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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

18 DOMINGO DO TEMPO COMUM



18 DOMINGO DO TEMPO COMUM

05 de Agosto – Ano B

Evangelho – Jo 6,24-35


·         A multidão esperava Jesus, com a esperança de matar a fome física. Porém, quando Jesus anunciou um alimento que nos faz viver eternamente, o povo ficou bem animado, e com certeza, aquela gente estava pensando em viver eternamente esta vida terrena, pois não havia entendido direito o que Jesus havia explicado, pois Jesus se referiu à vida eterna.  



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“ EU SOU O PÃO DA VIDA.” – Olivia Coutinho

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM.

Dia 05 de Agosto de 2018

Evangelho de Jo6,24-35
Estamos no início do mês de agosto, o mês vocacional,  tempo que nos convida à  conscientizarmos sobre a  importância de assumirmos o nosso compromisso como Igreja na sociedade.
Temos uma missão a cumprir e esta missão, parte do nosso compromisso primeiro: o compromisso com a vida!
Descobrimos o verdadeiro sentido do nosso existir, quando abraçamos a nossa vocação!
Vocação, é um caminho de felicidade e de santidade, é chamado e resposta, é uma semente divina, ligada a um “sim” humano!
A nossa vida em plenitude, não vem pronta de cima, ela é construída aqui na terra, na vivencia do amor, que podemos  traduzir em partilha da vida.
Uma vida partilhada se converge em mais vida para outros, aí está, a importância de viver a nossa vocação, fazendo  da nossa vida, uma oferta de amor, aproveitando as nossas aptidões para trabalharmos na construção do Reino.
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, fala-nos,  que a mesma multidão que fora saciada no episódio da multiplicação dos pães, vai atrás de Jesus, em busca de mais pão.
“Vocês estão me procurando não porque viram os sinais, mas porque comeram dos pães e ficaram satisfeitos”.
Antes da multiplicação dos pães, esta mesma multidão, buscava Jesus, porque gostava de ouvi-lo, mas depois deste episódio, o interesse mudou, a  maior parte deste  povo, passou a procurá-lo, com o interesse de conseguir o alimento de forma fácil.
Com a multiplicação dos pães, Jesus não  quis  somente matar a fome daquela  multidão, como quis  também, despertar no povo, o espírito  da partilha, a buscarem o  Pão da vida eterna, que era Ele!
 O ensinamento passado por Jesus na multiplicação dos pães, não fora absorvido,  a multidão estava tão voltada para o pão material, que não fora capaz de entender a profundidade daquele sinal, um sinal, que apontava para algo bem maior do que o pão material: o Pão da vida que é Jesus!
A partir daquele episódio, Jesus  passou a ser visto como um milagreiro, alguém que matava a fome do povo num passe de mágica, o que não condiz com a verdade do evangelho. Deus, não enviou seu Filho ao mundo, com a finalidade de resolver as questões humanas, e nem para realizar milagres, Jesus veio ao mundo para nos ensinar a viver, para nos mostrar com a sua vida, o caminho que nos leva ao Pai.  Um caminho que perpassa pela a partilha da vida, pela vivencia do amor! Os milagres que Jesus realizava, ora, era, por compaixão, ora, para servir de sinal de que Ele era o enviado de Deus! As questões  humanos, são de responsabilidade humana, o que Jesus faz, é  apontar caminho, como apontou na multiplicação dos pães. O alimento que saciou a fome da multidão, não caiu do céu, foi fruto da partilha, simbolizado no gesto de um menino, que doou o que tinha: 5 pães e dois peixes.
Preocupamos muito com o pão material, queremos ter sempre a garantia de que ele nunca irá nos faltar, mas muitos de nós deixamos de buscar o principal, o Pão que não perece, o Pão da vida que é Jesus!
Como aquela multidão, que procura Jesus, em busca de mais pão, nós também, muitas vezes, procuramos Jesus somente para pedir, mas nunca nos colocamos prontos para servir.
A vida iniciada aqui na terra, quando alimentada do Pão da vida que é Jesus, não será interrompida com a morte física. É o próprio Jesus que nos faz esta promessa, ao nos indicar o caminho da eternidade: “Eu sou o pão vivo, descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente.” (Jo6,51) 
Jesus é o pão para vida de todos, Ele é amor que se doa, busquemo-lo, não pensando em ter uma vida fácil, mas em trazê-lo para dentro de nós, no sentido de fazer da nossa vida, uma oferta de amor aos irmãos.  
O nosso alimento material, não cai do céu, temos que batalhar por ele. E para que este alimento, que é fruto do  trabalho humano, não falte para ninguém, é preciso que haja partilha. Quem se alimenta do pão da vida, nunca vai deixar faltar  pão na mesa do seu irmão.
Trabalhar pelo o Pão que não perece, é pautar a vida no exemplo de Jesus! É configurar nossa vida, na vida Dele, fazendo o mesmo que Ele fazia.
FIQUE NA PAZ DE JESUS  - Olivia Coutinho
Venha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook:https://www.facebook.com/groups/552336931551388/ 



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Os melhores dons de Deus
Deus não se limita a dizer que ama. Ele que nos deu a vida continua a acompanhar-nos em todos os momentos do nosso caminho humano. Já foi assim com o povo de Israel. Depois de ter escolhido Abraão, depois de ter acompanhado Isaac e Jacob, continuou presente ao povo libertando-o do Egito. Nas dificuldades do deserto deu-lhe o maná como alimento (1ª leitura). A expressão máxima do amor de Deus para com a humanidade, esteve em dar-lhe o seu próprio Filho. “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigênito” (Jo 3,16). Vindo à história humana por um ato de amor do Pai, Jesus ama todos os que o rodeiam até ao mínimo pormenor. Não é por isso de estranhar que perante uma multidão que o seguia, Ele quisesse dar-lhes o pão. Uma vez saciadas, porém, as multidões continuaram a pedir-lhe pão. É então que Jesus com toda a clareza lhes diz: “não vos dou mais pão” (cf. Jo 6,59). Promete, porém, um pão diferente, o Pão Vivo descido do céu, bem diferente do maná. Este pão novo é o que dá a vida (Evangelho). A fechar a liturgia deste domingo, a Igreja oferece-nos um lindíssimo texto de Efésios em que o cristão é convidado a viver, não como os pagãos que não têm esperança, mas como “homens novos” que recebem de Cristo um sentido novo para a própria vida (2ª leitura).
1. O maná no deserto
O Povo de Israel sempre se revelou um povo rebelde. À menor contrariedade interpelava Moisés e revoltava-se contra Deus. O caminho do deserto não era feito de facilidades. O Povo sentiu a fome e a sede da mesma maneira que sentiu a perseguição dos povos nômades e o perigo das serpentes. No meio das dificuldades, os hebreus revoltam-se contra Deus e dizem mesmo ter saudades das “cebolas do Egito”. Deus longe de castigar o povo, vai ao encontro das suas dificuldades, dá-lhe as codornizes, carne para o seu sustento, e o maná como pão descido do céu. No meio das dificuldades, também agora, Deus está sempre com aqueles que n’Ele creem.
2. Eu sou o Pão da Vida
O capítulo 6 de são João faz a promessa da eucaristia. Se os peregrinos do deserto foram alimentados com o maná, os cristãos serão alimentados com o Novo Pão descido do céu. Jesus poderá dizer “o Meu Corpo é verdadeira comida”. A partir desta promessa os cristãos sabem que podem alimentar-se do Corpo de Cristo. E têm uma garantia se o Povo hebreu comeu do maná e morreu, quem comer do Corpo do Senhor viverá eternamente. A Eucaristia, isto é, o Corpo e Sangue de Jesus está no centro de toda a espiritualidade cristã. É um alimento que dá uma vida nova. Com razão, Jesus pode dizer “Eu Sou o Pão da Vida; quem comer deste Pão viverá eternamente” (Jo 6,51).
3. O homem novo
Alimentados com o Corpo e o Sangue de Jesus, os cristãos são convidados a serem homens novos. Não podem viver como os pagãos, mergulhados na futilidade dos seus pensamentos, têm de renovar-se no Espírito e na verdade. O homem novo sê-lo-á na justiça e na santidade verdadeira. A justiça permite-lhe uma relação nova com todos os outros, a santidade garante-lhe “a plena e perfeita comunhão com Cristo” (LG 50).
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”



