quarta-feira, 2 de maio de 2018
terça-feira, 1 de maio de 2018
6º DOMINGO DA PÁSCOA-Ano B
6º DOMINGO DA
PÁSCOA
06
de maio – Ano B
Evangelho
Jo 15,9-17
Jesus nos aconselha a permanecermos em seu amor. Leia
mais
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A mensagem de
Cristo é para todos
Normalmente os grupos humanos fecham-se
sobre si próprios, vivem de interesses, cultivam o proselitismo e excluem os
que caminham por ideais diferentes. Desde o princípio que não foi assim com o
Evangelho. Os gentios foram chamados à aventura cristã da mesma maneira que os
judeus integrados nas primeiras comunidades. Compreender isto é a nota
característica da liturgia de hoje e, por outro lado, é o desafio maior para a
dinâmica pastoral da Igreja deste terceiro milênio. É paradigmático o encontro
de Pedro com muitos gentios em Cesareia de Filipe, na casa de Cornélio. A
aceitação deles fundou-se na certeza de que o Espírito estava com eles.
Consequência: todos receberam o batismo (1ª leitura). São João vem dizer que
não é possível entrar na aventura do Evangelho sem viver o amor fraterno. Deus
amou-nos primeiro, Ele próprio é o amor, ao participar d’Ele todo o crente é
chamar a amar (2ª leitura). Com uma simplicidade extraordinária, Jesus fala do
amor do Pai que deu ao mundo o seu próprio Filho, fala do amor aos irmãos, como
sinal do amor a Deus, fala das consequências: os que acreditam n’Ele não são
servos, são amigos, podem pedir o que quiserem e darão sempre muito fruto
(Evangelho).
1. A universalidade da salvação
A proposta cristã não se destina apenas
a alguns, é para toda a humanidade. Curiosamente, desde o princípio que esta
ideia marca a presença de Jesus no mundo. Há muitas epifanias, manifestações de
Cristo, algumas delas reveladoras já da universalidade da mensagem cristã. É o
caso da história dos reis magos, vindos de todos os lugares. Apesar disso, na
Igreja nascente, havia muitos que consideravam a proposta de Jesus ser para os
judeus, membros do Povo eleito. Acontece que, rapidamente, os cristãos da
Igreja de Jerusalém compreenderam que a mensagem de Cristo é para todos. O
primeiro episódio que revela claramente a universalidade da salvação é a
estadia de Pedro na casa de Cornélio em Cesareia de Filipe. Naquela casa todos
eram gentios, mas Pedro anunciou Cristo Ressuscitado com uma tal clareza que o
Espírito pairou sobre todos. Todos abriram o coração à mensagem e a todos
conferiu Pedro, o batismo. A proposta de salvação é universal.
2. A salvação passa pelo amor
Este capítulo 4 da primeira carta de
são João deve ser lido na sua totalidade, centrando a reflexão numa verdade
fundamental “Deus é amor” (1Jo 4,8). Devemos então, amar-nos uns aos outros,
porque Deus nos amou primeiro. Deus deu-nos o seu Filho, devemos então dar-nos
uns aos outros. É urgente centrar o testemunho do amor a Deus no amor aos irmãos.
“Quem diz que ama a Deus e não ama os seus irmãos é mentiroso” (1Jo 4,20), como
é possível amar a Deus que não se vê, se nem sequer se é capaz de amar o
próximo que se vê?” (cf. 1Jo 4, 20) “Quem ama a Deus, ame também o seu irmão”
(1Jo 4, 21). Estas expressões e muitas outras de S. João revelam a importância
do amor fraterno, indispensável à salvação. Mas qualquer um pode descobrir esta
dimensão universal do amor fraterno, e por aí descobrir a ternura de Deus.
3. Na comunidade, um amor fecundo
Há condições para viver o amor. Talvez
a maior seja permanecer unido a Cristo e, logo depois, cumprir os mandamentos e
celebrar a alegria que é dom do Espírito Santo. Daqui resultam quatro coisas:
não sermos servos mas amigos, assumirmo-nos escolhidos por Cristo, darmos fruto
e fruto em abundância e finalmente, podermos na oração, pedir o que quisermos.
monsenhor Vitor
Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”
O único mandamento que Jesus nos deixou
é o mandamento do amor (Evangelho). Ele resume toda a sua doutrina e é a fonte
donde procede a nossa alegria e felicidade porque o amor procede de Deus (2ª
leitura). Um Deus que nos ama e sempre toma a iniciativa, levando Pedro a
perceber que não existem fronteiras para o amor de Deus (1ª leitura). Todos
estão chamados a participar desse Dom supremo.
Neste domingo, a Palavra de Deus nos
ilumina para que possamos perceber a necessidade de cultivar o amor em nossas
relações interpessoais. Sem o amor, perderíamos o eixo de nossa existência e o
sentido último de nossa vida.
1ª leitura: Atos dos
Apóstolos 10,25-26.34-35.44-48
O texto desta 1ª leitura mostra-nos um
dos maiores problemas que a Igreja primitiva teve que resolver. Os pagãos (que
não pertenciam ao povo de Israel) deviam ser admitidos, ou não, na comunidade cristã?
Entre os cristãos chamados de
“judaizantes”, havia uma oposição muito grande a que a Igreja se tornasse
independente do judaísmo. Eles procediam principalmente da comunidade de
Jerusalém. Já a comunidade de Antioquia, na Siria, era mais aberta a este
respeito ao ponto de enviar Paulo e Barnabé como missionários entre os pagãos.
Lucas, neste relato, quer mostrar que a
solução do problema, a ser resolvido mais tarde pelo Concílio de Jerusalém
(Atos dos Apóstolos, 15), já estava sendo indicada por Deus a Pedro (“De fato,
estou compreendendo que Deus não faz diferença entre as pessoas”). Não é
questão de teorias ou de nomes: a prática é que mostra quem é que pode fazer
parte do novo Povo de Deus (“Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a
justiça, seja qual for a nação a que pertença”)
A manifestação do Espírito Santo sobre
os pagãos, antes mesmo de que fossem batizados, foi como um novo Pentecostes
que abriu as portas para que a Igreja, de fato, se tornasse “católica” (do
grego “católicos”, que significa “para todos”) ao ponto de Pedro perguntar:
“Será que podemos negar a água do batismo a estas pessoas que receberam o
Espírito Santo, da mesma forma que nós recebemos?”.
Todos os que praticam a vontade de
Deus, ainda que de forma inconsciente e anônima, estão chamados a participar. É
essa prática da justiça que a evangelização visa tornar realidade, fazer
crescer e educar, mostrando tudo o que Deus realizou em favor dos homens
através de Jesus Cristo.
2ª leitura: 1ª João
4,7-10
O apóstolo João insiste na primazia do
amor. O centro da vida é a prática do amor. O amor abre a mente do ser humano
para o conhecimento e a verdade porque “Deus é amor”. Um amor capaz de amar
primeiro sem mérito nenhum nem contrapartida de nossa parte. Amor gratuito, de
entrega total e suprema doação.
