Domingo de Ramos da
Paixão do Senhor da Quaresma
9 de Abril de 2017
Cor: Vermelho
Evangelho - Mt 26,14-27,66
· Domingo
de ramos marca o início da Semana Santa, na qual vamos com todo respeito e
devoção relembrar o sofrimento, paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. É
bom lembrar mais uma vez, que Jesus não morre nesta semana. Portanto, não se
explica atitudes piegas de lágrimas e gestos piedosos exagerados. Continuar lendo
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“HOSANA AO FILHO DE DAVI! BENDITO O QUE
VEM EM NOME DO SENHOR”! – Olívia Coutinho
DOMINGO DE RAMOS.
Iniciamos
hoje a Semana Santa!
Para nós, cristãos católicos, a Semana Santa é um tempo forte, quando estaremos reunidos em nossas comunidades, para contemplarmos os últimos passos de Jesus a caminho da cruz e nos prepararmos, para vivermos de maneira intensa, livre e amorosa o acontecimento mais importante do ano litúrgico que é a PÁSCOA DO SENHOR JESUS!
Aprendemos muito durante a nossa caminhada Quaresmal, mas ainda há muito que aprender, afinal, temos uma missão muito importante pela frente: fazer chegar a muitos corações sombrios, a Luz do Cristo Ressuscitado! O caminho que percorremos durante estes quarenta dias de retiro interior, nos aproximou mais de Deus, nos fez mergulhar no mistério do seu amor, a conscientizar da nossa necessidade de conversão. A liturgia nos apresentada nestes dias, trouxe-nos a certeza de que temos tudo para sermos felizes: um Pai que nos ama, que não leva em conta as nossas ingratidões, um Pai que não desiste de nós, que enviou o seu Filho para nos recolocar no caminho da vida! Não pensemos que foi fácil para Jesus, passar por tamanho sofrimento, mesmo sendo Deus, Jesus não estava isento do sofrimento. Ao assumir a natureza humana, Ele assumiu-a por inteiro, exceto no pecado. Se quisesse, Jesus poderia ter recusado a cruz, mas Ele não a recusou, em obediência ao Pai, em querer levar em frente o seu projeto de vida plena para todos! Uma obediência, que resultou na sua morte, morte, que também não foi da vontade de Deus e sim, por consequência da maldade humana. Deus poderia ter retirado a cruz do seu Filho, mas não o fez, por amor a cada um de nós! Foi para nos devolver a vida, que Deus deixou que o seu Filho pagasse com a vida, o preço do nosso resgate.
A entrada festiva de Jesus em Jerusalém marcou o início de seu calvário! Ele entra em Jerusalém, aclamado como Rei e Senhor da glória, o Rei e Senhor dos pobres, o povo sem vez e sem voz! Para identificar-se com estes, Jesus entra na cidade, montado num jumentinho, o meio de transporte usado pelo o povo simples daquela época. A sua entrada triunfal em Jerusalém, foi uma maneira forte de proclamar a chegada do Messias, o Rei tão esperado e desejado pelos os “pequenos!”
“As multidões que iam à frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: “Bendito o que vem em nome do Senhor”! Tamanha aclamação, provocou ira nos seus adversários, que ao se sentirem ameaçados de perder o poder, apressaram em dar fim na pessoa de Jesus.
Nas celebrações da Semana Santa, nós nos comovemos diante as encenações da Paixão e morte de Jesus, achamos uma maldade imensa, o que fizeram com Ele, mas será que hoje, nós também, não continuamos, de alguma forma, fazendo o mesmo com Ele, na pessoa do nosso irmão? Será que não estamos crucificando Jesus com as nossas atitudes do dia a dia? Toda vez que não praticamos a justiça, a solidariedade, que negamos ajuda ao nosso irmão, estamos também crucificando Jesus! E ao contrário, todo vez que praticamos a justiça, que promovemos o nosso irmão, estamos ressuscitando Jesus! Rasguemos pois, as vestes do “homem” velho, para nos revestir do “homem” novo, que aprendeu com Jesus a partilhar a vida, a ser vida na vida do outro, para que assim, possamos desde já, vivenciar o grande sentido da Páscoa, que é Passagem... Vida nova... Renovação...
Celebrar a Páscoa é celebrar a vida, é resgatar valores hoje tão esquecidos, como o amor, a justiça o perdão...
Como verdadeiros seguidores de Jesus, devemos estar sempre disposto a enfrentar todo e qualquer desafio para levar em frente a nossa missão de portadores e anunciadores da grande notícia: Jesus ressuscitou Ele vive entre nós!
Com os pés no chão e o olhar para o alto, carreguemos a nossa cruz, certos de que um dia, nós também ressuscitaremos com Jesus!
Quiseram eliminar aquele que acolheu os pobres, os abandonados, que defendeu a vida, mas não conseguiram, pois a vida vence onde o amor se faz presente!
Para nós, cristãos católicos, a Semana Santa é um tempo forte, quando estaremos reunidos em nossas comunidades, para contemplarmos os últimos passos de Jesus a caminho da cruz e nos prepararmos, para vivermos de maneira intensa, livre e amorosa o acontecimento mais importante do ano litúrgico que é a PÁSCOA DO SENHOR JESUS!
Aprendemos muito durante a nossa caminhada Quaresmal, mas ainda há muito que aprender, afinal, temos uma missão muito importante pela frente: fazer chegar a muitos corações sombrios, a Luz do Cristo Ressuscitado! O caminho que percorremos durante estes quarenta dias de retiro interior, nos aproximou mais de Deus, nos fez mergulhar no mistério do seu amor, a conscientizar da nossa necessidade de conversão. A liturgia nos apresentada nestes dias, trouxe-nos a certeza de que temos tudo para sermos felizes: um Pai que nos ama, que não leva em conta as nossas ingratidões, um Pai que não desiste de nós, que enviou o seu Filho para nos recolocar no caminho da vida! Não pensemos que foi fácil para Jesus, passar por tamanho sofrimento, mesmo sendo Deus, Jesus não estava isento do sofrimento. Ao assumir a natureza humana, Ele assumiu-a por inteiro, exceto no pecado. Se quisesse, Jesus poderia ter recusado a cruz, mas Ele não a recusou, em obediência ao Pai, em querer levar em frente o seu projeto de vida plena para todos! Uma obediência, que resultou na sua morte, morte, que também não foi da vontade de Deus e sim, por consequência da maldade humana. Deus poderia ter retirado a cruz do seu Filho, mas não o fez, por amor a cada um de nós! Foi para nos devolver a vida, que Deus deixou que o seu Filho pagasse com a vida, o preço do nosso resgate.
A entrada festiva de Jesus em Jerusalém marcou o início de seu calvário! Ele entra em Jerusalém, aclamado como Rei e Senhor da glória, o Rei e Senhor dos pobres, o povo sem vez e sem voz! Para identificar-se com estes, Jesus entra na cidade, montado num jumentinho, o meio de transporte usado pelo o povo simples daquela época. A sua entrada triunfal em Jerusalém, foi uma maneira forte de proclamar a chegada do Messias, o Rei tão esperado e desejado pelos os “pequenos!”
“As multidões que iam à frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: “Bendito o que vem em nome do Senhor”! Tamanha aclamação, provocou ira nos seus adversários, que ao se sentirem ameaçados de perder o poder, apressaram em dar fim na pessoa de Jesus.
Nas celebrações da Semana Santa, nós nos comovemos diante as encenações da Paixão e morte de Jesus, achamos uma maldade imensa, o que fizeram com Ele, mas será que hoje, nós também, não continuamos, de alguma forma, fazendo o mesmo com Ele, na pessoa do nosso irmão? Será que não estamos crucificando Jesus com as nossas atitudes do dia a dia? Toda vez que não praticamos a justiça, a solidariedade, que negamos ajuda ao nosso irmão, estamos também crucificando Jesus! E ao contrário, todo vez que praticamos a justiça, que promovemos o nosso irmão, estamos ressuscitando Jesus! Rasguemos pois, as vestes do “homem” velho, para nos revestir do “homem” novo, que aprendeu com Jesus a partilhar a vida, a ser vida na vida do outro, para que assim, possamos desde já, vivenciar o grande sentido da Páscoa, que é Passagem... Vida nova... Renovação...
Celebrar a Páscoa é celebrar a vida, é resgatar valores hoje tão esquecidos, como o amor, a justiça o perdão...
Como verdadeiros seguidores de Jesus, devemos estar sempre disposto a enfrentar todo e qualquer desafio para levar em frente a nossa missão de portadores e anunciadores da grande notícia: Jesus ressuscitou Ele vive entre nós!
Com os pés no chão e o olhar para o alto, carreguemos a nossa cruz, certos de que um dia, nós também ressuscitaremos com Jesus!
Quiseram eliminar aquele que acolheu os pobres, os abandonados, que defendeu a vida, mas não conseguiram, pois a vida vence onde o amor se faz presente!
(Conscientizados
do nosso compromisso em cuidar da Natureza, criação de Deus, não quebremos
galhos de nossas plantas, aclamemos Jesus, com plantas vivas! Ele ficará muito
mais feliz!)
CAMPANHA
DA FRATERNIDADE 2017:
CULTIVAR E GUARDAR A CRIAÇÃO. (Gn 2,15)
CULTIVAR E GUARDAR A CRIAÇÃO. (Gn 2,15)
DESEJO
A TODOS UMA PROVEITOSA SEMANA SANTA!
FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia Coutinho
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Saber entender a
paixão de Cristo
Na antiguidade clássica dizia-se que o
tempo de sofrimento estava muito perto do tempo de realização e de alegria. Os
romanos tinham um provérbio: “O Capitólio está muito perto da Rocha Tarpeia”. O
Capitólio era o lugar da consagração dos heróis. A Rocha Tarpeia era o abismo
para onde se lançavam os condenados. Os judeus tinham um dito semelhante: “O
Pináculo do Tempo está muito perto do fogo da Geena”. O Pináculo era o lugar
mais alto do Templo de onde se avistava, simbolicamente, o mundo todo. A Geena
era a lixeira de Jerusalém que estava sempre a arder, queimando tudo o que ali
se lançava.
O domingo de Ramos consagra estas duas
faces do homem. Celebra-se a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, sendo
aclamado por todos que gritam “Bendito o Filho de David, o que vem em nome do
Senhor”. Depois, no coração da liturgia, lê-se a Paixão, com todo o drama do
sofrimento que revestiu a fase final da vida de Jesus. Perante o sofrimento
vivido por Cristo e que significa também a dor vivida por todos os homens,
compreende-se a súplica de Isaías: “Que eu saiba dar uma palavra de alento aos
que andam abatidos” (Is. 50,4-5). Também na Carta aos Filipenses, Paulo
relaciona a Cruz de Cristo à exaltação que o Pai lhe concede pela sua
incondicional fidelidade.
A Paixão está no centro da celebração
litúrgica de hoje: começa pelo anúncio da traição de Judas. Conta-se a
celebração da Última Ceia, assiste-se à negação de Pedro, depois de uma noite
de oração cheia de angústia. Jesus sofre, então, quatro julgamentos: no
Tribunal religioso com Caifás, no Tribunal político com Pilatos, no Tribunal
étnico com Herodes e, finalmente, no Tribunal popular com a multidão que grita:
“Crucifica-O, crucifica-O”. O caminho do Calvário permite repensar muitas
situações das nossas vidas. Ao reler a Paixão de Cristo, reconhece-se que Jesus
quer viver toda a experiência humana. Ele levou até ao fim a sua cruz, também
os cristãos são convidados a aceitar a cruz de cada dia e a oferecê-la, de
forma redentora, pelos nossos irmãos.