Neste domingo a Palavra de Deus descreve um povo preocupado unicamente pelo pão material. Vive reclamando, porque só o “pão material” (a busca de bens materiais) é incapaz de dar sentido à vida (1ª leitura). Neste contexto, Paulo introduz um elemento concreto para a vida pessoal, convidando a abandonar a mentalidade do “homem velho” e revestir-se de Cristo como pessoas novas (2ª leitura). Para completar o quadro, veremos como Jesus, diante daquele povo que o buscava apenas por causa do pão que havia multiplicado, aproveita para mostrar que existe outro “Pão da Vida” (evangelho); bem mais necessário para nós porque, além de matéria, somos espírito a ser alimentado para alcançar um modo de vida na qual nos sintamos plenamente realizados.
1ª LEITURA: Êxodo 16,2-4.12-15
O texto apresenta o povo de Israel caminhando pelo deserto rumo à Terra Prometida, mas reclamando da falta comida. Quando eram escravos tinham o que comer; agora, livres, passam fome. Diante disto, questionam se a liberdade valeu a pena. Não sabem o que é melhor: viver sem liberdade com a comida garantida ou ser livres tendo que procurar sua subsistência. É o eterno dilema do ser humano: alguns preferem vender a liberdade “por um pedaço de pão” em lugar de aprender a “caçar codornizes” e descobrir como ganhar o pão no deserto da vida.
Diante desta reclamação, Deus se mostra compreensivo com seu povo e, num gesto de compaixão, aceita tomar uma atitude paternalista (“assim ficarão sabendo que eu sou Javé seu Deus”) para que não venha a desistir de seu projeto de vida.
Para evitar o protecionismo, porém, exige deles uma atitude de sobriedade e confiança, determinando que cada um colha apenas o que vai consumir no dia e se promova uma distribuição igualitária do alimento de forma que todos tenham o mesmo direito ao Maná e (sem faltar nem sobrar para ninguém) se evite a acumulação, que é a raiz da desigualdade social.
Aí está algo muito importante para nós se quisermos construir uma sociedade verdadeiramente humana, justa e fraterna!
2ª leitura: Efésios 4,17.20-24
Nesta segunda leitura, Paulo pede aos cristãos de Éfeso que se deixem renovar pelo Espírito Santo numa “transformação espiritual da inteligência” e passem a viver e agir de um modo digno de quem tem fé em Cristo. Trata-se de não mais viver “como os pagãos, cuja mente é vazia”, e de abandonar o estilo de vida anterior à conversão para, daí por diante, caminhar pelo novo caminho da vida cristã, guiados e fundamentados no verdadeiro conhecimento de Cristo.
Paulo compara esta nova vida ao nascimento do “homem novo”, “criado segundo Deus na justiça e na santidade que vem da verdade” em contraposição ao “homem velho, que se corrompe com paixões enganadoras”. Escolher este novo modo de vida é escolher a novidade do Evangelho e escolher o próprio Cristo. Romper com o homem velho é estar dispostos a uma continua renovação no Espírito, a viver na justiça e na santidade, a ser justos e retos no agir.
Com estas palavras, Paulo quer mostrar a ruptura que deve acontecer entre o “antes” da conversão e seus velhos costumes e o “agora”, depois do encontro com Cristo. É a nova identidade a ser assumida depois do Batismo, agora revestidos com do “homem novo” para experimentar a vida em plenitude e comunhão que Deus quer para todos nós.
Evangelho: João 6,24-35
A multidão procura Jesus, desejando continuar numa situação de abundância e governada por um líder político que decida e providencie tudo sem exigir esforço.
Jesus mostra que o pão material, embora necessário, não é o mais importante na vida (“não trabalhem pelo alimento que se estraga; trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna”). Existe algo bem mais profundo pelo qual vale a pena viver, embora exija empenho absoluto do ser humano. É a adesão pessoal a Cristo para que esta vida se torne plena e definitiva.
Neste texto do Evangelho percebemos claramente o modo admirável de Jesus fazer catequese. Aproveita o impacto produzido pela multiplicação dos pães e até mesmo o interesse mesquinho do povo pelo pão de cada dia para convidá-lo a ir além do “alimento que se estraga” para descobrir o “alimento que dura para a vida eterna”. Ele lhes promete este alimento e assim os conduz para outra dimensão, isto é, para “a obra de Deus” que consiste em aderir a Ele pela fé e agir seguindo seu ensinamento.
Não é uma fé cega o que Ele quer. Por isso aceita ser questionado (“Que sinal realizas para que possamos ver e acreditar em ti?”) e é respondendo a esta pergunta que Jesus dá mais um passo, comparando-se com o Maná (“o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”) para provocar a mente do povo.
Sem ainda mostrar o verdadeiro motivo que o levou a multiplicar os pães, os ajuda a descobrir o alimento “que dura para a vida eterna” e desejá-lo abertamente com uma súplica («Senhor, dá-nos sempre desse pão»). E é só neste momento, depois deles terem superado o imediatismo do pão material, que conseguiram entender o que estava querendo lhes dizer. Então pedem abertamente o alimento espiritual para o sustento da alma. A resposta de Jesus (“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede”) mostra que é preciso dar um sentido à vida, com algo que garanta a estabilidade existencial e alimente a vida interior. Isto acontece com aquele que se alimenta do “verdadeiro pão que vem do céu”, isto é, da união com Cristo.
Alguém viu uma catequese mais completa? Alguém conhece uma pedagogia mais moderna? Este é Jesus, o Mestre! Ninguém como Ele sabe ensinar! Ninguém como Ele sabe respeitar a inteligência humana no processo de descobrimento de uma fé adulta, não imposta por ninguém, mas fruto de uma descoberta realizada passo a passo pelo ser humano... Realmente, temos muito que aprender!
Palavra de Deus na vida
Depois da multiplicação dos pães, Jesus fugiu porque queriam fazê-lo rei. Quando, por fim, o encontraram, Ele lhes mostra que, além do alimento material que pode estar ao alcance de todos através da partilha, é preciso procurar o “alimento que dura para a vida eterna”. Buscar o sentido da vida no “pão material” não satisfaz aquela outra fome muito mais intensa do coração humano, que é a fome de Vida, de Luz, de Verdade. Principalmente, a fome mais profunda: a fome de Amor, que inclui a fome de compaixão, de compreensão, de reconhecimento dos valores, de companhia, de afeto, de ternura, de realização pessoal..., mas que, bem lá no fundo, não é outra coisa que fome do infinito, fome de Deus “porque Deus é amor” (ver 1 João 4,8). Bem do jeito que expressa Sto. Agostinho na famosa frase: “Fizeste-nos, Senhor, para Vós e o nosso coração está inquieto em quanto não descansar em Vós”.
Diariamente somos bombardeados por um tipo de propaganda que pretende alimentar-nos com bens materiais como se eles pudessem dar o sentido último às nossas vidas. É claro que o Evangelho não coíbe a posse dos bens materiais, mas deixa bem claro que viver só para ganhar dinheiro e possuir muitos bens é bem pouco; a vida é mais do que isso. A realização do ser humano está muito alem das “panelas de carne”, das quais lembravam os judeus no deserto (como lemos na 1ª leitura).
A proposta do Senhor é muito clara: os bens materiais servem para nosso uso, mas são incapazes de dar sentido à vida. Este é o motivo pelo qual Jesus se faz alimento: porque só Ele, sua Palavra e seu Espírito (presentes no “Pão da Vida”) são capazes de dar sentido à nossa existência.
Hoje entendemos que esse “alimento que dura para a vida eterna” é a Eucaristia, que é o Senhor Jesus Cristo, entregue para a vida do mundo, o único que pode saciar nossa fome de infinito se nós, como aquele povo, formos capazes de abrir o coração e pedir: «Senhor, dá-nos sempre desse pão».
É preciso acreditar em Jesus, presente na Eucaristia, e recebê-lo com a certeza de que pode saciar a fome de nossa alma, indo a Ele com confiança para ouvir a palavra consoladora no íntimo de nós: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede”. Nesta união, a fome e sede do infinito ficarão saciadas.
padre Ciriaco Madrigal



