sexta-feira, 6 de outubro de 2017
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
27º DOMINGO DO TEMPO COMUM-A
27º
DOMINGO DO TEMPO COMUM
8 de Outubro de 2017
Cor: Verde
Evangelho - Mt 21,33-43
-ARRENDOU
A VINHA A OUTROS VINHATEIROS-José Salviano
Os judeus rejeitaram
Jesus, considerando-o um impostor. Então Jesus dirigiu o seu plano de salvação
para os gentios, os humildes que o acolheram e acreditaram em suas palavras.
Foi o que fez o dono da vinha. Continuar lendo
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SOMOS NÓS, OS NOVOS
VINHATEIROS! - Olívia Coutinho27° DOMINGO DO
TEMPO COMUM Dia 08 de
Outubro de 2017 Evangelho de Mt
21,33-43 Estamos no mês
de outubro, tempo em que a Igreja nos convida a refletir sobre a necessidade de
difundir o evangelho.O mundo está
cheio de conflitos, necessitando urgentemente de mais diálogo, de pessoas
corajosas, que não se curvam diante os desafios, que não se calam diante as
injustiças, porque acreditam na força da palavra de Deus e do testemunho!É um tempo que
chega repleto de apelos ao nosso coração, nos motivando a assumirmos, o
nosso compromisso missionário, na família, na comunidade e na
sociedade.Ser missionário
é colocar-se à disposição de Deus, como instrumento a ser usado por Ele,
como e onde se fizer necessário. É além das palavras,
dar testemunho de Jesus, com a própria vida! O espírito
missionário se fundamenta na experiência com Jesus, é a presença de Jesus
atuando no coração do missionário, que o motiva a assumir com maior intensidade
e alegria, a sua cumplicidade no anuncio do Reino!A todo
instante, somos chamados a vivermos de um jeito diferente,
transparente, na vivencia e no anúncio do evangelho, construindo
assim, um mundo mais justo e mais fraterna! No evangelho
que a liturgia deste Domingo nos apresenta, Jesus continua criticando duramente
os líderes religiosos do seu tempo. E na intenção de desmascará-los, conta-lhes
uma parábola, na qual eles são os vilões. Porém, fechados em si mesmos,
esses líderes, não assimilaram os personagens desta parábola, como sendo
eles, o que podemos constatar, na resposta que eles dão a pergunta de Jesus:
“Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses
vinhateiros?" Eles responderam: "Com certeza mandará matar de modo
violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que
lhes entregarão os frutos no tempo certo.” Com estas palavras, esses
líderes, assinam a própria sentença, pois estes arrendatários perversos,
eram eles mesmos.O texto chama a
nossa atenção, para a responsabilidades que nós, como Igreja missionária,
nascida da ressurreição de Jesus, devemos ter para com a vinha do
Senhor, que é o povo!Ao assumirmos o
nosso compromisso, em cuidar do que é de Deus, nós nos tornamos os novos
vinhateiros, e como tal, temos que devolver ao dono da vinha, os frutos da
missão que a nós foi confiada. Como discípulo
missionário, devemos dar testemunho de Jesus, partilhando a vida, acolhendo o
irmão na compreensão e na misericórdia. Não podemos nos limitar em
práticas religiosas, no legalismo, que é um instrumento de alienação e de
opressão. Mais do que tudo, precisamos cuidar da vida, que é
o bem mais precioso para Deus!Somos
corresponsáveis pela vida do outro, até mesmo pelos os frutos que eles hão
de produzir. Se não tivermos preocupação com o bem do outro, não
seremos colaborados fieis à prosperidade da vinha, e consequentemente
seremos advertidos por Jesus, como foram advertidos os arrendatários citados na
parábola! Estes, não cuidaram devidamente da vinha, além de não entregarem os
frutos pertencentes ao proprietário, quiseram apoderar-se da vinha,
matando todos os que vinham recolher os frutos, isto é, os profetas e até mesmo
o Filho do dono da vinha, que é Jesus!Infelizmente,
ainda hoje, existem muitos líderes, que se dizem religiosos, bem parecidos com
os do tempo de Jesus, pessoas que ao invés de servir, servem-se do povo,
transformando-o em propriedade sua, desagradando assim, o
proprietário da vinha.Como povo de
Deus, pertencemos a uma só vinha! Entre nós, há diferenças, mas como
filhos do mesmo Pai, devemos estar sempre unidos, ligados a seiva que é Jesus,
pois somente irmanados, produziremos frutos em abudancia,
dando assim, a nossa resposta de fidelidade ao dono da vinha. FIQUE NA PAZ DE
JESUS! – Olivia CoutinhoVenha fazer
parte do meu grupo de reflexão no Facebook:https://www.facebook.com/ groups/552336931551388/
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Ingratidão e
violência na “Vinha de Deus”
A Palavra de Deus deste XXVII
Domingo do Tempo Comum nos convida a refletir sobre o retorno estamos dando a
Deus após termos recebido tanto investimento divino: Deus nos cumulou de dons,
capacidades e nos deu a missão de sermos bons administradores dos seus bens (I
leitura e evangelho). A gratidão a Deus não deve ser através de palavras, mas
de boas obras (I leitura). A melhor forma de sermos agradáveis a Deus é nos
ocuparmos com tudo aquilo que é bom e dignamente mereça louvor (II leitura).
I LEITURA: Is. 5,1-7 – A
ingratidão da vinha
A vinha, plantação de uvas, é
uma metáfora (símbolo) que representa o povo judeu no Antigo Testamento (cf. Is
5,7). O profeta Oséias fala da “vinha” que dava frutos abundantes se referindo
ao teor de vida de fé desse povo (cf. Os 10,1). No texto de Isaías é muito
claro. Identificamos nele três partes: a primeira é o investimento que o
proprietário (Deus) faz com a expectativa de colher bons frutos da vinha
(prepara a terra, escolhe as sementes, constrói um lagar, faz uma cerca,
edifica um posto de vigilância). Tudo isso representa investimento cuidadoso; a
segunda é a manifestação da frustração do dono diante dos frutos selvagens que
a vinha produziu contrariando o investimento recebido; a terceira parte é a
decisão do proprietário de abandonar a vinha tirando-lhe os cuidados de antes.
A mensagem é transparente: Deus sempre ama a humanidade fazendo permanentes
investimentos, mas esta nem sempre é capaz de reconhecer os benefícios
recebidos e produzir bons frutos. A ingratidão parece ser a atitude mais
condenada que ainda hoje é uma realidade acentuada; uma sociedade materialista
não se importa com os benefícios recebidos de Deus. Por outro lado, os frutos
selvagens são evidentes: a violência, a injustiça, a corrupção, a idolatria etc.
Deus quer de nós “frutos de justiça” e “obras de bondade” (cf. Is 5,7) uma vez
que fez um especial investimento em nós, à diferença dos demais seres vivos.
