5º DOMINGO TEMPO COMUM
Ano A
Dia 05 de fevereiro de 2017
Evangelho - Mt 5,13-16
Prezadas irmãs, prezados
irmãos. Neste Evangelho, Jesus nos
compara com o tempero que se coloca na comida, ou seja, o sal. Todos sabemos,
que uma comida totalmente sem sal, não tem gosto de nada. Um churrasco então,
nem se fala! Continuar lendo
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“VÓS SOIS O SAL DA TERRA. VÓS SOIS A
LUZ DO MUNDO!”- Olivia Coutinho.
5º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia 05 de Fevereiro de 2017
Evangelho de Mt 5,13-16
Jesus nos convida a fazermos a diferença no mundo, a
priorizarmos os valores do Reino, nos quais devemos assentar a nossa vida!
Somos convidados a dar um sentido novo a nossa existência, a sermos
protagonistas de uma historia de amor que nunca terá fim, e para sermos estes
protagonistas, Jesus nos faz uma única
exigência: a conversão do coração.
A conversão nos
abre à luz de Cristo, nos tira da escuridão, nos faz, não somente enxergar,
como também, a desmascarar os projetos contrários à vida!
Se o mal está
ganhando força no mundo, é sinal de que não estamos deixando aflorar, o bem
plantado por Deus em nossos corações, que estamos ofuscando a Luz de Cristo com
as luzes artificiais do mundo!
Não nascemos do
acaso, somos frutos do amor de Deus plantados aqui na terra para produzir
frutos, e só iremos produzir frutos de boa qualidade, se estivermos ligados a
Jesus, Jesus é a seiva que nos liga ao Pai, Ele é a fonte de água viva que
irriga todo o nosso ser, que nos transforma em fonte de luz no mundo!
Jesus veio
mudar o rumo da nossa história, dar um sentido novo ao nosso existir, nos
libertar de nossas próprias prisões, Nele e com Ele, a nossa vida ganha
brilho e sabor!
O evangelho
que a liturgia de hoje nos apresenta, nos convida a refletir sobre a
importância de darmos testemunho de Jesus no mundo, deixando que a sua luz
brilhe em nós!
“Vós sois o sal
da terra e a luz do mundo.” Com esta afirmação, Jesus sintetiza o caráter da
nossa missão nos oferecendo diretrizes bastante precisas para a nossa
caminhada missionária!
Através de
pequenas metáforas, Jesus nos diz algo muito significativo, Ele nos chama à
responsabilidade de continuadores do anuncio do Reino! “Vós sois o sal da
terra.” Ser sal da terra, significa ser uma presença discreta, porem, essencial
no meio em que vivemos! Como sabemos, o sal não aparece, mas ele é
imprescindível no nosso dia a dia, é o sal que dá o sabor ao nosso alimento!
Como
continuadores da presença de Jesus no mundo, precisamos dar sabor a vida do
outro, mas com o cuidado de estarmos no ponto certo: nem sem sal e nem
salgado demais!
Quando nos
omitimos diante às injustiças, ficando numa postura de meros espectadores dos
acontecimentos, tornamos pessoas sem sal, ou seja, pessoas passivas,
indiferentes, essa postura não agrada a Deus. Por outro lado, quando queremos
impor os nossos pontos de vista, considerando-nos donos da verdade,
desconsiderando a opinião do outro, tornamos pessoas salgadas demais, a ponto
da nossa presença se tornar indesejável!
“Vós sois a luz
do mundo.” Ser luz no mundo, é dar testemunho da verdade!
Se deixarmos de
ser luz, a escuridão prevalecerá e o inimigo ganhará espaço para agir sem ser
visto, enquanto que diante da luz, o mal não tem vez, pois as claras,
nada fica oculto.
Em muitas
situações, ser luz, pode até implicar em grandes riscos, porém, o pior risco, é
o de não aceitar o desafio de ser luz, o que pode nos condenar a pior de todas
as trevas: estar longe de Jesus!
“Vós sois o sal
da terra.” Vós sois a luz do mundo!” Como vimos, Jesus não nos pede
para ser sal da terra e nem para ser luz do mundo, Ele afirma que nós somos o
sal e a luz do mundo! Portanto, deixemo-nos temperar pelo sabor de Jesus
e nos iluminar pela Luz do seu Espírito, dando continuidade a sua presença no
mundo, dando sabor e sendo luz na vida do nosso irmão!
Será que a
nossa presença está dando sabor de Jesus no meio em que vivemos? Ou será que
estamos salgados demais, a ponto de afastar as pessoas de junto de nós?
Estamos
irradiando a luz de Cristo que brilha em nós? Ou será que estamos sendo luz
forte demais (aparecidos) ofuscando os olhos do outro?
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
Venha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook
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Vós sois o sal da
terra
O Antigo Testamento apresenta as ações
éticas em favor dos necessitados como portadoras de luz. “Se saciares os
pobres, tua luz brilhará nas trevas” (Is. 58,10). Segundo o evangelho, os
discípulos, à medida que souberem apropriar-se do espírito das
bem-aventuranças, adquirirão aquela sabedoria sobrenatural que os torna sal da
terra e luz do mundo (Mt. 5,13-14). As ações dos discípulos farão brilhar a luz
de Deus, e não sua própria luz: “que, vendo vossas boas ações, eles glorifiquem
vosso Pai que está nos céus” (Mt. 5,16b). Modelo esplêndido de discípulo de
Cristo, sal e luz do mundo, é o apóstolo Paulo. A eficácia de seu apostolado
não está na “sublimidade de palavras ou de sabedoria” (1Cor. 2,1), mas na vida
totalmente inspirada no evangelho e configurada a Cristo.
Evangelho (Mt.
5,13-16)
Vendo vossas boas
obras, glorificarão a Deus
Terminado o discurso das
bem-aventuranças, Jesus se refere ao papel de seus discípulos no mundo: ser sal
e luz. Mas, para que isso seja possível, é necessário serem realmente pobres em
espírito, mansos, misericordiosos, puros, pacíficos e alegres, apesar das
perseguições.
