quarta-feira, 16 de maio de 2018
terça-feira, 15 de maio de 2018
DOMINGO DE PENTECOSTES-Ano B
DOMINGO DE
PENTECOSTES
Evangelho
Jo 20,19-23
·
Hoje
a Igreja comemora o dia de Pentecostes, o dia em que O Espírito Santo veio num vento forte, e no
fogo, assim como também Ele pode vir na brisa suave ou no arrepio que sentimos,
por exemplo, no momento da elevação da Hóstia consagrada... Continuar lendo
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COMO O PAI ME ENVIOU, TAMBÉM EU VOS ENVIO. ”-
Olivia Coutinho
DOMINGO- SOLENIDADE DE PENTECOSTES.
Dia 20 de Maio de 2018
Evangelho de Jo20,19-23
Celebramos hoje, a Solenidade de Pentecostes, o
coroamento do tempo Pascal, quando se cumpre a promessa de Jesus: o envio do
Espírito Santo! Espírito Santo, que já se faz presente em nós, mas que muitas
vezes, não percebermos a sua ação libertadora e santificadora em nosso favor.
A definição marcante desta solenidade,
podemos dizer, que é a "Germinação da Igreja", pois a caminhada
missionária da Igreja, começa em Pentecostes, quando o Espírito Santo entra em
suas entranhas a tornando viva e atuante, através do anuncio do
Reino a todos os povos.
Foi a partir de Pentecostes, que a igreja
começou a falar, a falar a linguagem do amor, que é uma linguagem universal, e
que mesmo sendo desdobrada em vários idiomas, é a única linguagem capaz de ser
entendida pelos os povos de todas as nações!
A missão da Igreja consiste em revelar aos
homens, a vida nova que brota da ressurreição de Jesus. A sua grande riqueza,
está na abertura aos povos de todas as culturas! A Igreja é unidade,
ela é a guardiã do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Nesta festa, que também podemos chamar de festa
missionária, devemos alargar o nosso olhar para o mundo inteiro, onde a igreja
se faz presente na pessoa de muitos missionários, homens e mulheres, que apesar
das inúmeras dificuldades, se prontificam em gastar a vida na difusão do
evangelho, dando continuidade a missão de Jesus. Unamos a estes missionários,
no desejo de fazer chegar a outros irmãos, a verdade que liberta!
Sabemos que os desafios daqueles que se entregam a missionariedade são muitos, mas sabemos também, que o Espírito Santo anima e dá força a quem abraça a missão de anunciar o Evangelho, possibilitando a todos conhecer Jesus!
Sabemos que os desafios daqueles que se entregam a missionariedade são muitos, mas sabemos também, que o Espírito Santo anima e dá força a quem abraça a missão de anunciar o Evangelho, possibilitando a todos conhecer Jesus!
O evangelho que a liturgia desta solenidade,
nos apresenta a comunidade de homens novos, que nascem da cruz e da
ressurreição e que são libertados pela a força santificadora e libertadora do
Espírito Santo. Tudo começa no primeiro encontro de Jesus com os
discípulos, logo após a sua ressurreição. Foi neste encontro, que Jesus
comunicou a eles o seu Espírito, num gesto de soprar sobre eles!
Ao soprar o Espírito Santo sobre os discípulos,
Jesus nos faz recordar o sopro de Deus na criação, o sopro que deu vida a
criatura humana, gesto que Jesus repete como início de uma nova criação! Cheios
do Espírito Santo, os discípulos se libertam do medo que os aprisionavam, foi
a partir daquele momento, que as palavras de Jesus, até então
não compreendidas, tornam claras para eles.
“Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles
que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não
perdoarem, não serão perdoados."
Com o sopro do Espírito Santo, Jesus concede a
igreja, o poder de perdoar pecados. É Deus quem tem o poder de perdoar pecados,
mas Jesus concede este poder e o transmite a sua Igreja. Trata-se do sacramento
da reconciliação.
Quando Jesus diz: “Os pecados daqueles que
vocês não perdoarem, não serão perdoados,” não significa uma condenação, e sim,
um insistente apelo à conversão, ou seja, não é a Igreja que não perdoa esses
pecados, pelo contrário, a Igreja trabalha o arrependimento, favorecendo as
condições para que a pessoa possa se redimir. Pecados não perdoados, são
aqueles pecados que temos a consciência de tê-los, mas permanecemos neles,
sem nos abrimos ao arrependimento, o que significa, um fechamento a ação do
Espírito Santo, ou seja, o fechamento à graça do perdão!
No sopro do Espírito Santo sobre os discípulos,
é expressa a criação renovada, é o Espírito Santo que recria a comunidade dos
apóstolos e descerra suas portas para a missão! Os discípulos só conseguiram
tomar atitudes corajosas para anunciar o evangelho, depois que receberam o
Espírito Santo. A coragem deles passou a ser tão grande, que eles se
prontificaram a dar a vida pela a causa do Reino.
Com Pentecostes, encerra-se o tempo Pascal, mas
este acontecimento não é o final de uma caminhada e sim: o começo de um
novo peregrinar, rumo a casa do Pai!
Os atos dos Apóstolos, começaram com o sopro do
Espírito Santo, também os nossos atos, começam a partir da nossa conscientização
de que a força libertadora e santificadora do Espírito Santo nos conduz à
missão.
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
Venha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook
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Jesus Cristo é o Filho, o Verbo de
Deus, a Sabedoria de Deus, que o Pai enviou ao mundo. Tomou a condição humana
no seio da Virgem Maria, aprendeu a falar a língua de Maria e de José,
enraizou-se naquela cultura. Vivendo como nós as alegrias e as dores desta
caminhada, Jesus fez-nos compreender, pela palavra e pelo exemplo, que Deus é
bom e nos convida a viver para a verdade e para o amor, portanto para a
fraternidade, para a justiça e para a paz.
Esta mensagem desagradou aos poderosos
do mundo e também aos poderosos da religião, que apostavam num deus aliado dos
seus interesses e mantenedor da ordem estabelecida. Coisa mais estranha, não
entusiasmou muito os pobres, que teimavam em pôr a esperança num Messias – de –
poder, num Deus – de – constantes – milagres.
Julgado como blasfemo e subversivo,
Jesus foi condenado a morrer na cruz. O Pai ressuscitou-O dos mortos, e deu-Lhe
como prêmio a nossa salvação: a salvação de todos nós, pecadores, que Ele
considerou sempre como irmãos.
O Pai e Jesus enviam ao mundo o
Espírito Santo.
Tudo tinha sido dito e feito por Jesus.
Mas faltava convencer cada um dos homens a abrir o coração à mensagem do
Evangelho e a conformar a vida com ela. Era preciso que, em cada geração, os
cristãos entendessem os “sinais dos tempos” de modo que o Evangelho fosse
anunciado como Cristo o anunciaria se estivesse aqui. Esta é a missão do
Espírito Santo. O Espírito Santo é o amor infinito e eterno entre o Pai e o
Filho, e é por isso também o amor de Deus por cada um dos homens. Habitando conosco,
o Espírito ajuda-nos a “amar como Cristo amou”.
O Evangelho desta missa (Jo. 20,19-23)
narra que, no domingo da Páscoa, Jesus apareceu aos discípulos reunidos e lhes
comunicou o Espírito Santo. A primeira leitura (At. 2,1-11) conta que, no dia
do Pentecostes, o Espírito Santo manifestou a sua presença. São dois momentos
do mesmo mistério, ou talvez duas maneiras de o descrever.
Não se conclua daqui que o Espírito
Santo só começou a atuar no dia do Pentecostes. “Não há dúvida de que o
Espírito Santo já atuava no mundo antes de Cristo ser glorificado” (Concílio II
do Vaticano, Ad Gentes, 4). Desde que há homens na Terra, o
Espírito está junto à inteligência e ao coração de cada um, chamando-o à
fidelidade aos outros homens, abrindo-lhe caminhos para entender a presença de
Deus. Por outro lado, a ressurreição de Jesus e a sua partida para o Pai
inauguram um tempo novo, que pode e deve ser chamado o tempo do Espírito Santo.
O Pentecostes manifesta, quer o antigo, quer o novo trabalho do Espírito.
Para os judeus daquela época, o
Pentecostes era a festa da Lei. Uma tradição afirmava que o povo tinha
alcançado o Sinai 50 dias depois da fuga do Egito, e aí Moisés recebera das
mãos de Yahweh as tábuas da Lei. É possível que o texto dos Atos dos Apóstolos
tenha a intenção de inculcar que a Lei fica doravante superada pela presença do
Espírito.
A frase “Jesus Cristo é Senhor” é
talvez a mais antiga profissão de fé dos cristãos. Na segunda leitura (1Cor.
12,12-13), são Paulo afirma que ninguém é capaz de fazer esta profissão de
maneira profunda se o Espírito Santo o não apoiar. Isto contraria a nossa
suficiência, a idéia de que não precisamos de ninguém que nos indique o
caminho, mas é um eco de várias afirmações de Jesus (Mt. 11,27; Lc. 10,22; Jo.
15,4). São Paulo ensina ainda que os vários dons extraordinários que se
manifestavam entre os cristãos de Corinto não eram para glória de nenhum deles.
Esses dons provinham do Espírito e eram para o bem de todos.
monsenhor Vitor
Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”
1. Na noite do primeiro dia da semana
em que Jesus ressuscitou, Ele apareceu aos discípulos que estavam reunidos no
cenáculo. Deu-lhes a paz e depois acrescentou: “Recebei o Espírito Santo.
Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados e àqueles a quem os
retiverdes ser-lhes-ão retidos” (Jo. 20,22-23). Assim, foi no dia da
ressurreição que o Senhor deu aos discípulos o Espírito Santo que lhes
prometera. Jesus viveu ainda com eles durante 40 dias. Depois, no Monte da
Ascensão, pediu-lhes que se mantivessem reunidos. Finalmente, no Dia de
Pentecostes, o Espírito Santo manifestou-se por muitos sinais, o vento
impetuoso, as línguas de fogo e, sobretudo, a eloquência de Pedro que anunciou
a todos Cristo Ressuscitado. Foi nesse dia que 3.000 judeus, vindos de toda a
parte de Jerusalém, para celebrarem a festa, tiveram a certeza de que Jesus
estava vivo e aderiram à comunidade cristã nascente. Os Atos dos Apóstolos que
contam os fatos anotam que aqueles 3.000 homens quiseram perguntar a Pedro o
que tinham que fazer, a que Pedro respondeu: aceitai a senhoria absoluta de
Cristo Ressuscitado (cf. At. 2,38). Os sinais do Espírito descritos por Lucas
no livro dos Atos são estes:
• uma rajada de vento impetuoso,
expressão do sopro do Espírito que a todos possuiu para serem capazes de
anunciar a Boa Nova;
• as línguas de fogo que pousaram sobre
os apóstolos, símbolo do amor que os dominou completamente para irem ao
encontro de todos os homens levando-lhes a verdade, a justiça, a paz;
• o dom das línguas, permitindo a todos
os judeus vindos de muita parte do mundo, entenderem a mensagem de Pedro apesar
da diversidade da linguagem;
• o discurso de Pedro, pescador humilde
e sem cultura, mas que, com a eloquência da fé, soube proclamar claramente a
ressurreição do Senhor;
• a aceitação incondicional daqueles
homens que, na força do Espírito, se abriram completamente às maravilhas de
Deus;
Estes sinais foram tão convincentes
que, a partir deles, nasceu a primeira comunidade de Jerusalém onde todos
“estavam unidos na doutrina dos Apóstolos, na fração do pão, na Eucaristia e
nas orações, pondo tudo em comum” (At. 2,42). O Dia de Pentecostes foi o dia da
manifestação do Espírito.
2. O Espírito Santo vem com todos os
seus dons para iluminar o homem crente tornando-o capaz de irradiar o
Evangelho. Pelos dons do Espírito o ser humano é enriquecido na inteligência,
na vontade e na sensibilidade. Sem os dons do Espírito, o cristão não seria
capaz de manter-se fiel até ao fim, no mundo adverso onde percorre caminhos
sempre difíceis. Pelo Espírito Santo recebido no batismo e reafirmado no
sacramento da Confirmação o “homem peregrino” consegue ultrapassar as
dificuldades e viver de forma mais intensa o projeto de Deus. Pelos dons do
Espírito o cristão é um homem novo que irradia em todo o lugar a sua fé, a sua
esperança, o seu amor.
• Os dons que iluminam a inteligência
são: a sabedoria que permite conhecer o mistério de Deus, o entendimento que
ajuda a compreender as verdades que de Deus nos vêm e a ciência que leva a ver
realidades humanas com os olhos de Deus.
• Os dons que valorizam a vontade são:
a fortaleza que dá coragem para ser fiel mesmo a contra-gosto e o conselho que
favorece o discernimento para que sejam corretas as escolhas a fazer.
• Os dons que enriquecem a
sensibilidade são: a piedade que valoriza a relação de amor com Deus, o amor
filial resposta ao dom gratuito e o temor de Deus que outra coisa não é do que
o receio de não amar Deus quanto Ele tem direito a ser amado.
Os sete dons do Espírito Santo
constituem a força maior que leva o cristão a ser capaz de viver sempre como
tal em todas as situações da sua vida. Invocar o Espírito Santo e pedir-lhe a
abundância dos seus dons é elemento facilitador de uma vida cristã comprometida
na família, no trabalho, na sociedade. Do Espírito Santo poderia dizer-se
também “tudo posso naquele que me dá força” (Fl. 4,13).
3. Quando possuídos pelo Espírito Santo
os cristãos participam dos seus frutos. O Espírito Santo não é estéril,
transforma completamente aqueles que n’Ele crêem e que com Ele contam. É Paulo
na Carta aos Gálatas que o diz expressamente quando, ao falar da liberdade, faz
a distinção entre a liberdade dos instintos e a liberdade do Espírito. Se a
primeira gera conflitos e discórdias, a liberdade do Espírito gera uma série de
dons que provocam a comunhão. Há 3 ordens de frutos:
• O amor, a alegria e a paz são frutos
do Espírito que moram no homem cristão e o transformam profundamente a ponto
de, nas situações mais difíceis, se manter tranquilo e mesmo “feliz”.
• A paciência, a benignidade e a
bondade são frutos do Espírito que alimentam a relação humana tornando cada
crente capaz de serenidade em situações difíceis, de ternura junto dos que mais
precisam, de simpatia e afabilidade para com todos.
• A fidelidade, a mansidão e o
auto-domínio são frutos do Espírito que geram a capacidade de ir até às últimas
consequências nos grandes compromissos que o cristão é capaz de assumir.
Todos os cristãos devem ter consciência
destes frutos do Espírito em toda a sua vida. Eles são o resultado da mais
profunda comunhão com o Espírito de Cristo, o Consolador, que constantemente
ensina toda a verdade e recorda o que cada um vai esquecendo ao longo da vida.
4. O sacramento da confirmação dá a
plenitude do Espírito Santo. Sábado passado 58 cristãos da nossa comunidade
receberam, das mãos do nosso patriarca, a confirmação ou crisma. Marcados pelo
óleo santo passaram a ser apóstolos na comunidade. Todos os que recebemos este
grande sacramento não só descobrimos a alegria da fidelidade aos dons de Deus,
como assumimos o compromisso de transmitir aos outros Aquele em quem
acreditamos. Neste dia de Pentecostes pedimos ao Espírito Santo que nos possua
e nos torne apóstolos para levarmos “o Evangelho a toda a criatura” (cf. Mc.
16,15).
Na força do
espírito
Foi no dia da Ressurreição que Jesus
deu aos Apóstolos o Espírito Santo. Como se lê no Evangelho de hoje, Jesus
disse-lhes: “recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados,
ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos.”(Jo.
20, 23). A partir daí os Apóstolos estão cheios do Espírito Santo. Cinquenta
dias depois, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo foi manifestado a todos os
povos. Os sinais que o povo de Jerusalém conheceu, o ruído de vento impetuoso,
as línguas de fogo, o dom de falar muitas línguas, revelavam que o Espírito
Santo estava sobre os Apóstolos. É então, na força do Espírito, que Pedro proclama
Cristo Ressuscitado à imensa gente, vinda de todos os lados. A narrativa do
Evangelho de S. João e dos Atos dos Apóstolos, significa que, desde a
Ressurreição de Jesus, os Apóstolos receberam o dom do Espírito, o dom do amor.
Durante cinquenta dias puderam preparar-se para o tempo da manifestação. Foi
então, na manhã de Pentecostes, que o Senhor se manifestou no seu Espírito
através do primeiro discurso de Pedro.
Perguntar-se-á, então, quem é o
Espírito. Habitualmente atribui-se a Deus Pai a Criação, a Deus Filho a
Redenção e a Deus Espírito a Santificação. O três grandes mistérios da vida,
porém, são realizados por toda a divindade: o Espírito de Deus pairava sobre as
águas (na Criação), o Espírito de Deus fecundou Maria e nasceu Jesus (na
Redenção), o Espírito de Deus é o Paráclito que, permanentemente, é a garantia
de Salvação (na Santificação). O Espírito Santo, o Amor entre o Pai e o Filho
na Trindade, é fonte de vida nova no ser humano, na humanidade inteira.
O Espírito Santo é dado aos Apóstolos
com a riqueza dos seus dons. Se o ser humano é um ser espiritual, dotado de
inteligência, vontade e sensibilidade, o Espírito vem enriquecê-lo com a força
dos seus dons: a sabedoria, o entendimento e a ciência permitem conhecer o
mistério de Deus e a sua verdade, e permitem também entender todas as coisas à
luz de Deus; a fortaleza e o conselho valorizam a vontade, uma vez que permitem
o discernimento essencial às escolhas que o ser humano deve fazer; a piedade e
o temor de Deus dão um sentido novo ao amor, conferindo ao homem a capacidade
de amar a Deus e de, por Ele, ser amado ao longo da vida.
Os frutos do Espírito são-nos revelados
por S. Paulo na sua Carta aos Gálatas. O Apóstolo convida-nos a viver segundo o
Espírito com amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade e domínio de
si próprio (cf Gal. 5, 22). Com a riqueza do Espírito, o ser humano atinge a
felicidade verdadeira.
Não pode porém, esquecer-se que o
Espírito Santo é fonte de unidade. Na diversidade normal de vocações, funções e
carismas, o Espírito Santo congrega-nos num só Corpo, o Corpo Místico de Cristo
que é a Igreja.
Paróquia Campo Grande
"Como o Pai me
enviou, também eu vos envio"
Hoje é o domingo de Pentecostes. Com a
festa de hoje, estamos chegando ao fim do Tempo Pascal, tempo celebrado com
alegria e exultação, um só dia de festa que durou cinqüenta dias, "um
grande domingo", tempo marcado pelo canto e pelo sentimento do
"Aleluia".
