quinta-feira, 12 de julho de 2018
terça-feira, 10 de julho de 2018
15º DOMINGO TEMPO COMUM-Ano B
15º DOMINGO TEMPO
COMUM
15
de Julho – Ano B
Evangelho
Mc 6,7-13
·
No domingo passado,
nós refletimos sobre a visita de Jesus a sua terra natal, na qual Ele não foi
reconhecido como o Filho de Deus, mas apenas como o filho do Carpinteiro. Ali,
Jesus foi olhado com OLHOS HUMANOS e por isso, Ele foi visto somente como o
filho de José e de Maria.
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“ENTÃO OS DOZE PARTIRAM E PREGARAM QUE TODOS SE
CONVERTESSEM.”- Olivia Coutinho
15º
DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia
15 de Julho de 2018
Evangelho de Mc6,7-13
Jesus vivia cercado
pelas as multidões, as pessoas gostavam de ouvi-lo, pois Ele tinha palavras que
davam animo que colocava esperança no coração dos oprimidos. Mas se por um
lado, Jesus gostava de ser alento para o povo, Ele sabia também, que a sua mensagem não
poderia ficar restrita a um só povo, de acordo o projeto de Deus, o
anuncio da Boa Nova Do Reino, deveria se estender a todas
as nações. E para que isso pudesse acontecer, Jesus quis precisar de
alguns colaboradores. Foi então, que Ele, orientado pelo o Pai,
escolheu 12 homens, formando uma pequena comunidade, que
amadurecendo na fé, passou a ser o embrião da sua Igreja.
Um grupo
pequeno, participando diretamente do cotidiano de Jesus, teria muito mais
condições de absorver os seus ensinamentos, tanto pela escuta da palavra,
quanto pelo o seu exemplo.
Preparados por
Jesus, esses doze discípulos, que passaram a serem chamados de apóstolos, (
enviados) foram enviados para fazer as vezes de Jesus no
meio do povo. O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, narra este
envio.
O
texto apresenta as características centrais do discípulo, que ao ser enviado,
passa a ser discípulo missionário!
No
ato deste envio, Jesus passou instruções fundamentais para que a
missão deles tivessem êxito.
O
envio de dois a dois, ressalta a importância da missão realizada em
comunidade, dois a dois, significa uma comunidade, além de aumentar a
credibilidade do testemunho, contribui para o encorajamento de ambos, pois um,
está sempre animando o outro.
Os
discípulos receberam recomendações importantíssimas para que a
missão deles tivesse êxito: “Não leveis nada pelo caminho, a não ser um cajado;
nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que eles andassem de
sandálias, que não levassem duas túnicas.” O que significa: o missionário
deve estar totalmente livre desimpedido para o serviço. E o andar de
Sandálias, que simboliza humildade, coloca o missionário na condição de servo,
lembrando-o que ele não é maior do que ninguém.
Jesus
ainda disse: “Quando entrares numa casa ficai ali até vossa partida.” Ao dizer
estas palavras, Ele enfatiza a importância do testemunho. A eficácia da
evangelização, está mais no testemunho do que nas palavras, uma estadia mais
longa numa só casa, possibilitará o povo a conhecer o missionário, que não só
deve falar de Jesus com palavras, mas também com a sua própria vida.
Na convivência com o missionário, a família que o acolhe, vai querer
espelhar na sua pessoa, e assim, de evangelizada, aquela
família passará a ser também, evangelizadora com seu testemunho de vida.
Para
dar continuidade a missão de Jesus, o missionário precisa experimentar a
pobreza total, isto é: esvaziar-se de si mesmo, para encher-se da
graça de Deus, confiando somente na sua providencia.
Todas
as orientações passadas por Jesus, deixa os discípulos, numa
situação de total dependência de Deus e é justamente nesta dependência, que o
missionário torna forte, afinal, é Deus quem vai agir através dele, quem vai
lhe oferecer todas as condições para que ele possa exercer bem a sua missão.
Hoje,
somos nós, os enviados para continuar esta missão! Deus quer salvar a
humanidade contando com a nossa disposição, com o nosso serviço, por isto, Ele
convoca cada um de nós, para uma determinada missão. Ser
indiferente a esta convocação, é virar as costas para Deus!
Para
desempenharmos bem a nossa missão, precisamos primeiramente nos libertar de
tudo que nos prende, dos nossos apegos, pois só assim, estaremos livres para
servir!
Ser
missionário do Senhor, é a melhor resposta de amor que podemos dar, à Aquele
que nos amou primeiro! O mundo carece de amor, de pessoas dispostas a
levar ao outro, o conhecimento da verdade que liberta.
Propaguemos
o amor de Deus no meio em que vivemos com o nosso testemunho de vida, tornando
viva e atuante a presença de Jesus no mundo.
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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A missão do profeta
A liturgia deste domingo priviligia a vocação
daquele que é chamado a profetizar. Profeta do original grego “pro-femi”,
falar em nome de outro, é aquele que é chamado a falar em nome de Deus. Há
profetas do Antigo Testamento, mas também há profetas do Novo Testamento. Estes
são os apóstolos e os discípulos que foram chamados por Deus para anunciarem a
Boa Nova em Jesus Cristo.
No Antigo Testamento há profetas incômodos. Amós é
um deles. De tal maneira contrariava o mau viver do povo que o próprio
sacerdote Amasias lhe pediu para se retirar e não interpelar mais ninguém (1ª
leitura). Depois, Jesus escolheu apóstolos e discípulos para irem por todo o
mundo anunciar a Boa Nova a toda a criatura. São profetas do Novo Testamento
que, possuídos por Deus, proclamam que Jesus é o Senhor. É corrente saber que
outra coisa não viveram Pedro e Paulo, ao fazerem discípulos de todas as nações
e todos batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. No seu
profetizar começaram sempre por anunciar a paz que vem de Jesus Cristo
(Evangelho). Instaurar todas as coisas em Cristo (Ef. 1,10) é, no dizer de
Paulo, a missão fundamental do cristão. Nesta perspectiva todos os cristãos se
tornam profetas convidando a todos a abraçarem a fé e a deixarem-se conduzir
pelo Espírito Santo. É esta a profecia do Novo Testamento, realizada onde quer
que esteja um cristão, iluminando tudo com a luz de Cristo e irradiando em tudo
os valores do Evangelho (2ª leitura).
1. Um profeta incômodo
De entre os profetas menores Amós é sem dúvida o
mais interpelativo. Deus chamou-o dos campos onde trabalhava como pastor, ele
desceu à cidade que encontrou cheia de injustiças e de corrupção. Conduzido por
Deus profetiza clamando à justiça, ao perdão, à reconciliação. Reveste a sua profecia
de denúncia clara dos mais ricos e poderosos que desprezavam os pobres e os
abandonados. O sumo sacerdote do santuário de Betel, Amasias, não gostou e
mandou-o partir. Amós invoca a sua vocação e missão de profeta afirmando que
“foi o Senhor que me enviou a profetizar junto do povo de Israel”. Profeta
incômodo acabou por retirar-se de novo para os campos. Em todos os tempos há
profetas que foram silenciados.
2. A missão dos discípulos
Jesus, na sua vida pública, não se limitou a
escolher doze apóstolos, escolheu também 72 discípulos que enviou, dois a
dois, a anunciar a Boa Nova (cf. Lc. 10,4). A estes Jesus convidou a uma grande
austeridade na forma de viver, dizendo-lhes: não leveis bolsa, nem cajado,
tenham apenas um par de sandálias e uma túnica, e não percam tempo a conversar
com as pessoas que encontram no caminho. Para estes profetas do Novo Testamento
Jesus convida a uma pobreza radical, mas diz-lhes também qual é a sua missão:
dar a paz em toda a casa onde entrarem, curarem os doentes e expulsarem os
demônios. É uma ação evangelizadora com todos os sinais da Boa Nova que Jesus
queria anunciar. A paz interior, a cura dos sofrimentos, a vitória sobre a
tentação são paradigmas de um projeto cristão de vida. Desde a missão dos
discípulos, esta ação de profetizar está definida. Profetas do Novo Testamento,
hoje, são todos os cristãos que, pelo testemunho de vida e pelo anúncio de
Jesus Cristo, abrem a todos a salvação esperada.
