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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

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terça-feira, 28 de agosto de 2018

22º DOMINGO TEMPO COMUM-Ano B


22º DOMINGO TEMPO COMUM-Ano B



02 de Setembro

 

Evangelho – Mc 7,1-8.14-15.21-23

 

·     -22º DOMINGO TEMPO COMUM-Ano B-José Salviano 


·         Neste dia de hoje, como estamos nós? Puros, ou impuros? Como está a nossa alma? Limpa de todo pecado, ou cheia de impurezas do pecado? E se eu ou  você morrêssemos hoje? Para onde iríamos? Para o Céu, ou para o inferno?
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“ESCUTAI TODOS E COMPREENDEI.” Olivia Coutinho

22º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 02 de Setembro de 2018

Evangelho de Mc 7,1-8.14-15.21-23

Estamos iniciando o Mês da Bíblia, tempo em que a Igreja nos convida a abrirmos  mais vezes,  este livro sagrado, para  que possamos nos aprofundar mais na palavra de Deus, palavra que orienta, que liberta, que aponta caminhos!
Numa comunidade cristã, que alimenta a sua intimidade com a Bíblia, sempre haverá inovações, avanços significativos, tanto na catequese, quanto na liturgia, como também, no cotidiano das pessoas, pois através da leitura profunda da Bíblia, todos vão se inteirando do querer de Deus.
Quem não procura inteirar-se  do querer de Deus, vive na superficialidade, presos nas  tradições, cumprindo preceitos, rituais vazios que não chegam ao coração de  Deus.
 Quantos de nós, perdemos a oportunidade de viver uma intimidade profunda com Deus, por estarmos presos em pormenores, em coisas insignificantes que não nos deixa enxergar o belo da vida!
Temos a tendência de ficar observando o outro, pena, que esta nossa observância, se direciona mais para o ponto fraco das pessoas, o que não nos deixa enxergar, o que há de bom no seu interior! Devido a esse nosso olhar malicioso, vamos perdendo a capacidade de ver além das aparências, de ter uma percepção profunda dos fatos, das pessoas, ainda não aprendemos a ter um olhar de contemplação, um olhar que vai além do que os olhos físicos alcançam, um olhar que nos faz enxergar a pessoa na sua essência!
Enquanto estamos nos ocupando em procurar defeito no outro, deixamos de cuidar do nosso interior, de sermos criteriosos nas nossas escolhas e assim vamos dando espaço para o que não é de Deus, abraçando tudo o  que o mundo nos oferece...
O evangelho que a liturgia  de hoje nos convida a refletir, fala de um questionamento maldoso dos fariseus e mestres da lei, dirigido à Jesus. "Porque os teus discípulos não seguem as tradições dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?."
Fariseus e mestres da Lei, se misturavam à  multidão que cercava Jesus, disfarçados  de ouvintes Dele, com o objetivo de  investiga-lo. Eles queriam saber, qual o tipo de ensinamento  que Jesus estava passando  para os discípulos e se Ele estava incitando o povo, a não observância das Leis. Havia chegado ao conhecimento destas autoridades, que os ensinamentos de Jesus, não enquadravam com os padrões religiosos estabelecidos por eles.
Para os fariseus e mestres da lei, religião, era observar as tradições antigas, cumprir preceitos, normas, rituais, que nada acrescentava ao ser humano, como lavar as mãos antes de comer, tomar banho depois de chegar da rua, a maneira correta  de lavar copos, jarras, vasilhas... Atrás de uma aparente pureza, eles escondiam a dureza dos seus corações, cumpriam rigorosamente as tradições antigas, mas deixavam o principal, eles não viviam o amor e a fidelidade a Deus, não agiam com misericórdia, suas atitudes eram totalmente contrárias à vida.
O texto nos leva a um questionamento a respeito da nossa fé e da nossa vivencia do dia a dia: Estamos sendo coerentes entre o que falamos e o que vivemos?
É importante lembrarmos: Deus não nos olha externamente, para Ele não importa a nossa cor, a nossa posição social, nossa cultura e nem mesmo a nossa religião, para Deus, o importante, é o que cultivamos de bom no nosso interior, ou seja: a pureza do coração, pois é do coração puro que brotam os mais belos gestos de amor!
De nada adianta nossos atos externos se eles não retratam o que somos interiormente. Aos olhos de Deus, a prática exterior, só tem sentido, se for uma expressão do que realmente cremos e vivemos do contrário, são práticas vazias, que nada significam, pois mostram o que na verdade não somos.
O que nos distingue como seguidores de Jesus, não são as nossas muitas palavras bonitas, e sim, a nossa vivencia no amor!
Deixemo-nos impregnar  no amor de Jesus, um amor que liberta, que inclui, que nos torna sinal vivo da sua presença no mundo.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! Olivia Coutinho
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Deixais de lado o mandamento de Deus,
para vos prenderdes à tradição dos homens.
A fidelidade ao querer de Deus
A liturgia deste domingo põe o cristão perante a Lei de Deus. De fato, Deus, no seu amor, dá uma série de normas que têm como objetivo fazer o homem feliz. O livro do Deuteronômio, chamado assim por ser a segunda lei, contém em si uma série de regras que por demasiadas, constituem fonte de uma certa angústia para o crente. As mais de 600 normas do livro do Deuteronômio criam a perplexidade de cada um se interrogar sobre se está ou não a cumprir a Lei. Talvez por isso Deus tenha querido simplificar a sua Lei reduzindo-a aos Dez Mandamentos confiados a Moisés no monte Sinai. Se as mais de 600 normas eram pesadas, os Dez Mandamentos confiados a Moisés são mais simples. A grande síntese da Lei de Deus, porém, foi Jesus que a ofereceu com o chamado Mandamento Novo “que vos ameis uns aos outros como Eu próprio vos amei”. Na liturgia de hoje, as normas do Deuteronômio tornam grande o Povo de Israel perante os outros povos, Israel é assim uma grande nação (1ª leitura). É preciso no entanto, superar os critérios farisaicos uma vez que “não é o homem feito para o sábado, mas é o sábado que é feito para o homem”. O farisaísmo não era libertador, não revelava o Deus do amor (Evangelho). Por isso são Tiago ao escrever a sua Carta às comunidades cristãs privilegia as atitudes concretas de caridade sobretudo para os mais pobres e para os que mais sofrem, os órfãos e as viúvas (2ª leitura).
1. Observar a Lei de Deus
Cumprir a Lei é uma forma de amar. Esta porém, não pode ser tão complicada que se torne difícil compreendê-la, aceitá-la e vivê-la. Era este o problema da segunda lei, o Deuteronômio. Demasiado complexa, com pormenores às vezes quase ridículos. No entanto, a fé num Deus que oferecia regras de comportamento era, para os israelitas, motivo de prestígio perante todos os outros povos. Dizia-se de Israel, é uma grande nação com um grande Deus e preceitos de justiça.
2. Vencer o farisaísmo
Os judeus fizeram duma prática higiênica, lavar as mãos, um rito religioso. Isto era muito frequente nos povos primitivos em que tudo era dependente do querer de Deus. Jesus veio instaurar a liberdade. Para Ele lavar as mãos é apenas uma atitude higiênica. É claro que os fariseus condenavam o fato dos discípulos de Jesus comerem sem lavar as mãos. As práticas farisaicas deviam ser vencidas, por isso Jesus, ao falar de outra prática higiênica, o que se deve ou não comer, pôde dizer que o que faz mal não é o que entra pela boca, mas aquilo que, pela boca, sai do coração. “O que sai do homem é que faz o homem impuro”. Nesta conversa simples entre Jesus e os fariseus, redifine-se o que é essencial no cumprimento da lei. A fidelidade à lei é um sinal do amor que está no coração.
3. A lei em Jesus Cristo é o Amor
Vale a pena ler integralmente a Carta de são Tiago. Ela está dominada pelo verdadeiro sentido da fé. Quem acredita em Jesus Cristo não tem alternativa, tem de expressar a sua fé em atitudes concretas de caridade. Com razão Tiago diz que “a fé sem obras é morta”. Esta fé vivida na caridade supõe o maior respeito para com Deus, a aceitação incondicional da Palavra, o serviço ao próximo sem condições, inclusivamente não julgar, não condenar, não desprezar. A fé supõe o amor como lei fundamental.
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”