O importante é celebrarmos a
festa de hoje intimamente ligada à Páscoa e a todo o Tempo pascal. O
Pentecostes cristão não é a festa do Espírito Santo em si. A vinda do Espírito
Santo, em Pentecostes, é um acontecimento de salvação. Representa o cume do
mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo. É a festa que dá coroamento
à Páscoa de Cristo. "Para levar à plenitude os mistérios da páscoa, o
Senhor derramou, hoje, o Espírito Santo prometido, em favor de seus filhos e
filhas." (prefácio da missa do dia).
Demos graças ao Pai porque o
Espírito revelou a todos os povos o mistério escondido nos séculos e reuniu
todas as raças na alegria da salvação. Somos, hoje, revestidos da força do
Espírito para sermos testemunhas do Cristo ressuscitado.
Primeira leitura:
Atos 2,1-11
A narração de Pentecostes tem três
partes: a vinda do Espírito Santo sobre a assembléia dos apóstolos, dos irmãos
de Jesus, da Mãe de Jesus e outras mulheres, reunida no cenáculo (Atos 2,1-13;
cf. 1,13-14); a pregação de Pedro (Atos 2,14-36); a conversão dos ouvintes
(Atos 2,37-41). Na primeira e na segunda parte acentua-se a alcance universal
do acontecimento. Em primeiro lugar pela lista dos povos (Atos 2,9-11), a qual
indica que os apóstolos têm uma missão junto a todas as nações.
No Primeiro Testamento o Espírito de
Deus é geralmente dado a indivíduos ou grupos dentro do povo, que agem como
representantes quer de Deus junto ao povo, quer do povo junto a Deus. Para o
futuro esperava-se e profetizava-se a participação do povo todo no Espírito de
Deus (cf. Números 11,29; Isaias 44,3; Joel 3,1-5).
A festa de Pentecostes era de origem
agrícola, mas, recebeu como a Páscoa, uma interpretação diferente. As duas
festas tornaram-se celebrações comemorativas de acontecimentos importantes da
história de salvação do povo. A Páscoa da libertação da escravidão do Egito; o
Pentecostes da Aliança que Deus selou no monte Sinai. A narração do Pentecostes
do Espírito de Atos 2,1-13 está cheia de referências de dados bíblicos e
extra-bíblicos sobre esta festa. Parece que, através destas referências,
quis-se propor o novo Pentecostes como uma nova Aliança.
Certamente não foi por acaso que a
descida do Espírito Santo aconteceu no dia de Pentecostes. Como já afirmamos,
esta festa era a festa das colheitas, festa de plenitude e de abundância (Êxodo
23,16; 24,22), mas também de contribuição, isto é, de homenagem a tudo aquilo
que a natureza determina. Encontra rapidamente seu lugar entre as celebrações
da história da salvação: Deuteronômio 26,1-11 já prescreve ao judeu que vem
oferecer os primeiros frutos de sua colheita que faça uma profissão de fé
reconhecendo nas suas terras um dom de Deus.
Muito cedo, aliás, a data da
festa foi fixada no qüinquagésimo dia depois da Páscoa (Deuteronômio 16,9-12).
Vários cálculos diferentes poderão ser observados, especialmente aquele que, em
nome do tema da nova criação, fazia Pentecostes cair no primeiro dia da semana
(domingo). Como todos os cálculos fixavam Pentecostes no terceiro mês, tiveram
interesse mais particularmente pelo acontecimento que se deu no deserto durante
este período: a chegada do Povo de Deus ao monte Sinai. Páscoa havia
proporcionado a libertação de fato do Egito; Pentecostes aprova a libertação de
direito. Na realidade Pentecostes realizava o que a Páscoa conquistou, recolhia
os frutos merecidos na Páscoa, "institucionalizava" o "acontecimento"
pascal.
Convencido de que Pentecostes era a
festa da Aliança, o autor do "Livro dos Jubileus" dos judeus (que não
pertence ao cânon do Primeiro Testamento) fixou neste dia todas as alianças
concluídas por Deus com Noé, Abraão ou Moisés. Aliás, vários reis renovavam a
Aliança no dia de Pentecostes (2 Crônicas 15,10-15; Salmo 67/68,15-19, que
sempre foi um salmo para Pentecostes).
A ligação da Ascensão com
Pentecostes já é significativa: é preciso que Cristo suba para que seja
"dado" o Espírito Santo. Esta idéia é tirada do Salmo 67/68,19 (cf.
Atos 2,33), que era cantado na liturgia judaica de Pentecostes, e as
explicações do judaísmo aplicavam estes versículos a Moisés "subindo"
ao monte Sinai para que a Lei e a Aliança "descessem" de lá (Deuteronômio
30,12-13; cf. João 16,7). É cantado também na liturgia cristã como canto de
abertura.
Além disso, o barulho e a forte
ventania relacionados ao versículo 2, são típicos da Aliança do Sinai (Hebreus
12,18-19; Êxodo 19,16). Estas manifestações "invadem toda a casa"
assim como o Sinai estava "todo" abrasado (Êxodo 19,18). O vento vem
do céu como o que sopra sobre a montanha (Êxodo 19,3; Deuteronômio 4,36).
As línguas de fogo também se explicavam
no contexto do Sinai (v. 3). Várias explicações imaginavam que a voz manifestada
sobre o Sinai dividia-se em sete ou em setenta línguas para revelar o
universalismo de sua mensagem: a Palavra de Deus foi, de fato, levada a todas
as nações, mesmo que Israel tenha sido o único a ouvi-la. Compreenderemos que
estas línguas tenham sido de fogo se nos voltarmos ao Êxodo 19,18 e 24,17, bem
como ao Deuteronômio 4,15 e 5,5 que, na teofania do Sinai, mostram o Senhor
falando na chama.
Assim para os primeiros cristãos,
Pentecostes aparece como a inauguração da nova Aliança e a publicação oficial
de uma lei que não é mais gravada sobre a pedra, mas no Espírito e na liberdade
(versículo 4; cf. Ezequiel 11,19; 36,26). Não há dúvida de que esta convicção
contribui muito para a redação das imagens do relato da descida do Espírito
Santo. Contudo, o essencial ultrapassa as imagens: Deus não dá apenas uma lei,
mas o seu próprio Espírito.
Mas o que significa este falar em
línguas? Tratava-se de sons que não tinham sentido para o ouvido humano ou de
várias línguas faladas ao mesmo tempo? Este fenômeno se verificou muitas vezes
nas comunidades primitivas: em Corinto na Grécia (1 Coríntios 12,30; 13,1;
14,2-39), em Cesaréia (Atos 10,45-46) e em Éfeso (Atos 19,6). É preciso
entender que este costume de falar em línguas, já existia nos cultos pagãos, e
acabou entrando para as comunidades cristãs.
Ora, todas as testemunhas fazem deste
fenômeno, por oposição à profecia, um carisma que serve menos para instruir a
assembléia do que para enaltecer a Deus (versículo 11; cf. 1 Coríntios 14,2;
2,14-15; Atos 10,46). Trata-se, pois, de um "falar a Deus" que pode
parecer estranho a muitos (vs. 12-13; cf. 1 Coríntios 14,23) e que seria uma
"língua estática", isto é, as pessoas ficavam "em êxtase" e
muitos não compreendiam o que falavam (cf. 1 Samuel 10,5-6; 10,13), manifestação
mais ou menos psicológica compreendida como penhor da futura espiritualização
das pessoas.
Mas qual mesmo o significado do
falar em línguas? Lucas dá uma explicação pessoal para corrigir as
interpretações erradas da época. O Evangelista Lucas converte o fenômeno
estático do "falar a Deus" num "falar a todas as pessoas"
em várias línguas, isto é, em vários idiomas. Significa que a Igreja é
missionária e se se coloca a serviço de todas as línguas e de todas as nações e
culturas. E também significa que a evangelização tinha atingido todas essas
nações. Os versículos 4 e 6, que fornecem esta interpretação, revelam
precisamente um vocabulário próprio de Lucas. Assim, deveríamos distinguir,
para além do relato do acontecimento, a interpretação universalista que Lucas
pretende dar (cf. Lucas 3,6; Atos 28,28; Lucas 24,47; Atos 1,8; 13,47, etc.)
A Igreja nasceu universal e a Aliança
que o Espírito concluiu com ela interessa a toda a humanidade. Portanto, ela
será missionária até o fim dos tempos, mas colocando-se a serviço de todas as
línguas e de todas as culturas. Porque assume todas, sem dar prioridade a
nenhuma delas.
Seguir os estímulos do Espírito é fazer
penetrar é fazer penetrar o mistério de Cristo e de seu sacrifício em pleno
coração do dinamismo espiritual que anima os povos e as culturas. É toda a
realidade humana e, com ela, toda a criação que deve passar da morte à vida.
O Espírito opera na Eucaristia como um
novo Pentecostes. Reunidos em torno do Ressuscitado, os filhos e filhas
adotivos dão graças por Ele, Nele e com Ele. E os ausentes estão de certa
forma, presentes, pois a convocação que reúne os "já presentes" se
dirige a todos os seres humanos e só terminará quando os "já
reunidos" se tornarem "reunidores" dos ausentes.
