quarta-feira, 18 de abril de 2018
terça-feira, 17 de abril de 2018
4º DOMINGO DA PÁSCOA-Ano B-Jo 10,11-18
4º DOMINGO DA PÁSCOA
Evangelho
Jo 10,11-18
· -JESUS É O BOM PASTOR Jo 10,11-18-José Salviano
O amor de Deus pelas suas ovelhas é um amor gratuito,
ao contrário de nós, que na maioria das vezes, amamos, mas é um amor
interesseiro. Continuar lendo
=================================
“O BOM PASTOR DÁ A VIDA POR SUAS OVELHAS.”-
Olivia Coutinho
4º DOMINGO DA PÁSCOA
Dia 22 de Abril de 2018
Evangelho de Jo10,11-18
Fazemos a experiência do amor de Deus,
quando deixamos nos conduzir pelo o Bom Pastor que é Jesus!
Deus Pai, no seu infinito
amor, nos entregou aos cuidados do Filho, o Bom Pastor, que nos acolheu com o mesmo
amor do Pai, colocando-nos acima de sua própria vida!
Quando ouvimos falar do
Bom Pastor, logo nos vem a imagem de um protetor, de alguém que
cuida nós, que
nos carrega no colo, enquanto atravessamos os desertos de nossa vida!
A figura do Bom Pastor, é
uma das imagens mais bela e conhecida das pregações de Jesus!
Como o Bom Pastor, Jesus
se apresenta como a única porta que nos conduz ao Pai!
O amor do Bom Pastor pelo
o seu rebanho, é um amor incondicional, um amor tão grande que o levou ao
extremo: dar a vida pelo o resgate das ovelhas que caíram nas armadilhas dos
mercenários!
”Dou-lhes a vida eterna e
elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão” Jo 10,28. Eis
aí, a comunicação do amor de Deus, por meio de Jesus, é o seu amor que nos
devolve a vida!
No evangelho que a
liturgia de hoje nos convida a refletir, Jesus revela a sua intimidade com o
Pai, a sua disposição em levar em frente o projeto de Deus a ser implantado por
Ele, aqui na terra.
Ao se colocar como o Bom
Pastor, Jesus deixa claro, que Ele é um Pastor zeloso, um pastor totalmente
diferente dos que se dizem pastores, mas não cuidam de suas ovelhas. Ao
contrário destes falsos pastores, Jesus cuida carinhosamente de suas ovelhas,
Ele não quer perder nenhuma delas, e se alguma ovelha, se perder no caminho,
Ele não desiste dela, não cansa de esperar pelo o seu
retorno!
Ao entregar a vida, pelas
as ovelhas do rebanho que o Pai lhe confiara, que somos nós, Jesus nos deu uma
grande prova de amor, deu a sua vida por nós! Que resposta temos dado a este
amor sem limites? O que temos feito da nossa vida que custou a vida de Jesus?
Escutar e colocar em
prática os ensinamentos de Jesus, é realizar a vontade de Deus, é dar
continuidade a presença amorosa do Bom Pastor aqui na terra, cuidando do outro,
como Jesus nos ensinou a cuidar.
A todos nós, que confiamos
em Jesus, fica um alerta: Tenhamos cuidado para não cairmos nas ciladas do
inimigo, os falsos pastores, estão por aí, como lobos vorazes na espreita,
prontos para tomar posse das ovelhas que se dispersaram do rebanho.
Saber que temos um
protetor, alguém que cuida de nós, que nos conhece pelo o nome, que é nosso
refugio nos momentos de desolações, é a certeza de nunca estarmos sós!
Sob o olhar do Bom Pastor, estaremos sempre em
segurança...
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
Venha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook
=================================
O bom pastor
Quem algum dia entrou nas catacumbas de
são Calisto, em Roma, recorda certamente a imagem do Bom Pastor que é um ícone
de Cristo Ressuscitado. Na cultura pagã, era impensável um Deus crucificado.
Por isso, os cristãos de Roma quiseram conceber uma imagem que revelasse um
Deus cheio de amor. Os deuses pagãos, na concepção romana estavam possuídos de
violência, para fazerem justiça. O Deus dos cristãos, na Pessoa de Jesus
Cristo, era um Deus cheio de amor. Esta ideia passou de geração em geração e no
4º domingo de Páscoa a Igreja celebra sempre o Dia do Bom Pastor. O Evangelho
oferece muitos sinais reveladores do amor que o pastor tem pelas ovelhas e da
beleza da resposta que as ovelhas dão à ternura do pastor. São frases em
catadupa sobre o conhecimento recíproco e a preocupação do pastor pelo
bem-estar das suas ovelhas. Chama-se a esta página do Evangelho a alegoria do
Bom Pastor (Evangelho). Na sua primeira Carta, João transpõe esta alegoria para
a relação dos homens com Deus. E, de tal maneira, que afirma os homens como
Filhos adotivos de Deus (2ª leitura). Toda a salvação procurada pelos homens
sob o olhar de Deus se realiza em nome de Jesus. É este o contexto do discurso
de Pedro ao Povo quando, no templo, refere que a pedra que foi rejeitada se
tornou pedra angular, com a garantia que não há salvação em nenhum outro, senão
em Jesus Cristo.
1. O Bom Pastor
Jesus começa por dizer, neste Evangelho
que é Ele o Bom Pastor. Depois caracterizam-se as relações do pastor com as
ovelhas: o pastor dá a vida por elas, conhece-as pelo seu nome, tem um amor
completamente gratuito, elas conhecem a sua voz e elas seguem-n’O. O Bom Pastor
que não é mercenário, vai à procura de alguma que se perde, e tem uma única
preocupação: que haja um só rebanho e um só pastor. Nesta alegoria lindíssima
estão definidas as nossas relações pessoais com Jesus. Ele dá a vida por cada
um de nós. Ele conhece-nos em pormenor. Procura-nos se nos perdemos, acolhe-nos
no regresso, integra-nos na unidade de uma vida que, sendo d’Ele, é partilhada na
comunhão com todos. Com razão este Evangelho é considerado padrão de vida para
os sacerdotes, pastores na Igreja de Deus, porque a sua missão é precisamente
esta: estar disponível para todos em todo o tempo e lugar, até que haja um só
rebanho e um só Pastor.
2. Todos somos Filhos de Deus
Jesus, na sua vinda, veio construir um
novo Povo de Deus. Ele recebe-nos como Filhos adotivos em Jesus Cristo Senhor,
Filho Unigênito. É assim que nasce a Igreja onde todos se referem a Cristo
Cabeça, defendem a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, têm como
mandamento único o amor, e constroem a felicidade de todos. A realidade do Povo
de Deus, porém, só se realiza plenamente na Casa do Pai, na comunidade
definitiva.
3. A pedra angular
É muito bonito este discurso de Pedro
no capítulo 4 dos Atos dos Apóstolos. O importante não são os templos de pedra,
mas o Templo vivo da comunidade cristã que está a nascer. A pedra angular deste
Templo novo seria Jesus Cristo reconhecido como Messias e Salvador, mas os
construtores, o Povo de Deus, rejeitaram-n’O. Ele porém, tornou-se a pedra de
assento, a partir da qual, através dos séculos o novo Povo de Deus vai sendo
construído. Todos os cristãos somos pedras vivas deste Templo, assim saibamos
ser fieis à pedra angular, à referência fundamental que é Jesus Cristo.
monsenhor Vitor
Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”
Eu sou o Bom
pastor!
A imagem do pastor, profundamente
enraizada na tradição bíblica, volta nesta liturgia (29/04/12) sob a forma do
Bom Pastor, aquele que conhece suas ovelhas e dá a vida por elas. É assim que o
Senhor Ressuscitado se apresenta (evangelho). Pedro, depois de curar o
aleijado, desenvolve esta idéia afirmando que a cura e a Salvação vêm do
próprio Cristo, morto e ressuscitado (1ª leitura). João explica que tudo isto é
porque Deus nos amou, através de seu Filho, de tal forma que nos tornou filhos
e herdeiros de seu Reino (2ª leitura). Este é o conteúdo da Palavra de Deus que
iremos meditar,
1ª leitura: Atos dos
Apóstolos 4,8-12
Dando continuidade à 1ª leitura do
Domingo anterior, hoje encontramos o apóstolo Pedro explicando às autoridades
religiosas com que ”poder” ele acabava de curar um aleijado. Trata-se do mesmo
conflito que acontecera na vida pública de Jesus entre duas formas de entender
a “autoridade”: uma para libertar, curar e salvar e outra para controlar,
dominar e oprimir.
