16º
DOMINGO TEMPO COMUM
22
de Julho – Ano B
Evangelho - Mc 6,30-34
Hoje, o nosso lugar deserto, pode
ser apenas apagar a luz, ou fechar os olhos, em um lugar seguro nós nos
isolamos do exterior, para nos encontrar com Deus, para ouvir Deus. Ler mais
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“VINDE
SOZINHOS PARA UM LUGAR DESERTO..." Olivia Coutinho
16º
DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia
22 de Julho de 2018
Evangelho
de Mc6,30-34
Todos
nós, necessitamos de descanso, de fazermos, vez por outra, um repouso
restaurador, desacelerando da correria do dia a dia, para repor as
nossas energias.
Devemos
respeitar os nossos limites e, se insistirmos em não fazermos estas pausas no
cotidiano de nossas vidas, corremos o risco de não sermos produtivos
no que fazemos.
De
nada adianta fazermos muitas coisas, se elas não são feitas com qualidade. Um
equilíbrio entre trabalhar e descansar, é fundamental para a qualidade daquilo
que fazemos.
Em
nossas comunidades, devemos ter o cuidado de não nos tornarmos simplesmente,
fazedores de coisas, nos considerando insubstituível. O trabalho de
comunidade, dever ser distribuído, assim, todos terão tempo para o
descanso.
O
evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, começa
dizendo, que Jesus, percebendo o cansaço dos apóstolos, ao
retornarem de uma missão, os convidou a um descanso
restaurador: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”.
O
texto coloca diante de nós, duas situações que deixaram Jesus sensibilizado
diante a necessidade humana: de um lado, a necessidade de descanso dos
apóstolos, do outro lado, a carência de um povo que buscavam neles, um norte
para suas vidas!
Conhecidos,
pela a convivência contínua com Jesus, os apóstolos haviam ganhado a
confiança do povo, que passaram a confiar neles, na mesma intensidade que
confiavam em Jesus!
A
procura pelos os apóstolos tomou uma dimensão tão grande, que eles já nem
tinham mais tempo para se alimentarem.
Embora
felizes com o sucesso da missão, o cansaço desses homens, era
visível, tão visível, que deixou Jesus sensibilizado, à ponto Dele convidá-los
a se retirarem sozinhos para um lugar deserto, longe da multidão, onde eles
pudessem descansar, repor as suas energias, para dar continuidade a
missão, que estava apenas começando!
Porém,
o descanso planejado por Jesus, não lhes fora possível, pois muitas pessoas os
reconheceram de longe, e foram ao encontro deles! A compaixão de Jesus, pela a
multidão, que era como ovelhas sem pastor, falou mais forte ao seu coração, do
que a necessidade do descanso dos apóstolos!
Os
apóstolos tinham pão, mas não tinham tempo para comer, já, a
multidão, tinha todo o tempo do mundo, mas não tinha o pão, nem o pão material,
nem o pão do amor, que eles estavam encontrando em Jesus e nos seus apóstolos.
Jesus
e os apóstolos, rendendo-se à necessidade do povo, o local, que
deveria ser um lugar de descanso para Jesus e
os apóstolos, tornou o local de mais uma das pregações de
Jesus.
Ao contrário
da insensibilidade, presente no mundo de hoje, em que o trabalhador é visto
como máquina, com a única finalidade de gerar lucros, Jesus prioriza a
necessidade humana, Ele se compadece daqueles que não tem seus direitos
respeitados.
Assim
como Jesus, nós também, devemos ter compaixão do outro, o que é completamente
diferente do que ter pena, ter compaixão, é tomar para nós, a dor do outro, é
chorar com ele, é inteirar-se das suas necessidades e nos colocar
pronto para ajuda-lo no que for possível.
É no mais profundo do
nosso ser, que realizamos o nosso encontro com Jesus, e é a partir deste
encontro, que vamos aos poucos, aprendendo a viver como Ele viveu, a fazer o
que Ele fazia.
FIQUE NA PAZ DE JESUS -
Olivia Coutinho
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Jesus cristo é
o pastor das ovelhas
No Evangelho é frequente Jesus
utilizar exemplos tirados da vida no campo para anunciar a Boa Nova do Reino.
Várias vezes se fala das ovelhas que se perdem, das que estão protegidas no
aprisco, de alguns que são ladrões e salteadores e de outros que protegem o
rebanho. Por vezes chega a afirmar-se que Jesus é a porta das ovelhas. Na
liturgia de hoje retoma-se a mesma comparação quer na profecia de Jeremias,
quer no texto de são Marcos. O profeta Jeremias interpela os que são maus
pastores que dispersam as ovelhas e não têm cuidado delas. Depois, o próprio
Senhor se afirma pastor das ovelhas. Ele dará ao seu povo um rebento novo que
pratica a justiça e constrói a paz (1ª leitura). Marcos avalia o povo que segue
Jesus e classifica-o como ovelhas sem pastor. Por isso, as multidões correm
atrás de Jesus Cristo à espera da salvação. Ele é o verdadeiro pastor das
ovelhas (Evangelho). Na carta aos Efésios, Paulo define Cristo como o
verdadeiro Pastor que aproxima de Deus, que dá paz, que guia o seu povo, que
permite a construção do homem novo (2ª leitura).
1. Dar-vos-ei pastores
Jeremias conhece a situação de
Israel. Os responsáveis no governo do povo, os sacerdotes na administração do
templo, os cidadãos na sua vida pessoal viviam numa enorme corrupção que,
aliás, deu origem à queda de Jerusalém e ao cativeiro da Babilônia. É neste
contexto que o profeta faz a denúncia daqueles que são maus pastores, exploram
o povo, dispersam as tribos e não cuidam da comunidade. Deus tem direito de pedir-lhes
contas do que não fazem e do que fazem mal. A profecia não pára, porém, na
parte negativa. Deus promete ser Ele o Pastor que reunirá todas as ovelhas e
lhes concederá um rebento novo, o Justo, capaz de conduzir o povo na justiça e
na paz. O Senhor é a justiça.