Salmo responsorial:
103/104,1ab.24.29-31.34
O início do Salmo está no singular. Não
que seja um Salmo individualista. O termo "minha alma" não representa
uma pessoa, mas o "eu Israel", isto é, o "eu povo".
Este Salmo segue a mesma ordem do
universo que Gênesis capítulo1. O Espírito de Deus está na origem de todos os
seres e da vida. Esse Espírito renova a face da terra, isto é, renova todas as
criaturas.
O grande mistério da vida, os animais
que morrem e se corrompem, os que nascem e se multiplicam. É o mistério de uma
vida que Deus infunde como uma respiração sua: respiração criadora, vivificante
e renovadora. A grande descoberta da beleza do mundo acontece louvando a Deus.
O salmista reconhece que, quando Deus
envia seu Espírito, o universo renova-se e exultam de alegria de alegria todas
as suas criaturas (cf. salmo responsorial 103/104).
O rosto de Deus neste Salmo tem seu
eixo central em "amor e compaixão" e fornecem um retrato grandioso de
Deus. Ele é mais uma vez o aliado fiel. Mais ainda: mesmo que o povo não lhe
seja fiel e peque, ele permanece fiel e perdoa. Compaixão é a mais preciosa
qualidade de um pai. É também a maior característica de Deus. é o aliado
compassivo que caminha com seu povo dando-lhe o hálito da vida e perdoando,
pois foi ele quem nos criou.
De Jesus se diz que "amou até o
fim", isto é, até as ultimas conseqüências (João 13,1), a compaixão é a
sua característica principal diante do sofrimento ou clamor das pessoas (Mateus
9,36; 14,14; 15,32; 20,34; Marcos 6,34; 8,2; Lucas 7,13).
Podemos imaginar este Salmo a ser
recitado pelos ouvintes, pelos, e agora por nós. A dádiva do Espírito aos
cristãos (v. 30) leva a cumprimento a obra da Criação, porque restitui vida ao
que o nosso pecado parecia levar à ruína e à morte.
Bendigamos ao Senhor pelo seu Espírito
presente no mundo, e peçamos que renove a criação e todas as culturas.
Segunda leitura: 1
Coríntios 12,3b-7.12-13
Um dos problemas que o apóstolo Paulo
tinha de tratar na sua carta pastoral à comunidade de Corinto era aquele dos
"carismas". Ele trata deles demoradamente (1 Coríntios 11,2-16;
12,1-14,39). A leitura de hoje tira algumas frases deste contexto maior.
A comunidade de Corinto passa pela
tentação do sincretismo religioso: o mundo pagão pretende obter um
"conhecimento" de Deus através de transes e de fenômenos extáticos,
isto é, de línguas estranhas. Esse costume vem do paganismo e acabou entrando
nas comunidades cristãs. Ora, como vimos na primeira leitura (Atos 2,1-11), as
primeiras comunidades cristãs também gozam de certos carismas. Daí o perigo de
confundirmos o conhecimento de Deus pela fé com os sinais que o acompanham.
Um segundo critério de discernimento
verifica-se na colaboração dos mais diversos carismas com o único plano de Deus
(versículos 4-6). O politeísmo pagão gozava também de carismas bastante
variados conferidos por deuses diferentes. Na Igreja de Cristo, ao contrário,
tudo se unifica na vida da Trindade, quer se trate de graças particulares, de
funções comunitárias ou de operações maravilhosas.
É preciso entender que é um Deus único
que está na origem de todos os carismas, por isso não pode existir oposição
entre eles, assim como também não pode haver concorrência entre os que os
recebem. Se existir oposição, é porque não vem do Deus Trindade.
O terceiro critério de discernimento
dos carismas consiste na sua maior ou menor capacidade de servir o bem comum
(v. 7) e a unidade do corpo que é a comunidade (vs. 12-13). Com efeito, os
carismas são distribuídos tendo em vista para a utilidade de todos: aquele que
só serve para um indivíduo ou não tem nenhuma repercussão na assembléia deve
ser excluído da comunidade; tais são, por exemplo, as cenas de êxtase e de
embriaguez. Além disso, os carismas devem servir para o desabrochamento e para
a vitalidade da comunidade. Como este reduz à unidade seus mais variados
membros, assim a Igreja reduz todas as funções que nela se desabrocham à
unidade do Espírito que a anima na caminhada (vs. 12-13).
O Espírito que recebemos no batismo e
que se renova na comunhão cria comunidade, une os membros da comunidade "num
só corpo", o Corpo de Cristo, a Igreja. Os novos cânones da missa insistem
muito nisso.
Além da presença fundamental do
Espírito em todos os cristãos, que é o mais importante e o critério das demais
formas de presença a atuação do Espírito, existem na comunidade "dons
espirituais" (1 Coríntios 12,1), que se chamam também "carismas"
(v. 4), "ministérios ou serviços" (v. 5) e "forças" ou,
conforme a tradução da Bíblia na Linguagem de Hoje, "habilidades para fazer
seu trabalho". São provas da presença do Espírito Santo que Deus dá a cada
um para o bem de todos (v. 7). Isto quer dizer, primeiro, que a influência do
Espírito recebido no batismo e renovado na comunhão não se esgota na confissão
verbal "Jesus é o Senhor" ou, em outras palavras, em uma fé da boca
para fora. Para ser autêntica ela há de se encarnar no serviço eficaz à
comunidade.
A manifestação efetiva do Espírito
Santo em todos os membros da comunidade vai salvá-la íntegra respeitando-se
tanto a origem como a finalidade dos dons. A origem dos dons é divina, não
humana; é universal (batismo e comunhão), não particular (privilégio do clero,
dos religiosos, de alguns "grupos carismáticos". A finalidade é a
utilidade comunitária. Na comunidade cristã existe somente hierarquia no
serviço, não na dominação. Ninguém é dono, nem de seus próprios dons e nem da
própria vida. Menos ainda dos dons dos outros: "um é o Senhor" (v.
5). Os dons vem do mesmo Deus, do mesmo Senhor, do mesmo Espírito, que os dá a
todos para servir à comunidade (v. 4-6).
Ao construir o Corpo Místico, a
eucaristia reúne mentalidades e carismas muito diversos, mas desejosos de
colaborar no amor e na unidade.
Evangelho: João
20,19-23
Para o evangelista João, o Pentecostes
acontece no "Domingo de Páscoa". Para ele a ressurreição e a vinda do
Espírito Santo fazem parte do mesmo acontecimento. O Espírito Santo é um dom
que procede diretamente de Cristo ressuscitado, representa seu sopro de vida.
O evangelista Lucas situa a vinda do
Espírito Santo no dia de Pentecostes. O Pentecostes como já vimos, era uma
festa celebrada pelos israelitas cinqüenta dias após a Páscoa. De festa
agrícola, na qual se agradecia a Deus pela colheita do trigo, transformou-se na
comemoração da constituição do povo pela Aliança firmada no Sinai. Para o autor
dos Atos dos Apóstolos que é Lucas, o Espírito Santo é a lei da nova Aliança e,
por Ele, constitui-se a comunidade do novo Povo de Deus.
O capítulo 20 de João descreve os
últimos sinais que Jesus realizou. Todos os sinais anteriores preparam e
culminam nestes. Estes últimos sinais realizaram-se no primeiro dia (v. 19) e
no segundo (v. 26) dos "primeiros dias da semana" ou
"domingos" (cf. Apocalipse 1,10): "dia do Senhor". É
importante captar a intenção do evangelista. Ele escreveu no fim do primeiro
século. Durante várias décadas as comunidades cristãs se reuniam no primeiro
dia da semana para celebrar e Eucaristia e comemorar a ressurreição do Senhor
Jesus (Atos 20,7-12; 1 Coríntios 16,2). O evangelista ensina que a celebração
dominical tem as suas raízes na reunião vespertina no primeiro dia da semana em
que Jesus ressurgiu do sepulcro e subiu para seu Pai, e na repetição desta
reunião oito dias depois. Essas reuniões de Jesus ressuscitado com os Seus
discípulos são a inauguração das assembléias semanais das comunidades cristãs
de todos os tempos. Todas elas são assembléias ao redor do Senhor ressuscitado,
em que Ele está realmente presente como naquelas primeiras assembléias.
Naqueles dois primeiros domingos Jesus veio ainda de modo visível, depois de
modo invisível. "Felizes, porém, os que crêem sem O ver" (João
20,29). Hoje Ele está presente de maneira invisível, mas não menos real.
Os vs. 19-23 descrevem o mesmo fato que
Lucas 24,36-43 narra sobre a as aparições do Senhor Ressuscitado. Jesus
aparece, transformado; passa através de portas fechadas. João é mais claro do
que Lucas, que apenas diz que Jesus esta de repente no meio; João menciona que
as portas estavam fechadas por medo dos judeus, um motivo bem do evangelista
(cf. 7,13; 19,38), refletindo talvez a situação dos cristãos no fim do século I
(perseguição, exclusão da sinagoga, etc. cf. 9,22; 12,42s). João dá um sentido
profundo ao tema da alegria.
Na segunda etapa (vs. 21-23),
destaca-se a fundação da Igreja que se realiza em três atos: a comunicação da
missão (v. 21b), do Espírito Santo (v. 22) e do poder de perdoar e reter os
pecados (v. 23). Esta fundação da Igreja nestes três atos é obra do Senhor
morto e ressuscitado realizada no primeiro dos "primeiros dias da
semana". Ela não se repete, mas se renova e atualiza em cada celebração
eucarística dominical em que se celebra a "memória" da mesma.
