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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 14 de agosto de 2018

-ASSUNÇÃO DE MARIA-Ano B


DOMINGO DA

ASSUNÇÃO DE MARIA


19 de Agosto – Ano B

Evangelho – Lc 1,39-56

 

Neste domingo nós celebramos a solenidade da Assunção de Maria. E esta festa remonte ao destino final da humanidade, ou seja, a eternidade com o Pai.

 

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"BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES... "- Olivia Coutinho
DOMINGO - ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA – SOLENIDADE
Dia 19 de Agosto de 2018
 
Evangelho de Lc1,39-56
 
Neste Domingo, a Igreja se enche de júbilo para celebrar a Assunção de Nossa Senhora! O dogma da Assunção e da Imaculada Conceição de Maria, estão intimamente ligados, ambos proclamam a santidade de Maria.” É importante não confundirmos Assunção com Ascensão. Assunção e Ascensão, são palavras bem parecidas, mas de significados diferente, ascensão, é de Jesus, significa que Ele, sendo o próprio Deus, subiu ao céu, pelo o seu próprio poder, não foi levado. Já, a Assunção, é de Nossa Senhora, é um dos dogmas Mariano mais importante, significa que ela foi levada por Deus ao céu, não subiu por si própria. A festa da Assunção de Nossa Senhora alimenta em nós, a esperança de um dia estarmos, como Ela, na Glória do céu!O evangelho que a liturgia desta solenidade, nos convida a refletir, nos apresenta Maria como modelo de vida cristã.  Nossa vida, se pautada no exemplo desta grande mulher, com certeza, será uma vida frutuosa! Assim que recebera o anuncio, de que ela seria a mãe de Jesus, Maria ficou sabendo da gravidez de Isabel. Movida pelo o amor ao próximo, ela não pensa em si, pensa em Isabel que era uma mulher de idade avançada e que certamente precisaria de maiores cuidados na sua gravidez devido a fragilidade dos seus muitos anos! Sem hesitar, ela,  que se fez serva de Deus,  põe-se  à caminho, indo ao auxílio de Isabel! Com este gesto, Maria nos dá um grande exemplo de solidariedade, mostrando-nos que o amor é mais do que sentimento,  mais do que palavras bonitas, o amor é gesto concreto, é decisão de ir ao encontro do outro, de inteirar-se de suas necessidades para poder ajudá-lo.Subindo montanhas, carregando Jesus em seu ventre, Maria se fez a primeira discípula de Jesus, a primeira missionária do Pai a levar seu Filho ao outro!A narrativa nos fala ainda, de dois encontros que ficou marcada em toda história, o encontro de duas mães que pela a graça de Deus, se fizeram mãe fora da normalidade: Maria uma virgem sem ter unido em matrimonio a um homem e Isabel uma anciã. No encontro destas duas mulheres, acontece também  o encontro invisível de duas crianças, que estavam sendo geradas no ventre destas duas mulheres distintas; no ventre da jovenzinha de Nazaré, estava sendo gerado Jesus, e no ventre antes estéril, da anciã Isabel, João Batista! "Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre. (Lc1, 41." "Bem aventurada àquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor prometeu, ”Ao ouvir estas palavras de Isabel, Maria, diz: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva..." Este, é o canto do MAGNIFICAT, neste canto, Maria expressa de modo transbordante a sua gratidão pela a imensidão de maravilhas que Deus realizou em sua vida! Realizações, que Ela reconhecia não serem somente em seu favor, mas em favor de todos, uma vez que, pelo o Filho que ela carregava no seu  ventre, a salvação chegaria à  humanidade! O canto do MAGNIFICAT é um canto de gratidão e de humildade, nele, Maria reconhece o poder, a majestade do Senhor, e se submete humildemente à sua vontade, proclamando-se bem aventurada!Com Maria, aprendemos que a humildade nos aproxima da perfeição e que ao dizermos "sim" a Deus, Ele nos transforma em “grandes” mesmo dentro da nossa pequenez!Podemos também, assim como Maria, louvar a Deus dizendo: A minha alma engrandece o Senhor, porque olhou para a humildade de seu servo ( a) “ O Todo Poderoso fez grandes coisas em meu favor...”Ao se entregar inteiramente a serviço de Deus, Maria teve  participação fundamental  na história da salvação, enfrentando todos os desafios, desde a concepção de Jesus, até a sua morte de cruz! E mesmo com o coração transpassado de dor, ela manteve-se de pé aos pés da cruz. O papel desempenhado por Maria  na encarnação e na morte de Jesus, nos deixa um grande exemplo, exemplo, de mulher forte, de alguém que ama, que não se deixa abater pelo o sofrimento, porque confia no poder e na misericórdia de Deus!  Com o seu testemunho, aprendemos a sermos inteiros no amor, a dar passos ao encontro de Jesus indo ao encontro do outro!Que nossos corações, sejam  iluminados pela a luz da bondade, a luz que iluminou o coração de Maria, a grande defensora dos pobres e sofredores!"Deus cativou Maria e ela se deixou cativar por Ele!"O "sim" de  Maria possibilitou a entrado do  Filho de Deus, no meu e no seu coração...
FIQUE NA PAZ DE JESUS  - Olivia CoutinhoVenha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook:https://www.facebook.com/groups/552336931551388/ 




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Um hino à vida
A sociedade atual está dominada pela cultura da morte. Quando alguma vida causa problemas difíceis de resolver, opta-se sistematicamente pela sua destruição.  Foi  por isso que se legalizou o aborto, em tantos países do mundo e se começa a falar da liberdade perante a possibilidade da eutanásia. Aquela criança era incomoda, não se deixa nascer; aquele idoso, ou aquele doente é já um peso para a família, deixa-se morrer. Por ocasião da segunda guerra mundial ainda se foi mais longe com a eliminação dos mais débeis,  pela sua deficiência, ou até pela sua origem. O Holocausto é a expressão máxima da cultura da morte.
A Festa da Assunção de Nossa Senhora ao Céu tem a marca de um sinal contrário. É a mulher eterna do Apocalipse que espera um filho varão; é Maria de Nazaré que espera o seu filho Jesus; é Isabel de Ain-Karin que espera o seu menino, João. Cada uma destas mulheres tem uma missão, trazer à luz filhos dos quais dependerá a redenção da Humanidade. João será o precursor, Jesus vai ser o Redentor e o varão do Apocalipse é o sinal de que a salvação chegará a todos os humanos. O poder do dragão será sempre vencido, porque é preciso que “todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).
Mesmo quando a morte fere a humanidade há uma promessa de vida na ressurreição de Jesus Cristo. É S. Paulo que o diz na Carta aos Coríntios: como Cristo ressuscitou todos vamos ressuscitar. A ressurreição, porém, não está apenas na vitória definitiva sobre a morte temporal. O Magnificat, rezado por Maria na sua visita a Isabel, fala de vitórias sobre outras mortes. Vai acontecer serem destruídas a morte social, a morte econômica, a morte cultural, a morte espiritual, na linha da fé, e tantas outras mortes que destroem a vida humana. A oração de Maria é indiscutivelmente um hino à vida.
Não foi por acaso que a proclamação do dogma da Assunção de Nossa Senhora teve lugar em 1950. Tinham-se vivido anos em que milhões de homens viram os seus corpos destroçados pela Guerra. Era necessário proclamar a dignidade do corpo, elemento humano indispensável para a realização da pessoa, a comunicação com os outros, a transmissão da vida, a alegria do ser, do estar e do viver. O dogma da Imaculada de Conceição consagrara a espiritualidade do ser humano. O dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu veio consagrar a grandeza do corpo humano. É pela corporeidade que o ser humano se torna capaz de transmitir a vida, de criar relação e realizar em plenitude o projeto de Deus.