2. Eram como ovelhas sem pastor
Esta página de Marcos tem 4
pontos que merecem reflexão. Primeiro, os discípulos fazem revisão de vida,
avaliando o trabalho que, dois a dois, tinham realizado ao anunciarem a Boa
Nova. Depois, vão para um lugar deserto para descansar mas, ao mesmo tempo,
para fazerem oração. A seguir, atravessam o lago que nem sempre era fácil pelas
tempestades que surpreendiam os pescadores. Finalmente, Jesus acolhe as
multidões que sentem a violência da solidão e que eram ovelhas sem pastor.
Jesus dispõe-se a ensinar-lhes muitas coisas. Nesta página pode encontrar-se a
metodologia da ação evangelizadora: a avaliação do trabalho realizado, a oração
na intimidade do diálogo com Deus, a travessia das dificuldades, o acolhimento de
quem pode ser evangelizado. Todo o cristão tem muitas coisas a dar aos que
quiserem receber a mensagem.
3. Em Cristo, uma relação nova
com Deus
Paulo, à sua maneira, descreve o
perfil de Cristo Bom Pastor: Ele aproxima-nos de Deus, Ele dá-nos a paz, Ele guia
o seu povo por caminhos direitos, Ele dá vida ao homem novo, o homem segundo o
Evangelho, Ele faz todos reconciliados com Deus, Ele, na força do Espírito
Santo, oferece-nos a Boa Nova da paz. De fato, só quem se deixar conduzir por
Jesus Cristo encontra a felicidade verdadeira.
monsenhor Vitor Feytor Pinto
“Revista de liturgia diária”
Como ovelhas
sem pastor
As leituras deste domingo
apresentam de novo a figura bíblica do pastor. Desta vez, porém, para criticar
o modo de proceder dos maus pastores (1ª leitura) o qual provoca a compaixão e
a misericórdia de Deus para com o seu povo por eles abandonado. Esta compaixão
de Deus torna-se mais evidente na atitude de Jesus, renunciando a seu descanso
para atender àquele povo desejoso de ouvir a sua palavra (evangelho). Desta
forma Ele se apresenta como Bom Pastor (1ª leitura), fonte de reconciliação e
de paz (2ª leitura) no caminho do bem ao encontro do Pai.
1ª leitura:
Jeremias 23,1-6
O profeta Jeremias se refere aos
reis, sacerdotes e profetas para condenar a atitude deles porque, em lugar de
cuidar do povo como verdadeiros pastores, “espalharam e expulsaram minhas ovelhas
e não se preocuparam com elas”. Por isso é Deus que vai cuidar agora do seu
povo (suas ovelhas), colocando à frente dele verdadeiros “pastores que cuidem
delas” para, no futuro, fazer “brotar para Davi um broto justo”, portador da
justiça, o direito e a prudência. Será o Messias por Ele enviado.
À luz do Novo Testamento
entendemos que o verdadeiro Messias (o Ungido do Senhor) é Jesus, descendente
de Davi, que abriu para nós o caminho de uma nova vida. Ele reúne na sua Igreja
o Povo de Deus disperso, a começar pelos mais fracos. Por isso será chamado
«Javé (Deus), nossa justiça»;
Jesus cumpre a promessa de
atender o rebanho de Deus e renova a critica aos maus pastores cujos interesses
pessoais estão acima do serviço ao Povo de Deus. Crítica sempre atual que não
poupa os padres, os bispos, os ministros e, também, os leigos dedicados às
pastorais, pois a tarefa que o Senhor nos encomenda é grandiosa demais para não
ser levada a bom termo com a seriedade e humildade necessárias.
2ª leitura:
Efésios 2,13-18
Para o judaísmo a humanidade
estava dividida em dois mundos: o mundo dos “eleitos” que, apesar de suas
infidelidades, sempre seria o Povo de Deus, e o mundo dos “pagãos” que, apesar
de suas boas obras, sempre estaria “longe de Deus”.
Paulo entende que a morte de
Cristo derrubou o muro de separação que a Lei de Moisés colocara entre judeus e
pagãos. Agora só existe um Pai para todos e uma casa comum, a comunidade de
irmãos, a Igreja. Surge assim o novo Povo de Deus, que está aberto a todos os
homens. De agora em diante, haverá “um homem novo”, “num só corpo” cuja cabeça
é Cristo, formando um só povo e vivendo “num só Espírito”.
Para Paulo, a participação de
judeus e pagãos dentro das comunidades que ele fundara como o único Povo de
Deus é sinal concreto do “homem novo”. O projeto de unidade de Deus se realiza
em Cristo que “é a nossa paz”. A mensagem de Cristo, levada à prática, fará
cair todas as diferenças próprias das sociedades classistas porque o Espírito
participa da obra de reconciliação.
Evangelho: Marcos
6,30-34
No Domingo passado
contemplávamos Jesus enviando os discípulos em missão. Hoje vemos os discípulos
voltar felizes e desejosos de contar ao Senhor tudo o que haviam realizado.
Jesus aproveita a oportunidade para convidá-los a um merecido descanso e, ao
mesmo tempo, ensiná-los a dedicar certos espaços para interiorizar e avaliar
sua vida pessoal e sua ação apostólica.
Por isto os conduz a um “lugar
deserto” que, na perspectiva bíblica, nada mais é do que um estado de ânimo, um
modo de ficar a sós com Deus e consigo mesmos. O espaço interior necessário
para encontrar o eixo da própria existência.
No entanto, aquele povo desejoso
de ouvir Jesus não lhes deu sossego (“saíram de todas as cidades, correram na
frente, a pé, e chegaram lá antes deles”) e quando chegaram ao lugar onde se
dirigiam, lá estavam eles de novo. Isto foi demais para Jesus, que “teve
compaixão” e, abandonando seus planos, “começou a ensinar”.