De fato, Deus Pai torna-se conhecido
pelos homens no ato de entregar o seu Filho ao mundo por amor. O Filho é
conhecido, também, pela entrega de si mesmo, no amor, até o fim. O Espírito
Santo gera em nós o amor ao Pai e ao Filho. Um amor que, para além do puramente
emocional, é a razão de ser da existência.
A fé na Trindade Santa, por sua vez, se
expressa no amor concreto aos irmãos. Daí a reafirmação que João faz do
mandamento do Senhor: “Amados, amemo-nos uns aos outros”; pois seria uma
incoerência muito grande afirmar uma fé em Deus que não correspondesse à
prática do amor.
Evangelho: João
15,9-17
O evangelho de hoje está marcado pela
ternura de Jesus para com todos os seres humanos. A frase: “Assim como meu Pai
me amou, eu também amei vocês” é muito mais que uma comparação de semelhança.
Jesus nos ama com o mesmo amor com que o Pai O ama. A relação entre o amor do
Pai para com o Filho, o amor do Filho aos seus discípulos e o amor dos
discípulos entre sí é tão profunda que, no fundo, se trata de um mesmo amor.
Daí a necessidade de que esse amor seja permanente (“permaneçam no meu amor”)
como permanente é o amor de Deus por nós.
Esta permanência no amor pode se
verificar pela comunhão de nossa vontade com a vontade dele (“Vocês são meus
amigos, se fizerem o que eu estou mandando”). Ela se expressa pela prática de
um único mandamento: “amem-se uns aos outros”. Um amor muito exigente, por
certo, (“como eu amei vocês”) que será sempre um ideal a ser perseguido, mesmo
sabendo que nunca será plenamente alcançado (“Não existe amor maior do que dar
a vida pelos amigos”). Mas os ideais de vida têm que ser suficientemente
elevados para levar-nos à superação de nossas limitações e “para que minha
alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”. E isto, não como
servos que obedecem a seu senhor, mas numa adesão livre, como amigos de
verdade.
Palavra de Deus na
vida
Amar e ser amado são as necessidades
básicas que o ser humano leva dentro de si. O que alegra nossa vida é o amor. O
mais doloso é o desamor, a falta de amor.
No entanto, nenhuma palavra como “Amar”
tem sido tão inflacionada, desvalorizada, manipulada, prostituída, sequestrada
ou confundida com o próprio egoísmo. Cada um de nós nos referimos a realidades
muito diversas e a momentos diferentes de uma mesma realidade quando
pronunciamos a palavra Amor.
Para além do afeto (“Filia”) ou da
atração sensual (“Eros”), o evangelho de são João fala de um amor maior que não
se reduz ao sentimento nem à atração por alguém, nem à experiência gratificante
e prazerosa que podemos receber dos outros, mas inclui uma atitude de entrega
em favor de alguém (“Ágape”) sem transformá-lo em objeto de uso pessoal. É o
amor gratuito, criativo, generoso, sem limite, que leva ao dom de si mesmo,
maduro e pleno.
Quem se compromete com as necessidades
e aspirações dos outros está perto de Deus, “conhece a Deus”, “dá fruto”. Pode
que não seja “católico” mas “conhece a Deus”. Quem não ama, mesmo que seja
“católico” praticante, “não conhece a Deus, porque Deus é amor”. É o que Jesus
indica quando acrescenta: “amem-se...assim como eu amei vocês”. Esse é o nosso
modelo e nossa referência: amar como Jesus ama.
Difícil de atingir? Sim; e muito. Tão
difícil como chegar perto da perfeição. Mas, por ser um ideal alto demais, o
amor cristão é tarefa a cumprir muito além das relações de poder senhor-servo,
poderoso-débil, homem-mulher; criando uma nova forma de vida como a indicada
por Jesus (“Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o
que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos”).
Ser cristão é ser amigo de Jesus. A
amizade supõe comunicação, partilha alegre na tarefa comum, sentir como sendo
nossos os objetivos e sentimentos de quem amamos. O amor não é uma questão de
obediência ou dever a ser cumprido. É a resposta agradecida e alegre ao amor
incondicional de Deus. Ao dizer-nos “amem-se uns aos outros”, Jesus nos indica
a direção. O Pai nos ama, não para que o amemos, mas para que nos amemos, não
para que correspondamos ao amor d'Ele, mas para que prolonguemos seu amor em
direção aos irmãos.
Pensando bem...
No há maior alegria do que sentir-se
amado incondicionalmente e ser capaz de amar de maneira incondicional. Se
amarmos só àqueles que nos amam, que correspondem ao nosso amor, que, de alguma
forma, nos gratificam, podemos nos questionar até que ponto estamos dispostos a
chegar à doação desinteressada de nos mesmos, que é a perfeição do amor.
padre Ciriaco
Madrigal
"Amai-vos uns
aos outros, assim como eu vos amei"
Hoje é o domingo do mandamento novo.
Este é o sexto domingo da Páscoa, o domingo que antecede a festa da Ascensão do
Senhor, momento em que nos aproximamos da festa de Pentecostes, que concluirá o
tempo pascal, celebrado desde o domingo da ressurreição.
Neste domingo, comemoramos o dia das
mães, as quais têm em Maria sua referência maior de doação, de presença
silenciosa e amorosa na vida dos filhos, quer nos momentos amenos (como na
bodas de Caná), quer no sofrimento profundo (como em pé diante da cruz), quer
na glória (como na Ascensão e na Assunção. Nesta celebração da Páscoa do
Senhor, queremos, unidos à Igreja universal, rezar por todas as mulheres que,
pelo dom de gerarem a vida, foram chamadas a participar da obra criadora de
Deus.
Celebramos neste domingo a Páscoa de
Jesus que anuncia um mandamento novo e se manifesta em todas as pessoas e
grupos que se deixam conduzir pelo Espírito da verdade e continuam a missão de
Jesus.
Primeira leitura:
Atos 10,25-27.34-35.44-48
Cornélio pertencia ao povo pagão, e o
povo judeu era proibido de se misturar com os pagãos, considerados impuros. O
texto revela que essas barreiras culturais são rompidas a partir do momento em
que a comunidade cristã faz a experiência da ressurreição do Senhor. Vamos
acolher o que o Senhor nos propõe por meio desta leitura.
Lucas depois de narrar a conversão do
apóstolo Paulo, destinado à missão entre os povos pagãos, aponta um fato novo:
a abertura de Pedro para os pagãos, ao ver que o dom do Espírito Santo se
difundia também sobre estes. Com efeito, Atos 10,9-23 relata a visão de Pedro
em Jope e sua ida a Cesaréia com alguns "irmãos" para a casa de
Cornélio. Aconteceu a ação conjunta do humano e do divino: o Espírito Santo
interfere na vida de ambos, os quais são importantes para a execução do plano
de Deus. É a Igreja que, conduzida ao Espírito Santo, percorre o caminho de
Jope até Cesaréia (50 km.), a fim de constatar a obra divina. Neste contexto
dá-se o maravilhoso encontro Pedro-Cornélio, cena que comprova a vocação e
atuação de Paulo: evangelizar os pagãos. Impressiona em Cornélio o desejo de
salvação. É todo o paganismo que deseja pela mensagem da salvação. Cornélio
aguardava, cercado de muitas pessoas - amigos e parentes - como ele tementes a
Deus e à procura da verdade. Sabe-se que no meio do paganismo havia gente
sincera e de ótima espiritualidade, preparada para o Evangelho, mais talvez do
que o judaísmo atrasado e teimoso. A esse respeito disse Jesus: "Em
verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé"
(Mateus 8,10b).
