5º DOMINGO DA PÁSCOA
14 de Maio de 2017
Cor: Branco
Evangelho - Jo
14,1-12
Irmãs e irmãos. Acreditemos em Jesus
Cristo o Filho de Deus que veio ao mundo para nos salvar! Jesus provou sua
divindade por meio de muitos milagres. Continuar lendo
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“NINGUÉM VAI
AO PAI SENÃO POR MIM"! - Olívia Coutinho
5º DOMINGO DA PÁSCOA
Dia 14 de Maio de 2017
Evangelho - Jo 14,1-12
Neste quinto Domingo da Páscoa, somos
chamados a desenvolver o dom da fé, que recebemos de Deus como uma
semente plantado por Ele no nosso coração!
É caminhando, que crescemos na fé, é
crescendo na fé, que crescemos no amor, na fraternidade, na vida de comunhão
com Deus e com os irmãos.
A fé, não é algo que se tem e pronto, a fé é construção, uma
construção que se desenvolve através de um processo lento que vai se
solidificando à medida em que nos deixamos inundar pelo amor de Deus!
A fé é caminhada é
compromisso, é ver além do que os olhos humanos alcançam! É pela fé, que reconhecemos Jesus como o nosso Deus e Senhor, o que
não é fruto do esforço humano e sim, do acolhimento a este dom de
Deus.
Jesus é a revelação do amor do Pai, aos poucos
vamos nos envolvendo neste mistério de amor, enxergando no
Filho, a presença amorosa do Pai!
No evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta,
podemos perceber claramente a paciência de Jesus para com os seus discípulos
que apesar de estarem a tanto tempo com Ele, eram muito imaturos na
fé, tinham muita dificuldades em entender o que Jesus lhes revelava a respeito
de sua volta para o Pai. No desejo de fazer brotar em seus corações,
pensamentos positivos, ideias claras sobre a sua pessoa, sobre a sua
missão e o sentido da sua presença no mundo que poderia dar a eles
tranquilidade durante a sua ausência, Jesus afirma: “Vou preparar um
lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos
levarei comigo, afim de que onde eu estiver estejais também vós.” E acrescentou:
“Para onde eu vou vós conheceis o caminho.
Tomé, não entendendo o sentido destas palavras, interpela Jesus
dizendo: “Nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o
caminho?” Esta imaturidade de Tomé, pode ser encontrada também
em nós: estarmos com Jesus, mas não reconhecê-Lo como sendo Ele, o
caminho que nos leva ao Pai!
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por
mim!” Estas palavras de Jesus, que respondeu a uma duvida de
Tomé, devem permanecer em nós, pois são palavras que nos indica a vereda
autêntica que nos leva a felicidade Plena que é o próprio Jesus.
Ver o Pai, era a coisa mais desejada pelos discípulos, um desejo
que fora manifestado por Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” Bastaria que os discípulos dessem um passo a mais na
fé, para que eles descobrissem na pessoa de Jesus, a presença do Pai, que
estava ali, a tanto tempo com eles na pessoa de Jesus!
É graças a paciência de Jesus, que hoje
nós temos a felicidade de conhecê-Lo através do testemunho dos
discípulos, que apesar de suas fragilidades se mantiveram firmes no propósito
de dar continuidade ao projeto de Deus, proposto por Jesus.
Contemplar Jesus, é a única forma de ver a face humana do Pai, não
há nada no Pai que não encontramos em Jesus. Através do conhecimento
intelectual jamais vamos conhecer Jesus, nós só vamos conhecê-lo
verdadeiramente pelos caminhos da fé!
A falta de fé, priva-nos da alegria de conhecer Jesus, de
tornarmos íntimos Dele, de perceber a sua presença contínua junto de nós,
de sentirmos seguros quanto ao nosso futuro!
A Luz que verdadeiramente ilumina é aquela que nos
conduz a felicidade plena, Jesus é esta Luz, Ele é a presença de Deus em nós! Deixar-se conduzir por esta Luz, é deixar-se irrigar pela fonte de água
viva que nos levará a um Reino que não terá fim, que é o coração do Pai.
No final do evangelho, Jesus diz: “Quem acredita em mim fará as
obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai.”
Quem tem fé, pode realizar obras grandiosas, pois ao voltar
para o Pai, Jesus enviou-nos o Espírito Santo, tudo que fazemos de bom,
fazemos pela a ação do Espírito Santo de Deus em nós!
O amor do Pai é derramado em nós pelo Espírito Santo, vivenciemos
este amor permanecendo no Filho!
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Jesus
caminho, verdade e vida
O evangelho de hoje é parte do
discurso de despedida de Jesus. As palavras iniciais nos permitem imaginar a
situação da comunidade à qual o evangelista se dirige. Ela parece estar
perturbada, desanimada, desorientada, desesperada. Por isso Jesus lhe diz: “Não
se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também”.
Essas palavras de Jesus valem
também para nós hoje, que muitas vezes experimentamos o desânimo, sem saber por
onde ou para onde caminhar. São uma exortação, palavras verdadeiramente
provocantes para todos e cada um de nós. Neste mundo complexo, nesta realidade
plena de desafios, em nossa vida pessoal tantas vezes sofrida, ferida, cheia de
contradições e desafios, o Senhor nos olha, estende-nos as mãos; abre-nos o
coração e nos enche de serenidade e confiança: “Não se perturbe o vosso
coração”.
A fé em Jesus nos traz serenidade,
esperança e conforto. Como discípulos e discípulas, precisamos proclamar em
alta voz nossa fé nele, nossa entrega a ele, a certeza de que pode dar um
sentido à nossa vida. Por isso ele se revela no evangelho como o caminho, a
verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Jesus. É precisamente neste
mundo de tantos caminhos que o Senhor Jesus nos diz: Eu sou o Caminho. Nestes
tempos de tantas “verdades”, ele nos proclama: Eu sou a verdade. Neste mundo
que nos tenta, oferecendo vida onde não há vida verdadeira, Jesus anuncia: Eu
sou a vida.
Jesus se nos apresenta como
aquele que vem de Deus e o único que nos pode revelar de modo pleno, claro e
conclusivo o caminho para Deus. Mais ainda, aquele que é nosso caminho é também
nossa única verdade e nossa única e verdadeira vida. É diante dele que somos
chamados a dar um rumo à nossa existência e à existência da sociedade, da
família, da nossa comunidade, das relações sociais, do mundo. O papa Bento XVI
dizia: “o mundo tem tantas e tantas medidas para avaliar o bem e o mal, o certo
e o errado…” E advertia: “nossa medida é Cristo. Ele é nossa medida porque é o
único caminho, a única verdade, a única vida”.