Nunca chegaremos a conhecer
profundamente esse lado humano do Senhor. Marcos nos ajuda a aproximar-nos
d'Ele e perceber a sua sensibilidade. Diante de tanta carência naquele povo,
Jesus não sentiu a sua privacidade invadida nem se importou mais com o descanso
d'Ele e dos discípulos. Com carinho e com paciência, começou novamente a
evangelizar.
A palavra “compaixão”, que usa
Marcos, só se aplica a Jesus no Evangelho. Significa uma comoção profunda como
a que o levou, por exemplo, a ressuscitar o filho da viúva de Naim sem ela
pedir nada (ver Lucas 7,11-17) ou a chorar no sepulcro de Lázaro antes de o
ressuscitar (ver João 11,28-36).
Sentir profundamente a
necessidade dos outros, percebendo que eles estão “como ovelhas sem pastor”, é
o primeiro passo para deixar-nos levar pelo Espírito de Jesus a fim de
dedicar-nos aos outros e assumir uma verdadeira ação pastoral. O resto pode ser
filantropia, colaboração, participação (o que, aliás, é muito bom), mas não
pastoral (que é muito mais profundo e melhor).
A origem da palavra PASTORAL
lembra o cuidado de Jesus, Bom Pastor, acolhendo e ensinando. Pastoral é
praticar a compaixão (“padecer-com”), sentir na própria carne o problema, a
carência ou a necessidade de alguém. Pastoral não é qualquer atividade, por boa
que seja, mas aquela atividade que transforma as pessoas em gente conduzida por
Deus. Para tanto é preciso que as pessoas que participam das pastorais numa
comunidade eclesial tenham alma de pastor, atitudes de pastor, acolhimento,
liderança, verdadeiro amor.
Se fazer pastoral é conduzir o
povo pelo caminho de Deus, ela deve estar inspirada, não pela ânsia de poder ou
pelo gosto de aparecer, mas pelo espírito de serviço. Jesus não quis
apoderar-se do povo para si. Unicamente tentou levar o rebanho para o Pai.
Só isso. Ser pastor não tem nada
a ver com auto-afirmação. É o carisma que nos leva a orientar o Povo de Deus
para o Pai.
Palavra de
Deus na vida
Temos que reconhecer que o
comportamento de Jesus para com aquele povo carente é bem outro do nosso
comportamento nesta vida corrida, na qual, primeiro somos nós; depois ninguém
e, se houver espaço, podemos até dedicar um pouco do nosso tempo aos outros. Compaixão,
porém, é fundamental na convivência humana. Não se trata apenas de ter bons
sentimentos. É mais do que isso: é ser capaz de colocar-se no lugar do outro
para sentir seus problemas e poder ajuda-lo com nossa presença amiga. Se não
tivermos a solução, bastará ouvir o irmão com paciência, dar atenção, ficar do
seu lado. Isto é exercer a compaixão (padecer com alguém, sentir o problema do
outro).
Por que Jesus “teve compaixão”
daquele povo? Porque “estavam como ovelhas sem pastor”. Esse é o segredo..! Não
se trata de esperar que alguém que precisa venha a nós para pedir ajuda.
Ajudar, neste caso, é ser solidário. Certamente, é muito bom. Mas se quisermos
mais, se quisermos imitar Cristo e sermos “pastores” de alguém, precisamos ter
sensibilidade e capacidade de compaixão para descobrir onde se encontram as
pessoas perdidas na vida que andam desorientadas, “como ovelhas sem pastor”.
Seguindo o exemplo do Senhor, haveremos de renunciar ao nosso sossego para
oferecer nosso ombro amigo e toda a ajuda que estiver ao nosso alcance.
Pensando
bem...
+ Se estivermos de olhos abertos
para a realidade, poderemos descobrir pessoas que fogem dos seus problemas e se
afundam no vicio; jovens sem orientação de vida que procuram a felicidade lá
onde ela não está; gente com fome e sede, não só de pão, mas também de Deus;
famílias desunidas; crianças abandonadas nas ruas... Será quer não
conseguiremos perceber que são “como ovelhas sem pastor”?
+ Quem vai se colocar no lugar
deles? Quem vai sentir o seu problema? Quem vai arriscar-se a perder seu tempo
e seu sossego? Alguém poderia dizer que não faria isso nem por todo o dinheiro
do mundo. Por dinheiro, não. Mas por amor a Deus e ao próximo, SIM. Se nós,
cristãos, não fizermos isso, quem o fará, então?
Conselhos de
um bom pastor
Qualquer que seja a tua condição
de vida, não te deixes prender pelo cerco estreito de tua família.
Uma vez por todas adota a família humana.
Procura não sentir-te estranho em nenhuma parte do
mundo.
Sê um homem em meio aos homens.
Que nenhum problema de qualquer povo te seja
indiferente.
Vibra com as alegrias e as esperanças de cada grupo
humano.
Faz teus os sofrimentos e as humilhações de teus
irmãos de humanidade.
Vive a escala mundial, ou melhor, a escala universal
(dom Helder Câmara).
padre Ciriaco Madrigal
"Jesus
viu uma numerosa multidão e teve compaixão
porque eram
como ovelhas sem pastor"
Domingo da volta dos Doze. Em
cada celebração fazemos memória da Páscoa de Jesus ressuscitado e vivo no meio
de nós. Hoje nós o contemplamos como Mestre que se revela muito próximo e
íntimo dos discípulos e se comove diante da multidão faminta e desamparada que
o cerca.
Como Bom Pastor, Ele se
compadece de nossos sofrimentos, guia-nos, fortalece-nos e defende nossa vida.