Pedro “cheio do Espírito Santo” não
foge do conflito ao afirmar que é “pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré…. e por
nenhum outro, que este homem está curado diante de vocês” e ainda denuncia, sem
temor: “aquele que vocês crucificaram e que Deus ressuscitou dos mortos”. Desta
forma, a Igreja primitiva nasce com toda força, proclamando que só em Jesus
está a nossa salvação. É o Senhor Ressuscitado, pelo seu Espírito, que a conduz!
2ª leitura: 1 João
3,1-2
Na sua Primeira Carta, o apóstolo João
se refere aos efeitos do Batismo pelo qual nos tornamos filhos de Deus. E isto
como prova do amor que Deus Pai tem por nós arrancando-nos do poder do mal e
admitindo-nos à esperança de, um dia, estarmos em perfeita comunhão com Ele
“porque nós o veremos como ele é”.
Como consequência disto, estando livres
do poder do mal, renascemos pela ação de Deus no Batismo. Como consequência
disto, devemos procurar a perfeição em nossa vida sem preocupar-nos com a
oposição de tudo aquilo que se opõe e se fecha à ação de Deus (que São João
chama de “mundo”) sabendo que, no fim dos tempos, “quando Jesus se manifestar,
seremos semelhantes a ele”. É esta a mensagem de confiança e otimismo que João
nos oferece para sermos capazes de enfrentar as dificuldades que surgem no
seguimento de Jesus.
Evangelho: João
10,11-18
No meio ambiente da Palestina, no qual
a terra é seca e o pasto escasso, a ovelha é o animal mais apropriado para
criação. Ela se alimenta de qualquer pasto, fornece carne e leite para a
alimentação e lã para se vestir. É um animal gregário, muito dócil e fácil de
ser cuidado. Chega a ser para o pastor como um animal de estimação. A imagem do
pastor de ovelhas, atravessando os campos com seu rebanho, fazia parte da
cultura daquele povo.
Na linguagem bíblica, todo aquele que
cuida, defende, alimenta e tem responsabilidade sobre alguém é identificado com
um pastor. Todo aquele que obedece, confia e se deixa conduzir é identificado
com a ovelha ou o rebanho de ovelhas. Esta é a imagem que usa o profeta
Ezequiel, capítulo 34 para criticar os dirigentes de Israel como maus pastores
do seu povo e é a imagem que Jesus usa para manifestar seu amor por todos nós,
as ovelhas de seu rebanho.
No evangelho de hoje, Jesus marca a
diferença entre Ele e os “mercenários” que cuidam do povo apenas por dinheiro e
não arriscam sua vida, para defendê-lo de tantos o “lobos” que o ameaçam,
porque “não são pastores”.
Ele, Jesus, não é apenas pastor, mas “o
Bom Pastor” porque, como Ele diz:
+ “Conheço minhas ovelhas, e elas me
conhecem”. Um conhecimento que não é racional e impessoal, mas que envolve uma
relação afetiva de tal forma que trata a cada uma pelo seu nome. Um
relacionamento comparável à relação de amor que Ele tem com seu Pai (“assim
como o Pai me conhece e eu conheço o Pai”).
+ “Eu dou a vida pelas ovelhas”. Muito
mais do que cuidar. Dar a vida por alguém é o mais profundo gesto de amor acima
de toda comparação com qualquer outro tipo de pastor e que nos introduz dentro
do Plano de Deus, pois de tal forma amou o mundo que deu seu próprio Filho pela
nossa salvação.
+ “Ninguém tira a minha vida; eu a dou
livremente”. A liberdade que o leva a “cumprir a vontade do Pai” não é,
propriamente, uma atitude de submissão e sim de aceitação, como João põe de
manifesto no relato da Paixão.
A partir destas palavras entendemos a
sua função de pastor aberta a todos os povos (“Tenho também outras ovelhas que
não são deste curral”) porque o rebanho de Cristo não tem fronteiras. Todo ser
humano é convidado a fazer parte deste único rebanho (“haverá um só rebanho e
um só pastor”). Um rebanho ainda hoje dividido em várias igrejas em contra da
intenção do Mestre que quer a unidade de seu rebanho.
Palavra de deus na
vida
Partindo da imagem bíblica do pastor,
podemos dizer que todos nós estamos chamados a sermos pastores desde o momento
em que assumimos uma responsabilidade sobre alguém. Os pais, os professores, os
sacerdotes, os profissionais da saúde, os governantes tem isso em comum. O
importante, porém, não é exercer determinada função. O que faz a diferença é a
motivação e o modo como ela é exercida.
Ao confrontar-se com os fariseus, que
se consideravam “pastores” de Israel (e, por suposto, melhores do que os
outros), Jesus usa a imagem do Bom Pastor em contraposição com a imagem do mau
pastor para mostrar-nos que o papel que desempenhamos pode não significar nada
se não houver da nossa parte uma verdadeira atitude de doação e de serviço em
favor dos outros.
O nosso primeiro passo será sempre
estabelecer uma ligação de conhecimento mútuo entre nós (os ”pastores”) e
aqueles sobre os quais assumimos uma responsabilidade ou que estão aos nossos
cuidados (as “ovelhas”); de forma que possamos dizer: “conheço minhas ovelhas,
e elas me conhecem… ”. Um conhecimento que tem que ser “mútuo” para que possa
abrir o caminho de uma verdadeira comunhão.
Depois disto é que poderemos colocar o
melhor de nós em tudo o que fazemos com espírito de doação e serviço. É algo
que está intimamente ligado à nossa vocação e se mantêm graças ao amor
desinteressado por aquilo que fazemos em favor dos outros. Será o exercício da
nossa liberdade, superando todo egoísmo e fazendo da nossa vida uma fonte de
doação e alegria.
O ideal do Bom Pastor se aplica muito bem
aos pais, professores e profissionais que tem alguém sob seus cuidados. Mas, de
forma toda especial, aos padres ou sacerdotes.
Jesus interpreta a sua atividade como a
do pastor segundo o coração de Deus, prometido pelo profeta (Ezequiel 34,23). É
assim que anuncia e espalha o Reino com sua palavra e sua vida, proclama a
misericórdia, deixa transparecer o amor do Pai para com todos (e especialmente
para com os mais necessitados), convida a segui-lo e reúne seus discípulos em
comunhão fraterna, conhece e se deixa conhecer, gasta sua vida curando,
alimentando, dignificando, unindo a todos entre si e com o Pai.
Sem dúvida, Ele pode dizer: “Eu sou o
bom pastor”. E como tal, ao partir deste mundo, não nos deixou sozinhos.
Continua sua “pastoral” através do Espírito Santo que assiste os pastores que
Ele colocou à frente das comunidades, na sua Igreja.
Esses “pastores” são os padres que, em
seu nome, tem a missão de orientar, ensinar e santificar o Povo de Deus para
continuar o anúncio do Evangelho. Ser padre não é uma honraria, não é estar
acima ou à margem do rebanho. É caminhar junto com ele, como falava Sto.
Agostinho: “para vocês, sou bispo; com vocês, sou cristão”. O ideal do padre é
ser o “pastor” que entrega sua vida a serviço dos outros, ajuda a discernir e
anima as pessoas no caminho da realização própria, como pessoas e como
cristãos.
Neste dia, celebramos o Dia Universal
de Oração pelas Vocações Sacerdotais, conscientes da necessidade que temos de
contar com número suficiente de padres consagrados ao serviço da Igreja,
imitando Jesus o Bom Pastor. Mesmo assim, é a comunidade cristã que importa
porque, citando novamente Sto. Agostinho: “Queira Deus que não faltem bons
pastores à sua Igreja... na realidade, que não faltem boas ovelhas no seu
rebanho pois é das ovelhas que nascem os pastores”.
O que conta é a comunidade cristã.
Dentro da comunidade, é a família. Os futuros padres não cairão do céu. Serão
filhos de casais cristãos que vivem a espiritualidade conjugal e dedicam parte
de seu tempo a assumir e participar das “pastorais”. É destas ovelhas que
nascem os pastores com verdadeira vocação!
Pensando bem...