Neste domingo, inicio do mês da Bíblia, a Liturgia da Palavra volta à leitura contínua do Evangelho de Marcos. Veremos que a base da vida cristã está no acolhimento da Palavra de Deus, pois ela tem a força de transformar o interior da pessoa humana e modelar nela um estilo de vida marcado pela sabedoria e pela justiça (1ª leitura). Tiago concretiza tudo isso quando afirma que a religião pura e sem mancha é vivenciada pelo amor ao próximo (2ª leitura). Jesus, por sua vez, apresenta o valor que a consciência tem como raiz do comportamento humano (evangelho) ao afirmar que é do coração que brota a qualidade moral de nossos atos e não das aparências do nosso comportamento nem das influências que possamos receber do mundo exterior.
1ª leitura: Deuteronômio 4,1-2.6-8
O livro do Deuteronômio é um conjunto de estatutos e normas que visam levar a uma prática de vida de acordo com a Aliança com Deus, dentro da terra prometida. Para motivar o povo, Moisés faz uma reflexão sobre o sentido da obediência a Deus e de sua ação salvadora ao longo da história.
Aquele que tem fé deve perceber isto, descobrindo “um Deus tão próximo” dele e sentindo a necessidade de agradecer tantos dons gratuitos que do Senhor recebeu. Desta forma, a Lei de Deus não será vista como uma imposição que vem de fora, mas estará em consonância com um coração que quer agradar a Deus como resposta de fidelidade e o levará a viver segundo a sabedoria e a justiça de acordo com o projeto do Senhor. É deste modo que devemos amar a Lei de Deus para sentir que ela é o caminho certo na nossa realização pessoal.
2ª leitura: Tiago 1, 17-18.21b-22.27
Tiago parte do princípio de que todo bem procede de Deus. Ele não é apenas o autor do bem, mas de tudo aquilo que leva ao bem. Portanto jamais conduziria alguém ao sofrimento e à morte, pois o seu projeto é a vida e a vida em plenitude. Esta vida nova é comunicada pela “Palavra da Verdade”, que é o Evangelho.
A preocupação de são Tiago, nesta sua carta, é que a fé seja levada à prática com atos concretos em todos os campos da vida e não fique em pura aparência sem conteúdos nem exigências éticas. Por isso chama a atenção para a essência da vida cristã que é ouvir a Palavra do Evangelho, sim, mas também aceitá-la e colocá-la em prática (“Sejam praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes”).
É ilusão pensar que a fé se resuma em afirmações ouvidas e decoradas ou em práticas costumeiras. Ela é compromisso que leva a tomar atitudes bem concretas como “socorrer os órfãos e as viúvas..., e manter-se livre da corrupção do mundo”, pois o amor, que é a essência do Evangelho, é a resposta solidária diante de qualquer situação de necessidade.
Evangelho: Marcos 7,1-8.14-15.21-23
O evangelho de hoje relata a polêmica provocada pelo modo de agir dos discípulos, contrário à tradição da “pureza legal” imposta pelos chefes dos judeus.
As prescrições do judaísmo sobre a “pureza” de pessoas, objetos e animais se fundamentavam na idéia de que, quando o ser humano se aproxima de Deus, tem que se purificar de tudo aquilo que possa estar em desacordo com a pureza e a santidade. Para isto criaram um conjunto de normas e obrigações externas que não eram observadas pelos discípulos de Jesus e, por isso, os fariseus os criticavam.
Os fariseus tinham um conceito de religiosidade fundamentado na obrigatoriedade de leis morais e, portanto, recheado de proibições que cerceavam a vida pessoal e impediam a pessoa de ser livre. Grande parte de nossos contemporâneos ainda hoje entende a religião como um catálogo de proibições mantido por formalismos e rituais, mais como “um freio” do que como um projeto de vida. É a mentalidade dos fariseus!
Jesus contradiz essa mentalidade e desmascara a atitude hipócrita que está por trás destas práticas supostamente “religiosas”. Com isso, estava mexendo em algo muito sério: estava abolindo a lei da pureza legal, cuja interpretação era o fundamento de uma sociedade injusta, baseada em tabus que criavam e cultivavam a discriminação, gerando privilegiados e marginalizados, opressores e oprimidos, puros e impuros.
Diante de uma religiosidade sempre na defensiva perante o mundo exterior, Jesus coloca em destaque uma questão que nos conduz até o coração do cristianismo: a salvação é um dom gratuito de Deus que vem a nós pela fé em Cristo e não pelo cumprimento material de práticas e costumes “religiosos”.
Os fariseus e doutores da Lei não poderiam aceitar alguém subvertendo tudo desse jeito. Jesus estava se tornando perigoso para seu modo de pensar e agir!
Palavra de Deus na vida
Ao ler o evangelho de hoje, temos que reconhecer que, frequentemente, nos deixamos levar por um certo moralismo feito de normas e prescrições exteriores e esquecemos que “o que vem de fora e entra numa pessoa, não a torna impura; as coisas que saem de dentro da pessoa é que a tornam impura” porque é da consciência humana que brota o bem e o mal e não do mundo exterior. Ela é o fundamento da verdadeira moralidade.
A tentação não produz o mal. Uma certa tendência ao mal já está dentro do ser humano. A tentação só faz que acordar esse mal adormecido se, antes, já foi acolhido no coração. Quando alguém vê pecado em tudo, o que acontece é que está projetando sobre os outros a malícia que abriga em sua mente.. A vida é sempre da cor dos óculos com que olhamos para ela, como escreve São Paulo (“Tudo é puro para os puros; mas nada é puro para os impuros... , porque a mente e a consciência deles estão corrompidas” (Carta a Tito 1,15) como que explicando aquelas outras palavras do Senhor: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus”. (Mateus 5,8)). Neste sentido, as normas externas de comportamento podem ser hipócritas, como acusa Jesus neste evangelho, se servirem mais para acobertar do que para santificar.
Por outro lado, é bom perceber que a religiosidade unicamente exterior é sempre um perigo em todas as suas formas quando são apenas “sociais” (Missas, batizados, casamentos, bênçãos e funerais). Isto pode reduzir a prática religiosa a um fato sociológico e esconder o verdadeiro sentido do cristianismo como estilo de vida, marcadamente vivencial, que pratica uma religião como resposta de fé, através do testemunho de vida, muito além do que simplesmente rezar e ir à Missa.
A Palavra de Deus hoje é um convite para voltarmos á sinceridade mais profunda. Nos introduz no interior de nossa consciência; ali onde surgem os pensamentos e as intenções, onde nossa liberdade decide o que queremos ser e o que queremos fazer, onde se incuba nosso projeto verdadeiro de vida, onde unificamos ou desintegramos nossa identidade e coerência pessoais.
Na vida pratica cuidamos pouco da nossa vida interior: exaltamos a aparência física, a “fachada” externa, mas cuidamos muito pouco de cultivar a nossa consciência, a sabedoria, os valores que dão sentido à vida. E assim nos tornamos superficiais, confundindo o “bom” com o que dá prazer, o “justo”com o que nos interessa e acabamos criando certas máscaras que ocultam o nosso vazio interior. Precisamos entrar dentro de nós e rever nossas convicções mais profundas; perguntar ao nosso coração o que ele quer da vida, como se sente diante dos irmãos mais necessitados.
PENSANDO BEM...
+ Como fazer para que a nossa religiosidade não esteja tão contaminada pelo egoísmo infantil que nos leva a praticar muitos rituais para ganhar o favor de Deus?
+ Como evitar que costumes e a tradições sejam sustento da prática religiosa?
+ Cuidamos da pureza do nosso coração como cuidamos da nossa aparência exterior?
padre Ciriaco Madrigal



"Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim"
Domingo da pureza do coração. Neste domingo, fazemos memória da Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta em todos aqueles batizados que tornam sua vida, pela prática da caridade e da justiça, um culto agradável a Deus.
A celebração deste domingo nos mostra que o culto que agrada ao Senhor é aquele que brota da Aliança (relação) sincera com Deus e que se expressa em ações solidárias efetivas em favor dos irmãos e irmãs. É a liturgia da caridade mais do que da observância exterior da lei. "Escuta, Israel, as leis que te ensino para que as pratiques" (Deuteronômio 4,1). A nossa tentação é seguir a tradição dos homens, abandonando os mandamentos de Deus, e, para justificar tudo, promover atos de culto majestosos. "Este povo me honra com os lábios, mas o coração dele está longe de mim" (Marcos 7,6 e Isaias 29,13).
Primeira leitura: Deuteronômio 4,1-2.6-8
O capítulo 4 do livro do Deuteronômio foi escrito no tempo em que os israelitas sofriam as conseqüências do exílio da Babilônia. Como exilados estão longe de sua pátria, distante dos familiares e amigos, impossibilitados de viver intensamente a sua fé no Senhor da história e expressá-la no culto com liberdade já que são forçados a morar em terras estrangeiras, dominados pelo imperialismo e religião dos babilônicos. É fácil de compreender que estes exilados israelitas estavam profundamente chocados com tudo que experimentavam e viam, apesar de terem sido freqüentemente alertados, principalmente pelos seus profetas. Muitos caíram num fatalismo nocivo, e outros, não raramente, negavam a fé no Senhor juntando-se à maneira de viver dos pagãos babilônicos.
Talvez agora eles dessem mais ouvidos às palavras dos seus líderes do que quando estavam na Palestina. E o apelo aos exilados se refere a um assunto por demais conhecido, isto é, a escutar as normas e as leis que Deus ensina para que as coloquem em prática.
Mas, se as normas e leis forem cumpridas, Israel poderá tomar uma segunda vez posse do país que o Senhor, o Deus dos antepassados de Israel, dá e nele poderá viver em paz.
A estas normas e leis os israelitas não devem acrescentar nada e nem delas tirar algo, mas simplesmente guardá-las como o Senhor as prescreveu (versículo 2). Apenas a sua obediência fiel possibilitará a volta dos israelitas à sua pátria. O Senhor então poderá realizar um segundo êxodo, desta vez da opressão do Império Babilônico.
Os exilados de Israel são convidados a prestar atenção: "Escuta, Israel"! Talvez assim no exílio, dessem maior atenção à escuta e à pratica das normas e leis que o Senhor os ensinou. Os israelitas são convidados a retornar ao Senhor (conversão) pela observância da Lei. O senhor está próximo; mora com seu povo. Ele poderá suscitar um novo êxodo.
Salmo responsorial: 14(15),1-5
Este Salmo traça um compendio de moral a ser observado, cf. os preceitos dos dez mandamentos Êxodo 20,1ss. O Templo de Jerusalém toma por vezes o nome de "tenda", à imagem do antigo santuário do deserto que relembrava todos os anos a festa das Tendas (Êxodo 23,14ss). Trata-se de uma liturgia, à semelhança do Salmo 23/24, muito parecido com este. Chama-se assim porque há nele um fragmento de um rito muito antigo, uma liturgia da qual temos pouco conhecimento. Supõe-se que os romeiros, indo a Jerusalém para as festas anuais, fossem acolhidos por um sacerdote na entrada do Templo. Ao peregrino perguntavam ao recepcionista: "Quais são as condições para entrar no espaço do Templo e aí ficar durante os dias da festa?" (As grandes festas duravam 8 dias). O sacerdote respondia, expondo as exigências (cf. Salmo 23/24). Alguns estudiosos dão a este Salmo o nome de liturgia da porta.
O versículo 4 do Salmo fala que o justo não deve compactuar com os ímpios, mas honrar os que são fiéis ao Senhor. A expressão freqüente nos salmos, é sinônimo de: fiel, piedoso, devoto.
O rosto de Deus neste salmo é muito interessante. De acordo com o salmo, Deus mora no Templo de Jerusalém e aí recebe seus hóspedes. Portanto, um Deus acolhedor. É um Deus fortemente ligado às exigências do êxodo, quando Javé tirou os hebreus do Egito e a eles se aliou para que se criassem na terra da promessa uma nova realidade marcada pela igualdade, justiça e solidariedade.
Deus não pede nada para si: nem ofertas, nem sacrifícios, nem oblações, nem holocaustos. Nada. É como se Ele dissesse a cada um: "Você quer ser meu hóspede, meu amigo? Acolha o outro, seja amigo dele na integridade, na verdade, na justiça e na solidariedade". Deus não quer nada para si. Se quisermos dar-Lhe algo, é aos outros que precisamos doar e doar-nos (cf. Mateus 25, 31-46).
Jesus assumiu plenamente este salmo, Veja, por exemplo, o que diz do Templo como lugar de religião opressora (João 2,13-22), da questão do puro x impuro (Marcos 7,1-23), da ganância dos fariseus (Lucas 11,37-44); veja, também, em Lucas 10,29-37, como o samaritano - tido por herege - tem uma atitude religiosa perfeita.
Respondendo à Palavra do nosso Deus que acabamos de escutar, peçamos a ele que venha a nós e nos converta totalmente ao seu amor e á sua justiça.
Segunda leitura: Tiago 1,17-18.21b-22.27
No versículo 17, da leitura desse domingo, Tiago, a título de ilustração, apela para imagens dos astros: Deus é pai das luzes em sentido próprio e alegórico, criando e ordenando as luminárias do firmamento (imagem do bem) para dissipar as trevas (imagem do mal). Deus sendo o Criador de todas as coisas, está acima de qualquer ordem terrestre. Ele é imutável e perfeito e em seu agir não pode ser autor do mal e da imperfeição.
Assim como Deus criou o mundo por um ato livre de sua vontade (versículo 18), assim também como salvador bondoso, nos regenerou para uma vida inteiramente gratuita, sem qualquer mérito nosso.
O apóstolo Tiago se refere à Palavra da Verdade. A Palavra da Verdade - que no Salmo 118,43 é a lei de Moisés e no Novo Testamento é a pregação do Evangelho (1 Coríntios 4,15; 1Pedro 1,3; Efésios 1,13) - torna-se o agente da salvação e filiação divina para quem acata a fé da Igreja na redenção operada por Jesus Cristo e vive em comunhão com ela. Tiago exprime a obra salvadora de Deus com um termo raro: "apokýein" que é igual a dar à luz). A Palavra da Verdade (= Evangelho) é como que o princípio materno, por meio do qual Deus "dá à luz) o homem quando disposto, conferindo-lhe vida nova. Não se trata do batismo, mas da mensagem salvadora da fé. O batismo, depois, efetua e consuma esse renascimento mediante a fé na Palavra, uma como nova criação (2Coríntios 5,17; Gálatas 6,15; Efésios 2,10; João 1,12s; 3,3-8).