A ressurreição de Jesus não é uma
simples "revitalizaçao" como a de Lázaro: o corpo de Jesus
ressuscitado entrou num modo de existência diferente do modo terrestre:
empregando a linguagem mítica judaica, Ele está "sentado à direita do
Pai". Jesus ressuscitado tem um corpo, mas este corpo é totalmente
diferente do que Ele tinha durante sua vida terrestre. Tudo isso significa
simplesmente que não podemos conhecer o Cristo ressuscitado do mesmo modo que o
Jesus terrestre e que esse novo conhecimento põe em jogo nossa liberdade.
São João afirma que Ele mostra aos discípulos
as mãos e o lado. Isto significa que o Ressuscitado é o Crucificado e o
Crucificado é o Ressuscitado, isto é, era a mesma pessoa e não um espírito de
luz (João 20,20; 25-27). No Evangelho de São Lucas Jesus aparece após a
ressurreição e mostra aos seus discípulos as mãos e os pés e os introduz na
plenitude da mensagem da Páscoa. Tanto em São João como em São Lucas, trata-se
das chagas da crucificação que o Cristo ressuscitado mostra a eles.
Jesus se dirige aos discípulos com um
voto de paz. Repete esse voto por três vezes nesta narração (vs. 19.21.26). É a
hora em que se realizam as promessas feitas por Jesus na sua Despedida: os seus
hão de revê-lo (14,19; 16,16 ss.) com alegria (16,21s.24; cf. 15,11) e lhes dá
a sua paz (14,27). A alegria e a paz formam um contraste claro com o medo em
face dos judeus, que marca o início da cena. Realiza-se a promessa: "Tende
coragem, eu venci o mundo" (16,33; cf. 16,11).
O dom do Espírito Santo também faz
parte da realização das promessas da Despedida. João desconhece a separação
temporal da Ressurreição do dom do Espírito Santo, característica de Lucas
(Lucas 24,49; Atos 1,4; 2,1 ss.). Na concepção de João o dom do Espírito Santo
depende somente do exercício do senhorio de Jesus, isto é, da sua glorificação,
que coincide com a "morte-ressurreição", a "exaltação" de
Jesus. Aqui mostra-se o sentido profundo de chamar o Jesus ressuscitado de
"Senhor". A ressurreição é exercício do senhorio de Jesus Cristo
sobre no céu e na terra.
O dom do Espírito Santo é uma missão para
os que o recebem, prolongamento da própria missão de Jesus (v. 22; cf. 17,18).
Jesus "sopra" sobre eles o Espírito (= "sopro") Santo, para
que perdoem ou retenham os pecados. Terão, portanto, a missão de tirar o pecado
do mundo, exatamente como Jesus (cf. 1,29-36). Se o fizerem, será válido; se
não fizerem, também (v. 23). Mas, isto não significa que poderão julgar de
maneira arbitrária. Significa que eles têm o poder de santificação pelo
Espírito Renovador (cf. Salmo 51/50,12-14; Ezequiel 11,19; 36,25-27; também
Salmo 104/103,30).
Portanto, por sua ressurreição, Cristo
tornou-se o Homem novo, animado pelo sopro que presidirá os últimos tempos e
purificará a humanidade. Conferindo a seus discípulos o poder de perdoar os
pecados, o Senhor não institui apenas um sacramento de penitência; Ele divide
seu triunfo sobre o mal e o pecado.
Considerando a semelhança entre a
missão dos discípulos e a de Cristo, explicitamente no v. 22, podemos dizer que
agora não é só Jesus "aquele que batiza no Espírito Santo" (1,29.36),
mas que esta missão é confiada, com eficácia divina à comunidade da Igreja.
Da Palavra celebrada
ao cotidiano da vida
O Evangelho narra a aparição de Jesus
ressuscitado á comunidade reunida. É fundamental voltarmos o nosso olhar para o
momento que Jesus escolheu: a comunidade reunida! A comunidade cristã reunida
deve aparecer como sinal de Cristo ressuscitado "a paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, também eu vos envio" (João 20,21). Isto mostra que a
Igreja já nasceu missionária.
Na tarde do primeiro dia da semana, os
discípulos estavam reunidos, de portas fechadas, quando o Senhor apareceu,
ressuscitado. Era Ele mesmo. Fez questão de mostrar em seu corpo as marcas da
paixão, para que ninguém tivesse dúvidas. Do lado dos discípulos, havia o medo,
a incredulidade, a tristeza. Do lado de Jesus, a paz, a reconciliação e uma
força capaz de provocar uma nova atitude no meio da comunidade.
Podemos perceber claramente que ao
aparecer "no meio deles", Jesus assume-se como ponto de referência,
fator de unidade. A comunidade está reunida em volta dele, pois Ele é o centro
onde todos vão beber essa vida que lhes permite vencer o "medo" e a
hostilidade do mundo.
Jesus passa para os discípulos a missão
que recebeu do Pai, dando-lhes o dom do Espírito Santo e a graça de oferecer o
perdão.
Jesus "soprou" sobre os
discípulos reunidos em sua volta. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto
grego de Gênesis 2,7, o qual diz que Deus soprou sobre o homem de argila,
infundindo-lhe a vida de Deus. Com um "sopro", Jesus transmite aos
discípulos a vida nova que fará deles homens novos. Agora, os discípulos
possuem o Espírito, a vida de Deus, para poderem como o Mestre dar-se
generosamente aos outros. É esse Espírito que constitui e anima nossas
comunidades cristãs.
Jesus aparece-lhes não só para que
dessem testemunho de sua ressurreição, mas também para dar-lhes o Espírito
Santo e enviar-lhes em missão.
Nós somos agora o "espaço" da
salvação de Deus, do qual podem brotar equilíbrio e vida plena paras todos.
Tornando-nos missionários da reconciliação pelo exercício do perdão. Isso, com
certeza, é paz, justiça, saúde e vida para todos. "Como o Pai me enviou,
também eu envio vocês", disse Jesus. Daí a importância de vivermos em
comunidade, a exemplo das primeiras comunidades cristãs, perseverantes na
escuta da Palavra, na comunhão fraterna (caridade, solidariedade, ajuda mútua,
partilha de bens, serviço à vida), na fração do pão (Eucaristia como memorial
de Jesus) e nas orações diárias como alimento da fé.
A Palavra que ouvimos neste domingo de
Pentecostes não é apenas para recordar um fato acontecido há mais de 2011 anos,
mas é, sobretudo uma palavra dirigida a nós, hoje, Igreja de Jesus Cristo
encarnada no mundo em pleno século XXI.
A festa de Pentecostes, cume da festa
da Páscoa, aviva e ajuda nossa Igreja e nosso mundo, que quer "ver
Jesus". Um lugar privilegiado, não único, mas especial, pra "vermos
Jesus", é a comunidade reunida em torno da Palavra de Deus, da eucaristia
e da caridade. A partir da Palavra que ouvimos hoje, surgem muitas perguntas: a
Igreja de que fazemos parte é uma comunidade de irmãos que se amam, apesar das
diferenças? Está reunida por causa de Jesus e ao redor de Jesus? Tem
consciência de que o Espírito Santo está presente e que a anima? Testemunha, de
forma efetiva e coerente, a proposta libertadora que Jesus deixou?
É preciso ter consciência da presença
do Espírito Santo: é Ele que alimenta, que dá vida, que anima, que distribui os
dons conforme as necessidades; é Ele que conduz as comunidades na sua marcha
pela história. Ele foi distribuído a todos os fiéis e reside na totalidade da
comunidade.
"Sem o Espírito Santo, Deus está
distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho é uma letra morta, a
Igreja é uma simples organização, a autoridade é um poder, a missão é uma
propaganda, o culto é um arcaísmo, e a ação moral é uma ação de escravos. Mas
no Espírito Santo o cosmo é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo
ressuscitado faz-se presente, o Evangelho faz-se força do Reino, a Igreja
realiza a comunhão trinitária, a autoridade transforma-se em serviço, a
liturgia é memorial e antecipação, a ação humana deifica-se" (Do patriarca
Atenágoras, da Igreja Ortodoxa, falecido em 1978 em Istambul)
Como vimos no Evangelho, a comunidade
cristã só existe de forma consistente se tiver como ponto central Jesus Cristo.
Jesus é a sua identidade e a sua razão de ser. É nele que superamos os nossos
medos, as nossas incertezas, as nossas limitações.
O Espírito Santo sopra onde quer. Não é
apenas um dom individual, mas, sobretudo um fenômeno comunitário. Quando age, é
para que a comunidade "reveja" suas orientações. O Espírito Santo
mora dentro de cada um de nós. A Seqüência da missa de hoje o qualifica de
muitas maneiras: luz, pai dos pobres, dispensador de dons, lava o que é impuro,
rega o campo seco, torna maleável o rígido, cura o ferido... Vivemos o tempo do
Espírito. Caminhando conosco, Ele nos leva até a consumação dos tempos.