3. Escolhidos para ser santos
A santidade é, em última análise, a vocação do
cristão. Ser discípulo de Cristo implica ser santo de verdade, isto é, “viver
em comunhão plena e perfeita com Cristo” (LG 50). Paulo na carta aos Efésios
usa para os “santos” alguns verbos extraordinariamente significativos. Os
cristãos são escolhidos, predestinados, redimidos, perdoados dos pecados,
introduzidos no mistério da salvação, por tudo isso são, em Cristo, herdeiros.
Então, instauram todas as coisas em Cristo e ajudam todos a abraçar a fé, a
deixar-se conduzir pelo Espírito, a viverem o Evangelho.
monsenhor Vitor Feytor Pinto
“Revista de liturgia diária”
Começou a envia-los
A essência da vida cristã não é permanecer na posse
de um bem espiritual. Isso fica para a eternidade. Enquanto labutarmos neste
mundo, ser discípulo de Jesus sempre será aceitar e realizar o imperativo da
missão de levar o Evangelho a toda criatura como realização da vontade do
Senhor.
Neste sentido, a liturgia da Palavra deste domingo
apresenta-nos o profeta Amós sentindo-se enviado por Deus e firmemente disposto
a realizar a sua missão mesmo que incompreendido e perseguido pelos poderes
constituídos (1ª leitura). Da mesma forma, os discípulos do Senhor são enviados
por Ele com a missão de transmitir o Evangelho a todos os povos (evangelho),
despojados de seguranças humanas e apoiados unicamente no poder comunicador do
Espírito de Deus. A 2ª leitura, por sua vez, é o início da carta de são Paulo
aos Efésios (que nos acompanhará ao longo dos próximos domingos) através da
qual, poderemos compreender que Cristo é o fundamento do Plano do Pai para a
nossa Salvação assim como a MISSÃO evangelizadora é a forma deste Plano se
realizar na história da humanidade.
1ª leitura: Amós 7,12-15
A 1ª leitura faz referência ao conflito entre o
sacerdote Amasias e o profeta Amós. Amasias, mais do que sacerdote, era
funcionário de um culto vazio a serviço do rei e da ordem estabelecida. Por
isso achava inconveniente e subversiva a pregação profética de Amós que
criticava a ordem estabelecida. Pouco se importando o sacerdote Amasia em saber
se a crítica de Amós vinha da parte de Deus, ou não, mandou o profeta para o
desterro a fim de abafar a sua mensagem e evitar que pudesse abalar o sistema
estabelecido. Diante disto, Amós reage com determinação e dignidade,
respondendo que ele não é um profissional da religião, mas um homem do povo sem
compromisso com as autoridades nem com os interesses dos poderosos. Cumpre
apenas as ordens de Deus e só a Ele obedece, fazendo uso da liberdade de
expressão do verdadeiro profeta, unicamente a serviço da verdade.
2ª leitura: Efésios 1,3-14
Existe neste texto da carta de São Paulo uma clara
referência a certo hino litúrgico de forte conteúdo teológico, provavelmente
usado nas celebrações das primeiras comunidades cristãs. Nele se fala da nossa
vocação à santidade como uma predestinação de Deus a nosso respeito e uma
inestimável “bênção espiritual” pela qual Deus deve ser louvado, pois que, em
Cristo, se manifestou como Pai e nos tornou “seus filhos adotivos” pelo
batismo.
Paulo descreve a Salvação desta mesma forma,
mostrando que Deus “nos escolheu em Cristo” e, antes do nosso nascimento, já
nos “predestinou”. Foi assim que recuperou em nós, “por meio do sangue de
Cristo”, as qualidades da natureza humana que Ele criara para que sejamos
“santos e sem defeito diante dele, no amor”.
Paulo garante aos efésios (e a todos nós) que toda
esta obra de reconstrução humana se realizou por meio de Jesus Cristo, cuja
Palavra, “o Evangelho que os salva”, eles escutaram e aceitaram pela fé (“vocês
creram”). Foi assim que receberam o Batismo como sinal e sacramento da sua
total adesão a Cristo pelo qual foram “marcados com o selo do Espírito
prometido, o Espírito Santo”.
Realmente, é de dar inveja todo este processo de
iniciação à vida cristã a que Paulo se refere, o qual, começava pela Palavra
escutada, passava pela fé que ela provocava, para completar-se ao receber o
Batismo. Um processo, em dúvida, que seria bom resgatar. Com ele, a nossa
Igreja poderia recuperar a força e o vigor daquelas comunidades fundadas por
São Paulo.
Evangelho: Marcos 6,7-13
Neste evangelho, Marcos detalha as condições que
Jesus coloca para que a missão dos discípulos, enviados a continuar e ampliar
sua missão, pudesse dar fruto.
Eles devem pedir e favorecer:
a) a mudança de vida, voltando o coração para Deus
(conversão);
b) a opção por uma vida livre de todos os medos e
dependências que limitam o ser humano (expulsão de demônios);
c) a restauração da vida humana tanto física como
espiritualmente (curas).
A conversão é o resultado imediato de toda
evangelização: sem dar início a uma nova vida não se pode pensar que o
Evangelho tenha sido aceito de verdade.
A expulsão dos demônios significa ajudar o ser
humano a livrar-se daquilo que o atormenta e o amedronta, psiquicamente;
daquilo que o escraviza e marginaliza, socialmente; daquilo que o limita e lhe
tira a liberdade como pessoa.
As curas são o resultado de uma vida renovada. Quem
está em Deus experimenta um equilíbrio e uma paz interior que cura a sua mente
e o seu corpo de tantas doenças psico-somáticas que são fruto da angústia
existencial do ser humano.
Além disso, para que os discípulos estivessem
livres da dependência dos bens materiais, recomendou-lhes que “não levassem
nada pelo caminho... nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura... que
andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas”). Deveriam confiar, mais
que nada, na força da mensagem a ser transmitida.
Esta austeridade de vida estará motivada pelo
exemplo de Jesus que “não tem onde repousar a cabeça” (Mateus, 8,20) e pela certeza
de serem instrumentos de Deus. Além disso, será um trabalho essencialmente
comunitário a ser realizado em equipe (“começou a enviá-los dois a dois”)
porque o Reino de Deus não é uma iniciativa pessoal e deve contar sempre com o
envio da comunidade.
Mais ainda, será necessário um mínimo de
permanência (“quando vocês entrarem numa casa, fiquem aí até partirem”) para
garantir a formação de verdadeiras comunidades de fé que tenham condições, por
sua vez, de dar continuidade à missão.
Por último, devem estar conscientes de que podem
ser “mal recebidos num lugar e o povo não escutar”, pois a mensagem a ser
anunciada pode provocar choque e rejeição por parte daqueles que não desejam
transformações nem mudança de vida, mas, nem por isso, devem se preocupar (“sacudam
a poeira dos pés como protesto contra eles”). A responsabilidade final sempre
será daqueles que se fecharem à verdade.
Palavra de Deus na vida
O dom da fé, como todos os dons de Deus, é
expansivo pela sua natureza. Isto significa que, se realmente o valorizamos,
devemos sentir a necessidade de comunicá-lo a todas as pessoas do nosso
entorno. Neste sentido, é de se esperar de nós, discípulos de Jesus, que
estejamos dispostos a participar da ação evangelizadora da Igreja por meio das
pastorais que se organizam na comunidade eclesial para tal fim.