Somos primícias de suas criaturas. "Como que primícias (versículo 18) indica o fim básico do novo nascimento: o cristão torna-se fruto primeiro, antes dos demais ou a parte melhor, - a criatura mais sublime (cf. Romanos 16,5; 1Coríntios 16,15). A dignidade dos filhos de Deus implica nos renascidos em responsabilidade: viver a Palavra da Verdade pela fé atuante. Tiago, antes de explicar normas cristãs, estabelece como fundamento o fato de termos renascido em Deus, filhos de Deus, primícias do mundo remido.
Mais que uma doutrina, a Palavra constitui uma misteriosa presença de Deus entre aqueles que a ouvem: Ela está "plantada" nos nas pessoas, ao mesmo tempo, que é acolhida por ele (versículo 21).  Semelhante a uma semente, a Palavra encontra em si mesma sua própria eficácia (cf. Mateus 13), sob a condição de não se deparar com obstáculos e de ser semeada em terreno fértil.
A Palavra da Verdade é a vida divina nas pessoas, "guardá-la não poderá, portanto, consistir em enterrá-la com um tesouro: ela deve desabrochar-se na vida da Trindade, dirão mais tarde os escritos do Novo Testamento (João 8,51-55; 14,21-24; 17,6-19; 1João 2,5; 5,2-3);deve frutificar em obras (versículos 22-27; cf. Mateus 7,21-26).
Mas Deus julga a eficácia de sua Palavra na pessoa humana pelas "obras" que ela produz (Tobias 12,9; Jó 34,10-11; Jeremias 17,10; 31,29-30) e que constituem a religião pura e sem mancha.
Trata-se de receber com mansidão a Palavra da Verdade, formulada pela pregação da Igreja e professada no batismo, a qual produz, mas não sem o concurso humano, mansidão, amabilidade, cortesia, humildade e confiança - uma vida nova. É o que profetizara Jeremias (31,33b): "Porei minha lei no fundo de seu ser e a escreverei em seu coração. Então serei seu Deus e eles serão meu povo".  "Receber a Palavra" na Bíblia é aceitá-la, compreendê-la obedecê-la. Exemplo disso é a atitude de Cristo para com o Pai. É preciso aceitar a salvação oferecida por Deus, como nos ensina Jesus Cristo. A "vida pela Palavra" é a integração autentica da verdadeira vida cristã de sempre, - Palavra que tem poder de salvar, contanto que seja cumprida, como fez Maria. É viver o que se crê. Ilude-se aquele que ouve, aceita com prazer a Palavra, sem colocá-la em prática.
Uma religião sem as boas obras que é a santificação própria e caridade ao próximo é insignificante. Para uma piedade autêntica não bastam práticas externas e ritualismo frios. É preciso, além da integridade moral (coração puro), uma vida ativa nas obras de caridade fraterna e de misericórdia. Na Bíblia os carentes proverbiais são as viúvas e os órfãos. A tese de Tiago é: não existe santificação própria sem caridade, nem caridade sem santificação própria.
O apóstolo Tiago afirma com toda convicção que os cristãos foram gerados para uma vida nova pelo anúncio "da Palavra da Verdade" que vem de Deus. São as primícias do mundo redimido. Essa ação de Deus requer resposta, pede cooperação que se traduz num novo modo de viver: "Sejam praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes, iludindo a si mesmos" (versículo 22), exercendo a verdadeira religião: "Socorrer os órfãos e as viúvas em aflição e manter-se livre da corrupção" (Versículo 27).
Evangelho: Marcos 7,1-8.14-15.21-23
Por causa da polêmica sobre o que torna a pessoa humana pura ou impura, Marcos prepara a viagem de Jesus para além das fronteiras do território de Israel. Na mentalidade do judaísmo, Israel era uma nação pura e santa; era o povo consagrado por Deus (cf. Deuteronômio 7.6). Os demais povos eram impuros. Israel devia ser uma nação pura e santa e viver numa terra pura e santa, distinguindo-se por esta pureza e santidade dos outros povos, dos pagãos. Na religião do judaísmo tardio, a exigência da pureza a respeito do culto começou a predominar demais sobre a dimensão interior da religião.
Pode-se se perguntar em que medida todo o povo judeu acompanhou este processo. Os costumes descritos nos versículos 3-4 dizem respeito somente aos sacerdotes ou também ou também ao povo judeu? Seja como for, a importância dada à pureza legal trouxe internamente uma discriminação infeliz. Para os fariseus era impuro quem pertencia ao "povo da roça" (o "am há-arez"), os saduceus, os samaritanos e os pagãos. Para os essênios e os habitantes de Qumrãm também os fariseus eram impuros e eles retiraram-se de Jerusalém e do Templo, porque achavam que tanto Jerusalém como o Templo estavam profanados porque eram servidos por sacerdotes impuros. Para eles a sua comunidade no deserto era o novo "santuário de Deus".
Ora, Jesus fez o contrário. Para Ele a questão da pureza ou da impureza das leis não tem a menor importância mesmo. Ele senta-se a mesa dom pecadores e publicanos, tidos como impuros. Não exige deles uma purificação com ritos; não mostra reserva nem receio de ser contagiado pelo contato com eles. Ele fala com leprosos e toca neles; permite que a mulher com fluxo de sangue, impura no mais alto grau, toque n'Nele; e não chama a atenção dela por ser impura e nem de que foi sido contaminado por ela pelo toque da mão dela (cf. Marcos 5,25-34 e 6,56).
Na discussão com os fariseus trata-se claramente do problema desta atitude de Jesus. A réplica de Jesus é veemente. Ele censura os fariseus de hipócritas e desmascara o legalismo dos mesmos mediante uma denuncia profética: a religião de vocês é invenção humana. Jesus bate de frente citando um trecho do profeta Isaias: "Bem profetizou Isaias a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: 'Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim" (cf. Isaias 29,13). Ao sistema deles Jesus apresenta uma nova proposta: "Bem-Aventurados os puros de coração, porque verão a Deus" (cf. Mateus 5,8). Não é uma coisa exterior que faz a pessoa ser impura, nem são ritos externos que o purificam. A impureza vem do coração (consciência) e é o coração puro que faz o sacrifício agradável a Deus.
