2º DOMINGO – ADVENTO
Ano A
4 de Dezembro de 2016-Ano A
1ª
Leitura - Is 11,1-10
Salmo -
Sl 71
2ª
Leitura - Rm 15, 4-9
Evangelho
- Mt 3, 1-12
A mensagem da liturgia deste domingo, toda ela é um anúncio da
chegada próxima do Salvador. Continuar
lendo
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“CONVERTEI-VOS PORQUE
O REINO DOS CÉUS ESTÁ PRÓXIMO.” - Olívia Coutinho
II DOMINGO DO ADVENTO.
DIA 04 de Dezembro de
2016
Evangelho de Mt3,1-12
O evangelho deste segundo domingo
do Advento, nos convida a tomarmos consciência da importância de
intensificarmos a nossa vigilância, de buscarmos continuamente a
nossa conversão.
Este tempo reflexivo, nos sugere
uma desaceleração da nossa rotina, para que possamos, a partir de uma revisão
de vida, nos reorganizarmos interiormente, eliminando o que nos distancia de
Deus e reavendo os valores que nos aproxima Dele, valores,
que fomos perdendo com a nossa dispersão.
O Natal do Senhor Jesus está prestes a
chegar! Esta festa, vem nos falar da grandiosidade do amor de Deus
pela a humanidade! Deus não desiste do humano e é através do próprio humano que
ele age em favor do humano! Podemos perceber isso claramente no evangelho de
hoje, quando Deus coloca no meio do povo, um mensageiro, um homem
simples, com uma missão tão grande: preparar o encontro do Divino com o humano!
O texto nos apresenta a figura de
João Batista, o profeta que veio realimentar a esperança dos sofredores,
daqueles que já haviam perdido a esperança no humano!
João Batista aparece no deserto, isto é,
na periferia, fora do palco do poder, sua forma de vestir e de se alimentar,
mostrava a sua autonomia, a sua independência diante os poderes políticos e
religiosos sob os quais o povo era submetido.
João Batista foi o maior dos profetas,
sua vida foi marcada por grandes contrastes: vivendo o silencio do
deserto e movendo multidões! O próprio Jesus o reconheceu como sendo ele, o
maior dentre todos os nascidos de mulher, (Lc 7,28). Em suas pregações, o
Profeta João, convidava todos a mudar de vida, apesar de pregar no deserto,
vinham pessoas de todos os lugares para ouvi-lo e serem batizados por
Ele, (batismo de conversão) inclusive os fariseu e saduceus, que se diziam
filhos de Abrão, (o pai da fé,) mas João não se deixava enganar por estes, ele
sabia muito bem da falsidade que transitava nos seus corações, por isto, ele
era duro com eles: ”Raça de cobras venenosas quem vos ensinou fugir da
ira que vai chegar? Produzi frutos que provem a vossa conversão.” Com
esta severa advertência, o profeta critica a fé teórica, lembrando-nos,
que, o que vai nos identificar diante do Senhor, serão as nossas
atitudes, nossas atitudes de amor.
Como sabemos, João Batista teve uma
significante participação na história da Salvação, Ele é uma das figuras mais
relevantes do advento, foi ele quem abriu o caminho para a entrada de Jesus no
seio o da terra, quem preparou o povo para acolher a manifestação de Deus na
pessoa de Jesus. Ele é um dos protagonistas da mais bela história
de amor, uma história que jamais terá fim, suas palavras, continuam ecoando em
todos os confins da terra, de geração em geração: “Convertei-vos e crede no
evangelho”. “Eis o cordeiro de Deus”...
Uma das grandes virtudes que marcou a
vida de João Batista foi a humildade, ele sempre se colocou no lugar de
mensageiro, não aproveitou de seu prestígio junto ao povo, para se
alto-promover, reconheceu a sua pequenez diante a grandiosidade de Jesus: ”E eu
não sou digno nem de tirar-lhe as sandálias. ”
João Batista, o profeta que aplainou o
caminho do Senhor com a sua pregação e o seu testemunho de vida, foi um grande
exemplo de quem viveu exclusivamente a vontade de Deus! Ele não se acomodou nas
tradições do seu povo, pelo contrário, buscou algo novo, fazendo-se anunciador
de um tempo novo! Imitemos este grande profeta, sendo a voz que grita no
deserto contra todos os que insistem em manter os caminhos tortuosos como
expressão de valores.
Neste advento, façamos como João
Batista, abramos o caminho para a entrada de Jesus no coração daquele que ainda
não experimentou a alegria de viver o verdadeiro sentido do Natal!
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
Venha fazer parte do meu grupo de
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Preparados para o natal?
Os noticiários já
falam nas previsões para o Natal deste ano, se será bom ou ruim, melhor, igual
ou mais fraco que o do ano passado. Isso para o comércio, que, sem dúvida, já
se preparou de acordo com as previsões mais realistas. Esse Natal é um grande
motor da economia, é a grande festa do consumo, a grande festa do capitalismo.
O nosso preparar-nos
para a vinda do Senhor é outra coisa. Neste domingo, já aparece a figura de
João Batista, o anticonsumo. A austeridade com que ele se apresenta, a sua
roupa e sua comida já revelam sua mensagem: mudar de mentalidade.
A palavra grega
metanoia, que nos três primeiros Evangelhos resume a pregação de João e também
a de Jesus, é fácil de entender. Meta é o mesmo prefixo grego que encontramos
em “metamorfose” e indica mudança, significando aqui “mudança de forma”. Noia
nós conhecemos de “paranóia” e refere-se à cabeça. Metanoia é, então, “mudança de
cabeça”, mudança de mentalidade, de maneira de pensar e agir.
Assim, a nossa
preparação para a vinda do Senhor – não apenas para a celebração do nascimento
de Jesus – vai remar contra a corrente do capitalismo, que governa o nosso
mundo. E essa corrente não é um filete de água, mas um caudal imenso, que vai
arrastando tudo com sua força avassaladora. É contra essa corrente que remamos.
Diz a antiga fábula:
O lobo e o cordeiro foram ao mesmo córrego beber água. Vendo o cordeiro, o lobo
diz: “Vou te matar porque estás sujando a minha água!” O cordeiro responde:
“Não pode ser, eu estou mais embaixo, a água está correndo daí para cá”. O lobo
diz: “Então eu vou te devorar porque na semana passada teu pai me insultou!”
“Não pode ser”, responde o cordeiro, “faz dois meses que meu pai morreu”. “Ah!
Se não foi teu pai, foi teu irmão, teu tio...”. E avançou sobre o cordeiro. O
fabulista conclui: “O mais forte sempre acha uma razão para devorar o mais
fraco”. Não será esse o princípio que governa o nosso mundo?
1ª leitura (Is. 11,1-10)
Isaías depositava
grande esperança no futuro rei. Com ele, a lei do mais forte vai acabar, pois
tanto o rei como o país inteiro, todos vão defender os fracos. Deixaremos,
então, de ser bichos uns para os outros. Isso resume o belo texto de Isaías,
motivo de muitos cânticos de Advento.