Os cristãos são chamados a transformar
o mundo insípido (sem sal), insensato (sem a sabedoria divina) e sombrio (sem a
luz de Deus) em Reino de Deus, no qual esses valores têm a primazia. Contudo,
há o reverso da medalha: se os cristãos não tiverem o espírito do evangelho,
não servirão para a edificação do Reino.
Tendo a própria vida configurada à vida
de Cristo, cada ação praticada no seguimento de Jesus se tornará como que um
candelabro a iluminar “todos os que estão em casa”. Será como uma “cidade no
alto do monte”, vista por todos os peregrinos cansados e atraindo-os para o
conforto de uma hospedagem.
Quem segue o Cristo com autenticidade
se torna portador de sua luz, pois deixa transparecer na própria conduta sua
vida e sua mensagem e atrai todos para Deus.
1ª leitura (Is
58,7-10)
Teus atos de justiça
irão à tua frente
Esse texto de Isaías trata do que
agrada e desagrada a Deus. Especificamente, a vontade de Deus é que o amemos
acima de todas as coisas e amemos o próximo como a nós mesmos. Esse é o resumo
da Escritura. Os judeus já sabiam disso (Lc. 10,25-28).
O pecado consiste basicamente em não
fazer a vontade de Deus resumida nesse princípio. Para reatar a amizade com
Deus, o judeu oferecia sacrifícios, e, por meio da substituição da vida do
ofertante pela vida do animal (a oferta), era mostrado de forma ritual o desejo
do ser humano de entregar sua vida nas mãos de Deus.
Estando longe de Jerusalém,
impossibilitados de ir ao templo, os judeus substituíam o ritual do sacrifício
pelo jejum. O jejum e os demais ritos penitenciais eram sinais de sincero
arrependimento e expressão de mudança radical de conduta (Jn. 3,8).
Contudo, esse texto de Isaías, dirigido
aos judeus dispersos pelo mundo, reclama da prática do jejum quando outras
pessoas estão sem roupa, enfermas, sem alimento, injustiçadas. A verdadeira
ação que agrada a Deus não se limita a rituais, sejam quais forem; ao
contrário, é necessário voltar-se para o “outro”. Só assim a glória de Deus
resplandecerá no mundo.
2ª leitura (1Cor.
2,1-5)
O anúncio pelo
testemunho
Paulo é o modelo de discípulo que, por
meio do evangelho, se torna “sal e luz” no mundo. E o mundo que ele evangeliza
– aqui especificamente a cidade de Corinto – é um ambiente onde os homens
brilham por sua sabedoria e eloquência. No entanto, o projeto de Deus difere do
projeto meramente humano, pois a sabedoria divina se revela nos que se deixam
conduzir por ele, como é o caso de Paulo. Como ministro do evangelho, Paulo tem
como base de sua pregação unicamente a força do Espírito, que o conduz segundo
o plano divino. Plano esse revelado na “loucura da cruz de Cristo”, no qual
apresenta o caminho de acesso a Deus. Esse caminho não é o do poder, do
prestígio ou da sabedoria humana, o qual leva o ser humano a se gloriar de si
mesmo. Mas é um caminho inovador, totalmente diferente daquele proposto pelo
mundo. Um caminho de oferta total de si às mãos daquele que é fonte de vida: o
Pai. Por isso, Paulo não necessita recorrer à sabedoria humana. Sua vida
entregue a Cristo testemunha esse poder e essa sabedoria de Deus, fonte de
salvação para os que creem.
Pistas para reflexão
Ser “sal da terra” é testemunhar no
mundo a vida em Cristo por uma conduta reta, baseada no amor a Deus e ao
próximo. Os rituais que realizamos devem constituir uma expressão dessa vida
unida a Deus, testemunhada na prática dos valores do Reino. Nisto consiste a
missão do cristão: temperar o mundo com o “sal” do Reino de Deus, para que os
seres humanos saboreiem as coisas do alto e, com isso, busquem em Deus o
alimento para a vida eterna. Sem isso, os ritos são vazios.
Aíla Luzia Pinheiro
Andrade
Salgar e iluminar
Continuamos a
acompanhar nos domingos do tempo comum textos e trechos do Sermão da Montanha
de Mateus. Hoje aparece o tema da iluminação do mundo e da “salgação” da terra.
Jesus declara que os seus seguidores existem para iluminar o mundo e salgar a
terra. Eis duas imagens ligadas à luz e a força. A luz existe para iluminar e o
sal, para salgar, para dar gosto. Estas imagens são marcadas por um dinamismo.
Os que se reúnem em torno de Jesus para ouvir sua palavra e se modelar por
ela são chamados a trabalhar em sua causa, salgando e iluminando.
Não se concebe uma
vida cristã morna, sem luz e sem força. Não se concebe uma existência fecundada
pela paixão, morte e ressurreição de Jesus inativa. Os poucos versículos do
Sermão da Montanha proclamados neste domingo, nos colocam diante do tempo da
irradiação. Há muitos meios e modos de anunciar e proclamar a boa nova.
Um dos primordiais é certamente através do exemplo, da vida.
Ora, os cristãos
carregam neles uma força especial. São tocados interiormente pela graça
do Senhor e assim se tornam criaturas novas. Conviver com um verdadeiro
discípulo consiste numa grande ventura. Mesmo com uma ou outra incoerência aqui
e ali, o cristão transpira alegria: mergulha alegremente na oração, é marcado
pela esperança, convive com os outros com cordialidade, não tem o rosto
franzido, renova os ambientes com a capacidade de perdoar. Quando um cristão
verdadeiro chega as pessoas compreendam que seguir Cristo não é peso, mas
alegria. O cristão salga a terra. Dá gosto. Passa sabor. Se um cristão perde a
força, será como um sal estragado. Daí a importância de que os cristãos
sejam viçosos, sem serem espalhafatosos. Não se deve esquecer que essa força do
cristão vem de Deus. A leitura de Paulo aos Coríntios feita também em nossa
liturgia lembra: “A minha palavra e a minha pregação não tinham nada de
discursos persuasivos da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito,
para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus, e não na sabedoria dos
homens”.