A vitória sobre todo o mal
O dogma da Assunção de Nossa Senhora aos céus em corpo e alma, traz à reflexão dos cristãos a importância da dignidade do corpo. Não é apenas através dos valores espirituais que o cristão caminha para a santidade verdadeira. O corpo é no ser humano o suporte do espírito. É através do corpo que se exprime de inúmeras maneiras a relação com Deus e com os outros. O corpo tem uma carga simbólica extraordinária. É através dele que se articulam as palavras, que se manifestam os gestos, que se revelam os sentimentos. Por isso mesmo a santificação não passa apenas pelo espírito, mas realiza-se plenamente também com as representações do corpo. Sendo Maria, mãe de Jesus, imaculada na sua conceição, foi através do seu corpo que trouxe Jesus à vida, foi pelo corpo que o acompanhou em Belém, no Egipto, em Nazaré e em Jerusalém, foi no sofrimento e na dor que esteve de pé junto à cruz. Assim sendo, consagrar a santidade de Maria exigia consagrar também o seu corpo. Foi por isso que foi privilegiada, na sua morte, com a assunção do corpo ao céu.
A liturgia do dia consagra três vitórias: a do Arcanjo Miguel contra o dragão, a da Ressurreição de Jesus sobre todas as mortes e a da fidelidade de Maria sobre todo o mal. No primeiro caso, o dragão espreitava o nascimento do filho da mulher para lho arrebatar. Porém, na luta travada entre Miguel e o dragão, Miguel saiu vitorioso e o filho da mulher operou a redenção, oferecida a todos os outros filhos da mulher. No segundo caso, a ressurreição de Cristo vai vencer o último dos inimigos que é a morte. É que em Cristo Ressuscitado tudo e todos ressuscitamos. Na visita de Maria à sua prima Isabel, o cântico do “Magnificat” propõe uma vitória radical sobre todo o mal: O Senhor “ dispersou os soberbos, apeou dos seus tronos os poderosos, aos ricos despediu de mãos vazias” (Lc 1, 52).
Nesta celebração da Assunção de Nossa Senhora ao céu, é cada cristão que tem o dever de vencer o mal dentro de si, de tal maneira que, pelo seu espírito e pelo seu corpo, percorra caminho de santidade.
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”



Cristãos católicos e cristãos ortodoxos têm uma grande ternura por Maria, “de quem nasceu Jesus” (Mt. 1,16). Os cristãos protestantes “ignoram” Maria, com o argumento de que só Cristo é Senhor. Entendamo-nos, católicos e ortodoxos dizemos, no glória: «Só Tu és o Santo, só Tu o Senhor, só Tu o Altíssimo, Jesus Cristo». Mas não temos medo de acreditar que, sob a graça de Deus, o homem se vai tornando santo. Em particular, Aquela que o anjo Gabriel saudou como “cheia da graça”, a quem disse : “O Senhor está contigo.”
Veneramos esta rapariga que se entregou radicalmente a Deus, sem cálculos nem condições. Esta mulher que viveu como mais ninguém a proximidade de Deus e nunca tirou daí qualquer vaidade. Esta mulher que cumpriu a sua missão no silêncio, longe das luzes do mundo. Esta mulher a quem, à hora da morte, Jesus nos confiou (Jo 19,26-27).
Os primeiros textos do Novo Testamento são as epístolas de S. Paulo, escritas a partir do ano 50 [1]. São Paulo anuncia Jesus Cristo como o Filho de Deus, que o Pai enviou à Terra. Para são Paulo, é tão importante acentuar a transcendência de Jesus, a sua origem divina, como sublinhar que, para nos trazer a salvação, Ele assumiu a nossa condição.
“Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido duma mulher, nascido sob o domínio da Lei, ... a fim de recebermos a adoção de filhos.” (Gl. 4,4-6) (são Paulo, anos 55-57).
"...seu Filho, nascido da descendência de David segundo a carne, manifestado Filho de Deus em todo o poder, segundo o Espírito Santo, na sua ressurreição de entre os mortos, Jesus Cristo, Senhor nosso, ...” (Rm. 1,3-4) (são Paulo, anos 55-57).
“Ele (Cristo), que é de condição divina, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tendo-se tornado semelhante aos homens e sendo identificado como homem, rebaixou-se ainda mais, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz.” (Fl. 2,6-8) (são Paulo, 57 ou 63).
“É Ele (Cristo) a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criatura; nele todas as coisas foram criadas, nos céus e na terra (...). Todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele. Ele é anterior a todas as coisas e todas elas subsistem nele.” (Cl. 1,15-17). (Epístola escrita provavelmente por alguém do grupo de são Paulo, anos 60).
“Bendito seja o Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo (...) Ele nos  escolheu em Cristo antes da fundação do mundo (...) para sermos adotados como seus filhos por meio de Jesus Cristo. (...) Manifestou-nos o mistério da sua vontade (...): submeter todas as coisas a Cristo, reunindo nele o que há no céu e na terra” (Ef. 1,3-10). (Escrita provavelmente por alguém do grupo de são Paulo, anos 60).
Conta-se que, logo após a morte de são Pedro, em 66 ou 67, os cristãos de Roma pediram a Marcos, de há muito seu companheiro, que escrevesse tudo aquilo que ele costumava ensinar. Assim apareceu, por volta de 70, o primeiro Evangelho. Na década de 80, Mateus e Lucas, consultando os que tinham contatado com Jesus, procuraram completar a informação.
São Mateus retoma a palavra de são Paulo, segundo a qual Jesus é o Filho de Deus, que Deus enviou à Terra a nascer de uma mulher: “Maria, sua mãe, estava noiva de José. Antes de viverem em comum, concebeu pelo poder do Espírito Santo. (...). O anjo do Senhor apareceu a José e disse-lhe: «José, filho de David, não temas receber Maria por tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» Assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus conosco.” (Mt. 1,18-23).
São Lucas dá-nos um desenvolvimento maior: “Deus enviou o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem noiva de um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Ave, ó cheia de graça, o Senhor está contigo. (...). Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo.(...)». Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?». O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, Aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus.(...).» Maria disse então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.»” (Lc. 1,26-38).
Escrito entre 90 e 100, o Evangelho de são João é mais uma teologia do que um relato: procura estabelecer relações entre os dados, sublinha os temas maiores, propõe significados. “Desde sempre (no princípio) era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus. Desde sempre o Verbo estava em Deus. Pelo Verbo tudo começou a existir e sem Ele nada veio à existência. Nele estava a Vida, e a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam. (...) O Verbo era a luz verdadeira, que veio ao mundo iluminar todo o homem. (...). Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. (...). O Verbo fez-se homem e veio habitar conosco. (Jo 1,1-14).
Estes textos ensinam que Deus amou tanto os homens que lhes entregou o seu Filho Único (Jo 3,16). Há aqui uma diferença fundamental entre a perspectiva cristã e as perspectivas judaica e islâmica. Judeus e maometanos acreditam num Deus único, transcendente, misericordioso, capaz de perdoar todos os pecados dos homens. Para eles, no entanto, a doutrina da encarnação do Verbo parece um absurdo: acham que Deus deixaria de ser Deus se entrasse na condição humana. Nós, cristãos, acreditamos nesse quase-absurdo: que o Verbo de Deus tomou a condição humana e veio morrer numa cruz.
Mas estes textos levam-nos muito mais longe. Deus não é só aquele Infinito absurdo que ama os homens até ao ponto de permitir que o seu Verbo morra por eles numa cruz. É o Infinito absurdo que elege uma criatura, uma mulher, e faz dela sua Mãe.
Sempre os crentes perguntaram como é que se ama a Deus. Os cristãos encontram aqui uma pista. Amar a Deus é entrar na disposição de dar tudo por Ele: querer que a minha vida seja sinal d'Ele para os outros homens, abrir-Lhe o coração e o olhar para Ele numa confiança sem fim. Como, acreditamos, fez Maria.
Desde o séc. II, a tradição católica e a tradição ortodoxa afirmam que, em honra deste mistério da Encarnação do Verbo, Maria e José continuaram a viver o casamento na virgindade. Nos evangelhos fala-se nos “irmãos” de Jesus; questão pouco significativa, por isso que, na língua da Bíblia, todo o parente próximo pode ser designado por irmão. No século XVI, o protestantismo decidiu que a Bíblia deve ser tomada à letra e, portanto, José e Maria tiveram, depois do nascimento de Jesus, outros filhos.
Maria viveu a infância, a juventude, a maturidade e a velhice nesta terra dos homens. Uma tradição, acolhida pelos católicos e pelos ortodoxos, afirma que, terminado o seu tempo de vida na terra, Maria foi “assumida” ao Céu. Gratidão de Deus àquela que Lhe tinha dito “sim”.
padre João Resina Rodrigues - A Palavra no tempo II - www.igrejacampogrande.pt
[1] Jesus deve ter nascido 6 ou 7 anos antes da data que a tradição fixou como início da era cristã. Foi crucificado e ressuscitou no ano 30, portanto com 36 ou 37 anos.
Paulo era uns anos mais novo. O próprio Jesus o converte na estrada de Damasco, talvez em 37. Após longos meses de retiro, começou a trabalhar com Barnabé na evangelização de Antioquia, por volta de 43. Em três longas viagens, Paulo funda numerosas comunidades, na Ásia Menor e na Grécia. Com elas, e com a comunidade de Roma, troca epístolas.




“Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada”
Domingo da Assunção de Maria ao céu. A Igreja celebra uma das festas mais importantes e mais antiga da Virgem Maria que é sua Assunção ao céu. No início do século IV esta festa era chamada de “Dormitio Virginis”, isto é Dormição da Virgem (passagem para outra vida). A Assunção de Maria, verdade professada desde os primeiros séculos, tanto no Oriente como no Ocidente, foi proclamada dogma pelo papa Pio XII como verdade de fé no dia 1 de novembro de 1950 com a bula Manificentissimus Deus.
No Brasil, a piedade popular venera Maria assunta ao céu como Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora da Abadia, Nossa Senhora do Pilar...
Celebramos esta festa da Páscoa de Maria dando graças ao Pai que eleva a humilde mulher, Maria de Nazaré, e nela, “primeira da fila”, nos oferece o sinal da vitória definitiva de toda a humanidade, pela força da ressurreição de Jesus Cristo, nosso Salvador.
Somos chamados a participar desta gloriosa vitória, vivendo o projeto de Jesus que vence, pelo poder da entrega da vida, a força enganosa e aparente do dragão que devora e destrói todas as possibilidades de uma vida humana digna e feliz.
Hoje, cantamos com Maria a esperança dos pobres e pequenos, a quem Deus, em sua infinita misericórdia, liberta e exalta.
“Grande sinal apareceu no céu: uma mulher que tem o sol por manto, a lua sob os pés e coroa de doze estrelas na cabeça.” (Apocalipse 12,1)
Primeira leitura: Apocalipse 11,19a; 12,1-6a.10ab.
Esta leitura reagrupa elementos que não pertencem ao mesmo conjunto. O versículo 19 do capítulo 11 se liga aos versículos 1-3 do mesmo capítulo: o Templo de Deus é a Igreja (por oposição ao Templo de Jerusalém) e, conforme a tradição judaica (2 Macabeus 2,5-8), a arca da Aliança reaparece por ocasião da chegada do Reino de Deus.
A mulher ornada com o esplendor – o sol, a lua e 12 estrelas, imagens tradicionais – simboliza o povo de Deus: primeiramente o antigo Israel de que Jesus nasceu segundo a carne, em seguida o Israel novo, a Igreja, corpo de Cristo. A criança do sexo masculino posta no mundo pela Mulher é evidentemente o Messias, encarado tanto em sua realidade histórica quanto misticamente nos cristãos. Faz-se referencia à Ascensão e ao Cristo sentado á direita do Pai (versículo 6), que anuncia a queda definitiva do Dragão, ao passo que a mulher foge para o deserto onde Deus lhe preparou um refúgio. Desde o Primeiro Testamento o deserto é considerado como refúgio tradicional dos perseguidos (cf. 1 Reis 17,3-6; 1 Macabeus 2,29).
O versículo 10 exprime a vitória de Deus e a dominação de seu Cristo, depois que o arcanjo Miguel e seus anjos tiverem vencido o Dragão (versículos 7-9).
A leitura do Apocalipse nos apresenta a mulher símbolo da comunidade. Ela está adornada de todo o seu esplendor: veste de sol, sinal da glória do Senhor, isto é, é protegida por Deus; tem aos pés a lua, símbolo de alguém que não será vencido pelo passar do tempo, isto é, já possui a eternidade de Deus; usa uma coroa de doze estrelas, simbolizando o povo de Deus, o antigo Israel, com suas doze tribos, do qual nasceu, e depois o novo Israel, a Comunidade-Igreja, Corpo de Cristo, Povo de Deus perseguido pelo dragão. Está grávida, na hora de dar à luz, como Maria e a Igreja, que fazem Jesus nascer na história e na vida das pessoas.
Não se trata, digamos logo, de uma reflexão em torno da figura de Maria e sim de um chamado endereçado a comunidades cristãs, sofredoras e desanimadas, para que descubram melhor tanto o significado do compromisso de sua fé no Ressuscitado como o sentido do desafio ao qual esta fé as mede no cotidiano de sua existência presente.
O autor do Apocalipse abre bem o horizonte de sua mensagem à Igreja inteira. Uma Igreja que, logo depois dos anos 70, defronta-se com uma série de problemas concretos: o atraso da volta do Senhor, as perseguições do Império Romano, as suas próprias divisões interna. Uma Igreja que, sem dúvida nenhuma, sofre, mas cujo primeiro impulso religioso parece também ter-se congelado.
Essa incompatibilidade entre a Mulher e o dragão remete diretamente ao Gênesis 3,15, e se fica claro que essa criança é o Messias esperado (Apocalipse 12,5) que já veio, andou no meio dos homens, morreu e ressuscitou, esse Messias assim como o Reino que inaugurou permanecem realidades que o próprio povo de Deus (a mulher-Igreja) tem ainda hoje que produzir.
A aplicação desse texto à Virgem Maria tem um fundamento tradicional. Santo Agostinho e São Bernardo viram na Mulher do Apocalipse o símbolo de Maria, embora um tal sentido seja estranho ao autor do Apocalipse. No entanto todos os textos da Escritura Sagrada que traz presente o mistério da Igreja podem ser aplicados à Virgem Maria, na medida em que o seu verdadeiro mistério se inscreve no mistério da Igreja e o ilumina ao mesmo tempo, conforme lembrou o Concílio Vaticano II. A “Mãe do Messias” representa assim muito mais que uma pessoa individual.
Quanto à imagem da arca da Aliança aplicada à Virgem Maria (Apocalipse 11,19), lembra o tema focalizado pela primeira leitura da Missa da Vigília.
Salmo responsorial 44/45,10 bc. 11.12ab.16
Conforme alguns especialistas, este Salmo poderia ter sido canto profano para as núpcias do rei israelita, Salomão, Jeroboão II ou Acab (que desposou uma princesa da região pagã de Tiro, 1 Reis 16,31). Mas a tradição judaica e cristã o interpretam com referência às núpcias do Rei-Messias com Israel (figura da Igreja; cf. Cântico dos Cânticos 3,11; Isaias 62,5; Ezequiel 16,8-13 etc.), a liturgia por sua vez estende a alegoria, aplicando-a a Maria. O poeta dirige primeiramente ao Rei-Messias, aplicando-lhe os atributos de Deus (Salmo 145/144,4-7.12-13 etc.) e do Emanuel (Isaias 9,5-6), depois à rainha (vs. 11-17).
O Salmo de hoje, portanto, celebra a festa de casamento de um rei e uma princesa; mas para nós é a celebração da Aliança que Deus faz com seu povo. Costumamos rezá-lo pensando em Maria de Nazaré como lindíssima esposa e primeira da lista dos ressuscitados com Cristo.
Cantando este Salmo na celebração deste domingo, nós bendizemos a Deus que ficou do lado da Igreja perseguida pelo dragão e pedimos que Ele venha em socorro do seu povo em luta contra o sofrimento e a morte.
R: À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de ofir.
Segunda leitura: 1 Coríntios 15,20-27a.
A razão da escolha desta leitura para a liturgia de hoje é a idéia da ressurreição e da vitória sobre a morte, pela qual termina a perícope litúrgica (versículo 26), truncada de uma maneira que fere um pouco a sensibilidade do especialista em Bíblia que é o exegeta.
No contexto de 1 Coríntios, a idéia principal do texto em questão é a ressurreição. O capítulo inteiro é consagrado a esse tema. Uma das mais complexas passagens do capítulo 15 da primeira carta aos coríntios, em que Paulo elabora sua doutrina da ressurreição dos mortos. O apóstolo se dirige a correspondentes que crêem na imortalidade da alma e consideram a morte como uma libertação, para a alma, do corpo material e corruptível. Os gregos acreditavam na imortalidade da alma, por isso tinham dificuldade de acreditar na ressurreição da pessoa como um todo. Paulo defende a concepção judaica da unidade da pessoa: o homem não é composto de uma alma e de um corpo; é um ser pessoal, único, que, desde a ressurreição de Cristo, sabe que Deus lhe concederá a vida eterna.
O versículo 19 serve, de fato, de transição para os versículos 20ss. Não se trata somente da ressurreição de Cristo (que os coríntios parecem aceitar como querigma: vs. 11 e 13-14) e sim da nossa própria ressurreição.
Ora, aqui se situa o versículo que justificou a escolha deste trecho para a liturgia de hoje: o último inimigo a ser destruído é a morte (v. 26).
Paulo apresenta um conceito “não físico” da ressurreição: o corpo da ressurreição não é “animal” (biológico-psíquico, mundano), mas um “corpo espiritual”, isto é, pertencendo à esfera divina; já não é o corpo do homem terrestre (Adão), mas do homem celeste (Cristo) (vs. 42-50).
Desta transformação gloriosa em imagem do Novo Adão, Maria é a antecipação: este é o sentido da sua Assunção ao Céu, ou seja, da sua glorificação.
Evangelho: Lucas 1,39-56
O Evangelho desse domingo inicia com o relato da visita de Maria a Isabel (vs. 39-45) e o Magnificat que a ele se vincula (versículos 46-55) convêm perfeitamente à festa da Assunção, pois os temas que trazem presente são, antes de tudo, temas de vitória.
1) O relato da visitação traz presente a transferência da arca da aliança para Jerusalém (2 Samuel 6,2-11). Como a arca, Maria vai para o país de Judá, em direção a Jerusalém (v. 39; cf. 2 Samuel 6,2), e sua viagem suscita as mesmas manifestações de alegria (versículos 42 e 44; cf. 2 Samuel 6,2), isto é, “danças” sagradas (versículo 44, em que a criança “salta” no seio de sua mãe; cf. 2 Samuel 6,12). Ela repousa na casa de Zacarias (v. 40) assim como a arca na casa de Obed-Edom (2 Samuel 6,10), e é, assim como ela, fonte de bênçãos (v. 41; 2 Samuel 6,11-12). O “grito” de acolhida de Isabel (versículo 43) reproduz quase textualmente as palavras de Davi diante da arca (2 Sm. 6,9). Enfim, Maria, assim como a arca, permanece três meses na casa de seus hóspedes (v. 56; cf. 2 Samuel 6,11).
Na verdade, esse simbolismo vai ao encontro da idéia-mestra de São Lucas: para o evangelista, os fatos que cercam o nascimento de Jesus realizam ao mesmo tempo a profecia de Malaquias 3 (sobre a vinda de Javé em seu Templo) e a de Daniel 9 (a profecia das setenta semanas antes da aparição de Deus). Deus já enviou seu anjo ao templo na figura de Gabriel (Malaquias 3,1 e Lucas 1,5-25; cabe-lhe, agora, fazer sua aparição no Templo (Malaquias 3,2). A partida de Maria para a casa de Isabel e Zacarias é a primeira etapa que realiza as profecias; a segunda, a subida propriamente dita a Jerusalém (Lucas 2,22-38), se completará pela apresentação oficial do Menino no Templo de Jerusalém ao velho Simão.
A arca da Aliança simboliza principalmente a presença de Deus no meio de seu povo, mas igualmente levava o povo ao combate. Quando trazemos presente a arca da Aliança, portanto, nos situa num contexto guerreiro, e Maria se apresenta como mulher vitoriosa. O v. 42, em que Isabel abençoa sua prima e a criança que ela traz em si, lembra, certamente, as aclamações dirigidas a Iael (Juízes 5,2-31) e a Judite (Judite 13,17-18; 15,9-10 após suas respectivas vitórias sobre o inimigo. Maria, portanto, aparece aqui como a mulher que garante a seu povo a vitória definitiva sobre o mal e que inaugura a era messiânica em que o pecado e a desgraça serão abolidos.
2) Quanto ao Magnificat, faz de Maria a personificação do Israel escatológico, isto é, realidade nova e definitiva dos pobres, a verdadeira raça de Abraão tomando posse das promessas. Nesse sentido, Maria aparece como a imagem e o porta-voz da própria Igreja. Aliás, muitas expressões do Magnificat se encontram no vocabulário da comunidade primitiva, cantando seu próprio mistério (cf. o vocabulário “exaltar” em Lucas 1,46.48 e Atos 5,13; o vocabulário “salvador” em Lucas 1,47.69.71.77 e Atos 4,12; 5,31; 13,47; o salmo 88/89,11 em Lucas 1,51 e Atos 2,30; Lucas 1,52 e Atos 2,22-38; 3,13). A assembléia eucarística, célula do Israel escatológico e objeto das promessas feitas a Abraão, está, pois, autorizada a retomar o Magnificat por sua própria conta.
No encontro das duas mães faz sobressair o contraste entre as duas crianças: João Batista é o “profeta do Altíssimo” (Lucas 1,76); Jesus é o “Filho do Altíssimo” (Lucas 1,32). Ambos, contudo abrem os últimos tempos da história da salvação: o primeiro enquanto precursor e pregador de um caminho (Lucas 1,76 que seguirá o outro, o próprio Cristo Senhor (Lucas 2,11).
Nessa dinâmica geral, entende-se que o encontro das duas crianças “na região montanhosa da Judéia” (Lucas 1,39) não se limita a uma mera e piedosa cena de cortesia. Trata-se, na apresentação teológica da historia da salvação feita por Lucas, de um instante decisivo, um ponto central para o qual convergem João Batista “o maior dos profetas” (... entretanto, “o menor no Reino de Deus de Deus é maior do que ele” (Lucas 7,28) e Jesus, o próprio Salvador.
