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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 28 de junho de 2018

SÃO PEDRO E SÃO PAULO-Ano B


SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

01 de Julho – Ano B

DOMINGO

Evangelho Mt 16,13.19


·         Hoje a Igreja celebra as pessoas de São Pedro, São Paulo e o nosso Papa, que é o sucessor de Pedro.
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"TU ÉS O MESSIAS, O FILHO DO DEUS VIVO!”- Olivia Coutinho

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO.

Dia 01 de Julho de 2018

Evangelho de Mt16,13 -19

Celebramos neste Domingo, a festa  de São Pedro e São Paulo, dois homens, que chegaram a Jesus, por caminhos diferentes e que são chamados de “colunas da Igreja.” Pedro, por ter sido o primeiro líder da Igreja, e Paulo, por transformá-la numa Igreja Missionária, sendo o primeiro a propagar o Reino de Deus entre os pagãos.
Vindos de realidades bem diferentes, estes dois líderes, Pedro, um simples pescador, e Paulo, um Judeu culto de origem romana, deixaram-se conquistar por Jesus, se entregando por inteiros a serviço do Reino de Deus, e como o próprio Jesus, deram a vida pela causa deste Reino, sendo fieis ao evangelho até as últimas consequências. 
O evangelho que a liturgia desta solenidade nos convida a refletir, narra o momento em que Jesus confere a Pedro o primado da sua Igreja.
 Ao longo do texto, vemos o caminho  usado por Jesus, para chegar  a esta escolha. Primeiro, Ele faz uma pergunta aos discípulos: “Quem dizem as pessoas ser o Filho do homem? Para esta pergunta, surgiram várias respostas, afinal, é fácil responder em nome do outro, não compromete! Já, quando esta mesma pergunta, é voltada para os próprios discípulos, aí, paira um silencio, desta vez, a pergunta feita por Jesus, requer uma resposta pessoal, o que exige comprometimento e ninguém arriscar, a não ser Pedro, ele  foi o único que respondeu, e respondeu com firmeza: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” Esta resposta  de Pedro, agradou Jesus, pois Ele sabia, que esta sua afirmação, era fruto da sua convivência com Ele! Por esta profissão de fé, Jesus convoca Pedro para uma missão desafiadora: conduzir a sua Igreja! “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja...”
Este episódio chama a nossa atenção, sobre a responsabilidade de quem afirma conhecer Jesus! Saber quem é Jesus é muito mais do que saber que Ele é Deus, afirmar que conhecemos Jesus implica em comprometimento com a sua causa, em dar testemunho Dele em qualquer circunstancia.
A narrativa chama a nossa atenção, sobre a importância de aprofundarmos no conhecimento a Jesus. Sem conhecer Jesus, não vamos entrar na dinâmica do Reino, e muito menos  compreender,  que, para ganhar a vida, é preciso passar pela cruz, como Ele passou.  
Olhando para a escolha de Pedro, vemos que Jesus, não entregou a responsabilidade de conduzir a sua igreja, a um homem  diplomado, visto com “grande” pela sociedade, mas a Pedro, um homem simples, frágil, sujeito a falhas que representa os homens de toda a história da Igreja: homens santos e pecadores! 
Antes de conferir a Pedro, esta missão tão grande, Jesus não questionou o seu passado, não lhe faz nenhuma exigência, a não ser, o seu compromisso de transformar o seu amor por Ele, em cuidado para com o que é de mais precioso para Deus que é o povo.
Ao escolher Pedro para a liderança da sua Igreja, fica evidente a compreensão de Jesus para com a fragilidade humana. Pedro era um homem de temperamento extremamente forte, Jesus sabia, que mais tarde ele o negaria, mas  mesmo assim, confia na sua fidelidade.
Como vemos, a escolha de quem conduziria a barca de Jesus, (Igreja) não caíra sobre um homem especial, e sim, sobre um homem comum, alguém dotado de virtudes e defeitos como qualquer um de nós. O que nos mostra, o quão é grande a diferença entre os critérios humanos e os critérios de Deus. Os homens escolhem pessoas capacitadas para cargos de lideranças, Deus, capacita os que Ele escolhe.
Com a volta de Jesus para o Pai, Pedro assume a liderança da igreja, uma Igreja fundamentada no amor de Jesus, conduzida pelo o seu Espírito. 
Sobre a liderança de Pedro, a Igreja começa a dar passos rumo a uma nova Jerusalém, tendo a grande colaboração de Paulo, que representa a igreja itinerante que não se limita a quatro paredes, mas que vai ao encontro do povo!
"A missão da Igreja consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição de Jesus! Sua grande riqueza está na abertura a todos os povos e culturas!"
A Igreja é unidade, ela é guardiã e propagadora do amor do Pai, da fidelidade do Filho e do poder Santificador do Espírito Santo!
O amor a Jesus é o fundamento de toda comunidade cristã, por tanto, numa comunidade, cujo centro é Jesus, um líder não se destaca pela a sua autoridade, e sim, pelo o seu amor a Jesus transformado em serviço.
Pedro e Paulo, modelos de discípulos missionários com suas virtudes e fraquezas, mas sobre tudo, com o seu amor e fidelidade a Cristo e a sua Igreja.
Nesta solenidade, unamos em oração pelo o nosso Pastor, o sucessor de Pedro, o represente legítimo de Jesus Cristo aqui na terra: o Papa Francisco, um servo de Deus que preserva dentro de si, o amor de Jesus, a firmeza de Pedro e a flexibilidade de Paulo. 


FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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A Solenidade de São Pedro e de São Paulo, Apóstolos é uma oportunidade para celebrar festivamente esta solenidade que nos recorda dois grandes personagens da história da nossa fé cristã, ou seja, os dois grandes apóstolos de Jesus Cristo. Neles encontramos um exemplo para a nossa vida, não esquecendo que são nossos intercessores diante de Deus. A liturgia tem uma Missa de vigília, não havendo nada que impeça somente a celebração da Missa do dia. As orações próprias (especialmente a coleta) acentuam esta idéia: “por meio dos apóstolos São Pedro e São Paulo, comunicastes à vossa Igreja os primeiros ensinamentos da fé”; e pedem que “a Igreja se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da sua fé”. O prefácio desta solenidade é de grande beleza, pondo em paralelo os dois apóstolos: “Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo, e Paulo, que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos; ambos trabalharam cada um segundo a sua graça, para formar a única família de Cristo; agora, associados na mesma coroa de glória, recebem do povo fiel a mesma veneração”. Pedro foi o primeiro dos apóstolos. Não é o primeiro na ordem cronológica, mas sim o primeiro no grupo dos discípulos. No Evangelho desta solenidade, Jesus diz. “Tu és Pedro: sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (missa do dia). Pelo fato de Pedro ter sido o primeiro do grupo dos Doze, hoje, o Papa é considerado o sucessor de Pedro. Simão era um pescador, um homem simples, mas um homem apaixonado que viu em Jesus o sentido da sua vida; por isso, seguiu-O. Frágil como nós, experimentou a dificuldade de reconhecer a fé e negou Jesus por três vezes, mas depois, como nos diz o livro dos Atos dos Apóstolos, deu testemunho de Jesus (1ª leitura da vigília), até entregar a sua vida, sendo feito prisioneiro (1ª leitura do dia) e morrendo mártir em Roma. Paulo é o outro grande Apóstolo. Não conheceu Jesus e durante muitos anos foi um perseguidor dos cristãos. Todos sabem como Saulo se converteu e como descobre a fé em Jesus, transformando-se no grande apóstolo dos gentios – daqueles que não eram judeus – pregando o Evangelho por toda a região mediterrânea com as suas viagens e com as suas cartas. Paulo será preso e martirizado em Roma. As suas cartas, tantas vezes proclamadas nas nossas celebrações, ajudam-nos a conhecer o seu carisma e a sua mensagem. Na 2ª leitura desta solenidade, narra-nos como foi chamado e enviado por Jesus (vigília), como também nos fala da entrega total da sua vida pela causa do Evangelho, com a ajuda de Deus, confiando de que receberá o prêmio no dia em que se apresentar diante do Senhor, justo juiz (dia). Pedro e Paulo são os dois grandes apóstolos, são os fundamentos da Igreja. Esta solenidade deve fortalecer a nossa fé. Pedro e Paulo foram dois homens simples, cada um com a sua história, com as suas fraquezas e dificuldades, mas também foram testemunhas firmes de Jesus, até dar a vida no martírio em Roma. De Pedro e de Paulo procede a nossa fé que se foi transmitindo de geração em geração na unidade da Igreja. Nós somos homens e mulheres simples, frágeis, por vezes com dificuldade em acreditar e em ser autênticos discípulos de Jesus. Mas em Pedro e Paulo encontramos um modelo, um exemplo, ânimos para sermos verdadeiros discípulos de Jesus, verdadeiros membros da Sua Igreja. Por intercessão de Pedro e de Paulo, rezemos pela Igreja, pelo Papa, pelos Bispos, por todos os cristãos do mundo para que permaneçamos firmes na fé. No Evangelho da missa do dia, Jesus pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”. Os discípulos respondem: “Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias, ou algum dos profetas”. Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Então Simão Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Hoje, Jesus repete-nos a pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Cada um terá de dar uma resposta. Para mim, quem é Jesus? Como Pedro, podemos afirmar que Jesus é o Senhor, o Filho de Deus, Aquele que dá sentido à nossa vida, Aquele em quem podemos encontrar as raízes mais profundas do nosso ser. Que a profissão de fé de Pedro e de Paulo seja hoje exemplo e bálsamo para que cada um de nós faça da vida uma verdadeira profissão de fé.
mons. Inácio José Schuster