Seria outro engano e hipocrisia a partir disso entender a pureza do coração como uma pureza moral. Jesus quer dizer que puro é aquele que é sincero, que é verdadeiro em seu coração. E sincero precisamente ao reconhecer a sua culpa. Pureza evangélica é sinceridade, é a verdade. Como aquele publicano era puro de coração - e não inocente! - e voltou justificado para casa depois de ter reconhecido que era pecador: "Meu Deus, tem piedade de mim, porque sou pecador" (Lucas 18,13; cf. 23,39-43).
Por sua atitude Jesus derruba as fronteiras entre o profano e o sagrado, o mundo dividido em coisas e costumes uns santos outros profanos, uns divinos outros diabólicos. Jesus põe fim a tudo isso, à separação entre o profano e o sagrado como vendo de fora, Ele pode procurar e acolher os pecadores. Salvando a pessoa humana dos conceitos farisaicos do sagrado e desmascarando-os como invenções humanas em que Deus não tem parte, Jesus abre o coração humano pra o verdadeiro Reino de Deus. Com isso também, Jesus devolve a todas as pessoas a soberania sobre o mundo. Neste sentido Marcos 7,19b: "Jesus declara puro todo alimento" soa como uma recriação do mundo, comparável à criação do mundo pela Palavra de Deus: "Deus viu que tudo era muito bom" (Gênesis 1,31). A maldade vem da pessoa humana, do seu interior (Marcos 7,21-22). A salvação desta maldade vem de Deus como uma graça e não da observância de ritos vazios, de costumes, de enclausuramento em recintos sagrados, vestes sagradas etc.
No entender dos fariseus, a pureza se alcançava pela observância escrupulosa da Lei, a qual expressava a vontade de Deus. A pureza, quando perdida, era recuperada pela prática ritual externa, do larar as mãos, das sucessivas abluções etc. Essa ritualidade legal acaba se sobrepondo à dimensão interior da relação com Deus.
Jesus não dá importância à questão da pureza legal. A observância da pureza legal e religiosa, como não "sentar-se à mesa sem lavar as mãos", reclamada pelos fariseus e doutores da lei, discriminava e cegava para as realidades bem mais importantes do que a discussão entre o impuro e o puro. Por isso mesmo, Jesus não exigiu tal prática aos seus discípulos e continuou indo ao encontro dos considerados "impuros" da sociedade e partilhando da mesa com eles.  Centrando a religião muito mais na pessoa humana do que na lei, orienta-se nitidamente para um messianismo depurado e dando mais importância aos gestos de fraternidade que às práticas rituais (Mateus 15,18-20).
Diante da inquietude dos fariseus diante da não-observância da lei da pureza, Jesus censura a hipocrisia dos seus seguidores e desmascara o legalismo deles. Engana-se quem pensa que o que separa a pessoa de Deus vem de fora e que sua relação se restabelece graças à pratica ritual exterior. A impureza vem de dentro, isto é, do coração humano. Como também é do coração que brota o culto agradável a Deus. Todo o homem é sagrado e toda criatura de Deus é boa em si mesma e pode ser benéfica para o ser humano. Com isso Jesus destaca a dimensão positiva da criação e do ser humano.
Por isso, o cristão examina sua consciência, não para nela descobrir e analisar o bem e o mal, mas antes de tudo para nela encontrar a Palavra de Deus e a pessoa de Jesus Cristo vivendo nele e para ele (1Coríntios 4,3-4). A Eucaristia lembra-lhe a cada dia a presença de Cristo nele e o desperta para suas exigências.
Da Palavra celebrada ao cotidiano da vida
O enfoque da Palavra de Deus deste domingo é muito atual. Chama a atenção para a novidade da vida cristã. O que de verdade caracteriza a relação dos cristãos como Senhor? Uns afirmam ser a observância rigorosa dos dez mandamentos e das normas da Igreja; outros acrescentam a efetiva freqüência nas celebrações litúrgicas. Para outros, ainda, o importante mesmo é a prática da caridade, da solidariedade para com os sofredores.
A vida cristã resulta da aliança entre a Palavra de Deus escutada, a prática coerente da vida e a ação transformadora de tudo o que prejudica o testemunho de fé. O dinamismo da vida cristã brota da conjunção da Lei e da Palavra. A Lei (na perspectiva bíblica) se configura como Palavra de Deus - comunicação que atinge o ouvinte em seu interior e em seu coração, gerando uma nova prática. Nessa perspectiva, a Lei não é uma norma exterior à qual a pessoa se ajusta, mas sim uma realidade de vida, uma força que age, transforma, desenvolve e abre ao novo a partir de dentro, do seu interior.
Na vida cristã é inconcebível a escuta descomprometida da Palavra de Deus. A Palavra de Deus escutada é semente boa que cai em terreno fértil e produz abundantemente. Ela ilumina a conduta das pessoas, imprime sentido e orientação nova vida das pessoas. É Palavra morta aquele que, confinada ao âmbito do culto, se cristaliza na prática religiosa e não chega às realidades do dia a dia da vida. Podemos dizer que escutamos e entendemos a Palavra quando a traduzimos em ações de caridade, em gestos de solidariedade e em comportamentos éticos de justiça. Escutar a Palavra e ficar alienado do concreto da vida se converte em formalismo vazio e ilusório. A Palavra que não gera um real compromisso é Palavra que condena, em vez de fazer "sentir que Deus está próximo de nós".
Outra questão, hoje, se levanta: em que consiste a verdadeira religião ou a autêntica prática religiosa? São Tiago afirma ser o "socorro dado aos órfãos e às viúvas em aflição e manter-se livre da corrupção". Para os fariseus, resume-se na observância escrupulosa dos preceitos da lei. Jesus garante-nos que a relação com Deus passa, necessariamente, pela atenção ao próximo. Não são suficientes boas práticas religiosas e litúrgicas; é preciso prolongar o serviço do templo (o culto dado a Deus na igreja) à liturgia da solidariedade, da fraternidade, da misericórdia, da justiça, da paz, de melhores condições de vida, celebrado ao longo do caminho da vida.
