nome Dele resume tudo o que fez em favor dos
pobres que clamam (Jesus significa "Javé salva"). A missão de Jesus é
levar é levar a boa notícia aos pobres (Lucas 4,18). Maria de Nazaré ocupa o
lugar social dos empobrecidos e, no seu hino, retoma o versículo 11 do Salmo:
"Os ricos empobrecem e passam fome" (comparem com Lucas 1,53). Os
pobres agradecem a salvação que Jesus lhes trouxe. É, por exemplo, o caso de Maria,
que unge os pés de Jesus com perfume (João 12,3), como sinal de agradecimento
por ter devolvido a vida ao irmão Lázaro.
Resume, assim, tudo o que Jesus fez em
favor dos pobres, perseguidos e injustiçados que clamam. Ele acampou ao redor
dos que o temem. Com o salmista, Pedro pode testemunhar: "Provai e vede,
quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio."
Neste salmo, unimos nossa voz à oração
de todos os mártires da nossa América Latina e do mundo, que vivem em seu corpo
a experiência do Cristo Senhor. Cantemos juntos o louvor de Deus com todas as
pessoas que ainda são vítimas de tortura e maus tratos e com todos os grupos
que se organizam em busca de justiça e cidadania.
Segunda leitura – 2
Timóteo 4,6-8.17-18
A segunda carta a Timóteo aparece como
um testamento dirigido por Paulo a um de seus discípulos. No texto de hoje,
Paulo é apresentado como o tipo do homem de Deus, um verdadeiro santo a ser
admirado e imitado. É um homem que está de consciência tranqüila, certo da
recompensa próxima (vs. 6-8). Assim ele espera "a coroa da glória",
isto é, a recompensa pela virtude da justiça (cf. Romanos 3,26) do fiel
depositário que guardou zelosamente o bem confiado. Tal recompensa virá
"naquele dia" (cf. 1,18), ou seja, no dia da manifestação do Senhor,
do seu julgamento. Nesta recompensa terão parte todos os que, como ele,
"amam a sua vinda" (versículo 8), preparando-se pela vida cristã no
seguimento do Cristo encarnado (2Timóteo 1,10), para recebê-lo na Eternidade.
Paulo está pronto para enfrentar o martírio, pois sabe que, morrendo,
"morre para o Senhor" (cf. Romanos 14,8).
Em seguida o Apóstolo passa a falar da
situação pessoal (vs. 9-18), de seu sofrimento por causa dos falsos amigos que
o abandonaram (vs. 10.14), do manto e dos pergaminhos deixados em Trôade (v.
13). Seu conforto é o Senhor que o assiste, dando-lhe forças para anunciar o
Evangelho aos pagãos até o fim. Por isso ele foi "salvo da boca do
leão" (cf. Salmo 22,22; 1Macabeus 2,60), expressão que poderia estar
referindo à sua libertação após a primeira audiência (versículo 16). Agora,
porém, novamente preso (2 Timóteo 1,8; 2,9), Paulo já não espera a libertação
física. Auxiliando o pedido do Pai-Nosso, o Apóstolo espera a libertação
"de todo o mal" e a salvação definitiva para o Reino celestial (v.
18). Estes versículos servem para exprimir a grandeza de alma, e o que poderia
ser o testamento espiritual, do Apóstolo dos pagãos, que hoje celebramos
juntamente com São Pedro.
Paulo está preso em Roma, acorrentado,
próximo á morte violenta. Nessa situação, ele escreve a Timóteo, animando-o na
missão. Faz uma revisão de vida, olha para o passado e para o futuro,
reconhecendo que tudo é graça de Deus. É um "atleta" que cumpriu sua
missão com garra e coragem, por isso merece a coroa da justiça. Chegou o
momento de dar o grande testemunho. Seu sangue derramado, ele o interpreta como
sacrifício de valor expiatório: "Já fui oferecido em libação"
(versículo 6). A libação de vinho, água ou óleo era, nos sacrifícios judaicos,
derramado sobre a vítima (Êxodo 29,40; Números 28,7).
Mesmo abandonado por alguns
companheiros, Paulo louva o Senhor e dá testemunho alegre de uma vida inteira
dedicada à evangelização e ao cultivo da fé dos irmãos. A Paixão de Paulo é o
prolongamento da Paixão de Jesus. O Apóstolo não tem mais a esperança de viver,
embora sua sentença tenha sido retardada por um tempo. Sua esperança se
fundamenta não numa salvação momentânea, mas na intervenção definitiva de Deus,
que o levará a salvo para o seu Reino. "A ele a glória, pelos séculos dos
séculos! Amém!"
Evangelho - Mateus
16,13-19
Esta passagem chamada como a "confissão
de Cesaréia", constitui um dos pontos centrais do Evangelho de Mateus.
Pela primeira vez, Jesus interroga os seus discípulos a sobre a sua pessoa
(Mateus 16,13-19); pela primeira vez nos versículos que seguem, Jesus anuncia a
sua paixão e ressurreição (Mateus 16,21-23); e aos sofrimentos de Cristo são
associados os seus seguidores: eles, por sua vez, terão que carregar a sua cruz
(Mateus 16,24-28).