A bem-aventurança de Maria a si mesma no versículo 48b não é orgulho, mas maneira normal de expressar sua gratidão de pessoas que não sofrem de falsa humildade (cf. Gênesis 30,13; 29,32).
“Todas as gerações” (v. 50) anuncia uma visão universal. No versículo 51, esta universalidade é projetada não só no sentido temporal, mas no sentido de salvação: todos, sem discriminação. Devemos entender aqui a “misericórdia” de Deus, não como piedade paternalista. É a hesed bíblica, a amizade leal do Deus da Aliança para com seu povo, estendendo a nova Aliança a todos.
Uma salvação do tipo que iniciou (depois de Ana) em Maria, é uma salvação dirigida e a realizada pelos que não confiam nas falsas riquezas, no sucesso, na violência etc. (cf. Lucas 6,17 ss.). Podemos notar que Maria já não fala do “meu” salvador. A salvação estende-se a todos os pobres de Deus. Ele dispensa os orgulhosos (Salmo 89/90,11, derruba os poderosos (Eclesiástico 10,14; Jó 12,19), mas sobretudo eleva os “humildes”: já sabemos quais são: Ana (cf. 1Samuel 2,8), Maria, todos os que colocam sua confiança no Senhor e se tornam seus “servos” (cf. Salmo 147/146,6). Ele sacia os famintos (versículo 53, cf. Salmo 113/112,7; 1Samuel 2,5)e rejeita os que já estão fartos (1Samuel 2,5). Podemos notar claramente de que temos aqui uma prefiguração das Bem-Aventuranças de Jesus (Lucas 6,17-26). O Magnificat anuncia a realização das promessas do Primeiro Testamento – por isso tinha que ser um amontoado de citações bíblicas – mas anuncia também a realidade nova e definitiva (escatológica) que começa em Jesus Cristo, não só a partir da sua primeira pregação (Lucas 4,16), mas a partir da concepção virginal. É supérfluo mostrar que esta salvação universal se realiza primeiro em Maria: ela apenas proclama a todos a salvação que ela sente em si mesma, isto é, partilha com todas as gerações.
O hino conclui com uma lembrança das promessas que agora se realizam. É o encerramento do Primeiro Testamento, pelo menos na boca de Maria (versículos 54-55). Maria era a “serva” em que cumpriram as promessas feitas ao antigo povo de Deus que o Dêutero-Isaias gosta de chamar de “servo” (Isaias 41,8). Deus não esquece a amizade (= misericórdia, hesed; Salmo 98/97,3, que tem com o povo e seus “pais” “desde os tempos antigos” (Miquéias 7,20).
Em Maria começa a realização “para sempre”. Ela é a obra prima na ordem da salvação eterna. Por isso, o Magnificat, entendido como inauguração do tempo novo e último, é o melhor comentário da festa de Maria glorificada, “garantida” na ordem definitiva de Deus.
O Evangelho de hoje é muito familiar. Maria, grávida, visita Isabel, também grávida. Encontram-se as duas mulheres do povo num lugarejo sem recursos e sem importância. Maria é aclamada pela prima como bendita entre as mulheres e recita uma oração de louvor pelas maravilhas que o Senhor realizará nela, as quais seriam plenificadas na vida da criança que estava no seu ventre.
Há uma explosão de alegria dessas mulheres, que reuniam duas impossibilidades humanas de ser mãe: Isabel era idosa e estéril; Maria, jovem e virgem.
Maria é aclamada como uma bem-aventurada: “Feliz és tu que acreditou, porque se cumprirá o que o Senhor te anunciou”.Seu coração trasborda em “canto-oração”. Sua resposta é ação de graças, é celebração profética e jubilosa, resumo de toda a história da salvação. Ela é filha de Abraão e pertence a seu povo. Em Maria, neste encontro entre o Primeiro Testamento e o Novo Testamento, se unem a promessa e a realização e, ao mesmo tempo, se manifesta a predileção histórica do Senhor pelos pobres e pequenos.
Maria fala de um Deus aliado dos pequenos: sacia de bens os famintos, derruba os poderosos e eleva os humildes. Esta é uma característica marcante do rosto de Deus que perpassa toda a Bíblia. O Deus de Israel, o Deus de Maria, é quem tira da humilhação as mulheres estéreis e escolhe justamente seus filhos para grandes tarefas. Envia profetas para defender os que não têm defesa; é o Deus que rejeita sacrifícios e ofertas no Templo se houver injustiça contra os pobres.
O cântico de Maria (Magnificat) apresenta um projeto, que é o mesmo de Jesus: transformar o mundo antigo e opressor de viver, onde a prepotência e a auto-afirmação humanas saem sempre ganhando, em uma ordem nova em que triunfa a justiça para os ofendidos, os desprezados e excluídos. O Filho de Maria veio para inaugurar o novo relacionamento entre todas as coisas.
A palavra celebrada vivida no cotidiano da vida
O Salmo de Maria, tradicionalmente chamado de Magnificat, por causa da primeira palavra na tradução latina, é um mosaico de citações de referencias do Primeiro Testamento.
Ela proclama que Deus cumpriu uma tríplice derrubada de situações opressoras e falsas para restaurar o projeto de Deus na humanidade: “No campo religioso”, Deus subjuga a auto-suficiência humana, a soberba. “No campo político”, Deus destituiu do trono os poderosos e enaltece os humildes, destrói as desigualdades humanas. “No campo social”, Deus elimina os privilégios estabelecidos pelo dinheiro e poder. Cumula de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias, para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade e entre os povos, porque todos somos filhos e filhas de Deus.
Nossa ligação com Maria existe justamente por ser ela uma entre os pequenos que Deus escolhe. Se houver muita homenagem a ela e pouco compromisso com os famintos e desamparados, estaremos fora da obra que Deus realiza em Maria.
Será que temos devoção verdadeira à Maria do Apocalipse e do Magnificat, profeticamente do lado dos que nada têm?
Ao dizer: “Porque olhou para a humilhação de sua serva...”, Maria faz um paralelo entre o Espírito Criador de Deus e a situação sofrida da mulher oprimida. De um lado o desmando dos soberbos, ricos e poderosos deste mundo e, de outro, a misericórdia de Deus que envia seu Filho e revoluciona as relações desumanas e iníquas, elevando os humildes e dando comida farta aos famintos. Ele olha a condição oprimida do pobre, o estado de desgraça, de aflição e humilhação em que vivem milhões de pessoas e envia Jesus para propor um jeito novo de viver que seja bom para todos. O que alegra Maria é ser parte integrante do projeto de Deus para a humanidade – salvação das opressões pessoais, mas também salvação nacional e de toda a humanidade.
Celebramos esta festa da Páscoa de Maria dando graças ao Pai que eleva a humilde mulher, Maria de Nazaré, e nela, nos oferece o sinal da vitória definitiva de toda a humanidade, pela força da ressurreição de Jesus Cristo.
A bula de definição dogmática não fala de argumentos bíblicos, pois a Sagrada Escritura não afirma a Assunção de Maria; mas sim do “último fundamento escriturístico” em que se baseiam os Santos Padres e teólogos, além do comum sentir do povo cristão. Ou seja, a Sagrada Escritura apresenta Maria intimamente vinculada à pessoa e obra do Redentor; então, desta união plena deriva a sua participação no triunfo glorioso do seu Filho.
Por sua vida e morte Jesus nos libertou. Por sua vida e morte Maria participou desta obra universal. A morte propicia ao ser humano um ato de absoluta entrega e amor a Deus. Por isso a morte permite uma extrema realização humana. A morte liberta a semente de ressurreição que se esconde dentro da vida mortal. Por isso no momento de sua morte, Maria ressuscitou.
Não se trata, como em Jesus, de Ascensão ao céu. Jesus, por própria força, em razão de sua divindade subiu ao céu, vale dizer, penetrou no Mistério insondável da vida eterna. Maria porque é criatura foi arrebatada por seu Filho e introduzida na glória celeste. A Assunção não é obra de Maria, mas obra de seu Filho em favor de sua Mãe.
Acentuamos, especialmente, a glorificação corporal de Maria. O corpo é mortal, frágil, opaco, pesado, sujeito a limitações, doenças; este corpo, assim estigmatizado, é transfigurado. O corpo de Maria só foi instrumento de graça e de bondade. Por isso ele não ficou entregue à corrupção como o nosso. Foi reassumido e entronizado no mistério do Deus Uno e Trino
A Assunção significa o definitivo reencontro entre a Mãe e o Filho. Maria contempla a divindade de seu Filho Jesus e desfruta de maneira sublime sua “maternidade divina e humana”. Ela se descobre inserida no mistério da Santíssima Trindade mediante o Espírito Santo que a fecundou e do Filho Eterno que ela, no tempo, gerou. Embora Mãe terrena do Filho encarnado, vê-se filha no Filho Eterno e Unigênito do Pai. Agora na glória dá-se plenamente conta de sua ligação com toda a humanidade e de sua vinculação com a salvação da humanidade.
Maria vive agora no corpo e na alma aquilo que nós iremos também viver quando morrermos e formos para o céu. Todos os que estão no Senhor (2Cor. 5,6) participam de sua ressurreição. Por isso ressuscitamos no Ressuscitado por ocasião de nossa morte.
A festa da Assunção de Maria diz respeito à vocação definitiva de toda a humanidade, que é um dia morar com Deus.
A exemplo de Maria e motivados por sua Assunção, respondemos imediatamente às necessidades dos irmãos e irmãs? Que espaço ocupam os pobres, as pessoas com deficiência, os idosos, os abandonados em nossa vida pessoal e comunitária?
A palavra se faz celebração
Embora o dogma da Assunção de Maria tenha sido definido no Ocidente pelo ano de 1950, o mistério a que ele se refere é mais antigo.
Há muito tempo, tanto no Oriente quanto no Ocidente, celebra-se a “Dormição da Virgem” ou o Transitum Mariae, como também é conhecida esta festa. Os estudiosos a situam entre os séculos V e VI, com origem provavelmente oriental. O enfoque teológico está no fato de Maria ter sido santificada pela Encarnação do Verbo. Os cristãos enxergam a sua morte como dormição e passagem: melhor ainda, entrada na glória de Deus, como ensina São João Danasceno.
A Nova Eva
Se, temos um novo Adão, há também uma Nova Eva. O ícone da Dormição, com o qual a Igreja desde sempre celebrou a páscoa da Virgem, traz no centro não a Mãe, mas o Filho, para onde o olhar do fiel converge. À base do Cristo, está deitada (dormindo! = imagem da morte) a Virgem Maria. São dois movimentos que se cruzam: um vertical (o Cristo, simbolizando a amizade do Céu com a terra) e outro horizontal (a Virgem deitada, simbolizando a humanidade como terra fértil para receber a semente da Vida.
Morte e Ressurreição, portanto, são dois aspectos da Páscoa de Cristo que Maria, imagem do mundo remido, experimenta. Nesse sentido é que podemos denominá-la de Nova Eva, porque é Mãe da Nova Humanidade nascida da Páscoa de Cristo, Senhor.
O batismo da Virgem
No mesmo ícone ao qual fazemos referência, há três imagens da Virgem: uma deitada (a morte), outra no alto (o trânsito ou passagem para o céu) e uma terceira: uma criança envolta em faixas (recém-nascida!) é uma alusão à nova condição da Virgem e de todos aqueles que nascem da Páscoa de Jesus, os cristãos e cristãs. Estão no colo de Cristo (uma alusão do significado do Kyrie eleison ou Senhor, piedade) e portam uma nova identidade, a alma iluminada pelo batismo.
A celebração da Páscoa de Maria, portanto, toca-nos agora a todos, pois revela nosso destino como homens e mulheres nascidos em gérmem pascal, pois “Maria, a Mãe de Deus, primícia, do gênero humano, era terrena e corruptível, como filha de Adão. Porém, sendo incorporada a Cristo, também seu corpo devia ser glorificado e tornar-se imortal, mediante a ressurreição de seu Filho.
Ligando a palavra com a ação eucarística
Como comunidade peregrina, grávida da salvação de Deus, nos reunimos para celebrar. Vivemos a experiência de Maria, que, vestida de sol e adornada de jóias bonitas, canta a esperança oferecida aos pobres e humildes.
Com ela entoamos, alegres, nossa ação de graças pela salvação realizada em Jesus Cristo, após termos ouvido e acolhido a Palavra, guardando-a em nosso coração para vivê-la, como Maria sempre fez.
Sentamos com ela à mesa do Pai e participamos do banquete do Reino, com seu Filho Jesus, saboreando antecipadamente a alegria de nossa elevação definitiva.
padre Benedito Mazeti



