18
DOMINGO DO TEMPO COMUM
05
de Agosto – Ano B
Evangelho – Jo 6,24-35
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A multidão esperava Jesus, com a esperança de matar a fome física.
Porém, quando Jesus anunciou um alimento que nos faz viver eternamente, o povo
ficou bem animado, e com certeza, aquela gente estava pensando em viver
eternamente esta vida terrena, pois não havia entendido direito o que Jesus
havia explicado, pois Jesus se referiu à vida eterna.
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“ EU SOU O PÃO DA
VIDA.” – Olivia Coutinho
18º DOMINGO DO TEMPO COMUM.
Dia 05 de Agosto de 2018
Evangelho de Jo6,24-35
Estamos no início do
mês de agosto, o mês vocacional, tempo que nos convida
à conscientizarmos sobre a importância de assumirmos o
nosso compromisso como Igreja na sociedade.
Temos uma missão a
cumprir e esta missão, parte do nosso compromisso primeiro: o compromisso com a
vida!
Descobrimos o verdadeiro sentido do nosso existir, quando abraçamos a nossa vocação!
Vocação, é um caminho de
felicidade e de santidade, é chamado e resposta, é uma semente divina, ligada a
um “sim” humano!
A nossa vida em plenitude, não
vem pronta de cima, ela é construída aqui na terra, na vivencia do amor, que
podemos traduzir em partilha da vida.
Uma vida partilhada se converge
em mais vida para outros, aí está, a importância de viver a nossa vocação,
fazendo da nossa vida, uma oferta de amor, aproveitando as nossas
aptidões para trabalharmos na construção do Reino.
O evangelho que a liturgia de
hoje nos convida a refletir, fala-nos, que a mesma multidão que fora
saciada no episódio da multiplicação dos pães, vai atrás de Jesus, em busca de
mais pão.
“Vocês estão me procurando não
porque viram os sinais, mas porque comeram dos pães e ficaram satisfeitos”.
Antes da multiplicação dos pães,
esta mesma multidão, buscava Jesus, porque gostava de ouvi-lo, mas depois deste
episódio, o interesse mudou, a maior parte deste povo, passou
a procurá-lo, com o interesse de conseguir o alimento de forma fácil.
Com a multiplicação dos pães,
Jesus não quis somente matar a fome
daquela multidão, como quis também, despertar no povo, o
espírito da partilha, a buscarem o Pão da vida eterna,
que era Ele!
O ensinamento passado por
Jesus na multiplicação dos pães, não fora absorvido, a multidão
estava tão voltada para o pão material, que não fora capaz de entender a
profundidade daquele sinal, um sinal, que apontava para algo bem maior do que o
pão material: o Pão da vida que é Jesus!
A partir daquele episódio,
Jesus passou a ser visto como um milagreiro, alguém que matava a
fome do povo num passe de mágica, o que não condiz com a verdade do evangelho. Deus, não enviou seu Filho
ao mundo, com a finalidade de resolver as questões humanas, e nem para realizar
milagres, Jesus veio ao mundo para nos ensinar a viver, para nos mostrar com a
sua vida, o caminho que nos leva ao Pai. Um caminho que perpassa pela a
partilha da vida, pela vivencia do amor! Os milagres que Jesus realizava, ora,
era, por compaixão, ora, para servir de sinal de que Ele era o enviado de Deus!
As questões humanos, são de responsabilidade humana, o que Jesus faz, é
apontar caminho, como apontou na multiplicação dos pães. O alimento que
saciou a fome da multidão, não caiu do céu, foi fruto da partilha, simbolizado
no gesto de um menino, que doou o que tinha: 5 pães e dois peixes.
Preocupamos muito com o pão
material, queremos ter sempre a garantia de que ele nunca irá nos faltar, mas
muitos de nós deixamos de buscar o principal, o Pão que não perece, o Pão da
vida que é Jesus!
Como aquela multidão, que procura
Jesus, em busca de mais pão, nós também, muitas vezes, procuramos Jesus somente
para pedir, mas nunca nos colocamos prontos para servir.
A vida iniciada aqui na terra,
quando alimentada do Pão da vida que é Jesus, não será interrompida com a morte
física. É o próprio Jesus que nos faz esta promessa, ao nos indicar o caminho
da eternidade: “Eu sou o pão vivo, descido do céu. Quem comer deste pão viverá
eternamente.” (Jo6,51)
Jesus é o pão para vida de todos,
Ele é amor que se doa, busquemo-lo, não pensando em ter uma vida fácil, mas em
trazê-lo para dentro de nós, no sentido de fazer da nossa vida, uma oferta de
amor aos irmãos.
O nosso alimento material, não
cai do céu, temos que batalhar por ele. E para que este alimento, que é fruto
do trabalho humano, não falte para ninguém, é preciso que haja
partilha. Quem se alimenta do pão da vida, nunca vai deixar faltar pão na
mesa do seu irmão.
Trabalhar pelo o Pão que não perece, é pautar a vida no exemplo de
Jesus! É configurar nossa vida, na vida Dele, fazendo o mesmo que Ele fazia.
FIQUE NA PAZ DE JESUS -
Olivia Coutinho
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Os melhores
dons de Deus
Deus não se limita a dizer que
ama. Ele que nos deu a vida continua a acompanhar-nos em todos os momentos do
nosso caminho humano. Já foi assim com o povo de Israel. Depois de ter
escolhido Abraão, depois de ter acompanhado Isaac e Jacob, continuou presente
ao povo libertando-o do Egito. Nas dificuldades do deserto deu-lhe o maná como
alimento (1ª leitura). A expressão máxima do amor de Deus para com a
humanidade, esteve em dar-lhe o seu próprio Filho. “Deus amou tanto o mundo que
lhe deu o seu Filho Unigênito” (Jo 3,16). Vindo à história humana por um ato de
amor do Pai, Jesus ama todos os que o rodeiam até ao mínimo pormenor. Não é por
isso de estranhar que perante uma multidão que o seguia, Ele quisesse dar-lhes
o pão. Uma vez saciadas, porém, as multidões continuaram a pedir-lhe pão. É
então que Jesus com toda a clareza lhes diz: “não vos dou mais pão” (cf. Jo
6,59). Promete, porém, um pão diferente, o Pão Vivo descido do céu, bem
diferente do maná. Este pão novo é o que dá a vida (Evangelho). A fechar a
liturgia deste domingo, a Igreja oferece-nos um lindíssimo texto de Efésios em
que o cristão é convidado a viver, não como os pagãos que não têm esperança,
mas como “homens novos” que recebem de Cristo um sentido novo para a própria
vida (2ª leitura).
1. O maná no deserto
O Povo de Israel sempre se
revelou um povo rebelde. À menor contrariedade interpelava Moisés e
revoltava-se contra Deus. O caminho do deserto não era feito de facilidades. O
Povo sentiu a fome e a sede da mesma maneira que sentiu a perseguição dos povos
nômades e o perigo das serpentes. No meio das dificuldades, os hebreus
revoltam-se contra Deus e dizem mesmo ter saudades das “cebolas do Egito”. Deus
longe de castigar o povo, vai ao encontro das suas dificuldades, dá-lhe as
codornizes, carne para o seu sustento, e o maná como pão descido do céu. No
meio das dificuldades, também agora, Deus está sempre com aqueles que n’Ele
creem.