"O Pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo"
Domingo do verdadeiro pão do céu. O 17º domingo do tempo comum inaugurou a série de celebrações em que aparecem trechos do Evangelho de João, na liturgia da Palavra. O cenário bíblico-litúrgico muda completamente. Abandona-se a perspectiva de Marcos que retornará no a partir do 22º Domingo e se adentra pelo caminho simbólico proposto pelo Evangelho de João, onde tem lugar a dinâmica do discurso de Jesus, com suas ricas conversas com os discípulos. Serão quatro domingos que em que se distribuirão partes do capítulo 6 do Evangelho de João. Na verdade, seriam cinco, mas a celebração da Assunção de Maria ocupa, no Brasil, o lugar do 20º Domingo. De todos os modos, há que se pensar a celebração no contexto de cinco semanas entre o 17º e o 21º domingo.
Sabemos que povo que não tem memória, não é povo. Para nós cristãos, a memória semanal da Páscoa de Jesus, ligada aos fatos concretos da vida, é fundamental na perseverança da fé.
Na celebração eucarística de hoje, somos convidados a dar um salto de qualidade na nossa fé. Ao invés de esperarmos o pão caído do céu, precisamos nos abrir para receber o verdadeiro Pão, que é Jesus.
Cada domingo é uma festa da Ressurreição do Senhor.  Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta no seu encontro com a multidão faminta, e em todas as lutas pela vida em abundancia.
Primeira leitura - Êxodo 16,2-4.12-15
O livro do Êxodo dividi-se em três partes: a libertação ou o Êxodo do Egito (1,1-15,21; Israel no Deserto (15,22-18,27); Israel junto ao monte Sinai: a Aliança e a Lei (19,1-40,38).
Na leitura de hoje contemplamos Deus que sacia o povo com o maná, no deserto. O caminho de Israel pelo deserto é ambíguo. O povo é duro de cabeça e de coração e murmura contra Deus. No entanto, Deus é generoso e atende ao murmúrio do povo com "o pão que desce do céu, como diz poeticamente o Salmo 77/78 (Salmo responsorial). Na realidade, o maná é um produto natural (resina de tamareira), mas, no contexto do Êxodo, era um sinal da incansável providencia de Deus (Êxodo 16,2-4; cf. Êxodo 5,20-21; 14,11-12; 15,24; 17,2-3; Números 11,4-9; Deuteronômio 8,3.16; Salmo 147,16-17[146,5-6]; Eclesiástico 43,21[19].
O maná é uma solução inesperada, a ponto de fazer surgir entre os israelitas a pergunta que ficará impressa para sempre no seu nome: "Man hû': que é isto?" (versículo 15). O maná não é só alimento para sustentar o corpo, mas traz também consigo um forte valor simbólico. Mostra que a liberdade plena é possível porque Aquele que nos chama à liberdade está perto de nós, para nos ajudar a consegui-la. Esse sinal aponta, porém, para outra realidade bem mais importante: a Palavra de Deus. É ela que alimenta o povo, fortalece a esperança, esclarece a mente e anima o coração do caminheiro. O livro do Deuteronômio vê assim o significado do sinal do maná: mais do que "encher a barriga", Deus queria "educar" o seu povo para acolher e acreditar na sua Palavra. "O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Deuteronômio 8,2-5).
O fundo religioso do relato refere-se à certeza adquirida pelo povo de uma intervenção particular de Deus. Os hebreus passam por uma crise bastante forte de desânimo e colocam em questão a própria libertação (vs. 2-3), quando um fenômeno natural excepcional se produz (v. 4). Os hebreus vêem nessa coincidência entre seu desânimo e a aparição do maná, um sinal da presença divina, destinado a dar-lhes segurança.
Comer o maná significa, portanto, acreditar na Palavra de Deus e, também, aceitar o projeto de vida traçado pelo Senhor nos Mandamentos. Estes, depois, indicam que a própria liberdade se consegue somente lutando pela liberdade dos outros. Em última análise, o maná simboliza os ideais de justiça e de solidariedade que emergem da Aliança. Por isso, comer o "pão" que vem "do céu" comporta um forte empenho no serviço a todo o povo.
Salmo responsorial 77/78,3-4.23-25.54
É uma exposição sapiencial sobre a história de Israel. É um salmo histórico, pois conta parte da história do povo de Deus. Para o povo da Bíblia, contar a história é mostrar a sucessão de gerações, sem perder a memória histórica. Povo se memória é povo sem história, sem raízes e sem identidade.
Um acontecimento do passado pode exercer a sua influência sobre os nossos dias. Recordando (vs. 3-4) a dádiva do "maná" (vs. 23-25), os israelitas de todas as gerações são estimulados a acreditar no Senhor e a observar os seus Mandamentos. Só assim podem confiar n'Ele e rezar para os assista nas dificuldades que encontram
Os vs. 3-4 é um ensinamento tradicional, passado de pais para filhos: seu tema principal são as grandes ações históricas de Deus. A "tradição" é história e memória. Os versículos 23-25 coloca em destaque a providencia de Deus em favor do seu povo. Concede ao seu povo um alimento mais maravilhoso que a bebida: o maná e as codornizes.
A história da salvação continua até à ocupação da terra prometida: é terra "santa", propriedade de Deus, e Ele a entrega como herança, para que as gerações futuras a herdem (vs. 54-55).
O rosto de Deus neste Salmo é de libertador, aliado fiel que não falha. Tem compaixão das fraquezas do parceiro, cumprindo sua parte e perdoando as cabeças do povo aliado. Os erros do povo não O fazem perder a paciência nem a confiança. Pelo contrário, quer que aprendemos com os nossos erros e os erros dos outros. No fundo, é o Deus que se sente feliz quando o ser humano é feliz.
Desde pequeno, Jesus aprendeu a história do seu povo. Os evangelhos O apresentam como o Deus-conosco (Mateus 1,23; 28,20), encarnado em nossa história (João 1,14). Ele também tem antepassados que acertaram e erraram. Basta estudar suas genealogias (Mateus 1,1-17 e Lucas 3,23-38). Encarnou-se a ponto de seus conterrâneos duvidarem Dele (Marcos 6,1-6). Ensinou a tirar lições das tragédias e fatos desagradáveis (Lucas 13,1-5).
Cantando este Salmo na celebração deste Domingo, bendigamos ao Senhor pelo maná no deserto e pela fecundidade da terra que nos dá, a cada dia, o sustento de nossa vida.
Segunda leitura - Efésios 4,17.20-24
Os primeiros versículos trazem presente os grandes temas da evangelização: "aprender, ensinar, ouvir" (v. 21) supõe a pregação apostólica; a "maneira dos pagãos" (v. 17) traz presente a conversão que esta evangelização acarretou.
O núcleo desta pregação e o motivo desta conversão são Jesus-Verdade (vs. 20-21). Este tema da verdade ocupa um lugar um lugar importante nessa temática (vs. 15, 21, 24, 25, 5, 9; 6, 14) e remonta provavelmente à primeira catequese batismal ao querigma apostólico (cf. Tiago 1,18; Efésios 1,23).
Para Paulo, essa verdade é a revelação de Deus em Cristo (2 Coríntios 4,2) e, muito especialmente, a revelação do "mistério" (Romanos 16,25); Colossenses 1,26), a saber, o acesso de todas as pessoas à salvação.
Revestir-se com Jesus Cristo, o homem novo. Cristo é o homem novo; nele se plenifica a palavra de Gênesis 1,27: o homem é criado à imagem de Deus (Efésios 4,24). Devemos despir-nos do homem velho, inautêntico, e revestir-nos com o novo, que vive para sempre a verdade e a santidade (Efésios 4,17 cf. Romanos 1,21-4,22-24 cf. Colossenses 2,6-7; 3,9-10; Gálatas 6,8; Efésios 2,15; Gálatas 3,27; Romanos 13,14).
A fé cristã consiste substancialmente num encontro, ou seja, na descoberta d'Aquele que tomou opções radicais e as levou a termo à custa do próprio sangue. É precisamente neste ato de relacionar-se com Jesus, em procurar compreender cada vez mais em profundidade quem Ele foi e que sentido Ele deu à Sua vida, que o cristão, aos poucos, vai mudando o seu modo de pensar e de julgar a realidade em que vive. Desta experiência sai depois um novo modo de comportar-se com os outros, expressão visível de opções pessoais, diversas vezes em contraste com o modo comum de pensar. Nasce assim um homem novo, que absorve em si a justiça e a santidade de Deus.