Nossa Vida:
O tema da ingratidão e da
indiferença é muito recorrente na Bíblia. Também isso foi objeto de reflexão
por parte de Jesus (cf. Lc 17,11-18). Essa parábola da vinha nos dá algumas
significativas advertências para a nossa vida que tocam profundamente o nosso
cotidiano: a) A difícil correspondência ao amor de Deus: a vinha apresentada
não é condenada pela sua esterilidade, mas pela produção de frutos que não
correspondem à qualidade do amor investido. Ela produziu “uvas selvagens”
(azedas). Essa vinha representa o povo judeu... mas também é cada um de nós que
recebeu, no ato da criação, um carinho diferenciado por parte de Deus. Fomos
alvo de um investimento que o resto das criaturas não recebeu: de Deus
recebemos a inteligência, a consciência, a liberdade, a vontade, a
espiritualidade, a afetividade (capacidade de amar), a sociabilidade, a fé etc.
Mas nem sempre as nossas ações correspondem a esse investimento divino: a
mediocridade contraria a inteligibilidade, a alienação ofende a
consciência, o vício nega o chamado à liberdade, a submissão aos instintos
desvia-se da vontade de fazer o bem, o materialismo se esquece da
espiritualidade, a prática da violência exclui a vivência a afetividade e da
sadia capacidade de amar os outros... A ausência de bons frutos não
correspondente ao amoroso investimento divino. Isso representa uma grande atitude
de ingratidão. c) Deus espera de nós frutos saudáveis: o final do texto
apresenta a expectativa divina diante do próprio investimento: “eu esperava
deles frutos de justiça e eis a injustiça; esperava obras de bondade e eis a
iniquidade” (Is 5,7). A indiferença frente a dons recebidos gera em nós uma
atitude de desinteresse pelo aproveitamento dos mesmos. A indiferença gera a
esterilidade, o vazio, a inutilidade do bem recebido... mas não só, acabamos na
violência,fazendo justamente o contrário do que deveríamos fazer. Somos
convidados a fazer-nos uma série de questionamentos, tais como: o que estou
fazendo com as capacidades que Deus me deu? Estou me colocando a serviços dos
outros? O mundo é melhor com minha presença, como estou vivendo? Que significa
para os outros a minha inteligência e liberdade, que frutos elas estão
produzindo? As expressões “frutos de justiça” e “obras de bondade” – que
correspondem às expectativas de Deus para com o povo, significam a promoção e
vivência da fraternidade e a defesa dos direitos ofendidos; a compaixão e a
gratuidade na promoção do bem. Enfim, de nada adianta o que temos e somos, se
não nos colocamos a serviço do projeto de Deus. Tudo aquilo que Ele nos deu não
é para nos adornar e sermos admirados, mas para que sejamos seus instrumentos
promotores do seu Reino. Deus quer que ajamos conforme os dons que nos concedeu
(cf. 1 Cor. 3,5; Mt. 25,14-30). O sentimento de “inutilidade” é uma das causas
de suicídio hoje em dia. Ao contrário, quem se faz generosamente útil, está sempre
feliz!
O Salmo 80 é uma oração de
súplica, por ocasião de uma grande ameaça inimiga, onde o povo, a vinha de
Deus, já se sente objeto de disputa. Diz o Salmista: “Tu nos tornaste a disputa dos nossos vizinhos, e os
nossos inimigoszombam de nós” (Sl 80,7)... e por isso
suplica: “Olha do céu e vê! Vem visitartua vinha”. Deus é invocado como o Pastor de Israel, o povo (cf. Sl
80,2-3), Javé dos Exércitos (cf. Sl 80,5-6), Deus guerreiro que luta junto com
seu povo. Mas a situação em que se encontra o povo é desoladora, pois se sente
desprotegido, desamparado, abandonado. Questiona o Salmista: “Por que lhe
derrubaste as cercas? Para que os viandantes a saqueiem, e os javalis da
floresta a devastem, e as feras do campo a devorem?” (Sl 80,13-4). Os animais e
as feras são os inimigos saqueadores. Todavia, no passado o povo se sentia
profundamente bem cuidado e amparado por Deus (Sl 80,9-12). Em fim, essa dura
realidade é ocasião para iniciar um processo de mudança de vida (cf. Sl 80,19).
Não basta acusar a Deus. Deus não muda... mas quem dele se afasta acaba se
dando mal.
II LEITURA: Fl. 4, 6-9 –
Ocupar-se de coisas boas
Há uma verdade de fé que permeia
toda a Sagrada Escritura bem explícita em alguns textos, como no Sl 100,3 que
está escrito: “Deus nos fez e a ele pertencemos, somos seu povo e ovelhas; no
livro da Sabedoria 15, 2 encontramos: “sabendo que pertencemos a ti, não
pecaremos mais”; e na Carta aos Romanos 14,8 e 2Cor 10,7: “quer vivamos, quer
morramos, pertencemos ao Senhor”. Essa verdade de fé deve nos animar, então, a
fazermos todos os esforços possíveis para vivermos nessa perspectiva de
pertença e dependência divina. Consequentemente, como nos convida Paulo,
ocupar-se “com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso,
virtuoso, ou que de algum modo mereça louvor” (Fl 4, 8) é a forma mais coerente
de louvor e ação de graças a Deus. O resto é resto e é nessa perspectiva que
passamos compreender a recomendação Paulina: “não se inquietem com nada.
Apresentem a Deus todas as necessidades de vocês através da oração e da
súplica, em ação de graças” (Fl 4,6). Essa inquietude, na perspectiva Paulina
não é sinônimo de preguiça ou irresponsabilidade. Paulo convida os cristãos a
evitar, a agitação estressante, o ativismo vazio,o investimento vão. Facilmente
cai nessa situação quem ainda não definiu para si uma clara hierarquia de
valores e ainda não encontrou a essência do sentido da vida (a experiência do
amor (serviço) que gera a felicidade). É justo portanto, seguir o conselho
Paulino presente na Carta aos Gálatas: “não nos cansemos de fazer o bem; se não
desanimarmos, quando chegar o tempo, colheremos. Portanto, enquanto temos
tempo, façamos o bem a todos, especialmente aos que pertencem à nossa família
na fé” (Gal. 6,9-10).
Nossa Vida:
No mundo é muito comum
encontrarmos pessoas profundamente aflitas e ou decepcionadas por terem sido
movidas por preocupações desordenadas. Para sermos bons administradores da
“vinha pessoal” (a própria vida) é necessário saber viver, ocupar-se com aquilo
que é justo e correto. Paulo nos convida nesta leitura a refletir sobre: a) A
paz como fruto do equilíbrio das preocupações. O excesso de preocupações
desordenadas é uma das mais pesadas e maléficas cargas que, muitas vezes, nos
impomos desnecessariamente. A fé gera em nós a sabedoria da administração do
nosso fardo existencial e nos educa para o equilíbrio e para a consciência da
partilha com Deus: “descarregue seu fardo em Javé, e ele cuidará de você”, diz
o salmista (Sl 55,23). b) A necessidade do uso das nossas faculdades a serviço
de tudo aquilo que bom e justo. Quem se ocupa com o Bem, vive bem... quem perde
tempo com o “mal”, se dá mal!