Somos convidados a ficar em
contato permanente com Jesus caminho, verdade e vida. E é pela oração, pelos
gestos de solidariedade, pela prática do amor que podemos manter esse contato
vital com o Mestre.
padre Gilbert Mika Alemick, ssp
A liturgia de hoje deve ser
contemplada à luz da leitura evangélica, tomada de João. Essa leitura, junto
com o prólogo de João, fornece, como veremos, a chave da mensagem do Quarto
Evangelho: a manifestação de Deus em Jesus Cristo. Por outro lado, a primeira e
a segunda leituras dirigem nosso olhar para a comunidade nascida da fé em
Jesus, a Igreja. Por isso, a dinâmica da homilia poderá desdobrar-se na ordem
inversa das leituras, pois o que o evangelho faz entrever é a base daquilo que
as leituras evocam.
1ª
leitura (At. 6,1-7)
A primeira leitura continua a
narração dos primórdios da jovem comunidade nos tempos depois da Páscoa e Pentecostes.
A caridade cria novas tarefas, porque o crescimento da comunidade tinha trazido
um novo problema. Além dos convertidos do judaísmo tradicional de Jerusalém,
entraram convertidos do “judeu-helenismo”, judeus helenizados, que viveram nas
cidades comerciais do Mediterrâneo, ou pagãos convertidos, prosélitos, que
tinham aderido ao judaísmo e agora passavam à comunidade cristã. A entrada
dessas pessoas, que não pertenciam aos clãs tradicionais, tornou necessário um
novo serviço na comunidade: a organização da assistência às viúvas desse grupo
e do “ministério dos pobres” em geral, ao lado dos apóstolos, que serão em
primeiro lugar servidores da Palavra e fundadores de comunidades.
2ª
leitura (1Pd. 2,4-9)
A segunda leitura casa bem com a
primeira. Fala do mistério da Igreja, templo de pedras vivas, sustentadas pela
pedra de arrimo que é Jesus Cristo, “pedra angular rejeitada pelos
construtores” (1Pd 2,7; cf. o salmo pascal, Sl. 118[117],22). Em 1Pd 2,9, a
Igreja é chamada pelo título por excelência do povo de Israel segundo Ex 19,6,
“sacerdócio régio”, sacerdócio do Reino. Assim como o povo de Israel foi
escolhido por Deus para celebrar a sua presença no meio das nações, assim a
Igreja é o povo sacerdotal, escolhido por Deus para santificar o mundo. Ela é
chamada a ser o “sacramento do Reino”, sinal e primeira realização do Reino no
mundo. Com essas imagens, Pedro destaca a dignidade e responsabilidade dos que
receberam o batismo na noite pascal. Graças ao Concílio Vaticano II,
valorizamos agora melhor esse sacerdócio dos fiéis, que designa a santificação
do mundo como vocação do povo de Deus como tal, isto é, de todos os que podem
ser chamados de “leigos” (em grego, laós = povo; nesse sentido, também os
membros da hierarquia são “leigos”!). Como o sacerdote santifica a oferenda,
assim todos os que levam o nome cristão devem santificar o mundo pelo exercício
responsável de sua vocação específica, na vida profissional, no empenho pela
transformação da sociedade, na humanização, na cultura etc. Tal “sacerdócio dos
fiéis” não entra em concorrência com o sacerdócio ministerial, pois este é o
serviço (“ministério”) de santificação dentro da comunidade eclesial, aquele é
a missão santificadora da Igreja no mundo, como tal. O sacerdócio dos fiéis
significa que a Igreja, como comunidade, e todos os fiéis pessoalmente, em
virtude de seu batismo, recebem a missão de santificar o mundo, continuando a
obra de Cristo.
Evangelho
(Jo. 14,1-12)
No domingo passado, Cristo foi
chamado a “porta das ovelhas”. No evangelho de hoje, vemos com maior clareza
por que Cristo é o acesso ao Pai: Caminho, Verdade e Vida. O sentido desses
três termos, que constituem uma unidade (o Caminho da Verdade e da Vida), é
apresentado mediante pequena encenação. Jesus inicia sua despedida (Jo. 13,31-17,26)
dizendo que sua partida é necessária: ele vai preparar um lugar para seus
discípulos. Quando Jesus sugere que eles conhecem o caminho, Tomé, o cético,
responde que não o conhecem. Então, Jesus explica que ele mesmo é o caminho da
Verdade e da Vida, o caminho pelo qual se chega ao Pai. Na Bíblia, caminho e
caminhar significam muitas vezes o modo de proceder. O caminho ou caminhar reto
é o que hoje chamaríamos de moral ou virtude. Portanto, se Jesus chama a si
mesmo de caminho, não se trata de algo teórico, uma doutrina, mas de um modo de
viver. É vivendo como Jesus viveu que conhecemos o seu caminho e encontramos a
vida e a verdade às quais ele nos conduz (v. 6a). Se, pois, ele diz que ninguém
vai ao Pai senão por ele (v. 6b), não está proclamando uma ortodoxia que exclui
os que não confessam o mesmo credo, mas dá a entender que os que chegam ao
conhecimento/experiência de Deus são os que praticam o que ele, em plenitude,
praticou: o amor e a fidelidade até o fim. E isso pode acontecer até fora do credo
cristão.
Depois da pergunta de Tomé, temos
a pergunta de Filipe: “Mostra-nos o Pai, isso nos basta” (Jo. 14,8). Ora,
qualquer judeu piedoso, qualquer pessoa piedosa, quer conhecer Deus – que Jesus
costuma chamar de Pai. Porém, diz João no prólogo de seu evangelho, ninguém
jamais viu a Deus (Jo. 1,18). Agora, Jesus explica a Filipe: “Quem me viu, viu
o Pai”. Nesse momento, quando (segundo a contagem judaica) já se iniciou o dia
de entregar a vida por amor até o fim, Jesus revela que, nele, contemplamos Deus.
Nosso perguntar encontra nele resposta; nosso espírito, verdade; nossa
angústia, a fonte da vida. Nesse sentido, ele mesmo é o caminho que nos conduz
ao Pai e, ao mesmo tempo, a Verdade e a Vida que se tornam acessíveis para nós.
“O Unigênito, que é Deus e que está no seio do Pai, no-lo fez conhecer” (Jo
1,18). Jesus não falou assim quando realizava seus “sinais”: o vinho de Caná, o
pão para a multidão, nem mesmo a cura do cego ou a revivificação de Lázaro.
Pois o sentido último para o qual a atuação de Jesus apontava não era fornecer
vinho ou pão, ou substituir um médico ou curandeiro, mas manifestar o amor do
Pai, o Deus-Amor.