Evangelho - João 6,24-35
No Evangelho que lemos hoje em nossa celebração, Cristo acaba de realizar a multiplicação dos pães (João 6,1-15). Dessa ação de Jesus, a multidão ficou maravilhada e interpretou como fosse um sucesso de Jesus, como Messias político.
O discurso do pão da vida parte destes dois fatos. As multidões comeram um alimento perecível, mas existe um outro alimento que permanece para a vida eterna (vs. 26-17); as multidões procuram um fazedor de milagres, mas a personalidade de Jesus é de outra ordem (vs. 26-27), e não são as obras realizadas até então pelo povo que poderão merecer a salvação: a única obra que vale é a de seguir Jesus Cristo (vs. 28-29).
As multidões ficaram decepcionadas com a argumentação de Jesus e querem rebaixar as pretensões de Jesus: Ele afirma que os antigos viram melhor (vs. 30-31). Portanto, se Jesus quer revelar o mistério de sua pessoa, o povo exige um sinal mais visível. Jesus responde afirmando que é o pão da vida (vs. 32-35).
Esses versículos colocam a questão da pessoa de Jesus e da capacidade, para a fé, de captar seu mistério por trás dos sinais que o expressam. Os versículos sobre o pão da vida nos convidam claramente a colocar-nos em estado de busca verdadeira para sermos capazes de captar o alcance do discurso que se segue.
Os sinais e as obras realizadas por Jesus não são apenas meios para legitimar sua reivindicação ou justificar sua missão. O problema não é o de se mostrar mais forte do que Moisés, mas fazer compreender que o maná do deserto, assim como o pão multiplicado por Jesus, engajam, um e outro, o amor oferecido ao mundo pelo Pai. Ultrapassando o significado material (v. 32), Jesus estava realmente na linha do Primeiro Testamento, que muitas vezes procurou ver por trás deste alimento a Palavra de Deus vivificante (Deuteronômio 8,2-3; Sabedoria 16,26). Por este procedimento, Jesus faz compreender que Ele também, multiplicando os pães, ultrapassa a vida material e física, ao mesmo tempo por sua mensagem e pelo mistério de sua pessoa (v. 35). Mas o povo que estava ao redor de Cristo não consegue sair do plano material (v. 34).
No momento em que revela sua própria pessoa, Cristo emprega uma fórmula nova: pão da vida, que não era conhecida pelo Primeiro Testamento. Portanto, no conceito de pão da vida, há uma tonalidade do Paraíso, isto é, da eternidade: Jesus é a verdadeira vida de imortalidade, à qual a pessoa humana tem em vista desde o início e que lhe torna finalmente acessível, pela fé.
O interessante é que João coloca o mistério eucarístico em relação com a Encarnação (v. 35) quando afirma que o verdadeiro pão é o Filho de Deus descido do céu, e saciamos nossa fome vindo a Ele.
Todo aquele que acredita em Cristo e em sua Palavra já se alimenta de Cristo. Mas a dimensão pascal deste pão pode ser eliminada. O tema do maná pode ser sugerido a Cristo pela proximidade da festa da Páscoa (João 6,4) e as homilias feitas nas sinagogas, com a aproximação dessa festa (cf. João 6,59). A palavra "dar", que volta três vezes na passagem de hoje, já anuncia o dom do Calvário e revela que só haverá verdadeiro pão quando a obra salvadora do Filho tiver sido perfeitamente realizada. Não podemos comer o pão da vida apenas com a fé; um pão concreto é necessário, que exigirá uma refeição real e nos ligará assim ao mistério da cruz.
O Evangelho de hoje continua o de domingo passado, que apresentou o sinal da multiplicação dos pães. Por ficar apenas na superficialidade do sinal, com os olhos como que ofuscados pelo aspecto milagroso, o povo quer coroar Jesus como rei. Ele seria um governante extraordinário! Ninguém precisaria por a mão no arado, semear nem trabalhar.  Todos teriam comida na boca na hora que precisassem. Isso, para Jesus é não ver o sinal. O que aquela gente viu foi só a barriga cheia. Jesus, porém, não cai na armadilha. Ele foge. Do outro lado do mar Ele começa seu grande discurso sobre o pão da vida. Na primeira parte do discurso, Jesus quer que superemos uma visão puramente materialista sobre sua missão e atinjamos um nível mais avançado e profundo, o da fé. Ele se apresenta como alimento que perdura para sempre. Sua própria vida ("carne") é o pão oferecido a quem tem fome de Deus tanto quanto do alimento material. É isso que o sinal do pão multiplicado significa. Ele aponta para a própria pessoa de Jesus e sua mensagem. Retomando a interpretação do Deuteronômio sobre o maná, Jesus que todos descubram que Ele é a própria Palavra de Deus feito carne, isto é, feito vida humana pelo mistério da Encarnação, e por isso é o verdadeiro pão do céu, dado por Deus, para alimentar a nossa caminhada. Quem acolhe Jesus assim está "vendo os sinais".
Da Palavra celebrada ao cotidiano da vida
O Evangelho de hoje é o início do "sermão do Pão da Vida", com o qual o evangelista João dá continuidade ao "sinal" da multiplicação dos pães narrado Domingo passado. Nos próximos domingos, o tema continua.
A liturgia da Palavra de hoje nos permite, mais uma vez, pensar na questão do imediatismo, presente em muitas iniciativas tanto das Igrejas quanto em outras instituições. Queremos resultados imediatos, conseguidos de preferência pelas vias mais fáceis e cômodas. Andamos à procura de milagres e prodígios. O maravilhoso nos atrai e os pequenos sinais de Deus passam despercebidos, porque nada têm de espetacular (cf. Mateus 25,31-46). Num primeiro momento, nada significam. Com o tempo vão se mostrando eficazes e duradouros. Só depois descobrimos que o dedo de Deus agia dentro de nós e de nossas ações!