"Tu és o Messias o Filho do Deus vivo"
Celebramos neste domingo a Páscoa de Jesus, na vida e no ministério dos apóstolos Pedro e Paulo, agradecendo a Deus pela fé de Pedro e pelo empenho missionário de Paulo, testemunhas fiéis de Jesus Cristo. Rezemos em comunhão com a Igreja de Roma, que testemunhou o martírio deles, e com seu bispo Bento XVI.
Pedro e Paulo eram diferentes no temperamento, na formação religiosa, exercendo atividades diversas e em campos distintos, chegaram várias vezes a desentender-se. Mas o amor de Cristo, a paixão pelo seu projeto, a força da fidelidade e a coragem perseverante do testemunho os uniram na vida e no martírio, acontecido em Roma sob o imperador Nero (54-68); Pedro por crucifixão e Paulo por decapitação.
Celebrando hoje a Páscoa desses dois grandes apóstolos e mártires de Jesus, a Igreja é lembrada que em todas as comunidades cristãs precisam estar presentes, e muito ligados com duas faces, os fundamentos da mesma missão evangelizadora: a vida eclesial com dinâmica de comunhão e participação e sua ação transformadora no mundo.
Hoje também rezamos especialmente pelo papa Bento XVI, bispo de Roma, cidade onde se deu o martírio de Pedro e Paulo. Sua missão é selar para que a Igreja permaneça unida, fiel a Jesus Cristo e seu projeto, realizando com humildade e coragem uma ação evangelizadora, cada vez mais inculturada, profética e aberta a todos.
Primeira leitura: Atos dos Apóstolos 12,1-11
No capítulo 12 dos Atos dos Apóstolos, com a libertação maravilhosa de Pedro e a súbita morte do perseguidor Herodes Agripa, Lucas encerra a primeira parte de seu livro, centrada na figura de Pedro e na comunidade de Jerusalém a partir de então concentrará sua atenção na comunidade de Antioquia, cujos protagonistas são Paulo e Barnabé. Desde o início desta primeira parte é Pedro quem toma as iniciativas na Igreja, sob a ação do Espírito Santo. No final da mesma é novamente Pedro que é posto em destaque em Jerusalém. Perseguido e ameaçado de morte, é socorrido milagrosamente pela providência divina.
Examinemos mais de perto o texto da primeira leitura de hoje. Lucas situa o martírio de Tiago e a prisão de Pedro "nos dias dos ázimos", isto é, na semana da Páscoa (v. 3). Tal localização do episódio no tempo dos ázimos, isto é, pães sem fermento, poderia ser um simples paralelo com a Paixão do Senhor. A expressão "por aquele tempo" (v. 1) parece referir-se ao tempo em que Barnabé e Paulo estão em Jerusalém (Atos 11,30). Esta leitura nos mostra que a comunidade em peso está preocupada e é solidária com Pedro quanto à perseguição sofrida por ele e se coloca em oração (v. 5). Apenas Pedro dorme, bem vigiado. A insistência no sono de Pedro, que teve de ser despertado pelo anjo (v. 7). Sua libertação é pura obra da intervenção divina. A libertação milagrosa de Pedro, que vai "para outro lugar", serve para mostrar que a providencia de Deus não abandona a sua Igreja. Pedro prosseguirá em sua missão de pregador, mesmo que Lucas não mais fale dele, até o seu martírio em Roma como nos contam os Atos apócrifos de Pedro e Paulo. Em seu lugar continua Tiago, como chefe da Igreja de Jerusalém. O centro da Igreja desloca-se de Jerusalém para Antioquia (Atos 13 ss.), de onde Paulo e Barnabé partirão para as viagens missionárias.
Com a morte decretada para o dia seguinte, ele tem a oração da comunidade como apoio. Uma forma de resistência da comunidade perseguida era a oração fervorosa que subia constantemente a Deus e a confiança de que Ele não abandona os que lhe são fiéis.
Com Pedro acontece, segundo Lucas, o mesmo que ocorreu com Jesus. Tudo é ação de Deus. Há, inclusive, coincidência de datas: referência à festa dos pães sem fermento (cf. Lucas 22,1). Assim como o Pai libertou Jesus da morte, o anjo do Senhor liberta Pedro da prisão. O aparato repressivo de Herodes era grande: Pedro dormia amarrado com duas correntes e acompanhado de dois soldados, dezesseis soldados o vigiavam e havia sentinelas em guarda. Deus intervém e rompe as grades, libertando Pedro. Este fato pode ser chamado de Páscoa de Pedro.
Salmo responsorial 33/34,2-9
É um Salmo de ação de graças individual, mas o salmista convida a todos para engrandecer o Senhor, juntamente com ele. É também de estilo sapiencial. Uma pessoa passou por situação difícil, por "temores" (v. 5) e "apertos"(v. 7), "consultou o Senhor"' (v. 5), "gritou"(v. 7) e foi atendida. O Senhor "respondeu" e "livrou" (v. 5), "ouviu" e "salvou" (v. 7), e agora essa pessoa está no Templo de Jerusalém para agradecer. Há gente em torno dela (vs. 4,6.12-15), ;pois a ação de graças era feita em voz alta, em espaço aberto. A pessoa faz seu agradecimento público, de forma que muita gente toma conhecimento da "graça alcançada" e participe da sua alegria. O Salmo se torna assim, catequese.
O rosto de Deus neste Salmo é muito interessante. O Salmo faz uma longa profissão de fé no Deus da Aliança, aquele que ouve o clamor, toma partido do pobre injustiçado e o liberta. Deixemos que o próprio Salmo mostre o rosto de Deus. Ele responde e livra (versículo 5), ouve e salva (versículo 7) e seu anjo acampa em torno dos que o temem e liberta (versículo 8). É uma imagem forte, que mostra o Deus aliado como guerreiro que luta em defesa de seu parceiro na Aliança.
Este Salmo encontra em Jesus um sentido novo e insuperável. O próprio nome Dele resume tudo o que fez em favor dos pobres que clamam (Jesus significa "Javé salva"). A missão de Jesus é levar é levar a boa notícia aos pobres (Lucas 4,18). Maria de Nazaré ocupa o lugar social dos empobrecidos e, no seu hino, retoma o versículo 11 do Salmo: "Os ricos empobrecem e passam fome" (comparem com Lucas 1,53). Os pobres agradecem a salvação que Jesus lhes trouxe. É, por exemplo, o caso de Maria, que unge os pés de Jesus com perfume (João 12,3), como sinal de agradecimento por ter devolvido a vida ao irmão Lázaro.
Resume, assim, tudo o que Jesus fez em favor dos pobres, perseguidos e injustiçados que clamam. Ele acampou ao redor dos que o temem. Com o salmista, Pedro pode testemunhar: "Provai e vede, quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio."
Neste salmo, unimos nossa voz à oração de todos os mártires da nossa América Latina e do mundo, que vivem em seu corpo a experiência do Cristo Senhor. Cantemos juntos o louvor de Deus com todas as pessoas que ainda são vítimas de tortura e maus tratos e com todos os grupos que se organizam em busca de justiça e cidadania.
Segunda leitura – 2 Timóteo 4,6-8.17-18
A segunda carta a Timóteo aparece como um testamento dirigido por Paulo a um de seus discípulos. No texto de hoje, Paulo é apresentado como o tipo do homem de Deus, um verdadeiro santo a ser admirado e imitado. É um homem que está de consciência tranqüila, certo da recompensa próxima (vs. 6-8). Assim ele espera "a coroa da glória", isto é, a recompensa pela virtude da justiça (cf. Romanos 3,26) do fiel depositário que guardou zelosamente o bem confiado. Tal recompensa virá "naquele dia" (cf. 1,18), ou seja, no dia da manifestação do Senhor, do seu julgamento. Nesta recompensa terão parte todos os que, como ele, "amam a sua vinda" (versículo 8), preparando-se pela vida cristã no seguimento do Cristo encarnado (2Timóteo 1,10), para recebê-lo na Eternidade. Paulo está pronto para enfrentar o martírio, pois sabe que, morrendo, "morre para o Senhor" (cf. Romanos 14,8).
Em seguida o Apóstolo passa a falar da situação pessoal (vs. 9-18), de seu sofrimento por causa dos falsos amigos que o abandonaram (vs. 10.14), do manto e dos pergaminhos deixados em Trôade (v. 13). Seu conforto é o Senhor que o assiste, dando-lhe forças para anunciar o Evangelho aos pagãos até o fim. Por isso ele foi "salvo da boca do leão" (cf. Salmo 22,22; 1Macabeus 2,60), expressão que poderia estar referindo à sua libertação após a primeira audiência (versículo 16). Agora, porém, novamente preso (2 Timóteo 1,8; 2,9), Paulo já não espera a libertação física. Auxiliando o pedido do Pai-Nosso, o Apóstolo espera a libertação "de todo o mal" e a salvação definitiva para o Reino celestial (v. 18). Estes versículos servem para exprimir a grandeza de alma, e o que poderia ser o testamento espiritual, do Apóstolo dos pagãos, que hoje celebramos juntamente com São Pedro.
Paulo está preso em Roma, acorrentado, próximo á morte violenta. Nessa situação, ele escreve a Timóteo, animando-o na missão. Faz uma revisão de vida, olha para o passado e para o futuro, reconhecendo que tudo é graça de Deus. É um "atleta" que cumpriu sua missão com garra e coragem, por isso merece a coroa da justiça. Chegou o momento de dar o grande testemunho. Seu sangue derramado, ele o interpreta como sacrifício de valor expiatório: "Já fui oferecido em libação" (versículo 6). A libação de vinho, água ou óleo era, nos sacrifícios judaicos, derramado sobre a vítima (Êxodo 29,40; Números 28,7).
Mesmo abandonado por alguns companheiros, Paulo louva o Senhor e dá testemunho alegre de uma vida inteira dedicada à evangelização e ao cultivo da fé dos irmãos. A Paixão de Paulo é o prolongamento da Paixão de Jesus. O Apóstolo não tem mais a esperança de viver, embora sua sentença tenha sido retardada por um tempo. Sua esperança se fundamenta não numa salvação momentânea, mas na intervenção definitiva de Deus, que o levará a salvo para o seu Reino. "A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém!"
Evangelho - Mateus 16,13-19
Esta passagem chamada como a "confissão de Cesaréia", constitui um dos pontos centrais do Evangelho de Mateus. Pela primeira vez, Jesus interroga os seus discípulos a sobre a sua pessoa (Mateus 16,13-19); pela primeira vez nos versículos que seguem, Jesus anuncia a sua paixão e ressurreição (Mateus 16,21-23); e aos sofrimentos de Cristo são associados os seus seguidores: eles, por sua vez, terão que carregar a sua cruz (Mateus 16,24-28).