A narração do Evangelho está construída
sobre uma troca de títulos entre Jesus e Pedro. Pedro confere a Jesus o título
de Messias; Jesus responde outorgando ao Apóstolo o título de Pedro e o poder
das chaves. Pedro recusa em ver no Cristo o Servo Sofredor; Cristo o acusa de
ser uma pedra de tropeço.
Para a pergunta de Jesus: "Quem
dizem os homens ser o Filho do Homem", segue uma surpreendente variedade
de respostas. Nessa variedade transparece as diversas doutrinas apocalípticas
judaicas em destaque na época. Todos esperavam uma intervenção decisiva de Deus
na história, intervenção esta que seria, a um tempo, juízo e salvação. Esta
expectativa se voltava para o passado e para o futuro; as figuras do passado
seriam a garantia da salvação esperada. Não que seria uma mentalidade de
reencarnação, mas o Messias viria com a mesma força de Elias, de Jeremias e dos
profetas.
O texto de Mateus contém três
categorias de respostas. Alguns se perguntavam, a exemplo de Herodes, se Jesus
não seria o Batista ressuscitado (Mateus 14,2); outros o consideravam como
Elias, isto é, uma das figuras clássicas da apocalíptica judaica (Mateus 17,3;
17,9-13); outros enfim viam Nele um dos grandes profetas. Mateus menciona aqui
Jeremias, o homem das dores. Isto seria devido à mistura de poder e sofrimento
já percebido na vida terrestre de Cristo?
Jesus não comenta as opiniões que circulavam
entre o povo a seu respeito. Introduz diretamente a pergunta: "E vós que
dizeis que eu sou?" A resposta de Pedro: "Tu és o Messias o Filho do
Deus vivo" é essencialmente messiânica, isto, constitui uma afirmação da
missão histórica de Jesus em relação ao povo eleito. A resposta de Pedro
corrige a imagem distorcida que circulava na sociedade judaica a respeito de
Jesus. Para Pedro, Jesus é o Emanuel, o salvador, o realizador das expectativas
messiânicas. Sua missão é conservar, apesar dos conflitos, a convicção de que o
poder da morte não vai vencer o projeto de Deus.
Jesus e seus discípulos estão em
Cesaréia de Filipe, cidade construída junto às margens do rio Jordão, região
periférica habitada por pagãos. Longe de Jerusalém, o centro do poder político,
econômico e ideológico, os discípulos são estimulados a dar uma resposta plena
de quem é Jesus.
Circulava uma imagem distorcida de
Jesus, exatamente por causa de sua humanidade. Ele se apresenta com a expressão
semita "Filho do Homem", título que o situa no chão da vida de todos
os mortais: Ele é carne e osso como qualquer um de nós. Viveu em tudo a
condição humana, menos o pecado. Alguns identificavam essa expressão com a
palavra de Ezequiel: o homem que sou, o humano (cf. Ezequiel 2,1.3). Vendo Jesus
tão humano, as pessoas têm dificuldade de aceitar sua messianidade.
Jesus interpela diretamente os
discípulos que haviam visto sua luta para implantar a justiça do Reino:
"Para vocês, quem sou eu?" Pedro responde que Ele é o Messias, o
Filho do Deus vivo. Jesus é a realização das expectativas messiânicas, o
portador da justiça que cria sociedade e história novas.
Ao confessar que Jesus é o Messias,
Filho de Deus, Pedro é elogiado e recebe a responsabilidade de confirmar os
irmãos na fé: "Feliz és tu, porque recebeste uma revelação especial de
Deus Pai!".
Simão, filho de Jonas, passa a ser
Pedro - no grego, pétros, palavra que designa uma pedra ou pedregulho que se
pode pegar e lançar; pétra representa uma rocha onde se assenta qualquer
edifício. Jesus é o fundamento do edifício da comunidade que vem em seguimento
à comunidade sagrada qahalYhwh ou qahal Yisrael (cf. Deuteronômio 23,2; 1Reis
8,22).
Simão terá uma missão especial na nova
comunidade por adesão a Cristo, não como pétra, mas como pétros na mão do Senhor,
único capaz de lançar a trajetória da comunidade.
A Palavra se faz
celebração
Somos continuadores da experiência
apostólica.
O Mistério Pascal de Jesus na
celebração do martírio de Pedro e Paulo pode ser percebido sob três aspectos
que se entrelaçam: a) o enraizamento no Amor do Pai, tal qual Jesus
experimentou; b) a resistência fundamentada na participação da memória do
Senhor (Ceia) e no testemunho de sua Palavra; c) a experiência da vida fraterna
(um só coração, uma só alma!).
Esses três aspectos, conteúdo da oração
depois da comunhão, não são estranhos para nós. São uma "experiência
possível" para nossas comunidades. Nesse sentido, a Solenidade de hoje
propõe e realiza em nós o Mistério de Jesus vislumbrado a partir da vida de
seguimento de Pedro e Paulo.
Assim, da unidade estabelecida entre a
Palavra proclamada - narrativa do testemunho de Pedro e Paulo; as orações e
antífonas para esta celebração e nossa participação na Eucaristia, concluímos:
somos continuadores e continuadoras da experiência apostólica. Dito de outra
maneira: enquanto participamos da Páscoa do Senhor acontecida no testemunho
(martírio) de Pedro e Paulo vemos realizada em nós a Paixão de Jesus e sua
Ressurreição.