A vida cristã não pode estar separada da missão
evangelizadora. Devemos ser todos missionários, ao menos, com a nossa própria
vida. O Evangelho que o povo lê com maior facilidade, e melhor entende, não
está nas páginas da Bíblia; ele está escrito na vida dos que somos cristãos.
Nosso comportamento é a referência que as pessoas têm para valorizar a
autenticidade e a validade de nossa fé.
Por isso devemos pensar que, quando participamos
das diversas pastorais da Igreja, estamos oferecendo as nossas mãos para que
continuem a ser feitas as obras de amor ao próximo necessitado; estamos o
usando os nossos pés para ir ao encontro dos que ainda não descobriram Aquele
que é o Caminho; estamos emprestando nossos olhos da alma para que as pessoas
possam ver o mundo à luz da fé; estamos colocando nossa boca a serviço da
Palavra de Deus e ser transmitida; estamos dispondo nosso próprio espírito para
que o Espírito do Senhor ore em nós em favor de todos aqueles que procuram a
Deus de coração sincero; estamos entregando o nosso coração para que Cristo ame
em nós ao Pai e à humanidade toda.
Participar das pastorais da comunidade é oferecer
nossa pessoa para que o Senhor Ressuscitado possa crescer em nós e seja Ele
quem age através de nossa colaboração na obra da evangelização.
Pensando bem...
+ Para completar a reflexão sobre a Palavra de
Deus, neste domingo, podemos pensar no que certo autor escreveu há algum tempo
atrás:
“Nós, cristãos, como discípulos que somos de Jesus,
somos enviados pelo Senhor... não propriamente para fazer prosélitos, e sim,
para fazer irmãos!
- Fazer discípulos e não mestres…
- Fazer pessoas e não escravos…
- Fazer servidores e não gente acomodada…
- Fazer pessoas dialogantes e não donos da
verdade...
- Fazer gente que assume um ideal e não meros
expectadores...
- Fazer profetas da esperança e não agoureiros...
- Fazer pessoas livres e não gente reprimida...
- Fazer amigos de caminhada. Fazer pessoas
acolhedoras, capazes de amar, de ser presença... de ter paciência...
O Senhor nos diz: Fazei discípulos meus... sede
“irmãos”.
padre Ciriaco Madrigal
"Os doze partiram e pregaram
que todos se convertessem"
Domingo do envio dos doze apóstolos. Celebrando
nossa Páscoa semanal, fazemos memória de Jesus Cristo, que chamou e enviou os
Apóstolos em missão e nos confia a continuidade de sua missão. Recebemos do
Senhor a missão de pregar a conversão e o dom de expulsar o mal da vida das
pessoas.
Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se
manifesta em todas as pessoas e grupos que se dedicam a cuidar da vida e da
saúde dos pobres.
Neste encontro celebrativo, o Senhor nos fortalece
e nos ajuda a recuperar a alegria e o entusiasmo de nossa consagração a serviço
do Reino de Deus para que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da
verdade.
Primeira leitura - Amós 7,12-15
Amasias é sacerdote do templo real de Betel e
expulsa com maus modos o profeta Amós (vs. 12-13). O profeta Amós responde que
não foi ele quem escolheu essa missão: ele estava satisfeito com a sua
profissão de "pastor e cultivador de sicomoros" (v. 14. Foi o Senhor
que "o tirou da guarda do rebanho" e foi o Senhor - nota-se a
repetição - que lhe disse para ir profetizar em seu Nome ao seu Povo: v. 15).
Só o Senhor é que pode fornecer explicações.
Amós pertence ao começo dos profetas clássicos, um
novo tipo de profetas, não mais videntes, mas representantes dos movimentos de
renovação religiosa. Eles se sabem enviados por Deus mesmo a regiões fora de
sua jurisdição natural, com uma mensagem de conversão.
A missão do profeta é muitas vezes muito difícil.
Nós não nos fazemos profeta: Deus é que chama, mesmo a quem aparentemente não
está preparado: por exemplo, Amós, pastor e agricultor. Amós apela para esta
missão "forçada", quando o sacerdote de Betel (em Israel, no Norte),
farto de suas críticas o quer mandar de voltas para sua terra, Judá (no Sul).
Como vimos na liturgia de Domingo passado, a missão
do profeta não é fácil. O profeta deve falar em nome de Deus e facilmente vai
descontentar alguém. Neste caso, é evidente o embate de Amós com os interesses
dos sacerdotes do templo real de Betel.
O termo "vidente" (v. 12), que na boca de
Amasias pretende ser depreciativo, exprime ao invés uma característica
importante do profeta: ele não é apenas alguém "que fala" em nome de
Deus, é também alguém "que vê" as coisas como Deus as vê. Amós
defende-se recordando que o ofício de profeta não é um ofício que qualquer
pessoa pode escolher para se governar. Pelo contrário, é uma vocação divina e
uma missão divina. O profeta é apenas um instrumento escolhido por Deus e enviado
ao povo de Israel (vs. 14-15). Mas reside aqui também a sua dignidade: quem
desprezar o mensageiro, despreza Aquele que o enviou. Daqui deriva também a sua
responsabilidade: Amós deverá cumprir a sua missão apesar da desaprovação de
muitos.
Salmo responsorial 84/85,9-14
O Salmo 84/85 é uma súplica coletiva. Do meio do
povo surge uma voz, falando em nome de Deus. Esse profeta anônimo afirma que
Deus anuncia a paz para quem Lhe é fiel (v. 9). Paz, para o povo da Bíblia, é
plenitude de bens e de vida. A salvação está próxima e a glória de Deus vai
habitar outra vez na terra (v. 10). O universo inteiro vai participar de uma
grande coreografia. É a dança da vida que está para começar. Já se formam os
pares: Amor e Fidelidade, Justiça e Paz, Fidelidade e Justiça (vs. 11-12). É
uma coreografia universal, pois da terra brota a Fidelidade, e do céu brota a
Justiça. A coreografia do universo inicia uma grande procissão que percorre a
terra. À frente vai a Justiça, atrás segue o Senhor e, depois Dele, a Salvação
(v. 14). Como isso vai se concretizar? Na troca de dons. O Senhor dá chuva à
terra, e a terra dá fruto (v. 13), para o povo viver e celebrar sua fé,
alegrando-se com Deus.
Tudo leva a crer que o Salmo surgiu em tempo de
seca (v. 13a) e fome. Sem a terra produzindo seus frutos, o povo está sem vida
e não tem motivo para festejar. É, portanto, um clamor pela vida que brota da
terra. Pede-se que Deus responda com a salvação, dê chuva à terra, para que a
terra dê frutos e vida para o povo celebrar. Surgirá, então, uma grande
celebração, a festa da vida, abraçando todo o universo: uma dança que envolve
Deus e o povo, o céu e a terra, dando início à procissão da vida. Deus caminha
com seu povo, precedido pela Justiça e seguido pela Salvação.
O Salmo revela o rosto de Deus. Amor e Fidelidade,
Justiça, Paz e Salvação são as características do rosto desse Deus que caminha
com seu povo. Ele habita o céu, mas da terra faz brotar a Fidelidade (v. 12).
Fidelidade e Justiça enlaçam céu e terra em perfeita harmonia.
Além disso, o Salmo mostra que o Deus de Israel
está ligado à terra, símbolo da vida. Entre Deus e a terra há um diálogo aberto
e uma troca de bens. Deus dá a chuva, e a terra dá alimento ao povo; o povo,
por sua vez, festeja com Deus, oferecendo os primeiros frutos.