Trata-se de ver a Deus em Jesus
Cristo na hora de sua entrega por amor. Para saber como é Deus, o Absoluto da
nossa vida, não precisamos contemplar outra coisa senão a existência de Jesus
de Nazaré, “existência para os outros”, na qual Deus imprimiu seu selo de
garantia, no coroamento que é a ressurreição. Muitas vezes, tentamos primeiro
imaginar Deus para depois projetar em Jesus algo de divino (geralmente, algo de
bem pouco humano…). Devemos fazer o contrário: olhar para Jesus de Nazaré, para
sua vida, para sua palavra e sua morte, e depois dizer: assim é Deus – isso nos
basta (cf. Jo. 14,8-9). E isso é possível porque Jesus, trilhando até o fim o
caminho que ele mesmo é, assumindo ser a “graça e a verdade” (Jo. 1,14), o amor
e a fidelidade de Deus até o fim, mostra Deus assim como ele é, pois “Deus é
amor”, diz o mesmo João em sua primeira carta (1Jo 4,8.16). Podemos dizer, com Paulo,
que Jesus é o rosto do Pai, a perfeita imagem dele (cf. Cl 1,15). Assim como
Jesus procede, Deus é. Ele está no Pai e o Pai está nele (Jo. 14,11), e quem a
ele se une fará o que ele fez, e mais ainda, agora que ele se vai para junto do
Pai (14,12) e deixa, por assim dizer, o campo aberto para a ação dos que crêem
nele, animados pelo Espírito-Paráclito (14,13-17, continuação do texto de
hoje).
Dicas
para reflexão
Para o cristão, o gesto de amor e
fidelidade de Jesus até o fim é a suprema revelação de Deus. Não podemos, nesta
existência terrena, conhecer a Deus em si. Ele é “o além de nossos horizontes”.
Mas ele se manifesta a nós no justo e santo, aquele que faz sua vontade e lhe
pertence por excelência, Jesus de Nazaré. Mais exatamente: quando este, “na
carne” (cf. 1Jo 4,2), leva a termo o amor e a fidelidade (“a graça e a
verdade”, Jo 1,14), os traços fundamentais de Deus já manifestados no seu agir
em relação a Israel (veja, por exemplo, Ex 34,6). Jesus, Palavra de Deus
“acontecendo em carne” (cf. Jo 1,14), não se limita a um só povo. Toda a carne
humana é assumida nesse homem, que vive o amor e a fidelidade de Deus até o
fim, de modo que o que se pode dizer de Deus é isto: “Deus é amor”. Amor que
ama primeiro e é conhecido em Jesus, mas também quando amamos nossos irmãos
(1Jo 4,10-12).
Aí entra o pensamento acerca da
comunidade eclesial, que constitui o segundo grande tema deste domingo. Como
Cristo encarnou o que Deus fundamentalmente significa para a humanidade – amor
radical –, sua comunidade é chamada a manifestar essa mesma realidade de Deus
ao mundo. Aí está sua santa vocação, seu sacerdócio, de que participam todos os
que foram batizados em Cristo (e, assim, no Pai e no Espírito). Ser cristão não
é simplesmente proclamar um credo ou pertencer a uma instituição, mas encarnar
o Deus-Amor trilhando o “caminho” que é Jesus.
padre
Johan Konings, sj
Formados
e instruídos pela palavra
Três leituras, três ensinamentos,
três momentos para o crescimento da comunidade do Ressuscitado.
A palavra do Senhor se espalhava
(At. 6,7) - A comunidade que nasceu da pregação de Jesus e de sua paixão, morte
e ressurreição ia fazendo seu caminho. Estava se dilatando. Dois serviços
pareciam importantes: o cuidado caridoso das viúvas e a pregação da palavra.
Chegaram aos apóstolos reclamações a respeito o descuido das viúvas por parte
deles. Ora, os apóstolos estavam plenamente conscientes de que não podiam
deixar de pregar. Eles haviam aprendido que a fé nasce da audição, da pregação.
A solução foi a criação de um grupo que haveria de se ocupar do serviço da
caridade. O nome mais conhecido do grupo criado era o de Estevão. Esses dois
serviços continuam urgentes e atuais em nossas comunidades. Necessário fazer de
sorte que homilias, catequeses, leitura orante da Bíblia não faltem na
vida dos discípulos. A fé nasce da escuta da Palavra. Ministros preparados são
instrumentos do nascimento de Deus no coração dos fiéis. Necessário
também que muitos cuidem dos necessitados mais próximos e todos empreendamos
empenhos na linha da justiça e da paz. “Entretanto, a palavra do Senhor se
espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém e grande multidão
de sacerdotes judeus aceitava a fé” (At. 6,7).
Pedras vivas de um edifício
espiritual - Em sua primeira carta Pedro faz uma das mais clássicas e profundas
descrições desse povo novo nascido da paixão, morte e ressurreição de Jesus:
“Vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do reino, a nação santa, o povo que
ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das
trevas para sua luz maravilhosa”.
Através do testemunho e da
pregação dos apóstolos após a ressurreição e com a efusão do Espírito foram se
reunindo os discípulos desse Mestre da Galiléia que foi confirmado pelo Pai
como Senhor, arrancado da morte. Ora, esse povo novo é raça escolhida, como
sacerdotes oferecem a criação, o trabalho,a vida ao Pai. Os membros desse povo
santo e novo se reúnem para ouvir ensinamento dos apóstolos, celebram a
presença de seu Mestre no seu meio. Pela alegria de viver a fé anunciam as
obras realizadas em suas vidas. Foram tirados das trevas a agora iluminam o
mundo com a claridade de sua vida. São igreja viva. São pedras vivas.
Pois eu vou para o Pai - Nesta
quadra do ano litúrgico estamos prestes a celebrar a solenidade da ascensão do
Senhor. Ele desaparecerá de diante dos homens. A natureza humana de Jesus,
nossa carne humana, penetrará na glória. Esse que vai para o Pai promete ficar
entre nós até a consumação dos séculos. E toda a comunidade cristã se rejubila
com sua ascensão e fica esperando a força do alto, o paráclito que vem
completar a obra começada pelo Filho.
frei
Almir Ribeiro Guimarães
Jesus, Caminho, Verdade e Vida
No domingo passado, Cristo foi chamado a “porta das
ovelhas”. No Evangelho de hoje vemos com maior clareza por que Cristo é o
acesso ao Pai: Caminho, Verdade e Vida. O sentido destes três termos, que
constituem uma unidade (o Caminho da Verdade e da Vida) é apresentado através
de uma pequena encenação. Jesus inicia sua despedida dizendo que é uma viagem
necessária, para lhes preparar um lugar, e que eles conhecem o caminho. Tomé
(!) responde que não. Jesus explica que ele mesmo é o caminho da Verdade e da
Vida, o caminho pelo qual se chega ao Pai. Toda pessoa piedosa quer conhecer
Deus. Mas, nos diz João no prólogo de seu evangelho, ninguém jamais o viu… (Jo.