A Paixão de Cristo não esgota a sua
missão redentora. Ele venceu todo o sofrimento, todas as cruzes, todas as
mortes. A vida dos cristãos será também vencer as inúmeras dificuldades com a
força redentora do Evangelho.
monsenhor Vitor
Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”
Na liturgia do domingo de Ramos, a
Igreja dá-nos uma perspectiva global da Paixão de Cristo. Na quinta-feira
santa, faz-nos participar na última Ceia. Na sexta-feira santa, convida-nos à
“compaixão”, pela morte do Senhor e por todos os sofrimentos dos homens. Na
noite de sábado, celebra a Ressurreição.
As cerimônias deste domingo começam com
a procissão dos Ramos, evocando a entrada de Jesus em Jerusalém dias antes da
Páscoa: o povo aclama-o como Rei e Messias; mas Ele vem montado num burrinho,
para cumprir a profecia de Zacarias, mas sobretudo porque a simplicidade e a
pobreza são a sua maneira de viver. “Eis que o teu Rei vem a ti. Ele é justo e
vitorioso. Vem, humilde, montado num jumentinho, filho de uma jumenta. Ele
exterminará os carros de guerra…, proclamará a paz para as nações.” (Zc.
9,9-10).
A oração da missa proclama que Deus nos
enviou Seu Filho na humildade e no dom de si mesmo; e pede que nos seja dada a
graça de seguir os ensinamentos da paixão, “para merecermos tomar parte na
glória da sua ressurreição”.
A primeira leitura é tirada do Livro de
Isaías (segunda parte, escrita depois do regresso do cativeiro na Babilônia). É
o terceiro dos “cânticos do Servidor de Deus”. “Apresentei as costas àqueles
que me batiam e a face àqueles que me arrancavam a barba; não desviei o meu
rosto dos que me insultavam e cuspiam” (Is. 50,4-7).
O salmo responsorial (Sl. 21/22) é uma
das palavras mais profundas do Antigo Testamento. Um justo, rodeado pelos
inimigos e a ponto de sucumbir, lamenta-se perante Deus mas mantém a sua
profissão de fé e a certeza de que Deus não é vencido. Segundo S. Mateus e S.
Marcos, Jesus murmurou na cruz as palavras que dão início a este salmo: “Meu
Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”.
A segunda leitura é tirada da epistola
aos Filipenses: “Cristo Jesus, que era de condição divina, não se valeu da sua
igualdade com Deus… humilhou-se até à morte, e morte de cruz… Por isso o Pai o
ressuscitou e Lhe deu um Nome…” (Fil. 2,6-11). Este texto serve também de base
à aclamação do Evangelho.
Alguns passos do Evangelho desta missa
(Mt. 26,14-27,66):
“… Enquanto comiam, tomou o pão,
recitou a bênção, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo: «Tomai e comei:
Isto é o meu Corpo». Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho,
dizendo: «Bebei dele todos, porque este é o meu Sangue, o Sangue da Aliança,
derramado pela multidão, para remissão dos pecados”
“… E, tomando consigo Pedro, Tiago e
João, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes então: «A minha
alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai comigo». E, adiantando-se
um pouco mais, caiu com o rosto por terra, enquanto orava e dizia: Meu Pai, se
é possível, passe de mim este cálice. Todavia, não se faça como Eu quero, mas
como Tu queres”
“… Disse-lhe o Sumo Sacerdote: «Eu te
conjuro, pelo Deus vivo, que nos declares se és tu o Messias, o Filho de Deus».
Jesus respondeu-lhe: É como disseste. E eu vos digo: vereis o Filho do homem
sentado à direita do Todo-Poderoso, vindo sobre as nuvens do céu”
“… Chegados a um lugar chamado Gólgota,
que quer dizer lugar do Calvário, deram-lhe a beber vinho misturado com fel.
Mas Jesus, depois de o ter provado, não o quis beber… E pelas três da tarde,
Jesus clamou com voz forte: «Eli, Eli, lemá sabactani?», que quer dizer:
«Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?». E Jesus, clamando outra vez com
voz forte, expirou“.
padre João Resina
A celebração de hoje, consta de duas
partes. A primeira corresponde à comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém
como Messias (evangelho da benção dos ramos), despojado de todo triunfalismo e montando
um jumentinho em atitude humilde e pacífica.
A segunda parte corresponde à
celebração da Eucaristia e oferece, na liturgia da Palavra, uma porta de
entrada para a celebração da Paixão e Morte do Senhor, que se entregou à morte
pela vida e salvação da humanidade (evangelho), igualando-se a todos aqueles
que sofrem para dar-lhes uma palavra de ânimo e esperança (1ª leitura). Por
isso é que foi elevado sobre todas as coisas (2ª leitura, e toda língua sempre
proclamará Jesus como Senhor.
Evangelho (benção dos
ramos e procissão): Mateus 21, 1-11
A cidade de Jerusalém estava repleta de
peregrinos para celebrar a Festa da Páscoa. Também Jesus estava chegando com
seus discípulos e uma multidão o aclamava com vivas, palmas e ramos. Antes
havia surpreendido a todos pedindo um jumentinho para entrar montado nele.
Lembrando o que disse o profeta Zacarías 9,9 ( “grite de alegria, cidade de
Jerusalém, pois agora o seu rei está chegando, justo e vitorioso. Ele é pobre,
vem montado num jumento, num jumentinho, filho de uma jumenta.”), o povo
entende o gesto, reconhece-o como Messias e o aclama com entusiasmo como aquele
que traz o Reino da Verdadeira Justiça: “Bendito aquele que vem em nome do
Senhor!”.
Jesus é o Rei-Messias que vai
confrontar-se com o centro de poder da sociedade judaica, simbolizado pela
cidade de Jerusalém e pelo Templo, sede do poder econômico, político,
ideológico e religioso. Ele não entra na cidade de forma triunfal, como rei
guerreiro montado num vistoso cavalo, mas como simples homem, humilde e
pacífico, montado num jumento, animal de trabalho, e identificando-se com os
pobres. À diferença do Messias que esperavam, Ele traz consigo a inversão de um
sistema social apoiado na violência e na força, que defende os privilegiados e
despreza os humildes. Está claro que Ele não vem para dominar. Vem para servir!
1ª leitura: Isaias
50, 4-7
O Servo é a grande novidade preparada
por Deus: o missionário escolhido para fazer surgir, graças ao Espírito do
Senhor, uma sociedade conforme a justiça e o direito. Ele não submeterá os
fracos ao seu domínio, mas o seu agir acabará produzindo uma transformação
radical de forma que “os cegos passem a enxergar e os presos sejam libertados”.
A missão do Servo é aqui apresentada
como uma ação de encorajamento para os fracos e abatidos. Não recusa aceitá-la
e não recua diante das dificuldades em realizar aquilo que Deus lhe pede,
apesar dos ataques dos adversários. Seus adversários não triunfarão sobre ele
porque é Deus seu advogado defensor.
A tradição cristã reconheceu neste
“servo” a pessoa do Senhor pela semelhança com a vida e a morte de Cristo, a
obediência à vontade do Pai e a forma como levou à frente a sua missão até o
extremo de entregar sua vida pela salvação da humanidade. Esta foi a atitude de
Jesus e é, também, a característica fundamental de seus seguidores: a
fidelidade total à vocação que vem de Deus no sentido de “falar como discípulo”
que sempre está aprendendo dos fatos da vida, onde descobre a mão de Deus para,
depois, “ajudar os desanimados com uma palavra de coragem” e ser solidários com
eles.
2ª leitura:
Filipenses 2,6-11
Citando um hino conhecido na época,
Paulo apresenta Cristo como modelo de humildade. Embora tivesse a mesma
condição de Deus, Jesus se apresentou entre os homens como simples homem. Abriu
mão de qualquer privilégio, tornando-se apenas um homem obediente a Deus, filho
de um povo dominado, a serviço de toda a humanidade. Não bastasse isso, Jesus
se humilhou e se igualou a nós até o fim submetendo-se à experiência mais
difícil, que é a morte, e uma morte ignominiosa de cruz como se fosse um
criminoso. Desceu até os porões da humanidade.
Como resposta a este rebaixamento e
obediência, o Pai o ressuscita e o coloca no mais alto posto que possa existir
na criação, como “Kyrios”=“O Senhor” do universo e da história (título
atribuído somente a Deus).
Reconhecer e aceitar que “Jesus Cristo
é o Senhor” é a maior expressão de louvor (“para a glória de Deus Pai”). Para
não ficar só em palavras, este louvor deve traduzir-se na imitação prática do Senhor,
abrindo mão de todo e qualquer privilégio, até mesmo da boa fama, para
colocar-nos, sem reservas, a serviço dos irmãos.
Texto parcial
(selecionado e comentado aquí): Mateus 22,31-34.47-71
Impressiona a solidão de Jesus diante
da morte. Mais ainda depois da fuga e do abandono por parte dos discípulos.
Certamente foi um dos maiores sofrimentos da Paixão. Mas tem um outro aspecto
que contribuiu certamente a tornar dolorosa a Paixão e Morte do Senhor: a
injustiça e a mentira.
Logo no início desta leitura,
descobrimos duas atitudes contrapostas a respeito de Jesus: por um lado, a
traição de Judas transformando o gesto de amizade, usado entre os judeus, em
contrassenha para entregar o Senhor («Jesus é aquele que eu beijar; prendam»)
e, por outro lado, a atitude impulsiva de Pedro de puxar a espada para defender
seu Mestre (“feriu o empregado do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha”). A
resposta de Jesus em ambas situações é dada com a mesma serenidade. Dá a
entender a Judas que sabe das suas intenções e, sem ressentimento, lhe diz:
«Amigo, faça logo o que tem a fazer», ao tempo em que ensina a Pedro que a não
violência é sempre melhor: “Todos os que usam a espada, pela espada morrerão”
(violência, gera violência). Desta forma se entrega livremente para ser julgado
pelo sumo sacerdote e o Sinédrio que, em lugar de fazer justiça, “procuravam
algum falso testemunho... a fim de o condenarem à morte”.
Diante de tanta injustiça e
perversidade, a resposta mais eloquente de Jesus é o silêncio (“Jesus continuou
calado”). Uma atitude tão digna e desconcertante que obrigou o sumo sacerdote a
abrir o jogo e reconhecer, implicitamente, o que realmente lhes incomodava na
pessoa de Jesus: «Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o
Messias, o Filho de Deus.». Essa oportunidade de proclamar a verdade, Jesus não
podia perder. Ele só precisou concordar (“É como você acabou de dizer”) mesmo
sabendo que era o que eles esperavam para condená-lo a morte (“O sumo sacerdote
rasgou as próprias vestes, e disse: «Blasfemou!... É réu de morte!»).
A injustiça e a mentira triunfaram
aparentemente, mas o sumo sacerdote foi obrigado a pronunciar a palavra que não
queria (“tu és o Messias, o Filho de Deus”). Certamente Jesus não precisava de
advogado de defesa. Foi condenado a morte, mas venceu o julgamento.
Palavra de Deus na
vida
A celebração de hoje é de palavras e
sentimentos contraditórios: procissão festiva dos ramos e, ao mesmo tempo,
relato da Paixão do Senhor; alegria e tristeza; vida e morte. Mas, com tudo o
que tem de contraditório, este dia tem muito a ver com nossa vida de
contrastes, contradições e incoerências.
Foi Caifás, o Sumo Sacerdote daquele
ano, quem pronunciou aquela frase histórica que, mesmo sendo uma declaração
politicamente maldosa, envolve uma grande e terrível verdade teológica: “É
preciso que um homem morra pelo povo” (João 18,14).