Hoje, a Páscoa de Jesus se
prolonga na vida de tantas pessoas que são movidas em missão, em seu trabalho
pastoral, pela mística da compaixão, da ternura e da doação, vencendo todo o
tipo de autoritarismo, esnobismo e exploração interesseira.
Primeira
leitura - Jeremias 23,1-6
Os profetas do Primeiro
Testamento criticaram o presente (cf. vs. 1-2a) à luz da ação de Deus no
passado (cf. vs. 5.7-8) e prometeram um futuro melhor da parte de Deus (v.
2b.6). Nas suas denúncias os profetas responsabilizaram antes de tudo as
classes que exerciam a liderança política, judicial, econômica, militar e
religiosa, aqui todas indicadas como a palavra "os pastores" (vs.
1-2a). Do povo em geral denunciam-se especialmente as crenças e práticas
heterodoxas e cheias de superstições, junto com os desvios morais etc. Essas
doutrinas práticas religiosas erradas e morais junto com os fracassos e
desgraças nas gestões políticas, econômicas e militares são denunciadas como
conseqüências da falta de responsabilidade, de omissão e de exploração das
classes dominantes. O povo em geral é visto como vítima e como rebanho por elas
transviado e traído.
Essa interpretação profética da
realidade, aponta que os lideres são responsáveis pela má situação do povo, os
profetas dirigem geralmente a eles e contra eles suas profecias que, neste
contexto, assumem a forma e o conteúdo de denúncias e ameaças. Poucas vezes os
profetas apelaram à responsabilidade do povo. Proclamam que Deus mesmo
intervirá. Ele destruirá os lideres e lideranças erradas, salvará o povo e lhe
dará novos líderes que guiarão o povo com justiça (cf. vs. 3-4).
A primeira leitura e o Evangelho
trazem presente a figura do pastor, como no 4º domingo da Páscoa. O profeta
Jeremias faz uma acusação contundente aos pastores que traíram as esperanças do
povo, especialmente o rei Sedecias, cujo nome significa "Justiça de
Deus", mas na prática impunha sua justiça contra o povo, em nome de Deus.
Jeremias garante ao povo que nem
tudo está perdido. Deus mesmo vai cuidar de seu povo e lhe dará um pastor
segundo o seu coração, um Messias que se chamará "O Senhor é nossa
justiça". A justiça e o direito expressam a vontade de Deus.
Salmo
responsorial 22,1-3a.3b-4.5-6
É um Salmo de confiança em Deus.
A solicitude divina para com os justos, descrita com a dupla imagem do pastor
(vs. 1-4) e do hospedeiro que oferece o festim messiânico (vs. 5-6). Este salmo
é tradicionalmente aplicado à vida sacramental, especialmente ao batismo e à
eucaristia.
É um dos salmos mais conhecidos
e belos do saltério, aplica ao próprio Deus a humilde imagem do "pastor"
como expressão de terno cuidado e guia segura que Ele tem para com um rebanho
amado e protegido (vs. 2-4). Além disso, recupera o tema da "unção"
do fiel como sinal de predileção e de dignidade (vs. 5-6).
Nos versículos de 1-4, o tema
pastoril fornece algumas imagens fundamentais: verde, água, caminho. A última
imagem conjura o grande perigo, a escuridão temerosa plenamente superada. Na
segunda parte versículos 5-6 adianta-se o plano real, imediato: a experiência
religiosa tem lugar no Templo de Jerusalém. Ali a pessoa humana encontra asilo
frente ao opressor, participa na mesa do banquete sagrado, recebe a unção que o
consagra. A experiência religiosa intensa converte-se em esperança e desejo
para toda a vida.
O rosto de Deus no Salmo 22. Sem
dúvida é uma das imagens mais bonitas do Primeiro Testamento que mostra Deus
como pastor. Outras imagens também mostram o rosto de Deus como hospedeiro,
libertador e aliado. Jesus no Evangelho de João, assume as características de
Javé pastor, libertador e aliado (João 10). Jesus é esse pastor que se
compadece do povo explorado. Ele caminha à frente de seu rebanho, tanto para
chegar ao pasto e à água, como para voltar ao curral de repouso, já na
escuridão da noite. Este salmo é tradicionalmente aplicado à vida sacramental,
especialmente ao Batismo e à Eucaristia.
Por este salmo, peçamos ao
Senhor que restaure as nossas forças, que derrame sobre nós o óleo do seu amor
e faça de nós instrumentos de salvação, no meio de nossas comunidades.
Segunda
leitura - Efésios 2,13-18
Este trecho da carta aos efésios
pode ser considerado o centro teológico da carta. Paulo mostra a Igreja como o
lugar onde as pessoas das mais diferentes condições estão juntas. A Igreja não
nasce do acordo ou da decisão dos seus membros, é anterior a eles, é fruto do
sangue de Cristo derramado na cruz. Portanto, a Igreja não é uma invenção
humana.
O sangue de Cristo trouxe paz ao
mundo, paz que inclui em si a destruição dos muros que dividiam as pessoas, dos
quais o muro do Templo de Jerusalém que separava o átrio dos pagãos era um
sinal vivo e concreto; e das leis de morte, das quais a judaica da pureza e
impureza se tornara um modelo, por exigir sem dar condições de observância.
Cristo estabeleceu a paz entre
as pessoas e entre as pessoas e Deus. Destruiu os muros que separavam as
pessoas, e de uma vez por todas cumpriu a lei pela morte de cruz (Colossesnses
2,14). A paz messiânica prometida pelos profetas, tornou-se uma realidade pela
morte de Cristo (Colossesnses 1,22) e na fundação da Igreja (1 Coríntios
12,12). O próprio Cristo, pela sua boca e dos apóstolos, anunciou a paz
realizada, congregando as pessoas ao redor do único Espírito. Em outras
palavras, o Espírito que vivifica a Igreja é o motivo da união entre as
pessoas.