1,18).
Agora, Jesus explica a Filipe, que lhe pede para
mostrar-lhe o Pai: “Quem me vê, vê o Pai”. Em outros termos: em Jesus
contemplamos Deus. Nosso perguntar encontra nele resposta, nosso espírito,
verdade, nossa angústia, a fonte da vida. Neste sentido, ele mesmo é o caminho
que nos conduz ao Pai e, ao mesmo tempo, a Verdade e a Vida que se tomam
acessíveis para nós. “O Unigênito no-lo fez conhecer” (Jo. 1,18).
Mas que significa conhecer, ver Deus em Jesus
Cristo? Significa que, para saber como é Deus, o Absoluto da nossa vida, não
precisamos contemplar outra coisa que a existência de Jesus de Nazaré,
“existência para os outros”, à qual Deus imprimiu seu selo de garantia, no
coroamento da Ressurreição. Muitas vezes tentamos primeiro imaginar Deus, para
depois projetar em Jesus algo de divino (geralmente algo de bem pouco humano…).
Devemos fazer o contrário: olhar para Jesus de Nazaré, para sua vida, palavra e
morte, e depois dizer: assim é Deus - isso nos basta (cf. Jo. 14,8-9). Ele está
no pai e o Pai nele (14,11), e quem a ele se une, fará o que ele fez, e mais
ainda, agora que ele se vai (14,12).
Somos conscientes da semelhança entre o rosto do
Cristo e o rosto dos oprimidos. As palavras: “Quem me vê, vê o Pai”,
pronunciadas na véspera da cruz, recebem entre nós uma atualidade especial.
Quem tem medo de encarar os rostos dos pobres e sofridos no meio de nós não é
capaz de conhecer a glória do amor do Pai, que se dá a ver no rosto coroado de
espinhos de Jesus, o homem de Nazaré.
Na perspectiva deste evangelho, ganha um sentido
bem especial o canto da entrada: Deus revelou sua justiça diante dos povos, a
saber, na existência de Jesus Cristo, coroada pela ressurreição.
As duas primeiras leituras descrevem a constituição
da comunidade do Cristo. A 1ª leitura, At. 6, narra a conflituosa expansão da
comunidade no meio dos judeus helenistas (que ganharam sua própria
“administração” — os sete diáconos); e também no meio dos sacerdotes. O salmo
responsorial comenta este episódio no sentido da providência de Deus para todos
os seus.
E a 2ª leitura, continuação da carta de Pedro
(2,4-9), canta a dignidade do povo constituído em Cristo, construído com pedras
vivas sobre a pedra rejeitada pelos construtores, que se tomou a pedra angular.
A oração do dia é inspirada em Jo. 8,31ss: a
liberdade dos filhos de Deus, filhos adotivos, por certo, mas verdadeiramente
“gente da casa” para Deus, e herdeiros de sua graça e vida; é à realização
escatológica dessa realidade que alude o começo do evangelho de hoje (“Na casa
de meu Pai há muitas moradas”). O canto da comunhão inspira-se em Jo. 15
(alegoria da videira, tema central deste domingo no ano B).
padre Johan Konings
"Liturgia dominical"
1ª leitura: (At. 6,1-7) Expansão da Igreja entre os
helenistas; os diáconos
Continua a narração dos primórdios da Igreja. Seu
crescimento traz problemas. Além dos convertidos do judaísmo tradicional,
entram agora também convertidos do “judeu-helenismo” (judeus helenizados, que
viveram nas cidades comerciais do Mediterrâneo; ou pagãos convertidos
anteriormente ao judaísmo: prosélitos). A organização da assistência às viúvas
deste grupo provocou um novo serviço na comunidade: os diáconos. Eles assumem o
“ministério dos pobres” em geral.
* cf. At. 1,14; 2,42; 13,3; 1Tm. 4,14.
2ª leitura: (1Pd. 2,4-9) A Igreja, templo de pedras
vivas; Cristo, pedra angular
A presente leitura é rica em imagens, que se
determinam mutuamente. Cristo é a pedra viva, rejeitada, morta, mas
ressuscitada por Deus; quem a ele se une na construção, é pedra viva também.
Viver como Cristo é o sacrifício “espiritual” (= conforme o “espírito”, a força
de Deus). Por isso, somos santificadores como ele: o sacerdócio régio que nos é
conferido pelo batismo.
* 2,4-6
cf. Ef. 2,20-22; Is. 28,16 * 2,7-8 cf. Sl. 118[117],22; Is. 8,14-15 * 2,9 cf.
Ex. 19,5-6; Ef. 1,14; Cl. 1,12-13.
Evangelho: (Jo 14,1-12) Jesus, caminho e revelação
do Pai
Jesus prepara os seus para a hora de seu
afastamento. V. 1-4 são consolação: a fé em Deus e Jesus vence a dor da
separação. Jesus promete que ele voltará para levá-los à glória do Pai. Mas
também no tempo intermédio, o fiel não fica abandonado. Ele conhece seu
destino, o caminho. Aliás, destino e caminho são o mesmo: Jesus. Ele é caminho,
basta “ir por ele” (cf. 10,9: a porta); ele é também o destino: a verdade, Deus
mesmo se torna acessível. Quem o vê, vê Deus. Assim, a verdade não é uma
doutrina, mas uma vida. A gente a alcança, vivendo a vida de Jesus.
* 14,1-4 cf. Jo 14,17; 10,28-30 * 14,5-7 cf. Hb
10,20; Jo 8,19 * 14,9 cf. Jo 1,18 * 14,10 cf. Jo 10,30.38; 12,49.
O sacerdócio dos fiéis
O tempo litúrgico depois da Páscoa aprofunda o
sentido do batismo cristão, intimamente ligado à Páscoa. As leituras de hoje
convidam a uma reflexão sobre o sacerdócio comum de todos os batizados.
A 1ª leitura nos fala do desenvolvimento da jovem
comunidade. A caridade cria novas tarefas: surgem os “diáconos” (= servidores)
da comunidade, ao lado dos apóstolos (que serão em primeiro lugar servidores da
palavra e fundadores de comunidades; seus sucessores são os bispos). As
comunidades estabelecidas recebem um colégio de anciãos ou presbíteros. Nestes
serviços reconhecemos o que hoje se chama a “ordem” do sacerdócio ministerial
(bispos, presbíteros, diáconos).