Caifás era um bom político; sabia
dar-se bem com os romanos desde que eles não impedissem o cumprimento externo
dos preceitos da Lei de Moisés. A situação política também era conveniente para
os influentes saduceus, que eram colaboracionistas de Roma. A submissão ao
poder romano fazia prosperar o negócio do Templo e sustentava o status dos
Sacerdotes.
Se as propostas de Jesus prosperassem,
se o Templo perdesse importância, se a religião puramente exterior, os
sacrifícios, a hierarquia, deixasse de ter importância; se os pobres passassem
a ser importantes, si a verdadeira religião consistisse em dar de comer aos
famintos, se os samaritanos, os publicanos e as mulheres pudessem ser tão
importantes quanto os Sumos Sacerdotes, acabaria o poder deles e Caifás não via
isto com bons olhos.
Melhor seria Jesus morrer para que tudo
isto não viesse acontecer. Só que, falando assim, Caifás identificava seus
próprios interesses com os do povo. Não era o povo que estava em perigo, mas
seu status privilegiado. Seria matar Jesus “por razões de estado”, o qual era
conveniente para quem controlava a situação e se aproveitava dela: uma velha e
perversa estratégia de políticos sem compaixão.
“Convém que morra...”. Conveniente para
quem? Para os cegos, os leprosos, as viúvas, as pessoas honestas que esperam a
libertação? Que Jesus morra era a eles que convinha, e muito. Era uma questão
de vida ou morte para manter sua aliança espúria: a aliança do poder político,
o poder econômico e o poder religioso. Esta perversa aliança já matou mais
inocentes do que ninguém ao longo da historia.
O duplo julgamento, político e
religioso, que Jesus sofreu é a expressão completa da injustiça. O condenam a
morte simplesmente por estar colocando em risco a credibilidade do sistema
religioso, político e econômico. Não provocou revoltas populares, mas
apresentou um projeto de vida alternativo no qual as pessoas valem por si
mesmas e devem ser respeitadas por ter os mesmos direitos. É condenado como
tantos homens de bem que devem morrer para que o poder corrupto continue a
governar o mundo, impunemente, sem mais ideais do que o seu próprio proveito.
Jesus nos encomenda esta sua mesma
tarefa: fazer valer o direito das pessoas excluídas e empobrecidas. Baixar da
cruz aas pessoas crucificadas.
Pensando bem...
A Semana Santa é tão rica em conteúdo
que não tem desperdício. Confundi-la com um “feriado prolongado” é a maior
perda de tempo para qualquer pessoa que se diga católico, cristão ou seguidor e
discípulo de Jesus. Vamos animar as pessoas de nosso entorno para que façam uma
parada nestes dias, a fim de reativar a sua fé e restabelecer o seu contato com
Deus?
padre Ciriaco
Madrigal
"Bendito o que
vem em nome do Senhor!"
Domingo de Ramos da Paixão do Senhor. O
Domingo de Ramos é a porta de entrada da Semana Santa. Chegamos, finalmente, a
Jerusalém. Com a celebração de hoje, entramos na "Grande Semana" ou
mais conhecida "Semana Santa". Apoiados na Palavra de Deus, vimos
Jesus e percorremos com ele, durante toda a Quaresma, uma longa caminhada até
aqui. Ouvimos e meditamos a Palavra de Deus que nos convoca à conversão em
vista da alegria da Páscoa. Fizemos penitencia. Rezamos bastante. Participamos
dos círculos bíblicos, dos encontros na rede de comunidades, da Via Sacra, onde
refletimos em torno do tema da Campanha da Fraternidade.
Durante esta semana somos levados a
rever e rememorar os acontecimentos finais da vida de Jesus Cristo. O auge da
Semana Santa é o Tríduo Pascal: Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa (ou da
Paixão e morte de Jesus) e Sábado Santo (ou Vigília Pascal.
Concluímos hoje, também, a Campanha da
Fraternidade de 2012. Nossa coleta de solidariedade é gesto de perdão e
reconciliação.
Estamos em Jerusalém, o cenário
principal em que acontece a nossa Páscoa. Saudemos com Hosana o Filho de Davi,
em sua entrada em Jerusalém. Vamos ao seu encontro com ramos nas mãos e O
acolhamos em nossas vidas
Evangelho da bênção -
Mateus 21,1-11
O primeiro texto bíblico de hoje é o Evangelho
da entrada de Jesus em Jerusalém, última etapa da subida à Cidade Santa (Lucas
18,31-43). O texto é chamado de Evangelho da bênção.
A narração de Mateus contém duas
citações do Primeiro Testamento: Zacarias 9,9 e Salmo 117/118,25-26. Entre os
evangelistas, só Mateus, interpretando em chave messiânica a entrada de Jesus
na Cidade Santa, cita fielmente o texto do profético de Zacarias 9,9. Anúncio e
cumprimento estão unidos com a fórmula do costume: "Isto sucedeu para se
cumprir o que o profeta tinha anunciado" (v. 4). Uma outra ligação é
estabelecida entre a ordem de Jesus e a sua execução pelos discípulos (cf.
versículo 6; cf. Mateus 1,24). Em relação aos outros evangelistas, Mateus
amplifica o acontecimento: "Numerosa multidão"; isto é, "Toda a
cidade" (vs. 8.10; cf. Mateus 2,3).
A narrativa de Zacarias 9,9 serve de
base para Mateus e de interpretação: um rei virá como Messias, mas num aparato
pobre, contrastando com o aparato tradicional dos reis poderosos.
Cristo fazendo-se reconhecer nesta
situação de pobreza, os discípulos e a multidão dirigem-lhe uma aclamação de
inspiração messiânica (vs. 8-9). Este louvor é, sobretudo, inspirado pelo salmo
117/118, cântico da restauração da nova Jerusalém, característico da festa das
Tendas, principalmente os versículos 9.26 e 27b: "Bendito o que vem em
nome do Senhor" (v. 26a), que entrou para o canto do Santo da Missa
Romana; "É melhor abrigar-se no Senhor do que confiar nos nobres" (v.
9); "Formai procissão com ramos até aos ângulos do altar" (v.
27b). No entanto, Mateus introduz nele um título que aumenta o alcance
messiânico e real da citação: "filho de Davi".
Na descrição da procissão feita por
Mateus, a multidão agita os ramos que trazem nas mãos (Lucas ocidentaliza
falando apenas dos mantos estendidos pelo caminho). A entrada de Cristo em
Jerusalém está influenciada pelo ritual tradicional da "festa das
Tendas", também chamada de festa dos Tabernáculos onde havia justamente no
hábito de agitar os ramos (Levítico 23,33-34). Na liturgia judaica, a festa das
Tendas coincidia com as colheitas; ela encerrava o ano celebrando sua
fecundidade, e invocava a bênção divina sobre o novo ano. Os versículos do
Salmo 117/118, bem colocado para esta manifestação, tem o empenho de unir a
parábola dos vinhateiros homicidas e outros versículos deste mesmo salmo,
revelando que Cristo só será plenamente Messias depois de sua morte (Mateus
21,42). Os evangelistas situam a entrada de Cristo em Jerusalém nos dias que
precedem a Páscoa, e não tanto com a festa das Tendas.
Assim a entronização do Messias passa
pela Cruz; não há outro caminho que conduza à glória: é o mistério pascal.
Neste Evangelho seguem-se
imediatamente, sem interrupção e como se tudo acontecesse no mesmo dia, a Cura
dos Cegos de Jericó (Mateus 20,29-34), a Entrada em Jerusalém e no Templo
(21,1-12a) e a Purificação do Templo de Jerusalém (21,12b-17). Um resumo mostra
como Mateus uniu as três cenas e como ele transformou a viagem de Jesus desde a
cidade de Jericó até o Templo em uma só grande encenação da vinda do Messias, o
Filho de Davi, à Jerusalém/Sião.
Mateus ligou e relacionou as cenas
ainda mais entre si pela repetição do título messiânico "Filho de
Davi" (20,30.31; 21,9; 21,15); do verbo "gritar" (20,30.31;
21,1; 21,15) e da referência "à grande multidão".
Na primeira cena Mateus diz que Jesus
"cheio de compaixão" atendeu ao pedido dos cegos e os curou. Na
segunda cena Mateus cita explicitamente, diferente de Marcos e Lucas, a
profecia de Zacarias 9,9: "Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado em
um jumento, em um jumentinho, filho de uma jumenta" (Mateus 21,5). A
palavra, "manso" é a mesma de Mateus 5,4: "Bem-aventurados os
mansos, porque herdarão a terra".
Na terceira cena, dentro do recinto do
Templo, Jesus é procurado "pelos cegos e coxos e aclamado pelas
crianças", enquanto os grandes e poderosos O criticam e O chamam à
atenção. Esta parte da terceira cena (21,14-16) é totalmente própria de Mateus,
isto é, não é citada por Marcos, Lucas e João. E também só Mateus cita
explicitamente o Salmo 8,3: "Nunca lestes que: Da boca dos pequeninos e
das criancinhas de peito preparaste um louvor para ti?"; (cf. Mateus
21,16).
As três cenas foram concebidas por
Mateus e compostas como uma unidade literária. Elas começam e terminam com a
cura de cegos
Primeira leitura -
Isaias 50,4-7
O texto é do terceiro dos assim
chamados "Cânticos do Servo de Javé". Pertence a um profeta chamado
Dêutero-Isaias que compôs Isaias 40-55 e exerceu sua missão em meados do século
VI a.C. entre os exilados da Babilônia. O poema abrange os versículos de
4-9. Nos versículos 5b-6 aparece a motivação típica (protesto de inocência) que
prepara a súplica dos salmos de lamentação individual: "não fui rebelde,
não me esquivei; aos que me feriam apresentei as minhas costas..." é preferível
qualificar o poema como um salmo individual de confiança. De fato, a partir do
versículo 7 se desenvolvem os dois motivos básicos de tais salmos: a afirmação
de confiança e a certeza de ser atendido.
A lamentação individual no Antigo
Testamento é própria de pessoa de bem em geral, que se consideram injustamente
perseguidas. Entre elas aparecem sobretudo os mediadores, ou porta-vozes da
Palavra de Deus, como Moisés (cf. Números 11,10-15; Deuteronômio 18,15-19),
Elias (1 Reis 19,1-18) e Jeremias (17,17-18;20,7-17). Eles sofrem precisamente
em conseqüência da ingrata missão de mediadores.
Antes de tudo o profeta se apresenta
como um discípulo (v. 4a). Atento às palavras do Mestre, ele não guarda o
conteúdo da mensagem para si, mas a transmite aos outros (cf. Jeremias 1,7;
Ezequiel 2,3-3,4; Deuteronômio 18,18). Esta mensagem já não é uma palavra
ameaçadora como nos profetas pré-exílicos, mas uma palavra libertadora, capaz
de reconfortar os desanimados (cf. Isaias 40,6-11.27-31; 41,14; 42,1-7;
Ezequiel 37,11). Como profeta ele está continuamente atento às palavras que
recebe de Deus (cf. Jeremias 15,16: "Todas as manhãs ele desperta meus
ouvidos para que escute como discípulo" (versículo 4b). somente assim
torna capaz de levar sua missão em frente sem desfalecer (v. 5). Como outros
profetas (cf. Amós 7,10-17; Miquéias 2,6.10; Jeremias 20, 7-18) também o
Dêutero-Isaias sofreu o desprezo e a perseguição (versículo 6) da parte de seus
ouvintes no exílio, por causa da mensagem que proclamava. Presume-se que o
motivo dessa reação da comunidade exílica contra o profeta tenha sido o seu
universalismo, pois anunciava o reino messiânico também aos pagãos (cf. Isaias
45,14; 49,6). Mas como os justos perseguidos dos salmos de lamentação
individual (cf. Salmo 5; 6; 22, etc.), ou como Jeremias (15,17, 17,13; 20,11),
o profeta põe toda a sua confiança em Deus, que o fortifica (versículo 7) e
frustrará os insultos dos adversários (versículo 8-9).
