3º DOMINGO ADVENTO
11 DE DEZEMBRO-2016 – ANO A
1ª Leitura - Is 35, 1-6a.10
Salmo - Sl 145
2ª Leitura - Tg 5, 7-10
Evangelho - Mt 11,2-11
João Batista quis tirar uma dúvida, e enviou seus discípulos para
perguntar a Jesus se Ele era mesmo o Messias.
A resposta de Jesus não foi direta, porém, foi mais do que eficiente.
Jesus falou dos seus muitos milagres que foram sinais comprovadores da sua
divindade. Continuar lendo
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"IDE CONTAR A JOÃO O QUE ESTAIS OUVINDO E VENDO..."-
Olivia Coutinho.
3º DOMINGO DO ADVENTO
Dia 11 de
Dezembro de 2016
Evangelho de
Mt11,2-11
Estamos no terceiro Domingo do advento, chamado Domingo da alegria!
O advento é um tempo de gratidão, de reafirmarmos com atitudes, o
nosso desejo de estarmos sempre com Jesus!
Neste tempo de expectativas, o nosso coração enche de júbilo para
acolher Jesus que já está no meio de nós, mas que às vezes, não nos damos conta
da sua presença em nossa vida!
Historicamente, Jesus já nasceu já esteve fisicamente entre nós,
hoje, Ele não quer mais abrigar-se na gruta fria de Belém e sim, no aconchego
do nosso coração!
Ao nos preparar para o Natal do Senhor Jesus, estamos também
nos preparando para a segunda vinda de Jesus, que pode acontecer a
qualquer momento. Quem faz
da sua vida uma oferta de amor, vive um constante Natal, por tanto, está
preparado para esta segunda vinda de Jesus.
Em meio a este
mundo tão conturbado, onde impera a competitividade, o egoísmo, Jesus vem
realimentar a nossa esperança, lembrando-nos de que Ele estará
conosco até o fim dos tempos. Mt28,20
O evangelho que
a liturgia de hoje nos convida a refletir, começa dizendo que João Batista
estava prisão. Ao ouvir falar das obras realizadas por Jesus, envia a
Ele, alguns de seus discípulos para perguntá-Lo: “És tu aquele que há de vir,
ou devemos esperar outro?” Jesus não os responde com palavras, mas manda-os
dizer a João o que eles viram e ouviram.
Provavelmente,
João Batista, como um grande profeta que era, já soubesse que aquele
homem que realiza tantas proezas, era o Messias, mas João quis que os
seus discípulos fizessem a experiência do encontro pessoal com Jesus!
No evangelho do
domingo anterior, João fala de Jesus, no texto de hoje, é Jesus quem fala de
João Batista, o profeta que continua falando ao nosso coração: “Convertei-vos e
crede no evangelho. “Eis o cordeiro de Deus.”
A prisão de
João Batista não o impediu de continuar anunciando a vinda do Messias, afinal,
ninguém consegue calar a voz de um profeta, nem mesmo a morte! Por sua
vez, Jesus também não se intimidou com a prisão de João Batista,
pelo contrário foi a sua prisão, que o encorajou a iniciar o seu ministério.
A liturgia
deste tempo, está sempre nos trazendo a figura de João Batista que é,
depois de Maria, a figura de maior relevo no tempo do advento, ele surge como
protagonista da história, pois é a partir dele que Jesus se manifesta à
humanidade. O profeta João Batista representa o antigo testamento, no
entanto, ele não se prendeu a mentalidade antiga, buscou sempre algo novo.
O texto chama a
nossa atenção sobre a importância da nossa experiência pessoal com Jesus!
É a partir desta experiência, que sentimos ampliar o nosso horizonte pois
passamos a enxergar além dos que os olhos humanos alcançam!
Os discípulos
de João, não tiveram dúvidas de que Jesus era o Messias após a
experiência que tiveram com Ele. O mesmo acontece conosco, quando
deixamos Jesus entrar na nossa vida!
Um dia, alguém
nos falou de Jesus, como João falou com os seus discípulos, contudo, só
vamos conhece-Lo de fato, através do encontro pessoal com Ele.
Imitemos o
profeta João Batista, sendo a voz que grita no deserto contra tudo e contra
todos os que insistem em manter os caminhos tortuosos como
“expressão de valores”. O nosso
caminho é o caminho da justiça, do amor, um caminho traçado
por Deus, é trilhando este caminho, que encontraremos a felicidade plena!
Que a alegria
da certeza da presença de Jesus no meio de nós, invada o nosso coração,
intensifique a nossa disposição em dar passos ao encontro Dele, no encontro com
o irmão.
Neste
tempo de preparação para o Natal, tomemos consciência da importância de
estarmos, sempre vigilantes, num processo contínuo de conversão, para que
assim, possamos transformar o nosso coração num berço aconchegante para
acolher Jesus, é nele que Ele quer fazer sua morada.
“Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é
maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que
ele.”
João Batista, foi o profeta que preparou o povo para receber o
Messias, o batismo que ele realizava era um batismo de conversão. Jesus o
reconhecia como o maior dentre todos os profetas. Ele não teve tempo de
fazer a experiência daquele que ele anunciou, enquanto que, o menor no Reino
dos céus, que é aquele que seve, vive esta experiência, anunciando Jesus
com a própria vida, o que o torna grande dentro da sua pequenez.
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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João, o que prepara os caminhos do Senhor
Ele, esse filho da
velhice de Isabel e de Zacarias, esse João, parecia grande. Sua figura enchia
os olhos. Alguns pensavam que ele fosse o Messias. Uma dúvida pairava no ar.
João na admitia que as pessoas se fixassem nele. Sua missão era, de fato,
preparar os caminhos do Senhor. Uma vez na prisão, segundo Mateus, João enviou
discípulos a Jesus. Ele deveriam fazer uma pergunta: És tu aquele que há de
vir ou devemos esperar um outro?
Jesus responde
solenemente: Sim, eu sou o que todos esperam. Contem a João que os cegos
recuperam a vista, que os paralíticos andam com toda agilidade, os cegos
enxergam, os pobres são evangelizados. Eu sou aquele que tinha que viver.
Realizo em minha vida a palavra do profeta: “Então se abrirão os olhos dos
cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um servo e se
desatará a língua dos mudos. Os que o Senhor salvou voltarão para casa. Eles
virão a Sião cantando louvores com infinita alegria brilhando em seus
rostos: cheios de gozo e de contentamento,não mais conhecerão a dor e o
pranto”.
Não havia dúvidas.
João não era o Messias. O Messias estava lá, no meio do povo.