O apóstolo Paulo conclui, nesta
passagem, uma exposição sobre um dos frutos mais importantes da obra redentora
de Cristo: a reunião dos judeus e dos pagãos na única Igreja de Deus.
Cristo é a paz em duplo sentido:
porque inaugura um novo modelo de humanidade, no qual esfumam-se as diferenças
entre judeus e pagãos (vs. 14-16), e porque edificou a paz entre Deus e a
humanidade, por sua morte na cruz (v. 16) e pelo dom do Espírito (v. 18).
Deste modo, Cristo proclamou e
realizou a paz anunciada e pregada pelos profetas (Isaias 57,19), instaurando
relações normais com as pessoas, e entre elas e Deus, com tanta competência que
os mais afastados ouvem e aceitam sua mensagem, assim como as pessoas que estão
próximas.
A fé em Cristo-paz entre Deus e
as pessoas e entre as próprias pessoas reflete automaticamente na participação
que tem o cristão nos esforços da humanidade por uma paz maior no mundo.
Esta leitura é um hino
cristológico. Cristo é a paz e quem nos traz a paz; Ele derruba a parede
divisória entre judeus e pagãos, que eram desconsiderados pelos primeiros. Como
pastor, Cristo reúne a todos como um só rebanho. Não há mais discriminação e
Deus nos chama para participar de seu Reino.
No Senhor ressuscitado
desaparecem antagonismos e injustiças que fazem com que os homens e mulheres não
se entendam entre si. O Evangelho é uma mensagem de caráter universal, derruba
os muros sociais, políticos, econômicos, culturais e irmana todos numa fraterna
comunhão.
Evangelho -
Marcos 6,30-34
Esta passagem inaugura um
conjunto que podemos chamar com o nome de "seção dos pães" (Marcos
6,31-8,26), que gira em torno da narrativa das duas multiplicações dos pães.
Dos três evangelistas, Marcos foi o que melhor redigiu esta seção.
Na passagem lida hoje na
liturgia, Marcos se preocupa em conduzir Jesus ao deserto por uma série de
acontecimentos que parecem ter apenas um simples relato com poucas palavras,
episódios encarregados de operar a transição entre as duas partes do Evangelho.
Fala da volta dos apóstolos (v. 30), de seu repouso (versículo 31) e das
multidões que vão atrás de Jesus.
O tema do rebanho sem pastor é
tomado de Números 27,17 onde ele reflete a preocupação de Moisés em encontrar
para si um sucessor, a fim de não deixar o povo sem direção (Ezequiel 34,5).
Cristo se apresenta assim como esse sucessor de Moisés, capaz de retomar em
suas mãos o rebanho, de nutri-lo com alimentos de vida e de conduzi-lo às
pastagens definitivas. Toda a seção dos pães é formada de tal maneira que
Cristo apareça efetivamente como o este "Novo Moisés" oferecendo o verdadeiro
maná (Marcos 6,35-44; 8,1-10), triunfando, por sua vez, sobre as águas do mar
(Marcos 6,45-52), libertando o povo do legalismo ao qual os fariseus tinham
levado a lei de Moisés (Marcos 7,1-13) e abrindo aos próprios pagãos o acesso à
Terra Prometida (Marcos 7,24-37).
Cristo pode reivindicar o título
de "Novo Moisés" porque, em sua vida pessoal, restabeleceu a
obediência à lei, no regime da fé e da íntima ligação com o Pai. Ele realizou
em sua própria carne a fidelidade requerida pela verdadeira aliança. Sendo
assim Ele pode propor-se como exemplo para toda a humanidade.
Não é pelo "bom
exemplo" moral dos cristãos que Cristo se manifesta ao mundo, pois a ética
pode ser reivindicada tanto pelos ateus quanto pelos cristãos. O verdadeiro
sinal da presença de Jesus Cristo no mundo está na fé com a qual o cristão se
prende a Deus que é o "Todo-Outro", na defrontação das provações
quotidianas, dos desafios da morte e do pecado pelos grandes problemas da
guerra, do terrorismo, da crise mundial, da fome e da injustiça social.
Precisamos entender que o
Evangelho nos apresenta duas cenas. Na primeira aparecem os apóstolos cansados,
mas felizes e cheios de entusiasmo pelo bom êxito da missão e por tudo o que
tinham conseguido realizar. Jesus os convida amigavelmente a se retirarem para
um lugar sossegado, à solidão do deserto, a fim de refazerem suas forças e
buscarem maior intimidade com o Pai, pela oração. No Evangelho de Marcos e em
outros textos bíblicos, o deserto é o lugar onde Deus fala a seu povo.
É indispensável para a missão o
espaço da oração, o cultivo da relação íntima e pessoal com Deus. É Ele quem
anima e dá forças para enfrentar todas as dificuldades que apóstolos e
apóstolas de todos os tempos vão encontrar.
A segunda cena apresenta a
chegada da multidão: povo abandonado e desprezado pelos maus governantes, maus
pastores que, pela corrupção, abuso do poder, busca de interesses pessoais e
total descaso pelo povo, provocavam o triste drama da miséria cada vez maior
das multidões de miseráveis, excluídas do sistema do Império Romano que só
beneficiava uma minoria de privilegiados.
Diante dessa multidão sofrida,
Jesus moveu-se de compaixão, um traço característico de Deus. Deixa-se
estremecer por dentro, tem um sentimento profundo como dores de parto, escuta o
gemido e suas entranhas comovem-se porque os pastores haviam abandonado seu
povo nas mãos de estranhos e exploradores.
A eucaristia é o lugar por
excelência do renascimento desta moral, porque ela une novamente, de maneira
viva, o cristão ao acontecimento máximo no qual Jesus Cristo expressou sua
fidelidade ao desígnio misterioso de seu Pai.
Da Palavra
celebrada ao cotidiano da vida
Pastor ou pastora é quem tem
responsabilidade pelo bem de outras pessoas. A atitude de Jesus nos lembra que
esta é a forma de ser de Deus e também deve caracterizar a comunidade cristã.