EVANGELHO: Mt 21, 33-43 – A má
administração da “Vinha de Deus”
Jesus contou essa parábola
referindo-se, em primeiro lugar, à liderança do judaísmo: sacerdotes, sumos
sacerdotes (cf. Mt 21,45) e depois ao povo em geral. Os dirigentes do judaísmo
são acusados de serem violentos e o povo de ser indiferente (cf. IS 5,1-7). Os
dirigentes são os “agricultores” que deveriam, com fidelidade cotidiana,
alimentar a fé do povo, a vinha, da qual Deus é o proprietário. De fato, como
bem aparece na I leitura tirada do livro do profeta Isaías (cf. Is 5,1-7) Deus
é o dono da Vinha; ninguém é de ninguém nesta terra, somos todos de Deus. “Quer
vivendo ou morrendo pertencemos ao Senhor”, diz Paulo (Rm 14,8). Mas Deus não
faz tudo sozinho, ele quer, por usa gratuidade, nos valorizar partilhando
conosco sua autoridade delegando a determinadas pessoas, pais, líderes
religiosos, políticos, magistrados, educadores etc. Cada um de nós, segundo sua
vocação é, colaborador de Deus (cf. 2Cor 6,1). Deus nos
“arrenda” a sua “vinha” e quer ter parte no lucro (cf. Mt 21,33). A idéia de
viagem do dono da vinha, também presente em outros textos (cf. Mt 25,15; Mc
13,34; Lc 15,13), ressalta a liberdade e a responsabilidade humana. Essa
“distância” divina, significa que Deus não nos impede de fazermos o que
queremos. Para que não contrariemos o dono da Vinha, devemos estar em comunhão
consigo. Aqueles que foram chamados a determinados serviços, sobretudo na
esfera religiosa, são exortados a agir em comunhão com o projeto divino,
portanto, animados pelo ideal da Salvação de todos trabalhando com espírito
ético, generosidade, gratuidade, bondade, delicadeza, consciência reta,
respeito para com a liberdade alheia etc. Isso e muito mais encontramos no
capítulo 34 do profeta Ezequiel, texto que vale a pena ser sempre relido e
meditado. Também Jesus retoma o mesmo ideal e se auto-apresenta como o Bom
Pastor que dá sua vida pelas ovelhas (cf. Jo 10,11.14). Mas como bem acusa
Jesus, não foi assim que aconteceu ao longo da história do judaísmo: muitos
servos do dono da vinha não foram acolhidos: foram espancados, apedrejados,
humilhados e mortos (cf. Mt 21,35-36). Esses servos eram, sobretudo, profetas e
sacerdotes do Antigo Testamento. Recordemos alguns nomes: o profeta Elias foi
perseguido (cf. 1Reis 19), Jeremias surrado várias vezes, humilhado e jogado
numa cisterna para que morresse de fome (cf. Jr 26.38), o sacerdote Zacarias
foi apedrejado na entrada do tempo por ordem do rei (cf. 2Cr 24,20-22), o
violento rei Saul promoveu um massacre mandando matar de uma só vez 85
sacerdotes (cf. 1Sm 22,9-19), enfim, o profeta João Batista, o apresentador de
Jesus, foi degolado (cf. Mt 14,1-10). O próprio Jesus um dia lamentou:
«Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os que foram enviados a
você!”(cf. Mt 23,37). Jesus, o Filho, é o mais nobre dos mártires (cf. Mt
21,37), mas a história do derramamento de sangue daqueles que inquietam os
dominadores não para por aí: continuou com Estevão, Paulo, Pedro...etc.
até nossos dias. Os outros agricultores (cf. Mt 21,41) aos quais é
prometida o arrendamento da vinha são os povos pagãos. De fato, é isso que
aconteceu: o velho judaísmo se fechou e o cristianismo cresceu no meio dos
pagãos. Paulo se dirigiu a eles (cf. At. 18,6). A Igreja tem, hoje, a missão de
ser uma vinha fecunda, sempre nova, verdejante, frutífera. Mas para isso é
preciso bons agricultores, ou seja, bons líderes.
Nossa Vida:
A parábola nos convida a
refletir sobre diversos temas: a ingratidão, a indiferença, a responsabilidade,
a prepotência etc. Também nos convoca a meditá-la em diversas perspectivas:
pessoal, social, política, religiosa, moral etc. Não importa qual seja a perspectiva
escolhida; um fato é verdadeiro: Deus nos quer seus parceiros trabalhando em
sua vinha para que possa produzir frutos de paz e justiça. Sua vinha pode ser o
mundo, a Igreja, a comunidade, a empresa, a família, o grupo social do qual
participamos. As videiras da vinha, representam as pessoas. A postura condenada
dos agricultores era caracterizada pela violência aos servos do dono da vinha
(parceiros). Quando não aceitamos ser colaboradores de Deus na edificação de um
mundo melhor, podemos facilmente cair no mal da arrogância que nos faz
violentos com os outros. Vejamos o que nos alerta a Sagrada Escritura quando
Pedro reflete sobre a função dos líderes: “cuidem do rebanho de Deus que lhes
foi confiado, não por imposição, mas de livre e espontânea vontade, como Deus o
quer; não por causa de lucro sujo, mas com generosidade; não como donos
daqueles que lhes foram confiados, mas como modelos para o rebanho” (1Pd
5,2-3). O desejo de autonomia dos agricultores tem muito a ver com a nossa vida
quando dizem: “Esse é o herdeiro. Venham, vamos matá-lo, e tomar posse da sua
herança” (Mt 21,38). Esse desejo de absoluta autonomia para o ser humano é uma
grande ilusão. Somos naturalmente dependentes daquele que nos gerou e somente
em comunhão consigo é que encontramos o verdadeiro sentido do “cuidado”, da
Liberdade e da Responsabilidade. Querer tomar posse da herança divina equivale
ao orgulho de, ilusoriamente, querer usurpar o lugar de Deus. Também hoje em
nossos dias milhares agentes promotores de Reino de Deus, profetas (profetisas)
e sacerdotes sofrem violência, são humilhados, perseguidos, caluniados e não
poucos assassinados. É o Reino de Deus que continua sofrendo violência e, no
seu tempo, Jesus lamentou essa triste realidade (cf. Mt 11,12). O Reino de Deus
não sofre violência somente quando um sacerdote, bispo, religioso ou religiosa,
ou qualquer pessoa de bem é assassinada, mas sobretudo, quando em nome da fé
promovemos a violência, escravidão e nos tornamos mesquinhos pensando estar
protegendo bens divinos; o Reino de Deus sofre violência quando em nome da
autonomia pessoal, grupal e comunitária estimulamos a cultura do
individualismo, da autossuficiência e do democratismo (= que diz que o
verdadeiro é produto da maioria). O Reino de Deus sofre violência quando
justificamos os males do mundo, negando a nossa responsabilidade... e
promovemos uma visão fatalista da vida que suprime a liberdade e a inteligência
humana.
Mensagens e compromissos:
Deus não quer que sejamos
“videiras estéreis”, nem mesmo que produzamos “uvas azedas”!
É necessário que nos ocupemos
com tudo aquilo que é Bom, justo, honesto... e na justa medida, sem desordem.
Somos administradores da vinha
de Deus, parceiros de Deus, jamais seus concorrentes.
Antônio de
Assis Ribeiro - SDB (Pe. Bira)
Há quem siga aferrado ao um "serviço da
palavra", mais apto para as gerações passadas do que para a sociedade
atual. Há quem goste de ouvir uma "palavra" distante da realidade em
que vivemos, expressa em linguagem teórica, com pouco sabor da vida e da problemática
das pessoas...