+ Ser “pastor” é a missão, também, de
todos os leigos que assumem algum tipo de coordenação, ministério ou de serviço
de animação na comunidade cristã. Neste Domingo, podemos nos perguntar: O que
pode se esperar de nós como “bons pastores”?
padre Ciriaco
Madrigal
"O bom pastor
dá a vida pelas ovelhas"
Domingo do Bom Pastor. O quarto domingo
da Páscoa é denominado o domingo do Bom Pastor. É também Dia mundial de oração
pelas vocações. Refletimos sobre aquele que oferece livremente a sua vida para
a redenção da humanidade. Jesus ressuscitado como Bom Pastor, revela ternura e
cuidado para com seu povo, em especial com os pobres e sofredores.
O povo reunido pela escuta da voz do
Bom pastor precisa manter-se unido e ser conduzido por dedicados líderes. Por
isso, nesse "Domingo do Bom Pastor" realizamos a Jornada mundial de
oração pelas vocações sacerdotais e religiosas. A nossa oração dirigi-se aos já
assumiram a sua missão e pelo surgimento de muitas vocações.
Primeira leitura:
Atos 4,8-12
Pedro e João, presos pelo Sinédrio,
cuja autoridade não desconhecem, o qual lhes pede justificativas de sua
pregação cristã. A cura do enfermo, junto à porta "Formosa", incomodou
as autoridades religiosas judaicas. Crescia maravilhosamente o número de
adeptos do cristianismo que punha em perigo a religião judaica. Diante da
situação intimaram os apóstolos e os proibiram de anunciar o Evangelho. Pedro e
João responderam com delicadeza e franqueza que não era possível calar, mas era
necessário obedecer a Deus, do que aos homens (Atos 4,19s; 2,29). Pedro, não
como simples homem, porém cheio do Espírito Santo, respondeu de maneira
respeitosa e corajosa com uma admirável profissão de fé em Jesus Cristo:
"Nós pregamos a todos em nome de Jesus Cristo de Nazaré, a quem vós
crucificastes. Ele ressuscitou dos mortos e curou o enfermo como bem sabeis.
Apesar de rejeitado, não há outro nome pelo qual possamos ser salvos" (vs.
11-12).
Lucas, autor dos do livro dos Atos dos
Apóstolos, evangelista do Espírito Santo, anota a presença da terceira pessoa
divina nos Apóstolos, o que vinha realizar a promessa de Jesus para depois de
sua morte (Lucas 12,11s; 21,13ss; Mateus 10,12; João 14,26; 16,7-15; Atos
1,5.8; 2,4.38). ao longo dos Atos dos Apóstolos, é o Espírito Santo quem dirige
a vida da Igreja que não se explica por palavras e de maneira eficaz.
A crucificação e a ressurreição são
dois fatos-chave na história da salvação e da fé cristã: aquela é a prova mais
clara da realidade da morte de Jesus, - esta explica seu poder. O mistério da
vida da Igreja entra em ação. As palavras de Pedro são de grande alcance, nas
quais já não se faz necessário mencionar a Lei como fator de salvação. Até mesmo
não se pode confiar nela em termos de justificação. Pedro não perde a
oportunidade de anunciar a salvação. Não poupa o Sinédrio: "Vós o
crucificastes"!
O apóstolo Pedro busca de novo no
Primeiro Testamento uma citação, aplicando-a a Cristo? "A pedra que vós os
construtores, desprezastes e que se tornou a pedra angular" (Salmo
118/117,22; cf. 1 Pedro 2,4.7; Romanos 9,33). Também Jesus já o fizera,
adaptando a sai a referida passagem: apesar de rejeitado pelos judeus, Ele é a
pedra angular da nova casa de Israel (Atos 4,11; cf. Lucas 20,17; Marcos 12,10;
Mateus 21,42. Jesus desprezado pelos homens foi glorificado por Deus. Tanto os
primeiros cristãos quanto o judaísmo posterior admitiram o caráter messiânico
do Salmo 117. a citação deste salmo caracteriza sem nenhuma dúvida a cegueira e
a tragédia do Povo eleito por Deus.
O "nome de Jesus". A citação
de Joel 3,5, retomada no último versículo desse discurso de Pedro.
"Aqueles que invocam o nome do Senhor" (Atos 9,14.21; 22,16; 1
Coríntios 1,2; 2 Timóteo 2,22). Pedro introduz esta citação em seu discurso
diante do Sinédrio o tema do "nome de Jesus" pelo qual se faziam
curas (v. 10) e se realiza a salvação (v. 12).
Esta devoção dos primeiros cristãos ao
nome de Jesus é facilmente explicada. Comprovado que dispunham dos mesmos
privilégios que Cristo durante sua vida terrestre: mesma possibilidade de fazer
milagres, mesma ousadia diante dos tribunais, mesma participação na salvação
oferecida pelo Pai, aos poucos tomaram consciência de que o acontecimento
marcante da vinda dos últimos tempos não era o "retorno" de Cristo,
mas sua própria vida terrestre, coroada por sua ressurreição. Portanto, a vida
presente beneficia do caráter messiânico da vida de Cristo, e agir em
"nome de Jesus" testemunha essa continuidade. Jesus não está mais
aqui de maneira visível, mas pode-se fazer tudo "em seu nome".
Acreditar nele é crer que se prolonga sua vitória salvadora sobre o pecado e a
morte (cf. Atos 3,6.12.16; 4,7.10.30), ser curado ou batizado nele é colocar-se
sob a dependência da salvação sempre oferecida (cf. Atos 2,38; Lucas 8,48;
22,16)
Mas Jesus de Nazaré recebeu igualmente
o nome de Senhor que está "acima de todo nome" (Filipenses 2,9-11;
Efésios 1,20-21; Apocalipse 19,11-12; Hebreus 1,3-5) e que poderia fazer pensar
num Salvador exclusivamente divino. Esta interpretação seria certamente errada,
pois o verdadeiro mediador é um Homem-Deus: não um intermediário entre Deus e a
criatura, mas perfeitamente Deus e, ao mesmo tempo, este Homem de nome Jesus de
Nazaré.
Fazer-se batizar em nome de Jesus e
pregar o nome de Cristo asseguram o exercício dessa mediação de Homem-Deus em
nossa Igreja e em nosso mundo. Acreditar nesse nome e invocá-lo é ter a certeza
de que a vida de cada um é possuída por este mediador, especialmente na Eucaristia
que a renova e a aprofunda.
Salmo responsorial
117/118,1.8-9.21-23.26.28-2
É uma oração coletiva de ação de
graças. Este salmo encerra o Hallel (cf. Salmo 113-117). Um invitatório (vv.
1-4) precede o hino de ação de graças posto nos lábios da comunidade
personificada, vv. 19s-25s, recitadas por diversos grupos quando a procissão
entrava no Templo de Jerusalém. A Igreja da graças ao Senhor que ressuscita
Jesus e nos faça participar da sua Páscoa.
A "pedra angular" (ou
"pedra cumeeira"; cf. Jeremias 51,26), que se pode tornar "pedra
de tropeço", é tema messiânico (Isaias 8,14; 28,16; Zacarias 3,9; 4,7;
8,6) e designará o Cristo (Mateus 21,42p; Atos 4,11; Romanos 9,33; 1 Pedro
2,4s; cf. Efésios 2,20; 1 Coríntios 3,11). Na tradição cristã, este versículo é
aplicado ao dia da ressurreição de Cristo e utilizado na liturgia pascal.
O rosto de Deus no Salmo 117/118. A
primeira coisa que chama a atenção é a freqüência com que aparecem o nome
"Javé" (Senhor) e a expressão "em nome de Javé". Sabemos
que o nome de Deus no Primeiro Testamento é Javé, e esse nome está ,ligado à
libertação do Egito. O nome dele recorda libertação, Aliança e posse da terra.
Entende-se, portanto, por que o Salmo afirma que o amor dele é para sempre.
Amor e fidelidade são as duas características fundamentais de Javé na Aliança
com Israel. Aqui está o rosto de Deus: que ouve, alivia, anda junto do povo. A
recordação da "direita" faz pensar na primeira "maravilha"
de Deus, a libertação do Egito.
Jesus é a expressão máxima do amor de
Deus. Com Jesus aprendemos que Deus é amor (1 João 4,8), e Jesus foi capaz de
mostrar esse amor para todos, dando a vida como conseqüência disso (João 13,1).
A liturgia cristã leu este Salmo à luz da morte e ressurreição de Jesus. A
Carta aos Efésios (1,3-14) nos ajuda a cantar a Deus, por causa de Jesus, um
louvor universal.