De outro lado está a
imagem da luz. Cristo é a luz e a claridade do mundo. Ora, o Sermão da Montanha
diz que os seguidores do Mestre iluminam o mundo. E é verdade. Trata-se sempre
da ideia anteriormente desenvolvida. Pelo exemplo, pela correção no agir,
pela generosidade do perdão, pela força na doença e na perseguição a
comunidade dos discípulos de Jesus ilumina o mundo. Não são discursos,
palestras que convencem. O exemplo arrasta. Assim, o exemplo é luz. O
mundo vendo o viver dos cristãos encontra Deus. “Brilhe a vossa luz diante dos
homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos
céus” Vidas louvam a Deus a partir do exemplo.
Penso aqui de modo
especial nos leigos e em sua missão. Não devem eles, em primeiro lugar,
se ocupar do culto, de tarefas que mais cabem aos sacerdotes e
religiosos. Os leigos não podem se clericalizar. Embora exercendo alguns
ministérios ligados à catequese e animação da Palavra em comunidades, sua
missão evangelizadora situa-se no meio da vida: na família, no trabalho, nos
bairros, na política, no cuidado com os filhos, no apoio aos deserdados da
vida, na convivência dialogante. Precisamente nestes aspectos os leigos
cristãos são sal da terra e luz do mundo.
frei Almir Ribeiro Guimarães
Sal da terra e luz
do mundo
No evangelho deste domingo continua o
Sermão da Montanha conforme Mt, declarando que os que escutam (e aceitam) a
palavra de Jesus Cristo são o sal da terra e a luz do mundo. Os verdadeiros
discípulos de Cristo dão cor e sabor a este mundo. Mas, quando perdem
estas qualidades, também não prestam mais para nada. Que significam essas
imagens do sal e da luz?
A 1ª leitura oferece um exemplo daquilo
que os ouvintes de Jesus, acostumados aos textos do Antigo Testamento (na
sinagoga), ouviam ressoar nos seus ouvidos ao escutarem tais expressões:
“Quando repartes teu pão com o faminto e concedes hospedagem ao pobre, então,
tua luz surge como a aurora, tua justiça caminha diante de ti … Se expulsas de
tua casa a opressão e sacias o oprimido, então surge tua luz nas trevas e tua
escuridão resplandece como o pleno dia” (Is. 58,6a.7-10; cf. todo o cap. 58).
O que dá cor e sabor à vida não é, como
muitos pensam, o prazer, a ostentação, o luxo; nem mesmo o progresso ou a
erudição; nem mesmo a arte ou a filosofia. O que dá cor e sabor à vida é:
ocupar-se com o que parece condenado à morte: o oprimido, o pobre. Para os
sábios deste mundo, Jesus tem mau gosto! Para Jesus, dar cor e sabor à vida é
ocupar-se com o fraco, o impotente, que aos olhos de Deus vale tanto (e mais)
quanto o forte; o pequeno, que merece atenção maior, porque não sabe se
defender. Uma boa mãe não dedica atenção maior aos filhos mais fracos? Dar cor
e sabor à vida não é eliminar o que é fraco, mas abrir espaço para todos os
seres queridos por Deus. Lembro-me de um fanático que queria destruir todas as
árvores rasteiras para plantar só árvores de grande porte … Tem alguma
semelhança com os que, em nome do progresso e da cultura, reduzem tudo ao mesmo
denominador. Isso não é sal e luz, mas mania de grandeza e morte. Ser sal e luz
significa: fazer viver o mínimo ser querido por Deus.
Mas ser sal e luz é também: não fugir
em piedosos exercícios (como o jejum formalista, que Is 58 critica). Há almas
românticas que querem ser uma vela que se consome na solidão do santuário,
diante de Deus só. A luz não é feita para ser colocada debaixo do alqueire … A
melhor maneira para se consumir em brilho diante de Deus é dar sua luz aos seus
filhos.
Também Paulo, que ouvimos novamente na
1Cor. (1ª leitura), sabe que a cultura não é o verdadeiro brilho (2, I). Ele só
quer saber da loucura da cruz. Contemplar a cruz é a condição para entender o
sentido bíblico de ser sal e luz, como o explicamos acima. Pois Cristo nos fez
realmente viver, mediante sua própria morte, pela força do Espírito que o fez
surgir dos mortos.
Os cantos (salmo responsorial e
aclamação ao evangelho) sublinham a imagem, frequente na Bíblia, da luz do
mundo. Lembram-nos que Cristo mesmo é, por excelência, esta luz. Ser luz do
mundo é imitá-Lo. Não é brilhar no sucesso que ofusca. É, qual uma luz
indireta, iluminar pela graciosa bondade que recebemos de Deus as trevas em que
vive nosso irmão, trevas de falta de sentido na vida, trevas de vício e pecado,
trevas de uma estrutura opressora, e tantas outras … E para sermos luz devemos
ter o senso crítico necessário para reconhecer as trevas. Ser luz não é andar
como um “iluminado” neste mundo. É enfrentar as trevas. É testemunhar, pela
própria vida, a luz que é Jesus Cristo.
Johan Konings
"Liturgia dominical"
No Evangelho de hoje, que é uma
continuação do Sermão da Montanha, Mateus alerta sobre a responsabilidade de
cada cristão perante o mundo. Ela mostra Jesus falando para uma grande multidão
reunida à sua volta, perto do mar, um lugar onde havia muito sal. Ele, então
aproveita o ambiente para comparar o discípulo ao sal e à luz, e convoca todos
aqueles que querem ser seus discípulos para serem “sal da terra” e “luz do
mundo”. Todos são chamados a transformar o mundo muitas vezes sem graça e
insensato por ser edificado na vaidade dos bens materiais, num outro mundo
inspirado em sabedoria e valores eternos.