No seguimento de Jesus, somos ovelhas e pastores, convocados a viver a
"compaixão/sentir com" os pobres, ser "pastores amorosos",
responsáveis pela sorte, pela vida, pela paz, pela felicidade dos irmãos e
irmãs.
O que significa ser pastor hoje?
O que é um mau pastor? As lideranças políticas, religiosas, sindicais, dos
movimentos sociais agem como bons pastores? Que tipo de pastor você e na sua
família, na comunidade em seu local de trabalho? São perguntas que
freqüentemente precisamos nos fazer para não cairmos no ativismo.
Ser pastor e pastora hoje é
desenvolver a ética do cuidado, da compaixão, da ternura. É perceber que o
outro é o meu semelhante, meu irmão. Todo o nosso culto a Deus, todo rito, todo
sacramento deve ter como centro o seguimento de Jesus, caminho, verdade e vida.
Ser pastor é ser presença solidária junto dos esquecidos, que estão dentro do
coração de Deus. É cuidar do planeta Terra, assumindo, no respeito ilimitado a
todo ser, a responsabilidade diante do futuro do nosso planeta.
Ser pastor é se fazer escutar
pelas ovelhas, despertar no coração do povo confiança e esperança. Não se trata
de palavras vazias, superficiais, fora do tempo. Trata-se de tocar o coração do
povo com o amor e a compaixão de Jesus, para construir alternativas de vida e
sobrevivência.
Jesus traz a paz a todos sem
exceção, porque vem da parte de Deus, e Deus nos tem por filhos e filhas. A
divisão entre judeus e pagãos, crentes e não-crentes, brancos e negros, homem e
mulher, ou qualquer outra oposição, não pode ser aceita por nós.
O convite de Jesus para ir a um
lugar tranqüilo e descansar um pouco não é detalhe que destoa do resto do
Evangelho. É importante que em nossas comunidades criemos espaço para o
descanso, o lazer, a convivência prazerosa. A vida cristã não se reduz a
preceitos, normas, pecados, obrigações, orações, devoções, abstinências,
jejuns, esmolas, apenas... mas é bom caprichar na gratuidade, no aconchego, no
convívio alegre e fraterno.
A Palavra se
faz celebração
O Bom Pastor não desampara
O conhecido e apreciado Salmo
22/23, também chamado de "salmo do Bom Pastor" é de fato uma das
"pérolas" do livro dos salmos. A sua beleza poética e riqueza de
imagens encantam cristãos, judeus e até pessoas de outras religiões. O mais
belo deste salmo talvez seja a forma de tratamento que reconhecemos receber de
Deus: "mesa farta", "águas tranqüilas", segurança,
bem-estar... é a imagem do "Deus protetor". Aquele que não desampara
sua criação, provendo-lhe vida e salvação...
Mas nos salmos, como ensina
santo Agostinho no comentário do Salmo 98, devemos procurar Cristo. E com esse
mesmo olhar e inteligência que cantamos o salmo 22/23. Pois Cristo é o Pastor
que nos conduz à vida plena com sua Ressurreição. É Ele quem nos conduziu à fé,
fruto da Palavra que nutre e dá sentido à nossa vida, qual prado verdejante
para o rebanho. Assim nutridos, passamos pelas "águas repousantes e
tranqüilas" do Batismo e nos saciamos nas delícias da mesa eucarística,
onde participamos do banquete do Reino, preparado para nós.
Jesus Pastor e Guia
Jesus, o Pastor escatológico,
prenunciado pelo profeta Jeremias, tem cuidado agregador na condução do rebanho
do Pai. Com seu sangue, "traz-nos para perto"de si, a nós
que andávamos distanciados Dele e de seu projeto. Sob seu comando, caem todos
os muros que separam "judeus e gentios". Pasto e Guia, Ele não se
distancia de nós, mas se senta à mesa conosco para cear, conforme rezamos na
antífona de comunhão: "Eis que estou à porta e bato, diz o Senhor: se
alguém ouvir a minha voz e abrir, eu entrarei e cearemos juntos"
(Apocalipse 3,20). O cuidado do Bom Pastor nos "cura" de todo
sentimento de discriminação e exclusão, que nos torna racistas, classistas e
preconceituosos. Quanto a nos, sendo também bons pastores uns para com os
outros, nossas forças pastorais não de dispersarão. Viveremos uma prática
pastoral forjada na compaixão e no zelo missionário. Nossa ação evangelizadora
e nossas liturgias terão "vida", vida e conteúdo e viveremos na paz o
dom da unidade, sob o olhar compassivo daquele que nos governa com prudência:
nosso rei-pastor Jesus Cristo, o "Senhor nossa justiça".
Ligando a
Palavra com a ação eucarística
Como rebanho, encontramo-nos no
regaço de nosso Pastor para refazer as forças e ouvir a Palavra. A celebração
nos afasta da correria dos afazeres da vida e da missão para permanecermos na
intimidade do Senhor e prosseguirmos mais animados em nossa caminhada pascal.
Somos tocados pelo seu olhar
compassivo. Sua presença amorosa se faz sentir na comunidade de irmãos que
juntos celebram o sacramento da sua Palavra, a qual ecoa dos acontecimentos,
dos textos bíblicos, da homilia, dos cantos e do silêncio. E, num diálogo de
aliança e compromisso, respondemos, professando nossa fé e suplicando,
desejosos que seu Reino venha logo.
Mas é no rito eucarístico que
vivemos plena comunhão de aliança com o Senhor. Agradecidos, oferecemos com Ele
nossa vida ao Pai que nos brinda com a ceia, sacramento da entrega de seu Filho
na cruz.
Na comunhão de sua aliança,
deixamo-nos tomar de compaixão pela multidão faminta, sofrida e desesperançada
ao nosso redor. Pela força do Espírito, como bons pastores, assumimos doar
nossa vida para que o mundo tenha vida e alegria.
padre Benedito Mazeti
"A sós com o Senhor..."