Hoje aprendemos a "ver sinais", isto é, a penetrar fundo no sentido dos fatos, indo às entranhas dos acontecimentos. Ai, na profundidade e não na superfície, vemos a presença de Deus e fica claro para nós para onde Ele quer nos levar. O cristão vai amadurecendo na fé quando não se contenta com a superficialidade, com o senso comum, mas vai a fundo, investiga e se esclarece. Hoje as pessoas estão muito na superficialidade, não querem mais se reunirem, aprofundar, investigar, ler, só ficam na superficialidade da internet conectados com o mundo, mas longe de todos. Nos programas de combate à fome, por exemplo, legítimos e necessários, não podemos achar que basta dar um prato de comida aos nossos irmãos famintos. Por mais que esse trabalho sensibilize e mobilize a sociedade, apenas dar o pão não bastará para se chegar ao cerne daquilo que Deus quer para seus filhos e filhas: a Vida.
Jesus multiplica-se doando. Mais do que dar comida para o povo, Jesus se dá. Nele se realiza o dom de Deus que não acaba. O maná se estragava com o tempo. Jesus é o alimento para a vida eterna, Ele se multiplica doando-se, desde quando deixou sua casa, quando fez de seus discípulos sua família, quando se fez solidário com os excluídos e, principalmente, quando assumiu a própria morte como sinal de sua entrega pela redenção dos pecadores. E nós nos damos a Jesus quando seguimos seus passos, identificando-nos sempre mais com o Evangelho e suas exigências para crescer com Ele e sermos capazes de ir ao Calvário em sua companhia.
Muitos gestos de colaboração e campanhas de solidariedade que vemos surgir por aí nada mais são que meros "desencargos de consciência", quando não são simples "jogadas de marketing" para ser notados e fazer sucesso. Muita gente só dá aquilo que lhe sobra, e muitos donativos que se arrecadam são objetos que poderiam ir para o lixo. Essas doações, muitas vezes, são vazias de personalidade e de real humanismo, porque quem os dá não se doa neles. Nossa participação efetiva na Igreja não acontece apenas quando contribuímos financeiramente para as obras de nossa comunidade. É preciso ir além. Bem participamos quando nos doamos por inteiro, quando somos capazes de nos gastar em benefício dos outros.
Na celebração, repartindo o pão em memória da entrega de Jesus, acolhemos o amor de Deus que se manifesta em todo gesto de partilha e de solidariedade. Que Ele nos renove e nos consagre totalmente na escola do seu serviço.
A Palavra se faz celebração
A celebração deste Domingo se abre com um versículo tirado do Salmo 69, no qual se canta: "Meus Deus, vem libertar-me, não demores, Senhor, em socorrer! Só tu és meu arrimo, libertador, vem depressa me valer". A comunidade entra em diálogo como Senhor, por meio de Jesus Cristo, manifestando sua dependência do auxílio divino. Anuncia sua sede da presença de Deus e a fome por seus cuidados. No percurso da celebração, vai-se constituindo a narração e o discurso do próprio Senhor, como Palavra que nutre e comunica vitalidade; Pão que sacia e conserva a vida enquanto o povo faz sua travessia neste mundo. O próprio versículo da aclamação ao Evangelho aponta para esta direção: "O homem não vive somente de pão, mas vive de toda Palavra que sai da boca de Deus e não só de pão". Mas é a oração do Dia que traz, em seu núcleo, a súplica que conduz à experiência do povo de Deus a caminho: "Manifestai, ó Deus vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação, e conservando-a renovada". Esta oração chama a Deus de "guia", aquele que vai à frente e conduz os seus, desde o interior da vida de seu povo, misturando-se com eles. Ganha grande sentido a saudação: "O Senhor esteja convosco", e sua resposta, em português: "Ele está no meio de nós". O texto original dessa oração do Dia suplica a Deus "derrame", "faça chover" vida sobre o seu povo, de modo que ele experimente o restaurar de suas forças para continuar a jornada. Uma bonita referência à primeira leitura e ao próprio Evangelho, pois o alimento que Deus oferece ao povo "vem do céu".
Ligando a palavra com a ação eucarística
Necessitados de força, de coragem, de sentido para a vida e de perseverança, participamos da ceia do Senhor onde se realiza entre nós a multiplicação dos pães e se revela como o pão verdadeiro que desceu do céu.
Jesus, o Pão da vida, sacia nossa fome com a Palavra que nos revela o sentido da vida e com a ceia eucarística, sacramento da salvação, sinal e antecipação do banquete sem fim a que somos destinados.
Ele nos convida a abrir nossas mãos e nosso coração "que para tudo guardar se fecham" para gestos de partilha e solidariedade, a fim de vencermos nossas dificuldades, a fome e a miséria do mundo.
A eucaristia é o pão que sacia a necessidade que temos de alimento para conservar a vida, ter coragem perseverança e segurança; o pão que nos dá forças para superar as atribulações que existem e atormentam nossa vida. É a segurança de que Deus nos ama, e a certeza da Ressurreição; é Deus-conosco.
padre Benedito Mazeti