Deus não se satisfaz com uma prática religiosa de fachada ou com o culto de belas aparências. Para Deus não interessam, de forma alguma, a pureza exterior, os formalismos, as solenes celebrações feitas de inclinações e prostrações, com grande número de coroinhas, lampadários, incenso... Deus despreza esse tipo de culto e abomina os cristãos de "máscara": obedientes e piedosos no aspecto, mas negligentes na verdadeira e única liturgia que lhe agrada: o amor ao próximo, que vem de Deus mesmo e se resume na doação, na caridade, o mais sublime dos dons (cf. 1 Coríntios 13,13). Uma bonita celebração só é válida quando ela se concretiza no dia a dia da vida.
É preciso, assim, distinguir dois momentos complementares, às vezes chamados de liturgia-celebração (liturgia em sentido restrito) e liturgia-vida (liturgia em sentido amplo, também chamada de liturgia da história). Somos chamados a fazer de toda a nossa vida uma liturgia em sentido amplo, decorrente da liturgia enquanto celebração do mistério cristão. Uma não existe sem a outra.
Jesus refere-se ao coração como fonte das ações; como espaço onde amadurecem as convicções, articulam-se as decisões fundamentais e definem-se as orientações da vida. Ele alerta para uma impureza maior e muito mais prejudicial do que aquela da não-observância de certos rituais: a impureza que brota do íntimo do coração humano. O que evidencia se determinada ação ou atitude é boa ou má não é sua conformidade ou não com a Lei, mas se ela promove ou não a vida humana.
Há também o perigo da impureza que parte daquilo que deixamos de fazer, como: a caridade que não praticamos, a justiça com a qual não nos importamos, o perdão que negamos ou que não cultivamos, a solidariedade que não nos move a gestos concretos. Talvez sejamos bons cristãos pela prática de preceitos, buscando uma vida tranqüila, rotineira, sem grandes novidades, levando uma vida apagada, sem sonhos, profecias, gratuidades, nem motivos para a solidariedade. Esquecemos com toda facilidade que a vida é caminhada, missão e promoção humana.
Leis para viver e possuir a terra
Em nosso país a questão fundiária tanto no campo como na cidade ainda é uma questão muito séria que temos que discutir muito. Por isso quero dedicar esse trecho a esta questão social que está ai diante de nossos olhos e que muitas vezes preferimos ignorar.
A primeira leitura nos fala dos mandamentos como condição para viver bem e entrar na posse da terra que Deus quer dar a seu povo. É possível que, ao ouvir este texto, seja mais fácil pensar que viver bem e possuir a terra seja uma espécie de prêmio que Deus dá a quem é obediente. Mas para que precisaria Deus da nossa obediência? Seria Deus, parecido com certos políticos que distribuem favores para seus cabos eleitorais, seus seguidores?
O texto da primeira leitura deste domingo aponta em outra direção. Recomenda seguir as leis de Deus porque elas são sábias. Leis sábias são as que têm como resultado um melhor funcionamento da vida. É nisso que Deus está interessado. Ele que a criação dando certo. O prêmio maior não vem de fora, vem do próprio jeito de viver recomendado por Deus, que traz mais felicidade pra todos. Jesus diz que os mansos possuirão a terra... (Mateus 5,4) e vemos os violentos fazendo guerra para ter o domínio de mais terras, mais lucros, mais poder, e esquecem que deste mundo não levamos nada. Mas vemos também que nenhuma guerra produz, nem mesmo para os vencedores, um bem maior do que o que viria com a vivência da paz.
A Palavra se faz celebração
A força da Palavra de Deus
As tradições humanas, por mais enraizadas e cultivadas que o sejam, podem processualmente ser abandonadas, conforme o surgimento de novas necessidades e realidades históricas, culturas. Sem um exercício de discernimento, amparado pela oração e escuta da Palavra de Deus que é "viva, eficaz e mais penetrante que qualquer espada de dois gumes" (Hebreus 4,12), é difícil separar o essencial do acessório, no campo da Liturgia, da Pastoral, da Espiritualidade e da Moral.
Viver a religião não é apenas crer numa doutrina, mas ser bom, generoso e compassivo, especialmente com os humildes. E podemos afirmar: a palavra "amor" dispensa adjetivos. Não existe "amor cristão". Amor é amor, em todas as religiões e culturas. Dá mais trabalho amar de verdade que repetir ritos sem vida. A impureza do outro não me contamina. Eu o torno "puro" quando o amo com seus pecados e o "lavo" com gestos de acolhimento e ternura, na esperança de que alguém também me purifique.
A lei maior é o amor
Muitos católicos, ainda hoje, parecem ser mais preocupados com o cumprimento de certas normas universais, impossíveis de ser levadas a sério em certas culturas ou situações especiais. O que deve nos mover é o sentido interior das normas e leis e nossa lei maior é o amor. Não podemos nos conformar em viver a superficialidade de uma religião perdida em regras e prescrições. É necessário ampliar os horizontes da fé. As tradições humanas sempre poderão ser mudadas. Só a Lei do Deus da Aliança é imutável. A verdadeira religião consiste na prática serena e eficaz da Palavra de Deus. Jesus Cristo sempre precisará desse tipo de discípulo e missionário.
Ligando a Palavra com a ação eucarística
A eucaristia, memorial do sacrifício de Cristo na cruz, expressão máxima do amor e do culto agradável a Deus, lança intensa luz sobre nossa convivência de cristãos no mundo de hoje, sobre o compromisso cristão da solidariedade, em um mundo marcado pela desigualdade social, pelas divisões, incompreensões e exclusões sociais.
E Eucaristia não é apenas expressão de comunhão na vida da Igreja; é também projeto de solidariedade para a humanidade toda. A Igreja renova continuamente na celebração eucarística, a sua consciência de ser "sinal e instrumento" tanto da íntima união com Deus quanto da unidade de todo o ser humano. O cristão que participa da Eucaristia aprende a fazer-se promotor de comunhão, de paz, de solidariedade, em todos os momentos da vida.
Jesus reparte conosco o pão de seu Corpo e do seu Sangue e nos pede que façamos o mesmo. Por isso é essencial ao espírito da celebração eucarística o gesto de solidariedade para com os pobres e esquecidos (cf. carta de Tiago). Entre nós, a exemplo da tradição cristã, realiza-se a coleta de dons. Muitas comunidades socorrem os pobres, os necessitados. Ou o "pão é repartido" ou não temos verdadeira eucaristia. A partilha e a prática da solidariedade são conseqüência da vivencia da eucaristia.
padre Benedito Mazeti