E Jesus faz o elogio
desse homem chamado João. Lá, no deserto não estava um homem de roupas finas,
mas o preparador dos caminhos do Senhor. “O que fostes ver no
deserto? Um caniço agitado pelo vento? O que fostes ver? Um homem
vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão
nos palácios dos reis. Então o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos
afirmo, é alguém que mais do que um profeta.
É dele que está
escrito: ‘Eis que envio meu mensageiro à tua frente, ele vai preparar o teu
caminho diante de ti’. Em verdade vos digo, de todos os homens que já
nasceram,nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no reino
dos céus é maior do que ele”.
Agostinho escreve
sobre o aplainar os caminhos do Senhor: “O que significa: Aplainai o caminho,
senão: Orai como se deve orar? O que significa ainda: Aplainai o caminho,
senão: Tende pensamentos humildes Imitai o exemplo de João. Julgam que é o
Cristo e ele diz não ser aquele que julgam; não se aproveita do erro alheio
para uma afirmação pessoal. Se tivesse dito: “Eu sou o Cristo”,
facilmente teriam acreditado nele, pois era considerado como tal antes
que o dissesse. Mas não disse; pelo contrário, reconheceu o que era, disse que
não era, foi humilde. Viu de onde lhe vinha a salvação; compreendeu que
era uma lâmpada e temeu que o vento do orgulho pudesse apagá-la”
(Lecionário monástico I, p. 158).
No deserto como na
prisão, em sua pregação revestida de autoridade e na pergunta humilde, João
continua esperando aquele que vem. João é o homem da espera. É o homem que vive
sob o sinal da graça. Recebeu de graça da vida (João significa “o Senhor concede
graça” e espera a graça do Messias. Abre os lugares de morte e de
fechamento que são o deserto e a prisão para a vida e para a
liberdade. Sua espera se torna esperança para as multidões que o
procuravam no deserto e para os discípulos que o procuraram na prisão. A espera
cristã da vinda do Senhor é dom de esperança para os homens.
frei Almir Ribeiro Guimarães
Jesus, causa de
nossa alegria
O 3° domingo do Advento é
tradicionalmente chamado, conforme a antífona de entrada gregoriana, em
latim, Gaudete (= “alegrai-vos”). Neste espírito é que devemos
contemplar os elementos da liturgia: a 1ª leitura, mais uma “utopia” de Isaías
(cf. os dois domingos anteriores), que tem seu correspondente no evangelho (os
cegos e os coxos curados: a obra do Messias); e o salmo responsorial, cantando
a bondade de Deus que abre os olhos aos cegos.
Na 2ª leitura, a razão da alegria é um
pouco diferente. A expectativa messiânica do Antigo Testamento, já o sabemos
(cf. 1° domingo), é a figura de nossa própria esperança: recordando a espera da
primeira vinda preparamo-nos para a segunda. Ora, são Tiago nos ensina a
perseverar até a segunda vinda, com a paciência do lavrador que aguarda a
chuva. Isso não é fatalismo, mas perseverança, constância: temos diante dos
olhos a inefável proximidade do Senhor que é nossa alegria.
O povo cristão é um povo que espera
(oração do dia). Pede que o Natal seja um dia de alegria, semelhante à do
Batista quando reconheceu em Jesus o Messias (evangelho) - que seja um
“aperitivo” da alegria do encontro definitivo. Perdoado o pecado (oração
final), o Natal, como toda eucaristia, apresenta-se como festa escatológica,
antecipação do Natal eterno: Emanuel, “Deus conosco” para sempre.
A liturgia de hoje é profundamente
cristocêntrica. Se convém alegrar-nos e não ter medo diante do cumprimento do
plano de Deus é porque sua manifestação definitiva em Jesus Cristo é uma
revelação do amor e da ternura de Deus, como os anunciou o profeta. A
perspectiva da plena realização suscita, portanto, alegria. A existência
concreta de Jesus, sua boa mensagem aos pobres e abandonados, é revelação do
Deus que nos chama e que vem a nós. E assim como João teve de considerar os
sinais do Messias, nós também podemos contemplar as maravilhas que sob o
impulso do Espírito de Jesus são operadas nas comunidades pobres e humildes:
sinais de que Deus se aproxima cada dia mais.
A alegre esperança do cristão
A esperança que temos é a mola
propulsora de nossa vida. Que é que você espera da vida? Como ela se tornaria
melhor? Quem poderia ajudá-lo para isso? São essas as perguntas de todo o mundo
e também do cristão, perguntas que a liturgia deste domingo suscita em nós.
Deus mesmo é a esperança do fiel. Ele
não é um castigador, um fiscal de nossos pecados e nem mesmo da “desordem estabelecida”
na sociedade em que vivemos. Ele não deseja castigar, mas transformar aquilo
que está errado: ele vem salvar. Esta é a esperança anunciada pelos profetas
(1ª leitura).
Com a vinda de Jesus começou
irreversivelmente a realização desta esperança, a realização da profecia. João
Batista não percebe bem o que Jesus está fazendo. Manda perguntar se ele é o
Messias, ou se é para esperar outro (evangelho). Jesus aponta os sinais que ele
está realizando: aquilo que os profetas anunciaram. Daí a conclusão: já não
precisamos aguardar outro.
Ora, Jesus apenas iniciou. Implantou. A
plantação deve ainda crescer. Com a paciência e a firmeza do agricultor,
devemos esperar o amadurecimento de seu reino na História. Com o “sofrimento e
paciência dos profetas que o anunciaram...(2ª leitura)
A esperança suscita em nós alegria
confiante: Deus deu início à realização de seu projeto. Quando se olha com
objetividade o que a palavra de Cristo já realizou no mundo, apesar das
constantes recaídas de uma humanidade inconstante, reconhecemos que ela foi
eficaz. Devemos também olhar para os sinais que se realizam hoje: a
transformação impulsionada pelo evangelho de Cristo se reflete na nova
consciência do povo, que assume sua própria história na construção de uma
sociedade mais fraterna.
A esperança fundamenta uma firmeza
permanente, confiante de que Deus erradicará o mal que ainda persiste.
A esperança exterioriza-se na
celebração, expressão comunitária de nossa alegria e confiança.
A esperança do cristão é Jesus. Ele é
aquele que havia de vir. Não precisamos ir atrás de outro messias, oferecidos
pelo mundo do consumo, por promessas políticas ambíguas e assim por diante.
Consumo e política são propostas humanas, e podemos servir-nos delas conforme
convém, com liberdade. Mas o Messias vem de Deus; ele merece nossa adesão, nele
podemos acreditar. Chama-se Jesus. Feliz quem não se deixa abalar em relação a
ele (cf. Mt. 11,6)!