A 2ª leitura fala do mistério da Igreja, templo de
pedras vivas, sustentadas pela pedra de arrimo que é Jesus Cristo, “pedra
angular rejeitada pelos construtores”. A Igreja é chamada, com o título do povo
de Israel segundo Ex 19,6, “sacerdócio régio”, sacerdócio do Reino. Assim como
o povo de Israel foi escolhido por Deus para celebrar a sua presença no meio
das nações, assim a Igreja é o povo sacerdotal, escolhido por Deus para
santificar o mundo. Ela é chamada a ser o “sacramento do reino”, sinal e primeira
realização do Reino no mundo. Com essas imagens, Pedro destaca a dignidade e
responsabilidade daqueles que receberam o batismo na noite pascal.
O sacerdócio dos fiéis, reafirmada no Concílio
Vaticano II, designa a santificação do mundo como vocação do povo de Deus como
tal, de todos os que podem ser chamados de “leigos” (em grego, laós = povo;
neste sentido, também os membros da hierarquia são “leigos”!). Como o sacerdote
santifica a oferenda, assim todos os que levam o nome cristão devem santificar
o mundo pelo exercício responsável de sua vocação específica, na vida
profissional, no empenho pela transformação da sociedade, na humanização, na
cultura etc. Tal “sacerdócio dos fiéis” não entra em concorrência com o
sacerdócio ministerial. Pois este é o serviço (“ministério”) de santificação
dentro da comunidade eclesial, aquele é a missão santificadora da Igreja no
mundo, como tal. O sacerdócio dos fiéis significa que a Igreja como comunidade
e todos os fiéis pessoalmente, em virtude de seu batismo, recebem a missão de
santificar o mundo, continuando a obra de Cristo.
No belíssimo evangelho deste domingo aprendemos
como é esse Deus do qual nossa vida será o culto, a celebração no mundo em que
vivemos: ele tem o rosto de Jesus.
padre Johan Konings
A Primeira Carta de Pedro
Nestes domingos, a segunda leitura da liturgia é
tomada da Primeira Carta de Pedro. Estamos no Tempo Pascal. Nos primórdios da
Igreja, ministrava-se o batismo aos novos cristãos na noite pascal. Ora, a
Primeira Carta de Pedro contém ensinamentos valiosos para alimentar a firmeza e
a perseverança dos recém-batizados. E também para nós, que, na noite pascal,
pronunciamos a renovação de nosso compromisso batismal.
A carta foi provavelmente redigida na comunidade
judeu-cristã de Roma, que guardava de modo especial a tradição do Apóstolo
Pedro. Talvez seja um “testamento literário” de Pedro, editado por seus
discípulos, depois de sua despedida deste mundo. Quando a carta recebeu a
redação que atualmente conhecemos, Pedro já se tinha tornado uma figura de
grande prestígio em toda a Igreja.
A carta usa a autoridade do Apóstolo para consolar,
animar e exortar os cristãos que. no Império Romano, sofrem vários tipos de
hostilidades e provações. Evangelizados há pouco, estes cristãos não pertencem
mais ao “mundo pagão” dos seus pais e amigos, mas ainda não estão muito firmes
na nova vida recebida no batismo. A carta quer dar-lhes uma identidade cristã e
firmar a solidariedade e a unidade.
É uma carta-encíclica, que passa de comunidade em
comunidade. Ela se dirige “aos eleitos que vivem como estrangeiros na dispersão
no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (1Pd 1,1), regiões da atual
Turquia. Por passar de comunidade em comunidade, ela é contada, no Novo
Testamento, entre as “cartas católicas”, isto é, universais: Tiago; 1 e 2
Pedro; 1, 2 e 3 João; Judas.
Para ajudar os cristãos a compreenderem o seu papel
na situação difícil em que vivem, 1Pd alude, com freqüência, à experiência dos
seus antepassados na fé, o povo de Israel. A “releitura” do êxodo do Egito e do
exílio babilônico tem a finalidade de fortalecer a autocompreensão e a conduta
cristãs. Este tema pode também ajudar os cristãos de hoje a se situarem no
mundo do século XX. Trata-se dos “cristãos como minoria sócio-religiosa”.
Diversas vezes, a carta chama seus leitores de “estrangeiros” e “forasteiros”
(ou “peregrinos”), isto é, pessoas que não pertencem plenamente à sociedade
ambiente. Esses termos lembram a frase do Deuteronômio dizendo que o povo de
Deus foi “estrangeiro” no Egito (Dt 10,19). O povo de Israel foi como que
hóspede dos egípcios, até certo momento (quando veio um novo faraó, que não
conhecera José, os egípcios reduziram o povo à escravidão: Ex 1,8). Ora, os
cristãos no Império Romano, pelo fim do século I, eram um pouco como os filhos
de Israel no Egito: cidadãos de segunda categoria. Como não participavam do
culto oficial prestado ao Imperador, não tinham plenos direitos civis, nem
sequer o direito de casar com uma “cidadã”, embora pudessem ser requisitados
para o exército e pagassem taxas e impostos, inclusive extras.
Também hoje, um verdadeiro cristão será
necessariamente como um estrangeiro no mundo. Não participará do culto do
consumo e do prazer e, se ele se dedica ao trabalho comunitário, aos
marginalizados e excluídos, terá de enfrentar a mentalidade neoliberal que
proclama que o jogo do mercado (o lucro que cada um pode fazer) é a maneira
mais fácil para manter o equilíbrio econômico (excluindo os que não conseguem
acompanhar). O próprio fato de ter uma fé absoluta em Jesus e em Deus, seu Pai,
torna o cristão fiel estranho para o mundo, pois atualmente muitas pessoas
trocam de religião como trocam de roupa, de barzinho ou de parceiro(a)...
Ora, a consciência de sermos estrangeiros não deve
suscitar em nós o desejo de fugir do mundo, mas, antes, de enfrentá-lo, dando o
nosso testemunho de fé e de caridade, e a “razão de nossa esperança” (1Pd
3,15). Por isso, quero observar que muitas bíblias traduzem mal o versículo
2,11, escrevendo “como peregrinos e forasteiros neste mundo”, dando a impressão
de que este mundo é um lugar de passagem com o qual nada temos a ver. O texto
original da Bíblia não contém as palavras “neste mundo” e deveria traduzir-se
“como estrangeiros residentes” (cf. a “carteira de estrangeiro” no Brasil).
padre Johan Konings
"Descobrir a Bíblia partir da liturgia"
“Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete
homens de boa fama, repletos do Espírito e sabedoria ...” (At.