2. Eu sou o Pão da Vida
O capítulo 6 de são João faz a
promessa da eucaristia. Se os peregrinos do deserto foram alimentados com o
maná, os cristãos serão alimentados com o Novo Pão descido do céu. Jesus poderá
dizer “o Meu Corpo é verdadeira comida”. A partir desta promessa os cristãos
sabem que podem alimentar-se do Corpo de Cristo. E têm uma garantia se o Povo
hebreu comeu do maná e morreu, quem comer do Corpo do Senhor viverá
eternamente. A Eucaristia, isto é, o Corpo e Sangue de Jesus está no centro de
toda a espiritualidade cristã. É um alimento que dá uma vida nova. Com razão,
Jesus pode dizer “Eu Sou o Pão da Vida; quem comer deste Pão viverá
eternamente” (Jo 6,51).
3. O homem novo
Alimentados com o Corpo e o
Sangue de Jesus, os cristãos são convidados a serem homens novos. Não podem
viver como os pagãos, mergulhados na futilidade dos seus pensamentos, têm de
renovar-se no Espírito e na verdade. O homem novo sê-lo-á na justiça e na
santidade verdadeira. A justiça permite-lhe uma relação nova com todos os
outros, a santidade garante-lhe “a plena e perfeita comunhão com Cristo” (LG
50).
monsenhor Vitor Feytor Pinto
“Revista de liturgia diária”
Neste domingo a Palavra de Deus
descreve um povo preocupado unicamente pelo pão material. Vive reclamando,
porque só o “pão material” (a busca de bens materiais) é incapaz de dar sentido
à vida (1ª leitura). Neste contexto, Paulo introduz um elemento concreto para a
vida pessoal, convidando a abandonar a mentalidade do “homem velho” e
revestir-se de Cristo como pessoas novas (2ª leitura). Para completar o quadro,
veremos como Jesus, diante daquele povo que o buscava apenas por causa do pão
que havia multiplicado, aproveita para mostrar que existe outro “Pão da Vida”
(evangelho); bem mais necessário para nós porque, além de matéria, somos
espírito a ser alimentado para alcançar um modo de vida na qual nos sintamos
plenamente realizados.
1ª LEITURA:
Êxodo 16,2-4.12-15
O texto apresenta o povo de
Israel caminhando pelo deserto rumo à Terra Prometida, mas reclamando da falta
comida. Quando eram escravos tinham o que comer; agora, livres, passam fome.
Diante disto, questionam se a liberdade valeu a pena. Não sabem o que é melhor:
viver sem liberdade com a comida garantida ou ser livres tendo que procurar sua
subsistência. É o eterno dilema do ser humano: alguns preferem vender a
liberdade “por um pedaço de pão” em lugar de aprender a “caçar codornizes” e
descobrir como ganhar o pão no deserto da vida.
Diante desta reclamação, Deus se
mostra compreensivo com seu povo e, num gesto de compaixão, aceita tomar uma
atitude paternalista (“assim ficarão sabendo que eu sou Javé seu Deus”) para
que não venha a desistir de seu projeto de vida.
Para evitar o protecionismo,
porém, exige deles uma atitude de sobriedade e confiança, determinando que cada
um colha apenas o que vai consumir no dia e se promova uma distribuição
igualitária do alimento de forma que todos tenham o mesmo direito ao Maná e (sem
faltar nem sobrar para ninguém) se evite a acumulação, que é a raiz da
desigualdade social.
Aí está algo muito importante
para nós se quisermos construir uma sociedade verdadeiramente humana, justa e
fraterna!
2ª leitura:
Efésios 4,17.20-24
Nesta segunda leitura, Paulo
pede aos cristãos de Éfeso que se deixem renovar pelo Espírito Santo numa
“transformação espiritual da inteligência” e passem a viver e agir de um modo
digno de quem tem fé em Cristo. Trata-se de não mais viver “como os pagãos,
cuja mente é vazia”, e de abandonar o estilo de vida anterior à conversão para,
daí por diante, caminhar pelo novo caminho da vida cristã, guiados e
fundamentados no verdadeiro conhecimento de Cristo.
Paulo compara esta nova vida ao
nascimento do “homem novo”, “criado segundo Deus na justiça e na santidade que
vem da verdade” em contraposição ao “homem velho, que se corrompe com paixões
enganadoras”. Escolher este novo modo de vida é escolher a novidade do
Evangelho e escolher o próprio Cristo. Romper com o homem velho é estar
dispostos a uma continua renovação no Espírito, a viver na justiça e na
santidade, a ser justos e retos no agir.
Com estas palavras, Paulo quer
mostrar a ruptura que deve acontecer entre o “antes” da conversão e seus velhos
costumes e o “agora”, depois do encontro com Cristo. É a nova identidade a ser
assumida depois do Batismo, agora revestidos com do “homem novo” para
experimentar a vida em plenitude e comunhão que Deus quer para todos nós.
Evangelho:
João 6,24-35
A multidão procura Jesus,
desejando continuar numa situação de abundância e governada por um líder
político que decida e providencie tudo sem exigir esforço.
Jesus mostra que o pão material,
embora necessário, não é o mais importante na vida (“não trabalhem pelo
alimento que se estraga; trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna”).
Existe algo bem mais profundo pelo qual vale a pena viver, embora exija empenho
absoluto do ser humano. É a adesão pessoal a Cristo para que esta vida se torne
plena e definitiva.
Neste texto do Evangelho
percebemos claramente o modo admirável de Jesus fazer catequese. Aproveita o
impacto produzido pela multiplicação dos pães e até mesmo o interesse mesquinho
do povo pelo pão de cada dia para convidá-lo a ir além do “alimento que se
estraga” para descobrir o “alimento que dura para a vida eterna”. Ele lhes
promete este alimento e assim os conduz para outra dimensão, isto é, para “a
obra de Deus” que consiste em aderir a Ele pela fé e agir seguindo seu
ensinamento.
Não é uma fé cega o que Ele
quer. Por isso aceita ser questionado (“Que sinal realizas para que possamos
ver e acreditar em ti?”) e é respondendo a esta pergunta que Jesus dá mais um
passo, comparando-se com o Maná (“o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá
vida ao mundo”) para provocar a mente do povo.
Sem ainda mostrar o verdadeiro
motivo que o levou a multiplicar os pães, os ajuda a descobrir o alimento “que
dura para a vida eterna” e desejá-lo abertamente com uma súplica («Senhor,
dá-nos sempre desse pão»). E é só neste momento, depois deles terem superado o
imediatismo do pão material, que conseguiram entender o que estava querendo
lhes dizer. Então pedem abertamente o alimento espiritual para o sustento da
alma. A resposta de Jesus (“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais
fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede”) mostra que é preciso dar um
sentido à vida, com algo que garanta a estabilidade existencial e alimente a
vida interior. Isto acontece com aquele que se alimenta do “verdadeiro pão que
vem do céu”, isto é, da união com Cristo.