A inculturação continua sendo um assunto pendente
para muitos pregadores cristãos. Nós nos perguntamos como conseguir que nosso
"serviço da palavra" se inspire e se faça carne em compromissos
concretos pela Vida, pela Justiça e pela Solidariedade concretas, tal como são
vividas hoje no dia a dia...
Podemos olhar para os profetas; eles podem nos
orientar nessa tarefa. Eles sempre mantiveram uma atitude crítica frente às
instancias de poder e, simultaneamente, viviam no meio do povo. Isaías, por
exemplo, não duvida em utilizar uma velha canção romântica sobre a vinha para
comunicar com eficácia a sua mensagem. Não teme que o chamem de cancioneiro,
poeta cantador, ou que as pessoas pensem que seus recursos didáticos sejam de
baixo nível.
Para Isaias o importante era chamar a atenção para o
decadente reino de Judá, os perigos evidentes de uma política interna exercida
mediante o autoritarismo, a repressão e o imediatismo. E a habilidade de seu
"serviço da palavra", comprometido e vital, ao mesmo tempo acessível
e profundo, ficou refletido na "canção da vinha" proposta como
primeira leitura.Acontece a mesma coisa com a pregação de Jesus, como podemos
ver no evangelho de hoje.
Jesus se vale do mesmo tema da vinha para expressar
sua mensagem. Muitos grupos fanáticos consideravam que a salvação de Israel era
a única meta da historia. Jesus questionou duramente esta maneira de pensar,
por ser superficial e excludente. Por isso, muitos líderes sectários, tanto de
direita como de esquerda, consideraram que Jesus era uma ameaça. Para Jesus, o
Reino de Deus estava aberto a todos os seres humanos "de boa
vontade", ou seja, que tivessem como valor primeiro de sua vida o Amor e a
Justiça.
O Reino é "Vida, Verdade, Justiça, Paz,
Gratuidade, Amor". Por isso, para Jesus não eram importantes as diferenças
raciais, de gênero ou de qualquer outro tipo: todas as pessoas "de boa
vontade", todas as que estão dispostas a viver a solidariedade fraterna,
são convidadas. E Jesus, não somente o propôs como um ideal, mas também o
realizou na prática.
Esta maneira de agir e de pensar acarretou-lhe agudos
e profundos conflitos com os grupos religiosos e políticos da época, inclusive
com seus próprios discípulos. Para os praticantes da doutrina ortodoxa essa
abertura do Reino de Deus aos estrangeiros, enfermos e pecadores era
absolutamente impensável. Mais ainda, eles consideravam que fora de Israel e de
sua religião não havia salvação para ninguém mais. Consideravam-se
"proprietários" do Reino de Deus.
Jesus os desafia abertamente e por meio dessa
comparação com a vinha, mostra-lhes que a ortodoxia recalcitrante não conduz à
salvação. O profeta da Galileia satiriza as pretensões privatizadoras dos
ortodoxos e lhes mostra que Deus entrega o Reino àquelas comunidades que vivem
o amor e a justiça. O Reino não é propriedade privada de ninguém, nem de nenhum
grupo em particular. Ninguém o tem assegurado a título de uma reza ou de uma
determinada religião.
Toda ação e ministério de Jesus refletem o seu
compromisso com a vida. Suas ações e palavras convocam a todos a partilhar a
vida na nova realidade humana e mundana que a construção do Reino vai
provocando: suas obras poderosas, sua acolhida aos excluídos, o anuncio da
utopia de Deus que abre novos horizontes de esperança no coração dos pobres.
Estes e outros sinais são manifestações da vontade do
Pai que envia a Jesus para que seus filhos e filhas "tenham vida e a
tenham em abundancia" (Jo 10,10) e que, por isso, convida a celebrar o
retorno do filho "que estava morto e voltou à vida" (cf. Lc. 15, 32).
A denuncia de Jesus, por outra parte, nos indica que
o mensageiro do Deus da Vida não pode permitir que o ser humano esteja
permanentemente torturado por experiências de morte. Queremos que nossa vida e
nosso ministério sejam uma confissão e um testemunho de nossa fé em Deus
"que ama a vida" (Sb. 11, 26). Como seguidores de Jesus, sabemos que
esta vida se manifesta e pode ser vivida em plenitude quando se coloca
totalmente a serviço do Reino (cf. Mt. 10, 39).
Jesus, o Filho do homem, está disposto a dar a vida
em resgate por todos (cf. Mt. 20,28). Ninguém lhe tirou a vida; ele mesmo a
entregou livremente. Dele aprendemos que ser bom pastor é dar a vida pelo
rebanho, dar a vida pelos irmãos (cf. Jo. 10,11).
Neste momento devemos somar esforços com tantos
cristãos e cristãs que nos últimos anos optaram por servir à vida, ainda que
com o risco de perder ou complicar a sua própria. Ao fazer isso, prolongamos a
melhor tradição cristã, confiados na intercessão de nossos irmãos e irmãs mártires.
Claretianos
Hoje, de modo todo especial nós queremos dedicar toda
a nossa atenção, a nossa alegria e as nossas orações para você que está
consciente da sua missão.
Estamos iniciando o mês de outubro, o mês das
missões. Todos nós somos chamados à missão, por isso este mês é todinho
dedicado a você que é batizado e que está comprometido com a evangelização.
Parabéns a você, fiel servidor.
No entanto, nem sempre os servidores são fiéis: Hoje
nos deparamos com um senhor que plantou uma vinha, cercou todinha, construiu
uma área para industrializar a uva e, até mesmo uma torre de vigia ele fez.
Pensou nos mínimos detalhes para que nada desse errado.
Certamente foi grande o investimento. Fez tudo com
muito carinho, entregou o projeto aos arrendatários e viajou. Tinha certeza que
ao retornar receberia o lucro esperado. Esperava muitos frutos. Mas, não foi
bem isso que aconteceu.
Justamente aquelas pessoas que foram merecedoras de
sua confiança, as mesmas, que receberam tudo prontinho, o traíram. Foram ainda injustas
e violentas com os representantes do senhor. Espancaram, apedrejaram e até
mesmo mataram.
É provável que tenham agido dessa forma para não
terem que dividir a colheita. Talvez a intenção fosse guardar tudo para si.
Existe, porém, outra possibilidade, pode ser que não tivessem nenhum fruto para
entregar. Pode ser que não plantaram nada. Esqueceram-se de que a natureza é
generosa, porém justa; quem nada planta... nada colhe.
Entretanto, nada justifica a atitude perversa e
violenta dessas pessoas. Seja por um ou por outro motivo, nas duas situações
está presente a traição. A ganância, o desejo de não querer dividir com
justiça, demonstra desonestidade. A falta de frutos deixa transparecerem a
preguiça e o comodismo.
Muito atual essa parábola, tem tudo a ver com o nosso
dia-a-dia. O Senhor colocou tudo sobre a face da terra, fez tudo com tanto
carinho, pensou nos mínimos detalhes. Como se diz popularmente entregou-nos
tudo “de mãos beijadas”, gratuitamente.
Investiu alto e aguarda o retorno de seu investimento.
Diariamente nos deparamos com seus representantes a procura dos frutos das
nossas obras. Fingimos nada ver nem ouvir. Somos capazes até mesmo de
espancá-los, para nada entregar, nada dividir. Repare que não partilhamos nada,
nem frutos, nem terra.