A narração do Evangelho está construída sobre uma troca de títulos entre Jesus e Pedro. Pedro confere a Jesus o título de Messias; Jesus responde outorgando ao Apóstolo o título de Pedro e o poder das chaves. Pedro recusa em ver no Cristo o Servo Sofredor; Cristo o acusa de ser uma pedra de tropeço.
Para a pergunta de Jesus: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem", segue uma surpreendente variedade de respostas. Nessa variedade transparece as diversas doutrinas apocalípticas judaicas em destaque na época. Todos esperavam uma intervenção decisiva de Deus na história, intervenção esta que seria, a um tempo, juízo e salvação. Esta expectativa se voltava para o passado e para o futuro; as figuras do passado seriam a garantia da salvação esperada. Não que seria uma mentalidade de reencarnação, mas o Messias viria com a mesma força de Elias, de Jeremias e dos profetas.
O texto de Mateus contém três categorias de respostas. Alguns se perguntavam, a exemplo de Herodes, se Jesus não seria o Batista ressuscitado (Mateus 14,2); outros o consideravam como Elias, isto é, uma das figuras clássicas da apocalíptica judaica (Mateus 17,3; 17,9-13); outros enfim viam Nele um dos grandes profetas. Mateus menciona aqui Jeremias, o homem das dores. Isto seria devido à mistura de poder e sofrimento já percebido na vida terrestre de Cristo?
Jesus não comenta as opiniões que circulavam entre o povo a seu respeito. Introduz diretamente a pergunta: "E vós que dizeis que eu sou?" A resposta de Pedro: "Tu és o Messias o Filho do Deus vivo" é essencialmente messiânica, isto, constitui uma afirmação da missão histórica de Jesus em relação ao povo eleito. A resposta de Pedro corrige a imagem distorcida que circulava na sociedade judaica a respeito de Jesus. Para Pedro, Jesus é o Emanuel, o salvador, o realizador das expectativas messiânicas. Sua missão é conservar, apesar dos conflitos, a convicção de que o poder da morte não vai vencer o projeto de Deus.
Jesus e seus discípulos estão em Cesaréia de Filipe, cidade construída junto às margens do rio Jordão, região periférica habitada por pagãos. Longe de Jerusalém, o centro do poder político, econômico e ideológico, os discípulos são estimulados a dar uma resposta plena de quem é Jesus.
Circulava uma imagem distorcida de Jesus, exatamente por causa de sua humanidade. Ele se apresenta com a expressão semita "Filho do Homem", título que o situa no chão da vida de todos os mortais: Ele é carne e osso como qualquer um de nós. Viveu em tudo a condição humana, menos o pecado. Alguns identificavam essa expressão com a palavra de Ezequiel: o homem que sou, o humano (cf. Ezequiel 2,1.3). Vendo Jesus tão humano, as pessoas têm dificuldade de aceitar sua messianidade.
Jesus interpela diretamente os discípulos que haviam visto sua luta para implantar a justiça do Reino: "Para vocês, quem sou eu?" Pedro responde que Ele é o Messias, o Filho do Deus vivo. Jesus é a realização das expectativas messiânicas, o portador da justiça que cria sociedade e história novas.
Ao confessar que Jesus é o Messias, Filho de Deus, Pedro é elogiado e recebe a responsabilidade de confirmar os irmãos na fé: "Feliz és tu, porque recebeste uma revelação especial de Deus Pai!".
Simão, filho de Jonas, passa a ser Pedro - no grego, pétros, palavra que designa uma pedra ou pedregulho que se pode pegar e lançar; pétra representa uma rocha onde se assenta qualquer edifício. Jesus é o fundamento do edifício da comunidade que vem em seguimento à comunidade sagrada qahalYhwh ou qahal Yisrael (cf. Deuteronômio 23,2; 1Reis 8,22).
Simão terá uma missão especial na nova comunidade por adesão a Cristo, não como pétra, mas como pétros na mão do Senhor, único capaz de lançar a trajetória da comunidade.
A Palavra se faz celebração
Somos continuadores da experiência apostólica.
O Mistério Pascal de Jesus na celebração do martírio de Pedro e Paulo pode ser percebido sob três aspectos que se entrelaçam: a) o enraizamento no Amor do Pai, tal qual Jesus experimentou; b) a resistência fundamentada na participação da memória do Senhor (Ceia) e no testemunho de sua Palavra; c) a experiência da vida fraterna (um só coração, uma só alma!).
Esses três aspectos, conteúdo da oração depois da comunhão, não são estranhos para nós. São uma "experiência possível" para nossas comunidades. Nesse sentido, a Solenidade de hoje propõe e realiza em nós o Mistério de Jesus vislumbrado a partir da vida de seguimento de Pedro e Paulo.
Assim, da unidade estabelecida entre a Palavra proclamada - narrativa do testemunho de Pedro e Paulo; as orações e antífonas para esta celebração e nossa participação na Eucaristia, concluímos: somos continuadores e continuadoras da experiência apostólica. Dito de outra maneira: enquanto participamos da Páscoa do Senhor acontecida no testemunho (martírio) de Pedro e Paulo vemos realizada em nós a Paixão de Jesus e sua Ressurreição.
Pedro e Paulo, oferenda de vida
Na liturgia somos convidados a fazer da nossa vida o que fizeram Pedro e Paulo, seguindo o mesmo caminho de Jesus: uma oferenda pelo reino de Deus. Para citar um exemplo, a Oração Eucarística III diz após a invocação do Espírito Santo sobre a assembléia: "Que ele faça de nós uma oferenda perfeita para alcançarmos a vida eterna com os vossos santos: a Virgem Maria, Mãe de Deus, os vossos apóstolos e mártires..." Isso nos faz recordar a segunda leitura em que Paulo dá um testemunho muito próximo do que reza essa oração. Já a quinta Oração Eucarística, a intercessão correspondente diz isso de outra maneira: "Esperamos entrar na vida eterna com a Virgem, Mãe de Deus e da Igreja, os apóstolos e todos os santos, que na vida souberam amar a Cristo e seus irmãos". Aqui nos recordamos de Pedro, que foi provado no amor ao Cristo e aos irmãos.
Da Palavra celebrada ao cotidiano da vida
No testemunho de Pedro e Paulo acolhemos duas dimensões diferentes e complementares da missão, como seguidores de Jesus. Apesar de divergirem em pontos de vista e na visão do mundo, o amor de Cristo e a força do testemunho os uniram na vida e no martírio. Em ambos quer na vida, quer no martírio, prolongam-se a vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo. Conheceram e experimentaram Jesus de formas diferentes, mas é único e idêntico o testemunho que, corajosos, deram Dele.
Por isso são figuras típicas da vida cristã, com suas fraquezas e forças. As contínuas prisões de Pedro fazem-no prolongar a paixão de Jesus. Não só aceita um Messias que dá a vida, mas morre por Ele e com Ele. Convertido, Paulo se torna propagador do Evangelho de Cristo, sofrendo com Ele sofreu, encarando a morte como Jesus a encarou.
A complementaridade dos carismas continua hoje na Igreja. Às vezes há até tensão entre uma "teologia" romana e uma "teologia" latino-americana, mas isso é fecundo. Fundamental é conservar a fidelidade ao projeto de Jesus Cristo, na solidariedade do "bom combate" pelo projeto fundante, rocha da comunidade.
A comunidade nasce do reconhecimento de quem é Jesus. Esse reconhecimento não é fruto de especulação ou de teorias, e sim de vivência do seu projeto que passa pela rejeição, crucifixão, morte e ressurreição.
Quando o testemunho cristão é pleno, o próprio Jesus age na comunidade, permitindo-lhe "ligar e desligar". O poder de vida que Jesus tem, as chaves do reino, é entregue a nós, seus seguidores. A comunidade não é dona, apenas administra esse poder pelo testemunho e pelo serviço a favor da vida. Organiza-se como continuadora do projeto de Deus, a partir da prática do Mestre, promovendo a vida e rejeitando o que provoca a morte.
Jesus de Nazaré é para nós o mártir supremo, a testemunha fiel... Os mártires da caminhada resistiram ao poder da morte e ao aparato repressor de hoje. "A memória subversiva de tantos mártires será o alimento forte da nossa espiritualidade, da vitalidade de nossas comunidades, da dinâmica do movimento popular" (Ofício dos Mártires da Caminhada Latino-Americana, página 7).
Como vivemos o testemunho de Jesus em meio aos conflitos, tanto da nossa comunidade como da sociedade? Como Pedro e Paulo, sentimo-nos responsáveis pela continuação do projeto de Deus?
Ligando a palavra com a ação eucarística
É muito bom louvar a Deus hoje pelo testemunho dos Apóstolos Pedro e Paulo - "duas oliveiras diante do Senhor, brilhantes candelabros de esplêndido fulgor" (Hino do Ofício das Leituras).
Rezamos no Prefácio: "Hoje, vós nos concedeis a alegria de festejar os Apóstolos São Pedro e São Paulo. Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração...". Esses santos plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus (cf. Antífona de Entrada).
Pedro e Paulo foram como Cristo, "derramados em sacrifício". Viveram a entrega da morte e a alegria da libertação e da salvação realizada pelo Senhor. Cristo morreu pelos irmãos. Nesta Eucaristia, como Ele mesmo pediu, fazemos memória do mistério de sua Páscoa. Recordamos também a entrega dos mártires Pedro e Paulo e dos mártires de todos os tempos. Com Cristo entreguemos também a nossa vida e a vida de tantos irmãos e irmãs para "ser derramada em sacrifício agradável a Deus".
Que a nossa vida seja expressão desta entrega: "Concedei-nos, ó Deus, por esta Eucaristia, viver de tal modo na vossa Igreja que, perseverando na fração do pão e no ensinamento dos apóstolos, e enraizados no vosso amor, sejamos um só coração e uma só alma..." (Oração Pós-Comunhão). Como Pedro e Paulo tenhamos uma vida totalmente disponível a nossos irmãos.
Hoje, especialmente, suplicamos para que o Papa que é o bispo de Roma e todos os pastores sejam pétros nas mãos do Senhor, fiéis ao Evangelho, na condução da Igreja como servidora da vida e sinal e instrumento da comunhão entre os povos.
padre Benedito Mazeti