O Senhor provou a todos seu amor na
paixão e morte de seu Filho Jesus. Ao ressuscitá-lo, mostrou como é grande o
seu amor por nós, seu poder e sua eterna misericórdia. Por isso os primeiros cristãos
testemunhavam com sua firme fé e com sua alegria; assim atraíam cada vez mais
pessoas para suas comunidades, viviam o milagre da partilha, constantemente
dando graças ao Senhor. "Dai graças ao Senhor porque ele é bom, eterna é a
sua misericórdia" (Salmo 118/117). Demos graças ao Pai de misericórdia
porque em Jesus Cristo ressuscitado temos a pedra fundamental, motivo de nossa
alegria e confiança.
Segunda leitura: 1
João 3,1-2
Estes versículos inauguram a segunda
parte da carta de João, que, até aqui, falou sobretudo de comunhão e de
conhecimento de Deus. Esta idéia é aqui retomada sob o ângulo da filiação.
Após ter dado testemunho sobre o Verbo
Encarnado (João 1,1-4) João passa a intimar o cristão para que ande no caminho
da luz (1 João 1,5-2,28), rompendo com o pecado, observando os mandamentos,
precavendo-se do mundo e desconfiando dos anticristos. Numa segunda etapa,
convida o cristão como filho de Deus (1 João 2,29-4,6), observando os mesmos
comentários de antes, os do caminho da luz. O presente texto analisa o
princípio de viver como filhos de Deus. A idéia de justiça (1 João 2,29) liga
com o texto anterior. Os que praticam a justiça poderão ir tranqüilos e
confiantes ao Juízo, já que Deus é justo e os justos nasceram de Deus para uma
nova vida, são de fato filhos de Deus a partir do batismo (João 3,3-8),
mediante o qual o homem se torna participante da natureza divina (2 Pedro 1,4).
A filiação divina - realidade sobrenatural - comprova a união com Deus e seu
amor pra conosco.
Em João 3,3-8 ele insiste na
necessidade de um novo nascimento pelo batismo. Assim gerados, os cristãos
podem, pois, ser chamados com razão de filhos de Deus (v. 1). Mas esta
expressão poderia gerar equívoco, pois numerosas religiões contemporâneas
reivindicavam este título para seus membros: os judeus utilizavam este título
em seu proveito (Deuteronômio 14,1) e as religiões pagãs conferiam de maneira
solene para os seus iniciados. Tratava-se, aí, só de metáforas. Assim, João
insiste no fato de que o cristão é verdadeiramente filho de Deus porque
participa realmente da vida divina quando afirma: "e nós o somos" (1
João 3,1). A realidade da nossa filiação divina é certa, mas ainda está para
vir. Eis porque o mundo não pode revelá-la. E como poderia, uma vez que se recusa
a reconhecer a Deus (v. 1b)?
A filiação divina é uma realidade em
devir, isto é, somente será plenamente conhecida na eternidade. Desconhecida do
mundo, às vezes passa despercebida para o próprio cristão, porque sua vida é
freqüentemente banal e difícil. Que o cristão saiba, então, que sua filiação,
ainda não claramente manifestada, se realizará plenamente na vida eterna.
Enquanto as religiões e as técnicas de adivinhação pretendem dar ao homem uma
igualdade com Deus por processos orgulhosos, João ensina a seus aos cristãos de
todos os tempos que o caminho que conduz à divinização (cf. Gênesis 5,4) passa
pela purificação (v. 3), pois somente os corações puros verão a Deus (Mateus
5,8) Hebreus 12,14. Passa também pela conversão, pelo perdão dos pecados e pelo
arrependimento (Lucas 24,47; Atos 3,19).
O cristão é filho de Deus não só por
uma ficção jurídica, mas também no plano entitativo. A filiação adotiva humana
só comunica externamente um direito entre o adotante e o adotado - ao passo que
a divina consiste na participação da nova, da nova natureza, semelhante à de
Deus, mediante um novo nascimento. Diante do mistério da filiação divina, João
vibra de emoção e exclama maravilhado: "Vejam como é grande o amor que o
Pai nos deu: Somos chamados filhos de Deus. E nós o somos" (1 João 3,1).
Deus, em seu amor, não só nos deu seu Filho. Também nos adotou como filhos e
filhas, comunicando-nos sua própria natureza (1 João 1,13; 2,29; João 3,16).
Se tal é a dignidade do cristão,
é óbvio que o mundo não o conheça, já que não aceitou o Cristo Senhor. Mundo
assume aqui um termo desagradável: os inimigos de Deus (1 João 2,15 ss.). Como
a nossa dignidade sobrenatural é participação que não se explica por palavras
da vida de Deus, os que não conhecem a Deus não poderão também conhecer os seus
filhos.
O amor divino - ágape - é uma realidade
espiritual que foge aos sentidos. Embora seja espiritual, é percebido em seus
efeitos e é objeto de fé. "Ver" e "crer" freqüentemente vêm
unidos (Mateus 21,32); Marcos 15,32; João 6,30; 20,8-29). O amor dá ao cristão
possibilidade de estar em comunhão com Deus e conhecê-Lo.
Em 1 João 3,2 o apóstolo João volta a
interpelar com carinho, isto é, com um diminutivo afetuoso (filhinhos) os fiéis
que reflitam sobre a filiação divina, agora e no futuro, por isso que sua
dignidade é desconhecida do mundo e, em parte, também dos próprios fiéis, uma
vez que ainda não produziu todos os seus efeitos. Nessa vida os mistérios
divinos só entendemos de maneira enigmática, indireta e imperfeita, como por um
espelho que mal reflete a imagem (cf. 1 Coríntios 13,12). Somente na eternidade
aparecerá em plenitude o que serão os filhos de Deus, quando Ele se revelará
tal como é. É verdade que o somos desde agora, pois a vida eterna já está em
nós (1 João 3,9; 4,13; João 3,16; 6,53). Se somos filhos de Deus, devemos viver
como tais.
Evangelho: João
10,11-18
Jesus conhece as ovelhas e as ovelhas O
conhecem. Na linha do simbolismo, que marca o Quarto Evangelho todo, devemos
entender este "conhecer" não no sentido natural, mas dentro do código
da linguagem de São João. Neste código encontram-se o sentido bíblico
existencial de conhecer (experimentar, ter intimidade, familiaridade, amizade,
relação matrimonial etc.).
Jesus dá a vida pelas ovelhas.
Esta realidade é a conseqüência do conhecer afetivo, no sentido bíblico. Mas
tem também um sentido de revelação: o dom de Jesus é a revelação do Pai. De
modo que "dar a vida" não apenas anuncia a hora da morte de Jesus;
significa também a totalidade da vida de Jesus como o dom do Pai, Palavra e
revelação do mesmo.
Ao oferecer a sua vida pelo
rebanho, o Bom Pastor realiza várias profecias messiânicas: Ezequiel 34,
Zacarias 11,16 e Jeremias 23,1 já opunham, com efeito, o pastor que arrisca sua
vida por suas ovelhas aos profissionais que vivem da carne de seu rebanho e
negam prestar-lhe os cuidados mais primários. Cristo não se contenta em
proporcionar cuidados exteriores ao rebanho: dá a sua própria vida. a expressão
"dar sua vida" talvez faz referência indireta a Isaias 53,10 (ele
oferece sua vida em expiação); assim, o tema do Bom Pastor ficaria claro pelo
do Servo Sofredor.
O tema do conhecimento mútuo já se encontra no Primeiro Testamento, onde explica a preocupação de Deus em cuidar, ele mesmo, das suas ovelhas (Ezequiel 34,15). Este "conhecimento" não é somente nem principalmente uma atitude intelectual, mas a expressão de uma comunidade de vida baseada tanto no amor quanto na inteligência. Trata-se, pois, de um conhecimento existencial de Deus que permite atingi-lo, não como uma abstração, mas como um ser vivo e pessoal encontrado na comunhão com a pessoa de Jesus. O judeu conhecia Deus na medida em que constatava suas maravilhas e suas intervenções no mundo. O cristão conhece-O nesta intervenção por excelência que é Cristo.
O tema do conhecimento mútuo já se encontra no Primeiro Testamento, onde explica a preocupação de Deus em cuidar, ele mesmo, das suas ovelhas (Ezequiel 34,15). Este "conhecimento" não é somente nem principalmente uma atitude intelectual, mas a expressão de uma comunidade de vida baseada tanto no amor quanto na inteligência. Trata-se, pois, de um conhecimento existencial de Deus que permite atingi-lo, não como uma abstração, mas como um ser vivo e pessoal encontrado na comunhão com a pessoa de Jesus. O judeu conhecia Deus na medida em que constatava suas maravilhas e suas intervenções no mundo. O cristão conhece-O nesta intervenção por excelência que é Cristo.