Jesus usou o sal como símbolo para
explicar como deve ser a vida daqueles que se comprometem com os seus
ensinamentos. A essas pessoas Ele disse que elas deveriam ser como o sal, e
pediu para que cuidassem para não deixarem o sal perder o sabor, ou seja, Ele
afirmou que o discípulo não pode perder a vontade de viver a verdade, a justiça
e a fraternidade que são virtudes importantes para a transformação do mundo.
O sal dá sabor aos alimentos,
tornando-os agradáveis ao paladar, e preserva também da corrupção. No tempo de
Jesus as pedras de sal serviam para tornar o fogo mais forte, e significava
preservação, mantendo a chama vital para a vida das pessoas mais forte. O sal
servia também para selar o compromisso, o trato entre duas pessoas. No Antigo
Testamento ele era utilizado nas oferendas a Deus significando o desejo de que
estas se tornassem mais agradáveis.
A luz, primeira obra da criação, é
símbolo de Deus, do seu Amor pelos homens e mulheres, da vida que Ele oferece;
ao contrário das trevas que evocam a destruição, a desordem e a morte.
Mateus diz que aqueles que se
comprometem com o projeto de Deus, assumindo a condição de discípulos de Jesus,
são o sal e a luz do mundo. É Deus que fala e brilha através deles que são
instrumentos para levar o anúncio do Reino ao mundo, mas é preciso manter a
qualidade do sal e não esconder a luz.
Jesus deixa bem claro: “Que a luz de
vocês brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que vocês
fazem, e louvem o Pai de vocês que está no céu.”
Comparados ao sal, os amigos de Deus
são alertados contra a omissão. E comparados à luz, são alertados contra a
presunção e a idolatria. É justo que a prática da justiça seja divulgada, mas o
louvor pertence unicamente a Deus, autor do projeto de vida e liberdade para
todos.
A vida do cristão comprometido com as
propostas de Jesus deverá ser, portanto, um sinal claro da presença do Espírito
Santo no meio dos homens, como um farol onde é Deus quem brilha nele.
Pequeninos do Senhor
A serviço do mundo
Desde cedo, Jesus preocupou-se em
evitar que o grupo de seus discípulos se transformasse numa espécie de seita,
fechada e esotérica, como havia naquela época. Assim era a comunidade dos
essênios, às margens do mar Morto, com um fanatismo tão radical, a ponto de se
considerarem filhos da luz, relegando o resto da humanidade à condição de
filhos das trevas.
A comunidade dos discípulos de Jesus,
pelo contrário, fora orientada a ter uma atitude diferente: haveria de ser
"sal da terra e luz do mundo". Sal e luz, segundo um autor muito
antigo, eram as duas coisas imprescindíveis para qualquer ser humano
sobreviver. Portanto, a presença dos discípulos, na história humana, seria
semelhante à presença destes dois elementos indispensáveis: sal e luz.
O sal é imagem do que purifica, dá
gosto, conserva. Dando testemunho do Evangelho pela prática das boas obras e
levando outras pessoas a fazerem o mesmo, os discípulos estariam impedindo que
a corrupção se apoderasse da humanidade e também ajudariam as pessoas a se manterem
sintonizadas com o projeto de Deus.
De que maneira os discípulos haveriam
de ser luz do mundo? Testemunhando a revelação de Deus, em Jesus Cristo, e
transmitindo às pessoas essa luz divina, de forma a arrancá-las das trevas do
erro e do egoísmo. Mais do que com palavras, será com o exemplo de vida que os
discípulos levarão a humanidade a render glória ao Pai do céu.
padre Jaldemir
Vitório
Hoje, no Evangelho, escutamos umas
frases de Jesus que nos são velhas conhecidas, tão velhas, que riscam não
significar muita coisa: “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” –
diz-nos o Senhor! Pois bem, com unção e humildade, como se escutássemos pela
primeira vez, escutemos, procuremos compreender e acolhamos essas afirmações,
para encontrarmos nelas a Vida e vivermos de verdade!
“Vós sois o sal da terra!” O sal, na
Escritura, aparece como o elemento que dá sabor, purifica e conserva, tornando
perenes e duradouros os alimentos... Daí a expressão “aliança de sal”, isto é,
“uma aliança perene aos olhos do Senhor” (Nm. 18,19). Por causa dessa pureza e
perenidade, é que Israel deveria ajuntar o sal a toda oferta que fizesse ao
Senhor Deus: “Salgarás toda a oblação que ofereceres, e não deixarás de pôr na
tua oblação sal da aliança de teu Deus; a toda a oferenda juntarás uma oferenda
de sal a teu Deus” (Lv. 2,13). Pois bem, irmãos caríssimos, vós sois o sal que
dá sabor, pureza e conservação ao mundo diante de Deus! Sois a pitadinha de sal
que torna o mundo uma oferenda agradável e aceitável ao Senhor! Sois tão
pequenos, tão poucos, tão frágeis, tão impotentes, tão tolos! Lembrai-vos da
leitura do Domingo passado: “Entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana
nem muitos poderosos nem muitos nobres... Deus escolheu o que o mundo considera
como estúpido, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que o mundo
considera sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para,
assim, mostrar a inutilidade do que é considerado importante... É graças a ele
que vós sois em Cristo..” (1Cor. 1,26-31). Sim, sois essa pitadinha de nada,
esse tico desprezível de sal.. E, no entanto, sois o sabor, a purificação, a
conservação da aliança entre Deus e o mundo! Sois, em Cristo Jesus, o povo
sacerdotal! Por isso, a nós, o Senhor ordena: “Tende sal em vós mesmos” (Mc.
9,50); em outras palavras: uni-vos a mim, ao meu sacerdócio, à minha vida
entregue ao Pai como amor que se entrega para a vida do mundo! Lembremo-nos do
conselho de são Paulo: “Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de
Deus, a que ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a
Deus: esse é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo, mas
transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a
vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm. 12,1-2). Era este o
significado daquela pitadinha de sal que o sacerdote colocou nos nossos lábios
no momento do nosso batismo, quando nos tornamos membros do povo da aliança,
povo sacerdotal. Colocando-nos o sal, ele recordou as palavras de Jesus: “Vós
sois o sal da terra!” No entanto, não nos iludamos: somente seremos sal, se
permanecermos unidos a Cristo! Sem ele, seremos insípidos, seremos como o
mundo, sem sabor e para nada serviremos, “senão para sermos jogados fora e pisados
pelos homens”.