Não dividimos teto, saúde, nem alimento. Nem mesmo o
trabalho é compartilhado. O egoísmo não nos permite conjugar o verbo dividir.
Diante de tanta insensatez, o Senhor mandou seu próprio Filho e nós o matamos.
É hora de rever nosso comportamento e assumir a
missão. Lembre-se que somos os atuais arrendatários e teremos que prestar
contas ao “Dono da vinha”. Nunca é demais lembrar que nossos atos estão sendo
vigiados. Alguém, lá da “torre” tudo vê, tudo acompanha.
Jorge Lorente
A vinha que deus plantou
Um dia, no discurso da Última Ceia, na vigília de sua
Morte, Jesus disse: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor
...Vós sois os ramos" (Jo. 15,1.5). Esse simbolismo vale não apenas para a
vinha singular, que é Cristo, brotada das mãos do Divino Agricultor, mas vale
também para toda a vinha do Povo de Deus, que o Senhor plantou com o maior
carinho dentro da caminhada da História da salvação. Ele arrancou do Egito essa
vinha e a transplantou para uma terra privilegiada. E ela cresceu, e estendeu
seus ramos até o mar e seus rebentos até o rio ( cf. SI. 79). Isaías canta em
grandes louvores os cuidados de Deus para com essa vinha. Fez tudo por ela!
Pôde até perguntar: "Que mais podia fazer por minha vinha, que não o tenha
feito (Is. 5,5)? Lamentavelmente ela foi ingrata. Em vez de uvas boas que dela
se poderiam esperar, só produziu uvas azedas.
O simbolismo da vinha era muito usado pelos profetas
e sábios do Antigo Testamento. Nem podia ser diversamente, vivendo como viviam
numa terra singularmente caracterizada pelo cultivo da videira. Jesus - o maior
de todos os profetas e o mais sábio de todos os sábios - não podia fugir a essa
norma. E a imagem da vinha aparece freqüentemente no Evangelho. Sem falar que o
próprio Evangelho é o vinho novo, fervilhante de vida, que Ele vai colocar nos
odres novos dos corações renovados pela sua pregação.
Hoje lemos em São Mateus a dramática parábola dos
vinhateiros criminosos, que maltrataram e mataram os enviados do dono da vinha
que a tinha arrendado para eles. Os três sinópticos trazem a parábola. Está
chegando a hora da prisão e morte de Cristo. Jesus o sabe. E a parábola mostra
como Ele está a par de O Divino Mestre começa contando que o dono de um campo
plantou uma vinha e a rodeou de todos os cuidados, para que ela pudesse crescer
em segurança e a seu tempo dar frutos, que seriam transformados em vinho no
lagar construído junto à própria vinha. Esse proprietário teve que viajar, e
arrendou a vinha para vinhateiros que, no devido tempo, lhe entregariam os lucros
obtidos com a produção.
Quando chegou a época, o proprietário mandou
emissários seus para receber o que lhe era devido.
Mas os vinhateiros prenderam a uns, apedrejaram a
outros e mataram a alguns. Um segundo grupo de emissários, mandados em seguida,
foram tratados da mesma maneira. O dono pensou então: vou mandar meu próprio
filho. A ele certamente o respeitarão. Mas foi pior. Os vinhateiros, malvados
se alvoroçaram completamente: "É o herdeiro. vamos, matemo-lo. E ficaremos
donos da herança" (Mt. 21,38); E assim fizeram. Arrastaram-no para fora da
vinha e o mataram. É fácil ver aqui a alusão ao fato que Jesus foi crucificado
fora dos muros de Jerusalém. Como é fácil ver a seqüência dos anunciadores da
mensagem de Deus de acordo com as palavras , da carta aos hebreus: "muitas
vezes e de muitas maneiras Deus falou a nossos pais por meio dos profetas; por
último nos falou em seu Filho a quem constituiu herdeiro de tudo" (Hb.
1,1.2).
A conclusão da parábola, o próprio Jesus a faz dizer
pelos seus ouvintes, entre os quais predominavam na ocasião fariseus e
príncipes dos sacerdotes. Perguntou-lhes o Mestre que é que o dono da vinha
iria fazer com esses vinhateiros criminosos. A resposta foi que iria liquidar
esses malfeitores e arrendaria a vinha para outros vinhateiros que lhe pagassem
o fruto no tempo devido.
E Jesus então conclui com uma proclamação que é o
coroamento glorioso de todo o drama dos sofrimentos por que iria passar:
"Não lestes acaso na Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se a pedra angular? Eis a obra do Senhor. Ela é admirável aos nossos
olhos? Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será retirado e será dado a um
povo que o faça frutificar" (Ibid., 42-43).
O Israel étnico, que prepara a chegada do Messias,
cede lugar ao Israel universal, que é o novo povo de Deus! qualificado na carta
aos gálatas.
padre Lucas de Paula
Almeida, CM
A vinha do Senhor...
Estamos no mês de outubro, dedicado ao rosário e às
missões, com o tema: "Missão na ecologia".
A liturgia continua o tema da vinha, que representa
Israel, o povo eleito, precursor da Igreja, o novo Povo de Deus.
Na 1ª leitura, Isaías, com o "cântico da
vinha", narra a história do amor de Deus e a infidelidade do seu Povo (Is.
5,1-7). É um lindo poema composto pelo profeta, talvez a partir de uma canção
de vindima. Através do profeta (o trovador), Deus (o amigo) julga seu povo (a
vinha), descrevendo o amor de Deus e a resposta do Povo. Um agricultor escolheu
o terreno mais adequado, escolheu cepas da melhor qualidade, tomou todos os
cuidados necessários.
O sonho dele era a colheita dos frutos do seu
trabalho... Mas a decepção foi grande: só deu uvas azedas... "Que mais
poderia eu ter feito por minha vinha e não fiz?"
Reação: seu amor se transforma em ódio: derruba o
muro de proteção, permite que os transeuntes a pisem livremente e que o inço
tome conta...
Os frutos, que o Senhor esperava, eram "o
direito e a justiça", respeito pelos mandamentos e fidelidade à Aliança.
Ao invés, viu "sangue derramado" e "gritos de horror": infidelidade,
injustiça, corrupção, violência... Muitas manifestações religiosas solenes, sem
uma verdadeira adesão a Deus.
Daí o castigo de Deus: a invasão dos assírios e
depois dos babilônios, que destruíram a vinha e deportaram os israelitas como
escravos.
Hoje há ainda "sangue derramado" e gritos
de horror"?
Na 2ª leitura, Paulo apresenta virtudes concretas,
que os cristãos devem cultivar na própria vinha. São esses os frutos que Deus
espera da sua "vinha" (Fl. 4,6-9).
No Evangelho, Jesus retoma e desenvolve o poema da
vinha (Mt. 21,33-43).
Um Senhor planta uma vinha com todo o cuidado e
tecnologia necessária e a confia a uns vinhateiros, conhecedores da profissão.
Chega o tempo da vindima, manda buscar a colheita e vem a surpresa. Não
entregam os frutos e maltratam os enviados. Não respeitam nem o próprio filho
do dono. Chegam a matá-lo. A "vinha" não será destruída, mas os
trabalhadores serão substituídos.