É fundamental estabelecer algumas relações deste
Salmo com Jesus. Ele é o Amor e a Fidelidade de Deus para a humanidade (João
1,17), o verdadeiro Caminho para a Vida (João 14,6). O velho Simeão, ao tomar o
Menino Jesus no colo, afirma estar vendo a glória divina habitando no meio do
povo (Lucas 2,32). Jesus perdoou pecados e, em lugar de ira, mostrou-se
misericordioso, manso e humilde de coração para com os pequenos e pobres,
restaurando a vida dos que eram oprimidos. O profeta por excelência será Jesus
Cristo, o perfeito e definitivo revelador da Palavra e do rosto do Pai.
Neste Salmo, peçamos que o Senhor nos dê a
capacidade de ouvir e responder ao seu chamado.
Segunda leitura - 2Efésios 1,3-14
O prólogo/hino com o qual começa a Carta aos
Efésios é de uma solenidade extraordinária. Deus é "bendito"porque
"nos abençoou em Cristo" (v. 3), em Cristo nos escolheu (versículo 4)
e "predestinou a fim de sermos seus filhos adotivos" (v. 5),
"por Ele temos a redenção" (v. 7), "deu-nos a conhecer o
mistério da sua vontade" (v. 9), ou seja, o desígnio de "instaurar
todas as coisas em Cristo" (v. 10). E escuta do Evangelho nos traz o selo
do "Espírito Santo" (v. 13), "penhor da nossa herança" (v.
14).
As cartas de Paulo logo após a saudação têm uma
ação de graças ou um hino. A segunda leitura da Missa de hoje é justamente o
hino introdutório da Carta aos Efésios, que de modo poético e sucinto resume
toda a história da salvação. O texto pertence ao gênero literário das bênçãos
(cf. 2Coríntios 1,3; 1Pedro 1,3) muito freqüente na liturgia judaica, bastando
lembrar que a principal oração dos judeus são as "18 bênçãos".
Todas as bênçãos têm sua origem em Deus, por esta
razão Paulo se eleva ao plano celeste, e lá se mantém em toda a carta, Efésios
1,20: Cristo; Efésios 2,6; Igreja Efésios 3,10: fiéis; e até os espíritos maus
(Efésios 6,12) para demonstrar o caráter radical da vitória de Cristo. É o
Deus, não só Criador, mas o Deus Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo que nos
abençoa. Paulo nos associa à confissão de fé na Filiação divina de Jesus,
e indica que as bênçãos em nós são fruto da ação do Espírito, por conseguinte,
bênçãos espirituais.
O termo "mistério" (v. 9) serve para
Paulo pra resumir numa palavra tudo o que - e não era certamente pouco - ele
tinha compreendido de Deus, de Cristo, da Igreja, as Salvação, da Redenção, da
Revelação, do Evangelho. O mistério tem quatro etapas. A primeira é o mistério
de Deus. Não se trata do mistério de Deus em Si mesmo, mas do Seu projeto
eterno de criar, redimir e santificar toda a Humanidade. Esse mistério de Deus
torna-se "o mistério de Cristo" (segunda etapa) revelando-se e
realizando-se plenamente em Cristo, na Sua vida, morte e ressurreição. O
"mistério do Evangelho" constitui a terceira etapa: o Evangelho é
Cristo anunciado, com toda a força da revelação e da salvação que o próprio
Jesus tinha. A quarta etapa é o "mistério da Igreja", que continua e
torna visível no tempo e no espaço o mistério de Deus, de Cristo e do
Evangelho. O elo de união das quatro etapas é constituído pelo Espírito Santo,
que é Senhor e dá a vida.
Evangelho - Marcos 6,7-13
O texto relata a versão de Marcos do discurso
missionário. Jesus chama os doze e envia-os "dois a dois",
transmitindo-lhes o Seu "poder sobre os espíritos impuros" (v. 7);
quanto menos coisas levarem com eles, melhor: só bastão e sandálias; não devem
levar "pão", nem sacola, nem "dinheiro" (cf. vs. 8-9. Podem
entrar nas casas (v. 10); e se não forem recebidos por alguém, irão para outro
lugar. Eles partem, convidam à "conversão" (v. 12), "expulsam os
demônios" e "curam os doentes" (v. 13).
Comparando com Mateus e Lucas, Marcos é o
evangelista que mais insiste sobre a missão dos Doze (Mateus prefere
chamar-lhes "discípulos, e Lucas "apóstolos), serão eles o elo de ligação
entre Jesus e a Igreja.
Marcos distingue e destaca três momentos que lhes
dizem respeito: a vocação (capítulo 1); a instituição (capítulo 3); e a missão
(capítulo 6). Os Doze são, além disso, apresentados sempre junto de Jesus para
"assimilarem a Sua doutrina. Deverão continuar a missão de Jesus e, por
isso recebem o Seu "poder sobre os espíritos impuros" e para
"curar" os doentes (cf. vs. 7.13). Já que a sua força deriva só do
Senhor, devem deixar tudo (vs. 8,9). Deslocarão de terra em terra, com o Mestre,
e como Ele serão por vezes recebidos e outras vezes não (vs. 10-11). Mas
deverão continuar a anunciar o Evangelho da "conversão" (v. 12).
Rejeitando os Apóstolos, eles privam as pessoas que os rejeitam de qualquer
esperança. Até o pó que fica na sola do sapato é contaminado e
"poluído" por este gesto de rejeição e se torna terra condenada. No
dia do juízo este gesto será alegado contra eles como testemunho do descaso e
da incredulidade deles.
Os Doze recebem o poder de Jesus sobre os maus
espíritos (Marcos 6,7; cf. Marcos 1,27; 3,15 etc.). Jesus não foi bem recebido
em Nazaré (Evangelho de Domingo passado, Marcos 6,1-6); o mesmo pode acontecer
com os apóstolos (Marcos 6,11). Os apóstolos pregam a conversão (Marcos 6,12)
como Jesus (Marcos 1,14-15). Expulsam como Ele (cf. Marcos 3,22) os demônios
(Marcos 6,13a) e curam como Ele (cf. 6,5b) os doentes (Marcos 6,13b). Sem negar
a historicidade destas missão, pode-se dizer que nos elementos citados
transparece mais a teologia-de-missão do evangelista Marcos.
Na missão dos Doze está claramente refletida a
missão perene da Igreja fundada por Cristo.
Da Palavra celebrada ao cotidiano
da vida
Como Deus chamou Amós (primeira leitura) e os
outros profetas da primeira Aliança e os enviou a falar em seu Nome, assim Jesus
chama e envia os Doze em missão (Evangelho), para proclamarem a sua missão
evangelizadora. Os Doze são o núcleo primordial da Igreja, que é chamada e
enviada a continuar, no tempo e no espaço, a missão de Jesus e dos Doze. É
explícita e forte a relação com a missão de Jesus: o mesmo conteúdo
evangelizador; as mesmas dificuldades; os mesmos poderes divinos (sobre o mal e
sobre as doenças); as mesmas modalidades missionárias (não fundadas sobre meios
humanos poderosos e eficientes, mas sim sobre a pobreza que caracterizou o
ministério de Jesus). Como Amós, como Jesus, como os Doze, também a Igreja na
sua missão encontrará dificuldades, mas não podemos ter medo, tudo está
previsto.
A Palavra de Deus deste Domingo nos lembra que o
seguimento de Jesus acontece no comum do dia-a-dia: trabalhando em conjunto,
comunitariamente, com desprendimento e disponibilidade; anunciando a Boa Nova,
não como simples funcionário, mas como profeta, respondendo a uma missão divina
que não se escolheu, porém para a qual se foi escolhido antes da criação do
mundo e enviado como servidor do povo. Escolha que é graça, e também exigência
de sobriedade, recusa de privilégio social e econômico; autentico
desprendimento pessoal em um serviço nem "profissional nem funcional.