1 – Seguir Jesus é a vocação primeira do cristão. Sem pausas nem descanso. Segui-l'O em todas as circunstâncias, a todo o momento. Para sempre. Até à eternidade. Para O seguir e para O imitar, para O viver e O anunciar é necessário estar perto d'Ele, ou melhor, abrir-Lhe o coração e a vida para que Ele nos habite e nos transforme, nos converta e nos redima.
Não é possível amar o que não se conhece. O conhecimento é um primeiro passo para amar. Quanto mais se amar mais se quer conhecer e quanto mais se conhecer maior a possibilidade de amar a pessoa e não uma imagem da mesma. Precisamos de estar e permanecer perto de Jesus e deixar que Ele se aproxime de nós. Como Maria em casa de Marta. Aos pés de Jesus. Para sentir o pulsar do Seu coração. A oração é o ambiente natural para saber quem é Jesus para nós. Não se trata de saber muitas coisas acerca d’Ele. Também é importante. Mas essencial é saber quem é Jesus para nós. Recordemos as duas questões da semana passada: "Quem dizem as multidões que é o Filho do Homem?" e "Quem dizeis vós que Eu sou?".
A missão começa na oração: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara».
A oração, a escuta, a meditação da palavra de Deus. O cristão, como a Igreja, deve ter a consciência da sua identidade lunar. Jesus Cristo é o nosso Sol. Cada um de nós, e a Igreja no seu conjunto, como a Lua, reflete a Luz que vem de Jesus. É iluminado por Jesus e reflete-O para os outros serem iluminados. Somos embaixadores e não chefes de estado. Comunicamos a Palavra de Deus, o Seu Evangelho. O embaixador não se comunica, mas comunica o seu povo, o seu governo, o que lhe disseram para dizer. Somos de Cristo. Somos cristãos. Sermos embaixadores de Jesus, como nos recorda São Paulo, é um privilégio e não uma humilhação. É um compromisso, para que Cristo viva em nós e através de nós chegue a todo o mundo.
2 – Somos discípulos missionários. Expressão que ganhou corpo nas Assembléias Gerais do Episcopado da América Latina e Caribe, sobretudo em 2007, em Aparecida, no Brasil, na 5.ª edição, sob o tema "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida". 
Bento XVI usa a expressão na Oração elaborada para esta Conferência: "Discípulos e missionários vossos, nós queremos remar mar adentro, para que os nossos povos tenham em Vós vida abundante e construam com solidariedade a fraternidade e a paz". E no discurso inaugural clarifica a estreita ligação: "O discípulo, fundamentado assim na rocha da Palavra de Deus, sente-se impelido a anunciar a Boa Nova da salvação aos seus irmãos. Discipulado e missão são como os dois lados de uma mesma medalha: quando o discípulo está apaixonado por Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que somente Ele nos salva (cf. Atos 4, 12). Efetivamente, o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não existe esperança, não há amor e não existe futuro".
O Papa Francisco, relator-presidente de Aparecida, utiliza amiúde esta expressão, muitas vezes sem a conjunção aditiva "e". No Documento Final ou na Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium" (A Alegria do Evangelho), acentua o perigo da autorreferencialidade do cristão e da Igreja. O centro, o SOL, é Jesus Cristo. Devemos d'Ele aprender a vida e o amor, a verdade e o serviço. Discípulos. Para O darmos aos outros, levando a todos os Evangelho de Jesus. Missionários. Não em separado, mas concomitantemente. Não podemos ser missionários se não formos verdadeiros discípulos do Senhor. Sendo discípulos autênticos procuraremos imitá-l’O e como Ele anunciar a Boa Nova a todos. A luz que nos habita não se pode esconder.
3 – "Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho". Para seguir Jesus é necessário deixarmos de lado todos os acessórios que nos pesam. Ele envia-nos. A ligeireza depende se seguimos nas asas de Deus ou nos arrastamos com as nossas coisas. A missão evangelizadora urge. Ele não nos chama para ficarmos instalados à sombra da bananeira, mas para agirmos, para falarmos, para passarmos palavra, para irmos ao encontro dos outros. De aldeia em aldeia. De cidade em cidade. De coração a coração. Não há desculpas nem justificações. "Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus". Podemos sempre adiar, arranjar outras coisas que fazer, mas serão sempre passatempos, porque a missão é seguir Jesus e dá-l'O aos outros.
"Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa".
Não é uma mensagem qualquer que levamos, mas o próprio Jesus e a paz que Ele nos dá. Não é pouca coisa. É tudo. Só Ele conta. Vamos para levar a paz e a bênção e a salvação de Jesus. E se vamos, comprometemo-nos com as pessoas. Não é para andar a saltar, é para permanecer e deixar marcas positivas, semeando a Palavra de Deus.
"Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’".
A fé não se impõe, propõe-se. Se alguém recusar Jesus, não percamos tempo a forçar. É Deus que age. Deixemos que Deus atue, através do tempo. Façamos o que nos compete: anunciar o Reino de Deus e a Sua proximidade. Se não nos escutarem, é a Cristo que não escutam. Avancemos para outras cidades e aldeias, para outros corações que estejam sedentos da Palavra de Deus.
4 – Quando levamos Deus às pessoas, levamos-lhe a alegria, a bênção e a paz. Aqueles setenta e dois discípulos que Jesus envia, ainda em estágio, levam uma mensagem específica, a paz e a proximidade do Reino de Deus, como proposta e desafio.
O profeta Isaías, na primeira leitura, convida à alegria e à festa. O luto e as trevas serão absorvidas pela presença e misericórdia de Deus.
«Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. A mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos».
O salmista faz eco deste júbilo e do convite ao louvor: "Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores, dizei a Deus: «Maravilhosas são as vossas obras». A terra inteira Vos adore e celebre, entoe hinos ao vosso nome. Vinde contemplar as obras de Deus, admirável na sua ação pelos homens".
5 – Para nós cristãos, Jesus é a vinha do Senhor, o Reino de Deus entre nós, o Rosto e a presença da Misericórdia do Pai. Desce para nos elevar, faz-Se pecado para nos santificar, morre para nos ressuscitar, humilha-Se para nos exaltar. "Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna" (oração de coleta).
Jesus torna-nos novas criaturas com a Sua paixão redentora. Ele liberta-nos do pecado e da morte, para vivermos ressuscitados. Uma vez ressuscitados, pelo batismo, seguimo-l'O como discípulos missionários. Procuramos identificar-nos cada vez mais com Ele para O transparecermos pela nossa voz e pela vida, atraindo outros.
São Paulo, na humildade da fé, aponta para Jesus: "Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo... Doravante ninguém me importune, porque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus. Irmãos, a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito".
Ao dirigir-se aos Gálatas, Paulo alerta para os perigos da divisão e de lideranças que afastem de Jesus Cristo e do Seu evangelho de verdade e de serviço, reavivando a boa semente neles semeada, lembrando-lhes a necessidade da firmeza da fé e da fidelidade a Jesus. Paulo não se anuncia, mas a Cristo Jesus. Também ele é embaixador de Jesus. E nós? Queremos ser o centro do mundo ou colocamos Deus no centro? Prosseguimos como discípulos missionários ou preferimos anunciar-nos a nós mesmos?
padre Manuel Gonçalves