Alguém viu uma catequese mais
completa? Alguém conhece uma pedagogia mais moderna? Este é Jesus, o Mestre!
Ninguém como Ele sabe ensinar! Ninguém como Ele sabe respeitar a inteligência
humana no processo de descobrimento de uma fé adulta, não imposta por ninguém,
mas fruto de uma descoberta realizada passo a passo pelo ser humano...
Realmente, temos muito que aprender!
Palavra de
Deus na vida
Depois da multiplicação dos
pães, Jesus fugiu porque queriam fazê-lo rei. Quando, por fim, o encontraram,
Ele lhes mostra que, além do alimento material que pode estar ao alcance de
todos através da partilha, é preciso procurar o “alimento que dura para a vida
eterna”. Buscar o sentido da vida no “pão material” não satisfaz aquela outra
fome muito mais intensa do coração humano, que é a fome de Vida, de Luz, de
Verdade. Principalmente, a fome mais profunda: a fome de Amor, que inclui a
fome de compaixão, de compreensão, de reconhecimento dos valores, de companhia,
de afeto, de ternura, de realização pessoal..., mas que, bem lá no fundo, não é
outra coisa que fome do infinito, fome de Deus “porque Deus é amor” (ver 1 João
4,8). Bem do jeito que expressa Sto. Agostinho na famosa frase: “Fizeste-nos,
Senhor, para Vós e o nosso coração está inquieto em quanto não descansar em
Vós”.
Diariamente somos bombardeados
por um tipo de propaganda que pretende alimentar-nos com bens materiais como se
eles pudessem dar o sentido último às nossas vidas. É claro que o Evangelho não
coíbe a posse dos bens materiais, mas deixa bem claro que viver só para ganhar
dinheiro e possuir muitos bens é bem pouco; a vida é mais do que isso. A
realização do ser humano está muito alem das “panelas de carne”, das quais
lembravam os judeus no deserto (como lemos na 1ª leitura).
A proposta do Senhor é muito
clara: os bens materiais servem para nosso uso, mas são incapazes de dar
sentido à vida. Este é o motivo pelo qual Jesus se faz alimento: porque só Ele,
sua Palavra e seu Espírito (presentes no “Pão da Vida”) são capazes de dar
sentido à nossa existência.
Hoje entendemos que esse
“alimento que dura para a vida eterna” é a Eucaristia, que é o Senhor Jesus
Cristo, entregue para a vida do mundo, o único que pode saciar nossa fome de
infinito se nós, como aquele povo, formos capazes de abrir o coração e pedir:
«Senhor, dá-nos sempre desse pão».
É preciso acreditar em Jesus,
presente na Eucaristia, e recebê-lo com a certeza de que pode saciar a fome de
nossa alma, indo a Ele com confiança para ouvir a palavra consoladora no íntimo
de nós: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem
acredita em mim nunca mais terá sede”. Nesta união, a fome e sede do infinito
ficarão saciadas.
padre Ciriaco Madrigal
"O Pão de
Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo"
Domingo do verdadeiro pão do
céu. O 17º domingo do tempo comum inaugurou a série de celebrações em que
aparecem trechos do Evangelho de João, na liturgia da Palavra. O cenário
bíblico-litúrgico muda completamente. Abandona-se a perspectiva de Marcos que
retornará no a partir do 22º Domingo e se adentra pelo caminho simbólico
proposto pelo Evangelho de João, onde tem lugar a dinâmica do discurso de
Jesus, com suas ricas conversas com os discípulos. Serão quatro domingos que em
que se distribuirão partes do capítulo 6 do Evangelho de João. Na verdade,
seriam cinco, mas a celebração da Assunção de Maria ocupa, no Brasil, o lugar
do 20º Domingo. De todos os modos, há que se pensar a celebração no contexto de
cinco semanas entre o 17º e o 21º domingo.
Sabemos que povo que não tem
memória, não é povo. Para nós cristãos, a memória semanal da Páscoa de Jesus,
ligada aos fatos concretos da vida, é fundamental na perseverança da fé.
Na celebração eucarística de
hoje, somos convidados a dar um salto de qualidade na nossa fé. Ao invés de
esperarmos o pão caído do céu, precisamos nos abrir para receber o verdadeiro
Pão, que é Jesus.
Cada domingo é uma festa da
Ressurreição do Senhor. Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se
manifesta no seu encontro com a multidão faminta, e em todas as lutas pela vida
em abundancia.
Primeira
leitura - Êxodo 16,2-4.12-15
O livro do Êxodo dividi-se em
três partes: a libertação ou o Êxodo do Egito (1,1-15,21; Israel no Deserto
(15,22-18,27); Israel junto ao monte Sinai: a Aliança e a Lei (19,1-40,38).
Na leitura de hoje contemplamos
Deus que sacia o povo com o maná, no deserto. O caminho de Israel pelo deserto
é ambíguo. O povo é duro de cabeça e de coração e murmura contra Deus. No
entanto, Deus é generoso e atende ao murmúrio do povo com "o pão que desce
do céu, como diz poeticamente o Salmo 77/78 (Salmo responsorial). Na realidade,
o maná é um produto natural (resina de tamareira), mas, no contexto do Êxodo,
era um sinal da incansável providencia de Deus (Êxodo 16,2-4; cf. Êxodo
5,20-21; 14,11-12; 15,24; 17,2-3; Números 11,4-9; Deuteronômio 8,3.16; Salmo
147,16-17[146,5-6]; Eclesiástico 43,21[19].
O maná é uma solução inesperada,
a ponto de fazer surgir entre os israelitas a pergunta que ficará impressa para
sempre no seu nome: "Man hû': que é isto?" (versículo 15). O maná não
é só alimento para sustentar o corpo, mas traz também consigo um forte valor
simbólico. Mostra que a liberdade plena é possível porque Aquele que nos chama
à liberdade está perto de nós, para nos ajudar a consegui-la. Esse sinal
aponta, porém, para outra realidade bem mais importante: a Palavra de Deus. É
ela que alimenta o povo, fortalece a esperança, esclarece a mente e anima o
coração do caminheiro. O livro do Deuteronômio vê assim o significado do sinal
do maná: mais do que "encher a barriga", Deus queria
"educar" o seu povo para acolher e acreditar na sua Palavra. "O
homem não vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca de
Deus" (Deuteronômio 8,2-5).
O fundo religioso do relato
refere-se à certeza adquirida pelo povo de uma intervenção particular de Deus.
Os hebreus passam por uma crise bastante forte de desânimo e colocam em questão
a própria libertação (vs. 2-3), quando um fenômeno natural excepcional se
produz (v. 4). Os hebreus vêem nessa coincidência entre seu desânimo e a
aparição do maná, um sinal da presença divina, destinado a dar-lhes segurança.