6,3ab).
A Liturgia da Palavra de hoje nos vai orientando
aos poucos para a figura de Jesus, o escolhido de Deus para a obra da salvação
da humanidade em Igreja.
Para que a todos os homens a Salvação chegue, Deus
precisa de ajuda de muitas pessoas. A Primeira Leitura de hoje nos mostra como
os apóstolos não conseguiam fazer todo o serviço que a Igreja lhes pedia. Foi
então que decidiram condividir suas tarefas com outros homens.
Porém para o trabalho em Igreja não são aptas todas
as pessoas.
Deus escolhe quem Ele quer, por meio da ação do
Espírito Santo sobre a comunidade.
Foi assim que os primeiros diáconos foram
escolhidos.
Eram necessários para distribuir os bens dos
cristãos aos mais pobres, viúvas e órfãos.
A comunidade reunida ouviu o parecer de São Pedro:
“Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete
homens de boa fama, repletos do Espírito e sabedoria ...” (At. 6,3ab).
As condições que tais homens deviam preencher eram:
boa fama, repletos do Espírito e sabedoria.
Em outras palavras: sem estas condições não
prestariam o trabalho que a Igreja lhes pedia. Uma vez escolhidos os sete diáconos,
os apóstolos se puseram em oração e estendendo as mãos sobre as cabeças de cada
escolhido, lhes deram a unção do Espírito Santo.
Para esta escolha, o sinal de Deus foi o Espírito
Santo. Portanto não foi somente a comunidade cristã com os apóstolos que deste
modo mostraram como Deus desejava cuidar de sua Igreja.
E aqui chegamos ao ponto importante: é Deus quem
governa a Igreja, por meio de homens que inspira com o dom do Espírito Santo.
Pensemos nos atuais guias da Igreja: o Papa, os
Bispos, os Presbíteros, os Diáconos. Todos recebem a imposição das mãos e o dom
do Espírito Santo para exercerem a tarefa que a Igreja lhes confia. Estes são
os seus ministros ordinários.
Os Ministros extraordinários da Eucaristia e da
Palavra recebem o “envio” por parte dos ministros ordinários. Participam deste
modo da responsabilidade que a Igreja confiou aos ministros ordinários. A
responsabilidade é grande. Precisam ser “cheios de Espírito Santo e sabedoria”
como os diáconos da Igreja primitiva.
A Igreja como um todo é a beneficiária destes
ministérios.
E como Igreja, todos nós pedimos a Deus que os
inspire, ilumine com os dons do Espírito Santo.
Salmo Responsorial: Sl. 32(33),1-5.18-19.
O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem ...
[Sl. 32(33),18a].
Na Primeira Leitura vimos como Deus escolhe pessoas
para ajudarem os ministros ordinários da Igreja.
Se perguntarmos: como Deus os escolhe?
O Salmo Responsorial nos dá uma resposta entre
outras:
O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem ...
[Sl. 32(33),18a].
Isto quer dizer que Deus não escolherá ninguém para
o ministério da Igreja que não O ame em primeiro lugar.
Os Ministros da Igreja foram escolhidos por Deus
antes de tudo: Deus viu que seus escolhidos tinham fé e observaram Seus
Mandamentos, a começar pelo primeiro, o de amá-Lo sobre todas as coisas.
Jesus Cristo escolheu pessoalmente seus discípulos
como quis, isto é, vendo as qualidades espirituais e humanas de cada um deles.
Antes de tudo eram pessoas fiéis a Deus, respeitando os Mandamentos. Foi por
isso que Jesus lhes disse:
“Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que
vos escolhi
e vos designei para irdes
e para que produzais fruto
e vosso fruto permaneça”. (Jo. 15,16).
Nesta escolha Jesus, como Deus Pai, pousou Seu
olhar sobre os que temiam a Deus, os discípulos escolhidos. Se um de seus
discípulos O traiu, isto não significa que desde o início de sua chamada fosse
traidor.
Atendamos ao convite deste Salmo Responsorial: que
Deus pouse seu olhar sobre os bons cristãos católicos para que os escolha a
serviço de Sua comunidade santa, a Igreja.
Segunda Leitura: 1Pd 2,4-9.
“Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada
pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus” (1Pd 2,4)
São Pedro nesta carta nos mostra duas eleições de
Deus:
Primeiro: Jesus foi o escolhido de Deus para
anunciar o Reino a Seu Povo Santo dando origem à Igreja. No entanto, nem todos
os judeus concordaram com esta escolha de Deus. Os líderes de Israel rejeitaram
Jesus, a “pedra angular” prevista pelos profetas (Is 28,16) e pelo Salmo
117(118),22.
Segundo: os batizados, os cristãos desde o início
da Igreja, foram escolhidos por Deus. São Pedro diz que, ao contrário dos
líderes de Jerusalém, receberam o anúncio do Reino de Deus feito por Jesus,
aceitaram o Batismo e formaram a Igreja. Estes são, nas palavras de São Pedro:
“... a estirpe escolhida, o sacerdócio do
Reino, a nação santa, o povo que Ele conquistou para proclamar
as obras admiráveis Daquele que vos chamou das trevas para a Sua luz
maravilhosa”. (1Pd 2,9).
Estas são qualificações elevadas pelas quais Deus
escolheu sua comunidade, como uma família, uma estirpe, um tipo especial de
pessoas, participantes do sacerdócio de Jesus Cristo, nação santa e Povo
Eleito. Tudo isto é a Igreja tal como teve seu início na primeira geração.
Não significa que nós hoje, não sejamos escolhidos
por Deus da mesma maneira que a primeira geração. Como os primeiros cristãos,
Deus nos mostra sua escolha dando-nos as mesmas tarefas e ministérios:
“... para proclamar as obras admiráveis
Daquele que vos chamou das trevas para a Sua luz
maravilhosa”. (1Pd 2,9).
Cumprindo nossa missão, cada batizado em
particular, não vagamos sem destino pelo mundo. Há um ponto de chegada, um fim
da História da Salvação, em que chegaremos à Sua Luz maravilhosa.
E isto porque seguimos Jesus, fomos escolhidos por
Ele, que nos disse: “Eu sou a Luz do mundo” (Jo 8,12; 9,5; 12,46).
E isto, ainda, porque “... nos aproximamos do
Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos
de Deus” (1Pd 2,4).
Permaneçamos junto de Jesus Cristo. Tudo o mais nos
será dado.
Evangelho: Jo 14,1-12.
Jesus respondeu:
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
Ninguém vai ao Pai senão por mim”. (Jo 14,6).