Isaías era familiar
ao palácio de Acaz e conhecia bem seu filho Ezequias, em quem depositava grande
confiança. Ezequias foi realmente um dos melhores reis de Judá, mas o poema de
Isaías que expressa sua confiança nele vai muito além.
A dinastia de Davi, o
filho de Jessé, estava enfraquecida, quase liquidada diante do poderio
crescente da Assíria. Falando em ramo familiar, o de Jessé estava reduzido a
quase nada, a um toco cortado quase rente ao chão. Como de uma velha parreira
decepada, do toco ou até das raízes, ainda pode surgir um broto novo, assim
também surge aqui o broto novo do ramo familiar de Jessé.
O Espírito do Senhor
lhe dará as qualidades dos famosos antepassados, a sabedoria e a perspicácia de
Salomão, as qualidades bélicas de prudência e ousadia de Davi, e ainda vai lhe
acrescentar outras duas: o temor e o conhecimento de Javé. O próprio texto vai
explicar o que é “temor de Javé”: é não julgar por interesses escusos (v. 3),
mas fazer justiça aos fracos e castigar o opressor. “Conhecer Javé” Jeremias
explica em 22,15-16. É praticar o direito e a justiça, fazer justiça ao
humilde, ao indigente.
Inspirado no temor de
Javé, o novo rei vai acabar com a estória do lobo e do cordeiro, quando o mais
forte sempre tem razão e sempre encontra um motivo para devorar o mais fraco.
Então, “o lobo será hóspede do cordeiro, o leopardo vai se deitar ao lado do
cabrito...”. As pessoas deixam de ser bichos umas para as outras.
Inspirado no temor de
Javé, ele vai usar de sua autoridade para fazer justiça ao fraco e reprimir o
opressor. Assim, o resultado será que, não só ele, mas o país inteiro estará
inundado do “conhecimento de Javé”, todos sabendo respeitar os direitos dos
fracos.
Aquilo em que o
profeta foi além em seu poema ficou como esperança messiânica, esperança de um
salvador definitivo para o porvir. Será que o Cristo já realizou isso?
2ª leitura (Rm. 15,4-9)
Os cristãos judeus
tinham sido expulsos de Roma. Agora, autorizados a voltar, retornavam para Roma
e para as suas comunidades. Seriam bem recebidos pelos irmãos que não eram
judeus?
Essa situação é que
nos dá o contexto geral da carta aos Romanos. Aqui, já na parte parenética ou
nas recomendações finais, Paulo diz que é tempo de esperança, esperança fundamentada
na palavra de Deus, nas Escrituras. Nelas, encontramos encorajamento e firmeza,
palavras frequentemente traduzidas por “paciência” e “consolação”.
O Deus do
encorajamento e da firmeza é que deve levar os cristãos a ter um mesmo pensar,
seguindo o Cristo Jesus. Só assim se podem superar as dificuldades de
relacionamento entre os cristãos judeus que voltam e os cristãos gentios que
ficaram. Só assim poderão participar unidos numa mesma celebração para louvar a
Deus.
A prática é essa
mesma, saberem acolher uns aos outros, sem discriminação e sem preconceitos.
Assim é que o Cristo nos acolhe. Ele se pôs a serviço dos judeus para realizar
as esperanças consubstanciadas nas promessas contidas em suas Escrituras
Sagradas. Nem por isso os não judeus, “gentios” ou “nações”, são esquecidos,
pois as mesmas Escrituras os convidam também a louvar o Senhor.
Evangelho (Mt. 3,1-12)
Estamos nos
preparando não para a festa do Natal, mas para a chegada de Jesus, o Messias, o
Salvador! O evangelho vai nos responder quem é esse que prepara os caminhos do
Senhor, como é que ele vive, qual a sua mensagem.
Aparece João Batista.
Ele prega no deserto da Judeia, num lugar ermo e sem vida. Sua mensagem se
resume em metanoia, a mudança de cabeça, mudança de mentalidade, a coragem de
remar contra a corrente do pensamento dominante, a coragem de pensar e agir
diferente.
O motivo é que o
reinado de Deus está chegando. O Evangelho de Mateus, sendo de cristãos judeus,
fala de “céus” para substituir a palavra Deus, por respeito ao Nome. Quando diz
reino dos céus, então, está dizendo reinado de Deus, mundo onde manda Deus, não
o dinheiro ou um de seus súditos.
João prepara os
caminhos do Senhor. Sua figura é sua mensagem e já contrasta fortemente com o
pensamento dominante do seu tempo, quanto mais o de hoje. Como o profeta Elias,
ele veste uma roupa tecida de pelos de camelo, com uma cinta de couro. Seu
alimento também não combina com os banquetes e as bebedeiras dos poderosos do
seu tempo, nem do nosso Natal consumista. Ele prega a metanoia.
Representantes de
dois poderosos movimentos religiosos rivais – o dos fariseus, que dominavam a
consciência do povo, e o dos saduceus, que comandavam o Templo e o sinédrio –
vão à procura do batismo de João. Estarão também querendo mudar de mentalidade?
João os aborda sem
meios-termos: bando de cobras venenosas! A metanoia tem de ser efetiva,
produzir resultados práticos; não é mero ritual, o batismo, para tentar enganar
os outros, a si mesmo e a Deus! O título de filho de Abraão (ou de cristão) não
dá isenção a ninguém, todos têm de mudar de mentalidade.
Não adianta parecer
uma árvore frondosa e bonita; o machado já está ao pé das árvores, e a que não
estiver produzindo frutos vai ser cortada e jogada ao fogo. Frutos de
verdadeira metanoia!
Depois, João fala de
Jesus. “Não sou digno de carregar suas sandálias” pode significar também: não
mereço ficar no lugar dele, assumir a função dele. Como em Rt. 4,7ss: o que
desiste da tarefa e a passa a outro tira e lhe entrega a sandália.
“O Espírito Santo e o
fogo”, no contexto da comparação com o lavrador que abana o seu cereal, poderia
significar “o vento e o fogo”, o vento que carrega a palha e o fogo que vai
queimá-la. Jesus, que vem, é o último juiz da humanidade; ele separa o grão da
palha, ele guarda o grão no seu celeiro e joga ao fogo a palha, o que não tem
serventia. No final do capítulo 25 do mesmo evangelho, ele vai dizer: “Vinde,
benditos” e “ide, malditos”.
Dicas para reflexão
Advento não é tempo
de preparar as comemorações do Natal, os presentes, as comidas, bebidas e
roupas. É tempo de caminhar ao encontro pessoal e comunitário com o Cristo, o
Messias Jesus. Seu berço foi um cocho, dentro de um estábulo, e seu leito de
morte foi a cruz.
Nossa caminhada ao
encontro do Cristo exige a metanoia, a mudança de cabeça, porque o reinado de
Deus está chegando. Se é Deus, Pai de todos, e não o dinheiro, pai só de
alguns, que deve comandar, então é preciso mudar as cabeças.
Metanoia nos leva a
nadar contra a corrente, embora esta seja mais volumosa que o rio Amazonas. Na
minha prática cotidiana, na chegada do próximo Natal, por exemplo, o que isso
significaria?