Sempre ouço
uma crítica contundente em nossa Igreja, de que, “no dia em que Jesus voltar,
não vai nos encontrar unidos, mas reunidos”. Há de fato um excesso de reuniões,
as vezes sem pauta e nem assunto determinado, e o que é pior, sem horário para
terminar, onde patina-se em assuntos pessoais, troca-se muitas farpas, seria
necessário refletirmos sobre a qualidade de nossas reuniões, avaliando-se os
resultados. Lembro-me da primeira vez em que fui convocado para uma reunião na
igreja, isso já faz tempo, e senti-me muito importante, hoje o entusiasmo já
não é tanto.
Pelo jeito, os
apóstolos também gostavam de uma reunião, haviam sido enviados em missão, e no
evangelho de hoje voltam para Jesus, querendo fazer uma reunião de avaliação,
mas ao que parece, o Mestre não era muito chegado em reunião, pois assim que os
apóstolos começaram a expor o relatório de tudo o que tinham feito, ele os
convidou a irem para um lugar á parte: “Vamos descansar um pouco em um lugar á
parte!” – Prestemos atenção nesse verbo, “descansar”, que tem muitos
significados: descontrair, fazer algo diferente, jogar um pouco de conversa
fora, dar boas risadas de coisas engraçadas que aconteceram na missão, rir dos
próprios erros e enganos “Imagine Senhor, que eu por engano bati na porta de um
ateu, e quando comecei a falar em teu nome, pensei que o homem ia ter um
“saracotico”!, fico imaginando o grupo todo caindo na risada com aquele
apóstolo distraído, e Jesus exclamando bem humorado “Mas você é uma anta
mesmo!” e tome mais risada e até o sisudo Pedro quase se engasga de tanto rir,
e me dirão os extremamente conservadores, que isso não está no evangelho, e nem
precisaria.
Modéstia á
parte, nossas reuniões de diáconos da diocese de Sorocaba, são um pouco assim,
as vezes o Dirigente tem que dar um “breque” para acalmar os faladores e
piadistas, e não pensem que os mais idosos não gostam, até eles fazem rodinhas
para contar suas anedotas ou coisas engraçadas do seu ministério. Faz muito bem
a alma, ao coração e à nossa “psique”, esses momentos de pura alegria por
estarmos juntos, e graças a Deus, nossos irmãos maiores no ministério, os
sacerdotes, estão resgatando esses encontros, com a valiosa ajuda da
psicanálise, pois não se conhece arma mais poderosa do que o isolamento, para
destruir por completo uma vocação, agente de pastoral que se isola dos demais,
catequistas, ministros, padres e diáconos, começou a ficar sozinho, está dando
“sopa” para a derrota e o fracasso na sua vocação, daí vêm certas tristezas,
angústias e desvios de conduta, por falta de apoio.
Na correria
dos trabalhos pastorais e ministérios, é preciso parar de vez em quando, e aqui
há outro sentido belíssimo nessa reflexão, pois, descansar com o Senhor,
significa abastecer-se, na intimidade da oração, no mistério da Eucaristia,
onde Deus é um frágil pedacinho de pão, na palma da minha mão, ou ainda como
Maria, irmã de Marta, sentar-se confortavelmente aos pés do Senhor, para ouvir
a sua palavra. De que me adianta não ter tempo para mais nada, nem para mim
mesmo, nem para os amigos, nem para a família, nem para comer, por conta de uma
agenda lotadíssima de compromissos, se vou aos poucos me distanciando daquilo
que é essencial?
O ativismo
exacerbado das atividades pastorais e ministeriais começa a nos fazer sentir
que somos Donos do Reino e da igreja, querendo nos colocar no centro das
atenções, quando na verdade apenas trabalhamos para o Mestre Jesus, é ele quem
nos envia, quem nos confia a missão, é portanto ele, que no “intervalo” do
jogo, como fazem os técnicos de futebol, irá nos dar as instruções, fazer as
correções necessárias, mostrando-nos a melhor estratégia para sermos bem
sucedidos na missão.
Não tenho
nenhuma dúvida que, sem essa intimidade dos bastidores, com Nosso Senhor,
retirados em um lugar á parte, sem essa descontração com o grupo todo, que
solidifica a amizade e o carinho entre os membros, qualificando as relações
pessoais, corre-se o risco de estressar-se diante do volume de trabalho a ser
feito na comunidade e na evangelização fora da Igreja, a multidão que temos que
servir é muito grande, as pessoas buscam desesperadamente algo que o
cristianismo tem de sobra, que é a esperança, presente na palavra da qual somos
portadores.
Mas é perigoso
esse “corre-corre” nos tornar insensíveis a dor, ao sofrimento e as
necessidades das pessoas, tornando-nos profissionais da palavra, realizando
trabalhos belíssimos e ações arrojadas, mas não movidos por essa COMPAIXÃO, que
Jesus tem pelas pessoas que o procuram, mas apenas levados por nossos
interesses mesquinhos, pela nossa vaidade, prepotência e arrogância,
manifestando de vez em quando o nosso mau humor e azedume naquilo que fazemos,
e de Agentes de Pastoral ou ministros da igreja, com essa característica, longe
de atrair as pessoas, como o Mestre fazia, as vezes é melhor manter a devida distância,
porque nunca se sabe em que hora que o “Rei ou a Rainha da Cocada”, vai dar o
seu terrível “coice”, que magoa, machuca e gera tantas divisões e intrigas na
comunidade, perdendo de vista a compaixão, vivida por Jesus.
diácono
José da Cruz
1. Jesus e os
seus discípulos estão em constante movimento. Quase não têm tempo para
descansar e por vezes as refeições são feitas à pressa, pois há sempre pessoas
a chegar e a partir.