Comer o maná significa,
portanto, acreditar na Palavra de Deus e, também, aceitar o projeto de vida
traçado pelo Senhor nos Mandamentos. Estes, depois, indicam que a própria
liberdade se consegue somente lutando pela liberdade dos outros. Em última
análise, o maná simboliza os ideais de justiça e de solidariedade que emergem
da Aliança. Por isso, comer o "pão" que vem "do céu"
comporta um forte empenho no serviço a todo o povo.
Salmo responsorial
77/78,3-4.23-25.54
É uma exposição sapiencial sobre
a história de Israel. É um salmo histórico, pois conta parte da história do
povo de Deus. Para o povo da Bíblia, contar a história é mostrar a sucessão de
gerações, sem perder a memória histórica. Povo se memória é povo sem história,
sem raízes e sem identidade.
Um acontecimento do passado pode
exercer a sua influência sobre os nossos dias. Recordando (vs. 3-4) a dádiva do
"maná" (vs. 23-25), os israelitas de todas as gerações são
estimulados a acreditar no Senhor e a observar os seus Mandamentos. Só assim
podem confiar n'Ele e rezar para os assista nas dificuldades que encontram
Os vs. 3-4 é um ensinamento
tradicional, passado de pais para filhos: seu tema principal são as grandes
ações históricas de Deus. A "tradição" é história e memória. Os
versículos 23-25 coloca em destaque a providencia de Deus em favor do seu povo.
Concede ao seu povo um alimento mais maravilhoso que a bebida: o maná e as
codornizes.
A história da salvação continua
até à ocupação da terra prometida: é terra "santa", propriedade de
Deus, e Ele a entrega como herança, para que as gerações futuras a herdem (vs.
54-55).
O rosto de Deus neste Salmo é de
libertador, aliado fiel que não falha. Tem compaixão das fraquezas do parceiro,
cumprindo sua parte e perdoando as cabeças do povo aliado. Os erros do povo não
O fazem perder a paciência nem a confiança. Pelo contrário, quer que aprendemos
com os nossos erros e os erros dos outros. No fundo, é o Deus que se sente
feliz quando o ser humano é feliz.
Desde pequeno, Jesus aprendeu a
história do seu povo. Os evangelhos O apresentam como o Deus-conosco (Mateus
1,23; 28,20), encarnado em nossa história (João 1,14). Ele também tem
antepassados que acertaram e erraram. Basta estudar suas genealogias (Mateus
1,1-17 e Lucas 3,23-38). Encarnou-se a ponto de seus conterrâneos duvidarem
Dele (Marcos 6,1-6). Ensinou a tirar lições das tragédias e fatos desagradáveis
(Lucas 13,1-5).
Cantando este Salmo na
celebração deste Domingo, bendigamos ao Senhor pelo maná no deserto e pela
fecundidade da terra que nos dá, a cada dia, o sustento de nossa vida.
Segunda
leitura - Efésios 4,17.20-24
Os primeiros versículos trazem
presente os grandes temas da evangelização: "aprender, ensinar,
ouvir" (v. 21) supõe a pregação apostólica; a "maneira dos
pagãos" (v. 17) traz presente a conversão que esta evangelização
acarretou.
O núcleo desta pregação e o
motivo desta conversão são Jesus-Verdade (vs. 20-21). Este tema da verdade
ocupa um lugar um lugar importante nessa temática (vs. 15, 21, 24, 25, 5, 9; 6,
14) e remonta provavelmente à primeira catequese batismal ao querigma
apostólico (cf. Tiago 1,18; Efésios 1,23).
Para Paulo, essa verdade é a
revelação de Deus em Cristo (2 Coríntios 4,2) e, muito especialmente, a
revelação do "mistério" (Romanos 16,25); Colossenses 1,26), a saber,
o acesso de todas as pessoas à salvação.
Revestir-se com Jesus Cristo, o
homem novo. Cristo é o homem novo; nele se plenifica a palavra de Gênesis 1,27:
o homem é criado à imagem de Deus (Efésios 4,24). Devemos despir-nos do homem
velho, inautêntico, e revestir-nos com o novo, que vive para sempre a verdade e
a santidade (Efésios 4,17 cf. Romanos 1,21-4,22-24 cf. Colossenses 2,6-7;
3,9-10; Gálatas 6,8; Efésios 2,15; Gálatas 3,27; Romanos 13,14).
A fé cristã consiste
substancialmente num encontro, ou seja, na descoberta d'Aquele que tomou opções
radicais e as levou a termo à custa do próprio sangue. É precisamente neste ato
de relacionar-se com Jesus, em procurar compreender cada vez mais em
profundidade quem Ele foi e que sentido Ele deu à Sua vida, que o cristão, aos
poucos, vai mudando o seu modo de pensar e de julgar a realidade em que vive.
Desta experiência sai depois um novo modo de comportar-se com os outros,
expressão visível de opções pessoais, diversas vezes em contraste com o modo
comum de pensar. Nasce assim um homem novo, que absorve em si a justiça e a
santidade de Deus.
Evangelho -
João 6,24-35
No Evangelho que lemos hoje em
nossa celebração, Cristo acaba de realizar a multiplicação dos pães (João
6,1-15). Dessa ação de Jesus, a multidão ficou maravilhada e interpretou como
fosse um sucesso de Jesus, como Messias político.
O discurso do pão da vida parte
destes dois fatos. As multidões comeram um alimento perecível, mas existe um
outro alimento que permanece para a vida eterna (vs. 26-17); as multidões
procuram um fazedor de milagres, mas a personalidade de Jesus é de outra ordem
(vs. 26-27), e não são as obras realizadas até então pelo povo que poderão
merecer a salvação: a única obra que vale é a de seguir Jesus Cristo (vs.
28-29).
As multidões ficaram
decepcionadas com a argumentação de Jesus e querem rebaixar as pretensões de
Jesus: Ele afirma que os antigos viram melhor (vs. 30-31). Portanto, se Jesus
quer revelar o mistério de sua pessoa, o povo exige um sinal mais visível.
Jesus responde afirmando que é o pão da vida (vs. 32-35).
Esses versículos colocam a questão
da pessoa de Jesus e da capacidade, para a fé, de captar seu mistério por trás
dos sinais que o expressam. Os versículos sobre o pão da vida nos convidam
claramente a colocar-nos em estado de busca verdadeira para sermos capazes de
captar o alcance do discurso que se segue.
Os sinais e as obras realizadas
por Jesus não são apenas meios para legitimar sua reivindicação ou justificar
sua missão. O problema não é o de se mostrar mais forte do que Moisés, mas
fazer compreender que o maná do deserto, assim como o pão multiplicado por
Jesus, engajam, um e outro, o amor oferecido ao mundo pelo Pai. Ultrapassando o
significado material (v. 32), Jesus estava realmente na linha do Primeiro
Testamento, que muitas vezes procurou ver por trás deste alimento a Palavra de
Deus vivificante (Deuteronômio 8,2-3; Sabedoria 16,26). Por este procedimento,
Jesus faz compreender que Ele também, multiplicando os pães, ultrapassa a vida
material e física, ao mesmo tempo por sua mensagem e pelo mistério de sua
pessoa (v. 35). Mas o povo que estava ao redor de Cristo não consegue sair do
plano material (v. 34).