Por isso, Cristo é Pastor porque
conhece bem suas ovelhas, isto é, porque vive em perfeita convivência com elas.
Mas ele só é Bom Pastor no momento em que este conhecimento mútuo, estabelecido
entre Ele e seu rebanho, permite-Lhe revelar o conhecimento que une ao Pai.
Outro critério importante do Bom
pastor é a sua preocupação com a unidade e o agrupamento (v. 16). João pensa,
aqui, sem dúvida, no cumprimento da profecia de Jeremias 23,3 anunciando que as
ovelhas "de todos os países" serão "reagrupadas".
Vai em busca de outras ovelhas que não
são desse curral. Quem são as "outras ovelhas" do versículo 16? O
evangelista João escreve seu Evangelho com as divisões internas do fim do
primeiro século. Na verdade podemos pensar nas outras comunidades cristãs que
não eram de João. Mas parece mais certo e em João 11,52 nos convida neste
sentido a pensar que se trata de cristãos que não vieram do tradicional
"rebanho de Deus", Israel, mas do paganismo (cf. João 7,35; 11,52;
12,19.20ss). Na situação dramática da separação do Judaísmo e Cristianismo, no
fim do primeiro século, interpretada por João e sua comunidade como a rejeição
do Messias (rei, pastor) pelo próprio povo eleito (cf. João 19,15), surge agora
a figura do Pastor escatológico que não é limitado a Israel, mas que é pastor
de todos, reunindo em um rebanho todas as ovelhas, também as que não são de
Israel.
A idéia de um pastor que parte em busca
de suas ovelhas é comum no Primeiro Testamento (cf. Ezequiel 34), onde ele
caracteriza de modo particular as relações entre Deus e seu povo: jamais é a
ovelha que parte á procura do seu pastor, mas é o pastor que vai á procura de
suas ovelhas. Isto mostra que Jesus é o Bom Pastor porque foi enviado por Deus
à procura das ovelhas.
Jesus não é vitima de uma tramitação. A
doação até o fim é o que Ele quer mesmo (cf. 13,1s), com o executor da vontade
do Pai. De modo que o termo "dar a sua vida", nos versículos
anteriores, não apenas assimila o pastor sacrificando-se pelo rebanho, mas
indica Jesus Cristo transmitindo aos seus o dom da vida eterna: "vida em
abundância" (João 10,16).
Função na liturgia
O importante é sensibilizar os cristãos
pelo "Cristo pascal", que fala no Evangelho e em todo o Evangelho de
João. Só quando se tem a Ressurreição diante dos olhos, é possível entender o
que o texto quer dizer e o que é o dom da vida do Bom Pastor. Significa que nós
participamos da vida pascal de Jesus. Por isso o Evangelho deste domingo está
muito bem situado no seu atual lugar litúrgico.
O quarto domingo da Páscoa é o domingo
do Bom Pastor. Neste domingo se lê, cada ano, uma das três partes do discurso
do Bom Pastor, na proclamação do Evangelho da missa. Isto não influi, porém, na
escolha das duas primeiras leituras. Sentimos a falta do texto de Ezequiel 34
como primeira leitura. Mas mesmo como está, a exposição da salvação no nome de
Jesus (Atos 4,8-12), 1ª leitura) e a meditação sobre o amor que Deus nos
mostrou em Jesus (1 João 3,1-2, 2ª leitura) reforçam de maneira resumidamente
feliz as idéias principais do texto de João 10,11-18.
Da palavra celebrada
ao cotidiano da vida
Se, no contexto bíblico, presenciamos
uma sociedade eminentemente agrária, hoje temos uma sociedade essencialmente
urbana. A parábola oferece alguma resposta às interrogações e à mentalidade
contemporânea? É conveniente comparar a pessoa como uma ovelha? A ovelha vive
no rebanho, é frágil? Sua fragilidade e a dificuldade de defender-se aparecem,
principalmente, quando é atacada. Nessa situação ele fica muda, não berra, não
chama a atenção de que está sendo violentada, perseguida e morta.
A parábola oferece algumas
dificuldades, mas retrata bem nosso contexto social e eclesial. Somos parte de
um Estado. Ele é administrado por pessoas a quem foi dada toda autoridade para
tal através do voto. Os fatos mostram que entre as autoridades
constituídas existem muitos e bons administradores, ou bons pastores na
linguagem bíblica; existem, porém, muitos que estão no cargo unicamente
preocupados com o seu salário - são, em linguagem bíblica, os mercenários.
No contexto eclesial, somos membros
vivos da Igreja conduzidos pelo papa, pelos bispos, párocos e líderes. Muitos
fiéis sentem-se felizes por estarem bem conduzidos e outros, preocupados e
decepcionados, ou até escandalizados, com seus pastores.
Em sentido restrito, somente Cristo
é o Bom Pastor. Todos os outros ministérios de condução do Povo de Deus emanam
de Cristo. Os pastores humanos podem decepcionar-nos. Pode faltar cuidado,
vigilância ou mesmo haver fuga do compromisso. Por mais nobre que seja a
motivação humana, sempre pode aparecer ainda algum interesse pessoal de
aprovação, sucesso, reconhecimento. De Jesus, o Bom Pastor não podemos dizer o
mesmo. O apóstolo Pedro relembra aos chefes do povo e anciãos que Jesus Cristo
foi por eles crucificado e rejeitado. Esse Pastor, além de cuidar dos seus,
entrega a sua vida livremente. Essa é a maior prova do pastoreio de Jesus.
Jesus se revela neste Evangelho como o
Bom Pastor, diferente do mercenário, que foge diante do perigo que ameaça o
rebanho. Jesus é o Bom Pastor que conhece as ovelhas e dá a vida por elas.
Trata-se de uma relação de intimidade entre e os cristãos, a mesma intimidade
que existe entre Ele e o Pai.
A boa notícia deste Evangelho é saber
que a entrega de Jesus por nós é totalmente livre porque se apóia na sua comunhão
com o Pai. Jesus não é vitima das autoridades deste mundo; sua morte é uma
opção de amor.
Neste celebração, contemplando o Cristo
Ressuscitado, renovamos o nosso desejo de participar da sua Páscoa, de cultivar
em nós esta atitude fundamental de liberdade, sem nos sentirmos vítimas de
ninguém, nem do destino, nem de nós mesmos. Que o Senhor nos dê a graça de
vivermos relações novas e um espírito de filhos e filhas em relação a tudo o
que nos humilha e oprime.
A Palavra se faz
celebração
De Pastor a Cordeiro, por Amor
A prova de que Jesus conhece o Pai e
ele é pelo Pai conhecido se encontra, segundo Gregório Magno, no fato de Ele
entregar sua vida por amor. Dito de outra forma, é porque Jesus ama o Pai e se
vê por Ele amado que se dá aos seus irmãos, sem fazer conta da própria vida. O
ensinamento destes versículos é de uma profundidade incrível: o verdadeiro
conhecimento de Deus passa - necessária e exclusivamente - pela experiência do
amor aos irmãos, como expressão do amor a Deus e de Deus.
O Pastor torna-se Cordeiro, portanto, à
medida que o Amor do Pai cresce, sua relação com Ele se aprofunda.
Sacrifício: partícipes da vida de Deus
no Amor
Há quem pergunte porque Deus
"abandonou" Jesus, seu Filho na cruz. Não se deram conta que Ele - O
Senhor - deu-lhe tudo que tinha em Amor e que Jesus compreendendo sua vida como
"benção", não poderia guardá-la para si, senão imolá-la para outros,
para que os que viessem em seu rastro pudessem também fazer a mesma experiência
do Amor do Pai. Ele deu às ovelhas que o Pai lhe confiou o que mais precioso
tinha: o amor com o qual foi amado. Não se trata só de altruísmo, mas de
sacrifício em sentido pleno: possibilitar que seus irmãos e irmãs participassem
do "sacro", à medida que vivessem o seu Amor - que se explicita na
solidariedade total. O cordeiro, então, agiu como Pastor e nos guiou, mediante
a entrega de si mesmo, ao Reino do Pai. E assim continua Gregório: "Quais
são, afinal, as pastagens dessas ovelhas, senão as profundas alegrias de um
paraíso sempre verdejante? Sim, o alimento dos eleitos é o rosto de Deus,
sempre presente. Ao contemplá-lo sem cessar, a alma sacia-se eternamente com o
alimento da vida."