Concentremos nossa atenção no fim do que Jesus
disse:
“Ninguém vai ao Pai senão por mim”. (Jo 14,6c).
Isto porque aqui Jesus se apresenta como o
escolhido por Deus para levar a Si toda a humanidade.
E porque Deus escolheu Jesus para esta missão neste
mundo, fez com que Ele fosse o Caminho, a Verdade e a Vida.
Se Jesus deu aos apóstolos e diáconos missões
específicas, tudo isto procede da missão que Deus mesmo deu a Jesus em
benefício da humanidade.
Deus escolheu seu Filho para que levassem a Si
todas as pessoas.
Jesus deu a Igreja pessoas escolhidas por Seu Pai
para O ajudarem a levar a Deus todas as pessoas.
As pessoas que em Igreja participam desta missão de
Jesus Cristo, são as escolhidas, amadas, abençoadas com o dom do Espírito
Santo, e enviadas ao mundo.
Assim tem início e fim em Deus todo o Plano
Salvador da humanidade.
Assim alcançaremos o que São Pedro nos disse, sair
das trevas para a Luz, eternamente:
“... [somos] a estirpe escolhida, ... o povo que
Ele conquistou para proclamar as obras admiráveis Daquele que vos chamou das
trevas para a Sua luz maravilhosa”. (1Pd 2,9).
Consideremos o grande Plano Salvador de Deus.
Em Deus tudo tem início e tudo tem seu ponto de
chegada. Chegamos ao Pai por meio de Jesus e de Sua Igreja.
Não nos esqueçamos da mensagem central da Liturgia
da Palavra deste domingo: a Salvação nos vem:
- pela decisão amorosa que Deus toma para salvar a
todos;
- pela entrega, ao Filho, da missão salvadora neste
mundo;
- pela escolha de colaboradores de Jesus na Igreja:
os ministros ordenados e não ordenados.
Este Plano, desde agora em operação por Deus,
alcançará sua plena realização no fim dos tempos, quando tudo voltará para
Deus, o Criador e Salvador.
padre Valdir Marques, SJ
Caminho do Pai
No Evangelho de João, Jesus se declara o Caminho, a
Verdade e a Vida. O que Ele quer dizer com isso? O que muda no conceito que
existia até então, trazido através dos tempos baseado no Antigo Testamento?
Para o povo de Israel, a Lei representava o caminho
a seguir, a verdade em que acreditar e a vida a possuir como consequência.
Praticando a Lei, as pessoas entendiam que podiam chegar até Deus (caminho)
porque nela Deus comunicava o seu projeto (verdade) e assim estariam de posse
das suas promessas (vida).
No final do capítulo anterior Jesus institui o
mandamento do amor como sendo o principal mandamento a ser seguido, e agora em
sequência, diz ser Ele mesmo o Caminho, a Verdade e a Vida, e completa que para
chegar a Deus é preciso mais do que simplesmente seguir a lei, é preciso agir
com amor. E, é nesse amor que Ele se encontra, ou seja, o único caminho capaz
de conduzir para o encontro definitivo com Deus.
As palavras de Jesus são enigmáticas para os
discípulos. Ele fala usando termos novos, e por isso os discípulos não
entendem.
Diante da perturbação deles, como era possível
enxergar na pessoa de Jesus a imagem invisível de Deus?
Jesus explica-lhes que, junto com o Pai, Ele está
inseparavelmente comprometido com a vida, e quem com a vida se compromete
torna-se membro da família de Deus. Isto é o que Ele quer transmitir quando
diz: “Quem me vê, vê o Pai.”
Quando Jesus declara que somos capazes de realizar
obras tão grandes ou maiores que as dEle, está apontando para a missão da
comunidade de Deus: estar sempre a serviço da vida para todos.
Ao criar o mundo, Deus fez o ser humano à sua
imagem e semelhança. E Jesus, plenamente humano, é ao mesmo tempo o espelho no
qual contemplamos o rosto do Pai, e uma presença do amor fiel no meio dos
homens.
Pequeninos
do Senhor
Após a ceia e o lava-pés, e depois da saída de
Judas, Jesus estabelece um diálogo de intimidade com seus discípulos. Ele lhes
dirige palavras de esclarecimento, que também lhes proporcionam confiança e
segurança. São palavras que penetram fundo no coração e fortalecem nossa fé.
Fortaleceram, da mesma forma, a fé dos discípulos, mais tarde, quando começaram
a perceber que Jesus continuava vivo entre eles. São palavras que alimentam
nossa oração e nossa prática de vida.
O amor de Deus e de Jesus para conosco está aí
vivamente expresso. Crer em Deus e crer em Jesus é fonte de paz para o coração
e para a comunidade. O ir e vir de Jesus não é um percurso entre a terra e o
céu. É o percurso da fé, neste mundo, no seguimento de Jesus, que é o caminho,
a verdade e a vida que levam ao Pai. E esta fé comprometida com as obras de
Jesus, na fraternidade, na misericórdia e na justiça, abre espaço para a morada
do Pai e de Jesus em cada um.
Pelo amor, na partilha e na solidariedade, vivido
na missão e nas comunidades, os discípulos são levados por Jesus à comunhão na
casa do Pai.
padre Jaldemir Vitório
O que a falta
de fé pode fazer na vida do discípulo...
Toda a liturgia da palavra deste
quinto domingo da Páscoa repousa sobre a preocupação com a unidade da
comunidade, depois da morte e ressurreição do Senhor. A unidade e a comunhão
dos discípulos são sinais e, ao mesmo tempo, frutos da presença de Jesus Cristo
ressuscitado dos mortos. No caso do início do capítulo 6 dos Atos dos
Apóstolos, a unidade da comunidade é ameaçada pelo aumento do número dos que
aderiam à fé em Jesus Cristo. Com esse aumento, começou a haver uma contenda
entre dois grupos: os cristãos convertidos do judaísmo e os cristãos
convertidos do paganismo. Quando cresce o número de pessoas, quando aumenta a
diversidade, inclusive cultural, a comunidade pode apresentar seu ponto de
fragilidade e necessita de atenção. O problema é que as viúvas dos gregos não
eram assistidas em suas carências. Os Doze não dão mais conta de todo trabalho
a ser feito e de socorrer todas as necessidades. É preciso que eles permaneçam
fiéis ao seu ministério específico (v. 4), suscitando e verificando os
diferentes carismas de serviço presentes na comunidade, e colocando-os a
serviço do bem de todos. A proposta e a escolha dos “sete” (vv. 3.5) foram a
solução para aquele problema específico da comunidade.