Jesus realizou as
palavras de Isaías e acabou com a estória do lobo e do cordeiro? Todos já
deixamos de ser bichos uns para os outros? Que fez Jesus? Que falta ainda para
esse sonho acontecer? Quem será o responsável para levá-lo a cabo? Basta
cantar: “Da cepa brotou a rama...”?
Celebrações vazias,
que não movem o coração e a mente nem dos que as presidem, quanto mais dos
participantes, tornam a todos semelhantes aos fariseus e saduceus que foram
pedir o batismo a João.
João cobrava deles o
fruto ou resultado, que é uma metanoia verdadeira, sincera. A vinda de Jesus é
a vinda do juiz que não se engana, pois sonda os rins (os sentimentos) e o
coração (a mente).
Na eucaristia,
celebramos um mundo diferente, que vem por um caminho diferente; a mesa comum
da humanidade, que vem da partilha de si, do partir-se em pedaços como aquele
pão. O caminho é a austeridade, não o consumo exasperado; é o sacrificar-se
pelo outro, não o aproveitar-se da situação. A chegada é a mesa comum.
padre José Luiz Gonzaga do Prado
João, o profeta que precede o Messias
Houve um homem
chamado João. Este recebera do Altíssimo a missão de preparar os caminhos do
Senhor. O Batista é nosso companheiro privilegiado neste tempo do advento.
Ele apareceu pregando
no deserto. Não conseguimos desvincular a figura do Batista do deserto. João
anuncia aquele que vem. Ele que este seja acolhido por todos com ao conversão
do coração. João mostra um caminho essencial: unidade entre vida e pregação,
entre o dizer e o fazer. Deserto é espaço de verdade. Falando no deserto quer
levar seus ouvintes ao deserto da verdade. Nada de duplicidade. A vida coerente
do Batista é uma pregação viva e precede a toda fala. Ele aparece como um
profeta, como um sinal. Ele mesmo é uma palavra de Deus feita carne. Com seu
modo de ser indica que pó Senhor vem e prepara a todos para acolhê-lo.
João não empreendeu o
caminho do deserto simplesmente por ascetismo ou para cumprir exercício de
piedade. Foi ao deserto para dar força à verdade. Com isso queria extirpar a
hipocrisia na prática religiosa. Diz palavras duras aos fariseus. Pede que
estes produzam frutos de conversão. “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou
a fugir da ira que vai chegar? Produzi frutos que provem a vossa conversão. Não
penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’ porque eu vos digo: até mesmo
destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão”. João reage ao grupo que
está muito convencido de que são donos da verdade.
A partir deste
momento, deste instante em que irrompe o Messias, não é possível se contentar
com o que foi adquirido e mal adquirido, ou seja, a certeza de uma salvação que
é feita sob medida....Será preciso recomeçar tudo de novo. Não é possível
acolher aquele que vem sem a conversão. A conversão é um processo que nunca
termina.
O homem encontra o
Senhor, começa a seguir seus passos. Há passos dados,mas muitos outros precisam
ainda ser inventados. Não é assim que se adquire a fé no Messias de uma vez
para sempre. Será preciso querer que ele chegue, que ele questione nossos
arranjos, areje os casamentos, clareie as dúvidas, arranque falsas certezas. Os
que se convertem são os pobres, os que não contam com suas forças. A conversão
é dom. Ela está ligada à chegada de Deus que nos dá o seu perdão. Trata-se de
abrir-se às possibilidades que Deus nos dá. Desta vez ele, o Altíssimo, se
manifesta na fragilidade de uma criança que vem....Os poderosos e satisfeitos
não têm natal. Converter-se é conceder a Deus o primeiro lugar em nossa vida e
sempre estar começando tudo de novo, com humildade,com esperança,na certeza de
que a conversão é a estrada por onde passa o Senhor.
Não basta dizer....
Senhor... Senhor.... mas fazer a vontade daquele que é o verdadeiro Senhor.
frei Almir Ribeiro Guimarães
Conversão na
alegria
Não são apenas os outros que devem
converter-se! A perspectiva cristã (cf. domingo passado) exige conversão
permanente de todos os fiéis: desistir de nossa auto-suficiência, para
participar da salvação que vem de Deus. O evangelho apresenta João Batista,
que, em “estilo apocalíptico”, com as imagens conhecidas no judaísmo daquele
tempo, anuncia o Reino de Deus. Por trás dessas imagens devemos descobrir a
mensagem: não há prerrogativa humana (p.ex., ser “filho de Abraão”) que fique
em pé diante de Deus. A necessidade de conversão é gritante: nosso mundo não
corresponde de modo algum à “utopia messiânica” (1ª leitura) ou à justiça que
se espera do rei messiânico (salmo responsorial). O “broto de Jessé”, o novo
Davi messiânico, deve reinar em prol dos fracos e oprimidos; o Reino de Deus se
manifesta em “frutos dignos da conversão” (evangelho).
Paulo lembra essa mensagem das antigas
Escrituras para mostrar a obra da reconciliação em Cristo, cujo fruto é a
unidade de fracos e fortes, judeus e gentios - unidade de todos. Na obra
salvífica de Cristo a “utopia” já teve início, como se verifica no mútuo
acolhimento (2ª leitura).
A realização da justiça como Deus a
concebe em prol dos pobres e oprimidos não é mera obra humana: por isso Deus
envia seu Ungido (Messias). Para correspondermos a essa iniciativa vamos deixar
para trás o que nos amarra e correr ao encontro do Messias que vem (cf. oração
do dia), usando as coisas terrenas como meios, não como fins, para aderir às
coisas que realmente são de Deus (oração final).
Note-se que, apesar do tema da
conversão e do tom ameaçador do evangelho, a liturgia de hoje é marcada pela
alegria por causa do Senhor que vem (canto da entrada), tendo em vista os dons
do Messias (1ª leitura). Conversão significa mudança, mudar o coração. Custa,
mas não é algo triste, pelo contrário, é felicidade, é libertar-se para correr
sem impedimento ao encontro do Senhor que vem.
Converter-se ao Cristo, que vem
Uma atitude fundamental para o tempo do
Advento e para a vida inteira é a conversão: para nos encontrar com Cristo,
devemos corresponder ao que ele espera de nós. O enviado de Deus, o Messias,
assume o projeto de Deus: a justiça e a felicidade do povo. Ele julgará com
retidão em favor dos pobres (1ª leitura). O Messias se alinha com os pobres.
Será que nós estamos alinhados com ele?O cristão reconhece Jesus como o Messias
ou Cristo (o “descendente de Davi” anunciado por Isaías). A Escritura se
cumpre, o projeto de Deus entra em fase de realização. João Batista é o profeta
que prepara a sua chegada. Como porta-voz de Deus, ele convida para a conversão
(evangelho). E depois da vinda de Cristo, o apóstolo Paulo exorta os fiéis a
imitarem o exemplo de Cristo: como ele assumiu nossa salvação, executando o
projeto do Pai, cabe a nós, assumir-nos mutuamente (2ª leitura).