Também Jesus está animado da mesma
confiança dos profetas que sofreram por causa da mensagem que deviam anunciar.
Inspirado na figura do Servo Sofredor, Ele entra resolvido em Jerusalém para
levar a sua missão até o fim. Ali enfrentará toda espécie de desonra por causa
de sua doutrina, na certeza do apoio divino que o levaria à vitória final.
Qual é o personagem que se esconde
atrás do título "servo", tão rico de conteúdo para p pensamento
cristão? É um dos problemas do Primeiro Testamento mais discutidos pelos
entendidos. Tem-se formulado numerosas hipóteses de interpretação. Há três
correntes maiores.
A primeira vê o Servo de Javé um
indivíduo, distinto do povo (em Isaias 49,6 e 53,3-8 ele desempenha um papel
junto ao povo, enquanto nas outras partes e Dêutero-Isaias a expressão "o
Servo de Javé" indica o povo todo!). Mas não se chegou a um acordo a
respeito desse personagem. Trata-se de uma figura do passado (Moisés; Davi ou
um de seus descendentes); ou no futuro (o Messias; um rei glorioso dos fins dos
tempos)? A dificuldade não vem de hoje. Ela já aparece no Novo Testamento:
"De quem disse isto o profeta: de si mesmo ou de outro?" (Atos
8,32-35).
De qualquer modo unem-se na figura do
Servo de Javé traços proféticos e reais. E ele é também salvador, sacerdote e
vítima ao mesmo tempo que, pelos seus sofrimentos, "intercede pelos
culpados" (Isaias 53,12). Ele tem uma missão missionária junto a todos os
povos.
A segunda corrente dá à expressão
"Servo de Javé" um sentido coletivo. Ele não vê no Servo um
indivíduo, distinto do povo de Israel. É o povo que será luz das nações; que
deverá sofrer a perseguição e a morte pela salvação dos povos. Admite-se que se
trataria de um grupo pequeno de fiéis no meio do povo. Seria o pequeno resto
que permanece fiel a Deus e que deve servir de testemunha aos demais membros do
povo e às nações.
A terceira corrente as duas anteriores.
Ele dá a expressão um sentido representativo. Usa-se o termo: personalidade
corporativa. O Servo de Javé incorporaria na sua pessoa todo o povo, seu
passado e o seu futuro. O profeta que escreveu os cantos teria projetado nele o
verdadeiro Israel. O Novo Testamento proclama a realização destas expectativas
em Jesus de Nazaré, na sua vida, paixão e morte, e ressurreição.
Salmo responsorial
21/22,8-9.17-18a.19-20.23-24
O Salmo é uma súplica a Deus numa hora
de sofrimento e abandono. Salmo de grande intensidade, expressa em imagens
vigorosas, em pedidos insistentes, e também numa esperança triunfante.
O limite do sofrimento é sentir o
abandono de Deus, que parece não ouvir a oração. A gozação das pessoas redobra
a dor do salmista, seu sentimento de abandono; contudo, são também um argumento
para mover a Deus, ao qual os insultos atingem. Do extremo da dor passa para o
a segurança da esperança: a salvação é certa, próxima, e já pode convidar a
comunidade a unir-se com ele no louvor a Deus.
A lamentação e a prece de um inocente
perseguido terminam em ação de graças pela libertação esperada (versículos
23-27 e adaptam-se à liturgia nacional pelo versículo 24 e o final
universalista (versículos 28-32, em que a vinda do Reino de Deus no mundo inteiro
aparece logo após as provações do servo fiel. Próximo do poema do Servo
Sofredor (Isaias 52,13-53,12), este salmo, cujo início Cristo pronunciou sobre
a cruz e no qual os evangelistas viram descritos diversos episódios da Paixão,
é, portanto, messiânico, ao menos em sentido típico. É a súplica de uma pessoa
num momento de intenso sofrimento e abandono, retomada por Jesus no momento
angustiante de sua cruz, entreguemos ao Pai a nossa vida e a vida de tantos
irmãos e irmãs que passam pelo vale do sofrimento e da morte.
O rosto de Deus no Salmo 21/22. Há uma
relação íntima e pessoal entre o justo e Deus, a ponto de o justo chamá-lo de
"meu Deus". Os antepassados confiavam em Deus e eram libertos
(versículos 5-6). Por causa desse Deus da Aliança é que essa pessoa tem a
coragem e a confiança de clamar. A imagem mais bela de Deus neste Salmo é,
portanto, a do Deus que ouve o clamor do pobre injustiçado e o liberta,
fazendo-o cantar hinos de louvor (versículos 23-27). Aparece de maneira clara o
rosto de um Deus libertador.
De acordo com Marcos (15,34) e Mateus
(27, 46), Jesus rezou este Salmo na cruz. Ele, portanto, é o justo inocente que
clama confiante. E Deus lhe responde com a ressurreição. Jesus em toda a sua
vida ouviu todos os clamores do povo e atendeu com misericórdia. Ele é,
portanto, a resposta do Deus que ouve os clamores e liberta.
Segunda leitura -
Filipenses 2,6-11
No contexto de uma exortação de Filipos
Paulo cita um hino cristológico. Através desta citação sugere que as principais
coordenadas da salvação operada através de Cristo marquem a existência cristã.
Estas coordenadas aparecem na estrutura do hino. Seu tema central são a
humildade e a disponibilidade do serviço do Messias Jesus. Ele não quis se
beneficiar de privilégios de ser Filho de Deus, mas diminuiu-se para se tornar
um de nós, como nós. E somos convidados a ter os mesmos sentimentos que havia
em Cristo Jesus.
Na glorificação (doxologia) "Jesus
Cristo é o Senhor" em que culmina o hino, dirige-se a Jesus o nome que no
Primeiro Testamento é reservado a Deus. Conforme o hino, Jesus, morto na cruz e
depois exaltado, recebe de Deus e da comunidade o nome de "Javé".
Antes Ele não tinha este nome. Ele era Deus preexistente. Assumindo a natureza
humana poderia ter-se valido desta igualdade com Deus Pai. Ma ao tornar-se
homem e inaugurar a Sua missão preferia apresentar-se á humanidade como servo
de Deus e não como senhor do universo. Esta preferência não era somente de
ordem subjetiva, mas de ordem objetiva. Ele revela que a pessoa humana se realiza
mais na submissão a Deus do que no senhorio sobre o mundo e o universo. A
soberania da pessoa humana só será plenamente humana se e na medida que ela for
serviço de Deus. O fato que Jesus recebe o senhorio sobre o universo depois de
Sua obediência até a morte revela que nela não há nada de usurpação.
"Jesus é Javé". Esta
confissão de fé ou glorificação (doxologia) não é uma divinização ou deificação
indevida que existia no mundo no mundo greco-romano, em que reis e imperadores
se deixavam idolatrar como deuses. Não era uma blasfêmia para os primeiros
cristãos e não o é para nós, porque nela se professa que se procura a salvação
em alguém que deu honra a Deus e recebeu honra de Deus. "Esvaziou-se (ou:
aniquilou-se) a si mesmo... feito obediente até a morte da cruz". Na
confissão de fé "Jesus é Javé" professamos que Deus deu razão a Jesus
e que nós também Lhe damos razão. Isto não é blasfêmia, porque nisso também
professamos que a realização plena da pessoa humana existe na dependência absoluta
de Deus antes, durante e depois da morte; e que, por isso, pode-se arriscar a
vida pela glória de Deus.
Evangelho - Mateus
26,14-27,66 ou 27,11-54 (mais breve)
De muitas maneiras o evangelista Mateus
conseguiu expressar a sua própria teologia e cristologia, recordando a Paixão
de Jesus. Alguns elementos sobre a Paixão de Jesus são exclusivos de Mateus: as
palavras de Jesus a respeito de Judas Iscariotes "Ai daquele homem por
quem o Filho do Homem for entregue!" (Mateus 26,24), e ao mesmo Judas na
hora do beijo da traição, Jesus respondeu-lhe, "Amigo, para que estás
aqui"? (Mateus 26,50), e a notícia do trágico fim de Judas, "Judas,
que o entregara, vendo que Jesus fora condenado, sentiu remorsos e veio de
devolver aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata,
dizendo: 'Pequei, entregando sangue inocente'. Ele, atirando as moedas no
Templo, retirou-se e foi enforcar-se" (Mateus 27,3-5), os motivos pelos
quais não se deve recorrer à espada, isto é, à vingança "Guarda tua espada
no seu lugar, pois todos os que pegam a espada pela espada perecerão"
(Mateus 26,52), a intervenção da esposa de Pilatos "Enquanto estava
sentado no tribunal, sua mulher lhe mandou dizer: não te envolvas com esse
justo, porque muito sofri hoje em sonho por causa dele", o protesto de
inocência de Pilatos que lava as mãos "Vendo Pilatos que nada conseguia,
mas, ao contrário, a desordem aumentava, pegou água e lavando as mãos na
presença da multidão, disse: Estou inocente desse sangue. A responsabilidade é
vossa" (Mateus 27,24), a aclamação do povo que assume a responsabilidade
da morte de Jesus depois da declaração de Pilatos "Todo o povo respondeu:
O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos" e o pedido da
autoridade judaica para se colocarem guardas na entrada do sepulcro "Que o
sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia, para que os discípulos
não venham roubá-lo e depois digam ao povo: ele ressuscitou dos mortos"
(Mateus 27,64).
Constata-se na versão de Mateus o lugar
importante do tema da realização das Escrituras. Mateus prova aos
judeus-cristãos, que esperavam um Messias triunfante e glorioso, que as
profecias também prevêem um Messias sofredor e que as Escrituras previam o
desenvolvimento da Paixão nos mínimos detalhes.
A agonia de Jesus no Getsêmani estava assim
prevista pelo Salmo 41/42. Desde a prisão de Jesus, Mateus ressalta que tinha
que ser assim, para "realizar as Escrituras" (26,54-56), refutando
assim a opinião que desejava uma resposta armada a respeito da prisão de Jesus.
Tanto Marcos como Mateus insistem sobre
o fato de que Jesus nada responde a Pilatos. Lembrando assim o silêncio do
Servo sofredor diante das injúrias (Isaias 53,7). Mateus ressalta que a bebida
oferecida a Jesus na cruz era vinho com fel e comprova assim o texto do Salmo
68/69,22 cf. Mateus 27,34. Mateus também é o único que apresenta às zombarias
pronunciadas pelos judeus em relação a Jesus crucificado: "Salvou os
outros, a si mesmo não pode salvar!" (Mateus 27,42).
Durante o inquérito Pilatos recebe o
recado de sua mulher a respeito do sonho. É interpretado como um testemunho
divino da inocência de Jesus. No Primeiro Testamento e no próprio Mateus os
sonhos têm este sentido religioso. Eles comunicam profecias (cf. Gênesis
37,5-10; 40; 41; Juízes 7,13ss; Daniel 2,1; 4,2; Ester 10,5, etc.), revelações
de verdades desconhecidas (cf. Jó 7,14; Sabedoria 18,17) e recados (Mateus
1,20-23; 2,12.13.19-22). Provavelmente Mateus viu no sonho um testemunho da
inocência de Jesus, muito mais do que um aviso a Pilatos.