Pedro e Paulo, oferenda de vida
Na liturgia somos convidados a fazer da
nossa vida o que fizeram Pedro e Paulo, seguindo o mesmo caminho de Jesus: uma
oferenda pelo reino de Deus. Para citar um exemplo, a Oração Eucarística III
diz após a invocação do Espírito Santo sobre a assembléia: "Que ele faça
de nós uma oferenda perfeita para alcançarmos a vida eterna com os vossos
santos: a Virgem Maria, Mãe de Deus, os vossos apóstolos e mártires..."
Isso nos faz recordar a segunda leitura em que Paulo dá um testemunho muito
próximo do que reza essa oração. Já a quinta Oração Eucarística, a intercessão
correspondente diz isso de outra maneira: "Esperamos entrar na vida eterna
com a Virgem, Mãe de Deus e da Igreja, os apóstolos e todos os santos, que na
vida souberam amar a Cristo e seus irmãos". Aqui nos recordamos de Pedro,
que foi provado no amor ao Cristo e aos irmãos.
Da Palavra celebrada
ao cotidiano da vida
No testemunho de Pedro e Paulo
acolhemos duas dimensões diferentes e complementares da missão, como seguidores
de Jesus. Apesar de divergirem em pontos de vista e na visão do mundo, o amor
de Cristo e a força do testemunho os uniram na vida e no martírio. Em ambos
quer na vida, quer no martírio, prolongam-se a vida, paixão, morte e
ressurreição de Cristo. Conheceram e experimentaram Jesus de formas diferentes,
mas é único e idêntico o testemunho que, corajosos, deram Dele.
Por isso são figuras típicas da vida
cristã, com suas fraquezas e forças. As contínuas prisões de Pedro fazem-no
prolongar a paixão de Jesus. Não só aceita um Messias que dá a vida, mas morre
por Ele e com Ele. Convertido, Paulo se torna propagador do Evangelho de
Cristo, sofrendo com Ele sofreu, encarando a morte como Jesus a encarou.
A complementaridade dos carismas
continua hoje na Igreja. Às vezes há até tensão entre uma "teologia"
romana e uma "teologia" latino-americana, mas isso é fecundo.
Fundamental é conservar a fidelidade ao projeto de Jesus Cristo, na
solidariedade do "bom combate" pelo projeto fundante, rocha da
comunidade.
A comunidade nasce do reconhecimento de
quem é Jesus. Esse reconhecimento não é fruto de especulação ou de teorias, e
sim de vivência do seu projeto que passa pela rejeição, crucifixão, morte e
ressurreição.
Quando o testemunho cristão é pleno, o
próprio Jesus age na comunidade, permitindo-lhe "ligar e desligar". O
poder de vida que Jesus tem, as chaves do reino, é entregue a nós, seus
seguidores. A comunidade não é dona, apenas administra esse poder pelo
testemunho e pelo serviço a favor da vida. Organiza-se como continuadora do
projeto de Deus, a partir da prática do Mestre, promovendo a vida e rejeitando
o que provoca a morte.
Jesus de Nazaré é para nós o mártir
supremo, a testemunha fiel... Os mártires da caminhada resistiram ao poder da
morte e ao aparato repressor de hoje. "A memória subversiva de tantos
mártires será o alimento forte da nossa espiritualidade, da vitalidade de
nossas comunidades, da dinâmica do movimento popular" (Ofício dos Mártires
da Caminhada Latino-Americana, página 7).
Como vivemos o testemunho de Jesus em
meio aos conflitos, tanto da nossa comunidade como da sociedade? Como Pedro e
Paulo, sentimo-nos responsáveis pela continuação do projeto de Deus?
Ligando a palavra com
a ação eucarística
É muito bom louvar a Deus hoje pelo
testemunho dos Apóstolos Pedro e Paulo - "duas oliveiras diante do Senhor,
brilhantes candelabros de esplêndido fulgor" (Hino do Ofício das
Leituras).
Rezamos no Prefácio: "Hoje, vós
nos concedeis a alegria de festejar os Apóstolos São Pedro e São Paulo. Pedro,
o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de
Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da
Salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo
e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual
veneração...". Esses santos plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue.
Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus (cf. Antífona de
Entrada).
Pedro e Paulo foram como Cristo,
"derramados em sacrifício". Viveram a entrega da morte e a alegria da
libertação e da salvação realizada pelo Senhor. Cristo morreu pelos irmãos.
Nesta Eucaristia, como Ele mesmo pediu, fazemos memória do mistério de sua
Páscoa. Recordamos também a entrega dos mártires Pedro e Paulo e dos mártires
de todos os tempos. Com Cristo entreguemos também a nossa vida e a vida de
tantos irmãos e irmãs para "ser derramada em sacrifício agradável a
Deus".
Que a nossa vida seja expressão desta
entrega: "Concedei-nos, ó Deus, por esta Eucaristia, viver de tal modo na
vossa Igreja que, perseverando na fração do pão e no ensinamento dos apóstolos,
e enraizados no vosso amor, sejamos um só coração e uma só alma..."