A parábola é uma releitura da história da Salvação:
ilustra a recusa de Israel ao projeto de salvação de Deus. A vinha é o Povo de
Deus (Israel). O dono é Deus, que manifestou muito amor pela sua vinha. Os
vinhateiros são os líderes do povo judeu. Os enviados são os profetas... o
próprio Cristo "morto fora da vinha".
Resultado: a "vinha" será retirada e confiada
a outros trabalhadores, que ofereçam ao "Senhor" os frutos devidos e
acolham o "Filho" enviado.
Reação do Povo: tentam prender Jesus, pois percebem
que a Parábola se refere a eles...
Quem são esses "outros", aos quais é
entregue a vinha? Somos todos nós, membros do novo Povo de Deus, a Igreja, que
tem a missão de produzir seus frutos, para não frustrar as esperanças do Senhor
na hora da colheita.
Que tipo de frutos está faltando?
Os homens do tempo de Isaías e também de Jesus eram
muito piedosos, zelosos nas práticas religiosas, no respeito do sábado. Mas não
foi da falta disso que Deus se queixou. Isaías resume a queixa de Deus nas
palavras do dono da vinha: "Esperei deles justiça, e houve sangue
derramado; esperei retidão de conduta e o que ouço são os gritos de socorro de
gente que foi explorada e maltratada..."
Será que isso acontecia só no passado?
Ainda hoje devemos testemunhar diante do mundo, em
gestos de amor, de acolhimento, de compreensão, de misericórdia, de partilha,
de serviço, a realidade do Reino, que Jesus veio propor.
Não podemos reduzir tudo a apenas umas práticas
religiosas?
Os guardas da vinha quiseram até se transformar em
"donos". Esse perigo não pode estar presente ainda hoje em nossas
comunidades? Não somos "donos", mas apenas administradores...
Deus nunca desiste de sua obra de amor e salvação!
Uma verdade consoladora, mas também um alerta: diante
do fracasso com alguns... Deus não desiste... Mas Ele recomeça com outros.
Será que Deus está satisfeito dos frutos que estamos
produzindo?
Missão na ecologia! Nesse mês missionário, somos
convidados a renovar com Deus a Aliança. Que frutos estamos produzindo para a
realização do Reino de Deus?
Se hoje não somos missionários, não é esse um sinal
de que estamos sendo maus vinhateiros. Não significa um desprezo para com a
vinha do Senhor?
Nesse caso: "O Reino também nos será tirado e
entregue a outros que produzam frutos".
padre Antônio Geraldo
Dalla Costa
Os lavradores
mataram os servos e o Filho do dono da vinha
A liturgia da “vinha de
Deus” para falar desse Povo que aceita o desafio do amor de Deus e que se
coloca ao serviço de Deus. Desse Povo, Deus exige frutos de amor, de paz, de
justiça, de bondade e de misericórdia.
Na primeira leitura, o profeta
Isaías dá conta do amor e da solicitude de Deus pela sua “vinha”. Esse amor e
essa solicitude não podem, no entanto, ter como contrapartida frutos de egoísmo
e de injustiça… O povo de Jahwéh tem de deixar-se transformar pelo amor
sempre fiel de Deus e produzir os frutos bons que Deus aprecia - a justiça, o
direito, o respeito pelos mandamentos, a fidelidade à Aliança.
Na segunda leitura, Paulo exorta
os cristãos da cidade grega de Filipos - e todos os que fazem parte da “vinha
de Deus” - a viverem na alegria e na serenidade, respeitando o que é
verdadeiro, nobre, justo e digno. São esses os frutos que Deus espera da sua
“vinha”.
No Evangelho, Jesus retoma a
imagem da “vinha”. Critica fortemente os líderes judaicos que se apropriaram em
benefício próprio da “vinha de Deus” e que se recusaram sempre a oferecer a
Deus os frutos que lhe eram devidos. Jesus anuncia que a “vinha” vai ser-lhes
retirada e vai ser confiada a trabalhadores que produzam e que entreguem a Deus
os frutos que ele espera.
Primeira leitura:
Isaías (Is. 5,1-7)
O encontro com o amor de Deus
tem de significar uma efetiva transformação do nosso coração e tem de levar-nos
ao amor, ao irmão... Quem trata os irmãos com arrogância, quem assume atitudes
duras, agressivas e intolerantes, quem pratica a injustiça e espezinha os direitos
dos mais débeis, quem é insensível aos dramas dos irmãos, certamente ainda não
fez a experiência do amor de Deus.
Segunda leitura:
Filipenses (Fl. 4,6-9)
Os cristãos não são pessoas
fracassadas, alienadas, falhadas, mas pessoas com um objetivo final bem
definido e bem sugestivo. O caminho de Cristo é um caminho de dom e de entrega
da vida; não é um caminho de tristeza e de frustração.
Por quê, então, a tristeza,
a inquietação, o desânimo com que, tantas vezes, enfrentamos as vicissitudes e
as dificuldades da nossa caminhada?
Porque é que, tantas vezes,
saímos das nossas celebrações eucarísticas cabisbaixos, intranqüilos, de
semblantes tristonhos e ar irritado?
Os irmãos que nos rodeiam e que
nos olham nos olhos recebem de nós um testemunho de paz, de serenidade, de
tranqüilidade?
Evangelho: Mateus
21,33-43
A parábola fala de trabalhadores
da “vinha” de Deus que rejeitam o “filho” de forma absoluta e radical. É
provável que nenhum de nós, por um ato de vontade consciente, se coloque numa
atitude semelhante e rejeite Jesus.
No entanto, fica a pergunta no
ar: As propostas de Jesus são, para nós, valores consistentes, que
procuramos integrar na nossa existência e que servem de alicerce à construção
da nossa vida, ou são valores dos quais nos descartamos com facilidade, sob
pressão de interesses egoístas e de acomodação?
Quem são os amos da vinha?
A tentação permanente de quem
tem o “poder” é: apoderar-se do que não é seu! Isto se passa quase
imperceptivelmente do serviço à posse. Os melhores servidores ou servidoras
- se não prestarem atenção - acabam convertendo-se em proprietários ou
proprietárias. E isso é muito perigoso!
Jesus exagera ao máximo essa
possibilidade. Na parábola nos fala de "um proprietário" que plantou
uma vinha e de alguns "lavradores" que trabalhavam na vinha. Estes,
ao chegar o tempo da vindima (colheita das uvas), se apropriaram dela e
começaram a impor seu poder, acabando com todos os que eram enviados a ela, até
com o Filho do proprietário. Ao final estavam sós, impondo sua ditadura! ...
Porém, fica no ar a grande pergunta: "quando voltar o dono da vinha, o que
fará com aqueles lavradores?”
Todos nós somos Igreja! As
mulheres e os varões! Os laicos e os ministros ordenados! Os seculares e os
religiosos! Os jovens e as crianças, os adultos e os anciãos! Os casados e os
celibatários! Os africanos, os asiáticos, os americanos e os europeus! Os
grupos e os movimentos poderosos e também as comunidades pequenas sem muitos
recursos! Todos nós somos Igreja, todos somos a Vinha amada de Deus! Nada,
ninguém, senão Jesus é o centro da Igreja. Nada, nenhum grupo, deveria usurpar
aquilo que foi concedido a todos em herança. Somos Corpo e cada um de nós é o
membro. Cada um tem sua função, mas ninguém, nenhum grupo, deve
“suplantar" aos demais. É necessário criar espaços para que todo o corpo
funcione evitando áreas de paralisia, ou áreas de competitividade que elimina o
"outro."