Mateus além da coroa de espinhos
menciona que puseram "na mão de Jesus uma vara". Esta vara certamente
substituía o símbolo da realeza, o cetro. Os judeus zombavam de Jesus como
Messias (26,68), os soldados romanos como rei. Somente Mateus diz que zombavam
da pretensão de Jesus de ser o Filho de Deus (versículos 40 e 43).
Além dos fenômenos que Mateus tem em
comum com Marcos e Lucas (as trevas: versículo 45; a rasgadura do véu do
Templo: versículo 51a), há alguns que somente ele menciona, como, o terremoto,
a rachadura das rochas e a ressurreição de "muitos santos" que
"entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a
muitas pessoas" (versículos 51-53). Alegando todos estes fenômenos, Mateus
provavelmente quis sugerir que com a morte de Jesus chegou "o dia do
Senhor". Os terremotos são os fenômenos anunciados pelos profetas para o
dia do Senhor (Amós 8,9. O conjunto desses fenômenos certamente quer sugerir
que o dia da morte de Jesus é "o dia do Senhor", que marca um corte
na história da salvação.
Mateus é finalmente o único a mencionar
a riqueza de José de Arimatéia (Marcos fala de sua notoriedade e Lucas de sua
piedade), com a preocupação de comprovar a profecia de Isaias 53,9: "Seu
túmulo está com os ricos".
O véu rasgado torna caduca a antiga
Aliança, o terremoto introduz a Nova Aliança selada no Seu sangue. A fé do
centurião romano anuncia a conversão das nações pagãs. Dando o corpo de Jesus
aos "discípulos", os sumos sacerdotes renunciam voluntariamente de
suas prerrogativas e deixam para a Igreja o cuidado de ser sinal de Cristo no
mundo.
Uma das características próprias de
Mateus, é a menção dos guardas na cruz de Jesus (Mateus 27, 36 e 54) e,
sobretudo no túmulo (Mateus 27,62-66), citação que os outros evangelistas não
fazem. A chave desta citação é dada pelo próprio Mateus em 28,11-15.
A fé de Mateus em Cristo é tão forte
que chega a compor uma narrativa para destruir a mentira dos judeus. O
importante é que ele é fiel a uma história mais verdadeira, a de sua fé de
rabino judeu convertido a Jesus Cristo.
Da Palavra celebrada
ao cotidiano da vida
"Jesus entra em Jerusalém como rei
messiânico, humilde, pacífico, em atitude de serviço, e não de poder. Ele é o
Servo paciente" que se encaminha para enfrentar pacificamente, sem
violência, a humilhação e o aparente fracasso, impostos pela maldade humana.
Mas ele entra para vencer! Como? Pela violência não violenta do amor. "O
caminho de Jesus e, portanto, também do cristão é o paradoxal: pelo fracasso ao
triunfo, pela derrota à vitória, pela humilhação à glória, pela morte à vida e
à ressurreição" (B. Caballero).
Jesus entrou em Jerusalém. Até chegar
aí, ele havia feito um caminho. Durante três anos havia percorrido a Judéia e a
Galiléia como missionário de Deus, anunciando o projeto do Pai em relação aos
seres humanos. Muitos fatores e circunstâncias suscitaram a inimizade, a inveja
e o ódio dos chefes político-religiosos do povo judeu. "Sua mensagem de
amor, de serviço e de pobreza, sua Boa-Nova de salvação para os pobres, seus
milagres como sinais do Reino de Deus, sua denúncia profética da religião
ritualista e do culto vazio do templo de Jerusalém... sua proclamação de uma
lei e religião novas fundadas no espírito , na verdade e no amor, suas
bem-aventuranças que são uma inversão completa dos valores humanos em moda por
outros critérios e atitudes revolucionárias, e toda uma série de encontros,
discussões e invectivas com os escribas e fariseus da lei mosaica, foram
preparando o desenlace final. Seus inimigos conseguiram, enfim, legitimar sua
condenação à morte pressionando Pilatos, o poder civil romano, e com a anuência
de grande parte do povo, enganado por eles" (idem).
Naquele instante chegara a hora de
Jesus enfrentar a tentação derradeira. Usar violência? Não! Desistir? Também
não! Se Deus é amor, Jesus, como enviado de Deus, jamais poderia usar da
violência. E se ele é enviado para salvar os seres humanos, também não poderia
desistir da missão, custasse o que custasse. Ele sentiu a tentação de
descumprir a vontade de Deus: "Pai, se queres, afasta de mim este
cálice", desabafou Jesus no meio da angústia. Mas ele conseguiu vencer a
tentação de realizar seus próprios interesses: "Contudo, não seja feita a
minha vontade, mas a tua!", falou Jesus para o pai. Ele enfrentou todos os
sofrimentos de sua paixão, tanto físicos (torturas, flagelação, coroação de
espinhos, crucificação) como psíquicos (traição de Judas, preço de escravo à
sua pessoa, negação de Pedro, deserção geral de seus discípulos, ingratidão do
povo judeu, inveja e ódio de seus chefes religiosos). Enfrentou com amor, com
espírito de entrega, como alguém que não veio para ser servido, mas para
servir, personificando a eterna misericórdia de Deus. Por isso que, do alto da
cruz, suas palavras foram de perdão e entrega: "Pai, perdoai-os, porque
não sabem o que fazem". Ao bom ladrão disse: "Hoje estarás comigo no
paraíso". E, enfim: "Pai, em vossas mãos entrego o meu
espírito".
Assim como profetizou Isaías a respeito
do Servo sofredor, este Servo é o próprio Jesus, como ouvimos hoje: "Não
desviei meu rosto das bofetadas e cusparadas. Sei que não serei humilhado...Por
isso não me deixei abater o ânimo". "Meu Deus, meu Deus, por que me
abandonastes?", gritou ele. Mas não se deixou vencer pelo sentimento de
abandono. "Humilhou-se a si mesmo", sim. Por esta razão, pela
não-violência do amor à humanidade, "Deus o exaltou acima de tudo".
Um exemplo interessante é a cegueira
das autoridades que, obcecadas pelo poder político-religioso, não conseguiram
(ou não quiseram!) enxergar em Jesus a presença viva do próprio Deus, e assim
mataram um inocente. Isto também acontece muito entre nós, infelizmente! E um
terceiro exemplo é a postura de Jesus que, como enviado do Pai, venceu a
tentação da violência, que só quer "levar vantagem em tudo". Vítima de
uma grande violência, não respondeu com violência igual. Seu exemplo é o da
misericórdia, do perdão, da não-violência ativa, do serviço a todos, da entrega
de si a serviço da vida. Isto da mesma forma acontece em nossas comunidades...
graças a Deus! Existem tantas pessoas com posturas muito parecidas com a de
Jesus, que não se deixam dobrar pela tentação da violência, qualquer que seja.
Felizes delas!
A Palavra se faz
celebração
A alegria da Páscoa
A tradição litúrgica do ocidente
conhece uma expressão bem pouco lembrada para compreender e celebrar o mistério
da Paixão do Senhor: beata passio. Pius Parsch, agostiniano austríaco, grande
nome que contribuiu para a reforma litúrgica do Vaticano II nos lembra, em
artigo não muito distante, que "É importante lembrar a profunda diferença
entre os velhos sentimentos dos cristãos de hoje. Como a piedade popular acha
que é a Paixão de Cristo? Ela adere ao sofrimento histórico do Senhor, ela
tenta imaginar de uma maneira vívida as cenas especiais do 'amargo sofrimento',
ele analisa os sentimentos e pensamentos do sofrimento Salvador, tem compaixão
e ela chora." Reitera, em seguida, que a liturgia, em contrapartida, não
fica imóvel diante do sofrimento histórico do Senhor, mas, com sua
inteligência, resgata o seu sentido mais genuíno e profundo: o reconhecimento
de que, por sua páscoa, Jesus nos fez participantes de sua filiação. Por isso,
a Oração eucarística I, na sua versão latina traz a feliz expressão beatae
passionis quando, após a narrativa da instituição, recorda e oferece o
sacrifício de Cristo, de nos fazer membros da vida divina por sua cruz e
ressurreição. Tal expressão não permaneceu na versão portuguesa do Cano Romano.
Mas, felizmente, é conservado na Antífona que acompanha o beijo da cruz na
Sexta-Feira santa, um fraseado que lhe é semelhante: "Adoramos, ó Senhor,
vosso madeiro; vossa ressurreição nós celebramos. Veio a alegria para o mundo
inteiro por esta cruz que hoje veneramos." Também o antigo hino "Crux
Fidelis" nos lembra este sentido ao convidar para o louvor da Cruz de
Cristo: Cantemos hoje em memória da luta que houve na cruz, este sinal de
vitória, que todo um povo conduz; nela coberto de glória, morrendo, vence
Jesus."
O sentido do domingo de Ramos
Olhando a liturgia do Domingo de Ramos
por este ângulo, perceberemos que é importante escapar do romantismo de quem
ainda pensa na insuperável ofensa a Deus pela morte do Redentor. Para a
inteligência da fé é evento salvador, cumprimento das Escrituras na vida do
povo (cf. Emaús Lucas 24,13-35). O Domingo de Ramos dá a chave para abrir as
portas da Semana Santa, a fim de que os Mistérios aí celebrados sejam vividos
não só corretamente do ponto de vista da ortodoxia da fé, mas que produzam
frutos de verdade e justiça na comunidade dos fiéis e estes não fiquem presos
aos sentimentos de pena quanto à morte do Senhor. Os sentimentos em torno da
morte nos abrem à compreensão da dimensão da entrega do Senhor, mas por si só
não dão testemunho da fé celebrada e vivida pela Igreja.
Ao celebrar a Páscoa de Cristo, sua
Cruz e Ressurreição, sempre unidas embora o enfoque recaia sobre um ou outro
aspecto, a depender da festa que se celebra, a Igreja canta o Mistério de se
ver unida ao Filho, de se enxergar "ressuscitada com ele na glória"
mesmo que isso signifique a partir da contemplação de seu sofrimento (cf.
Oração do Dia).
Ligando a Palavra com
a ação eucarística
Reconciliação e paz, vida para todos:
eis a grande conquista da Páscoa de Jesus para todos nós. Então, depois de
prepararmos a mesa para celebrar a presença do seu sacrifício salvador, do qual
participamos neste domingo, o sacerdote reza em nome de toda a assembléia:
"Ó Deus, pela paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, sejamos reconciliados
convosco, de modo que, ajudados pela vossa misericórdia, alcancemos pelo
sacrifício do vosso Filho o perdão que não merecemos por nossas obras".
Deus merece todo louvor e ação de
graças por ter-nos dado seu Filho tão profundamente solidário com o ser humano,
a ponto de ele mergulhar no abismo de nossa própria morte para dela resgatar o
ser humano pecador. Por isso, abrindo a grande oração eucarística, pela qual
anunciamos a presença viva da Páscoa de Jesus e nossa, o sacerdote, em nome de
todos, proclama solenemente: "Inocente, Jesus quis sofrer pelos pecadores.
Santíssimo, quis ser condenado a morrer pelos criminosos. Sua morte apagou
nossos pecados e sua ressurreição nos trouxe vida nova".
Enfim, uma vez alimentados pela
presença vitoriosa do Senhor, na eucaristia que celebramos e comungamos,
ouvimos a seguinte prece confiante que se eleva ao Deus altíssimo em nome de
todos: "Saciados pelo vosso sacramento, nós vos pedimos, ó Deus: como pela
morte do vosso Filho nos destes esperar o que cremos, dai-nos pela sua
ressurreição alcançar o que buscamos".