Pedro, não aceitando a insistência do
centurião Cornélio, aponta para o exemplo que a Igreja deverá seguir: voltar
sempre ao gesto humilde e sem pretensões de Pedro. O culto à pessoa e às honras
facilmente encobre o caminho que Jesus trilhou - o da cruz, o da humilhação, o
da "quenose",isto é, do esvaziamento (cf. Filipenses 2,5-11).
Pedro, esclarece por visão, falando ao
grupo, assegura que perante Deus nada é impuro. Cornélio e os seus estão de
ouvidos atentos às palavras de Pedro, que assim falou: "Em verdade reconheço
que Deus não faz distinção de pessoas, mas em toda a nação lhe é agradável
aquele O temer e fizer o que é justo" (v. 34s). Aqui está o anúncio da
salvação, perante um auditório não-israelita; é uma pregação missionária
diferente dos anteriores (a judeus), onde se omitem os argumentos bíblicos
embora não faltem recordações do Primeiro Testamento. A estrutura literária é
pobre, por Pedro não saber fluentemente o grego e Lucas, dando importância à
narrativa, não quer corrigir. O conteúdo essencial é a atividade salvadora de
Jesus de Nazaré e a confirmação de sua missão por obras, em especial pela
ressurreição. Os apóstolos são enviados do mesmo Jesus e devem apontar o
caminho da salvação pela ligação intima com Cristo pela fé.
"Deus não faz distinção de
pessoas" (v. 34) é uma referência a 1 Samuel 16,7, texto que se refere à
eleição de Davi; "o homem vê a aparência, mas o Senhor olha o
coração". É uma convicção que Pedro adquiriu agora, graças à visão de Jope
(10,9-16), ilustrada pelo caso-Cornélio. Na teoria ele admitia que em Deus não
há distinção de pessoas (cf. 2,38; 3,26; Isaias 2,2ss; 49,1-6; Joel 2,28; Amós
9,12; Miquéias 4,1). Contudo, no contexto, Pedro, como todo bom judeu, não
conseguiu disfarçar totalmente de um favoritismo por Israel. Na história da
salvação, quando Deus a oferece, não adota critérios humanos: para Ele não
valem a posição social, a descendência, a raça, o povo, a diversidade de
religião. O que vale é o temor de Deus e a prática da justiça.
As palavras de Pedro foram confirmadas
pelo testemunho do Espírito Santo (vs. 44-48), o qual enquanto Pedro falava,
foi derramado também sobre os pagãos. Na história de Cornélio se verifica o
cumprimento do plano divino: o encontro de Pedro com o centurião de Cesaréia
marca a importância do novo rumo que a obra da salvação assume. Como em
Pentecostes, quando o Senhor ressuscitado, para justificar o início da obra
salvadora da Igreja, se manifestou na vinda do Espírito Santo e no dom das
línguas, - agora também se verifica na casa de Cornélio, em Cesaréia, um novo
Pentecostes, como sinal de uma nova etapa: o início da evangelização dos
pagãos. É o Pentecostes dos pagãos.
Em Cesaréia, como em Jerusalém, homens
- amigos, familiares, servos de Cornélio - são arrebatados pelo Espírito Santo
e glorificam a Deus. Ainda não são batizados, apenas foram cativados pela
mensagem salvadora proclamada por Pedro. São sinceros, abertos e dispostos.
Aqui está o valor que a Palavra de Deus possui para a salvação! A Palavra é
sumamente eficaz se é dirigida por quem tem fé e se é acolhida por quem é
disponível e aberto. Tudo é obra do Espírito Santo. Será que a nossa pregação
favorece a vinda do Espírito Santo sobre os ouvintes? O Pentecostes de Cesaréia
é um sinal de que a Igreja e Pedro estão certos, quando se dirigem à casa de
tantos outros "Cornélios". Os companheiros de Pedro, judeu-cristãos,
puderam testemunhar admirados que o dom do Espírito Santo se difundia também
sobre os pagãos, sem que passassem pela Lei de Moisés.
Pedro o chefe dos apóstolos reconheceu o
sinal do Espírito Santo e, aos poucos, foi se libertando da mesquinhez da
mentalidade judaica. A salvação é para todos. Se Deus concedeu o batismo no
Espírito Santo, como pode a Igreja negar o batismo com água a estes pagãos?
Podemos notar uma pergunta igual do etíope a Filipe (Atos 8,36). E ordenou que
todos fossem batizados "em nome de Jesus Cristo". Os apóstolos em
geral não batizam. Delegam os outros (cf. 1 Coríntios 1,14-17). O batismo
"em nome de Jesus Cristo" é expressão que indica o batismo cristão
com fórmula Trinitária (cf. Didaqué, 8,1-3). É o único caso em que o Espírito
Santo é derramado antes do batismo. Deus quer convencer de que não é preciso
passar pelo judaísmo para pertencer à Igreja e receber o Espírito Santo. Se
Pedro manda que todos sejam batizados, após receberem o Espírito Santo, é
porque os quer agregar à comunidade cristã. O "ficou com eles alguns
dias" (v. 48) é símbolo de que a Igreja foi ao encontro dos pagãos.
Portanto, Pedro derrubou a muro de
separação que, em cada cidade do Oriente, levantava-se entre a comunidade
judaica e os pagãos.
Mas nós cristãos do século XXI não
paramos de reconstruir este muro cada vez que esquecemos de viver nosso
Pentecostes e estabelecemos proibições ou leis para defendermos direitos ou uma
filosofia superada.
Hoje, novamente, foi levantado o muro,
em cada cidade, entre os cristãos e a imensa "massa pagã" moderna.
Onde está Pedro para encontrar os indiferentes de dentro e de fora, para
partilhar a sede de Deus e a generosidade da investigação em muitos meios
descrentes, para reensinar o diálogo, para fazer-se ouvir (escutando-as) em
todas as culturas e em todas as mentalidades, para, em seguida, relativizar
valores próprios e válidos, mas sem significação decisiva? Porque não podemos
exigir do outro que se converta a ordem de seus valores, senão depois de termos
feito nossa própria conversão.
Como nós cristãos vemos grupos da nossa
Igreja e outros grupos que não pertencem à nossa Igreja lutarem por terra,
justiça e pão e paz? Será que na maioria das vezes não o vemos com preconceito,
fora da lei e querem tomar o que temos?