"Jesus, o pão verdadeiro"
Havia na minha rua um cão bravio que ficava o dia inteiro se desgastando, perseguindo os carros que passavam certo dia, quando era perseguido por ele, latindo furiosamente ao lado do meu carro, resolvi parar no meio fio, o cão tomou um susto, cheirou um pneu e com o rabo entre as pernas voltou para o seu canto.
Há nesta vida pessoas que não tem um objetivo na vida, se desgastam a vida inteira para caminhar e sobreviver, sem conseguirem chegar a lugar algum. Na primeira leitura da liturgia desse domingo, os Israelitas, por não terem entendido a proposta libertadora de Deus, embora fazendo um grande esforço para caminharem pelo deserto, se desgastaram com Moisés, porque para eles a liberdade oferecida pelo Deus da Aliança, valia bem menos que uma panelada de carne e cebola do Egito, “aquilo sim que era vida...” e não morrer de fome e sede em um lugar miserável como o deserto, acomodados na falsa segurança que tinham na vida antiga na terra do Egito, não conseguiam enxergar os novos horizontes que Deus abria além do deserto.
Se uma simples panela de carne com cebola era o suficiente para “chutarem o pau da barraca” no projeto do Deus Libertador, imagine hoje, o quanto o homem não é tentado pelo conhecimento científico e tecnológico, a rebelar-se contra Deus, que os convida a enxergar que esta vida, com tudo de bom que ela oferece, é apenas um caminho, uma estrada que nos levará a verdadeira vida em sua plenitude.
No Evangelho, a multidão também faz um grande esforço para buscar Jesus e seus discípulos, pegam os barcos disponíveis por ali e fazem a travessia até chegar a Cafarnaum, onde ele estava na outra margem do lago. Como hoje há também uma multidão que se esforça, dentro de suas igrejas, a buscarem Jesus. A pergunta é o que essas pessoas buscam? O que elas vêem em Jesus Cristo? As respostas variam muito, há os que buscam a cura de uma enfermidade, outros buscam a prosperidade em troca de um dízimo altíssimo, outros até buscam os sacramentos, mas sem compreender nada sobre eles, não é errado buscar coisas materiais ou pedi-las a Deus, por intercessão de Jesus Cristo, o problema, é quando nada mais enxergamos nele, além disso, cura física, patrimônio, ganhos financeiros um bom emprego com um ótimo salário, a libertação de toda e qualquer angústia que nos traga algum sofrimento físico ou moral.
Entretanto, sabemos muito bem que tudo isso, um belo dia vai ficar para trás: nosso corpo saudável, nossos bens materiais, nossa carreira profissional, tudo isso são coisas perecíveis, mas que, no entanto, muitas vezes estão no centro de nossas atenções, e a vida vai girando sempre em torno daquilo que podemos ter de bom, em todos os aspectos, e a religião entra como a grande aliada do homem, pois se me submeto a uma religião, Deus me recompensa dando-me tudo aquilo que preciso, para viver bem. É exatamente com essa intenção que nos dias de hoje, uma grande multidão lota alguns templos nas grandes metrópoles.
Mas esta reflexão é válida para todos nós cristãos, porque parece que não sabemos bem o que queremos, e nos contentamos apenas com a casca da fruta, colocamos nossa atenção na embalagem do produto, em resumo, nos contentamos com tão pouco, quando Jesus nos oferece um tesouro inestimável, algo novo, inédito e valiosíssimo, mas a multidão não quer arriscar deixar de lado a religião de Moisés, a cuja tradição estavam ligados, “O que faremos para praticar as obras de Deus?” Para eles Moisés era até agora a maior referência, porque garantiu alimento para o povo no deserto, e bastava cumprir a lei que já estava no caminho certo. Não precisava pensar e nem comprometer-se com nada, bastava não fazer nada de errado, e pronto, o resto era com Deus! “Que milagres fazes, para que vejamos e creiamos em ti, que obras realizas?” Em outras palavras, o que vamos ganhar se te seguirmos.
Hoje em dia, com o fenômeno religioso que se apresenta como uma resposta diante dos inúmeros problemas existenciais, a religião mais procurada é aquela que oferece maiores vantagens, não exige muito sacrifício nem comprometimento, é quase que o princípio do melhor custo benefício, investir bem pouco e ganhar muito. Muitas vezes, pensando desse modo acabamos pecando, quando valorizamos mais a quantidade do que a qualidade, vendo nisso um indicativo de crescimento em nossas comunidades.
Crer naquele que o Pai enviou, não significa deixar tudo por conta de Jesus, antes, é tê-lo como nossa referência única e autêntica, despojando-nos do Velho Homem e renovando os sentimentos de nossa alma, revestindo-nos do homem novo, criado a imagem e semelhança de Deus, em verdadeira justiça e santidade. Não é importante o TER mas o SER, é isso que Jesus nos oferece, um novo ser, totalmente livre para tomar decisões e fazer escolhas na vida, a partir de Jesus Cristo, aquele que nos renovou por completo com sua obra redentora.
diácono José da Cruz