O céu de Maria!
Maria foi assunta ao céu, elevada para junto de Deus em corpo e alma. Se Jesus nos abriu as portas do céu que estavam fechadas, Maria foi o primeiro ser vivente a entrar por ela. Na verdade, em Maria os Filhos degredados de Eva puderam sentir o “gostinho” da volta ao Paraíso e viver de novo na plenitude da comunhão com Deus, como era antes do pecado original. Na vida de Maria, desde o seu nascimento, até a sua “dormição” como preferem denominar o término da sua vida terrena os católicos ortodoxos, a gente vai aprendendo que o céu, dom de Deus, é também uma conquista do homem.
A partir de Jesus nos tornamos todos combatentes “Pois é preciso que ele reine, até que todos os seus inimigos estejam debaixo dos seus pés. O último inimigo a ser derrotado é a morte” afirma o apóstolo Paulo na segunda leitura desse domingo em 1Cor. 15,20-27, mostrando-nos que a conquista do céu vai acontecendo na medida em que, em nossa caminhada vamos combatendo e destruindo as forças do mal, que querem nos levar à morte, para longe de Deus e do seu Paraíso, que é o nosso destino glorioso.
É assim que a vitória de Cristo vai sendo confirmada, pois quando falamos que o céu é dom que Deus nos concede, estaríamos sendo ingênuos se imaginarmos que podemos conquistá-lo sem nenhum esforço. Mas o que mais nos surpreende nessa liturgia Mariana é a bela visão apocalíptica de João na primeira leitura, que vê no céu o sinal de uma mulher guerreira, destemida e vitoriosa, imagem que a Igreja atribuiu a Maria, pois para chegar vitoriosa no céu, Maria foi também vitoriosa na terra, aliás, a partir da obra que Deus realizou em Maria, o céu desceu a terra. “Uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés, e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”.
A visão do mal sempre é aterradora, mesmo em uma linguagem simbólica e figurativa como a de João “Um dragão de sete cabeças e dez chifres, e sobre a cabeça sete coroas” Quem é que não se assusta diante de um bicho feio como este, com tanta força e poder?! Quem é que não se assusta com o mal hoje presente no mundo, marcado por tanta violência, medo, insegurança e o terror? Mas no espaço do céu, que é o lugar de Deus, esse mal tem o poder limitado. “Sua cauda varria apenas um terço das estrelas, atirando-as sobre a terra”, ou seja, a força do bem presente em Maria consegue neutralizar as forças avassaladoras do mal. Mas quem é essa mulher ousada e vitoriosa, que chamamos de Mãe?
No evangelho festivo da Festa da Assunção, na catequese de Lucas percebemos algo encantador, que faz a diferença na vida de Maria, e que faz a diferença nossa vida também: A força do Espírito de Deus! Prestemos atenção nas expressões verbais colocadas por Lucas, e que indicam uma ação imediata: Maria partiu – dirigindo-se apressadamente – entrou na casa e cumprimentou Isabel. Maria, essa mulher guerreira e vitoriosa, deixa-se mover no dinamismo do Espírito de Deus. Sua vida pacata na pequena Nazaré passa por uma “sacudida”, a partir de então, ela se moverá a partir do Espírito de Deus presente nela e que irá impulsioná-la a sair de Nazaré e a sair de si mesma, abrindo-se cada vez mais para Deus e os irmãos e Maria diante da revelação do anjo descobre a sua vocação de servir “Eis aqui a serva do Senhor...”
Tudo começou quando ela se fez pequena diante de Deus, é aí que o céu já começa a acontecer em sua vida. Quando os homens descobrem nessa vida a vocação para o amor, o céu já se faz presente. A entrada de Maria no céu, na Festa da Assunção, é apenas uma referência de sua glória, esta glória do Senhor que a envolveu totalmente, fazendo-a viver para Deus, sem deixar de viver para os irmãos. E quais são as conseqüências, na vida de Maria e em nossa vida, quando nos deixamos mover pelo Espírito Santo presente em nós? Isso é fácil de perceber nessa catequese de Lucas, olhando para a reação de Isabel - “Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria em meu ventre”. Quem é de Deus e a ele pertence e se entrega, transmite a paz verdadeira, o Shalon que traz alegria.
Quando o evangelho narra que Maria saudou Isabel, não foi uma saudação costumeira de bom dia ou boa tarde, mas sim a saudação desejando a Paz. Maria é anunciadora da Paz e portadora da Salvação, pois ali, naquela região montanhosa em casa de Israel, o Espírito de Deus transbordante em Maria, preenche também a Isabel e lhe revela: chegou o Salvador, Deus já está entre vós! João dá cambalhotas no ventre de sua mãe e com ele a humanidade inteira pode pular e cantar, dançar e extravasar sua alegria: Jesus já chegou! Chegou através dos pobres e pequenos como Maria e Isabel.
Nossos sonhos e esperança de chegar a esse céu das plenitudes como Maria, já começa a se tornar feliz realidade quando descobrimos a nossa vocação para o amor e o serviço, tornando-nos também portadores dessa Paz e alegria, que vem do Espírito de Deus presente em nós.
diácono José da Cruz