No momento em que revela sua
própria pessoa, Cristo emprega uma fórmula nova: pão da vida, que não era
conhecida pelo Primeiro Testamento. Portanto, no conceito de pão da vida, há
uma tonalidade do Paraíso, isto é, da eternidade: Jesus é a verdadeira vida de
imortalidade, à qual a pessoa humana tem em vista desde o início e que lhe
torna finalmente acessível, pela fé.
O interessante é que João coloca
o mistério eucarístico em relação com a Encarnação (v. 35) quando afirma que o
verdadeiro pão é o Filho de Deus descido do céu, e saciamos nossa fome vindo a
Ele.
Todo aquele que acredita em
Cristo e em sua Palavra já se alimenta de Cristo. Mas a dimensão pascal deste
pão pode ser eliminada. O tema do maná pode ser sugerido a Cristo pela
proximidade da festa da Páscoa (João 6,4) e as homilias feitas nas sinagogas,
com a aproximação dessa festa (cf. João 6,59). A palavra "dar", que
volta três vezes na passagem de hoje, já anuncia o dom do Calvário e revela que
só haverá verdadeiro pão quando a obra salvadora do Filho tiver sido
perfeitamente realizada. Não podemos comer o pão da vida apenas com a fé; um
pão concreto é necessário, que exigirá uma refeição real e nos ligará assim ao mistério
da cruz.
O Evangelho de hoje continua o
de domingo passado, que apresentou o sinal da multiplicação dos pães. Por ficar
apenas na superficialidade do sinal, com os olhos como que ofuscados pelo
aspecto milagroso, o povo quer coroar Jesus como rei. Ele seria um governante
extraordinário! Ninguém precisaria por a mão no arado, semear nem
trabalhar. Todos teriam comida na boca na hora que precisassem. Isso,
para Jesus é não ver o sinal. O que aquela gente viu foi só a barriga cheia.
Jesus, porém, não cai na armadilha. Ele foge. Do outro lado do mar Ele começa
seu grande discurso sobre o pão da vida. Na primeira parte do discurso, Jesus
quer que superemos uma visão puramente materialista sobre sua missão e
atinjamos um nível mais avançado e profundo, o da fé. Ele se apresenta como
alimento que perdura para sempre. Sua própria vida ("carne") é o pão
oferecido a quem tem fome de Deus tanto quanto do alimento material. É isso que
o sinal do pão multiplicado significa. Ele aponta para a própria pessoa de Jesus
e sua mensagem. Retomando a interpretação do Deuteronômio sobre o maná, Jesus
que todos descubram que Ele é a própria Palavra de Deus feito carne, isto é,
feito vida humana pelo mistério da Encarnação, e por isso é o verdadeiro pão do
céu, dado por Deus, para alimentar a nossa caminhada. Quem acolhe Jesus assim
está "vendo os sinais".
Da Palavra
celebrada ao cotidiano da vida
O Evangelho de hoje é o início
do "sermão do Pão da Vida", com o qual o evangelista João dá
continuidade ao "sinal" da multiplicação dos pães narrado Domingo
passado. Nos próximos domingos, o tema continua.
A liturgia da Palavra de hoje
nos permite, mais uma vez, pensar na questão do imediatismo, presente em muitas
iniciativas tanto das Igrejas quanto em outras instituições. Queremos resultados
imediatos, conseguidos de preferência pelas vias mais fáceis e cômodas. Andamos
à procura de milagres e prodígios. O maravilhoso nos atrai e os pequenos sinais
de Deus passam despercebidos, porque nada têm de espetacular (cf. Mateus
25,31-46). Num primeiro momento, nada significam. Com o tempo vão se mostrando
eficazes e duradouros. Só depois descobrimos que o dedo de Deus agia dentro de
nós e de nossas ações!
Hoje aprendemos a "ver
sinais", isto é, a penetrar fundo no sentido dos fatos, indo às entranhas
dos acontecimentos. Ai, na profundidade e não na superfície, vemos a presença
de Deus e fica claro para nós para onde Ele quer nos levar. O cristão vai
amadurecendo na fé quando não se contenta com a superficialidade, com o senso
comum, mas vai a fundo, investiga e se esclarece. Hoje as pessoas estão muito
na superficialidade, não querem mais se reunirem, aprofundar, investigar, ler,
só ficam na superficialidade da internet conectados com o mundo, mas longe de
todos. Nos programas de combate à fome, por exemplo, legítimos e necessários,
não podemos achar que basta dar um prato de comida aos nossos irmãos famintos.
Por mais que esse trabalho sensibilize e mobilize a sociedade, apenas dar o pão
não bastará para se chegar ao cerne daquilo que Deus quer para seus filhos e
filhas: a Vida.
Jesus multiplica-se doando. Mais
do que dar comida para o povo, Jesus se dá. Nele se realiza o dom de Deus que
não acaba. O maná se estragava com o tempo. Jesus é o alimento para a vida
eterna, Ele se multiplica doando-se, desde quando deixou sua casa, quando fez
de seus discípulos sua família, quando se fez solidário com os excluídos e,
principalmente, quando assumiu a própria morte como sinal de sua entrega pela
redenção dos pecadores. E nós nos damos a Jesus quando seguimos seus passos,
identificando-nos sempre mais com o Evangelho e suas exigências para crescer
com Ele e sermos capazes de ir ao Calvário em sua companhia.
Muitos gestos de colaboração e
campanhas de solidariedade que vemos surgir por aí nada mais são que meros
"desencargos de consciência", quando não são simples "jogadas de
marketing" para ser notados e fazer sucesso. Muita gente só dá aquilo que
lhe sobra, e muitos donativos que se arrecadam são objetos que poderiam ir para
o lixo. Essas doações, muitas vezes, são vazias de personalidade e de real
humanismo, porque quem os dá não se doa neles. Nossa participação efetiva na
Igreja não acontece apenas quando contribuímos financeiramente para as obras de
nossa comunidade. É preciso ir além. Bem participamos quando nos doamos por
inteiro, quando somos capazes de nos gastar em benefício dos outros.
Na celebração, repartindo o pão
em memória da entrega de Jesus, acolhemos o amor de Deus que se manifesta em
todo gesto de partilha e de solidariedade. Que Ele nos renove e nos consagre
totalmente na escola do seu serviço.
A Palavra se
faz celebração
A celebração deste Domingo se
abre com um versículo tirado do Salmo 69, no qual se canta: "Meus Deus,
vem libertar-me, não demores, Senhor, em socorrer! Só tu és meu arrimo,
libertador, vem depressa me valer". A comunidade entra em diálogo como
Senhor, por meio de Jesus Cristo, manifestando sua dependência do auxílio
divino. Anuncia sua sede da presença de Deus e a fome por seus cuidados. No
percurso da celebração, vai-se constituindo a narração e o discurso do próprio
Senhor, como Palavra que nutre e comunica vitalidade; Pão que sacia e conserva
a vida enquanto o povo faz sua travessia neste mundo. O próprio versículo da
aclamação ao Evangelho aponta para esta direção: "O homem não vive somente
de pão, mas vive de toda Palavra que sai da boca de Deus e não só de pão".