A nossa vivência religiosa tem conseqüência social,
política e econômica. Esta foi a postura de Jesus. É o próprio Evangelho que
nos propõe fazer política, isto é, ação transformadora. Contudo, não uma
política segundo os interesses do "rei" ou dos poderosos, mas conforme
o Evangelho, segundo o interesse do amor, da fraternidade, da justiça e da
opção pelos pobres.
Como discípulos e discípulas de Jesus, recebemos
uma missão frente o capitalismo mundial, imperialista, invasor, explorador e
excludente que não respeita o direito internacional da convivência entre os
povos. Também junto aos movimentos populares, os quais lutam pelos direitos das
minorias, temos a proposta de Jesus a oferecer.
Fomos marcados por Cristo com o Espírito Santo para
assumirmos a ação transformadora de Deus. O compromisso do cristão é fazer com
que este mundo de injustiça se converta numa sociedade de irmãos. Jesus sempre
chamou à conversão, que não é uma questão moral somente, mas a modificação
integral de nossa maneira de viver.
Nossa celebração, assumindo a simplicidade como
estilo e tendo como eixo a Aliança de Deus com o seu povo, é sinal bem visível
e profundo do Reino anunciado por Jesus e nos firma na mesma missão de vencer o
mal e anunciar a salvação.
Como seguidores de Jesus, temos o Reino como
projeto, causa e missão?
A Palavra se faz celebração
O horizonte da gratuidade
A celebração nos faz rever nossas pretensões
institucionais. O espírito expansionista da religião cristã muitas vezes
carrega pecados ocultos: confundir a missão com profissão rentável e sem o
horizonte da gratuidade é uma das questões a se rever. Outra questão séria é a
nossa dificuldade de proclamar a universalidade da salvação, para além de nossa
ânsia de arrebanhar multidões. Em tempo de religião de mercado, onde a fé se
confunde com artigo de compra, seria conveniente vigiar nossas atitudes frente
ao comportamento mercantil que nos invade. A missão de Cristo que se prolonga
no seu Corpo, a Igreja, tem Dele os mesmos requisitos de despojamento de si, de
despretensão, de gratuidade. Nossa herança é outra: a salvação que vem de Deus.
Por isso, só Nele devemos confiar, sobretudo quando agimos em seu nome.
Ide em paz
Terminada a celebração eucarística, dá-se início à
missão como decorrência de nossa união com o Senhor. "Quem come a minha
carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele, diz o Senhor"
(antífona de comunhão). O envio, pelo brevíssimo rito de despedida "Ide em
paz e o Senhor vos acompanhe", terá para nós esse sentido: Cristo continua
em nós o seu agir salvífico, descendo às profundezas da humanidade, ao encontro
dos males e das doenças que rondam a vida do povo e da sociedade, para lá anunciar
a chegada do Reino que liberta, cura e salva.
Ligando aPalavra com a ação
eucarística
A assembléia eucarística é lugar privilegiado da
salvação cuja força vem da Palavra ouvida e acolhida em nosso coração e do
Espírito que nos faz, com Cristo, uma oferenda agradável a Deus.
Participando da celebração, Ele nos consagra como
enviados, entregando-nos seu Espírito, e nos fortalece para que nunca percamos
o entusiasmo e a alegria em nossa missão, fazendo sempre bem cada tarefa que
assumimos. O rito da unção com óleo perfumado evidencia este mistério.
O profetismo também se manifesta na perseverança e
na radicalidade com que vivemos o nosso cotidiano.
padre Benedito Mazeti
1ª leitura: Am. 7,12-15
O tempo de Amós era um tempo de “milagre
econômico”, ou seja, aparente prosperidade da nação às custas de tremenda
injustiça para com o povo, oprimido, empobrecido e escravizado pelo estado e
por uma elite privilegiada e desonesta. Também a religião estava em decadência.
Tudo isso sacudiu o interior vulcânico do pastor de Técua que de vaqueiro e
cultivador de sicômoros sentiu-se chamado a ser profeta, ou seja, a gritar em
nome do Deus da justiça, do Deus da Aliança. Ele sai de Técua e vai a Betel - o
santuário real e ali denuncia a opressão, a injustiça e o desprezo da Aliança.
O luxo, o roubo e o falso culto causam indignação ao profeta. O sacerdote
Amasias reage violentamente, acusa-o diante do rei, chama-o de vidente, de
falso profeta profissional para assim ganhar o seu pão. Então Amós vai
justificar sua vocação profética. Amós diz que nunca pertenceu à corporação de
profetas profissionais. Ele era vaqueiro e colhia figos selvagens. Foi o Senhor
que o desenraizou de seu torrão natal, afastou-o da sua humilde profissão e o
chamou para profetizar. Eis as palavras do Senhor: “Vá e fale como profeta a
meu povo de Israel”. O chamado de Javé é uma ordem à qual não se pode fugir.
Amós é profeta de verdade, reveste-se de coragem e enfrenta sacerdotes e reis
em nome de Deus. Se você quiser experimentar a veemência profética do grande
Amós prolongue por mais dois versículos a leitura do texto de hoje. Profeta é
aquele que anuncia e denuncia. Você tem coragem também de denunciar?
2ª leitura: Ef. 1,3-10
Esta carta atribuída ao grande apóstolo Paulo é uma
espécie de carta circular dirigida às comunidades da Ásia Menor. Ela poderia
ser divida em duas grandes partes:
1) seria uma parte doutrinal - capítulo 1-3;
2) outra parte de exortações morais - cap.
4-6.
Nosso texto começa bendizendo ao Pai de N.S.J.C.,
que em Cristo nos cumulou com toda a espécie de bênçãos; é um hino de louvor
composto de seis bênçãos se o prolongarmos até o versículo 14. Em síntese, o
Pai nos abençoou em Cristo com a eleição (v. 4), a predestinação (vv.
8-10), a redenção (v. 17), a recapitulação (vv. 8-10), a herança (vv.
11-12) e o Espírito Santo (vv. 13-14).
1ª e 2ª bênçãos são a eleição e a predestinação:
Deus nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e sem defeitos
no amor. “Santos e sem defeitos” Fomos destinados a ser: “Filhos adotivos”: O
filho é sempre da mesma natureza do Pai. Assim é Jesus. Mas nós não somos da
mesma natureza de Deus, Deus é divino, nós somos humanos, mas Deus nos adotou
como filhos em Jesus Cristo, por isso somos filhos adotivos. A finalidade é o
“louvor e a glória da própria gratuidade da ação divina”.
3ª bênção é a redenção através do sangue de Cristo
que nos liberta da escravidão do pecado.
4ª bênção é a realidade do projeto de Deus: “fazer
a unidade de todas as coisas em Cristo, as que estão sobre a terra”. Este é o
mistério da vontade de Deus que na plenitude dos tempos nos foi revelado em
Jesus Cristo.
5ª e 6ª bênçãos (vv. 11-14) dizem respeito aos
judeus que já tinham parte na herança e aos gentios que são incorporados ao
povo de Deus e marcados pelo Espírito, garantia desta herança. Você reconhece e
agradece a Deus por tantas bênçãos? Enumere outras.
Evangelho: Mc. 6,7-13
Estamos diante de um texto de vocação e missão.
Jesus chama e envia em missão. Jesus enviou os 12, dois a dois. Jesus não envia
apenas 12 pessoas, mas os 12, ou seja, os fundamentos do novo povo de Deus
- a Igreja. Jesus começa algo totalmente novo. Os 12 fundamentam esta
novidade. A novidade não é uma doutrina nova, mas uma pessoa: Jesus Cristo
homem-Deus. A Igreja é missionária desde suas origens. Os 12 não devem agir
isoladamente, devem partir de 2 a 2, pois segundo o Dt. 19,15 só “se tomará em
consideração o depoimento de dois ou mais testemunhas”. Jesus lhes dá poder
contra as forças do mal; contra tudo aquilo que foi considerado como força
maligna. Só Deus é absoluto. O mal em suas várias formas e manifestações é
habitualmente chamado pelos judeus de espírito imundo ou demônio. Os
missionários devem ser desprendidos de bens materiais, só devem levar consigo
cajado na mão, sandália aos pés e uma túnica no corpo. Nada de comer, nada de
sacola, nada de dinheiro. Este desprendimento é o sinal de sua fidelidade, é o
triunfo e a alegria da privação por solidariedade com alguém - menos favorecido.