Salmo responsorial
97/98,1-4
É um hino escatológico, inspirado no
fim do livro do profeta Isaias e muito próximo do Salmo 96/95. "Com
trombetas e o som da corneta aclamai o rei, o Senhor!". Se referem aos
cantos do Reino. Estes toques, que acompanhavam em Israel a vinda dos reis (2
Samuel 15,10; 1 Reis 1,34), acompanham a entronização do rei, o Senhor (Salmo
47,6) para quem eles haviam ressoado no monte Sinai (Êxodo 19,16).
O rosto de Deus deste Salmo é muito
parecido com o dos salmos 95/96 e 96/97. Destacam-se, contudo, sete ações de
Deus. Juntas, dão uma visão ampla de Deus experimentado neste Salmo: ele fez
maravilhas, sua direita e seu braço santo lhe deram vitória, fez conhecer sua
vitória, revelou sua justiça, lembrou-se de seu amor e fidelidade, vem para
governar e governará. Os versículos da liturgia de hoje destacam cindo dessas
ações de Deus. A primeira "fez maravilhas" é a porta de entrada:
estamos diante do Deus libertador, o mesmo libertador dos tempos passados
(Êxodo). A expressão "amor e fidelidade" (versículo 3a) recorda que
esse Deus é o parceiro de Israel na Aliança. Mas é também o aliado de todos os
povos e de todo o universo em vista da justiça e da retidão. É um Deus ligado à
história e comprometido com a justiça. Seu governo fará surgir o Reino.
No Novo Testamento, Jesus se apresentou
anunciando a proximidade do Reino (Marcos 1,15; Mateus 4,17). Para Mateus, o
reino vai acontecendo à medida que for implantada uma nova justiça, superior à
dos doutores da Lei e fariseus (1,15; 5,20; 6,33). Todos os evangelhos gostam
de apresentar Jesus como Messias, o Ungido do Pai para a implantação do Reino,
que fez surgir nova sociedade e nova história.
Bendigamos ao Senhor nosso Deus, que
estendeu a salvação a todas as nações não fazendo distinção de povos nações e
culturas. Cantemos com alegria o louvor deste salmo ao nosso Deus que nos deu
vida e salvação em Jesus Cristo, nosso Deus e nosso Salvador que quer a
salvação de todos os povos.
Segunda leitura:
1João 4,7-10
No texto de hoje o apóstolo João,
bruscamente, do tema da fé, volta à tecla do preceito universal do amor o ágape
(1 João 3,11.23; 2,15), com o seu costumeiro apelo, carregado de afeto:
"Filhinhos"! Assunto central desta seção é a preferência, que não é
uma obrigação arbitrária, mas uma exigência da natureza, porque Deus é amor (1
João 4,16). O amor é uma participação da vida de Deus, é uma realidade que
procede dele, é "ser de Deus" (1 João 5,19). O amor vem a ser o
critério de como distinguir O amor é uma participação da vida de Deus, é uma
realidade que procede dele, é "ser os bons dos maus, os de Deus e os do
mundo: quem está voltado para o materialismo odeia o caridade porque não tem o
coração livre , quem está voltado para Deus ama o próximo.
O amor autêntico tem sua origem em Deus
como a sua fonte: quem ama irrestritamente, nasceu de Deus (v. 7; 2,29; 5,1), é
filho de Deus, está animado de sua graça (1 João 3,9). O amor fraterno é efeito
de nosso novo nascimento sobrenatural, isto é, o batismo. Fazendo-nos
participantes de sua vida e natureza, Deus fez-nos também participantes de sua
caridade. O amor mútuo não surge por conveniência moral ou atitude de perfeição
ideal. É antes um movimento de vida que resulta da nova natureza, a divina (1
João 5,19; 4,4; 4,2s.6; 3,10). O amor é fruto do germe divino recebido no
batismo. Em Romanos 5,5, Paulo afirma que é o Espírito Santo quem ama dentro de
nós. Entretanto o apóstolo João esclarece: o próprio cristão é que ama a si
mesmo, em virtude de sua filiação divina, com a qual pode amar definitivamente.
A caridade verifica ao cristão a possibilidade de entrar em comunhão com Deus e
conhecê-Lo - conhecimento que vai ligado com o amor fraterno. Quem ama, conhece
a Deus, revela Deus, é de Deus e está em comunhão com Ele. Amor e conhecimento
crescem lado a lado e se complementam (1 João 2,3-11). Para conhecer a Deus e
permanecer Nele é preciso amá-Lo. "Conhecer" na Bíblia é possuir
aquilo que se conhece, é estar em comunhão com Ele. Os três atos são: nascer,
conhecer e amar, estão intimamente ligados.
O conhecimento de Deus em João não é
apenas raciocínio; pressupõe uma relação íntima e pessoal com Deus, proveniente
de experiência viva e amorosa. Só quem ama pode conhecer a realidade íntima das
pessoas e coisas; quem não ama, não chega a isto. Só quem ouve a Palavra e a
põe em prática pode afirmar que conhece a Deus. Tal conhecimento se torna
perfeito pela obediência e fidelidade (Oséias 4,6; 6,6). Sem caridade fraterna
não há conhecimento pleno de Deus, porque Deus é amor. Esta é a melhor e a mais
completa definição de Deus e o ponto alto da Revelação.
As Bem-Aventuranças (sermão da
montanha) publica o amor do Pai, generoso até com os pecadores e inimigos
(Mateus 5,43-48; Lucas 15,7-10; Mateus 9,13). A vida de Cristo é vida de amor,
bondade e paciência, dando a vida em resgate dos que ama: é o auge do amor
(Romanos 5,8; 8,32; 8,39). O amor para João não é apenas um distintivo ou um
símbolo, mas é a própria natureza divina. Dizendo-se que Deus é amor, é tudo. O
amor não é só uma das atividades de Deus. Toda a sua atividade é amor, tudo o
que Ele faz é por amor. O Primeiro Testamento é uma história do amor divino:
criação, revelação, aliança, redenção, proveniência, misericórdia, paciência
(Gênesis 1,28-30; Êxodo 33,18s; Oséias 11, Jeremias 3,12; Salmo 135; Salmo
144,8).
Contudo, é no Novo Testamento que o
amor se revelou mais plenamente nos mistérios da Encarnação (João 3,16), da
Redenção e da Graça, quando o amor da Santíssima Trindade é irradiado sobre
todas as pessoas. O amor do cristão, em conseqüência, é participação do amor de
Deus. Então podemos concluir que o Cristianismo é a religião do amor. O amor a
Deus e ao próximo são da mesma natureza, porque a essência de Deus é amor - revelação
suprema do Novo Testamento
Nos vs. de 9 a 10, aponta-se a
Encarnação como revelação e manifestação surpreendente do amor divino, quando
este se tornou evidente e palpável na vinda do Filho Unigênito, Único e bem
amado para salvar-nos. É o texto de João que melhor expressa a epifania
(manifestação) da caridade. Para João, a Encarnação é um fato que já se
realizou, porém, se perpetua, é de permanente atualidade (João 14,23). A
Encarnação para o Pai é missão, delegação, envio. O Enviado possui missão especial:
falar e agir em nome do Pai, representá-Lo junto às pessoas. Portanto, é o Pai
que se revela amor; não mandou qualquer um, mas o seu próprio Filho, Unigênito,
muito amado. Isto prova o quanto Deus nos ama, pois mão duvidou em sacrificá-Lo
por nós. Se O mandou a este mundo, é para que os seus filhos e filhas pudessem
unir-se a Ele (João 1,4; 5,26; 1João 1,2), ter a vida da graça e da glória. Os
três grandes mistérios da Nova Aliança - encarnação, redenção, graça - resumem
o Evangelho. Paulo e João os entendem como concebidos e realizados pelo
infinito amor de Deus.