Há nessa passagem do Evangelho um diálogo entre Jesus e seus discípulos na localidade de Cesareia de Filipe, que fica perto das fontes do rio Jordão, na fronteira com a terra judaica, que marcou para sempre a vida da Igreja e especialmente a vida de Pedro. O beato João Paulo II disse que esse fato é “importante não só para a história de Pedro, mas também, em certo sentido, para a história de Paulo, para a história da Igreja e do Cristianismo, para a história da salvação”.
“No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?”
O beato João Paulo II disse: fazendo de certo modo um primeiro balanço da sua missão, Jesus pergunta aos discípulos o que pensam «os homens» acerca d’Ele, tendo ouvido como resposta: "Uns [dizem] que é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas" (Mt. 16,14). Uma consideração certamente elevada, mas ainda distante - e muito! - da verdade.  O povo chega a pressentir a dimensão religiosa, absolutamente excepcional, deste Rabbi, cujas palavras o deixa fascinado, mas ainda não consegue colocá-Lo acima dos homens de Deus que apareceram ao longo da história de Israel. Ora, Jesus é realmente muito mais”.
“E vós quem dizeis que eu sou?”
Jesus Cristo não queria saber somente a opinião das outras pessoas, mas principalmente saber o que seus discípulos diziam dele (Jesus). O Papa Bento XVI disse: “Mas para Jesus não era suficiente a resposta do ter ouvido dizer. Daqueles que aceitaram comprometer-se pessoalmente com Ele pretende uma tomada de posição pessoal. Por isso insiste: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” (Mc. 8,29).
O beato João Paulo II disse também:  “É precisamente este passo sucessivo de conhecimento, que diz respeito ao nível profundo da sua pessoa, que Ele espera dos «seus»: "Vós, quem dizeis que Eu sou?" (Mt. 16,15).
“Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!”
O Catecismo (424) da Igreja ensina: “Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai, nós cremos e confessamos a respeito de Jesus: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo» (Mt 16,16). Foi sobre o rochedo desta fé, confessada por Pedro, que Cristo edificou a sua Igreja”.
O papa Bento XVI ensina: “Com as suas palavras Pedro começa a profissão da fé cristológica da Igreja e torna-se também o intérprete dos outros Apóstolos e também de nós, crentes de todos os tempos. Isto não significa que já tivesse compreendido o mistério de Cristo em toda a sua profundidade. A sua fé ainda estava no início, uma fé a caminho; teria chegado à verdadeira plenitude apenas mediante a experiência dos acontecimentos pascais. Mas contudo já era fé, aberta à realidade maior - aberta sobretudo porque não era fé em algo, era fé em Alguém: n’Ele, Cristo”.
“Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus”.
O beato João Paulo II disse também que a profissão de fé de Pedro “não foi o resultado da lógica humana do pescador de Betsaída, ou a expressão de uma sua particular perspicácia, ou ainda o efeito de uma sua moção psicológica; mas sim fruto misterioso de uma autêntica revelação do Pai celeste”.
E o beato disse em outro momento que “Cristo vê a alma do apóstolo, que confessa. Abençoa a obra do Pai nesta alma. A obra do Pai atinge o intelecto, a vontade e o coração, independentemente da «carne» e do «sangue»; independentemente da natureza e dos sentidos. A obra do Pai, mediante o Espírito Santo, atinge a alma do simples homem, do pescador da Galileia. A luz interior proveniente desta obra encontra expressão nas palavras: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo “ (v. 16).
“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.
O papa João Paulo I disse que “Jesus muda o nome de Simão em Pedro, significando com isso a colação de uma especial missão; promete-lhe que há-de edificar sobre ele a própria Igreja, a qual não será vencida pelas forças do mal ou da morte; e comete-lhe as chaves do reino de Deus, nomeando-o assim responsável máximo da sua Igreja, e dá-lhe o poder de interpretar autenticamente a lei divina. Perante estes privilégios, ou para dizer melhor, perante estas tarefas sobre-humanas confiadas a Pedro”.
Santo Agostinho ensinou: “Pedro por natureza era simplesmente um homem; por graça, era um cristão; e por uma graça ainda mais abundante, era um e, ao mesmo tempo, o primeiro dos Apóstolos”.
“Simão, meu apóstolo, eu constituí-te fundamento da Santa Igreja. Eu chamei-te de antemão Pedro porque tu hás-de suster todos os edifícios; tu és o superintendente daqueles que edificarão a Igreja sobre a terra; …tu és a nascente da fonte, à qual se vai haurir a minha doutrina; tu és o chefe dos meus apóstolos; … eu dei-te as chaves do meu reino” (santo Efrém).
Conclusão
Concluímos essa reflexão com as palavras do beato João Paulo II: “Encontramo-nos no ponto-chave da Economia Divina. Deus dá o Seu Filho e ao mesmo tempo Deus revela o Seu Filho primeiramente a Pedro que antes se chamava Simão, e era filho de Jonas e irmão de André, e depois — a seu tempo — a Paulo, que antes se chamava Paulo de Tarso. Graças ao poder desta revelação do Filho por parte do Pai, Pedro, que acreditou e confessou a sua fé, deve ser «pedra». E Eu te digo: Tu és Pedro, «a pedra», e «sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno nada poderão contra ela» (Mt. 16,18). Graças ao poder da mesma revelação do Filho por parte do Pai, Paulo, que acreditou e confessou a sua fé em Cristo com o mesmo fervor de espírito, com que antes perseguira os confessores de Cristo, devia tornar-se «o instrumento escolhido» para levar o nome do Senhor perante os pagãos” (At. 9,15).
Jane Amábile