Esperamos que o amor e a justiça que
Cristo veio trazer ao mundo, e nos quais somos chamados a participar ativamente,
realizem o plano de Deus para a humanidade, desde já e para sempre, “assim na
terra como no céu”.
Johan Konings
"Liturgia dominical"
João Batista ao
anunciar a vinda do Messias, é severo e exige arrependimento e mudança de vida.
Preso por Herodes que se incomodava com a sua missão de preparar o caminho para
a chegada do Salvador, João Batista ouve falar de Jesus que é um Homem manso e
cheio de compaixão, e que não exige, e sim convida à conversão.
As dúvidas sobre quem
era Jesus tomam conta de João Batista e as ações Dele o intrigam, pois esse
Messias se apresenta muito diferente daquele profetizado por ele, então, envia
alguns de seus discípulos para confirmar se Ele é mesmo o Messias. Mas, não são
com palavras que Jesus responde às suas perguntas. Ele confirma as profecias
através de ações, realizando os seis sinais de libertação anunciados por
Isaías, um dos profetas maiores. (1ª leitura – Is 35, 1-6a.10)
Logo após a partida
dos discípulos de João Batista, Jesus começa a falar às multidões a seu
respeito, e os instigam a pensar no porque de o terem procurado no deserto e o
que esperavam encontrar?
João Batista era um
homem de aparência humilde, vestido com roupas feitas com pêlos de camelo, mas
Jesus lhes afirma que ele é o maior entre os homens que já haviam nascido até
aquele momento, e mostra que ele não se deixou levar pelo sistema, como um
“caniço agitado pelo vento, e nem estava de acordo com o a sociedade que
privilegia uns e exclui outros como “vestir roupas finas e morar em palácios”.
João Batista é sem
sombra de dúvidas o maior dos profetas, pois, era digno de preparar o caminho
para a chegada de Jesus, contudo, ao mesmo tempo em que Jesus afirma que ele é
o maior entre os homens que nasceram antes dele, e com isso se inclui os
profeta, Elias, Isaías…, e também diz que “o menor no Reino do Céu é maior do
que ele”.
Quem é o “menor do
Reino”? Provavelmente o próprio Jesus, entregando Sua vida para que uma nova
humanidade possa acontecer, ou talvez, ”o menor” são os que a sociedade exclui,
e que Jesus resgata com sua atividade libertadora. Como compreender afirmações
tão contraditórias?
João Batista, o maior
de todos os profetas, apesar de sua grande missão cumprida com compromisso e
amor, pertence ao tempo da espera, da preparação, e só com a presença de Jesus
inicia-se o tempo da realização.
Os profetas não
viveram somente no passado, não são somente aqueles que anunciavam a chegada do
Reino de Deus. Profetas são todos os que nos dias de hoje levam a alegria de
pertencer a este Reino de amor a todos os que ainda não O conhecem ou se
esqueceram do caminho.
Pequeninos do Senhor
As obras do Messias
Ao ser interrogado a respeito de sua
condição messiânica, Jesus não se perdeu em longas considerações teóricas para
justificar sua identidade e missão de Messias. Sugeriu que referissem a João
Batista, cujos emissários tinham sido enviados para questioná-lo, tudo quanto
estava realizando e que era de conhecimento público. Por obra sua, os cegos
recuperavam a vista, os paralíticos punham-se a caminhar, os leprosos viam-se
livres de sua enfermidade, os surdos passavam a ouvir, os mortos voltavam à
vida, os pobres escutavam a Boa-Nova do Reino.
Tratava-se, portanto, de fazer um
discernimento sobre a prática de Jesus e reconhecer sua verdadeira identidade.
Uma simples resposta positiva, mesmo saindo da boca de Jesus, seria
insuficiente. Outros, antes dele, já haviam se apresentado com pretensões
messiânicas, autoproclamando-se messias. E todos falsos messias. Jesus seguiu
um caminho contrário: revelava sua condição messiânica com suas obras.
Os fatos indicados aos discípulos do
Batista eram simbolicamente importantes, pois correspondiam às obras atribuídas
pelos antigos profetas ao Messias vindouro. Todos eles tinham a ver com a
restauração da vida e da dignidade humana, com a superação da marginalização
social e religiosa, com a recuperação da esperança nos corações abatidos. Tudo
isto era sinal de que o Reino estava irrompendo na história humana, por obra do
enviado de Deus.
padre Jaldemir
Vitório
A alegria da vinda do Messias
Terceiro domingo do
Advento – domingo gaudete, domingo em que todos somos chamados a
suplicar e viver a alegria da proximidade do nascimento do Verbo que assumiu a
nossa humanidade: “Alegrem-se o deserto e a terra seca… Dizei aos aflitos:
Coragem! Nada de medo! Aí está o vosso Deus […], ele vem para vos salvar” (Is.
35,1.4).
As obras de Cristo
são desconcertantes até para João Batista. Elas exigem discernimento para poder
reconhecer o tempo da visita salvífica de Deus e acolhê-lo com alegria. Por
isso João, estando na prisão (v. 2), envia alguns dentre os discípulos para
perguntar a Jesus: “És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” (v.
3). Jesus responde sobre a base do texto do profeta Isaías: “... cegos
recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem,
mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa Nova” (vv. 4-5; cf. Is
35,5-6). A resposta de Jesus a João é suficiente para que este reconheça que o
“hoje” da salvação se realiza nas palavras e em tudo o que Jesus faz. Em outros
termos, Jesus é o Messias, não é preciso esperar outro. Os discípulos de João
retornam a ele para comunicar não só a resposta de Jesus, mas também aquilo de
que eles mesmos são testemunhas: a vida vai sendo transformada pela presença do
Senhor. É a vez de Jesus dar testemunho de João. É preciso não se deixar levar
pela aparência – João é mais que um profeta, é o precursor do Messias (cf. v.
10): “... entre todos os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior” (v.
11).
É tempo de firmar o
coração, pois a vinda do Senhor está próxima (cf. Tg. 5,8). Alegrai-vos!
Carlos Alberto Contieri,sj
Nas comunidades do Reino vive-se o serviço humilde
João anunciara o
juízo iminente de Deus sobre os homens. Agora, preso, ouvindo falar das obras
de Jesus, estranha que não tenha havido julgamentos e castigos. Envia alguns
discípulos para perguntar a Jesus se era ele que faria este juízo, ou devia-se
esperar outro. Jesus, em resposta, explicita suas obras: cegos recuperam a
vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem, mortos
ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa-Nova. Estas obras são sinais da
chegada de tempos novos, em uma perspectiva messiânica que, por outro lado, de
modo nacionalista, anunciava a vingança de Deus (primeira leitura). Além dos
sinais da vida que é restaurada, há o sinal maior do anúncio da Boa-Nova
libertadora dos pobres. A ação libertadora de Jesus provoca escândalo naqueles
que estão sob o jugo da ideologia opressora do Templo. É feita, então, a
proclamação da bem-aventurança daqueles que não se escandalizarem.