A conversão deve continuar sempre.
Comporta dois momentos:
1. O momento da consciência: reconhecer
o que está errado, conceber o propósito de mudar e pedir perdão. Assim faziam
os que recebiam o batismo de João “para a conversão” (Mt. 3,11). Hoje podemos
fazer isso, com a garantia da Igreja, no sacramento da reconciliação;
2) O momento de prática. A verdadeira
conversão se comprova na prática: viver a vida que Jesus nos ensina por sua
palavra e exemplo, assumir-nos mutuamente no amor fraterno, como o Messias
assume a causa dos fracos. Essa prática será o fruto que comprova nossa
conversão e um ato de louvor a Deus, que nos enviou seu Filho como Messias.
Celebrar a proximidade do Messias, como
fazemos no Advento, implica reaquecer nossa caridade. Quando uma família espera
a visita de uma pessoa querida, seus membros começam a melhorar seus
relacionamentos. ... Mas talvez falte a consciência desta proximidade.
Precisamos de uma voz profética, como a do Batista, para proclamar que o
Messias e o Reino estão próximos, pois Jesus nos convida cada dia a assumir a
sua causa (cf. domingo passado). Converter-se a Jesus continua sendo necessário
também para o “bom católico”. Sempre de novo devemos abandonar nossa vida
egoísta, para viver a justiça e a caridade que Jesus Messias veio ensinar e
mostrar.
padre Johan Konings
"Liturgia dominical"
Neste segundo domingo do Advento, quando se
aproxima a festa da vinda do Salvador, o Evangelho de Mateus apresenta João
Batista, que desde o ventre de sua mãe, teve sua missão voltada para preparar
um povo para Jesus, que fosse capaz de receber o Reino de Deus e, por outro
lado, dar testemunho público Dele.
João aparece no deserto, na periferia,
longe do grande centro de poder – Jerusalém. A sua forma de vestir e de se
alimentar representam a sua independência em relação à cidade. O deserto tem,
neste contexto, um significado muito importante: no Antigo Testamento fora o
lugar de encontro e de intimidade com Deus, onde o povo de Israel aprendeu a
fidelidade ao parceiro da Aliança, construindo uma sociedade nova baseada na
justiça e na fraternidade.
Apesar de pregar no deserto, João
obteve sucesso: as pessoas vinham de todos os lugares para ouvi-lo, sua missão
era difícil, mas a sua pregação era valente e firme, e o fato de viver tudo o
que pregava, fazia com que atraísse as pessoas para o rio Jordão a fim de se
converterem e por ele serem batizadas.
Em suas pregações, João Batista pedia a
todos que o ouviam para mudarem suas atitudes e a direção de suas vidas, a fim
de se tornarem pessoas melhores para receberem Jesus. O que ele pedia chama-se
"conversão", uma atitude contínua, que primeiramente traz a
consciência e o arrependimento das más ações, seguidas do pedido de perdão e do
propósito de viver segundo os ensinamentos de Cristo.
João acolhe o povo, mas é duro com os
chefes de poder. Fariseus e saduceus – chefes espirituais e políticos que se
gabavam de sua condição de “Filhos puros de Abraão – O pai de fé” foram por ele
chamados de “cobras venenosas”. O profeta critica-lhes a fé teórica e
assegura-lhes que o julgamento divino se baseará nas opções e atitudes
concretas que cada um assume, ou seja, no compromisso com Deus e com o projeto
que Ele realiza em Jesus.
Ao cumprir a sua missão de anunciar,
pedir a conversão e batizar para selar a mudança, João Batista personifica
aquele que vem na frente anunciando o Rei que trará melhores condições de vida
ao povo.
Importante também se faz perceber que
João ao realizar sua missão, se recusa ao papel de protagonista desta nova era
e, numa condição de humilde inferioridade, se coloca como “aquele que não é digno
de tirar-Lhe as sandálias”. Naquele tempo, tirar e carregar as sandálias de
alguém significava ser servo, empregado. Tal percepção de si pode também ser
observada na sua fala: “É preciso que Ele cresça e eu diminua.” Aqui, João,
colocando-se como servo de Jesus incita os cristãos de hoje a fazer o mesmo:
levar as pessoas até Jesus, para que Ele seja conhecido e amado, dando
testemunho e apontando os caminhos e depois afastando-se, a fim de que Jesus
cresça dentro de cada um.
Pequeninos do Senhor
Convite à conversão
O apelo premente lançado por João
Batista aos que se apresentavam para serem batizados exigia ser acolhido no
mais íntimo do coração, onde a conversão deveria dar seus primeiros frutos. A
preparação para acolher o Messias requeria dos crentes reformular seu modo de
pensar e agir (metanóia), cujo sinal seria a predisposição a abandonar o
caminho do mal e do pecado para trilhar o caminho do amor e da justiça.
A figura austera do Batista e sua
linguagem inflamada não davam margem para dúvida. Urgia converter-se sem
demora, pois a manifestação do Reino corresponderia a uma espécie de juízo
divino sobre a história humana. Num linguajar metafórico, anunciava que as
árvores que não produzissem frutos bons seriam cortadas e jogadas no fogo. Quem
não fosse capaz de produzir "frutos dignos de conversão" seria objeto
da ira divina.
Os escribas e saduceus que faziam parte
do auditório, conhecidos por sua espiritualidade superficial, foram alvos das
invectivas do Batista. Seu modo de proceder, falsamente piedoso, era
desaconselhável. Deus não se deixa impressionar com exterioridades, pois
perscruta os corações, onde espera encontrar sinais de conversão.
A presença iminente do Messias exige
uma pronta decisão. E a prudência pede que seja tomada sem demora. O Reino não
se faz esperar. Quem recusa a se converter, será deixado de fora. O Messias
Jesus, porém, quer acolher a todos.
padre Jaldemir
Vitório
O que Deus espera são os bons frutos
João Batista, filho
de sacerdote, rompe com a linhagem sacerdotal judaica. Sua opção não é pelo
cumprimento das observâncias legais, no serviço do Templo, em Jerusalém. João
assume a vocação profética. Entre os excluídos, no "deserto", anuncia
a conversão para a prática da justiça. É o Reino de justiça, que está próximo.
Ele adverte os líderes religiosos, saduceus e fariseus que vêm a ele de que não
se sintam justificados por terem Abraão por pai. O que Deus espera são os bons
frutos, os frutos de justiça. A alusão a alguém mais forte do que João que
batizará com o Espírito Santo e com fogo é o prenúncio de Jesus, que vem
consagrar este Reino de justiça, assumido pelo Espírito Santo. No profeta
Isaías (primeira leitura) temos algumas imagens características deste Reino. E
como sementes do Reino, Paulo (segunda leitura) apresenta-nos a vida em
comunidade. Com o entendimento do Espírito, com um só coração e uma só voz,
viver a acolhida recíproca, no amor e na paz.
José Raimundo Oliva
A liturgia do tempo do Advento não
somente nos faz recordar as promessas de Deus sobre o Messias, mas também nos
vai mostrando os traços da missão desse Salvador tão prometido e tão esperado.