O versículo 10 ostenta a maravilha do
amor cristão: não fomos nós que o amamos. Ele nos amou primeiro, nos enviando
seu Filho para perdoar nossos pecados. Nosso amor foi apenas uma resposta a
quem nos amou desde sempre. O amor de Deus se manifestou misericordioso,
desinteressado, gratuito, generoso. Não nos amou a título de reciprocidade, mas
espontaneamente, porque sua natureza é amor. Se Ele põe à morte até seu Filho
amado é porque deseja atrair a si os que querem se salvar. Nos Odes de Salomão
(século II) há a seguinte reflexão: "Não teria sabido amar o Senhor, se
Ele não me tivesse amado primeiro" (3,3).
Evangelho: João
15,9-17
Este trecho da liturgia de hoje é
tirado do segundo discurso após a Ceia e serve de transição entre a parábola da
vinha (João 15,1-8) e a declaração da amizade feita por Jesus para aqueles que,
até então, eram apenas seus "discípulos" (João 15,14-17). O que
significa que o tema central desta narrativa é a permanente união dos
discípulos com Jesus ("permanecer" volta três vezes nos vs. 9 e 10)
como meio de salvaguardá-la.
O raciocínio de Cristo é claro: o Pai
amou o Filho que permaneceu neste amor guardando seu mandamento. Mas Cristo
amou as pessoas com este mesmo amor do Pai de que desfrutava e no qual os
cristãos por sua vez, podem permanecer guardando o mandamento de seu Mestre.
Portanto Cristo insiste sobre a ligação
que se estabelece entre o amor e a obediência. Enquanto não reconhecer a união
amorosa das vontades, o amor é imperfeito. Somente a mútua obediência é o
critério de um amor que se tornou adulto. O amor é, ao mesmo tempo, a mais
profunda atividade espiritual, pois realiza a comunhão espiritual e a mais
fundamental partilha no cerne mesmo da alteridade. O amor realiza ainda outra
maravilha: aquele que ama transforma-se naquele que ele ama. Neste sentido,
Cristo pode dizer: "permanecei em meu amor como eu permaneço no amor do
Pai" (versículos 9-10).
Enfim, o amor é solidário com a alegria
(versículo 11), porque não suporta nenhuma frustração. Resiste à separação,
vence todos os obstáculos, mas nada pode contra aqueles que o reivindicam como
um direito, só que querem obtê-lo trapaceando com o que são ou confundindo os
gestos do amor com o próprio amor. O amor é, portanto, de alegria quando nasce
da liberdade total.
As idéias concentram-se em volta do v.
11, sobre a alegria completa. Pois a união de Jesus e os discípulos tem como
resultado ser ouvido pelo Pai já que Ele é glorificado pelo fruto desta união:
fruto que é a caridade conforme o amor que o Pai manifestou no Filho, e que é o
conteúdo da "Palavra" na qual os discípulos devem
"permanecer".
O núcleo central da unidade é,
portanto, a comunicação da verdadeira alegria, que é a conseqüência da
observância da Palavra (mandamento) do Senhor, ou seja, do amor fraterno.
Enquanto os vs. 7-8 relacionam o
"permanecer em Cristo" com a importância da oração para a glória do
Pai, os vs. 9-10 explicam o que significa concretamente este
"permanecer": é o permanecer no amor. Jesus começa pela fonte: o Pai.
Ele amou primeiro (cf. 1 João 4,10). Cristo, Palavra do Pai, amou também: a
todos nós. E somos convocados para ficarmos no seu amor. Amor de Cristo: isto
é, que vem do Cristo, através de sua Palavra, seu mandamento. Como Jesus ficou
no amor do Pai, guardando sua Palavra, assim, o cristão deve ficar no amor de
Cristo, guardando sua Palavra. Aparece, aqui, que "amor" em João não
é uma coisa sentimental, mas a mesma coisa que Paulo chamaria de
"obediência" (Filipenses 2,6-12). Obediência no sentido de estar à
escuta, estar atento. É união de vida, não uma sensação sentimental, mas um
dispor nossa mente e atividade para o plano do Pai. É entregar sua vida. Nisto
está a alegria, a "realização" de Jesus, e Ele nos ensina este segredo
para que a nossa alegria seja completa: esta é a idéia central do texto da
celebração deste 6º Domingo da Páscoa. Aqui, devemos recordar o começo do
discurso sobre a videira: a Palavra de Cristo nos purifica, isto é, nos poda e
nos torna fecundos (João 15,2-3). É a obediência à mensagem de Cristo que nos
permite uma verdadeira "realização", nos dá uma personalidade
definida, faz com que sejamos alguém na vida.
A nossa identidade é sermos aqueles que
pertencem à caridade, feita conforme o espírito de Cristo. Buscar realização e
contentamento numa outra direção é contrário à nossa identidade. E trata-se de
uma caridade que não nos pertence. Muitas pessoas enganam-se neste ponto.
Festejam à vontade, baladas, gastam o supérfluo, e depois fazem caridade dando
as sobras da mesa e os trocadinhos do bolso para a "negrada, para essa
gente" como dizem por ai... Exploram seus empregados e depois fazem
caridade aos filhos dos mesmos (que têm tão lindos olhos cheios de
agradecimento...) Isto não é o que Cristo nos diz. Ele quer que a nossa
caridade permaneça fiel à sua Palavra, que é a de Deus. A caridade não é uma
mera fantasia, mas uma obediência a um preceito. Não somos nós que inventamos.
Nos colocamos a serviço do apelo que vem a nós, muitas vezes, num modo e numa
aparência que não nos agrada nada.
Depois da frase central do versículo
11, o tema é aprofundado na ordem contrária. O versículo 12 deixa claro agora,
o "permanecer no amor de Cristo" com o sendo o amor mútuo conforme o
modelo do amor de Cristo. E este modelo é claro: é a doação da vida pelos
"amigos" (ou por quem se ama) versículo 13. Como já dissemos, porém,
amor e amizade não é coisa sentimental. É união da vontade: fazer o que o
Senhor manda, guardar sua Palavra. Isto faz parte da lógica do amor. Se o
mandamento de Jesus é o amor, quem não o observar não participa do Seu amor.