A celebração e a experiência das
"verdes pastagens"
O frescor do Jardim da Ressurreição ao
qual Jesus nos conduziu é sentido no interior da celebração de seu Mistério
Pascal. A comunidade de seus discípulos e discípulas que está no rastro do
mesmo amor que moveu sua vida, se entrega à experiência da fraternidade e
comunhão. Ocupa o mesmo espaço, ouve a mesma Palavra, dirige (unidos) as mesmas
súplicas uns pelos outros e pela humanidade inteira, partilha de um só pão e
cálice e é toda encaminhada para a mesma missão: oferecer ao mundo a face
amorosa do Pai. Tornar degradado este espaço de bênção, tornando-o cabide para
os próprios caprichos e gostos, pode ser o começo do arruinar-se de uma
caminhada no Amor do Pai e - contrariando o Evangelho - significa arrebatar as
ovelhas das mãos de Jesus, dando-lhes um destino que não é a comunhão em Deus.
Ligando a Palavra com
a ação eucarística
"Conduze-nos à comunhão das
alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a
fortaleza do Pastor". Assim rezamos na oração do dia (coleta), expressando
nossa fragilidade e apresentando nosso pedido. Constantemente, precisamos ser
fortalecidos para vivermos bem, termos qualidade de vida. a súplica comum da
comunidade reforça nosso apelo de auxílio.
O Bom Pastor, no alto da cruz, ofereceu
a sua vida. Essa é a grande diferença em relação aos outros pastores. Por isso
recorremos ao Pai, pedindo na oração depois da comunhão: "Velai com
solicitude, ó Bom Pastor, sobre o vosso rebanho, e concedei que vivam nos
prados eternos as ovelhas que remistes pelo sangue do vosso Filho".
Em cada celebração eucarística, Cristo,
o Bom Pastor, dá-se a si mesmo como alimento, comida e bebida, tanto na Palavra
quanto pela Eucaristia.
padre Benedito
Mazeti
1 – “Vede que
admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus. E somo-lo
de fato. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. Caríssimos,
agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas
sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque
O veremos tal como Ele é”.
Jesus Cristo é a surpresa
admirável de Deus. Milagre do amor de Deus para connosco. É a Palavra que Se
faz vida, é o sorriso que nos envolve, o abraço que nos embala, é o olhar que
nos afaga. Jesus é a Pessoa, de carne e osso, que Deus nos envia. A Sua vida, a
Sua história, mistura-se com a nossa vida e com a nossa história, no nosso
tempo, ontem como hoje, na Judéia como nas nossas ruas.
Deu-nos o Filho para
n'Ele nos tornarmos filhos e herdeiros, para partilharmos a origem e o destino,
a mesma herança, a vida eterna. Trazemos em nós as marcas do Céu, fomos por Ele
criados; com Jesus somos assumidos como filhos de Deus e irmãos uns dos outros;
quando entrarmos na glória de Deus, conhecer-nos-emos então totalmente, ao
vê-l'O, ao sermos vistos por Ele, a nossa existência tornar-se-á luminosa, mais
brilhante que o sol, plena de alegria, de felicidade, em comunhão perfeita com
o Deus da vida, o Seu olhar redentor refazer-nos-á em perfeição.
Na vastidão do Céu,
todos teremos um lugar especial, no coração de Deus. Sem privilégios, sem
máscaras, sem manhosices. Estaremos expostos, como fomos criados, como somos,
como vivemos, despidos de todos os trapos que muitas vezes ofuscam a beleza com
que Ele nos criou.
2 – Jesus é o Bom
Pastor, o Rosto de Deus Pai e que transparece o Seu amor, a Sua dedicação e
devoção à humanidade. Um Pai com amor de Mãe. Respeita a liberdade daqueles que
gerou mas como Mãe debruça-se, permanentemente sobre o seu amor maior, a razão
maior da sua existência, para que no seu olhar de mãe, olhar de ternura, de paixão,
de estímulo, o filho encontre segurança e forças para voltar à vida.
«Eu sou o Bom Pastor.
O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. O mercenário, como não é pastor, nem
são suas as ovelhas, logo que vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge, enquanto
o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário não se preocupa com as ovelhas. Eu
sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me, do
mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; Eu dou a minha vida pelas
minhas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de
as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor. Por
isso o Pai Me ama: porque dou a minha vida, para poder retomá-la. Ninguém Ma
tira, sou Eu que a dou espontaneamente. Tenho o poder de a dar e de a retomar:
foi este o mandamento que recebi de meu Pai».
Jesus é o
“INSTRUMENTO” de salvação, por excelência. Como Bom Pastor – de Deus para a
humanidade –, vem habitar o mundo, vem preencher o coração humano com o
dinamismo do Espírito Santo, com o Amor de Deus. Dá-Se por inteiro, em
palavras, em gestos, no anúncio da boa notícia, no chamamento dos discípulos e
das populações, no acolhimento dos mais pobres dos pobres, os pecadores
públicos, os ostracizados da sociedade do seu tempo, os publicanos, as pessoas
rudes do campo, os trabalhadores, os escravos, os doentes, os aleijados, os
idosos, as crianças, as mulheres, os estrangeiros (entre os quais, os
samaritanos, vizinhos e da mesma religião judaica, mas considerados impuros por
terem misturado o seu sangue com pessoas dos povos invasores, ou com os
naturais das nações para onde foram exilados). Ele dará a vida pelas Suas
ovelhas, conhece-as pelo nome, sabe das suas necessidades e dos seus sonhos.
Ele está dentro do
aprisco, está no meio, onde se encontra a humanidade, está onde pulsa a vida.
Morreu, ressuscitou, e permanece, pelo Espírito Santo, em cada discípulo, na
Palavra proclamada, acolhida, celebrada, nos Sacramentos, em todo o bem feito
em Seu nome.
3 – Admirável Pastor,
que não parte sem antes assegurar que "as ovelhas" têm novos guias,
com o mesmo espírito, a mesma dedicação, a mesma entrega. Aproximando-se a hora
da partida para o Pai, prepara um grupo de discípulos/apóstolos, para que
mantenham o rebanho em segurança e possam também eles ser instrumentos de
salvação e de unidade, "ajuntando" as ovelhas que estão arredadas.
Dá-lhes (e a nós também, para este tempo) o Espírito Santo, para que vão,
anunciem o reino de Deus, façam discípulos em toda a parte, curando, salvando,
provocando a generosidade, a partilha, a comunhão e a caridade sem fim.
Quando escutamos as
narrações dos Atos dos Apóstolos, vemos como um grupo tão pequeno, mas tão
“sabido”, tão cheio do Espírito Santo, se torna capaz de ir tão longe, até ao
fim do mundo para O dar a conhecer.
Pedro, uma vez mais,
com os outros apóstolos, surge afoito, destemido, dirigindo-se a todos, mesmo
aos que os querem calar:
“Chefes do povo e
anciãos, já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e
o modo como ele foi curado, ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É
em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou
dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa
presença. Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a
tornar-se pedra angular. E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo
do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos”.
Envolvidos pela
certeza inabalável do amor de Deus por nós, deixemo-nos guiar pelo Espírito
Santo, para sermos, hoje, testemunhas audazes de Jesus Cristo, a pedra angular,
transparecendo nos gestos, nas palavras e nas obras a nossa identidade, a nossa
filiação divina, a nossa pertença ao Corpo de Cristo que é a Igreja, da qual
somos pedras vivas.
padre Manuel Gonçalves
Ninguém me tira a
vida - eu é que a entrego livremente
1ª leitura: Atos dos
Apóstolos 4,8-12
Jesus, pedra angular
da salvação de Deus
1. A leitura dos Atos dos Apóstolos de
hoje é a sequência do discurso que Pedro tinha começado perante as pessoas, por
causa da cura de um coxo (c. 3). Agora o testemunho é proferido perante as
autoridades judaicas que não podem permitir que, em nome de Deus, se fale de
Jesus. Esta é a pergunta que lhes fazem aos apóstolos: em nome de quem? Ouve-se
que é em nome de Jesus, mas, implicitamente, é em nome de Deus, que foi quem
ressuscitou Jesus, e que eles tinham condenado injustamente. A estreita relação
entre Jesus e o seu Deus é, neste encadeamento, o paradigma teológico sobre o
qual o nosso texto é construído. As autoridades condenaram Jesus para salvar a
"honra" do seu Deus. Mas a resposta de Deus é radical, contraria os
planos que eles urdiram, por meio da Ressurreição.