O simbolismo dos
ramos
O simbolismo da "arvore" é
muito forte na Bíblia: as árvores do paraíso, especialmente a "árvore do
conhecimento do bem e do mal" e a "árvore da vida" (Gênesis 2,9;
Apocalipse 2,7; 22,14) são símbolos da Torá. O cedro do Líbano, a figueira, o
carvalho e principalmente a videira, entre outras, muitas vezes simbolizam o
povo de Israel. Valor simbólico especial tem a oliveira: um ramo seu é o sinal
de que acabou o dilúvio e a vida voltou à terra (Gênesis 8,11;9,1.7-11) É de
seu fruto que se extrai o azeite, óleo fundamental para a alimentação e a
saúde, carregado também de um rico valor simbólico, como na unção de reis,
profetas e sacerdotes. Paulo fala da salvação dos pagãos comparando-os a uma
"oliveira selvagem" que foi enxertada na oliveira boa, Israel (Romanos
11,16-24).
Os ramos desta procissão são uma
metáfora da própria paixão, morte e ressurreição, na relação vida-morte-vida.
As árvores têm seus ramos verdes arrancados, o que simboliza a morte, pois
esses ramos secarão; mas elas também os "doam" para servir ao Senhor
da Vida. Os vegetais, representados pelas árvores, foram dados a nós como
alimento, são o nosso sustento, como tão bem nos diz o Gênesis. De certa forma,
então, eles "morrem" para que nós tenhamos vida!
padre Benedito
Mazeti
Quem é o nosso Jesus nesse domingo de ramos?
Sabemos que evangelho
significa Boa nova ou Boa Notícia, por isso quando deparamos com um dos
sinóticos, no caso São Mateus, nesse Domingo de Ramos, é forçoso nos perguntar,
como que os pormenores da paixão de Jesus, a sua morte na cruz, poderá nos
trazer uma mensagem de Boa Nova... E mais um detalhe importante, se é Domingo
de Ramos, que tem como foco a entrada triunfal de Jesus na cidade Santa, como
vemos na primeira proclamação, feita antes da procissão de ramos, novamente nos
perguntamos, o que poderá haver de triunfal em um acontecimento que irá
resultar em uma tragédia?
Sendo o evangelho a
Palavra de Deus revelada sob inspiração do Espírito Santo, é necessário abrir o
coração para compreendê-lo, e não só a razão. Naturalmente essas questões que a
nossa razão apresenta entre outras, longe de manifestar a nossa incredulidade,
nos ajuda a migrarmos para o coração, pois, se dermos relevada importância ao
fato histórico em si, a comoção que iremos sentir diante desses relatos, será
idêntica á que experimentamos diante da obra de um grande taumaturgo.
Vamos acabar chorando
comovidos, com toda a maldade que fizeram com o Jesus Histórico e jamais
conseguiremos entender o que isso tem a ver com a nossa vida. Diante de um
evangelho, precisamos sempre ter em mente que se trata de uma reflexão sobre
Jesus de Nazaré, feita pelas primeiras comunidades, estamos portanto longe do
fato histórico da condenação e morte do Senhor, sobre o qual nenhum resquício
chegou até nós, a não ser os evangelhos, que nada mais são do que escritos
coletados pelas comunidades e que por isso mesmo requer uma interpretação
usando sempre como referência a Tradição e o Magistério da Igreja, que se
fundamenta no testemunho dos apóstolos e das primeiras comunidades, como a de
Mateus, onde havia muitos judeus convertidos, e já se tinha consciência de que
Jesus ressuscitara, e que agora tentam descobrir qual a relação desse Jesus
ressuscitado , com aquele Homem Jesus de Nazaré, que foi condenado com 33 anos,
e passou por uma morte tão vergonhosa e humilhante.
Sabemos pelo próprio
relato, qual foi a atitude da comunidade diante de tal revelação, não guardaram
dúvidas ou desconfianças diante da Revelação Divina e concluíram com um
belíssimo ato de Fé, que Mateus retratou com fidelidade na exclamação do
Oficial Romano “Ele era mesmo o Filho de Deus”!
O evangelista Mateus,
preocupado em convencer seus conterrâneos sobre a Verdade de Jesus de Nazaré,
usou de uma estratégia ao reler as escrituras, apontando de maneira caridosa e
paciente, os textos que a ele se referiam facilitando assim a compreensão sobre
o conteúdo das leituras desse Domingo de Ramos, que nos introduzem na Semana
Santa, onde se celebra o Tríduo Pascal, enfocando a Vida e a morte, a plena
realização e o fracasso, as trevas e a Luz, antagonismos presentes não só na
Vida Terrena de Jesus, mas na vida de cada Ser Humano, que a partir de então
poderá fazer suas escolhas e decidir-se por uma ou por outra, pois Salvação é
exatamente isso, conhecer a Verdadeira Luz, a Vida e a Verdade Absoluta que é o
próprio Cristo, e deixar-se atrair por ele tomando a decisão de segui-lo, não
mais a partir de uma obrigatoriedade Legal de Caráter Religioso, mas a partir
de uma experiência real como ocorreu com as Comunidades de Matheus, e o Oficial
Romano, sendo este precisamente o convite e o apelo desse evangelho: que
as nossas comunidades revejam toda a caminhada e em uma auto afirmação da nossa
Fé, redescubramos: Jesus é o nosso Senhor, o Filho de Deus!
O máximo que se
pensou sobre Jesus, é que ele fosse um Profeta, tal qual nos atesta a conclusão
do relato da sua entrada em Jerusalém, Mateus não engana seus leitores, pois
sendo um Profeta renomado, terá o mesmo destino dos demais, sendo ouvido por
poucos, rejeitado por muitos, e finalmente esmagado com a morte. Portanto,
aquilo que parece ser um momento de glória, pelo menos na visão nacionalista da
Nação de Israel, irá redundar em terrível fracasso! Há Glória sim, presente no
regozijo de um Homem totalmente novo, Fiel, que com sua encarnação Divinizou a
todos e a cada um dos homens, resgatando neles a imagem e semelhança do Deus
Criador. Um homem capaz de ter toda firmeza e confiança em Deus,, mesmo diante
das contrariedades e provações, em um contexto que caminha para o iminente
fracasso, como esse Servo de Iahweh, assumido pelo Profeta Isaias.e que nessa
circunstância provoca a queixa orante do Salmista “Meu Deus, Meu Deus, por que
me abandonastes”
O apóstolo Paulo, na
carta aos Filipenses, consegue resumir, de modo magistral, o que Mateus
transmite nas entre linhas desse evangelho... O mal presente no coração do
homem, do presente, do passado e do futuro, não conseguirá jamais subjugar o
Bem Supremo, impondo-lhe o seu domínio. Ninguém o humilhou, mas Ele
humilhou-se, ninguém o entregou á morte, mas Ele próprio entregou-se, ninguém
foi capaz de rebaixá-lo despojando-o da sua Dignidade de Filho de Deus,
Ele próprio rebaixou-se e esvaziou-se de si mesmo.
Podemos então
concluir a nossa reflexão desse domingo de Ramos, olhando para o testemunho do
Oficial Romano, homem considerado impuro e, portanto, descartado da Salvação
pela Religião Oficial, mas que fez a sua experiência com Cristo, e mesmo sem
pertencer ao Povo da Promessa, reconheceu Nele aquilo que os Doutores em
Escritura não reconheceram. O Oficial viu a revelação do Amor de Deus, naquele
Homem que se entregou livremente, porque o verdadeiro amor não é aquele que
domina, mas aquele que se deixa dominar, o verdadeiro amor pressupõe uma
entrega total, dentro de uma também total liberdade. O verdadeiro amor se
aniquila e se deixa esmagar, tornando-se alicerce na construção de algo
totalmente novo, que o coração humano busca e sonha, mas que só se consegue
encontrar em Jesus, alguém como nós, mas que vislumbrado na Fé, o descobrimos
como nosso único Deus e Senhor, Aquele que o Pai exaltou para sempre!
diácono José da Cruz
1. «Meu Pai, se é
possível, passe de Mim este cálice. Todavia, não se faça como Eu quero, mas
como Tu queres». Oportuna e luminosa síntese da vida e da missão de Jesus:
fazer a vontade do Pai, alimentar-se da Sua Presença, procurar em tudo
responder aos Seus desígnios. Eis que venho para fazer a Tua vontade. Tenho um
alimento maior. Felizes os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática.
Como qualquer ser
humano, Jesus sente a dureza e fragilidade do caminho. Percebe que está próximo
um desenlace fatal. Já não há como fugir. Há situações na vida em que
enfrentamos ou nos perdemos, acobardando-nos. É preciso ter fibra, ainda que
não seja agradável.
Nessas horas de
maior aperto, Jesus reza e ensina-nos a rezar. Com toda a devoção. Confiante e
confidente. E se a oração é essencial, também a companhia. Cada um sofre à sua
maneira, mas partilhar o que nos dói, o que nos faz sofrer, os medos que
estamos a enfrentar e os perigos que antevemos, ajudar-nos-á a dar sentido à
nossa persistência. Jesus roga aos Seus discípulos: «A minha alma está numa
tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai comigo». Também assim o desabafo, que
não condena, mas alerta: «Nem sequer pudestes vigiar uma hora comigo! Vigiai e
orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é
fraca».
A consciência do que
lá vem, os pés firmes na terra, não retiram o peso daquelas horas. Um pouco
antes Jesus diz o que lhe vai na alma, prepara os discípulos, prepara-nos para
atravessarmos as trevas, para que não fiquemos sem luz. «Bebei dele todos,
porque este é o meu Sangue, o Sangue da aliança, derramado pela multidão, para
remissão dos pecados. Eu vos digo que não beberei mais deste fruto da videira,
até ao dia em que beberei convosco o vinho novo no reino de meu Pai».
O medo pode agigantar-se.
Havendo alguma centelha de luz – a fé, a confiança em Deus, a presença dos
amigos – isso fará que não nos percamos no meio e apesar das trevas.
2. "Não se faça
como Eu quero, mas como Tu queres". Vem ao de cima o instinto de
sobrevivência, mas há de ser mais forte a obediência. "Cristo Jesus, que
era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas
aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante
aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à
morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima
de todos os nomes…"
O hino recolhido por
são Paulo mostra-nos a identidade de Cristo, a Sua Encarnação, a assunção da
nossa humanidade, o projeto de nos trazer Deus e nos introduzir num projeto de
vida nova que nos projete para a eternidade, mas como Ele, vivendo em lógica de
paixão pelos outros. A realeza e a grandeza de Jesus revela-se no despojamento,
esvaziando-se de Si – não se faça o que EU quero –, enchendo-se do Amor do Pai
– faça-se o que TU queres. Jesus recusa-se a salvar-Se a Si mesmo, livrando a
própria pele da Cruz, pelo contrário, estende os braços para o Pai e para a
humanidade. Até à morte e para lá da morte vencerá o amor, a obediência, a
Presença de Deus.
3. Uns dias antes, a
entrada triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém clarifica o mesmo
despojamento. O Rei que aí vem não passa de (mais) um Profeta, e passaria
despercebido não fora uma multidão de pobres que O acompanham desde a Galileia.
É uma multidão simples. Pessoas de todas as idades, e com intenções diferentes,
com propósitos diversos. Pobres, humildes, rudes, deslocam-se em caravana para
se protegerem mutuamente. Cada ano, por ocasião da Páscoa, deixam as suas
casas, juntam alguns poucos haveres, e deslocam-se para celebrar a sua fé em
Deus. É mais forte a fé que os move, com os sacrifícios que terão de fazer e
dos perigos que terão que enfrentar.
"Eis o teu Rei,
que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho de uma
jumenta... Numerosa multidão estendia as capas no caminho; outros cortavam
ramos de árvores e espalhavam-nos pelo chão. E, tanto as multidões que vinham à
frente de Jesus como as que O seguiam, diziam em altos brados: «Hossana ao
Filho de David! Bendito O que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!».