1 – "Jesus respondeu-lhes: em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu. O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo". Disseram-Lhe eles: «Senhor, dá-nos sempre desse pão». Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».
Nos domingos anteriores vimos a sensibilidade de Jesus, plena de humanidade, enxertada no quotidiano e na vida de pessoas de carne e osso. Ele é o Bom Pastor que cuida da humanidade inteira, muitas vezes como ovelhas sem pastor. É o Pão da Vida, o Pão de Deus, que não se desgasta, como todo o alimento, mas se multiplica no acolhimento e na partilha. Não é pão ao lado de outros pães, resposta utilitarista como muitas religiões o fazem, como a religião do consumo e do capitalismo selvagem, em que tudo se vende e se compra e se facilita e se digere cada vez mais com pressa, criando dependentes, pessoas angustiadas, ansiosas pela novidade de momento, em caminhos de posse e egoísmo e destruição.
Os que acorrem a Jesus levam motivações diversas, alguns buscam verdade e outros vida, alguns buscam dividendos e outros colam-se ao sucesso e à fama que daí poderá advir, alguns buscam um caminho fácil, e soluções servidas numa bandeja.
Ao encontrá-l’O no outro lado do mar, disseram-Lhe: «Mestre, quando chegaste aqui?». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará. A Ele é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o seu selo».
O Pão que é Cristo Jesus não é desgastável, a curto prazo, não se compra nem se vende, não se negocia ao melhor preço, nem escasseia, dura até à vida eterna, em abundância como a vida humana, em abertura ao Infinito.
2 – A experiência do Povo de Deus que nos conduz a Jesus é feita de muitas buscas e hesitações, de desvios e aproximações a Deus, de descobertas e de desafios. Satisfeitos de uma necessidade logo outra evidenciam. Libertos da escravidão, logo murmuram contra Deus e os chefes que Ele escolheu para os liderar. A vida, no seu rosto mais humano, não é fruto de magia, não é linear, mas multicolor, com altos e baixos, com sinais evidentes da presença e do amor de Deus, mas com a exigência da liberdade, das escolhas a fazer, do trabalho, dos caminhos que cada um, cada família, cada tribo, há de preparar e endireitar até chegar ao CAMINHO que é Deus.
"Toda a comunidade dos filhos de Israel começou a murmurar no deserto contra Moisés e Aarão. Disseram-lhes os filhos de Israel: «Antes tivéssemos morrido às mãos do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados ao pé das panelas de carne e comíamos pão até nos saciarmos. Trouxestes-nos a este deserto, para deixar morrer à fome toda esta multidão». Então o Senhor disse a Moisés: «Vou fazer que chova para vós pão do céu. O povo sairá para apanhar a quantidade necessária para cada dia. Vou assim pô-lo à prova, para ver se segue ou não a minha lei. Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Vai dizer-lhes: ‘Ao cair da noite comereis carne e de manhã saciar-vos-eis de pão. Então reconhecereis que Eu sou o Senhor, vosso Deus’».
Quando eram escravos, aceitavam-se como tal, espécie de máquinas que não pensam, apenas trabalham e comem e descansam conforme lhes é mandado. Livres têm de pensar, de refletir, de procurar comida e alimento, e encontrar um sentido novo para o novo tempo de que dispõem. Têm de conquistar lugar, aprender a ser gente, a tornarem-se solidários na pobreza e na procura e na abundância.
Para qualquer um de nós, a resposta, se imediata, seria de crítica, de recusa e de revolta – como é possível murmurarem contra os libertadores! Ver-se-á a impaciência de Moisés e a sua irritação. Também ele terá que aprender de Deus e com Deus. Para já um pão e um alimento a prazo, em cada manhã e em cada tarde, que também é necessário, mas desde já o alerta para um outro pão, o sentido da nossa existência. A resposta de Deus também aqui é positiva e tornar-se-á plena de graça e salvação em Jesus Cristo, o Pão descido do Céu para ao Céu a todos nos elevar.
3 – Belíssima a ponte que o apóstolo são Paulo nos ajuda a fazer, entre o Povo Eleito e o novo Povo que é a Igreja, Corpo de Cristo, a Quem pertencemos. Ponte entre a ignorância e a revelação, entre a infantilidade da nossa fé e o amadurecimento em Jesus, entre a hesitação do caminho e a LUZ que d’Ele irradia e nos atrai como íman. Não é o mesmo atravessar um corredor completamente às escuras, sem saber onde vai dar ou atravessá-lo às claras, ou com uma luz que nos guia, mostrando-nos a meta onde queremos ir. Como diz a fadista, não adianta correr se não sabemos o caminho. Ou todo o vendo é desfavorável ao barco que anda à deriva (Séneca).
"Não torneis a proceder como os pagãos, que vivem na futilidade dos seus pensamentos. Não foi assim que aprendestes a conhecer a Cristo, se é que d’Ele ouvistes pregar e sobre Ele fostes instruídos, conforme a verdade que está em Jesus. É necessário abandonar a vida de outrora e pôr de parte o homem velho, corrompido por desejos enganadores. Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus na justiça e santidade verdadeiras".
O convite é semelhante nas três leituras. Deus, através de Moisés, liberta o povo da escravidão para viver um tempo novo, não sob o chicote, mas em liberdade, em que cada um terá que contribuir com os seus talentos, para o bem de todos. No Evangelho, Jesus propõe um nova atitude, que parte da fé, que se alimenta na caridade e no compromisso com o nosso semelhante, que que não se contenta com mínimos garantidos mas com a plenitude da vida eterna. São Paulo recorda-nos a nossa identidade, o nosso nascimento e conhecimento em Jesus, sublinhando que agora que sabemos de Cristo e com Ele nos encontramos não podemos fazer de conta e viver da mesma maneira. Vivamos à maneira de Jesus Cristo, verdadeiro alimento para as nossas vidas.
padre Manuel Gonçalves