(Oração Pós-Comunhão). Como Pedro e Paulo tenhamos uma vida totalmente
disponível a nossos irmãos.
Hoje, especialmente, suplicamos para
que o Papa que é o bispo de Roma e todos os pastores sejam pétros nas mãos do
Senhor, fiéis ao Evangelho, na condução da Igreja como servidora da vida e
sinal e instrumento da comunhão entre os povos.
padre Benedito
Mazeti
1 – Seguir Jesus é a
vocação primeira do cristão. Sem pausas nem descanso. Segui-l'O em todas as
circunstâncias, a todo o momento. Para sempre. Até à eternidade. Para O seguir
e para O imitar, para O viver e O anunciar é necessário estar perto d'Ele, ou
melhor, abrir-Lhe o coração e a vida para que Ele nos habite e nos transforme,
nos converta e nos redima.
Não é possível amar o
que não se conhece. O conhecimento é um primeiro passo para amar. Quanto mais
se amar mais se quer conhecer e quanto mais se conhecer maior a possibilidade
de amar a pessoa e não uma imagem da mesma. Precisamos de estar e permanecer
perto de Jesus e deixar que Ele se aproxime de nós. Como Maria em casa de
Marta. Aos pés de Jesus. Para sentir o pulsar do Seu coração. A oração é o
ambiente natural para saber quem é Jesus para nós. Não se trata de saber muitas
coisas acerca d’Ele. Também é importante. Mas essencial é saber quem é Jesus
para nós. Recordemos as duas questões da semana passada: "Quem dizem
as multidões que é o Filho do Homem?" e "Quem dizeis vós
que Eu sou?".
A missão começa na
oração: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da
seara que mande trabalhadores para a sua seara».
A oração, a escuta, a
meditação da palavra de Deus. O cristão, como a Igreja, deve ter a consciência
da sua identidade lunar. Jesus Cristo é o nosso Sol. Cada um de nós, e a Igreja
no seu conjunto, como a Lua, reflete a Luz que vem de Jesus. É iluminado por
Jesus e reflete-O para os outros serem iluminados. Somos embaixadores e não
chefes de estado. Comunicamos a Palavra de Deus, o Seu Evangelho. O embaixador
não se comunica, mas comunica o seu povo, o seu governo, o que lhe disseram
para dizer. Somos de Cristo. Somos cristãos. Sermos embaixadores de Jesus, como
nos recorda São Paulo, é um privilégio e não uma humilhação. É um compromisso,
para que Cristo viva em nós e através de nós chegue a todo o mundo.
2 – Somos discípulos
missionários. Expressão que ganhou corpo nas Assembléias Gerais do Episcopado
da América Latina e Caribe, sobretudo em 2007, em Aparecida, no Brasil, na 5.ª
edição, sob o tema "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para
que nele nossos povos tenham vida".
Bento XVI usa a
expressão na Oração elaborada para esta Conferência: "Discípulos e
missionários vossos, nós queremos remar mar adentro, para que os nossos povos
tenham em Vós vida abundante e construam com solidariedade a fraternidade e a
paz". E no discurso inaugural clarifica a estreita ligação: "O
discípulo, fundamentado assim na rocha da Palavra de Deus, sente-se impelido a
anunciar a Boa Nova da salvação aos seus irmãos. Discipulado e missão são como
os dois lados de uma mesma medalha: quando o discípulo está apaixonado por
Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que somente Ele nos salva (cf.
Atos 4, 12). Efetivamente, o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não
existe esperança, não há amor e não existe futuro".
O Papa Francisco,
relator-presidente de Aparecida, utiliza amiúde esta expressão, muitas vezes
sem a conjunção aditiva "e". No Documento Final ou na Exortação
Apostólica "Evangelii Gaudium" (A Alegria do Evangelho),
acentua o perigo da autorreferencialidade do cristão e da Igreja. O centro, o
SOL, é Jesus Cristo. Devemos d'Ele aprender a vida e o amor, a verdade e o
serviço. Discípulos. Para O darmos aos outros, levando a todos os Evangelho de
Jesus. Missionários. Não em separado, mas concomitantemente. Não podemos ser
missionários se não formos verdadeiros discípulos do Senhor. Sendo discípulos
autênticos procuraremos imitá-l’O e como Ele anunciar a Boa Nova a todos. A luz
que nos habita não se pode esconder.
3 – "Ide:
Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge
nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho". Para
seguir Jesus é necessário deixarmos de lado todos os acessórios que nos pesam.
Ele envia-nos. A ligeireza depende se seguimos nas asas de Deus ou nos
arrastamos com as nossas coisas. A missão evangelizadora urge. Ele não nos
chama para ficarmos instalados à sombra da bananeira, mas para agirmos, para
falarmos, para passarmos palavra, para irmos ao encontro dos outros. De aldeia
em aldeia. De cidade em cidade. De coração a coração. Não há desculpas nem
justificações. "Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não
serve para o reino de Deus". Podemos sempre adiar, arranjar outras
coisas que fazer, mas serão sempre passatempos, porque a missão é seguir Jesus
e dá-l'O aos outros.
"Quando
entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente
de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa
casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não
andeis de casa em casa".