“E vocês, quem dizem que eu sou?”
O texto é a versão mateana da profissão de fé de Pedro, que Marcos (Mc 8, 27-35) coloca como pivô de todo o seu evangelho.  Este trecho levanta as duas perguntas fundamentais de todos os evangelhos: quem é Jesus? O que é ser discípulo/a dele?  São duas perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira.
A minha visão de Jesus determinará a maneira do meu seguimento dele. Como refletimos domingo passado sobre a versão lucana desse texto (Lc 9, 18-24), remetemo-nos à aquela reflexão e aqui somente assinalaremos alguns poucos pontos a mais, já levando e conta o que foi escrito para dia 26 de junho. Depois de Jesus interrogar duas vezes os discípulos, o texto de Mateus acrescenta vv. 17-19, pois quer destacar o papel de Pedro (e, por conseguinte, dos líderes da sua própria comunidade), na função de ligar e desligar da comunidade, que nos Evangelhos somente aqui e em Cap. 18 é chamada de “Igreja”.  “As chaves do Reino” não se referem aqui ao poder de perdoar pecados, mas de integrar e desligar pessoas da comunidade dos discípulos.
O fundamento, o alicerce, a pedra fundamental dessa comunidade é o conteúdo da profissão de Pedro “Tu és o Messsias, o Filho de Deus vivo”.  Continuam no ar as duas perguntas que são o cerne do Evangelho: “Quem é Jesus?”, e “o que significa segui-lo?” pois os termos que Pedro usa são ambíguos, porque cada um os interpreta conforme a sua cabeça.  Por isso, Jesus toma uma atitude aparentemente estranha: “Ele ordenou os discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias!”
Que coisa esquisita!  Jesus proíbe que se fale a verdade sobre ele!  Como é que ele espera atrair discípulos deste jeito?  O assunto merece mais atenção.
Realmente Pedro acertou em termos de teologia, de “ortodoxia”, conforme diríamos hoje.  Ele usou o termo certo para descrever Jesus.  Mas Jesus quer esclarecer o que significa ser “O Messias de Deus”.  Pois cada um pode entender este termo conforme os seus desejos.  Jesus quer deixar bem claro que ser “messias” para ele é ser o “Servo do Senhor”. É vivenciar o projeto do Pai, que necessariamente vai levá-lo a um choque com as autoridades políticas, religiosas, e econômicas, enfim, com a classe dominante do seu tempo, e não o Messias nacionalista e triunfalista das expectativas de então.  Pedro teve que aprender essa exigência do discipulado, de uma maneira lenta e dolorosa, passando até pela negação de Jesus na noite da sua prisão.  Aprendeu tão bem que chegou a dar a sua vida como mártir, também morrendo, conforme a tradição, em uma cruz, no Circo de Nero em Roma, onde atualmente se localiza a Basílica que traz o seu nome. Aprendeu a duras penas ser discípulo de verdade e cumprir a missão que recebeu de Jesus na Última Ceia: “Eu rezei por você, para que a sua fé não desfaleça.  E você, quando tiver voltado para mim, fortaleça os seus irmãos”(Lc 22,32).  Aqui temos o essencial do ministério petrino, continuado no Papa – confirmar e fortalecer a fé dos irmãos e irmãs.  A Igreja sempre deve zelar que acréscimos históricos, mais adequados a monarcas do que a discípulos, não escondem essa missão essencial.
Hoje de maneira especial devemos rezar pelo nosso querido Papa Francisco, que continua essa missão petrina, testemunhando à Igreja e ao mundo a misericórdia de Deus, e a missão da Igreja de ser também uma Igreja Serva, seguindo o exemplo do Mestre.  Por isso, como o próprio Senhor, enfrenta grave oposição dentro e fora da comunidade eclesial, quando ele desafia a todos a seguir o exemplo de Jesus e doar a vida em favor de um mundo fraterno e justo.  Os detentores do “poder-dominação” nunca aceitam uma visão do “poder-serviço” que Jesus pregou e que o Papa Francisco encarna.
Paulo, que durante os seus primeiros anos da vida adulta perseguia os discípulos, também teve a graça da conversão, chegando a afirmar que não queria saber nada a não ser Jesus Cristo e Jesus Cristo Crucificado!!! (I Cor 1,2).  Ele também pagou com a sua vida essa decisão pelo discipulado.
No nosso tempo, quando é moda apresentar um Jesus “light”, sem exigências, sem paixão, sem Cruz, sem compromisso com a transformação social, o texto nos desafia para que clarifiquemos em que Jesus acreditamos.  O Jesus quebra-galho, que existe para resolver os meus problemas pessoais, tão propagado por setores da mídia e por diversos movimentos e pregadores, ou o Jesus bíblico, o Servo do Senhor, que veio para dar a vida em favor de todos? Como sucessor de Pedro, o Papa Francisco nos demonstra em palavras e gestos que seguir Jesus exige opções reais em favor dos que mais sofrem.  Que a celebração de hoje não seja de um triunfalismo sectário anacrônico, mas de uma renovação do nosso compromisso como discípulos-missionários de Jesus de Nazaré, ao exemplo de Pedro e Paulo.
padre Tomaz Hughes, SVD