Busca de próprios interesses é contra-testemunho. Eles não devem andar de casa
em casa mas em cada lugar devem hospedar-se, apenas numa casa. É a urgência
escatológica da missão. Acabou o tempo da espera: “O tempo já se cumpriu e o
Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Nova” (Mc. 1,15).
Caso eles sejam mal recebidos num lugar e o povo não os escutar, eles devem
sacudir a poeira dos pés como se faz no Oriente como sinal de protesto e de
ruptura. Não acolher os missionários e não escutá-los significa rejeição da
mensagem de salvação. É preciso decidir a favor, ou contra o Reino, os
missionários não podem esperar muito pois o tempo é curto e não há uma segunda
chance. Em Jo 3,18 lemos: Quem crer nele não será condenado. Qual é o núcleo do
conteúdo da mensagem e da atividade apostólica? É o convite à conversão,
expulsão de demônios e curas através da unção com óleo. Por que conversão?
Porque na realidade chegou algo totalmente novo em Jesus Cristo, chegou o Reino
de Deus (1,15). Este relato de missão retrata a preocupação da comunidade
primitiva em legitimar sua missão apostólica como uma ordem do Cristo
histórico. Você tem consciência de ser um vocacionado, ou seja, chamado a
servir a Igreja - comunidade? Qual é a sua missão específica na comunidade?
dom Emanuel Messias de Oliveira
1. De casa para a cidade e para o
mundo. Jesus regressa à sua terra, em Nazaré, e também entre os seus comunica,
com alegria e desprendimento, um DEUS próximo, amigo, que Se pode encontrar nas
coisas simples, nos acontecimentos presentes, e nas pessoas concretas que vivem
conosco.
Sem (mais) lamentos nem ameaças
coléricas, Jesus segue o Seu caminho, segue para o mundo, para outras cidades e
aldeias, para outras casas, deixando um rasto de esperança e de sonho, de
bondade e de vida nova. Quer contar, conta conosco. Chama discípulos – pessoas
como nós – para uma experiência admirável. Envia-os, para serem pescadores de
homens.
A casa é lugar de encontro, de
aprendizagem, de gestação, lugar onde se aprende a ser gente e se retemperam as
forças. É de casa que os discípulos são enviados para o mundo – campo de
evangelização.
“Jesus chamou os doze Apóstolos e
começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros e
ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem
alforje, nem dinheiro; que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas
túnicas. Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até
partirdes dali. E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os
habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como
testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento,
expulsaram muitos demônios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos”.
Não vão sozinhos, mas dois a
dois. Não vão em nome próprio, mas enviados por Jesus. Não se anunciam mas à
Palavra de Deus, com o poder de curar, e com a leveza da vida e do serviço. Não
precisam de muitas coisas, mas de disponibilidade para levarem Deus.
2. Apóstolos e/ou profetas, de
ontem e de hoje, não podem levar muitas coisas, muitos recursos, ou técnicas,
mas a leveza e a simplicidade da Palavra de Deus, com sandálias nos pés, sem
artifícios, nem manhas. Leveza para transparecer o amor de Deus. A opacidade é
contraproducente, e existe quando baseamos/centramos a missão nas nossas
capacidades. Leveza para aceitar as dificuldades e os obstáculos.
Jesus desengana rapidamente os
seus discípulos. Podem não vos ouvir. Podem não estar sensibilizados para
acolher as vossas palavras. Não façais disso um bicho-de-sete-cabeças. Sacudi o
pó das sandálias e parti para outra localidade.
O profeta Amós - Aquele que ajuda
a levar o fardo - envida uma missão épica, de trazer o povo de Israel de novo
para a Lei de Deus. De forma simples, às vezes rude, em linguagem profética,
não se cala perante os desvios e afastamentos da Aliança. Amasias, sacerdote de
Betel, disse a Amós: «Vai-te daqui, vidente. Foge para a terra de Judá. Aí
ganharás o pão com as tuas profecias. Mas não continues a profetizar aqui em
Betel, que é o santuário real, o templo do reino». Amós respondeu a Amasias:
«Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava
sicómoros. Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: ‘Vai profetizar
ao meu povo de Israel’».
Originalmente não era profeta,
educado no campo, era criador de animais (e não apenas pastor). Chamado por
Deus, luta contra as injustiças sociais, contra a opulência dos ricos e a
miséria dos pobres, contra o ritualismo religioso, esplêndido mas vazio de vida
e de Deus. Usa imagens riquíssimas do campo, denunciando falsas seguranças na
riqueza e nos ritos religiosos.
3. “Deus fala de paz ao seu povo
e aos seus fiéis e a quantos de coração a Ele se convertem. A sua salvação está
perto dos que O temem e a sua glória habitará na nossa terra”.
O salmista revela, em jeito de
oração, uma premissa essencial da Aliança de Deus com o Seu povo, Deus quer o
bem, a paz e a felicidade de todos. Por conseguinte, envia constantemente mensageiros,
os profetas e os sinais que os acompanham. Mais, vem Ele próprio, como Bom
Pastor para o meio do rebanho, em Jesus Cristo, que por sua vez assegura a Sua
permanência através da Palavra e dos Sacramentos, através dos Seus apóstolos,
de ontem e de hoje.
“Em Cristo fomos constituídos
herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que
tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, para sermos um hino de louvor
da sua glória, nós que desde o começo esperamos em Cristo... o Espírito Santo
prometido é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus
adquiriu para louvor da sua glória” (segunda leitura).
Os Apóstolos, como os profetas,
são enviados para fazer regressar a Deus todos aqueles que se perderam pelo
pecado e pela fragilidade do egoísmo e da inveja. São incumbidos de curar as
doenças do corpo e do espírito. Em Nazaré, Jesus não fez muitos milagres, mas
curou os doentes que Lhe apresentaram. Dá a mesma missão aos discípulos: curar,
reconciliar, converter. Somos herdeiros da Aliança de Deus com o Seu povo,
somos filhos no Filho, recebemos o Espírito da redenção, para sermos
transformados pela Sua graça e para testemunharmos em nós a salvação que Ele
nos dá.
padre Manuel
Gonçalves
A missão como vocação de ser discípulo
1ª leitura: Amós 7,12-15
A Palavra de Deus é o pão do
profeta
1. A leitura do profeta Amós é toda uma revelação
da sua vocação e da sua missão. Este relato faz parte de um texto biográfico
que marca as diferenças num livro que está cheio de visões e de revelações
(7,10-17). O chamamento de um profeta verdadeiro provoca sempre admiração e
desconcerto. Amós era um homem da aldeia de Tecua, no reino de Judá, ao sul de
Jerusalém, que foi enviado por Deus ao reino do norte, no momento de maior
esplendor da Samaria, sua capital mas, precisamente, quando mais injustiças e abusos
se verificavam. A história demonstra-nos que nessas situações, os egoísmos e o
afã do poder e do dinheiro de uns poucos prevalecem sobre a situação-limite dos
pobres e das viúvas. Amós apresenta-se na cidade de Betel, santuário real do
reino de Israel, onde o sacerdote Amasías lhe censura que venha indispor as
pessoas e julgar a monarquia, a corte inteira e os ofícios sagrados dos
sacerdotes do santuário, porque coloca em causa o statu quo.
Amasías tinha já os seus profetas ou teólogos oficiais já amestrados para
dizerem e agoirarem o que ele queria.