“Vós sois a luz do mundo!” – Que
afirmação impressionante! Um só é a luz: Aquele que disse de si próprio: “Eu
sou a luz do mundo!” (Jo 8,12). Como pode, então, dizer agora que nós somos
luz? Escutemos: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas,
mas terá a luz da vida!” (Jo 8,12). Eis: se em Cristo – e somente nele – somos
sal da aliança selada na cruz, também somente na sua luz, seguindo seus passos,
tornamo-nos luz. É isso que nos afirma o Apóstolo: “Outrora éreis treva! Agora,
sois luz no Senhor! Andai como filhos da luz!” (Ef 5,8). Por nós mesmos não
somos sal, mas insípidos; por nós mesmos não somos luz, mas trevas tenebrosas!
Mas, em Cristo, damos sabor ao mundo e somos reflexos da luz do Senhor! Não
somos luz, mas iluminados pela luz de Cristo, refletiremos a luz sobre o mundo
tenebroso, como a lua que, sem ter luz própria, mas iluminada pela luz do sol,
ilumina de modo belíssimo a noite escura...
Portanto tenhamos cuidado: somente
seremos sal se nos deixarmos salgar pelo Senhor no cadinho da provação e da
participação na sua cruz; somente seremos luz se nos deixarmos iluminar pela
luz fulgurante que brota da sua cruz! Que o cristão não busque outro sal ou
outra luz, a não ser o Cristo e Cristo na sua humildade, na sua pobreza, no seu
serviço, na sua disponibilidade total em relação ao Pai: “Não julguei saber
coisa alguma entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado!” Aquilo
que passa da cruz do Senhor, que foge da cruz do Senhor, que procura outro
caminho e outra lógica, que não a da cruz que conduz à ressurreição, não salga
e não ilumina! Então, que brilhe a luz de Cristo em nossa vida e em nossas
obras! Que o nosso modo de viver dê novo sabor a este mundo tão insosso pelo
pecado – vede no carnaval: quanta treva, quanta insipidez, quanto velho gosto
da velha podridão do velho pecado! Se no nosso modo de viver formos sal e luz,
cumprir-se-á em nós a palavra do Profeta: “Então, brilhará tua luz como a
aurora e a glória do Senhor te seguirá!”
Eis a nossa missão, eis a nossa
vocação, eis a ordem que o Senhor nos dá! Agora, compete a nós! Como nos
perguntava Paul Claudel, poeta francês, convertido a Cristo na metade do século
XX: “Ó vós, cristãos, que tendes a luz, que fazeis com essa luz?” Ó irmãos, ó
irmãs! “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas
obras e louvem o vosso Pai que está nos céus!” Que o Senhor no-lo conceda por
sua graça.
dom Henrique Soares
da Costa
A Palavra de Deus
deste 5º domingo do tempo comum convida-nos a refletir sobre o compromisso
cristão. Aqueles que foram interpelados pelo desafio do “Reino” não podem
remeter-se a uma vida cômoda e instalada, nem refugiar-se numa religião ritual
e feita de gestos vazios; mas têm de viver de tal forma comprometidos com a transformação
do mundo que se tornem uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta no
sentido desse mundo de plenitude que Deus prometeu aos homens – o mundo do
“Reino”.
No Evangelho, Jesus
exorta os seus discípulos a não se instalarem na mediocridade, no comodismo, no
“deixa andar”; e pede-lhes que sejam o sal que dá sabor ao mundo e que
testemunha a perenidade e a eternidade do projeto salvador de Deus; também os
exorta a serem uma luz que aponta no sentido das realidades eternas, que vence
a escuridão do sofrimento, do egoísmo, do medo e que conduz ao encontro de um
“Reino” de liberdade e de esperança.
A primeira leitura
apresenta as condições necessárias para “ser luz”: é uma “luz” que ilumina o
mundo, não quem cumpre ritos religiosos estéreis e vazios, mas quem se
compromete verdadeiramente com a justiça, com a paz, com a partilha, com a
fraternidade. A verdadeira religião não se fundamenta numa relação “platônica”
com Deus, mas num compromisso concreto que leva o homem a ser um sinal vivo do
amor de Deus no meio dos seus irmãos.
A segunda leitura
avisa que ser “luz” não é colocar a sua esperança de salvação em esquemas
humanos de sabedoria, mas é identificar-se com Cristo e interiorizar a “loucura
da cruz” que é dom da vida. Pode-se esperar uma revelação da salvação no
escândalo de um Deus que morre na cruz? Sim. É na fragilidade e na debilidade
que Deus Se manifesta: o exemplo de Paulo – um homem frágil e pouco brilhante –
demonstra-o.
1ª leitura – Is. 58, 7-10 - AMBIENTE
Os capítulos 56 a 66
do livro de Isaías apresentam um conjunto heterodoxo de temas, de situações, de
gêneros e de estilos; por isso, a maior parte dos estudiosos recentes atribuem
estes textos, não a um autor, mas a uma pluralidade de autores – embora
continuem a catalogar estes capítulos sob o nome genérico de “Trito-Isaías”.
Embora se discuta
também a época em que estes textos apareceram (as opiniões vão desde o séc. VII
ao séc. II a.C.), a maioria dos estudiosos costuma situar estes textos na época
pós-exílica, provavelmente dos últimos decênios do séc. VI, ou nos primeiros
anos do séc. V. a.C. Estamos em Jerusalém; os repatriados da Babilônia chegaram
cheios de entusiasmo, mas depressa conheceram a desilusão… A cidade está
destruída; o domínio persa continua a recordar ao povo de Jerusalém que não é
livre nem tem nas próprias mãos a chave do seu futuro; e, acima de tudo, as
belas promessas de reconstrução, de libertação, parecem ter-se desvanecido e a
intervenção definitiva de Deus tarda em chegar.