Mas é a oração do Dia que traz, em seu núcleo, a súplica que conduz à
experiência do povo de Deus a caminho: "Manifestai, ó Deus vossa
inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam
de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação, e
conservando-a renovada". Esta oração chama a Deus de "guia",
aquele que vai à frente e conduz os seus, desde o interior da vida de seu povo,
misturando-se com eles. Ganha grande sentido a saudação: "O Senhor esteja
convosco", e sua resposta, em português: "Ele está no meio de
nós". O texto original dessa oração do Dia suplica a Deus
"derrame", "faça chover" vida sobre o seu povo, de modo que
ele experimente o restaurar de suas forças para continuar a jornada. Uma bonita
referência à primeira leitura e ao próprio Evangelho, pois o alimento que Deus
oferece ao povo "vem do céu".
Ligando a
palavra com a ação eucarística
Necessitados de força, de
coragem, de sentido para a vida e de perseverança, participamos da ceia do Senhor
onde se realiza entre nós a multiplicação dos pães e se revela como o pão
verdadeiro que desceu do céu.
Jesus, o Pão da vida, sacia
nossa fome com a Palavra que nos revela o sentido da vida e com a ceia
eucarística, sacramento da salvação, sinal e antecipação do banquete sem fim a
que somos destinados.
Ele nos convida a abrir nossas
mãos e nosso coração "que para tudo guardar se fecham" para gestos de
partilha e solidariedade, a fim de vencermos nossas dificuldades, a fome e a
miséria do mundo.
A eucaristia é o pão que sacia a
necessidade que temos de alimento para conservar a vida, ter coragem
perseverança e segurança; o pão que nos dá forças para superar as atribulações
que existem e atormentam nossa vida. É a segurança de que Deus nos ama, e a certeza
da Ressurreição; é Deus-conosco.
padre Benedito Mazeti
"Jesus, o pão verdadeiro"
Havia na minha
rua um cão bravio que ficava o dia inteiro se desgastando, perseguindo os
carros que passavam certo dia, quando era perseguido por ele, latindo furiosamente
ao lado do meu carro, resolvi parar no meio fio, o cão tomou um susto, cheirou
um pneu e com o rabo entre as pernas voltou para o seu canto.
Há nesta vida
pessoas que não tem um objetivo na vida, se desgastam a vida inteira para
caminhar e sobreviver, sem conseguirem chegar a lugar algum. Na primeira
leitura da liturgia desse domingo, os Israelitas, por não terem entendido a
proposta libertadora de Deus, embora fazendo um grande esforço para caminharem
pelo deserto, se desgastaram com Moisés, porque para eles a liberdade oferecida
pelo Deus da Aliança, valia bem menos que uma panelada de carne e cebola do
Egito, “aquilo sim que era vida...” e não morrer de fome e sede em um lugar
miserável como o deserto, acomodados na falsa segurança que tinham na vida
antiga na terra do Egito, não conseguiam enxergar os novos horizontes que Deus
abria além do deserto.
Se uma simples
panela de carne com cebola era o suficiente para “chutarem o pau da barraca” no
projeto do Deus Libertador, imagine hoje, o quanto o homem não é tentado pelo
conhecimento científico e tecnológico, a rebelar-se contra Deus, que os convida
a enxergar que esta vida, com tudo de bom que ela oferece, é apenas um caminho,
uma estrada que nos levará a verdadeira vida em sua plenitude.
No Evangelho,
a multidão também faz um grande esforço para buscar Jesus e seus discípulos,
pegam os barcos disponíveis por ali e fazem a travessia até chegar a Cafarnaum,
onde ele estava na outra margem do lago. Como hoje há também uma multidão que
se esforça, dentro de suas igrejas, a buscarem Jesus. A pergunta é o que essas
pessoas buscam? O que elas vêem em Jesus Cristo? As respostas variam muito, há
os que buscam a cura de uma enfermidade, outros buscam a prosperidade em troca
de um dízimo altíssimo, outros até buscam os sacramentos, mas sem compreender
nada sobre eles, não é errado buscar coisas materiais ou pedi-las a Deus, por
intercessão de Jesus Cristo, o problema, é quando nada mais enxergamos nele,
além disso, cura física, patrimônio, ganhos financeiros um bom emprego com um
ótimo salário, a libertação de toda e qualquer angústia que nos traga algum
sofrimento físico ou moral.
Entretanto,
sabemos muito bem que tudo isso, um belo dia vai ficar para trás: nosso corpo
saudável, nossos bens materiais, nossa carreira profissional, tudo isso são
coisas perecíveis, mas que, no entanto, muitas vezes estão no centro de nossas
atenções, e a vida vai girando sempre em torno daquilo que podemos ter de bom,
em todos os aspectos, e a religião entra como a grande aliada do homem, pois se
me submeto a uma religião, Deus me recompensa dando-me tudo aquilo que preciso,
para viver bem. É exatamente com essa intenção que nos dias de hoje, uma grande
multidão lota alguns templos nas grandes metrópoles.
Mas esta
reflexão é válida para todos nós cristãos, porque parece que não sabemos bem o
que queremos, e nos contentamos apenas com a casca da fruta, colocamos nossa
atenção na embalagem do produto, em resumo, nos contentamos com tão pouco,
quando Jesus nos oferece um tesouro inestimável, algo novo, inédito e
valiosíssimo, mas a multidão não quer arriscar deixar de lado a religião de
Moisés, a cuja tradição estavam ligados, “O que faremos para praticar as obras
de Deus?” Para eles Moisés era até agora a maior referência, porque garantiu
alimento para o povo no deserto, e bastava cumprir a lei que já estava no
caminho certo. Não precisava pensar e nem comprometer-se com nada, bastava não
fazer nada de errado, e pronto, o resto era com Deus! “Que milagres fazes, para
que vejamos e creiamos em ti, que obras realizas?” Em outras palavras, o que
vamos ganhar se te seguirmos.
Hoje em dia,
com o fenômeno religioso que se apresenta como uma resposta diante dos inúmeros
problemas existenciais, a religião mais procurada é aquela que oferece maiores
vantagens, não exige muito sacrifício nem comprometimento, é quase que o
princípio do melhor custo benefício, investir bem pouco e ganhar muito. Muitas
vezes, pensando desse modo acabamos pecando, quando valorizamos mais a
quantidade do que a qualidade, vendo nisso um indicativo de crescimento em
nossas comunidades.