A resposta de Jesus
visa abrir os olhos dos discípulos para entenderem sua missão de amor e
libertação. Jesus exalta a autenticidade de João. Não é um oportunista (caniço
ao vento) nem um acomodado ao sistema (roupas finas), mas um profeta que
anuncia a justiça e denuncia os opressores prepotentes. João é o mensageiro
que, com seu anúncio, prepara o caminho de Jesus. Dentre os profetas do
Primeiro Testamento, ele é o maior. Contudo o menor no Reino dos Céus é maior
do que João Batista. A afirmação não significa uma competição, mas sim a
novidade do Reino em relação aos tempos antigos.
Nas comunidades do
Reino vive-se o serviço humilde, a valorização de cada membro com seu carisma
próprio, a fraternidade sem rivalidade e a partilha amorosa, no anúncio
destemido do Reino.
José Raimundo Oliva
Este terceiro domingo do Advento tem um
tema predominante: a alegria provocada pela vinda do Senhor. Por isso, a cor
rosa, que pode ser usada como um roxo atenuado. Alegrai-vos (Gaudete!) –
convida-nos a liturgia, inspirando-se nas palavras do Apóstolo: “Alegrai-vos
sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl.
4,4s).
Mas, pensando bem: há motivos para
alegria verdadeira, profunda, responsável? Ante as lutas e fardos da vida,
podemos realmente alegrar-nos? Antes as feridas e machucaduras do nosso
coração, é possível uma alegria duradoura e verdadeira? Ante as desacertos e
desvios do mundo, é realmente possível este gáudio a que nos convida a Igreja,
com as palavras de São Paulo? E, no entanto, o convite é insistente:
Alegrai-vos!
Contudo, antes do convite à alegria, ao
júbilo, à exultação, permiti-me um outro convite: pensemos na vida de frente,
como ela é, para cada um de nós e para os outros. Faço este convite porque
somente assim nossa alegria poderá ser realista e verdadeira. Não esqueçamos
que há também uma alegria boba, tola, tonta, irresponsável, que brota da
superficialidade ou da ilusão... Não é dessa que falamos aqui...
Pois bem! A nossa vida – a minha, a
sua! - gostaríamos que ela fosse como quiséramos, gostaríamos de controlá-la,
de garantir que tudo saísse bem para nós e para os nossos, para os nossos e
para todos... E, no entanto, constatamos com pesar que não temos em nossas mãos
a nossa existência. Que duras as palavras de Jeremias profeta: “Eu sei, Senhor,
que não pertence ao homem o seu caminho, que não é dado ao homem, que caminha,
dirigir os seus passos” (10,23). O mundo não é como gostaríamos, os nossos
caros não são e não vivem como esperávamos e nós mesmos tampouco vivemos a vida
que sonhamos... Nosso mundo anda estressado, as pessoas sentem-se sozinhas,
meio como que perdidas, ante uma crise generalizada de valores e de sentido...
Que caminho seguir? Que rumo tomar? Que valores são valores realmente ou, ao
invés, mera ilusão? Conservamos ou destruímos o sentido sagrado do matrimônio e
da família? O Governo Lula começa a dar os primeiros passos para legalizar o
assassinato de crianças no útero materno – vamos concordar? Vamos ainda votar
nos deputados e senadores de Alagoas que votarem a favor desse crime pagão?
Vamos reeleger esse presidente, caso ele aprove esse crime hediondo? Castidade,
honestidade, respeito pela vida, moralidade, são ainda valores? A vida é,
deveras, estressante... E o Senhor nos exorta: Alegrai-vos! E neste Domingo de
Advento, a Igreja insiste: Alegrai-vos! Alegrai-vos no Senhor! O cristão não
tem direito ao desânimo, ao desespero, ao derrotismo... Alegrai-vos! E
alegrai-vos sempre! Mas, alegrai-vos no Senhor! E por quê? Porque ele está
perto! Não nos deixa nunca: ele vem sempre como Emanuel - Deus conosco!
Pensemos nas palavras tão consoladoras
das leituras deste hoje! São para a terra deserta do coração do mundo e para o
nosso: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e
cresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores! Seus habitantes
verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus!” Que cristão, que homem ou
mulher de boa vontade não lamentam a situação atual da humanidade? Quem não
sente na vida a tentação de fraquejar, e a mordida do desencanto? Quem, às
vezes, não pergunta onde Deus está, que parece tão distante e ausente? Escutai:
“Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às
pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é o vosso Deus: ele
vem para vos salvar!’” É esta a esperança do santo Advento: a esperança num
Deus que não nos esquece, não nos desilude, não nos deixa sozinhos... um Deus
que vem ao nosso encontro no Santo Messias esperado! O profeta Isaías promete:
“Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O
coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos”. E o que o profeta
promete, o Senhor Jesus vem realizar: “Ide contar a João o que estais ouvindo e
vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são
curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobre são
evangelizados!" Eis aqui o motivo da nossa alegria: a certeza da fé em
Jesus Cristo: ele é a presença pessoal de Deus entre nós, ele é aquele que cura
nossas feridas, sustenta-nos na fraqueza, enche de doce presença o nosso coração
solitário! Confiemos ao Senhor o mundo, a nossa vida, os nossos problemas, as
coisas que nos preocupam. Lutemos e confiemos; lutemos e enchamos o coração de
esperança no Senhor! A salvação que ele trouxe haverá de se manifestar um dia:
“A Vinda do Senhor esta próxima” – diz-nos São Tiago!
As grandes tentações para o cristão de
hoje são a falta de entusiasmo e de esperança, um cansaço ante a paganização do
mundo e a teimosia humana... A consequência, é a falta de uma alegria
verdadeira. Procuram-se cristãos alegres, cristãos convictos, cristãos
radicais! Precisam-se urgentemente de cristãos apaixonados, cristãos de
verdade, cristãos que creiam no que acreditam! Afinal, somente há alegria
duradoura e profunda somente quando se encontra o sentido da existência, e este
sentido nos é oferecido pelo Cristo; unicamente em Cristo! Esperemos nele: na
sua palavra, no seu juízo, na sua graça! Ele não nos esqueceu, ele não está
ausente do mundo e da nossa vida! Recordemos a forte exortação de São Tiago:
“Ficai firmes até à Vinda do Senhor! Ficai firmes e fortalecei vossos corações,
porque a Vinda do Senhor está próxima! Irmãos, tomai como modelo de sofrimento
e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!”