Não é uma mensagem
qualquer que levamos, mas o próprio Jesus e a paz que Ele nos dá. Não é pouca
coisa. É tudo. Só Ele conta. Vamos para levar a paz e a bênção e a salvação de
Jesus. E se vamos, comprometemo-nos com as pessoas. Não é para andar a saltar,
é para permanecer e deixar marcas positivas, semeando a Palavra de Deus.
"Quando
entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os
enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas
quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e
dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para
vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’".
A fé não se impõe,
propõe-se. Se alguém recusar Jesus, não percamos tempo a forçar. É Deus que
age. Deixemos que Deus atue, através do tempo. Façamos o que nos compete:
anunciar o Reino de Deus e a Sua proximidade. Se não nos escutarem, é a Cristo
que não escutam. Avancemos para outras cidades e aldeias, para outros corações
que estejam sedentos da Palavra de Deus.
4 – Quando levamos
Deus às pessoas, levamos-lhe a alegria, a bênção e a paz. Aqueles setenta e
dois discípulos que Jesus envia, ainda em estágio, levam uma mensagem
específica, a paz e a proximidade do Reino de Deus, como proposta e desafio.
O profeta Isaías, na
primeira leitura, convida à alegria e à festa. O luto e as trevas serão
absorvidas pela presença e misericórdia de Deus.
«Farei correr para
Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante.
Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos.
Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém
sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a
verdura, retomarão vigor os vossos membros. A mão do Senhor manifestar-se-á aos
seus servos».
O salmista faz eco
deste júbilo e do convite ao louvor: "Aclamai a Deus, terra inteira,
cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores, dizei a Deus:
«Maravilhosas são as vossas obras». A terra inteira Vos adore e celebre, entoe
hinos ao vosso nome. Vinde contemplar as obras de Deus, admirável na sua ação
pelos homens".
5 – Para nós
cristãos, Jesus é a vinha do Senhor, o Reino de Deus entre nós, o Rosto e a
presença da Misericórdia do Pai. Desce para nos elevar, faz-Se pecado para nos
santificar, morre para nos ressuscitar, humilha-Se para nos
exaltar. "Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso
Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria,
para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade
eterna" (oração de coleta).
Jesus torna-nos novas
criaturas com a Sua paixão redentora. Ele liberta-nos do pecado e da morte,
para vivermos ressuscitados. Uma vez ressuscitados, pelo batismo, seguimo-l'O
como discípulos missionários. Procuramos identificar-nos cada vez mais com Ele
para O transparecermos pela nossa voz e pela vida, atraindo outros.
São Paulo, na
humildade da fé, aponta para Jesus: "Longe de mim gloriar-me, a não
ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado
para mim e eu para o mundo... Doravante ninguém me importune, porque eu trago
no meu corpo os estigmas de Jesus. Irmãos, a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo
esteja com o vosso espírito".
Ao dirigir-se aos
Gálatas, Paulo alerta para os perigos da divisão e de lideranças que afastem de
Jesus Cristo e do Seu evangelho de verdade e de serviço, reavivando a boa
semente neles semeada, lembrando-lhes a necessidade da firmeza da fé e da
fidelidade a Jesus. Paulo não se anuncia, mas a Cristo Jesus. Também ele é
embaixador de Jesus. E nós? Queremos ser o centro do mundo ou colocamos Deus no
centro? Prosseguimos como discípulos missionários ou preferimos anunciar-nos a
nós mesmos?
padre Manuel Gonçalves
Há nessa passagem do Evangelho um
diálogo entre Jesus e seus discípulos na localidade de Cesareia de Filipe, que
fica perto das fontes do rio Jordão, na fronteira com a terra judaica, que
marcou para sempre a vida da Igreja e especialmente a vida de Pedro. O beato
João Paulo II disse que esse fato é “importante não só para a história de
Pedro, mas também, em certo sentido, para a história de Paulo, para a história
da Igreja e do Cristianismo, para a história da salvação”.
“No dizer do povo, quem é o Filho do
Homem?”
O beato João Paulo II disse: fazendo de
certo modo um primeiro balanço da sua missão, Jesus pergunta aos discípulos o
que pensam «os homens» acerca d’Ele, tendo ouvido como resposta: "Uns
[dizem] que é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou
algum dos profetas" (Mt. 16,14). Uma consideração certamente elevada, mas
ainda distante - e muito! - da verdade. O povo chega a pressentir a
dimensão religiosa, absolutamente excepcional, deste Rabbi, cujas palavras o deixa
fascinado, mas ainda não consegue colocá-Lo acima dos homens de Deus que
apareceram ao longo da história de Israel. Ora, Jesus é realmente muito mais”.
“E vós quem dizeis que eu sou?”
Jesus Cristo não queria saber somente a
opinião das outras pessoas, mas principalmente saber o que seus discípulos
diziam dele (Jesus). O Papa Bento XVI disse: “Mas para Jesus não era suficiente
a resposta do ter ouvido dizer. Daqueles que aceitaram comprometer-se
pessoalmente com Ele pretende uma tomada de posição pessoal. Por isso insiste:
“E vós, quem dizeis que Eu sou?” (Mc. 8,29).
O beato João Paulo II disse
também: “É precisamente este passo sucessivo de conhecimento, que diz
respeito ao nível profundo da sua pessoa, que Ele espera dos «seus»: "Vós,
quem dizeis que Eu sou?" (Mt. 16,15).
“Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo,
o Filho de Deus vivo!”
O Catecismo (424) da Igreja ensina:
“Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai, nós cremos e
confessamos a respeito de Jesus: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo» (Mt
16,16). Foi sobre o rochedo desta fé, confessada por Pedro, que Cristo edificou
a sua Igreja”.
O papa Bento XVI ensina: “Com as suas
palavras Pedro começa a profissão da fé cristológica da Igreja e torna-se
também o intérprete dos outros Apóstolos e também de nós, crentes de todos os
tempos. Isto não significa que já tivesse compreendido o mistério de Cristo em
toda a sua profundidade. A sua fé ainda estava no início, uma fé a caminho;
teria chegado à verdadeira plenitude apenas mediante a experiência dos
acontecimentos pascais. Mas contudo já era fé, aberta à realidade maior -
aberta sobretudo porque não era fé em algo, era fé em Alguém: n’Ele, Cristo”.
“Feliz és, Simão, filho de Jonas,
porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está
nos céus”.
O beato João Paulo II disse também que
a profissão de fé de Pedro “não foi o resultado da lógica humana do pescador de
Betsaída, ou a expressão de uma sua particular perspicácia, ou ainda o efeito
de uma sua moção psicológica; mas sim fruto misterioso de uma autêntica
revelação do Pai celeste”.
E o beato disse em outro momento que
“Cristo vê a alma do apóstolo, que confessa. Abençoa a obra do Pai nesta alma.
A obra do Pai atinge o intelecto, a vontade e o coração, independentemente da
«carne» e do «sangue»; independentemente da natureza e dos sentidos. A obra do
Pai, mediante o Espírito Santo, atinge a alma do simples homem, do pescador da
Galileia. A luz interior proveniente desta obra encontra expressão nas
palavras: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo “ (v. 16).
“Tu és Pedro, e sobre esta pedra
edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu
te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado
nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.
O papa João Paulo I disse que “Jesus
muda o nome de Simão em Pedro, significando com isso a colação de uma especial
missão; promete-lhe que há-de edificar sobre ele a própria Igreja, a qual não
será vencida pelas forças do mal ou da morte; e comete-lhe as chaves do reino
de Deus, nomeando-o assim responsável máximo da sua Igreja, e dá-lhe o poder de
interpretar autenticamente a lei divina. Perante estes privilégios, ou para
dizer melhor, perante estas tarefas sobre-humanas confiadas a Pedro”.
Santo Agostinho ensinou: “Pedro por
natureza era simplesmente um homem; por graça, era um cristão; e por uma graça
ainda mais abundante, era um e, ao mesmo tempo, o primeiro dos Apóstolos”.
“Simão, meu apóstolo, eu constituí-te
fundamento da Santa Igreja. Eu chamei-te de antemão Pedro porque tu hás-de
suster todos os edifícios; tu és o superintendente daqueles que edificarão a
Igreja sobre a terra; …tu és a nascente da fonte, à qual se vai haurir a minha
doutrina; tu és o chefe dos meus apóstolos; … eu dei-te as chaves do meu reino”
(santo Efrém).
Conclusão
Concluímos essa reflexão com as
palavras do beato João Paulo II: “Encontramo-nos no ponto-chave da Economia
Divina. Deus dá o Seu Filho e ao mesmo tempo Deus revela o Seu Filho
primeiramente a Pedro que antes se chamava Simão, e era filho de Jonas e irmão
de André, e depois — a seu tempo — a Paulo, que antes se chamava Paulo de
Tarso. Graças ao poder desta revelação do Filho por parte do Pai, Pedro, que
acreditou e confessou a sua fé, deve ser «pedra». E Eu te digo: Tu és Pedro, «a
pedra», e «sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno
nada poderão contra ela» (Mt. 16,18). Graças ao poder da mesma revelação do
Filho por parte do Pai, Paulo, que acreditou e confessou a sua fé em Cristo com
o mesmo fervor de espírito, com que antes perseguira os confessores de Cristo,
devia tornar-se «o instrumento escolhido» para levar o nome do Senhor perante
os pagãos” (At. 9,15).
Jane Amábile
“E vocês, quem
dizem que eu sou?”
O texto é a versão mateana da profissão
de fé de Pedro, que Marcos (Mc 8, 27-35) coloca como pivô de todo o seu
evangelho. Este trecho levanta as duas perguntas fundamentais de todos os
evangelhos: quem é Jesus? O que é ser discípulo/a dele? São duas
perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira.
A minha visão de Jesus determinará a
maneira do meu seguimento dele. Como refletimos domingo passado sobre a versão
lucana desse texto (Lc 9, 18-24), remetemo-nos à aquela reflexão e aqui somente
assinalaremos alguns poucos pontos a mais, já levando e conta o que foi escrito
para dia 26 de junho. Depois de Jesus interrogar duas vezes os discípulos, o
texto de Mateus acrescenta vv. 17-19, pois quer destacar o papel de Pedro (e,
por conseguinte, dos líderes da sua própria comunidade), na função de ligar e
desligar da comunidade, que nos Evangelhos somente aqui e em Cap. 18 é chamada
de “Igreja”. “As chaves do Reino” não se referem aqui ao poder de perdoar
pecados, mas de integrar e desligar pessoas da comunidade dos discípulos.