Alguns estão à beira
do caminho. Perguntam-se e perguntam quem é Ele. "Quando Jesus entrou em
Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço. «Quem é Ele?» – perguntavam. E a
multidão respondia: «É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia».
Faz-nos lembrar o
alvoroço com que Herodes recebeu a notícia do nascimento do Messias. Um
alvoroço que não foi suficiente para ele sair do seu conforto e ir à procura e
ao encontro do Rei-Menino.
Registe-se a reflexão
de Bento XVI acerca desta multidão que acompanha Jesus e que não é coincidente
com a multidão que O arrasta até ao Calvário. Pedro é precisamente acusado de
ser "um deles" porque fala com os mesmos "tiques" ou
nuances dos Galileus. Estes seriam estranhos naquela outra multidão que acusa
Jesus, que O persegue, que tenta desacreditá-l’O, por inveja, por medo, por
ignorância, por instigação de alguns bem instalados na vida, que empurram
outros para o campo de batalha. Não se juntam à multidão que aclama Jesus,
juntam-se agora em multidão que condena!
4. "Ainda Jesus
estava a falar, quando chegou Judas, um dos Doze, e com ele uma grande
multidão, com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e
pelos anciãos do povo".
Tudo parece
acontecer demasiadamente rápido. Ainda noite. Pela calada da noite. Quando faz
silêncio incomodo. Quando o sono ainda é rei. Os próprios discípulos,
desgastados, com medo, sem forças, ansiosos, se deixam vencer pelos
acontecimentos, não acompanham Jesus na Sua oração e vigília. São horas de luta
e de desistência. Lutam para sobreviver àquele momento. Mas desistem de Jesus,
desistem de "dar a vida por ele". "Então todos os discípulos O
abandonaram e fugiram". Mantêm-se à distância. Vão observando o desenrolar
dos acontecimentos. Lamentando-se. Chorando. Bloqueando, sem saber o que fazer.
Se dão mais um passo, tudo pode desabar por cima deles. Por outro lado, sentem
o olhar envolvente e misericordioso de Jesus que os serena e os desafia.
Podemos
incluir-nos dentro daquela multidão, entre os apóstolos, com a autoridade
judaica e com a autoridade romana, com a multidão da Galileia que antes O aclamava,
ou com a multidão da Judeia que se deixa levar pela inventiva de alguns poucos.
Judas. Pedro. Discípulos. Caifás. Pilatos. Sacerdotes e fariseus. Acusando ou
lavando as mãos. Traindo ou negando. Gritando em fúria no meio da multidão
anónima ou pegar nos instrumentos de flagelação. Ajudar a levar a cruz ou ser
forçado a isso. Quais as mulheres e mães que não arredam, a espreitaram para o
caso de as deixarem ajudar Jesus. "Estavam ali, a observar de longe,
muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem.
Entre elas encontrava-se Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe
dos filhos de Zebedeu. Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia,
chamado José, que também se tinha tornado discípulo de Jesus. Foi ter com Pilatos
e pediu-lhe o corpo de Jesus".
Em todo o caso,
no final sobrevêm novas escolhas. Enquanto vivemos, estamos a tempo de nos
convertermos e aderirmos a Jesus Cristo e ao Seu Evangelho. Pedro refaz o seu
testemunho e o seguimento de Cristo. José de Arimateia não se envergonha e
recolhe o corpo de um condenado. O Centurião, e os que por ali estavam, que têm
um lampejo da realeza divina de Jesus, e expressa-o de forma audível: «Este era
verdadeiramente Filho de Deus».
5. Isaías, na
primeira leitura, caracteriza o Messias que há de vir e identifica com o Servo
Sofredor, qual Cordeiro inocente levado ao matadouro, manso e humilde de
coração, cuja vida e missão têm o fito único de dar esperança a todos que andam
cansados e abatidos. "O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo,
para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as
manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os
discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo.
Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a
barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor
Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu
rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido".
Abramos bem os
ouvidos para ouvir a Palavra de Deus e o grito dos irmãos que buscam razões
para viver. Abramos bem os olhos para nos outros descobrirmos a presença de
Deus e os acolhermos como se a Ele o acolhêssemos.
A liturgia do domingo
de Ramos envolve vários momentos importantes no desenrolar da Paixão de Jesus,
deixando entrever os acontecimentos que precipitam o desfecho da Sua missão
terrena e temporal. Iniciamos a Semana maior com a entrada triunfal de Jesus em
Jerusalém e com o relato da Paixão do Senhor, que acompanhamos desde a oração e
agonia no Horto das Oliveiras até à crucifixão e morte de Jesus.
Vejamos alguns desses
momentos e dos intervenientes principais.
1. NOITE
É de noite que Jesus
sai com os discípulos para o Jardim das Oliveiras. Para Jesus, a noite é tempo
e oportunidade de oração, explicitando a Sua comunhão íntima com Deus.
Na noite, porém, tudo
acontece, todos os gatos são pardos. Os guardas, com os dirigentes do Templo,
vão pela calada da noite, quando as pessoas estão tranqüilas em suas casas,
prender Jesus, evitando qualquer surpresa que contrariasse os seus intentos.
O mal tem a noite, a
escuridão, as trevas, por aliada. É noite quando Judas se perde e entrega
Jesus. Ainda é noite quando Pedro renega Jesus.
2. JESUS
O itinerário de
Jesus, em Semana Santa, relembra-nos as situações diversas da nossa existência,
marcada por alegrias e tristezas, pelo encanto da vida e pela desilusão, pelas
conquistas e pelas derrotas, que nos tornam mais fortes (ou nos derrotam) e
fazem de nós o que somos hoje e o que poderemos vir a ser.
Em todo o trajeto
sobressai uma grande confiança em Deus. Na dor mais atroz, a única saída para
Jesus é entregar-se em Deus: "Pai em Tuas mãos entrego o meu
espírito".
3. MULTIDÃO
Quando estamos sós
reagimos de maneira diversa de quando estamos em grupo. Juntamente com os
outros podemos facilmente embarcar na corrente geral, para o bem e para o mal.
No recente volume da
obra "Jesus de Nazaré", o papa Bento XVI/Joseph Ratzinger chama a
atenção para duas multidões distintas: na entrada triunfal em Jerusalém e
diante de Pilatos pedindo a crucifixão de Jesus.
Jesus chega a
Jerusalém para a festa da Páscoa, acompanhado pelos discípulos, pelos galileus
(judeus originários da Galileia, como a maioria dos Apóstolos), e por pessoas
das aldeias vizinhas, por onde Ele passou e que engrossam o grupo. É neste
contexto que os judeus (de Jerusalém) perguntam o motivo da agitação e a
identidade d'Aquele homem!
Diante da autoridade
romana, a "outra multidão" os dirigentes do Templo e seus sequazes,
que iniciam o processo ainda noite para não chamar muito a atenção, e os
companheiros de Barrabás, que estarão diante de Pilatos para fazer lóbi pela
amnistia pascal do seu líder.
Os discípulos, com
medo, acobardam-se e mantêm-se à distância, não estão lá para gritar pela
libertação do Mestre.
4. DISCÍPULOS
Acompanham Jesus
titubeando. As coisas correm de feição e eles rodeiam-n'O alegremente. As
coisas correm mal e afastam-se d'Ele rapidamente para não serem notados. No
monte das oliveiras, dispersam, fogem, escondem-se. Durante o processo e até à
Cruz tornam-se observadores cautelosos e distantes, vendo para onde pende a
balança.
Dói ser abandonado,
mas muito mais por aqueles que deveriam estar perto, dando apoio, acompanhando.
5 – JUDAS
Sem dúvida um dos
discípulos mais próximos de Jesus e alguém de confiança dentro do grupo, mas
que tropeça na noite e se precipita na entrega do Seu Mestre.
O drama de Judas não
está apenas no trair da confiança, mas na consequente culpabilização. Não
supera o sentimento de culpa, ainda que se vislumbre o seu arrependimento -
entreguei um homem inocente. A noite é mais forte, as trevas paralisam-no, não
deixam penetrar a luz de Jesus Cristo.
6 – PEDRO
Do círculo mais
próximo de Jesus - do qual fazem parte Tiago e João e Judas, este retirado
muito cedo pelas comunidades cristãs -, Pedro encontra-se muito
"verde". Com o mesmo entusiasmo se empolga no aplauso a Jesus e logo
se amedronta, escondendo-se e renegando o Mestre. Dito de outra forma, quando o
Mestre está, Pedro é forte. Quando Jesus não está, Pedro fraqueja.
Diferentemente de
Judas, Pedro não se deixa afundar pelo seu pecado, pelas suas trevas,
"agarra-se" (de novo) a Jesus e ao Seu olhar compassivo e reconciliador
e deixa-se salvar por Ele.
7 - AUTORIDADES DO
TEMPLO
Funcionam também em
grupo, protegendo-se mutuamente, ainda assim com dissidentes que não concordam
com os procedimentos realizados para condenar Jesus. Um dos contestatários é
Nicodemos.
Sentindo-se ameaçados
no seu poder e na sua liderança, não hesitam em entregar Jesus, "é melhor
que morra um só homem pela nação". De algum modo completam a profecia,
Jesus morrerá pela humanidade inteira, por um só homem é dada a salvação a
todos.
8 – PILATOS
Representante do
imperialismo romano, cedo acautela o seu lugar. Seguindo a lei romana, sabe que
Aquele homem é inocente e não merece qualquer tipo de preocupação. Mas logo a
pressão e o medo em perder os favores do imperador alteram o seu juízo. E, ele
que não queria ser envolvido nas questões religiosas dos judeus, deixa-se
enredar, não tanto pelos argumentos mas pela conveniência em manter o posto.
Entrega Jesus para ser açoitado e crucificado.
9. MULHERES
Ao longo da história
da humanidade elas sofrem como filhas, como esposas e como mães, sofrem pelos
pais, pelos maridos, pelos filhos, pelos outros. Mas agüentam firmes, vão à
luta. Lá estão elas na primeira linha. Acompanham de perto o Mestre, estão bem
junto à Cruz. Serão elas também as primeiras testemunhas da ressurreição. A sua
fidelidade é premiada com a primeira aparição do Ressuscitado.
10. NÓS
Jesus entrega-Se
também por nós. Ou dito de outra forma, também por nós Ele é pregado à CRUZ. Se
vivêssemos naquele tempo e naqueles dias subíssemos a Jerusalém, pela festa da
Páscoa, em que grupo nos inseriríamos? É possível que estivéssemos no lugar de
qualquer um daqueles intervenientes.
Como é que hoje nos situamos diante da
Sua Cruz? Que respostas damos com a nossa vida? De que forma a Cruz é redentora
para nós? Em que medida influencia as nossas escolhas e as nossas vivências?
padre Manuel Gonçalves
Bendito o que vem
em nome do Senhor
Começa hoje a grande semana litúrgica
que nos conduz à Páscoa, à morte e à ressurreição do Senhor, centro da nossa
vida cristã. A Semana Santa é, pois, um tempo de profundas vivências
religiosas: o mistério de Deus “entregue por nós” e a força da sua
ressurreição, como dizia são Paulo, convocam-nos perante a Cruz que é o triunfo
do amor sobre o ódio, a esperança sobre todo o desespero.