O profeta Isaías usa uma imagem
impressionante: do velho tronco de Jessé, isto é, da dinastia já antiga de
Davi, nascerá uma hastezinha, modesta, frágil, pequena: um rebento! Querem
coisa mais frágil, mais débil? Qualquer criancinha pode, travessa, quebrar,
estiolar uma haste... E, no entanto, sobre este rebento tão frágil repousará o
Espírito do Senhor. Esta haste é o ungido pelo Espírito, é o Messias, o Cristo
de Deus, brotado da Casa de Davi! João, o Batista, dirá no Evangelho de hoje
que “ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”, isto é, com o fogo do
Espírito! Só ele pode fazer isso, porque somente ele é pleno do Espírito:
“Espírito de sabedoria e discernimento, Espírito de conselho e fortaleza,
Espírito de ciência e temor de Deus”. Como é Santo o Messias prometido pela
boca dos profetas! Porque pleno do Espírito, ele é justo: ele não julgará pelas
aparências nem decidirá somente por ouvir dizer, mas trará a justiça para os
humildes e uma ordem justa para os pacíficos”. Eis: ele vem para quem tem um
coração pobre, para os que têm consciência que, sozinhos, não poderão nunca
levar o peso da vida. Somente os pobres poderão acolhê-lo, reconhecê-lo,
alegrar-se com sua chegada: sua justiça é justiça para quem chorou, para quem
sentiu fraqueza física, moral, psíquica, econômica ou existencial... “Com
justiça ele governe o vosso povo; com equidade ele julgue os vossos pobres. No
seus dias a justiça florirá e grande paz até que a lua perca o brilho!
Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá
pena do humilde e do infeliz, e a vida dos humildes salvará. Todos os povos
serão nele abençoados, todas as gentes cantarão o seu louvor!” Que Rei bendito!
Que santo Messias! Que esperança para o nosso coração cansado, para o nosso
mundo desiludido! Porque ele vem curar os corações, vem trazer o perdão de
Deus, aqueles que o acolherem conhecerão a paz verdadeira: “O lobo e o cordeiro
viverão juntos e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leão
comerão juntos e até mesmo uma criança poderá tangê-los. A vaca e o urso
pastarão lado a lado, enquanto suas crias descansam juntas; o leão comerá palha
como o boi; a criança de peito vai brincar em cima do buraco da cobra venenosa;
e o menino desmamado não temerá pôr a mão na toca da serpente. Não haverá danos
nem mortes... porque a terra estará repleta da ciência do senhor quanto as
águas que cobrem o mar...” Que sonho: uma humanidade reconciliada, um mundo de
paz, um homem uma criação em harmonia... Eis o sonho do Messias, eis o dom que
ele traz! São Paulo diz, na Carta aos Romanos, que Cristo realiza este sonho
prometido. A primeira reconciliação que ele trouxe foi unir num só povo, numa
só humanidade, o que antes era dividido: judeus e pagãos. Quem o acolhe agora é
parte de um novo povo – a Igreja!
Mas, esta paz precisa ainda aparecer
claramente no mundo! E aqui, não nos iludamos: o mundo não conhecerá a paz de
verdade, o coração humano não conhecerá o sossego enquanto não acolher de
verdade o Cristo do Pai, o Senhor Jesus! O sonho que Deus sonhou para nós e
para toda a humanidade ao enviar Jesus, não poderá ser sonhado e realizado sem
o nosso “sim”. E o trágico é que o mundo vai dizendo “não”. Este Natal de 2010
encontrará o mundo mais pagão que o de 2009... Que pena!
Nós, cristãos, temos, no entanto, uma
missão neste mundo, nesta situação atual. Escutemos o profeta:
"Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo! Raça de víboras!
Quem vos ensinou a fugir da ira que v ai chegar? Produzi frutos que provem a
vossa conversão! O machado está na raiz da árvore e toda aquela que não
produzir fruto será cortada e lançada ao fogo!” Caros irmãos, o Advento, tempo
de alegre expectativa, é também tempo de juízo. O mundo precisa do nosso
testemunho, da nossa palavra de esperança, do nosso modo de viver inspirado no
Evangelho! Chega de um bando de cristãos vivendo como todo mundo vive, pecando
como todo mundo peca, medíocres como todo mundo é medíocre! Se não dermos
frutos, seremos cortados! Vivemos num mundo que não somente é descrente como
também zomba da fé: as porcarias das novelas, a corrupção dos governantes, a
imoralidade sexual, e dissolução das famílias, a imoralidade da ciência
prepotente que se julga senhora do bem e do mal, as calúnias e mentiras contra
a Igreja, o modo de viver de quem não tem esperança... E muitos de nós, que nos
dizemos crentes, não notamos isso, vivemos numa boa entre os pagãos e como os
pagãos... E ainda nos dizemos cristãos!
O roxo desse tempo convida-nos à
vigilância, a compreendermos que Aquele que vem com amor, que vem como
Salvador, nós o podemos perder para sempre se não nos abrirmos para ele no aqui
e no agora de nossa existência. Não brinquemos com a vida que temos: ela poderá
ser plenificada pelo Santo Messias com a glória do céu; ou poderá ser perdida
para sempre, longe do Cristo de Deus, num total absurdo, a que chamamos
inferno! Não esqueçamos: o sonho de Deus é lindo: é de salvação e de paz!
Levemo-lo a sério, vivamo-lo e sejamos suas testemunhas no mundo de hoje! Não
relaxemos, não desanimemos, não nos cansemos de esperar. Como diz a profecia de
Isaías, numa de suas passagens mais misteriosas: “Sentinela, que resta da
noite? Sentinela, que resta da noite? A sentinela responde: ‘A manhã vem
chagando, mas ainda é noite’. Se quereis perguntar, perguntai! Vinde de novo!”
(Is. 21,11s). Quanto restará da noite deste mundo? Não sabemos! Mas, a manhã, a
aurora radiosa do dia do Messias virá! Nós somos as sentinelas que o Senhor
colocou na noite deste mundo. Vigiemos! Ainda que tantas vezes nos perguntemos:
Meu Deus, “quanto resta de noite?” O Senhor não nos impede de perguntar: “se
quereis perguntar, perguntai...” Mas – atenção! – ele não aceita que percamos a
esperança, que deixemos nosso posto de vigia: “Vinde de novo!” eis, novamente,
o convite que ele nos faz: Vinde de novo! Recomeçai, retomai a esperança,
vigiai: ainda é noite, mas a manhã luminosa vem chegando! Vem, Senhor Jesus!
Vem, ó Santo Messias! Tem piedade de nós! Amém.
dom Henrique Soares
da Costa
A liturgia deste domingo convida-nos a
despir esses valores efêmeros e egoístas a que, às vezes, damos uma importância
excessiva e a realizar uma revolução da nossa mentalidade, de forma a que os
valores fundamentais que marcam a nossa vida sejam os valores do “Reino”.