O Advento não somente nos prepara para
a celebração da primeira vinda do Senhor no Natal, mas nos convida a reconhecer
suas vindas na nossa vida e a esperar com ânsia e compromisso sua Vinda final!
Caminhemos, caríssimos, na alegria de quem espera com certeza: “Alegrai-vos
sempre no Senhor! O Senhor está perto!”
SEGUNDA HOMILIA
Este terceiro domingo do Advento é
conhecido como domingo Gaudete, isto é, domingo “Alegrai-vos”. Com efeito, são
as palavras do apóstolo são Paulo (Fl. 4,4s), colocadas no Missal para o início
da missa de hoje: “Alegrai-vos sempre no Senhor; o Senhor está perto!”
Alegrar-se, mesmo nas lutas da vida e nas incertezas da existência, alegrar-se
mesmo no duro combate deste mundo... Mas, alegrar-se não por uma alegria
qualquer! Alegra-se verdadeiramente, alegra-se com a alegria que dura e edifica
a vida, aquele que se alegra no Senhor! Ele sim, é a fonte da perfeita alegria,
porque é o Deus que nunca nos abandona, Deus fiel, que nos ama e permanece
conosco!
Dessa alegria fala o Profeta Isaías na
primeira leitura de hoje: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável,
exulte a solidão. Germine de alegria e louvores!” Que terra é essa, que
deserto, que solidão? São o nosso mundo, o nosso coração, a nossa vida.
Alegre-se o homem, espere cheio de esperança o nosso coração! Fortaleçamos
nossas mãos enfraquecidas e nossos joelhos debilitados pelo duro caminho deste
mundo! E por quê? Vivemos uma vida tão estressante, a luta pela sobrevivência é
tão pesada, os conflitos nas nossas relações são tão presentes, o que vemos de
desafios e loucuras no mundo atual é tão assustador, a impiedade da humanidade
é sempre tão surpreendente! Temos mesmo motivos para nos alegrar, para esperar,
para fortalecer nossas mãos e continuar lutando, firmar nossos joelhos e
prosseguir caminhando? Sim, temos: “Vede! É vosso Deus, é a vingança que vem, é
a recompensa de Deus; é ele que vem para nos salvar!” Eis, meus caros! O Senhor
vem para salvar, vem para vingar-se do pecado - e sua vingança é o amor que
salva, o amor que liberta, e dá vida...
Mesmo que pareça o contrário, o mundo
não é uma realidade sem sentido e sem rumo, a existência humana não é o um
pesado fruto do acaso cego... Há um Senhor, há um Deus de Amor que tudo toma em
suas mãos e tudo dirige; um Deus que não está distante, mas nos conhece pelo
nome e inclina-se sobre cada um de nós! Há um Deus que não é frio e
indiferente, mas nos visitou pessoalmente no Filho Jesus! Neste Jesus bendito,
um dia o Senhor Deus tudo julgará, tudo colocará às claras, tudo vingará, tudo
purificará, tudo salvará! É importante não esquecermos isso, pois um dos
grandes motivos do esfriamento da fé por parte de tantos na Igreja é a perda da
consciência de que o Senhor Jesus nos julgará e julgará toda a história humana:
ele virá, ele julgará, ele consolará, ele colocará às claras, ele salvará! Seu
juízo terá como critério o amor, amor a ele e, nele e por ele, amor e profundo
respeito pelos irmãos... Portanto, “ficai firmes até a vinda do Senhor! Façamos
como o agricultor que espera (espera porque cultivou!) e fica firme! Deve
encher-nos de consolo a exortação de São Tiago Apóstolo: “Ficai firmes e
fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. Tomai por
modelo de sofrimento e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!” Vede
bem, meus caros: São Tiago nos exorta a permanecer firmes, nos avisa que o
Senhor está próximo – e estará sempre próximo, desde quando partiu para o céu,
nunca deixou de estar próximo... Mas, também nos convida a recordar que os que
servem a Deus não estão livres dos combates e sofrimentos da vida. Pelo
contrário, devem suportar combates exteriores e interiores! Combates não nos
devem desanimar; dificuldades não nos devem esfriar a fé, decepções não nos
devem fazer duvidar da providente presença de Deus na nossa vida e na vida do
mundo!
Um belo exemplo de combate e fidelidade
a Deus é-nos dado no evangelho de hoje. Pensai bem, meus amados no Senhor: um
profeta tão grande, tão santo, tão fiel quanto João Batista! E aparece preso,
abandonado, jogado numa masmorra, derrotado! – Senhor, por que permites?
Senhor, por que diriges o mundo deste modo? Senhor, por que não defendes teus
amigos? – João tem de suportar o combate exterior, tem de colocar no Senhor sua
esperança, esperando na perseverança! Mas, há ainda um outro combate, pior,
mais grave, mais doloroso: o combate interior. Onde aparece tal combate no
evangelho que escutamos? Recordai que João havia anunciado um Messias forte e
vingador; havia apontado Jesus como o Messias: ele viria para peneirar otrigo,
viria para queimar a palha... E agora, na prisão, o Batista ouvira falar que
Jesus era manso, misericordioso, compassivo... Jesus havia entrado na casa dos
fariseus, sentado-se à mesa com os publicanos, perdoado mulheres pecadoras...
João fica confuso: “Mas, não era bem assim que eu tinha imaginado o
Messias!”... Manda seus discípulos perguntarem ao Carpinteiro de Nazaré: “És tu
aquele que há de vir? És tu mesmo o Santo Messias tão esperado? Ou devemos
ainda esperar um outro?” Eta, meus caros, que muitas vezes também temos vontade
de fazer tais perguntas! Quando vemos os acontecimentos da vida, as coisas do
mundo, o modo como vivemos, vem uma vontade de perguntar ao Senhor: “Mas, será
que existes mesmo? Será que és fidelidade, que és amor, que te preocupas
conosco? És tu mesmo a nossa esperança e a nossa vida? És tu o Salvador que a
tudo dá sentido? Tu estás ou não no nosso meio? Tu és ou não um Deus próximo?”