1 – «Escutai-Me e procurai compreender. Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro».
Jesus é perentório: não são as circunstâncias que nos circundam que moralizam as nossas ações, mas o nosso interior, as nossas escolhas. É célebre a expressão de Ortega Y Gasset: somos nós e as nossas circunstâncias. Verdade seja dita que tudo à nossa volta nos influencia, positiva e/ou negativamente. A nossa disposição altera-se se está sol ou chuva., se dormimos bem ou mal, se alguém nos chateou momentos antes, se o pequeno-almoço não nos caiu bem. Uma infinidade de circunstâncias pode alterar o nosso humor e fazer precipitar alguma atitude ou palavra. E ninguém se livra das circunstâncias.
Contudo, as circunstâncias exteriores não fazem o carácter de uma pessoa. Somos mais que as nossas circunstâncias. Por outro lado, as nossas limitações colocam-nos em linha com as possibilidades de errar e/ou pecar. Por outro e como seres racionais, somos responsáveis por controlar/humanizar o que dizemos e o que fazemos. Um exemplo caricato: algumas pessoas bebem uns copos ou uns shots para depois dizerem "umas verdades" ou fazerem "umas maldades". Têm desculpa porque beberam?! Que não bebam!
2 – A questão levantada por alguns fariseus e alguns escribas (doutores da Lei) não tem qualquer conotação moral, pelo menos para nós. À primeira vista não passa de uma questão de higiene. Lavar as mãos antes de comer é uma recomendação para todos. Os discípulos de Jesus devem ser exímios em tudo o que os torne mais saudáveis e mais humanos.
Para os judeus trata-se de uma tradição e de uma prática religiosa. Ao longo do tempo, os 10 mandamentos deram lugar a uma "catrefada" de preceitos. Quase tudo é revestido de preceito religioso. As leis habitualmente tem uma punição associada. No judaísmo as leis tem uma leitura religiosa, como garantia para ser cumpridas.
“Os fariseus e os judeus em geral não comem sem ter lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre".
As questões legais sobre a pureza cultual escraviza as pessoas. As mulheres eram as mais sacrificadas, pois todos os meses tinham dias em que eram consideradas impuras e que não podiam conviver socialmente e muito menos aproximar-se do Templo. Após o parto, a mulher tinha que ir ao Templo para se purificar. A sua impureza cultural estende-se a todos os que com ela convivem diretamente. Faz impressão hoje avaliar assim uma tradição. Não nos passa pela cabeça que um acontecimento "natural" possa excluir, ainda que momentaneamente, as pessoas do convívio social e muito menos da prática religiosa.
3 – Lavar ou não lavar as mãos antes das refeições?! É uma regra simples de higiene e de saúde. Os discípulos comem sem lavar as mãos! Quando muito poderia provocar algum retraimento ou asco daqueles que estavam à mesa com eles.
Percebe-se bem que foi um pretexto, mais um, para alguns fariseus e escribas insinuarem acerca da conduta de Jesus e dos seus discípulos. Mesmo que fosse apenas uma questão higiénica, ao dizerem-Lhe que os discípulos não tinham esse cuidado, estariam a dizer-Lhe que eram uns foras-da-lei, uns maltrapilhos desleixados, que não faziam esforço para se integrarem na sociedade. E se são assim tão descuidados e não convivem bem em sociedade, como se pode esperar alguma coisa do Seu Mestre, que vê e nada diz, nada faz?
Se pensarmos que só no séculos XIX é que alguns médicos começaram a lavar e a recomendar lavar as mãos por ocasião dos partos, dá para perceber como os judeus, também nesta questão, estavam muito à frente, sendo cuidadosos com a saúde.
Acrescente-se outra nota de reflexão: ao entrarmos nas nossas Igrejas fazemos a ablução com a água benta. Partimos do dia-a-dia para evocar a nossa ligação à Deus, reconhecendo a nossa indigência e acolhendo a misericórdia de Deus. Também os judeus como os muçulmanos têm alguns gestos que acentuam o limite que os faz entrar num espaço sagrado. As abluções são comuns a diferentes religiões, antes de entrar no templo ou de ler os Escritos sagrados.
4 – «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?» Jesus não se faz rogado e diz-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens».
Em diversas ocasiões, Jesus chamará à atenção para zelos que não convertem, preceitos que não humanizam, leis que não aproximam e que já perderam o sentido. Quantas vezes nos agarramos a tradições anquilosadas? Sempre foi assim, assim será sempre! E o porquê desta ou daquela tradição? Seja na Igreja ou na sociedade, um dos critérios para validar uma tradição é a bondade da mesma, e se aproxima pessoas e as humaniza.
Na parábola do Bom Samaritano (cf. Lc. 10, 25-37), Jesus coloca em causa a pureza cultual que esquece a caridade. O sacerdote e o levita que veem aquele homem meio-morto estendido na estrada e não o ajudam porque ficavam impuros ao tocarem-lhe. Para eles o mais importante era a pureza cultual, mesmo abandonando uma pessoa de carne e osso, lugar-tenente de Deus.
5 – A lei tem a preocupação de regular comportamentos, protegendo as pessoas da lei do mais forte. A perspetiva será sempre proteger os mais frágeis.
Moisés comunica ao Povo os preceitos de Deus, para que o povo viva como povo: «Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais. Não acrescentareis nada ao que vos ordeno, nem suprimireis coisa alguma... eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos».
A Lei tem um rosto e um fundamento. Moisés relembra que a Lei é sobretudo a presença próxima e amistosa de Deus: «Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?».
A justiça dos preceitos assenta precisamente na proximidade de Deus.
6 – A segunda leitura, de são Tiago, que ora iniciamos, vai mostrar-nos com clareza a plenitude da Lei, o amor concretizado em obras, no compromisso com os mais desprotegidos. A fundamentação é a aventada já anteriormente: Deus.
Diz-nos o apóstolo: "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descem do Pai das luzes… Foi Ele que nos gerou pela palavra da verdade… Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes… A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo".
É Deus que nos gera pela palavra da verdade. Mais importante que conhecer a palavra, em nós plantada, é praticá-la. São Tiago dá exemplos concretos: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tripulações não se deixando arrastar pela corrente, qual "maria vai com as outras". Naquele tempo, as viúvas e os órfãos constituíam o grupo mais frágil, mais exposto, mais desfavorecido. Faziam parte das periferias existenciais com as quais os cristãos têm de estar comprometidos.