A festa de são Pedro e são Paulo, celebrada nesse domingo, confirma a autenticidade da Igreja instituída por Jesus. Todos se orgulham e ficam felizes quando falamos de uma Igreja Santa, mas as fisionomias mudam quando a referência é a instituição, essa parte institucional, que representa o lado humano da Igreja, sempre duramente criticada, não só pelos que não comungam da sua doutrina, como infelizmente até por alguns de seus membros. Jesus não edificou a sua igreja sobre homens especiais, dotados de super-poderes, mas sobre Pedro, pescador da Galiléia, que representa bem os homens de todos os tempos da história da Igreja, pela sua fragilidade, pelos seus enganos, pelas decisões erradas, o apóstolo Pedro, com suas palavras e gestos, consegue arrebatar o leitor da Sagrada Escritura, nele tem-se em um determinado momento um testemunho belíssimo, e em outro, uma incoerência total, como quando Jesus anuncia-lhes a paixão e a morte, e o apóstolo quer convence-lo do contrário, sendo chamado de Satanás.
Provavelmente muita gente pensa que após pentecostes o nosso apóstolo criou juízo e transformou-se em modelo de santidade e perfeição, mas basta ver o seu relacionamento conturbado com o apóstolo são Paulo, por causa de divergências e desentendimentos, pensamentos contrários em relação à doutrina. A ação da graça de Deus e do Espírito Santo em nossa vida, não anula aquilo que é humano, assim é também com a Igreja, não existem duas igrejas, uma humana e outra divina, que competem entre si para ver quem é mais poderosa, mas uma só igreja, edificada sobre homens como Pedro, a quem o Senhor promete dar as chaves do céu, palavras que mostram a confiança que Jesus deposita no apóstolo.
Certamente não entregamos a chave da nossa casa para qualquer pessoa, mas tem de ser alguém de nossa plena confiança. O amor verdadeiro sempre confia e ajuda o outro a crescer, assim é Deus em relação ao homem, desde os primórdios da história da Salvação, na aliança com homens como Abraão, apenas ele promete e do homem apenas exige uma coisa: a fé! Como nos afirma a carta aos Hebreus, Jesus é o autor e o consumidor da nossa fé.
Os atributos humanos de Jesus sempre foram e serão exaltados pelos homens de todos os tempos, até mesmo pelos não crentes. Ele é apontado como excelência em liderança, comunicação, educação, psicologia, terapeuta, pedagogia. A sua inteligência e raciocínio, o seu modo de agir e de ensinar, demonstrando uma sabedoria insuperável, encanta e fascina aos homens de todos os tempos, ao longo da História.
João Batista, Elias, Jeremias ou algum dos profetas, eram celebridades entre o povo de Israel, ao confundir Jesus com esses personagens, o povo estava manifestando na verdade o inegável reconhecimento do seu poder e da sua sabedoria, porém, Pedro, iluminado pela fé, vê muito além de todos esses atributos humanos, para ele Jesus é o Filho de Deus! Pedro não havia chegado a essa conclusão por causa das promessas ou de alguma evidência histórica, mas sim pela sua experiência com Cristo. Da mesma forma a Vida de Paulo é toda transformada pela força operante da graça de Deus, diferente de Pedro, Paulo tem cultura e formação e uma profunda convicção religiosa, que o coloca como um Zeloso Fariseu, além disso, tem poder e influência entre os Romanos sendo um cidadão do Império, com um título comprado pelo Pai, conhece a cultura grega. Enfim, já estava com a sua vida traçada, e esse projeto de Vida não incluía a "Virada" que aconteceu em sua vida a partir da experiência com Jesus.É este apóstolo, abortivo, como ele mesmo se define, o primeiro a atender o mandato missionário deixado por Jesus, "Evangelizai a todas as nações..."
Professar a fé em Jesus Cristo não é apenas ser seu admirador ou fã, mas sim aceitar o discipulado que o seu chamado nos traz, aprendendo de Jesus, todos e cada um dos seus ensinamentos, moldando-nos e configurando-nos a ele, transformando a própria vida em um evangelho vivo. A fé reconhece em Jesus nosso Deus e Senhor e isso não é fruto do esforço humano, mas dom do próprio Deus que se revela, assim é com Pedro, assim é com o apóstolo Paulo, e assim é também com todos nós...
A fé não é ponto de chegada, mas sim de partida, ela nos faz vislumbrar um caminho novo a ser percorrido, exatamente nas pegadas de Jesus, colocando-nos disponíveis e perseverantes, aceitando todos os riscos que a mesma nos implica. E por fim, podemos dizer que a fé também não é comodismo, tranqüilidade, solução mágica para problemas humanos, ou conquistas impossíveis.
É na fé que percebemos a ação de Deus em nossa vida como Pedro, no relato da primeira leitura, que foi liberto de maneira prodigiosa da prisão por um anjo do Senhor.
A primeira  leitura traz uma rica reflexão a partir de um fato histórico, alguém libertou Pedro da prisão, e o fez sob o poder e a proteção divina, quantas vezes estamos em uma situação complicada e aparece alguém que nos ajuda. Um anjo andou á frente do povo de Deus conduzindo-o para longe da escravidão do Egito, esse anjo enviado por Deus era Moisés e Deus agiu na escuridão da noite mostrando-nos que quando por causa da nossa fragilidade, não conseguimos enxergar o que vem pela frente, o próprio Deus toma á nossa frente, conduzindo-nos à libertação.
A verdadeira fé nos leva a esse reconhecimento "agora sei que Deus enviou-me o seu anjo que me libertou dos meus inimigos", também Paulo, no final da sua jornada reconhece que o Senhor nunca o abandonou, mas esteve ao seu lado em todos os momentos, mesmo nos mais difíceis. A fidelidade da fé nos dá sempre essa certeza, de que o Senhor caminha conosco, vem daí a afirmação de Jesus de que "as portas do inferno não prevalecerão sobre a igreja".
diácono José da Cruz



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