Agora a idéia de que os discípulos são
amigos, significa que são "gente de casa". Eles sabem o que o Senhor
faz, participam na realização de sua vida. Este saber recebe aqui a categoria
de revelação. O que Jesus nos ensina, vem do Pai. Traduzindo em termos
existenciais: o mandamento do amor não é opcional, mas a expressão do Absoluto
da nossa existência. A iniciativa vem de Deus, através de Jesus Cristo.
Ninguém se constitui apóstolo a si mesmo. Aliás, não seria possível, pois a
Palavra de Deus, que trazemos "como em vasos de argila", nos
transcende. Atraídos pelo amor convidativo de Cristo, o cristão se coloca a
serviço desta iniciativa divina.
Função na liturgia
Como no domingo anterior, também neste
6º domingo da Páscoa a relação entre a segunda leitura e o Evangelho é
evidente. O cristão permanece no amor que vem de Deus (pois Deus é amor), 1
João 4,8), e que se manifestou em Jesus Cristo. Nesta forma de amor concreto, o
cristão pode se dirigir a Deus com confiança: não lhe faltará nada que for
preciso para viver esta união vital. Sua vida será uma glorificação (honra e
manifestação) de Deus mesmo. E esta será a sua alegria.
A liturgia deverá ser conduzida de tal
modo, que sensibilize a assembléia para o que se pode chamar a existência
pascal do cristão. É uma existência diferente da natural, carnal. É unida com a
do Ressuscitado. Seu critério não é a satisfação dos desejos ou projetos
imediatos da vida natural como pregam as seitas, mas a plena alegria de
permanecer no Deus-Amor e de revelá-Lo pela caridade vivida em ações.
Da Palavra celebrada
ao cotidiano da vida
Como lembramos no início, em nosso
cotidiano usamos muitas e freqüentes expressões com as palavras
"amor/amar", quase sempre relacionada a algo prazeroso, embora, às
vezes, destituído de sentido.
Bastante diferente é a concepção de
amor/amar proposta por Cristo: "Como meu Pai me amou, assim também vos
amei. Permanecei no meu amor". Tal concepção é retomada por São João em
sua primeira carta: "Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de
Deus".
Na eucaristia, alimentamo-nos do amor
de Deus; ela é a fonte da qual nos fortalecemos para permanecer no amor de
Cristo, atitude, ás vezes, tão difícil, em meio às tribulações do dia-a-dia.
Esse verdadeiro amor vindo do Pai pelo
Filho e confirmado no Espírito Santo, é amor doação, amor entrega. Amor que dá
sentido ao que somos, ao que fazemos, à realidade em que estamos inseridos. Ele
está centrado na relação com Deus e com o próximo e não confinado dentro de nós
mesmos. Na concepção divina, o amor não se reduz ao que nos é agradável.
Certamente, também é isso, mas não apenas isso. O exemplo de Cristo é bastante
claro. Ao entregar-se por nós na cruz, Ele manifestou a radicalidade do amor
que se fez oblação absoluta, o que só foi possível porque Jesus compreendeu a
grandeza do amor do Pai por Ele. Muitas vezes, fraquejamos na vivência do amor
cristão porque "esquecemos" que o amor de nosso Deus, fiel e justo, é
infinito.
Estamos nós, de fato, cumprindo o
indicado por São João: "Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de
Deus"? O amor que expressamos aos familiares, aos amigos, aos colegas de
trabalho, às tantas pessoas que entram e saem diariamente de nossa vida, contém
a dimensão do amor que vem de Deus ou é apenas um sentimento, uma sensação
humana? Procuramos ao celebrar a eucaristia, estar bem com os irmãos e irmãs ou
somos incoerentes e deixamos tal dimensão de lado, avaliando somente o amor a
Deus (conforme nosso entendimento humano)? Alguém já disse que a cruz é um dos
símbolos do amor cristão, porque traça, na vertical, a ligação com o Pai e, na
horizontal, a ligação com os irmãos.
Cristo sentia-se infinitamente amado
pelo Pai, mesmo nos momentos mais duros, pois esse amor dava sentido também ao
sofrimento. Precisamos deixar pulsar em nosso coração o legítimo amor que vem
do Pai e que a tudo dá sentido, só assim nos sentiremos como Jesus, infinita e
permanentemente amados do Pai, e podemos ser, no mundo, sacramento desse amor.
Só assim produziremos e distribuiremos bons frutos, missão para a qual fomos
chamados e designados.
Não somos "filhos de
Deus" porque um dia fomos batizados; mas sim porque um dia optamos,
dia-a-dia, a acolher essa vida que Ele nos oferece, porque vivemos em comunhão
com Ele e porque damos testemunho desse Deus que é amor através dos nossos
gestos.
O amor de Deus, o amor tão humano
de Deus, é para nós termômetro do amor. Quem é de Deus, ama. Quem nasceu de
Deus, ama. Quem "conhece" a Deus, ama. Ama a quem? O texto da leitura
de hoje é muito claro: ama o próximo. "Amemo-nos uns aos outros"
(1João 4,7). Se o amor de Deus se manifestou no amor às pessoas, também o amor
das pessoas deve manifestar-se no amor aos semelhantes.
É assim que faz quem "conhece"
a Deus. "Conhecer" na teologia de São João não é só tomar
conhecimento de alguma coisa, estar informado sobre alguma coisa.
"Conhecer" é mais: é saber por experiência. Por isso, quem
"conhece" a Deus, faz como Deus faz. Seu amor é como o amor de Deus:
é amor às pessoas. Essa atitude pertence de tal forma ao conhecimento de Deus
que, quem não ama, não conhece a Deus.
A Palavra se faz
celebração
O perigo da religião individualista
Nossa vida é pontilhada de
expressões que usam palavras amor/amar. Quantas vezes observamos, nos carros,
adesivos com a frase "eu amo esta ou aquela cidade"? Quantas vezes
ouvimos exclamações do tipo "que amor de decoração!"; "que amor
de roupa!"; "esta criança é um amor!"; "obrigado, por ter
feito isso, você é um amor!"? Certas músicas religiosas produzidas hoje
também vão nessa linha. Quantas vezes ouvimos "eu amo você meu
Jesus"; "te olhar, te tocar e ver meu Deus como és lindo!".
Acabam sendo músicas de consumo e que não revelam a densidade do mistério celebrado.
A música ritual, isto é, a música litúrgica é reveladora do Mistério celebrado
e não tanto pela beleza, pela estética. A música ritual é sinal do mistério
porque ela é portadora da memória de Jesus Cristo
Essas expressões e outras tantas
semelhantes revelam um "amor" muito próprio de nossa sociedade
egocêntrica e subjetivista. Eu amo tal cidade porque ela foi fonte de prazer
para mim; a decoração é um amor porque proporciona uma sensação agradável. A
criança e o amigo tornam-se "amor" porque oferecem algo bom para mim,
algo que me faz bem.