2. Devemos fixar-nos nas vezes que o
"nome" (embora seja usado explicitamente Jesus Cristo, o Nazareno)
como elemento decisivo do que Pedro tem de anunciar: o kerygma, quer dizer, a
morte e a Ressurreição de Jesus. Isto recorda-nos o que Paulo nos transmite
através do hino aos Filipenses: " um nome sobre todos os nomes" (Fl.
2,9-10). Ao nome de Jesus… todo o joelho se dobre. A insistência sobre o nome é
muito sugestiva. Sabemos que Jesus significa "Deus salva" ou "Deus
é o meu Salvador". Portanto, insistindo neste discurso sobre "o
nome", está-se a reivindicar ao "condenado" por eles, o
"proscrito" com o seu julgamento. É agora, a partir da morte e da
Ressurreição de Jesus, que o nome de Jesus exerce todo o seu poder dinâmico e
salvífico.
3. Deus converteu-O em pedra angular,
segundo citação do Salmo 117. Assim, pois, o discurso de Pedro perante as
autoridades judaicas é uma acusação aos "pastores" daquele povo que
não soube ou não quis aceitar que em Jesus estava o futuro da salvação do povo.
Na realidade, não defenderam a honra de Deus, mas a sua culpabilidade clama aos
céus. Os pastores que buscavam o céu de Deus rejeitaram a "pedra
angular". É um dos discursos mais duros dos Atos sobre os responsáveis
judeus. Não estamos perante um "anti-semitismo" mas sim da
proclamação da verdade do que aconteceu com Jesus, o Nazareno.
2ª leitura: 1ª João
3, 1-2
O amor faz de nós
filhos de Deus
1.O texto da carta de São João está no
verdadeiro âmbito da teologia joânica, com todas as suas características: amor,
filhos de Deus, conhecer, o mundo, "ver a Deus". A carta de João está
carregada de todos esses termos que mostram uma situação clara: a comunidade de
João, cristã, está a enfrentar o mundo. Foram insinuadas muitas coisas acerca
das influências sobre este escrito. Falou-se do "círculo joânico"
como um círculo seletivo, à semelhança da comunidade de Qumrán. Mas não estão
comprovados estas influências, nem se pode falar de um mundo exatamente
dualista: amor/ódio; luz/trevas.
2. Também nos podemos fixar na
correlação existente entre "amar" e "conhecer", como se se
quisesse dizer que, neste caso, conhecer é o mesmo que amar. Isso é verdade, de
algum modo, mas não se trata de um conhecimento de tipo "gnóstico"
como encontramos nos evangelhos apócrifos de Tomé ou no agora publicado de
Judas (alguns pensam assim), mas devemos ter em conta o sentido profundo que o
"conhecer" tem na Bíblia como experiência de amor"; e o amor é o
conhecimento mais profundo.
3. Em todo o caso, o mais importante é
que o Pai nos faz filhos, porque nos ama. Esta afirmação teológica encerra uma
densidade religiosa inigualável. Deus, o Deus de Jesus, o Deus do amor, não
guarda para si o divino. De facto, insinua-se uma promessa todavia mais intensa
quando se diz que, na "manifestação" de Deus, no final ou no fundo de
cada um, todavia seremos alguma coisa mais… Esta é a promessa de um Deus, Pai,
que quer partilhar a sua vida conosco; não como os "deuses" deste
mundo deste mundo que nada querem partilhar.
Evangelho:
João (10,1-10): Eu
vim a este mundo para que tenham vida em abundância
1. O Evangelho de João (10,1-10)
fala-nos do "Bom Pastor" que é a imagem do dia na liturgia deste IV
Domingo de Páscoa. Começa o Evangelho com uma espécie de discurso enigmático –
ao menos para os ouvintes – embora seja um texto bem claro: no redil das
ovelhas, o pastor entra pela porta, os ladrões saltam pela cerca. É uma espécie
de introdução para as propostas cristológicas de João. Estas afirmações, com
toda a sua carga teológica, exprimem-se com a linguagem da revelação bíblica,
como o "Eu sou" que, no Evangelho de João, é de grande alcance
teológico. Está construído o conjunto num dos momentos 1) vv. 1-5 sobre o bom
pastor; 2) vv. 7-10 sobre Jesus como porta.
3 A segunda imagem, a da porta, é a
imagem da liberdade e da confiança também: não se entra pelo telhado, nem pelas
janelas, às escondidas. Sem porta não há entradas nem saídas, nem caminhos nem
projectos. No Antigo Testamento, fala-se das portas do templo: "Abri-me as
portas do triunfo para dar graças ao Senhor! Esta é a porta do Senhor: os
vencedores entrarão por ela" (Sal 118, 19-20). As portas do templo ou da
cidade eram já o mesmo conjunto do templo ou da cidade santa (esta expressão é
uma metonímia = a parte pelo todo).
4. Neste Evangelho, Jesus propõe-Se,
segundo a teologia joânica, como a pessoa na qual podemos confiar; por Ele
podemos entrar e sair para encontrar a Deus e para encontrar a vida. Quem está
fora dessa porta, quem pretende construir um mundo à margem de Jesus pode
fazê-lo, mas não há outro caminho para se encontrar com Deus da vida e com a
verdade da nossa existência. Não é uma pretensão altissonante, embora seja
forte a afirmação cristológica de João. Tal não implica que devamos manter um
respeito e uma compreensão por quem não queira ou não possa entrar por essa
porta, Jesus, para encontrar Deus. Nós, os que, apesar de acreditarmos na sua
Palavra, sabemos que Ele nos confere uma confiança plena de vida.
5. Fala-se de um "entrar e
sair"que são dois verbos significativos da vida, como o nascer e o morrer.
Em Jesus, porta verdadeira da vida, esta adquire uma dimensão inigualável. Com
a fórmula de revelação do EU, queremos mostrar a Jesus que faz o contrário dos
ladrões ao entrarem de qualquer forma em casa para roubar, para matar, para levarem
tudo o que podem. Jesus, porta "vem" para dar, para oferecer a vida
em plenitude (v.10).
fray Miguel de
Burgos Núñez
tradução de Maria
Madalena Carneiro
Eu sou o Bom Pastor
Versículo 11 - “Eu sou o bom
pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas”.
“Eu sou o bom pastor” (v. 11a) – Deus é
bom e cuida amorosamente de cada um de seus filhos; protege-nos de todo o mal e
nunca se afasta de nós. Mas muitas vezes somos infiéis ao Senhor, pois
tornamo-nos ovelhas dispersas que buscam outros caminhos fora d’Ele. Apesar
disso, Deus continua fiel e nós somos sempre alvo do Seu olhar e do Seu cuidado
paterno. A Palavra diz: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não
ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não
te esqueceria nunca. Eis que estás gravada na palma de minhas mãos, tenho
sempre sob os olhos tuas muralhas” (Is. 49,15-16)
“O bom pastor expõe a sua vida pelas
ovelhas” (v. 11b) – Jesus deu a vida por nós, pelo perdão dos nossos pecados. O
Beato João Paulo II disse: “O pastor oferece até a vida pelas ovelhas: Jesus
realizou o projeto do amor divino, mediante a Sua morte na cruz. Ofereceu-se na
cruz para remir o homem, cada homem individual, criado pelo amor para a
eternidade do Amor”.
Jesus Cristo, o Bom Pastor, luta por
nós contra o inimigo (mercenário) que está sempre à espreita para nos tirar do
Seu redil e assim fazer perder a nossa alma. O Beato João Paulo II disse:
“O Bom Pastor, segundo as palavras de Cristo, é precisamente aquele que, vendo
vir o lobo, não foge, mas está pronto a expor a própria vida, lutando com o
ladrão a fim de que nenhuma das ovelhas se perca. Se não estivesse pronto a
isto, não seria digno do nome de Bom Pastor. Seria mercenário, mas não Pastor”.
O rebanho do Bom Pastor é a sua Igreja.
O beato João Paulo II disse: “A alegoria do Bom Pastor e, nela, a imagem do
rebanho têm importância fundamental para se compreender o que é a Igreja e
quais as missões que Ela tem de exercer na história do homem. A Igreja não só
deve ser rebanho, mas deve realizar este mistério, que sempre se está a atuar
entre Cristo e o homem: o mistério do Bom Pastor, que oferece a Sua vida pelas
ovelhas”.