A Palavra se faz
celebração
O Ressuscitado nos dá o seu Espírito
A Páscoa que compreende
vida-ressurreição de Jesus Cristo completa seu ciclo com o Pentecostes. Em todo
o Mistério Pascal nos é dado conhecer a ação salvadora de Jesus Cristo, enviado
do Pai, movida pela força do Espírito Santo. É pelo Espírito que podemos
confessá-Lo nosso Messias-Salvador. Após sua morte e ressurreição nos dá seu
Espírito para continuarmos sua missão, fazermos o Reino de Deus presente. O
importante a marcar aqui, é a pessoa do Espírito Santo. Na Sagrada Escritura
encontramos ao menos três referências ao Espírito que são dignas de nota:
Espírito de Deus (mais comum no Primeiro Testamento), Espírito de Cristo e
Espírito Santo (Novo Testamento). A primeira referência marca o Espírito do Pai
que sustenta e move seu Messias e o Espírito de Cristo, o dom do Ressuscitado
para a Igreja. Mas, não se trata de outro espírito. Para expressar a identidade
do Espírito do Pai e do Filho, o teólogo Xabier Pikaza recorre ao esquema
calcedoniano das duas naturezas de Cristo (humana e divina). Assim o Espírito
do Pai que se auto-doa a Jesus, fazendo-O surgir como Seu Filho e o Espírito de
Jesus, o Filho, que se entrega ao Pai, são um e o mesmo. Esse mesmo Espírito é
enviado pelo Filho em Pentecostes à Igreja. Assim com a Solenidade de
Pentecostes celebramos plenamente o Mistério de nossa salvação. Em Jesus somos
feitos filhos no Filho, fazemos parte da vida divina.
O Espírito Santo nos santifica
A oração eucarística III, referindo-se
ao Espírito Santo, depois de suplicar que os comungantes sejam em Cristo incorporados
pela participação do pão e do vinho, traz uma interessante afirmação: "Que
ele faça de nós uma oferenda perfeita para alcançarmos a vida eterna com os
vossos santos". Sim o Espírito que tudo santifica, incorporou-nos a Cristo
pelo batismo e continuamente fortalece essa adesão ao Senhor por meio da
comunhão no Seu Corpo e no Seu Sangue. Ao nos incorporar a Cristo, tornamo-nos
Nele uma oferenda perfeita para Deus.Santificados pelo próprio Espírito e por
Sua ação misteriosa, alcançamos a estatura em Cristo para exercer o culto
agradável a Deus.
padre Benedito
Mazeti
1 – Em Deus circula a
vida, na plenitude do Amor. Celebrar o Pentecostes é celebrar a vida nova que
nos é dado por Jesus Cristo. Três dias depois da crucifixão e morte, o primeiro
dia da semana, o primeiro dia da nova criação, o túmulo reenvia-nos, do lugar
da morte, para o mundo, ao encontro de Jesus, ao encontro das pessoas para lhes
dar Jesus. Ele vive e apresenta-Se no meio de nós, entre os discípulos. Nova
presença, espiritual, gloriosa, pelo Espírito Santo.
Páscoa: Ressurreição.
Ascensão do Senhor. Pentecostes. Santíssima Trindade. O mesmo mistério,
aprofundado na liturgia por festas e solenidades. O mesmo AMOR de Deus por nós,
que nos envolve, criando-nos, apostando em nós, esperando, pacientemente, pelas
nossas escolhas de bem e de verdade, de justiça e de paz, de perdão e de amor,
não para lhe agradarmos – se bem que quando amamos tudo fazemos para ser
agradáveis com a pessoa amada – mas por que nos faz bem, pois dessa forma nos encontramos
com a nossa identidade mais profunda, o que nos faz felizes e verdadeiramente
humanos. Aí nos encontraremos com Deus. O melhor louvor a Deus é tratar bem
todos os seus filhos, sobretudo os mais pobres, não porque sejam moralmente
melhores, mas por que lhe devemos essa atenção e cuidado, imitando Jesus
Cristo, e correspondendo ao Seu mandato: o que fizerdes ao mais pequeno dos
meus irmãos, a Mim o fazeis.
2 – Diz
Jesus: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos
envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito
Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a
quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».
Tarde do primeiro dia
da semana. Ainda não refeitos das horas amargas da Paixão e já Jesus Se coloca
no meio deles, vivo, deixando-Se ver e tocar. É Ele, não é nenhum fantasma. O
medo encerra-nos, a alegria e a paz dão-nos confiança, provocam em nós o desejo
de comunicar e de partilhar a vida. A surpresa inicial dá lugar à missão: IDE.
Como o Pai Me enviou também vos envio. Ide. Ide, confiantes, pois não ides sós.
Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos. Recebei o Espírito Santo e
sentireis que Eu estou convosco.
Curiosamente, dias
antes, Jesus tinha-lhes dito que todos O abandonariam, deixando-O só. Só não,
porque o Pai não O deixa só. É a mesma garantia que lhes dá agora: não ficareis
sós, Eu estarei convosco. Como o Pai Me ama, também vos amo. Eu e o Pai somos
UM. Quem Me ama, cumpre os Mandamentos. Eu e o Pai viremos a ele e nele faremos
a nossa morada. É o mistério da Santíssima Trindade muito vincado nesta
solenidade. Jesus dá-lhes o Espírito Santo em abundância, ou como refere são
Lucas, nos Atos dos Apóstolos, de junto do Pai, o Filho envia o Espírito Santo,
como vento forte que arrasta o mundo à sua passagem, como fogo que queima,
inquieta, provoca, exige resposta!
3 – O Pentecostes,
com efeito, ilustra a presença de um Deus que não é estático, distante,
impassível, mas que circula e faz circular a vida, é um Deus próximo, que Se
mexe ao encontro da humanidade. O Filho foi morto. O Pai ressuscitou-O. Jesus
ascende para a eternidade, colocando à direita do Pai a nossa natureza humana.
Envia-nos o Espírito Santo.
A passagem é bem
nossa conhecida. O medo apoderara-se dos discípulos, que levam tempo a
assimilar que Jesus está vivo. Os seus olhos duvidam, mas não o coração. Ele
está de volta, assumindo uma presença nova que só pode ser percebida através da
fé, da disposição para O ver e tocar.
"Subitamente,
fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que
encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de
línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos
ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o
Espírito lhes concedia que se exprimissem".
Toda a casa fica
cheia do ESPÍRITO SANTO. As línguas de fogo dividem-se por cada um. É tempo de
deixar fluir o Espírito Santo. É hora de espalhar a Boa Notícia. Ainda que o
Espírito seja invisível, faz-Se notar, faz barulho, agita as águas, atrai. Uma
multidão se ajunta para ver e para ouvir. E alguns deles, a residir em países
vizinhos, já não sabiam falar aramaico ou hebraico, mas entendem. A linguagem
do bem, do amor, da conciliação compreende-se para lá das palavras, ainda que
estas possam ajudar. «Ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de
Deus». As maravilhas de Deus são audíveis em todas as línguas, por todas as
pessoas, cujo coração está vazio de si e pronto a encher-se de Deus e do
Seuamor.
4 – Por experiência
sabemos que as nossas intuições nem sempre nos conduzem a bom termo. Quantas
vezes seguimos com firmeza um intuição, refletida e ponderada, mas passado
algum ou muito tempo verificamos que foi um erro, ou então de que as coisas não
eram bem como se pintavam!
Diz-nos o Apóstolo
São Paulo que na fé não atua apenas a nossa dimensão pessoal – eu cá tenho
a minha fé – atua, antes de mais o Espírito Santo, que me impele para a
comunidade. O discernimento do Espírito exige o diálogo e o encontro com os
outros, a oração pessoal e a comunitária.
"Ninguém pode
dizer «Jesus é o Senhor» a não ser pela ação do Espírito Santo".
Logo de seguida, o
Apóstolo lembra o que nos une e fundamenta a nossa fé: o Espírito atua em
todos, ainda que os dons e os serviços sejam diversos, como o corpo com os seus
diferentes membros: "Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é
o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas
operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam
os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos
membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim
também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e
homens livres – fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só
Corpo".
Há dois mil anos, São
Paulo alertava para o fato de alguns se acharem mais importantes pelos dons que
tinham ou pela missão que assumiam na comunidade. O apóstolo esclarece: tudo
seja para glória de Deus. Tudo seja a favor do bem comum. Deus age em nós a
favor de todos.
Recebemos o Espírito
Santo e tornarmo-nos filhos de Deus, e como o Filho assumimos os outros como
irmãos a quem queremos todo bem e de quem queremos cuidar sabendo que o fazemos
ao próprio Pai. Quem meus filhos beija minha boca adoça.
1 – A Páscoa é o
mistério maior da fé cristã. A morte, em definitivo, não tem a última palavra.
A última palavra é de Deus: da Vida e do Amor. A Ressurreição é o Amor mais
forte que a morte. A morte faz parte da humanidade, mortal e finita. Com a Sua
Ressurreição, Jesus coloca a nossa natureza junto de Deus, de onde nos atrai.
Como em tantas situações da vida, mais dramático que os problemas e
dificuldades, é a solidão e a falta de justificação da vida. Jesus dá-nos, com
a Sua vida, morte e ressurreição, uma justificação e faz-nos companhia: a morte
não é o fim, é passagem a uma vida nova, não ficamos sós, Ele conduz-nos ao
coração de Deus, no qual nos descobrimos irmãos.
Ressurreição/Ascensão/Pentecostes
são faces da mesma moeda. É o mesmo acontecimento pascal. Passagem. Vida nova.
Vida no Espírito Santo. Missão. Ele conosco, pelo Espírito, em comunidade, mas
doravante somos nós os portadores da Boa Notícia. Ele vem salvar-nos. Morre.
Ressuscita. Ascende para Deus. Envia-nos o Seu Espírito, que por sua vez, nos
dá (de novo) Jesus Cristo na Palavra proclamada e acolhida, nos Sacramentos e
em todas as boas obras.