Crer naquele
que o Pai enviou, não significa deixar tudo por conta de Jesus, antes, é tê-lo
como nossa referência única e autêntica, despojando-nos do Velho Homem e
renovando os sentimentos de nossa alma, revestindo-nos do homem novo, criado a
imagem e semelhança de Deus, em verdadeira justiça e santidade. Não é
importante o TER mas o SER, é isso que Jesus nos oferece, um novo ser,
totalmente livre para tomar decisões e fazer escolhas na vida, a partir de
Jesus Cristo, aquele que nos renovou por completo com sua obra redentora.
diácono
José da Cruz
1 –
"Jesus respondeu-lhes: em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés que
vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu. O pão de
Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo". Disseram-Lhe eles:
«Senhor, dá-nos sempre desse pão». Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida:
quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».
Nos domingos
anteriores vimos a sensibilidade de Jesus, plena de humanidade, enxertada no
quotidiano e na vida de pessoas de carne e osso. Ele é o Bom Pastor que cuida
da humanidade inteira, muitas vezes como ovelhas sem pastor. É o Pão da Vida, o
Pão de Deus, que não se desgasta, como todo o alimento, mas se multiplica no
acolhimento e na partilha. Não é pão ao lado de outros pães, resposta
utilitarista como muitas religiões o fazem, como a religião do consumo e do
capitalismo selvagem, em que tudo se vende e se compra e se facilita e se
digere cada vez mais com pressa, criando dependentes, pessoas angustiadas,
ansiosas pela novidade de momento, em caminhos de posse e egoísmo e destruição.
Os que acorrem
a Jesus levam motivações diversas, alguns buscam verdade e outros vida, alguns
buscam dividendos e outros colam-se ao sucesso e à fama que daí poderá advir,
alguns buscam um caminho fácil, e soluções servidas numa bandeja.
Ao
encontrá-l’O no outro lado do mar, disseram-Lhe: «Mestre, quando chegaste
aqui?». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós
procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e
ficastes saciados. Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo
alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará. A Ele é
que o Pai, o próprio Deus, marcou com o seu selo».
O Pão que é
Cristo Jesus não é desgastável, a curto prazo, não se compra nem se vende, não
se negocia ao melhor preço, nem escasseia, dura até à vida eterna, em
abundância como a vida humana, em abertura ao Infinito.
2 – A
experiência do Povo de Deus que nos conduz a Jesus é feita de muitas buscas e
hesitações, de desvios e aproximações a Deus, de descobertas e de desafios.
Satisfeitos de uma necessidade logo outra evidenciam. Libertos da escravidão,
logo murmuram contra Deus e os chefes que Ele escolheu para os liderar. A vida,
no seu rosto mais humano, não é fruto de magia, não é linear, mas multicolor,
com altos e baixos, com sinais evidentes da presença e do amor de Deus, mas com
a exigência da liberdade, das escolhas a fazer, do trabalho, dos caminhos que
cada um, cada família, cada tribo, há de preparar e endireitar até chegar ao
CAMINHO que é Deus.
"Toda a
comunidade dos filhos de Israel começou a murmurar no deserto contra Moisés e
Aarão. Disseram-lhes os filhos de Israel: «Antes tivéssemos morrido às mãos do
Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados ao pé das panelas de carne
e comíamos pão até nos saciarmos. Trouxestes-nos a este deserto, para deixar
morrer à fome toda esta multidão». Então o Senhor disse a Moisés: «Vou fazer
que chova para vós pão do céu. O povo sairá para apanhar a quantidade
necessária para cada dia. Vou assim pô-lo à prova, para ver se segue ou não a
minha lei. Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Vai dizer-lhes: ‘Ao
cair da noite comereis carne e de manhã saciar-vos-eis de pão. Então
reconhecereis que Eu sou o Senhor, vosso Deus’».
Quando eram
escravos, aceitavam-se como tal, espécie de máquinas que não pensam, apenas
trabalham e comem e descansam conforme lhes é mandado. Livres têm de pensar, de
refletir, de procurar comida e alimento, e encontrar um sentido novo para o
novo tempo de que dispõem. Têm de conquistar lugar, aprender a ser gente, a
tornarem-se solidários na pobreza e na procura e na abundância.
Para qualquer
um de nós, a resposta, se imediata, seria de crítica, de recusa e de revolta –
como é possível murmurarem contra os libertadores! Ver-se-á a impaciência de
Moisés e a sua irritação. Também ele terá que aprender de Deus e com Deus. Para
já um pão e um alimento a prazo, em cada manhã e em cada tarde, que também é
necessário, mas desde já o alerta para um outro pão, o sentido da nossa
existência. A resposta de Deus também aqui é positiva e tornar-se-á plena de
graça e salvação em Jesus Cristo, o Pão descido do Céu para ao Céu a todos nos
elevar.
3 – Belíssima
a ponte que o apóstolo são Paulo nos ajuda a fazer, entre o Povo Eleito e o
novo Povo que é a Igreja, Corpo de Cristo, a Quem pertencemos. Ponte entre a
ignorância e a revelação, entre a infantilidade da nossa fé e o amadurecimento
em Jesus, entre a hesitação do caminho e a LUZ que d’Ele irradia e nos atrai
como íman. Não é o mesmo atravessar um corredor completamente às escuras, sem
saber onde vai dar ou atravessá-lo às claras, ou com uma luz que nos guia,
mostrando-nos a meta onde queremos ir. Como diz a fadista, não adianta correr
se não sabemos o caminho. Ou todo o vendo é desfavorável ao barco que anda à
deriva (Séneca).
"Não
torneis a proceder como os pagãos, que vivem na futilidade dos seus
pensamentos. Não foi assim que aprendestes a conhecer a Cristo, se é que d’Ele
ouvistes pregar e sobre Ele fostes instruídos, conforme a verdade que está em
Jesus. É necessário abandonar a vida de outrora e pôr de parte o homem velho,
corrompido por desejos enganadores. Renovai-vos pela transformação espiritual
da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus na
justiça e santidade verdadeiras".
O convite é
semelhante nas três leituras. Deus, através de Moisés, liberta o povo da
escravidão para viver um tempo novo, não sob o chicote, mas em liberdade, em
que cada um terá que contribuir com os seus talentos, para o bem de todos. No
Evangelho, Jesus propõe um nova atitude, que parte da fé, que se alimenta na
caridade e no compromisso com o nosso semelhante, que que não se contenta com
mínimos garantidos mas com a plenitude da vida eterna. São Paulo recorda-nos a
nossa identidade, o nosso nascimento e conhecimento em Jesus, sublinhando que
agora que sabemos de Cristo e com Ele nos encontramos não podemos fazer de
conta e viver da mesma maneira. Vivamos à maneira de Jesus Cristo, verdadeiro
alimento para as nossas vidas.
padre Manuel
Gonçalves
Jesus, o
verdadeiro pão da vida
1ª leitura:
Êxodo 16,2-15
O dom do maná
ou a Providência divina
1. A primeira leitura é tirada
do livro do Êxodo, na qual se descreve que o povo, depois da sua saída do
Egito, já no deserto, desesperado, protesta contra Moisés, porque os conduziu a
uma liberdade que para eles se transforma numa maior escravidão. Assim são
conhecidas como as tentações do deserto, na tradição bíblica e em alguns salmos
(v.g. Salmo 94). Moisés como intermediário pede a Deus a sua intervenção e a
Ele são comunicadas as decisões. Deus não abandona os seus e envia-lhes as
codornizes e o maná, coisas naturais, embora depois se lhes tenha dado um valor
significativamente teológico e espiritual. As memórias e as tradições do
deserto marcaram a história da "libertação" da escravidão para
mostrar claramente que se é bem verdade que passaram muito mal, também nunca
Deus os abandonou.