O primeiro dos
evangelistas, são Marcos, o mais "genuíno", não tendo a preocupação
de apresentar uma reflexão refletida e ordenada sobre Jesus, quer dar-nos o
testemunho daqueles que viveram com Ele, como é o caso de São Pedro, para que o
maior número de pessoas possa beneficiar da Sua mensagem e da Sua benevolência.
É um Jesus mais humano e sensível, em ação permanente, sem tempo para grandes
paragens, e onde são mais as interrogações que as respostas.
Duas premissas
sobressaem de imediato em são Marcos: Jesus é o Filho de Deus e tem consciência
que é Filho de Deus, mas é um homem entre homens, com necessidades, precisa de
comer e de descansar, de se afastar da multidão e rezar em silêncio; e é o
Messias esperado, n'Ele se cumprem as promessas de Deus feitas ao Povo da
Aliança, de forma mais explícita pelos profetas; surge do povo e ao povo é
enviado.
Ao lermos com
atenção este trecho do evangelho sobrevém a delicadeza e atenção de Jesus.
Enviou os seus discípulos e no regresso Ele sabe/sente que precisam de
descansar, de retemperar forças, de comer, e de relatar tudo o que passaram, a
experiência vivida. É um lado muito humano de Jesus e muito concreto. Neste
episódio não há nada de abstrato ou elaborado. É a vida no seu pulsar
quotidiano. O Messias, o Enviado de Deus, assume em pleno a Sua humanidade.
2. A compaixão
de Jesus pela multidão é constante na Sua vida. Vem da parte de Deus. É o
próprio Filho de Deus, mas vem como Pastor para o meio da humanidade, para o
meio de um rebanho tantas vezes desorientado, sem guia e sem esperança.
É notório que
há muitas pessoas que ouviram falar de Jesus e não apenas um bando de
maltrapilhos (que Ele acolhe com maior afabilidade). É grande a multidão que a
Ele acorre, gente que vem de toda a parte, de vários grupos sociais, religiosos
e políticos, de várias regiões e em diferentes idades.
A resposta de
Jesus é atitudinal: levanta-Se de imediato, não deixa a multidão à espera.
Ensina-lhes muitas coisas. Quem chega não está faminto apenas de pão, mas de
vida nova, de sentido para os seus dias de trabalho e canseira.
As palavras do
salmista apropriam-se a Jesus: “O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a
descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a
minha alma. A bondade e a graça hão de acompanhar-me todos os dias da minha
vida, e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre”.
Deus nada nos
tira. Diante d'Ele não precisamos de disfarces, apresentamo-nos como somos, com
a nossa alma em transparência, sabendo que Ele nos guia para o bem, que nos
proporciona descanso, o reencontro conosco.
3. A primeira
leitura que hoje nos é proposta antecipa a chegada do Messias-Pastor. Deus virá
para o meio do Seu povo. É uma promessa que renova a esperança em Deus e que
haveria de motivar os israelitas a voltarem à Aliança, evitando a
conflitualidade, egoísmo, a perversão, que levaria à ruína do reino do Norte e
de Judá. Um povo sem Deus, e sem Mandamentos, é um povo sem alma e sem futuro,
correndo o sério risco de se desmoronar.
Jeremias é
mais um profeta da interioridade, cimentando o compromisso com as pessoas mais
frágeis, apontando a conversão interior, como caminho para Deus e para os
outros, adesão firme à Aliança e que implique, pressuponha e conduza à prática
da justiça e da caridade. Os ritos valem se preenchidos com Deus e com a Sua
Palavra, na vivência dos Seus mandamentos. De contrário são como ossos
ressequidos, esqueleto sem carne e sem músculo, sem vida!
A religião,
como a vida política e social, há de estar ao serviço do bem, da paz, ao
serviço de todos, promovendo os mais pequenos. Só iguais podemos viver como
irmãos e também com a mesma responsabilidade social e política.
Hoje
precisamos de profetas que bradem esperança e sobretudo nos tragam Deus. E nós
também somos responsáveis pela profecia da esperança e de Deus. Deus não
tardará, já alouram as searas, os campos começam a ficar preparados para a
ceifa, Deus já se anuncia breve, como o Bom Pastor para o meio do seu rebanho,
do Seu povo.
“Eu mesmo
reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as terras onde se dispersaram e as
farei voltar às suas pastagens, para que cresçam e se multipliquem. Dar-lhes-ei
pastores que as apascentem e não mais terão medo nem sobressalto; nem se
perderá nenhuma delas – oráculo do Senhor. Dias virão, diz o Senhor, em que
farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará
com sabedoria; há de exercer no país o direito e a justiça. Nos seus dias, Judá
será salvo e Israel viverá em segurança. Este será o seu nome: "O Senhor é
a nossa justiça”.
4. O anúncio
profético realiza-se em Jesus Cristo, o Pastor por excelência. Não vem por
sobre as nuvens, mas encarna, vem do povo, é Homem que tem poiso e pisa o nosso
chão, terra sagrada para o encontro de Deus e do Homem, vem com a força divina
encher de beleza e enriquecer a fragilidade humana. Não se coloca de fora, como
observador, mas dentro da humanidade. É n'Ele que encontramos a salvação de
Deus.
Como clarifica
o apóstolo, “foi em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos
aproximastes d’Ele, graças ao sangue de Cristo. Cristo é, de fato, a nossa paz.
Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo… de uns e outros, Ele fez em Si
próprio um só homem novo, estabelecendo a paz. Pela cruz reconciliou com Deus
uns e outros, reunidos num só Corpo... Cristo veio anunciar a boa nova da paz,
paz para vós, que estáveis longe, e paz para aqueles que estavam perto”.
Veio para
reunir de todas as nações, para congregar os de perto e os de longe, para
salvar, para semear a paz e a justiça, para formar de todos um só Povo para
Deus.
padre Manuel
Gonçalves