A primavera desemboca
no verão. A flor dará lugar ao fruto. Se o trigo não morrer não germinará vida
nova. Se a flor permanecer sempre em flor, não descobrirá a beleza do fruto que
está para chegar.
"Na tarde
daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os
discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio
deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e
o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus
disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também
Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o
Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e
àqueles a quem os retiverdes serão retidos»".
O Evangelista São
João relata com clareza o acontecimento Páscoa: Jesus aparece no meio deles,
não à parte, fora, ou de lado, mas no meio. Ele vem para o meio de nós. Mostra-lhes
os sinais da paixão. O corpo glorioso de Jesus não anula as marcas do amor,
presentes na crucifixão e na morte. A mensagem é a mesma: a paz. Os
sorumbáticos apóstolos enternecem-se ao ver o Senhor e ficam cheios de alegria.
Jesus sopra sobre eles, dá-lhes o Espírito Santo e envia-os, como o Pai O
enviou.
A linguagem do amor e
do bem não tem fronteiras/barreiras, é facilmente perceptível e universal.
Todos nos entendemos facilmente nas palavras e nos gestos de carinho e de
perdão, de amor e de partilha solidária.
2 – São Lucas,
evangelista, e autor do livro dos Atos dos Apóstolos, apresenta-nos uma
narração mais detalhada, com a preocupação de fazer visualizar à comunidade
cristã a grandeza do mistério vivido por Jesus Cristo, Deus feito homem. E, por
outro lado, parte da constatação de que precisamos de tempo para amadurecer,
para acolher, para compreender em toda a sua amplitude a grandeza do amor de
Deus.
Numa linguagem
bíblica, usa os números para nos ajudar a compreender os passos de Jesus. Como
víamos no domingo passado, acerca da Ascensão, depois da ressurreição, Jesus
permanece 40 dias com os Seus, elevando-se então ao Céu. Por outras palavras,
Jesus prepara os discípulos e permanece o tempo necessário para eles crescerem
e para os enviar em missão. Hoje, o relato do Pentecostes, na versão lucana,
situa-nos 50 dias depois da Páscoa, chegou a plenitude da manifestação pascal.
Os discípulos estão preparados para se tornarem apóstolos.
Prestemos atenção às
palavras da Escritura: "Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor
semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam.
Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e
pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e
começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se
exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as
nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e
ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua.
Atônitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar?
Então, como é que os ouve cada um de nós falar [proclamar as maravilhas de
Deus] na sua própria língua…?»".
3 – O Espírito Santo
que Deus nos dá há de inundar de alegria, de paz e de amor, toda a nossa vida;
como rajada de vento que tudo "arrasta" assim o Espírito de Deus nos
"arrasta" para uma vida transformada, nova, comprometida. Como em
outras ocasiões acentuamos, a dádiva do Espírito Santo assume uma dinâmica
instrumental: converte-nos e leva-nos aos outros, insere-nos no mundo, mais e
mais, na transformação das realidades que nos envolvem ou chegam até nós. Quem
faz a experiência de encontro com Jesus ressuscitado, pela força do Espírito
Santo, como escutamos no Evangelho, transborda de alegria. E quem transborda de
alegria quer comunicar o sucedido a todo o mundo.
O Espírito Santo
liberta-nos das amarras do medo, das portas e das janelas fechadas, do egoísmo
que nos destrói, do pessimismo que inquina o nosso quotidiano, da desconfiança
que nos agita e nos distancia dos outros, da arrogância que nos isola. Não nos
livra das dificuldades, mas fortalece-nos e acompanha-nos para ressuscitarmos
em cada momento de morte e de desalento, de incerteza e fracasso, de
insegurança e de perda.
O Apóstolo São Paulo
fala do Espírito como oportunidade para o bem comum, para fundar ou refazer
laços fraternos e duradouros. Cada pessoa é querida por Deus e dotada de
qualidades que postas ao serviço dos outros mais se desenvolvem.
Mas fixemo-nos nas
palavras de são Paulo.
"Ninguém pode
dizer: «Jesus é o Senhor», a não ser pela ação do Espírito Santo. De fato, há
diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de
ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus
que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o
bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros,
apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na
verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos
batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi
dado a beber um único Espírito".
Belíssima a
comparação! Como Igreja, comunidade dos seguidores de Cristo Jesus, somos como
corpo e tal como o corpo é uma unidade/organismo com diversos membros, cada um
de nós, com a sua vida, é membro do Corpo místico de Cristo, que é a Cabeça.
1 – O Espírito Santo
é Pessoa, é Deus, é Dom dado à Igreja. Como referia o Papa Francisco, é a
própria Pessoa de Deus que fala em nós, que nos traz Jesus Cristo. Gera-O em
Maria, gera-O nos discípulos, gera-O na Igreja. É água viva, que conforta a
nossa alma, que informa a nossa fé, que acalenta a nossa esperança, que nos
compromete com os irmãos.
Na Ascensão, Jesus
ascende para Deus mas não nos deixa órfãos; de junto do Pai envia-nos o
Espírito, que por Sua vez nos dará Deus, nos dará o próprio Jesus Cristo, vivo,
ressuscitado, na Palavra e nos Sacramentos.
O Espírito Santo é a
COMUNICAÇÃO de Deus à humanidade. Quando alguém vai para longe, envia uma
carta, faz um telefonema, liga-se pela Internet, numa vídeo chamada. O Espírito
Santo é esta carta que Deus continua a escrever em nós, inspirando-nos, criando
a vitalidade da fé, a certeza da presença de Jesus entre nós. É a rede que nos
liga a Deus e aos outros, faz-nos a memória do passado e lança-nos para o
futuro, com Deus.
2 – Vejamos os dois
relatos do Pentecostes, ou dádiva do Espírito Santo.
Nos Atos dos
Apóstolos, a narração deste sublime acontecimento: “Subitamente, fez-se ouvir,
vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a
casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo,
que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do
Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes
concedia que se exprimissem”.
Respeitando a
sensibilidade semítica e o calendário religioso judaico, São Lucas mostra o
PENTECOSTES cristão. Jesus Cristo morreu, ressuscitou, apareceu aos discípulos,
subiu ao Céu, enviando o Espírito Santo, que nos atrai para Ele, e nos
compromete com o tempo presente.
Com a vinda do
Espírito, os novos céus e a nova terra ganham forma, expressão e força. Com as
aparições do Ressuscitado, os discípulos despertam da noite, da dúvida, da
hesitação, do desencanto. O Espírito Santo coloca-nos em andamento. É HORA de
abrirmos portas e janelas, arejando a nossa casa, saindo para os caminhos da
vida a anunciar Jesus em todo o mundo. Solta-se-nos a língua, do assombro
diante do mistério para testemunho jubiloso.
3 – No relato de São
João, no Evangelho, a cronologia é diferente, mas o conteúdo é o mesmo: o
Espírito agrafa-nos à alegria, à esperança, ao testemunho.
“Na tarde daquele
dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os
discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no
meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as
mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus
disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também
Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o
Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e
àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».
Antes, a
multiplicidade de línguas não impede a comunhão. O pecado, visto com a
construção de Babel, leva à incompreensão, pois o objetivo é viver sem Deus, à
margem dos outros, em estilo de autossuficiência, de egoísmo, a viver em função
de si e dos seus caprichos. Quando cada um se preocupa apenas consigo, de forma
gananciosa, não entende a linguagem do outro, os seus apelos, ou os seus
sofrimentos. Com a vinda do Espírito, com a abertura à criatividade divina, é
possível falar diversos idiomas percetíveis, pois a linguagem do bem, do amor,
da verdade é universal, simples, acessível a todos.
Por outras palavras,
o idioma, as diferenças culturais, religiosas, políticas, não justificam a
intolerância, a violência, a guerra santa. O Espírito faz-nos ver e compreender
que as diferenças nos enriquecem mutuamente.
No evangelho
sublinha-se sobretudo a alegria que brota das aparições do Ressuscitado e da
dádiva do Espírito Santo. O medo dá lugar à confiança, o isolamento converte-se
em alegria, a intranquilidade transforma-se em paz e compromisso. Até então
Jesus, agora JESUS através de nós. Nós e o Espírito Santo.
4 – Se o Pai é o
mesmo, se Jesus é irmão de todos, se é no mesmo Espírito que somos constituídos
herdeiros da HERANÇA eterna, então o que somos, o que fazemos, o que assumimos,
o que dizemos há de aproximar-nos, contribuir para sermos o que SOMOS,
identificando-nos com Jesus, deixando que o Seu Espírito recrie em nós
constantemente a vida em abundância.
Belíssimo o texto do
apóstolo à comunidade de Corinto:
“Ninguém pode dizer
«Jesus é o Senhor» a não ser pela ação do Espírito Santo. De fato, há
diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de
ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus
que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o
bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros,
apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na
verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos
batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi
dado a beber um único Espírito”.
A profissão de fé
cristã só é possível no Espírito Santo. Ele nos inspira para a verdade e para o
bem. Se professamos a mesma fé, os dons diversos hão de guiar-nos aos outros,
com os outros, a favor da vida. E ninguém está fora, excluído. Todos são
importantes, porque todos são filhos de Deus, todos somos membros do mesmo
Corpo, do mesmo Cristo, da mesma Igreja.
padre Manuel Gonçalves
A grandeza deste domingo de Pentecostes
(cinquenta dias depois da Páscoa) destaca na liturgia de hoje a manifestação
extraordinária de uma Nova Aliança, que já não está numa lei escrita, morta,
mas numa vida nova, que chega à Igreja pelo sopro do Espírito do Ressuscitado.