Os do "ordeno e
mando", os que sempre tem razão, quem impõem seu poder, que introduzem uma
ditadura na Vinha do Senhor e querem monopolizar tudo, absorver tudo, dirigir
tudo, não completam a vontade do Proprietário. São como os lavradores da
parábola. Sempre me pergunto: como é possível que em uma grande comunidade de
irmãos, todos ungidos pelo Espírito de Deus, tenha alguns que se sintam tão
"privilegiados" que querem supor que eles ou elas tenham toda a razão
e que os demais devam aplaudir e aceitar o que eles dizem? Como é possível
tanta hipocrisia, como para condenar os que não pensam como eu ou como o meu
grupo, sem descobrir minha fraqueza, meu pecado e minha mentira? Ouço muitos
irmãos e irmãs, em muitas partes da Igreja, reclamar de pequenas ditaduras às
que são submetidos e que fazem a vida eclesiástica muito difícil; se sentem
estranhos na própria casa, espancados na vinha.
Não se pode impunemente dizer
"em nome de Deus!", "em nome de Jesus Cristo!" para impor o
próprio ponto de vista, para condenar o oponente, para defender interesses
muito particulares. Se alguma vez se diz, que seja com medo e tremor. É que o
Espírito envia mensagens e mensageiros que nós não esperamos. O mesmo
Filho de Deus chega a nós com formas inesperadas, com expressões
novas. Quem é movido pelo Espírito de Deus a reconhecem e acolhem.
Abbá nosso, como é fácil nós
apropriarmos de teus dons! E quando isso acontece, não damos glória a Ti, mas
nós apropriamos de tua Gloria. Tu nos ama a todos "Vinha tua”, sem
lavradores proprietários... Todos nós somos partícipes da comunhão no
serviço. Livra a tua Igreja de toda a ditadura, dos maus pastores que utilizam
teu santo nome para impor sua vontade. Purifica os poderes, santifica os
poderes, humaniza os poderes... que teu Espírito nos conceda o
crescimento.Dá viabilidade também aos "novos poderes carismáticos" com
que agracias a tua vinha: que sejam acolhidas e acolhidos os teus
enviados... Com elas e eles nos chega teu Filho Amado, o que unicamente
proclamamos nosso Senhor!
José Cristo
Rey Garcia Paredes
Mataram o filho do
dono da vinha
A liturgia de hoje imagem da
"vinha de Deus" para falar desse Povo que aceita o desafio do
amor de Deus e que se coloca ao serviço de Deus. Desse Povo, Deus exige frutos
de amor, de paz, de justiça, de bondade e de misericórdia.
No Evangelho, Jesus retoma a
imagem da "vinha". Critica fortemente os líderes judaicos que se
apropriaram em benefício próprio da "vinha de Deus" e que se
recusaram sempre a oferecer a Deus os frutos que Lhe eram devidos. Jesus
anuncia que a "vinha" vai ser-lhes retirada e vai ser confiada a trabalhadores
que produzam e que entreguem a Deus os frutos que Ele espera.
Portadores da
Salvação
Hoje as leituras novamente falam
sobre as vinhas. É que Jesus era um homem do campo e, ainda que seu pai fosse
um artesão, tinha vivido desde pequeno os trabalhos e esforços que necessitava
o campo para dar seu fruto. No mundo agrícola Jesus encontra suas melhores
comparações. Também se inspira nas histórias do Antigo Testamento. Sem dúvida
Jesus conhecia o texto de Isaías que hoje se proclama na primeira leitura.
A história de amor entre o amigo
e a vinha. Os cuidados contínuos para que aquela vinha desse os melhores
frutos. Mas também a decepção porque à hora da colheita, a vinha, mal
agradecida, não deu uvas senão agraço (uvas verdes). E, depois, a declaração
final: a vinha é a casa de Israel. Deus desperdiçou seu amor. Deu-lhes uma
terra, protegeu-os de seus inimigos, fez-lhes seu plantel preferido. Mas não
responderam como Deus esperava. Não produziram direito senão assassinatos,
justiça senão lamentos.
Uma história algo
diferente
Jesus também fala de uma vinha.
A história tem um começo similar, mais em seguida há uma mudança importante. De
alguma maneira o papel protagonista não o tem a mesma vinha como na leitura de
Isaías senão os lavradores aos quais lhes foi encarregado cuidar da vinha. Na
parábola de Jesus não se diz que a vinha não tenha dado frutos. Mais se supõe
que os deu. A ênfase se põe na atitude dos lavradores que pretendem por todos
os meios ficar como proprietários não só dos frutos mais também da vinha. A
vinha é o Reino e Jesus declara ao final que tirará estes lavradores e
entregará a vinha a um "povo que produza seus frutos".
A mudança que faz Jesus não é
acidental. Jesus está falando aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo.
Sentiam-se provavelmente os donos da vinha. Eram os chefes religiosos e morais
do povo. Eles sabiam que o mau comportamento do povo tinha provocado o castigo
de Deus mais nunca a perda definitiva de seu favor. Eles seguiam sendo o povo
eleito.
A promessa é para
todos
Porém, Jesus faz uma proposta
diferente. A promessa de Deus é para todos os povos. O Reino não conhece
fronteiras. O povo eleito não se diferencia dos lavradores aos quais
encarregará de cuidar da vinha e que devem entregar os frutos há seu tempo. O
povo eleito é portador de uma promessa de salvação e de vida para todos os
povos. Está claro que o povo eleito, a comunidade dos seguidores de Jesus, não
são os proprietários da promessa. Nem sequer pode-se pensar que eles mesmos
"são" a promessa. Precisamente Jesus diz aos sumos sacerdotes e aos
anciãos do povo que se quiserem se tornar donos do que não é deles, se não
entregam os frutos devidos há seu tempo, vai procurar outro povo que se
encarregue da promessa.
Mensageiros da boa
nova
As conseqüências são simples de
entender. Hoje a Igreja é depositaria do Evangelho, da boa nova da salvação
para todos, homens e mulheres. Mas não é a proprietária. A Igreja está ao
serviço do Reino e não vice-versa. Deus convidou-nos a todos, bispos e laicos,
sacerdote e religiosos, a trabalhar em sua vinha. Que significa trabalhar
aqui? Levar a boa nova a todos os que nos rodeiam e convidar a todos a
participar da alegria da salvação, curar feridas e reconciliar corações,
promover a dignidade das pessoas e a justiça e se aproximar, sobretudo, dos que
estão mais afastados e excluídos do banquete da vida.
Hoje as palavras de Jesus já não
se dirigem aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo. Hoje se dirigem a nós. E
nos chama a sermos responsáveis. Se nos entrega o tesouro, devemos cuidar dele.
Esse tesouro produz a paz – três vezes repete-se "paz" na segunda
leitura – e a justiça. E esse tesouro não é para nós senão para o
mundo. Nós somos depositários e portadores. Adiante!