Amor doação
O individualismo não é coisa da
religião, isto é, do cristianismo, mas do nosso tempo, da nossa cultura
individualista e egocêntrica. Então os movimentos da Igreja, e muitos
compositores não estão imunes do individualismo pregado pela nossa cultura
moderna. Mas é preciso ter consciência da dimensão social do cristianismo e
lutar contra essa cultura egocêntrica que penetrou nos cristãos.
Em contra posição a isso tudo, Jesus
propõe-nos o amor doação, entrega, oblação do qual ele mesmo foi modelo e
mestre. Não nos propõe um amor individualista tipo "eu te amei", mas
ao contrário dizendo: "Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos
amei". Não esta na hora de redescobrirmos essa dimensão social do
cristianismo?
padre Benedito Mazeti
1 – «Assim como o Pai
Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus
mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os
mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor».
Crescemos e
amadurecemos imitando os outros no nosso comportamento, na nossa aprendizagem,
nos nossos gestos, de tal forma que o convívio que se prolonga no tempo acentua
as parecenças até mesmo no timbre de voz. Com facilidade confundimos, ao
telefone, a voz de dois irmãos, ou da mãe e da filha, ou do pai e do filho. Há
filhos que caminham como os pais, têm os mesmos tiques ou trejeitos e
imitam-nos no vestir. Pouco disponíveis para escutar os conselhos, repreensões
ou sermões, mas prontos para repetir a postura dos pais. Se em casa se fala
muito alto, na escola os filhos reproduzirão a mesma sonoridade. Se há
palavrões em família, não será muito diferente na escola. Nem tudo é linear. Há
crianças de famílias desestruturadas que têm comportamentos exemplares e
crianças de famílias bem estruturadas com comportamentos perturbadores quando
longe dos pais. Refira-se, a propósito, que hoje em dia a postura mimética é
mais abrangente, imitam-se os colegas da sala de aula, os atores de determinada
série de televisão, os amigos lá da rua. A televisão e a Internet, meios
privilegiados de difusão, facilmente globalizam gestos, formas de vestir e de
pensar.
E como cristãos, quem
é que imitamos? A maioria? O que está na moda?
Os valores que
defendemos, na medida em que estamos inseridos numa cultura globalizada, nem
sempre são concordes com a fé professada. Recordo os milhares de jovens que
aplaudiam o Papa João Paulo II, nos EUA, na sua última viagem apostólica àquele
país. Quando lhes perguntavam sobre valores, da vida, da dignidade da pessoa
humana desde a conceção à morte natural, as respostas eram curiosas: gostavam
do Papa – figura mundial – mas não das ideias que defendia.
Temos um modelo a
seguir e a imitar: Jesus Cristo. Como o Pai me ama, também Eu vos amo. Dou a
vida por vós. Amai-vos uns aos outros como EU vos amo.
2 – As palavras
movem, os testemunhos arrastam. Como sublinhava o Papa Paulo VI, o nosso tempo
mais que mestres quer testemunhas, ou mestres que sejam testemunhas. Jesus
dá-nos o exemplo. É a referência da nossa vida, dos nossos gestos. Não temos
que imitar mais ninguém, em absoluto. Devemos ser referência uns para os
outros, mas na medida em que transparecemos Jesus Cristo e o Seu evangelho de
verdade e de caridade. Como nos dirá São Paulo: sede meus imitadores como eu
sou imitador de Cristo.
O plano original de
Deus aponta para uma imitação libertadora, como família, revendo-nos uns nos
outros. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Da mesma carne, do mesmo
sangue, com a mesma origem. Saímos das mãos de Deus e do Seu coração.
Auxiliares uns dos outros. O pecado surge não por sermos diferentes, mas por
queremos excluir os outros da nossa vida e colocar-nos diante deles como
senhores absolutos do mundo.
A Encarnação de Deus,
em Jesus Cristo, e o Seu mistério pascal, paixão, morte e ressurreição,
invertem o caminho para nos colocarem novamente na senda de Deus,
orientando-nos uns para os outros, assumindo-nos como irmãos, como família. Ele
entrega a Sua vida por nós. «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a
vida pelos amigos». Para termos vida em abundância. «Disse-vos estas
coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa.
É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei». Jesus
trata-nos como irmãos, como amigos. «Vós sois meus amigos, porque vos dei a
conhecer tudo o que ouvi a meu Pai».
A amizade leva-nos à
proximidade (e vice-versa) e à identificação. Identificamo-nos com os nossos
amigos, de quem aceitamos conselhos, recomendações, a quem pedimos
opinião. «Fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e
o vosso fruto permaneça. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros». Como
ramos unidos à videira, também nós daremos muitos frutos se unidos a Cristo, se
d'Ele nos alimentarmos.
3 – É mentiroso todo
aquele que diz amar a Deus e odiar o seu semelhante. É uma afirmação que
decorre da Palavra de Deus e da vivência da fé. Se Deus é Pai de todos, todos
somos irmãos. Não podemos rezar o Pai-nosso em comum e depois cada um ir à sua
vida, com as suas preocupações, mesmo que honestas e defensáveis. Não. O
Pai-nosso não é apenas uma oração que Jesus nos ensina, é um desafio e um
compromisso. Reconhecemo-nos diante de Deus como irmãos, dispondo-nos a acolher
o Seu reino e a Sua vontade em todo o mundo.
Com efeito, diz-nos o
apóstolo são João, na segunda leitura, «amemo-nos uns aos outros, porque o amor
vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama
não conhece a Deus, porque Deus é amor. Assim se manifestou o amor de Deus para
conosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigênito, para que vivamos por Ele.
Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos
amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados».
O amor ao próximo não
é uma opção. Se seguimos Cristo é para O imitarmos, acolhendo a Sua palavra.
Somos discípulos missionários. Embrenhamo-nos no Evangelho e transparecemo-lo
através da nossa vida, até que possamos dizer o mesmo que o apóstolo Paulo: «Já
não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20), «Para
mim, viver é Cristo» (Fil 1, 21).
Jesus dá a Sua vida
por nós. Nesta entrega é visível que Deus nos ama primeiro para que também nós
possamos amar-nos uns aos outros. É no amor que conheceremos a Deus e n'Ele
permaneceremos.
4 – O sol quando
nasce é para todos. Como lembra a Sagrada Escritura, Deus faz chover sobre bons
e maus (cf. Mt 5, 45). A salvação que nos é dada em Jesus Cristo, no mistério
pascal que celebramos em cada Eucaristia, não é prerrogativa de um ou outro
grupo, de um ou outro iluminado. É para todos, independentemente da origem, do
caminho percorrido, da raça, da cor, ou da nacionalidade. A única condição é
amar, deixar-se plasmar pelo Espírito de Deus.
Ao longo da história
da Igreja, este Corpo de Cristo a que pertencemos pelo Batismo, como membros de
que Ele é a Cabeça e o garante, viveu os dramas das diferentes épocas, culturas
e sensibilidades, procurando, através dos mais humildes e dos mais santos,
aproximar-Se de Jesus, identificar-se com Ele, manter-se fiel ao Evangelho.