Assim foi nos primeiros tempos entre os discípulos de Jesus. Depois de um tempo
pascal prolongado, viram-se envolvidos numa força irresistível, maravilhosa,
que os levou, com asas novas, a proclamar a mensagem de salvação e a enfrentar
todas as dificuldades que isso supunha dentro do mundo judeu e das instituições
que não possibilitavam um caminho profético.
1ª leitura At. 2,1-11
A salvação que chega
pelo Espírito
1. Este é um relato radical (de raiz),
decisivo e programático, próprio de Lucas, como no dia da presença de Jesus em
Nazaré (Lc. 4,1ss). Lucas não quer dar a entender que não se pode ser
espectador neutro ou marginal da experiência do Espírito, porque esta é como um
fenômeno absurdo ou irracional até porque não se entra na lógica da ação
gratuita e poderosa de Deus que transforma o interior do homem e o torna capaz
de relações novas com os outros homens. E assim, para exprimir esta realidade
de ação livre e renovadora de Deus, a tradição cristã tinha à sua disposição a
linguagem e os símbolos religiosos dos relatos bíblicos em que Deus intervém na
história humana. A manifestação clássica de Deus na história de fé de Israel é
a libertação do Êxodo que culmina no Sinai, com a constituição do povo de Deus
sobre o fundamento do dom da Aliança.
2. Pentecostes era uma festa judaica,
na realidade, a “Festa das semanas”, o Hag Shabu’ot, ou das primícias das
colheitas. O número de Pentecostes traduz-se por “quinquagésimo” (cf. At. 2,1;
20,16; 1Cor. 16,8). A festa está descrita em Ex 23, 16 como a “festa das
colheitas” e em Ex. 34, 22 como “o dia das primícias ou dos primeiros frutos”
(Nm. 28,26). São sete semanas completas contadas desde a Páscoa, quarenta e
nove dias e no quinquagésimo” dia é a festa (Hag Shabu’ot). A forma como se
celebra esta festa está descrita em Lv. 23, 15-19; Nm. 28, 27-29. Além dos
sacrifícios prescritos para a ocasião, cada um deve trazer ao Senhor o “tributo
da sua livre oferenda” (Dt. 16,9-11). É verdade que não há unanimidade sobre o
sentido próprio da festa, pelo menos no tempo em que se escreve este capítulo.
As antigas versões litúrgicas, os targumin (comentários em aramaico da Bíblia
hebraica) e os comentários rabínicos assinalavam estes aspectos teológicos no
sentido de tornar evidente o acolhimento do dom da Lei no Sinai, como condição
de vida para a comunidade renovada e santa. E depois do ano 70 d.C. prevaleceu
na liturgia o ajuste que fixava a celebração de Pentecostes 50 dias depois da
Páscoa. Neste caso, uma tradição anterior a Lucas, que, muito provavelmente,
teria cristianizado o calendário litúrgico judaico.
3. Mas este é apenas o pano de fundo da
mesma maneira que o é, também sem dúvida, o episódio da Torre de Babel, no
relato de Gn. 11,1-9. E tem, sem dúvida, uma importância substancial, já que
Lucas não se fica apenas pelos episódios exclusivamente israelitas. Algo muito
parecido podemos ver na Genealogia de Lc. 3,1ss. em que remonta até Adão, mais
além que Abraão e Moisés; para mostrar que a Igreja é o novo Israel é muito
mais que isso: é o recomeço escatológico a partir do qual a humanidade inteira
encontrará, finalmente, toda a possibilidade de salvação.
4. Exatamente por esta razão, não é uma
Lei nova que se recebe no dia de Pentecostes, mas o dom do Espírito de Deus e
do Espírito do Senhor. É uma mudança substancial e decisiva e um dom
incomparável. O novo Israel e a nova humanidade serão, pois, guiados não por
uma Lei que já mostrou todas as suas limitações no velho Israel, mas pelo mesmo
Espírito de Deus. O Espírito de Deus é o único que torna possível que todos os
homens, não apenas os israelitas, passem a fazer parte do novo povo. Por isso,
no caso da família de Cornélio (At. 10) que foi considerado como um segundo
Pentecostes entre os pagãos, veremos o Espírito adiantar-se à própria decisão
de Pedro e dos que o acompanham, os quais, no entanto, não tinham ainda podido
libertar-se das suas concepções judaicas e nacionalistas.
5. Lucas quer acentuar, portanto, a
universalidade que caracteriza o tempo do Espírito e a habilitação profética do
novo povo de Deus. Assim se explica a intencionalidade – sem dúvida do redator
– de transformar o relato primitivo de um milagre de “glosalia” num milagre de
profecia, enquanto os ouvintes, de toda a humanidade, representada em
Jerusalém, ouvem falar das maravilhas de Deus na sua própria língua. O dom do
Espírito, no Pentecostes, é um fenômeno profético em que todos escutam como, ao
alcance de todos, é interpretada a “ação salvífica de Deus” que não é um fenômeno
de idiomas, mas que acontece no coração dos homens.
6. O relato de Pentecostes que hoje
lemos na primeira leitura é um conjunto que abarca muitas experiências ao mesmo
tempo, e não apenas de um dia. Esta festa da Igreja que nasce na Páscoa do
Senhor é como o seu batismo de fogo. Porque de que vale sermos batizados se não
confessamos perante o mundo em nome de quem fomos batizados e o sentido da
nossa vida? Por isso, no dia da Festa de Pentecostes em que se celebra a festa
do dom da Lei no Sinai como dom da Aliança de Deus com o seu povo, se nos
descreve que no seio da comunidade dos discípulos do Senhor se deu uma mudança
definitiva por meio do Espírito.
7. É deste modo que se quer salientar
que, a partir de agora, Deus guiará o seu povo, um povo novo, a Igreja, por
meio do Espírito e já não pela Lei. Partindo desta perspectiva, procura-se dar
uma nova identidade profética a este povo que deixará de ser nacionalista,
fechado, exclusivista. A Igreja deve estar aberta a todos os homens, a todas as
raças e culturas, porque ninguém pode estar excluído da salvação de Deus. Daí
que se queira mostrar tudo isto como o dom das línguas, ou melhor, com que
todos os homens entendam o projeto salvífico de Deus na sua própria língua e na
sua própria cultura. É isto que põe fim ao desconcertante episódio da torre de
Babel em que cada homem e cada grupo se dispersaram para ser independente de
Deus. É isto que realiza o Espírito Santo: a unificação da humanidade num mesmo
projeto salvífico divino.
2ª leitura: 1Co.
12,3-7,12-13
A comunhão no
Espírito
1. Na segunda leitura do dia, Paulo
apresenta a esta comunidade a unidade da mesma por intermédio do Espírito. Na
realidade, esta secção responde a um problema surgido nas comunidades de
Corinto, nas quais alguns que receberam dons ou carismas extraordinários,
competiam entre si para ver quem eram os mais importantes. Paulo vai
dedicar-lhes uma reflexão prolongada (cc. 12-14) mas colocando tudo numa
perspectiva de caridade (c.13).
2. A diversidade de graças e dons
comunitários não deve quebrar a unidade da comunidade, porque todos
necessitamos de ter algo fundamental, sem o qual não somos nada: o Espírito do
Senhor Jesus para confessar a nossa fé; sem o Espírito não somos cristãos
embora queiramos ter graças extraordinárias e falarmos línguas que ninguém
compreende.
3. Os dons espirituais, os carismas não
são qualquer coisa apenas de estético, mas é bem verdade que se se não vivem
com a força e o calor do Espírito, não levarão à comunhão. E uma comunidade sem
unidade de comunhão é uma comunidade sem o Espírito do Senhor.
Evangelho: Jo
20,19-23
A paz e a
alegria, frutos do Espírito
1. O Evangelho de hoje, (Jo 20,19-23)
quer dizer-nos que desde o dia em que Jesus ressuscitou de entre os mortos, a
sua comunicação com os discípulos se fez por meio do Espírito. O Espírito que
neles “insuflou” concedia discernimento, alegria e poder para perdoar os
pecados a todos os homens. A saudação da Paz, shalom repete-se
no relato por duas vezes para confirmar o que está muito mais além da saudação
quotidiana no mundo bíblico e entre os judeus. É a saudação da parte de Deus, e
é a saudação que vai preparar o que vai conceder aos seus: a força do Espírito
Santo. Deste modo, a união entre Jesus ressuscitado e o Espírito Santo é
indiscutível. Será, portanto, o mesmo Espírito que lhes garante o acontecimento
da Ressurreição. Mas também o da missão.
2. O Pentecostes é a representação
decisiva e programática de como a Igreja, nascida da Páscoa, tem de abrir-se a
todos os homens. Esta é uma afirmação que devemos apreciar com o mesmo cuidado
com que São João nos apresenta a vida de Jesus de uma forma original e
diferente. Mas as afirmações teológicas não são desprovidas de realidade e não
são menos radicais. A verdade é que o Espírito do Senhor esteve presente em
toda a Páscoa e foi o verdadeiro artífice da Igreja primitiva desde o primeiro
dia em toda a Páscoa em que Jesus já não estava com eles.
fray Miguel de
Burgos Núñez
Tradução de Maria
Madalena Carneiro
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