2. No entanto, Amós não é um profeta deste estilo;
ele foi chamado por Deus e o fez abandonar os seus campos e o seu rebanho, para
ir anunciar a Palavra de Deus. Por isso, Amós defende-se dizendo que "não
é profeta nem filho de profeta"; com isto quer dizer que não é um profeta
como os que dizem o que os poderosos querem que se diga, para que o povo acate
as suas decisões. Amós é um autêntico profeta que não pode calar a verdade de
Deus. O verdadeiro profeta não tem medo dos reis nem dos que detêm a ortodoxia
religiosa. Naquela cena de Betel (7,10-17), este camponês, cultivador de
sicómoros ou então pastor de gado bovino, não há-de dar tréguas às injustiças
que querem legalizar de uma forma religiosa. O profeta não trabalha para ganhar
de comer, porque quem assim o fizesse revelaria um interesse de falso profeta.
O verdadeiro pão do profeta verdadeiro é a "Palavra de Deus". Amós
tem, inclusive, de sair da sua terra, Judá, para ir para Israel e anunciar aí o
pão da Palavra viva de Deus que deve queimar a consciência dos instalados. O
verdadeiro profeta passa fome de pão, de tanto anunciar a Palavra de
Deus.
2ª leitura: Efésios 1,3-14
Deus "olha-nos" através
do seu Filho
1. Embora se proclame na nossa leitura que esta
carta é de São Paulo, a opinião mais difundida hoje, ainda que não seja geral,
é que é um documento posterior à escola paulina. É um escrito de uma grande
densidade teológica; uma espécie de circular para as comunidades cristãs da
Ásia Menor, cuja capital era Éfeso. Na realidade, o que hoje nos cabe proclamar
desta leitura é o famoso hino com o qual quase se abre a epístola. É um hino ou
eulogía (louvor) a Deus, provavelmente de origem batismal, como sucede com
muitos hinos do NT, tendo nascido na liturgia das comunidades cristãs. O seu
autor, como Paulo fez com os Filipenses (Fl. 2,5-11), integrou o documento,
dada a força que tem e porque não encontrou outras palavras melhores para
louvar a Deus.
2. Seria necessária uma análise exegética mais
profunda para poder dizer-se algo de substancial desta peça da liturgia cristã.
É curioso que estamos perante um hino que é como uma única frase, de princípio
ao fim, embora com o seu ritmo literário e a sua estética teológica. Canta a
exuberante graça que Deus derramou, através de Cristo, sobre os seus eleitos.
Vemos que, propriamente falando, Deus é o sujeito de todas as ações: eleição,
libertação, redenção, recapitulação, predestinação para sermos filhos. É
verdade: são fórmulas teológicas de caráter litúrgico nas quais nos descreve
este mistério. Mas tudo isto acontece em Cristo, pelo qual temos a graça e o
perdão dos pecados. E, por meio d'Ele recebemos a herança prometida. E em
Cristo fomos marcados com o selo do Espírito até chegarmos a viver a mesma
glória de Deus no final dos tempos.
3. O que é que podemos reter daquele documento?
Entre as muitas possibilidades de leitura, poderíamos fixar-nos no seguinte:
Deus, desde sempre, nos contemplou na perspectiva de Cristo. Deus olha para a
humanidade através do seu Filho e, por isso, não nos condenou nem nos condenará
jamais à ignomínia. Vemos que no texto há um "olhar" do Deus vivo.
Ele é um Deus da graça e do amor. A teologia da graça é, portanto, uma das chaves
para a compreensão deste hino. Sem a graça de Deus, não podemos ter a
verdadeira experiência de sermos filhos de Deus. O hino define a ação amorosa
de Deus como uma ação em favor de todos os homens. Estamos, pois, predestinados
a sermos filhos. Este é o "mistério" que quer cantar a Deus este
louvor. Canta-se, por isso; dá-se graças; sermos filhos é o contrário de sermos
escravos, de sermos um número do universo. É este o efeito da eleição e da
redenção "em Cristo".
Evangelho: Marcos 6,7-13
A evangelização itinerante
1. O Evangelho de Marcos é uma daquelas partes do
Evangelho que mais deram que falar. Trata-se do envio em missão dos Doze
discípulos que Jesus tinha escolhido (cf. Mc. 3,13-19). É uma missão em
itinerância, já que o Reino de Deus que devem anunciar e que Jesus está a dar a
conhecer deve ter um caráter de peregrinação. Afirmou-se que as condições
espartanas deste envio tinham sido cultivadas pelos discípulos itinerantes que
tiveram de ser escorraçados de muitos lugares do judaísmo. Pensou-se,
inclusive, que para entender estas exigências foram tidas em conta umas
condições que a Mishná (livro que, no séc. II d.C. reúne os ensinamentos dos
rabinos) estabelece para a peregrinação ao templo, quando este ainda existia. A
diferença é que Jesus propõe que levem bastão e sandálias, ao contrário do que
era exigido para fazer a peregrinação ao templo de Jerusalém (de fato o bastão
e as sandálias estão ausentes nos respectivos textos em Mt. 10,10; e em Lc 9,3;
10,4). Acontece que os discípulos cristãos não vão a um lugar santo, mas devem
levar um bastão para percorrerem todos os caminhos do mundo e umas sandálias
para que os pés não fiquem magoados.
2. A peregrinação cristã é, portanto, ao mundo
inteiro, onde vivem os homens, para que conheçam a mensagem de salvação que
Jesus trouxe para todos os homens, sem excepção. Os elementos mais negativos
puderam, provavelmente, juntar-se mais tarde no mundo dos
"carismáticos-itinerantes" que eram rejeitados pelos círculos e
comunidades judaicas ou judaico-cristãs mais estabilizadas. Mas devemos
valorizar o sentido genuíno das palavras de Jesus, no seu alcance positivo e
universal. É verdade que nos encontramos face ao que parece um programa de
crítica radical da sociedade. Alguns viram nestas palavras uma espécie de
oposição entre itinerantes e sedentários; entre carismáticos ambulantes e
simpatizantes locais. Não podemos fechar os olhos a estas tensões, mas também é
verdade que o movimento de Jesus, onde estas palavras registraram o seu clímax,
até as transformar e adaptar, e mostram a relação entre o reino de Deus que
Jesus tinha pregado e as opções apocalípticas e escatológicas de alguns grupos
do cristianismo primitivo. Continuarão a ter valor no nosso mundo e na nossa
cultura? Claro! O valor que Jesus lhes deu: que o reino estava a chegar e a
melhor maneira para os seus era uma "desapego" das coisas do mundo
que não eram necessárias.
3. O mundo dos pobres, dos desprendidos, dos
"contra-culturais" é algo que não podemos perder de vista na leitura
deste texto evangélico, baseado em palavras de Jesus, para não entender o reino
de Deus à maneira como os homens entendem o poder do dinheiro e da eficácia.
Alguns autores modernos, na leitura de um texto como este, recorreram à
comparação com o grupo itinerante dos "cínicos" no mundo grego. Mas
pensamos que não se deve exagerar na comparação. Os itinerantes do reino têm
outra identidade, sem dúvida. O radicalismo com que estão formulados estas
palavras é acolhido de muitas formas e de muitas maneiras. Alguns falam dos
párias e afirmam que o Evangelho só pode ser vivido neste contexto. Mas não é
possível "ser excluído" sem ter de abandonar casa, família e terra?
Claro que sim. O Evangelho é para todos e o reino é para todos. Todavia, temos
de aceitar que há pessoas que não podem entender isto, sem uma
"exclusão" mais radical. Trata-se não de uma questão de estética, mas
de consciência pessoal e de livre escolha na maneira de viver a condição de
discípulo de Jesus.