A resposta de Jesus a João é clara e
desafiadora: Ele é o Messias anunciado pelos profetas, com ele cumprem-se as
palavras da primeira leitura de hoje: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se
descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo esse desatará a
língua dos mudos!” Mas, ele não é um Messias de encomenda, não um Messias como
nós desejamos ou pensamos! Ele é o Messias vindo do coração do Pai, um Messias
surpreendente, um Messias que revela a própria ternura, a própria misericórdia
de Deus! Para acolhê-lo, para compreendê-lo, para ver sua beleza é necessário
converter-se a ele! Por isso, Jesus manda dizer a João: “Feliz aquele que não
se escandalizar por causa de mim!” E João faz sua última conversão: crê em
Jesus, aceita o Messias Jesus como ele é, como o Pai o enviou, e não como ele
gostaria que fosse! Por isso João é grande, por isso é o maior dos profetas,
por isso hoje se encontra na glória e na gratidão da Igreja! Também nós,
irmãos, se esperarmos o Senhor, se acolhermos o Senhor, se não duvidarmos do
Senhor, se no Senhor permanecermos firmes, veremos a sua glória, nele nos
alegraremos e dele experimentaremos a salvação. A cor deste Domingo, além do
roxo, pode ser o rosa (mistura do roxo do Advento com o branco do Natal que se
aproxima). Vamos, alegremo-nos! Que a espera e a vigilância deste santo Tempo
já se mistura hoje com a alegre expectativa do Santo Natal! Alegrai-vos sempre
no Senhor! O Senhor está próximo! Que ele venha! Que ele nos encontre
vigilantes! Que ele nos veja abertos de coração!
dom Henrique Soares
da Costa
A liturgia deste domingo lembra a
proximidade da intervenção libertadora de Deus e acende a esperança no coração
dos crentes. Diz-nos: “não vos inquieteis; alegrai-vos, pois a libertação está
a chegar”.
A primeira leitura
anuncia a chegada de Deus, para dar vida nova ao seu Povo, para o libertar e
para o conduzir – num cenário de alegria e de festa – para a terra da
liberdade.
O Evangelho
descreve-nos, de forma bem sugestiva, a ação de Jesus, o Messias (esse mesmo
que esperamos neste Advento): Ele irá dar vista aos cegos, fazer com que os
coxos recuperem o movimento, curar os leprosos, fazer com que os surdos ouçam,
ressuscitar os mortos, anunciar aos pobres que o “Reino” da justiça e da paz
chegou. É este quadro de vida nova e de esperança que Jesus nos vai oferecer.
A segunda leitura
convida-nos a não deixar que o desespero nos envolva enquanto esperamos e
aguardarmos a vinda do Senhor com paciência e confiança.
1º leitura: Is. 35,1-6a.10 - AMBIENTE
Os capítulos 34-35 do
livro de Isaías são habitualmente chamados “pequeno apocalipse de Isaías” (para
distinguir do “grande apocalipse de Isaías”, que aparece nos capítulos 24-27);
descrevem os últimos combates travados por Jahwéh contra as nações,
particularmente contra Edom e a vitória definitiva do Povo de Deus. Estes dois
capítulos parecem poder ser relacionados com os capítulos 40-55 do Livro de Isaías
(cujo autor é esse Deutero-Isaías que atuou na Babilônia entre os exilados, na
fase final do Exílio). Por que razão estes dois capítulos se apresentam
separados do seu “ambiente natural” (Is. 40-55)? Provavelmente, foram atraídos
pelas peças escatológicas soltas de Is 28-33 e, especialmente, pelo capítulo
33.
Depois de apresentar
o julgamento de Deus (cf. Is. 34,1-4) e o castigo de Edom (cf. Is. 34,5-15), o
autor descreve, por contraste, a transformação extraordinária do deserto sírio,
pelo qual vão passar os israelitas libertados, que retornam do Exílio. A
intenção do profeta é consolar os exilados, desanimados, frustrados e
mergulhados no desespero, porque a libertação tarda e parece que Deus os
abandonou. Este tema será desenvolvido em profundidade nos capítulos 40-55 do
livro de Isaías.
MENSAGEM
Temos aqui um
autêntico “hino à alegria”, destinado a acordar a esperança e a revitalizar o
ânimo dos exilados. Qual a razão dessa alegria? É que Deus “aí está para fazer
justiça”: Ele vai intervir na história, vai salvar Judá do cativeiro, vai abrir
uma estrada no deserto para que o seu Povo possa regressar em triunfo a Sião.
O profeta começa por
interpelar a natureza e pedir-lhe que se prepare para a ação libertadora de
Deus em favor do seu Povo: o deserto e o descampado, estéreis e desolados, são
convidados a revestir-se de vida abundante (como o Líbano, o monte Carmelo ou a
planície do Sharon, zonas proverbiais de vida e de fecundidade) e a enfeitar-se
de flores de todas as formas e cores (vs. 1-2). Dessa forma, a própria natureza
manifestará a sua alegria pela intervenção salvadora de Jahwéh; mas, sobretudo,
será o cenário adequado para essa intervenção de Deus, destinada a levar vida
nova ao Povo. Além disso, a magnificência das árvores e das plantas será a
imagem da glória e da beleza do Senhor e falará a todos da grandeza de Deus, da
sua capacidade para fazer brotar vida onde só há morte, desolação,
esterilidade.
Depois, a palavra do
profeta dirige-se aos homens (vs. 3-4). Nada de desânimo, nada de cobardia,
nada de baixar os braços: Deus aí está para salvar e libertar o seu Povo. Os
exilados devem unir-se à natureza nessa corrente de alegria e de vida nova,
pois a libertação chegou.
O resultado da
iniciativa salvadora e libertadora de Deus será que os olhos dos cegos se
abrirão e se desimpedirão os ouvidos dos surdos… O coxo não apenas andará, mas
saltará como um veado; o mudo não apenas falará, mas cantará de alegria (vs.
5-6). A ação de Deus é excessiva, verdadeiramente transformadora e geradora de
vida nova em abundância.
A marcha do Povo da
terra da escravidão para a terra da liberdade será, pois, um novo êxodo, onde
se repetirão as maravilhas operadas pelo Deus libertador aquando do primeiro
êxodo; no entanto, este segundo êxodo será ainda mais grandioso, quanto à
manifestação e à ação de Deus. Será uma peregrinação festiva, uma procissão
solene, feita na alegria e na festa. O resultado final desse segundo êxodo será
o reencontro com Sião, a eterna felicidade, a alegria sem fim (v. 10).
ATUALIZAÇÃO
♦ Para os
otimistas, o nosso tempo é um tempo de grandes realizações, de grandes
descobertas, em que se abre todo um mundo de possibilidades ao homem; para os
pessimistas, o nosso tempo é um tempo de sobreaquecimento do planeta, de subida
do nível do mar, de destruição da camada do ozono, de eliminação das florestas,
de risco de holocausto nuclear… Para uns e para outros, é um tempo de desafios,
de interpelações, de procura, de risco… Como é que nós nos relacionamos com
este mundo? Vemo-lo com os olhos da esperança, ou com os óculos negros do
desespero?