Jesus, o verdadeiro pão da vida
1ª leitura: Êxodo 16,2-15
O dom do maná ou a Providência divina
1. A primeira leitura é tirada do livro do Êxodo, na qual se descreve que o povo, depois da sua saída do Egito, já no deserto, desesperado, protesta contra Moisés, porque os conduziu a uma liberdade que para eles se transforma numa maior escravidão. Assim são conhecidas como as tentações do deserto, na tradição bíblica e em alguns salmos (v.g. Salmo 94). Moisés como intermediário pede a Deus a sua intervenção e a Ele são comunicadas as decisões. Deus não abandona os seus e envia-lhes as codornizes e o maná, coisas naturais, embora depois se lhes tenha dado um valor significativamente teológico e espiritual. As memórias e as tradições do deserto marcaram a história da "libertação" da escravidão para mostrar claramente que se é bem verdade que passaram muito mal, também nunca Deus os abandonou.
2. Todos sabemos que estas coisas podem ser consideradas acontecimentos naturais, já que um bando de aves que vai a passar pode servir-lhes de alimento. E, da mesma maneira, no deserto, por razões da própria ecologia, do contraste entre as suas altas temperaturas de dia e as baixas temperaturas de noite, certas plantas têm um processo de produção de néctares, com os quais, depois de colhidos e cozinhados, podem fazer-se uns pãezinhos. Os beduínos do deserto sabem-no bem. Mas o importante num relato popular religioso como este é salientar que a Providência de Deus não abandona o seu povo e pede-lhe fidelidade. E é esta a lição constante da vida. Por isso, na tradição bíblica, o maná estará sempre carregado de uma teologia que o Evangelho de João transformará numa das chaves do seu capítulo sobre o pão da vida.
2ª leitura: Epístola aos Efésios 4,17-24
O homem velho versus o homem novo
1. A segunda leitura da carta aos Efésios continua a parte exortativa da epístola aos Efésios - texto do domingo passado. O autor da carta deixa a reflexão de alcance eclesial propriamente dita, para encorajar o sentido pessoal (embora sempre comunitário) da existência cristã. São como as exigências da vida cristã, num conjunto muito mais amplo (4,17-5,20). É, na verdade, uma perfeita exortação ética, mas de base ética cristã. Foram utilizados os critérios literários próprios da época, inclusive, com um estilo retórico bem definido para destacar os contrastes entre a vida cristã e a vida mundana. Isto quer dizer que a ética humana é plenamente assumida no cristianismo primitivo, mas com as conotações que o Espírito de Jesus Cristo grava no coração do cristão, que o faz sentir-se uma pessoa nova. Toda a ética promove uma pessoa nova, mas tal não pode ser conseguido apenas com a força de vontade. O cristão tem de se colocar nas mãos do Espírito de Jesus Cristo.
2. O autor convoca-os, pois, a viverem como pessoas novas, não como os pagãos que não têm a experiência do Espírito pelo qual todos os cristãos estão assinalados. Aqui, como em quase toda a literatura neo-testamentária, é apresentado o contraste entre o homem velho e o homem novo, com uma ênfase particular sobre a banalidade da vida, a vida vazia, sem sentido, e a vida entregue aos poderes deste mundo. Porque devemos reconhecer que os não crentes ou não religiosos não são banais por natureza; pelo contrário, há pessoas que não sendo religiosas ou cristãs têm uma ética invejável e muitas pessoas religiosas, cristãos inclusive, têm mais de pessoas velhas do que de homens novos. Neste aspecto, devemos ter cuidado no momento em que apresentamos estes valores. É verdade que então, com um dualismo exagerado se pensava que "os outros" que estão fora não são dos nossos, não estão no caminho verdadeiro. Mas, apesar de tudo, o fundamental da leitura de hoje é uma exortação para sermos discípulos de Jesus, vivendo o seu Espírito, porque não ter este Espírito significa estarmos sujeitos aos critérios deste mundo onde já sabemos que não há lugar para o amor, o perdão, a misericórdia, a paz e a entrega sem medida.
Evangelho: João 6,24-35
O pão da vida perante a Lei
1. O Evangelho de João conduz-nos pela mão até à cidade de Cafarnaum onde João quer levar-nos, depois da multiplicação dos pães, quando Jesus ouve que o querem fazer rei, para evitar um messianismo político. É, porém, um marco adequado para um grande discurso, uma profunda catequese sobre o pão da vida, na qual confluirão elementos sapienciais e eucarísticos. Este discurso é de tal densidade teológica que precisamos de avançar devagar para podermos apropriar-nos do seu sentido. Jesus não quer que o procurem como um simples fazedor de milagres, como se tivessem sido saciados com um pão que perece. Jesus fazia aquelas coisas extraordinárias como sinais que apontavam para um alimento da vida, de ordem sobrenatural. De fato, na narrativa está dito que Moisés deu aos israelitas pão no deserto e, por essa razão, o consideram importante; essa era a ideia que se tinha. Jesus quer ir mais além e esclarece que não foi Moisés, mas Deus, que é quem cuida da nossa vida.
2. Embora seja necessário o pão que sustenta a nossa vida, há outro pão, outro alimento que se torna eterno para nós. João, por seu lado, quer ir ao cristológico, sob a figura do Filho do homem. Os rabinos consideravam que o maná era o signo da Lei e esta era, portanto, o pão da vida; o evangelista combate este simbolismo enquanto o maná é um alimento que perece (como o faz notar o texto de Ex. 16,20) e, pela mesma razão, nesta oposição entre Jesus e a Lei, torna-se evidente que a lei é um dom que perece para dar lugar a qualquer coisa que permanece para sempre. Jesus é o verdadeiro pão da vida que Deus nos deu para dar sentido à nossa existência. O pão da vida desce do céu, vem de Deus, alimenta uma dimensão germinal da vida que nunca podemos descuidar. A revelação do evangelista em relação a Jesus: "Eu sou" (ego eimi) é para escutarmos Jesus, acreditarmos n'Ele, já que isto, em oposição à Lei, nos concede o sentido da vida eterna.
3. O discurso reflete todo o caráter polêmico da escola ou comunidade joânica. Não estamos perante um discurso estético ou simplesmente literário. Já vimos no domingo anterior que a narrativa da multiplicação dos pães era a "desculpa" do autor ou autores do Evangelho de João para este discurso de hoje o qual levará a uma das crises em redor do próprio Jesus (e segundo a interpretação da escola de João). Estamos, sem dúvida, perante um discurso que é, porém, "sapiencial" para acabar, para todos os efeitos, como "eucarístico", tal como reconhecem os grandes intérpretes (Jo 6,53-58). Diríamos que nesta parte do discurso de Jo 6 está a falar-se do "pão da Verdade" que é a Palavra de Jesus, em oposição à Lei, como fonte de verdade e de vida para os judeus. Antes, portanto, de passar a falar do pão da vida, estamos a ser introduzidos em tudo isto através do signo e da significação do maná, do pão da Verdade. E o pão da Verdade chegou-nos da parte de Deus, por meio de Jesus, que nos revelou a fonte e o mistério de Deus, do mistério da vida.
fray Miguel de Burgos Núñez
tradução de Maria Madalena Carneiro














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