2. Todos sabemos que estas
coisas podem ser consideradas acontecimentos naturais, já que um bando de aves
que vai a passar pode servir-lhes de alimento. E, da mesma maneira, no deserto,
por razões da própria ecologia, do contraste entre as suas altas temperaturas
de dia e as baixas temperaturas de noite, certas plantas têm um processo de
produção de néctares, com os quais, depois de colhidos e cozinhados, podem
fazer-se uns pãezinhos. Os beduínos do deserto sabem-no bem. Mas o importante
num relato popular religioso como este é salientar que a Providência de Deus
não abandona o seu povo e pede-lhe fidelidade. E é esta a lição constante da
vida. Por isso, na tradição bíblica, o maná estará sempre carregado de uma
teologia que o Evangelho de João transformará numa das chaves do seu capítulo
sobre o pão da vida.
2ª leitura:
Epístola aos Efésios 4,17-24
O homem velho
versus o homem novo
1. A segunda leitura da carta
aos Efésios continua a parte exortativa da epístola aos Efésios - texto do
domingo passado. O autor da carta deixa a reflexão de alcance eclesial
propriamente dita, para encorajar o sentido pessoal (embora sempre comunitário)
da existência cristã. São como as exigências da vida cristã, num conjunto muito
mais amplo (4,17-5,20). É, na verdade, uma perfeita exortação ética, mas de
base ética cristã. Foram utilizados os critérios literários próprios da época,
inclusive, com um estilo retórico bem definido para destacar os contrastes
entre a vida cristã e a vida mundana. Isto quer dizer que a ética humana é
plenamente assumida no cristianismo primitivo, mas com as conotações que o
Espírito de Jesus Cristo grava no coração do cristão, que o faz sentir-se uma
pessoa nova. Toda a ética promove uma pessoa nova, mas tal não pode ser
conseguido apenas com a força de vontade. O cristão tem de se colocar nas mãos
do Espírito de Jesus Cristo.
2. O autor convoca-os, pois, a
viverem como pessoas novas, não como os pagãos que não têm a experiência do
Espírito pelo qual todos os cristãos estão assinalados. Aqui, como em quase
toda a literatura neo-testamentária, é apresentado o contraste entre o homem
velho e o homem novo, com uma ênfase particular sobre a banalidade da vida, a
vida vazia, sem sentido, e a vida entregue aos poderes deste mundo. Porque
devemos reconhecer que os não crentes ou não religiosos não são banais por
natureza; pelo contrário, há pessoas que não sendo religiosas ou cristãs têm
uma ética invejável e muitas pessoas religiosas, cristãos inclusive, têm mais
de pessoas velhas do que de homens novos. Neste aspecto, devemos ter cuidado no
momento em que apresentamos estes valores. É verdade que então, com um dualismo
exagerado se pensava que "os outros" que estão fora não são dos nossos,
não estão no caminho verdadeiro. Mas, apesar de tudo, o fundamental da leitura
de hoje é uma exortação para sermos discípulos de Jesus, vivendo o seu
Espírito, porque não ter este Espírito significa estarmos sujeitos aos
critérios deste mundo onde já sabemos que não há lugar para o amor, o perdão, a
misericórdia, a paz e a entrega sem medida.
Evangelho:
João 6,24-35
O pão da vida
perante a Lei
1. O Evangelho de João
conduz-nos pela mão até à cidade de Cafarnaum onde João quer levar-nos, depois
da multiplicação dos pães, quando Jesus ouve que o querem fazer rei, para
evitar um messianismo político. É, porém, um marco adequado para um grande discurso,
uma profunda catequese sobre o pão da vida, na qual confluirão elementos
sapienciais e eucarísticos. Este discurso é de tal densidade teológica que
precisamos de avançar devagar para podermos apropriar-nos do seu sentido. Jesus
não quer que o procurem como um simples fazedor de milagres, como se tivessem
sido saciados com um pão que perece. Jesus fazia aquelas coisas extraordinárias
como sinais que apontavam para um alimento da vida, de ordem sobrenatural. De
fato, na narrativa está dito que Moisés deu aos israelitas pão no deserto e,
por essa razão, o consideram importante; essa era a ideia que se tinha. Jesus
quer ir mais além e esclarece que não foi Moisés, mas Deus, que é quem cuida da
nossa vida.
2. Embora seja necessário o pão
que sustenta a nossa vida, há outro pão, outro alimento que se torna eterno
para nós. João, por seu lado, quer ir ao cristológico, sob a figura do Filho do
homem. Os rabinos consideravam que o maná era o signo da Lei e esta era,
portanto, o pão da vida; o evangelista combate este simbolismo enquanto o maná
é um alimento que perece (como o faz notar o texto de Ex. 16,20) e, pela mesma
razão, nesta oposição entre Jesus e a Lei, torna-se evidente que a lei é um dom
que perece para dar lugar a qualquer coisa que permanece para sempre. Jesus é o
verdadeiro pão da vida que Deus nos deu para dar sentido à nossa existência. O
pão da vida desce do céu, vem de Deus, alimenta uma dimensão germinal da vida
que nunca podemos descuidar. A revelação do evangelista em relação a Jesus:
"Eu sou" (ego eimi) é para escutarmos Jesus, acreditarmos n'Ele, já
que isto, em oposição à Lei, nos concede o sentido da vida eterna.
3. O discurso reflete todo o
caráter polêmico da escola ou comunidade joânica. Não estamos perante um
discurso estético ou simplesmente literário. Já vimos no domingo anterior que a
narrativa da multiplicação dos pães era a "desculpa" do autor ou
autores do Evangelho de João para este discurso de hoje o qual levará a uma das
crises em redor do próprio Jesus (e segundo a interpretação da escola de João).
Estamos, sem dúvida, perante um discurso que é, porém, "sapiencial"
para acabar, para todos os efeitos, como "eucarístico", tal como
reconhecem os grandes intérpretes (Jo 6,53-58). Diríamos que nesta parte do discurso
de Jo 6 está a falar-se do "pão da Verdade" que é a Palavra de Jesus,
em oposição à Lei, como fonte de verdade e de vida para os judeus. Antes,
portanto, de passar a falar do pão da vida, estamos a ser introduzidos em tudo
isto através do signo e da significação do maná, do pão da Verdade. E o pão da
Verdade chegou-nos da parte de Deus, por meio de Jesus, que nos revelou a fonte
e o mistério de Deus, do mistério da vida.
fray Miguel de Burgos Núñez
tradução de Maria Madalena
Carneiro