♦ Os crentes não
podem, contudo, esquecer que “Deus aí está”: a sua intervenção faz com que o
deserto se revista de vida e que na planície árida do desespero brote a flor da
esperança. É com esta certeza da presença de Deus e com a convicção de que Ele
não nos deixará abandonados nas mãos das forças da morte que somos convidados a
caminhar pela vida e a enfrentar a história.
♦ O Advento é o
tempo em que se anuncia e espera a intervenção salvadora de Deus em favor do
seu Povo. No entanto, Ele só virá, se eu estiver disposto a acolhê-l’O; Ele só
intervirá, se eu estiver disposto a receber de braços abertos a proposta de
libertação que Ele me vem fazer… Estou preparado para acolher o Senhor? Ele tem
lugar na minha vida? A sua proposta libertadora encontrará eco no meu coração?
♦ O profeta é o
homem que rema contra a maré… Quando todos cruzam os braços e se afundam no
desespero, o profeta é capaz de olhar para o futuro com os olhos de Deus e ver,
para lá do horizonte do sol poente, um novo amanhã. Ele vai, então, gritar aos
quatro ventos a esperança, fazer com que o desespero se transforme em alegria e
que o imobilismo se transforme em luta empenhada por um mundo melhor. É este
testemunho de esperança que procuramos dar?
1ª leitura: Tg. 5,7-10 - AMBIENTE
A carta de onde foi
extraída a nossa segunda leitura de hoje é um escrito de um tal Tiago (cf. Tg.
1,1), que a tradição liga a esse Tiago “irmão” do Senhor, que presidiu à Igreja
de Jerusalém e do qual os Evangelhos falam, acidentalmente, como filho de certa
Maria (cf. Mt. 13,55;27,56). Teria morrido decapitado em Jerusalém no ano 62…
No entanto, a
atribuição deste escrito a tal personagem levanta bastantes dificuldades.
O mais certo é
estarmos perante um outro qualquer Tiago, desconhecido até agora (o “Tiago,
filho de Alfeu” – de que se fala em Mc. 3,18 e par. – e o “Tiago, filho de
Zebedeu” e irmão de João – de que se fala em Mc. 1,19 e par. – também não se
encaixam neste perfil). É, de qualquer forma, um autor que escreve em excelente
grego, recorrendo até, com frequência, à “diatribe” – um gênero muito usado
pela filosofia popular helênica. Inspira-se particularmente na literatura
sapiencial, para extrair dela lições de moral prática; mas depende também
profundamente dos ensinamentos do Evangelho. Trata-se de um sábio judeo-cristão
que repensa, de maneira original, as máximas da sabedoria judaica, em função do
cumprimento que elas encontraram na boca e no ensinamento de Jesus.
A carta foi enviada
“às doze tribos que vivem na Diáspora” (Tg. 1,1). Provavelmente, a expressão
alude a cristãos de origem judaica, dispersos no mundo greco-romano, sobretudo
nas regiões próximas da Palestina – como a Síria ou o Egito; mas, no geral, a
carta parece dirigir-se a todos os crentes, exortando-os a que não percam os
valores cristãos autênticos herdados do judaísmo através dos ensinamentos de
Cristo.
Denuncia, sobretudo,
certas interpretações consideradas abusivas da doutrina paulina da salvação
pela fé, sublinhando a importância das obras; e ataca com extrema severidade os
ricos (cf. Tg. 1,9-11;2,5-7;4,13-17;5,1-6).
O nosso texto
pertence à terceira parte da carta (Tg. 3,14-5,20). Aí, o autor apresenta, num
conjunto de desenvolvimentos e de sentenças aparentemente sem ordem nem lógica,
indicações concretas destinadas a favorecer uma vida cristã mais autêntica.
MENSAGEM
Depois de uma
violenta denúncia dos ricos que oprimem os pobres e que enriquecem retendo os
salários dos seus trabalhadores (cf. Tg. 5,1-6), o autor da carta dirige-se aos
pobres e convida-os a esperar com paciência a vinda do Senhor (como o
agricultor, depois de ter feito o seu trabalho, fica pacientemente, mas cheio
de esperança, à espera que a terra produza os seus frutos). Todo o
enquadramento está dominado pela perspectiva da vinda do Senhor.
A questão é,
portanto, esta: os pobres vivem numa situação intolerável de exploração e de
injustiça; mas não devem resolver o seu problema com queixas e violências:
devem confiar em Deus e esperar a intervenção que os salvará e libertará. A
paciência e a espera confiada no Senhor são as atitudes corretas, nestes tempos
em que se prepara a intervenção final de Deus na história.
Haverá, aqui, um
apelo à passividade, a cruzar os braços, a demitir-se da luta pelo mundo
melhor? Não devemos entender o apelo de Tiago nesta perspectiva; o que há aqui
é um apelo a confiar no Senhor e a não embarcar no mesmo esquema injusto e
violento dos opressores… O acento é posto na esperança que deve alumiar o
coração de quem sofre: a libertação está a chegar.
ATUALIZAÇÃO
♦ Muitos irmãos
nossos fazem, todos os dias, a experiência intolerável de viver na injustiça,
no medo, no sofrimento, à margem da vida, privados de dignidade…
Tiago diz-lhes:
“apesar do sem sentido da vida, apesar do sofrimento, Deus não vos abandonou
nem esqueceu, mas vai libertar-vos; aproxima-se a dia da intervenção salvadora
de Deus… Esperai-O, não com o coração cheio de revolta (que vos destrói e que
magoa todos aqueles que, sem ter culpa, vivem e caminham a vosso lado), mas com
esperança e confiança”.
♦ Atenção: isto
não significa instalar-se numa resignação que aliena e numa passividade que é
renúncia à própria dignidade humana… Isto significa, sobretudo, não deixar que
sentimentos agressivos e destrutivos tomem posse de nós, pois a libertação de
Deus não pode chegar a qualquer coração dominado pelo ódio, pelo rancor, pelo
desejo de vingança.
♦ Nós, Igreja de
Jesus, testemunhas do projeto libertador de Deus, temos de anunciar o projeto
libertador de Deus aos escravos e oprimidos e não deixar que a luz da esperança
se apague… Anunciamos a salvação aos pobres e oprimidos, com as nossas palavras
e com os nossos gestos?