O fundamento, o alicerce, a pedra
fundamental dessa comunidade é o conteúdo da profissão de Pedro “Tu és o
Messsias, o Filho de Deus vivo”. Continuam no ar as duas perguntas que
são o cerne do Evangelho: “Quem é Jesus?”, e “o que significa segui-lo?” pois
os termos que Pedro usa são ambíguos, porque cada um os interpreta conforme a
sua cabeça. Por isso, Jesus toma uma atitude aparentemente estranha: “Ele
ordenou os discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias!”
Que coisa esquisita! Jesus proíbe
que se fale a verdade sobre ele! Como é que ele espera atrair discípulos
deste jeito? O assunto merece mais atenção.
Realmente Pedro acertou em termos de
teologia, de “ortodoxia”, conforme diríamos hoje. Ele usou o termo certo
para descrever Jesus. Mas Jesus quer esclarecer o que significa ser “O
Messias de Deus”. Pois cada um pode entender este termo conforme os seus
desejos. Jesus quer deixar bem claro que ser “messias” para ele é ser o
“Servo do Senhor”. É vivenciar o projeto do Pai, que necessariamente vai
levá-lo a um choque com as autoridades políticas, religiosas, e econômicas,
enfim, com a classe dominante do seu tempo, e não o Messias nacionalista e
triunfalista das expectativas de então. Pedro teve que aprender essa
exigência do discipulado, de uma maneira lenta e dolorosa, passando até pela
negação de Jesus na noite da sua prisão. Aprendeu tão bem que chegou a
dar a sua vida como mártir, também morrendo, conforme a tradição, em uma cruz,
no Circo de Nero em Roma, onde atualmente se localiza a Basílica que traz o seu
nome. Aprendeu a duras penas ser discípulo de verdade e cumprir a missão que
recebeu de Jesus na Última Ceia: “Eu rezei por você, para que a sua fé não
desfaleça. E você, quando tiver voltado para mim, fortaleça os seus
irmãos”(Lc 22,32). Aqui temos o essencial do ministério petrino,
continuado no Papa – confirmar e fortalecer a fé dos irmãos e irmãs. A
Igreja sempre deve zelar que acréscimos históricos, mais adequados a monarcas
do que a discípulos, não escondem essa missão essencial.
Hoje de maneira especial devemos rezar
pelo nosso querido Papa Francisco, que continua essa missão petrina, testemunhando
à Igreja e ao mundo a misericórdia de Deus, e a missão da Igreja de ser também
uma Igreja Serva, seguindo o exemplo do Mestre. Por isso, como o próprio
Senhor, enfrenta grave oposição dentro e fora da comunidade eclesial, quando
ele desafia a todos a seguir o exemplo de Jesus e doar a vida em favor de um
mundo fraterno e justo. Os detentores do “poder-dominação” nunca aceitam
uma visão do “poder-serviço” que Jesus pregou e que o Papa Francisco encarna.
Paulo, que durante os seus primeiros
anos da vida adulta perseguia os discípulos, também teve a graça da conversão,
chegando a afirmar que não queria saber nada a não ser Jesus Cristo e Jesus
Cristo Crucificado!!! (I Cor 1,2). Ele também pagou com a sua vida essa
decisão pelo discipulado.
No nosso tempo, quando é moda
apresentar um Jesus “light”, sem exigências, sem paixão, sem Cruz, sem
compromisso com a transformação social, o texto nos desafia para que
clarifiquemos em que Jesus acreditamos. O Jesus quebra-galho, que existe
para resolver os meus problemas pessoais, tão propagado por setores da mídia e
por diversos movimentos e pregadores, ou o Jesus bíblico, o Servo do Senhor,
que veio para dar a vida em favor de todos? Como sucessor de Pedro, o Papa
Francisco nos demonstra em palavras e gestos que seguir Jesus exige opções
reais em favor dos que mais sofrem. Que a celebração de hoje não seja de
um triunfalismo sectário anacrônico, mas de uma renovação do nosso compromisso
como discípulos-missionários de Jesus de Nazaré, ao exemplo de Pedro e Paulo.
padre Tomaz Hughes,
SVD
A festa de são Pedro
e são Paulo, celebrada nesse domingo, confirma a autenticidade da Igreja
instituída por Jesus. Todos se orgulham e ficam felizes quando falamos de uma
Igreja Santa, mas as fisionomias mudam quando a referência é a instituição,
essa parte institucional, que representa o lado humano da Igreja, sempre
duramente criticada, não só pelos que não comungam da sua doutrina, como
infelizmente até por alguns de seus membros. Jesus não edificou a sua igreja
sobre homens especiais, dotados de super-poderes, mas sobre Pedro, pescador da
Galiléia, que representa bem os homens de todos os tempos da história da
Igreja, pela sua fragilidade, pelos seus enganos, pelas decisões erradas, o
apóstolo Pedro, com suas palavras e gestos, consegue arrebatar o leitor da
Sagrada Escritura, nele tem-se em um determinado momento um testemunho
belíssimo, e em outro, uma incoerência total, como quando Jesus anuncia-lhes a
paixão e a morte, e o apóstolo quer convence-lo do contrário, sendo chamado de
Satanás.