1 – O que não mata engorda. O que não nos derruba fortalece-nos. O que nos nos liga no tempo e na história, ligar-nos-á, por vontade de Deus, na eternidade. Deus precede-nos chamando-nos à vida, para vivermos em comunhão com Ele. Família que se alarga e se aprofunda. O amor gera vida. O Amor de Deus explode e cria o universo, a humanidade. Deus cria-nos, como diria Bento XVI, para a grandeza e para a beleza, como filhos bem-amados, para sermos e nos sentirmos em casa e cuidarmos uns dos outros e do mundo que nos envolve.
Os nossos pais querem o melhor para nós. Sempre. A não ser que se esqueçam de ser pais. Como poderia Deus deixar de ser Pai? Como poderia Deus, que é Pai e é mais Mãe (João Paulo I), deixar de nos amar? Poderia inverter os seus desígnios de amor e destruir a obra das suas mãos? Poderia, mas então seria um Deus preservo, um Pai pouco Mãe, mais juiz que Pai, mais tutor que familiar!
A liberdade com que Deus nos criou engrandece-nos e responsabiliza-nos. Não somos, em definitivo, marionetas nas Suas mãos, somos autónomos, com a capacidade de fazer escolhas e, dessa forma, a vida é dom, porque a recebemos, e tarefa a cumprir, pois cabe-nos decidir sobre o que somos e o que queremos ser, além e apesar de todas as condicionantes e circunstâncias. Às vezes dói, porque nem tudo é como sonhamos. Dói àqueles que nos geraram para a vida e para a felicidade, porque nos veem sofrer e pouco podem fazer. Não nos podem substituir. Se assim fosse, a vida não era nossa, mas deles. O mesmo de Deus se Ele nos substituísse nas dificuldades.
Porém, como os nossos pais, também Deus não desiste de nós. Nunca. Nunca desiste da humanidade por mais cambalhotas, pecados e distanciamentos que esta possa provocar. Não desiste de fazer tudo o que Lhe é possível, sem ferir a nossa liberdade, as nossas opções. Envia mensageiros, profetas e juízes, réis e sacerdotes. Dá-nos o Seu próprio filho, envia-no-l'O para caminhar connosco. Aqui entra Maria e José, família sagrada que acolhe, protege e guarda Jesus.
2 – A solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao céu – verdade de fé confirmada pelo papa Pio XII, a 1 de novembro de 1950, a partir da sensibilidade, do sensus fidei, do povo de Deus, que há muito considerava que Àquela que acolheu o Filho de Deus, gerando-O e dando-O ao mundo, sem nunca se desligar do filho, teria que estar onde está o filho, na eternidade do Pai, sem experimentar, nem no início (Imaculada Conceição) nem no fim (ressurreição, Assunção) a corrupção do corpo – celebra a certeza que Deus não desiste de nós e não nos quer perder nem no tempo nem na eternidade.
Jesus, o Filho bem-amado do Pai, encarna, é enxertado na história, com a fragilidade e as limitações espácio-temporais, para caminhar connosco e nos fazer caminhar com Ele, faz-Se humano para nos fazer participar em definitivo na vida divina. No Sacramento do Batismo sublinhamos precisamente esta inserção a Cristo, esta participação na vida divina.
Sem forçar, Deus conta conosco. Desafia Maria e espera a sua resposta. Ao responder ao chamamento de Deus, Maria torna possível um novo avanço na Aliança de Deus com o Seu povo. Já não mensageiros, já não à distância, mas na própria carne humana. Deus torna-Se, com propriedade, Emanuel, Deus conosco.
O Sim de Maria compromete-a e compromete-nos. É um SIM que se traduz em muitos sins, repetidos, atualizados, renovados, novos. A vida também é assim, quem diz sim, di-lo para cuidar, para proteger, para servir. Não se ama num sim que se esvai na memória, ama-se num sim que se renova em gestos, em palavras, em cuidado e ternura, e nas carícias do olhar e do sorriso, do beijo e do afago e do abraço. É essa a resposta de Jesus a uma mulher que o interpela – «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito» – «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc. 11,27-28).
3 – O privilégio de Maria não é meramente pessoal, mas instrumental, na medida em que visa a salvação da humanidade inteira. E Jesus, em Maria, Sua e nossa Mãe, dá-nos as credenciais, a matriz, para podermos almejar a felicidade: escutar a Palavra de Deus a pô-la em prática, como escutávamos no Evangelho da vigília. E, desse jeito, a pertencer-Lhe: minha Mãe e meus irmãos são os que fazem a vontade de Deus. Maria cumpre no primeiro sim e cumpre em cada momento da sua vida como se vislumbra no Evangelho desta solenidade.
Depois da anunciação a Maria e da Sua resposta a Deus, através do Anjo, Ela corre veloz para a montanha, em direção a Ain Karin, cidade da Judeia onde vive a Sua prima Isabel. E aqui pode visualizar-se a missão primeira de Maria: dar-nos Jesus, envolver-nos na alegria da salvação. Isabel interpreta essa alegria: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».
Maria é a Aurora da Salvação, a Estrela da Manhã que antecipa a chegada do Messias de Deus. Nela transparecem as maravilhas do Senhor e se preanuncia a última palavra: Deus e a Sua misericórdia para com todos. No belíssimo hino, o Magnificat, Maria remete-nos para a Aliança de Deus com o Seu povo e para as obras prodigiosas que realizou ao longo do tempo, vislumbrando-se também nesta oração a opção preferencial pelos pobres, pela humildade, pelo serviço ao outro. Ela é a nova Arca da Aliança. David com todo o mundo dançou e cantou pela chegada da Arca da Aliança. O coração de Isabel dança de alegria pela chegada de Maria, porque n’Ela está em gestão a Nova Aliança, o Filho do Deus Altíssimo.
Mas na Visitação também se insinua o serviço, o cuidado e a atenção de Maria.
4 – A vida eterna inicia com a vida terrena. Não há quebras, ainda que haja novidade. A vida é gerada desde sempre para não se perder. Essa é a vontade de Deus e de quem ama. Quando se ama quere-se que perdure o amor, a pessoa amada e a ligação, fortalecendo-se constantemente.
Jesus precede-nos como primícias (as primícias são os primeiros frutos da terra). Ele ressuscita primeiro, depois nós. Em Maria, começa-se a cumprir a promessa. Ela é assumpta por Deus para sempre. Ela que nunca Se afastou de Jesus, até ao Seu último suspiro, é elevada para junto d'Ele na eternidade, no coração do Pai. Para nós fica a postura de Jesus em todo o tempo: alimentar-Se da vontade e da presença do Pai. Para nós fica o exemplo de Maria: em tudo procurar enaltecer as maravilhas do Senhor, dando Jesus, apontando para Jesus: Fazei tudo aquilo que Ele vos disser. É feliz todo aquele que escutar a Palavra de Deus e a traduzir em vida, em serviço, em amor, em ternura. Assim, inicia no tempo o que será na eternidade: a comunhão plena com Deus.
Com fé, rezemos para que Deus, que elevou «à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria» nos conceda «a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória».
Com os olhos fitos em Jesus e na Bem-aventurada Virgem Mãe, com os pés bem assentes neste chão e nesta terra, com o coração bem ligado à vida e aos outros, com as mãos livres para abençoar, para abraçar, para trabalhar, para levantar; para acolher (a bênção e os dons de Deus) e para partilhar (tudo quando recebemos de Deus como dom, para que se multipliquem na dádiva); com as mãos livres e estendidas para Deus, com as mãos abertas e libertas para os irmãos.