O Evangelho da entrada em Jerusalém
(Mt. 21,1-11), com a procissão da comunidade e dos ramos, deve servir para
inaugurar a grande semana do cristianismo. Toda a “tradição” e beleza dos ramos
devem servir para inaugurar esta grande semana. A “tradição” e a beleza dos
ramos e das palmas, convidam-nos, no entanto, a integrarmo-nos naquela
experiência de ir a Jerusalém, percurso a que o profeta da Galileia não podia
esquivar-Se. Sem dúvida que Jesus já sabia o que O esperava: o julgamento, a
condenação e a morte. Tudo isto muitas vezes foi e é representado
esteticamente, mas o ambiente daquela Páscoa do ano 30 não tinha nada de
teatral, antes a dura realidade de “Alguém” que sabe o que quer. Jesus não Se
deixa iludir pelos gritos de “Hossana”, porque não Se sentia Messias e, muito
menos, como alguns o interpretaram. Estas aclamações justificariam mais o seu
julgamento e a sua condenação perante os poderosos que estavam à espera que
chegasse o profeta da Galileia a Jerusalém: E chegou...
1ª leitura: Isaías
(50,4-7)
O Servo de Iavé: nos
seus ombros o futuro
1. Os quatro cantos do Deutero-Isaías
(42,1-4. 7.9; 49,1-6.9.13; 50,4-9.11; 52,13-53,12) abrem a Paixão de Jesus
neste dia de Domingo de Ramos. Estamos perante o terceiro cântico do “Servo de
Iavé” onde se sublinha o sofrimento de uma figura que deu muito que falar na
teologia veterotestamentária sem que se tenha chegado a uma identificação
precisa. Se os cristãos se atrevessem a identificar Jesus Crucificado com o
Servo esta seria a única lógica para poder defender que era o Messias. A
teologia oficial do judaísmo não podia aceitar, de forma alguma, o sofrimento
como algo possível no futuro Messias. Por isso, ao cristianismo se lhe abriram
as portas de par em par para poder afirmar que se Jesus foi julgado, condenado
e crucificado se cumpriam quase à letra as “revelações” ou manifestações do
Servo de Iavé. Esta foi a “Bíblia básica” dos primeiros cristãos, embora não
rejeitassem a leitura da Lei e dos Profetas. Desta
“Bíblia básica” passaram, pouco a pouco,
a pôr por escrito o primeiro relato da Paixão que liam nas celebrações como
memória da morte do seu Senhor.
2. Qual é a sua mensagem? Abre-nos à
ignomínia deste mundo violento, cruel, face à força da mansidão do discípulo,
do servo de Deus, porque, na sua “Paixão” Deus estará sempre com Ele. É uma
leitura muito adequada de preparação para a proclamação da Paixão do Domingo de
Ramos, já que foram os primeiros cristãos que descobriram nestes cantos que o
Messias teria de sofrer para que tivesse força a sua proposta de salvação.
2ª leitura:
Filipenses (2, 6-11)
O hino da
“humilhação” divina
1. O hino da Carta aos Filipenses
realça a força da fé com que os primeiros cristãos se expressavam na liturgia e
que Paulo adota para as gerações futuras como Evangelho vivo do processo de
Deus, de Cristo, o Filho: Ele quis partilhar connosco a vida. Mais ainda: Ele
quis ir para além da nossa própria debilidade, até à debilidade da morte na
cruz (juntaria Paulo), que é a morte mais escandalosa da história da humanidade,
para que ficasse claro que o nosso Deus, ao acompanhar-nos, não o faz
esteticamente, mas sim radicalmente. Hoje não é o dia de aprofundar este texto
inaudito de Paulo. A Paixão de Mateus deve servir de referência de como o Filho
de Deus chega ao final: a morte na cruz.
2. O hino tem duas partes. A primeira
sublinha a auto-humilhação de Cristo que, sendo de condição divina, se converte
em escravo. A segunda reflete a exaltação de Jesus, por parte de Deus, à
categoria de Senhor. Estabelece, além disso, uma relação de causa efeito entre
humilhação e exaltação: “Precisamente por isso” (Fil. 2,9). E aqui radica o
grande paradoxo: alguém que não se destacou em vida por actos heróicos, que não
foi soberano nem teve o título de Senhor, e acaba os seus dias crucificado como
vil e subversivo aos olhos do Império e da sua própria religião e considerado
“Senhor” e “Messias”. E, paradoxo ainda maior é o anúncio do Messias
crucificado converter-se naquele núcleo da pregação de Paulo e no centro da fé
cristã. Isto só podia, no mínimo, chocar a mentalidade helenista que, nos seus
cultos, aclamava os “senhores” que tinham gozado uma vida gloriosa. Tinha de
surpreender igualmente o mundo judaico, para quem o Messias devia ter uma
existência gloriosa que certamente Jesus não tinha tido. Por isso, dirá Paulo,
o anúncio de um Messias crucificado é “escândalo para os judeus e loucura para
os gregos (1 Cor. 23).
Evangelho: Mateus
(26-27)
Paixão segundo são
Mateus
1. Neste dia, a leitura da Paixão
segundo Mateus deve ser valorizada na sua justa medida. A leitura, em si,
deve ser “evangelho”, boa nova, e nós, tal como as primeiras comunidades para
as quais escreveu, devemos aplicar os cinco sentidos e personalizá-la. A Paixão
segundo são Marcos é o relato mais primitivo que temos dos Evangelhos, embora
não queira dizer que antes não houvesse outras tradições das quais ele se tenha
valido. Esta é a fonte do nosso relato de Mateus. Devemos saber que não podemos
explicar o texto da Paixão numa homilia, mas temos de convidar todos para que
cada um se sinta protagonista desta bela narrativa e considere onde poderia
estar presente, em que personagem, como se tivesse sido ator nessa narrativa.
Precisamente porque é um relato nascido quase com toda a certeza para a
liturgia, será a liturgia o momento adequado para viver a sua força teológica e
espiritual.
2. Não é, portanto, o momento de entrar
em profundidades históricas e exegéticas sobre esta narrativa, sobre a qual se
poderiam dizer muitas coisas. Desde o primeiro momento, é nos vv. 1-2 que
encontramos as personagens protagonistas. O ambiente são as festas da Páscoa
que se estavam a preparar em Jerusalém (faltavam dois dias) e os
sumos-sacerdotes não queriam que Jesus morresse durante a “festa”; tinha que
ser antes. O relato, no entanto, organizaria as coisas para que tudo ocorresse
na grande festa da Páscoa dos judeus – nada mais, nada menos! Os responsáveis,
diz o texto, “procuravam motivo para prender Jesus e matá-l’O. Era lógico,
porque era um profeta que não Se deixava intimidar pela teologia oficial. Era
um profeta que estava nas mãos de Deus. E isto eles não suportavam.
3. Mateus, como dissemos, segue de
perto o texto de Marcos, mas há que notar algumas chaves:
a) O que dá unidade e coerência às
diferentes secções (alguns falam de três) é a perspectiva cristológica em que
tudo se apresenta. Mateus foi o melhor a tratar de defender o mistério da
Paixão do Messias com o cumprimento das Escrituras. Isto era facilmente
explicável para uma comunidade que, procedendo do judaísmo, deveria assumir que
a paixão e morte, coroada da ressurreição, entrava no plano de Deus e era assim
livremente assumido por Jesus.
b) Há alguns pormenores do relato que
chamam a atenção de Mateus. A diferença relativamente a Marcos encontra-se no
episódio de Barrabás e converte-se num dos elementos-chave da sua visão da
paixão e das consequências para Israel. Há alguns anos foi escrita uma obra
sobre a redação de Mateus e a sua teologia que se fundamentava na de Mt. 27,25:
“que o seu sangue caia…”Consta de dois elementos: a intervenção da mulher de
Pilatos e a cena em que Pilatos lava as mãos. Não se trata de meros
acrescentos. Mateus retoma todo o conjunto e apresenta-nos uma nova composição
muitíssimo bem construída, onde aparece, com toda a nitidez, a intenção doutrinal
e eclesial. Ficam definidos os laços de Cristo com o povo de Israel. Quando a
mulher do pagão intercede pelo “justo”, a filha de Sião, aos gritos, exige a
morte do seu Messias, do seu Cristo (em vez de “rei dos judeus”, Mateus utiliza
duas vezes este título). “Todo o povo” toma sobre si a responsabilidade que
Pilatos recusa (27,24-25). Esta tomada de posição do povo da antiga aliança
marca uma transformação na história da salvação. E evidente a perspectiva
cristológica de tudo isto. É o repúdio do judaísmo pelo Messias que,
livremente, escolheu a paixão. Mas isto não deve incitar – de forma nenhuma – o
anti-semitismo, como ocorreu em leituras apologéticas que não entendem que o
povo de Israel não é o responsável pela morte do “profeta”, mas alguns dirigentes
cegos e sem misericórdia. É verdade que o Evangelho de Mateus “mantém uma
constante de “anti-judaísmo” como problema histórico e teologia, mas não é
“anti-judeu” por natureza.
c) Não deveríamos dizer que Jesus
“escolheu” a morte, porque Deus assim o queria ou assim precisava. Não é o
sofrimento o caminho que Deus quer para redimir e salvar os homens. Mas Deus,
neste caso, por meio da opção decisiva do Profeta, do Messias verdadeiro de
Israel (segundo a teologia de Mateus) sabe assumir tudo o que os homens
“constroem” religiosa e exatamente para destruir esta “construção religiosa”
anti-humana e anti-divina. A construção eclesiológica de Mateus do relato da
Paixão é a mesma que foi mantida em toda a sua obra. A este respeito
poder-se-ia dizer que o relato de Marcos sobre a Paixão é mais kérigmático e o
de Mateus mais eclesiológico. Mas os dois aspectos devem ser unidos na nossa
reflexão sobre o que significa ler a “Paixão” na liturgia do Domingo de Ramos.
Não incidamos demasiado no sofrimento, porque essa não é chave de Mateus, mas
antes em como a comunidade se identifica com o seu Senhor para tornar possível
que o projeto de Deus seja vivido de verdade, para além das decisões absurdas
dos dirigentes do povo que não puderam assumir o que o Profeta desmontara na
concepção que eles tinham de Deus e da religião de Israel. E isso seria em
benefício de toda a humanidade.
d) A Paixão, nós, os cristãos não a
devemos ler como um tema “gore” (de sangue e sofrimento cruel). Não é essa a
concepção do relato primitivo que cada um dos evangelistas elaborou, de acordo
com a sua comunidade. É o mistério da identificação com a sua causa, com o
projeto do Reino que tinha anunciado até chegar às suas últimas consequências.
Jesus não sofreu mais do que os crucificados dos caminhos que o Império romano
multiplicava, nem derramou mais sangue que eles, mas estava identificado com o
sofrimento de todos aqueles crucificados. É verdade que no seu julgamento
ocorre uma série de circunstâncias religiosas que O tornam diferente e, por isso,
um julgamento e uma condenação diferente, contemplamos uma condenação
diferente. É mais belo o poema musical da Paixão segundo S. Mateus de Bach, do
que filmes que apenas mostram – sem poesia nem religiosidade nenhuma – o
sofrimento pelo sofrimento. Não esqueçamos que os nossos relatos são elaborados
na perspectiva da ressurreição como vitória de Deus sobre os projetos dos
poderosos ou do amor sobre o ódio.
fray Miguel de
Burgos Núñez
tradução de Maria
Madalena Carneiro
Vou trabalhar no Domingo de Ramos, poderei ir à missa hoje, sábado. A liturgia é a mesma?
ResponderExcluirCarlos
Acabei indo à missa no sábado (17h) e no domingo, hoje, às 7:00hs. O evangelho foi diferente em ambas e na de hoje não foi o evangelho da entrada triunfal de Jesus no lombo de um jumentinho que seria o do Domingo de Ramos. Nesta missa de hoje não houve procissão e o padre mencionou que o evangelho citado faz parte das celebrações onde há a procissão de ramos.
ResponderExcluirCarlos/Barbacena-MG