2 ª REFLEXÃO

1 – “Os olhos também comem”, dizemos quando falamos de um prato. A refeição pode estar bem confecionada e saborosa, mas se a apresentação for descuidada pode provocar um certo fastio. Certo. Por outro lado, se a apresentação for cuidada acentuará o apetite. Quando provarmos verificaremos se a apresentação corresponde ao sabor ou se, pelo contrário, “as aparências iludem”. Em última análise, o ideal é que o conteúdo corresponda ao aspeto. Se não corresponder, que preferíamos, que a apresentação da comida fosse boa e o sabor intragável, ou que o sabor fosse agradável apesar do aspeto menos conseguido?
Feita esta ambientação, fixemo-nos no Evangelho, de novo com são Marcos, no momento em que Jesus responde a alguns fariseus e escribas:
«Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens... Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior dos homens é que saem os maus pensamentos: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem lá de dentro e tornam o homem impuro».
Uma leitura atenta permite-nos ver com clareza a prioridade de Jesus. As tradições, os usos e costumes, só são verdadeiramente relevantes se promovem as pessoas e se as implicam interiormente, colocando-as ao serviço dos outros. O que nos salva ou condena é o que nasce e cresce no nosso interior, o que nos leva a agir no bem ou no mal.
As circunstâncias que nos rodeiam podem favorecer ou prejudicar as nossas opções, mas somos sempre nós a responder pelas nossas atitudes e pelos nossos atos.
2 – Jesus envolve-nos no Seu projeto salvador, como convite e desafio, como proposta, nunca como imposição. Deus chama-nos, conta connosco, mas respeita a nossa liberdade e consequentemente as nossas escolhas. Como refletíamos no domingo passado, é como os pais, que querem o melhor para nós, mas, se nos amam verdadeiramente, respeitam as nossas escolhas fundamentais, mesmo quando sabem que nos vamos magoar. Deus respeita a nossa decisão, mesmo quando nos desviamos dos Seus mandamentos.
Não cessa, porém, de nos apontar o CAMINHO, pelos profetas, pelos acontecimentos de cada tempo, pelas pessoas que coloca à nossa beira, por Jesus, o CAMINHO, a verdade e a vida. Podemos recusar, podemos distrair-nos, podemos seguir outros atalhos, podemos titubear. Ele mantem-Se e o Seu projeto de vida também.
Na primeira leitura, Moisés faz a proposta de Deus a todo o povo:
«Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais. Não acrescentareis nada ao que vos ordeno, nem suprimireis coisa alguma, mas guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, tal como eu vo-los prescrevo... Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?»
É uma lei justa e equilibrada. Ainda hoje os Mandamentos são uma referência fundamental para os Direitos humanos, no reconhecimento da origem comum da humanidade, na certeza que só o respeito por determinados valores, como o direito à vida, à dignidade, ao bom nome, à verdade e à justiça, à alimentação e à habitação, à saúde e à cultura, nos levam à construção de um mundo justo onde todos tenham lugar.
3 – Com o tempo a Lei traduz-se em práticas, costumes e tradições, algumas das quais se tornam obsoletas. Jesus vem para nos libertar de tudo o que escraviza. Também de leis/tradições que passam a valer mais que as pessoas e a submetê-las abusivamente em superstições, ameaças, diabolizações. O medo e a ameaça, o desconhecido e as práticas mágicas, retiram às pessoas a capacidade de pensar e decidir por si mesmas.
A Lei de Moisés é levada à plenitude por Jesus Cristo, pela LEI da CARIDADE, pela Graça de Deus que nos habita e que nos atrai para Ele. Se o cumprimento da lei for apenas o cumprimento de uma tradição, sem influência na minha, na nossa, vida, sem ligação ao mundo real e humano, torna-se vazia e despojada de sentido. Se ainda assim é obrigatória e me é imposta, não pela sua justiça ou utilidade e sentido, mas por forças que pretendem manter o estatuto, o poder e o controlo, mais injusta e desnecessária se torna.
Daí a insistência de Jesus na conversão interior, que leve ao compromisso com os outros. A lei ajuda-me a clarificar o meu lugar no mundo e a minha relação com os outros. Cada um de nós, contudo, vale mais. A lei é para nós. É para nos aproximar. A mais perfeita das leis é o AMOR, lei inscrita desde sempre no nosso coração.
“Ama e faz o que quiseres”, como nos diz Santo Agostinho, cuja memória celebramos no passado dia 28 de agosto, expressa a certeza que o amor nos liberta e nos compromete positivamente com os demais. Hoje, na segunda leitura, o apóstolo São Tiago mostra-nos como é possível viver na lógica do Deus de Jesus Cristo: “A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo”. O amor a Deus vive-se e visualiza-se no amor ao próximo. Quanto mais nos envolvemos com os outros, para neles encontrarmos Deus, mais a nossa fé será uma verdadeira graça que nos devolve ao Pai.
padre Manuel Gonçalves



“Ó Deus de bondade, vós nos reunistes para aprendermos que o  essencial  é ser fiéis aos vossos mandamentos, cumprindo a vossa vontade. Dai-nos sabedoria, para distinguirmos o que é mais importante para nossa vida de cristãos, e um coração novo e generoso, incapaz de apegar-se  à falsa segurança de um culto vazio. Derramai sobre nós o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco e com os irmãos e irmãs. Por Cristo, nosso Senhor.” (Círculo bíblico)

Versículos de 1 a 4: “Os fariseus e alguns dos escribas vindos de Jerusalém tinham se reunido em torno dele. E perceberam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. (Com efeito, os fariseus e todos os judeus, apegando-se à tradição dos antigos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos;  e, quando voltam do mercado, não comem sem ter feito abluções. E há muitos outros costumes que observam por tradição, como lavar os copos, os jarros e os pratos de metal.)”
Não devemos ver a ordem moral e ética somente como algo externo – O Beato João Paulo II disse que a “tradição jurídico-religiosa da Antiga Aliança, formou-se um modo errôneo de entender a pureza moral .  Esta era muitas vezes entendida de modo exclusivamente exterior e «material». O que é certo é que se difundiu uma tendência explícita para tal interpretação. Cristo opõe-se a ela de modo radical: nada torna o homem impuro, daquilo que vem do «exterior», nenhuma imundície «material» torna o homem impuro no sentido moral, ou seja interior”.
A Palavra diz: “lavai-vos, purificai-vos. Tirai vossas más ações de diante de meus olhos. Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva. Pois bem, justifiquemo-nos, diz o Senhor. Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã! Se fordes dóceis e obedientes, provareis os melhores frutos da terra…” (Is. 1,16-19)

Versículos de 5 a 8: “Os fariseus e os escribas perguntaram-lhe: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras? Jesus disse-lhes: Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.  Em vão, pois, me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos (29,13).  Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens”.
É necessário renunciar à impureza do coração para se obter a paz – fruto da obediência aos mandamentos- O Beato João Paulo II disse: “Queridos Irmãos e Irmãs, sem a renovação interior e sem o empenho de derrotar o mal e o pecado no coração, e sobretudo sem o amor, o homem não conquistará a paz interior… A paz interior, no coração do homem e na vida da sociedade, provém da ordem moral, da ordem ética, do cumprimento dos mandamentos de Deus”.
“Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens” – O beato João Paulo II disse: “Os Mandamentos são uma condição fundamental e indispensável para que o homem possa realizar a vocação da sua vida: alcançar o fim pelo qual vive na terra. Esta é a primeira e essencial resposta de Cristo, d’Aquele que “é luz e salvação” do homem: “Se queres entrar na vida, observa os mandamentos”.
O beato João Paulo II explicou: “Nenhuma ablução, nem mesmo ritual, é capaz de originar a pureza moral. Esta tem a sua fonte exclusiva no interior do homem: provém do coração”.
O papa Bento XVI disse que “para poder tornar-nos puros, temos necessidade que em nós nasça a nostalgia da vida pura, da verdade autêntica, do que não está contaminado pela corrupção, de ser homens sem manchas”.
“Para o homem de coração puro, tudo se transforma em mensagem divina”, disse são João da Cruz.

Versículos  de 14 a 15: “Tendo chamado de novo a turba, dizia-lhes: Ouvi-me todos, e entendei.  Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem”.
O papa Bento XVI disse que “a injustiça, fruto do mal, não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa conivência com o mal.”
O Espírito Santo é a verdadeira água que purifica o coração humano - A  Palavra diz:  “Derramarei sobre vós águas puras, que vos purificarão de todas as vossas imundícies e de todas as vossas abominações. Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Dentro de vós meterei meu espírito, fazendo com que obedeçais às minhas leis e sigais e observeis os meus preceitos” (Ez. 36, 25-27)

Versículos de 21 a 23: “Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos,  adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez.  Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem”.
 A Palavra diz: “Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8).
Viver a pureza aqui na terra nos prepara para a visão de Deus no céu – O beato João Paulo II disse: “A pureza do coração prepara para a visão de Deus face a face nas dimensões da felicidade eterna. Acontece isto, porque já na vida temporal os puros de coração são capazes de entrever em toda a criação o que é de Deus. São capazes, num certo sentido, de revelar o valor divino, a dimensão divina, a beleza divina de toda a criação”.
Conclusão
Concluímos com o ensinamento do Catecismo da Igreja (1853): “A raiz do pecado está no coração do homem, em sua livre vontade, segundo o ensinamento do Senhor: “Com efeito, é do coração que procedem más inclinações, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações. São estas as coisas que tomam o homem impuro” (Mt 15,19-20). No coração reside também a caridade, princípio das obras boas e puras, que o pecado fere”.
Jane Amábile