Provavelmente muita
gente pensa que após pentecostes o nosso apóstolo criou juízo e transformou-se
em modelo de santidade e perfeição, mas basta ver o seu relacionamento
conturbado com o apóstolo são Paulo, por causa de divergências e
desentendimentos, pensamentos contrários em relação à doutrina. A ação da graça
de Deus e do Espírito Santo em nossa vida, não anula aquilo que é humano, assim
é também com a Igreja, não existem duas igrejas, uma humana e outra divina, que
competem entre si para ver quem é mais poderosa, mas uma só igreja, edificada
sobre homens como Pedro, a quem o Senhor promete dar as chaves do céu, palavras
que mostram a confiança que Jesus deposita no apóstolo.
Certamente não
entregamos a chave da nossa casa para qualquer pessoa, mas tem de ser alguém de
nossa plena confiança. O amor verdadeiro sempre confia e ajuda o outro a
crescer, assim é Deus em relação ao homem, desde os primórdios da história da
Salvação, na aliança com homens como Abraão, apenas ele promete e do homem
apenas exige uma coisa: a fé! Como nos afirma a carta aos Hebreus, Jesus é o
autor e o consumidor da nossa fé.
Os atributos humanos
de Jesus sempre foram e serão exaltados pelos homens de todos os tempos, até
mesmo pelos não crentes. Ele é apontado como excelência em liderança,
comunicação, educação, psicologia, terapeuta, pedagogia. A sua inteligência e
raciocínio, o seu modo de agir e de ensinar, demonstrando uma sabedoria
insuperável, encanta e fascina aos homens de todos os tempos, ao longo da
História.
João Batista, Elias,
Jeremias ou algum dos profetas, eram celebridades entre o povo de Israel, ao
confundir Jesus com esses personagens, o povo estava manifestando na verdade o
inegável reconhecimento do seu poder e da sua sabedoria, porém, Pedro,
iluminado pela fé, vê muito além de todos esses atributos humanos, para ele
Jesus é o Filho de Deus! Pedro não havia chegado a essa conclusão por causa das
promessas ou de alguma evidência histórica, mas sim pela sua experiência com
Cristo. Da mesma forma a Vida de Paulo é toda transformada pela força operante
da graça de Deus, diferente de Pedro, Paulo tem cultura e formação e uma
profunda convicção religiosa, que o coloca como um Zeloso Fariseu, além disso,
tem poder e influência entre os Romanos sendo um cidadão do Império, com um
título comprado pelo Pai, conhece a cultura grega. Enfim, já estava com a sua
vida traçada, e esse projeto de Vida não incluía a "Virada" que
aconteceu em sua vida a partir da experiência com Jesus.É este apóstolo,
abortivo, como ele mesmo se define, o primeiro a atender o mandato missionário
deixado por Jesus, "Evangelizai a todas as nações..."
Professar a fé em
Jesus Cristo não é apenas ser seu admirador ou fã, mas sim aceitar o
discipulado que o seu chamado nos traz, aprendendo de Jesus, todos e cada um
dos seus ensinamentos, moldando-nos e configurando-nos a ele, transformando a
própria vida em um evangelho vivo. A fé reconhece em Jesus nosso Deus e Senhor
e isso não é fruto do esforço humano, mas dom do próprio Deus que se revela,
assim é com Pedro, assim é com o apóstolo Paulo, e assim é também com todos
nós...
A fé não é ponto de
chegada, mas sim de partida, ela nos faz vislumbrar um caminho novo a ser
percorrido, exatamente nas pegadas de Jesus, colocando-nos disponíveis e
perseverantes, aceitando todos os riscos que a mesma nos implica. E por fim,
podemos dizer que a fé também não é comodismo, tranqüilidade, solução mágica
para problemas humanos, ou conquistas impossíveis.
É na fé que
percebemos a ação de Deus em nossa vida como Pedro, no relato da primeira
leitura, que foi liberto de maneira prodigiosa da prisão por um anjo do Senhor.
A primeira
leitura traz uma rica reflexão a partir de um fato histórico, alguém libertou
Pedro da prisão, e o fez sob o poder e a proteção divina, quantas vezes estamos
em uma situação complicada e aparece alguém que nos ajuda. Um anjo andou á
frente do povo de Deus conduzindo-o para longe da escravidão do Egito, esse
anjo enviado por Deus era Moisés e Deus agiu na escuridão da noite mostrando-nos
que quando por causa da nossa fragilidade, não conseguimos enxergar o que vem
pela frente, o próprio Deus toma á nossa frente, conduzindo-nos à libertação.
A verdadeira fé nos
leva a esse reconhecimento "agora sei que Deus enviou-me o seu anjo que me
libertou dos meus inimigos", também Paulo, no final da sua jornada
reconhece que o Senhor nunca o abandonou, mas esteve ao seu lado em todos os
momentos, mesmo nos mais difíceis. A fidelidade da fé nos dá sempre essa
certeza, de que o Senhor caminha conosco, vem daí a afirmação de Jesus de que
"as portas do inferno não prevalecerão sobre a igreja".
diácono José da Cruz
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