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1 – Acreditar em Jesus implica-nos por inteiro, alma, corpo e espírito, sem reservas nem subterfúgios, mesmo que o nosso pecado nos afaste deste compromisso. A nossa primordial vocação é à santidade, comum a todos os batizados. À medida que o tempo avança a nossa identificação a Cristo há de revelar-se cada vez mais efetiva. Cada um de nós – no seu corpo, isto é, na sua vida por inteiro – deve como que fundir-se no único Corpo de Cristo. "Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim" (Gál. 2, 20). Jesus Cristo há de ser tudo em todos, como caminho na história e como plenitude na eternidade, mas que inicia connosco, aqui e agora, no tempo presente. Comer a Sua carne, beber o Seu sangue, comungar Cristo é entrar em comunhão com a Sua vida, para sermos assimilados por Ele. Palavras duras pois bem sabemos das nossas insuficiências. Mas Ele não nos faltará. E ainda bem que sabemos dos nossos limites, o que nos permite reconhecer a necessidade dos outros e do Outro.
Se cada um de nós "comunga", come, saboreia o Corpo de Cristo (poderíamos com propriedade falar da comunhão sacramental e da comunhão de desejo, propósito e de vida. A comunhão sacramental deve corresponder à comunhão de vida com Jesus, mas ainda que aquela não se efetue, o cristão pode e deve alimentar-se da Palavra de Deus, procurando viver o mais possível de acordo com o Evangelho), então caminhamos ao encontro uns dos outros, pois todos nos encontramos em Cristo e assim formamos – todos – o Seu Corpo.
Por vezes separamos a pessoa das suas palavras e dos seus atos. Sim. A pessoa traz em si impressa a imagem de Deus, com o consequente mandamento "não matarás", em absoluto, nada farás de mal ao outro, pois ofenderás a Deus. Com efeito, podemos confiar numa pessoa e ter dúvidas na sua palavra. A pessoa é mais do que os seus pecados! Em Cristo, porém, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, tudo está implicado. Confiar n'Ele compromete-nos com a Sua Palavra, com os seus ensinamentos visíveis no seu modo de proceder. A dureza das Suas palavras passa por aqui: imitá-l'O em todas as situações da vida, sem descanso nem desistências nem atalhos.
2 – «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo... Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós... A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele... aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram: quem comer deste pão viverá eternamente».
As palavras de Jesus são delicadas e provocam, naqueles dias como ao longo da história da Igreja, ruturas. Os judeus interpretam o que nos vai na alma: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?». Não pensemos que é uma questão superficial e resultante de má vontade. Não. Algum de nós entenderia as palavras de Jesus? Como é possível comer a carne de Jesus? Alguns dos discípulos vão seguir outro caminho, como veremos no próximo domingo. Mais tarde, justificando a perseguição à Igreja, dir-se-á que os cristãos são canibalistas, sacrificam, matam, comem pessoas nas suas orações.
Questionado, Jesus não retira o que disse nem emenda o conteúdo das suas palavras. Como temos visto, Jesus esclarece, insiste, mas sem se desviar: quem come o Meu Corpo e bebe o Meu sangue terá a vida eterna, terá parte Comigo, viverá por Mim. Eu sou o Pão da vida e o pão que Eu hei de dar é a minha carne.
Como cristãos católicos professamos a fé na presença real de Cristo nas espécies do pão e do vinho, que pela consagração, por ação do Espírito Santo, se transubstanciam no Corpo e no Sangue de Cristo e que nos alimentam na vida presente, antecipando o banquete na eternidade de Deus. O próprio Jesus o afirma durante a última Ceia, tomando o pão e o cálice com vinho: "tomai e comei, isto é o Meu corpo; tomai e bebei, isto é o Meu sangue derramado por todos". Jesus prepara os seus discípulos para a Sua morte e ressurreição, dizendo-lhes que pela Ressurreição estará presente de maneira nova, gloriosa e real, através do mistério da Eucaristia.
Alguns dos nossos irmãos protestantes continuam a ter dificuldade em aceitar que o pão e o vinho se transformem em Cristo, quando muito são uma presença simbólica de Jesus. Discussões à parte, a Eucaristia traz-nos a certeza da presença real de Jesus, Ele está verdadeiramente vivo e no meio de nós. Deu-nos o Espírito Santo. O Espírito Santo dá-nos Jesus Cristo, vivo e real.
3 – A sabedoria convida-nos para o festim de Deus: «Vinde comer do meu pão e beber do vinho que vos preparei. Deixai a insensatez e vivereis; segui o caminho da prudência».
Os Padres da Igreja hão de identificar a Sabedoria com a segunda pessoa da Santíssima Trindade, isto é, com Jesus Cristo, Filho de Deus. Ele é a Sabedoria, a Palavra do Pai, o Pão que desce do Céu, o Corpo entregue por amor para gerar vida e vida em abundância.
4 – Comungar Cristo, ou seja, estar e colocar-se em comunhão com Cristo, implica seguir os Seus ensinamentos, mesmo que em alguns momentos os não compreendamos tão bem, expressos na sua postura de vida e disseminados na Sagrada Escritura, numa lógica constante de edificar o mundo pelo bem, pela paixão, pelo amor: "Guarda do mal a tua língua e da mentira os teus lábios. Evita o mal e faz o bem, procura a paz e segue os seus passos" (Salmo).
São Paulo, na Carta aos Efésios, que continuamos a escutar, é bem claro sobre as implicações de acreditar/seguir Cristo, como discípulos: "Não vivais como insensatos, mas como pessoas inteligentes. Aproveitai bem o tempo... procurai compreender qual é a vontade do Senhor. Não vos embriagueis com o vinho, que é causa de luxúria, mas enchei-vos do Espírito Santo, recitando entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e salmodiando em vossos corações, dando graças, por tudo e em todo o tempo, a Deus Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo".
A ação brota da oração, da contemplação. Para irradiarmos a alegria, a beleza e a misericórdia de Deus no mundo temos que primeiramente O acolher no nosso coração e na nossa vida. Como disse Madre Teresa de Calcutá, a "oração é uma linha direta de comunicação com Deus" que nos conduz aos outros a começar pelos de minha casa.
5 – Celebramos hoje a Jornada do Migrante e do Refugiado, num convite cada vez mais premente por acolhermos os que chegam com a sua miséria e com o seu apelo.
Na mensagem para este dia, o Papa Francisco, propondo o tema "Igreja sem fronteiras, mãe de todos", começa por referir que "a Igreja, peregrina sobre a terra e mãe de todos, tem por missão amar Jesus Cristo, adorá-Lo e amá-Lo, particularmente nos mais pobres e abandonados; e entre eles contam-se, sem dúvida, os migrantes e os refugiados, que procuram deixar para trás duras condições de vida e perigos de toda a espécie". Prossegue, recordando o juízo final: «Tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e recolhestes-Me, estava nu e destes-Me que vestir, adoeci e visitastes-Me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt. 25, 35-36).
A Igreja em Portugal transformou o tema proposto pelo Papa, sintonizando-se com o Evangelho deste dia: "Igreja Sem Fronteiras. Somos um só Corpo".
Na Peregrinação Nacional dos Migrantes a Fátima (12 e 13 de agosto), ficou clara esta urgência, mormente nas palavras de D. António Marto, na disponibilidade da Igreja acolher mais refugiados e imigrantes que vêm desembarcar na Europa, em condições desumanas. É uma proposta concreta para um problema real e concreto.