Alguns autores
recentes falam (a propósito desta época) de uma forte tensão entre dois grupos
que procuram impor-se em Jerusalém: de um lado, o sacerdócio sadoquita (de
Sadoc, sacerdote do tempo de Salomão), que voltou do exílio na Babilônia
convencido de que tinha sido provado e perdoado das suas faltas, que está em
boas relações com o império persa, que domina a política, que está disposto a
fazer valer os seus direitos e privilégios e que define as coordenadas do culto
oficial; do outro, o partido levítico, que se manteve em Jerusalém durante o
exílio, que dominou o culto durante essa época e que tem uma visão mais
“democrática”, mais pragmática, menos “oficial” e legalista da fé. Os autores
do nosso texto pertencem, provavelmente, a este último grupo.
O capítulo 58 (a que
pertence o texto que nos é proposto) apresenta-se como uma reclamação de Deus
contra o Povo. Nessa reclamação, há dois temas: a denúncia de um culto vazio e
estéril, que cumpre as leis externas, mas que não sai do coração nem tem a
necessária correspondência na vida (cf. Is 58,1-12); e um convite a que o Povo
respeite a santidade do sábado (cf. Is 58,13-14).
No nosso texto, a
palavra “jejum” (que, no contexto do capítulo, aparece sete vezes) é a
palavra-chave.
MENSAGEM
O tema do “jejum” é
um tema fundamental para a vivência judaica da fé e da relação com Deus (cf.
Ex. 34,28; Lv. 16,29.31; Jz. 20,26; 2Sm. 12,16-17; 1Re. 21,27; Jon. 3,7; Dn.
9,3; Esd. 8,21; Est. 4,16). No Antigo Testamento, é um gesto religioso
utilizado muito freqüentemente para traduzir a humildade diante de Deus, a
dependência, o abandono, o amor. Implica a renúncia a si próprio, ao próprio
egoísmo e auto-suficiência, para se voltar para o Senhor, para manifestar a
entrega confiada nas mãos de Deus, para mostrar que se está disposto a acolher
a ação e o dom de Jahwéh.
Ora, o nosso texto
sugere que o Povo pratica certas formas de piedade sem ter em conta as suas
exigências profundas. No que diz respeito ao jejum, o fato é que o Povo pratica
esta forma de piedade de forma interesseira: para pôr Deus do seu lado, para
Lhe agradar, para provocar em Deus uma resposta à medida dos desejos do homem.
O jejum, visto dessa forma, não é um traduzir num gesto a humildade, a
dependência, a entrega do homem face a Deus; mas é uma tentativa de pôr Deus do
seu lado, de captar a sua benevolência, a fim de que Ele realize os interesses
e os desejos egoístas do homem.
Deus desmascara a
falsidade das atitudes do homem, que manifesta em gestos (jejum) a sua
humildade, dependência e entrega mas depois não confirma (com a vida) essa atitude
(provocam “rixas e contendas, dando murros sem piedade” – Is. 58,4).
Para Deus, a atitude
de dependência, de humildade, de entrega, tem de se traduzir numa vida
consentânea com as propostas de Deus. O culto tem de ter tradução em atitudes
concretas.
Assim, o “jejum”
autêntico (que manifesta a entrega do homem a Deus e a sua vontade de viver em
relação com Ele, a sua aceitação e acolhimento de Deus) é aquele que se traduz
em partilha com os pobres (vs. 7.10), na eliminação da opressão, da injustiça, da
violência, dos gestos de ameaça (v. 9).
Para Deus, não é um
culto formalista, rico de gestos estrondosos e de ritos solenes mas estéril e
vazio quanto aos sentimentos, que faz do Povo de Deus a “luz” do mundo; o Povo
de Judá será uma luz que anuncia Deus no mundo, se testemunhar o amor e a
misericórdia em gestos concretos de libertação, de partilha, de amor e de paz.
A relação com Deus (expressa nos gestos cultuais) só é verdadeira se se traduz
em gestos que anunciem e testemunhem a misericórdia e o amor de Deus no meio
dos outros homens.
ATUALIZAÇÃO
• A questão essencial
é esta: como é que podemos ser uma luz que acende a esperança no mundo e aponta
no sentido de uma nova terra, mais cheia de paz, de esperança, de felicidade?
Esta leitura responde: não é com liturgias solenes ou com ritos litúrgicos
espampanantes, muitas vezes estéreis e vazios; mas é com uma vida onde o amor a
Deus se traduz no amor ao irmão e se manifesta em gestos de partilha, de
fraternidade, de libertação.
• Atenção: não se diz
aqui que os momentos de oração e de encontro pessoal com Deus sejam supérfluos,
inúteis, desnecessários; o que se diz aqui é que os ritos em si nada
significam, se não correspondem a uma vivência interior que se traduz em gestos
concretos de compromisso com Deus e com os seus valores. A multiplicidade de
ritos, de orações solenes, de celebrações, por si só nada vale, se não tem a
devida correspondência na vida de relação com os irmãos.
• Sinto o imperativo
de ser uma “luz” que se acende na noite do mundo e que dá testemunho do amor e
da misericórdia de Deus? A minha fé e a minha relação com Deus têm tradução na
luta pela libertação dos meus irmãos? O meu compromisso de crente leva-me a
estar atento à partilha com os pobres, os débeis, os desfavorecidos? A minha vivência
religiosa traduz-se no ser profeta do amor e servidor da reconciliação?
2ª leitura – 1Cor. 2, 1-5 - AMBIENTE
Já vimos, na passada
semana, que um dos grandes problemas que a comunidade cristã de Corinto
enfrentava tinha a ver com a propensão dos coríntios para a busca de uma
sabedoria puramente humana, que os levava a apostar em pessoas (Pedro, Paulo,
Cefas), em mestres humanos capazes de transportar os discípulos ao encontro da
sua realização; mas, dessa forma, acabavam por esquecer Jesus Cristo e por
passar ao lado da “sabedoria da cruz”.