Logo no início surgem dissensões. As pessoas têm opiniões próprias que precisam
de moldar ao proceder de Jesus, libertando-se das arestas de cada um, para
sermos MAIS em Cristo.
Os apóstolos, nomeadamente
Pedro, compreendem que a Páscoa não é benefício dos judeus, mas terá que chegar
a todos. A conversão de Cornélio, oficial romano, é um desafio para o qual,
aparentemente, a primeira comunidade não estava preparada, ainda que o envio de
Jesus seja a todo o mundo, a todas as nações. «Na verdade, diz Pedro, eu
reconheço que Deus não faz aceção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele
que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável».
O Senhor opera
maravilhas a favor de todos os povos. «Todos os fiéis convertidos do
judaísmo, que tinham vindo com Pedro, ficaram maravilhados ao verem que o
Espírito Santo se difundia também sobre os gentios, pois ouviam-nos falar em
diversas línguas e glorificar a Deus».
5 – O salmista
ajuda-nos a rezar e a agradecer: «O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça. Recordou-Se da sua bondade e
fidelidade em favor da casa de Israel. Os confins da terra puderam ver a
salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e
cantai».
1 – Amar e
permanecer. A liturgia da palavra deste e dos domingos anteriores relaciona
duas faces da mesma moeda, uma opção de vida. Amar exige permanecer, ir ao
encontro, ficar, fazer festa, alegrar-se, conviver, partilhar o que vai na
alma, comungar projetos e sonhos. Permanecer porque se ama. Quem ama não quer
partir. Quem ama atrai para si aquele/aquela que ama, aproxi ma-se. Não se
distancia. Não desvia o olhar. Muito menos o coração. Quer estar bem juntinho.
Olhos nos olhos. Lado a lado. Frente a frente. Quem ama quer que o amor dure
para sempre, seja eterno, ou pelo menos até que a morte separe. E mesmo nos
tempos que correm, efémeros, apressados, em mudança constante, ao sabor das
modas, ainda há amores eternos, ou que querem ser eternos.
Jesus vem de Deus, da
eternidade, para ficar. Vem por amor. Não parte. Pelo menos não parte sem antes
assegurar a Sua presença até à eternidade. Dá a vida porque ama. Entrega a Sua
vida àqueles que ama. Deixa a Sua palavra. Ressuscita, mas permanece pela
memória, pelo mistério, pelos sacramentos. Doravante não O veremos fisicamente,
mas vê-l’O-emos na Palavra dita em Seu nome, nos Sacramentos através dos quais
pelo Espírito Santo estará entre nós, e ve-l’O-emos em cada pessoa, em cada
olhar, em cada gesto de amor e de ternura.
Como não evocar as
palavras de Jesus nos momentos finais da Sua vida terrena: vou para o Pai para
vos preparar um lugar, quero que onde Eu estou vós estejais também, vou e vós
sabeis o caminho, Eu sou o caminho para chegar ao Pai, vou mas não vos deixarei
órfãos, enviar-vos-ei o espírito Santo, fazei isto em memória de mim, sempre
que vos reunirdes em meu nome Eu estarei no meio de vós, até ao fim do mundo,
não temais.
Hoje o Evangelho é
por demais explícito. Vale a pena deter-nos nas palavras de Jesus: «Assim como
o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os
meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os
mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para
que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. É este o meu
mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. Ninguém tem maior
amor do que aquele que dá a vida pelos amigos… fui Eu que vos escolhi para que
vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça… O que vos mando é que vos ameis
uns aos outros».
2 – As palavras de
Jesus não deixam dúvidas. Ele ama-nos com o mesmo amor com que Deus Pai O ama.
Beneficiamos do amor de Deus cumprindo o Seu mandamento: amar como Ele nos amou.
O apóstolo são João
assume o desafio de Jesus e clarifica-o para a comunidade cristã:
"Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama
nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é
amor. Assim se manifestou o amor de Deus para conosco: Deus enviou ao mundo o
seu Filho Unigênito, para que vivamos por Ele. Nisto consiste o amor: não fomos
nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como
vítima de expiação pelos nossos pecados".
O amor que não é
partilhado morre. A partilha enriquece-nos. Quando partilhamos riquezas
materiais, poderemos ficar com menos coisas. Quando partilhamos a alegria, a
fé, a esperança, o amor, mais aumentam em nós. Quanto mais nos damos, mais
recebemos. Por outro lado, o amor não é nosso, o amor vem de Deus. Deus é Amor.
Ele amou-nos primeiro. Deu-nos o Seu Filho Unigênito, que entregou a vida em
nosso favor. Como seus seguidores, vivamos o mesmo amor, partilhemos a Sua vida
com os nossos irmãos, os membros da nossa família e da nossa comunidade e de
outras famílias e comunidades.
Aquele que ama, vem
de Deus. O amor que há em nós é o reflexo de Deus em nós, é a Sua marca, é o
código genético que nos identifica como irmãos em Jesus Cristo, filhos amados
de Deus. Nisto sabemos que permanecemos em Deus, se amamos como Jesus nos amou.
3 – O amor floresce à
medida que é partilhado. Longe da vista, longe do coração. O que não é visto
não é lembrado. O que não é lembrado é esquecido. O amor precisa de ser lembrado,
constantemente. Não há maior amor do que Aquele que dá a vida pelos amigos.
Jesus dá a vida por nós. É a nossa maior alegria, sabermo-nos merecedores de
tamanha dádiva. O amor não nos silencia, ainda que faltem as palavras para tão
grande mistério! A alegria que nos inunda transborda. O amor não se fecha, não
isola. O amor liberta-nos para o encontro com o outro, com os outros.
Esta é a grande
descoberta dos discípulos. O medo encerra-os dentro de quatro paredes. O amor
abre-lhes a mente, o coração, dá-lhes coragem, desperta-os para a pregação,
para o anúncio do Evangelho, para comunicar a alegria do encontro com Jesus
ressuscitado. Há um enorme desejo de mostrar aos outros como Deus operou em nós
maravilhas e a grandeza com que nos ama.
Assim se espalha a
boa notícia. Pedro dá testemunho. O Espírito Santo garante a permanência no
amor de Deus, na vida nova que nos é dada em Jesus Cristo. Sem exceções. Todos
são chamados ao amor de Deus. Todos são convocados para viverem ao jeito de
Jesus, para viverem a vida nova da graça, da salvação.
“Pedro chegou a casa
de Cornélio. Este veio-lhe ao encontro e prostrou-se a seus pés. Mas Pedro
levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também sou um simples homem». Pedro
disse-lhe ainda: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz aceção de pessoas,
mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável».
Ainda Pedro falava, quando o Espírito desceu sobre todos os que estavam a ouvir
a palavra. E todos os fiéis convertidos do judaísmo, que tinham vindo com
Pedro, ficaram maravilhados ao verem que o Espírito Santo se difundia também
sobre os gentios, pois ouviam-nos falar em diversas línguas e glorificar a
Deus…» Pediram-Lhe que ficasse alguns dias com eles”.
padre Manuel Gonçalves
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