Fernando
Torres
Bons pensamentos para
administrar a vida
Os pensamentos, estão para a vida na mesma medida que
a vida está para os pensamentos. O grande estudioso do cérebro o cientista
António Damásio, diz que a alma está no cérebro. Considero esta conclusão muito
interessante e importante, porque o bem mais preciso que Deus deu à humanidade
é a inteligência. Curiosamente, penso que não haverá ninguém que não considere
que a inteligência está no nosso cérebro. Por isso, se este é o bem maior que
Deus nos deu, então, ele faz parte da nossa alma. São Paulo, apela que se
centre os pensamentos no pensar de Cristo. Quais são os pensamentos de Cristo?
- Eles são: "Tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro,
tudo o que é amável e de boa reputação, e o que seja digno de virtude e de
louvor, é o que deveis ter no pensamento". Aqui está a lista do conteúdo
do pensamento positivo que muitas vezes se vê apregoado pelos vários mestres.
Mas, que na realidade é difícil de atingir. Esta lista são valores da alma, que
precisam de inteligência para serem levados à prática.
O Apóstolo quer ensinar-nos que facilmente os nossos
pensamentos se perdem em ninharias e em conteúdos inúteis que não servem para
nada e para ninguém.
O pensamento não se controla, é verdade. Mas pode ser
conduzido e facilmente desviado, basta fazer um pequeno esforço e uma certa
ginástica mental.
Assim, muitas vezes os pensamentos perdem-se com as
doenças, com as artimanhas para vencer na vida da forma mais fácil, com todos
os esquemas para enganar os outros, com todas as formas possíveis de vingança,
com os bens materiais, com todos os medos que afetam a nossa sociedade atual,
com o medo da morte, enfim, uma lista infindável de pensamentos que ocupam as
nossas cabeças. E quando eles assim acontecem, tornamo-nos maus administradores
da vida.
O pensamento é o desbobinar de ideias. Umas muito
boas e úteis à vida para todos e outras também menos boas que prejudicam a vida
de todos. Mas cada coisa deve ter a sua ideia, porque "cada coisa que
perde a sua ideia é como o homem que perdeu a sua sombra - ela cai no delírio
onde se perde" ensinava o autor Jean Baudrielard, sob o título curioso
"A Transparência do Mal".
São Paulo neste trecho aos Filipenses coloca a
utilidade do pensamento e a matéria das ideias no centro Jesus Cristo. As Suas
ideias, o Seu pensar, o Seu filosofar e o Seu sentir devem informar o
pensamento de cada pessoa que se faz Seu discípulo. Ele é o Mestre da Filosofia
da Fraternidade. Por este âmbito encontramos eco no pensar de vários autores da
Filosofia, porque a definem com as melhores expressões do cristianismo.
Nessa busca de vestígios cristãos, descobrimos no
grande pensador C. Jaspers o sentido do filosofar como um "estar a
caminho" e como um "despertar"; Bertrand Russell, coloca o
centro dos pensamentos no verbo "interrogar", as ideias não escorrem
sem esse sinal de interrogação constante; Merleau-Ponty radica-o na palavra
"criticar"; Le Roy, ensina que não basta debulhar ideias, elas terão
sentido quando o pensamento segue o caminho da "unidade", isto é,
"unificar" é crucial para a conjugação dos pensamentos e das ideias;
por fim, o nosso incontornável Antero de Quental recorre ao verbo "duvidar",
que por vezes assusta alguns, mas é sempre necessário para crescer e permitir a
evolução dos pensamentos e das ideias.
O Apóstolo Paulo, porque nos apresenta o melhor dos
mestres, Jesus Cristo, faz-nos um apelo para que os pensamentos de deste mestre
sejam em larga medida os pensamentos de todo o Seu discípulo. Embora não se
controle em absoluto os nossos pensamentos, podemos em muitos momentos da nossa
vida tentar canalizar o pensamento para as ideias nobres que o Evangelho nos
apresenta. Também devemos deixar que todas as boas ideias e pensamentos de
outros nos deixem seduzir para o essencial, a verdade que liberta.
padre José Luís Rodrigues
Um povo que produzirá frutos
O evangelho de hoje (Mt. 21, 33-43) implica sabermos
o que é uma vinha na antiguidade e conhecer as passagens do Antigo Testamento
(primeira leitura) que aplicam esta imagem ao povo de Deus.
Todos sabem que uma vinha é uma plantação de uva, mas
poucos têm conhecimento que uma plantação como aquela descrita no evangelho é
rara. Poucos tinham condições de construir um lagar próprio para pisar suas
uvas e fazer vinho, e menos ainda conseguir erguer uma torre de guarda para
proteger dos assaltantes. O proprietário desta vinha, além de ter muito
dinheiro, devia gostar muito dela para fazer tudo isso.
Olhando para primeira leitura (Is. 5,1-7) descobrimos
que Deus compara seu povo com uma vinha que ele plantou e cuidou muito bem.
Aguardava dele frutos doces, justiça e bondade, mas só colheu frutos azedos,
injustiça e iniqüidade. Por isso, Ele irá entrar em juízo com seu povo (v. 3).
Retirará a cerca, deixará de podá-la e não permitirá que chova sobre ela.
Sabemos que o Senhor fará tudo isso com a esperança que seu povo se converta,
passe a produzir frutos bons e assim continue sendo sua plantação predileta.
O evangelho, mais que uma parábola, narra uma
alegoria onde cada elemento tem seu significado. Deus é o proprietário, a vinha
é Reino de Deus (v. 43); os arrendatários são as autoridades judaicas da época
de Jesus (v. 41) que o rejeitaram e o mataram fora de Jerusalém (v. 39); os
servos que vieram pedir o fruto da plantação são os profetas; o outro povo a
quem será entregue a vinha são todos aqueles que acreditam em Jesus e formarão
a Igreja de Deus. A atenção dos leitores se volta para o filho do dono que é o
próprio Jesus.
Os vinhateiros pensavam que matando o herdeiro iriam
se apropriar de toda a plantação (v. 38). Jesus então pergunta a seus
interlocutores, os sumos sacerdotes e ancião do povo: “Pois bem, quando o dono
da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?” A resposta deles (v. 41) os
compromete em primeira pessoa, e é a partir dela que Jesus pode emitir a
palavra final: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores
rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é
maravilhoso aos nossos olhos?’ Por isso, eu vos digo: o Reino de Deus vos será
tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos” (Mt. 21,42s).
Esta palavra não é simplesmente de Jesus, é também a
da Igreja da época que foi escrito o evangelho. A fidelidade a Deus será
decidida não somente a partir da pertença a um povo que não produz frutos de
conversão, mas a partir da adesão a Cristo. O evangelho está afirmando que o
Reino de Deus será retirado do povo do AT que não aceitou Jesus como Messias,
pedra angular, e será dado a um povo que produza frutos. Tal povo é a
comunidade dos seguidores de Jesus, independente se são judeus ou gentios, e
também é chamado de Igreja (Mt. 18, 17; 16,18).
Você que me escuta nesta homilia, você pertence a
este povo ao qual foi confiado o Reino de Deus. Você está trabalhando na vinha
do Senhor? Quais os frutos que você tem produzido para Deus? Você se apropria
dos frutos do seu trabalho ou sabe que parte deles precisam ser entregues ao
dono da vinha?
padre Emilio César
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