4. Construir uma "comunidade" sobre esta
itinerância é uma das chaves dos seguidores de Jesus. Ele foi um itinerante que
proclamava o reino em aldeias e vilas. A itinerância tinha a seu favor algo de
novo, qualquer coisa não estabilizada para sempre. O reino ao qual Jesus dedica
todas as suas forças exige uma liberdade soberana que vai mais além do que as
pessoas normais podem viver. Por isso mesmo, não seria acertado dizer que o
"movimento do reino" – como um famoso exegeta chama aos seguidores de
Jesus, o que me parece muito em consonância com o que Jesus pregou – é algo
semelhante ao movimento "cínico". Jesus pôde verificá-lo na Galileia
urbana, em Séforis, a capital, antes da sua destruição, mas sem qualquer
relação com eles; depois, os que se consideraram membros deste "movimento
do reino" puderam ter alguns contactos. O que acontece é que a história
social e antropológica mostra umas coincidências às vezes surpreendentes. Não é
correto querer entender o Evangelho da "radicalidade", partindo das
chaves do movimento cínico. No cristianismo primitivo houve, sem dúvida,
correntes diversas e algumas ideias apoderaram-se das palavras de Jesus e
aplicaram-nas com todo o rigor. Mas a verdadeira evangelização não é
interpretar todas as expressões rigorosamente, ao pé da letra ou de forma
fundamentalista.
5. Será que o nosso texto nos ensina isso da
"felicidade pela liberdade?" Sem dúvida que sim. Então alguns dirão
que era isso mesmo o que pretendiam os cínicos. Mas não devemos esquecer que o
cristianismo verdadeiro não se decide apenas a partir daquela ética radical da
auto-exclusão e do desprendimento. O mais importante e decisivo é o amor,
inclusive aos inimigos, por muito diferentes que sejamos. Jesus era um profeta
com tudo o que isso significa no mundo bíblico. E, desde logo, devemos ser
verdadeiramente livres e é isto o que Jesus incutia nos seus. Devemos ser
verdadeiramente livres das coisas que nos atam ao mundo. Mas o reino não pode
ser construído apenas através do desenraizamento assumido e, ainda menos, se
esse desenraizamento levar a troçar dos costumes e dos convencionalismos dos
outros (como faziam os cínicos). O reino constrói-se na liberdade pessoal e
comunitária, mas muito mais ainda, sobre a misericórdia e o amor aos outros nas
suas debilidades.
fray Miguel de Burgos Núñez
tradução de Maria Madalena
Carneiro
"A
liberdade do discípulo"
Li dia desses, em uma mensagem
que alguém me enviou, a história de alguns jovens que se aventuraram em escalar
uma alta montanha onde a caminhada seria extremamente difícil e cansativa, um
deles, preparou seus apetrechos, no que foi censurado pelo outro, que tinha
maior experiência, mas teimosamente insistiu em levar tudo o que julgara
necessário, em sua caminhada até o cume. Não é preciso dizer que na metade do
caminho, ele teve que desfazer-se de algumas coisas e se em outra parada, não
descartasse mais da metade dos objetos que levava na mochila, não conseguiria
chegar.
Tivemos em Votorantim um grande
escritor chamado João Kruguer, cuja memória está preservada em nosso museu, ele
tinha uma máxima que sempre norteou sua vida “Somente o necessário é
necessário”. Esse pensamento por si só, desmonta a estrutura do consumismo, que
vai esvaziando o homem nos dias de hoje, de valores importantes, convencendo-o
de que a felicidade está reservada aos que podem consumir. Por aí dá para
perceber como o ensinamento do santo evangelho é atual e sempre o será.
Quem quiser ser discípulo e
missionário do Senhor, como nos ensina a igreja a partir do Documento de
Aparecida, certamente não poderá colocar sua segurança nos bens de consumo que
o mundo globalizante nos oferece. Simplesmente porque aquilo que ele anuncia, é
revolucionário e milhões de vezes mais valioso e do que qualquer outro valor
que o pós-modernidade pode oferecer.
Na minha infância lembro-me do
São João, que vendia deliciosas cocadas com seu carrinho verde, que quando
passava pela saudosa vila Albertina, era uma tentação para as crianças e um
martírio para os pais, entretanto, um dia, o vi comprando doces no armazém
do São Alexandre dando-me a impressão de que ele mesmo não botava
muita fé na qualidade dos doces caseiros que fabricava. Assim também, os
missionários enviados por Cristo podem correr o risco de colocarem sua
segurança em outros valores senão aqueles do evangelho que anunciam e nesse
caso, a mensagem não teria crédito junto aos ouvintes. É está a preocupação de
Jesus, que o missionário evangelizador, portador da maior de todas as riquezas,
que é o evangelho, não se apegue a outros bens, valorizando-os muito mais do
que o anúncio que fazem.
Por isso, como dizia o nosso escritor
João Kruguer, tio do Padre Inácio, só se deve levar o necessário, um cajado,
uma sandália e uma só túnica. O pão não lhe faltará pois a quem dá o verdadeiro
alimento, nunca perecerá por falta alimento material, quanto a sacola, esta
serve para acumular coisas, e hoje em dia, as de plástico são uma ameaça ao
meio ambiente, dinheiro na cintura significa poder, mas o coração das pessoas
nunca está a venda, pregador que “compra” seus ouvintes com outros recursos,
ficará um dia falando sozinho. A casa oferece abrigo seguro, a amizade e o
carinho das pessoas que nos acolhem, conforto e alimentação, entretanto, isso
não poderá deter o discípulo de seguir seu caminho, mas também não deve ele
sentir-se preso as pessoas afetivamente, a ponto de não lhes dizer a verdade
que precisa ser anunciada, para o missionário não é a amizade das pessoas ou o
que elas oferecem, que é o mais importante, mas sim aquilo que eles anunciam.
Por outro lado, a história de se
bater a poeira dos pés, como testemunho contra os que não acolheram o discípulo
e nem aceitaram ouvir a Boa Nova, me faz lembrar mais uma vez do marketing dos
produtos que nos são oferecidos, uma vez me desgostei com uma determinada
seguradora de veículos, que agiu de má fé na prestação de seus serviços, lembro-me
que na empresa onde trabalho, certo dia essa seguradora foi fazer sua
propaganda entregando adesivos na hora da saída, que eu educadamente recusei,
como é que vou aceitar uma propaganda de uma empresa que me decepcionou?
Há pessoas que nesta vida recusam
acolher o evangelizador porque não aceitam a palavra de Deus, mas depois
procuram a igreja nas horas de aperto, para receberem algum sacramento, ou
pedirem oração, é muito estranho que, não tendo nenhum vínculo, e tendo
recusado a Palavra libertadora e vivificadora, ainda pensem que a Igreja tenha
que lhes dar algo, quando precisam. Jesus é muito claro quanto a isso: nenhum
vínculo deve haver entre essas pessoas e o evangelho, deve o evangelizador
respeitar o direito que as pessoas têm, de recusar a Palavra, e que não haja da
parte desses, nenhuma insistência, mas que se rompa totalmente, isso é, bater o
pé, nenhuma poeirinha deve ficar, o Reino de Deus e o anúncio do evangelho, a
gente aceita por inteiro, é tudo ou nada!
Muita gente quer um cristianismo
fragmentado, aceitando-se apenas aquilo que lhe convém. E no versículo final
algo que chama a nossa atenção, os doze partiram em missão, evangelizar,
portanto, é missão de toda igreja, e a conversão é a primeira abertura à
palavra de Deus, quem não aceitar esse cristianismo radical que requer uma
mudança de vida, nunca terá forças para expulsar de sua vida as forças
demoníacas que se opõe aos princípios cristãos, permanecerá na doença do
pecado, recusando a santa unção do Espírito Santo, porque no fundo não crê na
cura da Salvação que Jesus oferece. (15º. Domingo do Tempo Comum – Mc. 6, 7-13)
diácono
José da Cruz
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