Na primeira leitura, o profeta Isaías apresenta um enviado de Jahwéh, da
descendência de David, sobre quem repousa a plenitude do Espírito de Deus; a
sua missão será construir um reino de justiça e de paz sem fim, de onde estarão
definitivamente banidas as divisões, as desarmonias, os conflitos. No
Evangelho, João Batista anuncia que a concretização desse “Reino” está muito
próxima… Mas, para que o “Reino” se torne realidade viva no mundo, João convida
os seus contemporâneos a mudar a mentalidade, os valores, as atitudes, a fim de
que nas suas vidas haja lugar para essa proposta que está para chegar…
“Aquele que vem” (Jesus) vai propor aos homens um batismo “no Espírito Santo e
no fogo” que os tornará “filhos de Deus” e capazes de viver na dinâmica do
“Reino”. A segunda leitura dirige-se àqueles que receberam de Jesus a proposta
do “Reino”: sendo o rosto visível de Cristo no meio dos homens, eles devem dar
testemunho de união, de amor, de partilha, de harmonia entre si, acolhendo e
ajudando os irmãos mais débeis, a exemplo de Jesus.
1ª leitura: Is.
11,1-10 - AMBIENTE
A primeira leitura apresenta-nos um
poema que alimenta o sonho do regresso a essa época ideal do reinado de David e
que dá fôlego à corrente messiânica. Não é claro o enquadramento histórico em
que este oráculo aparece. Para alguns autores, contudo, este poema (e outros
semelhantes) surge na fase final da atividade profética de Isaías…
Quando o rei Ezequias atingiu a
maioridade e começou a dirigir os destinos de Judá (por volta de 714 a.C.),
preocupou-se em consolidar uma frente anti-assíria (a potência que, nessa
época, ameaçava os países da zona), com o Egito, a Fenícia e a Babilônia.
Isaías condenou essas iniciativas… Elas significavam um colocar a
confiança e a esperança no poder de exércitos estrangeiros, negligenciando o
poder de Jahwéh: eram, portanto, um grave sinal de infidelidade ao Deus de
Judá. Essas iniciativas, na opinião do profeta, não poderiam conduzir senão à
ruína da nação… De fato, as previsões funestas de Isaías realizaram-se quando
Senaquerib invadiu Judá, cercou Jerusalém e obrigou Ezequias a submeter-se ao
poderio assírio (701 a.C.).
Por essa altura, desiludido com a
política dos reis de Judá, o profeta teria começado a sonhar com um tempo novo,
sem armas e sem guerras, de justiça e de paz sem fim. Tal “reino” só poderia
surgir da iniciativa de Jahwéh (os reis humanos de há muito que se haviam
revelado incapazes de conduzir o Povo em direção a um futuro de paz); e o
instrumento de Jahwéh na implementação desse “reino” seria, na opinião do
profeta, um descendente de David. Este texto será, talvez, dessa época em que a
profecia e o sonho de um mundo melhor se combinam.
MENSAGEM
Na primeira parte do poema (vs. 1-5), o
profeta apresenta a personagem que será o instrumento de Deus na realização
desse “reino” de justiça e de paz…
Em primeiro lugar, o profeta anuncia
que esse instrumento de Deus virá “da raiz de Jessé”. Jessé era o pai de David;
portanto, ele será da descendência de David (o que nos liga à promessa feita
por Deus a David – cf. 2Sm. 7) e, presumivelmente, fará voltar esse
tempo ideal de bem-estar, de abundância e de paz que o Povo de Deus conheceu
durante o reinado ideal de David.
Em segundo lugar, essa personagem
será animada pelo Espírito de Deus (“ruah Jahwéh”). É o mesmo Espírito
que ordenou o universo na aurora da criação (cf. Gn. 1,2), que animou os heróis
carismáticos de Israel (cf. Jz. 3,10; 6,34; 11,29), que inspirou os
profetas (cf. Nm. 11,17; 1Sm. 10,6.10; 19,20; 2Sm. 23,2; 2Re. 2,9; Mi. 3,8; Is.
48,16; 61,1; Zac. 7,12). Esse Espírito confere a esse enviado de Deus as
virtudes eminentes dos seus antepassados: sabedoria e inteligência como
Salomão, espírito de conselho e de fortaleza como David, espírito de
conhecimento e de temor de Deus como os patriarcas e profetas (aos seis dons
aqui enunciados, a tradução grega dos “Setenta” acrescentará a “piedade”: é
esta a origem da nossa lista dos sete dons do Espírito Santo).
Da plenitude dos carismas brota o
exercício da justiça e a construção de um “reino” onde os direitos dos mais
pobres são respeitados e onde os oprimidos conhecerão a liberdade e a paz.
Desse “reino” serão excluídas, definitivamente, a injustiça, a mentira, a
opressão… Tal será o “reino” que o “messias” virá inaugurar.
Na segunda parte do oráculo (vs. 6-9),
o profeta apresenta – recorrendo a imagens muito belas – o quadro desse mundo
novo que o “Messias” vai instaurar. A revolta do homem contra Deus (cf. Gn. 3)
havia introduzido no mundo fatores de desequilíbrio que quebraram a harmonia
entre o homem e a natureza (cf. Gn. 3,17-19), entre o homem e o seu irmão
(cf. Gn. 4)… Mas agora o “Messias” trará a paz e, dessa forma, cumprir-se-á o
projeto inicial que Deus tinha para o mundo e para o homem: os animais
selvagens e os animais domésticos viverão em harmonia (o lobo e o cordeiro
pantera e o cabrito, o bezerro e o leão; a vaca e o urso) e todos eles estarão
submetidos ao homem (representado pela criança – isto é, o homem na
sua fragilidade máxima). A própria serpente (o animal que despoletou a
desarmonia universal, ao estar na origem do afastamento do homem do Deus
criador) comungará desta harmonia e desta paz sem fim: é a superação total do
desequilíbrio, do conflito da divisão que o pecado do homem introduziu no
mundo.
Destruídas as inimizades, superadas as
desarmonias, o homem viverá em paz, em comunhão total com o seu Deus (v. 9). No
primeiro paraíso, o homem escolheu ser adversário de Deus e escolheu viver no
orgulho e na auto-suficiência; agora, por ação do “Messias”, ele
regressou à comunhão com o seu criador e passou a viver no “conhecimento de
Deus”. É o regresso ao paraíso original.
ATUALIZAÇÃO
♦ Para nós, cristãos, Jesus
Cristo é o “Messias” que veio tornar realidade o sonho do profeta. Ele iniciou
esse “reino” novo de justiça, de harmonia, de paz sem fim… Cheio do Espírito de
Deus, Ele passou pelo mundo convidando os homens a tornarem-se “filhos de
Deus” e a viverem no amor, na partilha, no dom da vida… Nós, seguidores de
Jesus, temos dado uma contribuição efetiva para que o “Reino” se torne
realidade no mundo?
♦ A Igreja deve ser o sinal vivo
desse “reino” novo de justiça e de paz… É isso que acontece? Ela tem anunciado
– com palavras e com gestos – o projeto de Jesus? As nossas comunidades cristãs
e religiosas dão testemunho de harmonia, de entendimento, de amor sem limites?