♦ A salvação de
Deus chega ao mundo através do nosso testemunho… Lutamos, objetivamente, para
tornar realidade o projeto libertador de Deus e para silenciar a opressão, a
injustiça, tudo o que rouba a vida e a dignidade a qualquer homem ou a qualquer
mulher?
Evangelho: Mt 11,2-11 - AMBIENTE
Na secção precedente
do Evangelho (cf. Mt. 4,17-11,1), Mateus apresentou de forma sistemática o
anúncio do “Reino”, manifestado nas palavras e nos gestos de Jesus, e difundido
pelos seus discípulos… Agora, começa outra secção, em que todo o interesse do
evangelista é mostrar as atitudes que as distintas pessoas ou grupos vão
assumir diante de Jesus (cf. Mt. 11,2-12,50). A narração é retomada com a
pergunta dos enviados de João Batista (que está na prisão, por ordem de Herodes
Antipas, a quem o Batista havia criticado por viver maritalmente com a cunhada
– cf. Mt. 14,1-5): Jesus é mesmo “o que está para vir”?
A pergunta não é
ociosa… João esperava um Messias que viesse lançar fogo à terra, castigar os
maus e os pecadores, dar início ao “juízo de Deus” (cf. Mt. 3,11-12); e, ao
contrário, Jesus aproximou-Se dos pecadores, dos marginais, dos impuros,
estendeu-lhes a mão, mostrou-lhes o amor de Deus, ofereceu-lhes a salvação (cf.
Mt. 8-9). João e os seus discípulos estão, pois, desconcertados: Jesus será o
Messias esperado, ou é preciso esperar um outro que venha atuar de uma forma
mais decidida, mais lógica e mais justiceira?
Mateus tem um
interesse especial pela figura de João Batista. Para ele, João é o precursor,
que veio preparar os homens para acolher Jesus. É provável que, ao fazer esta
apresentação, o evangelista se queira dirigir aos discípulos de João que ainda
continuavam ativos na época em que o Evangelho foi escrito… Mateus pretende
clarificar as coisas e “piscar o olho” aos discípulos de João, no sentido de
que eles adiram à proposta cristã e entrem na Igreja de Jesus.
MENSAGEM
O nosso texto
divide-se em duas partes… Na primeira, Jesus responde à pergunta de João e dá a
entender que Ele é o Messias (vs. 2-6); na segunda, temos a apreciação que
o próprio Jesus faz da figura e da ação profética de João
(vs. 7-11).
Jesus tem consciência
de ser o Messias? A resposta é obviamente positiva; para dá-la, Jesus recorre a
um conjunto de citações de Isaías que definem, na perspectiva dos profetas, a
ação do Messias enviado de Deus: dar vida aos mortos (cf. Is. 26,19), curar os
surdos (cf. Is. 29,18), dar vista aos cegos, dar liberdade de movimentos aos
coxos (cf. Is. 35,5-6), anunciar a Boa Nova aos pobres (cf. Is. 61,1). Ora, se
Jesus realizou estas obras (cf. Mt. 8-9), é porque Ele é o Messias, enviado por
Deus para libertar os homens e para lhes trazer o “Reino”. A sua mensagem e os
seus gestos contêm uma proposta libertadora que Deus faz aos homens.
Na segunda parte,
temos a declaração de Jesus sobre o Batista. Mateus utiliza um recurso retórico
muito conhecido: uma série de perguntas que convidam os ouvintes a dar uma
resposta concreta. A resposta às duas primeiras questões é, evidentemente,
negativa: João não é um pregador oportunista cuja mensagem segue as modas, nem
um elegante convencido que vive no luxo. A resposta à terceira é positiva: João
é um profeta e mais do que um profeta. A declaração, que começa com uma
referência à Escritura (cf. Ex. 23,20; Mal. 3,1) pretende clarificar qual a
relação entre ambos e o lugar de João no “Reino”: João é o precursor do
Messias; é “Elias”, aquele que tinha de vir antes, a fim de preparar o caminho
para o Messias (cf. Mal. 3,23-24)… No entanto, aqueles que entraram no “Reino”
através do seguimento de Jesus são mais do que Ele.
ATUALIZAÇÃO
♦ O nosso texto
identifica Jesus com a presença salvadora e libertadora de Deus no meio dos
homens. Neste tempo de espera, somos convidados a aguardar a sua chegada, com a
certeza de que Deus não nos abandonou, mas continua a vir ao nosso encontro e a
oferecer-nos a salvação.
♦ Os “sinais”
que Jesus realizou enquanto esteve entre nós têm de continuar a acontecer na
história; agora, são os discípulos de Jesus que têm de continuar a sua missão e
de perpetuar no mundo, em nome de Jesus, a ação libertadora de Deus. Os que
vivem amarrados ao desespero de uma doença incurável encontram em nós um sinal
vivo do Cristo libertador que lhes traz a salvação? Os “surdos”, fechados num
mundo sem comunicação e sem diálogo, encontram em nós a Palavra viva de Deus
que os desperta para a comunhão e para o amor? Os “cegos”, encerrados nas
trevas do egoísmo ou da violência, encontram em nós o desafio que Deus lhes
apresenta de abrir os olhos à luz? Os “coxos”, privados de movimento e de
liberdade, escondidos atrás das grades em que a sociedade os encerra, encontram
em nós a Boa Nova da liberdade? Os “pobres”, marginalizados, sem voz nem
dignidade, sentem em nós o amor de Deus?
♦ Mais uma vez,
somos interpelados e questionados pela figura vertical e coerente de João… Ele
não é um pregador da moda, cujas ideias variam conforme as flutuações da
opinião pública ou os interesses dos poderosos; nem é um charlatão bem vestido,
que prega apara ganhar dinheiro, para defender os seus interesses, ou para ter
uma vida cômoda e sem grandes exigências… Mas é um profeta, que recebeu de Deus
uma missão e que procura cumpri-la, com fidelidade e sem medo. A minha vida e o
meu testemunho profético cumprem-se com a mesma verticalidade e honestidade, ou
estou disposto e vender-me a interesses menos próprios, se isso me trouxer
benefícios?
♦ A “dúvida” de
João acerca da messianidade de Jesus não é chocante, mas é sinal de uma
profunda honestidade… Devemos ter mais medo daqueles que têm certezas
inamovíveis, que estão absolutamente certos das suas verdades e dos seus
dogmas, do que daqueles que procuram, honestamente, as respostas às questões
que a vida todos os dias põe. Sou um fundamentalista, que nunca se engana e
raramente tem dúvidas, ou alguém que sabe que não tem o monopólio da verdade,
que ouve os irmãos, e que procura, com eles, descobrir o caminho verdadeiro?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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