Há outras ameaças à unidade da
comunidade: a tristeza, a desilusão, a frustração. O capítulo 14 de João é a
continuação do discurso de despedida de Jesus no contexto da última ceia. O
anúncio da paixão e morte desconcerta os discípulos, na linguagem do próprio
evangelho, “perturba”, agita. A preocupação de Jesus nesse discurso é com essa
situação dos discípulos. A preocupação é com o que a falta de fé pode fazer na
vida do discípulo decepcionado, frustrado, perturbado. A falta de fé fez e faz
os discípulos abandonarem o Senhor e a própria comunidade. Por isso, o início
do trecho de hoje do evangelho é um convite à fé (v. 1). O apoio da vida em
Deus é o que sustenta o discípulo ante o desfecho dramático da existência
terrena de Jesus. É a fé que permite ver um sentido em todas as coisas, até
mesmo nas mais trágicas situações da nossa história, da história de Jesus que
“passou por este mundo fazendo o bem”. A fé é que permitirá, mais tarde, sentir
a morte de Jesus como lugar a partir do qual brilha a Glória de Deus.
Carlos
Alberto Contieri,sj
Neste domingo quinto do Tempo da Páscoa, elevemos o
olhar ao Ressuscitado; deixemo-nos tomar por sua palavra: “Não se perturbe o
vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também!” Estejamos atentos:
estas não são palavras ditas ao vento, para ninguém! São palavras, é exortação
a nós, cristãos de agora; palavras para cada um de nós e para nós todos,
palavras verdadeiramente provocantes!
No mundo complexo, numa realidade plena de
desafios, na nossa vida pessoal tantas vezes sofrida, tantas vezes ferida,
cheia de tantas contradições e desafios, o Senhor nos olha, estende-nos as
mãos, abre-nos o coração e nos enche de serenidade e confiança: “Não se
perturbe o vosso coração!”
Pensemos nos desafios dos tempos atuais: o desafio
de crer e testemunhar o Senhor em situações tão cheias de promessas, mas também
tão confusas. Pois bem, o Senhor insiste: “Tendes fé em Deus, tende fé em mim
também!” Ter fé em Cristo! Eis o desafio para nós! Ontem, como hoje, é
necessário proclamar nossa fé nele, nossa entrega a ele, nossa certeza de que
ele pode dar um sentido à nossa existência. E por quê? Não seria loucura,
alienação, infantilidade, confiar assim, de modo tão absoluto, em um alguém?
Por que apostar toda a vida em Jesus e somente em Jesus? Por que não um
pouquinho de Buda, um pouquinho de Maomé, um pouquinho de Dalai Lama, um
pouquinho de esoterismo, um pouquinho mais de consumismo e outro tantinho de
rédea solta aos nossos instintos? Por que somente Cristo? Por que absolutizar
Jesus? Eis a resposta, que ele mesmo nos dá; eis a resposta surpreendente!
Escutemo-la: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão
por mim!” É precisamente neste mundo de tantos desafios e de tantos caminhos,
que o Senhor Jesus nos diz: Eu sou o Caminho! Nestes tempos de tantas verdades,
ele nos proclama: Eu sou a Verdade! Neste mundo que nos tenta, oferecendo vida
onde não há vida verdadeira, Jesus anuncia: Eu sou a Vida! De fato, ele não é
simplesmente um profeta, um sábio, não é alguém a quem podemos admirar e seguir
ao lado de outros personagens igualmente ilustres! Jesus se nos apresenta como
aquele que vem de Deus e é o único que nos pode revelar de modo pleno, de modo
claro e conclusivo o caminho para Deus! Mais ainda: Aquele que é nosso Caminho
é também nossa única Verdade e nossa única e verdadeira Vida!
É diante dele que temos sempre que nos decidir, que
somos chamados a dar um rumo à nossa existência e à existência da sociedade, da
família, das relações sociais, do mundo. Bento XVI dizia, pouco antes de sua
eleição, que o mundo tem tantas e tantas medidas para avaliar o bem e o mal, o
certo e o errado... E ele advertia: nossa medida é Cristo! Eis! Ele é nossa
medida porque é o único Caminho, a única Verdade, a única Vida! O que o
Sucessor de Pedro quis dizer, o próprio Apóstolo Pedro nos afirma na segunda
leitura da Missa de hoje: “Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos
homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus! Com efeito, nas Escrituras
se lê: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem
nela confiar, não será confundido!’ Mas, para os que não crêem, ‘a pedra que os
construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular pedra de tropeço e rocha que
faz cair’”. Não há como escapar: diante de Cristo, é necessária uma escolha,
uma decisão! Aqui não se tem nada a ver com ser conservador ou progressista,
otimista ou pessimista! Aqui tem-se a ver com a experiência tremenda de Deus
que entregou seu Filho ao mundo para ser nossa Vida e Caminho e os homens a rejeitaram.
Ora, é diante do Cristo, Caminho, Verdade e Vida que nossa existência será
julgada, que o mundo será examinado! E, no entanto, ele será sempre sinal de
contradição e pedra de tropeço... Vimos, agora mesmo, por ocasião da eleição do
novo Papa, tantas idéias disparatadas – algumas, para nossa tristeza,
apresentadas até mesmo por padres ou religiosos... Alguns se iludem, pensando
numa Igreja que faça o jogo da moda, que diga amém a um modo de pensar, agir e
viver estranho ao Evangelho! Que engano tão danado! A renovação da Igreja está
em voltar sempre a Cristo e nele se reencontrar sempre, retomando o vigor, como
de uma fonte puríssima! O verdadeiro serviço à humanidade e ao mundo é
apresentar o Cristo e nele colocar toda a esperança!
“Não se perturbe o vosso coração!”
Já nos inícios da Igreja havia tensões, desafios,
dificuldades externas e internas. Pois bem, já ali o Senhor dizia aos cristãos:
“Não se perturbe o vosso coração!” Já ali lhes garantia a grandeza do amor do
Pai: “na casa do meu Pai há muitas moradas!” E já ali, entre as consolações de
Deus e as provações da vida, “a Palavra do Senhor se espalhava”. Portanto, não
temamos em colocar toda a nossa confiança no Senhor; não hesitemos em procurar
de todo o coração seguir os passos do Senhor Jesus! A oração inicial da Missa
de hoje exprimiu muito bem o que espera o cristão, ao colocar no Senhor a sua
existência. Recordemo-la: "Ó Deus, Pai de bondade, concedei aos que crêem
no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna!” – Eis o que buscamos, o
que esperamos, o que temos a certeza de alcançar: a liberdade verdadeira e a
herança eterna!
dom Henrique Soares da Costa
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