♦ Que a realidade do “Reino” se
concretize ou não, depende também daquilo que faço ou não faço. Em termos
pessoais: o que é que, nas minhas atitudes, nos meus comportamentos, é
contra-testemunho e impede o nascimento do “Reino” da felicidade e da paz?
1ª leitura: Rom
15,4-9 - AMBIENTE
A carta aos Romanos é uma carta de
reconciliação, endereçada aos romanos, mas dirigida a toda a Igreja fundada por
Jesus. Pretende – numa altura em que fundos culturais diversos e
sensibilidades diferentes dividiam os cristãos vindos do judaísmo e os cristãos
vindos do paganismo – afastar o perigo da divisão da Igreja e levar
todos os crentes (judeo-cristãos e pagano-cristãos) a redescobrir a unidade da
fé e a igualdade fundamental de todos diante de Deus. Desde que optaram por
Cristo e receberam o batismo, todos receberam o dom de Deus, tiveram acesso à
salvação e tornaram-se irmãos, chamados a viver no amor. O texto que nos é
proposto pertence à segunda parte da carta. Nessa parte (que vai de Rm. 12,1 a
15,13), Paulo exorta os cristãos a viver no amor; em concreto, dá aos cristãos
algumas indicações de caráter prático acerca do comportamento que devem assumir
para com os irmãos.
MENSAGEM
O texto que nos é apresentado como
segundo leitura tem de ser entendido no contexto mais amplo de uma
perícope que vai de 15,1 a 15,13. Literariamente, esta perícope está construída
na base de dois parágrafos simétricos (cf. Rm. 15,1-6 e 15,7-13) que apresentam
uma mesma sequência e uma mesma organização:
a) exortação;
b) motivação cristológica;
c) iluminação a partir da Escritura; d)
súplica final. Na primeira parte da perícopa (cf. Rm. 15,1-6).
Paulo exorta os cristãos a vencer
qualquer tipo de egoísmo e de auto-suficiência e a dar as mãos aos mais débeis
e necessitados (a); como motivo para este comportamento, Paulo apresenta o
exemplo de Cristo, que não procurou seguir um caminho de facilidade, mas
escolheu o amor e o dom da vida (b); este comportamento que Paulo pede aos
cristãos (e é aqui que começa o nosso texto de hoje) é aquele que a Escritura –
que foi escrita para nossa instrução – nos sugere (c); e, finalmente, Paulo
pede ao “Deus da perseverança e da consolação” que dê aos cristãos de Roma a
harmonia, a fim de que louvem a Deus com um só coração e uma só alma (d).
Na segunda parte da perícope (cf. Rm.
15,7-13), Paulo começa por exortar os crentes a não fazerem discriminações, mas
a acolherem todos (a); como motivo para este comportamento, Paulo aponta o
exemplo de Cristo, que acolheu a todos os homens (b); e Paulo justifica o que
disse atrás com o exemplo da Escritura (e é neste ponto que termina o trecho
que a liturgia nos propõe como segunda leitura), citando explicitamente vários
textos do Antigo Testamento (c); finalmente, Paulo pede ao “Deus da esperança”
que cumule os crentes “de alegria e de paz, na fé” (d). O mais importante de
tudo isto é a mensagem fundamental que sobressai nesta dupla estrutura: a
comunidade deve viver em harmonia, acolhendo e ajudando os mais fracos, sem
discriminar nem excluir ninguém, no amor e na partilha. Cristo é o exemplo que
os membros da comunidade devem ter sempre diante dos olhos… Convém também
não esquecer que o ser capaz de viver deste jeito é um dom de Deus – dom que os
crentes devem pedir em todos os momentos ao Pai.
ATUALIZAÇÃO
♦ A comunidade cristã – como
rosto visível de Cristo no mundo – tem de ser o lugar do amor, da partilha
fraterna, da harmonia, do acolhimento. No entanto, com bastante frequência
encontramos comunidades onde os irmãos estão divididos: criticam os outros de
forma avulsa, tomam atitudes agressivas que afastam os mais débeis, discriminam
aqueles que não entram na sua “panelinha”, estão aferrados ao poder e fazem
tudo para dominar os outros e para afirmar a sua superioridade… Isto
acontece na minha comunidade? Eu tenho algumas responsabilidades nessa
situação? O que posso fazer para mudar as coisas?
♦ Convém não esquecer que a
conversão à harmonia, à partilha com os mais pobres, ao amor fraterno, ao dom
da vida, é algo exigente, que não pode ser feito contando apenas com a boa
vontade do homem; mas é algo que só pode ser feito com a força e com a ajuda de
Deus… Lembro-me de pedir a Deus a sua ajuda para vencer o meu egoísmo e a minha
auto-suficiência e para amar verdadeiramente os meus irmãos? Estou disposto a
ir ao seu encontro e a deixar que Ele converta o meu coração e a minha vida?
Evangelho – Mt 3,1-12
- AMBIENTE
Depois do Evangelho da Infância (cf.
Mt. 1-2), Mateus apresenta a figura que prepara os homens para acolher Jesus:
João Baptista. João foi o guia carismático de um movimento de cariz popular,
que anunciava a proximidade do juízo de Deus. Vivia no deserto de Judá, nas
margens do rio Jordão. A sua mensagem estava centrada na urgência da conversão
(pois o “juízo de Deus” estava iminente); incluía um rito de
purificação pela água – um rito muito frequente, aliás, entre alguns grupos judeus
da época. É possível que João estivesse, de alguma forma, relacionado com essa
comunidade essênia que estava instalada em Qumran (o tema do juízo de Deus e os
rituais de purificação pela água faziam parte do dia a dia da comunidade
essênia).
Segundo a mais antiga tradição cristã,
Jesus esteve muito relacionado com o movimento de João, nos inícios da sua vida
pública e alguns discípulos de João tornaram-se, a partir de certa altura,
discípulos de Jesus (cf. Jô. 1,35-42).
Os primeiros cristãos identificaram
João com o mensageiro anunciado em Is. 40,3 e com Elias (2Re. 1,8) que, segundo
a tradição judaica, anunciaria a chegada do Messias (Mt. 11,14; 17,11; Ma.l
3,23-24 ou, noutras versões, 4,5-6). Nesta interpretação, João seria o
precursor que vem preparar o caminho e Jesus o Messias, enviado por Deus para
anunciar o reinado de Jahwéh.
MENSAGEM
Nesta primeira apresentação do Batista,
há vários fatores que nos interessa pôr em relevo: a figura, a mensagem, as
reações ao anúncio e a comparação entre o batismo de João e o batismo de
Jesus.