O Catecismo (754) ensina: “Assim a
Igreja é o redil, cuja única e necessária porta é Cristo. E também o rebanho,
do qual o próprio Deus predisse que seria o pastor e cujas ovelhas, ainda que
governadas por pastores humanos, são contudo guiadas e alimentadas sem cessar
pelo próprio Cristo, bom Pastor e Príncipe dos pastores , o qual deu a vida
pelas suas ovelhas “.
Versículos 12 e 13 - “O mercenário,
porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo
vem vindo, abandona as ovelhas e foge; o lobo rouba e dispersa as
ovelhas. O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e não se importa
com as ovelhas”.
Os mercenários convidam as ovelhas para
seguirem-nos e as levam para fora do rebanho do Senhor, desviando-as do
verdadeiro caminho: Jesus Cristo. São Pedro diz em sua carta: “Muitos os
seguirão nas suas desordens e serão desse modo a causa de o caminho da verdade
ser caluniado. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar por palavras cheias
de astúcia. Há muito tempo a condenação os ameaça, e a sua ruína não dorme”
(2Pd. 2,2-3)
O beato João Paulo II disse: “Sabemos
bem que no mundo há sempre mercenários que semeiam ódio, maldade, dúvida,
perturbação das ideias e dos sentimentos. Jesus, pelo contrário, com a luz da
Sua palavra divina e com a força da Sua presença sacramental e eclesial, forma
a nossa mente, fortifica a vontade, purifica os sentimentos e assim defende e
salva de tantas experiências dolorosas e dramáticas”.
O encargo de cuidar das ovelhas foi
dado por Cristo aos seus apóstolos e sucessores. O Catecismo (553) ensina que
Jesus, o Bom Pastor (Jo 10,11), confirmou este encargo aos Apóstolos dizendo a
eles “depois de sua Ressurreição: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,15-17).
Aos pastores da Igreja pertencem as
ovelhas de Cristo. O papa Bento XVI convida-nos nesse dia “a uma oração
especial pelos Bispos — incluído o Bispo de Roma! — pelos párocos, por todos os
que têm responsabilidades na guia do rebanho de Cristo, para que sejam fiéis e
sábios no cumprimento do seu ministério. Em particular, rezemos pelas vocações
ao sacerdócio neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, a fim de que nunca
faltem trabalhadores válidos na messe do Senhor”.
São Bonifácio fez uma exortação aos
pastores, pois foi um deles: “Estejamos firmes na luta no dia do Senhor, porque
chegaram dias de aflição e miséria… Não sejamos observadores taciturnos, nem
mercenários que fogem diante dos lobos! Pelo contrário, sejamos Pastores
diligentes que velam sobre a grei de Cristo, que anunciam às pessoas
importantes e às comuns, aos ricos e aos pobres, a vontade de Deus… oportuna e
inoportunamente…”
Versículos 14 e 15 - “Eu sou o bom
pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, como meu
Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas”.
O Bom Pastor nos conhece e nos chama
pelo nome. A Palavra diz: “Dar-te-ei os tesouros enterrados e as riquezas
escondidas, para mostrar-te que sou eu o Senhor, aquele que te chama pelo teu
nome, o Deus de Israel. É por amor de meu servo, Jacó, e de Israel que escolhi,
que te chamei pelo teu nome, com títulos de honra, se bem que não me
conhecesses” (Is. 45,3-4).
O beato João Paulo II disse: “O pastor
conhece as suas ovelhas e as ovelhas conhecem-no a Ele: como é bonito e
consolador sabermos que Jesus nos conhece um a um, que não somos anônimos para
Ele, que o nosso nome — aquele nome que é combinado pelo amor dos pais e dos
amigos — a Ele o conhece! Não somos massa, multidão, para Jesus”.
Santo Agostinho também disse:
“Acaso Aquele, que primeiro te procurou quando O desprezavas, em vez de O
procurar, te desprezará, ó ovelha, se o tornas a procurar? Começa pois a
procurá-lo a Ele, que primeiro te procurou a ti e te conduziu aos seus ombros.
Faz que se torne verdadeira a Sua palavra: as ovelhas que me pertencem ouvem a
minha voz e seguem-Me”.
Versículo 16 - “Tenho ainda outras
ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a
minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor”.
As ovelhas dispersas – A missão da
Igreja é pastorear as ovelhas dispersas é reconduzi-las ao aprisco do Senhor.
Jesus Cristo, o Bom Pastor, quer que “todas” as ovelhas repousem em verdes
prados e sejam conduzidas por Ele “junto às águas refrescantes” (Sl. 22,2)
A Palavra diz: “Ora, esta é a vontade
daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas
que os ressuscite no último dia. (Jo 6,39)
O beato João Paulo II ensinou: “Pedimos
com ardor especial por todas as «outras ovelhas» que deve ainda Cristo conduzir
à unidade do aprisco (Jo. 10,16). São talvez os que não conhecem ainda o
Evangelho. Ou talvez os que, por qualquer motivo, o abandonaram; ou mesmo,
talvez, ainda aqueles que se tornaram seus encarniçados adversários, os
perseguidores. Tome Cristo sobre os Seus ombros e aperte a Si aqueles que,
sozinhos, não são capazes de regressar”.
A Palavra diz que o Senhor “como um
pastor, vai apascentar seu rebanho, reunir os animais dispersos, carregar os
cordeiros nas dobras de seu manto, conduzir lentamente as ovelhas que
amamentam” (Is. 40,11)
Versículos 17 e 18 - “O Pai me ama,
porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de
mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a
ordem que recebi de meu Pai”.
A missão de Jesus Cristo está sempre
unida a vontade do Pai. O Catecismo (2825) ensina: Jesus, “embora fosse Filho,
aprendeu, contudo, a obediência pelo sofrimento” (Hb. 5,8). Com maior razão,
nós, criaturas e pecadores, que nos tornamos nele filhos adotivos, pedimos ao
nosso Pai que una nossa vontade à de seu Filho para realizar sua Vontade, seu
plano de salvação para a vida do mundo”.
“Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de
mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir”. (v. 18)
O papa Bento XVI disse que “o Evangelho de são João, no décimo capítulo,
descreve-nos as características peculiares da relação de Cristo Pastor com o
seu rebanho, uma relação tão estreita que jamais alguém poderá raptar as
ovelhas da sua mão. De fato, elas estão unidas por um vínculo de amor e de
conhecimento recíproco, que lhes garante o dom incomensurável da vida eterna”.
“Tal é a ordem que recebi de meu Pai”
(v. 18b). Jesus recebeu a ordem do Pai para pastorear o Seu rebanho e a
transferiu para a Igreja para que continue Sua missão aqui na terra. Os
sacerdotes são os pastores de suas paróquias e devem conduzir com amor as
ovelhas do Senhor.
O beato João Paulo II orientou: “Na
paróquia, o sacerdote continua a missão e o encargo de Jesus; e por isso, deve
apascentar o rebanho, deve ensinar, instruir, dar a graça, defender as almas do
erro e do mal, consolar, ajudar, converter e sobretudo amar. Por isso, com toda
a ansiedade do meu coração de Pastor da Igreja universal, vos digo: amai os
vossos sacerdotes. Estimai-os, escutai-os, segui-os. Pedi todos os dias por
eles. Não os deixeis sós nem no altar nem na vida quotidiana”.
Santo Inácio de Antioquia orientou os
fieis para que estejam sob à autoridade dos seus pastores (autoridades
religiosas): “Tende o cuidado de fazer tudo com a concórdia que é do agrado de
Deus, sob a presidência do bispo, que representa o próprio Deus; com os
Presbíteros, que representam o colégio apostólico; e com os Diáconos, para mim
caríssimos, aos quais foi confiado o serviço de Jesus Cristo”.
Como batizados somos também
chamados a ser pastores do rebanho de Cristo. O beato João Paulo II disse
assim: “Cada cristão, em virtude do Batismo, é chamado a ser ele próprio um
«bom pastor» no ambiente em que vive”.
Concluímos essa reflexão com as
palavras do papa Bento XVI pedindo a Maria Santíssima, por mais vocações para a
Igreja: “Queridos irmãos e irmãs, fortalecidos pela alegria pascal e pela fé no
Ressuscitado, confiemos os nossos propósitos e as nossas intenções à Virgem
Maria, Mãe de todas as vocações, para que com a sua intercessão suscite e
ampare numerosas e santas vocações ao serviço da Igreja e do mundo”.
Jane Amábile
Assinar:
Postagens (Atom)