Neste contexto, Paulo
recorda aos coríntios que a “sabedoria humana” não salva nem realiza plenamente
o homem. A realização plena do homem está em Jesus Cristo e na “loucura da
cruz”.
Como é que a salvação
e a realização plena do homem podem, no entanto, manifestar-se nesse facto
paradoxal de um Deus condenado à fragilidade, que morre na cruz como um
bandido?
Para que as coisas se
tornem perfeitamente claras, Paulo apresenta dois exemplos. No primeiro (a
segunda leitura do passado domingo), Paulo refere o caso da própria comunidade
de Corinto: apesar da pobreza, debilidade e fragilidade dos membros da
comunidade, Deus chamou-os a serem testemunhas da sua salvação no mundo. No
segundo (e que é a leitura que nos é aqui proposta), Paulo apresenta com
humildade o seu próprio caso.
MENSAGEM
Paulo apresenta-se na
dupla condição de evangelizador e de homem.
Como evangelizador
(vs. 1-2), Paulo não se apresentou com palavras grandiosas, com discursos
sublimes, com filosofias elaboradas e coerentes; mas apresentou-se com toda a
simplicidade para anunciar esse paradoxo de um Deus fraco, que morreu numa cruz
rejeitado por todos. Apesar de tudo, em Corinto nasceu uma comunidade cristã
cheia de força e de fé.
Como homem (vers.
3-5), Paulo apresentou-se em Corinto consciente da sua fraqueza, assustado e
cheio de temor. Não foi, portanto, pela sedução da sua personalidade
arrebatadora, pelas suas “brilhantes” qualidade do pregador, nem pelo brilho e
coerência da sua exposição que os coríntios se sentiram atraídos por Jesus e
pelo Evangelho.
Qual foi, então, a
razão pela qual os coríntios aderiram à proposta de Jesus, apresentada
humildemente por Paulo?
Porque a força de
Deus se impõe, muito para além dos limites do homem que apresenta a proposta ou
do ouvinte que a escuta. O Espírito de Deus está sempre presente e age no
coração dos crentes, de forma a que eles não se fiquem pelos esquemas da
sabedoria humana, mas se deixem tocar pela sabedoria de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• Após dois mil anos de
Evangelho, a nossa civilização “cristã” ainda age como se a salvação do mundo e
dos homens estivesse no poder das armas, na estabilidade da economia, no
desenvolvimento sustentado, no controle do buraco do ozono, no pleno emprego,
na paz social, na eliminação do terrorismo, na defesa da floresta amazônica,
nas declarações de boas intenções feitas pelos senhores do mundo nos grandes
areópagos internacionais… Mas Paulo diz, muito simplesmente, que a salvação
está na “loucura da cruz” e que a vida em plenitude está no amor que se dá
completamente. Quem tem razão: os nossos teóricos, formados pelas grandes
universidades internacionais, ou o judeu Paulo, formado na universidade de
Jesus?
• A força e a
“sabedoria de Deus” manifestam-se, tantas vezes, na fragilidade, na pequenez,
na obscuridade, na pobreza (como o exemplo de Paulo o comprova). Sendo assim,
não nos parecem ridículas e descabidas as nossas poses de importância, de
autoridade, de protagonismo, de brilho intelectual?
• Aqueles que têm
responsabilidade no anúncio do Evangelho devem recordar sempre que a eficácia
da Palavra que anunciam não depende deles e que o êxito da missão não resulta
das suas qualidades pessoais ou das técnicas sofisticadas postas ao serviço da
evangelização: somos todos instrumentos humildes, através dos quais Deus
concretiza o seu projeto de salvação para o mundo… Para além do nosso esforço,
da nossa entrega, da nossa doação, das nossas técnicas, está o Espírito de Deus
que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos.
Evangelho – Mt. 5,13-16 - AMBIENTE
Continuamos no
contexto do “sermão da montanha” (cf. Mt. 5-7). Jesus está (na versão de
Mateus) no cimo de um monte, a apresentar a nova Lei que deve reger a caminhada
do novo Povo de Deus na história (já vimos, no passado domingo, que a indicação
geográfica – no cimo de um monte – nos transporta à montanha do Sinai, onde
Jahwéh se revelou ao seu Povo e lhe deu a sua Lei; aqui Jesus é, portanto,
apresentado como o Deus que, no cimo de um monte, dá ao seu Povo os
“mandamentos” da nova aliança).
Mateus agrupa, neste
primeiro discurso, um conjunto de “ditos” de Jesus (provavelmente, pronunciados
em contextos e ocasiões diversas), destinados a proporcionar à comunidade
concreta a que o Evangelho se destinava, um conjunto de ensinamentos básicos
para a vida cristã.
MENSAGEM
O texto que nos é
proposto reúne duas parábolas – a do sal e a da luz – destinadas a pôr em
relevo o papel do novo Povo de Deus no mundo e a definir a missão daqueles que
aceitam viver no espírito das bem-aventuranças. Depois de apresentar a nova Lei
(“bem-aventuranças”), Jesus define a missão do novo Povo de Deus.
A primeira comparação
é a do sal (v. 13). O sal é, em primeiro lugar, o elemento que se mistura na
comida e que dá sabor aos alimentos (cf. Jb. 6,6). Também é um elemento que
assegura a conservação dos alimentos e a sua incorruptibilidade. Simboliza,
nesta linha, aquilo que é inalterável… No Antigo Testamento, o sal é usado para
significar o valor durável de um contrato; nesse contexto, falar de uma “aliança
de sal” (Nm. 18,19) é falar de um compromisso permanente, perene (cf. 2Cr.
13,5).
Dizer que os
discípulos são “o sal” significa, portanto, que os discípulos são chamados a
trazer ao mundo essa “qualquer coisa mais” que o mundo não tem e que dá sabor à
vida dos homens; significa também que da fidelidade dos discípulos ao programa
enunciado por Jesus (as “bem-aventuranças”) depende a perenidade da aliança
entre Deus e os homens e a permanência do projeto salvador e libertador de Deus
no mundo e na história.