A figura do Batista é uma figura
que, por si só, nos questiona e interpela. João aparece ligado ao
deserto (o lugar das privações, do despojamento, mas também o lugar tradicional
do encontro entre Jahwéh e Israel) e não ao Templo ou aos sítios “in” onde se
reúne a sociedade seleta de Jerusalém; usa “uma veste tecida com pêlos de
camelo e uma cintura de cabedal à volta dos rins” (é dessa forma que se vestia,
também, Elias – cf. 2Re. 1,8), não as roupas finas, com pregas
cuidadosamente estudadas, dos sacerdotes da capital; a sua alimentação frugal
(de “gafanhotos e mel silvestre”) está em profundo contraste com as iguarias
finas que enchem as mesas da classe dirigente… João é, portanto, um homem
que – não só com palavras, mas também com a sua própria pessoa –
questiona um certo jeito de viver, voltado para as coisas, para os bens
materiais, para o “ter”. Convida a uma conversão, a uma mudança de valores, a
esquecer o supérfluo, para dar atenção ao essencial.
O que é que João prega? Mateus resume o
anúncio de João numa frase: “convertei-vos (“metanoeite”), porque está perto o
Reino dos céus” (v. 2). O verbo grego (metanoéo) aqui utilizado tem,
normalmente, o sentido de “mudar de mentalidade”; mas, aqui, deve ser visto na
perspectiva do Antigo Testamento – isto é, como um apelo a um
retorno incondicional ao Deus da Aliança. Porque é que esta “conversão” é tão
urgente? Porque o “Reino dos céus” está perto.
Muito provavelmente, João ligava a
vinda iminente do “Reino” ao “juízo de Deus”, que iria destruir os maus e
inaugurar, com os bons, um mundo novo (por isso, fala da “cólera que está para
vir” – v. 7; e acrescenta: “o machado já está posto à raiz das árvores. Por
isso, toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo” – v. 10).
A conversão era urgente, na perspectiva de João, pois aproximava-se a
intervenção justiceira de Deus na história humana; quem não estivesse do lado
de Deus seria aniquilado… É uma perspectiva muito em voga em certos
ambientes apocalípticos da época, nomeadamente na teologia dos essênios de
Qumran.
Quem são os destinatários desta
mensagem? Aparentemente, é uma mensagem destinada a todos. Mateus fala da
“gente que acorria de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão”
e que era batizada “por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados” (vs.
5-6).
No entanto, Mateus faz uma referência
especial aos fariseus e saduceus, para quem João tem palavras duríssimas: “raça
de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Praticai ações
que se conformem ao arrependimento que manifestais. Não penseis que basta
dizer: «Abraão é nosso pai»…” (vs. 7-9). Trata-se de pessoas que “à cautela” ou
por curiosidade, vêm ao encontro de João; no entanto, sentem que o “juízo
de Deus” não os atingirá porque eles são filhos de Abraão, são membros
privilegiados do Povo eleito e estão do lado dos bons: Deus não terá outro
remédio senão salvá-los, quando vier para julgar o mundo e condenar os maus.
João avisa que não há salvação assegurada obrigatoriamente a quem tem o nome
inscrito nos registros do Povo eleito: é preciso viver em contínua conversão e
fazer as obras de Deus: “toda a árvore que não dá fruto, será cortada e lançada
ao fogo” (v. 10).
Neste texto aparece também, em relevo,
um rito praticado por João. Consistia na imersão na água do rio Jordão das
pessoas que aderiam a esse apelo à conversão.
Era, aliás, um rito praticado em certos
ambientes judaicos para significar a purificação do coração (nos ambiente
essênios, os banhos quotidianos expressavam o esforço em direção a uma vida
pura e a aspiração à graça purificadora)… O batismo de João significava o
arrependimento, o perdão dos pecados e a agregação ao “resto de Israel”,
subtraído à ira de Deus.
No entanto, João avisa: “aquele que vem
depois de mim (…) batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo” (v. 11). De fato,
o batismo de Jesus vai muito além do batismo de João: confere a quem o recebe a
vida de Deus (Espírito) e torna-o “filho de Deus”; implica, além disso, uma
incorporação na Igreja (a comunidade dos que aderiram à proposta de salvação
que Cristo trouxe) e a participação ativa na missão da Igreja (cf. At. 2,1-4).
Não significa, apenas, o arrependimento e o perdão dos pecados; significa um
quadro de vida completamente novo, uma relação de filiação com Deus e de
fraternidade com Jesus e com todos os outros batizados.
ATUALIZAÇÃO
♦ A questão dominante que o
Evangelho de hoje nos apresenta é a da conversão. Não é possível acolher
“aquele que vem” se o nosso coração estiver cheio de egoísmo, de orgulho, de
auto-suficiência, de preocupação com os bens materiais… É preciso, portanto, uma
mudança da nossa mentalidade, dos nossos valores, dos nossos comportamentos,
das nossas atitudes, das nossas palavras; é preciso um despojamento de tudo o
que rouba espaço ao “Senhor que vem”. Estou disposto a esta mudança, para que
no meu coração haja lugar para Jesus? O que é que, prioritariamente, deve mudar
na minha vida?
♦ A figura de João Batista
obriga-nos a questionar as nossas prioridades e valores fundamentais. Ele não
se apresenta de “smoking”, pois a sua prioridade não é brilhar em alguma festa
do jet-set; nem usa gravata e camisa de seda, pois a sua prioridade não é
impressionar os chefes ou mostrar que é um homem de sucesso em termos de ganhos
anuais; nem petisca pratos delicados com molhos esquisitos e nomes franceses,
pois a sua prioridade não é a satisfação de apetites físicos; nem promete
bem-estar e riqueza aos seus interlocutores, pois a sua prioridade não é
receber aplausos das massas; nem busca o apoio da hierarquia civil ou
religiosa, pois a sua prioridade não é o triunfo, as honras, o poder… João
Baptista é alguém para quem a prioridade é o anúncio do “Reino dos céus”. Ora,
o “Reino” é despojamento, simplicidade, amor total, partilha, dom da
vida… São esses valores que ele procura anunciar, com palavras e com
atitudes. E quanto a mim, quais são os valores que me fazem “correr”? Quais são
as minhas prioridades? Os meus valores são os valores do “Reino” ou são esses
valores efêmeros e fúteis a que a civilização ocidental dá tanta importância,
mas que não trazem nada de duradouro e de verdadeiro à vida dos homens? O nosso
texto deixa claro que não chega ser “filho de Abraão” para ter acesso à
salvação que Jesus veio oferecer, mas é preciso viver uma vida de fidelidade a
Deus. Quer dizer: não chega ter o nome inscrito no livro de registros de
batismo da paróquia, nem ter casado na Igreja, nem ter posto os filhos na
catequese e aparecer lá para tirar fotografias na festa da primeira comunhão (o
estatuto do “cristão não praticante” faz tanto sentido como um círculo
quadrado); mas é preciso uma conversão séria, empenhada, nunca acabada ao
“Reino” e aos seus valores e uma vida coerente com a fé que escolhemos quando
fomos batizados. João deixa claro que receber o batismo de Jesus é
receber o batismo do Espírito… Equivale a aceitar ser “filho de Deus”, a viver
em comunhão com Deus, no amor e na partilha com os irmãos que caminham ao
nosso lado. É esse o caminho que eu procuro, dia a dia, percorrer?
P. Joaquim Garrido,
P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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