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1 – A meditação do rosário conclui-se com dois mistérios referentes a Nossa Senhora, a sua Assunção ao céu, em corpo e alma, e a sua coração como Rainha do céu e da terra, dos homens e dos anjos. É esta dimensão da vida de Nossa Senhora que celebramos neste dia 15 de agosto, que por vontade expressa e manifesta de muitos portugueses se manteve feriado civil para melhor acentuar o dia santo, para que os cristãos portugueses, emigrantes incluídos, pudessem aproveitar para celebrar a fé, honrando a Virgem Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa, o que acontece em diversas comunidades com as suas festas populares agendadas para esta data.
sensus fidei tornou-se crucial para esta tomada de decisão. Nas negociações com o governo português para a suspensão ou supressão de dois feriados religiosos, o dia 15 de agosto seria um dos sacrificados. Os Bispos portugueses receberam muitos pedidos para que este feriado se mantivesse. De alguma forma o mesmo sucedeu com o próprio dogma, primeiro acolhido pela fé do povo de Deus, desde sempre, e só em 1950 sancionado pelo papa Pio XII. As comunidades cristãs entendiam que se Maria foi preservada de toda a mácula, também tinha que ser preservada da corrupção do túmulo, envolvida desde o primeiro instante com o mistério da morte e ressurreição de Jesus.
Ela foi o sacrário vivo para Jesus. Deus é Sacrário onde Se encontra Maria, junto de Jesus. Assunta em corpo e alma, isto é, por inteiro, pois inteiramente Se entregou à vontade de Deus.
2 – A ressurreição é o milagre maior da nossa fé, no qual se inscrevem todos os outros, desde a Imaculada Conceição da Virgem Mãe à Sua Assunção ao Céu, a Encarnação de Deus na história dos homens, e todos os prodígios realizados por Jesus ou pelos Seus discípulos.
Toda a vida de Jesus traduz, transluz, concretiza a vontade do Pai, num projeto de reconciliação dos homens entre si e com Deus. Vem na plenitude dos tempos para nos trazer a plenitude do Amor paterno. A Sua vida, corpo e alma e sangue, é dádiva. A cruz é sinal eloquente deste Amor que vai até ao fim, assumindo-nos totalmente para nos salvar por inteiro, também da morte. A Ressurreição coroa este projeto de vida nova no Espírito. Jesus assume e vive a vontade do Pai. Deus Pai assume o Filho e o Seu amor, para no-lo devolver no Espírito Santo.
A liturgia da Palavra proposta para esta solenidade, é garantia desta promessa que se realiza em Jesus: “Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda”.
O apóstolo apresenta a ressurreição de Jesus como primícias. Ele é o primeiro, é a Porta que se abre para nós, garantindo-nos a morada eterna junto de Deus. Nossa Senhora, por privilégio da graça divina, é elevada ao céu, Ela que Se deu toda a Deus, Deus assume-A totalmente desde a concepção à ressurreição. Ela é «Sinal» de esperança e de alegria para todo o povo de Deus, que peregrina pela terra em luta com o pecado e a morte, no meio dos perigos e dificuldades da vida. Com efeito, a Mãe de Jesus, «glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há de consumar no século futuro» (LG. 68).
3 – Ela é coroada como Rainha. Uma Rainha que é Mãe da Igreja, da humanidade. No alto da Cruz Jesus no-l'A entregou por Mãe para que A levássemos conosco, para nossa casa, para a nossa vida, como discípulos amados.
Com a morte de Jesus, Ela torna-se a guardiã da memória, da fé e da esperança congregando os discípulos, a Igreja, em espera orante. Chegada a sua hora, Deus eleva-A para que junto do Filho possa continuar a exercer o seu ministério de amor e intercessão.
“Apareceu no céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. Ela teve um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».
Deus sempre nos socorre. A mulher sob a ameaça do dragão, que é símbolo de Maria e da Igreja. Deus vale-nos ainda que o mal pareça aniquilar-nos. Deus é mais forte, e não deixa que o mal nos devore.
4 – Maria, no seu SIM traz-nos Deus feito Homem. Um sim que se concretiza na procura constante por realizar a vontade de Deus.
“Enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Mas Jesus respondeu: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc. 11,27-28). No evangelho, proposto para a Missa da vigília, acentua-se a prioridade para a escuta da Palavra de Deus e o seu consequente cumprimento. Maria é feliz, bem-aventurada, porque acreditou, é feliz porque dessa forma Se torna Mãe de Deus, é feliz porque ousa responder ao amor de Deus com a pressa em ir ao encontro dos outros para auxiliar (Visitação), intercedendo (bodas de Canã), mantendo a Igreja em vigilância (depois da morte de Jesus) à espera do que há de vir (o Ressuscitado). Agora junto de Deus, aos pés de Jesus, Seu amado Filho, Ela assume a mesma missão de intercessão, de desafio – fazei tudo o que Ele vos disser –, de medianeira das graças divinas, de Mãe que nos acolhe, nos protege e no Seu olhar nos assume como filhos e nos embala no tempo de dor.
“A Igreja – palavras do papa Francisco no santuário de Nossa Senhora da Aparecida, no Brasil – quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: «Mostrai-nos Jesus». É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado".
5 – Com os olhos postos no Alto, com a firmeza do peregrinar nesta terra, neste mundo e neste tempo, com a missão de sermos portadores da Salvação que nos é trazida em plenitude por Jesus, procurando imitar a Virgem Santa Maria, com a disponibilidade para escutar, para louvar, para nos integrarmos no Povo de Deus.
Ela é herdeira desta história da salvação. Herança que, juntamente com São José, deposita em Jesus Cristo. A sua oração coloca-a no coração do Povo de Deus, dando continuidade à profecia no seu próprio Corpo, no seu sim: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre».
A oração integra o serviço, como facilmente se deduz do Evangelho. Maria vai apressadamente para ajudar a Sua prima Isabel, sem calculismos do tempo despendido, dos perigos do caminho, ou dos gastos a efetuar. Vai simplesmente. Por vocação. Por amor. Para servir. Para ser prestável. Leva com Ela o fruto do Seu ventre, Jesus, e começa a espalhar a alegria a todos os que Dela se aproximam. A oração fá-la permanecer junto de Isabel para a ajudar nos momentos mais difíceis da gravidez.
Maria acolhe do céu a graça que n'Ela Se faz carne, mas rapidamente se põe a caminho da montanha, a uma cidade que pode também ser a nossa, para levar ajuda e a melhor ajuda é a presença de Jesus.
Como em vida, também agora como ressuscitada em Cristo Jesus, continua zelosamente a interceder por nós, a olhar para nós, a dar-nos Jesus, a elevar o nosso coração para Deus mostrando-nos o caminho através do serviço aos irmãos. Ela seguiu Jesus em vida e logo depois para a eternidade. Agora nós, sigamos Jesus Cristo para depois n’Ele sermos herdeiros da bem-aventurança eterna.
padre Manuel Gonçalves


 



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