A referência à perda
do sabor (“se o sal perder o sabor… já não serve para nada”) destina-se a
alertar os discípulos para a necessidade de um compromisso efetivo com o
testemunho do “Reino”: se os discípulos de Jesus recusarem ser sal e se
demitirem das suas responsabilidades, o mundo guiar-se-á por critérios de
egoísmo, de injustiça, de violência, de perversidade, e estará cada vez mais
distante da realidade do “Reino” que Jesus veio propor. Nesse caso, a vida dos
discípulos terá sido inútil.
A segunda comparação
é a da luz (vs. 14-16). Para a explicar, Jesus utiliza duas imagens.
A primeira imagem (a
da cidade situada sobre um monte) leva-nos a Is 60,1-3, onde se fala da “luz”
de Deus que devia brilhar sobre Jerusalém e, a partir de lá, alumiar todos os povos.
A interpretação judaica de Is 60,3 aplicava a frase a Israel: o Povo de Deus
devia ser o reflexo da luz libertadora e salvadora de Jahwéh diante de todos os
povos da terra. A segunda imagem (a da lâmpada colocada sobre o candelabro, a
fim de alumiar todos os que estão em casa) repete e explicita a mensagem da
primeira: os que aderem ao “Reino” devem ser uma luz que ilumina e desafia o
mundo. É possível que haja ainda nestas imagens uma referência ao “Servo de
Jahwéh” de Is. 42,6 e 49,6, apresentado como a “luz das nações”.
De qualquer forma, a
verdade é que, na perspectiva de Jesus, essa presença da “luz” de Deus para
alumiar as nações dar-se-á, doravante, nos discípulos, isto é, naqueles que
aceitaram o apelo do “Reino” e aderiram à nova Lei (as “bem-aventuranças”)
proposta por Jesus. Eles são a “nova Jerusalém”, ou o novo “Servo de Jahwéh” de
onde a proposta libertadora de Deus irradia e a partir de onde ela transforma e
ilumina a vida de todos os homens.
Estas duas imagens
não pretendem, contudo, dizer que os discípulos de Jesus devam dar nas vistas,
mostrar-se, escolher lugares de visibilidade de onde as massas os admirem e os
aplaudam. Mas pretende dizer que a missão das testemunhas do “Reino” deve
levá-las a dar testemunho, a questionar o mundo, a ser uma interpelação
profética, a ser um reflexo da luz de Deus; e que não devem esconder-se,
demitir-se da sua missão, fugir às suas responsabilidades.
Essas “boas obras”
que os discípulos devem praticar, e que serão um testemunho do “Reino” para os
homens, são, provavelmente, aquelas que Mateus apresenta na segunda parte das
“bem-aventuranças” (cf. Mt. 5,7-11): a “misericórdia” (um coração capaz de
compadecer-se, de amar, de perdoar, de se comover, de se deixar tocar pelos
sofrimentos e angústias dos irmãos), a “pureza de coração” (a honestidade, a
lealdade, a verdade, a verticalidade), a defesa intransigente da paz (a recusa
da violência e da lei do mais forte a luta pela reconciliação) e da justiça. É
desse labor dos discípulos que nascerá o mundo novo, o mundo do “Reino”.
A missão dos
discípulos é, portanto, a de “dar sabor” ao mundo, garantir aos homens a
perenidade da “aliança” e iluminar o mundo com a “luz” de Deus. Eles são as
testemunhas dessa realidade nova que nasce da oferta da salvação e da vivência
das “bem-aventuranças”. Neles tem de estar presente essa realidade nova, que
Jesus chamava “Reino”.
ATUALIZAÇÃO
• A questão essencial
que este trecho do Evangelho nos apresenta é esta: Deus propôs-nos um projeto
de libertação e de salvação que conduzirá à inauguração de um mundo novo, de
felicidade e de paz sem fim; e aqueles que aderiram a essa proposta têm de testemunhá-la
diante do mundo e dos homens com palavras e com gestos concretos, a fim de que
o “Reino” se torne uma realidade. Como é que me situo face a isto? Para mim,
ser cristão é um compromisso sério, profético, exigente, que me obriga a
testemunhar o “Reino”, mesmo em ambientes adversos, ou é um caminho “morno”,
instalado, cômodo, de quem se sente em regra com Deus porque vai à missa ao
domingo e cumpre alguns ritos que a Igreja sugere?
• Eu sou, dia a dia,
o sal que dá o sabor, que traz uma mais valia de amor e de esperança à vida
daqueles que caminham ao meu lado? Para aqueles com quem lido todos os dias,
sou uma personagem insípida, incaracterística, instalada numa mediocridade
cinzenta, ou sou uma nota de alegria, de entusiasmo, de otimismo, de esperança
numa vida nova vivida ao jeito do Evangelho, ao jeito do “Reino”? No meio do
egoísmo, do desespero, do sem sentido que caracteriza a vida de tantos dos meus
irmãos, eu dou um testemunho de um mundo novo de amor e de esperança?
• Ser cristão é
também ser uma luz acesa na noite do mundo, apontando os caminhos da vida, da
liberdade, do amor, da fraternidade… Eu sou essa luz que aponta no sentido das
coisas importantes, impedindo que a vida dos meus irmãos se gaste em
frivolidades e bagatelas? Para os que vivem no sofrimento, na dúvida, no erro,
para os que vivem de olhos no chão, eu sou a luz que aponta para o mais além e
para a realidade libertadora do “Reino”?
• Atenção: eu não sou
“a luz”, mas apenas um reflexo da “luz”… Quer dizer: as coisas bonitas que
possam acontecer à minha volta não são o resultado do exercício das minhas
brilhantes qualidades, mas o resultado da ação de Deus em mim. É Deus que é “a
luz” e que, através da minha fragilidade, apresenta a sua proposta de
libertação e de vida nova ao mundo. O discípulo não deve, pois, preocupar-se em
atrair sobre si o olhar dos homens; mas deve preocupar-se em conduzir o olhar e
o coração dos homens para Deus e para o “Reino”.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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